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MENSAGEM DO CARDEAL JOSÉ SARAIVA MARTINS DURANTE O SOLENE RITO DE BEATIFICAÇÃO
DO SERVO DE DEUS FRANZ JÄGERSTÄTTER
Linz, Áustria Sexta-feira, 26
de Outubro de 2007
1. Vim a Linz com uma alegria no coração deveras grande, pela honra que o
Santo Padre Bento XVI quis afectuosamente conceder-me, ao designar-me para
presidir ao solene rito da Beatificação do servo de Deus Franz Jägerstätter como
seu representante. Apraz-me manifestar-vos a alegria, muito particular, por ver
hoje inscrito no álbum dos beatos um leigo, casado, pai de família.
O servo de Deus Giorgio La Pira, popularmente conhecido na Itália, mas não
só, como o "santo presidente da câmara municipal" de Florença, com o traço
profético que jamais falta aos santos, escreveu há 50 anos, embora num contexto
muito diferente e distante do actual:
"A santidade do nosso século terá esta
característica: será uma santidade dos leigos. Cruzamos pelas ruas com quem
daqui a cinquenta anos talvez esteja sobre os altares: pelas ruas, nas
fábricas, no parlamento, nas aulas universitárias" (1).
Naquela época este desejo parecia quase impossível de ser concretizado, hoje
vemos que devido ao último Concílio, e à sua generosa actuação através do
ministério petrino de João Paulo II, são factos que se realizaram, não só com
palavras, e continuam a sê-lo com o elevado magistério de Bento XVI.
2. A peculiaridade do nosso beato está contida no seu martírio (1943),
inserido no contexto histórico particularmente trágico do período do III Reich,
durante a segunda guerra mundial. O beato Franz era um homem do nosso tempo, um
homem normal, com alguns defeitos e até por um certo período, com um estilo de
vida bastante leviano e mundano. Contudo, seguindo a sua vocação e com a graça
de Deus conseguiu colocar a vontade de Deus acima de tudo, chegando, após longas
lutas internas a uma vida extraordinária de testemunho cristão. Pelas suas
convicções de fé enfrentou a morte. O seu caminho é um desafio e um
encorajamento para todos os cristãos que podem tomar o seu exemplo, para viver
com coerência e empenho radical a própria fé, também até às extremas
consequências se for necessário. Os beatos e os santos tem dado sempre o exemplo
do que significa e representa ser cristão, também em particulares momentos
concretos da história.
Num tempo como o nosso, no qual não faltam os condicionamentos e até a
manipulação das consciências e das inteligências, às vezes através de formas
sub-reptícias que se servem das modernas e mais avançadas tecnologias, o
testemunho do beato Franz, da sua indómita coragem e da sua firme e forte
coerência é um importantíssimo exemplo.
3. São comovedoras as palavras contidas na última carta enviada à sua esposa
Franziska Schwaniger, em especial quando afirma: "Dou graças também ao nosso
Salvador porque pude sofrer por Ele. Confio na sua infinita misericórdia; espero
que Ele me perdoe tudo e não me abandone na minha última hora... Observai os
mandamentos e, com a graça de Deus, ver-nos-emos em breve no Céu!" (Doc.
21, Summ., 187-188).
São palavras que nos levam à essência, pois os santos sabem sempre ir ao
essencial, que aqui é reconduzível àquele "serva mandata", "cumpre os
mandamentos" (cf. Mt 19, 17) com o qual Jesus responde a quem quer saber o
que deve fazer para ter a vida eterna.
Ao invocar a protecção especial do novo beato, o mártir Franz Jägerstätter,
sobre esta venerada igreja diocesana de Linz, apraz-me transmitir a este querido
povo de Deus, iniciando pelo seu venerado pastor D. Ludwig Schwarz, pelos
presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas e todos os irmãos e irmãs
na fé, a especial Bênção Apostólica do Santo Padre Bento XVI, a fim de que
vos acompanhe no caminho rumo à santidade, à qual todos somos chamados.
(1). L'Osservatore Romano, 6-7 de Setembro de 2004, pág.9.
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