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MENSAGEM DO PAPA PAULO VI NA
CONCLUSÃO DO CONCÍLIO VATICANO II
AOS
HOMENS DE PENSAMENTO E DE
CIÊNCIA
8 de Dezembro de 1965
Aos homens de pensamento e de ciência
Uma saudação muito especial para vós, pesquisadores da verdade, homens de
pensamento e de ciência, exploradores do Homem, do universo e da história, para
vós todos, peregrinos em marcha para a luz, e ainda para aqueles que param no
caminho, fatigados e desiludidos por uma vã procura.
Porquê uma saudação especial para vós? Porque todos nós, aqui, Bispos, Padres
do Concílio, procuramos a verdade. O nosso esforço durante estes quatro anos, o
que foi senão uma pesquisa mais atenta e um aprofundamento. da mensagem de
verdade confiada à Igreja, senão um esforço de docilidade mais perfeita ao
espírito de verdade?
Não podemos, pois, deixar de vos encontrar. O vosso caminho é o nosso. As
vossas veredas não são jamais estranhas às nossas. Nós somos os amigos da vossa
vocação de pesquisadores, os aliados das vossas fadigas, os admiradores das
vossas conquistas e, se for preciso, os consoladores dos vossos desânimos e dos
vossos fracassos.
Para vós também, temos uma mensagem, e que é a seguinte: continuei a
procurar, sem desanimar, sem nunca desesperar da verdade. Lembrai-vos da palavra
de um dos vossos grandes amigos, Santo Agostinho: «Procuremos com o desejo de
encontrar, e encontraremos com o desejo de procurar ainda». Felizes os que,
possuindo a verdade, a procuram ainda, a fim de a renovar, de a aprofundar, de a
dar aos outros. Felizes os que, não a tendo encontrado, caminham para ela com um
propósito sincero: o de procurarem a luz de amanhã com a luz de hoje, até à
plenitude da luz.
Mas não esqueçais: se pensar é uma grande coisa, pensar é sobretudo um dever,
e infeliz daquele que fecha voluntariamente os olhos à luz. Pensar é também uma
responsabilidade: infelizes daqueles que obscurecem o espírito pelos mil
artifícios que o deprimem, o tornam orgulhoso, o iludem, o deformam. Qual é o
princípio básico para os homens de ciência senão esforçarem-se por pensar
correctamente?
Para isso, sem perturbar os vossos passos, sem ofuscar os vossos olhares,
vimos oferecer-vos a luz da nossa lâmpada misteriosa: a fé. Aquele que no-la
confiou, é o mestre soberano do pensamento, aquele de quem somos humildes
discípulos, o único que disse e pode dizer: «Eu sou a luz do mundo, eu sou o
caminho, a verdade e a vida».
Esta palavra é para vós. Talvez nunca como hoje, graças a Deus, foi tão
bem-vinda a possibilidade de um profundo acordo entre a verdadeira ciência e a
verdadeira fé, servindo uma e outra a única verdade. Não impeçais este precioso
encontro. Tende confiança na fé, a grande amiga da inteligência. Este é o
desejo, o encorajamento, a esperança que vos exprimem antes de separarem, os
Padres de todo o mundo reunidos em Roma no Concílio.
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