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MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
POR OCASIÃO DA FESTA DA APRESENTAÇÃO
DO SENHOR NO TEMPLO
E DO DIA DA VIDA CONSAGRADA

Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2005

 

No início da Santa Missa, concelebrada na Basílica de São Pedro, antes de ler a mensagem escrita pelo Sumo Pontífice para essa circunstância, D. Franc Rodé pronunciou as seguintes palavras de introdução:


Na festa da Apresentação do Senhor no Templo, dia em que o Filho de Deus gerado nos séculos eternos, é proclamado pelo Espírito Santo, "glória de Israel" e "luz dos povos", estamos reunidos para a nossa consagração ao Senhor. A todos vós, caros irmãos e irmãs, transmito a saudação pessoal do Santo Padre, que vos agradece o afecto manifestado e a ardente oração. Neste momento, ele está presente no meio de nós com a sua oração e envia-nos a sua Bênção. Ouçamos com o coração agradecido a sua Mensagem aos consagrados e às consagradas do mundo:

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Hoje celebra-se o Dia da Vida Consagrada, ocasião propícia para agradecer ao Senhor juntamente com aquele que, por Ele chamados à prática dos conselhos evangélicos, "fielmente os observam, dando-se de maneira particular ao Senhor, seguindo a Cristo que, virgem e pobre (cf. Mt 8, 20; Lc 9, 58), redimiu e santificou os homens pela obediência até à morte de Cruz (cf. Fl 2, 8)" (Perfectae caritatis, 1).No corrente ano, esta celebração adquire um significado especial, porque se celebra o 40º aniversárioda promulgação do Decreto Perfectae caritatis, com que o Concílio Ecuménico Vaticano II traçou as linhas-guia para a renovação da vida consagrada.

Ao longo destes quarenta anos, seguindo as directrizes do magistério da Igreja, os Institutos de vida consagrada e as Sociedades de vida apostólica percorreram um fecundo caminho de renovação, marcado por um lado pelo desejo de fidelidade ao dom recebido do Espírito, por intermédio dos Fundadores e das Fundadoras e, por outro, pelo anseio de adaptar a norma de vida, de oração e de acção "às actuais condições físicas e psíquicas dos membros e, segundo o exige o carácter de cada Instituto [...] às necessidades do apostolado, às exigências da cultura, às condições sociais e económicas" (cf. Perfectae caritatis, 3).

Como deixar de dar graças ao Senhor por esta oportuna "actualização" da vida consagrada? Estou persuadido de que, também graças a ela, se hão-de multiplicar os frutos de santidade e de operosidade missionária, sob a condição de que as pessoas consagradas conservem um inalterado ardor ascético e que consigam transformá-lo em obras apostólicas.

2. O segredo deste ardor espiritual é a Eucaristia. Ao longo do corrente ano, a ela particularmente dedicado, gostaria de exortar todos os religiosos e as religiosas a "instaurar com Ele [Cristo] uma comunhão cada vez mais profunda por meio da participação diária no Sacramento que O torna presente, no sacrifício que actualiza o seu dom de amor do Gólgota, no banquete que alimenta e sustenta o Povo de Deus peregrino. [...] A Eucaristia como pude afirmar na Exortação Apostólica Vita consecrata por sua natureza, está no centro da vida consagrada pessoal e comunitária" (n. 95).

Jesus entrega-se como Pão "partido" e como Sangue "derramado", para que todos possam "ter vida, e vida em abundância" (cf. Jo 10, 10). Ele oferece-se a si mesmo pela salvação de toda a humanidade. Participar no seu banquete sacrifical não comporta somente repetir o gesto por Ele levado a cabo, mas também beber do seu cálice e participar na sua própria imolação. Assim como Cristo se faz "pão partido" e "sangue derramado", também cada cristão e, ainda mais, cada consagrado e cada consagrada é chamado a dar a vida pelos irmãos, em união com a do Redentor.

3. A Eucaristia é a fonte inesgotável da fidelidade ao Evangelho, porque é neste Sacramento, coração da vida eclesial, que se realizam plenamente a identificação íntima e a conformação total com Cristo, às quais os consagrados e as consagradas são chamados. "Concentram-se na Eucaristia todas as formas de oração, proclama-se e é acolhida a Palavra de Deus, somos interpelados a respeito de nossa relação com Deus, com os irmãos e com todos os homens: é o sacramento da filiação, da fraternidade e da missão. Sacramento da unidade com Cristo, a Eucaristia é contemporaneamente sacramento da unidade eclesial e da unidade da comunidade dos consagrados. Em suma, ela se revela como "fonte da espiritualidade do indivíduo e do Instituto" (Instrução da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica Partir de Cristo, n. 26). Da Eucaristia, as pessoas consagradas aprendem "uma maior liberdade no exercício do apostolado, uma irradiação mais consciente, uma solidariedade que se exprime com o saber estar ao lado das pessoas, assumindo-lhes os problemas para responder-lhes, pois, com uma forte atenção aos sinais dos tempos e às suas exigências" (Ibid., n. 36).

Caríssimos Irmãos e Irmãs, nós entramos no mistério da Eucaristia orientados pela Santíssima Virgem e seguindo o seu exemplo! Que Maria, Mulher eucarística, ajude quantos são chamados a uma especial intimidade com Cristo a ser frequentadores assíduos da Santa Missa e obtenha para eles o dom de uma obediência imediata, de uma pobreza fiel e de uma virgindade fecunda; que Ela os torne santos discípulos de Cristo eucarístico.

Com estes sentimentos, enquanto asseguro uma lembrança na oração, é de bom grado que abençoo todas as pessoas consagradas e as comunidades cristãs no interior das quais elas são chamadas a desempenhar a sua missão.

Vaticano, 2 de Fevereiro de 2005.

JOÃO PAULO II

Copyright © Libreria Editrice Vaticana

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