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MENSAGEM DO PAPA PAULO VI
À ÍNCLITA E INSÍGNE ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS
(1)
Mensageiro do Evangelho da paz, atravessámos o oceano para vir a
digníssima Organização das Nações Unidas. Poderíamos falar-vos e manifestar os
Nossos pensamentos por meio de outros e de outra maneira, a vós, os que estais
associados nesta organização. Mas quisemos visitar-vos e dirigir-vos a palavra
pessoalmente, para vos mostrar real e pràticamente quão grande é a estima que
sentimos e que professamos tanto a vós como à obra a que vos dedicais.
Vós
criastes a organização da paz, para favorecer, entre as Nações de que sois
justos representantes, a concórdia e a segurança da paz e a mútua colaboração na
mesma paz, e para a proteger contra as ameaças dos perigos de guerra que
continuamente nos ameaçam. Para conseguir o bem-estar político do mundo não pode
haver outra forma nem outro caminho diferente daquele que vós escolhestes: o
respeito do direito, da justa liberdade e da dignidade da pessoa humana,
afastando a calamitosa loucura da guerra e o sem-freio nocivo dos poderosos. A
estrutura e a forma de um tão grande edifício como este que vós construístes
podem melhorar, mas o seu desaparecimento seria um ruína catastrófica.
«Tão
grande é o bem da paz, que nem sequer entre as coisas terrenas e mortais se
costuma ouvir nada maior, nem aspirar a nada mais desejável, nem encontrar nada
melhor» (2).
Nunca será suficientemente estimado este avanço na união da
humanidade, este salutaríssimo progresso, que é necessário amar e ter sempre
diante dos olhos, e que vós realizais com zelo, diligência e paciência. Bem
sabemos que o vosso caminho vai sendo percorrido no meio de numerosas
dificuldades e esperanças. Todas estas coisas conquistam para elas o Nosso amor,
o Nosso aplauso, e o Nosso apoio.
Também em nome dos Padres do Concílio Ecuménico Vaticano II, que agora estão congregados em Roma, vos trazemos uma
mensagem de paz e palavras de boa vontade e consolação. Tendo por certo que na
busca da paz pelo caminho da justiça, a Igreja está do vosso lado, unida no
mesmo desejo, com o seu auxílio espiritual e com os seus fervorosos votos; a
Igreja que nada tem tanto a peito como acender a chama do amor nas almas dos
homens, e conseguir isto mediante a união do seu trabalho com o dos outros.
Que o Deus da paz vos assista sempre, a vós e à nobilíssima obra
em cujo serviço colocais os vossos generosos esforços (3).
Dia 4 de Outubro do ano de 1965, terceiro do Nosso
Pontificado.
PAULO VI, PAPA
Notas
1. O Ex.mo Secretário Geral leu esta mensagem na Congregação
Geral 140, 1 out. 1965.
2. Santo Agostinho, De Civit. Dei XIX, 11.
3. AAS 57 (1965), p. 897-898.
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