Senhor Embaixador!
1. Sinto-me feliz por receber Vossa Excelência nesta solene ocasião da
apresentação das Cartas que o acreditam como Embaixador extraordinário e
plenipotenciário do Grão-Ducado de Luxemburgo junto da Santa Sé.
Agradeço-lhe de coração, Senhor Embaixador, a cordial mensagem de saudação
que me dirigiu da parte de Sua Alteza Real o Grão-Duque Henri. Recordando com
prazer a recente visita e sensibilizado pela atenção que ele dedica à Sé
apostólica, ficar-lhe-ia grato se lhe transmitir os meus votos respeitosos pela
sua pessoa, pela família grão-ducal, assim como pelo povo luxemburguês.
2. Neste período do ano em que o nosso olhar está dirigido para o Príncipe da
Paz que há-de vir (cf. Is 9, 5), sentimos de maneira mais intensa os
dramas da violência e da guerra que atingem tantos dos nossos contemporâneos,
assim como a imperiosa necessidade de construir um futuro de paz para todos os
homens.
Como a Igreja católica recordou várias vezes, a paz e o desenvolvimento
caminham juntos e, no momento da mundialização dos intercâmbios, os países mais
ricos têm, por conseguinte, uma responsabilidade particular na edificação da
paz. Os Países da Europa, que, na sua origem, se associaram para esconjurar o
recurso à guerra e para estabelecer as condições de uma paz duradoura entre si,
hoje constituem, no seio da União europeia, um pólo político e económico que
tem, por sua vez, um dever particular em relação ao desenvolvimento e à paz.
Longe de pretender construir uma ilha de paz e de prosperidade fechada em si
mesma a fim de se proteger das incursões exteriores, a Europa deve continuar a
mostrar-se aberta e exemplar. De facto, ao partilhar as suas riquezas,
económicas, sociais, religiosas e culturais, e ao acolher as dos outros, ela
assumirá a sua verdadeira missão. Não duvido de que o seu país, que assumirá
proximamente a presidência da União, trabalha neste sentido, contribuindo
sobretudo para que o processo de integração actualmente em acto entre o Oeste e
o Leste do continente europeu seja acompanhado também do necessário diálogo e da
intensificação dos intercâmbios entre o Norte e o Sul do nosso planeta.
3. Senhor Embaixador, o seu é um dos países mais progredidos na Europa de
hoje, e a sua população goza de um elevadíssimo nível de vida. Consciente da sua
riqueza e das responsabilidades a que ela obriga, a sociedade luxemburguesa
exerce plenamente o seu dever de solidariedade com os países mais pobres,
sobretudo no continente africano. Convido os vossos cidadãos a permanecer
acolhedores com os estrangeiros, que constituem grande parte da população do
país, e a esforçar-se igualmente por restabelecer os vínculos de convivência
entre as diferentes camadas da sociedade que, muitas vezes, atingem também as
sociedades mais desenvolvidas do mundo contemporâneo.
4. Alegro-me por saber que o vosso governo tem a intenção de ajudar as
famílias, reforçando estruturas de assistência para as crianças, e que decidiu
também manter os programas de ensino religioso nas escolas secundárias. De
facto, as jovens gerações devem beneficiar de uma formação sólida, que facilite
a sua preparação para assumir as responsabilidades na sociedade de amanhã.
Eles têm particularmente necessidade de ser motivados pelos ideais fortes da
liberdade, do respeito e da justiça entre as pessoas e os povos, e da dignidade
para todos, que são também os ideias da religião. Tendo clara consciência dos
valores que fundam a sua história e cultura, e baseando nelas novos dinamismos,
os jovens poderão voltar-se com mais confiança para o futuro e dedicar-se à sua
construção com generosidade e grandeza de alma. Então, encontrarão um sentido
verdadeiramente altruista para a sua vida, que será muito mais proveitosa do que
a satisfação imediata das necessidades materiais na qual uma lógica meramente
comercial e uma visão hedonista do destino humano gostaria de os encerrar. De
igual modo, a fim de os ajudar no seu desenvolvimento integral, essa formação
favorecerá a sua vida interior e formará as suas consciências, em vista de
realizar opções conformes com a dignidade de pessoas.
5. A Igreja, que não procura benefício algum para si mesma, tem também como
missão recordar às nossas sociedades o convite poderoso do ideal evangélico. Eis
por que ela defende com tanta convicção o valor inalienável da vida humana,
desde a sua concepção até ao seu fim natural, assim como a grandeza do
matrimónio entre o homem e a mulher como base da família e da sociedade. É com
base nisto que ela intervém nos debates da sociedade a fim de recordar o que
serve a nobreza da dignidade humana e o que a fere, por vezes gravemente, e para
convidar os governos a medir a importância das opções económicas, políticas e
éticas que fazem, a fim de construir uma sociedade cada vez mais humana.
6. Senhor Embaixador, por seu intermédio, sinto-me feliz por saudar D.
Fernand Franck, Arcebispo de Luxemburgo, os sacerdotes, os diáconos e todos os
fiéis que formam a comunidade católica do Grão-Ducado. Sei que participam
activamente na vida do país, esforçando-se por proporcionar às comunidades
cristãs um rosto acolhedor para todos e, em primeiro lugar, para os mais
pequeninos.
7. Senhor Embaixador, no momento em que inicia a sua nobre missão junto da
Santa Sé, apresento-lhe os meus votos cordiais. Tenha a certeza de que
encontrará sempre junto dos meus colaboradores um acolhimento cordial e uma
ajuda solícita.
Sobre Vossa Excelência, sobre a sua família e sobre todos os seus
colaboradores, bem como sobre o povo luxemburguês, invoco de coração a
abundância das Bênçãos divinas.
*L'Osservatore Romano 2005 n. 2 p. 4.
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