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PEREGRINAÇÃO APOSTÓLICA DO SANTO PADRE
À ÁSIA ORIENTAL OCEANIA E AUSTRÁLIA

(25 DE NOVEMBRO A 5 DE DEZEMBRO DE 1970)

SANTA MISSA EM HONG KONG

HOMILIA DO PAPA PAULO VI

Sexta-feira, 4 de Dezembro de 1970

 

Filhos e Irmãos caríssimos

Foi com imensa satisfação que aceitámos o convite que Nos foi feito pelo vosso zeloso Pastor, o Bispo Hsu, Nosso Irmão.

Apraz-Nos aproveitar esta ocasião para Nos encontrarmos com as Conferências Episcopais locais e fazermos uma visita à maior diocese do mundo. Sentimo-Nos contente em estar aqui convosco, queridos filhos e filhas de Hong Kong. Queremos agradecer-vos, pessoalmente, a afeição e devoção que tendes manifestado à Santa Sé, de muitas e diversas maneiras. Congratulamo-Nos convosco pelas múltiplas realizações da vossa tão eficiente comunidade católica. Queremos encorajar-vos a perseverar firmemente na fé do vosso Baptismo e do vosso Crisma e exortar-vos a empenhar-vos na busca, cada vez maior, dos meios mais adequados para tornar a mensagem do amor cristão mais compreensível no mundo em que viveis. Deste modo, contribuireis efectivamente para mostrar a todos os vossos irmãos e irmãs a juventude perene e a permanente capacidade renovadora do Evangelho de Cristo, dando-lhes um testemunho de esperança para construir, no amor, uma sociedade mais fraterna.

Neste momento encontramo-nos em oração. Cada um de nós deve ter consciência da dupla relação que esta prece, a Nossa Missa, estabelece nas nossas almas. De facto nós estamos em relação com Cristo, estamos em relação com os homens, nossos irmãos. Sim, aqui reunidos, em nome de Cristo, estamos com Ele, ou melhor, Ele está connosco. Ele próprio no-lo assegurou, dizendo: onde quer que estejais reunidos em Meu nome, Eu estarei convosco!

Além disso, à Nossa humilde pessoa é confiado o ministério de representar Jesus Cristo, único Chefe da Igreja, mas agora invisível, Sumo Pastor e Bispo das nossas almas. E sentimo-Nos feliz porque o múnus que desempenhamos, como seu Vigário, torna, neste momento, não só mais vivo o sentido da presença de Cristo nesta santa assembleia, mas também mais operante a sua virtude divina e mais imediata a sua consolação espiritual. Mas o rito que estamos a celebrar tornar-se-á, daqui a pouco, mais realístico e místico, quando chegarmos ao acto sacrifical, instituído pelo próprio Cristo, para recordar e renovar sacramentalmente a sua paixão redentora, dando-se Ele próprio a nós, como alimento de vida eterna.

Irmãos, demos todos juntos, a esta celebração, a plenitude de significado que ela encerra, e procuremos aderir a ela, todos e cada um de nós, com a mais intensa união dos nossos espíritos, em eterna e simples recordação deste extraordinário e feliz momento; reservemos-lhe a nossa humilde, firme e total profissão de fé. Daqui a pouco diremos: mistério de fé!

Esta é a primeira relação que o nosso acto litúrgico deve pôr actual e perenemente em exercício: a fé. Esta fé que anunciamos a todos e confirmamos.

Existe uma segunda relação, como sabeis, que se verifica com a celebração que estamos a realizar, primeiro, nas nossas consciências, nos nossos corações, e, depois, na nossa vida exterior.

A Eucaristia é um sinal, um vínculo de unidade. É um sacramento de comunhão. Exactamente no momento em que a Eucaristia nos põe em comunhão real com Cristo, Ele põe-nos em comunhão espiritual, mística, moral e social com todos os que se alimentam com o mesmo pão. É o sacramento da unidade eclesial. É o supremo princípio coesivo da comunidade dos fiéis. É o sacramento que contém o corpo real de Cristo e que tende a produzir o Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja.

Detenhamo-Nos aqui e concluamos: a Igreja é, portanto, um efeito unitário do amor de Cristo por nós e pode ser considerada um sinal operante, um sacramento de unidade e de amor. Amar é a sua missão. Agora, ao dizermos estas simples e sublimes palavras, temos à Nossa volta, quase que o sentimos, todo o povo chinês, onde quer que se encontre.

Pela primeira vez na história este humilde apóstolo de Cristo, que Nós somos, vem a esta terra do Extremo Oriente, e que diz ? Para que vem? Para dizer uma só palavra: amor. Para a China, Cristo também é um Mestre, um Pastor, um Redentor carinhoso. A China não pode calar esta maravilhosa palavra: amor, que continuará.

 

 

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