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DISCURSO DO PAPA JOÃO
PAULO II Terça-feira, 9 de Novembro de 2004
Venerados Irmãos no Episcopado 1. Sinto-me feliz por vos dirigir uma especial saudação por ocasião da
Assembleia Pública das Pontifícias Academias, momento culminante das múltiplas
actividades promovidas durante este ano. 2. A hodierna Assembleia Pública das Pontifícias Academias trata um tema muito
significativo: a Via pulchritudinis como itinerário privilegiado para o
encontro entre a fé cristã e as culturas do nosso tempo, e como
instrumento precioso para a formação das jovens gerações. 3. Poderia a humanidade de hoje gozar de tão amplo património artístico se a comunidade cristã não tivesse encorajado e sustentado a criatividade de numerosos artistas propondo-lhes, como modelo e fonte de inspiração, a beleza de Cristo, esplendor do Pai? Para que, contudo, a beleza resplandeça no seu pleno esplendor, deve estar unida à bondade e à santidade de vida; isto é, é necessário fazer resplandecer no mundo, através da santidade no mundo, através da santidade dos seus filhos, o rosto luminoso de Deus bondoso, admirável e justo. É quanto pede Jesus aos seus discípulos no Sermão da Montanha: "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu" (Mt 5, 16). O testemunho dos cristãos, se deseja incidir também sobre a sociedade de hoje, não pode deixar de se alimentar de beleza para se tornar eloquente transparência da beleza do amor de Deus. 4. Dirijo-me particularmente a vós, queridos Académicos e Artistas! É precisamente esta a vossa tarefa: alimentar o amor por tudo isto que é autêntica expressão do génio humano, e reflexo da beleza divina. Na Carta aos Artistas tive a oportunidade de realçar que da vossa colaboração "a Igreja espera uma renovada "epifania" de beleza para o nosso tempo e respostas adequadas às exigências próprias da comunidade cristã" (n. 10). Estai sempre conscientes desta vossa missão e que o Senhor vos ajude a levá-la a cumprimento de maneira eficaz. Exprimo o meu agradecido apreço pela actividade desempenhada a todos os Académicos, e de modo especial aos Membros da Pontifícia Insigne Academia de Belas Artes e Letras dos Virtuosos no Panteão, e faço votos por que, com o contributo de todos, seja promovido um novo humanismo cristão, capaz de percorrer o caminho da beleza autêntica, e indicá-la a todos como itinerário de diálogo e de paz entre os povos. 5. Sinto-me agora feliz, a pedido do Conselho de Coordenação entre as Pontifícias Academias, por atribuir o Prémio anual das Pontifícias Academias à Abadia Beneditina de Keur Moussa, no Senegal, onde os Beneditinos provenientes da Abadia-mãe de Solesmes se puseram à escuta das tradições da África, conservando fielmente, ao mesmo tempo, o património litúrgico recebido da tradição da Igreja. Além disso, desejo oferecer uma Medalha do Pontificado à Escola de Cinematografia "Ipotesi Cinema", fundada e guiada pelo Mestre Ermano Olmi, pela sua pedagogia fundada sobre o humanismo autêntico, assim como ao Coro Interuniversitário de Roma, guiado pelo Mestre, Pe. Massimo Palombella, pelo serviço prestado ao culto divino e à cultura musical. Confio cada um de vós e as várias Instituições a que pertenceis à materna protecção da Virgem Maria, que invocamos como Tota Pulchra, a "Toda Bela". Garanto-vos uma recordação na oração e concedo de coração a todos a Bênção Apostólica.
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