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MENSAGEM DO PAPA PAULO VI POR OCASIÃO
DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE NO BRASIL 1973
Segunda-feira, 12 de Março de
1973
Na perspectiva da Páscoa do Senhor, vai iniciar-se a Campanha da Fraternidade –
1973. Com ela, como de há dez anos a esta parte, procura-se animar cristãmente
a Quaresma nesse dileto País, interpelando os fiéis brasileiros, para que, a sua
aprofundada conversão,
por um maior empenhamento na oração
e na penitência,
desabroche em generosa solidariedade, interesse apostólico e gestos concretos de
caridade.
Que o Deus da paz a todos torne aptos, com toda a espécie de bem, para cumprirem
a sua vontade, por Jesus Cristo, ao qual seja dada glória! (Cfr. Hebr.
13, 20-21).
«O egoísmo escraviza, o amor liberta»: foi o tema bem escolhido, para o diálogo,
a reflexão
e as preces dos filhos da Igreja, empenhados, com o fim de bem e para edificação
dos irmãos,
na vivência e testemunho do Mistério Pascal, ou do sumo amor de Deus para com os
homens, concretizado em Cristo, Redentor e Salvador.
Amor que liberta: realidade, promessa e esperança, na primeira Páscoa, vivida
pelo Povo eleito, durante e após dura provação.
Ela o marca e o faz renitente ao apelo divino para o diálogo amoroso, traduzido
em vida. E Moisés tem de lhe explicar: «Não
temais, pois Deus veio para vos provar . . . para que não pequeis»
(Ex 20, 20).
Sim, o pecado: ele é mau uso e perda da autêntica liberdade, frente a Deus e aos
outros. De facto, «foi para que fossemos livres, que nos libertou Cristo» (Gal
5, 1), homem perfeito e sem pecado. Com a sua vida, morte e ressurreição, Ele
veio inaugurar a Nova Lei, ou «lei da liberdade», cuja código enuncia com
simplicidade, confirma e aperfeiçoa, com o «mandamento novo»:
«O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor; ama-o, portanto, com toda a tua alma,
com toda a tua mente e com todas as tuas forças . . . E ama ao próximo, como a
ti mesmo». Este amor «vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios»; e
quem o vive «não está longe do Reino de
Deus» (Cfr. Marc 12, 29-34); para nele entrar, falta-lhe apenas aceitar
e observar o «mandamento novo» – amar, como Cristo nos amou e amou a inteira
família humana.
Para tanto, Ele «não procurou o que lhe era
agradável» (Rom 15, 3), porque o egoísmo escraviza; mas, tendo amado,
amou até ao último sinal: dar a vida por aqueles a quem amava. É assim o amor
que liberta.
E foi na base deste amor que Ele estabeleceu o seu Reino, destinado, segundo o
desígnio divino, a desenvolver-se cada dia, até á consumação
final, em todas as suas dimensões: graça, justiça, solidariedade fraterna e paz.
E isso, pelo poder de Deus e pelo poder comunicado aos seus discípulos,
assumidos doravante como «instrumentos de redenção universal»: «Eu deixo-vos o
exemplo, para que, como Eu fiz, vós façais também» (Jo 13, 15).
Grandioso e belo é, pois, o programa traçado pela Campanha da Fraternidade
1973; mas, ao mesmo tempo, exigente: abnegar-se a si mesmo, porque o egoísmo
escraviza; e, com santidade de vida, atuar o amor que liberta, em si e no
próprio ambiente, de mãos dadas com todos os irmãos
de boa-vontade, de modo paciente, benigno, desinteressado, corajoso e positivo.
Programa para todos, sem exceção, ele faz um
apelo particular à generosidade dos jovens brasileiros: que todos saibam,
portanto, responder-lhe, ao afirmar a própria fé no Mistério Pascal, com um amor
como o de Cristo, Este amor encerra o germe da integral verdade humana, que
torna livres os que a seguem a lhes proporciona as alegrias da comunhão
no triunfo da Ressurreição com Cristo.
Oxalá sejam estes os sentimentos que suscite e os frutos que faça brotar, em
todos os comprometidos e interpelados, a Campanha da Fraternidade; é o que instantemente pedimos a Deus, ao conceder aos Veneráveis Irmãos
Bispos e a todos os amados filhos da dileta Nação
brasileira, a nossa Bênção Apostólica.
Vaticano, 2 de Fevereiro de 1973.
PAULUS PP. VI
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