COMUNICADO DA ARQUIDIOCESE DE MÜNCHEN (*)
No site da arquidiocese de München und Freising está à disposição um
comunicado, do qual publicamos a nossa tradução.
Ao examinar presumíveis casos de abusos nos decénios passados, o ordinariato
arquidiocesano encontrou graves erros, nos anos Oitenta, no tratamento das
informações relativas a um sacerdote. Segundo quanto referido pela "Süddeutsche
Zeitung" na quinta-feira 11 de Março, o grupo de trabalho instituído pelo
vigário-geral, Mons. Peter Beer, para examinar os casos do passado, descobriu
que um sacerdote proveniente da diocese de Essen, apesar das acusações de abusos
sexuais e não obstante uma condenação, foi repetidamente empregado na cura
pastoral pelo vigário-geral de então, Gerhard Gruber. Gruber assume a plena
responsabilidade por estas decisões erradas.
Segundo as averiguações realizadas pelo grupo de trabalho do ordinariato, a
questão actualmente apresenta-se do seguinte modo.
Enquanto capelão, o sacerdote H., a pedido da diocese de Essen, em Janeiro de
1980 foi acolhido na arquidiocese de München und Freising. Em München devia
seguir uma terapia. Com base nas actas, o grupo de trabalho parte do pressuposto
que na época era conhecido que presumivelmente ele tinha que seguir essa terapia
por causa de relações sexuais com jovens. Em 1980 foi decidido alojar H. numa
casa paroquial para que pudesse seguir a terapia. Esta decisão foi tomada
juntamente com o arcebispo de então. Mas apesar desta decisão H. foi destinado,
sem restrições, pelo vigário-geral da época à colaboração na cura pastoral numa
paróquia de München.
Nesse período – de 1 de Fevereiro de 1980
a 31 de Agosto de 1982 – não resultam
denúncias ou acusações em relação a H.
De Setembro de 1982 ao início de 1985 H. colaborou na cura pastoral em
Grafing. Depois de terem emergido acusações de abusos sexuais e da polícia ter
dado início às averiguações, com carta de 29 de Janeiro de 1985, o capelão H.
foi condenado pelo tribunal de primeira instância de Ebersberg a 18 meses de
prisão com a condicional e a uma pena pecuniária de 4.000 marcos pelos abusos
sexuais sobre menores. Foi estabelecido em cinco anos o período de suspensão
condicional. Ao condenado foi ordenado que se submetesse a psicoterapia.
Desde Novembro de 1986 a Outubro de 1987 H. foi empregado como capelão num
instituto para idosos. Por fim, até Setembro de 2008 trabalhou numa paróquia em
Garching/Alz, inicialmente como pároco, depois como administrador paroquial. Na
decisão de lhe confiar o novo encargo na cura pastoral paroquial evidentemente
foram determinantes a pena relativamente leve cominada pelo tribunal de
Ebersberg e as perícias do psicólogo que o seguia.
Depois da condenação de 1986, o ordinariato não foi informado de outras
acusações.
A 6 de Maio de 2008 H. foi dispensado das suas tarefas de administrador
paroquial em Garching e a partir de Outubro de 2008 foi empregado como capelão
para os centros de cura e para o turismo. Foi-lhe imposta a condição de não
trabalhar mais com crianças, jovens e ministrantes. Uma nova perícia
médico-legal, feita a pedido do novo arcebispo Reinhard Marx, segundo o
ordinariato não consentia a presença de H. na cura pastoral.
O ex-vigário-geral Gerhard Gruber explica a este propósito: "O repetido
emprego de H. na cura pastoral foi um grave erro. Assumo a total
responsabilidade. Deploro profundamente que, por causa desta decisão, se tenha
chegado a crimes contra os jovens e peço desculpa a todos os que sofreram um
dano".
(*) Texto
publicado na edição em português do L'Osservatore Romano, 20 de Março de
2001
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