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JOĆO PAULO II

DISCURSO DE DESPEDIDA

Cracóvia, 17 de Junho de 1996

   

1. Bendita sejas, ó minha Pátria, terra dilecta!

No termo da minha peregrinação no país natal, do mais íntimo do coração exprimo estes votos da bênção divina e dirijo-os à inteira Polónia e a todos os seus habitantes. Quero encerrar neles os sentimentos, os pensamentos e as orações que me acompanharam cada dia no caminho de peregrino. De que outra forma se pode exprimir o amor por esta terra e por este povo, senão mediante uma ardente imploração para que Deus, que é amor, abençoe todos com abundância? Todas as vezes que visito a Polónia confirmo a convicção de que aqui não faltam pessoas de coração puro, que vivendo todos os dias como pobres em espírito, mansos, misericordiosos e operadores de paz, obtêm com perseverança a graça da bênção divina para a sua Pátria. Assim foi também neste ano, a começar por Danzigue, através de Pelplin, Elblag, Bydgoszcz, Torun, Lichen, Elk, Siedlce, Wigry, Drohiczyn, Sandomierz, Zamosc, Varsóvia, Lowicz, Sosnowiec, Gliwice, Stary Sacz, até à minha cidade natal Wadowice e Cracóvia. Orei em toda a parte a fim de que a existência quotidiana dos homens que vivem no espírito das bem-aventuranças frutifique, para a prosperidade de todos neste país. Dou graças a Deus por ter podido depor esta oração também aos pés de Maria Rainha da Polónia, em Jasna Góra.

2. Durante esta peregrinação, na vigília do Grande Jubileu do Ano 2000, foi-nos dado retornar aos lugares, eventos e pessoas, que testemunham de modo eloquente o facto de que, no decurso de mil anos de existência da Igreja na Polónia, o mistério da encarnação do Filho de Deus e a sua obra de redenção penetraram profundamente na sua história, formaram durante séculos a sua índole espiritual e constituem um sólido fundamento para a construção do seu futuro feliz. A celebração do milénio da instituição da organização eclesiástica na Polónia não podia ser iniciada de outro modo senão na presença de Santo Adalberto. Com efeito, foi a sua canonização que deu início à Arquidiocese de Gniezno. Retornámos, pois, ao afã apostólico e ao martírio do Bispo de Praga. Recordando o preço que lhe coube pagar pelo dom da fé que nos trouxera, orámos a Deus a fim de que à nossa geração seja dado transmitir íntegro este depósito às gerações do terceiro milénio. E na oração sustentavam-nos: Regina Protmann, Edmundo Bojanowski, Vicente Frelichowski, os 108 Mártires e a Princesa Kinga que, em nome da Igreja, proclamei Beatos e Santos. O exemplo das suas vidas e a sua intercessão são, através dos séculos, um dom particular à Igreja na Polónia e no mundo. Por isso não cesso de render graças à divina Providência.

Um sinal eloquente da vontade de assumir a responsabilidade para o futuro da Igreja no nosso país foi o II Sínodo Plenário, que nestes anos se tornou ocasião para uma comum reflexão de todos os crentes, clérigos e leigos, sobre o modo de realizar de maneira eficaz a missão salvífica na realidade do mundo contemporâneo. Na solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus celebrámos o solene encerramento dos trabalhos deste Sínodo, confiando os seus frutos ao amor de Deus. À Igreja na Polónia faço votos por que, pondo em prática as suas decisões, continue de maneira eficaz a obra da nova evangelização.

3. Estou feliz por ter podido, durante a presente peregrinação, encontrar-me com aqueles que exercem os Poderes legislativo, executivo e judiciário no nosso país. Nesta circunstância extraordinária pudemos convencer-nos de que o bem comum é aquele valor, em torno do qual os homens se podem unir numa cooperação criativa, não obstante a diversidade de convicções e de divisões políticas, que é normal para uma democracia. Ao Senhor Presidente, a ambas as Câmaras do Parlamento, ao Governo da República e aos Tribunais de todos os graus faço votos por que sirvam com perseverança os seus compatriotas, tendo diante dos olhos o bem da Pátria e da nação, e possam usufruir dos frutos desse serviço.

Ao peregrinar pelos vários ângulos do país, pude notar que ele se desenvolve sob todos os aspectos. Sei que esta é a consequência do esforço de toda a sociedade, esforço que às vezes custou muitas renúncias e sacrifícios. A todos aqueles que edificam com amor um futuro próspero para a Pátria, quero exprimir hoje o meu sincero reconhecimento e agradecimento. Ao mesmo tempo, damo-nos conta de que no caminho deste desenvolvimento não faltam obstáculos, problemas e perigos. Mais uma vez quero exprimir a minha esperança de que, com a ajuda de Deus e a concorde cooperação de cada um, todas as dificuldades sejam superadas. Oro a Deus por isto, pensando sobretudo nos valores espirituais que as gerações passadas conservaram com fidelidade e que não podem ser perdidos no meio das justas solicitudes pelo bem-estar material do país. Como Papa e filho desta Nação dirijo-me a todos os homens de boa vontade e, de modo particular, aos meus irmãos na fé, com uma ardente exortação a fazerem todos os esforços possíveis, a fim de que a Polónia entre no terceiro milénio não só como um Estado politicamente estável e rico sob o ponto de vista económico, mas também refortalecido pelo espírito do amor recíproco e social.

4. Ao dar graças a Deus pelo dom desta visita, quero também expressar o meu agradecimento a todos aqueles que tornaram possível a sua actuação. Nas mãos do Senhor Presidente da República da Polónia deponho o meu agradecimento às Autoridades do Estado pelo convite e por toda a fatiga enfrentada para a preparação e a positiva realização da peregrinação. Estou grato por todos os sinais de benevolência. Dirijo o meu agradecimento também às Autoridades regionais e locais, que não pouparam esforços e meios, a fim de que os encontros dos fiéis com o Papa se desenvolvessem num esplêndido ambiente e numa atmosfera de paz e de alegria. Deus vos recompense pela hospitalidade!

Um agradecimento cordial dirige-se ao Exército polaco, à Polícia e aos Bombeiros, aos outros serviços de ordem e à imensa multidão de voluntários - a todos aqueles que, com grande dedicação e sincera benevolência, cuidaram do desenvolvimento seguro desta visita. Não posso esquecer nem sequer aqueles que, com grande dedicação, asseguraram um constante serviço médico-sanitário aos necessitados de cuidados. Agradeço aos jornalistas e a todos os que, mediante a rádio, a televisão, a internet e a palavra escrita, colaboraram com solicitude para a transmissão das crónicas sobre a viagem pontifícia, ao serviço daqueles que, por várias razões, não puderam nela participar pessoalmente. A quem quer que tenha contribuído de algum modo para o eficaz e digno desenvolvimento desta peregrinação, digo de todo o coração: «Deus vos recompense!».

5. Com particular gratidão dirijo-me à Igreja na Polónia. Nestes dias visitei muitas dioceses - algumas delas pela primeira vez - mas não pude estar em todos os lugares onde fui convidado. Por isso, mais uma vez quero assegurar que, com o espírito, estive em toda a Polónia, em cada prefeitura, paróquia, comunidade religiosa e casa de família. Vim para todos e sem excepções, para recordar no final deste milénio esta única verdade essencial, sobre a qual foi edificada a nossa fé - a verdade de que «Deus é amor».

Agradeço com muito afecto ao Cardeal Primaz, ao Cardeal Franciszek as palavras que me dirigiu, a todos os Purpurados polacos e hóspedes, aos Arcebispos e Bispos, a preparação desta peregrinação. Com o coração abraço todos os sacerdotes. Quero exprimir aos Bispos a gratidão pelo contributo dado a esta visita, e também pelo seu quotidiano e fiel serviço ao Povo de Deus na Polónia. Todos os dias oro a Cristo, Sumo Sacerdote, para que, ao cumprirem o seu ministério pastoral, possam gozar da sua graça e da gratidão dos homens. Com esta oração abraço também as pessoas consagradas, que nas comunidades religiosas assumem as tarefas que lhes são atribuídas pelo carisma e pelas necessidades da Igreja. Estou-lhes grato também pela perseverança na oração, especialmente durante a presente peregrinação, pela humilde obra de misericórdia e pelo testemunho apostólico de vida segundo os conselhos evangélicos. Recomendo a Deus todos os alunos dos Seminários Maiores. Agradeço-lhes a sua activa inserção no desenvolvimento da peregrinação e de modo especial o serviço litúrgico. Oro para que se abram sempre mais amplamente à acção do Espírito Santo, que os prepara para as difíceis tarefas no novo milénio.

Exprimo o meu particular reconhecimento a todos os fiéis da Igreja na Polónia. Sei quanto esforço, sacrifícios materiais e espirituais despenderam na preparação desta visita. Agradeço a grande benevolência e o caloroso acolhimento, e sobretudo o testemunho de viva fé. Com gratidão abraço todos os homens de boa vontade na Polónia. Que o bom Deus recompense com a abundância da sua bênção cada acto de generosidade! Inclino-me com amor sobre o sofrimento de cada pessoa que carrega a cruz da doença, da velhice, da solidão e do sofrimento. Sei quanto devo aos doentes, que não só estiveram perto de mim durante estes dias mas me acompanham em todo o meu ministério na Sé de São Pedro. Agradeço-lhes de coração este poderoso apoio. Apresento a minha saudação aos jovens, presentes tão numerosos em todos os nossos encontros. Agradeço-lhes o seu entusiasmo juvenil, a fé e o profundo recolhimento na oração. Oro a fim de que, ao entrarem no novo milénio, levem com entusiasmo o amor de Deus às futuras gerações.

6. Tertio millennio adveniente. A peregrinação que está para terminar, nós vivemo-la em espírito de preparação para o Grande Jubileu da redenção e para cruzarmos o limiar do novo milénio. Foi um tempo de comum oração e reflexão, tempo de acção de graças pelo passado, de entrega a Deus de tudo aquilo de que a Polónia vive hoje e daquilo que o futuro vai trazer. Creio que foram dias frutuosos e o seu fruto será duradouro. Este tempo solene está para chegar ao seu termo. Espero, porém, que o espírito de paz, de unidade e de cooperação no bem, que reinou entre nós, continue a animar os esforços de cada pessoa que se interessa pela prosperidade da Pátria e a felicidade dos seus habitantes.

Ao retornar ao Vaticano, não abandono o meu país nativo. Levo comigo a imagem da minha terra pátria, desde o Báltico até aos Tatra, e conservo no coração tudo aquilo que me foi dado experimentar entre os meus compatriotas. Quero, mais uma vez, assegurar que nos meus pensamentos e nas minhas orações a Polónia e os polacos ocupam um lugar particular. A vós, dilectos Irmãos e Irmãs, peço que continueis a sustentar-me no meu ministério petrino, até quando a divina Providência me conceder cumpri-lo.

À protecção da Rainha da Polónia de Jasna Góra, confio todos e cada um de vós. Ao seu amor materno confio a vossa vida quotidiana, os vossos desejos e as vossas acções.

«O amor de Deus Pai, a graça de nosso Senhor Jesus Cristo e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!».

Deus abençoe a minha Pátria e todos os meus compatriotas!

  

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