 |
PADRE MARIANO DA MATA APARÍCIO
(1905-1983)
No aconchego de uma família eminentemente cristã, na
localidade de Barrio de la Puebla, Palência, Espanha, no dia 31 de dezembro de
1905, nasceu o menino Mariano. Os pais, Manuel e Martina, foram educando e
formando a consciência do filho Mariano e dos outros sete irmãos (três varões
e quatro mulheres), semeando com a palavra e o testemunho de uma vida
autenticamente cristã, a semente da fé e do amor, que seriam depois a essência
da vida daquele menino. Nesse ambiente familiar e cristão, não foi difícil
surgir a vocação para a vida sacerdotal e religiosa agostiniana; vocação ainda
reforçada pelo incentivo dos outros três irmãos varões, que também tinham
abraçado a Ordem Agostiniana.
O menino Mariano fez os primeiros estudos de latim na pequena
vizinha cidade de Barriosuso de Valdavia. Em 29 de agosto de 1921, ingressou
no seminário agostiniano de Valladolid, Espanha, completando assim o marco
agostiniano mais precioso daquela família abençoada. De ânimo sereno e honesto
nas suas atitudes, vive o seu primeiro período de formação em Valladolid
preparando-se para compromissos posteriores. No dia 10 de julho de 1922
realiza a sua primeira profissão (votos religiosos de pobreza, obediência e
castidade). A 2 de janeiro de 1926, por meio da profissão solene, se
entrega definitivamente à Ordem Agostiniana. Em 25 de julho de 1930 é ordenado
Sacerdote. Estava pronto para iniciar a sua missão e coroar sua vocação de
modo definitivo. Pe. Mariano era sacerdote e agostiniano. Estava preparado
para os grandes desafios que a obediência deveria encomendar-lhe na Espanha e,
a partir do dia 21 de agosto de 1931, em terras brasileiras.
No Brasil atuou na paróquia de Taquaritinga. Em 1933, foi
transferido para o Colégio de Santo Agostinho, em São Paulo, onde foi
professor, secretário e ecônomo. Entre 1945 e 1948, foi superior da
Vice-Província Agostiniana do Brasil. Em 1949, foi para o Colégio de
Engenheiro Schmidt, sendo diretor por três anos e professor e conselheiro da
Vice-Província até 1960. A seguir, transferiu-se novamente para o Colégio de
Santo Agostinho, em São Paulo, onde permaneceu até o fim da vida.
O exemplo dos tios sacerdotes e religiosos Pe. Hermenegildo,
Ir. Tomás, Ir. Baltasar e Pe. Mariano penetrou no mais íntimo dos lares das
quatro irmãs, de tal maneira que, anos depois, também três sobrinhos e três
sobrinhas abraçariam a vida religiosa agostiniana. Como gostava o Pe. Mariano
de viver intensamente essa feliz realidade agostiniana, que tanto enriquecia e
unia aquelas quatro famílias!
Para os sobrinhos, o Pe. Mariano era o "tio". Assim o chamavam
com muito carinho. Dois deles acompanhariam os últimos momentos da sua vida
aqui na terra, vindos da Colômbia e do Peru, onde realizavam o seu trabalho
pastoral e missionário, como religioso e religiosa agostinianos.
A natureza contagiava Pe. Mariano. O seu divertimento eram o
cultivo e o cuidado das plantas e das flores. Falava com elas, acariciava as
suas folhas, emocionava-se diante delas. Cada planta, mesmo a mais raquítica e
menos vistosa, para nós sem valor, era para Pe. Mariano uma exaltação da
beleza da criação. Tinha o seu jardim no terraço do Colégio. Permanecia ali
nos seus momentos de relaxamento. Essa sensibilidade adquiria uma dimensão
portentosa quando se tratava da família, dos amigos, dos ex-alunos, dos
sofredores, dos mais necessitados. É difícil esquecer aquele momento, quando
recém-operado de catarata em Belo Horizonte, em visita realizada à igreja,
emocionado exclamou ao ver a imagem de Nossa Senhora da Consolação: "Estou
vendo as suas cores". Acolhia com alegria, entregava-se com generosidade,
acompanhava com espírito samaritano, servia com o coração aberto. Possuía um
coração verdadeiramente sensível. Os seus grandes amores eram: a Eucaristia,
Nossa Senhora, as crianças, os pobres, os enfermos. As suas maiores paixões:
a natureza, a família, as oficinas de Santa Rita de Cássia, as vocações
agostinianas.
De caráter firme, mas generoso, espontâneo, desprendido e
muito sensível diante da dor; de talante samaritano e autêntico servidor, Pe.
Mariano terá a sua vida marcada pelo amor aos que sofrem. Verdadeiro
mensageiro do amor, levará aos doentes o conforto da sua presença e da sua
palavra de esperança. Não importavam as deficiências auditivas e visuais que o
acompanharam durante muitos anos da sua vida. O amor era mais forte, a
caridade o impelia, "a morte não espera" dizia, a solidão aumenta a dor. Sem
preocupações de horários, Pe. Mariano saía pela cidade de São Paulo, com o seu
"fusca", sem pensar em riscos, enfrentando desafios, mas animado por uma
alegria interior e levando um raio de esperança aos doentes e aos que
precisavam do seu amor, assim como o incentivo da sua presença e da sua
palavra às Associadas das Oficinas de Caridade de Santa Rita de Cássia.
Verdadeiro mensageiro do amor, alegrou muitos lares, confortou
muitas vidas, foi portador de esperança para muitos desanimados. Sua maneira
de falar e sua figura austera, o carinho que colocava no que realizava e o
sacrifício da sua vida, transformada num contínuo ato de amor, fizeram de Pe.
Mariano um autêntico apóstolo da caridade.
Os doentes eram o seu ponto forte: uma necessidade de um
doente antepunha-se a tudo. Nunca tinha preguiça para deixar o que quer que
fosse, de dia e de noite, para atender os doentes. Ao saber que numa família
havia algum doente, lá estava ele a confortar o enfermo e os familiares. Era
muito conhecido no Hospital do Câncer, por exemplo. A sua presença lá era um
bálsamo, onde levava a comunhão e os demais sacramentos. Gozava já a fama de
santo, assemelhando-se a Cristo, semeando coragem e entrega total a Deus.
Como Cristo, Pe. Mariano foi o cordeiro levado ao matadouro e
imolado, sem se queixar, sem murmurar, crucificado no seu leito de dor.
Faleceu no dia 5 de abril de 1983.
|