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DISCURSO DO PAPA PAULO VI
AOS DELEGADOS DAS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS
POR OCASIÃO DO IV CONGRESSO INTERNACIONAL
DA PASTORAL DO TURISMO

Sábado, 7 de Novembro de 1970

 

Queridos Irmãos e dilectos Filhos

É com grande prazer que recebemos esta manhã os Delegados das Conferências Episcopais da Pastoral do Turismo. O Vosso Congresso está, realmente, compreendido no programa da « Comissão Pontifícia para a pastoral das migrações e do turismo », que recentemente decidimos criar junto da Congregação para os Bispos (Motu Proprio Apostolicae Caritatis, de 19 de Março de 1970, A.A.S., vol. LXII, p. 193), para corresponder a uma necessidade especial do nosso tempo. Sem interferir nas disposições concretas que as Conferências Episcopais nacionais realizam com tanto zelo, quisemos instituir este organismo de colaboração, para tratar, com elas, de todas as questões pastorais relativas àqueles que, nos nossos dias, se deslocam em número cada vez maior (cfr. Ibid., n. 2).

O carácter verdadeiramente internacional do vosso grupo manifesta bem a universalidade, a amplidão e a urgência dos problemas apresentados pela deslocação de centenas de milhões de turistas, de uma região, de um país ou de um continente para o outro, por motivos de saúde, aperfeiçoamento intelectual ou negócios. Quereis estudar, em conjunto, todos os elementos, que fazem parte do que se tornou um verdadeiro fenómeno social, descobrir as repercussões que ele suscita nos turistas e nas pessoas que os acolhem, e trabalhar juntos para que o zelo criador dos pastores aproveite conscientemente estas novas ocasiões para anunciar a Palavra de Deus.

São de prever muitas mudanças, sobretudo nas regiões em via de desenvolvimento, que têm muita afluência de turistas. Tanto para uns como para os outros, trata-se de uma prova e de uma probabilidade: do risco de ter que renunciar às melhores tradições, de encontrar condições de trabalho irregulares e de fazer comparações que provoquem traumas, mas também de novas possibilidades de educação, de elevação social, de diálogo fraterno, de compreensão mútua e ingresso noutras civilizações e culturas. Tenhamos bastante imaginação criadora, audácia apostólica e esperança para enfrentar este fenómeno de massa, de modo que, com a graça de Deus, estas migrações, cada vez mais complexas e importantes, se tornem a fonte de uma nova fraternidade entre os homens e de um testemunho evangélico, que atinja as dimensões do mundo.

A pastoral deve, pois, adaptar-se a esta dinâmica da vida moderna. A Instrução da Congregação dos Bispos sobre a pastoral dos migrantes (22 de Agosto de 1969, A.A.S., vol. LXI, p. 614) sublinhou a responsabilidade de assistência, que é devida, primeiramente, às Igrejas, mas estas só poderão corresponder às necessidades, que aumentam contínua e diversamente, com a contribuição de colaborações cada vez maiores e mais qualificadas. Trata-se de levar a presença da Igreja entre as massas em movimento. Portanto, todas as comunidades cristãs se devem sentir responsáveis. Concretamente apresentam-se-nos múltiplas possibilidades pastorais: é necessário pôr à disposição dos migrantes, pelo menos nos períodos de maior turismo, um clero preparado para esta missão; estabelecer lugares de culto acessíveis; prodigar-se para que, tanto no acolhimento como na pregação, o católico se sinta, em toda a parte, como em sua casa, recebido como um filho de Deus numa comunidade de irmãos; promover centros de reunião, de intercâmbio, de diálogo e de actividade, que façam com que o descanso seja fecundo e, ao mesmo tempo, repousante; assegurar aos cristãos leigos uma sólida formação pessoal, para que eles sejam testemunhas e « mensageiros itinerantes de Cristo » (Apostolicam Actuositatem, n. 14), conforme um dos temas do vosso Congresso; basear-se na responsabilidade dos movimentos de acção católica, cujos militantes teriam muito a fazer na promoção espiritual dos centros de turismo; dedicar um cuidado particular ao que se poderia chamar turismo religioso, à visita aos santuários, que poderia e deveria ser uma ocasião providencial para descobrir a Igreja por meio do rico património artístico suscitado no decurso da sua história de dois mil anos. Aquele campo ilimitado está aberto ao zelo dos pastores: é a vós que compete reflectir sobre as iniciativas que deveis tomar e apoiar, apresentar em comum as vossas experiências e as vossas sugestões, chamar a atenção dos vossos respectivos países para estes graves problemas e organizar-vos dentro das grandes directrizes de uma pastoral comum. Não há dúvida que há-de ser um trabalho demorado, cheio de dificuldades, e que os vossos meios são limitados. Mas, como o Apóstolo, «o amor de Cristo nos constrange...» (2 Cor 5, 14) e impele-nos, em todos os caminhos do apostolado, a proclamar a Boa-Nova do Evangelho e a não deixar qualquer rebanho de ovelhas sem pastor (cfr. Mt 9, 36). E com estes sentimentos que vos dirigimos a Nossa palavra paterna de estímulo e que vos concedemos, de todo o coração, uma especial Bênção Apostólica.

 

 

 

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