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VIA-SACRA - ESCOLA VENEZIANA – SÉC. XVIII
CATEDRAL DE PÁDUA
QUINTA ESTAÇÃO
Jesus é ajudado a levar a cruz pelo Cireneu
V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Do evangelho segundo São Mateus 27, 32; 16, 24
Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e
requisitaram-no, para levar a cruz de Jesus. Jesus disse aos seus discípulos:
"Se alguém quiser seguir-Me, renegue-se a si mesmo, pegue na sua cruz e
siga-Me".
MEDITAÇÃO
Simão de Cirene regressa do trabalho, vai a caminho de casa
quando se cruza com aquele triste cortejo de condenados – para ele talvez
fosse um espectáculo habitual. Os soldados valem-se do seu direito de coacção
e colocam a cruz às costas dele, robusto homem do campo. Que aborrecimento não
deverá ter sentido ao ver-se inesperadamente envolvido no destino daqueles
condenados! Faz o que deve fazer, mas certamente com grande relutância. E
todavia o evangelista Marcos nomeia, juntamente com ele, também os seus
filhos, que evidentemente eram conhecidos como cristãos, como membros daquela
comunidade (Mc 15, 21). Do encontro involuntário, brotou a fé.
Acompanhando Jesus e compartilhando o peso da cruz, o Cireneu compreendeu que
era uma graça poder caminhar juntamente com este Crucificado e assisti-Lo. O
mistério de Jesus que sofre calado tocou-lhe o coração. Jesus, cujo amor
divino era o único que podia, e pode, redimir a humanidade inteira, quer que
compartilhemos a sua cruz para completar o que ainda falta aos seus
sofrimentos (Col 1, 24). Sempre que, bondosamente, vamos ao encontro de
alguém que sofre, alguém que é perseguido e inerme, partilhando o seu
sofrimento ajudamos a levar a própria cruz de Jesus. E assim obtemos salvação,
e nós mesmos podemos contribuir para a salvação do mundo.
ORAÇÃO
Senhor, abristes a Simão de Cirene os olhos e o coração,
dando-lhe, na partilha da cruz, a graça da fé. Ajudai-nos a assistir o nosso
próximo que sofre, ainda que este chamamento resultasse em contradição com os
nossos projectos e as nossas simpatias. Concedei-nos reconhecer que é uma
graça poder partilhar a cruz dos outros e experimentar que dessa forma estamos
a caminhar convosco. Fazei-nos reconhecer com alegria que é precisamente pela
partilha do vosso sofrimento e dos sofrimentos deste mundo que nos tornamos
ministros da salvação, podendo assim ajudar a construir o vosso corpo, a
Igreja.
Todos:
Pater noster, qui es in cælis;
sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in cælo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra,
sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem;
sed libera nos a malo.
Quis est homo qui non fleret,
Matrem Christi si videret
in tanto supplicio?
© Copyright 2005 - Libreria
Editrice Vaticana
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