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 DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AO SENHOR MOHAMED SALIA SOKONA
NOVO EMBAIXADOR DO MALI JUNTO DA SANTA SÉ
POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO
DAS CARTAS CREDENCIAIS*

27 de Maio de 2004

 

Senhor Embaixador!

1. É com alegria que lhe dou as boas-vindas por ocasião da apresentação das Cartas que o acreditam como Embaixador extraordinário e plenipotenciário da República do Mali junto da Santa Sé.

Agradeço-lhe as suas amáveis palavras, mediante as quais Vossa Excelência me transmite a homenagem respeitadora do Presidente da República e do povo malinês. Ficar-lhe-ia grato por se dignar expressar a Sua Excelência o Senhor Amadou Toumani Touré, Chefe do Estado, em retribuição, os votos cordiais que formulo pela sua pessoa e pelo cumprimento do seu cargo ao serviço de todos os habitantes do País. O meu pensamento dirige-se também aos Responsáveis e a todos os habitantes da Nação.

2. Vossa Excelência, Senhor Embaixador, realça a firme vontade das Autoridades do seu país de trabalhar activamente para o estabelecimento de relações cada vez mais pacíficas e fraternas entre os homens, não só dentro dos limites das vossas fronteiras, mas também na sub-região à qual pertenceis, bem como no âmbito do Continente Africano. É uma nobre tarefa que honra a sua nação, apesar das preocupações que as Autoridades devem enfrentar, a fim de permitir que todos os habitantes do País gozem de condições de existência que respeitem a sua dignidade e os seus direitos fundamentais. A persistência dos conflitos já em curso ou que ameaçam rebentar, em particular na África do Oeste, torna necessário um tal compromisso, para que todos os habitantes da região possam viver em segurança e encarar o futuro de modo mais sereno. Não dúvido de que os órgãos competentes, a nível regional, mas também a nível continental, não negligenciam esforço algum para trabalhar, com o apoio de parceiros cada vez mais audaciosos, para fazer diminuir a instabilidade que ainda reina em numerosas regiões e procurar caminhos e meios para que a África seja cada vez mais integrada no processo da mundialização.

A crescente desertificação do Mali, constitui também um desafio que deve ser enfrentado com urgência. Relacionada com as condições climáticas extremas da área do Sahel, ela gera precariedade e miséria para um grande número dos seus compatriotas, que com frequência se vêem obrigados a optar pelo exílio em outros países ou continentes, a fim de satisfazerem as suas necessidades elementares e as dos seus familiares. Desejo lançar hoje um apelo à Comunidade internacional, convidando-a a manifestar de maneira cada vez mais significativa a sua solidariedade e o seu apoio aos países que lhe pedem ajuda. Este compromisso inclui necessariamente o respeito das promessas feitas pelos países industrializados aos países pobres, sobretudo no que se refere ao âmbito dos investimentos, das subvenções públicas e da diminuição da dívida, com o objectivo constante de fazer com que as pessoas se tornem cada vez mais as protagonistas e promotoras do seu próprio progresso.

Como recorda Vossa Excelência, o Mali é uma Nação cuja história, cultura, valores e tradições religiosas podem constituir os elementos fundamentais para preservar a harmonia e a convivência no seio da Nação, criando as condições necessárias para uma paz duradoura e suscitando o restabelecimento de relações sociais cada vez mais sólidas. Os esforços realizados para fazer progredir a sociedade rumo à democracia e ao pluralismo devem ser encorajados, para que todos os habitantes do Mali possam beneficiar das vantagens de um crescimento que não se limita ao aumento legítimo do bem-estar material, mas que consinta um verdadeiro desenvolvimento das pessoas e da sociedade, em todas as suas dimensões humanas e espirituais.

3. A educação das jovens gerações, mediante a transmissão dos valores fundamentais da vida humana, a alfabetização e a possibilidade de seguir um curso escolar, a iniciação ao sentido do sacrifício, a formação das consciências no sentido moral e cívico, é um elemento fundamental e incomensurável deste progresso duradouro, que todas as nações devem encorajar e promover. Esta educação realiza-se mediante um sistema escolar adequado, do qual ninguém deve ser excluído, e também mediante a promoção de políticas familiares audaciosas, proporcionando aos pais os meios para cumprirem a sua missão de educadores dos seus filhos. É fundamental que os jovens sejam encorajados a dar o melhor de si mesmos, para que possam ser no futuro, no seu próprio país, os protagonistas e os modelos que permitirão conduzir a nação pelos caminhos da unidade, da estabilidade e da prosperidade. Por seu intermédio, gostaria também de sensibilizar de novo os países interessados e toda a Comunidade internacional para os graves flagelos que constituem o tráfico das crianças e o trabalho infantil, que fornecem a mão-de-obra a baixo preço a organizações internacionais pouco escrupulosas. Faço votos por que um despertar de consciência faça surgir as cooperações internacionais necessárias para que seja posto fim a estas práticas inadmissíveis, que constituem uma injúria à dignidade primordial de seres frágeis, criados à imagem de Deus, e que são contrários aos direitos mais fundamentais das crianças.

4. O diálogo respeitador e as relações construtivas entre os membros das diversas comunidades religiosas, que constituem uma nação, são um poderoso apoio ao fortalecimento da paz e da concórdia entre todos os cidadãos. Contudo, é importante, para manter e desenvolver um espírito de confiança e de colaboração entre todos, que os responsáveis civis e religiosos contribuam incessantemente para fortalecer as condições de exercer uma verdadeira liberdade religiosa. Os crentes são convidados a manifestar que Deus os fez membros de uma mesma família, os revestiu de uma mesma dignidade e os chamou a comprometerem-se cada vez mais no serviço do bem comum. É de importância fundamental "ensinar aos jovens o caminho do respeito e da compreensão, para que eles não sejam induzidos a fazer um mau uso da própria religião, para promover ou justificar o ódio e a violência" (Discurso na Mesquita de Omeyyades, Damasco, 6 de Maio de 2001, n. 3). Encorajo os crentes, juntamente com todos os homens de boa vontade, a prosseguir o diálogo da vida, que é a base da consciência e da confiança, necessários para o bem de toda a família humana.

5. Vossa Excelência, Senhor Embaixador, recordou que a Comunidade católica do Mali, que contribui de numerosas formas para o progresso da nação bem como para a sua unidade, é respeitado e apreciado pelos responsáveis da vida civil. Alegro-me com isto. Num espírito de confiança recíproca, é desejável que um verdadeiro diálogo seja prosseguido entre os diversos órgãos eclesiais e o Estado a fim de permitir que a Igreja católica no Mali beneficie de um reconhecimento efectivo e estável como instituição de pleno direito na sociedade. De igual modo, ela poderá realizar a sua missão espiritual junto dos seus membros e, através das suas obras, pôr-se de maneira cada vez mais eficaz ao serviço de todos os Malineses, sem distinção. Dirijo aos Bispos do Mali e a todos os membros da comunidade católica, por seu intermédio, votos calorosos, convidando-os a ser testemunhas generosas do amor de Deus e a contribuir para a edificação de uma nação unida e fraterna na qual cada um se sente plenamente unido e respeitado.

6. No momento em que começa a sua missão, ofereço-lhe, Senhor Embaixador, os meus melhores votos pela nobre tarefa que o espera, garantindo-lhe que encontrará sempre aqui um acolhimento atento e uma compreensão cordial junto dos meus colaboradores.
Invoco de todo o coração sobre Vossa Excelência, sobre o povo do Mali e sobre os seus dirigentes, a abundância das Bênçãos divinas.


*L'Osservatore Romano 2004 n.23 p. 6, 7.

 

© Copyright 2004 - Libreria Editrice Vaticana

 

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