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MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
 AO SENHOR LAWRENCE EDWARD CHEWING FÁBREGA
 NOVO EMBAIXADOR DO PANAMÁ JUNTO DA SANTA SÉ
 POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO
DAS CARTAS CREDENCIAIS*

 17 de março de 2005

 

Senhor Embaixador!

1. É-me grato acreditar Vossa Excelência como Embaixador Extraordinário, e dou-lhe as minhas cordiais boas-vindas no início da alta missão que o seu governo lhe confiou.

Aprecio particularmente os sentimentos de proximidade e adesão do Ex.mo Senhor Martíno Torrijos Espino, Presidente da República, e do Governo do País, dos quais Vossa Excelência é portador, e peço-lhe que lhes transmita a minha deferente saudação, juntamente com os meus melhores votos de paz e bem-estar para o querido povo do Panamá, que vive momentos de esperança face aos desafios de um mundo globalizado, o qual é preciso enfrentar com a solidariedade. Esta virtude deve inspirar a acção dos indivíduos, dos governos, dos organismos e instituições internacionais e de todos os membros da sociedade civil, comprometendo-os a trabalhar para um justo crescimento dos povos e das nações, tendo como objectivo o bem de todos e de cada um (cf. Enc. Sollicitudo rei socialis, 40).

2. Vejo com satisfação a continuidade do bom entendimento e estreita colaboração entre as Autoridades públicas e a Igreja no Panamá. O encontro de hoje, pela sua cordialidade, reflecte também as boas relações que existem entre o seu País e a Santa Sé. Apraz-me verificar que o novo Governo da República manifestou a sua intenção de continuar e incentivar estas relações, porque, a partir da autonomia e da diferença dos seus empreendimentos e no respeito rigoroso das respectivas competências, a Igreja e os poderes públicos têm uma finalidade convergente: promover o bem integral de cada pessoa e o bem comum da sociedade.

Estou ao corrente da preocupação do seu Governo para combater a pobreza na qual ainda vive parte da população, estabelecendo condições mais favoráveis para a criação de empregos e de supervisão face ao flagelo da corrupção. Por outro lado, a Igreja contribuiu e continuará a contribuir para o progresso autêntico do povo com o anúncio da Boa Nova, portadora de sentido e de esperança, promovendo a convivência e a participação cívica responsável, e defendendo a dignidade da pessoa. A própria Igreja, ao longo dos séculos, foi geradora de cultura no Panamá e deseja continuar a sê-lo perante uma cultura que nega o respeito da vida e é indiferente às numerosas pessoas que sofrem.

3. O povo panamenho já celebrou o primeiro centenário de vida republicana. O caminho percorrido para afirmar a identidade histórica e geográfica oferece motivos para ter esperança. Firme nesta identidade, o seu País poderá continuar a dar um importante contributo, favorecendo a comunicação e as boas relações entre os demais povos do mundo.

O Panamá também se distingue pela sua diversidade de culturas e raças, as quais forjaram a sua identidade. Neste momento, os benefícios alcançados devem consolidar-se mediante firmes compromissos que permitam enfrentar os fenómenos que poderiam pô-los em perigo. Neste sentido, é preciso orientar a colocação dos recursos disponíveis em projectos destinados a erradicar a pobreza e a pôr remédio à enorme diferença na distribuição das riquezas; formar as diversas gerações no respeito da dignidade de cada grupo étnico; melhorar o sistema educativo; facilitar a actuação do poder judicial e tornar mais humana e justa a situação dos encarcerados para que se facilite a sua reinserção na sociedade e, por fim, proporcionar os meios necessários para o progresso integral do homem panamenho.

Em relação a isto, desejo estimular também o Governo de um povo tão acolhedor, dialogante e com profundas raízes cristãs como o do Panamá, a dedicar todos os seus esforços para obter melhores condições para o autêntico desenvolvimento da família, assim como tutelar o papel da mulher nos diferentes campos da sociedade e criar também melhores oportunidades para os jovens.

4. Senhor Embaixador, renovo as minhas cordiais boas-vindas a Vossa Excelência e à sua família, formulando os melhores votos pelo êxito da missão que agora inicia em representação do seu País. Peço à Santíssima Virgem, venerada no Panamá com o título de Santa Maria de Antígua, que proteja todos os panamenhos e lhes infunda a força necessária para progredir pelos caminhos da solidariedade e da paz e, com grande afecto, os abençoo a todos.



*L'Osservatore Romano n. 13 p.5.





                                      © Copyright 2005 - Libreria Editrice Vaticana
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