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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AO SENHOR PRADAP PIBULSONGGRAM
NOVO EMBAIXADOR DA TAILÂNDIA
JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO
DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS*

16 de Dezembro de 2004

 

Senhor Embaixador

É com prazer que lhe dou as boas-vindas ao Vaticano e que aceito as Cartas Credenciais que o designam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário do Reino da Tailândia junto da Santa Sé. Estou grato pelas amáveis saudações que Vossa Excelência me comunica da parte de Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej, e peço-lhe que tenha a amabilidade de lhe transmitir a certeza das minhas preces pela sua nação e pelo seu povo. Os laços duradouros que existem entre o Reino da Tailândia e a Santa Sé encontram a sua origem no século XVII, quando Sua Majestade o Rei Narai, o Grande, e o Papa Inocêncio XI deram início a um relacionamento cordial e amistoso. Efectivamente, estes vínculos permanecem como uma fonte de orgulho para ambas as partes interessadas.

A Tailândia continua a cultivar, admiravelmente, um clima de tolerância religiosa e de coexistência pacífica entre os seus cidadãos. Com efeito, esta nobre tradição em que os seguidores de diferentes credos vivem em conjunto e harmonia, constitui um dos fundamentos do seu país.

Exemplos disto podem ser encontrados não apenas na função da Coroa como protectora dos valores morais e religiosos da nação, mas inclusivamente na garantia oferecida pela nova constituição ao direito à plena expressão religiosa e também à liberdade de religião. Não obstante, é lamentável que até mesmo nas sociedades mais tolerantes podem existir desafios ao relacionamento pacífico entre os povos e as pessoas. A este propósito, asseguro Vossa Excelência que a Igreja Católica tem uma experiência considerável no campo dos relacionamentos inter-religiosos, enquanto permanece sempre desejosa de participar activamente em vista de promover e facilitar o diálogo, para assim ajudar a resolver os problemas que possam surgir.

Uma das formas primárias de apoio da Igreja à sociedade civil no desenvolvimento do respeito e da compreensão entre os diversos grupos consiste no seu compromisso no campo da educação. A instrução adequada faz com que as pessoas consigam adquirir o conhecimento necessário para se tornar membros que contribuem plenamente para o progresso da sociedade, promovendo a solidariedade e o respeito que une os indivíduos, as famílias, os povos e as nações. A humanidade aspira à harmonia e à tranquilidade, e esta aspiração só pode ser realizada plenamente através de uma participação activa e iluminada de todos os sectores da vida pública. A educação arraigada nos valores autênticos constitui a chave para o futuro, o âmago da comunicação apropriada e o caminho para o verdadeiro desenvolvimento.

Nas suas observações, Vossa Excelência mencionou o reconhecimento da parte de Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej, de que os membros da população da Tailândia têm necessidade de se ajudar uns aos outros. A sua filosofia em vista da reforma económica esclarece este conceito, enquanto procura ajudar aquelas pessoas que se encontram nos níveis económicos mais baixos, promovendo o seu acesso aos recursos e às tecnologias locais.

Exorto a sua nação a continuar a ajudar os indivíduos que se encontram em maior necessidade, a fim de que também eles possam alcançar a auto-suficiência económica, à qual de resto têm direito. Uma das maneiras mais eficazes de assegurar que isto se verifique, consiste em salvaguardar a vida familiar. Com efeito, a vida familiar forja a ordem social e ética do trabalho do homem, e constitui o verdadeiro manancial do progresso económico mais genuíno (cf. Carta Encíclica Laborem exercens, 10). No continente asiático, a família tem gozado tradicionalmente de um elevado nível de estima; ela não é só considerada o fulcro dos relacionamentos interpessoais, mas inclusivamente o lugar onde se alcança a segurança económica para todos os seus membros. "Por conseguinte, a família deve justamente ser considerada como um elemento essencial para a vida económica, orientada não só pela mentalidade do mercado, mas também pela lógica da partilha e da solidariedade entre as várias gerações" (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 248). Formulo votos a fim de que o seu Governo consiga promover um respeito cada vez maior pela importância da família, convencendo os seus cidadãos mais jovens de que a riqueza material e o lucro económico rápido não constituem de modo algum uma substituição para o relacionamento amoroso que se encontra no seio da "sociedade doméstica".

Em seguida, Vossa Excelência salientou a importância do papel que está a ser desempenhado pela Tailândia no âmbito das políticas regionais e mundiais. O crescimento da influência do seu país na comunidade internacional constitui um sinal clarividente das suas conquistas nos campos social e político. Rezo para que as autoridades civis continuem a participar de maneira activa na promoção das soluções para os graves problemas globais do tempo presente. Senhor Embaixador, tenha certeza de que a Igreja permanece comprometida em dar a sua assistência para a abordagem deste desafio, promovendo o respeito pela lei internacional e, de modo particular, encorajando a comunidade internacional a dar continuidade à busca de mecanismos multilaterais que possam levar a uma resolução pacífica dos conflitos e um acesso mais amplo à assistência humanitária.

Senhor Embaixador, formulo-lhe os meus melhores votos no início desta sua missão, enquanto lhe garanto a disponibilidade dos vários Departamentos da Santa Sé para o assistir no desempenho do seu trabalho. Invoco as abundantes bênçãos divinas sobre Vossa Excelência e sobre toda a querida população do Reino da Tailândia.


*L'Osservatore Romano 2005 n. 1 pp. 5, 6.

 

© Copyright 2004 - Libreria Editrice Vaticana

 

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