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PEREGRINAÇÃO APOSTÓLICA DO SANTO PADRE
À ÁSIA ORIENTAL OCEANIA E AUSTRÁLIA

(25 DE NOVEMBRO A 5 DE DEZEMBRO DE 1970)

SANTA MISSA CELEBRADA EM COLUMBO, CEILÃO

HOMILIA DO PAPA PAULO VI

Sexta-feira, 4 de Dezembro de 1970

 

«Pacem relinquo vobis; pacem meam do vobis » — Deixo-vos a minha paz; dou-vos a minha paz!

Sejam dadas graças à paterna Providência divina e a todas as autoridades, civis e religiosas, que, levadas por um impulso de delicadeza para connosco e de solicitude em vir ao encontro dos vossos desejos, Nos tornaram possível participar hoje, juntamente convosco, nesta celebração eucarística, na dilecta e sagrada terra de Lanka.

Neste ditoso momento, a mensagem especial, que dirigimos à vossa nobre Nação, é a mensagem da Fraternidade. Sim, sois realmente irmãos e irmãs, filhos da mesma mãe-pátria: Lanka. Procurai fazer com que a fraternidade vos leve a dar, cada vez mais, as mãos uns aos outros, na vossa vida social, económica e política, sem qualquer distinção de raça, de credo, de cor e de língua. Procurai levar os pesos, as trepidações, as dores e as alegrias uns dos outros. Em particular, procurai distribuir entre vós, de modo equitativo, os recursos materiais da vossa terra, tão ricamente dotada pela natureza; estes recursos foram-vos dados para o conveniente bem-estar de todos e de cada um. Para alcançar este objectivo, é necessário que não sòmente o Estado se interesse, mas cada um dos cidadãos. Desta unidade fraterna dependerá a vossa prosperidade, a vossa paz interna e externa e a vossa felicidade.

Que o Senhor, na Sua bondade, vos conceda todas estas graças, é o que Nós ardentemente desejamos e Lhe pedimos nas Nossas orações!

Não seremos, certamente, mal entendido e ninguém Nos levará a mal, se, nesta altura, durante o acto supremo e característico da nossa religião, Nos dirigimos a vós, participantes da Fé Católica, para afirmar que somos uma só coisa, nós que nos alimentamos deste único Pão do Altar, nós que no Sangue do Cordeiro fomos reconciliados com o Pai e entre nós, para formarmos não só um único Povo, de acordo com a Fé e a Profecia, mas também uma autêntica Família do Amor cristão.

Chamai-Nos « Santo Padre», nome suave e sugestivo. É o nome que temos, na qualidade de Vigário de Jesus Cristo. Responder a este apelativo, sem Nos subtrairmos às responsabilidades que implica, enfrentando e cumprindo, sem recuar, os deveres que Nos impõe, constitui o Nosso serviço para convosco e para com a inteira família católica.

Conforta-Nos, entretanto, o pensamento de que, dadas as Nossas limitações pessoais, há outros que também têm este nome: eles compartilham connosco a responsabilidade e desempenham igualmente os graves compromissos que ele lhes impõe. São os vossos Bispos e os vossos queridos sacerdotes, que representam o prolongamento pessoal e sacramental dos mesmos Bispos.

Sentimo-Nos contente por ver, esta tarde, aqui, à volta do Altar, o Nosso Irmão e Vosso Arcebispo, Cardeal Thomas Cooray, os outros Nossos Irmãos no Episcopado e demais colaboradores no Sacerdócio, a quem apresentamos as Nossas afectuosas saudações.

Juntamente com eles, junto deste Altar, em plena comunhão das responsabilidades do múnus pastoral, declaramos que somos uma só coisa com todos vós, Religiosos e Leigos, membros connosco do Corpo Místico de Cristo.

Um contínuo apelo à nossa unidade, garantia da comunhão íntima entre nós e de cada um de nós com Jesus Cristo, não se encontra, porventura, por disposição divina, na Mãe Imaculada de Cristo Salvador, Maria? A palavra Mãe é invocação sempre doce e sempre nova, que encontra unidos os membros de uma família. Maria é esta Mãe Celeste.

Virgem Mãe, Rainha dos nossos corações, aceitai benigna o título que o Nosso Predecessor Pio XII, de feliz memória, declarou corresponder-Vos como Mãe celestial e Rainha das famílias cristãs desta amada ilha. Das mãos do Vigário de Cristo, na presença destes fiéis que representam a família de Lanka, aceitai um sinal e um selo da nossa pertença a Vós em Jesus Cristo.

Nossa última palavra é «paz». Paz entre vós no seio da família católica. Conservai a paz e, por vosso intermédio, difunda-se de grupo em grupo, em círculos que se estendam cada vez mais, até alcançar toda a ilha, de modo que Lanka se converta em símbolo de paz de um extremo ao outro da Ásia, em todas as terras banhadas pelo Oceano Índico, até os últimos confins do mundo e do universo. Paz! «Pax Christi» a todos vós! Esta é a palavra que vos dizemos em Seu nome; esta é a palavra que vos confiamos com a Sua bênção!

 

 

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