CONGREGAÇÃO PARA O CLERO
DIRETÓRIO GERAL PARA A CATEQUESE
DOCUMENTOS DO MAGISTÉRIO
AA: Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre o apostolado dos leigos, Apostolicam
Actuositatem (18 de novembro de 1965)
AG: Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre a atividade missionária da
Igreja Ad Gentes (7 de dezembro de 1965)
CA: João Paulo II, Carta encíclica Centesimus Annus (1°
de maio de 1991): AAS 83 (1991), pp. 793-867
CD: Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre o ofício pastoral dos
Bispos na Igreja Christus Dominus (28 de outubro de 1965)
CaIC: Catecismo da Igreja Católica (11 de outubro de 1992)
CCL: Corpus Christianorum, Series Latina (Turnholti 1953 ss.)
CIC: Codex Iuris Canonici (25 de janeiro de 1983)
ChL: João Paulo II, Exortação apostólica pós-sinodal
Christifideles Laici (30 de dezembro de 1988): AAS 81 (1989), pp.
393-521
COINCAT: Conselho Internacional para a Catequese, Orientações
A catequese dos adultos na comunidade cristã, Libreria Editrice
Vaticana 1990
CSEL: Corpus Scriptorum Ecclesiasticorum Latinorum (Wn 1866 ss.)
CT: João Paulo II, Exortação apostólica Catechesi
Tradendae (16 de outubro de 1979): AAS 71 (1979), pp. 1277-1340.
DCG (1971): Sagrada Congregação para o Clero, Directorium
Catechisticum Generale Ad normam decreti (11 de abril de 1971): AAS 64
(1972), pp. 97-176
DH: Conc. Ecum. Vaticano II, Declaração sobre a liberdade
religiosa Dignitatis Humanae (7 de dezembro de 1965)
DM: João Paulo II, Carta encíclica Dives in Misericordia
(30 de novembro de 1980): AAS 72 (1980), pp. 1177-1232
DS: H. Denzinger - A. Schönmetzer, Enchiridion Symbolorum,
Definitionum et Declarationum de Rebus Fidei et Morum, Editio XXXV emendata,
Romae 1973
DV: Conc. Ecum. Vaticano II, Constituição dogmática
sobre a revelação divina Dei Verbum (18 de novembro de
1965)
EA: João Paulo II, Exortação apostólica pós-sinodal
Ecclesia in Africa (14 de setembro de 1995): AAS 88 (1996) pp. 5-82
EN: Paulo VI, Exortação apostólica Evangelii
Nuntiandi (8 de dezembro de 1975): AAS 58 (1976), pp. 5-76
EV: João Paulo II, Carta encíclica Evangelium Vitae
(25 de março de 1995): AAS 87 (1995), pp. 401-522
FC: João Paulo II, Exortação apostólica pós-sinodal
Familiaris Consortio (22 de novembro de 1981): AAS 73 (1981),
pp. 81-191
FD: João Paulo II, Constituição apostólica Fidei
Depositum (11 de outubro de 1992): AAS 86 (1994), pp. 113-118
GCM: Congregação para a Evangelização dos Povos,
Guia para os catequistas. Documento de orientação em vista
da vocação, da formação e da promoção
dos catequistas nos territórios de missão que dependem da Congregação
para a Evangelização dos povos (3 de dezembro de 1993), Cidade do
Vaticano 1993
GE: Conc. Ecum. Vaticano II, Declaração sobre a educação
Gravissimum Educationis (28 de outubro de 1965)
GS: Conc. Ecum. Vaticano II, Constituição pastoral sobre a
Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et Spes (7 de dezembro de
1965)
LC: Congregação para a Doutrina da fé, Instrução
Libertatis Conscientia (22 de março de 1986): AAS 79 (1987), pp.
554-599
LE: João Paulo II, Carta encíclica Laborem Exercens
(14 de setembro de 1981): AAS 73 (1981), pp. 577-647
LG: Conc. Ecum. Vaticano II Constituição dogmática
sobre a Igreja Lumen Gentium (21 de novembro de 1964)
MM: João XXIII, Carta encíclica Mater et Magistra (15
de maio de 1961): AAS 53 (1961), pp. 401-464
MPD: Sínodo dos Bispos, Mensagem ao Povo de Deus Cum iam ad
exitum sobre a catequese no nosso tempo (28 de outubro de 1977), Typis
Polyglottis Vaticanis 1977
NA: Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre as relações da
Igreja com as Religiões não cristãs Nostra Aetate
(28 de outubro de 1965)
PB: João Paulo II, Constituição apostólica Pastor
Bonus (28 de junho de 1988): AAS 80 (1988), pp. 841-930
PG: Patrologiae Cursus completus, Series Graeca, ed. Jacques P.
Migne, Parisiis 1857 ss.
PL: Patrologiae Cursus completus, Series Latina, ed. Jacques P.
Migne, Parisiis 1844 ss.
PO: Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre o ministério e a vida dos
presbíteros Presbyterorum Ordinis (7 de dezembro de 1965)
PP: Paulo VI, Carta encíclica Populorum Progressio (26 de março
de 1967): AAS 59 (1967), pp. 257-299
RH: João Paulo II, Carta encíclica Redemptor Hominis
(4 de março de 1979): AAS 71 (1979), pp. 257-324
OICA: Ordo Initiationis Christianae Adultorum, Editio Typica, Typis
Polyglottis Vaticanis 1972
RM: João Paulo II, Carta encíclica Redemptoris Missio
(7 de dezembro de 1990): AAS 83 (1991), pp. 249-340
SC: Conc. Ecum. Vaticano II, Constituição sobre a Sagrada
Liturgia Sacrosanctum Concilium (4 de dezembro de 1963)
SINODO 1985: Sínodo dos Bispos (reunião extraordinária
de 1985), Relatório final Ecclesia sub verbo Dei mysteria Christi
celebrans pro salute mundi (7 de dezembro de 1985), Cidade do Vaticano 1985
SCh: Sources Chrétiennes, Collection, Paris 1946 ss.
SRS: João Paulo II, Exortação apostólicaSollicitudo
Rei Socialis (30 de dezembro de 1987): AAS 80 (1988), pp. 513-586
TMA: João Paulo II, Exortação apostólica Tertio
Millennio Adveniente (10 de novembro de 1994): AAS 87 (1995), pp. 5-41
UR: Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto sobre o Ecumenismo Unitatis
Redintegratio (21 de novembro de 1964)
UUS: João Paulo II, Carta encíclica Ut Unum Sint (25
de maio de 1995): AAS 87 (1995), pp. 921-982
VS: João Paulo II, Carta encíclica Veritatis Splendor
(6 de agosto de 1993): AAS 85 (1993), pp. 1133-1228
PREFÁCIO
1. O Concílio Vaticano II prescreveu a redação de um «
Diretório para a instrução catequética do povo ».(1)
Em obediência a este mandato conciliar, a Congregação para o
Clero valeu-se de uma especial Comissão de especialistas e consultou as
Conferências Episcopais do mundo, as quais enviaram numerosas sugestões
e observações em propósito. O texto preparado foi revisto
por uma Comissão teológica ad hoc e pela Congregação
para a Doutrina da Fé. No dia 18 de março de 1971 foi
definitivamente aprovado por Paulo VI e promulgado no dia 11 de abril do mesmo
ano, com o título Diretório Catequético Geral.
2. Os trinta anos transcorridos da conclusão do Concílio
Vaticano II aos umbrais do terceiro milênio, constituem, sem dúvida,
um tempo extremamente rico de orientações e promoções
da catequese. Foi um tempo que, de qualquer modo, repropôs a vitalidade
evangelizadora da primeira comunidade eclesial e que relançou
oportunamente o ensinamento dos Padres e favoreceu a redescoberta do antigo
catecumenato. Desde 1971, o Diretório Catequético Geral tem
orientado as Igrejas particulares no longo caminho de renovação da
catequese, propondo-se como válido ponto de referência tanto no que
diz respeito aos conteúdos, quanto no que concerne à pedagogia e
aos métodos a serem empregados.
O itinerário percorrido pela catequese neste período foi
caracterizado, em todas as partes, por uma generosa dedicação de
muitas pessoas, por iniciativas admiráveis e por frutos muito positivos
para a educação e o amadurecimento na fé, de crianças,
jovens e adultos. Todavia, não faltaram, contemporaneamente, crises,
insuficiências doutrinais e experiências que empobreceram a
qualidade da catequese, devidas, em grande parte, à evolução
do contexto cultural mundial e a questões eclesiais de matriz não
catequética.
3. O Magistério da Igreja não deixou jamais, nestes anos, de
exercitar a sua solicitude pastoral em favor da catequese. Numerosos Bispos e
Conferências dos Bispos, em todos os continentes, deram um notável
impulso à ação catequética também através
da publicação de válidos Catecismos e orientações
pastorais, promovendo a formação de peritos e favorecendo a
pesquisa catequética. Estes esforços foram fecundos e repercutiram
favoravelmente na praxe catequética das Igrejas particulares. Uma
particular riqueza para a renovação catequética é
constituída pelo Ritual para a Iniciação Cristã
dos Adultos, promulgado no dia 6 de janeiro de 1972, pela Congregação
para o Culto Divino.
É indispensável recordar, de modo especial, o ministério
de Paulo VI, o Pontífice que guiou a Igreja durante o primeiro período
do pós-Concílio. A seu respeito, João Paulo II disse: «
Com os seus gestos, com a sua pregação e com a sua interpretação
autorizada do Concílio Vaticano II que ele considerava como o
grande catecismo dos tempos modernos e ainda com toda a sua vida, o meu
venerando Predecessor Paulo VI serviu a catequese da Igreja de modo
particularmente exemplar ».(2)
4. Uma decisiva pedra miliária para a catequese foi a reflexão
iniciada por ocasião da Assembléia Geral do Sínodo dos
Bispos sobre a evangelização do mundo contemporâneo,
que se celebrou em outubro de 1974. As proposições de tal encontro
foram apresentadas ao Papa Paulo VI, o qual promulgou a Exortação
Apostólica pós-sinodal Evangelii Nuntiandi, de 8 de
Dezembro de 1975. Este documento apresenta entre outras coisas um
princípio de particular relevo: a catequese como ação
evangelizadora no âmbito da grande missão da Igreja. A atividade
catequética, de agora em diante, deverá ser considerada como
permanentemente partícipe das urgências e das ânsias próprias
do mandato missionário para o nosso tempo.
Também a última Assembléia Sinodal convocada por Paulo
VI, em outubro de 1977, escolheu a catequese como tema de análise e de
reflexão episcopal. Este Sínodo viu « na renovação
catequética um dom precioso do Espírito Santo à Igreja nos
dias de hoje ».(3)
5. João Paulo II assumiu esta herança em 1978 e formulou as
suas primeiras orientações na Exortação Apostólica
Catechesi Tradendae, datada de 16 de outubro de 1979. Tal Exortação
forma uma unidade totalmente coerente com a Exortação Evangelii
Nuntiandi e repõe plenamente a catequese no quadro da evangelização.
Durante todo o seu pontificado, João Paulo II ofereceu um magistério
constante de altíssimo valor catequético. Entre os discursos, as
cartas e os ensinamentos escritos, emergem as doze Encíclicas: da Redemptor
Hominis à Ut Unum Sint. Estas Encíclicas constituem, por si
mesmas, um corpo de doutrina sintético e orgânico, em vista da
realização da renovação da vida eclesial, postulada
pelo Concílio Vaticano II. Quanto ao valor catequético destes
Documentos do magistério de João Paulo II, distinguem-se: a Redemptor
Hominis (4 de março de 1979), a Dives in Misericordia (30 de
novembro de 1980), a Dominum et Vivificantem (18 de maio de 1986), e,
para a reafirmação da permanente validez do mandato missionário,
a Redemptoris Missio (7 de dezembro de 1990).
6. Por outro lado, as Assembléias Gerais, ordinárias e
extraordinárias, do Sínodo dos Bispos, tiveram uma particular
incidência no campo eclesial da catequese. Por sua particular importância,
devem ser destacadas as Assembléias Sinodais de 1980 e 1987, relativas
respectivamente à missão da família e à vocação
dos leigos batizados. Os trabalhos sinodais foram seguidos das correspondentes
Exortações Apostólicas de João Paulo II, Familiaris
Consortio (22 de novembro de 1981) e Christifideles Laici (30 de
dezembro de 1988). O próprio Sínodo Extraordinário dos
Bispos, de 1985, influiu também, de maneira decisiva, sobre o presente e
sobre o futuro da catequese do nosso tempo. Naquela ocasião, foi feito um
balanço dos 20 anos de aplicação do Concílio
Vaticano II e os Padres sinodais propuseram ao Santo Padre a elaboração
de um Catecismo universal para a Igreja Católica. A proposta da Assembléia
sinodal extraordinária de 1985 foi acolhida favoravelmente e assumida por
João Paulo II. Terminado o paciente e complexo processo de sua elaboração,
o Catecismo da Igreja Católica foi entregue aos Bispos e às
Igrejas particulares mediante a Constituição Apostólica
Fidei Depositum, do dia 11 de outubro de 1992.
7. Este evento, de tão profundo significado, e o conjunto dos fatos e
das intervenções magisteriais precedentemente indicados, impunham
o dever de uma revisão do Diretório Catequético Geral, com
a finalidade de adaptar este precioso instrumento teológico-pastoral à
nova situação e necessidade. Receber tal herança e organizá-la
sinteticamente, em função da atividade catequética, sempre
na perspectiva da atual etapa da vida da Igreja, é um serviço da Sé
Apostólica para todos.
O trabalho para a nova elaboração do Diretório Geral
para a Catequese, promovido pela Congregação para o Clero, foi
realizado por um grupo de Bispos e por especialistas em teologia e em catequese.
Foi, sucessivamente, submetido à consulta das Conferências dos
Bispos e dos principais Institutos ou Centros de estudos catequéticos, e
foi feito respeitando substancialmente a inspiração e os conteúdos
do texto de 1971. Evidentemente, a nova redação do Diretório
Geral para a Catequese teve que balancear duas exigências principais:
de um lado, a contextualização da catequese na
evangelização, postulada pelas Exortações Evangelii
Nuntiandie Catechesi Tradendae
por outro lado, a assunção dos conteúdos da fé
propostos pelo Catecismo da Igreja Católica.
8. O Diretório Geral para a Catequese, embora conservando a estrutura
de fundo do texto de 1971, articula-se do seguinte modo:
Uma Exposição Introdutiva, na qual se oferecem
orientações fundamentais para a interpretação e a
compreensão das situações humanas e das situações
eclesiais, a partir da fé e da confiança na força da
semente do Evangelho. São breves diagnósticos em vista da missão.
A Primeira Parte (4) é articulada em três capítulos
e enraíza de forma mais acentuada a catequese na Constituição
conciliar Dei Verbum, colocando-a no quadro da evangelização
presente em Evangelii Nuntiandi e Catechesi Tradendae. Propõe,
além disso, um esclarecimento da natureza da catequese.
A Segunda Parte(5) consta de dois capítulos. No
primeiro, sob o título « Normas e critérios para a
apresentação da mensagem evangélica na catequese »,
com nova articulação e numa perspectiva enriquecida, reúnem-se,
em sua totalidade, os conteúdos do capítulo correspondente do
texto anterior. O segundo capítulo, completamente novo, serve à
apresentação do Catecismo da Igreja Católica como texto de
referência para a transmissão da fé na catequese e para a
redação dos Catecismos locais. O texto oferece também princípios
básicos em vista da elaboração dos Catecismos para as
Igrejas particulares e locais.
A Terceira Parte(6) mostra-se suficientemente renovada,
formulando também as linhas essenciais de uma pedagogia da fé,
inspirada à pedagogia divina; uma questão, esta, que diz respeito
tanto à teologia como às ciências humanas.
A Quarta Parte(7) tem por título « Os destinatários
da catequese ». Em cinco breves capítulos, se presta atenção
às situações bastante diferentes das pessoas às
quais se dirige a catequese, aos aspectos relativos à situação
sócio-religiosa e, de modo especial, à questão da inculturação.
A Quinta Parte(8) coloca como centro de gravitação
a Igreja particular, que tem o dever primordial de promover, programar,
supervisionar e coordenar toda a atividade catequética. Adquire um
particular relevo a descrição dos respectivos papéis dos
diversos agentes (que têm o seu ponto de referência sempre no Pastor
da Igreja particular) e das exigências formativas em cada caso.
A Conclusão, que exorta a uma intensificação
da ação catequética no nosso tempo, coroa a reflexão
e as orientações com um apelo à confiança na ação
do Espírito Santo e na eficácia da palavra de Deus semeada no
amor.
9. A finalidade do presente Diretório é, obviamente, a mesma
que norteava o texto de 1971. Propõe-se, efetivamente, fornecer « os
princípios teológico-pastorais fundamentais, inspirados no Concílio
Ecumênico Vaticano II e no Magistério da Igreja, aptos a poder
orientar e coordenar a ação pastoral do ministério da
palavra » e, de forma concreta, a catequese.(9) O intuito fundamental era e
é o de oferecer reflexões e princípios, mais do que aplicações
imediatas ou diretrizes práticas. Tal caminho e método é
adotado sobretudo pelas seguintes razões: somente se desde o início
se compreendem corretamente a natureza e os fins da catequese, assim como as
verdades e os valores que devem ser transmitidos, poderão ser evitados
defeitos e erros em matéria catequética.(10)
Cabe à competência específica dos Episcopados a aplicação
mais concreta desses princípios e enunciados, através de orientações
e Diretórios nacionais, regionais ou diocesanos, catecismos e todo outro
meio considerado idôneo a promover eficazmente a catequese.
10. É evidente que nem todas as partes do Diretório têm
a mesma importância. Aquelas que tratam da revelação divina,
da natureza da catequese e dos critérios que presidem o anúncio
cristão, têm valor para todos. As partes, ao invés, que se
referem à presente situação, à metodologia e ao modo
de adaptar a catequese às diferentes situações de idade ou
de contexto cultural, devem ser acolhidas mais como indicações e
como orientações fundamentais.(11)
11. Os destinatários do Diretório são principalmente os
Bispos, as Conferências dos Bispos e, de modo geral, todos aqueles que,
sob o mandato ou presidência dos primeiros, têm responsabilidades no
campo catequético. É óbvio que o Diretório pode ser
um válido instrumento para a formação dos candidatos ao
sacerdócio, para a formação permanente dos presbíteros
e para a formação dos catequistas.
Uma finalidade imediata do Diretório é ajudar a redação
dos Diretórios Catequéticos e catecismos. Conforme sugestão
recebida de muitos Bispos, incluem-se numerosas notas e referências que
podem ser de grande utilidade para a elaboração dos mencionados
instrumentos.
12. Uma vez que o Diretório é endereçado às
Igrejas particulares, cujas situações e necessidades pastorais são
muito variadas, é evidente que se pôde levar em consideração
unicamente as situações comuns ou intermediárias. Isto
acontece, igualmente, quando se descreve a organização da
catequese nos diversos níveis. Na utilização do Diretório,
deve-se ter presente esta observação. Como já se ressaltava
no texto de 1971, o que será insuficiente naquelas regiões onde a
catequese pôde alcançar um alto nível de qualidade e de
meios, talvez poderá parecer excessivo naqueles lugares onde a catequese
não pôde ainda experimentar tal progresso.
13. Ao publicar este texto, novo testemunho da solicitude da Sé Apostólica
para com o ministério catequético, exprimem-se os votos de que ele
seja acolhido, examinado e estudado com grande atenção, levando em
consideração as necessidades pastorais de cada Igreja particular;
e que ele possa também estimular, para o futuro, estudos e pesquisas mais
profundas, que respondam às necessidades da catequese e às normas
e orientações do Magistério da Igreja.
Que a Virgem Maria, Estrela da nova evangelização, nos conduza
ao conhecimento pleno de Jesus Cristo, Mestre e Senhor.
« Quanto ao mais, irmãos, orai por nós, para que a
palavra do Senhor continue o seu caminho e seja glorificada, como aconteceu
entre vós » (2 Ts 3, 1).
Do Vaticano, 15 de agosto de 1997
Solenidade da Assunção de Nossa Senhora
Darío Castrillón Hoyos Arcebispo emérito
de Bucaramanga Pro-Prefeito
Crescenzio Sepe Arcebispo tit. de Grado Secretário
EXPOSIÇÃO INTRODUTIVA
O anúncio do Evangelho no mundo contemporâneo
« Escutai: Eis que o semeador saiu a semear. E ao semear, uma parte
da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. Outra
parte caiu no solo pedregoso e, não havendo terra bastante, nasceu logo,
porque não havia terra profunda, mas, ao surgir do sol, queimou-se e, por
não ter raiz, secou. Outra parte caiu entre os espinhos; os espinhos
cresceram e a sufocaram, e não deu fruto. Outras caíram em
terra boa e produziram fruto, crescendo e se desenvolvendo, e uma produziu
trinta, outra sessenta e outra cem por cento » (Mc 4,3-8).
14. Esta exposição introdutiva pretende estimular os pastores
e os agentes da catequese a tomarem consciência da necessidade de olhar
sempre para o campo semeado, e a fazê-lo a partir de uma perspectiva de fé
e de misericórdia. A interpretação do mundo contemporâneo,
aqui apresentada, tem, obviamente, um caráter de provisoriedade, próprio
da contingência histórica.
« Saiu o semeador a semear » (Mc 4,3)
15. Esta parábola é fonte inspiradora para a evangelização.
« A semente é a palavra de Deus » (Lc 8,11). O semeador
é Jesus Cristo. Ele anunciou o Evangelho na Palestina há dois mil
anos e enviou os seus discípulos a semeá-lo pelo mundo. Jesus
Cristo hoje, presente na Igreja por meio do Seu Espírito, continua a
divulgar amplamente a palavra do Pai no campo do mundo.
A qualidade do terreno é sempre muito variada. O Evangelho cai «
à beira do caminho » (Mc 4,4), quando não é
realmente escutado; cai « em solo pedregoso » (Mc 4,5), sem
penetrar profundamente na terra; ou « entre os espinhos » (Mc
4,7), e é imediatamente sufocado no coração dos homens,
distraídos por muitas preocupações. Mas uma parte cai «
em terra boa » (Mc 4,8), isto é, em homens e mulheres
abertos à relação pessoal com Deus e solidários com
o próximo, e produz frutos abundantes.
Jesus, na parábola, comunica a boa notícia de que o Reino de
Deus chega, não obstante as dificuldades do terreno, as tensões,
os conflitos e os problemas do mundo. A semente do Evangelho fecunda a história
dos homens e preanuncia uma colheita abundante. Jesus faz também uma
advertência: somente no coração bem disposto a palavra de
Deus germina.
Um olhar ao mundo, a partir da fé
16. A Igreja continua a semear o Evangelho de Jesus no grande campo de Deus.
Os cristãos, inseridos nos mais variados contextos sociais, olham o mundo
com os mesmos olhos com que Jesus contemplava a sociedade do seu tempo. O discípulo
de Jesus Cristo, de fato, participa, de seu interior, « das alegrias e das
esperanças, das tristezas e das angústias dos homens de hoje »,(12)
olha para a história humana, participa dela, não apenas com a razão,
mas também com a fé. À luz desta, o mundo se mostra ao
mesmo tempo « criado e conservado pelo amor do Criador, reduzido à
servidão do pecado, e libertado por Cristo crucificado e ressuscitado,
com a derrota do Maligno... ».(13)
O cristão sabe que a cada realidade e evento humano subjazem ao mesmo
tempo:
a ação criadora de Deus, que comunica a cada ser a sua
bondade;
a força que deriva do pecado, o qual limita e entorpece o
homem;
o dinamismo que nasce da Páscoa de Cristo, qual germe de
renovação que confere ao crente a esperança de uma «
consumação »(14) definitiva.
Um olhar ao mundo, que prescindisse de um desses três aspectos, não
seria autenticamente cristão. É importante, portanto, que a
catequese saiba iniciar os catecúmenos e os catequizandos a uma «
leitura teológica dos problemas modernos ».(15)
O campo do mundo
17. Mãe dos homens, a Igreja, antes de mais nada, vê, com
profunda dor, « uma multidão inumerável de homens e de mu-
lheres, crianças, adultos e anciãos, isto é, de pessoas
humanas concretas e irrepetíveis, que sofrem sob o peso intolerável
da miséria ».(16) Por meio da catequese, na qual o ensinamento
social da Igreja ocupe o seu lugar,(17) ela deseja suscitar no coração
dos cristãos « o empenho pela justiça »(18) e a «
opção ou amor preferencial pelos pobres »,(19) de modo que a
sua presença seja realmente luz que ilumina e sal que transforma.
Os direitos humanos
18. A Igreja, ao analisar o campo do mundo, é muito sensível a
tudo aquilo que ofende a dignidade da pessoa humana. Ela sabe que desta
dignidade nascem os direitos humanos,(20) objeto constante da preocupação
e do empenho dos cristãos. Por isso, o seu olhar não abrange
somente os indicadores econômicos e sociais,(21) mas também,
sobretudo, os culturais e religiosos. O que ela busca é o progresso
integral das pessoas e dos povos.(22)
A Igreja percebe, com alegria, que « uma corrente benéfica já
se alastra e permeia todos os povos da terra, tornando-os cada vez mais
conscientes da dignidade do homem ».(23) Esta consciência se exprime
na viva preocupação pelo respeito dos direitos humanos e no mais
decidido rechaço de suas violações. O direito à
vida, ao trabalho, à educação, à criação
de uma família, à participação na vida pública
e à liberdade religiosa são hoje particularmente reivindicados.
19. Em numerosos lugares, todavia, e em aparente contradição
com a sensibilidade pela dignidade da pessoa, os direitos humanos são
claramente violados.(24) Dessa maneira, alimentam-se outras formas de pobreza,
que não se colocam no plano material: trata-se de uma pobreza cultural e
religiosa, que preocupa igualmente
a comunidade eclesial. A negação ou a limitação
dos direitos humanos, de fato, empobrece a pessoa e os povos, tanto ou mais do
que a privação dos bens materiais.(25)
A obra evangelizadora da Igreja, neste vasto campo dos direitos humanos, tem
uma tarefa irrenunciável: promover a descoberta da dignidade inviolável
de cada pessoa humana. « Em certo sentido, é a tarefa central e
unificadora do serviço que a Igreja, e nela os fiéis leigos, são
chamados a prestar à família dos homens ».(26) A catequese
deve prepará-los para esta tarefa.
A cultura e as culturas
20. O semeador sabe que a semente penetra em terrenos concretos e tem
necessidade de absorver todos os elementos necessários para
frutificar.(27) Sabe também que, às vezes, alguns desses elementos
podem prejudicar a germinação e a colheita.
A Constituição Gaudium et Spes sublinha a grande
importância da ciência e da técnica na gestação
e no desenvolvimento da cultura moderna. A mentalidade científica que
delas emana, « modifica profundamente a cultura e os modos de pensamento »,
(28) com grandes repercussões humanas e religiosas. A racionalidade científica
e experimental é profundamente enraizada no homem de hoje.
Todavia, a consciência de que este tipo de racionalidade não
pode explicar todas as coisas, ganha sempre mais terreno. Os próprios
homens da ciência constatam que, paralelamente ao rigor da experimentação,
é necessário outro tipo de saber, para poder compreender em
profundidade o ser humano. A reflexão filosófica sobre a linguagem
mostra, por exemplo, que o pensamento simbólico é uma forma de
acesso ao mistério da pessoa humana, contrariamente inacessível.
Torna-se indispensável assim, uma racionalidade que não cinda o
ser humano, que integre a sua afetividade, que o unifique, dando um sentido mais
pleno à sua vida.
21. Juntamente com esta « forma mais universal de cultura »,(29)
hoje se constata também um desejo crescente de revalorizar as culturas
autóctones. A pergunta do Concílio é viva ainda: «
Como se deve favorecer o dinamismo e a expansão duma nova cultura, sem
que pereça a fidelidade viva para com a herança das tradições?
».(30)
Em muitos lugares, se toma viva consciência de que as culturas
tradicionais são agredidas por influências externas dominantes e
por imitações alienantes de formas de vida importadas. Corroem-se
assim, gradualmente, a identidade e os valores próprios dos povos.
Constata-se também a enorme influência dos meios de
comunicação, os quais, muitas vezes, em virtude de interesses econômicos
ou ideológicos, impõem uma visão da vida que não
respeita a fisionomia cultural dos povos aos quais se dirigem.
A evangelização encontra assim, na inculturação,
um de seus maiores desafios. A Igreja, à luz do Evangelho, deve assumir
todos os valores positivos da cultura e das culturas (31) e rejeitar aqueles
elementos que impedem as pessoas e os povos de alcançarem o
desenvolvimento de suas autênticas potencialidades.
A situação religiosa e moral
22. Entre os elementos que compõem o patrimônio cultural de um
povo, o fator religioso-moral tem, para o semeador, um particular relevo. Na
cultura atual existe uma persistente difusão da indiferença
religiosa: « Muitos de nossos contemporâneos ... não percebem
de modo algum esta união íntima e vital com Deus ou explicitamente
a rejeitam ».(32)
O ateísmo, como negação de Deus, « conta entre os
gravíssimos problemas de nosso tempo ».(33) Ele adota formas
diversas, mas aparece hoje especialmente sob a forma do secularismo, que
consiste numa visão autonomista do homem e do mundo « segundo a qual
esse mundo se explicaria por si mesmo, sem ser necessário recorrer a Deus
».(34) No âmbito especificamente religioso, existem sinais de um «
retorno ao sagrado »,(35) de uma nova sede de realidades transcendentes e
divinas. O mundo atual atesta, de modo mais amplo e vital, « o despertar da
procura religiosa ».(36) Certamente este fenômeno « não
deixa de ser ambíguo ».(37) O amplo desenvolvimento das seitas e de
novos movimentos religiosos e o redespertar do « fundamentalismo »(38)
são dados que interpelam seriamente a Igreja e que devem ser atentamente
analisados.
23. A atual situação moral procede de pari passu com a
religiosa. Efetivamente, percebe-se um obscurecimento da verdade ontológica
da pessoa humana. E isto acontece como se a rejeição de Deus
quisesse significar a ruptura interior das aspirações do ser
humano.(39) Assiste-se, assim, em muitos lugares, a um « relativismo ético
que tira à convivência civil qualquer ponto seguro de referência
moral ».(40)
A evangelização encontra no terreno religioso-moral um
ambiente de atuação privilegiado. A missão primordial da
Igreja, de fato, é anunciar Deus, testemunhá-Lo diante do mundo.
Trata-se de fazer conhecer as verdadeiras feições de Deus e o Seu
desígnio de amor e de salvação em favor dos homens, assim
como Jesus o revelou.
Para preparar tais testemunhos, é necessário que a Igreja
desenvolva uma catequese que propicie o encontro com Deus e fortaleça um
vínculo permanente de comunhão com Ele.
A Igreja no campo do mundo
A fé dos cristãos
24. Os discípulos de Jesus estão imersos no mundo como o
fermento mas, como em todos os tempos, não estão imunes de sofrer
a influência das situações humanas.
É, por isso, necessário, interrogar-se sobre a atual situação
da fé dos cristãos.
A renovação catequética, desenvolvida na Igreja durante
as últimas décadas, está dando frutos muito positivos.(41)
A catequese das crianças, dos jovens e dos adultos, nesses anos, deu
origem a uma tipologia de cristão verdadeiramente consciente de sua fé
e coerente com esta em sua vida. De fato, favoreceu neles:
uma nova experiência vital de Deus, como Pai misericordioso;
uma redescoberta mais profunda de Jesus Cristo, não apenas na
sua divindade, mas também na sua verdadeira humanidade;
o sentir-se, todos, co-responsáveis pela missão da
Igreja no mundo;
a tomada de consciência das exigências sociais da fé.
25. Todavia, diante do atual panorama religioso, os filhos da Igreja devem
se examinar: « em que medida são tocados, também eles, pela
atmosfera de secularismo e de relativismo ético? ».(42)
Uma primeira categoria configura-se naquela « multidão de homens
que receberam o Batismo, mas vivem fora de toda a vida cristã ».(43)
Trata-se, de fato, de uma multidão de cristãos « não
praticantes », (44) ainda que, no fundo do coração de muitos,
o sentimento religioso não tenha desaparecido de todo. Redespertá-los
para a fé é um verdadeiro desafio para a Igreja.
Além desses, há ainda as « pessoas simples »,(45)
que se exprimem, às vezes, com sentimentos religiosos muito sinceros e
com uma « religiosidade popular » (46) muito enraizada. Possuem uma
certa fé, mas « conhecem mal os fundamentos dessa mesma fé ».(47)
Além disso, existem também numerosos cristãos, muito
cultos, mas com uma formação religiosa recebida apenas na infância,
e que necessitam reposicionar e amadurecer a sua fé « sob uma luz
diversa ».(48)
26. Não falta, além disso, um certo número de cristãos
batizados que, infelizmente, escondem a própria identidade cristã,
ou por causa de uma errônea forma de diálogo inter-religioso ou por
uma certa reticência em testemunhar a própria fé em Jesus
Cristo na sociedade contemporânea.
Estas situações da fé dos cristãos reclamam do
semeador, com urgência, o desenvolvimento de uma nova evangelização,(49)
sobretudo naquelas Igrejas de antiga tradição cristã, onde
o secularismo penetrou mais. Nesta nova situação necessitada de
evangelização, o anúncio missionário e a catequese,
sobretudo aos jovens e aos adultos, constituem uma clara prioridade.
A vida interna da comunidade eclesial
27. É importante considerar também a própria vida da
comunidade eclesial, a sua íntima qualidade.
Uma primeira consideração é descobrir como, na Igreja,
tenha sido acolhido e tenha dado frutos o Concílio Vaticano II. Os
grandes documentos conciliares não permaneceram letra morta: constatam-se
os seus efeitos. As quatro constituições Sacrosanctum
Concilium, Lumen Gentium, Dei Verbum e Gaudium et Spes
fecundaram a Igreja. De fato:
A vida litúrgica é compreendida mais profundamente como
fonte e vértice da vida eclesial;
O povo de Deus adquiriu uma consciência mais viva do «
sacerdócio comum », (50) radicado no Batismo. Ao mesmo tempo,
redescobre sempre mais a vocação universal à santidade e um
sentido mais profundo do serviço à caridade.
A comunidade eclesial adquiriu um sentido mais vivo da Palavra de
Deus. A Sagrada Escritura, por exemplo, é lida, saboreada e meditada de
modo mais intenso.
A missão da Igreja no mundo é sentida de maneira nova.
Com base numa renovação interior, o Concílio abriu os católicos
à exigência de uma evangelização ligada
necessariamente com a promoção humana, à necessidade do diálogo
com o mundo, com as diversas culturas e religiões e à urgente
busca da união entre os cristãos.
28. Mas em meio a esta fecundidade, devem-se reconhecer também os «
defeitos e dificuldades no acolhimento do Concílio ».(51) Malgrado
uma doutrina eclesiológica tão ampla e profunda, enfraqueceu-se o
sentido da pertença eclesial; constata-se freqüentemente uma «
desafeição para com a Igreja »; (52) ela é
contemplada, muitas vezes, de modo unilateral, como mera instituição,
despojada do seu mistério.
Em algumas ocasiões, foram tomadas posições parciais e
opostas na interpretação e na aplicação da renovação
solicitada à Igreja pelo Concílio Vaticano II. Tais ideologias e
comportamentos conduziram a fragmentações e a prejudicar o
testemunho de comunhão, indispensável para a evangelização.
A ação evangelizadora da Igreja, e nesta a catequese, deve
buscar mais decididamente uma sólida coesão eclesial. Para isso, é
urgente promover e aprofundar uma autêntica eclesiologia de comunhão,
(53) para gerar nos cristãos, uma profunda espiritualidade eclesial.
Situação da catequese: a sua vitalidade e os seus
problemas
29. Muitos são os aspectos positivos da catequese nestes últimos
anos, que mostram a sua vitalidade. Entre outros, devem ser destacados:
O grande número de sacerdotes, religiosos e leigos que se
consagram à catequese com grande entusiasmo e perseverança. É
uma das ações eclesiais mais relevantes.
Deve ser sublinhado também o caráter missionário
da atual catequese e a sua propensão em assegurar a adesão à
fé, dos catecúmenos e dos catequizandos, num mundo no qual o
sentido religioso se obscura. Nesta dinâmica, tem-se uma clara consciência
de que a catequese deve adquirir o estilo de formação integral e não
reduzir-se a simples ensinamento: deverá esforçar-se, de fato,
para suscitar uma verdadeira conversão. (54)
Em sintonia com tudo o que já foi dito, assume extraordinária
importância o incremento que vai adquirindo a catequese dos adultos (55)
no projeto de catequese de muitas Igrejas particulares. Esta opção
aparece como prioritária nos planos pastorais de muitas dioceses. Também
em alguns movimentos e grupos eclesiais ela ocupa um lugar central.
Favorecido, sem dúvida, pelas recentes orientações
do Magistério, o pensamento catequético ganhou, nos nossos dias,
uma maior densidade e profundidade. Neste sentido, muitas Igrejas locais já
dispõem de idôneas e oportunas orientações pastorais.
30. Todavia, é necessário examinar, com particular atenção,
alguns problemas, buscando encontrar uma solução para os mesmos:
O primeiro diz respeito ao próprio conceito de catequese como
escola da fé, como aprendizado e tirocínio de toda a vida cristã,
que ainda não penetrou plenamente na consciência dos catequistas.
No que concerne à orientação de fundo, o
conceito de « Revelação » impregna ordinariamente a
atividade catequética; todavia, o conceito conciliar de « Tradição
» tem uma menor influência como elemento realmente inspirador. De
fato, em muitas catequeses, a referência à Sagrada Escritura é
quase que exclusiva, sem que a reflexão e a vida bimilenar da Igreja (56)
acompanhem tal referência, de modo suficiente. A natureza eclesial da
catequese se mostra, neste caso, menos clara. A inter-relação
entre Sagrada Escritura, Tradição e Magistério, « cada
qual segundo seu próprio modo »,(57) ainda não fecunda
harmoniosamente a transmissão catequética da fé.
No que diz respeito à finalidade da catequese, que visa
promover a comunhão com Jesus Cristo, é necessária uma
apresentação mais equilibrada de toda a verdade do mistério
de Cristo. Às vezes, se insiste somente na sua humanidade, sem fazer explícita
referência à sua divindade; em outras ocasiões, menos freqüentes
nos nossos dias, a sua divindade é tão acentuada, que não
se percebe mais a realidade do mistério da Encarnação do
Verbo. (58)
Em relação ao conteúdo da catequese, subsistem vários
problemas. Há algumas lacunas doutrinais no que concerne à verdade
sobre Deus e sobre o homem, sobre o pecado e a graça e sobre os Novíssimos.
Há a necessidade de uma formação moral mais sólida;
constata-se uma apresentação inadequada da história da
Igreja e um escassa importância dada à sua Doutrina Social. Em
algumas regiões, proliferam catecismos e textos de iniciativa particular,
com tendências seletivas e acentuações tão
diferentes, que prejudicam a necessária convergência na unidade da
fé.(59)
« A catequese é intrinsecamente ligada com toda a ação
litúrgica e sacramental ».(60) Muitas vezes, porém, a praxe
catequética apresenta uma ligação fraca e fragmentária
com a liturgia: atenção limitada aos sinais e ritos litúrgicos,
pouca valorização das fontes litúrgicas, percursos catequéticos
que pouco ou nada têm a ver com o ano litúrgico, presença
marginal de celebrações nos itinerários da catequese.
No que concerne à pedagogia, após uma excessiva acentuação
do valor do método e das técnicas, por parte de alguns, ainda não
se presta a devida atenção às exigências e à
originalidade da pedagogia própria da fé.(61) Cai-se facilmente no
dualismo « conteúdo-método », com reducionismos num
sentido ou no outro. No que diz respeito à dimensão pedagógica,
não se exercitou sempre o necessário discernimento teológico.
No que concerne à diferença das culturas em relação
ao serviço da fé, constitui um problema saber transmitir o
Evangelho no limite do horizonte cultural dos povos aos quais se dirige, de modo
que ele possa ser apreendido realmente como uma grande notícia para a
vida das pessoas e da sociedade. (62)
A formação para o apostolado e para a missão é
uma das tarefas principais da catequese. No entanto, enquanto na atividade
catequética cresce uma nova sensibilidade em formar os fiéis
leigos para o testemunho cristão, para o diálogo inter-religioso e
para o compromisso secular, a educação para a dimensão
missionária ad gentes mostra-se ainda fraca e inadequada. Com
freqüência, a catequese ordinária reserva às missões
uma atenção marginal e não constante.
A semeadura do Evangelho
31. Depois de ter analisado o terreno, o semeador envia os seus operários
para anunciar o Evangelho por todo o mundo, comunicando-lhes a força do
seu Espírito. Ao mesmo tempo, mostra-lhes como ler os sinais dos tempos e
lhes pede uma preparação muito acurada para realizar a semeadura.
Como ler os sinais dos tempos
32. A voz do Espírito que Jesus, por parte do Pai, enviou a Seus discípulos
ressoa também nos acontecimentos da história. (63) Por trás
dos dados mutáveis da situação atual e nas profundas motivações
dos desafios que se apresentam à evangelização, é
necessário descobrir « os sinais da presença e do desígnio
de Deus ». (64) Trata-se de uma análise que se deve fazer à
luz da fé, com uma atitude de compaixão. Valendo-se das ciências
humanas, (65) sempre necessárias, a Igreja busca descobrir o sentido da
situação atual, no âmbito da história da salvação.
Os seus juízos sobre a realidade são sempre diagnósticos
para a missão.
Alguns desafios para a catequese
33. Para poder exprimir a sua vitalidade e a sua eficácia, a
catequese, hoje, deveria assumir os seguintes desafios e orientações:
antes de tudo, ela deve se apresentar como um válido serviço
à evangelização da Igreja, com uma acentuada característica
missionária;
ela deve se dirigir aos seus destinatários privilegiados, como
foram e continuam a ser as crianças, os adolescentes, os jovens e os
adultos a partir, sobretudo, dos primeiros;
seguindo o exemplo da catequese patrística, ela deve plasmar a
personalidade daquele que crê e, portanto, deve ser uma verdadeira e própria
escola de pedagogia cristã;
deve anunciar os mistérios essenciais do cristianismo,
promovendo a experiência trinitária da vida em Cristo como centro
da vida de fé;
deve considerar como tarefa prioritária a preparação
e a formação de catequistas de fé profunda.
I PARTE
A CATEQUESE NA MISSÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA
A catequese na missão evangelizadora da
Igreja
« Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura »
(Mc 16,15) « Ide, portanto, e fazei que todas as nações
se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei » (Mt 28,19-20). «
Recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre
vós, e sereis minhas testemunhas... até os confins da terra »
(At 1,8).
O mandato missionário de Jesus
34. Jesus, após a sua ressurreição, enviou por parte do
Pai o Espírito Santo para que realizasse, a partir de dentro, a obra da
salvação e estimulasse os discípulos a continuarem a sua própria
missão no mundo inteiro, como ele mesmo fora enviado pelo Pai. Ele foi o
primeiro e o maior evangelizador. Anunciou o Reino de Deus,(66) como nova e
definitiva intervenção divina na história e definiu este anúncio
como « o Evangelho », ou seja, a boa nova. A este dedicou toda
a sua existência terrena: deu a conhecer a alegria de pertencer ao
Reino,(67) as suas exigências e a sua magna carta,(68) os mistérios
que encerra,(69) a vida fraterna daqueles que nele entram,(70) e a sua plenitude
futura.(71)
Significado e finalidade desta parte
35. Esta primeira parte pretende definir o caráter próprio da
catequese.
O primeiro capítulo, relativo à estrutura teológica,
recorda brevemente o conceito de Revelação exposto no Documento
conciliar Dei Verbum. Ele determina, de maneira específica, o
modo de conceber o ministério da Palavra. Os conceitos palavra de
Deus, Evangelho, Reino de Deus e Tradição, presentes nessa
Constituição dogmática, fundam o significado de catequese.
Junto a esses, é referencial obrigatório para a catequese o
conceito de evangelização. A sua dinâmica e os seus
elementos são expostos com uma precisão nova e profunda, na Exortação
Apostólica Evangelii Nuntiandi.
O segundo capítulo situa a catequese no quadro da evangelização
e a coloca em relação com as demais formas de ministério da
palavra de Deus. Graças a essa relação, descobre-se mais
facilmente o caráter próprio da catequese.
O terceiro capítulo analisa mais diretamente a catequese enquanto
tal: a sua natureza eclesial, a sua finalidade vinculativa de comunhão
com Jesus Cristo, os seus deveres, e a inspiração catecumenal que
a anima.
A concepção que se tem da catequese condiciona profundamente a
seleção e a organização dos seus conteúdos (cognitivos,
experienciais e comportamentais), precisa os seus destinatários e
define a pedagogia que se exige para alcançar os seus objetivos.
O termo catequese sofreu uma evolução semântica durante
os vinte séculos de história da Igreja. Neste Diretório, o
conceito de catequese inspira-se nos Documentos do Magistério Pontifício
pósconciliar e, sobretudo, na Evangelii Nuntiandi, na Catechesi
Tradendae e na Redemptoris Missio.
I CAPÍTULO
A Revelação e a sua transmissão
mediante a evangelização
« Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos
abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos
céus, em Cristo. (...) dando-nos a conhecer o mistério da sua
vontade, conforme decisão prévia que lhe aprouve tomar para levar
o tempo à sua plenitude: a de em Cristo encabeçar todas as
coisas... » (Ef 1,3-10).
A Revelação do desígnio providencial de Deus
36. « Deus, que cria e conserva todas as coisas por meio do Verbo,
oferece aos homens, na criação, um perene testemunho de si mesmo ».
(72) O homem, que por sua natureza e vocação é « capaz
de Deus », quando ouve a mensagem das criaturas, pode atingir a certeza da
existência de Deus como causa e fim de tudo e que Ele pode se revelar ao
homem.
A constituição Dei Verbum do Concílio Vaticano
II descreveu a Revelação como o ato mediante o qual Deus se
manifesta pessoalmente aos homens. Deus se mostra, de fato, como Aquele que quer
comunicar a Si mesmo, tornando a pessoa humana partícipe de sua natureza
divina. (73) Dessa maneira, Ele realiza o seu desígnio de amor.
« Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-Se a Si mesmo e
tornar conhecido o mistério de Sua vontade, pelo qual os homens... têm
acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina ». (74)
37. Este desígnio providencial (75) do Pai, revelado plenamente em
Jesus Cristo, realiza-se com a força do Espírito Santo.
Ele comporta:
a revelação de Deus, da sua « verdade íntima
»,(76) do seu « segredo », (77) da verdadeira vocação
e dignidade do homem; (78)
a oferta da salvação a todos os homens, como dom da graça
e da misericórdia de Deus, (79) que implica a libertação do
mal, do pecado e da morte; (80)
o definitivo chamado para reunir na família de Deus todos os
filhos dispersos, realizando assim a união fraterna entre os homens. (81)
A Revelação: fatos e palavras
38. Deus, na sua imensidão, para se revelar à pessoa humana,
utiliza uma pedagogia: (82) serve-se de eventos e de palavras humanas para
comunicar o seu desígnio; e o faz progressivamente e por etapas, (83)
para se aproximar melhor dos homens. Deus, de fato, age de maneira tal, que os
homens cheguem ao conhecimento do seu plano salvífico através dos
eventos da história da salvação e mediante as palavras
divinamente inspiradas que os acompanham e os explicam.
« Este plano da Revelação se concretiza através de
acontecimentos e palavras intimamente conexos entre si, de forma que
as obras realizadas por Deus na história da salvação
manifestam e corroboram os ensinamentos e as realidades significadas pelas
palavras,
enquanto as palavras, por sua vez, proclamam as obras e
elucidam o mistério nelas contido ».(84)
39. Também a evangelização, que transmite ao mundo a
Revelação, realiza-se com obras e palavras. Ela é, ao mesmo
tempo, testemunho e anúncio, palavra e sacramento, ensinamento e empenho.
A catequese, por sua vez, transmite os fatos e as palavras da Revelação:
deve proclamá-los e narrá-los e, ao mesmo tempo, explicar os
profundos mistérios que estes encerram. Além disso, sendo a Revelação
fonte de luz para a pessoa humana, a catequese não apenas recorda as
maravilhas de Deus operadas no passado mas, à luz da mesma Revelação,
interpreta os sinais dos tempos e a vida presente dos homens e das mulheres, uma
vez que, neles, realiza-se o desígnio de Deus para a salvação
do mundo. (85)
Jesus Cristo, mediador e plenitude da Revelação
40. Deus revelou-se progressivamente aos homens, por meio dos profetas e dos
eventos salvíficos, até à plenitude da Revelação
com o envio de seu próprio Filho: (86)
« Jesus Cristo, pela plena presença e manifestação
de Si mesmo, por palavras e obras, sinais e milagres, e especialmente por sua
morte e gloriosa ressurreição dentre os mortos, enviado finalmente
o Espírito de verdade, aperfeiçoa e completa a Revelação
».(87)
Jesus Cristo não é somente o maior dos profetas, mas é
o Filho eterno de Deus, feito homem. Ele é, portanto, o evento último
para o qual convergem todos os eventos da história da salvação.(88)
Ele é, de fato, « a Palavra única, perfeita e insuperável
do Pai ». (89)
41. O ministério da Palavra deve ressaltar esta admirável
característica, própria da economia da Revelação: o
Filho de Deus entra na história dos homens, assume a vida e a morte
humanas e realiza a nova e definitiva aliança entre Deus e os homens. É
dever próprio da catequese mostrar quem é Jesus Cristo: a sua vida
e o seu mistério, e apresentar a fé cristã como seqüela
da sua pessoa.(90) Por isso, deve basear-se constantemente nos Evangelhos, os
quais « são o coração de todas as Escrituras, uma vez
que constituem o principal testemunho sobre a vida e a doutrina do Verbo
encarnado, nosso Salvador.(91)
O fato que Jesus Cristo seja a plenitude da Revelação é
o fundamento do « cristocentrismo » (92) da catequese: o mistério
de Cristo, na mensagem revelada, não é um elemento a mais, junto
aos demais, mas sim o centro a partir do qual todos os demais elementos se
hierarquizam e se iluminam.
A transmissão da Revelação por meio da Igreja, obra
do Espírito Santo
42. A revelação de Deus, culminada em Jesus Cristo, é
destinada a toda a humanidade: « Deus quer que todos os homens se salvem e
cheguem ao conhecimento da verdade » (1 Tm 2,4). Em virtude dessa
vontade salvífica universal, Deus dispôs que a Revelação
se transmitisse a todos os povos e a todas as gerações e
permanecesse íntegra. (93)
43. Para cumprir este desígnio divino, Jesus Cristo instituiu a
Igreja com fundamento nos apóstolos e, mandando sobre eles o Espírito
Santo, por parte do Pai, enviou-os a pregar o Evangelho em todo o mundo. Os apóstolos,
com palavras, obras e por escrito, executaram fielmente tal mandato.(94)
Esta Tradição apostólica perpetua-se na Igreja e por
meio da Igreja. E esta, no seu todo, pastores e fiéis, vigia por sua
conservação e transmissão. O Evangelho, de fato,
conserva-se íntegro e vivo na Igreja: os discípulos de Jesus o
contemplam e o meditam incessantemente, vivem-no na existência cotidiana e
o anunciam na missão. O Espírito Santo fecunda constantemente a
Igreja enquanto ela vive o Evangelho; faz com que ela cresça
continuamente na compreensão do mesmo, e a impulsiona e sustenta na
tarefa de anunciá-lo em todos os recantos do mundo.(95)
44. A conservação íntegra da Revelação,
palavra de Deus contida na Tradição e na Escritura, assim como a
sua contínua transmissão, são garantidas na sua
autenticidade. O Magistério da Igreja, sustentado pelo Espírito
Santo e dotado do « carisma da verdade », exercita a função
de « interpretar autenticamente a Palavra de Deus ».(96)
45. A Igreja, « sacramento universal de salvação »,(97)
movida pelo Espírito Santo, transmite a Revelação por meio
da evangelização: anuncia a boa nova do desígnio salvífico
do Pai e, nos sacramentos, comunica os dons divinos.
A Deus, que se revela, é devida a obediência da fé, pela
qual o homem adere livremente ao « Evangelho da graça de Deus »
(At 20,24), com pleno assentimento do intelecto e da vontade. Guiado
pela fé, dom do Espírito, o homem chega à contemplar e a
saborear o Deus do amor, que em Cristo revelou as riquezas da sua glória.(98)
A evangelização(99)
46. A Igreja « existe para evangelizar », (100) isto é,
para « levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio
e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar
nova a própria humanidade ». (101)
O mandato missionário de Jesus comporta vários aspectos
intimamente conexos entre si: « proclamai » (Mc 16,15), «
fazei discípulos e ensinai », (102) « sereis minhas testemunhas
», (103) « batizai », (104) « fazei isto em minha memória
» (Lc 22,19), « amai-vos uns aos outros » (Jo
15,12). Anúncio, testemunho, ensinamento, sacramentos, amor ao próximo,
fazer discípulos: todos estes aspectos são via e meios para a
transmissão do único Evangelho, e constituem os elementos da
evangelização.
Alguns deles se revestem de uma importância tão grande que, às
vezes, se tende a identificá-los com a ação evangelizadora.
Todavia, « nenhuma definição parcial e fragmentária,
porém, chegará a dar razão da realidade rica, complexa e
dinâmica que é a evangelização ». (105) Corre-se
o risco de empobrecê-la e até mesmo de mutilá-la. Ao contrário,
ela deve desenvolver a « sua totalidade » (106) e incorporar as suas
intrínsecas bipolaridades: testemunho e anúncio, (107) palavra e
sacramento, (108) mudança interior e transformação social.
(109) Os agentes da evangelização devem saber agir com uma «
visão global » (110) da mesma e identificá-la com o conjunto
da missão da Igreja. (111)
O processo da evangelização
47. A Igreja, embora contendo em si, permanentemente, a plenitude dos meios
da salvação, opera sempre de modo gradual. (112) O decreto
conciliar Ad Gentes esclareceu bem a dinâmica do processo
evangelizador: testemunho cristão, diálogo e presença da
caridade (11-12), anúncio do Evangelho e chamado à conversão
(13), catecumenato e iniciação cristã (14), formação
da comunidade cristã por meio dos sacramentos e dos ministérios
(15-18). (113) Este é o dinamismo da implantação e da
edificação da Igreja.
48. De acordo com isso, é necessário conceber a evangelização
como o processo através do qual a Igreja, movida pelo Espírito,
anuncia e difunde o Evangelho em todo o mundo. Ela:
impulsionada pela caridade, impregna e transforma toda a
ordem temporal, assumindo e renovando as culturas; (114)
dá testemunho, (115) entre os povos, do novo modo de
ser e de viver que caracteriza os cristãos;
proclama explicitamente o Evangelho, mediante o « primeiro
anúncio », (116) chamando à conversão; (117)
inicia na fé e na vida cristã, mediante a «catequese
» (118) e os « sacramentos de iniciação »,
(119) aqueles que se convertem a Jesus Cristo, ou aqueles que retomam o caminho
de sua seqüela, incorporando os primeiros na comunidade cristã e a
ela reconduzindo os demais; (120)
alimenta constantemente o dom da comunhão (121) nos fiéis,
mediante a educação permanente da fé (homilia, outras
formas do ministério da Palavra), os sacramentos e o exercício da
caridade;
suscita continuamente a missão, (122) enviando todos
os discípulos de Cristo a anunciarem o Evangelho, com palavras e obras,
em todo o mundo.
49. O processo evangelizador, (123) conseqüentemente, é
estruturado em etapas ou « momentos essenciais »: (124) a ação
missionária para os não crentes e para aqueles que vivem na
indiferença religiosa; a ação catequética e de
iniciação para aqueles que optam pelo Evangelho e para aqueles que
necessitam completar ou reestruturar a sua iniciação; e a ação
pastoral para os fiéis cristãos já maduros, no seio da
comunidade cristã. (125) Esses momentos, no entanto, não são
etapas concluídas: reiteram-se, se necessário, uma vez que darão
o alimento evangélico mais adequado ao crescimento espiritual de cada
pessoa ou da própria comunidade.
O ministério da Palavra de Deus na evangelização
50. O ministério da Palavra (126) é elemento fundamental da
evangelização. A presença cristã, em meio aos
diferentes grupos humanos, e o testemunho de vida precisam ser esclarecidos e
justificados pelo anúncio explícito de Jesus Cristo, o Senhor. «
Não há verdadeira evangelização se o nome, o
ensinamento, a vida e as promessas, o Reino, o mistério de Jesus de Nazaré,
Filho de Deus, não forem proclamados ». (127) Mesmo aqueles que já
são discípulos de Cristo têm necessidade de ser alimentados
constantemente com a palavra de Deus, para crescerem na sua vida cristã.
(128)
O ministério da Palavra, no interior da evangelização,
transmite a Revelação por meio da Igreja, valendo-se das «
palavras » humanas. Estas, porém, são sempre em referência
às « obras »: àquelas que Deus realizou e continua a
realizar, especialmente nos sacramentos; ao testemunho de vida dos cristãos;
à ação transformadora que estes, unidos a tantos homens de
boa vontade, realizam no mundo. Esta palavra humana da Igreja é o meio de
que o Espírito Santo se serve, para continuar o diálogo com a
humanidade. Ele é, de fato, o principal agente do ministério da
Palavra, aquele por meio do qual « a viva voz do Evangelho ressoa na
Igreja, e por meio desta, no mundo ». (129)
O ministério da Palavra exercita-se « de muitas formas ».
(130) A Igreja, desde a época apostólica, (131) no seu desejo de
oferecer a palavra de Deus da maneira mais apropriada, tem realizado este ministério
através das mais variadas formas. (132) Todas elas servem para veicular
aquelas funções basilares que o ministério da Palavra é
chamado a desempenhar.
Funções e formas do ministério da Palavra
51. As principais funções do ministério da Palavra são
as seguintes:
Convocação e chamado à fé
É a função que mais imediatamente se deduz do mandato
missionário de Jesus. Realiza-se mediante o « primeiro anúncio
», dirigido aos não crentes: aqueles que fizeram uma opção
de nãocrença, os batizados que vivem às margens da vida
cristã, os praticantes de outras religiões... (133) O despertar
religioso das crianças, nas famílias cristãs, é também
uma forma eminente desta função.
A iniciação
Aqueles que, movidos pela graça, decidem seguir Jesus, são «
introduzidos na vida religiosa, litúrgica e caritativa do Povo de Deus ».
(134) A Igreja realiza esta função, fundamentalmente por meio da
catequese, em estreita relação com os sacramentos da iniciação,
tanto se estes devem ser ainda recebidos quanto se já o foram. Formas
importantes são: a catequese dos adultos não batizados, no
catecumenato; a catequese dos adultos batizados que desejam retornar à fé,
ou daqueles que têm necessidade de completar a sua iniciação;
a catequese das crianças e dos mais jovens, que por si só, já
tem um caráter de iniciação. Também a educação
cristã familiar e o ensino escolar da religião exercem uma função
de iniciação.
A educação permanente à fé
Em diversas regiões, ela é chamada também de «
catequese permanente ». (135)
Dirige-se aos cristãos iniciados nos elementos de base, que têm
necessidade de alimentar e amadurecer constantemente a sua fé, durante
toda a vida. É uma função que se realiza através de
formas muito variadas: « sistemáticas e ocasionais, individuais e
comunitárias, organizadas e espontâneas, etc. ». (136)
A função litúrgica
O ministério da Palavra compreende também uma função
litúrgica, uma vez que, quando ele se realiza no âmbito de uma ação
sacra, é parte integrante da mesma. (137) Ele se exprime de maneira
eminente através da homilia. Outras formas são as intervenções
e as exortações durante as celebrações da palavra. É
preciso também fazer referência à preparação
imediata aos diversos sacramentos, às celebrações
sacramentais e, sobretudo, à participação dos fiéis
na Eucaristia, como forma fundamental da educação da fé.
A função teológica
Ela busca desenvolver a compreensão da fé, colocando-se na dinâmica
da « fides quaerens intellectum », ou seja, da fé que procura
entender. (138) A teologia, para cumprir esta função, precisa
confrontar-se ou dialogar com as formas filosóficas do pensamento, com os
humanismos que conotam a cultura e com as ciências do homem. Articula-se
em formas que promovem « a abordagem sistemática e a pesquisa científica
das verdades da fé ». (139)
52. São formas importantes do ministério da Palavra: o
primeiro anúncio ou pregação missionária, a
catequese pré e pós-batismal, a forma litúrgica e a forma
teológica. Acontece, com freqüência, que tais formas, por
circunstâncias pastorais, devam assumir mais de uma função.
A catequese, por exemplo, junto à sua função de iniciação,
deve exercitar, freqüentemente, tarefas missionárias. A própria
homilia, de acordo com as circunstâncias, será conveniente que
assuma as funções de convocação e de iniciação
orgânica.
A conversão e a fé
53. Ao anunciar ao mundo a Boa Nova da Revelação, a evangelização
convida homens e mulheres à conversão e à fé. 140 O
chamado de Jesus, « arrependei-vos e crede no Evangelho » (Mc
1,15), continua a ressoar hoje, mediante a evangelização da
Igreja. A fé cristã é, antes de mais nada, conversão
a Jesus Cristo, (141) adesão plena e sincera à sua pessoa, e decisão
de caminhar na sua seqüela. (142) A fé é um encontro pessoal
com Jesus Cristo, é tornar-se seu discípulo. Isso exige o empenho
permanente de pensar como Ele, de julgar como Ele e de viver como Ele viveu.
(143) Assim, o crente se une à comunidade dos discípulos e assume,
como sua, a fé da Igreja. (144)
54. Este « sim » a Jesus Cristo, plenitude da Revelação
do Pai, encerra em si uma dupla dimensão: o confiante abandono em Deus e
a amorosa adesão a tudo aquilo que Ele nos revelou. Isto é possível
somente mediante a ação do Espírito Santo: (145)
« Com a fé, o homem livremente se entrega todo a Deus, prestando
ao Deus revelador, um obséquio pleno do intelecto e da vontade, e dando
voluntário assentimento à revelação feita por Ele ».
(146)
« Crer, portanto, tem uma dupla referência: à pessoa e à
verdade; à verdade por confiança na pessoa que a atesta ».
(147)
55. A fé comporta uma transformação de vida, uma «
metanóia », (148) ou seja, uma profunda transformação
da mente e do coração; faz com que o crente viva aquela «
nova maneira de ser, de viver, de estar junto com os outros que o Evangelho
inaugura ». (149) Esta transformação de vida manifesta-se em
todos os níveis da existência do cristão: na sua vida
interior de adoração e de acolhimento da vontade divina; na sua
participação ativa na missão da Igreja; na sua vida
matrimonial e familiar; no exercício da vida profissional; no cumprimento
das atividades econômicas e sociais.
A fé e a conversão brotam do « coração »,
isto é, do mais profundo da pessoa humana, envolvendo-a inteira.
Encontrando Jesus e aderindo a Ele, o ser humano vê realizadas as suas
mais profundas aspirações; encontra tudo aquilo que sempre buscou
e o encontra abundantemente. (150) A fé responde àquela « ânsia
», (151) freqüentemente inconsciente e sempre limitada, de conhecer a
verdade sobre Deus, sobre o próprio homem e sobre o destino que o espera.
É como uma água pura (152) que reaviva o caminho do homem,
peregrino em busca de seu lar.
A fé é um dom de Deus. Pode nascer do íntimo do coração
humano somente como fruto da « graça prévia e adjuvante »
(153) e como resposta, completamente livre, à moção do Espírito
Santo, que move o coração e o dirige a Deus, dando-lhe «
suavidade no consentir e crer na verdade ». (154)
A Virgem Maria viveu, no modo mais perfeito, estas dimensões da fé.
A Igreja venera n'Ela, « a mais pura realização da fé ».
(155)
O processo da conversão permanente
56. A fé é um dom destinado a crescer no coração
dos crentes. (156) A adesão a Jesus Cristo, de fato, inicia um processo
de conversão permanente, que dura toda a vida. (157) Quem acede à
fé é como uma criança recém-nascida (158) que, pouco
a pouco, crescerá e se converterá num ser adulto que tende ao «
estado de homem feito », (159) à maturidade da plenitude em Cristo.
No processo de fé e de conversão podem-se revelar, do ponto de
vista teológico, diversos momentos importantes:
a) O interesse pelo Evangelho. O primeiro momento é aquele em
que, no coração do não crente, do indiferente ou do
praticante de outra religião, nasce, como conseqüência do
primeiro anúncio, um interesse pelo Evangelho, sem ser ainda uma decisão
firme. Aquele primeiro movimento do espírito humano para a fé, que
já é fruto da graça, recebe diversos nomes: « propensão
à fé », (160) « preparação evangélica
», (161) inclinação a crer, « procura religiosa ».
(162) A Igreja denomina « simpatizantes » (163) aqueles que mostram
essa inquietação.
b) A conversão. Este primeiro interesse pelo Evangelho
necessita de um tempo de busca (164) para poder-se transformar em uma opção
sólida. A decisão para a fé deve ser avaliada e
amadurecida. Tal busca, movida pelo Espírito Santo e pelo anúncio
do kerigma, prepara a conversão que será certamente
« inicial », (165) mas que já traz consigo a adesão
a Jesus Cristo e a vontade de caminhar na sua seqüela. Esta « opção
fundamental » funda toda a vida cristã do discípulo do
Senhor. (166)
c) A profissão de fé. O abandonar-se a Jesus Cristo
gera nos crentes o desejo de conhecê-Lo mais profundamente e de
identificar-se com Ele. A catequese os inicia no conhecimento da fé e no
aprendizado da vida cristã, favorecendo um caminho espiritual que provoca
uma « progressiva transformação de mentalidade e costumes »,
(167) feita de renúncias e de lutas, mas também de alegrias que
Deus concede sem medida. O discípulo de Jesus Cristo torna-se, então,
idôneo a fazer uma viva, explícita e operante profissão de fé.
(168)
d) O caminho rumo à perfeição. Esta maturidade
de base, da qual nasce a profissão de fé, não é o
ponto final no processo permanente de conversão. A profissão de fé
batismal coloca-se como fundamento de um edifício espiritual destinado a
crescer. O batizado, impulsionado sempre pelo Espírito Santo, alimentado
pelos sacramentos, pela oração e pelo exercício da
caridade, e ajudado pelas múltiplas formas de educação
permanente da fé, procura tornar seu o desejo de Cristo: « Sede
perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito ». (169) É o
chamado à plenitude que se dirige a cada batizado.
57. O ministério da Palavra está a serviço deste
processo de conversão plena. O primeiro anúncio tem a característica
de chamar à fé; a catequese, a de dar um fundamento à
conversão e uma estrutura de base à vida cristã; e a educação
permanente à fé, na qual se distingue a homilia, a de ser o
nutrimento constante do qual cada organismo adulto necessita para viver. (170)
Diversas situações sócio-religiosas diante da
evangelização
58. A evangelização do mundo tem diante de si um panorama
religioso muito diversificado e mutável, no qual se podem distinguir
fundamentalmente « três situações » (171) que
requerem respostas adequadas e diferenciadas.
a) A situação daqueles « povos, grupos humanos,
contextos socioculturais onde Cristo e o seu Evangelho não são
conhecidos, onde faltam comunidades cristãs suficientemente amadurecidas
para poderem encarnar a fé no próprio ambiente e anunciá-la
a outros grupos ». (172) Esta situação postula a « missão
ad gentes » (173) com uma ação evangelizadora
centrada, preferivelmente, nos jovens e adultos. A sua peculiaridade consiste no
fato de que se dirige aos não cristãos, convidando-os à
conversão. A catequese, nesta situação, desenvolve-se
ordinariamente no interior do Catecumenato batismal.
b) Existem, além disso, situações nas quais,
num determinado contexto sociocultural, estão presentes, de maneira muito
significativa, « comunidades cristãs que possuem sólidas e
adequadas estruturas eclesiais, são fermento de fé e de vida,
irradiando o testemunho do Evangelho no seu ambiente, e sentindo o compromisso
da missão universal ». (174) Estas comunidades necessitam de uma
intensa « ação pastoral da Igreja », visto que são
constituídas por pessoas e famílias com um profundo senso cristão.
Em tal contexto, é necessário que a catequese às crianças,
adolescentes e jovens desenvolva verdadeiros processos de iniciação
cristã bem articulados, que lhes permitam aceder à idade adulta
com uma fé madura que, de evangelizados, os transforme em
evangelizadores. Mesmo nessas situações, os adultos são
destinatários de modalidades diversas de formação cristã.
c) Em muitos países de tradição cristã
e, às vezes, também nas Igrejas mais jovens, existe uma «
situação intermédia », (175) onde « grupos
inteiros de batizados perderam o sentido vivo da fé, não se
reconhecendo já como membros da Igreja e conduzindo uma vida distante de
Cristo e do Seu Evangelho ». (176) Esta situação requer uma
« nova evangelização ». A sua peculiaridade
consiste no fato de que a ação missionária se dirige aos
batizados de todas as idades, que vivem num contexto religioso de referências
cristãs, percebidos apenas exteriormente. Nesta situação, o
primeiro anúncio e uma catequese de base constituem a opção
prioritária.
Mútua conexão entre as ações evangelizadoras
correspondentes a estas situações
59. Estas situações sócio-religiosas são,
obviamente, diferentes e não é justo equipará-las. Tal
diversidade, que sempre existiu na missão da Igreja, adquire hoje, neste
mundo em constante transformação, uma novidade. De fato, com freqüência,
diversas situações convivem num mesmo território. Em muitas
cidades grandes, por exemplo, coexistem simultaneamente a situação
que postula uma « missão ad gentes » e outra que requer
uma « nova evangelização ». Junto a estas, estão
dinamicamente presentes comunidades cristãs missionárias,
alimentadas por uma adequada « ação pastoral ». Hoje
ocorre freqüentemente que, no território de uma Igreja particular,
seja preciso enfrentar o conjunto dessas situações. « Os
confins entre o cuidado pastoral dos fiéis, a nova evangelização
e a atividade missionária específica não são
facilmente identificáveis, e não se deve pensar em criar entre
esses âmbitos barreiras ou compartimentos estanques ». (177) De fato,
« cada uma influi sobre a outra, estimula e a ajuda ». (178)
Por isso, em vista do mútuo enriquecimento das ações
evangelizadoras que convivem juntas, convém levar em consideração
que:
A missão ad gentes, qualquer que seja a área ou
âmbito em que se realiza, é a responsabilidade missionária
mais específica que Jesus confiou à Sua Igreja e, portanto, é
o modelo exemplar do conjunto da ação missionária da
Igreja. A « nova evangelização » não pode
suplantar ou substituir a « missão ad gentes », que
continua a ser a atividade missionária específica e a tarefa primária.
(179)
« O modelo de toda catequese é o Catecumenato batismal ,
que é formação específica, mediante a qual o adulto
convertido à fé é levado à confissão da fé
batismal, durante a vigília pascal ». (180) Esta formação
catecumenal deve inspirar as outras formas de catequese, nos seus objetivos e no
seu dinamismo.
« A catequese dos adultos, uma vez que é dirigida a
pessoas capazes de uma adesão e de um empenho realmente responsáveis,
deve ser considerada como a principal forma de catequese, para qual todas as
demais, não por isso menos necessárias, estão orientadas ».
(181) Isso implica que a catequese das demais idades deve tê-la como ponto
de referência e deve articular-se com ela, num projeto catequético
de pastoral diocesana, que seja coerente.
Desse modo, a catequese, situada no âmbito da missão
evangelizadora da Igreja como « momento » essencial da mesma, recebe
da evangelização, um dinamismo missionário que a fecunda
interiormente e a configura na sua identidade. O ministério da catequese
mostra-se, assim, como um serviço eclesial fundamental na realização
do mandato missionário de Jesus.
II CAPÍTULO
A catequese no processo da evangelização
« O que nós ouvimos e conhecemos, o que nos contaram nossos
pais, não o esconderemos a seus filhos; nós o contaremos
à geração seguinte os louvores de Iahweh e seu poder, e as
maravilhas que realizou » (Sl 78,34). « Apolo tinha sido instruído
no caminho do Senhor e, no fervor do espírito, falava e ensinava com
exatidão o que se refere a Jesus » (At 18,25).
60. Neste capítulo, mostra-se a relação da catequese
com os demais elementos da evangelização, da qual ela é
parte integrante.
Neste sentido, descreve-se, em primeiro lugar, a relação da
catequese com o primeiro anúncio, que se realiza na missão.
Mostra-se depois a íntima conexão entre a catequese e os sacramentos
da iniciação cristã. Explica-se, a seguir, o papel
fundamental da catequese na vida ordinária da Igreja no seu papel de educar
permanentemente à fé.
Uma consideração especial é reservada à relação
que existe entre a catequese e o ensino escolar da Religião, uma
vez que ambas as ações são profundamente interligadas e,
juntamente com a educação familiar cristã, mostram ser
basilares para a formação da infância e da juventude.
Primeiro anúncio e catequese
61. O primeiro anúncio se dirige aos não crentes e àqueles
que, de fato, vivem na indiferença religiosa. Ele tem a função
de anunciar o Evangelho e de chamar à conversão. A catequese, «
distinta do primeiro anúncio do Evangelho » (182) promove e faz
amadurecer esta conversão inicial, educando à fé o
convertido e incorporando-o na comunidade cristã. A relação
entre estas duas formas do ministério da Palavra é, portanto, uma
relação de distinção na complementariedade.
O primeiro anúncio, que cada cristão é chamado a
realizar, participa do « ide » (183) que Jesus propôs a seus
discípulos: implica, portanto, o sair, o apressar-se, o propor. A
catequese, ao invés, parte da condição que o próprio
Jesus indicou, « aquele que crer », (184) aquele que se converter,
aquele que se decidir. As duas ações são essenciais e se
atraem mutuamente: ir e acolher, anunciar e educar, chamar e incorporar.
62. Na prática pastoral, todavia, as fronteiras entre as duas ações
não são facilmente delimitáveis. Freqüentemente, as
pessoas que acedem à catequese, necessitam, de fato, de uma verdadeira
conversão. Por isso, a Igreja deseja que, ordinariamente, uma primeira
etapa do processo catequético seja dedicada a assegurar a conversão.
(185) Na « missão ad gentes », esta tarefa se
realiza no « pré-catecumenato ». (186) Na situação
requerida pela « nova evangelização » esta tarefa se
realiza por meio da « catequese kerigmática », que alguns
chamam de « pré-catequese », (187) porque, inspirada no pré-catecumenato,
é uma proposta da Boa Nova em ordem a uma sólida opção
de fé. Somente a partir da conversão, isto é, apostando na
atitude interior « daquele que crer », a catequese propriamente dita
poderá desenvolver a sua tarefa específica de educação
da fé. (188)
O fato de que a catequese, num primeiro momento, assuma estas tarefas
missionárias, não dispensa a Igreja particular de promover uma
intervenção institucionalizada de primeiro anúncio, como
atuação mais direta do mandato missionário de Jesus. A
renovação catequética deve basear-se nesta evangelização
missionária prévia.
A Catequese a serviço da iniciação cristã
A catequese, « momento » essencial do processo de evangelização
63. A Exortação apostólica Catechesi Tradendae,
colocando a catequese no âmbito da missão da Igreja, recorda que a
evangelização é uma realidade rica, complexa e dinâmica,
que compreende « momentos » essenciais e diferentes entre si. E
acrescenta: « A catequese é... um desses momentos e quanto
ele há-de ser tido em conta! de todo o processo da evangelização
». (189) Isto significa que há ações que «
preparam » (190) a catequese, e ações que « derivam »
(191) da catequese.
O « momento » da catequese é aquele que corresponde ao período
em que se estrutura a conversão a Jesus Cristo, oferecendo as bases para
aquela primeira adesão. Os convertidos, mediante « um ensinamento e
um aprendizado devidamente prolongado no decorrer de toda a vida cristã »,
(192) são iniciados no mistério da salvação e num
estilo de vida evangélico. Trata-se, de fato, de « iniciá-los
na plenitude da vida cristã ». (193)
64. Ao realizar, de diferentes formas, esta função de iniciação
do ministério da Palavra, a catequese lança os fundamentos do edifício
da fé. (194) Outras funções deste ministério
construirão depois os diferentes andares desse mesmo edifício.
A catequese de iniciação é, assim, o elo necessário
entre a ação missionária, que chama à fé, e a
ação pastoral, que alimenta continuamente a comunidade cristã.
Não é, portanto, uma ação facultativa, mas sim uma ação
basilar e fundamental para a construção, tanto da personalidade do
discípulo, quanto da comunidade. Sem ela, a ação missionária
não teria continuidade e seria estéril. Sem ela, a ação
pastoral não teria raízes e seria superficial e confusa: qualquer
tempestade faria desmoronar todo o edifício. (195)
Na verdade, « o crescimento interior da Igreja, a sua correspondência
aos desígnios de Deus, dependem essencialmente da catequese ». (196)
Neste sentido, a catequese deve ser considerada como momento prioritário
na evangelização.
A catequese a serviço da iniciação cristã
65. A fé, mediante a qual o homem responde ao anúncio do
Evangelho, exige o Batismo. A íntima relação entre as duas
realidades tem sua raiz na vontade do próprio Cristo, que ordenou aos
seus apóstolos que fizessem discípulos em todas as nações
e os batizassem. « A missão de batizar, portanto, a missão
sacramental, está implícita na missão de evangelizar ».
(197)
Aqueles que se converteram a Jesus Cristo e foram educados à fé
por meio da catequese, ao receberem os sacramentos da iniciação
cristã, o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia, são
« libertados do poder das trevas; mortos com Cristo, con-sepultados e
coressuscitados com Ele, recebem o Espírito da adoção de
filhos e com todo o Povo de Deus celebram o memorial da morte e da ressurreição
do Senhor ». (198)
66. A catequese é, assim, elemento fundamental da iniciação
cristã e é estreitamente ligada com os sacramentos de iniciação,
de modo particular com o Batismo, « sacramento da fé ». (199) O
elo que une a catequese com o Batismo é a profissão de fé
que é, ao mesmo tempo, o elemento interior a este sacramento e a meta da
catequese. A finalidade da ação catequética consiste
precisamente nisso: em favorecer uma viva, explícita e operosa profissão
de fé. (200) A Igreja, para alcançar esta finalidade, transmite
aos catecúmenos e aos catequizandos, a viva experiência que ela tem
do Evangelho, e a sua fé, a fim de que estes a façam própria,
ao professá-la. Por isso, « a catequese autêntica é
sempre iniciação ordenada e sistemática à revelação
que Deus fez de Si mesmo ao homem, em Jesus Cristo; revelação esta
conservada na memória
profunda da Igreja e nas Sagradas Escrituras, e constantemente comunicada,
por uma « traditio » (tradição) viva e ativa, de uma
geração para a outra ». (201)
Características fundamentais da catequese de iniciação
67. O fato de ser « momento essencial » do processo evangelizador,
a serviço da iniciação cristã, confere à
catequese algumas características. (202) Ela é:
uma formação orgânica e sistemática da fé.
O Sínodo de 1977 sublinhou a necessidade de uma catequese « orgânica
e bem ordenada », (203) uma vez que o aprofundamento vital e orgânico
do mistério de Cristo é aquilo que principalmente distingue a
catequese de todas as demais formas de apresentação da Palavra de
Deus.
Esta formação orgânica é mais do que um
ensino: é um aprendizado de toda a vida cristã, « uma iniciação
cristã integral », (204) que favorece uma autêntica seqüela
de Cristo, centrada na Sua Pessoa. Trata-se, de fato, de educar ao conhecimento
e à vida de fé, de tal maneira que o homem no seu todo, nas suas
experiências mais profundas, se sinta fecundado pela Palavra de Deus.
Ajudar-se-á, assim, o discípulo de Cristo, a transformar o homem
velho, a assumir os seus compromissos batismais e a professar a fé a
partir do « coração ». (205)
É uma formação de base, essencial, (206)
centrada naquilo que constitui o núcleo da experiência cristã,
nas certezas mais fundamentais da fé e nos mais basilares valores evangélicos.
A catequese lança os fundamentos do edifício espiritual do cristão,
alimenta as raízes da sua vida de fé, habilitando-o a receber o
sucessivo alimento sólido, na vida ordinária da comunidade cristã.
68. Em síntese: a catequese de iniciação, sendo orgânica
e sistemática, não se reduz ao meramente circunstancial ou
ocasional; (207) sendo formação para a vida cristã, supera
incluindo-o o mero ensino; (208) e sendo essencial, visa àquilo
que é « comum » para o cristão, sem entrar em questões
disputadas, nem transformar-se em pesquisa teológica. Enfim, sendo iniciação,
incorpora na comunidade que vive, celebra e testemunha a fé. Realiza,
portanto, ao mesmo tempo, tarefas de iniciação, de educação
e de instrução. (209) Esta riqueza, inerente ao Catecumenato dos
adultos não batizados, deve inspirar as demais formas de catequese.
A Catequese a serviço da educação permanente da fé
A educação permanente da fé na comunidade cristã
69. A educação permanente à fé segue a educação
de base e a supõe. Ambas atualizam duas funções do ministério
da Palavra, distintas e complementares, a serviço do processo permanente
de conversão.
A catequese de iniciação lança as bases da vida cristã
naqueles que seguem Jesus. O processo permanente de conversão vai além
daquilo que fornece a catequese de base. Para favorecer tal processo, é
necessária uma comunidade cristã que acolha os iniciados para
sustentá-los e formá-los na fé. « A catequese corre o
risco de se tornar estéril se uma comunidade de fé e de vida cristã
não acolher o catecúmeno num certo estágio da sua catequização
». (210) O acompanhamento que a comunidade exercita em favor do iniciado,
transforma-se em plena integração do mesmo na comunidade.
70. Na comunidade cristã, os discípulos de Jesus Cristo se
alimentam em uma dúplice mesa: « da Palavra de Deus e do Corpo de
Cristo ». (211) O Evangelho e a Eucaristia são alimento constante na
peregrinação rumo à casa do Pai. A ação do
Espírito Santo faz com que o dom da « comunhão » e o
empenho da « missão » sejam aprofundados e vividos de maneira
sempre mais intensa.
A educação permanente da fé se dirige não apenas
a cada cristão, para acompanhá-lo no seu caminho rumo à
santidade, mas também à comunidade cristã enquanto tal,
para que amadureça tanto na sua vida interior de amor a Deus e aos irmãos,
quanto na sua abertura ao mundo como comunidade missionária. O desejo e a
oração de Jesus ao Pai são um incessante apelo: « a
fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que
eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste ».
(212) Aproximar-se, pouco a pouco, desse ideal, exige, na comunidade, uma grande
fidelidade à ação do Espírito Santo, um constante
alimentar-se do Corpo e Sangue do Senhor e uma permanente educação
na fé, na escuta da Palavra.
Nesta mesa da Palavra de Deus, a homilia ocupa um lugar privilegiado, uma
vez que « retoma o itinerário de fé proposto pela catequese e
o leva ao seu complemento natural; ao mesmo tempo, ela impulsiona os discípulos
do Senhor a retomarem cada dia o seu itinerário espiritual, na verdade,
na adoração e na ação de graças ». (213)
Múltiplas formas de catequese permanente
71. Para a educação permanente à fé, o ministério
da Palavra conta com muitas formas de catequese. Entre estas, podem ser
evidenciadas as seguintes:
O estudo e o aprofundamento da Sagrada Escritura, lida não
somente na Igreja, mas com a Igreja e a sua fé sempre viva. Isto ajuda a
descobrir a verdade divina, de modo a suscitar uma resposta de fé. A
chamada « lectio divina » é forma eminente deste vital estudo
das Escrituras. (214)
A leitura cristã dos eventos, que é requerida pela vocação
missionária da comunidade cristã. A este respeito, o estudo da
doutrina social da Igreja é indispensável, visto que « sua
finalidade principal é interpretar estas realidades (as complexas
realidades da existência do homem, na sociedade e no contexto
internacional), examinando a sua conformidade ou desconformidade com as linhas
do ensinamento do Evangelho ». (215)
A catequese litúrgica, que prepara aos sacramentos e favorece
uma compreensão e uma experiência mais profunda da liturgia. Ela
explica o conteúdo das orações, o sentido dos gestos e dos
sinais, educa à participação ativa, à contemplação
e ao silêncio. Deve ser considerada como « uma eminente forma de
catequese ». (216)
A catequese ocasional, que em determinadas circunstâncias da
vida pessoal, familiar, social e eclesial, busca ajudar a interpretar e viver
tais circunstâncias, a partir da perspectiva da fé. (217)
As iniciativas de formação espiritual, que fortalecem
as convicções, abrem a novas perspectivas e fazem perseverar na
oração e no compromisso da seqüela de Cristo.
O aprofundamento sistemático da mensagem cristã, por meio de
um ensino teológico que eduque verdadeiramente à fé, faça
crescer na compreensão da mesma e torne o cristão capaz de dar razões
da sua esperança, no mundo atual. (218) Num certo sentido, é
apropriado denominar tal ensino como « catequese de aperfeiçoamento ».
72. É de fundamental importância que a catequese de iniciação
para adultos, batizados ou não, a catequese de iniciação
para crianças e jovens e a catequese permanente sejam bem conexas no
projeto catequético da comunidade cristã, a fim de que a Igreja
particular cresça harmoniosamente e a sua atividade evangelizadora nasça
de fontes autênticas. « É importante também que a
catequese das crianças e dos jovens, a catequese permanente e a catequese
dos adultos não sejam domínios estanques e sem comunicação...
é necessário favorecer a sua perfeita complementaridade ».
(219)
Catequese e ensino escolar da Religião
O caráter próprio do ensino escolar da Religião
73. Uma consideração especial merece no âmbito do
ministério da Palavra o caráter próprio do ensino
religioso na escola e a sua relação com a catequese das crianças
e dos jovens.
A relação entre o ensino religioso na escola e a catequese é
uma relação de distinção e de complementaridade: «
Há um nexo indivisível e, ao mesmo tempo, uma clara distinção
entre o ensino da religião e a catequese ». (220)
O que confere ao ensino religioso escolar a sua peculiar característica,
é o fato de ser chamado a penetrar no âmbito da cultura e de
relacionar-se com outras formas do saber. Como forma original do ministério
da Palavra, de fato, o ensino religioso escolar torna presente o Evangelho no
processo pessoal de assimilação, sistemática e crítica,
da cultura. (221)
No universo cultural, que é interiorizado pelos alunos e que é
definido pelas formas de saber e pelos valores oferecidos pelas demais
disciplinas escolares, o ensino religioso escolar deposita o fermento dinâmico
do Evangelho e busca « abranger realmente os outros elementos do saber e da
educação, para que o Evangelho impregne a mentalidade dos alunos
no ambiente da sua formação e para que a harmonização
da sua cultura se faça à luz da fé ». (222)
É necessário, portanto, que o ensino religioso escolar se
mostre como uma disciplina escolar, com a mesma exigência de sistema e
rigor que requerem as demais disciplinas. Deve apresentar a mensagem e o evento
cristão com a mesma seriedade e profundidade com a qual as demais
disciplinas apresentam seus ensinamentos. Junto a estas, todavia, o ensino
religioso escolar não se situa como algo acessório, mas sim no âmbito
de um necessário diálogo interdisciplinar. Este diálogo
deve ser instituído, antes de mais nada, naquele nível no qual
cada disciplina plasma a personalidade do aluno. Assim, a apresentação
da mensagem cristã incidirá na maneira com que se concebe a origem
do mundo e o sentido da história, o fundamento dos valores éticos,
a função da religião na cultura, o destino do homem, a relação
com a natureza. O ensino religioso escolar, mediante este diálogo
interdisciplinar, funda, potencia, desenvolve e completa a ação
educadora da escola. (223)
O contexto escolar e os destinatários do ensino escolar da Religião
74. O ensino escolar da Religião desenvolve-se em contextos escolares
diversos, o que faz com que este, embora mantendo o seu caráter próprio,
adquira acentuações diversas. Estas dependem das condições
legais e de organização, da concepção didática,
dos pressupostos pessoais dos professores e dos alunos e da relação
do ensino religioso escolar com a catequese familiar e paroquial.
Não é possível reduzir à uma única forma
todos os modelos de ensinamento religioso escolar, desenvolvidas historicamente
em seguida a Acordos com os Estados e às deliberações de
cada Conferência dos Bispos. Todavia, é necessário esforçar-se
para que, segundo os relativos pressupostos, o ensino religioso escolar responda
às suas finalidades e características peculiares. (224)
Os alunos « têm o direito de aprender, de modo verdadeiro e com
certeza, a religião à qual pertencem. Não pode ser
desatendido este seu direito a conhecer mais profundamente a pessoa de Cristo e
a totalidade do anúncio salvífico que Ele trouxe. O caráter
confessional do ensino religioso escolar, realizado pela Igreja segundo modos e
formas estabelecidas em cada País, é, portanto, uma garantia
indispensável, oferecida às famílias e aos alunos que
escolhem tal ensino ». (225)
Para a escola católica, o ensino religioso escolar, assim qualificado
e completado com outras formas do ministério da Palavra (catequese,
celebrações litúrgicas, etc.), é parte indispensável
da sua tarefa pedagógica e fundamento da sua existência. (226)
O ensino religioso escolar, no contexto da escola pública e no da não
confessional, lá onde as autoridades civis ou outras circunstâncias
impõem um ensino religioso comum aos católicos e nãocatólicos,
(227) terá uma característica mais ecumênica e de
conhecimento inter-religioso comum.
Em outras ocasiões, o ensinamento religioso escolar poderá ter
um caráter mais cultural, orientado para o conhecimento das religiões,
apresentando, com o necessário realce, a religião católica.
(228) Também neste caso, sobretudo se administrado por um professor
sinceramente respeitoso, o ensino religioso escolar mantém uma dimensão
de verdadeira « preparação evangélica ».
75. A situação de vida e de fé dos alunos que freqüentam
o ensino religioso escolar é caracterizada por uma constante e notável
transformação. O ensino religioso escolar deve levar em conta este
dado, para poder atingir as próprias finalidades.
O ensino religioso escolar ajuda os alunos que têm fé a
compreender melhor a mensagem cristã, em relação com os
grandes problemas existenciais comuns às religiões e característicos
de todo ser humano, com as visões da vida mais presentes na cultura, e
com os principais problemas morais nos quais, hoje, a humanidade se encontra
envolvida.
Os alunos, ao invés, que se encontram em uma situação
de busca ou diante de dúvidas religiosas, poderão descobrir no
ensino religioso escolar o que é, exatamente, a fé em Jesus
Cristo, quais são as respostas que a Igreja oferece aos seus
interrogativos, dando-lhes a oportunidade de perscrutar melhor a própria
decisão.
Finalmente, quando os alunos não têm fé, o ensino
religioso escolar assume as características de um anúncio missionário
do Evangelho, em vista de uma decisão de fé, que a catequese, por
sua parte, em um contexto comunitário, poderá em seguida fazer
crescer e amadurecer.
A educação cristã familiar: catequese e ensino
religioso escolar a serviço da educação na fé
76. A educação cristã na família, a catequese e
o ensino da religião na escola, cada qual segundo as próprias
características peculiares, são intimamente correlacionados com o
serviço da educação cristã das crianças,
adolescentes e jovens. Na prática, porém, é preciso levar
em consideração diferentes variáveis que geralmente se
apresentam, com o intuito de agir com realismo e prudência pastoral, na
aplicação das orientações gerais.
Portanto, cabe a cada diocese ou região pastoral distinguir as
diversas circunstâncias que intervêm, tanto no que concerne à
existência ou não da iniciação cristã no âmbito
das famílias, para os próprios filhos, quanto no que diz respeito às
incumbências formativas que, na tradição ou situação
locais, exercitam as paróquias, as escolas, etc...
E, conseqüentemente, a Igreja particular e a Conferência dos
Bispos estabelecerão as orientações próprias para os
diversos âmbitos, estimulando atividades que são distintas e
complementares.
III CAPÍTULO
Natureza, finalidade e tarefas da catequese
« Para a glória de Deus, o Pai, toda língua confesse:
Jesus Cristo é o Senhor » (Fl 2,11).
77. Depois de ter delineado o lugar da catequese no âmbito da missão
evangelizadora da Igreja, as suas relações com os vários
elementos da evangelização e com as outras formas do ministério
da Palavra, neste capítulo se pretende refletir de modo específico
sobre:
a natureza eclesial da catequese, ou seja, o sujeito agente da
catequese, a Igreja animada pelo Espírito;
a finalidade que ela busca fundamentalmente, ao catequizar;
as tarefas com as quais realiza esta finalidade, e que constituem os
seus objetivos mais imediatos;
as fases internas do processo catequético e a inspiração
catecumenal que o anima.
Além disso, neste capítulo, aprofundar-se-á mais o caráter
próprio da catequese, já descrito no capítulo precedente,
onde foram especificadas as relações que ela estabelece com as
demais ações eclesiais.
A catequese: ação de natureza eclesial
78. A catequese é um ato essencialmente eclesial. (229) O verdadeiro
sujeito da catequese é a Igreja que, continuadora da missão de
Jesus Mestre, e animada pelo Espírito, foi enviada para ser mestra da fé.
Portanto, a Igreja, imitando a Mãe do Senhor, conserva fielmente o
Evangelho no seu coração, (230) anuncia-o, celebra-o, vive-o e o
transmite na catequese, a todos aqueles que decidiram seguir Jesus Cristo.
Esta transmissão do Evangelho é um ato vivo de tradição
eclesial: (231)
A Igreja, de fato, transmite a fé que ela mesma vive: a sua
compreensão do mistério de Deus e do seu desígnio salvífico;
a sua visão da altíssima vocação do homem; o estilo
de vida evangélico que comunica a alegria do Reino; a esperança
que a invade; o amor que sente pelos homens.
A Igreja transmite a fé de modo ativo, semeia-a nos corações
dos catecúmenos e catequizandos, para fecundar as suas experiências
mais profundas. (232) A profissão de fé recebida da Igreja (traditio),
germinando e crescendo durante o processo catequético, é restituída
(redditio), enriquecida com os valores das diferentes culturas. (233) O
catecumenato se transforma, assim, num centro fundamental de incremento da
catolicidade, e fermento de renovação eclesial.
79. A Igreja, ao transmitir a fé e a vida nova através
da iniciação cristã age como mãe dos homens,
que gera filhos concebidos por obra do Espírito Santo e nascidos de
Deus. (234) Precisamente, « por ser nossa mãe, a Igreja é
também a educadora da nossa fé »; (235) é mãe e
mestra ao mesmo tempo. Através da catequese, alimenta os seus filhos com
a sua própria fé e os incorpora, como membros, na família
eclesial. Como boa mãe, oferece-lhes o Evangelho em toda a sua
autenticidade e pureza, o qual, ao mesmo tempo, lhes é dado como alimento
adaptado, culturalmente enriquecido e como resposta às aspirações
mais profundas do coração humano.
Finalidade da catequese: a comunhão com Jesus Cristo
80. « A finalidade definitiva da catequese é a de fazer com que
alguém se ponha, não apenas em contato, mas em comunhão, em
intimidade com Jesus Cristo ». (236)
Toda a ação evangelizadora tem o objetivo de favorecer a
comunhão com Jesus Cristo. A partir da conversão « inicial »
(237) de uma pessoa ao Senhor, suscitada pelo Espírito Santo, mediante o
primeiro anúncio, a catequese se propõe dar um fundamento e fazer
amadurecer esta primeira adesão. Trata-se, então, de ajudar aquele
que acaba de ser converter a « ...melhor conhecer o mesmo Jesus Cristo ao
qual se entregou: conhecer o seu « mistério », o Reino de Deus
que Ele anunciou, as exigências e as promessas contidas na Sua mensagem
evangélica e os caminhos que Ele traçou para todos aqueles que O
querem seguir ». (238) O Batismo, sacramento mediante o qual «
configuramo-nos com Cristo », (239) sustenta, com a sua graça, esta
obra da catequese.
81. A comunhão com Jesus Cristo, por sua própria dinâmica,
impulsiona o discípulo a se unir com tudo aquilo com que o próprio
Jesus Cristo sentiu-se profundamente unido: com Deus, seu Pai, que o enviara ao
mundo, e com o Espírito Santo, que lhe dava impulso para a missão;
com a Igreja, seu corpo, pela qual se doou, e com os homens, seus irmãos,
cuja sorte quis compartilhar.
A finalidade da catequese se exprime na profissão de fé no
único Deus: Pai, Filho e Espírito Santo
82. A catequese é aquela forma particular do ministério da
Palavra, que faz amadurecer a conversão inicial, até fazer dela
uma viva, explícita e operativa confissão de fé: « A
catequese tem a sua origem na confissão de fé e leva à
confissão de fé ». (240)
A profissão de fé, intrínseca ao Batismo, (241) é
eminentemente trinitária. A Igreja batiza « em nome do Pai, do Filho
e do Espírito Santo » (Mt 28,19), (242) Deus uno e trino, ao
qual o cristão confia a sua vida. A catequese de iniciação
prepara antes ou após o recebimento do Batismo para este
decisivo empenho. A catequese permanente ajudará a amadurecer
continuamente esta profissão de fé, a proclamá-la na
Eucaristia e a renovar os compromissos que ela implica. É importante que
a catequese saiba unir bem a confissão de fé cristológica,
« Jesus é o Senhor », com a confissão trinitária,
« Creio no Pai, no Filho e no Espírito Santo », uma vez
que são tão somente duas modalidades para se exprimir a mesma fé
cristã. Aquele que, pelo primeiro anúncio, se converte a Jesus
Cristo e O reconhece como Senhor, inicia um processo, ajudado pela catequese,
que desemboca necessariamente na confissão explícita da Trindade.
Com a confissão de fé no único Deus, o cristão
renuncia a servir qualquer absoluto humano: poder, prazer, raça,
antepassados, Estado, dinheiro..., (243) libertando-se de qualquer ídolo
que o escravize. É a proclamação da sua vontade de servir a
Deus e aos homens, sem nenhum laço. Proclamando a fé na Trindade,
comunhão de pessoas, o discípulo de Jesus Cristo manifesta
contemporaneamente que o amor a Deus e ao próximo é o princípio
que informa o seu ser e o seu agir.
83. A confissão de fé é completa somente se é em
referência à Igreja. Cada batizado proclama individualmente o
Credo, uma vez que não há ação mais pessoal do que
esta. Mas o recita na Igreja e através dela, já que o faz como seu
membro. O « creio » e o « cremos » se implicam mutuamente.
(244) Ao fundir a sua confissão com a confissão da Igreja, o cristão
é incorporado à sua missão: ser « sacramento de salvação
» para a vida do mundo. Quem proclama a profissão de fé,
assume compromissos que, não poucas vezes, atrairão a perseguição.
Na história cristã, os mártires são os anunciadores
e as testemunhas por excelência. (245)
As tarefas da catequese realizam a sua finalidade
84. A finalidade da catequese realiza-se através de diversas tarefas,
mutuamente relacionadas. (246) Para realizá-las, a catequese se inspirará
certamente no modo mediante o qual Jesus formava os Seus discípulos:
fazia-os conhecer as diversas dimensões do Reino de Deus (« a vós
é dado compreender os mistérios do Reino dos céus »,
Mt 13,11), (247) ensinava-os a rezar (« Quando orardes, dizei:
Pai... », Lc 11,2), (248) inculcava-lhes atitudes evangélicas
(« ...aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração
», Mt 11,29) e os iniciava na missão (« ...e os
enviou dois a dois... », Lc 10,1). (249)
As tarefas da catequese correspondem à educação das
diversas dimensões da fé, uma vez que a catequese é uma
formação cristã integral, « aberta a todas as outras
componentes da vida cristã ». (250) Em virtude da sua própria
dinâmica interna, a fé exige ser conhecida, celebrada, vivida e
traduzida em oração. A catequese deve cultivar cada uma dessas
dimensões. A fé, porém, se vive na comunidade cristã
e se anuncia na missão: é uma fé compartilhada e anunciada.
Também estas dimensões devem ser favorecidas pela catequese.
O Concílio Vaticano II assim se expressou sobre essas tarefas: «
A formação catequética, que ilumina e fortifica a fé,
nutre a vida segundo o espírito de Cristo, leva a uma participação
consciente e ativa no mistério litúrgico e desperta para a
atividade apostólica ». (251)
As tarefas fundamentais da catequese: ajudar a conhecer, celebrar, viver
e contemplar o mistério de Cristo
85. As tarefas fundamentais da catequese são:
Favorecer o conhecimento da fé
Aquele que encontrou Cristo deseja conhecê-Lo o mais possível,
assim como deseja conhecer o desígnio do Pai, que Ele revelou. O
conhecimento da fé (fides quae) é exigência da adesão
à fé (fides qua). (252) Já na ordem humana, o amor
por uma pessoa leva a desejar conhecê-la sempre mais. A catequese deve
levar, portanto, a « compreender progressivamente toda a verdade do projeto
divino », (253) introduzindo os discípulos de Jesus Cristo no
conhecimento da Tradição e da Escritura, a qual é a «
eminente ciência de Jesus Cristo » (Fil 3,8). (254)
O aprofundamento no conhecimento da fé ilumina cristãmente a
existência humana, alimenta a vida de fé e habilita também a
prestar razão dela no mundo. A entrega do símbolo, compêndio
da Escritura e da fé da Igreja, exprime a realização desta
tarefa.
A educação litúrgica
De fato, « Cristo está sempre presente em Sua Igreja, sobretudo
nas ações litúrgicas ». (255) A comunhão com
Jesus Cristo leva a celebrar a sua presença salvífica nos
sacramentos e, particularmente, na Eucaristia. A Igreja deseja ardentemente que
todos os fiéis cristãos sejam levados àquela participação
plena, consciente e ativa, que exigem a própria natureza da Liturgia e a
dignidade do seu sacerdócio batismal. (256) Por isso, a catequese, além
de favorecer o conhecimento do significado da liturgia e dos sacramentos, deve
educar os discípulos de Jesus Cristo « à oração,
à gratidão, à penitência, à solicitação
confiante, ao sentido comunitário, à linguagem simbólica...
», (257) uma vez que tudo isso é necessário, a fim de que
exista uma verdadeira vida litúrgica.
A formação moral
A conversão a Jesus Cristo implica o caminhar na sua seqüela.
A catequese deve, portanto, transmitir aos discípulos as atitudes próprias
do Mestre. Eles empreendem assim, um caminho de transformação
interior, no qual, participando do mistério pascal do Senhor, «
passam do velho para o novo homem aperfeiçoado em Cristo ». (258) O
Sermão da Montanha, no qual Jesus retoma o decálogo e o imprime
com o espírito das bem-aventuranças, (259) é uma referência
indispensável na formação moral, hoje tão necessária.
A evangelização, « que comporta também o anúncio
e a proposta moral », (260) difunde toda a sua força interpeladora
quando, juntamente com a palavra anunciada, sabe oferecer também a
palavra vivida. Este testemunho moral, para o qual a catequese prepara, deve
saber mostrar as conseqüências sociais das exigências evangélicas.
(261)
Ensinar a rezar
A comunhão com Jesus Cristo conduz os discípulos a assumirem a
atitude orante e contemplativa que adotou o Mestre. Aprender a rezar com Jesus é
rezar com os mesmos sentimentos com os quais Ele se dirigia ao Pai: a adoração,
o louvor, o agradecimento, a confiança filial, a súplica e a
contemplação da sua glória. Estes sentimentos se refletem
no Pai Nosso, a oração que Jesus ensinou aos discípulos
e que é modelo de toda oração cristã. A «entrega
do Pai Nosso », (262) resumo de todo o Evangelho, (263) é,
portanto, verdadeira expressão da realização desta tarefa.
Quando a catequese é permeada por um clima de oração, o
aprendizado de toda a vida cristã alcança a sua profundidade. Este
clima se faz particularmente necessário quando o catecúmeno e os
catequizandos encontram-se diante dos aspectos mais exigentes do Evangelho e se
sentem fracos, ou quando descobrem, admirados, a ação de Deus na
sua vida.
Outras tarefas fundamentais da catequese: iniciação e
educação à vida comunitária e à missão
86. A catequese torna o cristão idôneo a viver em comunidade e
a participar ativamente da vida e da missão da Igreja. O Concílio
Vaticano II aponta a necessidade, para os pastores, de « desenvolver
devidamente o espírito de comunidade » (264) e para os catecúmenos,
de « aprender a cooperar ativamente na evangelização e na
edificação da Igreja ». (265)
A educação para a vida comunitária
a) A vida cristã em comunidade não se improvisa e é
preciso educar para ela, com cuidado. Para esta aprendizagem, o ensinamento de
Jesus sobre a vida comunitária, narrado pelo Evangelho de Mateus, requer
algumas atitudes que a catequese deverá inculcar: o espírito de
simplicidade e de humildade (« se não vos converterdes e não
vos tornardes como as crianças... », Mt 18,3); a
solicitude pelos pequeninos (« Caso alguém escandalize um desses
pequeninos que crêem em mim... », Mt 18,6); a atenção
especial para com aqueles que se afastaram (« vai à procura da
ovelha extraviada... », Mt 18,12); a correção
fraterna (« ... vai corrigi-lo a sós », Mt 18,12);
a oração em comum (« se dois de vós estiverem de
acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir... », Mt
18,19); o perdão mútuo (« até setenta e sete
vezes... », Mt 18,22). O amor fraterno unifica todas estas
atitudes: « Amai-vos uns aos outros como eu vos amei » (Jo
13,34).
b) Ao educar para este sentido comunitário, a catequese dará
uma especial atenção à dimensão ecumênica, e
encorajará atitudes fraternas para com os membros de outras Igrejas cristãs
e comunidades eclesiais. Por isso, a catequese, ao procurar atingir esta meta,
exporá com clareza toda a doutrina da Igreja Católica, evitando
expressões que possam induzir ao erro. Favorecerá, além
disso, « um bom conhecimento das outras confissões », (266) com
as quais existem bens comuns, tais como: « a Palavra escrita de Deus, a
vida da graça, a fé, a esperança, a caridade e outros dons
interiores do Espírito Santo ». (267) A catequese terá uma
dimensão ecumênica, na medida em que saberá suscitar e
alimentar « um verdadeiro desejo de unidade », (268) feito não
em vista de um fácil irenismo, mas em vista da unidade perfeita, quando o
Senhor assim o desejar e através das vias que Ele escolher.
A iniciação à missão
a) A catequese é igualmente aberta ao dinamismo missionário.
(269) Ela se esforça por habilitar os discípulos de Jesus a se
fazerem presentes, como cristãos, na sociedade e na vida profissional,
cultural e social. Prepara-os também a prestarem a sua cooperação
nos diferentes serviços eclesiais, segundo a vocação de
cada um. Este empenho evangelizador origina-se, para os fiéis leigos, dos
sacramentos da iniciação cristã e do caráter secular
de sua vocação. (270) É também importante usar todos
os meios disponíveis para suscitar vocações sacerdotais e
de particular consagração a Deus, nas diversas formas de vida
religiosa e apostólica e para acender no coração de cada um
a vocação especial missionária.
As atitudes evangélicas que Jesus sugeriu aos seus discípulos,
quando os iniciou na missão, são aquelas que a catequese deve
alimentar: ir em busca da ovelha perdida; anunciar e curar ao mesmo tempo;
apresentar-se pobres, sem posses nem mochila; saber assumir a rejeição
e a perseguição; pôr a própria confiança no
Pai e no amparo do Espírito Santo; não esperar outra recompensa
senão a alegria de trabalhar pelo Reino. (271)
b) Ao educar para este sentido missionário, a catequese
formará ao diálogo inter-religioso, que pode tornar os fiéis
idôneos a uma comunicação fecunda com os homens e mulheres
de outras religiões. (272) A catequese mostrará que os laços
entre a Igreja e as outras religiões não cristãs são,
em primeiro lugar, aqueles da origem comum e do fim comum do gênero
humano, assim como também aqueles das múltiplas « sementes da
Palavra », que Deus depôs naquelas religiões. A catequese
ajudará também a saber conciliar e, ao mesmo tempo, a saber
distinguir o « anúncio de Cristo » do « diálogo
inter-religioso ». Estes dois elementos, embora conservem a sua íntima
relação, não devem ser confundidos nem considerados
equivalentes. (273) Com efeito,« o diálogo não dispensa da
evangelização ». (274)
Algumas considerações sobre o conjunto destas tarefas
87. As tarefas da catequese constituem, conseqüentemente, um rico e
variado conjunto de aspectos. Sobre este conjunto, é oportuno tecer
algumas considerações:
Todas as tarefas são necessárias. Assim como para a
vitalidade de um organismo humano, é necessário que funcionem
todos os seus órgãos, também para o amadurecimento da vida
cristã, é preciso que sejam cultivadas todas as suas dimensões:
o conhecimento da fé, a vida litúrgica, a formação
moral, a oração, a pertença comunitária, o espírito
missionário. Se a catequese transcurar uma dessas dimensões, a fé
cristã não alcançará todo o seu desenvolvimento.
Cada tarefa, à sua maneira, realiza a finalidade da catequese.
A formação moral, por exemplo, é essencialmente cristológica
e trinitária, plena de senso eclesial e aberta à dimensão
social. O mesmo acontece com a educação litúrgica,
essencialmente religiosa e eclesial, mas também muito exigente no seu
empenho evangelizador em favor do mundo.
As tarefas se implicam mutuamente e se desenvolvem conjuntamente.
Cada grande tema catequético, por exemplo, a catequese sobre Deus Pai,
tem uma dimensão cognoscitiva e implicações morais;
interioriza-se na oração e se assume no testemunho. Uma tarefa
chama outra: o conhecimento da fé torna idôneos à missão;
a vida sacramental dá força para a transformação
moral.
Para realizar as suas tarefas, a catequese se vale de dois grandes
meios: a transmissão da mensagem evangélica e a experiência
da vida cristã. (275) A educação litúrgica, por
exemplo, necessita explicar o que é a liturgia cristã e o que são
os sacramentos; porém deve também fazer experimentar os diversos
tipos de celebração, fazer descobrir e amar os símbolos, o
sentido dos gestos corporais, etc... A formação moral não
apenas transmite o conteúdo da moral cristã, mas cultiva também,
ativamente, as atitudes evangélicas e os valores cristãos.
As diferentes dimensões da fé são objeto de
educação, tanto no seu aspecto de « dom » quanto no seu
aspecto de « compromisso ». O conhecimento da fé, a vida litúrgica
e a seqüela de Cristo são, cada uma, um dom do Espírito, que
se recebe na oração e, ao mesmo tempo, um compromisso de estudo,
espiritual, moral e testemunhal. Ambos os aspectos devem ser cultivados. (276)
Cada dimensão da fé, assim como a fé no seu
conjunto, deve enraizar-se na experiência humana, sem permanecer na pessoa
como algo de postiço ou de isolado. O conhecimento da fé é
significativo, ilumina toda a existência e dialoga com a cultura; na
liturgia, toda a vida pessoal é uma oferta espiritual; a moral evangélica
assume e eleva os valores humanos; a oração é aberta a
todos os problemas pessoais e sociais. (277)
Como indicava o Diretório de 1971, « é muito importante
que a catequese conserve esta riqueza de diversidade de aspectos, de forma que
nenhum aspecto seja isolado, em detrimento dos demais ».
O catecumenato batismal: estrutura e fases
88. A fé, impulsionada pela graça divina e cultivada pela ação
da Igreja, experimenta um processo de amadurecimento. A catequese, a serviço
desse crescimento, é uma ação gradual. Uma oportuna
catequese é disposta por graus. (278)
No catecumenato batismal, a formação se desenvolve em quatro
etapas:
o pré-catecumenato, (279) caracterizado pelo fato que
nele se realiza a primeira evangelização, em vista da conversão,
e se explicita o « kerigma » do primeiro anúncio;
o catecumenato (280) propriamente dito, destinado à
catequese integral e em cujo início tem lugar a « entrega dos
Evangelhos »; (281)
o tempo da purificação e iluminação,
(282) que fornece uma preparação mais intensa aos sacramentos da
iniciação, e no qual tem lugar a « entrega do Símbolo »
(283) e a « entrega da Oração do Senhor »; (284)
o tempo da mistagogia, (285) caracterizado pela experiência dos
sacramentos e pelo ingresso na comunidade.
89. Estas etapas da grande tradição catecumenal, repletas de
sabedoria, inspiram as fases da catequese. (286) Na época dos Padres da
Igreja, de fato, a formação propriamente catecumenal se realizava
mediante a catequese bíblica, centrada na narração
de História da salvação; a preparação
imediata ao Batismo, por meio da catequese doutrinal, que explicava o Símbolo
e o Pai Nosso, recém entregues, com suas implicações
morais; e a etapa que sucedia os sacramentos de iniciação,
mediante a catequese mistagógica, que ajudava a interiorizar tais
sacramentos e a incorporar-se na comunidade. Esta concepção patrística
continua a ser uma fonte de luz para o Catecumenato atual e para a própria
catequese de iniciação.
Esta, uma vez que é acompanhamento do processo de conversão, é
essencialmente gradual; e uma vez que está a serviço daquele que
decidiu seguir Cristo, é eminentemente cristocêntrica.
O Catecumenato batismal, inspirador da catequese na Igreja
90. Dado que a missão ad gentes é o paradigma de toda
a missão evangelizadora da Igreja, o Catecumenato batismal, que lhe é
inerente, é o modelo inspirador da sua ação catequizadora.
(287) Por isso, é oportuno sublinhar os elementos do Catecumenato que
devem inspirar a catequese atual e o significado metodológico dos mesmos.
É preciso, todavia, colocar a premissa que entre os catequizandos e os
catecúmenos, (288) e entre catequese pós-batismal e catequese
pré-batismal, que lhes é respectivamente administrada, existe
uma diferença fundamental. Ela provém dos sacramentos de iniciação
recebido pelos primeiros, os quais « já foram introduzidos na Igreja
e já foram feitos filhos de Deus por meio do Batismo. Portanto, o
fundamento da sua conversão é o Batismo já recebido, cuja
força devem desenvolver ». (289)
91. Diante desta substancial diferença, consideram-se a seguir alguns
elementos do Catecumenato batismal, que devem ser fonte de inspiração
para a catequese pós-batismal:
O Catecumenato batismal recorda constantemente a toda a Igreja, a
importância fundamental da função da iniciação,
com os basilares fatores que a constituem: a catequese e os sacramentos do
Batismo, da Confirmação e da Eucaristia. A pastoral de iniciação
cristã é vital para toda Igreja particular.
O Catecumenato batismal é responsabilidade de toda a
comunidade cristã. De fato, « tal iniciação cristã
não deve ser apenas obra dos catequistas e dos sacerdotes, mas de toda a
comunidade de fiéis, e sobretudo dos padrinhos ». (290) A instituição
catecumenal incrementa assim, na Igreja, a consciência da maternidade
espiritual que ela exerce em toda forma de educação na fé.
(291)
O Catecumenato batismal é todo impregnado pelo mistério
da Páscoa de Cristo. Por isso, « toda iniciação
deve relevar claramente o seu caráter pascal ». (292) A Vigília
pascal, centro da liturgia cristã, e a sua espiritualidade batismal, são
inspiração para toda a catequese.
O Catecumenato batismal é também, lugar privilegiado de
inculturação. Seguindo o exemplo da Encarnação
do Filho de Deus, feito homem num momento histórico concreto, a Igreja
acolhe os catecúmenos integralmente, com os seus vínculos
culturais. Toda a ação catequizadora participa desta função
de incorporar na catolicidade da Igreja, as autênticas « sementes da
Palavra » disseminadas nos indivíduos e nos povos. (293)
Finalmente, a concepção do Catecumenato batismal, como
processo formativo e verdadeira escola de fé, oferece à
catequese pós-batismal uma dinâmica e algumas notas qualificativas:
a intensidade e a integridade da formação; o seu caráter
gradual, com etapas definidas; a sua vinculação com ritos, símbolos
e sinais, especialmente bíblicos e litúrgicos; a sua constante
referência à comunidade cristã...
A catequese pós-batismal, sem dever reproduzir mimeticamente a
configuração do Catecumenato batismal, e reconhecendo aos
catequizandos a sua realidade de batizados, deverá inspirar-se nesta «
escola preparatória à vida cristã », (294) deixando-se
fecundar pelos seus principais elementos caracterizadores.
II PARTE
A MENSAGEM EVANGÉLICA
A mensagem evangélica
« Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a
ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo »
(Jo 17,3). « Veio Jesus para a Galiléia, proclamando o Evangelho
de Deus: "Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo.
Arrependei-vos e crede no Evangelho" » (Mc 1,14-15). «
Lembro-vos, irmãos, o evangelho que vos anunciei... Transmiti-vos, em
primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados,
segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as
Escrituras » (1 Cor 15,1-4).
Significado e finalidade desta parte
92. A fé cristã, mediante a qual uma pessoa pronuncia o seu «
sim » a Jesus Cristo, pode ser considerada sob um dúplice aspecto:
como adesão a Deus que se revela, dada sob a influência
da graça. Neste caso, a fé consiste em confiar na palavra de Deus
e em abandonar-se a esta (fides qua);
como conteúdo da Revelação e da mensagem evangélica.
A fé, neste sentido, exprime-se no empenho em conhecer sempre melhor o
sentido profundo daquela Palavra (fides quae).
Estes dois aspectos não podem, por sua própria natureza, ser
separados. O amadurecimento e o crescimento da fé exigem o
seu orgânico e coerente desenvolvimento. Todavia, por razões de
ordem metodológica, os dois aspectos podem ser considerados
separadamente. (295)
93. Nesta segunda parte, abordar-se-á o conteúdo da mensagem
evangélica (fides quae).
No primeiro capítulo, serão indicadas as normas e os
critérios que a catequese deve seguir para fundar, formular e expor os
seus conteúdos. Toda forma de ministério da Palavra, de fato,
ordena e apresenta a mensagem evangélica segundo o seu caráter próprio.
No segundo capítulo, tratar-se-á do conteúdo da
fé, assim como se encontra exposto no Catecismo da Igreja Católica,
que é texto de referência doutrinal para a catequese. São
apresentadas, por isso, algumas indicações que poderão
ajudar a assimilar e a interiorizar o Catecismo, assim como a situá-lo no
âmbito da ação catequizadora da Igreja. Além disso, são
oferecidos alguns critérios, para que, em referência ao Catecismo
da Igreja Católica, sejam elaborados, nas Igrejas particulares,
Catecismos locais que, conservando a unidade da fé, levem na devida
consideração, as diferentes situações e culturas.
I CAPÍTULO
Normas e critérios para a apresentação
da mensagem evangélica na catequese
« Ouve, ó Israel: Iahweh nosso Deus é o único
Deus. Portanto, amarás a Iahweh teu Deus com todo o teu coração,
com toda a tua alma e com toda a tua força. Que estas palavras que hoje
te ordeno estejam em teu coração! Tu as inculcarás aos teus
filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando em teu caminho,
deitado e de pé. Tu as atarás também à tua mão
como um sinal, e serão como um frontal entre os teus olhos; tu as
escreverás nos umbrais da tua casa, e nas tuas portas » (Dt 6,4-9). «
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós » (Jo 1,14).
A Palavra de Deus, fonte da catequese
94. A fonte na qual a catequese haure a sua mensagem é a Palavra de
Deus:
« A catequese há-de haurir sempre o seu conteúdo na
fonte viva da Palavra de Deus, transmitida na Tradição e da
Escritura, porque "a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura
constituem um só depósito inviolável da Palavra de Deus,
confiada à Igreja" ». (296)
Este « depósito da fé » (297) é como o
tesouro do dono da casa, confiado à Igreja, família de Deus, do
qual ela extrai continuamente coisas novas e coisas antigas. (298) Todos os
filhos do Pai, animados pelo Seu Espírito, nutrem-se deste tesouro da
Palavra. Eles sabem que a Palavra é Jesus Cristo, o Verbo feito homem, e
que a Sua voz continua a ressoar por meio do Espírito Santo, na Igreja e
no mundo.
A Palavra de Deus, por admirável « condescendência »
(299) divina nos é dirigida e chega a nós por meio de « obras
e palavras » humanas, « tal como outrora o Verbo do Pai Eterno,
havendo assumido a carne da fraqueza humana, se fez semelhante aos homens ».
(300) Sem deixar de ser Palavra de Deus, exprime-se na palavra humana. Embora próxima,
ela permanece porém velada, em estado « kenótico ». Por
isso, a Igreja, guiada pelo Espírito, precisa interpretá-la
continuamente e, enquanto a contempla com profundo espírito de fé,
« piamente ausculta aquela palavra, santamente a guarda e fielmente a expõe
». (301)
A fonte e « as fontes » da mensagem da catequese (302)
95. A Palavra de Deus contida na Sagrada Tradição e na Sagrada
Escritura:
é meditada e compreendida sempre mais profundamente, por meio
do senso de fé de todo o Povo de Deus, sob a orientação do
Magistério, que a ensina com autoridade;
é celebrada na liturgia onde, constantemente, é
proclamada, ouvida, interiorizada e comentada;
resplende na vida da Igreja, na sua história bimilenar,
sobretudo no testemunho dos cristãos e particularmente dos santos;
é aprofundada na pesquisa teológica, que ajuda os
crentes a progredirem na compreensão vital dos mistérios da fé;
manifesta-se nos genuínos valores religiosos e morais que,
como sementes da Palavra, estão disseminados na sociedade humana e nas
diversas culturas.
96. Todas estas são as fontes, principais ou subsidiárias, da
catequese, as quais, de modo algum, devem ser entendidas em sentido unívoco.
(303) A Sagrada Escritura « é a Palavra de Deus enquanto é
redigida sob a moção do Espírito Santo »; (304) e a
Sagrada Tradição « transmite integralmente aos sucessores dos
Apóstolos, a Palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito
Santo ». (305) O Magistério tem a tarefa de « interpretar
autenticamente a Palavra de Deus », (306) cumprindo, em nome de Jesus
Cristo, um serviço eclesial fundamental. Tradição,
Escritura e Magistério, intimamente conexos e unidos, são, «
cada qual a seu modo », (307) as fontes essenciais da catequese.
As « fontes » da catequese têm, cada uma, uma linguagem própria,
à qual se dá forma através de uma rica variedade de «
documentos da fé ». A catequese é tradição viva
de tais documentos: (308) perícopes bíblicas, textos litúrgicos,
escritos dos Padres da Igreja, formulações do Magistério, símbolos
da fé, testemunhos dos santos e reflexões teológicas.
A fonte viva da Palavra de Deus e as « fontes » que dela
derivam e nas quais ela se exprime, fornecem à catequese os critérios
para transmitir a sua mensagem a todos aqueles que amadureceram a decisão
de seguir Jesus Cristo.
Os critérios para a apresentação da mensagem
97. Os critérios para apresentar a mensagem evangélica na
catequese são intimamente correlacionados entre si, uma vez que brotam de
uma única fonte.
A mensagem centrada na pessoa de Jesus Cristo (cristocentrismo),
por sua dinâmica interna, introduz à dimensão trinitária
da mesma mensagem.
O anúncio da Boa Nova do Reino de Deus, centrado no dom da
salvação, implica uma mensagem de libertação.
O caráter eclesial da mensagem remete ao seu caráter
histórico, uma vez que a catequese, como o conjunto da evangelização,
realiza-se no « tempo da Igreja ».
A mensagem evangélica, uma vez que é Boa Nova destinada
a todos os povos, busca a inculturação, a qual poderá
ser atuada em profundidade, somente se a mensagem for apresentada em toda a sua
integridade e pureza.
A mensagem evangélica é necessariamente uma mensagem
orgânica, com uma própria hierarquia de verdade. É esta
visão harmoniosa do Evangelho que o converte em evento profundamente significativo
para a pessoa humana.
Ainda que estes critérios sejam válidos para todo o ministério
da Palavra, eles serão agora desenvolvidos em relação à
catequese.
O cristocentrismo da mensagem evangélica
98. Jesus Cristo não apenas transmite a Palavra de Deus: Ele é
a Palavra de Deus. Por isso, a catequese, toda ela,diz respeito a Ele.
Neste sentido, o que caracteriza a mensagem transmitida pela catequese é,
antes de mais nada, o « cristocentrismo », (309) que deve ser
entendido em vários sentidos:
Ele significa, em primeiro lugar que, no centro da catequese nós
encontramos essencialmente uma Pessoa: é a Pessoa de Jesus de Nazaré,
« Filho único do Pai, cheio de graça e de verdade ».
(310) Na realidade, a tarefa fundamental da catequese é apresentar
Cristo: todo o resto, em referência a Ele. Aquilo que, de forma
definitiva, ela favorece, é a seqüela de Cristo, a comunhão
com Ele: todo elemento da mensagem tende a isto.
O cristocentrismo, em segundo lugar, significa que Jesus está
no « centro da história da salvação », (311)
apresentada pela catequese. Ele, de fato, é o evento último, para
o qual converge toda a história sagrada. Ele, vindo na « plenitude
dos tempos » (Gal 4,4), é « a chave, o centro e o fim
da história humana ». (312) A mensagem catequética ajuda o
cristão a situar-se na história e a inserir-se ativamente nesta,
mostrando como Cristo é o sentido último desta história.
O cristocentrismo significa, além disso, que a mensagem evangélica
não provém do homem, mas é Palavra de Deus. A Igreja e, em
seu nome, todo catequista, pode dizer, sem medo de errar: « Minha doutrina
não é minha, mas daquele que me enviou » (Jo 7,16).
Por isso, tudo aquilo que a catequese transmite, são « os
ensinamentos de Jesus Cristo, a Verdade que Ele comunica, ou, mais precisamente,
a Verdade que Ele é ». (313) O cristocentrismo obriga a catequese a
transmitir aquilo que Jesus ensina a propósito de Deus, do homem, da
felicidade, da vida mortal, da morte... sem permitir-se mudar em nada o seu
pensamento. (314)
Os Evangelhos, que narram a vida de Jesus, estão no centro da
mensagem catequética. Dotados, eles próprios, de uma «
estrutura catequética », (315) exprimem o ensinamento que se
propunha às primeiras comunidades cristãs e que transmitia a vida
de Jesus, a sua mensagem e as suas ações salvíficas. Na
catequese, « os quatro Evangelhos ocupam um lugar central, já que
Cristo Jesus é o centro deles ». (316)
O cristocentrismo trinitário da mensagem evangélica
99. A Palavra de Deus, encarnada em Jesus de Nazaré, Filho da Virgem
Maria, é a Palavra do Pai, que fala ao mundo por meio do seu Espírito.
Jesus remete constantemente ao Pai, de quem se sabe Filho Único, e ao Espírito
Santo, do qual se sabe Ungido. Ele é o « caminho » que introduz
no mistério íntimo de Deus. (317)
O cristocentrismo da catequese, em virtude da sua dinâmica interna,
conduz à confissão da fé em Deus: Pai, Filho e Espírito
Santo. É um cristocentrismo essencialmente trinitário. Os cristãos,
no Batismo, são configurados a Cristo, « Um da Trindade »,
(318) e esta configuração põe os batizados, « filhos
no Filho », em comunhão com o Pai e com o Espírito Santo. Por
isso, a sua fé é radicalmente trinitária. « O mistério
da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e
da vida cristã ». (319)
100. O cristocentrismo trinitário da mensagem evangélica induz
a catequese a estar atenta, entre outras coisas, ao seguintes aspectos:
A estrutura interna da catequese; toda modalidade de apresentação
será sempre cristocêntrica e trinitária: « Por Cristo,
ao Pai, no Espírito ». (320) Uma catequese que omitisse uma destas
dimensões, ou desconhecesse a orgânica ligação das
mesmas, correria o risco de trair da originalidade da mensagem cristã.
(321)
Seguindo a mesma pedagogia de Jesus, na sua Revelação
do Pai, de Si mesmo como Filho, e do Espírito Santo, a catequese mostrará
a vida íntima de Deus, a partir das obras salvíficas em favor da
humanidade. (322) As obras de Deus revelam quem Ele é em Si mesmo,
enquanto o mistério do seu ser íntimo ilumina a inteligência
de todas as suas obras. Analogicamente, assim sucede nas relações
humanas: as pessoas mostram-se através de suas ações e,
quanto mais as conhecemos, tanto mais mais compreendemos suas ações.
(323)
A apresentação do ser íntimo de Deus revelado
por Jesus, uno na essência e trino nas pessoas, mostrará as implicações
vitais para a vida dos seres humanos. Confessar um único Deus significa
que « o homem não deve submeter a própria liberdade pessoal,
de maneira absoluta, a nenhum poder terreno ». (324) Significa, além
disso, que a humanidade, criada à imagem de um Deus que é «
comunhão de pessoas », é chamada a ser uma sociedade
fraterna, composta de filhos de um mesmo Pai, iguais em dignidade pessoal. (325)
As implicações humanas e sociais da concepção cristã
de Deus são imensas. A Igreja, ao professar a fé na Trindade e ao
anunciá-la ao mundo, se autocompreende como « um povo agregado na
unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo ». (326)
Uma mensagem que anuncia a salvação
101. A mensagem de Jesus sobre Deus é uma boa nova para a humanidade.
Jesus, de fato, anunciou o Reino de Deus: (327) uma nova e definitiva intervenção
de Deus, com um poder transformador tão grande e até mesmo
superior àquele que utilizou na criação do mundo. (328)
Neste sentido, « como núcleo e centro da sua Boa Nova, Cristo
anuncia a salvação, esse grande dom de Deus que é não
somente libertação de tudo aquilo que oprime o homem, mas é
sobretudo libertação do pecado e do Maligno, na alegria de
conhecer a Deus e de ser por Ele conhecido, de vê-Lo e de se entregar a
Ele ». (329)
A catequese transmite esta mensagem do Reino, central na pregação
de Jesus. E ao fazê-lo, a mensagem « será pouco a pouco
aprofundada, desenvolvida nos seus corolários implícitos »,
(330) mostrando as grandes repercussões que tem, para as pessoas e para o
mundo.
102. Nesta explicitação do kerigma evangélico
de Jesus, a catequese sublinha os seguintes aspectos fundamentais:
Jesus, com o advento do Reino, anuncia e revela que Deus não é
um ser distante e inacessível, « uma potência anônima e
longínqua », (331) mas sim o Pai, que está presente em meio às
suas criaturas, operando com o seu amor e o seu poder. Este testemunho sobre
Deus como Pai, oferecido de maneira simples e direta, é fundamental na
catequese.
Jesus, ao mesmo tempo, ensina que Deus, com o seu Reino, oferece o
dom da salvação integral, liberta do pecado, introduz na comunhão
com o Pai, concede a filiação divina e promete a vida eterna,
vencendo a morte. (332) Esta salvação integral é, ao mesmo
tempo, imanente e escatológica, já que « tem certamente o seu
começo nesta vida, mas que terá realização completa
na eternidade ». (333)
Jesus, ao anunciar o Reino, anuncia a justiça de Deus:
proclama o juízo divino e a nossa responsabilidade. O anúncio do
juízo de Deus, com o seu poder de formação das consciências,
é um conteúdo central do Evangelho e uma boa nova para o mundo. E
o é tanto para aqueles que sofrem pela falta de justiça, quanto
para aqueles que lutam para instaurá-la; o é, também, para
aqueles que não souberam amar nem ser solidários, porque é
possível a penitência e o perdão, já que na cruz de
Cristo obtemos a redenção do pecado. O chamado à conversão
e a crer no Evangelho do Reino, que é um reino de justiça, amor e
paz e à luz do qual seremos julgados, é fundamental para a
catequese.
Jesus declara que o Reino de Deus se inaugura com Ele, na sua própria
pessoa. (334) Revela, de fato, que Ele próprio, constituído
Senhor, assume a realização daquele Reino, até que o
entregue, plenamente consumado, ao Pai, quando virá de novo, na glória.
(335) « O Reino já está presente, em mistério, aqui na
terra. Chegando o Senhor, ele se consumará ». (336)
Jesus ensina, igualmente, que a comunidade dos seus discípulos,
a sua Igreja, « constitui o germe e o início deste Reino »
(337) e que, como fermento na massa, o que ela deseja é que o Reino de
Deus cresça no mundo, como uma imensa árvore, incorporando todos
os povos e todas as culturas. « A Igreja está, efetiva e
concretamente, a serviço do Reino ». (338)
Jesus ensina, finalmente, que a história da humanidade não
caminha rumo ao nada, mas sim que, com os seus aspectos de graça e
pecado, é n'Ele assumida por Deus, para ser transformada. Ela, na sua
atual peregrinação rumo à casa do Pai, já oferece
uma pregustação do mundo futuro onde, assumida e purificada, alcançará
a sua perfeição. « Por conseguinte, a evangelização
não pode deixar de comportar o anúncio profético do além,
vocação profunda e definitiva do homem, ao mesmo tempo em
continuidade e em descontinuidade com a situação presente ».
(339)
Uma mensagem de libertação
103. A Boa Nova do Reino de Deus, que anuncia a salvação,
inclui uma « mensagem de libertação ». (340) Ao anunciar
este Reino, Jesus se dirigia de maneira particularíssima aos pobres: «
Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus!
Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis saciados!
Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir! » (Lc
6,20-21). Estas bem-aventuranças de Jesus, dirigidas àqueles
que sofrem, são o anúncio escatológico da salvação
que o Reino traz consigo. Elas registram aquela experiência tão
dilacerante, à qual o Evangelho é tão sensível: a
pobreza, a fome e o sofrimento da humanidade.
A comunidade dos discípulos de Jesus, a Igreja, compartilha hoje a
mesma sensibilidade que teve, então, o seu Mestre. Com profunda dor, ela
volta a sua atenção para aqueles « povos comprometidos, como
bem sabemos, com toda a sua energia no esforço e na luta por superar tudo
aquilo que os condena a ficarem à margem da vida: penúrias, doenças
crônicas e endêmicas, analfabetismo, pauperismo, injustiças
nas relações internacionais,... situações de
neocolonialismo econômico e cultural ». (341) Todas as formas de
pobreza « não apenas econômica, mas também cultural e
religiosa » (342) preocupam a Igreja.
Como dimensão importante da sua missão, « (a Igreja) tem
o dever de anunciar a libertação de milhões de seres
humanos, sendo muitos destes seus filhos espirituais; o dever de ajudar uma tal
libertação a nascer, de dar testemunho em favor dela e de envidar
esforços para que ela seja total ». (343)
104. Para preparar os cristãos a esta tarefa, a catequese estará
atenta, entre outras coisas, aos seguintes aspectos:
Situará a mensagem de libertação na perspectiva
da « finalidade especificamente religiosa da evangelização »,
(344) já que esta perderia a sua razão de ser, « se se
apartasse do eixo religioso que a rege: o Reino de Deus, antes de toda e
qualquer outra coisa, no seu sentido plenamente teológico ». (345)
Por isso, a mensagem da libertação « não pode ser
limitada à simples e restrita dimensão econômica, política,
social e cultural; mas deve ter em vista o homem todo, incluindo asua abertura
para o absoluto, mesmo o Absoluto de Deus ». (346)
A catequese, na tarefa da educação moral, apresentará
a moral social cristã como uma exigência da justiça de Deus
e uma conseqüência da « libertação radical
realizada por Cristo ». (347) É esta, com efeito, a Boa Nova que os
cristãos professam, com o coração repleto de esperança:
Cristo libertou o mundo e continua a libertá-lo. Aqui é gerada a
« praxis » cristã, que é o cumprimento do grande
mandamento do amor.
Da mesma forma, na tarefa da iniciação à missão,
a catequese suscitará nos catecúmenos e nos catequizandos, a «
opção preferencial pelos pobres » (348) que, « longe de
ser um sinal de particularismo ou de sectarismo, manifesta a universalidade da
natureza e da missão da Igreja. Esta opção não é
exclusiva », (349) mas comporta « o empenho pela justiça,
segundo o papel, a vocação e as circunstâncias pessoais ».
(350)
A eclesialidade da mensagem evangélica
105. A natureza eclesial da catequese confere à mensagem evangélica
transmitida um intrínseco caráter eclesial. A catequese tem sua
origem na confissão de fé da Igreja e leva à confissão
de fé do catecúmeno e do catequizando. A primeira palavra oficial
que a Igreja dirige ao batizando adulto, depois de ter perguntado o seu nome, é:
« O que pedes à Igreja de Deus? ». « A fé »
é a resposta do batizando. (351) O catecúmeno, de fato, sabe que o
Evangelho que ele descobriu e deseja conhecer, é vivo no coração
dos crentes. A catequese não é outra coisa senão o processo
de transmissão do Evangelho, tal como a comunidade cristã
recebeu-o, compreende-o, celebra-o, vive-o e o comunica de diversos modos.
Por isso, quando a catequese transmite o mistério de Cristo, na sua
mensagem ressoa a fé de todo o Povo de Deus, ao longo do curso da história:
a fé dos apóstolos, que a receberam do próprio Cristo e da
ação do Espírito Santo; a fé dos mártires,
que a confessaram e a confessam com seu sangue; a fé dos santos, que a
viveram e a vivem em profundidade; a fé dos Padres e dos Doutores da
Igreja, que a ensinaram luminosamente; a fé dos missionários, que
a anunciam continuamente; a fé dos teólogos, que ajudam a melhor
compreendê-la; e enfim, a fé dos pastores, que a conservam com zelo
e amor, e a interpretam com autenticidade. Na verdade, na catequese está
presente a fé de todos aqueles que crêem e se deixam conduzir pelo
Espírito Santo.
106. Esta fé, transmitida pela comunidade eclesial, é uma só.
Ainda que os discípulos de Jesus Cristo formem uma comunidade espalhada
por todo o mundo, e ainda que a catequese transmita a fé através
de linguagens culturais muito diferentes, o Evangelho que se entrega é um
só, a confissão de fé é única e um só é
o Batismo: « um só Senhor, uma só fé, um só
batismo. Há um só Deus e Pai de todos » (Ef 4,5).
A catequese é, portanto, na Igreja, o serviço que introduz os
catecúmenos e os catequizandos na unidade da confissão de fé.
(352) Por sua própria natureza, alimenta o vínculo de unidade,
(353) criando a consciência de pertencer a uma grande comunidade, que nem
o espaço nem o tempo conseguem limitar: « Desde o justo Abel até
o último dos eleitos, até às extremidades da terra, até
o fim do mundo ». (354)
O caráter histórico do mistério da salvação
107. A confissão de fé dos discípulos de Jesus Cristo
nasce de uma Igreja peregrina, enviada em missão. Não é
ainda a proclamação gloriosa do fim do caminho, mas aquela que
corresponde ao « tempo da Igreja ». (355) A « economia
da salvação » tem, por isso, um caráter histórico,
uma vez que se realiza no tempo: « ...iniciou no passado, desenvolveu-se
e alcançou o seu ponto mais elevado em Cristo, estende o seu poder no
presente e espera por sua consumação no futuro ».
(356)
Por isso, a Igreja, ao transmitir hoje a mensagem cristã, a partir da
viva consciência que tem desta mensagem, « recorda »
constantemente os eventos salvíficos do passado, narrando-os. Interpreta,
à luz dos mesmos, os atuais eventos da história humana, nos quais
o Espírito de Deus renova a face da terra, e permanece numa confiante
expectativa da vinda do Senhor. Na catequese patrística, a narração
(narratio) das maravilhas realizadas por Deus e a espera (expectatio)
do retorno de Cristo acompanhavam sempre a exposição dos mistérios
da fé. (357)
108. O caráter histórico da mensagem cristã obriga a
catequese a considerar os seguintes aspectos:
Apresentar a história da salvação por meio de
uma catequese bíblica que faça conhecer as « obras e as
palavras » com a quais Deus se revelou à humanidade: as grandes
etapas do Antigo Testamento, mediante as quais preparou o caminho do Evangelho;
(358) a vida de Jesus, Filho de Deus, incarnado no seio de Maria, e que, com
suas ações e seu ensinamento, levou a cumprimento a Revelação;
(359) e a história da Igreja, a qual transmite a Revelação.
Também esta história, lida a partir da fé, é parte
fundamental do conteúdo da catequese.
Ao explicar o Símbolo da fé e o conteúdo da
moral cristã, através de uma catequese doutrinal, a mensagem evangélica
deve iluminar o « hoje » da história da salvação.
De fato, « ...o ministério da palavra, além de recordar a
revelação das admiráveis obras realizadas por Deus no
passado... interpreta também, à luz desta revelação,
a vida humana dos nossos dias, os sinais dos tempos e as realidades deste mundo,
uma vez que é nele que se atua o projeto de Deus para a salvação
do homem ». (360)
Situar os sacramentos dentro da história da salvação,
por meio de uma catequese mistagógica, a qual: « ...relê e
revive todos estes grandes acontecimentos da história da salvação
no "hoje" da sua liturgia ». (361) A referência ao «
hoje » histórico-salvífico é essencial nesta
catequese. Ajuda-se, assim, os catecúmenos e catequizandos, « ...a
se abrirem a esta compreensão "espiritual" da Economia da salvação...
». (362)
As « obras e palavras » da Revelação remetem
ao « mistério contido nesta ». (363) A catequese ajudará
a realizar a passagem do sinal para o mistério. Levará a
descobrir, por detrás da humanidade de Jesus, a sua condição
de Filho de Deus; por detrás da história da Igreja, o seu mistério
como « sacramento de salvação »; por detrás dos «
sinais dos tempos », as pegadas da presença de Deus e os sinais do
Seu plano. A catequese mostrará, assim, o conhecimento típico da fé,
« que é conhecimento através dos sinais ». (364)
A inculturação da mensagem evangélica (365)
109. A Palavra de Deus se fez homem, homem concreto, situado no tempo e no
espaço, radicado numa cultura determinada: « Cristo..., por sua
encarnação, se ligou às condições sociais e
culturais dos homens com quem conviveu ». (366) Esta é a «
inculturação » original da Palavra de Deus e o modelo de
referência para toda a evangelização da Igreja «
chamada a levar a força do Evangelho ao coração da cultura
e das culturas ». (367)
A « inculturação » (368) da fé, pela qual se
assumem, num admirável intercâmbio, « todas as riquezas das nações,
herança de Cristo » (369) é um processo profundo e global e
um caminho lento. (370) Não é uma simples adaptação
externa que, para tornar mais atraente a mensagem cristã, limita-se a
cobri-la, de maneira decorativa, com um verniz superficial.
Trata-se, ao contrário, da penetração do Evangelho nos
estratos mais recônditos das pessoas e dos povos, alcançando-os «
...de maneira vital, em profundidade, isto é, até às suas
raízes, a cultura e as culturas do homem » (371)
Neste trabalho de inculturação, todavia, as comunidades cristãs
deverão fazer um discernimento: trata-se, por um lado, de « assumir»
(372) aquelas riquezas culturais que sejam compatíveis com a fé;
mas, por outro lado, trata-se também de ajudar a « purificar »
(373) e « transformar » (374) aqueles critérios, modos de
pensar e estilos de vida que estão em contraste com o Reino de Deus. Este
discernimento é baseado em dois princípios de base: « a
compatibilidade com o Evangelho e a comunhão com a Igreja universal ».
(375) Todo o Povo de Deus deve participar deste processo, que « ...requer
gradatividade, para que seja verdadeiramente uma expressão da experiência
cristã da comunidade... (376)
110. Nesta inculturação da fé, apresentam-se
concretamente, para a catequese, diversas tarefas. Entre estas, devemos
ressaltar:
Considerar a comunidade eclesial como principal fator de inculturação.
Uma expressão e, ao mesmo tempo, um eficaz instrumento dessa tarefa, é
representado pelo catequista que, juntamente com um profundo senso religioso,
deverá possuir uma viva sensibilidade social e ser bem radicado no seu
ambiente cultural. (377)
Elaborar Catecismos locais, que respondam às exigências
que provêm das diferentes culturas, (378) apresentando o Evangelho em relação
às aspirações, interrogações e problemas que
existem nessas mesmas culturas.
Realizar uma oportuna inculturação no Catecumenato e
nas instituições catequéticas, incorporando, com
discernimento, a linguagem, os símbolos e os valores da cultura na qual
vivem os catecúmenos e os catequizandos.
Apresentar a mensagem cristã de modo a tornar aptos a «
dar razão da vossa esperança » (1 Pd 3,15) aqueles
que devem anunciar o Evangelho em meio a culturas freqüentemente pagãs
e às vezes póscristãs. Uma apologética bem feita,
que ajude o diálogo fé-cultura, torna-se hoje imprescindível.
A integridade da mensagem evangélica
111. Na tarefa da inculturação da fé, a catequese deve
transmitir a mensagem evangélica na sua integridade e pureza. Jesus
anuncia o Evangelho integralmente: « ...porque tudo o que ouvi de meu Pai
eu vos dei a conhecer » (Jo 15,15). Esta mesma integridade, Cristo
a exige dos seus discípulos, ao enviá-los em missão: «
...ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei » (Mt 28,19).
Por isso, um critério fundamental da catequese é o de salvaguardar
a integridade da mensagem, evitando apresentações parciais ou
deformadas do mesmo. « Para ser perfeita a oblação da sua fé,
aqueles que se tornam discípulos de Cristo têm o direito de receber
a « palavra da fé » não mutilada, falsificada ou diminuída,
mas sim plena e integral, com todo o seu rigor e com o todo o seu vigor ».
(379)
112. Duas dimensões, intimamente unidas, submetem-se a este critério.
Trata-se, de fato, de:
Apresentar a mensagem evangélica íntegra, sem
deixar passar em silêncio nenhum aspecto fundamental, ou realizar uma seleção
no depósito da fé. (380) A catequese, ao contrário, «
deve preocupar-se com que o tesouro da mensagem cristã seja fielmente
anunciado na sua integridade ». (381) Isto deve cumprir-se, todavia,
gradualmente, seguindo o exemplo da pedagogia divina, mediante a qual Deus se
revelou de modo progressivo e gradual. A integridade deve ser acompanhada pela
adaptação.
A catequese, conseqüentemente, parte de uma simples proposição
da estrutura íntegra da mensagem cristã e a expõe de modo
apropriado à capacidade dos destinatários. Sem limitar-se a esta
exposição inicial, a catequese, gradualmente, proporá a
mensagem de maneira sempre mais ampla e explícita, de acordo com as
capacidades do catequizando e o caráter próprio da catequese.
(382) Estes dois níveis de exposição íntegra da
mensagem são denominados « integridade intensiva » e
« integridade extensiva ».
Apresentar a mensagem evangélica autêntica, em
toda a sua pureza, sem reduzir as suas exigências por medo de uma rejeição
e sem impor pesados ônus que a mensagem não inclui, pois o jugo de
Jesus é suave. (383)
O critério da autenticidade é intimamente ligado com o da
inculturação, pois esta tem a função de «
traduzir » (384) o essencial da mensagem, numa determinada linguagem
cultural. Nesta necessária tarefa, ocorre sempre uma tensão: «
A evangelização perderia algo da sua força e da sua eficácia,
se ela porventura não levasse em consideração o povo
concreto a que ela se dirige... » todavia porém, « ...correria
o risco de perder a sua alma e de se esvaecer, se fosse despojada ou fosse
desnaturada quanto ao seu conteúdo, sob o pretexto de melhor
traduzi-la... ». (385)
113. Nesta complexa relação entre a inculturação
e a integridade da mensagem cristã, o critério que se deve seguir é
o da atitude evangélica de « abertura missionária pela salvação
integral do mundo ». 386 Esta deve saber conjugar a aceitação
dos valores verdadeiramente humanos e religiosos, para além de qualquer
fechamento imobilista, com o empenho missionário de anunciar toda a
verdade do Evangelho, sem cair em fáceis acomodações, que
levariam a enfraquecer o Evangelho e a secularizar a Igreja. A autenticidade
evangélica exclui ambas as atitudes, que são contrárias ao
verdadeiro significado da missão.
Uma mensagem orgânica e hierarquizada
114. A mensagem que a catequese transmite possui um « caráter
orgânico e hierarquizado », (387) constituindo uma síntese
coerente e vital da fé. Ela se organiza em torno do mistério da
Santíssima Trindade, numa perspectiva cristocêntrica, uma vez que é
« a fonte de todos os outros mistérios da fé; é a luz
que os ilumina... ». (388) A partir deste, a harmonia do conjunto a
mensagem requer uma « hierarquia de verdades », (389) uma vez que é
diversa a conexão de cada uma destas, com o fundamento da fé.
Todavia, esta hierarquia « não significa que algumas verdades pertençam
à fé menos do que outras, mas sim que algumas verdades se alicerçam
sobre outras que são mais importantes e por elas são iluminadas ».
(390)
115. Todos os aspectos e as dimensões da mensagem cristã
participam desta dimensão orgânica e hierarquizada:
A história da salvação, narrando as «
maravilhas de Deus » (mirabilia Dei), aquilo que fez, faz e fará
por nós, se organiza em torno de Jesus Cristo, « centro da história
da salvação ». (391) A preparação ao Evangelho,
no Antigo Testamento, a plenitude da Revelação em Jesus Cristo e o
tempo da Igreja, estruturam toda a história salvífica, da qual a
criação e a escatologia são o seu princípio e o seu
fim.
O Símbolo apostólico mostra como a Igreja tenha sempre
querido apresentar o mistério cristão numa síntese vital.
Este Símbolo é a síntese e a chave de leitura de toda a
Escritura e de toda a doutrina da Igreja, que se ordena hierarquicamente em
torno dele. (392)
Os sacramentos são, também estes, um todo orgânico
que, como força regeneradora, nascem do mistério pascal de Jesus
Cristo, formando « um organismo no qual cada um especificamente tem o seu
lugar vital ». (393) A Eucaristia ocupa, neste organismo, um posto único,
para o qual os demais sacramentos são ordenados: ela se apresenta como «
o sacramento dos sacramentos ». (394)
O dúplice mandamento de amor a Deus e ao próximo é,
na mensagem moral, a hierarquia dos valores que o próprio Jesus
estabeleceu: « Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas »
(Mt 22,40). O amor a Deus e o amor ao próximo, que resumem o decálogo,
se vividos no espírito das bem-aventuranças evangélicas,
constituem a Magna Carta da vida cristã que Jesus proclamou no
Sermão da Montanha. (395)
O Pai Nosso, resumindo a essência do Evangelho, sintetiza e
hierarquiza as imensas riquezas de oração contidas na Sagrada
Escritura e em toda a vida da Igreja. Esta oração, proposta aos
discípulos pelo próprio Jesus, deixa transparecer a confiança
filial e os desejos mais profundos com os quais uma pessoa pode dirigir-se a
Deus. (396)
Uma mensagem significativa para a pessoa humana
116. A Palavra de Deus, ao fazer-Se homem, assume a natureza humana no seu
todo, exceto o pecado. Deste modo, Jesus Cristo, que é a «imagem
do Deus invisível » (Col 1,15), é também
homem perfeito. É daí que se compreende que « na realidade, o
mistério do homem só se torna claro verdadeiramente, no mistério
do Verbo encarnado ». (397)
A catequese, ao apresentar a mensagem cristã, não apenas
mostra quem é Deus e qual é o seu desígnio salvífico
mas, como o próprio Jesus fez, revela também plenamente o homem ao
homem, e lhe descobre a sua altíssima vocação. (398) A
Revelação, de fato, « ...não está isolada da
vida, nem justaposta a ela de maneira artificial. Mas diz respeito ao sentido último
da existência, que ela esclarece totalmente, para inspirá-la e para
examiná-la à luz do Evangelho ». (399)
A relação da mensagem cristã com a experiência
humana não é uma simples questão metodológica, mas
germina da própria finalidade da catequese, a qual procura colocar em
comunhão a pessoa humana com Jesus Cristo. Ele, na sua vida terrestre,
viveu plenamente a sua humanidade: « Trabalhou com mãos humanas,
pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração
humano ». (400) Portanto, « Tudo o que Cristo viveu foi para que pudéssemos
vivê-lo n'Ele e para que Ele o vivesse em nós ». (401) A
catequese trabalha por esta identidade de experiência humana entre Jesus
Mestre e discípulo e ensina a pensar como Ele, agir como Ele, amar como
Ele. (402) Viver a comunhão com Cristo é fazer experiência
da vida nova da graça. (403)
117. Por este motivo, eminentemente cristológico, a catequese,
apresentando a mensagem cristã, « deve, portanto, trabalhar para
tornar os homens atentos às suas mais importantes experiências,
tanto pessoais quanto sociais, e deve também esforçar-se por
submeter à luz do Evangelho, as interrogações que nascem de
tais situações, de modo a estimular nos próprios homens, um
justo desejo de transformar a impostação de suas existências
». (404) Neste sentido:
Na primeira evangelização, própria do pré-catecumenato
ou da pré-catequese, catequese o anúncio do Evangelho se fará
sempre em íntima conexão com a natureza humana e as suas aspirações,
mostrando como ele satisfaz plenamente o coração humano. (405)
Na catequese bíblica, se ajudará a interpretar a vida
humana atual, à luz das experiências vividas pelo Povo de Israel,
por Jesus Cristo e pela comunidade eclesial, na qual o Espírito de Cristo
ressuscitado vive e opera continuamente.
Na explicitação do Símbolo, a catequese mostrará
como os grandes temas da fé (criação, pecado original,
Encarnação, Páscoa, Pentecostes, escatologia...) são
sempre fonte de vida e de luz para o ser humano.
A catequese moral, ao apresentar no que consiste a vida digna do
Evangelho (406) e ao promover as bem-aventuranças evangélicas como
espírito que permeia o decálogo, radicar-las-á nas virtudes
humanas, presentes no coração do homem. (407)
Na catequese litúrgica, deverá ser constante a referência
às grandes experiências humanas, representadas pelos sinais e símbolos
da ação litúrgica, a partir da cultura judaica e cristã.
(408)
Princípio metodológico para a apresentação
da mensagem (409)
118. As normas e os critérios apresentados neste capítulo e «
que dizem respeito à apresentação do conteúdo da
catequese, devem estar presentes e ser atuantes nos diversos tipos de catequese:
catequese bíblica e litúrgica, síntese doutrinal,
interpretação das situações concretas da existência
humana, etc... ». (410)
Destes critérios e normas, todavia, não se pode deduzir a
ordem que se deve observar na exposição dos conteúdos. De
fato, « é possível que a situação presente da
catequese ou razões de método ou de pedagogia aconselhem o
predispor a comunicação das riquezas do conteúdo da
catequese de uma determinada maneira em vez de outra ». (411) Pode-se
partir de Deus para chegar a Cristo e vice-versa; da mesma maneira, pode-se
partir do homem para chegar a Deus, e inversamente. A adoção de
uma ordem determinada na apresentação da mensagem, é
condicionada pelas circunstâncias e pela situação de fé
de quem recebe a catequese.
É preciso encontrar o método pedagógico mais apropriado
às circunstâncias que caracterizam a comunidade eclesial ou os
destinatários concretos aos quais se dirige a catequese. Daí a
necessidade de pesquisar cuidadosamente e de encontrar as vias e modos que
melhor respondam às diversas situações.
Cabe aos Bispos, neste campo, oferecer normas mais precisas e aplicá-las
mediante Diretórios Catequéticos, Catecismos para as diversas
idades e condições culturais, e com outros meios considerados mais
oportunos. (412)
II CAPÍTULO
« Esta é a nossa fé, esta é
a fé da igreja »
« Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para
instruir, para refutar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de
que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra » (2 Tm
3,16). « Portanto, irmãos, ficai firmes; guardai as tradições
que vos ensinamos oralmente ou por escrito » (2 Ts 2,15).
119. Este capítulo reflete acerca do conteúdo da catequese tal
como ele é exposto pela Igreja nas sínteses de fé que,
oficialmente, elabora e propõe nos seus catecismos.
A Igreja sempre se valeu de formulações da fé que, em
forma breve, contêm o essencial daquilo que crê e vive: textos
neotestamentários, símbolos ou profissões, fórmulas
litúrgicas, orações eucarísticas. Mais tarde,
considerou-se também conveniente oferecer uma explicitação
mais ampla da fé, na forma de uma síntese orgânica, mediante
os Catecismos que em numerosas Igrejas locais foram elaborados nestes últimos
séculos. Em dois momentos históricos, por ocasião do Concílio
de Trento e nos nossos dias, decidiu-se ser oportuno oferecer uma exposição
orgânica da fé, mediante um Catecismo de caráter universal,
como ponto de referência para a catequese de toda a Igreja. Assim, de
fato, quis proceder João Paulo II, com a promulgação do
Catecismo da Igreja Católica, no dia 11 de outubro de 1992.
O presente capítulo procura situar estes instrumentos oficiais da
Igreja, como o são os catecismos, em relação à
atividade ou à prática catequética.
Em primeiro lugar, refletir-se-á sobre o Catecismo da Igreja Católica,
procurando esclarecer o papel que lhe cabe no conjunto da catequese eclesial.
Depois, analisar-se-á a necessidade dos Catecismos locais, que têm
o objetivo de adaptar o conteúdo da fé às diferentes situações
e culturas e propor-se-á algumas diretrizes para facilitar a elaboração
dos mesmos. A Igreja, ao contemplar a riqueza de conteúdo da fé
exposta nos instrumentos que os próprios Bispos propõem ao Povo de
Deus, e que, como uma « sinfonia » (413) exprimem aquilo que ela crê,
celebra, vive e proclama: « Esta é a nossa fé, esta é
a fé da Igreja ».
O Catecismo da Igreja Católica e o Diretório Geral para a
Catequese
120. O Catecismo da Igreja Católica e o Diretório Geral para a
Catequese são dois instrumentos distintos e complementares, a serviço
da ação catequizadora da Igreja.
O Catecismo da Igreja Católica é « uma exposição
da fé da Igreja e da doutrina católica, atestadas e iluminadas
pelas Sagradas Escrituras, pela Tradição Apostólica e pelo
Magistério da Igreja ». (414)
O Diretório Geral para a Catequese é a proposição
dos « fundamentais princípios teológico-pastorais, inspirados
no Magistério da Igreja e, de modo particular, no Concílio
Vaticano II, aptos a poder orientar a coordenação » (415) da
atividade catequética na Igreja.
Ambos os instrumentos, tomados cada um no seu próprio gênero e
na sua específica autoridade, completam-se mutuamente.
O Catecismo da Igreja Católica é um ato do Magistério
do Papa, com o qual, no nosso tempo, ele sintetiza normativamente, em virtude de
sua autoridade apostólica, a globalidade da fé católica e a
oferece, antes de mais nada, às Igrejas, como ponto de referência
para a exposição autêntica do conteúdo da fé.
O Diretório Geral para a Catequese, por sua vez, tem o valor
que a Santa Sé normalmente atribui a estes instrumentos de orientação,
aprovando-os e confirmando-os. É um subsídio oficial para a
transmissão da mensagem evangélica e para o conjunto do ato catequético.
O caráter de complementaridade de ambos os instrumentos justifica o
fato, como dito no Prefácio, que o presente Diretório
Geral para a Catequese não dedique um capítulo à exposição
dos conteúdos da fé, como foi feito no Diretório de 1971,
sob o título: « Os elementos essenciais da mensagem cristã
». (416) Por este motivo, no que concerne ao conteúdo da
mensagem, o Diretório Geral Catequético remete simplesmente ao
Catecismo da Igreja Católica, do qual pretende ser um instrumento metodológico
para a sua aplicação concreta.
A apresentação do Catecismo da Igreja Católica que se
expõe a seguir, não é elaborada nem para resumir, nem para
justificar tal instrumento do Magistério, mas sim para facilitar uma
melhor compreensão e recepção do mesmo, na prática
catequética.
O Catecismo da Igreja Católica
Finalidade e natureza do Catecismo da Igreja Católica
121. É o próprio Catecismo da Igreja Católica a
indicar, no seu Prefácio, a finalidade que o orienta: « Este
Catecismo tem o objetivo de apresentar uma exposição orgânica
e sintética dos conteúdos essenciais e fundamentais da doutrina
católica, tanto sobre a fé como sobre a moral, à luz do
Concílio Vaticano II e do conjunto da Tradição da Igreja ».
(417)
O Magistério da Igreja, com o Catecismo da Igreja Católica,
quis prestar um serviço eclesial para o nosso tempo, reconhecendo-o:
« instrumento válido e legítimo a serviço
da comunhão eclesial ». (418) Deseja fomentar o vínculo
da unidade, facilitando nos discípulos de Jesus Cristo, « a profissão
de uma única fé, recebida dos Apóstolos »; (419)
« norma segura para o ensinamento da fé ».(420)
Diante do legítimo direito de todo batizado, de conhecer da Igreja o que
ela recebeu e aquilo em que ela crê, o Catecismo da Igreja Católica
oferece uma resposta clara. É, por isso, um referencial obrigatório
para a catequese e para as demais formas de ministério da Palavra;
« ponto de referência para os catecismos ou compêndios
que são preparados nas diversas regiões ». (421) O Catecismo
da Igreja Católica, de fato, « não é destinado a
substituir os catecismos locais », (422) mas sim « a encorajar e
ajudar a redação de novos catecismos locais, que levem em
consideração as diversas situações e culturas, mas
que preservem com cuidado a unidade da fé e a fidelidade à
doutrina católica ». (423)
A natureza ou caráter próprio deste documento do Magistério
consiste no fato que ele se apresenta como síntese orgânica da fé,
de valor universal. Neste aspecto, difere de outros documentos do Magistério,
os quais não pretendem oferecer tal síntese. É diferente,
por outro lado, dos catecismos locais que, embora na comunhão eclesial, são
destinados a servir uma parte determinada do Povo de Deus.
A articulação do Catecismo da Igreja Católica
122. O Catecismo da Igreja Católica se articula em torno a quatro
dimensões fundamentais da vida cristã: a profissão de fé,
a celebração litúrgica, a moral evangélica e a oração.
Estas quatro dimensões nascem de um mesmo núcleo: o mistério
cristão. Este:
« é o objeto da fé (primeira parte);
é celebrado e comunicado nas ações litúrgicas
(segunda parte);
é presente para iluminar e amparar os Filhos de Deus em suas ações
(terceira parte);
é fundamento da nossa oração, cuja expressão
privilegiada é o Pai Nosso, e constitui o objeto da nossa súplica,
do nosso louvor e da nossa intercessão (quarta parte) ».(424)
Esta articulação quadripartita desenvolve os aspectos
essenciais da fé:
crer em Deus criador, Uno e Trino, e no seu desígnio salvífico;
ser santificados por Ele, na vida sacramental;
amá-Lo com todo o coração e amar ao próximo
como a nós mesmos;
rezar, na expectativa da vinda do seu Reino e do encontro face a face
com Ele.
O Catecismo da Igreja Católica se refere, assim, à fé
crida, celebrada, vivida e pregada, e constitui um chamado à educação
cristã integral.
A articulação do Catecismo da Igreja Católica remete à
profunda unidade da vida cristã. Nele se faz explícita a
inter-relação entre « lex orandi », « lex
credendi » e « lex vivendi ». « A liturgia é,
ela própria, oração; a confissão da fé
encontra o seu justo posto na celebração do culto. A graça,
fruto dos sacramentos, é a condição insubstituível
do agir cristão, assim como a participação na liturgia da
Igreja, requer a fé. Se a fé não se realiza nas obras, é
morta e não pode dar frutos de vida eterna ». (425)
Com esta articulação tradicional em torno das quatro colunas
que sustentam a transmissão da fé (símbolo,
sacramentos, decálogo e Pai Nosso), (426) o Catecismo da Igreja Católica
se oferece como referência doutrinal na educação às
quatro tarefas basilares da catequese (427) e para a elaboração
dos Catecismos locais, embora não pretendendo impor, nem àquela
primeira, nem a estes últimos, uma configuração
determinada. O modo mais adequado de ordenar os elementos do conteúdo da
catequese deve responder às respectivas circunstâncias concretas, e
não deve ser estabelecido para toda a Igreja, através do Catecismo
comum. (428) A perfeita fidelidade à doutrina católica é
compatível com uma rica diversidade no modo de apresentá-la.
A inspiração do Catecismo da Igreja Católica: o
cristocentrismo trinitário e a sublimidade da vocação cristã
da pessoa humana
123. O eixo central do Catecismo da Igreja Católica é Jesus
Cristo, « ...o Caminho, a Verdade e a Vida » (Jo 14,6).
O Catecismo da Igreja Católica, centrado em Jesus Cristo, orienta-se
em duas direções: em direção a Deus e em direção
à pessoa humana.
O mistério de Deus, Uno e Trino, e a sua economia salvífica,
inspira e hierarquiza, a partir do seu interior, o Catecismo da Igreja Católica,
no seu conjunto e nas suas partes. A profissão de fé, a liturgia,
a moral evangélica e a oração têm, no Catecismo da
Igreja Católica, uma inspiração trinitária, que
atravessa toda a obra, como fio condutor. (429) Este elemento inspirador central
contribui a dar ao texto um profundo caráter religioso.
O mistério da pessoa humana é apresentado nas páginas
do Catecismo da Igreja Católica, sobretudo em alguns capítulos
particularmente significativos: « O homem é capaz de Deus », «
A criação do homem », « O Filho de Deus se fez homem »,
« A vocação do homem é a vida no Espírito »...
e outros ainda. (430) Esta doutrina, contemplada à luz da natureza humana
de Jesus, homem perfeito, mostra a altíssima vocação e o
ideal de perfeição a que cada pessoa humana é chamada.
Na verdade, toda a doutrina do Catecismo da Igreja Católica pode ser
sintetizada neste pensamento conciliar: « Na mesma revelação
do mistério do Pai e de Seu amor, Cristo manifesta plenamente o homem ao
próprio homem e lhe descobre a sua altíssima vocação
». (431)
O gênero literário do Catecismo da Igreja Católica
124. É importante descobrir o gênero literário do
Catecismo da Igreja Católica, para respeitar a função que a
autoridade da Igreja lhe atribui, no exercício e na renovação
da atividade catequética dos nossos dias.
Os traços principais que definem o gênero literário do
Catecismo da Igreja Católica são:
O Catecismo da Igreja Católica é, antes de mais nada,
um catecismo; ou seja, um texto oficial do Magistério da Igreja que, com
autoridade, reúne, de forma precisa, na forma de síntese orgânica,
os eventos e as verdades salvíficas fundamentais, que exprimem a fécomum
do povo de Deus e constituem a indispensável referência de base
para a catequese.
Pelo fato de ser um catecismo, o Catecismo da Igreja Católica
encerra aquilo que é basilar e comum à vida cristã, sem
apresentar como pertencentes à fé interpretações
particulares, que não são senão hipóteses pessoais
ou opiniões de alguma escola teológica. (432)
O Catecismo da Igreja Católica é, além disso, um
Catecismo de caráter universal, oferecido a toda a Igreja. Nele se
apresenta uma síntese atualizada da fé, que incorpora a doutrina
do Concílio Vaticano II e as interrogações religiosas e
morais da nossa época. Todavia, « pela sua própria
finalidade, este Catecismo não se propõe realizar as adaptações
da exposição e dos métodos catequéticos exigidos
pelas diferenças de culturas, de idades, da vida espiritual, de situações
sociais e eclesiais daqueles a quem a catequese é dirigida. Tais adaptações
indispensáveis adaptações cabem aos catecismos apropriados
e, ainda mais aos que ministram instrução aos fiéis ».
(433)
O « Depósito da fé » e o Catecismo da Igreja Católica
125. O Concílio Vaticano II se propôs como objetivo principal,
o de melhor conservar e apresentar o precioso depósito da doutrina cristã,
para torná-lo mais acessível aos fiéis de Cristo e a todos
os homens de boa vontade.
O conteúdo de tal depósito é a Palavra de Deus,
conservada na Igreja. O Magistério da Igreja, tendo-se proposto a
finalidade de elaborar um texto de referência para o ensinamento da fé,
escolheu deste precioso tesouro coisas novas e coisas antigas, que considerou
mais convenientes para a finalidade prefixada. O Catecismo da Igreja Católica
se apresenta, assim, como um serviço fundamental: favorecer o anúncio
do Evangelho e o ensinamento da fé, que recebem a sua mensagem do depósito
da Tradição e da Sagrada Escritura confiado à Igreja, para
que se realizem com total autenticidade. O Catecismo da Igreja Católica não
é a única fonte da catequese, uma vez que, como ato do Magistério,
não é superior à Palavra de Deus, mas a Ela serve. Todavia,
é um ato particularmente relevante de interpretação autêntica
desta Palavra, em vista do anúncio e da transmissão do Evangelho,
em toda a sua verdade e pureza.
126. À luz desta relação entre Catecismo da Igreja Católica
e o depósito da fé, convém esclarecer duas questões
de vital importância para a catequese:
a relação entre a Sagrada Escritura e o Catecismo da
Igreja Católica, como pontos de referência para o conteúdo
da catequese;
a relação entre a Tradição catequética
dos Padres da Igreja, com a sua riqueza de conteúdos, e de compreensão
do processo catequético, e o Catecismo da Igreja Católica.
A Sagrada Escritura, o Catecismo da Igreja Católica e a catequese
127. A Constituição Dei Verbum, do Concílio
Vaticano II, sublinhou a importância fundamental da Sagrada Escritura na
vida da Igreja. Ela é apresentada, junto com a Sagrada Tradição,
como « regra suprema da fé », já que transmite
imutavelmente « a própria palavra de Deus » e faz «
ressoar nas palavras dos Profetas e dos Apóstolos a voz do Espírito
Santo ». (434) Por isso, a Igreja quer que em todo o ministério da
Palavra, a Sagrada Escritura tenha uma posição proeminente. A
catequese, em síntese, deve ser « uma autêntica introdução
à "lectio divina", isto é, à leitura da
Sagrada Escritura feita "segundo o Espírito" que habita na
Igreja ». (435)
Neste sentido, « falar da Tradição e da Escritura como
fonte da catequese, quer dizer sublinhar que esta última deve embeber-se
e permear-se com o pensamento, com o espírito e com as atitudes bíblicas
e evangélicas, mediante um assíduo contato com tais textos; mas
significa também, recordar que a catequese será tanto mais rica e
eficaz, quanto mais ler os textos com a inteligência e o coração
da Igreja ». (436) Nesta leitura eclesial da Escritura, feita à luz
da Tradição, o Catecismo da Igreja Católica desempenha um
papel muito importante.
128. A Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Católica se
apresentam como dois instrumentos fundamentais para inspirar toda a ação
catequizadora da Igreja no nosso tempo.
A Sagrada Escritura, de fato, como « palavra de Deus escrita sob
a inspiração do Espírito Santo » (437) e o Catecismo
da Igreja Católica, enquanto relevante expressão atual da Tradição
viva da Igreja e norma segura para o ensinamento da fé, são
chamados, cada um a seu próprio modo e segundo a sua específica
autoridade, a fecundar a catequese na Igreja contemporânea.
A catequese transmite o conteúdo da Palavra de Deus, segundo
as duas modalidades com que a Igreja o possui, o interioriza e o vive: como
narração da História da Salvação e como
explicitação do Símbolo da fé. A Sagrada Escritura e
o Catecismo da Igreja Católica devem inspirar tanto a catequese bíblica
quanto a catequese doutrinal, que veiculam este conteúdo da Palavra de
Deus.
No desenvolvimento ordinário da catequese, é importante
que os catecúmenos e os catequizandos possam valer-se tanto da Sagrada
Escritura quanto do Catecismo local. A catequese, enfim, não é senão
a transmissão, vital e significativa, destes « documentos de fé
». (438)
A Tradição catequética dos Santos Padres e o
Catecismo da Igreja Católica
129. No depósito da fé, juntamente com a Escritura,
está contida toda a Tradição da Igreja. « As asserções
dos Santos Padres atestam a vivificante presença desta Tradição,
cujas riquezas se transfundem na praxe e na vida da Igreja crente e orante ».
(439)
Em referência a tanta riqueza doutrinal e pastoral, alguns aspectos
merecem atenção:
A importância decisiva que os Padres atribuem ao catecumenato
batismal na configuração das Igrejas particulares.
A progressiva e gradual concepção da formação
cristã, estruturada em etapas. (440) Os Padres configuram o catecumenato,
inspirando-se na pedagogia divina. No processo catecumenal, o catecúmeno,
como o Povo de Israel, percorre um caminho para chegar à terra prometida:
a identificação batismal com Cristo. (441)
A estruturação do conteúdo da catequese segundo
as etapas daquele processo. Na catequese patrística, a narração
da história da salvação tinha um papel primário. Em
meados do período da Quaresma, se procedia às entregas do Símbolo
e do Pai Nosso e à explicação dos mesmos, com todas
as suas implicações morais. A catequese mistagógica, uma
vez celebrados os sacramentos da iniciação, ajudava a interiorizá-los
e a saboreá-los.
130. O Catecismo da Igreja Católica, por sua vez, leva à
catequese a grande tradição dos catecismos. (442) Da grande
riqueza desta tradição, também aqui cabe sublinhar alguns
aspectos:
A dimensão cognoscitiva ou verídica da fé. Esta
não é somente adesão vital a Deus, mas também
assentimento do intelecto e da vontade à verdade revelada. Os catecismos
recordam constantemente à Igreja, a necessidade de que os fiéis,
ainda que de forma simples, tenham um conhecimento orgânico da fé.
A educação à fé, bem radicada em todas as
suas fontes, abraça diferentes dimensões: uma fé
professada, celebrada, vivida e orada.
A riqueza da tradição patrística e daquela dos
catecismos conflui na atual catequese da Igreja, enriquecendo-a, tanto na suaprópria
concepção, quanto nos seus conteúdos. Recordam à
catequese os sete elementos basilares que a configuram: as três etapas da
narração da história da salvação: o Antigo
Testamento, a vida de Jesus Cristo e a História da Igreja; e as quatro
colunas da exposição: o Símbolo, os Sacramentos, o Decálogo
e o Pai Nosso. Com estas sete pedras fundamentais, base tanto de todo o
processo da catequese de iniciação como do itinerário contínuo
do amadurecimento cristão, podem-se construir edifícios de diversa
arquitetura ou articulação, segundo os destinatários ou as
diferentes situações culturais.
Os Catecismos nas Igrejas locais
Os Catecismos locais: a sua necessidade (443)
131. O Catecismo da Igreja Católica é oferecido a todos os fiéis
e a cada homem que queira conhecer aquilo em que crê a Igreja Católica
(444) e, de maneira toda especial, « é destinado a encorajar e
ajudar a redação de novos Catecismos locais, que levem em
consideração as diversas situações e culturas, mas
que preservem com cuidado a unidade da fé e a fidelidade à
doutrina católica ». (445)
Os Catecismos locais, de fato, elaborados ou aprovados pelos Bispos
diocesanos ou pelas Conferências dos Bispos, (446) são inestimáveis
instrumentos para a catequese « chamada a levar a força do Evangelho
ao coração da cultura e das culturas ». (447) Por esta razão,
João Paulo II dirigiu « um fervoroso encorajamento às Conferências
dos Bispos de todo o mundo: que elas tomem a iniciativa, com paciência mas
ao mesmo tempo com firme resolução, daquele grande trabalho a ser
realizado, de acordo com a Sé Apostólica, qual é o de
preparar verdadeiros catecismos, fiéis aos conteúdos essenciais da
Revelação e atualizados no que se refere ao método, em
condições de educar para uma fé vigorosa, as gerações
cristãs dos tempos novos ». (448)
Por meio dos Catecismos locais, a Igreja atualiza a « pedagogia divina »
(449) que Deus utilizou na Revelação, adaptando a sua linguagem à
nossa natureza, com próvida solicitude. (450) Nos Catecismos locais, a
Igreja comunica o Evangelho de maneira acessível à pessoa humana,
a fim de que esta possa realmente apreendê-lo como Boa Nova de
salvação. Os Catecismos locais se convertem, assim, em expressão
palpável da admirável « condescendência » (451) de
Deus e do seu amor« inefável » (452) pelo mundo.
O gênero literário de um Catecismo local
132. Três são os traços principais que caracterizam todo
catecismo, assumido como próprio por uma Igreja local: o seu caráter
oficial, a síntese orgânica e básica da fé que
apresenta, e o fato de que seja oferecido, juntamente com as Sagradas
Escrituras, como ponto de referência para a catequese:
O Catecismo local, de fato, é texto oficial da Igreja. De
algum modo, ele torna visível a « entrega do Símbolo » e
a « entrega do Pai Nosso » aos catecúmenos e aos batizandos.
Por isso, é a expressão de um ato de tradição.
O caráter oficial do Catecismo local estabelece uma distinção
qualitativa em referência aos outros instrumentos de trabalhos, úteis
na pedagogia catequética (textos didáticos, catecismos não
oficiais, guias para os catequistas...)
Além disso, todo Catecismo é um texto de caráter
sintético e básico, no qual se apresenta, de maneira orgânica
e no respeito pela « hierarquia das verdades », os eventos e as
verdades fundamentais do mistério cristão.
O Catecismo local apresenta, na sua organicidade, « um conjunto
dos documentos da Revelação e da tradição cristã,
(1)que são oferecidos na rica diversidade de « linguagens » em
que se exprime a Palavra de Deus.
O Catecismo local se oferece, enfim, como ponto de referência que
inspira a catequese. A Sagrada Escritura e o Catecismo são os dois
documentos doutrinais de base no processo de catequização, a serem
mantidos sempre à mão. Embora sendo, tanto um quanto outro,
instrumentos de primária importância, não são,
todavia, os únicos: são necessários, de fato, outros
instrumentos de trabalho mais imediatos. (2) Por isso, é legítimo
perguntar-se se um Catecismo oficial deva conter elementos pedagógicos
ou, ao contrário, deva limitar-se a ser apenas uma síntese
doutrinal, oferecendo somente as fontes.
Em todo caso, sendo o Catecismo um instrumento para o ato catequético,
que é ato de comunicação, responde sempre a uma certa
inspiração pedagógica e deve sempre fazer transparecer, nos
limites do seu gênero, a pedagogia divina.
As questões mais claramente metodológicas são,
ordinariamente, mais consoantes a outros instrumentos.
Os aspectos da adaptação num Catecismo local (3)
133. O Catecismo da Igreja Católica indica quais são os
aspectos que devem ser levados em consideração no momento de
adaptar ou contextualizar a síntese orgânica da fé, que todo
Catecismo local deve oferecer. Esta síntese da fé deve realizar as
adaptações que são exigidas « pelas diferenças
de culturas, de idades, da vida espiritual, de situações sociais e
eclesiais daqueles a quem a catequese é dirigida ».(4) Também
o Concílio Vaticano II afirma com ênfase a necessidade de adaptar a
mensagem evangélica: « Esta maneira apropriada de proclamar a
palavra revelada deve permanecer como lei de toda a evangelização ».(5)
Por isso:
Um Catecismo local deve apresentar a síntese da fé em
referência à cultura concreta em que se encontram os catecúmenos
e os catequizandos. Incorporará, portanto, todas aquelas « expressões
originais de vida, de celebração e de pensamento que são
cristãos » (6) e que nasceram da própria tradição
cultural e são fruto do trabalho e da inculturação da
Igreja local.
Um Catecismo local, « fiel à mensagem e fiel à
pessoa humana »,(7) apresenta o mistério cristão de modo
significativo e próximo à psicologia e à mentalidade da
idade do destinatário concreto e, conseqüentemente, em clara referência
às experiências fundamentais da sua vida.(8)
É preciso cuidar de modo especial a forma concreta de viver o
fato religioso numa determinada sociedade. Não é a mesma coisa
fazer um Catecismo para um ambiente caracterizado pela indiferença
religiosa, e fazê-lo para outro, cujo contexto é profundamente
religioso.(9) A relação « fé-ciência » deve
ser tratada com muito cuidado em cada Catecismo.
A problemática social circunstante, ao menos no que diz
respeito aos elementos estruturais mais profundos (econômicos, políticos,
familiares...) é um fator muito importante para contextualizar o
Catecismo. Inspirando-se na doutrina social da Igreja, o Catecismo saberá
oferecer critérios, motivações e linhas de ação
que iluminem a presença cristã em meio a tal problemática.(10)
Finalmente, a situação eclesial concreta, que a Igreja
particular vive, é sobretudo o contexto obrigatório ao qual o
Catecismo deve referir-se. Obviamente, não as situações
conjunturais, às quais se provê mediante outros documentos
magisteriais, mas sim a situação permanente, que postula uma
evangelização com acentos mais específicos e
determinados.(11)
A criatividade das Igrejas locais em relação à
elaboração dos Catecismos
134. As Igrejas locais, na tarefa de adaptar, contextualizar e inculturar a
mensagem evangélica às diferentes idades, situações
e culturas, por meio dos Catecismos, necessitam de uma criatividade segura e
madura. Do depositum fidei confiado à Igreja, as Igrejas locais
devem selecionar, estruturar e exprimir, sob a orientação do Espírito
Santo, Mestre interior, todos aqueles elementos com que transmitir o Evangelho,
na sua completa autenticidade, numa determinada situação.
Nesta árdua tarefa, o Catecismo da Igreja Católica é «
ponto de referência » para garantir a unidade da fé. O
presente Diretório Geral para a Catequese, por sua vez, oferece os critérios
basilares que devem orientar a apresentação da mensagem cristã.
135. Na elaboração dos Catecismos locais, é conveniente
recordar o seguinte:
Trata-se, antes de mais nada, de elaborar verdadeiros Catecismos
adaptados e inculturados. Neste sentido, é conveniente distinguir entre
um Catecismo que adapta a mensagem cristã às diferentes idades,
situações e culturas, e o que é uma mera síntese do
Catecismo da Igreja Católica, como instrumento de introdução
ao estudo do mesmo. São dois gêneros diferentes.(12)
Os Catecismos locais podem ter caráter diocesano, regional ou
nacional.(13)
Em relação à estruturação dos
conteúdos, os diversos Episcopados publicam, de fato, Catecismos com
diversas articulações ou configurações. Como já
foi dito, o Catecismo da Igreja Católica foi proposto como referência
doutrinal, mas não se quer, com ele, impor a toda a Igreja uma
determinada configuração de Catecismo. Assim, existem Catecismos
com uma configuração trinitária, outros são
estruturados segundo as etapas da salvação, outros segundo um tema
bíblico e teológico de grande densidade (Aliança, Reino
de Deus, etc.), outros segundo a dimensão da fé, e outros,
ainda, seguindo o ano litúrgico.
Quanto à maneira de exprimir a mensagem evangélica, a
criatividade de um Catecismo incide também sobre a própria formulação
do conteúdo.(14) Evidentemente, um Catecismo deve permanecer fiel ao depósito
da fé, no seu método de exprimir a substância doutrinal da
mensagem cristã. « As Igrejas particulares profundamente amalgamadas
não apenas com as pessoas, mas também com as aspirações,
as riquezas e os limites, os modos de rezar, de amar e de considerar a vida e o
mundo, que distinguem um determinado ambiente humano, têm a tarefa de
assimilar a essencial mensagem evangélica, de transfundi-la sem a mínima
alteração da sua verdade fundamental, na linguagem compreendida
por estes homens e, a seguir, de anunciá-lo na mesma linguagem ».(15)
O princípio a seguir, nesta delicada tarefa, é o que ensina o
Concílio Vaticano II: « descobrir a maneira mais apropriada de
comunicar a doutrina aos homens de seu tempo, porque uma coisa é o próprio
depósito da fé ou as verdades, e outra é o modo de enunciá-las,
conservando-se contudo o mesmo sentido e o mesmo significado ».(16)
O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais: a sinfonia
da fé
136. O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais,
naturalmente com a específica autoridade de cada um, formam uma unidade.
São a expressão concreta da « unidade na mesma fé
apostólica »(17) e, ao mesmo tempo, da rica diversidade de formulação
da mesma fé.
O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais, juntos, a
quem contempla a sua harmonia, exprimem a « sinfonia » da fé:
antes de mais nada, uma sinfonia interna ao próprio Catecismo da Igreja
Católica, elaborado com a colaboração de todo o Episcopado
da Igreja Católica; e uma sinfonia dele derivada e expressa nos
Catecismos locais. Esta « sinfonia », este « coro de vozes da
Igreja Universal » (18) manifestada nos Catecismos locais, fiéis ao
Catecismo da Igreja Católica, tem um significado teológico
importante:
Manifesta, antes de mais nada, a catolicidade da Igreja. As riquezas
culturais dos povos se incorporam na expressão da fé da única
Igreja.
O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais
manifestam também a comunhão eclesial da qual a « profissão
da mesma fé » (19) é um dos vínculos visíveis.
As Igrejas particulares, « nas quais e pelas quais existe a Igreja Católica
una e única », (20) formam com o todo, com a Igreja universal, «
uma peculiar relação de mútua interiorização ».
(21) A unidade entre o Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos
locais torna visível esta comunhão.
O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais
exprimem, igualmente, de maneira evidente, a realidade da colegialidade
episcopal. Os Bispos, cada qual na sua diocese e juntos como colégio, em
comunhão com o Sucessor de Pedro, têm a máxima
responsabilidade pela catequese na Igreja.(22)
O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais, por sua
profunda unidade e rica diversidade, são chamados a ser o fermento
renovador da catequese na Igreja. Ao contemplá-los com olhar católico
e universal, a Igreja, isto é, toda a comunidade dos discípulos de
Cristo, poderá dizer verdadeiramente: « Esta é a nossa fé,
esta é a fé da Igreja ».
III PARTE
A PEDAGOGIA DA FÉ
A Pedagogia da fé
« Fui eu, contudo, quem ensinou Efraim a caminhar, eu os tomei em
meus braços... Com vínculos humanos eu os atraía, com laços
de amor eu era para eles como os que levantam uma criancinha contra o seu rosto,
eu me inclinava para ele e o alimentava » (Os 11,3-4). « Quando
ficaram sozinhos, os que estavam junto dele com os Doze o interrogaram sobre as
parábolas. Dizia-lhes: « A vós foi dado o mistério do
Reino de Deus... » « ...A seus discípulos, porém,
explicava tudo em particular » (Mc 4,10.34).
« Só tendes um Mestre, o Cristo » (Mt 23,10)
137. Jesus cuidou atentamente da formação dos discípulos
que enviou em missão. Propôs-Se a eles como único Mestre e,
ao mesmo tempo, amigo paciente e fiel, (23) exerceu um real ensinamento mediante
toda a sua vida, (24) estimulando-os com oportunas perguntas, (25) explicou-lhes
de maneira aprofundada aquilo que anunciava à multidão, (26)
introduziu-os na oração, (27) mandou-os fazer um tirocínio
missionário, (28) primeiro prometeu e depois enviou o Espírito de
seu Pai, para que os guiasse à verdade na sua totalidade, (29) e os
amparou nos inevitáveis momentos difíceis. (30) Jesus Cristo é
o « Mestre que revela Deus aos homens e revela o homem a si mesmo; o Mestre
que salva, santifica e guia, que está vivo, fala, desperta, comove,
corrige, julga, perdoa e marcha todos os dias conosco, pelos caminhos da história;
o Mestre que vem e que há-de vir na glória ». (31) Em Jesus
Senhor e Mestre, a Igreja encontra a graça transcendente, a inspiração
permanente, o modelo convincente para toda comunicação da fé.
Significado e finalidade desta parte
138. Na escola de Jesus Mestre, o catequista une estreitamente a sua ação
de pessoa responsável, com a ação misteriosa da graça
de Deus. A catequese é, por isso, exercício de uma «
pedagogia original da fé ».(32)
A transmissão do Evangelho através da Igreja é, antes
de mais nada e sempre, obra do Espírito Santo, e tem na revelação,
o testemunho e a norma fundamental (Capítulo I).
Mas o Espírito se vale de pessoas que recebem a missão do anúncio
evangélico e cujas competências e experiências humanas entram
na pedagogia da fé.
Daí nasce um conjunto de questões amplamente tocadas, na história
da catequese, no que diz respeito ao ato catequético, às fontes,
aos métodos, aos destinatários e ao processo de inculturação.
No segundo capítulo, não se pretende apresentar uma abordagem
exaustiva, mas sim expor somente aqueles pontos que hoje se mostram como de
particular importância para toda a Igreja. Caberá aos vários
diretórios e aos outros instrumentos de trabalho das Igrejas
particulares, afrontar os problemas específicos, de maneira apropriada.
I CAPÍTULO
A pedagogia de Deus, fonte e modelo da pedagogia da
fé (33)
A pedagogia de Deus
139. « Deus vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem
seu pai não corrige? » (Hb 12,7). A salvação
da pessoa, que é o fim da revelação, se manifesta como
fruto também de uma original e eficaz « pedagogia de Deus » ao
longo da história. Analogicamente ao uso humano e segundo as categorias
culturais do tempo, Deus, na Escritura, é visto como um pai
misericordioso, um mestre, um sábio(34) que assume a pessoa, indivíduo
e comunidade, na condição em que se encontra, livra-a dos laços
com o mal, a atrai a Si com vínculos de amor, faz com que ela cresça
progressiva e pacientemente até à maturidade de filho livre, fiel
e obediente à sua palavra. Com este objetivo, como educador genial e
providente, Deus transforma os acontecimentos da vida do seu povo em lições
de sabedoria, (35) adaptando-Se às diversas idades e situações
de vida. A este Povo, confia palavras de instrução e catequese que
são transmitidas de geração em geração, (36)
adverte com a recordação do prêmio e do castigo, torna
formativas as próprias provas e sofrimentos. (37) Verdadeiramente, fazer
encontrar uma pessoa com Deus, que é tarefa do catequista, significa
colocar no centro e fazer própria, a relação que Deus tem
com a pessoa e deixar-se guiar por Ele.
A pedagogia de Cristo
140. Vinda a plenitude dos tempos, Deus mandou à humanidade Seu
Filho, Jesus Cristo. Ele trouxe ao mundo o supremo dom da salvação,
realizando a sua missão de redentor, no âmbito de um processo que
continuava a « pedagogia de Deus » com a perfeição e a
eficácia intrínsecas à novidade de sua pessoa. Das suas
palavras, sinais e obras, ao longo de toda a sua breve mas intensa vida, os discípulos
fizeram experiência direta das diretrizes fundamentais da « pedagogia
de Jesus », indicando-as, depois, nos Evangelhos: o acolhimento do outro,
em particular do pobre, da criança, do pecador, como pessoa amada e
querida por Deus; o anúncio genuíno do Reino de Deus como boa nova
da verdade e da consolação do Pai; um estilo de amor delicado e
forte, que livra do mal e promove a vida; o convite premente a uma conduta
amparada pela fé em Deus, pela esperança no reino e pela caridade
para com o próximo; o emprego de todos os recursos da comunicação
interpessoal tais como a palavra, o silêncio, a metáfora, a imagem,
o exemplo e tantos sinais diversos, como o faziam os profetas bíblicos.
Convidando os discípulos a segui-Lo totalmente e sem nostalgias, (38)
Cristo entrega-lhes a sua pedagogia da fé como plena compartilha da sua
causa e do seu destino.
A pedagogia da Igreja
141. Desde o princípio, a Igreja, que « é em Cristo como
que um sacramento », (39) tem vivido a sua missão como
prosseguimento visível e atual da pedagogia do Pai e do Filho. Ela, «
sendo nossa Mãe, é também educadora da nossa fé ».(40)
São estas as razões profundas, pelas quais a comunidade cristã
é, em si mesma, uma catequese viva. Por aquilo que é, anuncia e
celebra, opera e permanece sempre o lugar vital, indispensável e primário
da catequese.
A Igreja produziu, ao longo dos séculos, um incomparável
tesouro de pedagogia da fé: antes de mais nada, o testemunho de
catequistas e de santos. Uma variedade de vias e formas originais de comunicação
religiosa, como o catecumenato, os catecismos, os itinerários de vida
cristã; um precioso patrimônio de ensinamentos catequéticos,
de cultura da fé, de instituições e de serviços da
catequese. Todos estes aspectos fazem a história da catequese e entram, a
pleno título, na memória da comunidade e na praxe do catequista.
A pedagogia divina, ação do Espírito Santo em todo
cristão
142. « Feliz o homem a quem corriges, Iahweh, e a quem ensinas por
meio de tua lei » (Sl 94,12). Na escola da Palavra de Deus
acolhida na Igreja, graças ao dom do Espírito Santo enviado por
Cristo, o discípulo cresce como o seu Mestre, « em sabedoria, em
estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens » (Lc
2,52) e é ajudado a desenvolver em si a « educação
divina » recebida, mediante a catequese e os recursos da ciência e da
experiência. (41) Deste modo, conhecendo sempre mais o mistério da
salvação, aprendendo a adorar a Deus Pai e « vivendo na
verdade segundo a caridade », procura crescer « em tudo em direção
àquele que é a cabeça, Cristo » (Ef 4,15).
A pedagogia de Deus pode-se dizer realizada quando o discípulo atinge
« o estado de Homem Perfeito, à medida da estatura da plenitude de
Cristo » (Ef 4,13). Por isso, não se pode ser mestres e
pedagogos da fé alheia, se não se é discípulo
convicto e fiel a Cristo na Sua Igreja.
Pedagogia divina e catequese
143. A catequese, enquanto comunicação da divina revelação,
inspira-se radicalmente na pedagogia de Deus como se desvela em Cristo e na
Igreja, acolhe os seus parâmetros constitutivos e, sob a guia do Espírito
Santo, faz uma sábia síntese da mesma, favorecendo assim, uma
verdadeira experiência de fé, um encontro filial com Deus. Deste
modo, a catequese:
é uma pedagogia que se insere no « diálogo de
salvação » entre Deus e a pessoa e, além de servir a
este diálogo, ressalta devidamente a destinação universal
de tal salvação; no que diz respeito a Deus, sublinha a iniciativa
divina, a motivação amorosa, a gratuidade, o respeito pela
liberdade; no que diz respeito ao homem, evidencia a dignidade do dom recebido e
a exigência de crescer continuamente neste; (42)
aceita o princípio da progressividade da Revelação,
a transcendência e a conotação misteriosa da Palavra de
Deus, assim como também a sua adaptação às diversas
pessoas e culturas;
reconhece a centralidade de Jesus Cristo, Palavra de Deus feita
homem, que determina a catequese como « pedagogia da encarnação
», razão pela qual o Evangelho deve ser proposto sempre para a vida
e na vida das pessoas;
valoriza a experiência comunitária da fé, própria
do Povo de Deus, da Igreja;
radica-se na relação interpessoal e faz próprio
o processo de diálogo;
faz-se pedagogia de sinais, onde se entrelaçam fatos e
palavras, ensinamento e experiência; (43)
sendo o amor de Deus a razão última da sua revelação,
é do inexaurível amor divino, que é o Espírito
Santo, que a catequese recebe a sua força de verdade e o constante
empenho de dar testemunho do mesmo. (44)
A catequese configura-se assim, como processo, itinerário ou caminho
na seqüela do Cristo do Evangelho, no Espírito, rumo ao Pai, caminho
este empreendido para alcançar a maturidade da fé « pela
medida do dom de Cristo » (Ef 4,7) e as possibilidades e as
necessidades de cada um.
Pedagogia original da fé (45)
144. A catequese, que é portanto pedagogia da fé em ato, ao
realizar as suas tarefas, não pode deixar-se inspirar por considerações
ideológicas, ou por interesses puramente humanos, (46) não
confunde o agir salvífico de Deus, que é pura graça, com o
agir pedagógico do homem, nem tampouco os contrapõe e separa. É
o diálogo que Deus vai tecendo amorosamente com cada pessoa, que se torna
sua inspiração e sua norma; dele, a catequese se torna « eco »
incansável, buscando continuamente o diálogo com as pessoas,
segundo as grandes indicações oferecidas pelo Magistério da
Igreja. (47)
Objetivos precisos que inspiram as suas escolhas metodológicas são:
promover uma progressiva e coerente síntese entre a plena adesão
do homem a Deus (fides qua) e os conteúdos da mensagem cristã
(fides quae);
desenvolver todas as dimensões da fé, razão pela
qual esta se traduz em fé conhecida, celebrada. vivida e rezada; (48)
impulsionar a pessoa a se entregar « livre e totalmente a Deus »:
(49) inteligência, vontade, coração, memória;
ajudar a pessoa a distinguir a vocação à qual o
Senhor a chama.
A catequese realiza assim, uma obra de iniciação, de educação
e de ensinamento ao mesmo tempo.
Fidelidade a Deus e fidelidade à pessoa (50)
145. Jesus Cristo é a viva e perfeita relação de Deus
com o homem e do homem com Deus. D'Ele, a pedagogia da fé recebe uma «
lei que é fundamental para toda a vida da Igreja » e, portanto, da
catequese: « a lei da fidelidade a Deus e da fidelidade ao homem, numa única
atitude de amor ». (51)
Será, portanto, genuína, aquela catequese que ajudar a
perceber a ação de Deus ao longo do caminho formativo, favorecendo
um clima de escuta, de ação de graças e de oração
(52) e, ao mesmo tempo, visar a livre resposta das pessoas, promovendo a
participação ativa dos catequizandos.
A « condescendência de Deus »,(53) escola para a
pessoa
146. Querendo falar aos homens como a amigos, (54) Deus manifesta a sua
pedagogia, de modo particular, adaptando com solícita providência,
a sua Palavra à nossa condição terrena. (55)
Isso comporta, para a catequese, a tarefa jamais concluída de
encontrar uma linguagem capaz de comunicar a palavra de Deus e o Credo da
Igreja, que é o seu desenvolvimento, nas variadas condições
dos ouvintes, (56) mantendo, ao mesmo tempo, a certeza de que, por graça
de Deus, isso pode ser feito, e que o Espírito Santo dá a alegria
de fazê-lo.
Por isso, indicações pedagógicas adequadas à
catequese são aquelas que permitem comunicar a totalidade da Palavra de
Deus no coração da existência das pessoas. (57)
Evangelizar educando e educar evangelizando (58)
147. Inspirando-se continuamente na pedagogia da fé, o catequista
configura o seu serviço como qualificado caminho educativo, ou seja, de
um lado ajuda a pessoa a se abrir à dimensão religiosa da vida, e,
por outro lado, propõe o Evangelho a essa mesma pessoa, de tal maneira
que ele penetre e transforme os processos de inteligência, de consciência,
de liberdade e de ação, de modo a fazer da existência um dom
de si a exemplo de Jesus Cristo.
Com este objetivo, o catequista conhece e se vale da contribuição
das ciências da educação, cristãmente compreendidas.
II CAPÍTULO
Elementos de metodologia
A diversidade de métodos na catequese (59)
148. Na transmissão da fé, a Igreja não possui um método
próprio, nem um método único, mas sim, à luz da
pedagogia de Deus, discerne os métodos do tempo, assume com liberdade de
espírito « tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável,
honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor » (Fl
4,8), em síntese, todos os elementos que não estão em
contraste com o Evangelho, e os coloca a serviço deste. Admirável
confirmação disso encontra-se na história da Igreja, onde
tantos carismas de serviço da Palavra geraram variados percursos metodológicos.
Desta forma, « a variedade dos métodos é um sinal de vida e
uma riqueza », e, ao mesmo tempo, uma demonstração de
respeito pelos destinatários. Tal variedade é exigida pela «
idade e pelo desenvolvimento intelectual dos cristãos, pelo seu grau de
maturidade eclesial e espiritual e por muitas outras circunstâncias
pessoais ». (60)
A metodologia catequética tem como objetivo unitário, a educação
para a fé; vale-se das ciências pedagógicas e da comunicação,
aplicadas à catequese; leva em consideração as numerosas e
notáveis aquisições da catequética contemporânea.
A relação conteúdo-método na catequese
(61)
149. O princípio da « fidelidade a Deus e fidelidade ao homem »
leva a evitar toda contraposição ou separação
artificial, ou ainda presumível neutralidade entre método e conteúdo,
afirmando, pelo contrário, a sua necessária correlação
e interação. O catequista reconhece que o método está
a serviço da revelação e da conversão (62) e,
portanto, é necessário valer-se dele. Por outro lado, o catequista
sabe que o conteúdo da catequese não é indiferente a
qualquer método, mas sim exige um processo de transmissão adequado
à natureza da mensagem, às suas fontes e linguagens, às
concretas circunstâncias da comunidade eclesial, à condição
de cada um dos fiéis aos quais a catequese se dirige.
Pela intrínseca importância tanto na tradição
quanto na atualidade catequética, merecem ser recordados os métodos
de aproximação à Bíblia, (63) o método ou «
pedagogia do documento », do Símbolo em particular, uma vez que «
a catequese é transmissão dos documentos da fé », (64)
o método dos sinais litúrgicos e eclesiais, o método próprio
dos meios de comunicação. Um bom método catequético é
garantia de fidelidade ao conteúdo.
Método indutivo e dedutivo (65)
150. A comunicação da fé na catequese é um
evento de graça, realizado pelo encontro da Palavra de Deus com a experiência
da pessoa, se exprime através de sinais sensíveis e, finalmente,
abre ao mistério. Pode realizar-se por vias diversas, nem sempre
completamente conhecidas por nós.
De acordo com a história da catequese, hoje se fala comumente de via
indutiva e dedutiva. O método indutivo consiste na apresentação
de fatos (eventos bíblicos, atos litúrgicos, eventos da vida da
Igreja e da vida cotidiana...) com o objetivo de discernir o significado que
eles podem ter na revelação divina. É uma via que oferece
grandes vantagens, porque é conforme à economia da revelação;
corresponde a uma profunda instância do espírito humano, de chegar
ao conhecimento das coisas inteligíveis através das coisas visíveis;
e é, também, conforme às características do
conhecimento da fé, que é conhecimento através dos sinais.
O método indutivo não exclui, antes pelo contrário,
exige o método dedutivo, que explica e descreve os fatos, a partir de
suas causas. Mas a síntese dedutiva terá pleno valor somente
quando tiver sido realizado o processo indutivo. (66)
151. Outro é o sentido a ser dado, quando nos referimos aos percursos
operativos: um é chamado também « kerigmático »
(ou descendente), quando parte do anúncio da mensagem, expressa
nos principais documentos da fé (Bíblia, liturgia, doutrina...), e
a aplica à vida; o outro, chamado « existencial » (ou ascendente),
quando se move a partir de problemas e situações humanas e os
ilumina com a luz da Palavra de Deus. De per si, são processos legítimos,
se forem respeitadas todas as regras do jogo, o mistério da graça
e o dado humano, a compreensão da fé e o processo de
racionalidade.
A experiência humana na catequese (67)
152. A experiência desempenha diversas funções na
catequese, razão pela qual deve ser continuamente e devidamente
valorizada.
a) Faz nascer no homem interesses, interrogações,
esperanças e ansiedade, reflexões e julgamentos que confluem num
certo desejo de transformar a existência. A tarefa da catequese é
tornar as pessoas atentas às suas mais importantes experiências,
ajudá-las a julgar, à luz do Evangelho, as questões e
necessidades que nascem dessas experiências, educá-las a uma nova
impostação da vida. Desse modo, a pessoa será capaz de
comportar-se de modo ativo e responsável diante do dom de Deus.
b) A experiência favorece a inteligibilidade da mensagem cristã.
Isso bem corresponde ao modo de agir de Jesus, que se serviu de experiências
e situações humanas para mostrar realidades escatológicas e
transcendentes e, ao mesmo tempo, ensinar a atitude a ser assumida diante dessas
realidades. Sob este aspecto, a experiência é mediação
necessária para explorar e assimilar as verdades que constituem o conteúdo
objetivo da revelação.
c) As funções agora expostas ensinam que a experiência
assumida pela fé torna-se, de certo modo, âmbito de manifestação
e de realização da salvação, onde Deus,
coerentemente com a pedagogia da encarnação, alcança o
homem com a sua graça e o salva. O catequista deve ajudar a pessoa a ler
nesta ótica a própria vivência, para descobrir o convite do
Espírito Santo à conversão, ao compromisso, à
esperança, e assim descobrir sempre mais o projeto de Deus na própria
vida.
153. Iluminar e interpretar a experiência com o dado da fé
torna-se uma tarefa estável da pedagogia catequética, não
isenta de dificuldades, mas que não pode ser transcurada, sob pena de se
cair em justaposições artificiais ou em compreensões
integristas da verdade.
Isso se torna possível a partir de uma correta aplicação
da correlação ou interação entre experiências
humanas profundas (68) e a mensagem revelada. É o que amplamente nos
testemunham o anúncio dos profetas, a pregação de Cristo e
o ensinamento dos Apóstolos que, por isso, constituem o critério
que alicerça e regulamenta cada encontro entre fé e experiência
humana no tempo da Igreja.
A memorização na catequese (69)
154. A catequese faz parte daquela « Memória » da Igreja,
que mantém viva entre nós a presença do Senhor. (70) O
exercício da memória constitui, portanto, um aspecto constitutivo
da pedagogia da fé, desde os primórdios do cristianismo. Para
superar os riscos de uma memorização mecânica, a
aprendizagem mnemônica deve inserir-se harmoniosamente entre as diversas
funções de aprendizagem, tais como a reação espontânea
e a reflexão, o momento do diálogo e do silêncio, a relação
oral e o trabalho escrito.(71)
Em particular, como objeto de memorização, devem ser
oportunamente consideradas as principais fórmulas da fé, porque
asseguram uma mais precisa exposição da mesma e garantem um
precioso patrimônio comum doutrinal, cultural e lingüístico. O
domínio seguro da linguagem da fé é condição
indispensável para viver essa mesma fé.
É preciso, porém, que tais fórmulas sejam propostas
como síntese, após um prévio caminho de explicação,
que sejam fiéis à mensagem cristã. Aqui se situam algumas fórmulas
maiores e textos da Bíblia, do dogma, da liturgia, as orações
bem conhecidas pela tradição cristã (Símbolo
Apostólico, Pai Nosso, Ave Maria...).(72)
« As flores da fé e da piedade, se assim se pode dizer, não
nascem nas zonas desertas de uma catequese sem memória. O essencial é
que estes textos memorizados sejam, ao mesmo tempo, interiorizados, e
compreendidos pouco a pouco na sua profundidade, para se tornarem fonte de vida
cristã pessoal e comunitária ». (73)
155. Ainda mais profundamente, a aprendizagem das fórmulas da fé
e a sua profissão crente devem ser compreendidas no curso do tradicional
e profícuo exercício da « traditio » e «redditio
», pelo qual à entrega da fé na catequese (traditio)
corresponde a resposta do destinatário da catequese, ao longo do caminho
catequético e, depois, na vida (redditio). (74)
Este processo favorece uma melhor participação na verdade
recebida. É correta e madura aquela resposta pessoal que respeita
plenamente o sentido genuíno do dado de fé, e mostra compreender a
linguagem usada para expressá-lo (bíblica, litúrgica,
doutrinal...).
Papel do catequista (75)
156. Nenhuma metodologia, por quanto possa ser experimentada, dispensa a
pessoa do catequista em cada uma das fases do processo de catequese.
O carisma que lhe é dado pelo Espírito, uma sólida
espiritualidade e um transparente testemunho de vida constituem a alma de todo método,
e somente as próprias qualidades humanas e cristãs garantem o bom
uso dos textos e de outros instrumentos de trabalho.
O catequista é, intrinsecamente, um mediador que facilita a comunicação
entre as pessoas e o mistério de Deus, e dos sujeitos entre si e com a
comunidade. Por isso, deve empenhar-se a fim de que a sua visão cultural,
condição social e estilo de vida não representem um obstáculo
ao caminho da fé, criando sobretudo as condições mais
apropriadas para que a mensagem cristã seja buscada, acolhida e
aprofundada.
O catequista não esquece que a adesão crente das pessoas é
fruto da graça e da liberdade e, portanto, faz com que sua atividade seja
sempre amparada pela fé no Espírito Santo e pela oração.
Enfim, de substancial importância é a relação
pessoal do catequista com o destinatário da catequese. Tal relação
se nutre de paixão educativa, de engenhosa criatividade, de adaptação
e, ao mesmo tempo, de máximo respeito pela liberdade e amadurecimento da
pessoa.
Em razão do seu sábio acompanhamento, o catequista realiza um
dos mais preciosos serviços da ação catequética:
ajuda os destinatários da catequese a distinguirem a vocação
para a qual Deus os chama.
A atividade e criatividade dos catequizados (76)
157. A participação ativa daqueles que são
catequizados, no seu próprio processo formativo, é plenamente
conforme, não apenas à genuína comunicação
humana, mas especificamente à economia da revelação e da
salvação. De fato, no estado ordinário da vida cristã,
os crentes são chamados a responder ativamente ao dom de Deus,
individualmente e em grupo, através da oração, da participação
nos sacramentos e nas demais ações litúrgicas, no empenho
eclesial e social, no exercício da caridade, da promoção
dos grandes valores humanos, tais como a liberdade, a justiça, a paz e a
salvaguarda da criação.
Na catequese, portanto, os destinatários da catequese assumem o
empenho de exercitar-se na atividade da fé, da esperança e da
caridade, de adquirir a capacidade e retidão de julgamento, de reforçar
a decisão pessoal de conversão e de prática cristã
da vida.
Os próprios destinatários da catequese, sobretudo quando se
trata de adultos, podem contribuir eficazmente para o desenvolvimento da
catequese, indicando as vias mais eficazes de compreensão e expressão
da mensagem, tais como: « o aprender fazendo », o emprego da pesquisa
e do diálogo, o intercâmbio e o confronto de pontos de vista.
Comunidade, pessoa e catequese (77)
158. A pedagogia catequética torna-se eficaz, à medida que a
comunidade cristã se torna referência concreta e exemplar para o
caminho de fé dos indivíduos. Isso ocorre se a comunidade se propõe
como fonte, lugar e meta da catequese. Concretamente, então, a comunidade
se torna lugar visível de testemunho de fé, provê à
formação de seus membros, acolhe-os como família de Deus,
constituindo-se ambiente vital e permanente de crescimento da fé. (78)
Junto ao anúncio do Evangelho de forma pública e coletiva,
permanece sempre indispensável o contato de pessoa a pessoa, a exemplo de
Jesus e dos Apóstolos. De tal maneira, é mais facilmente envolvida
a consciência pessoal, e o dom da fé, como é próprio
da ação do Espírito Santo, chega ao sujeito de pessoa a
pessoa, e a força de persuasão se faz mais incisiva. (79)
A importância do grupo (80)
159. O grupo tem uma importante função nos processos de
desenvolvimento das pessoas. Isto vale também tanto para a catequese das
crianças, favorecendo a boa socialização das mesmas, quanto
para a catequese dos jovens, para os quais o grupo constitui quase uma
necessidade vital na formação da sua personalidade, e até
mesmo para os adultos entre os quais se promove um estilo de diálogo, de
compartilha e de co-responsabilidade cristã.
O catequista, que participa da vida do grupo e sente e valoriza a sua dinâmica,
reconhece e atua, como sua tarefa primária e específica, a de ser,
em nome da Igreja, testemunha ativa do Evangelho, capaz de participar aos outros
os frutos da sua fé madura e de estimular, com inteligência, a
busca comum.
Além de ser um fator didático, o grupo cristão é
chamado a ser experiência de comunidade e forma de participação
à vida eclesial, encontrando na mais ampla comunidade eucarística,
a sua meta e a sua plena manifestação. Jesus disse: « Onde
dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles »
(Mt 18,20).
A comunicação social (81)
160. « O primeiro areópago dos tempos modernos é o mundo
das comunicações que está unificando a humanidade... Os
meios de comunicação social alcançaram tamanha importância
que são para muitos o principal instrumento de informação e
formação, de guia e inspiração dos comportamentos
individuais, familiares e sociais ». (82) Por isso, além dos
numerosos meios tradicionais em uso, « a utilização dos meios
de comunicação social tornou-se essencial à evangelização
e à catequese ».(83) De fato, « a Igreja viria a sentir-se culpável
diante do seu Senhor, se ela não lançasse mão destes meios
potentes que a inteligência humana torna cada dia mais aperfeiçoados.
(...) Neles ela encontra uma versão moderna e eficaz do púlpito.
Graças a eles, ela consegue falar à multidões ». (84)
São considerados tais, embora a título diferente: televisão,
rádio, imprensa, discos, fitas magnéticas, vídeo e
audio-cassetes, CDs, enfim, todos os meios audiovisuais. (85) Cada um desses
meios desempenha um próprio serviço e cada um deles requer um uso
específico; é preciso respeitar as exigências e avaliar a
importância de cada um.(86) Numa catequese bem programada, tais subsídios
não podem, portanto, ser omitidos. Favorecer uma ajuda recíproca
entre as Igrejas, para suprir os custos de aquisição e de gestão
de tais meios, custos estes, às vezes muito elevados, é um
verdadeiro serviço à causa do Evangelho.
161. O bom uso dos meios de comunicação social requer dos
agentes da catequese, um sério empenho de conhecimento, de competência
e de qualificado e atualizado emprego. Mas, sobretudo, pela forte incidência
sobre a cultura que os meios de comunicação social contribuem a
elaborar, não se deve jamais esquecer que « não é
suficiente, portanto, usá-los para difundir a mensagem cristã e o
Magistério da Igreja, mas é necessário integrar a mensagem
nesta « nova cultura », criada pelas modernas comunicações...
com novas linguagens, novas técnicas, novas atitudes psicológicas ».(87)
Somente assim, com a graça de Deus, a mensagem evangélica tem a
capacidade de penetrar na consciência de cada um e de « obter a próprio
favor, uma adesão e um compromisso realmente pessoal ». (88)
162. Os operadores e os usuários da comunicação devem
poder receber a graça do Evangelho. Isso leva os catequistas a
considerarem particulares categorias de pessoas: os próprios
profissionais dos meios de comunicação social, aos quais mostrar o
Evangelho como grande horizonte de verdade, de responsabilidade, de inspiração;
as famílias tão expostas às influências dos
meios de comunicação para a sua defesa, mas sobretudo em
vista de uma maior capacidade crítica e educativa; (89) as jovens gerações,
que são as usuárias dos meios de comunicação social,
além de serem seus sujeitos criativos. Recorde-se a todos que « no
uso e na recepção dos instrumentos decomunicação,
tornam-se urgentes tanto uma ação educativa em vista do senso crítico,
animado pela paixão à verdade, quanto uma ação de
defesa da liberdade, do respeito pela dignidade pessoal, da elevação
da autêntica cultura dos povos ». (90)
IV PARTE
OS DESTINATÁRIOS DA CATEQUESE
Os destinatários da catequese
« Eu te estabeleci como luz das nações, a fim de que
a minha salvação chegue até as extremidades da terra »
(Is 49,6). « Ele foi a Nazaré, onde fora criado, e, segundo seu
costume, entrou em dia de Sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a
leitura. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; abrindo-o,
encontrou o lugar onde está escrito: O Espírito do Senhor está
sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para
proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação
da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de
graça do Senhor. Enrolou o livro, entregou-o ao servente e sentou-se.
Todos na sinagoga olhavam-no, atentos. Então começou a dizer-lhes:
Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura » (Lc
4,16-21).
« O Reino diz respeito a todos » (Rm 15) (91)
163. No início do seu ministério, Jesus proclama ter sido
enviado para anunciar aos pobres a boa nova, (92) fazendo transparecer, e
confirmando-o depois, com a sua vida, que o Reino de Deus é destinado a
todos os homens, a partir daqueles que são os menos favorecidos. De fato,
Ele se faz de catequista do Reino de Deus, para todas as categorias e
pessoas: grandes e pequenos, ricos e pobres, sãos e enfermos, próximos
e distantes, judeus e gentios, homens e mulheres, justos e pecadores, povo e
autoridades, indivíduos e grupos... É disponível a cada
pessoa e se interessa por todas as suas necessidades: da alma e do corpo,
curando e perdoando, corrigindo e encorajando, com palavras e com fatos.
Jesus conclui a sua vida terrena, convidando os discípulos a fazerem
o mesmo, a pregarem o Evangelho a toda criatura do mundo, (93) a « todas as
nações » (Mt 28,19; Lc 24,47) « até
os confins da terra » (At 1,8) e por todos os tempos, « até
a consumação dos séculos » (Mt 28,20).
164. É a tarefa que a Igreja realiza há dois mil anos, com uma
imensa variedade de experiências de anúncio e catequese,
continuamente solicitada pelo Espírito de Pentecostes a cumprir o seu débito
de evangelização « para com os gregos e os bárbaros,
para com os sábios e os ignorantes » (Rm 1,14).
Configuram-se, assim, as linhas de uma pedagogia da fé, na qual se
conjugam estreitamente a abertura universalista da catequese e a sua exemplar
encarnação no mundo dos destinatários.
Significado e finalidade desta parte
165. A necessária atenção às diferentes e várias
situações de vida das pessoas (94) leva a catequese a percorrer múltiplas
vias, para encontrá-las e tornar a mensagem cristã adaptada às
diversas exigências. (95)
Assim, se se considera a condição de fé inicial,
abre-se a via dos catecúmenos e neófitos; a atenção
ao desenvolvimento da fé dos batizados induz a falar de catequese de
aprofundamento, ou de recuperação para aqueles que necessitam
ainda de orientações essenciais. Se se considera o desenvolvimento
físico e psíquico dos catequizandos, a catequese se articula
segundo a idade. Estar atentos, ao invés, aos contextos socioculturais,
significa impostar uma catequese por categorias.
166. Não podendo abordar de modo pormenorizado os diversos tipos possíveis
de catequeses, consideram-se nesta parte somente alguns aspectos que são
de relevo em qualquer situação:
aspectos gerais da adaptação catequética (I Capítulo);
catequese segundo as idades (II Capítulo);
catequese para quem vive situações especiais (III Capítulo);
catequese segundo contextos (IV Capítulo).
Aborda-se assim, em termos operativos, o problema da inculturação,
em relação aos conteúdos da fé, às pessoas e
ao contexto cultural.
Caberá às Igrejas particulares, nos seus diretórios
catequéticos nacionais e regionais, dar orientações mais
específicas e determinadas, com base nas concretas condições
e necessidades locais.
I CAPÍTULO
A adaptação ao destinatário.
Aspectos gerais
Necessidade e direito de todo fiel de receber uma válida
catequese (96)
167. Todo batizado, porque chamado por Deus à maturidade da fé,
necessita e, portanto, tem o direito a uma catequese adequada. É, por
isso, tarefa primária da Igreja responder a este direito, de maneira
totalmente congruente e satisfatória.
Neste sentido, recorda-se, antes de qualquer outra coisa, que o destinatário
do Evangelho é « um homem concreto e histórico »,
(97) sempre radicado em determinada situação, sempre influenciado,
conscientemente ou não, por condicionamentos psicológicos,
sociais, culturais e religiosos. (98)
No processo de catequese, o destinatário deve poder manifestar-se
sujeito ativo, consciente e co-responsável, e não puro receptor
silencioso e passivo.(99)
Necessidade e direito da comunidade (100)
168. A atenção ao indivíduo não deve fazer
esquecer que a catequese tem como destinatário a comunidade cristã
como tal, e cada pessoa no âmbito desta. Se, de fato, é de toda a
vida da Igreja que a catequese recebe legitimidade e energia, também é
verdade que « o crescimento interior da Igreja, a sua correspondência
ao desígnio de Deus que dependem da mesma catequese ». (101)
Portanto, a necessária adaptação do Evangelho diz
respeito e envolve também a comunidade enquanto tal.
A adaptação quer que o conteúdo da catequese seja
como um alimento sadio e adequado (102)
169. A « adaptação da pregação da Palavra
revelada deve permanecer lei de toda evangelização ». (103)
Isso tem uma intrínseca motivação teológica no mistério
da encarnação, corresponde a uma elementar exigência pedagógica
da sadia comunicação humana, reflete a prática da Igreja ao
longo dos séculos.
Tal adaptação deve ser entendida como ação
tipicamente materna da Igreja, que reconhece as pessoas como « cooperadores
de Deus » (1 Cor 3,9), não a serem condenadas, mas a serem
cultivadas na esperança. Vai ao encontro de cada uma dessas, considera
seriamente a variedade de situações e culturas, e mantém a
comunhão de tantos, na única Palavra que salva. Desta maneira, o
Evangelho é transmitido genuíno e saboroso, alimento sadio e, ao
mesmo tempo, adequado. Toda iniciativa singular deve inspirar-se neste critério
e valer-se dos recursos de criatividade e genialidade do catequista.
A adaptação considera as diversas circunstâncias
170. A adaptação realiza-se segundo as diversas circunstâncias
em que se transmite a Palavra de Deus. (104) Essas circunstâncias são
determinadas pelas « diferenças de culturas, de idades, da vida
espiritual, de situações sociais e eclesiais daqueles a quem a
catequese é dirigida ». (105) Tais circunstâncias deverão
ser atentamente consideradas.
Recorde-se também que, no pluralismo das situações, a
adaptação leva sempre em consideração a totalidade
da pessoa e a sua unidade essencial, segundo a visão que dela tem a
Igreja. Por isso, a catequese não se detém apenas na consideração
dos elementos exteriores de uma determinada situação, mas
considera também o mundo íntimo da pessoa, a verdade sobre o ser
humano, « primeira e fundamental via da Igreja ». (106) Isso determina
um processo de adaptação que é tanto mais condizente,
quanto mais forem consideradas as interrogações, as aspirações
e as necessidades da pessoa, no seu mundo interior.
II CAPÍTULO
A catequese por idades
Indicações gerais
171. A catequese, segundo as diferentes idades, é uma exigência
essencial para a comunidade cristã. Por um lado, de fato, a fé
participa do desenvolvimento da pessoa; por outro lado, cada fase da vida é
exposta ao desafio da descristianização e deve, acima de tudo,
aceitar como um desafio, as tarefas sempre novas da vocação cristã.
Oferecem-se, pois, por direito, catequeses por idades, diversificadas e
complementares, provocadas pelas necessidades e capacidades dos destinatários.
(107)
Para tanto, é indispensável prestar atenção a
todos os elementos em jogo, antropológico-evolutivos e teológico-pastorais,
valendo-se também dos dados atualizados da ciências humanas e pedagógicas,
relativos a cada idade.
Tratar-se-á também de integrar sabiamente as diversas etapas
do caminho de fé, prestando particular atenção para que a
catequese dirigida à infância encontre harmonioso cumprimento nas
fases posteriores.
Também por esta razão, é pedagogicamente eficaz fazer
referência à catequese dos adultos e, à sua luz, orientar a
catequese dos demais momentos da vida.
Aqui indicar-se-ão apenas alguns elementos de ordem geral e a título
de exemplo, deixando especificações ulteriores aos diretórios
catequéticos das Igrejas particulares e das Conferências dos
Bispos.
A Catequese dos adultos (108)
Os adultos aos quais se dirige a catequese (109)
172. O discurso de fé com os adultos deve levar seriamente em
consideração as experiências vividas e os condicionamentos e
desafios que eles encontram na vida. As suas exigências e necessidades de
fé são múltiplas e várias. (110)
Conseqüentemente, podem-se distinguir:
adultos crentes, que vivem coerentemente a sua opção de
fé e desejam sinceramente aprofundá-la;
adultos que, embora batizados, não foram
adequadamentecatequizados ou não levaram a termo o caminho da iniciação
cristã, ou se distanciaram da fé, tanto que podem até mesmo
ser chamados « quase catecúmenos »; (111)
adultos não batizados, aos quais corresponde o verdadeiro e próprio
catecumenato. (112)
Devem ser também mencionados os adultos que provêm de confissões
cristãs que não estão em plena comunhão com a Igreja
Católica.
Elementos e critérios próprios da catequese dos adultos
(113)
173. A catequese dos adultos diz respeito a pessoas que têm o direito
e o dever de levar ao amadurecimento o germe da fé que Deus lhes deu,
(114) tanto mais que são chamados a desempenhar responsabilidades sociais
de vários tipos; ela dirige-se a pessoas que estão expostas a
transformações e a crises às vezes muito profundas. Em razão
disso, a fé do adulto deve ser continuamente iluminada, desenvolvida e
protegida, para adquirir aquela sabedoria cristã que dá sentido,
unidade e esperança às múltiplas experiências da sua
vida pessoal, social e espiritual. A catequese dos adultos exige uma cuidadosa
identificação das características típicas do cristão
adulto na fé, a fim de traduzi-las em objetivos e conteúdos,
determinar certas constantes na exposição, fixar as indicações
metodológicas mais eficazes e escolher as formas e os modelos. Uma
especial atenção merece a figura e a identidade do catequista dos
adultos e a sua formação; e quem são os responsáveis
pela catequese dos adultos na comunidade. (115)
174. Entre os critérios que asseguram uma catequese dos adultos autêntica
e eficaz, é preciso recordar: (116)
a atenção aos destinatários na sua situação
de adultos, como homens e como mulheres, cuidando, portanto, dos seus problemas
e experiências, dos recursos espirituais e culturais, em pleno respeito
pelas diferenças;
a atenção à condição leiga dos
adultos, aos quais o Batismo confere a possibilidade de « procurar o Reino
de Deus, exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus »
(117) e ao mesmo tempo os chama à santidade; (118)
a atenção ao envolvimento da comunidade, para que seja
lugar de acolhimento e de apoio do adulto;
a atenção a um projeto orgânico de pastoral dos
adultos, no qual a catequese se integre com a formação litúrgica
e com o serviço da caridade.
Tarefas gerais e particulares da catequese dos adultos (119)
175. Para responder às instâncias mais profundas dos nossos
tempos, a catequese dos adultos deve propor a fé cristã na sua
integridade, autenticidade e organização sistemática,
segundo a compreensão que dela possui a Igreja, colocando em primeiro
plano o anúncio da salvação, iluminando as muitas
dificuldades, pontos obscuros, mal-entendidos, preconceitos e objeções
atualmente em circulação, mostrando a incidência espiritual
e moral da mensagem, introduzindo à leitura crente da Sagrada Escritura e
à prática da oração. Um fundamental serviço
para a catequese dos adultos é fornecido pelo Catecismo da Igreja Católica
e, com referência a este, pelos Catecismos dos adultos das Igrejas
singulares.
Em particular, são tarefas da catequese dos adultos:
Promover a formação e o amadurecimento da vida no
Espírito de Cristo ressuscitado através de meios adequados:
pedagogia sacramental, retiros, direção espiritual...
Educar à justa avaliação das transformações
socioculturais na nossa sociedade à luz da fé. Dessa maneira,
o povo cristão é ajudado a discernir os verdadeiros valores e também
os perigos da nossa civilização, e a assumir as atitudes
convenientes.
Esclarecer as atuais questões religiosas e morais, ou
seja, aquelas questões que se apresentam aos homens do nosso tempo, como,
por exemplo, as relativas à moral pública e individual, às
questões sociais, à educação das novas gerações.
Esclarecer as relações existentes entre a ação
temporal e a ação eclesial, mostrando as mútuas distinções,
implicações e, portanto, a medida da devida interação.
Com este objetivo, a doutrina social da Igreja é parte integrante da
formação dos adultos.
Desenvolver os fundamentos racionais da fé. A reta
compreensão da fé e das verdades a se crer estão em
conformidade com as exigências da razão humana e o Evangelho é
sempre atual e pertinente. É necessário, por isso, promover
eficazmente uma pastoral do pensamento e da cultura cristã. O que
permitirá superar certas formas de integrismo e de fundamentalismo, assim
como uma interpretação arbitrária e subjetiva.
Formar à assunção de responsabilidades na
missão da Igreja e a saber dar um testemunho cristão na sociedade.
O adulto é ajudado a descobrir, valorizar e atuar aquilo que recebeu
por natureza e por graça, seja na comunidade eclesial que vivendo no âmbito
de uma comunidade humana. Dessa forma, poderá também superar as
insídias da massificação e do anonimato, particularmente
freqüentes em algumas sociedades atuais, que levam à perda da
identidade e ao descrédito das qualidades e recursos que uma pessoa
possui.
Formas particulares de catequese dos adultos (120)
176. Existem situações e circunstâncias em que se impõem
formas especiais de catequese:
a catequese da iniciação cristã ou catecumenato
dos adultos. Ela tem todo o seu ordenamento expresso no OICA;
a catequese ao Povo de Deus nas formas tradicionais devidamente
adaptadas, ao longo do ano litúrgico, ou na forma extraordinária
das missões;
a catequese de aperfeiçoamento, dirigida àqueles que têm
uma tarefa de formação na comunidade: catequistas ou aqueles que
estão engajados no apostolado dos leigos;
a catequese a ser desenvolvida por ocasião de eventos
particularmente significativos da vida, tais como o matrimônio, o batismo
dos filhos e os demais sacramentos da iniciação cristã, nos
períodos críticos do crescimento juvenil, na doença, etc. São
circunstâncias nas quais as pessoas são, mais do que nunca,
induzidas a buscar o verdadeiro sentido da vida;
a catequese por ocasião de experiências particulares,
como o ingresso no trabalho, o serviço militar, a emigração...
São mudanças que podem gerar enriquecimento interior, mas também
momentos de desorientamento, razão pela qual se sente a necessidade da
luz e do amparo da Palavra de Deus;
a catequese que se refere ao uso cristão do tempo livre, por
ocasião, particularmente, das férias e das viagens turísticas;
a catequese por ocasião de eventos particulares relativos à
vida da Igreja e da sociedade.
Estas e tantas outras particulares formas de catequese se colocam lado a
lado, sem substituí-los, aos cursos de catequese sistemática, orgânica
e permanente que toda comunidade eclesial deve garantir a todos os adultos.
A catequese das crianças e dos adolescentes (121)
Situação e importância da infância e da
adolescência (122)
177. Esta fase de idade, tradicionalmente dividida em primeira infância
ou idade pré-escolar e adolescência, aos olhos da fé e daprópria
razão, tem como própria a graça do início da vida.
Nesta idade, « ...nascem preciosas possibilidades para a edificação
da Igreja e para a humanização da sociedade », (123) a serem
assumidas. Filha de Deus graças ao dom do Batismo, a criança é
proclamada por Cristo membro privilegiado do Reino de Deus. (124)
Por diversas razões, hoje talvez mais do que ontem, a criança
requer pleno respeito e ajuda nas suas exigências de crescimento humano e
espiritual, também através da catequese, que não pode
jamais faltar às crianças cristãs. Quem, de fato, deu-lhe a
vida, enriquecendo-a com o dom do Batismo, tem o dever de alimentá-la em
sua continuidade.
Características da catequese das crianças e dos
adolescentes (125)
178. A catequese das crianças é necessariamente conexa com a
sua situação e condição de vida, e é obra de
diversos agentes educativos, complementares entre si.
Podem ser indicados alguns fatores que revestem uma particular importância
e têm extensão universal:
A infância e a adolescência, cada qual compreendida e
tratada segundo a peculiaridade que lhes é própria, representam o
tempo da primeira socialização e da educação humana
e cristã na família, na escola e na Igreja e, portanto, devem ser
compreendidas como um momento decisivo para o futuro sucessivo da fé.
Segundo uma tradição consolidada, este é,
habitualmente, o período em que se cumpre a iniciação cristã
inaugurada pelo Batismo. Com o recebimento dos sacramentos, se visa a primeira
formação orgânica da fé da criança e a sua
introdução na vida da Igreja. (126)
No período da infância, o processo catequético
será, por isso, eminentemente educativo, atento a desenvolver aqueles
recursos humanos que formam o substrato antropológico da vida de fé,
tais como o senso da confiança, da gratuidade, do dom de si, da invocação,
da alegre participação... A educação à oração
e a iniciação à Sagrada Escritura são aspectos
centrais da formação cristã das crianças. (127)
Enfim, deve-se estar atentos à importância de dois
lugares educativos vitais: a família e a escola. A catequese familiar é,
de certo modo, insubstituível, antes de mais nada, pelo ambiente positivo
e acolhedor, persuasivo pelo exemplo dos adultos, e pela primeira explícita
sensibilização e prática da fé.
179. O ingresso na escola significa, para a criança, a entrada numa
sociedade mais ampla do que a família, com a possibilidade dedesenvolver
muito mais as suas capacidades intelectivas, afetivas e comportamentais. Na
escola, freqüentemente, é ministrado um específico ensino
religioso.
Tudo isso requer que a catequese e os catequistas mantenham uma colaboração
constante com os genitores e também com os professores da escola, segundo
as oportunidades fornecidas pelo contexto. (128) Os pastores devem recordar-se
que quando ajudam os genitores e os educadores a bem desempenhar a missão
que lhes cabe, é a Igreja que está sendo edificada. Além
disso, este trabalho oferece uma ótima ocasião para a catequese
dos adultos. (129)
Crianças e adolescentes sem apoio religioso familiar ou que não
freqüentam a escola (130)
180. Existem, na verdade, e em larga escala, crianças e
adolescentes gravemente prejudicados, uma vez que lhes falta um adequado amparo
religioso familiar, ou porque não têm uma verdadeira família,
ou porque não freqüentam a escola, ou porque sofrem condições
de instabilidade social, de desadaptação, ou ainda por outros
motivos ambientais. Muitos deles não são nem mesmo batizados;
outros não levam a termo o caminho da iniciação. Cabe à
comunidade cristã ocupar-se deles, mediante um generoso, competente e
realista serviço de suplência, buscando o diálogo com as famílias,
propondo formas educativas escolares apropriadas, criando uma catequese
proporcional às possibilidades e às necessidades concretas das
crianças.
A catequese dos jovens (131)
Puberdade, adolescência e juventude (132)
181. Em termos gerais, é preciso observar que a crise espiritual e
cultural que oprime o mundo (133) faz as suas primeiras vítimas nas
jovens gerações. Assim como é verdade que o empenho em
favor de uma sociedade melhor encontra nestas as suas melhores esperanças.
Isso deve estimular ainda mais a Igreja a realizar, corajosamente e
criativamente, o anúncio do Evangelho ao mundo juvenil.
A propósio, a experiência sugere o quanto seja útil
para a catequese distinguir, na idade juvenil, a puberdade, a adolescência
e a juventude, valendo-se oportunamente dos resultados da pesquisa científica
e das condições de vida nos diversos países. Nas regiões
mais desenvolvidas, é particularmente sentida a questão da
puberdade: não se leva em consideração o bastante as
dificuldades, as necessidades e os recursos humanos e espirituais dos pré-adolescentes,
tanto que, em relação a eles, se pode falar de idade negada.
Tantíssimas vezes, nesse período, o menino e a menina,
recebendo o sacramento da Crisma, conclui o processo da iniciação
cristã mas, ao mesmo tempo, distancia-se totalmente da prática da
fé. É preciso levar seriamente em consideração tal
fato, desenvolvendo um específico cuidado pastoral, valendo-se dos
recursos formativos fornecidos pelo próprio caminho da iniciação.
No que diz respeito às outras duas categorias, é útil
distinguir a adolescência da juventude, embora na consciência de que
é difícil definir, de maneira unívoca, o significado das
mesmas. Globalmente, aqui se compreende aquele período da vida que
antecede a assunção das responsabilidades próprias dos
adultos.
Também a catequese ao mundo juvenil deve ser profundamente revista
e potencializada.
A importância da juventude para a sociedade e a Igreja (134)
182. Se a Igreja vê os jovens como « esperança »,
também os sente hoje como « um grande desafio para o futuro da própria
Igreja ». (135)
A rápida e tumultuosa transformação cultural e
social, o aumento numérico, o afirmar-se de um consistente período
de juventude antes de assumir as responsabilidades de adulto, a falta de
empregos e, em certos países, as condições de permanente
subdesenvolvimento, as pressões da sociedade de consumo..., tudo isso
colabora para a definição do planeta jovem como o mundo da
expectativa, e não raramente, do desencanto, do tédio e até
mesmo da angústia e da marginalização. O distanciamento da
Igreja ou, pelo menos, uma atitude de desconfiança em relação
a ela, existe em muitos jovens como um comportamento de fundo. Nele refletem-se,
freqüentemente, a carência do amparo espiritual e moral das famílias
e as fraquezas da catequese recebida.
Por outro lado, em tantos jovens, é forte e impetuoso o impulso da
busca de um sentido, da solidariedade, do empenho social, da própria
experiência religiosa...
183. Daí derivam algumas conseqüências em vista da
catequese.
O serviço à fé percebe, antes de mais nada, as luzes
e as sombras da condição juvenil, assim com existem,
concretamente, nas diversas regiões e ambientes da vida.
O coração da catequese é a explícita proposta
de Cristo ao jovem do Evangelho, (136) proposta direta a todos os jovens, sob
medida para os jovens, na atenta compreensão dos seus problemas. No
Evangelho, de fato, eles aparecem como diretos interlocutores de Cristo, que
lhes revela a « singular riqueza » e, ao mesmo tempo, os empenha num
projeto de crescimento pessoal e comunitário de decisivo valor para os
destinos da sociedade e da Igreja. (137)
Por isso, os jovens não devem ser considerados somente objeto de
catequese, mas sim « sujeitos ativos, protagonistas da evangelização
e artífices da renovação social ». (138)
Características da catequese dos jovens (139)
184. Dada a amplidão da tarefa, cabe certamente aos diretórios
catequéticos das Igrejas particulares e das Conferências dos
Bispos, nacionais e regionais, especificar, em mérito ao contexto, o que
convém aos lugares singularmente considerados.
Podem-se indicar certas linhas gerais comuns:
Ter-se-á presente a variedade da situação
religiosa: há jovens que não foram nem mesmo batizados, outros que
não completaram a iniciação cristã ou estão
vivendo uma crise de fé às vezes grave, e outros ainda que são
propensos a fazer ou já fizeram uma opção de fé e
pedem para ser ajudados.
Não se deve também esquecer que se torna muito profícua
aquela catequese que se pode desenvolver no interior de uma mais ampla pastoral
dos pré-adolescentes, adolescentes e dos jovens, a qual considera o
conjunto dos problemas que dizem respeito à vida deles. Com este
objetivo, a catequese deve ser integrada com certos procedimentos, como a
leitura da situação, a atenção às ciências
humanas e à educação, a colaboração dos
leigos e dos próprios jovens.
A bem regulada ação de grupo, a filiação
a válidas associações juvenis (140) e o acompanhamento
pessoal ao jovem, acompanhamento que inclui, como fato eminente, a direção
espiritual, são mediações muito úteis para uma
eficaz catequese.
185. Entre as diversas formas de catequese juvenil devem ser previstas, de
acordo com as situações, o catecumenato juvenil em idade escolar,
catequese da iniciação cristã, catequese sobre temáticas
programadas, outros encontros mais ou menos ocasionais e informais...
Em termos mais globais, a catequese aos jovens deve ser proposta com
percursos novos, abertos à sensibilidade e aos problemas desta idade, que
são de ordem teológica, ética, histórica, social...
Em particular, obtêm o seu justo posto a educação à
verdade e à liberdade segundo o Evangelho, a formação da
consciência, a educação ao amor, o discurso vocacional, o
engajamento cristão na sociedade e a responsabilidade missionária
no mundo. (141) É preciso ressaltar, todavia, que freqüentemente, a
evangelização contemporânea dos jovens deve adotar uma
dimensão missionária muito mais do que uma dimensão
estritamente catecumenal. De fato, a situação obriga freqüentemente
o apostolado dos jovens a ser animação juvenil de índole
humanizadora e missionária, como primeiro passo necessário
para que amadureçam as disposições mais favoráveis
ao momento estritamente catequético. Por isso, muitas vezes, na
realidade, é oportuno intensificar a ação précatecumenal
no interior de processos globais educativos.
Uma das questões a serem afrontadas e resolvidas diz respeito à
diferença de « linguagem » (mentalidade, sensibilidade,
gostos, estilo, vocabulário...) entre jovens e Igreja (catequese,
catequistas). Insiste-se, portanto, sobre a necessidade de uma « adaptação
da catequese aos jovens », sabendo traduzir na sua linguagem, « com
paciência e sabedoria, a mensagem de Jesus, sem a trair ». (142)
Catequese dos anciãos (143)
A terceira idade, dom de Deus à Igreja
186. Em diversos países do mundo, o crescente número das
pessoas anciãs representa uma nova e específica tarefa pastoral
para a Igreja. Sentidas não raramente como objeto passivo, mais ou menos
incômodas, estas pessoas, à luz da fé, devem ser, ao invés,
compreendidas como dom de Deus para a Igreja e para a sociedade, às quais
deve ser endereçada também uma adequada catequese. Elas têm
o direito e o dever de receber tal catequese, como todos os cristãos.
É preciso levar em consideração a diversidade de
condição pessoal, familiar, social, e em particular, a provação
da solidão e o risco da marginalização. A família
tem uma função primária porque, nela, o anúncio da fé
pode dar-se num clima de acolhimento e de amor que, melhor do que qualquer
outro, confirma a validade da Palavra.
Em todo caso, a catequese aos anciãos associa, ao conteúdo
da fé, a presença cordial do catequista e da comunidade de fé.
Por esta razão, é desejável que os anciãos
participem plenamente do caminho catequético da comunidade.
A catequese da plenitude e da esperança
187. A catequese aos anciãos dá atenção aos
particulares aspectos de sua condição de fé: o ancião
pode ter alcançado a idade em que se encontra, com uma fé sólida
e rica; nesse caso, a catequese leva, de certo modo, à plenitude, o
caminho percorrido, em atitude de agradecimento e de confiante expectativa;
outros vivem uma fé mais ou menos obscurecida e uma prática cristã
frágil; nesse caso, a catequese se torna momento de nova luz e experiência
religiosa; outras vezes, o ancião chega a essa fase de sua vida com
profundas feridas na alma e no corpo: a catequese o ajuda a viver a sua condição,
na atitude da invocação, do perdão e da paz interior.
Em cada caso, a condição do ancião requer uma
catequese da esperança que provém da certeza do encontro
definitivo com Deus.
É sempre um benefício para ele e um enriquecimento para a
comunidade, se o ancião que crê testemunha uma fé que
irradia sempre mais, na medida em que ele se aproxima do grande momento do
encontro com o Senhor.
Sabedoria e diálogo (144)
188. A Bíblia nos apresenta o homem ancião crente como o símbolo
da pessoa rica de sabedoria e de temor a Deus e, portanto, como o depositário
de uma intensa experiência de vida, que o torna, de certo modo, «
catequista » natural da comunidade. Ele, de fato, é testemunha da
tradição da fé, mestre de vida, operador de caridade. A
catequese valoriza esta graça, ajudando a pessoa anciã a
redescobrir as ricas possibilidades que estão dentro dela, ajudando-a a
assumir papéis catequéticos no mundo das crianças
das quais freqüentemente são os avós tão queridos ,
no mundo dos jovens e entre os adultos. Deste modo, se favorece um fundamental
diálogo entre gerações, no âmbito da família e
da comunidade.
III CAPÍTULO
Catequese para situações especiais,
mentalidades, ambientes
A catequese para excepcionais e desadaptados (145)
189. Toda comunidade cristã considera como pessoas prediletas do
Senhor aquelas que, particularmente entre as crianças, sofrem de qualquer
tipo de deficiência física e mental e de outras formas de
dificuldades. Uma maior consciência social e eclesial e os inegáveis
progressos da pedagogia especial fazem com que a família e outros lugares
de formação possam hoje oferecer, a essas pessoas, uma adequada
catequese, à qual têm direito, como batizadas, e se não
batizadas, como chamadas à salvação. O amor do Pai para com
estes filhos mais frágeis e a contínua presença de Jesus
com o seu Espírito nos dão a confiante certeza de que toda pessoa,
por mais limitada que seja, é capaz de crescer em santidade.
A educação na fé, que envolve antes de mais nada a família,
requer itinerários adequados e personalizados, leva em consideração
as indicações da pesquisa pedagógica, e é atuada
proficuamente no contexto de uma global educação da pessoa. Por
outro lado, deve-se evitar o risco de que uma catequese necessariamente
especializada acabe por permanecer à margem da pastoral comunitária.
Para que isso não ocorra, é preciso que a comunidade seja
constantemente advertida e envolvida. As peculiares exigências desta
catequese requerem, dos catequistas, uma específica competência e
tornam ainda mais louvável o serviço dos mesmos.
A catequese das pessoas marginalizadas
190. Na mesma perspectiva deve ser considerada a catequese dirigida a
pessoas em situações de marginalidade, ou próximas a ela,
ou já caídas na marginalização, tais como os
imigrados, os refugiados, os nômades, as pessoas sem habitação
fixa, os doentes crônicos, os toxicômanos, os presos... A palavra
solene de Jesus, que ensina como feito a Ele próprio todo gesto de
bondade realizado a « um desses pequeninos » (Mt 25,40; 45),
garante a graça de bem atuar em ambientes difíceis. Sinais
permanentes da validade da catequese são a capacidade de distinguir a
diversidade das situações, de se dar conta das necessidades e das
exigências de cada um, de ter como meta importante o encontro pessoal, com
uma paciente e generosa dedicação, de proceder com confiança
e realismo, recorrendo a formas muitas vezes indiretas e ocasionais de
catequese. A comunidade apoiará fraternalmente os catequistas que se
dedicam a este serviço.
A catequese para os grupos diferenciados
191. A catequese, hoje em dia, deve afrontar destinatários que, em
razão da especificidade profissional e, de modo mais amplo, cultural,
exigem peculiares itinerários.
Neste contexto estão incluídas a catequese para o mundo operário,
para os profissionais liberais, para os artistas, os homens da ciência,
para a juventude universitária... São categorias de pessoas
vivamente recomendadas no âmbito do caminho comum da comunidade cristã.
É claro que todos estes setores necessitam de abordagens competentes
e de uma linguagem apropriada aos destinatários, mantendo plena
fidelidade à mensagem que se pretende transmitir. (146)
A catequese ambiental
192. O serviço à fé, atualmente, tem grande consideração
pelos ambientes ou contextos de vida, uma vez que neles, a pessoa desenvolve
concretamente a própria existência, recebe influências e
influencia, e exerce as próprias responsabilidades.
Em linhas gerais e a título de exemplo, devemos recordar dois
ambientes mais amplos, o rural e o urbano, que requerem formas diferenciadas de
catequese.
A catequese dirigida às pessoas do campo reflete necessariamente as
necessidades que aí nascem, necessidades freqüentemente ligadas à
pobreza e à miséria, acompanhadas, não raramente, pelo medo
e pela superstição, mas também ricas de simplicidade, de
confiança na vida, de senso de solidariedade, de fé em Deus e de
fidelidade às tradições religiosas.
A catequese dirigida às pessoas da cidade deve levar em consideração
uma variedade, às vezes extrema, de situações que vão
de áreas exclusivas de bem-estar a bolsões de pobreza e de
marginalização. Os ritmos de vida tornam-se freqüentemente
estressantes, a mobilidade é fácil, não poucas são
as solicitações à evasão e à falta de
compromisso, freqüentes são as situações de penoso
anonimato e de solidão...
Para cada um desses ambientes será necessário criar um
adequado serviço à fé, valorizando catequistas preparados,
produzindo oportunos subsídios, recorrendo aos recursos dos meios de
comunicação social...
IV CAPÍTULO
Catequese no contexto sócio-religioso
A catequese em situação de pluralismo e de complexidade
(147)
193. Muitas comunidades e indivíduos singularmente considerados são
chamados a viver num mundo pluralista e secularizado, (148) onde podem ser
encontradas formas de incredulidade e de indiferença religiosa, mas também
formas vivazes de pluralismo cultural e religioso; em muitas pessoas, mostra-se
forte a busca de certezas e de valores, mas não faltam também
formas espúrias de religião e um incerta adesão à fé.
Diante desta condição de complexidade, pode acontecer que diversos
cristãos se sintam confusos e perdidos, não saibam confrontar-se
com as situações, nem julgar as mensagens que nelas estão
contidas, abandonem uma regular prática religiosa e acabem por viver como
se Deus não existisse, recorrendo freqüentemente a sucedâneos
pseudo-religiosos. A fé dessas pessoas é exposta a provas e ameaçada,
corre o risco de se extinguir e morrer, se não for continuamente
alimentada e promovida.
194. Torna-se indispensável uma catequese evangelizadora, ou seja, «
uma catequese cheia de linfa evangélica e servida por uma linguagem
adaptada ao tempo e às pessoas ». (149) Ela visa educar os cristãos
ao sentido da sua identidade de batizados, de crentes e de membros da Igreja,
abertos ao mundo e em diálogo com ele. Recorda-lhes os elementos
fundamentais da fé, estimula-os a um real processo de conversão,
aprofunda neles a verdade e o valor da mensagem cristã diante das objeções
teóricas e práticas, ajuda-os a discernir e a viver o Evangelho no
cotidiano, torna-os aptos a dar razão da esperança que está
neles, (150) encoraja-os a exercitar a sua vocação missionária,
através do testemunho, do diálogo e do anúncio.
A catequese em relação à religiosidade popular (151)
195. Nas comunidades cristãs encontram-se, não raramente,
particulares expressões de busca de Deus e de vida religiosa, carregadas
de fervor e de pureza de intenções, às vezes comoventes,
que podem ser chamadas de « piedade popular ». « Ela traduz em si
uma certa sede de Deus, que somente os pobres e os simples podem experimentar;
ela torna as pessoas capazes de rasgos de generosidade e as predispõe ao
sacrifício até as raias do heroísmo, quando se trata de
manifestar a fé; ela comporta um apurado sentido dos atributos profundos
de Deus: a paternidade, a providência, a presença amorosa e
constante, etc. Ela, além disso, suscita atitudes interiores que
raramente se observam alhures no mesmo grau: paciência, sentido da cruz na
vida cotidiana, desapego, aceitação dos outros, dedicação,
devoção, etc. ». (152) É uma realidade rica e ao mesmo
tempo vulnerável, na qual a fé, que está na sua base, pode
ter necessidade de purificação e de reforço.
Requer-se, portanto, uma catequese que, de tal recurso religioso, seja capaz
de « captar as dimensões interiores e os inegáveis valores,
ajudando-a a superar os riscos de desvio. Bem orientada, esta religiosidade
popular pode vir a ser, cada vez mais, para as nossas massas populares, um
verdadeiro encontro com Deus em Jesus Cristo ». (153)
196. Também a veneração dos fiéis pela Mãe
de Deus tem assumido formas variadas, segundo as circunstâncias de tempo e
de lugar, a diversa sensibilidade dos povos e a sua diferente tradição
cultural. As formas com que tal piedade mariana se exprime, sujeitas à
usura do tempo, mostram-se carentes de uma catequese renovada, que permita
substituir nelas aqueles elementos caducos, valorizar aqueles que são
perenes e incorporar os dados doutrinais adquiridos pela reflexão teológica
e propostos pelo magistério eclesiástico.
Uma tal catequese é sumamente necessária. É também
conveniente que ela exprima claramente a nota trinitária, cristológica
e eclesial, intrínseca à mariologia. Além disso, ao rever
ou criar exercícios de piedade mariana, devem ser levadas em consideração
as orientações bíblicas, litúrgicas, ecumênicas
e antropológicas. (154)
A catequese no contexto ecumênico (155)
197. Toda comunidade cristã, pelo fato de ser tal, é levada
pelo Espírito Santo a reconhecer a sua vocação ecumênica
na situação emque se encontra, participando do diálogo ecumênico
e das iniciativas destinadas a realizar a unidade dos cristãos. A
catequese, portanto, é chamada a assumir sempre e em todos os lugares uma
« dimensão ecumênica ». (156) Esta dimensão se
realiza, antes de mais nada, com a exposição de toda a revelação
que tem a Igreja Católica como depositária, no respeito pela
hierarquia das verdades; (157) em segundo lugar, a catequese evidencia a unidade
de fé que existe entre os cristãos e, ao mesmo tempo, explica as
divisões que subsistem e os passos que devem ser feitos para superá-las;
(158) além disso, a catequese suscita e alimenta um verdadeiro desejo de
unidade, em particular através do amor à Sagrada Escritura; e
enfim, empenha-se a preparar as crianças, jovens e adultos a viverem em
contato com os irmãos e irmãs de outras confissões,
cultivando a própria identidade católica, no respeito pela fé
dos demais.
198. Em presença de diferentes confissões cristãs, os
Bispos podem julgar oportunas, e até mesmo necessárias,
determinadas experiências de colaboração, no âmbito do
ensinamento religioso. É importante que aos católicos seja
assegurada, de uma outra maneira e ainda com maior cuidado, uma catequese
especificamente católica. (159)
Também o ensino da religião, ministrado na escola, onde estão
presentes membros de diversas confissões cristãs, reveste-se de
valor ecumênico quando a doutrina cristã é genuinamente
apresentada. Tal ensino, de fato, oferece a ocasião de um diálogo,
mediante o qual podem ser superados ignorância e preconceitos, e pode ser
favorecida a abertura a uma melhor compreensão recíproca.
A catequese em relação ao hebraísmo
199. Uma atenção especial deve ser dada à catequese
relativa à religião hebraica. (160) De fato, « a Igreja, Povo
de Deus na Nova Aliança, descobre, ao perscrutar o seu próprio
mistério, seus vínculos com o Povo Hebreu, a quem Deus falou por
primeiro ». (161)
« O ensino religioso, a catequese e a pregação devem
formar não apenas à objetividade, à justiça e à
tolerância, mas também à compreensão e ao diálogo.
As nossas duas tradições têm um alto grau de parentesco; não
podem, por isso, ignorar-se. É necessário encorajar um recíproco
conhecimento em todos os níveis ». (162) De modo particular, um
objetivo da catequese é a superação de toda e qualquer
forma de anti-semitismo. (163)
A catequese no contexto de outras religiões (164)
200. Os cristãos hoje, vivem, no mais das vezes, num contexto
multi-religioso, e não poucos, em condições de minoria. Em
tal situação, particularmente no que diz respeito ao Islamismo, a
catequese se reveste de uma importância relevante e é chamada a
assumir uma responsabilidade delicada, que desemboca em outras tarefas.
Antes de mais nada, ela aprofunda e reforça a identidade dos crentes,
particularmente onde eles são minoria, mediante uma adaptação
ou inculturação conveniente, num necessário confronto entre
o Evangelho de Jesus Cristo e a mensagem das demais religiões. Neste
processo, são indispensáveis comunidades cristãs sólidas
e fervorosas, bem como catequistas autóctones bem preparados.
Em segundo lugar, a catequese ajuda a nos tornarmos conscientes da presença
de outras religiões. Necessariamente, ela torna os fiéis capazes
de distinguir, nessas outras religiões, os elementos que se contrapõem
ao anúncio cristão, mas os educa também a captar as
sementes evangélicas (semina Verbi) que nelas existem e que podem
constituir uma autêntica preparação evangélica.
Em terceiro lugar, a catequese promove em todos os crentes, um vivo senso
missionário. Este se manifesta através de um límpido
testemunho da fé, através de uma atitude de respeito e de recíproca
compreensão, através do diálogo e da colaboração
em defesa dos direitos da pessoa humana e em favor dos pobres e, onde for possível,
também através do explícito anúncio do Evangelho.
A catequese em relação aos « novos movimentos
religiosos »
(165)
201. No clima de relativismo religioso e cultural, e às vezes também
em virtude de uma não reta conduta dos cristãos, proliferam
atualmente « novos movimentos religiosos », também denominados
de seitas ou cultos, com abundância de nomes e de tendências, difíceis
de ordenar no âmbito de um quadro orgânico e preciso. Por quanto nos
seja possível entender, podem distinguir-se movimentos de matriz cristã,
outros que derivam de religiões orientais e outros ainda que se baseiam
em tradições esotéricas. Despertam preocupações
pelas doutrinas e práticas de vida que freqüentemente se distanciam
dos conteúdos da fé cristã. Continua a ser necessário,
portanto, promover em favor dos cristãos cuja fé está
exposta ao risco « o empenho em favor de uma evangelização e
de uma catequese integrais e sistemáticas, que devem ser acompanhadas de
um testemunho capaz detraduzir tais ensinamentos em vivência ». (166)
Trata-se, de fato, de superar a grave insídia da ignorância e do
preconceito, ajudar os fiéis a encontrarem corretamente a Escritura,
suscitando entre eles vivas experiências de oração,
defendendo-os dos semeadores de erros, educando-os à responsabilidade
pela fé recebida, fazendo-se presente com a força do amor evangélico,
quando existem perigosas situações de solidão, de pobreza e
de sofrimento. Pelo anseio religioso que tais movimentos podem exprimir, eles
merecem ser considerados como um « areópago a ser evangelizado »,
no qual os problemas mais sentidos podem encontrar resposta. « A Igreja tem
em Cristo, que se proclamou « o Caminho, a Verdade e a Vida » (Jo
14,6), um imenso patrimônio espiritual a oferecer à humanidade ».
(167)
V CAPÍTULO
A Catequese no contexto sócio-cultural
(168)
Catequese e cultura contemporânea (169)
202. « Da catequese, como da evangelização em geral, nós
podemos dizer que ela é chamada a levar a força do Evangelho ao
coração da cultura e das culturas ». (170) Os princípios
da adaptação e da inculturação catequética já
foram expostos precedentemente. (171) Agora, basta reafirmar que o discurso
catequético tem como guia necessária e eminente a « regra da
fé », ilustrada pelo Magistério e aprofundada pela teologia.
Deve-se considerar também que a história da catequese,
particularmente no tempo dos Padres, é, em tantos aspectos, história
da inculturação da fé e, como tal, merece ser estudada e
meditada; uma história que, por outro lado, jamais se detém e que
exige tempos longos, de contínua assimilação do Evangelho.
Neste capítulo são expostas indicações de método
para uma tarefa tão necessária quanto exigente, além de
bastante difícil e exposta aos riscos do sincretismo e de outros
mal-entendidos. Pode-se dizer que, sobre este tema, hoje particularmente
importante, é necessária uma maior reflexão programada e
universal, em relação à experiência catequética.
Tarefas de uma catequese para a inculturação da fé
(172)
203. Formam um conjunto orgânico e são, a seguir,
sinteticamente enumeradas:
conhecer em profundidade a cultura das pessoas e o grau de penetração
nas suas vidas;
reconhecer a presença da dimensão cultural no próprio
Evangelho, afirmando que este não nasce de um húmus
cultural humano e, por outro lado, reconhecendo como o Evangelho não
possa ser isolado das culturas nas quais se inseriu a princípio, e nas
quais se tem expresso no curso dos séculos;
anunciar a profunda transformação, a conversão
que o Evangelho, enquanto força « transformadora e regeneradora »,
(173) opera nas culturas;
testemunhar a transcendência e não exaustão do
Evangelho na cultura e, ao mesmo tempo, distinguir os germes evangélicos
que podem estar presentes nesta;
promover uma nova expressão do Evangelho segundo a cultura
evangelizada, visando obter uma linguagem da fé que seja patrimônio
comum entre os fiéis e, portanto, fator fundamental de comunhão;
manter íntegros os conteúdos da fé da Igreja e
procurar que a explicação e o esclarecimento das fórmulas
doutrinais da Tradição sejam propostas tendo-se em conta a situação
cultural e histórica dos destinatários, evitando sempre mutilações
e falsificações dos conteúdos.
Processo metodológico
204. A catequese, ao mesmo tempo em que deve evitar toda e qualquer manipulação
de uma cultura, também não pode limitar-se simplesmente à
justaposição do Evangelho a esta, « de maneira decorativa »,
mas sim deverá propô-lo « de maneira vital, em profundidade »
e isto até às suas raízes, à cultura e às
culturas do homem. (174)
Isso determina um processo dinâmico, feito de diversos momentos que
interagem entre si: esforçar-se por escutar, na cultura das pessoas, o
eco (pressagio, invocação, sinal...) da Palavra de Deus; discernir
aquilo que é autêntico valor evangélico ou, pelo menos, é
aberto ao Evangelho daquilo que não o é; purificar o que está
sob o sinal do pecado (paixões, estruturas do mal...) ou da fragilidade
humana; penetrar nas pessoas, estimulando uma atitude de radical conversão
a Deus, de diálogo com os demais e de paciente amadurecimento interno.
Necessidades e critérios de avaliação
205. Em fase de avaliação, tanto mais necessária quando
se apresenta um caso de tentativa inicial eou de experimentação,
dever-se-á observar com muito cuidado se no processo catequético
se tenham infiltrado elementos de sincretismo. Em tal caso, as tentativas de
inculturação seriam perigosas e errôneas, e deveriam ser
corrigidas.
Em termos positivos, é correta aquela catequese que não apenas
provoca uma assimilação intelectual do conteúdo da fé,
mas também toca o coração e transforma a conduta. Deste
modo, a catequese gera uma vida dinâmica e unificada da fé,
preenche o abismo entre aquilo que se crê e aquilo que se vive, entre a
mensagem cristã e o conteúdo cultural, estimula frutos de
santidade.
Responsáveis pelo processo de inculturação
206. « A inculturação deve envolver todo o Povo de Deus,
e não apenas alguns peritos, dado que o povo reflete aquele sentido da fé,
que é necessário nunca perder de vista. Que ela seja guiada e
estimulada, mas nunca forçada, para não provocar reações
negativas nos cristãos: deve ser uma expressão da vida comunitária,
ou seja, amadurecida no seio da comunidade, e não fruto exclusivo de
investigações eruditas ». (175) O processo de encarnação
do Evangelho, que é o objetivo específico da inculturação,
exige uma participação, na catequese, por parte de todos aqueles
que vivem no mesmo contexto cultural: o clero, os agentes pastorais
(catequistas), o mundo dos leigos.
Formas e vias privilegiadas
207. Entre as formas mais apropriadas de inculturação da fé,
é útil recordar a catequese dos jovens e dos adultos, pela
possibilidade de correlacionar mais incisivamente fé e vida. A inculturação
da fé não pode deixar de ser considerada na iniciação
cristã das crianças, exatamente pelas notáveis implicações
culturais de tal processo: aquisição de novas motivações
de vida, educação da consciência, aprendizagem da linguagem
bíblica e sacramental, conhecimento da importância histórica
do cristianismo.
Uma via privilegiada é a catequese litúrgica, pela riqueza de
sinais com que é expressa a mensagem e pela possibilidade de acesso que
oferece, a grande parte do Povo de Deus; deve ser também revalorizados os
conteúdos dos Lecionários, a estrutura do Ano Litúrgico, a
homilia dominical e outras ocasiões de catequeses particularmente
significativas (matrimônios, funerais, visitas aos enfermos, festas
dos santos padroeiros, etc.); é central a atenção
dispensada à família, agente primário da iniciação
a uma transmissão encarnada da fé; reveste-se de peculiar
interesse a catequese em situação multiétnica e
multicultural, uma vez que leva ainda mais atentamente a descobrir e a
considerar os recursos dos diversos grupos, no acolher e no expressar a fé
recebida.
A linguagem (176)
208. A inculturação da fé, sob certos aspectos, é
obra da linguagem. Isto faz com que a catequese respeite e valorize a linguagem
própria da mensagem, antes de mais nada, a linguagem bíblica, mas
também a linguagem histórico-tradicional da Igreja (Símbolo,
liturgia) e a chamada linguagem doutrinal (fórmulas dogmáticas);
além disso, é necessário que a catequese entre em comunicação
com formas e termos próprios da cultura da pessoa à qual se
dirige; enfim, é preciso que a catequese estimule novas expressões
do Evangelho na cultura na qual este foi implantado.
No processo de inculturação do Evangelho, a catequese não
deve ter receio de usar fórmulas tradicionais e termos técnicos da
fé, mas oferecer o significado dos mesmos e mostrar o seu relevo
existencial; e, por outro lado, é dever da catequese « encontrar uma
linguagem adaptada às crianças, aos jovens do nosso tempo em geral
e ainda a muitas outras categorias de pessoas: linguagem para os estudantes,
para os intelectuais e para os homens da ciência; linguagem para os
analfabetos e para as pessoas de cultura elementar; linguagem para os
excepcionais, etc. (177)
Os meios de comunicação
209. Intrinsecamente ligados à linguagem são os modos da
comunicação. Um dos mais eficazes e penetrantes é o dos
mass media. « A evangelização da cultura moderna
depende, em grande parte, da sua influência ». (178)
Remetendo ao que se afirma a esse respeito noutra parte, (179) recordam-se
aqui alguns indicadores úteis para a inculturação: uma mais
ampla valorização dos meios de comunicação, segundo
a sua específica qualidade comunicativa, sabendo equilibrar devidamente a
linguagem da imagem com a linguagem da palavra; a salvaguarda do senso religioso
genuíno nas formas expressivas escolhidas; a promoção do
amadurecimento crítico dos receptores e o estímulo ao
aprofundamento pessoal do que foi captado através dos meios de comunicação;
a produção de subsídios catequéticos para os mass
media, congruentes com o objetivo; uma profícua colaboração
entre agentes pastorais. (180)
210. Um instrumento considerado central no processo de inculturação
é o Catecismo. Antes de mais nada, o Catecismo da Igreja Católica,
cuja « vasta gama de serviços é preciso saber evidenciar...
também em vista da inculturação, a qual, para ser eficaz. não
pode jamais deixar de ser verdadeira ». (181)
O Catecismo da Igreja Católica requer expressamente a redação
de Catecismos locais apropriados, nos quais possam ser atuadas as adaptações...
exigidas pelas diferenças de culturas, de idades, da vida espiritual e
das situações sociais e eclesiais daqueles a quema catequese é
dirigida. (182)
Âmbitos antropológicos e tendências culturais
211. O Evangelho solicita uma catequese aberta, generosa e corajosa no alcançar
as pessoas onde elas vivem, de modo particular encontrando aquelas encruzilhadas
da existência onde se dão os intercâmbios culturais
elementares e fundamentais, como a família, a escola, o ambiente de
trabalho, o tempo livre.
Também é importante para a catequese saber distinguir e
penetrar naqueles ambientes antropológicos nos quais as tendências
culturais têm maior impacto, para a criação ou difusão
de modelos de vida, tais como o mundo urbano, o fluxo turístico e migratório,
o universo dos jovens e outros fenômenos socialmente relevantes...
Enfim « são outros tantos setores a serem iluminados pela luz do
Evangelho » (183) aquelas áreas culturais que são denominadas
« areópagos modernos », tais como a área da comunicação,
a área dos esforços civis em favor da paz, o desenvolvimento, a
libertação dos povos e a salvaguarda da criação; a área
da defesa dos direitos das pessoas, sobretudo das minorias, da mulher e da criança;
a área da pesquisa científica e das relações
internacionais...
Intervenção nas situações concretas
212. O processo de inculturação operado pela catequese é
chamado a confrontar-se continuamente com situações concretas múltiplas
e diferentes. Pretendemos enumerar aqui algumas das mais relevantes e freqüentes.
Em primeiro lugar, é necessário distinguir a inculturação
em países de recente origem cristã, onde o primeiro anúncio
missionário deve ainda consolidar-se, e a inculturação em
países de tradição cristã, que necessitam de uma
nova evangelização.
É preciso levar em consideração, também, as
situações expostas a tensões e conflitos em relação
a fatores como o pluralismo étnico, o pluralismo religioso, as diferenças
de desenvolvimento às vezes gritantes, a condição urbana e
extra-urbana de vida, os sistemas dominantes de significado, os quais, em certos
países, são influenciados pela maciça secularização,
e em outros, por uma forte religiosidade.
Enfim, se buscará ter presente aquelas tendências culturalmente
significativas no território, representadas pelas várias classes
sociais e profissionais, tais como homens da ciência e da cultura, mundo
operário, jovens, marginalizados, estrangeiros, excepcionais...
Em termos mais gerais, « a formação dos cristãos
terá na máxima conta a cultura humana do lugar, a qual contribui
para a própria formação e ajudará a avaliar tanto o
valor inerente à cultura tradicional, como o proposto pela moderna. Dê-se
a devida atenção também às várias culturas
que possam coexistir num mesmo povo e numa mesma nação ».
(184)
Tarefas das Igrejas locais (185)
213. A inculturação compete às Igrejas particulares e
se refere a todos os âmbitos da vida cristã. A catequese é
um desses aspectos. Exatamente pela natureza da inculturação, que
acontece no concreto e na especificidade das situações, « uma
legítima atenção para com as Igrejas particulares não
pode senão vir a enriquecer a Igreja. Tal atenção, aliás,
é indispensável e urgente ». (186)
Com este objetivo e de maneira muito oportuna, as Conferências dos
Bispos dos diversos países do mundo, estão propondo Diretórios
catequéticos (e instrumentos análogos), catecismos e subsídios,
laboratórios e centros de formação. À luz do conteúdo
expresso no presente Diretório, torna-se necessário operar uma
revisão e uma atualização das diretrizes locais,
estimulando o concurso dos centros de pesquisa, valendo-se da experiência
dos catequistas e favorecendo a participação do próprio
Povo de Deus.
Iniciativas guiadas
214. A importância do assunto e, por outro lado, a indispensável
fase de pesquisa e de experimentação, exigem iniciativas guiadas
pelos legítimos Pastores. Tais iniciativas são:
favorecer uma catequese difusa e capilar, que sirva a superar, antes
de mais nada, o grave obstáculo de toda inculturação que é
a ignorância ou a má informação. Isso permite aquele
diálogo e envolvimento direto das pessoas, que indicam melhor eficazes
vias de anúncio;
realizar experiências-piloto de inculturação da fé,
no âmbito de um programa estabelecido pela Igreja. Em particular, assume
um papel influente a prática do catecumenato dos adultos segundo o OICA;
se na mesma área eclesial, existem múltiplos grupos étnicos
e lingüísticos, é oportuno dispor de guias e Diretórios
traduzidos nas diversas línguas, promovendo, através de centros
catequéticos, um serviço catequético homogêneo a cada
grupo;
estabelecer um diálogo de recíproca escuta e de comunhão
entre as Igrejas locais e entre estas e a Santa Sé. Isso permite
verificar certas experiências, critérios, itinerários e
instrumentos de trabalho para a inculturação, mais válidos
e atualizados.
QUINTA PARTE
A CATEQUESE NA IGREJA PARTICULAR
A Catequese na Igreja particular
« Depois subiu à montanha, e chamou a si os que ele queria,
e eles foram até ele. E constituiu Doze, para que ficassem com ele, para
enviá-los a pregar, e terem autoridade para expulsar os demônios »
(Mc 3,13-15). « Jesus respondeu-lhe: « Bem-aventurado és
tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te
revelaram isso, e sim o meu Pai que está nos céus. Também
eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja »
(Mt 16,17-18). « A Igreja de Jerusalém, impulsionada pelo Espírito
Santo, gera as Igrejas: « Igreja de Jerusalém » (At 8,1); «
A Igreja de Deus que está em Corinto » (1 Cor 1,2); « As
Igrejas da Ásia » (1 Cor 16,19); « As Igrejas da Judéia »
(Gl 1,22); « As sete Igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo,
Tiatira, Sardes,Filadélfia e Laodicéia » (cf. Ap 1,20; 3,14).
Sentido e finalidade desta parte
215. De tudo o que foi exposto nas partes precedentes, em relação
à natureza da catequese, ao seu conteúdo, à sua pedagogia e
aos seus destinatários, emerge a pastoral catequética que, de
fato, se realiza na Igreja particular.
Esta Quinta Parte expõe os seus elementos mais importantes.
216. No primeiro capítulo se reflete sobre o ministério catequético
e os seus agentes. A catequese é uma responsabilidade comum, mas
diferenciada. Os Bispos, os presbíteros, os diáconos, os
religiosos e os fiéis leigos atuam nela, de acordo com as suas
respectivas responsabilidades e carismas.
A formação dos catequistas, analisada no Segundo Capítulo,
é um elemento decisivo na ação catequizadora. Se é
importante dotar a catequese de válidos instrumentos, mais importante
ainda é prepararcatequistas idôneos. No Terceiro Capítulo se
estudam os lugares onde, de fato, se realiza a catequese.
No Quarto Capítulo, se estudam os aspectos mais diretamente
organizacionais da catequese: os organismos responsáveis, a coordenação
da catequese e algumas tarefas próprias do serviço catequético.
A indicação e as sugestões oferecidas nesta Parte, não
podem deixar de encontrar imediata e contemporânea aplicação
na Igreja em todas as partes. Para aquelas nações ou regiões,
nas quais a ação catequética ainda não teve a
oportunidade de alcançar um suficiente nível de desenvolvimento,
estas orientações e sugestões assinalam somente uma série
de metas a serem alcançadas gradativamente.
I CAPÍTULO
O ministério da catequese na Igreja
particular e os seus agentes
A Igreja particular (187)
217. O anúncio, a transmissão e a experiência vivida
pelo Evangelho realizam-se na Igreja particular (188) ou Diocese. (189) A Igreja
particular é constituída pela comunidade dos discípulos de
Jesus Cristo (190) que vivem encarnados num espaço sociocultural
determinado. Em toda Igreja particular « se faz presente a Igreja universal
com todos os seus elementos essenciais ». (191) Realmente, a Igreja
universal, fecundada pelo Espírito Santo no dia do Pentecostes como
primeira célula, « concebe as Igrejas particulares, como filhas, e
se exprime nelas ». (192) A Igreja universal, como Corpo de Cristo, se
manifesta assim, como « Corpo das Igrejas ». (193)
218. O anúncio do Evangelho e da Eucaristia são as duas
colunas sobre as quais se edifica e em torno das quais se reúne a Igreja
particular. Como a Igreja universal, também essa « existe para
evangelizar ». (194)
A catequese é uma ação evangelizadora basilar de toda
Igreja particular. Por meio dela, a Diocese oferece, a todos os seus membros e a
todos aqueles que se aproximam com intenção de entregar-se a Jesus
Cristo, um processo formativo que permita conhecer, celebrar, viver e anunciar o
Evangelho nos limites do próprio horizonte cultural. Desse modo, a
confissão da fé, meta da catequese, pode ser proclamada pelos discípulos
de Cristo « em nossas próprias línguas ». (195) Como em
Pentecostes, também hoje, a Igreja de Cristo, « presente e atuante »
(196) nas Igrejas particulares, « fala todas as línguas »,
(197) pois como árvore que cresce, lança as suas raízes em
todas as culturas.
O ministério da catequese na Igreja particular
219. No conjunto dos ministérios e dos serviços, com os quais
a Igreja particular atua a sua missão evangelizadora, ocupa um posto de
relevo o ministério da catequese. (198) Deste, destacamos o seguinte:
a) Na Diocese, a catequese é um serviço único,
(199) realizado conjuntamente pelos presbíteros, diáconos,
religiosos e leigos, em comunhão com o Bispo. Toda a comunidade cristã
deve sentir-se responsável por este serviço. Ainda que os
sacerdotes, religiosos e leigos realizem em comum a catequese, fazem-no em modo
diferenciado, cada qual segundo a sua particular condição na
Igreja (ministros sagrados, pessoas consagradas, fiéis cristãos).
(200) Através deles, na diferença das funções de
cada um, o ministério catequético oferece, de modo completo, a
Palavra e o testemunho da realidade eclesial. Se faltasse qualquer uma dessas
formas de presença, a catequese perderia parte da própria riqueza
e do próprio significado.
b) Trata-se, por outro lado, de um serviço eclesial
fundamental, indispensável para o crescimento da Igreja. Não é
uma ação que se possa realizar na comunidade a título
privado ou por iniciativa puramente pessoal. Atua-se em nome da Igreja, em
virtude da missão por ela conferida.
c) O ministério catequético, no conjunto dos ministérios
e dos serviços eclesiais, tem um caráter próprio, que
deriva da especificidade da ação catequética, no âmbito
do processo de evangelização. A tarefa do catequista, como
educador da fé, difere daquela que cabe a outros agentes da pastoral (litúrgica,
da caridade, social...), ainda que, obviamente, deva agir em coordenação
com estes.
d) A fim de que o ministério catequético na Diocese
seja frutuoso, ele precisa apoiar-se sobre os demais agentes, não
necessariamente catequistas diretos, os quais apoiam e sustentam a atividade
catequética, realizando tarefas que são imprescindíveis,
tais como: a formação dos catequistas, a elaboração
do material, a reflexão, a organização e o planejamento.
Estes agentes, juntamente com os catequistas, estão a serviço de
um único ministério catequético diocesano, ainda que não
todos desempenhem os mesmos papéis, e nem o façam sob o mesmo título.
A comunidade cristã e a responsabilidade de catequizar
220. A catequese é uma responsabilidade de toda a comunidade cristã.
A iniciação cristã, de fato, « não deve ser
obra somente dos catequistas ou sacerdotes, mas de toda a comunidade dos fiéis
». (201) A própria educação permanente na fé é
uma questão que cabe a toda a comunidade. A catequese é, portanto,
uma ação educativa, realizada a partir da peculiar
responsabilidade de cada membro da comunidade, num contexto ou clima comunitário,
rico de relações, a fim de que oscatecúmenos e os
catequizandos se incorporem ativamente na vida da comunidade.
Da fato, a comunidade cristã acompanha o desenvolvimento dos
processos catequéticos, tanto com as crianças quanto com os jovens
ou com os adultos, como um fato que lhe diz respeito e que a empenha
diretamente. (202) É ainda a comunidade cristã que, ao término
do processo catequético, acolhe os catecúmenos e catequizandos num
ambiente fraterno « no qual eles possam viver o mais plenamente possível
aquilo que aprenderam ». (203)
221. A comunidade cristã não apenas dá muito ao grupo
dos catequizandos, mas também recebe muito destes. Os neo-convertidos,
sobretudo os jovens e os adultos, aderindo a Jesus Cristo, levam à
comunidade que os acolhe uma nova riqueza humana e religiosa. Assim, a
comunidade cresce e se desenvolve, pois a catequese conduz à maturidade
da fé não somente os catequizandos, mas também a própria
comunidade enquanto tal.
Ainda que toda a comunidade cristã seja responsável pela
catequese, e ainda que todos os seus membros devam dar testemunho da fé,
somente alguns recebem o mandato eclesial de ser catequistas. Juntamente com a
missão originária que têm os genitores em relação
a seus filhos, a Igreja confere oficialmente, a determinados membros do Povo de
Deus, especificamente chamados, a delicada missão de transmitir a fé,
no seio da comunidade. (204)
O Bispo, primeiro responsável pela catequese na Igreja particular
222. O Concílio Vaticano II releva a eminente importância que,
no ministério episcopal, têm o anúncio e a transmissão
do Evangelho. « Entre os principais deveres dos Bispos, destaca-se o de
pregar o Evangelho ». (205) Na realização desta tarefa, os
Bispos são, antes de mais nada, « arautos da fé », (206)
que buscam arrebanhar novos discípulos para Cristo e são, ao mesmo
tempo, « mestres autênticos », (207) que transmitem ao povo a
eles confiado, a fé a ser professada e vivida. No ministério profético
dos Bispos, o anúncio missionário e a catequese constituem dois
aspectos, intimamente unidos. Para realizar esta função, os Bispos
recebem « um carisma de verdade ». (208)
Os Bispos são « os primeiros responsáveis pela catequese,
os catequistas por excelência ». (209) Na história da Igreja, é
evidente o papel preponderante dos grandes e santos Bispos que, com suas
iniciativas e seus escritos, marcam o período mais esplêndido da
instituição catecumenal. Eles concebiam a catequese como uma
dastarefas fundamentais de seu ministério. (210)
223. Esta preocupação pela atividade catequética levará
o Bispo a assumir « a superior direção da catequese »
(211) na Igreja particular, responsabilidade que implica, entre outras coisas:
Assegurar à sua Igreja a efetiva prioridade de uma
catequese ativa e eficaz, « que empenhe na atividades as pessoas, os meios
e os instrumentos e também os recursos financeiros necessários ».
(212)
Exercitar a solicitude pela catequese, mediante uma intervenção
direta na transmissão do Evangelho aos fiéis, vigiando, ao
mesmo tempo, sobre a autenticidade da confissão da fé e sobre a
qualidade dos textos e instrumentos que devem ser utilizados. (213)
« Suscitar e alimentar uma verdadeira paixão pela
catequese; uma paixão, porém, que se encarne numa organização
adequada e eficaz », (214) agindo com a profunda convicção da
importância que tem a catequese para a vida cristã de uma Diocese.
Trabalhar para que « os catequistas sejam perfeitamente
preparados para a sua missão, conheçam cabalmente a doutrina
da Igreja e aprendam na teoria e na prática, as leis da Psicologia e as
disciplinas pedagógicas ». (215)
Estabelecer, na Diocese, um projeto global de catequese,
articulado e coerente, o qual responda às verdadeiras necessidades
dos fiéis e seja adequadamente situado nos planos pastorais diocesanos.
Tal projeto deve ser coordenado, igualmente, no seu desenvolvimento, com os
planos da Conferência Episcopal.
Os presbíteros, pastores e educadores da comunidade cristã
224. A função própria do presbítero na tarefa
catequética nasce do sacramento da Ordem que recebeu. « Pelo
sacramento da Ordem, os presbíteros, pela unção do Espírito
Santo, são assinalados com um caráter especial e assim
configurados com Cristo Sacerdote, de forma a poderem agir na pessoa de Cristo
cabeça, (...) para construir e edificar todo o seu Corpo que é a
Igreja, como cooperadores da ordem episcopal ». (216) Em razão desta
configuração ontológica com Cristo, o ministério dos
presbíteros é um serviço que plasma a comunidade, que
coordena e dá força aos demais serviços e carismas. Em relação
à catequese, o sacramento da Ordem constitui os presbíteros como «
educadores na fé ». (217) Esforçam-se, portanto, para que os
fiéis da comunidade se formem adequadamente e alcancem a maturidade cristã.
(218) Conscientes, por outro lado, de que o seu « sacerdócio
ministerial » (219) está a serviço do « sacerdócio
comum dos fiéis », (220) os presbíteros estimulam a vocação
e o trabalho dos catequistas, ajudando-os a realizar uma função
que brota do Batismo e se exercita em virtude de uma missão que a Igreja
lhes confia. Os presbíteros realizam, assim, a recomendação
do Concílio Vaticano II, quando lhes pede que « reconheçam e
promovam sinceramente a dignidade dos leigos e suas incumbências na missão
da Igreja ».(221)
225. De maneira mais concreta, na catequese, as tarefas próprias do
presbítero e, especificamente do pároco, (222) são:
suscitar, na comunidade cristã, o senso da responsabilidade
comum para com a catequese, como tarefa que envolve todos, assim como o
reconhecimento e o apreço para com os catequistas e a missão que
desempenham;
cuidar da impostação de fundo da catequese e da
sua adequada programação, contando com a participação
ativa dos próprios catequistas, e estando atento para que ela seja «
bem estruturada e bem orientada »; (223)
suscitar e distinguir vocações para o serviço
catequético e, como catequista dos catequistas, cuidar da formação
dos mesmos, dedicando a esta tarefa a máxima solicitude;
integrar a ação catequética no projeto
evangelizador da comunidade, cuidando, em particular, do liame entre
catequese, sacramentos e liturgia;
assegurar a conexão entre a catequese a sua comunidade e os
planos pastorais diocesanos, ajudando os catequistas a se fazerem
cooperadores ativos de um projeto diocesano comum.
A experiência comprova que a qualidade da catequese de uma comunidade
depende, em grande parte, da presença e da ação do
sacerdote.
Os genitores, primeiros educadores dos próprios filhos à fé
(224)
226. O testemunho de vida cristã, oferecido pelos genitores, no seio
da família, chega até as crianças envolvido em ternura e
respeito materno e paterno. Os filhos se dão conta, assim, e vivem
alegremente a proximidade de Deus e de Jesus, manifestada pelos genitores, de
tal modo que esta primeira experiência cristã deixa, freqüentemente,
uma marca decisiva, que dura por toda a vida. Este despertar religioso infantil,
no âmbito familiar, tem um caráter « insubstituível ».
(225)
Esta primeira iniciação consolida-se quando, por ocasião
de certos eventos familiares ou de festas, « se tiver o cuidado de
explicitar em família, o conteúdo cristão ou religioso de
tais acontecimentos ». (226) Tal iniciação se aprofunda ainda
mais, se os genitores comentam e ajudam a interiorizar a catequese mais metódica,
que os seus filhos maiores, recebem na comunidade cristã. De fato, «
a catequese familiar precede, acompanha e enriquece todas as outras formas de
catequese ». (227)
227. Os genitores recebem, no sacramento do Matrimônio, « a graça
e a responsabilidade da educação cristã de seus filhos »,
(228) aos quais testemunham e transmitem, ao mesmo tempo, os valores humanos e
religiosos. Tal ação educativa, ao mesmo tempo humana e religiosa,
é um « verdadeiro ministério », (229) por meio do qual
se transmite e se irradia o Evangelho, até o ponto em que a própria
vida de família se torna itinerário de fé e escola de vida
cristã. À medida que os filhos crescem, também o intercâmbio
se faz recíproco e, « num diálogo catequético deste
tipo, cada um recebe e dá alguma coisa ». (230)
Por isso, é necessário que a comunidade cristã preste
uma especial atenção aos genitores. Através de contatos
pessoais, encontros, cursos e também mediante uma catequese para adultos,
dirigida aos genitores, se deve ajudá-los a assumir a tarefa, hoje
particularmente delicada, de educar os seus filhos na fé . Isto se mostra
ainda mais urgente nos locais onde a legislação civil não
permite ou torna difícil uma livre educação na fé.
(231) Nesses casos, a « igreja doméstica » (232) é,
praticamente, o único ambiente no qual crianças e jovens podem
receber uma autêntica catequese.
Os Religiosos na catequese
228. A Igreja convoca, de modo particular, as pessoas de vida consagrada à
atividade catequética, e deseja « que as comunidades religiosas
consagrem o máximo das suas capacidades e de suas possibilidades à
obra específica da catequese ». (233)
A contribuição peculiar à catequese, fornecida pelos
religiosos, religiosas e pelos membros das Sociedades de Vida apostólica,
deriva da sua específica condição. A profissão dos
conselhos evangélicos, que caracteriza a vida religiosa, constitui um dom
para toda a comunidade cristã. Na ação catequética
diocesana, a sua original e peculiar contribuição não poderá
jamais ser um sucedâneo, nem dos sacerdotes nem dos leigos. Esta contribuição
original nasce do testemunho público de sua consagração,
que os constitui sinal vivo da realidade do Reino: « É a profissão
desses conselhos em um estado de vida estável reconhecido pela Igreja,
que caracteriza a vida consagrada a Deus ». (234) Ainda que os valores
evangélicos devam ser vividos por todo cristão, as pessoas de vida
consagrada « encarnam a Igreja desejosa de se entregar ao radicalismo das
bemaventuranças ». (235) O testemunho dos religiosos, unido ao
testemunho dos leigos, mostra a face única da Igreja, que é sinal
do Reino de Deus. (236)
229. « Há muitas Famílias religiosas, masculinas e
femininas, que nasceram para a educação cristã das crianças
e dos jovens, sobretudo dos mais abandonados ». (237) Esse mesmo carisma
dos fundadores faz com que muitos religiosos e religiosas colaborem hoje na
catequese diocesana dos adultos. No curso da história « os
Religiosos e as Religiosas têm estado muito comprometidos na atividade
catequética da Igreja ». (238)
Os carismas de fundação (239) não ficam à margem
quando os religiosos assumem a tarefa catequética. Mantendo intacto o caráter
próprio da catequese, os carismas das diversas comunidades religiosas
conotam esta tarefa comum com características próprias, freqüentemente
de grande profundidade religiosa, social e pedagógica. A história
da catequese demonstra a vitalidade que estes carismas deram à ação
educativa da Igreja.
Os catequistas leigos
230. Também a ação catequética dos leigos tem um
caráter peculiar, devido à sua particular condição
na Igreja: « o caráter secular é próprio dos leigos ».
(240) Os leigos exercitam a catequese a partir de sua inserção no
mundo, compartilhando todas as formas de empenho com os outros homens e
revestindo a transmissão do Evangelho de sensibilidade e conotações
específicas: « esta evangelização (...) adquire
características específicas e eficácia particular pelo fato
de se realizar nas condições comuns do século ». (241)
De fato, ao compartilhar a mesma forma de vida daqueles que catequizam, os
catequistas leigos têm uma sensibilidade especial para encarnar o
Evangelho na vida concreta dos seres humanos. Os próprios catecúmenos
e catequizandos podem encontrar neles, um modelo cristão, no qual
projetar o seu futuro de crentes.
231. A vocação do leigo à catequese tem origem no
sacramento do Batismo e se fortalece pela Confirmação, sacramentos
mediante os quais ele participa do « ministério sacerdotal, profético
e real » de Cristo. (242) Além da vocação comum ao
apostolado, alguns leigos sentemse chamados interiormente por Deus, a assumirem
a tarefa de catequistas. A Igreja suscita e distingue esta vocação
divina, e confere a missão de catequizar. Dessa forma, o Senhor Jesus
convida homens e mulheres, de uma maneira especial, a segui-Lo, mestre e
formador dos discípulos. Este chamado pessoal de Jesus Cristo e a relação
com Ele são o verdadeiro motor da ação do catequista. «
É deste conhecimento amoroso de Cristo que jorra o desejo de anunciáLo,
de « evangelizar », e de levar outros ao « sim » da fé
em Jesus Cristo ». (243)
Sentir-se chamado a ser catequista e a receber da Igreja a missão
para fazê-lo pode adquirir, de fato, diversos graus de dedicação,
segundo as características de cada um. Às vezes, o catequista pode
colaborar com o serviço da catequese por um período limitado da
sua vida, ou até mesmo simplesmente de maneira ocasional; apesar disso,
trata-se sempre de um serviço e de uma colaboração
preciosos. A importância do ministério da catequese, todavia,
aconselha que, na diocese, exista um certo número de religiosos e de
leigos estável e generosamente dedicados à catequese, reconhecidos
publicamente, os quais, em comunhão com os sacerdotes e o Bispo,
contribuem a dar a este serviço diocesano a configuração
eclesial que lhe é própria. (244)
Diversos tipos de catequista hoje particularmente necessários
232. O tipo ou figura do catequista na Igreja apresenta diversas
modalidades, já que as necessidades da catequese são várias.
« Os catequistas em território de missão »,
(245) aos quais este título se aplica de modo todo especial. «
Igrejas atualmente florescentes não poderiam ter sido edificadas sem eles
». (246) Há aqueles que têm « a função
específica da catequese »; (247) e há aqueles que colaboram
nas diversas formas de apostolado ». (248)
Em algumas Igrejas de antiga evangelização, com grande
escassez de clero, há a necessidade de uma figura de certo modo análoga
àquela do catequista dos territórios de missão. Trata-se,
com efeito, de fazer frente a necessidades urgentes: a animação
comunitária de pequenas populações rurais carentes da assídua
presença do sacerdote; a conveniência de uma presença e de
uma penetração missionárias « nos bairros de grandes
metrópoles ». (249)
Nas situações dos países de tradição
cristã que requerem uma « nova evangelização »,
(250) a figura do catequista dos jovens e a do catequista dos
adultos tornam-se imprescindíveis para animar a catequese de iniciação.
Estes catequistas devem fornecer também a catequese permanente. Em tais
tarefas, o papel do sacerdote será igualmente fundamental.
Continua a ser basilar a figura do catequista das crianças
e dos adolescentes, ao qual cabe a delicada missão de oferecer «
as primeiras noções do catecismo e a preparação para
o sacramento da reconciliação, para a primeira comunhão e
para a confirmação ». (251) Esta tarefa, atualmente, é
ainda mais urgente, quando as crianças e os adolescentes « não
recebem uma conveniente formação religiosa no seio de suas famílias
». (252)
Um tipo de catequista que é preciso formar, é o do catequista
para os encontros pré-sacramentais, (253) destinado ao mundo dos
adultos, por ocasião do Batismo ou da Primeira Comunhão dos
filhos, ou por ocasião do sacramento do Matrimônio. É uma
tarefa que tem em si uma originalidade própria, na qual confluem o
acolhimento, o primeiro anúncio e a oportunidade de tornar-se companheiro
de viagem na busca da fé.
Outros tipos de catequistas são urgentemente exigidos por
setores humanos de especial sensibilidade: as pessoas da terceira idade,
(254) que necessitam de uma apresentação do Evangelho,
adaptada à suas condições; as pessoas desadaptadas e
excepcionais, que necessitam de uma especial pedagogia catequética,
(255) além da sua plena integração na comunidade; os migrantes
e as pessoas marginalizadas pela evolução moderna. (256)
Podem ser aconselháveis outros tipos de catequistas. Cada
Igreja particular, analisando a própria situação cultural e
religiosa, suprirá as próprias necessidades e traçará
o perfil, com realismo, dos tipos de catequista de que necessita. É uma
tarefa fundamental a orientação e a organização da
formação dos catequistas.
CAPÍTULO II
A formação para o serviço da
Catequese
A pastoral dos catequistas na Igreja particular
233. Para o bom funcionamento do ministério catequético na
Igreja particular, é fundamental poder contar, antes de mais nada, com
uma adequada pastoral dos catequistas. Nesta, diversos aspectos devem ser
levados em consideração. De fato, é preciso procurar:
Suscitar nas paróquias e nas comunidades cristãs, vocações
para a catequese. Atualmente, considerando o fato de que as necessidades da
catequese são sempre mais diferenciadas, é preciso promover a
formação de diversos tipos de catequista. « Serão
necessários, portanto, catequistas especializados ». (257) A propósito,
será conveniente determinar os critérios de escolha.
Promover um certo número de catequistas a tempo integral,
de modo que possam dedicar-se mais estável e intensamente à
catequese, (258) além de promover também os catequistas a
tempo parcial, que ordinariamente serão mais numerosos.
Estabelecer uma mais equilibrada distribuição de
catequistas entre os setores dos destinatários que necessitam de
catequese. A consciência da necessidade de uma catequese para os jovens e
para os adultos, por exemplo, levará a estabelecer um maior equilíbrio
em relação ao número dos catequistas que se dedicam à
infância e à adolescência.
Promover animadores responsáveis pela ação
catequética, que assumam responsabilidade, a nível diocesano,
regional e paroquial. (259)
Organizar adequadamente a formação dos catequistas
no que concerne tanto à formação de base quanto à
formação permanente.
Dispensar uma atenção pessoal e espiritual aos
catequistas e ao grupo de catequistas enquanto tal. Esta tarefa compete
principal e fundamentalmente aos sacerdotes das respectivas comunidades cristãs.
Coordenar os catequistas com os outros agentes da pastoral
nas comunidades cristãs, a fim de que a ação evangelizadora
global seja coerente e o grupo dos catequistas não fique isolado e alheio
à vida da comunidade.
Importância da formação dos catequistas
234. Todas estas tarefas nascem da convicção de que qualquer
atividade pastoral que não conte, para a sua realização,
com pessoas realmente formadas e preparadas, coloca em risco a sua qualidade. Os
instrumentos de trabalho não podem ser verdadeiramente eficazes se não
forem utilizados por catequistas bem formados. Portanto, a adequada formação
dos catequistas não pode ser descuidada em favor da atualização
dos textos e de uma melhor organização da catequese. (260)
Conseqüentemente, a pastoral catequética diocesana deve dar
absoluta prioridade à formação dos catequistas leigos.
Juntamente com este objetivo e como elemento realmente decisivo, dever-se-á
prestar atenção à formação catequética
dos presbíteros, tanto nos planos de estudo da formação
seminarista quanto no período da formação permanente.
Pede-se aos Bispos para que cuidem escrupulosamente desta formação.
Finalidade e natureza da formação dos catequistas
235. A formação procura habilitar os catequistas a transmitir
o Evangelho àqueles que desejam entregar-se a Jesus Cristo. A finalidade
da formação requer, portanto, que o catequista se torne o mais idôneo
possível a realizar um ato de comunicação: « o
objetivo essencial da formação catequética é o de
tornar apto à comunicação da mensagem cristã ».
(261)
A finalidade cristocêntrica da catequese, que busca favorecer a comunhão
do convertido com Jesus Cristo, impregna toda a formação dos
catequistas. (262) O que esta busca, de fato, não é outra coisa
senão levar o catequista a saber animar eficazmente um itinerário
catequético no qual, através das necessárias etapas,
anuncie Jesus Cristo; faça conhecer a Sua vida, enquadrando-a na
totalidade da história da salvação; explique o mistério
do Filho de Deus, feito homem por nós; e enfim, ajude o catecúmeno
ou o catequizando a identificar-se com Jesus Cristo, mediante os Sacramentos da
iniciação. (263) Na catequese permanente, o catequista não
faz outra coisa senão aprofundar estes aspectos basilares.
Esta perspectiva cristológica incide diretamente sobre a identidade
do catequista e na sua preparação.
«A unidade e a harmonia do catequista devem ser lidas nesta
perspectiva cristocêntrica e construídas com base numa profunda
familiaridade com Cristo e com o Pai, no Espírito ». (264)
236. O fato de que a formação procure tornar o catequista apto
a transmitir o Evangelho em nome da Igreja, confere a toda a formação
uma natureza eclesial. A formação dos catequistas não é
senão uma ajuda a inserir-se profundamente na consciência viva e
atual que a Igreja tem do Evangelho, tornando-se assim apto a transmiti-lo em
nome desta mesma Igreja.
De maneira mais concreta, o catequista, na sua formação, entra
em comunhão com aquela aspiração da Igreja que, como
esposa, « conserva íntegra e pura a fé do Esposo » (265)
e, « como mãe e mestra » quer transmitir o Evangelho em toda a
sua autenticidade, adaptando-o a todas as culturas, idades e situações.
Esta eclesialidade da transmissão do Evangelho permeia toda a
formação dos catequistas, conferindo-lhe a sua verdadeira
natureza.
Critérios inspiradores da formação dos catequistas
237. Para conceber adequadamente a formação dos catequistas, é
preciso considerar previamente alguns critérios inspiradores que
configuram, com diferentes características, esta formação.
Trata-se, antes de mais nada, de formar catequistas para as necessidades
evangelizadoras deste momento histórico, com os seus valores, com os
seus desafios e os seus pontos obscuros. Para fazer frente a esta tarefa, são
necessários catequistas dotados de uma profunda fé, (266) de uma
clara identidade cristã e eclesial (267) e de uma profunda sensibilidade
social. (268) Todo projeto formativo deve levar em consideração
estes aspectos.
Na formação, ter-se-á presente também o
conceito de catequese que a Igreja hoje apresenta. Trata-se de formar
catequistas para que sejam capazes de transmitir não apenas um
ensinamento, mas também uma formação cristã
integral, desenvolvendo « tarefas de iniciação, de educação
e de ensinamento ». (269) São necessários catequistas que
sejam, ao mesmo tempo, mestres, educadores e testemunhas.
O momento catequético que a Igreja vive é um
convite a preparar catequistas capazes de superar « tendências
unilaterais divergentes » (270) e de oferecer uma catequese plena e
completa. Devem saber conjugar a dimensão verídica e significativa
da fé, a ortodoxia e a ortopraxis, o sentido social e eclesial. A formação
deverá contribuir para a mútua fecundação destes
elementos que podem entrar em tensão.
A formação dos catequistas leigos não pode
ignorar o caráter próprio do leigo na Igreja e não
deve ser concebida como mera síntese da formação recebida
pelos religiosos e sacerdotes. Aliás, será preciso levar em
consideração que a sua formação apostólica
assume característica especial, a partir da índole secular e própria
do laicato e da sua espiritualidade.
A pedagogia utilizada nesta formação tem,
enfim, uma importância fundamental. Como critério geral, é
preciso sublinhar a necessidade da coerência entre a pedagogia global da
formação catequética e a pedagogia própria de um
processo catequético. Seria muito difícil para o catequista
improvisar, na sua ação, um estilo e uma sensibilidade, para os
quais não tivesse sido iniciado durante a sua própria formação.
As dimensões da formação: o ser, o saber, o saber
fazer
238. A formação dos catequistas compreende diversas dimensões.
A mais profunda se refere ao próprio ser do catequista, à
sua dimensão humana e cristã. A formação, de fato,
deve ajudá-lo a amadurecer, antes de mais nada, como pessoa, como crente
e como apóstolo. Depois, há o que o catequista deve saber
para cumprir bem a sua tarefa. Esta dimensão, permeada pela dúplice
fidelidade à mensagem e ao homem, requer que o catequistas conheça
adequadamente a mensagem que transmite e, ao mesmo tempo, o destinatário
que a recebe, além do contexto social em que vive. Enfim, há a
dimensão do saber fazer, já que a catequese é um
ato de comunicação. A formação tende a fazer do
catequista um « educador do homem e da vida do homem ». (271)
Maturidade humana, cristã e apostólica dos catequistas
239. Com base numa inicial maturidade humana, (272) o exercício
da catequese, constantemente reconsiderado e avaliado, possibilitará o
crescimento do catequista no equilíbrio afetivo, no senso crítico,
na unidade interior, na capacidade de relações e de diálogo,
no espírito construtivo e no trabalho de grupo. (273) Tratar-se-á,
antes de mais nada, de fazê-lo crescer no respeito e no amor para com os
catecúmenos e catequizandos: « E de que gênero é essa
afeição? Muito maior do que aquela que pode ter um pedagogo, é
a afeição de um pai, e mais ainda, a de uma mãe. É
uma afeição assim que o Senhor espera de cada pregador do
Evangelho e de cada edificador da Igreja ». (274)
A formação, ao mesmo tempo, estará atenta a que o exercício
da catequese alimente e nutra a fé do catequista, fazendo-o crescer como
crente. Por isso, a verdadeira formação alimenta, sobretudo, aespiritualidade
do próprio catequista, (275) de maneira que a sua ação
nasça, na verdade, do testemunho de sua própria vida. Todo tema
catequético que transmite deve alimentar, em primeiro lugar, a fé
do próprio catequista. Na verdade, catequizam os demais,
catequizandoprimeiramente a si mesmos.
A formação, além disso, alimentará
constantemente, a consciência apostólica do catequista, o
seu senso de evangelizador. Por isso, ele deve conhecer e viver o projeto de
evangelização concreto da própria Igreja diocesana e o de
sua paróquia, para sintonizar-se com a consciência que a Igreja
particular tem da própria missão. O melhor modo de alimentar esta
consciência apostólica é o de identificar-se com a figura de
Jesus Cristo, mestre e formador dos discípulos, procurando tornar próprio
o zelo pelo Reino, que Jesus manifestou. A partir do exercício da
catequese, a vocação apostólica do catequista, nutrida por
uma formação permanente, irá progressivamente amadurecendo.
A formação bíblico-teológica do catequista
240. Além de ser testemunha, o catequista deve ser mestre que ensina
a fé. Uma formação bíblico-teológica lhe
fornecerá um conhecimento orgânico da mensagem cristã
articulada a partir do mistério central da fé, que é Jesus
Cristo.
O conteúdo desta formação doutrinal é exigido
pelas diversas partes que compõem todo projeto orgânico de
catequese:
as três grandes etapas da história da salvação:
Antigo Testamento, vida de Jesus Cristo e história da Igreja;
os grandes núcleos da mensagem cristã; Símbolo,
liturgia, vida moral e oração.
No seu próprio nível de ensino teológico, o conteúdo
doutrinal da formação de um catequista é o mesmo daquele
que a catequese deve transmitir. Por sua vez, « a Sagrada Escritura deverá
ser como a alma desta formação ». (276) O Catecismo da Igreja
Católica será o ponto de referência doutrinal fundamental,
juntamente com os Catecismos da própria Igreja particular ou local.
241. Esta formação bíblico-teológica deverá
possuir algumas qualidades:
a) Em primeiro lugar, é necessário que seja uma formação
de caráter sintético, que corresponda ao anúncio que se
deve transmitir, e na qual os diferentes elementos da fé cristã
apareçam, bem estruturados e consoantes entre si, numa visão orgânica,
que respeite a « hierarquia das verdades ».
b) Esta síntese de fé deve ser tal, que ajude o
catequista a amadurecer na própria fé e, ao mesmo tempo, o torne
apto a dar razão da esperança presente no tempo de missão. «
A formação doutrinal dos fiéis leigos mostra-se hoje cada
vez mais urgente, não só pelo natural dinamismo de aprofundar a
sua fé, mas também pela exigência de « racionalizar a
esperança » que está dentro deles, perante o mundo e os seus
problemas graves e complexos ». (277)
c) Deve ser uma formação teológica muito próxima
da experiência humana, capaz de correlacionar os diferentes aspectos da
mensagem cristã com a vida concreta dos homens, « seja para inspirá-la
que para julgá-la à luz do Evangelho ». (278) Embora sendo
ensinamento teológico, deve adotar, de algum modo, um estilo catequético.
d) Finalmente, deve ser de tal maneira que o catequista « se
torne não apenas capaz de expor com exatidão a mensagem evangélica,
mas que saiba também suscitar a recepção ativa desta mesma
mensagem, por parte dos catequizandos, e que saiba distinguir, no itinerário
espiritual dos mesmos, aquilo que é conforme à fé ».
(279)
As ciências humanas na formação do catequista
242. O catequista adquire o conhecimento do homem e da realidade em que
vive, também através das ciências humanas, que, nos nossos
dias, alcançaram um grau de extraordinário desenvolvimento. «
Na pastoral sejam suficientemente conhecidos e usados não somente os
princípios teológicos, mas também as descobertas das ciências
profanas, sobretudo da psicologia e da sociologia, de tal modo que também
os fiéis sejam encaminhados a uma vida de fé mais pura e
amadurecida ». (280)
É necessário que o catequista entre em contato, pelo menos,
com alguns elementos fundamentais da psicologia: os dinamismos psicológicos
que movem o homem; a estrutura da personalidade; as necessidades e aspirações
mais profundas do coração humano; a psicologia evolutiva e as
etapas do ciclo vital humano; a psicologia religiosa e as experiências que
abrem o homem ao mistério do sagrado.
As ciências sociais procuram o conhecimento do contexto sociocultural
em que o homem vive e pelo qual é fortemente influenciado. Por isso, é
necessário que, na formação do catequista, se faça «
uma análise das condições sociológicas, culturais e
econômicas, uma vez que são processos coletivos que podem ter
profundas repercussões sobre a difusão do Evangelho ». (281)
Juntamente com estas ciências explicitamente recomendadas pelo Concílio
Vaticano II, outras devem estar presentes, de um modo ou de outro, na formação
dos catequistas, particularmente as ciências da educação e
da comunicação.
Critérios vários que podem inspirar o uso das ciências
humanas na formação dos catequistas
243. Tais critérios são:
a) O respeito pela autonomia das ciências: « (a Igreja)
afirma a legítima autonomia da cultura humana e particularmente das ciências
». (282)
b) O discernimento evangélico das diferentes tendências
ou escolas psicológicas, sociológicas e pedagógicas: os
seus valores e os seus limites.
c) O estudo das ciências humanas, na formação do
catequista, não é uma finalidade em si própria. A tomada de
consciência da situação existencial, psicológica,
cultural e social do homem, se obtém com os olhos voltados para a fé
na qual se deve educá-lo. (283)
d) A teologia e as ciências humanas, na formação
dos catequistas, devem se fecundar reciprocamente. Por conseguinte, é
preciso evitar que estas ciências se convertam na única norma para
a pedagogia da fé, prescindindo dos critérios teológicos
que derivam da própria pedagogia da fé. São disciplinas
fundamentais e necessárias, todavia, sempre a serviço de uma ação
evangelizadora que não é apenas humana. (284)
A formação pedagógica
244. Paralelamente às dimensões que se referem ao ser e ao
saber, a formação do catequista deve cultivar também as
suas aptidões, ou seja, o seu natural saber fazer. O catequista é
um educador que facilita o amadurecimento da fé que o catecúmeno
ou o catequizando realizam com a ajuda do Espírito Santo. (285)
A primeira realidade que é necessário levar em consideração
neste decisivo setor da formação é a de respeitar a
pedagogia original da fé. O catequista, de fato, prepara-se com a
finalidade de facilitar o crescimento de uma experiência de fé, da
qual ele não é o depositário. Essa fé foi colocada
por Deus no coração do homem. A tarefa do catequista é
apenas a de cultivar este dom, cultivá-lo, alimentá-lo e ajudá-lo
a crescer. (286)
A formação procurará fazer amadurecer no catequista a
capacidade educativa, que implica: a faculdade de ter atenção para
com as pessoas, a habilidade para interpretar e responder à pergunta
educativa, a iniciativa para ativar processos de aprendizagem e a arte de
conduzir um grupo humano para a maturidade. Como acontece em toda arte, o mais
importante é que o catequista adquira o seu próprioestilo de
ministrar a catequese, adaptando à sua personalidade os princípios
gerais da pedagogia catequética. (287)
245. De maneira mais concreta, dever-se-á habilitar o catequista, e
de maneira particular, aquele que se dedica à catequese a tempo integral,
a saber programar a ação educativa, no grupo de catequistas,
ponderando as circunstâncias, elaborando um plano realista e, após
a sua realização, a avaliá-lo criticamente. (288) Ele deve
ser capaz de animar um grupo, utilizando com discernimento, as técnicas
de animação de grupo que a psicologia oferece.
Esta capacidade educativa e este saber fazer, saber utilizar bem os
conhecimentos, aptidões e técnicas que ele comporta, « são
melhor assimilados se fornecidos de pari passu com o desenvolvimento de
seu empenho apostólico; por exemplo, durante as reuniões nas quais
são preparadas e criticadas as lições de catecismo ».
(289)
O objetivo ou a meta ideal é aquela, segundo a qual os catequistas
deveriam ser os protagonistas de sua aprendizagem, colocando a formação
sob o signo da criatividade e não apenas da mera assimilação
de regras externas. Por isso, a formação deve ser muito próxima
da prática: é preciso partir desta para chegar àquela.
(290)
A formação dos catequistas no âmbito das comunidades
cristãs
246. Entre os caminhos da formação dos catequistas emerge,
antes de mais nada, a própria comunidade cristã. É nesta
que os catequistas experimentam a própria vocação e
alimentam constantemente a própria sensibilidade apostólica. Na
tarefa de assegurar-lhes o progressivo amadurecimento como crentes e como
testemunhas, a figura do sacerdote é fundamental. (291)
247. Uma comunidade cristã pode realizar vários tipos de ações
formativas em favor dos próprios catequistas:
a) Uma delas consiste em alimentar constantemente a vocação
eclesial dos catequistas, mantendo viva, nestes, a consciência de serem
mandados pela própria Igreja.
b) Também é muito importante buscar o amadurecimento
da fé dos próprios catequistas, através da via ordinária,
mediante a qual a comunidade cristã educa na fé os próprios
agentes pastorais e os leigos mais engajados. (292) Quando a fé dos
catequistas ainda não está madura, é aconselhável
que eles partici pem do processo catecumenal para jovens e adultos. Pode ser
aquele ordinário, da própria comunidade, ou um criado
especificamente para eles.c) A preparação imediata à
catequese, feita com o grupo de catequistas, é um excelente meio de formação,
sobretudo se acompanhado pela avaliação de tudo aquilo que foi
experimentado nas sessões de catequese.
d) No âmbito da comunidade, podem ser realizadas também
outras atividades formativas: cursos de sensibilização à
catequese, por exemplo no início do ano pastoral; retiros e convivências
nos tempos fortes do ano litúrgico; (293) cursos monográficos
sobre temas mais necessários ou urgentes; uma formação
doutrinal mais sistemática, por exemplo estudando o Catecismo da Igreja
Católica.
São atividades de formação permanente que, juntamente
com o trabalho pessoal do catequista, mostram-se muito convenientes. (294)
Escolas de catequistas e Centros superiores para peritos na catequese
248. Freqüentar uma Escola para catequistas (295) é um
momento particularmente importante no processo formativo de um catequista. Em
muitos lugares, tais Escolas são organizadas num duplo nível: para
« catequistas de base » (296) e para « responsáveis pela
catequese ».
Escolas para catequistas de base
249. Estas escolas têm a finalidade de propor uma formação
catequética orgânica e sistemática, de caráter básico
e fundamental. Ao longo de um período de tempo suficientemente
prolongado, promovemse as dimensões mais especificamente catequéticas
da formação: a mensagem cristã, o conhecimento do homem e
do contexto sociocultural e a pedagogia da fé.
As vantagens desta formação orgânica são notáveis
no que concerne:
à sua sistematicidade, tratando-se de uma formação
menos absorvida pela dimensão imediata da ação;
à sua qualidade, assegurada por formadores especializados;
à integração com os catequistas de outras
comunidades, o que alimenta a comunhão eclesial.
Escolas para responsáveis
250. Com a finalidade de favorecer a preparação dos responsáveis
pela catequese nas paróquias ou áreas vicariais, ou ainda para
aqueles catequistas que se dedicarão à catequese de maneira mais
estável e integral, (297) é conveniente promover, a nível
diocesano ou interdiocesano, escolas para responsáveis.
Obviamente, o nível de tais escolas será mais exigente. Nelas,
paralelamente a um programa de base comum, serão cultivadas aquelas
especializações catequéticas que a diocese julga serem mais
necessárias, nas suas particulares circunstâncias.
Pode ser oportuno, por economia de meios e de recursos, que tais escolas
obedeçam a uma mais ampla orientação, dirigindo-se aos
responsáveis pelas diversas ações pastorais, e
convertendo-se em Centros de formação dos agentes de pastoral.
A partir de uma base formativa comum (doutrinal e antropológica), as
especializações se articularão de acordo com as exigências
das diferentes ações pastorais ou apostólicas que serão
confiadas a tais agentes.
Institutos de ensino superior para especialistas em catequese
251. Uma formação catequética de nível superior,
à qual podem aceder também sacerdotes, religiosos e leigos, é
de vital importância para a catequese. Para tanto, renovam-se os votos de
que « sejam incrementados ou criados institutos superiores de pastoral
catequética, com o objetivo de preparar catequistas que sejam aptos a
dirigir a catequese em âmbito diocesano ou no âmbito das atividades
desempenhadas pelas congregações religiosas. Estes institutos
superiores poderão ser de caráter nacional ou internacional. Eles
deverão ser impostados como institutos universitários, no que
concerne à organização dos estudos, à duração
dos cursos e às condições de admissão ». (298)
Além da formação daqueles que deverão assumir
responsabilidades de direção na catequese, estes institutos
prepararão os docentes de catequética para os Seminários,
as Casas de formação ou as Escolas para catequistas. Tais
Institutos se dedicarão igualmente, a promover a correspondente pesquisa
catequética.
252. Este nível de formação é muito apropriado
para uma fecunda colaboração entre as Igrejas. « Trata-se
igualmente de um campo em que a ajuda material dada pelas Igrejas mais
favorecidas às suas irmãs mais pobres poderá manifestar a
sua maior eficácia: o que é que uma Igreja poderá dar a
outra melhor do que ajudá-la a crescer por si mesma como Igreja? (299)
Obviamente, esta colaboração deve inspirar-se num delicado
respeito pela peculiaridade das Igrejas mais pobres e por sua própria
responsabilidade.
Em campo diocesano e interdiocesano, é muito conveniente que se tome
consciência da necessidade de formar pessoas nesse específico nível
superior, assim como se tem o cuidado de fazer em relação às
demais atividades eclesiais ou para o ensino de outras disciplinas.
CAPÍTULO III
Lugares de vias da catequese
A comunidade cristã como lugar da catequese (300)
253. A comunidade cristã é a realização histórica
do dom da « comunhão » (koinonia), (301) que é
um fruto do Espírito.
A « comunhão » exprime o núcleo profundo da Igreja
universal e das Igrejas particulares, que constituem a comunidade cristã
de referência. Esta se faz próxima e visível na rica
variedade das comunidades cristãs imediatas, nas quais os cristãos
nascem para a fé, educam-se na fé e nela vivem: a família,
a paróquia, a escola católica, as associações e
movimentos cristãos, as comunidades eclesiais de base... Estes são
os « lugares » da catequese, isto é, os espaços comunitários
nos quais a catequese de iniciação e a educação
permanente na fé são realizadas. (302)
254. A comunidade cristã é a origem, o lugar e a meta da
catequese. É sempre da comunidade cristã que nasce o anúncio
do Evangelho, que convida os homens e as mulheres à conversão e a
seguirem Cristo. E é esta mesma comunidade que acolhe aqueles que desejam
conhecer o Senhor e empenhar-se numa nova vida. Ela acompanha os catecúmenos
e catequizandos no seu itinerário catequético e, com materna
solicitude, torna-os partícipes da própria experiência de fé
e os incorpora no seu seio. (303)
A catequese é sempre a mesma. Mas estes « lugares » (304)
de catequização lhe dão, cada um, conotações
originais. É importante saber qual é o papel de cada um deles no
processo de catequese.
A família como ambiente ou meio de crescimento na fé
255. Os genitores são os primeiros educadores na fé.
Juntamente com eles, sobretudo em certas culturas, todos os membros da família
têm uma tarefa ativa, em vista da educação dos membros mais
jovens. É necessário determinar mais concretamente em qual senso a
comunidade cristã familiar é « lugar » de catequese.
A família foi definida como uma « Igreja doméstica »;
(305) isto significa que em toda família cristã devem refletir-se
os diferentes aspectos ou funções da vida da Igreja inteira: missão,
catequese, testemunho, oração, etc... De fato, a família,
da mesma forma que a Igreja, « é um espaço no qual o
Evangelho é transmitido e do qual oEvangelho se irradia ». (306) A
família como « lugar » de catequese tem uma prerrogativa única:
transmite o Evangelho, radicando-o no contexto de profundos valores humanos.
(307) Sobre esta base humana, é mais profunda a iniciação
na vida cristã: o despertar para o senso de Deus, os primeiros passos na
oração, a educação da consciência moral e a
formação do senso cristão do amor humano, concebido como
reflexo do amor de Deus
Criador e Pai. Em resumo: trata-se de uma educação cristã
mais testemunhada do que ensinada, mais ocasional do que sistemática,
mais permanente e cotidiana do que estruturada em períodos. Nesta
catequese familiar torna-se sempre mais importante a contribuição
dos avós. A sua sabedoria e o seu senso religioso, muitas vezes, são
decisivos para favorecer um clima realmente cristão.
O Catecumenato batismal dos adultos (308)
256. O Catecumenato batismal é um lugar típico de
catequização, institucionalizado pela Igreja para preparar os
adultos que desejam tornar-se cristãos, a receber os sacramentos da
iniciação. (309) No catecumenato se realiza, efetivamente, aquela «
formação específica mediante a qual o adulto, convertido à
fé, é levado até à confissão da fé
batismal, durante a vigília pascal ». (310)
A catequese que se cumpre no catecumenato batismal é estreitamente
vinculada à comunidade cristã. (311) A partir do próprio
momento de seu ingresso no catecumenato, a Igreja envolve os catecúmenos «
com o seu afeto e os seus cuidados, como seus filhos e familiares: de fato, eles
pertencem à família de Cristo... ». (312) Por isso, a
comunidade cristã ajuda « os candidatos e os catecúmenos
durante todo o processo da iniciação, do pré-catecumenato
ao catecumenato, ao tempo da mistagogia ». (313)
Esta contínua presença da comunidade cristã se exprime
de diversas maneiras, apropriadamente descritas no Rito de Iniciação
Cristã dos Adultos. (314)
A paróquia como ambiente de catequese
257. A paróquia é, sem dúvida, o lugar mais
significativo, no qual se forma e se manifesta a comunidade cristã. Esta é
chamada a ser uma casa de família, fraterna e acolhedora, onde os cristãos
tornam-se conscientes de ser Povo de Deus. (315) A paróquia, de fato,
congrega num todo as diversas diferenças humanas nela
existentes,inserindo-as na universalidade da Igreja. (316) Ela é, por
outro lado, o ambiente ordinário no qual se nasce e se cresce na fé.
Constitui, por isso, um espaço comunitário muito adequado a fim de
que o ministério da Palavra realizado nesta, seja, contemporaneamente,
ensinamento, educação e experiência vital.
A paróquia está sofrendo hoje, em muitos países,
profundas transformações. As mudanças sociais têm
fortes repercussões sobre ela. Nas grandes cidades « foi
profundamente abalada pelo fenômeno da urbanização ».
(317) Apesar disso, « a paróquia continua a ser um ponto de referência
importante para o povo cristão, e até mesmo para os não
praticantes ». (318) Esta, todavia, deve continuar a ser « animadora
da catequese e o seu lugar privilegiado », (319) embora reconhecendo que,
em certas ocasiões, não poderá ser o centro de gravitação
de toda a função eclesial de catequizar, e que tem a necessidade
de integrar-se com outras instituições.
258. A fim de que a catequese consiga manifestar toda a eficácia na
missão evangelizadora da paróquia, algumas condições
são necessárias:
a) A catequese dos adultos (320) deve assumir sempre mais uma importância
prioritária. Trata-se de promover « uma catequese pós-batismal,
em forma de catecumenato, através de uma ulterior proposta de certos
conteúdos do Ritual de Iniciação Cristão dos
Adultos, destinados a promover uma maior compreensão e vivência das
imensas e extraordinárias riquezas e da responsabilidade do Batismo
recebido ». (321)
b) É preciso projetar o anúncio, com renovada coragem,
àqueles que estão distantes e àqueles que vivem em situações
de indiferença religiosa. (322) Neste empenho, os encontros pré-sacramentais
(preparação ao Matrimônio, ao Batismo e à
primeira Comunhão dos filhos...) podem mostrar-se fundamentais. (323)
c) Como sólido ponto de referência para a catequese
paroquial, se requer a presença de um núcleo comunitário
constituído por cristãos maduros, já iniciados na fé,
aos quais reservar uma solicitude pastoral adequada e diferenciada. Poder-se-á
alcançar mais facilmente este objetivo, se se promoverá, nas paróquias,
a formação de pequenas comunidades eclesiais. (324)
d) Se estas precedentes condições, relativas
principalmente aos adultos, são realizadas, a catequese destinada às
crianças, aos adolescentes e aos jovens, que permanece sempre imprescindível,
receberá enormes benefícios.
A escola católica
259. A escola católica (325) é um lugar muito
relevante para a formação humana e cristã. A declaração
Gravissimum Educationis do Concílio Vaticano II, «
representa uma mudança decisiva na história da escola católica:
a passagem da escola-instituição para a escola-comunidade ».
(326)
A escola católica, « não menos que as demais escolas,
visa os fins culturais e a formação humana dos jovens. É
porém característica sua:
criar uma atmosfera de comunidade escolar animada pelo espírito
evangélico da liberdade e da caridade,
auxiliar os adolescentes a que, no desdobramento da personalidade,
também cresçam segundo a nova criatura que se tornaram pelo
Batismo,
e ainda orientar toda criatura humana para a mensagem da salvação
». (327)
O projeto educativo da escola católica tem o dever de se desenvolver
com base nesta concepção proposta pelo Concílio Vaticano
II.
Este projeto educativo se cumpre na comunidade escolar, da qual fazem parte
todos aqueles que são diretamente ligados a ele: « os professores, a
direção administrativa e auxiliar, os genitores, figuras centrais
uma vez que naturais e insubstituíveis educadores dos próprios
filhos, e os alunos, co-partícipes e co-responsáveis como
verdadeiros protagonistas e sujeitos ativos do processo educativo ». (328)
260. Quando os alunos da escola católica pertencem, na maior parte, a
famílias que se vinculam a esta escola em razão do caráter
católico da mesma, o ministério da Palavra pode ser aí
exercitado de várias maneiras: primeiro anúncio, ensino religioso
escolar, catequese, homilia. Duas de tais modalidades têm, todavia, na
Escola católica, um particular relevo: o ensino religioso escolar e a
catequese, cujo respectivo caráter próprio já foi
evidenciado. (329)
Quando os alunos e as suas famílias freqüentam a escola católica
em virtude da qualidade educativa da mesma, ou por outras eventuais circunstâncias,
a atividade catequética fica necessariamente limitada e o ensino
religioso próprio, quando é possível, acentua o caráter
cultural. A contribuição desta escola subsiste sempre como «
um serviço de suma importância para os homens », (330) e como
elemento que faz parte da evangelização da Igreja.
Considerada a pluralidade das circunstâncias socioculturais e
religiosas nas quais se exercita a obra da escola católica nas diversas
nações, será oportuno que os Bispos e as Conferências
dos Bispos precisem a modalidade da atividade catequética que cabe à
escola católica realizar.
Associações, movimentos e grupos de fiéis
261. As diversas « associações, movimentos e grupos de fiéis
» (331) que se desenvolvem na Igreja particular, têm como finalidade
ajudar os discípulos de Jesus Cristo a cumprirem a sua missão
leiga no mundo e na própria Igreja. Em tais agregações, os
cristãos se dedicam « à prática da piedade, ao
apostolado direto, à caridade e à assistência, e à
presença cristã nas realidades temporais ». (332)
Em todas estas associações e movimentos, com a finalidade de
cultivar com profundidade tais dimensões fundamentais da vida cristã,
se fornece, de uma maneira ou de outra, uma necessária formação:
« têm, com efeito, a possibilidade, cada qual pelos próprios métodos,
de oferecer uma formação profundamente inserida na própria
experiência de vida apostólica, bem como a oportunidade de
integrar, concretizar e especificar a formação que os seus adeptos
recebem de outras pessoas e comunidades ». (333)
A catequese é sempre uma dimensão fundamental na formação
de cada leigo. Por isso, estas associações e movimentos possuem,
ordinariamente, « tempos reservados à catequese ». (334) Na
verdade, esta não é uma alternativa para a formação
cristã fornecida por eles, mas é uma dimensão essencial dos
mesmos.
262. Quando a catequese se cumpre no interior dessas associações
e movimentos, alguns aspectos devem ser fundamentalmente considerados:
a) É preciso respeitar a « natureza própria »
(335) da catequese, desenvolvendo toda a riqueza do seu conceito, mediante a tríplice
dimensão de palavra, de memória e de testemunho (a doutrina, a
celebração e o compromisso na vida). (336) A catequese,
qualquer que seja o « lugar » onde se realiza, é, antes de mais
nada, uma formação orgânica e básica da fé.
Deve incluir, portanto, « um estudo sério da doutrina cristã »
(337) e deve constituir uma séria formação religiosa aberta
a todos os componentes da vida cristã ». (338)
b) Este não é um impedimento para que as associações
e os movimentos, com os seus respectivos carismas, possam exprimir, com
determinados acentos, uma catequese que, de qualquer forma, deverá
permanecer sempre fiel ao seu próprio caráter. A educação
através da proposta da espiritualidade específica de uma associação
ou movimento, que é sempre de uma grande riqueza para a Igreja, será
típica de um tempo sucessivo àquele da formação
cristã básica, que é comum a todo cristão. É
mais importante primeiro educar àquilo que é comum a todos os
membros da Igreja, para somente depois se deter no que é peculiar ou
diversificante.
c) Da mesma forma, é necessário afirmar que os
movimentos e as associações, em relação à
catequese, não são uma alternativa ordinária à Paróquia,
uma vez que é esta última a comunidade educativa de referência
propriamente dita. (339)
As comunidades eclesiais de base
263. As comunidades eclesiais de base tiveram uma ampla difusão nas últimas
décadas. (340) Trata-se de grupos de cristãos que « nascem da
necessidade de viver mais intensamente ainda a vida da Igreja; ou então
do desejo e da busca de uma dimensão mais humana do que aquela que as
comunidades eclesiais mais amplas dificilmente poderão revestir... ».
(341)
As comunidades eclesiais de base são um « sinal da vitalidade da
Igreja ». (342) Os discípulos de Cristo nelas se reúnem para
uma atenta escuta da Palavra de Deus, para a busca de relações
mais fraternas, para celebrar os mistérios cristãos em suas vidas
e para assumir o compromisso de transformação da sociedade.
Paralelamente a estas dimensões propriamente cristãs, emergem também
importantes valores humanos: a amizade e o reconhecimento pessoal, o espírito
de coresponsabilidade, a criatividade, a resposta vocacional, o interesse pelos
problemas do mundo e da Igreja. Daí pode resultar uma enriquecedora
experiência comunitária, « verdadeira expressão de
comunhão e um meio eficaz para construir uma comunhão ainda mais
profunda ». (343)
Para ser autêntica, « toda comunidade... deve viver em unidade
com a Igreja particular e universal, na comunhão sincera com os Pastores
e o Magistério, empenhada na irradiação missionária
e evitando fechar-se em si mesma ou deixar-se instrumentalizarideologicamente ».
(344)
264. Nas comunidades eclesiais de base pode desenvolver-se uma catequese
muito fecunda:
O clima fraterno, no qual se vive, é um ambiente adequado para
uma ação catequética integral, sempre que se saiba
respeitar a natureza e o caráter próprio da catequese.
Por outro lado, a catequese serve a aprofundar a vida comunitária,
uma vez que assegura os fundamentos da vida cristã dos fiéis. Sem
tais fundamentos, as comunidades eclesiais de base dificilmente serão sólidas.
A pequena comunidade é, enfim, uma meta adequada para acolher
aqueles que concluíram um itinerário de catequese.
CAPÍTULO IV
A organização da pastoral catequética
na Igreja particular
Organização e exercício das responsabilidades
O serviço diocesano da catequese
265. A organização da pastoral catequética tem como
ponto de referência o Bispo e a diocese. O Secretariado diocesano de
catequese (Officium Catechisticum) é « ...o órgão
através do qual o Bispo, chefe da Comunidade e mestre da doutrina, dirige
e preside toda a atividade catequética realizada na diocese ». (345)
266. As principais tarefas do Secretariado diocesano de catequese são
as seguintes:
a) Fazer uma análise da situação (346)
diocesana acerca da educação na fé. Nesta análise,
seria útil precisar, entre outras coisas, as reais necessidades da
diocese em relação à praxe catequética.
b) Elaborar um programa de ação (347) que indique
objetivos claros, proponha orientações e mostre ações
concretas.
c) Promover e formar os catequistas. Com esta finalidade, serão
instituídos os Centros que forem julgados mais oportunos. (348)
d) Elaborar, ou pelo menos indicar às paróquias e aos
catequistas, os instrumentos necessários para o trabalho catequético:
catecismos, diretórios, programas para as diferentes idades, guias para
os catequistas, material para os catequizandos, meios audiovisuais... (349)
e) Incentivar e promover as instituições propriamente
catequéticas da diocese (catecumenato batismal, catequese paroquial,
grupo de responsáveis pela catequese), que são como as «
células básicas » (350) da atividade catequética.
f) Dar especial atenção sobretudo ao aprimoramento dos
recursos pessoais e materiais, tanto a nível diocesano quanto a nível
paroquial, ou de vicariatos forâneos. (351)
g) colaborar com o Departamento encarregado da Liturgia, considerada
a importância essencial desta para a catequese, em particular para a
catequese catecumental de iniciação.
267. Para realizar essas tarefas, o Secretariado da catequese deve contar
com « um grupo de pessoas verdadeiramente especializadasna matéria.
A amplitude e a diversidade das questões que deve abordar, exigem que as
responsabilidades sejam repartidas entre mais pessoas, realmente competentes ».
(352) Convém que este serviço diocesano seja constituído,
ordinariamente, por sacerdotes, religiosos e leigos.
A catequese é uma atividade tão fundamental na vida de uma
Igreja particular que « nenhuma diocese pode prescindir de um próprio
Departamento de Catequese ». (353)
Serviços de colaboração interdiocesana
268. Esta colaboração é, nos nossos dias,
extraordinariamente fecunda. Algumas razões, não só de
proximidade geográfica, mas também de homogeneidade cultural,
tornam aconselhável um trabalho catequético comum. De fato, «
é útil que diversas dioceses conjuguem suas ações,
colocando em comum pesquisas e atividades, competências e recursos, de
maneira que as dioceses que dispõem de mais meios possam ajudar as
demais, e se possa elaborar um comum programa de ação, de caráter
regional ».(354)
O serviço da Conferência dos Bispos
269. « Pode-se criar, junto à Conferência dos Bispos, um
departamento de catequese, cuja função principal seja auxiliar
cada diocese em matéria catequética ». (355)
Esta possibilidade estabelecida pelo Código de Direito Canônico
é uma realidade de fato na maior parte das Conferências dos Bispos.
O departamento de catequese ou centro nacional de catequese da Conferência
dos Bispos se propõe uma dúplice função: (356)
Estar a serviço das necessidades catequéticas que dizem
respeito a todas as dioceses do território. Ocupa-se das publicações
que tenham alcance nacional, dos congressos nacionais, das relações
com os meios de comunicação social e, de modo geral, de todos
aqueles trabalhos e tarefas que excedam as possibilidades de cada diocese ou
região.
Estar a serviço das dioceses e das regiões, para
difundir as informações e os projetos catequéticos, para
coordenar a ação e ajudar as dioceses menos favorecidas em matéria
de catequese.
Se o Episcopado correspondente considera-o oportuno, também é
de competência do departamento de catequese ou centro nacional de
catequese a coordenação da sua própria atividade com as de
outros departamentos nacionais do Episcopado e de outras instituições
decatequese; da mesma forma, a colaboração com as atividades
catequéticas a nível internacional. Tudo isso deve ser considerado
sempre como organismo de ajuda aos Bispos da Conferência Episcopal.
O serviço da Santa Sé
270. « Com Pedro e sob Pedro, primária e imediatamente toca-lhes
(aos Bispos) o mandato de Cristo, de pregar o Evangelho a toda criatura ».
(357) O ministério do Sucessor de Pedro, neste mandato colegial de Jesus,
em vista do anúncio e da transmissão do Evangelho, assume uma
tarefa fundamental. Este ministério, de fato, deve ser considerado «
não apenas como um serviço global, que alcança cada
Igreja a partir de seu exterior, mas como algo que já pertence à
própria essência de cada Igreja particular, a partir de seu
interior ». (358)
O ministério de Pedro na catequese é exercitado, de modo
eminente, através de seus ensinamentos. O Papa, no que concerne à
catequese, age de modo imediato e particular, por meio da Congregação
para o Clero, que coadjuva « o Pontífice Romano no exercício
de seu supremo múnus pastoral ». (359)
271. « Com base nesta tarefa, a Congregação do Clero:
cuida da promoção da formação religiosa
dos fiéis de todas as idades e condições;
emana as normas oportunas para que o ensino da catequese seja
ministrado de modo conveniente;
vigia para que a formação catequética seja
corretamente conduzida;
concede a prescrita aprovação da Santa Sé para
os Catecismos e outros textos relativos à instrução catequética,
com o consenso da Congregação para a Doutrina da Fé; (360)
presta assistência aos departamentos de catequese e acompanha
as iniciativas relativas à formação religiosa e que têm
caráter internacional, coordena as suas atividades e lhes oferece ajuda,
se for preciso ». (361)
A coordenação da catequese
Importância de uma efetiva coordenação da catequese
272. A coordenação da catequese é uma tarefa
importante no âmbito de uma Igreja particular. Ela pode ser considerada:
no interior da própria catequese, entre as suas diversas
formas, dirigidas às diferentes idades e ambientes sociais;
com referência aos laços que a catequese mantém
com as outras formas do ministério da Palavra e com outras ações
evangelizadoras.
A coordenação da catequese não é um fato
meramente estratégico, voltado para uma mais incisiva eficácia da
ação evangelizadora, mas possui uma dimensão teológica
de fundo. A ação evangelizadora deve ser bem coordenada porque ela
visa a unidade da fé, a qual, por sua vez, sustenta todas as ações
da Igreja.
273. Nesta sessão consideramos:
a coordenação interna da catequese, a fim de que a
Igreja particular ofereça um serviço de catequese unitário
e coerente;
a união entre a atividade missionária e a ação
catecumenal, que se implicam mutuamente, no contexto da missão ad
gentes (362) ou de uma « nova evangelização »; (363)
a necessidade de uma pastoral de educação bem
coordenada, diante da multiplicidade de educadores que se dirigem aos mesmos
destinatários, sobretudo se esses destinatários são crianças
e adolescentes.
O próprio Concílio Vaticano II recomendou vivamente a
coordenação de toda a atividade pastoral, para que resplenda
sempre melhor a unidade da Igreja particular. (364)
Um projeto diocesano de catequese articulado e coerente
274. O Projeto diocesano de catequese é a oferta catequética
global de uma Igreja particular, que integra, de modo articulado, coerente e
coordenado, os diversos processos catequéticos propostos pela diocese aos
destinatários, nas diferentes idades da vida. (365)
Neste sentido, cada Igreja particular, em vista da iniciação
cristã, deve oferecer, pelo menos, um dúplice serviço:
a) Um processo de iniciação cristã unitário
e coerente, para crianças, adolescentes e jovens, em íntima
conexão com os sacramentos da iniciação já recebidos
ou a receber, e correlacionado com a pastoral da educação.
b) Um processo de catequese para adultos, oferecido aos cristãos
que têm necessidade de dar um fundamento à sua fé,
realizando ou completando a iniciação cristã inaugurada com
o Batismo.
Em muitas nações apresenta-se, hoje, a necessidade de um
processo de catequese para anciãos, oferecido àqueles
cristãos que, tendo alcançado a terceira e definitiva fase da vida
humana, desejam,talvez pela primeira vez, lançar sólidas
estruturas para a sua fé.
275. Estes diversos processos de catequese, cada um com possíveis
variantes socioculturais, não devem ser organizados separadamente, como
se fossem « compartimentos estanques, sem comunicação entre
si ». (366) É necessário que a oferta catequética da
Igreja particular seja bem coordenada. Entre estas diversas formas de catequese
« é preciso favorecer a sua perfeita complementaridade ». (367)
Como dissemos precedentemente, o princípio organizador, que dá
coerência aos diversos processos de catequese oferecidos por uma Igreja
particular, é a atenção à catequese dos adultos.
Este é o eixo em torno do qual gira e se inspira a catequese das
primeiras idades (infância e adolescência) e da terceira idade.
(368)
O fato de oferecer diversos processos de catequese num único projeto
diocesano de catequese não significa que o mesmo destinatário deva
percorrê-los, um depois do outro. Se um jovem chega à idade adulta
com uma fé bem fundada, não necessita de uma catequese de iniciação
para adultos, mas sim de outros alimentos mais sólidos, que o ajudem no
seu permanente amadurecimento na fé. Na mesma situação se
encontram aqueles que chegam à terceira idade com uma fé bem
radicada.
Juntamente com esta oferta de processos de iniciação,
absolutamente imprescindível, a Igreja particular deve também
oferecer processos de catequese permanente para cristãos adultos.
A atividade catequética no contexto da nova evangelização
276. Definindo a catequese como momento do processo total da
evangelização, apresenta-se necessariamente o problema da coordenação
da atividade catequética com a ação missionária que
a precede, e com a ação pastoral que a segue. Há, de fato,
elementos « que preparam a catequese ou dela derivam ». (369)
Neste sentido, a união entre a ação missionária,
que procura suscitar a fé, e a ação catequética, que
busca aprofundar os seus fundamentos, é decisivo na evangelização.
De certa maneira, esta condição resulta mais evidente na situação
da missão ad gentes. (370) Os adultos convertidos pelo primeiro
anúncio entram no Catecumenato, onde são catequizados.
Na situação que requer uma « nova evangelização
», (371) a coordenação se torna mais complexa, visto que,
às vezes, se quer ministrar uma catequese ordinária a jovens e
adultos que necessitam, antes, de um tempo de anúncio e de terem
despertada a sua adesão a Cristo. Problemas semelhantes apresentam-se em
relação à catequese para as crianças e para a formação
de seus genitores. (372) Outras vezes são oferecidas formas de catequese
permanente a adultos que, em realidade, necessitam mais de uma verdadeira
catequese de iniciação.
277. A atual situação da evangelização postula
que as duas ações, o anúncio missionário e a
catequese de iniciação, sejam concebidas de forma coordenada e
oferecidas, na Igreja particular, mediante um projeto evangelizador missionário
e catecumenal unitário. A catequese deve ser vista, hoje, antes de
mais nada, como a conseqüência de um anúncio missionário
eficaz. O ensinamento do decreto conciliar Ad Gentes, que coloca o
Catecumenato no contexto da ação missionária da Igreja, é
um critério de referência muito válido para a catequese.
(373)
A catequese na Pastoral da educação
278. A Pastoral da educação na Igreja particular deve
estabelecer a necessária coordenação entre os diferentes «
lugares » em que se desenvolve a educação na fé. É
sumamente importante que todos estes meios catequéticos « convirjam
realmente para uma mesma confissão de fé, para uma comum consciência
de pertencer à mesma Igreja e para a fidelidade aos compromissos na
sociedade, vividos com o mesmo espírito evangélico ». (374)
A coordenação educativa coloca-se fundamentalmente em relação
às crianças, aos adolescentes e aos jovens. Convém que a
Igreja particular integre, em um único projeto de Pastoral educativa, os
diversos setores e ambientes que estão a serviço da educação
cristã da juventude. Todos estes lugares completam-se reciprocamente, e
nenhum deles, assumido separadamente, pode realizar a totalidade da educação
cristã.
Uma vez que a pessoa da criança e do jovem é a mesma que
recebe estas diversas ações educativas, é importante que as
diferentes influências tenham a mesma inspiração de fundo.
Qualquer contradição entre estas ações é
nociva, pois cada uma delas tem a sua própria especificidade e relevância.
Neste sentido, é de suma importância, para uma Igreja
particular, organizar um projeto de iniciação cristã que
integre as diversas tarefas educativas e considere as exigências da nova
evangelização.
Algumas tarefas próprias do serviço catequético
Análise da situação e das necessidades
279. A Igreja particular, ao organizar a atividade catequética, deve
ter como ponto de partida a análise da situação. «
O objeto desta pesquisa é complexo. Ele abrange o exame da ação
pastoral e o diagnóstico da situação religiosa e das condições
socioculturais e econômicas enquanto processos coletivos que podem ter
profundas repercussões sobre a difusão do Evangelho ». (375)
Trata-se de uma tomada de consciência da realidade, considerada em relação
à catequese e às suas necessidades.
De maneira mais concreta:
É necessário ter uma clara consciência, no «
exame da ação pastoral », do estado da catequese:
como é situada, de fato, no processo evangelizador; o equilíbrio e
a articulação entre os distintos setores catequéticos
(crianças, adolescentes, jovens, adultos...); a coordenação
da catequese com a educação cristã na família, com o
educação escolar, com o ensino escolar da Religião, e com
outras formas de educação na fé; a sua qualidade interna;
os conteúdos que se ministram e a metodologia que se utiliza; as características
dos catequistas e a sua formação.
A « análise da situação religiosa »
pesquisa sobretudo, três níveis estreitamente conexos entre si: o
senso do sagrado, isto é, daquelas experiências humanas
que, por sua profundidade, tendem a abrir ao mistério; o senso
religioso, ou seja, os modos concretos que um povo determinado utiliza para
conceber Deus e comunicar-se com Ele; e as situações de fé
com a diversa tipologia dos crentes. E em conexão com estes níveis,
a situação moral que se vive, com os valores que emergem e
os pontos obscuros ou contravalores mais difundidos.
A « análise sociocultural », a propósito
da qual se falou no trecho relativo às ciências humanas na formação
dos catequistas, (376) é também necessária. É
preciso preparar os catecúmenos e os catequizandos a uma presença
cristã na sociedade.
280. A análise da situação, em todos os níveis, «
deve também convencer aqueles que exercem o ministério da palavra,
que as situações humanas são ambivalentes no que concerne à
ação pastoral. É preciso, portanto, que os operários
do Evangelho aprendam a descobrir as possibilidades que se abrem à sua ação,
numa situação sempre nova e diversa... É sempre possível
um processo de transformação que abra caminho à fé ».
(377)
Esta análise da situação é um primeiro
instrumento de trabalho, de caráter informativo, que o serviço
catequético oferece a pastores e catequistas.
Programa de ação e orientações catequéticas
281. Depois de ter analisado atentamente a situação, é
preciso proceder à formulação de um programa de ação.
Este determina os objetivos, os meios da pastoral catequética e as normas
que a regulam, com profunda adesão às necessidades locais e, ao
mesmo tempo, em plena harmonia com as finalidades e as normas da Igreja
universal.
O programa ou plano de ação deve ser operativo, já que
se propõe orientar a ação catequética diocesana ou
interdiocesana. Por sua própria natureza, é geralmente concebido
por um determinado período de tempo, ao término do qual é
renovado, com novas características, novos objetivos e novos meios.
A experiência indica que o programa de ação é de
grande utilidade para a catequese, uma vez que, ao definir alguns objetivos
comuns, leva a unificar os esforços e a trabalhar numa perspectiva de
conjunto. Por isso, a sua primeira condição deve ser o realismo,
unido à simplicidade, concisão e clareza.
282. Paralelamente ao programa de ação, centrado sobretudo nas
opções operativas, diversos Episcopados elaboram, a nível
nacional, instrumentos de caráter mais reflexivo e orientativo, que
fornecem os critérios para uma idônea e adequada catequese. São
chamados de várias maneiras: Diretório Catequético,
Orientações Catequéticas, Documento de Base, Texto de Referência,
etc. Destinados principalmente aos responsáveis e aos catequistas,
esclarecem o conceito de catequese: a sua natureza, finalidade, tarefas, conteúdos,
destinatários e métodos. Estes Diretórios ou textos de
orientações gerais, estabelecidos pelas Conferências dos
Bispos ou emanados sob a sua autoridade, devem seguir o mesmo processo de
elaboração e de aprovação previsto para os
Catecismos. Vale dizer: antes de sua promulgação, devem ser
submetidos à aprovação da Sé Apostólica.
(378)
Estas diretrizes ou orientações catequéticas são,
habitualmente, um elemento de grande inspiração para a catequese
das Igrejas locais e a sua elaboração é recomendada e
conveniente, pois, entre outras coisas, elas constituem um importante ponto de
referência para a formação dos catequistas. Esta tipologia
de instrumento é intima e diretamente ligada à responsabilidade
episcopal.
A elaboração de instrumentos e meios didáticos para
a ação catequética
283. Ao lado dos instrumentos dedicados a orientar e programar o conjunto da
ação catequética (análise da situação,
programa de ação e Diretório Catequético)
existem outros instrumentos de trabalho de uso imediato, que são
utilizados no cumprimento da própria ação catequética.
Devemos elencar, em primeiro lugar, os textos didáticos, (379)
que são colocados diretamente nas mãos dos catecúmenos
e catequizandos. Úteis subsídios são, além disso, os
Guias para os catequistas, no caso da catequese para crianças e para
os genitores. (380) São igualmente importantes os meios audiovisuais
que se utilizam na catequese e em relação aos quais, se deve
exercitar um oportuno discernimento. (381)
O critério inspirador destes instrumentos de trabalho deve ser o da dúplice
fidelidade, a Deus e ao homem, que é uma lei fundamental para toda a vida
da Igreja. Trata-se, de fato, de saber conjugar uma perfeita fidelidade
doutrinal com uma profunda adaptação ao homem, levando em
consideração a psicologia da idade e o contexto sociocultural em
que ele vive.
Em resumo, é preciso dizer que estes instrumentos catequéticos
devem:
ser « realmente ligados à vida concreta da geração
para a qual são destinados, tendo bem presentes as suas inquietudes e
interrogações, assim como as suas lutas e esperanças »;
(382)
esforçar-se para « encontrar a linguagem compreensível
a esta geração »; (383)
visar « verdadeiramente, provocar um maior conhecimento dos mistérios
de Cristo naqueles que deles se servirem, em vista de uma autêntica
conversão e de uma vida sempre mais conforme à vontade de Deus ».(384)
A elaboração dos Catecismos locais: responsabilidade
imediata do ministério episcopal
284. No conjunto dos instrumentos para a catequese, sobressaem os
Catecismos. (385) A sua importância deriva do fato de a mensagem por eles
transmitida, ser reconhecida como autêntica e profunda pelos Pastores da
Igreja.
Se o conjunto da ação catequética deve ser sempre
submetido ao Bispo, a publicação dos Catecismos é uma
responsabilidade que concerne, de maneira muito direta, ao ministério
episcopal. Os Catecismos nacionais, regionais ou diocesanos, elaborados com a
participação dos agentes da catequese, são responsabilidade
última dos Bispos, catequistas por excelência nas Igrejas
particulares.
Na redação de um Catecismo, é necessário levar
em consideração sobretudo os dois critérios a seguir:
a) a perfeita sintonia com o Catecismo da Igreja Católica, «
texto de referência seguro e autêntico... para a elaboração
dos catecismos locais » (386)
b) a atenta consideração das normas e dos critérios
para a apresentação da mensagem evangélica, oferecidos pelo
Diretório Geral para a Catequese, este também « referência
obrigatória » (387) para a catequese.
285. A « prévia aprovação da Sé Apostólica
», (388) que se requer para os Catecismos emanados pelas Conferências
dos Bispos, deve ser entendida no sentido que eles são documentos
mediante os quais a Igreja universal, nos diferentes espaços
socioculturais aos quais é enviada, anuncia e transmite o Evangelho e
gera as Igrejas particulares, manifestando-se nestas. (389) A aprovação
de um Catecismo é o reconhecimento do fato de que se trata de um texto da
Igreja universal para uma determinada situação e cultura.
CONCLUSÃO
286. Na formulação das presentes orientações e
diretrizes, não foram poupados esforços, a fim de que cada reflexão
encontrasse origem e fundamento nos ensinamentos do Concílio Vaticano II
e das sucessivas e principais intervenções magisteriais da Igreja.
Além disso, uma solícita atenção foi reservada às
experiências de vida eclesial dos diversos povos, ocorridas nesse meio
tempo. À luz da fidelidade ao Espírito de Deus, foi feito o necessário
discernimento, sempre em vista da renovação da Igreja e do melhor
serviço de evangelização.
287. O Diretório Geral para a Catequese é proposto a todos os
Pastores da Igreja, aos seus colaboradores e aos catequistas, na esperança
de que seja um encorajamento no serviço que a Igreja e o Espírito
lhes confia: favorecer o crescimento na fé, daqueles que creram.
As orientações aqui contidas não querem apenas indicar
e esclarecer a natureza da catequese e as normas e critérios que regem
este ministério evangelizador da Igreja; elas pretendem também
alimentar a esperança, com a força da Palavra e a ação
interior do Espírito, naqueles que trabalham neste campo privilegiado da
atividade eclesial.
288. A eficácia da catequese é e será sempre um dom de
Deus, mediante a obra do Espírito do Pai e do Filho.
Esta total dependência da catequese, da intervenção de
Deus, é ensinada pelo apóstolo Paulo aos Coríntios, quando
lhes recorda: « Eu plantei; Apolo regou; mas era Deus quem fazia
crescer. Assim, pois, aquele que planta nada é; aquele que rega nada é;
mas importa tão somente Deus, que dá o crescimento » (1
Cor 3,6-7).
Não é possível nem catequese, nem evangelização
sem a ação de Deus, por meio do Seu Espírito. (390) Na
praxe catequética, nem as técnicas pedagógicas mais avançadas,
nem o catequista dotado da mais cativante personalidade humana que possa
existir, podem jamais substituir a ação silenciosa e discreta do
Espírito Santo. (391) « É Ele, na verdade, o protagonista de
toda a missão eclesial »; (392) é Ele o principal catequista;
é Ele o « mestre interior » daqueles que crescem para o Senhor.
(393) De fato, Ele é « o princípio inspirador de todas as
atividades catequéticas e daqueles que as realizam ». (394)
289. Portanto, que o íntimo da espiritualidade do catequista seja
dominado pela paciência e pela confiança de que é o próprio
Deus quem faz nascer, crescer e frutificar a semente da Palavra de Deus, semeada
em terra boa e lavrada com amor! O evangelista Marcos é o único
que apresenta a parábola na qual Jesus alude, uma após outra, às
etapas do desenvolvimento gradativo e constante da semente lançada: «O
Reino de Deus é como um homem que lançou a semente na terra: ele
dorme e acorda, de noite e de dia, mas a semente germina e cresce, sem que ele
saiba como. A terra, por si mesma produz fruto: primeiro a erva, depois a espiga
e, por fim, a espiga cheia de grãos. Quando o fruto está no ponto,
imediatamente se lhe lança a foice, porque a colheita chegou » (Mc
4,26-29).
290. A Igreja, que tem a responsabilidade de catequizar aqueles que crêem,
invoca o Espírito do Pai e do Filho, suplicando-Lhe que faça
frutificar e fortalecer interiormente todos aqueles trabalhos que, em todas as
partes, se realizam em favor do crescimento da fé e da seqüela de
Jesus Cristo Salvador.
291. À Virgem Maria, que viu seu Filho crescer « em
sabedoria, em estatura e em graça » (Lc 2,52), os
agentes da catequese recorrem, ainda hoje, confiantes na sua intercessão.
Eles encontram em Maria o modelo espiritual para prosseguir e consolidar a
renovação da catequese contemporânea, na fé, na
esperança e na caridade. Por intercessão da « Virgem Santíssima
do Pentecostes », (395) nasce, na Igreja, uma força nova, para gerar
filhos e filhas na fé e educá-los para a plenitude em Cristo.
Sua Santidade o Papa João Paulo II, no dia 15 de agosto de 1997,
aprovou o presente Diretório Geral para a Catequese e autorizou a sua
publicação.
Darío Castrillón Hoyos Arcebispo emérito
de Bucaramanga Pro-Prefeito
Crescenzio Sepe Arcebispo tit. de Grado Secretário
ÍNDICES
SIGLAS
I
SAGRADA ESCRITURA
Ab: Abdias
Ag: Ageu
Am: Amós
Ap: Apocalipse
At: Atos
Br: Baruc
1 Cor: 1a Coríntios
2 Cor: 2a Coríntios
Cl: Colossenses
1 Cr: 1o Livro das Crônicas
2 Cr: 2o Livro das Crônicas
Ct: Cântico dos Cânticos
Dn: Daniel
Dt: Deuteronômio
Ecl: Eclesiastes (Qoélet)
Eclo: Eclesiástico (Sirácida)
Ef: Efésios
Esd: Esdras
Est: Ester
Ex: Eodo
Ez: Ezequiel
Fl: Filipenses
Fm: Filemon
Gl: Gálatas
Gn: Gênesis
Hab: Habacuc
Hb: Hebreus
Is: Isaías
Jd: Judas
Jl: Joel
Jn: Jonas
Jó: Jó
Jo: João
1 Jo: 1a João
2 Jo: 2a João
3 Jo: 3a João
Jr: Jeremias
Js: Josué
Jt: Judite
Jz: Juízes
Lc: Lucas
Lm: Lamentações
Lv: Levítico
1 Mc: 1o Macabeus
2 Mc: 2o Macabeus
Mc: Marcos
Ml: Malaquias
Mq: Miquéias
Mt: Mateus
Na: Naum
Ne: Neemias
Nm: Números
Os: Oséias
1 Pd: 1a Pedro
2 Pd: 2a Pedro
Pr: Provérbios
1 Rs: 1o Reis
2 Rs: 2o Reis
Rm: Romanos
Rt: Rute
Sb: Sabedoria
Sl: Salmos
1 Sm: 1o Samuel
2 Sm: 2o Samuel
Sf: Sofonias
Tb: Tobias
Tg: Tiago
1 Tm: 1a Timóteo
2 Tm: 2o Timóteo
1 Ts: 1a Tessalonicenses
2 Ts: 2a Tessalonicenses
Tt: Tito
Zc: Zacarias
ÍNDICE GERAL
Siglas dos Documentos
Prefácio
Exposição Introdutiva
O anúncio do Evangelho no mundo contemporâneo
« Saiu o semeador a semear »
Um olhar ao mundo a partir da fé
O Campo do mundo
Os direitos humanos
A cultura e as culturas
A situação religiosa e moral
A Igreja no campo do mundo
A fé dos cristãos
A vida interna da comunidade eclesial
Situação da catequese: vitalidade e problemas
A Semeadura do Evangelho
Como ler os sinais dos tempos
Alguns desafios para a catequese
Primeira parte
A Catequese na missão Evangelizadora da Igreja
O mandato missionário de Jesus
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
A Revelação e a sua transmissão mediante a
evangelização
A Revelação do desígnio providencial do Pai
A Revelação: fatos e palavras
Jesus Cristo, mediador e plenitude da Revelação
A transmissão da Revelação por meio da Igreja, obra do
Espírito Santo
A evangelização
O processo da evangelização
O ministério da Palavra de Deus na evangelização
Funções e formas do ministério da Palavra
A conversão e a fé
O processo da conversão permanente
Diversas situações sócio-religiosas diante da
evangelização
Mútua conexão entre as ações evangelizadoras
correspondentes a estas situações
Segundo Capítulo
A catequese no processo da evangelização
Primeiro anúncio e catequese
A Catequese a serviço da iniciação cristã
A catequese, « momento » essencial do processo de evangelização
A catequese, ao serviço da iniciação cristã
Características fundamentais da catequese de iniciação
A catequese a serviço da educação permanente à fé
A educação permanente à fé na comunidade cristã
Múltiplas formas de catequese permanente
Catequese e ensino escolar da religião
O caráter próprio do ensino escolar da Religião
O contexto escolar e os destinatários do ensino escolar da Religião
A educação cristã familiar: catequese e ensino
religioso escolar a serviço da educação na fé
Terceiro Capítulo
Natureza, finalidade e tarefas da catequese
A catequese: ação de natureza eclesial
Finalidade da catequese: a comunhão com Jesus Cristo
A finalidade da catequese se exprime na profissão de fé o único
Deus, Pai, Filho e Espírito Santo
As tarefas da catequese realizam a sua finalidade
As tarefas fundamentais da catequese: ajudar a conhecer, celebrar, viver e
contemplar o mistério de Cristo
Outras tarefas fundamentais: iniciação e educação
à vida comunitária e à missão
Algumas considerações sobre o conjunto destas tarefas
O catecumenato batismal: estrutura e fases
O catecumenato batismal, inspirador da catequese na Igreja
Segunda parte
A mensagem evangélica
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
Normas e critérios para a apresentação da mensagem
evangélica na catequese
A palavra de Deus, fonte da catequese
A fonte e « as fontes » da mensagem da catequese
Os critérios para a apresentação da mensagem
O cristocentrismo da mensagem evangélica
O cristocentrismo trinitário da mensagem evangélica
Uma mensagem que anuncia a salvação
Uma mensagem de libertação
A eclesialidade da mensagem evangélica
O caráter histórico do mistério da salvação
A inculturação da mensagem evangélica
A integridade da mensagem evangélica
Uma mensagem orgânica e hierarquizada
Uma mensagem significativa para a pessoa humana
Princípio metodológico para a apresentação da
mensagem
Segundo Capítulo
« Esta é a nossa fé, esta é a fé da
Igreja »
O Catecismo da Igreja Católica e o Diretório Geral para a
Catequese
O Catecismo da Igreja Católica
Finalidade e natureza do Catecismo da Igreja Católica
A articulação do Catecismo da Igreja Católica
A inspiração do Catecismo da Igreja Católica: o
cristocentrismo trinitário e a sublimidade da vocação cristã
O gênero literário do Catecismo da Igreja Católica
O depósito da fé e o Catecismo da Igreja Católica
A Sagrada Escritura, o Catecismo da Igreja Católica e a catequese
A Tradição catequética dos Santos Padres e o Catecismo
da Igreja Católica
Os Catecismos nas Igrejas locais
Os Catecismos locais: a sua necessidade
O gênero literário de um Catecismo local
Os aspectos da adaptação num Catecismo Local
A criatividade das Igrejas locais no que concerne à elaboração
dos Catecismos
O Catecismo da Igreja Católica e os Catecismos locais: a sinfonia
da fé
Terceira parte
A pedagogia da fé
« Só tendes um Mestre, o Cristo » (Mt 23,10)
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
A pedagogia de Deus, fonte e modelo da pedagogia da fé
A pedagogia de Deus
A pedagogia de Cristo
A pedagogia da Igreja
A pedagogia divina, ação do Espírito Santo em todo
cristão
Pedagogia divina e catequese
Pedagogia original da fé
Fidelidade a Deus e fidelidade à pessoa
A « condescendência de Deus », escola para a pessoa
Evangelizar educando e educar evangelizando
Segundo Capítulo
Elementos de metodologia
A diversidade de métodos na catequese
A relação conteúdo-método na catequese
Método indutivo e dedutivo
A experiência humana na catequese
A memorização na catequese
Papel do catequista
A atividade e a criatividade dos catequizados
Comunidade, pessoa e catequese
A importância do grupo
A comunicação social
Quarta parte
Os destinatários da catequese
« O Reino diz respeito a todos » (RM 15)
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
A adaptação ao destinatário: aspectos gerais
Necessidade e direito de todo fiel de receber uma válida
catequese
Necessidade e direito da comunidade
A adaptação quer que o conteúdo da catequese seja como
um alimento sadio e adequado
A adaptação considera as diversas circunstâncias
Segundo Capítulo
A catequese por idades
Indicações gerais
A Catequese dos adultos
Os adultos aos quais se dirige a catequese
Elementos e critérios próprios da catequese dos adultos
Tarefas gerais e particulares da catequese dos adultos
Formas particulares de catequese dos adultos
A Catequese das crianças e dos adolescentes
Situação e importância da infância e da adolescência
Características da catequese das crianças e dos adolescentes
Crianças e adolescentes sem apoio religioso familiar ou que não
freqüentam a escola
A Catequese dos jovens
Puberdade, adolescência e juventude
A importância da juventude para a sociedade e a Igreja
Características da catequese dos jovens
A Catequese dos anciãos
A terceira idade, dom de Deus à Igreja
A catequese da plenitude e da esperança
Sabedoria e diálogo
Terceiro Capítulo
Catequese para situações especiais, mentalidades e
ambientes
A catequese dos excepcionais e desadaptados
A catequese das pessoas marginalizadas
A catequese para os grupos diferenciados
A catequese de ambiente
Quarto Capítulo
Catequese no contexto sócio-religioso
A catequese em situação de pluralismo e de complexidade
A catequese em relação à religiosidade popular
A catequese no contexto ecumênico
A catequese em relação ao hebraísmo
A catequese no contexto de outras religiões
A catequese em relação aos « novos movimentos religiosos »
Quinto Capítulo
Catequese no contexto sociocultural
Catequese e cultura contemporânea
Tarefas de uma catequese para a inculturação da fé
Processo metodológico
Necessidade e critérios de avaliação
Responsáveis pelo processo de inculturação
Formas e vias privilegiadas
A linguagem
Os meios de comunicação
Âmbitos antropológicos e tendências culturais
Intervenção nas situações concretas
Tarefas das Igrejas locais
Iniciativas guiadas
Quinta parte
A catequese na Igreja particular
Significado e finalidade desta parte
Primeiro Capítulo
O ministério da cateques na Igreja particular e os seus agentes
A Igreja particular
O ministério da catequese na Igreja particular
A comunidade cristã e a responsabilidade de catequizar
O Bispo, primeiro responsável pela catequese na Igreja particular
Os Presbíteros, pastores e educadores da comunidade cristã
Os genitores, primeiros educadores da fé dos próprios filhos
Os religiosos na catequese
Os catequistas leigos
Diversos tipos de catequista hoje particularmente necessários
Segundo Capítulo
A formação para o serviço da catequese
A pastoral dos catequistas na Igreja particular
Importância da formação dos catequistas
Finalidade e natureza da formação dos catequistas
Critérios inspiradores da formação dos catequistas
As dimensões da formação: o ser, o saber, o saber fazer
Maturidade humana, cristã e apostólica dos catequistas
A formação bíblico-teológica do catequista
As ciências humanas na formação do catequista
Critérios vários que podem inspirar o uso das ciências
humanas na formação dos catequistas
A formação pedagógica
A formação dos catequistas no interior das comunidades cristãs
Escolas de catequistas e os Centros superiores para peritos na catequese
Terceiro Capítulo
Lugares e vias da catequese
A comunidade cristã como lugar de catequese
A família como ambiente ou meio de crescimento na fé
O catecumenato batismal dos adultos
A paróquia como ambiente de catequese
A escola católica
Associações, movimentos e grupos de fiéis
As comunidades eclesiais de base
Quarto Capítulo
A organização da pastoral catequética na Igreja
particular
Organização e exercício das responsabilidades
O serviço diocesano da catequese
Serviços de colaboração interdiocesana
O serviço da Conferência dos Bispos
O serviço da Santa Sé
A coordenação da catequese
A importância de uma efetiva coordenação da catequese
Um projeto diocesano de catequese articulado e coerente
A ação catequética no contexto da nova evangelização
A catequese na pastoral da educação
Algumas tarefas próprias do serviço catequético
A análise da situação e das necessidades
Programa de ação e orientações catequéticas
A elaboração de instrumentos e meios didáticos para a ação
catequética
A elaboração dos Catecismos locais: responsabilidade imediata
do ministério episcopal
Conclusão
(1) CD 44.
(2) CT 2.
(3) CT 3.
(4) Corresponde à Segunda Parte do DCG (1971).
(5) Tem os mesmos objetivos da III Parte do DCG (1971).
(6) Corresponde à Quarta Parte do DCG (1971).
(7) Corresponde à Quinta Parte do DCG (1971). Ainda que alguns,
apresentando significativas motivações, tenham aconselhado que
esta parte precedesse a parte sobre a pedagogia, preferiu-se, em virtude da nova
impostação da Terceira Parte, manter a mesma ordem do texto de
1971. Com tal decisão, se quer sublinhar que a atenção do
destinatário é uma participação e conseqüência
da própria pedagogia divina, da « condescendência » de
Deus na história da salvação (DV 13), da Sua adaptação,
na Revelação, à condição humana.
(8) Assume todos os elementos da Sexta Parte do DCG (1971).
(9) Cf. DCG (1971), Introdução.
(10) Cf. ibidem.
(11) Cf. ibidem.
(12) GS 1.
(13) GS 2.
(14)Ibid.
(15) Cf. SRS 35.
(16) SRS 13b; cf. EN 30.
(17) Cf. CT 29.
(18) SRS 41; cf. Documentos do Sínodo dos Bispos, II: De
Iustitia in mundo (30 de novembro de 1971), III, « A educação
para a justiça »: AAS 63 (1971), pp. 935-937; e LC 77.
(19) SRS 41; cf. ChL 42; CaIC 2444-2448; TMA 51.
(20) João XXIII, Carta encíclica Pacem in Terris (11
de abril de 1963), 9-27: AAS 55 (1963), p. 261-270. Aí são
indicados quais são, para a Igreja, os direitos humanos mais
fundamentais. Nos números 28-34 (AAS 55 (1963), pp. 270-273) são
indicados os principais « deveres do homem ». A catequese deve prestar
atenção a ambos os aspectos.
(21) Cf. SRS 15a.
(22) Cf. PP 14; CA 29.
(23) ChL 5; cf. SRS 26b; VS 31c.
(24) Cf. ChL 5a; Sínodo de 1985, II, D, 1.
(25) Cf. SRS 15e; CaIC 2444; CA 57b.
(26) ChL 37a; cf. CA 47c.
(27) AG 22a.
(28) GS 5.
(29) GS 54.
(30) GS 56c.
(31) Cf. EN 20; CT 53.
(32) GS 19.
(33) Ibid.
(34) EN 55; cf. GS 19 e LC 41.
(35) Sínodo de 1985, II, A, 1.
(36) ChL 4.
(37) Cf. RM 38.
(38) CA 29 ad c; CA 46c.
(39) Cf. GS 36. João Paulo II, na Carta encíclica Dominum
et vivificantem (18 de maio de 1986), n. 38: AAS 78 (1986), pp. 851-852,
estabelece também esta conexão: « A ideologia da "morte
de Deus", nos seus efeitos, demonstra facilmente que é, no plano teórico
e prático, a ideologia da "morte do homem" ».
(40) VS 101; cf. EV 19,20.
(41) CT 3; cf. MPD 4.
(42) TMA 36b; cf. GS 19c.
(43) EN 52; cf. CT 19 e 42.
(44) EN 56.
(45) EN 52.
(46) EN 48; cf. CT 54; ChL 34b; DCG (1971) 6; Sínodo de 1985, II, A,
4.
(47) EN 52.
(48) Cf. EN 52; CT 44.
(49) Cf. ChL 34b; RM 33d.
(50) LG 10.
(51) Sínodo de 1985, I, 3.
(52) Ibid.
(53) Congregação para a Doutrina da Fé, Carta Communionis
notio (28 de maio de 1992), n.1: AAS 85 (1993), p. 838; cf. TMA 36e.
(54) Cf. CT 19b.
(55) Cf. CT 43.
(56) Cf. CT 27b.
(57) DV 10c.
(58) Cf. CT 29b.
(59) Cf. CT 30.
(60) CT 23.
(61) Cf. CT 58.
(62) Cf. EN 63.
(63) Cf. FC 4b; cf. ChL 3e.
(64) GS 11; cf. GS 4.
(65) Cf. GS 62e; FC 5c.
(66) Cf Mc 1,15 e paralelos; RM 12-20; CaIC 541-560.
(67) Cf Mt 5,3-12.
(68) Cf Mt 5,17,29.
(69) Cf Mt 13,11.
(70) Cf Mt 18,135.
(71) Cf Mt 24,125,46.
(72) DV 3.
(73) Cf. 2 Pd 1, 4; CaIC 51-52.
(74) DV 2.
(75) Cf. Ef 1,9.
(76) DV 2.
(77) EN 11.
(78) Cf. GS 22a.
(79) Cf. Ef 2,8; EN 27.
(80) Cf. EN 9.
(81) Cf. Jo 11,52; AG 2b e 3a.
(82) Cf. DV 15; CT 58; ChL 61, CaIC 53, 122; S. Irineu de Lião,
Adversus haerese » III, 20, 2: SCh 211, 389-393. Veja-se, no
presente Diretório, a Terceira Parte, cap. 1.
(83) CaIC 54-64.
(84) DV 2.
(85) Cf. DCG (1971) 11b.
(86) Cf. Heb 1,1-2.
(87) DV 4.
(88) Cf. Lc 24,27.
(89) CaIC 65; S. João da Cruz exprime-se assim: « Disse-nos tudo
de uma só vez, nesta única Palavra » (Subida ao Monte
Carmelo 2, 22; cf. Liturgia das Horas, I, Ofício das leituras da
segunda-feira da segunda semana do Advento).
(90) Cf. CT 5; CaIC 520 e 2053.
(91) CaIC 125, que faz referência a DV 18.
(92) CT 5. O tema do cristocentrismo é abordado, com maiores
particulares, em: « Finalidade da catequese: a comunhão com Jesus
Cristo » (I Parte, cap. 3) e em: « O cristocentrismo da mensagem evangélica
» (II Parte, cap. 1).
(93) Cf. DV 7.
(94) Cf. DV 7a.
(95) Cf. DV 8 e CaIC 75-79.
(96) DV 10b; cf. CaIC 85-87.
(97) LG 48; AG 1; GS 45; cf. CaIC 774-776.
(98) Cf. Cl 1,26.
(99) Na Dei Verbum (nn. 2-5) e no Catecismo da Igreja Católica
(nn. 50-175), fala-se da fé como resposta à Revelação.
Neste contexto, por motivos catequéticos e pastorais, preferiu-se ligar a
fé mais à evangelização do que à Revelação,
enquanto esta última, de fato, alcança o homem normalmente através
da missão evangelizadora da Igreja.
(100) EN 14.
(101) EN 18.
(102) Cf. Mt 28,19-20.
(103) Cf. At 1,8.
(104) Cf. Mt 28,19.
(105) EN 17.
(106) EN 28.
(107) Cf. EN 22a.
(108) Cf. EN 47b.
(109) Cf. EN 18.
(110) EN 24d.
(111) Cf. EN 14.
(112) Cf. AG 6b.
(113) No dinamismo da evangelização, é preciso
distinguir as « situações iniciais » (initia), os «
progressos graduais » (gradus) e a situação de
amadurecimento: « a qualquer condição ou estado devem
corresponder atos apropriados » (AG 6).
(114) Cf. EN 18-20 e RM 52-54; Cf. AG 11-12 e 22.
(115) Cf. EN 21 e 41; RM 42-43; AG 11.
(116) EN 51, 52, 53; cf. CT 18, 19, 21, 25; RM 44.
(117) Cf. AG 13; EN 10 e 23; CT 19; RM 46.
(118) EN 22; CT 18; cf. AG 14 e RM 47.
(119) AG 14; CaIC 1212; cf. CaIC 1229-1233.
(120) Cf. EN 23; CT 24; RM 48-49; cf. AG 15.
(121) Cf. ChL 18.
(122) Cf. ChL 32; cf. ChL 32, que mostra a íntima conexão
entre « comunhão » e « missão ».
(123) Cf. EN 24.
(124) CT 18.
(125) Cf. AG 6f; RM 33 e 48.
(126) Cf. At 6,4. O ministério da Palavra divina é
exercido, na Igreja, por parte:
dos ministros ordenados (cf. CIC 756-757);
dos membros dos institutos de vida consagrada, em virtude da sua
consagração a Deus (cf. CIC 758);
dos fiéis leigos, em virtude do seu batismo e da sua confirmação
(cf. CIC 759).
Com relação ao termo ministério (servitium), é
necessário observar que somente a referência constante ao único
e fundamental ministério de Cristo permite, em certa medida,
aplicar, sem ambigüidade, o termo ministério também
aos fiéis não ordenados. Em sentido original, ele exprime a ação
com a qual os membros da Igreja prolongam, dentro dela e para o mundo, a missão
de Cristo. Quando, ao invés, o termo é diferenciado na relação
e no confronto entre os diversos munera e officia, então é
preciso notar com clareza que somente por força da sagrada Ordenação
ele obtém aquela plenitude e univocidade de significado que a tradição
sempre lhe atribuiu (cf. João Paulo II, Alocução ao
Simpósio sobre a « Participação dos fiéis
leigos ao Ministério », n. 4: L'Osservatore Romano, 23 de
abril de 1994, p. 4).
(127) EN 22; cf. EN 51-53.
(128) Cf. EN 42-45, 54, 57.
(129) DV 8c.
(130) PO 4b; cf. CD 13c.
(131) No Novo Testamento aparecem formas muito diversas deste único
ministério: « anúncio », « ensinamento », «
exortação », « profecia », « testemunho »,...
A riqueza de expressões é notável.
(132) As formas através das quais se canaliza o único
ministério da Palavra, não são, na verdade, intrínsecas
à mensagem cristã. São, antes, acentuações,
tons, desenvolvimentos mais ou menos explicitados, adaptados à situação
de fé de cada pessoa e de cada grupo humano, nas suas circunstâncias
concretas.
(133) Cf. EN 51-53.
(134) AG 14.
(135) Existem razões de natureza diversa, que legitimam as expressões
« educação permanente na fé » ou «catequese
permanente », com a condição de que não seja
relativizado o caráter prioritário, fundamental, estruturador e
específico da catequese, enquanto iniciação de base. A
expressão « educação permanente na fé »
difundiu-se na praxe catequética a partir do Concílio Vaticano II,
para indicar só um segundo grau de catequese, posterior à
catequese de iniciação, e não a totalidade da ação
catequética. Veja-se como esta distinção entre formação
de base e formação permanente é assumida,
no que diz respeito à preparação dos presbíteros,
em: João Paulo II, Exortação apostólica pós-sinodal
Pastores dabo Vobis (25 de março de 1992), capítulos V e
VI, especialmente o n. 71: AAS 84 (1992), pp. 729ss.; 778ss; 782-783.
(136) DCG (1971) 19d.
(137) Cf. SC 35; CaIC 1154.
(138) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução
Donum veritatis sobre a vocação eclesial do teólogo
(24 de maio de 1990), n. 6: AAS 82 (1990) p. 1552.
(139) DCG (1971) 17; cf. GS 62g.
(140) Cf. Rm 10,17; LG 16 e AG 7; cf. CaIC 846-848.
(141) Cf. AG 13a.
(142) Cf. CT 5b.
(143) Cf. CT 20b.
(144) Cf. CaIC 166-167.
(145) Cf. CaIC 150, 153 e 176.
(146) DV 5.
(147) CaIC 177.
(148) Cf. EN 10; AG 13b; CaIC 1430-1431.
(149) EN 23.
(150) Cf. AG 13.
(151) Cf. RM 45c.
(152) Cf. RM 46d.
(153) DV 5; cf. CaIC 153.
(154) DV 5; cf. CaIC 153.
(155) CaIC 149.
(156) CT 20a: « Trata-se, com efeito, de fazer crescer, no plano do
conhecimento e na vida, o germe de fé semeado pelo Espírito
Santo, com o primeiro anúncio do Evangelho ».
(157) Cf. RM 46b.
(158) Cf. 1Pd 2, 2; Heb 5; 13.
(159) Ef 4,13.
(160) OICA 12.
(161) Cf. Eusebio de Cesarea, Praeparatio evangelica I, 1; SCh 206,
6; LG 16; AG 3a.
(162) ChL 4c.
(163) OICA 12 e 111.
(164) Cf. OICA 6 e 7.
(165) AG 13b.
(166) Cf. AG 13; EN 10; RM 46; VS 66; OICA 10.
(167) AG 13b.
(168) Cf. MPD 8b; CaIC 187-189.
(169) Mt 5,48; cf. LG 11c, 40b, 42e.
(170) Cf. DV 24; EN 45.
(171) Cf. RM 33.
(172) RM 33b.
(173) RM 33b. É importante tomar consciência dos « âmbitos
» (fines) que RM atribui à « missão ad gentes
». Não se trata somente de « âmbitos territoriais »
(RM 37a), mas também de « mundos e fenômenos sociais novos »
(RM 37,b), como o são as grandes cidades, o mundo dos jovens, as migrações...,
e de « áreas culturais ou modernos areópagos » (RM 37c),
como o são o mundo da comunicação, o da ciência, a
ecologia... À medida de tudo isso, uma Igreja particular, já
implantada num território, realiza a sua « missão ad gentes»
não apenas « ad extra », mas também « ad intra »
dos seus confins.
(174) RM 33c.
(175) RM 33d.
(176) RM 33d.
(177) RM 34b.
(178) RM 34c. O texto fala, de forma concreta, do mútuo
enriquecimento entre a missão ad intra e a missão ad
extra. Em RM 59c, no mesmo sentido, mostra-se como « a missão
ad gentes » estimula os povos ao desenvolvimento, enquanto a «
nova evangelização », nos países mais desenvolvidos,
cria uma clara consciência de solidariedade para com os demais.
(179) Cf. RM 31; 34.
(180) MPD 8.
(181) DCG (1971) 20; CT 43; Quarta Parte, cap. 2.
(182) CT 19.
(183) Mc 16,15 e Mt 28,19.
(184) Mc 16,16.
(185) Cf. CT 19; DCG (1971) 18.
(186) OICA 9-13; cf. CIC cân. 788.
(187) No atual Diretório, supõe-se que ordinariamente, o
destinatário da « catequese kerigmática » ou
« pré-catequese » tenha um interesse, ou uma inquietação
em relação ao Evangelho. Se absolutamente não a tem, a ação
requerida é o « primeiro anúncio ».
(188) Cf. OICA 9, 10, 50; CT 19.
(189) CT 18; cf. CT 20c.
(190) CT 18.
(191) Ibidem.
(192) AG 14.
(193) CT 18.
(194) S. Cirilo de Jerusalém, « Catecheses illuminandorum »,
I, 11; PG 33, 351-352.
(195) Cf. Mt 7,24-27.
(196) CT 13; cf. CT 15.
(197) CaIC 1122.
(198) AG 14; cf. CaIC 1212, 1229.
(199) CaIC 1253. No catecumenato batismal dos adultos, próprio da
missão ad gentes, a catequese precede o Batismo. Na catequese dos
batizados (crianças, jovens ou adultos), a formação é
posterior. Porém, mesmo neste caso, o objetivo da catequese é o
fazer descobrir e viver as imensas riquezas do Batismo já recebido. CaIC
1231 usa a expressão catecumenato pós-batismal. ChL 61 a
chama de catequese pós-batismal.
(200) Cf. CD 14.
(201) CT 22; cf. CT 18d, 21b.
(202) Cf. CT 21.
(203) CT 21. Duas razões merecem ser sublinhadas nesta abordagem
sinodal, assumida pela Catechesi Tradendae: a preocupação
de levarem consideração um problema pastoral («
insisto na necessidade de um ensino cristão orgânico e sistemático,
porque em diversas partes nota-se a tendência para minimizar a sua importância
»); e o fato de considerar a organicidade da catequese como característica
principal que a conota.
(204) CT 21.
(205) Cf. CT 20; S. Agostinho, « De catechizandis rudibus »
I, cap. 4, 8: CCL 46, 128-129.
(206) Cf. CT 21b.
(207) Cf. CT 21c.
(208) Cf. AG 14; CT 33; CaIC 1231.
(209) Cf. DCG (1971) 31.
(210) CT 24.
(211) DV 21.
(212) Jo 17, 21.
(213) Cf. CT 48; cf. SC 52; DV 24; DCG (1971) 17; Missale Romanum, Ordo
Lectionum Missae, n. 24, Editio Typica Altera, Libreria Editrice Vaticana,
1981.
(214) Cf. DV 21-25; Comissão Bíblica Pontifícia,
Documento A interpretação da Bíblia na Igreja (21
de setembro de 1993), IV, C, 2-3, Cidade do Vaticano 1993.
(215) SRS 41; cf. CA 5, 53-62; DCG (1971) 26; Congregação para
a Educação Católica, Documento Orientações
para o estudo e o ensinamento da doutrina social da Igreja na formação
dos sacerdotes (30 de dezembro de 1988), Roma 1988.
(216) CT 23; cf. SC 35, 3; CIC cân. 777, 1 e 2.
(217) Cf. CT 21c e 47; DCG (1971) 96, c, d, e, f.
(218) Cf. 1 Pd 3,15; Congregação para a Doutrina da Fé,
Instrução Donum veritatis, n. 6b: l.c., 1522.
Veja-se o que se encontra indicado na CT 61, acerca da correlação
existente entre catequese e teologia.
(219) CT 45c.
(220) Congregação para a Educação Católica,
Dimensão religiosa da educação na Escola católica.
Linhas fundamentais para a reflexão e a revisão (7 de abril de
1988), n. 68, Tipografia Poliglota Vaticana, Roma 1988; cf. João
Paulo II, Alocução aos Sacerdotes da Diocese de Roma (5 de março
de 1981); Ensinamentos de João Paulo II, IV1, pág.
629-630; CD 13c; CIC cân. 761.
(221) Cf. Congregação para a Educação Católica,
Documento A Escola Católica (19 de março de 1977), n. 26,
Tipografia Poliglota Vaticana, 1977.
(222) CT 69. Note-se como, para CT 69, a originalidade do ensino religioso
escolar não consiste apenas no tornar possível o diálogo
com a cultura em geral, uma vez que isto diz respeito a todas as formas do
ministério da Palavra. No ensino religioso escolar se busca, de modo mais
direto, promover este diálogo no processo pessoal de iniciação
sistemática e crítica, e de encontro com o patrimônio
cultural que a escola promove.
(223) Cf. Congregação para a Educação Católica,
Dimensão religiosa da educação na Escola Católica,
70, l.c.
(224) Cf. João Paulo II, Alocução ao Simpósio
do Conselho das Conferências Episcopais da Europa sobre o Ensino da Religião
Católica na escola pública (15 de abril de 1991): Ensinamentos
de João Paulo II, XIV1, pp. 780ss.
(225) Ibid.
(226) Cf. CT 69, Congregação para a Educação Católica,
Dimensão religiosa da educação na Escola Católica.
Linhas fundamentais para a reflexão e a revisão, n. 66: l.c.
(227) Cf. CT 33.
(228) Cf. CT 34.
(229) Cf. o que foi indicado no 1 cap. desta Parte, em A transmissão
da A Revelação por meio da Igreja, obra do Espírito Santo,
e na Segunda Parte, no 1 cap., em A eclesialidade da mensagem evangélica;
cf. EN 60, que fala da eclesialidade de qualquer ato de evangelização.
(230) Cf. LG 64; DV 10a.
(231) Cf. DCG (1971) 13.
(232) Cf. AG 22a.
(233) Cf. CT 28, OICA 25 e 183-187. A traditio-redditio symboli
(entrega e restituição do símbolo) foi e é um
elemento importante do Catecumenato batismal. A bipolaridade deste gesto exprime
a dúplice dimensão da fé: dom recebido (traditio) e
resposta pessoal e inculturada (redditio). Cf. CT 28 para « uma
adequada e mais ampla utilização, na catequese, deste rito tão
expressivo ».
(234) Cf. LG 64.
(235) CaIC 169. A relação entre a maternidade da Igreja
e a sua função educadora foi muito bem expressa por S.
Gregório Magno: « Depois de ter sido fecundada, concebendo os
seus filhos graças ao ministério da pregação, a
Igreja os faz crescer no seu seio, com os seus ensinamentos » (Moralia
in Iob, LXIX, 12: CCL 143a, 970).
(236) CT 5; cf. CaIC 426; AG 14a. Em relação a esta finalidade
cristológica da catequese, veja-se o que foi indicado na Primeira Parte,
1 cap.: « Jesus Cristo mediador e plenitude da Revelação »;
e o que se diz na Segunda Parte, 1 cap.: « O cristocentrismo da
mensagem evangélica ».
(237) AG 13b.
(238) CT 20c.
(239) LG 7b.
(240) MPD 8; CaIC 185-187.
(241) Cf. CaIC 189.
(242) Cf. CaIC 180-190 e 197.
(243) CaIC 2113.
(244) Cf. CaIC 166-167; CaIC 196.
(245) Cf. RM 45.
(246) Também o DCG (1971) 21-29 distingue entre a finalidade (finis)
e as tarefas (munera) da catequese. Estes são os objetivos específicos
nos quais se concretiza a finalidade. Cf. Mc 4,10-12.
(247) cf. Mt 6,5-6.
(248) Cf. Mt 10,5-15.
(249) CT 21b.
(250) GE 4; cf. OICA 19; CIC cân. 788, 2.
(251) Cf. DCG (1971) 36a.
(252) DCG (1971) 24.
(253) DV 25a.
(254) SC 7.
(255) Cf. SC 14.
(256) DCG (1971) 25b.
(257) AG 13.
(258) Cf. LC 62, CaIC 1965-1986. O CaIC 1697 precisa em particular as
características que a catequese deve assumir na formação
moral.
(259) VS 107.
(260) Cf. CT 29f.
(261) OICA 25 e 188-191.
(262) Cf. CaIC 2761.
(263) PO 6d.
(264) AG 14d.
(265) DCG (1971) 27.
(266) UR 3b.
(267) CT 32; cf. CaIC 821; CT 32-34.
(268) Cf. CT 24b; DCG (1971) 28.
(269) Cf. LG 31b; ChL 15; CaIC 898-900.
(270) Cf. Mt 10, 5-42; Lc 10, 1-20.
(271) Cf. EN 53; RM 55-57.
(272) Cf. RM 55b; Conselho Pontifício para o Diálogo
Inter-religioso e Congregação para a Evangelização
dos Povos, Instrução Diálogo e Anúncio. Reflexões
e Diretrizes de Evangelio nuntiando et de Dialogo interreligioso (19 de maio
de 1991), nn. 14-54: AAS 84 (1992) pp. 419-432. CaIC 839-845; Na Quarta Parte, 4
cap., falando dos destinatários da catequese, se retorna a este tema, no
parágrafo « A catequese no contexto de outras religiões ».
(273) RM 55a.
(274) Cf. CIC cân. 773 e 778, 2.
(275) Cf. DCG (1971) 22 e 23.
(276) Cf. DCG (1971) 26.
(277) DCG (1971) 31b.
(278) Cf. OICA 19.
(279) OICA 9-13.
(280) OICA 14-20; 68-72; 98-105.
(281) OICA 93; cf. MPD 8c.
(282) OICA 21-26; 133-142; 152-159.
(283) OICA 25 e 183-187.
(284) OICA 25 e 188-192.
(285) OICA 37-40; 235-239.
(286) Esta gradualidade transparece também dos nomes que a
Igreja utiliza para designar aqueles que se encontram nas diversas etapas do
Catecumenato batismal: « simpatizante » (OICA 12), o já
propenso à fé ainda que não creia plenamente; « catecúmeno
» (OICA 17-18), o firmemente decidido a seguir Jesus; « eleito
» ou « concorrente » (OICA 24), o chamado a receber o
Batismo; o « neófito », o recém-nascido à
luz, graças ao Batismo; « fiel cristão »
(OICA 39), o maduro na fé e membro ativo da comunidade cristã.
(287) Cf. MPD 8; EN 44; ChL 61.
(288) No presente Diretório Geral para a Catequese utilizam-se, como
distintas, as expressões « catecúmenos » e «
catequizandos », com o objetivo de indicar esta diferença. Por sua
vez, o CIC, cân. 204-206, recorda o diverso modo de união de têm
os « catecúmenos » e os « catequizandos » com a
Igreja.
(289) OICA 295. O próprio « Ordo initiationis christianae
adultorum », IV cap., contempla o caso dos adultos batizados,
necessitados de uma catequese de iniciação. CT 44 precisa as
diversas circunstâncias emque esta catequese de iniciação de
torna necessária.
(290) AG 14d.
(291) Metodio de Olímpia, por exemplo, tem em vista esta ação
materna da comunidade cristã, quando diz: « Em relação
àqueles que ainda são imperfeitos (na vida cristã), são
mais maduros aqueles que os formam e os dão à luz, como em uma ação
materna »: Metódio de Olímpia, Symposium III, 8; SCh
95, 111. Veja no mesmo sentido: S. Gregório Magno, Homiliarum in
Evangelia, I, III, 2; PL 76, 1086.
(292) OICA 8.
(293) Cf. CT 53.
(294) DCG (1971) 130. Tal parágrafo se abre com a seguinte afirmação:
« O catecumenato dos adultos que é, ao mesmo tempo, catequese,
participação litúrgica e vida comunitária, é
um caso típico de uma instituição que nasce da colaboração
de diversas atividades pastorais » (ivi).
(295) Cf. DCG (1971) 36a.
(296) CT 27.
(297) Cf. DV 10 a e b; 1 Tim 6,20; 2 Tim 1,14.
(298) Cf. Mt 13,52.
(299) DV 13.
(300) Ibid.
(301) DV 10.
(302) Como se vê, empregam-se ambas as expressões: a fonte
e « as fontes ». Fala-se « da » fonte da catequese
para sublinhar a unicidade da Palavra de Deus, recordando o conceito de Revelação
na Dei Verbum. Seguiu-se a CT 27, que fala também da fonte
da catequese. Manteve-se, não obstante, a expressão as fontes,
seguindo o ordinário uso catequético da expressão, para
indicar os lugares concretos, dos quais a catequese extrai a sua mensagem; cf.
DCG (1971) 45.
(303) Cf. DCG (1971) 45b.
(304) DV 9.
(305) Ibid.
(306) DV 10b.
(307) DV 10c.
(308) Cf. MPD 9.
(309) Cf. CaIC 426-429; CT 5-6; DCG (1971) 40.
(310) CT 5.
(311) DCG (1971) 41a; cf. DCG (1971) 39, 40 e 44.
(312) GS 10.
(313) CT 6.
(314) Cf. 1 Cor 15,1-4; EN 15.
(315) CT 11b.
(316) CaIC 139.
(317) Cf. Jo 14,6.
(318) A expressão « Um da Trindade » foi utilizada pelo V
Concílio Ecumênico de Constantinopla (ano 553): Cf.
Constantinopolitarum II, Sessio VIII, can. 4: Dz 424. Foi recordada em
CaIC 468.
(319) CaIC 234; cf. CaIC 2157.
(320) DCG (1971) 41; cf. Ef 2,18.
(321) Cf. DCG (1971) 41.
(322) Cf. CaIC 258, 236 e 259.
(323) Cf. CaIC 236.
(324) CaIC 450.
(325) Cf. CaIC 1878; CaIC 1702. SRS 40 utiliza a expressão «
modelo de unidade », referindo-se a este tema. CaIC 2845 chama a
comunhão da SS. Trindade de « fonte e critério da verdade em
cada relação ».
(326) LG 4b, que cita textualmente S. Cipriano, De Dominica oratione
23; CCL 32A, 105.
(327) Cf. EN 11-14; RM 12-20; CaIC 541-556.
(328) A liturgia da Igreja a exprime assim, na Vigília pascal: «
...dai aos que foram resgatados pelo vosso Filho, a graça de compreender
que o sacrifício do Cristo, nossa Páscoa, na plenitude dos tempos,
ultrapassa em grandeza, a criação do mundo realizada no princípio
» (Missal Romano Vigília Pascal, Oração após
a Primeira Leitura).
(329) EN 9.
(330) CT 25.
(331) EN 26.
(332) Este dom da salvação nos confere « a justificação
por meio da graça da fé e dos sacramentos, nos liberta do pecado e
nos introduz na comunhão com Deus » (LC 52).
(333) EN 27.
(334) Cf. LG 3 e 5.
(335) Cf. RM 16.
(336) GS 39.
(337) LG 5.
(338) RM 20.
(339) EN 28.
(340) EN 30-35.
(341) EN 30.
(342) CA 57; cf. CaIC 2444.
(343) EN 30.
(344) EN 32; cf. SRS 41; RM 58.
(345) EN 32.
(346) EN 33; cf. LC: esta Instrução é um ponto de referência
obrigatório para a catequese.
(347) LC 71.
(348) CA 57; LC 68; cf. SRS 42; CaIC 2443-2449.
(349) LC 68.
(350) SRS 41; cf. LC 77. Por sua vez, o Sínodo de 1971 abordou um
tema de fundamental importância para a catequese: A educação
à justiça: cf. Documentos do Sínodo dos Bispos, II:
De Iustitia in mundo, III: l.c., 835-937.
(351) OICA 75; cf. CaIC 1253.
(352) Cf. CaIC 172-175, onde, inspirando-se a S. Irineu de Lyon, se analisa
toda a riqueza contida na realidade de uma só fé.
(353) CaIC 815: « ...a unidade da Igreja no tempo é
assegurada também pelos laços visíveis de comunhão:
a profissão de uma só fé recebida dos Apóstolos; a
celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos; a
sucessão apostólica mediante o sacramento da Ordem, que conserva a
concórdia fraterna da família de Deus ».
(354) EN 61, que cita S. Gregório Magno e a Didaqué.
(355) CaIC 1076.
(356) DCG (1971) 44.
(357) Os Santos Padres, baseando o conteúdo da catequese na narração
dos eventos da salvação, desejavam enraizar o cristianismo no
tempo, mostrando que era história salvífica e não uma mera
filosofia religiosa; assim como desejavam evidenciar que Cristo era o centro
desta história.
(358) 3 CaIC 54-64. Nesses textos do Catecismo, que são referência
fundamental para a catequese bíblica, se indicam as etapas mais
importantes da Revelação, nas quais a Aliança é o
tema chave. Cf. CaIC 1081 e 1093.
(359) Cf. DV 4.
(360) DCG (1971) 11.
(361) CaIC 1095; cf. CaIC 1075; CaIC 1116; cf. CaIC 129-130 e 1093-1094.
(362) CaIC 1095. O CaIC no n. 1075 indica o caráter indutivo desta «
catequese mistagógica », uma vez que « procede do visível
para o invisível, do significante àquilo que é significado,
dos "sacramentos" aos "mistérios" ».
(363) DV 2.
(364) DCG (1971) 72; cf. CaIC 39-43.
(365) Cf. IV Parte, cap. 5.
(366) AG 10; cf. AG 22a.
(367) CT 53; cf. EN 20.
(368) O termo « inculturação » foi assumido por
diversos documentos do Magistério. Veja-se: CT 53; RM 52-54. O conceito
de « cultura », tanto em sentido geral quanto em sentido « sociológico
e etnológico », foi esclarecido na GS 53; cf. também ChL 44a.
(369) AG 22a; cf. LG 13 e 17; GS 53-62; DCG (1971) 37.
(370) Cf. RM 52b que fala de um « longo tempo » exigido pela
inculturação.
(371) EN 20; cf. EN 63; RM 52.
(372) LG 13 utiliza a expressão « fomenta e assume (fovet et
assumit) ».
(373) LG 17 exprime-se assim: « purifica-os, reforça-os e
eleva-os » (sanare, elevare er consummare).
(374) EN 19 afirma: « atingir e como que modificar ».
(375) RM 54a.
(376) RM 54b.
(377) Cf. GCM, 12.
(378) Cf. CaIC 24.
(379) CT 30.
(380) Cf. ibid.
(381) DCG (1971) 38a.
(382) Cf. DCG (1971) 38b.
(383) Cf. Mt 11,30.
(384) EN 63 utiliza as expressões « assimilar » e
« transpor »; cf. RM 53b.
(385) EN 63c; cf. CT 53c; CT 31.
(386) Sínodo de 1985, Relatório Final, II, D, 3; cf.
EN 65.
(387) CT 31, que também expõe a integridade da mensagem e a
sua organicidade; cf. DCG (1971) 39 e 43.
(388) CaIC 234.
(389) UR 11.
(390) DCG (1971) 43.
(391) DCG (1971) 41.
(392) S. Cirilo de Jerusalém, a propósito do Símbolo,
afirma: « Este símbolo da fé não foi elaborado
segundo as opiniões humanas, mas da Escritura inteira recolheu-se o que
existe de mais importante, para dar, na sua totalidade, a única doutrina
da fé » (Catecheses illuminandorum, 5, 12: PG 33, 521).
O texto é referido também no CaIC 186.
(393) CaIC 1211.
(394) CaIC 1211.
(395) S. Agostinho apresenta o Sermão da Montanha como « a
carta perfeita da vida cristã... que contém todos os preceitos
apropriados para guiá-la » (« De sermone Domini in
monte », 1,1; CCL 35,1); cf. EN 8.
(396) O Pai Nosso é, na verdade, « o resumo de todo o
Evangelho » (Tertulliano, De oratione, 1, 6: CSEL 20, 181). «
Percorrei todas as orações nas Escrituras, e não creio
que se possa encontrar alguma coisa que não esteja incluída na oração
do Senhor » (S. Agostinho, Epístola 130, c. 12: PL 33,
502); cf. CaIC 2761.
(397) GS 22a.
(398) Cf. ibid.
(399) CT 22c; cf. EN 29.
(400) GS 22b.
(401) CaIC 521; cf. CaIC 519-521.
(402) Cf. CT 20b.
(403) Cf. Rm 6,4.
(404) DCG (1971) 74; cf. CT 29.
(405) Cf. AG 8a.
(406) Cf. Fl 1,27.
(407) Cf. CaIC 1697.
(408) Cf. CaIC 1145-1152.
(409) Cf. Parte III, cap. 2.
(410) DCG (1971) 46.
(411) CT 31.
(412) Cf. CIC 775, §§ 1-3.
(413) Cf. FD 2d.
(414) FD 4a.
(415) DCG (1971) Introdução.
(416) DCG (1971) Parte III, cap. 2.
(417) CaIC 11.
(418) FD 4c; FD 4b.
(419) CaIC 815.
(420) FD 4a; cf. FD 4c.
(421) FD 1f; FD 4c.
(422) FD 4d.
(423) Ibid.
(424) FD 3d.
(425) FD 3e.
(426) Cf. CaIC 13.
(427) Cf. Parte I, cap. 3 do presente Diretório.
(428) Cf. Cardeal J. Ratzinger, Il Catechismo della Chiesa Cattolica e
l'ottimismo dei redenti, in J. Ratzinger C. Schönborn, Breve
introduzione al Catechismo della Chiesa cattolica (tit. orig. Kliene
Hinführung zum Katechismus der Katholischen Kirche, München 1993),
Roma 1994, pp. 26-27.
(429) Cf. CaIC 189-190; 1077-1109; 1693-1695; 2564, etc.
(430) Cf. CaIC 27-49; 355-379; 456-478; 1699-1756; etc.
(431) GS 22a.
(432) Cf. DCG (1971) 119.
(433) CaIC 24.
(434) DV 21.
(435) MPD 9c; Comissão Bíblica Pontifícia, Documento
A interpretação da Bíblia na Igreja IV, c, 3: l.c.
(436) CT 27; cf. Sínodo de 1985, II, B, a, 1.
(437) DV 9.
(438) Cf. MPD 9.
(439) DV 8c.
(440) Quando o Concílio Vaticano II solicitou a restauração
do catecumenato dos adultos, sublinhou a sua necessária
gradatividade: « Seja restabelecido o catecumenato dos adultos, dividido em
mais fases ».
(441) É significativo, a título de exemplo, o testemunho de Orígenes:
« Quando abandones as trevas da idolatria e desejas chegar ao conhecimento
da lei divina, então tem início a tua saída do Egito.
Quando tiveres sido agregado à multidão dos catecúmenos e
tiveres começado a obedecer os mandamentos da Igreja, então
atravessastes o Mar Vermelho. Nas etapas no deserto, a cada dia, te empenhas em
ouvir a lei de Deus e a contemplar a face de Moisés, que te mostra a glória
do Senhor. Mas quando chegas à fonte batismal, tendo atravessado o Jordão,
entrarás na terra prometida » (Origenes, Homiliae in Iesu Nave,
IV, 1: SCR 71, 149).
(442) CaIC 13.
(443) O presente título se refere exclusivamente aos Catecismos
oficiais, isto é, àqueles que o Bispo diocesano (CIC cân.
775,1) ou a Conferência Episcopal (CIC cân. 775, 2) assume como próprios.
Os Catecismos não oficiais (CIC cân. 827, 1) e outros instrumentos
de trabalho para a catequese (DCG 1971, 116) são considerados na Parte V,
cap. 4.
(444) FD 4c.
(445) FD 4d.
(446) Cf. CIC cân. 775.
(447) CT 53a; Cf. CaIC 24.
(448) CT 50.
(449) DV 15.
(450) Cf. DV 13.
(451) DV 13.
(452) DV 13. Amor inefável, providência solícita,
condescendência são expressões que definem a pedagogia
divina na Revelação. Mostram o desejo de Deus de «adaptar-Se
» (synkatabasis) aos seres humanos. Este mesmo espírito deve
guiar a elaboração dos catecismos locais.
(1) DCG (1971) 119.
(2) Na catequese, junto aos instrumentos, intervêm outros fatores
decisivos: a pessoa do catequista, o seu método de transmissão, a
relação entre o catequista e o catequizando, o respeito pelo ritmo
interior de recepção por parte do destinatário, o clima de
amor e de fé na comunicação, a ativa participação
da comunidade cristã, etc.
(3) Cf. Parte IV, cap. I.
(4) CaIC 24.
(5) GS 44.
(6) CT 53a.
(7) Cf. CT 55c; MPD 7; DCG (1971) 34.
(8) Cf. CT 39-40.
(9) Nos Catecismos locais se deve prestar uma grande atenção à
abordagem e à orientação da religiosidade popular (Cf. EN
48; CT 54; CaIC 1674-1676); igualmente no que concerne ao diálogo ecumênico
(Cf. CT 32-34; CaIC 817-822) e ao diálogo interreligioso (cf. EN 53; RM
55-57 e CaIC 839-845).
(10) LC 72 faz a distinção entre « princípios de
reflexão », « critérios de julgamento » e «
diretrizes de ação », que a Igreja oferece na sua doutrina
social. Um Catecismo deverá saber distinguir estes níveis.
(11) Faz-se referência, fundamentalmente, às « diferentes
situações sócio-religiosas » diante da evangelização.
Elas são tratadas na Parte I, cap. 1.
(12) Sobre esta distinção entre Catecismos locais e obras sintéticas
do CaIC, ver o que está indicado em: Congregação para a
Doutrina da Fé Congregação para o Clero, Carta aos
Presidentes das Conferências Episcopais Orientações
sobre as sínteses do Catecismo da Igreja Católica (Prot. N.
94004378, de 20 de dezembro de 1994), Premissas 1-5. Entre outras coisas, se
afirma: « As obras que sintetizam o CaIC podem ser erroneamente entendidas
como sucedâneos dos Catecismos locais, a ponto de, de fato, desencorajar a
preparação destes, quando na verdade, tais sínteses não
contêm aquelas adaptações às particulares situações
dos destinatários, exigidas pela catequese » (Premissa 4).
(13) Cf. CIC cân. 775, §§ 1-2.
(14) A questão da linguagem, tanto nos Catecismos locais quanto no
ato catequético, é de capital importância; cf. CT 59.
(15) EN 63. Nesta delicada tarefa de assimilar-traduzir indicada
neste texto, é muito importante levar em consideração a
observação feita pela Congregação para a Doutrina da
Fé Congregação para o Clero, em: Orientações
sobre as obras de síntese do Catecismo da Igreja Católica,
Premissa 3, l.c.: « A elaboração dos Catecismos
locais que tenham o CaIC como « texto de referência seguro e
autorizado » (FD 4), permanece como um objetivo importante para os
Episcopados. Mas as previsíveis dificuldades que se encontram em tal
tarefa, poderão ser superadas somente se, mediante um adequado e talvez
também prolongado tempo de assimilação do CaIC, se tiver
preparado um terreno teológico, catequético e lingüístico
para uma real obra de inculturação dos conteúdos do
Catecismo ».
(16) GS 62b.
(17) FD 4b.
(18) RM 54b.
(19) CaIC 815.
(20) LG 23a.
(21) Congregação para a Doutrina da Fé, Carta Communionis
notio, n. 9: l.c., 843.
(22) Cf. CT 63b.
(23) Cf. Jo 15,15; Mc 9,33-37; 10,41-45.
(24) CT 9.
(25) Cf. Mc 8,14-21.27.
(26) Cf. Mc 4,34; Lc 12,41.
(27) Cf. Lc 11,1-2.
(28) Cf. Lc 10,1-20.
(29) Cf. Jo 16,13.
(30) Cf. Mt 10,20; Jo 15,26; At 4,31.
(31) CT 9.
(32) CT 58.
(33) DV 15; DCG (1971) 33; CT 58; ChL 61; CaIC 53, 122, 684, 798, 1145,
1609, 1950, 1964.
(34) Cf. Dt 8,5; Os 11,3-4; Pr 3,11-12.
(35) Cf. Dt 4,36-40; 11,2-7.
(36) Cf. Ex 12,25-27; Dt 6,4-8; 6,20-25; 31,12-13; Js
4,20.
(37) Cf. Am 4,6; Os 7,10; Jr 2,30; Pr 3,11-12;
Hb 12,4-11; Ap 3,19.
(38) Cf. Mc 8,34-38; Mt 8,18-22.
(39) LG 1.
(40) CaIC 169; cf. GE 3c.
(41) Cf. GE 4.
(42) Cf. Paulo VI, Carta Enc. Ecclesiam Suam (6 de agosto de 1964),
III: AAS 56 (1964), 6637-659.
(43) Cf. DV 2.
(44) Cf. RM 15; CaIC 24 b-25; DCG (1971) 10.
(45) Cf. MPD 11; CT 58.
(46) Cf. CT 52.
(47) Cf. Paulo VI, Carta enc. Ecclesiam Suam, l.c., 609-659.
(48) Cf. MPD 7-11; CaIC 3, 13; DCG (1971) 36.
(49) DV 5.
(50) Cf. MPD 7; CT 55; DCG (1971) 4.
(51) CT 55.
(52) Cf. DCG (1971) 10 e 22.
(53) DV 13; CaIC 684.
(54) Cf. DV 2.
(55) Cf. DV 13.
(56) Cf. EN 63; CT 59.
(57) Cf. CT 31.
(58) Cf. GE 1-4; CT 58.
(59) CT 51.
(60) CT 51.
(61) CT 31, 52, 59.
(62) CT 52.
(63) Cf. Comissão Bíblica Pontifícia, Documento A
interpretação da Bíblia na Igreja, l.c.
(64) MPD 9.
(65) DCG (1971) 72.
(66) Cf. DCG (1971) 72.
(67) Cf. DCG (1971) 74; CT 22.
(68) Aqui entendemos aquelas experiências ligadas às «
grandes questões » da vida e da realidade, inerentes à
pessoa: a existência de Deus, o destino da pessoa, a origem e a conclusão
da história, a verdade sobre o bem e o mal, o sentido do sofrimento, do
amor, do futuro...; cf. EN 53; CT 22 e 39.
(69) Cf. Parte I, cap. 3; DCG (1971) 71; CT 55.
(70) Cf. MPD 9.
(71) Cf. CT 55.
(72) Cf. CaIC 22.
(73) CT 55.
(74) Cf. Parte I, cap. 3, in « O catecumenato batismal: estrutura e
fases ».
(75) DCG (1971) 71; cf. Parte V, cap. 1 e 2.
(76) DCG (1971) 75.
(77) Cf. Parte V, cap. 1.
(78) Cf. AG 14; DCG (1971) 35; CT 24.
(79) Cf. EN 46.
(80) DCG (1971) 76.
(81) Cf. DCG (1971) 122-123; EN 45; CT 46; FC 76; ChL 44; RM 37; Conselho
Pontifício para as Comunicações Sociais, Instrução
Aetatis novae (22 de fevereiro de 1992): AAS 84 (1992), pp. 447-468; EA
71; 122-124.
(82) Cf. RM 37.
(83) Aetatis novae, l.c., n. 11.
(84) Cf. EN 45.
(85) Cf. CT 46.
(86) Cf. DCG (1971) 122.
(87) RM 37.
(88) EN 45.
(89) Cf. FC 76.
(90) ChL 44.
(91) RM 14; 23; cf. EN 49-50; CT 35s.
(92) Cf. Lc 4,18.
(93) Cf. Mc 16,15.
(94) Cf. Introdução Geral.
(95) Cf. DCG (1971) 77.
(96) EN 49-50; CT 14; 35s.
(97) RH 13; cf. EN 31.
(98) Cf. RH 13-14; CaIC 24.
(99) Cf. DCG (1971) 75.
(100) DCG (1971) 21.
(101) CT 13.
(102) Cf. GS 44; EN 63; CT 31; CaIC 24-25.
(103) GS 44. Nesta Quarta Parte, é aceito, porque utilizado pelo
Magistério e por utilidade prática, o duplo termo « adaptação
» e « inculturação », dando ao primeiro termo
prevalentemente o sentido de atenção às pessoas, e ao
segundo o sentido de atenção aos contextos culturais.
(104) Cf. RM 33.
(105) CaIC 24.
(106) RH 14.
(107) Cf. CT 45.
(108) Cf. DCG (1971) 20; 92-97; CT 43-44; COINCAT, A catequese dos
adultos na comunidade cristã, 1990.
(109) Cf. DCG (1971) 20; CT 19; 44; COINCAT 10-18.
(110) Cf. COINCAT 10-18.
(111) Cf. CT 44.
(112) Cf. CT 19.
(113) Cf. DCG (1971) 92-94; CT 43; COINCAT 20-25; 26-30; 33-84.
(114) Cf. 1 Cor 13,11; Ef 4,13.
(115) Cf. COINCAT 33-84.
(116) Cf. COINCAT 26-30.
(117) LG 31; cf. EN 70; ChL 23.
(118) Cf. ChL 57-59.
(119) Cf. DCG (1971) 97.
(120) Cf. Primeira Parte, 2 cap.; DCG (1971) 96.
(121) Cf. DCG (1971) 78-81; CT 36-37.
(122) DCG (1971) 78-79; ChL 47.
(123) Cf. ChL 47.
(124) Cf. Mc 10,14.
(125) DCG (1971) 78-79; CT 37.
(126) Cf. CT 37.
(127) Cf. Sagrada Congregação para o Culto Divino, Diretório
para as missas com a participação de crianças (1o de
novembro de 1973): AAS 66 (1974), pp. 30-46.
(128) Cf. DCG (1971) 79.
(129) Cf. DCG (1971) 78, 79.
(130) Cf. DCG (1971) 80-81; CT 42.
(131) Cf. DCG (1971) 82-91; EN 72; CT 38-42.
(132) Cf. DCG (1971) 83.
(133) Cf. Introdução geral, 23-24.
(134) Cf. DCG (1971) 82; EN 72; MPD 3; CT 38-39; ChL 46; TMA 58.
(135) GE 2; ChL 46.
(136) Mt 19, 16-22; cf. João Paulo II, Carta aos Jovens Parati
semper (31 de março de 1985): AAS 77 (1985), pp. 579-628.
(137) Cf. João Paulo II, Parati semper, cit. n. 3.
(138) ChL 46; cf. DCG (1971) 89.
(139) Cf. DCG (1971) 84-89; CT 38-40.
(140) Cf. DCG (1971) 87.
(141) Outros temas significativos: relação entre fé e
razão; a existência e o sentido de Deus; o problema do mal; a
pessoa de Cristo; a Igreja; a ordem ética em relação à
subjetividade pessoal; o encontro homem e mulher; a doutrina social da Igreja...
(142) CT 40.
(143) Cf. DCG (1971) 95; ChL 48.
(144) Cf. ChL 48.
(145) Cf. DCG (1971) 91; CT 41.
(146) Cf. CT 59.
(147) Cf. EN 51-56; MPD 15.
(148) Cf. Introdução Geral, 23-24.
(149) EN 54.
(150) Cf. 1 Pd 3,15.
(151) Cf. DCG (1971) 6; EN 48; CT 54.
(152) EN 48.
(153) EN 48.
(154) Cf. Paulo VI, Exort. Ap. Marialus cultus (2 de fevereiro de
1974), nn. 24, 25, 29: AAS 66 (1979), pp. 134-136, 141.
(155) Cf. DCG (1971) 27; MPD 15; EN 54; CT 32-34; Conselho Pontifício
para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Diretório
de aplicação dos princípios e das normas sobre o ecumenismo
(25 de março de 1993) 61: AAS 85 (1993), pp. 1063-1064; TMA 34; João
Paulo II, Carta enc. Ut unum sint (25 de maio de 1995), n. 18: AAS 87
(1995), p. 932.
(156) CT 33.
(157) Cf. UR 11.
(158) Cf. Diretório para o ecumenismo, n. 190, l.c.,
p. 1107.
(159) Cf. CT 33.
(160) Cf. NA 4; Secretariado para a União dos Cristãos (Comissão
para as relações religiosas com o Hebraísmo), Hebreus e
hebraísmo na pregação e na catequese católica
(24 de junho de 1985).
(161) CaIC 839.
(162) Hebreus e hebraísmo, cit., n. VII.
(163) Cf. NA, 4.
(164) Cf. EN 53; MPD 15, ChL 35; RM 55-57; CaIC 839-845; TMA 53; Conselho
Pontifício para o Diálogo inter-religioso e Sagrada Congregação
para a Evangelização dos Povos, Instr. Diálogo e Anúncio
(19 de maio de 1991): AAS 84 (1992), pp. 414-446; 1263.
(165) Secretariado para a União dos Cristãos
Secretariado para os não Cristãos Secretariado para os não
Crentes Conselho Pontifício para a Cultura, Relatório O
fenômeno das seitas ou novos movimentos religiosos: desafio pastoral: «
L'Osservatore Romano », 7 de maio de 1986.
(166) « O fenômeno das seitas ou novos movimentos religiosos:
desafio pastoral », cit., n. 5.4.
(167) RM 38.
(168) Cf. Segunda Parte, cap. 1; DCG (1971) 8; EN 20; 63; CT 53; RM 52-54;
João Paulo II, Discurso aos membros do Conselho Internacional de
Catequese: « L'Osservatore Romano, 27 de setembro de 1992; cf. Congregação
para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instrução A
liturgia romana e a inculturação
(25 de janeiro de 1985): AAS 87 (1995), pp. 288-319; Comissão Teológica
Internacional, Documento Commissio Theologica sobre Fé e
inculturação (3-8 de outubro de 1988); cf. ainda João Paulo
II, Exort. apost. pós-sinodal Ecclesia in Africa, l.c.; Discursos
de João Paulo II por ocasião das suas viagens pastorais.
(169) Cf. EN 20; 63; CT 53; RM 52-54; CaIC 172-175.
(170) CT 53.
(171) Cf. Segunda Parte, cap. 1.
(172) Cf. CT 53.
(173) CT 53.
(174) EN 20.
(175) RM 54.
(176) Cf. CT 59.
(177) CT 59.
(178) RM 37.
(179) Cf. Terceira Parte, cap. 2.
(180) Cf. DCG (1971) 123.
(181) João Paulo II, Discurso aos membros do COINCAT, l.c.
(182) CaIC 24; cf. FD 4.
(183) RM 37.
(184) ChL 63.
(185) Cf. Quinta Parte, cap. 4.
(186) EN 63.
(187) Nesta Quinta Parte, como no restante do presente documento, a expressão
« Igreja particular » se refere à Diocese e aos seus
similares (CIC, cân. 368). A expressão «Igreja local »
se refere à agregação de Igrejas particulares, bem
estabelecidas numa região ou nação, ou ainda em um conjunto
de nações unidas entre si, por vínculos particulares. Cf.
Primeira Parte, cap. 3: « A catequese é uma ação
de natureza eclesial » e Segunda Parte, cap. 1: « A
eclesialidade da mensagem evangélica ».
(188) Como ensina LG 26a, as legítimas agregações dos
fiéis recebem o nome de « Igrejas » no NT; cf. os textos bíblicos
com os quais se abre esta parte.
(189) Cf. CD 11.
(190) A Igreja particular é descrita, antes de mais nada, como
« porção do Povo de Deus » (CD 11).
(191) Congregação para a Doutrina da Fé, Carta «Communionis
Notio », 7: AAS 85 (1993), 8.
(192) Ibidem, 9b.
(193) LG 23b recolhe o testemunho de S. Hilário de Poitiers, in
Ps 14,3 (PL 9, 206) e de S. Gregório Magno, Moral, IV, 7,
12 (PL 75, 643).
(194) EN 14.
(195) Cf. At 2,11.
(196) « Communionis Notio » 7: l.c., 842.
(197) Ibidem, 9b: l.c. p. 843; cf AG 4.
(198) A expressão ministério da catequese é
utilizada em CT 13.
(199) É importante sublinhar o caráter de serviço único
que a catequese reveste na Igreja particular. O « sujeito » das
grandes ações evangelizadoras é a Igreja particular. É
ela que anuncia, que transmite o Evangelho, que celebra... Os agentes «
servem » a este ministério e agem « em nome da Igreja ».
As implicações teológicas, espirituais e pastorais desta «
eclesialidade » da catequese são grandes.
(200) Cf. CT 16: É uma responsabilidade diferenciada mas comum.
Cf. também a nota 54, inserida no n. 50, para esclarecer o termo «
ministério da Palavra ».
(201) AG 14. Neste sentido, se exprime CT 16: « A catequese tem sido
sempre e continuará a ser uma obra pela qual toda a Igreja deve sentir-se
e demonstrar a vontade de ser responsável ». Cf. também: MPD
12; OICA 12; CIC cân. 774, 1.
(202) « A catequese deve basear-se no testemunho da comunidade
cristã » (DCG (1971) 35); cf. Quarta Parte, cap. 2.
(203) CT 24.
(204) « Além deste apostolado, que compete a todos os cristãos
sem exceção, os leigos podem, de diversos modos, ser chamados a
uma cooperação mais imediata com o apostolado da Hierarquia, à
semelhança daqueles homens e mulheres que ajudavam o apóstolo
Paulo no Evangelho, trabalhando muito pelo Senhor » (LG 33). Esta doutrina
conciliar foi assumida pelo CIC, cân. 228 e 759.
(205) LG 25; cf. CD 12a; EN 68c.
(206) LG 25.
(207) Ibid.
(208) DV 8.
(209) CT 63b.
(210) Cf. CT 12a.
(211) CT 63c.
(212) CT 63c; CIC, cân. 775, § 1.
(213) Cf. CT 63c; CIC, cân. 823, § 1.
(214) CT 63c.
(215) CD 14b; CIC, cân. 780.
(216) PO 2c, 6; Cf. João Paulo II, Exortação apostólica
pós-sinodal Pastores dabo vobis (25 de março de 1992), n.
12: l.c., 675-677.
(217) PO 6b.
(218) Cf. CIC, cân. 773.
(219) LG 10.
(220) LG 10. Acerca dos « dois modos de participar do único
sacerdócio de Cristo » cf. CaIC 1546-1547.
(221) PO 9b.
(222) Cf. CIC, cân. 776-777.
(223) CT 64. Com relação a esta orientação de
fundo que os presbíteros devem colaborar a dar à catequese, o Concílio
Vaticano II aponta duas exigências fundamentais: « não ensinar
a própria sabedoria, mas a Palavra de Deus » (PO 4) e « expor a
Palavra de Deus, não de modo geral e abstrato, mas aplicar a verdade
perene do Evangelho às concretas circunstâncias da vida » (ibid.).
(224) Cf. no cap. 3 desta Parte, o número dedicado à «Família
como âmbito ou meio de crescimento na fé »,
onde se analisam as características da catequese familiar.
Esse número reflete mais sobre os genitores como agentes da catequese;
cf. CIC, cân. 774, § 2.
(225) CT 68.
(226) Ibid..
(227) Ibid.
(228) Cf. ChL 62; cf. FC 38.
(229) FC 38.
(230) CT 68; cf. EN 71b.
(231) Cf. CT 68.
(232) LG 11; cf. EC 36b.
(233) CT 65; cf. CIC, cân. 778.
(234) CaIC 915; cf. LG 44.
(235) EN 69; cf. VC 33.
(236) Cf. VC 31, acerca das « relações entre os
diversos estados de vida do cristão ».
(237) CT 65; cf. RM 69.
(238) CT 65.
(239) Cf. 1 Cor 12,4; LG 12b.
(240) LG 31. Na ChL se analisa detalhadamente, este « caráter
secular ».
(241) LG 35.
(242) AA 2b. Cf. Rituale Romanum, Ordo Baptismi Parvulorum, n. 62,
Editio Typica, Typis Polyglottis Vaticanis 1969; OICA 224.
(243) CaIC 429.
(244) O Código de Direito Canônico estabelece que a autoridade
da Igreja possa atribuir oficialmente um ofício ou serviço
eclesial aos leigos, prescindindo do fato que aquele serviço seja ou não
um « ministério » não ordenado formalmente
instituído como tal: « Os leigos que forem idôneos, estão
habilitados a ser assumidos pelos Pastores sagrados para ofícios eclesiásticos
e para encargos que podem desempenhar segundo as prescrições do
Direito » (CIC, cân. 228, § 1); cf. EN 73; ChL 23.
(245) CT 66b; cf. GCM.
(246) CT 66b.
(247) GCM 4.
(248) Ibid.
(249) CT 45; cf. RM 37 ab, par. 2.
(250) RM 33.
(251) CT 66a.
(252) Ibid.; cf. CT 42.
(253) Cf. DCG (1971) 96c.
(254) Cf. CT 45; cf. DCG (1971) 95.
(255) Cf. DCG (1971) 91; cf. CT 41.
(256) CT 45a.
(257) GCM 5.
(258) O Concílio Vaticano II distingue dois tipos de catequistas: os
« catequistas com plena dedicação » e os «catequistas
auxiliares » (cf. AG 17). Esta distinção é
retomada pelo GCM 4, com a terminologia « catequistas a tempo integral »
e « catequistas a tempo parcial ».
(259) Cf. GCM 5.
(260) Cf. DCG (1971) 108a.
(261) DCG (1971) 11.
(262) Cf. CT 5c. Este texto define a finalidade cristocêntrica da
catequese. Tal fato determina o cristocentrismo do conteúdo da catequese,
o cristocentrismo da resposta do destinatário, o sim a Jesus
Cristo, e o cristocentrismo da espiritualidade do catequista e da sua formação.
(263) Destacam-se aqui as quatro etapas do Catecumenato batismal, vistas
numa perspectiva cristocêntrica.
(264) GCM 20.
(265) LG 64.
(266) Cf. DCG (1971) 114.
(267) Cf. GCM 7.
(268) Cf. GCM 13.
(269) DCG (1971) 31.
(270) CT 52; cf. CT 22.
(271) Cf. CT 22d.
(272) Cf. GCM 21.
(273) As qualidades humanas sugeridas pelo GCM são as seguintes:
facilidade de relações humanas e de diálogo, idoneidade
para a comunicação, disposição para a elaboração,
função de guia, serenidade de juízo, compreensão e
realismo, capacidade de dar consolação e esperança,... (cf.
21).
(274) EN 79.
(275) Cf. ChL 60.
(276) Cf. DCG (1971) 112. GCM 23 sublinha a importância primordial da
Sagrada Escritura na formação dos catequistas: « A Sagrada
Escritura deve continuar a ser o sujeito principal do ensinamento econstituir a
alma de todo o estudo teológico. Onde for necessário, deverá
ser potencializado ».
(277) ChL 60c.
(278) CT 22.
(279) DCG (1971) 112.
(280) GS 62b.
(281) DCG (1971) 100.
(282) GS 59.
(283) « O ensino das ciências humanas, dada a enorme extensão
e diversidade dessas disciplinas, apresenta difíceis problemas de opção
e de impostação. Como não se trata de formar especialistas
em psicologia, mas sim catequistas, o critério a seguir é o de
distinguir e optar por aquilo que pode, mais diretamente, tornar mais fácil
para eles, a aquisição da capacidade de comunicação »
(DCG $[1971$
(284) Um texto fundamental para utilizar as ciências humanas na formação
dos catequistas continua a ser esta recomendação do Concílio
Vaticano II, na GS 62: « Os fiéis vivam, portanto, muito unidos aos
outros homens de sua época e procurem perceber perfeitamente suas
maneiras de pensar e de sentir, expressas pela cultura. Saibam harmonizar os
conhecimentos das novas ciências e doutrinas e das últimas
descobertas, com a moral e pensamento cristão, a fim de que a prática
da religião e a retidão moral procedam, nestes mesmos homens, de
pari passu com o conhecimento científico e com o contínuo
progresso da tecnologia, de maneira que eles possam julgar e interpretar todas
as coisas com sensibilidade autenticamente cristã ».
(285) A importância da pedagogia foi sublinhada pela CT 58: «
Dentre as numerosas e prestigiosas ciências do homem, nas quais se
manifesta em nossos dias, um imenso progresso, a Pedagogia é, certamente,
uma das mais importantes (...) a ciência da educação e a
arte de ensinar são objeto de contínuos reexames, em vista de
obter uma melhor adaptação ou uma maior eficácia das
mesmas... ».
(286) Cf. CT 58.
(287) Cf. DCG (1971) 113.
(288) Ibid.
(289) DCG (1971) 112.
(290) Cf. GCM 28.
(291) « Os sacerdotes e os religiosos devem ajudar os fiéis
leigos na sua formação. Neste sentido, os Padres sinodais
convidaram os presbíteros e os candidatos às Ordens a «
prepararem-se diligentemente para serem capazes de favorecer a vocação
e missão dos leigos » (ChL 61).
(292) Cf. ChL 61.
(293) « São também recomendadas as iniciativas
paroquiais... voltadas à formação interior dos catequistas,
tais como as escolas de oração, a convivência de
fraternidade e de compartilha espiritual, os retiros espirituais. Estas
iniciativas não isolam os catequistas, mas sim os ajudas a crescer na
espiritualidade própria e na comunhão entre si » (GCM 22).
(294) Cf. DCG (1971) 110.
(295) Cf. no diz respeito às escolas para catequistas nas missões:
AG 17c; RM 73; CIC cân. 785 e GCM, 30. Para a Igreja em geral, ver DCG
(1971) 112.
(296) A expressão catequista de base é utilizada no
DCG (1971) 112.
(297) Cf. DCG (1971) 109b.
(298) DCG (1971) 109a.
(299) CT 71a.
(300) Ver Quinta Parte, cap. 1: « A comunidade cristã e a
responsabilidade de catequizar », onde se fala da comunidade como responsável
pela catequese. Esta é aqui considerada como « lugar » de
catequização.
(301) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, CartaCommunionis
notio, n. 1: l.c., 838.
(302) Cf MPD 13.
(303) Cf. CT 24.
(304) CT 67a. Trata-se de uma expressão clássica na catequese.
A Exortação apostólica fala dos lugares da
catequese (« de locis catecheseos »).
(305) Cf. LG 11; cf. AA 11; FC 49.
(306) EN 71.
(307) Cf. GS 52; FC 37a.
(308) Veja-se a Primeira Parte, cap. 3: « O Catecumenato batismal:
estrutura e fases ». Aqui se afronta o Catecumenato batismal como lugar
de catequese e em relação à contínua presença
da comunidade nesse.
(309) Cf. DCG (1971) 130, onde se descreve assim a finalidade do
Catecumenato batismal; cf. OICA 4, que indica a conexão do Catecumenato
batismal com a comunidade cristã.
(310) Sínodo de 1977, MPD 8c.
(311) Cf. OICA 4, 41.
(312) OICA 18.
(313) OICA 41.
(314) Cf. OICA 41.
(315) CF. CT 67c.
(316) Cf. AA 10.
(317) CT 67b.
(318) Ibidem.
(319) Ibidem.
(320) A importância da catequese dos adultos foi sublinhada na CT 43 e
no DCG (1971) 20.
(321) ChL 61.
(322) Cf. EN 52.
(323) Cf. DCG (1971) 96c.
(324) É importante constatar como João Paulo II, na ChL 61,
aponta a conveniência das pequenas comunidades eclesiais no contexto das
paróquias e não como um movimento paralelo, que absorve os seus
membros melhores: « No seio de algumas paróquias... as pequenas
comunidades eclesiais existentes podem dar uma ajuda notável na formação
dos cristãos, podendo tornar mais capilares e incisivas a consciência
e a experiência da comunhão e da missão eclesial ».
(325) Cf. Sagrada Congregação para a Educação
Católica, Documento L'école catholique: l.c
(326) Congregação para a Educação Católica,
Dimensão Religiosa da educação na Escola Católica.
Diretrizes para a Reflexão, n. 31: l.c.
(327) GE 8.
(328) Congregação para a Educação Católica,
Dimensão religiosa da educação..., n. 32: l.c.
(329) « O caráter próprio e a razão profunda
de ser das escolas católicas, aquilo por que os pais católicos as
deveriam preferir é precisamente a qualidade do ensino religioso
integrado na educação dos alunos » (CT 69); cf. Primeira
Parte, cap. 2, nn. 73-76.
(330) AG 12b.
(331) Cf. CT 70.
(332) CT 70. Aqui se faz referência àquelas associações,
movimentos ou grupos de fiéis, nos quais se dá especial atenção
aos aspectos catequéticos nos seus objetivos formativos, mas que não
nascem especificamente para constituir-se em âmbitos de catequização.
(333) ChL 62.
(334) CT 67.
(335) CT 47b.
(336) Cf. CT 47b.
(337) CT 47. Neste texto, João Paulo II fala dos diversos grupos de
jovens: grupos de ação católica, grupos caritativos, de oração,
de reflexão cristã... Pede para que neles não falte «
um estudo sério da doutrina cristã ». A catequese é
uma dimensão que deve estar sempre presente na vida apostólica do
laicato.
(338) CT 21.
(339) Cf. CT 67b-c.
(340) EN 58 indica como as comunidades eclesiais de base floresçam
quase que em todas as partes, na Igreja. RM 51 afirma que se trata de um «fenômeno
em rápida expansão ».
(341) EN 58b.
(342) RM 51; cf. EN 58f; LC 69.
(343) RM 51c.
(344) Ibid.; cf. EN 58; LC 69.
(345) DCG (1971) 126. O Secretariado diocesano (officium catechisticum)
foi instituído em todas as dioceses pelo decreto Provido sane
(1935); cf. Sagrada Congregação do Concílio, Decreto Provido
sane (12 de janeiro de 1935): AAS 27 (1935), p. 151; cfr. também CIC
cân. 775, § 1.
(346) Cf. DCG (1971) 100. Veja-se as linhas sugeridas na Exposição
Introdutiva e o que se encontra afirmado no capítulo « Análise
das situações e das necessidades ».
(347) Cf. DCG (1971) 103. Veja-se no capítulo « Programa de
ação e orientações catequéticas ».
(348) Cf. DCG (1971) 108-109. Veja-se a Quinta Parte, cap. 2: « A
pastoral dos catequistas na Igreja particular » e « Escolas de
catequistas e Centros de Ensino Superior para especialistas em catequese ».
(349) Cf. DCG (1971) 116-124.
(350) DCG (1971) 126.
(351) Cf. CT 63. O próprio Pontífice João Paulo II
recomenda dotar a catequese de uma « organização adequada
e eficaz, que empenhe na atividade as pessoas, os meios e os instrumentos e também
os recursos financeiros necessários » (ibid.).
(352) DCG (1971) 126.
(353) Ibidem.
(354) DCG (1971) 127.
(355) CIC cân. 775, § 3.
(356) Cf. DCG (1971) 129.
(357) AG 38a; cf. CIC cân. 756, §§ 1-2.
(358) João Paulo II, Alocução aos Bispos dos
Estados Unidos da América, durante o encontro no Seminário menor
de Los Angeles (16 de setembro de 1987): Ensinamentos de João Paulo
II, X, 3 (1987), 556. A expressão foi retomada pela Congregação
para a Doutrina da Fé, Carta Communionis Notio, n. 13: l.c.,
846.
(359) Constituição Apostólica Pastor Bonus,
art. 1. Esta Constituição, de 28 de junho de 1988, trata da
reforma da Cúria Romana, que fora requerida pelo Concílio; cf. CD
9. Uma primeira reforma foi promulgada com a Constituição Apostólica
de Paulo VI, Regimini Ecclesiae Universae, de 18 de agosto de 1967: AAS
59 (1967), pp. 885-928.
(360) Vejam-se os n 282 e 285 do presente capítulo.
(361) PB 94.
(362) RM 33.
(363) Ibid..
(364) CD 17a: « ...as várias formas de apostolado... sejam
adequadamente coordenadas e intimamente conjugadas, sob a direção
do Bispo, de maneira que todas as iniciativas e instituições de
caráter catequético, missionário, caritativo, social,
familiar, escolar e de quaisquer outras finalidades pastorais, se canalizem para
uma ação de conjunto, mediante a qual resplandeça ainda
mais claramente a unidade da diocese ».
(365) Cf. Quarta Parte, cap. 2 : « A catequese por idades ».
(366) CT 45b.
(367) Ibid.
(368) Cf. DCG (1971) 20, no qual se indica como as outras formas de
catequese são ordenadas (ordinantur) para a catequese dos
adultos.
(369) CT 18d.
(370) RM 33.
(371) Ibid.
(372) Cf. CT 19 e 42.
(373) Cf. AG 11-15. O conceito de evangelização como um
processo estruturado em etapas foi analisado na Primeira Parte, cap. 1: «
As etapas da evangelização ».
(374) CT 67c.
(375) DCG (1971) 100.
(376) Cf. Quinta Parte. cap. 2.
(377) DCG (1971) 102; cf. Exposição introdutória, 16.
(378) Cf. DCG (1971) 117 e 134; PB 94.
(379) Em relação a este conjunto de livros catequéticos
a Catechesi Tradendae afirma: « Um dos aspectos mais salientes da
renovação da catequese nos dias de hoje, consiste na remodelação
e na multiplicação dos livros catequéticos, mais ou menos
por toda a parte na Igreja. Têm sido publicadas, realmente, numerosas
obras, que têm tido muito êxito, constituindo uma verdadeira riqueza
a serviço do ensino da catequese » (CT 49). DCG (1971) 120 define os
textos didáticos da seguinte maneira: « Os textos didáticos
são subsídios oferecidos à comunidade cristã
engajada na catequese. Nenhum texto pode substituir a viva comunicação
da mensagem cristã. Os textos, todavia, são muito importantes,
porque provêm a uma mais difusa explicação dos documentos da
tradição cristã e dos outros elementos que constituem o
discurso catequético ».
(380) Em relação aos Guias, DCG (1971) 121 indica o
que eles devem conter: « a explicação da mensagem da salvação
(com constantes referências às fontes e com a precisa indicação
daquilo que faz parte da fé e da doutrina segura, e daquilo que, ao invés,
é apenas opinião de teólogos): conselhos psicológicos
e pedagógicos e sugestões metodológicas ».
(381) Cf. Terceira Parte, cap. 2: « A comunicação
social »; cf. DCG (1971) 122.
(382) CT 49b.
(383) Ibid.
(384) Ibid.
(385) A questão dos Catecismos locais foi tratada na Segunda Parte,
cap. 2: « Os Catecismos da Igreja local ». Aqui se apresentam apenas
alguns critérios para a sua elaboração. Com a denominação
« Catecismos locais », o presente documento se refere aos Catecismos
propostos pelas Igrejas particulares ou pelas Conferências dos Bispos.
(386) FD 4c.
(387) CT 50.
(388) DCG (1971) 119, 134; CIC cân. 775, § 2; PB 94.
(389) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta Communionis
Notio, n. 9: l.c., 843.
(390) Cf. EN 75a.
(391) Cf. EN 75b.
(392) RM 21.
(393) Cf. CT 72.
(394) CT 72.
(395) CT 73.
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