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MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO CARDEAL-ARCEBISPO D. CLÁUDIO HUMMES POR
OCASIÃO DA CELEBRAÇÃO DO 450° ANIVERSÁRIO DA CIDADE DE SÃO PAULO
Ao Venerável Irmão Cláudio HUMMES Cardeal-Arcebispo de São Paulo
É para mim motivo de profunda alegria e ação de graças, elevadas ao
Todo-Poderoso, evocar o significativo evento do 450º aniversário da fundação de
São Paulo, afirmando-me presente nas celebrações, com idêntico afeto como se aí
estivesse, e acompanhando a todos os paulistanos em seu júbilo pela fausta
efeméride da Capital do Estado. A todos desejo "graça, misericórdia e paz, da
parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, nosso Senhor!" (2 Tm 1, 2). Numa só
alma e num só coração, a parcela da Igreja aí congregada entoa jubilosos hinos
de louvor a Deus por ter querido fazer de São Paulo um centro de progresso
material com vasta importância para o País e, de modo especial, por ter
imprimido na vida do povo, através de um amálgama de raças e culturas, o
espírito cristão feito de compreensão, solidariedade, justiça e paz, que serviu
de modelo para todo o brasileiro.
"Recordar é viver". Assim cantava o povo, que hoje rememora uma pequena
agrupação de casas na colina de Piratininga, às margens do Tamanduateí e do
riacho Anhangabaú. Graças à visão magnânima do Beato José de Anchieta aí se
construiu aquele que hoje é conhecido como Pátio do Colégio, inaugurado
com uma Missa no dia 25 de Janeiro de 1554: levantar um colégio, que fosse
ponto de irradiação de catequese para a população lusitana e os habitantes
nativos, foi realmente manifestação de fé ardorosa e de coragem, da qual hoje
reconhecemos agradecidos seus frutos.
Entre eles conta-se uma responsabilidade solidária no salvaguardar e promover
o bem comum de todos os segmentos da sociedade, por uma participação esclarecida
e generosa na vida da comunidade a que se pertence, apoiada em opções
genuinamente cristãs, sempre respeitadoras, dignas e dignificantes da mensagem
do Evangelho. Amparar os pobres e marginalizados com uma justa distribuição da
riqueza; defender a família e a vida desde a sua concepção até o seu termo
natural; acolher os migrantes e favorecer uma justa distribuição do trabalho;
enriquecer a cultura e estimular sempre mais o ensino público e privado, em
todos os níveis; e dar segurança ao povo.
Eis, entre outros, os motivos pelos quais acompanho de perto vossas ânsias e
esperanças.
Conscientes desta realidade e conhecedores de que a Igreja é ao mesmo tempo
sinal levantado diante das nações, para incentivar a unidade do gênero humano,
desejo congratular-me com todas as forças vivas do último trabalhador
recém-chegado, até os mais altos mandatários da Capital e do Estado pelo empenho
em manter elevado aquele espírito indômito que caracterizou as gestas das
bandeiras por esse Brasil afora.
Por isso, desejo exprimir minha solidariedade a todos os que se empenham, na
amada Terra da Santa Cruz, em ser promotores de paz e justiça. Dirijo minha
calorosa congratulação às autoridades constituídas, civis e militares, que nesta
data se unem fraternalmente às celebrações, e evoco, pela intercessão do
Apóstolo das Gentes, o Deus Todo-Poderoso, para que se digne abençoar a todos os
homens e mulheres de boa vontade de São Paulo.
Ao Senhor Cardeal e a toda a Igreja que está em São Paulo renovo meus votos de
felicidades, e peço a Maria Santíssima, Mãe de Deus e de misericórdia, que
ampare a Arquidiocese e toda a pastoral diocesana, a fim de que esta ocorrência
jubilar sirva também de renovação espiritual e de estímulo para o fortalecimento
da fé entre o povo da querida Nação brasileira. Com a minha Bênção apostólica.
Vaticano, 5 de janeiro de 2004.
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