The Holy See
back up
Search
riga

  PROGRAMA DA SEMANA DE ORAÇÃO
 PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS 2002 
(18- 25 de janeiro de 2002)

"POIS EM TI ESTÁ A FONTE DA VIDA"

 (Sl 36 [35], 10) 

 

 


 

Texto bíblico proposto para  
a Oração pela Unidade 2002
 

 

"Pois em ti está a fonte da vida"
 Sl 36 [35], 10) 

 

Senhor, tua lealdade está nos céus, 
Tua justiça é semelhante às montanhas divinas,  
e teus julgamentos, ao grande Abismo. 
Senhor, tu salvas homens e animais.  
Deus, como é preciosa a tua fidelidade!
Os homens se refugiam à sombra das tuas asas. 
Saciam-se na abundância da tua casa, 
e lhes matas a sede na torrente das tuas delícias. 
Pois em ti está a fonte da vida,em tua luz vemos a luz.
 

   

(Tradução ecumênica da Bíblia, TEB) 

  



A todos aqueles que organizam
 
a Oração pela Unidade dos Cristãos 

   

Adaptar os textos 

Estes textos são uma proposta, devendo ficar claro que, sempre que possível, deve-se tentar adaptá-los à realidade dos diferentes lugares e países. Neste caso, deve-se levar em conta as práticas litúrgicas e devocionais locais, bem como o contexto sóciocultural. Tal adaptação deve comportar uma colaboração ecumênica. 

Em diversos países existem estruturas ecumênicas que permitem esse tipo de colaboração. Esperamos que a necessidade de adaptar a Oração à realidade local encoraje a criação dessas estruturas onde elas ainda não existem. 

  

Utilizar os textos  da Oração pela Unidade dos Cristãos 

Para as Igrejas e as Comunidades Cristãs que celebram juntas a Oração em uma única cerimônia, este caderno propõe um modelo de Celebração Ecumênica da Palavra de Deus. 

As Igrejas e as Comunidades Cristãs podem também utilizar para as suas celebrações orações ou outros textos da Celebração Ecumênica da Palavra de Deus, textos propostos para os Oito Dias ou orações em apêndice nesta brochura. 

As Igrejas e as Comunidades Cristãs que celebram a Oração pela Unidade dos Cristãos cada dia da semana podem encontrar sugestões nos textos propostos para os Oito Dias. 

Quem desejar empreender estudos bíblicos sobre o tema 2002 pode também se basear nos textos e nas reflexões bíblicas propostas para os Oito Dias. Os comentários de cada dia podem se concluir por uma oração de intercessão. 

Os textos contidos nesta brochura podem alimentar as orações das pessoas que desejam rezar sozinhas e lembrá-las de que estão em comunhão com todos aqueles que rezam através do mundo por uma maior unidade visível da Igreja de Cristo. 

  

Buscar a unidade durante o ano todo 

Tradicionalmente, a Oração pela Unidade dos Cristãos continua sendo amplamente celebrada no hemisfério norte de 18 a 25 de janeiro. Entretanto, em diversos países um número cada vez maior de cristãos utiliza este subsídio em particular durante o mês de janeiro e se reúne para uma celebração maior na proximidade de Pentecostes, época em que o clima, geralmente, é mais favorável. No hemisfério sul, onde o mês de janeiro é um período de férias de verão, prefere-se adotar uma data próxima da festa de Pentecostes, senão um ou dois meses mais tarde.  

Porém, a busca da unidade dos cristãos não se limita a uma semana por ano. Nós os encorajamos, então, a encontrar outras ocasiões durante o ano para expressar o grau de comunhão que as Igrejas já alcançaram e para rezar juntos a fim de chegar à plena unidade desejada por Cristo. 

 

Preparação   

Os textos da Oração pela Unidade dos Cristãos 2002 foram elaborados por um grupo internacional nomeado pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Ecumênico de Igrejas e pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. 

Esse grupo, composto por catorze pessoas, reuniu-se no Centro Ecumênico de Ottmaring (Augsburg, Alemanha), cidade ecumênica onde vivem membros de fraternidades de vida comum, nascidos no seio da Igreja Evangélica Luterana, e membros do Movimento dos Focolares, nascidos na Igreja Católica.

Os membros da comissão eram hóspedes do Conselho das Conferências Episcopais Européias (CCEE) a quem fora confiada a organização concreta do encontro. Os participantes querem expressar toda gratidão ao Centro de Ottmaring e à CCEE pela calorosa acolhida e preciosa colaboração. 

A Oração pela Unidade dos Cristãos 2002 foi elaborada a partir de um projeto apresentado por um grupo ecumênico composto por representantes do Conselho das Conferências Episcopais Européias (CCEE), que agrupa 34 Conferências Episcopais Católicas da Europa e a Conferência das Igrejas Européias (KEK) constituída por 125 Igrejas-membros nascidas do mundo protestante, ortodoxo, anglicano e vetero-católicos. A coordenação do trabalho desse grupo ecumênico foi confiada aos Secretários gerais desses dois organismos. 


 

Introdução ao tema para 2002

"Pois em ti está a fonte da vida"

(Sl 36 [35], 10) 

  

E grande a esperança de que o novo milênio possa em breve conduzir à reconciliação aqueles que crêem em Cristo, apesar dos obstáculos históricos, teológicos, culturais e psicológicos.

Aparentemente, nós não encontramos a maneira de derrubar as barreiras que ainda nos separam e que se opõem ao anúncio unificado do Evangelho para o mundo. 

As Igrejas européias deram um sinal de esperança a todo o movimento ecumênico com a Carta Ecumênica1, redigida após duas assembléias continentais (Bâle, 1989, e Graz, 1997). O objetivo desses encontros foi levar as Igrejas a refletirem juntas sobre a sua responsabilidade para com o Evangelho e a história. A Carta, que traduz o compromisso das Igrejas com a reflexão, o testemunho e a ação comum em uma Europa unida mas muito diversificada, é como um mapa de navegação que elas deveriam adotar para acelerar a viagem rumo ao porto da unidade visível. Podemos novamente perguntar-nos: qual é o segredo da reconciliação e qual é a chave que permite o uso adequado de instrumentos como uma Carta? 

O tema da Oração pela Unidade Cristã 2002, “Pois em ti está a fonte da vida” (Sl 36 [35], 10), nos sugere que para penetrar esse segredo é preciso descobrirmos o caminho que conduz à fonte da vida. O símbolo da fonte nos lembra que é necessário voltar às origens, ao princípio, às raízes, ao essencial. Para caminhar juntos, os cristãos devem fundamentar-se na Palavra de Deus, na revelação do rosto de Deus em Jesus Cristo, na força renovadora do Espírito de Deus e no conhecimento do amor de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Sem a luz da fonte de toda luz os problemas que encontramos pelo caminho permanecem envolvidos nas trevas e tornam-se pedras de tropeço. A fonte é imagem da água que jorra em abundância. Conhecemos a riqueza simbólica e teológica da água na Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse. A água dá vida e purifica. A fé, a oração e a ação comum podem fazer jorrar água até da pedra árida do ressentimento e lavar o pecado da divisão do seio do povo cristão. 

Este ano, o grupo local ofereceu-nos a ocasião para refletirmos positivamente sobre a fonte de vida que temos em comum. Todos nos revigoramos na única fonte criadora: o Deus Trindade que vivifica. Ao longo da história da salvação Deus mostrou a fidelidade do seu amor criando a humanidade, sustentando-a, renovando-a e salvando-a. Fonte de vida e de luz, Deus revelou a profundidade desse amor em Jesus Cristo, que veio para levar todos os homens a ele através da sua generosa oferta de plenitude de vida, a própria vida de Deus. O amor de Jesus não conhecia limites, pois ele envolveu inteiramente a criação pecadora em sua morte na cruz. Da árvore da vida ele reconciliou os pecadores com Deus. Na ressurreição de Jesus, Deus confirmou sua oferta de vida abundante para aqueles que aceitam Jesus como Senhor e que são batizados no Cristo e se revestiram do Cristo. Em Cristo nós somos um e herdeiros conforme a promessa de Deus (cf. Gl 3, 27-29). É pelo batismo que somos unidos a Cristo na fé e igualmente unidos uns aos outros na comunhão do Corpo de Cristo (cf. 1Cor 12, 13). É esta unidade fundamental que todos os cristãos partilham e foi por ela que Jesus rezou na véspera da sua morte. O escândalo da divisão dos cristãos nos exorta a reconhecer o que temos em comum no mesmo batismo e a testemunhá-lo para o mundo. 

Os textos para os Oito Dias fornecem uma reflexão sobre a nossa fonte da vida comum. Nós fazemos parte da criação (Primeiro dia); a vida nos é dada pela Trindade e nós somos criados à imagem e semelhança de Deus. O amor fiel de Deus é oferecido gratuitamente a todos aqueles que o aceitam em Jesus, Salvador e Redentor da humanidade. Quando Jesus é batizado, Deus faz saber que todos têm acesso à fonte de vida em Jesus, o rochedo espiritual de onde jorra a água que dá a vida (Segundo dia). Entretanto, em nossa caminhada devemos enfrentar numerosos desafios pessoais e comunitários. É igualmente verdadeiro para as Igrejas na caminhada ecumênica. Apesar da tentação de desistir diante das dúvidas e angústias, Deus nos dá a certeza de que ele nos sustentará com a água da fonte da vida (Terceiro dia). O pecado entrou no nosso mundo porque os homens livremente fizeram essa escolha. A mesma água que jorrava da fonte da vida deve, agora, restaurar a vida onde reina a morte. Na constância do seu amor, Deus renovou a criação em seu Filho Jesus que veio para mostrar o caminho do Reino de Deus. Jesus nos ensinou que ninguém pode entrar no Reino sem ter nascido da água e do Espírito. Nós, cristãos, acabamos compreendendo que pelo nosso batismo tornamo-nos uma nova criação e membros uns dos outros no único Corpo de Cristo (Quarto dia). O encontro com Deus, fonte de vida no batismo, faz nascer uma nova visão da pessoa e da comunidade humanas e de novas maneiras de agir e de testemunhar no mundo (Quinto dia). Discípulos de Cristo, nós somos convidados a cumprir a missão de levar compaixão e vida para o mundo (Sexto dia). Os frutos da nova vida, constantemente banhados pela Palavra de Deus, resplandecem sem cessar na vida dos cristãos e na caminhada ecumênica das Igrejas (Sétimo dia). Deus, fonte de vida, é igualmente fonte de esperança. A oferta de uma nova vida que nos é feita em Cristo é um dom. Aceitando esse dom, nós entramos em comunhão com aqueles que aceitaram Cristo como Senhor e, pelo nosso batismo comum, comprometemo-nos a buscar a unidade visível do Corpo de Cristo (Oitavo dia).

 


 

Celebração Ecumênicade Oração  

  

Introdução 

O esquema de oração deste ano é propositalmente simples: a leitura, invocação do Espírito Santo, ato de arrependimento, proclamação da Palavra de Deus, profissão de fé, intercessões, abraço da paz e bênção. 

Cabe a cada comunidade criar a sua celebração adaptando o desenvolvimento proposto e o conteúdo à luz da própria tradição e cultura. 

Ela deve ser preparada, localmente, pelo maior número possível de colaboradores ecumênicos, em decorrência da sua própria significação. 

Os cristãos de diversas Igrejas celebram o seu Senhor em quem está a fonte da vida. Juntos, tornados um só corpo pelo batismo comum, do qual eles aqui fazem memória, eles vão à fonte da própria fé. Juntos, em Cristo, eles rezam pela própria comunhão plena. Eles decidem comprometer-se sempre mais em testemunhá-la para o mundo. Através da celebração ecumênica eles se unem a todos os cristãos da terra para dirigir a Deus, no Espírito, o louvor dos batizados. 

“Nós celebramos o crescente reconhecimento mútuo dos nossos batismos como um só batismo em Cristo” 

  

(Livro do Culto da 5ª Assembléia Mundial de “Fé e Constituição”, em Santiago de Compostela) 

  

A abertura 

A saudação litúrgica é seguida de uma apresentação das comunidades presentes e de seus responsáveis. Recomenda-se um tempo de mútua acolhida. Com o canto, a união das vozes faz a união dos corações. Uma breve introdução dá o sentido da celebração. 

A invocação ao Espírito Santo 

O Espírito Santo abre os corações ao arrependimento sincero, suscita o louvor, prepara para a escuta frutuosa da Palavra de Deus. No Espírito Santo, a oração de todos se torna a oração de Cristo. Conosco, ele reza ao Pai. Ele reza em nós pois nós somos seus membros. Ele reza por nós e por nossa unidade que é dom de Deus.  

A oração de arrependimento. 

O reconhecimento das faltas e o pedido de perdão podem ser acompanhados de um momento de silêncio, pois as feridas da memória têm raízes antigas e a sua cura exige ir à profundidade do nosso ser. 

Desse silêncio jorra a glorificação da Santíssima Trindade. 

A proclamação da Palavra 

O Salmo 36[35], 6-10, texto da oração para ao ano 2002, dá o contexto do tema : “Pois em ti está a fonte da vida”. A conversa de Jesus com Nicodemus (Jo 3,1-21) ilustra concretamente o significado do mistério do nosso renascimento pessoal para a vida nova e Paulo em Rm 6, 3-11, permite desenvolver as dimensões pascal e eclesial da nossa vida em Cristo inaugurada no batismo.  

A profissão de Fé 

É o tempo forte da celebração que poderá valorizar um deslocamento em direção à água posta diante ou no meio da assembléia em memória da nossa profissão de fé batismal. Um deslocamento em direção ao batistério talvez seja possível, seguido do abraço da paz. 

As intercessões 

As intenções vão do universal ao particular. Se a carta ecumênica européia for citada, será a título de exemplo e deverá ser, para cada grupo, um convite a exprimir as intenções que concernem a projetos ecumênicos regionais ou locais.  

O sinal da paz 

É, tradicionalmente, um dos gestos simbólicos da celebração do batismo de adultos. 

A paz trocada entre batizados é o selo da sua oração comum. Ela expressa a comunhão na fé e a vida nova dos filhos de Deus reunidos.  

Sinal de comunhão na paz de Cristo, sempre a se completar, pode ser acompanhado por uma fórmula de compromisso com a renovação da confiança mútua ou com o comprometimento maior, ao longo do ano, com a unidade dos cristãos.  

 

(Aspersão, bênção com a água, simples evocação). 

 

Sem esquecer os outros símbolos valorizados, como a Bíblia, diferentes usos da água são possíveis, em função de situações locais e da adaptação desejada para à assembléia, ao momento escolhido na celebração.

- Na oração de arrependimento ela recorda o banho da regeneração batismal em Cristo e o perdão dos pecados.

- Na profissão de fé trinitária exprime a plena unidade de fé para a qual nós tendemos em razão de um só batismo. Destaca que na fonte batismal nós nos tornamos participantes da comunhão trinitária e do mistério da Igreja e, simultaneamente, membros de uma comunidade cristã.

- No final da celebração, o copo de água partilhado nos compromete com um comportamento evangélico no seio do mundo, com a sede da humanidade que aspira a uma fonte de vida perene. 

Escolha dessas diferentes formas de uso da água requer que se faça, nos grupos, uma reflexão  e apresentação. Elas não serão sempre adequadas. Colocadas em prática farão surgir questões       aqui e ali. Se uma dessas escolhas não apresenta dificuldades ela pode conduzir a trocas            frutíferas entre os membros das diversas Igrejas. 

Os gestos desta celebração podem ajudar a tomar consciência do tipo de família de cristãos que nós formamos. Os hinos e os cantos de louvor, a renovação dos corações pelo arrependimento, inundados pela alegria do Espírito Santo, contribuem para o clima de festa. 

São todos esses elementos do culto, com o caráter solene da proclamação da Palavra de Deus e tempos de silêncio bem colocados e pouco numerosos que dão o senso do mistério.


Desenvolvimento da Celebração Ecumênica 

  

1. Abertura da celebração  

a) Entrada solene (com sinal simbólico do dom da vida de Deus: a Bíblia encabeçando a procissão, depois, julgando-se oportuno, a “árvore da vida”, a água, um ícone) acompanhada pelo órgão ou canto de entrada.  

b) Saudação 

c)Abertura: Acolhida da assembléia;Breve apresentação da celebração em relação ao tema da oração de 2002;  

Canto – hino 

  

2. Oração invocando o Espírito Santo  

Senhor,
renova em nós o dom do teu Espírito,
a fim de purificar-nos nas águas do arrependimento
E nós poderemos, com um só coração
e uma só alma, glorificar o teu nome e proclamar a tua misericórdia.
Abre o nosso espírito ao sentido das escrituras.
Que elas se tornem para nós Palavra viva
e iluminem os nossos corações.  
Que o teu Espírito deposite em nós o teu amor
e que ele nos inspire a oração deste dia para os nossos irmãos e irmãs,  
pela unidade perfeita da tua Igreja,  
em Jesus Cristo que reina contigo e o Santo Espírito
pelos séculos dos séculos.
Amém. 

  

Esta oração pode ser mais desenvolvida na forma de um canto apropriado ou de uma ladainha pontuada por invocações da assembléia. Orações ao Espírito Santo já conhecidas farão a acolhida (exemplo: O rei celeste, Vem Espírito Santo enche os corações dos teus fiéis;Veni sancte spiritus; diversas orações epicléticas apropriadas...). 

Pode-se escolher esta oração na coletânea de cantos e de orações dos grandes encontros ecumênicos (Bâle, Graz, Santiago de Compostela). 

  

3. Oração de arrependimento  

a) Confissão dos pecados (silêncio e oração)  

Deus eterno e todo-poderoso, Tu não rejeitas nada do que criaste e esqueces as faltas daqueles que se arrependem. Cria e desperta em nós um coração novo e contrito, de tal forma que lamentemos os nossos pecados, reconheçamos a nossa maldade e recebamos de Ti, Deus de toda misericórdia, um perdão completo e toda a paz, por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.  

(Ou outra à escolha)

L: Leitor  

A: Assembléia  

L: Peçamos o perdão de Deus e do nosso próximo pelas divisões que são obstáculo para o testemunho cristão. Senhor, nós pecamos contra ti e contra o nosso próximo.  

A: Senhor, tem piedade.  

L: Ó Cristo, nossas divisões são contrárias à tua vontade e nos impediram de testemunhar juntos.

A: Cristo, tem piedade.  

L: Senhor, nós não te amamos o bastante em nossos irmãos e irmãs, criados à tua imagem mas diferentes de nós.  

A: Senhor, tem piedade.  

L: Deus, tu que nos criaste, impede-nos de vagar longe um dos outros. Realiza a espera dos nossos corações e os nossos legítimos pedidos; reúne-nos em breve em uma Santa Igreja por teu Filho Jesus Cristo que vive e reina em comunhão contigo e com o Espírito Santo de toda eternidade e por toda eternidade.   

(Do Livro de Culto de Graz) 

(Silêncio)  

b)  Glorificação e louvor à Santa Trindade   

(Nestes termos ou em outros semelhantes)  

Em um só coração, na fé do nosso único batismo, glorifiquemos o Pai, o Filho e o Espírito Santo.  

Nós te glorificamos,  
Pai criador do céu e da terra,  
“pois em ti está a fonte da vida”.
Pela penitência do teu amor,
Nós temos em ti a vida, o movimento do ser.  
A criação está repleta da tua glória.
e resplandece a tua beleza.
Com a tua maternal ternura,
tu cuidas de cada uma das tuas criaturas.  

Glória te seja dada, Pai,  
Por Jesus, teu Filho único e bem-amado,  
Cristo e Senhor,
em quem se cumprem todas as tuas promessas de vida, 
de paz e de felicidade para nós.
Nele e por ele, o velho mundo passou e tu fazes o universo novo.
Com ele nós te louvamos e te glorificamos.
Glória te seja dada
no Espírito Santo,
Sopro de vida que tu espalhas sobre toda carne.
Espírito de Pentecostes,
Força e audácia dos Apóstolos, 
Fonte viva sempre atual
Para a vida das nossas Igrejas,
Espírito Santo de todos os dons, 
Tu multiplicas os frutos 
No coração de cada um e cada uma, 
no coração das nossas comunidades:
Ele é paz e comunhão, 
sabedoria e alegria para todos os crentes.
Nele nós te louvamos
e te glorificamos.  

(Outros exemplos de doxologia possíveis tirados da tradição das nossas igrejas: o “Glória a Deus no mais alto dos céus”, “A ti a glória”...) 

  

4. Proclamação da Palavra de Deus  

a) Primeira leitura: Rm 6,3-11

b) Salmo: Sl 36 [35], 6-10

c) Aleluia

d) Evangelho: Jo 3,1-17

e) Aleluia

f) Homilia 

  

5. Profissão de Fé

Diversos textos de profissão de fé são utilizáveis:  

símbolo de Nicéia – Constantinopla,  

símbolo dos Apóstolos, 

a forma interrogativa da Profissão de fé utilizada durante o batismo é recomendada por causa do tema geral. 

  

6. Intercessões

Deus todo poderoso, Tu és a fonte da vida.

Nós caminhamos na tua presença com o desejo de formar uma comunidade humana reconciliada entre jovens e velhos, entre homens e mulheres, entre culturas

Nós aspiramos a superar e ultrapassar as desuniões entre os cristãos.  

Nós nos confiamos a ti, nós te confiamos o nosso mundo e rezamos: 

L: Quando vemos triunfar a violência e o ódio, aviltar homens e mulheres, comprometer o futuro de crianças e jovens no mundo todo, nós ousamos rezar para que venha o teu reino de justiça e de paz.  

“Prolonga a tua fidelidade para aqueles que te conhecem e a tua justiça para os corações retos”(Sl 36 [35], 11); sustenta a esperança dos homens e das mulheres que “derrotados, não conseguiram reerguer-se”(Sl 36[35], 13). 

A: Em ti está a fonte da vida.  

L: Quando as Igrejas e os cristãos na Europa se comprometem com uma caminhada de cooperação mais profunda através de uma carta ecumênica, a esperança de unidade se torna mais firme.

Desperta em todos e todas o espírito de discernimento, de concórdia e de confiança necessários para se chegar à plena comunhão

A: Em ti está a fonte da vida.

L: Quando a maior parte das Igrejas, durante o último século, te reconheceram na fonte do movimento ecumênico, a vida delas se transformou.  

Reviva esse desejo ardente de unidade no coração de todos os cristãos do mundo.

A: Em ti está a fonte da vida

L: Quando nós perdemos a coragem diante da miséria e dos problemas encontrados nos esforços que fazemos em vista da unidade de todos os cristãos, ajuda-nos a nos voltar para o teu amor. 

Quando nós somos envolvidos pela escuridão da dúvida diante das oposições das igrejas, dá-nos a esperança de um dia alcançar a unidade.

 A: Em ti está a fonte da vida  

L: Quando nós somos desencorajados pela nossa própria ansiedade em relação aos outros, envia tua luz para podermos ultrapassá-la e apaziguar os demais nas suas angústias.

 A: Pois em ti está a fonte da vida

Orações apropriadas ao contexto local;

Orações espontâneas 

7. Troca de um sinal de paz

 a)Convite para o Pai-nosso  

b)Sinal de paz.  

(O tema da oração deste ano e da celebração convida a valorizar o gesto da paz apresentando-o na sua relação com o batismo). 

  

8. Bênção e envio (Teclado ou canto)

 


 

Textos bíblicos, reflexões e orações para os Oito Dias 

 

 

Primeiro dia               Deus trino, fonte de vida  

(Sexta-feira, 18 de janeiro de 2002)

Pois em ti está a fonte da vida  (Sl 36 [35], 9) 

Gn 2,4b10 - O Senhor Deus modelou o homem ... e insuflou nas suas narinas o hálito da vida 

Sl 36[35] 6, 10  - Pois em ti está a fonte da vida

Mt 6,25-33 - “Não vos preocupeis por vossa vida” 

Cl 1,15-20 - Pois aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude 

  

Comentário 

O salmista canta os louvores de um Deus cujo amor engloba toda a criação – seres humanos e animais – pois nela vê sua atividade criadora. O alcance e a profundidade desse amor ultrapassam a nossa imaginação, pois se trata de um amor que nos introduz no mistério de Deus “em quem está a fonte da vida”. 

O sopro de vida insuflado nos seres humanos é um dos meios de que se serve a Bíblia para nos mostrar como Deus põe em nós sua imagem e sua semelhança. Por levarem em si a imagem de Deus, os seres humanos têm uma dignidade excepcional.  

Por essa razão ele nos sustenta fielmente. O homem e mulher ocupam lugar exclusivo no universo criado por Deus, que foi confiado aos seus cuidados.  

Os cristãos reconhecem o Deus Trino como fonte de toda vida e de toda significação e como o objeto de todas as aspirações humanas. Tendo sido todas as coisas criadas em Jesus Cristo, primogênito da criação, nós temos acesso à fonte da vida através de Jesus, em quem “aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude”. Em Jesus nós vivemos, agimos e somos. O amor de Deus que vive em Jesus reconcilia todas as coisas com ele que é a fonte de toda vida. 

Jesus nos ensina a não nos inquietarmos pela nossa vida, pois Deus, fonte de todo bem, proverá tudo que nos é necessário. Juntos enquanto filhos de Deus, gerentes da criação, nós nos dirigimos para a mesma fonte de vida e, nos aproximando dessa única fonte de vida e de luz, nós nos aproximamos uns dos outros.  

Oração 

O Deus, fonte de vida e de toda luz, enche os corações dos teus filhos de encanto pelos dons da tua criação. Sustenta-nos com teu amor constante e faz que todos os teus filhos, reconciliados contigo por Jesus Cristo, bebam no rio das tuas delícias. A ti, Trindade vivificante, todo louvor, toda glória e toda honra pelos séculos dos séculos. Amém. 

 

  

Segundo dia        Jesus nos conduz à fonte de vida  

(Sábado, 19 de janeiro de 2002)

No momento em que ele subia da água,viu os céus rasgarem-se  (Mc 1,10)  

Ex 14,30-15. 13 - [O Senhor] foi para mim a salvação 

Sl 36 [35], 6-10 - Pois em ti está a fonte da vida 

Mc 1-9,11 - No momento em que ele subia da água,viu os céus rasgarem-se

1Co 10,1-5 - Este rochedo era o Cristo 

  

Comentário 

O batismo de Jesus vem manifestar aos nossos corações o que proclamamos na nossa fé comum: Deus – Pai, Filho e Espírito – “em quem está a fonte da vida” vem dar nos acesso a essa fonte por Jesus. E tudo mudou: 

Jesus vem de Nazaré, mas do Céu seu Pai o designou como seu Filho bem amado

Jesus entra no Jordão, mas nós é que somos saciados.  

Jesus é mergulhado por João Batista, más é o Espírito que desce sobre ele. 

Jesus sobe da água e os céus se abrem para toda a humanidade. Dali em diante a comunhão entre Deus e o homem, por Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, torna-se possível.  

A fonte de vida vem difundir os seus favores sobre a terra. E jorrará até a morte vitoriosa, como sugerirá São João no Evangelho da Paixão. 

Assim, juntos, unidos pela mesma fé, podemos regozijar-nos com o povo dos que foram salvos, o povo “daqueles que são guiados para a santa morada” e reunir-nos para proclamar esta boa nova. 

Juntos, podemos contar com o rochedo que é o Cristo, pois é desse rochedo que jorrará a fonte da vida. 

  

Oração  

Senhor nosso Deus, Tu que és a fonte de toda vida, deixa-nos falar-te nossa alegria e nosso louvor. Sejas louvado por Jesus teu Filho. Que veio à terra para que, diante do céu aberto, Esta terra possa orientar os seus projetos e as suas esperanças para ti. Louvado sejas pela salvação que teu Filho oferece a todos os humanos.Louvado sejas pelo Espírito através do qual Tu renovas todo o universo. Louvado sejas quando as nossas Igrejas, as nossas comunidades,as nossas assembléias encontram em Ti a força para ultrapassar os obstáculos de morte e de divisão. 

Louvado sejas quando o nosso mundo pode vislumbrar no teu povo reunido motivos para ainda esperar, por Cristo nosso Senhor. 

Amém. 

  

Terceiro dia        O amor fiel de Deus 

(Domingo, 20 de janeiro de 2002)

“Dai-nos água para beber”(Ex 17,2) 

Ex 17, 1-7 - “Dai-nos água para beber”

Sl 36 [35], 6-10 - Pois em ti está a fonte da vida 

Mc 10,17-31 -  “O que devo fazer para receber a vida eterna?” 

At 17,22-31 - Deus não está longe de cada um de nós 

  

Comentário 

O povo de Israel empreendeu, cheio de esperança, a viagem para a terra prometida. Mas logo teve de afrontar a prova do deserto – um tempo de crise, de dúvida e de interrogação. O povo perdeu a esperança e bradou contra Moisés: “Por que tu nos fizeste sair do Egito? Para nos deixar morrer de sede?”. O povo discutiu com Moisés e pôs o Senhor à prova, começando até a ter saudade da escravidão recente. 

Apesar da ingratidão e da teimosia, Deus conservou constantemente o seu amor. Quando o povo lhe pediu água, ele a fez jorrar do rochedo em abundância. Mostrou, uma vez mais, ser a fonte da vida.   O caminho da nossa vida atravessa extensões desérticas onde a angústia e as interrogações podem vencer. “Como devo viver a minha vida?” “Deus está conosco nas dificuldades?” “Deus cuida de nós nas necessidades?” “O que exige de nós o fato de sermos discípulos de Cristo no mundo de hoje?” A tentação de desistir e de voltar atrás é uma realidade. 

As nossas perguntas são, muitas vezes, impertinentes, mas Deus permanece fiel. “Ele não está longe de cada um de nós”. Mesmo em uma escuridão árida, onde é difícil ser perseverantes, ele vela por nós e nos convida a perseverar, a sermos fiéis, a prosseguir com ele a caminhada. 

Nossa caminhada ecumênica, igualmente, conduz nossas Igrejas através do deserto. Surgem dúvidas e perguntas. “O que devemos fazer? Estamos progredindo?” A tentação de voltar atrás, do isolamento, do cativeiro está sempre presente. Mas o nosso Deus está conosco na constância do seu amor e nos pede para deixarmos atrás toda separação, todo pecado e bebermos juntos na fonte da vida. 

  

Oração 

Deus, nosso Pai, infunde uma nova coragem ao teu povo em marcha. Tu fazes nascer vida no deserto e jorrar água da rocha. Toma as nossas dúvidas e interrogações e torna-as fecundas. Que nós e as nossas Igrejas possamos nos ajudar mutuamente, pois nós te buscamos e temos sede de ti. Fica conosco, Senhor, e manifesta-nos a tua afetuosa presença quando o caminho é penoso e nós vacilamos. Conduz-nos à unidade que desejaste para o teu povo, por Jesus Cristo teu Filho e nosso Senhor. 

  

  

Quarto dia             Batizados na vida nova  

(Segunda-feira, 21 de janeiro de 2002)

“Ninguém, a não ser que nasça da água e do Espírito,pode entrar no Reino de Deus”  (Jo 3,5) 

Gn 7,15-23 - Só restou Noé e os que estavam com ele na arca 

Sl 36 [35], 6-10 - Pois em ti está a fonte da vida 

Jo 3,5 - “Ninguém, a não ser que nasça da água e do Espírito,pode entrar no Reino de Deus” 

2Co 5,16-19 - O mundo antigo passou, eis que aí está uma realidade nova 

  

Comentário 

Nicodemos é a imagem de todos aqueles que têm a sensação de que falta algo, que têm sede do Reino de Deus. Buscando uma resposta, ele se dirige a Jesus indo numa noite ao seu encontro. Reconhece em Jesus aquele que vem da parte de Deus e se põe a segui-lo na fé. 

Cristo oferece a Nicodemos e àqueles que buscam como ele o dom precioso da nova vida. Pela água e pelo Espírito Santo eles são libertados do império dos pecados. Eles se tornam irmãos e irmãs de todos os batizados. Pela sua vida, pela ajuda que dão aos doentes, aos oprimidos e aos abandonados, testemunham a inestimável riqueza que nos dá o conhecimento de Cristo. 

O caminho ecumênico percorrido nas últimas décadas permitiu que os cristãos se tornassem muito mais conscientes do significado do sacramento do batismo. Pelo batismo comum somos membros do Corpo de Cristo e, por isso, “nós não conhecemos mais ninguém à maneira humana”. Deus reconciliou-nos consigo e nos confiou o ministério da reconciliação. Pela sua persistência, as nossas culpáveis divisões nos impediram de compreender o pleno significado e as implicações do nosso comum batismo. Possamos nós saciar-nos abundantemente na fonte da vida e levar efetivamente a reconciliação de Deus uns aos outros e ao mundo.  

  

Oração 

Pai, tu nos reconciliaste contigo em Cristo teu Filho. Com ele nós fomos mergulhados nas águas do batismo e dignificados pelo Espírito Santo para partilhar a sua vida. Nele nos tornamos criaturas novas. Ajuda todos aqueles que levam o seu nome a se arrependerem dos seus pecados, a estenderem a mão e a se unirem na plenitude da vida. Nós te pedimos em nome de Jesus Cristo nosso Senhor. 

  

  

Quinto dia        Fonte de unidade  

(Terça-feira, 22 de janeiro de 2002)

Nós transpusemos a porta a fim de alcançar um rio  (At 16,13) 

Ez 36,24-28 -Vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus 

Sl 36 [35], 6-10 - Pois em ti está a fonte da vida 

Jo 17,20-23 - “Que todos sejam um”   

At 16, 11-15 - Nós transpusemos a porta a fim de alcançar um rio

 

Comentário 

Hoje, nos deparamos com uma mulher chamada Lídia que está reunida com outras mulheres em um lugar de oração. Para nos aproximarmos dela precisamos ultrapassar a porta e encontrar pessoas desconhecidas. Lá, perto do rio, acontecerá um verdadeiro encontro. O Senhor abre o coração de Lídia para que ela possa escutar a Palavra de Deus. Ela e toda a sua família são batizados e logo a sua casa se torna um abrigo e um lugar para a comunidade cristã. 

Hoje também meditamos e refletimos sobre o simples ato cotidiano da escuta. Este ato é essencial todas as vezes que cristãos e comunidades cristãs se encontram. Quando nos reunimos, provenientes de diversas comunidades, tradições e culturas, devemos escutar com atenção o testemunho dos outros. Somos chamados a escutar-nos uns aos outros a fim de compreender e manifestar a unidade da Igreja. Este apelo não repousa na nossa capacidade de atravessar fronteiras. 

Não se trata de algo que realizamos por nós mesmos mas que se fundamenta no batismo que nos faz filhos de Deus.  

Freqüentemente, não conseguimos viver como um só povo batizado em Cristo. Não escutamos o testemunho dos outros com paciência e entusiasmo. Por isso rezamos constantemente para que Deus nos faça descobrir novos lugares e formas de encontro.  

Esses encontros ocorrem, com freqüência, no meio de estranhos, sem confiança recíproca, fora da nossa vida cotidiana. Então, para perseverarmos no chamado, precisamos coragem e paciência: 

Quando pessoas de comunidades cristãs diferentes escolhem viver no sacramento do matrimônio, com as alegrias e sofrimentos que isso comporta; 

Quando uma comunidade cristã deseja acolher uma outra comunidade e partilhar com ela seu lugar de culto; 

Quando cristãos vivem ao lado de uma maioria de não-cristãos e tentam partilhar a alegria de sua fé em Cristo. Nesses encontros, fonte de alegria e de sofrimento, nós somos sustentados pela convicção de formarmos o povo de Deus e de sermos chamados a partilhar os dons de Deus com toda a criação.Esses encontros não nos convocam apenas a escutar mas também a agir. Temos necessidade de procurar e de construir novos lugares de oração para que os cristãos possam viver encontros ecumênicos e trabalhar pela reconciliação. Devemos também procurar e construir lugares onde os homens e as mulheres possam encontrar refúgio. Apenas assim poderemos encontrar-nos enquanto povo de Deus. 

  

Oração 

Deus Santo, fonte de unidade, quando nós nos reunimos,  te agradecemos pelas águas do batismo pelas quais nos fizeste entrar em comunhão. Faze que nossas Igrejas e nossas comunidades  cresçam e desabrochem em uma só fé e um só batismo. Encoraja-nos a testemunhar Cristo nos nossos encontros cotidianos e a mostrar mais profundamente a unidade da tua Igreja. Faze que permaneçamos fiéis a esta vocação durante toda a nossa vida. Amém. 

  

  

Sexto dia            Deus, fonte de compaixão  

(Quarta-feira, 23 de janeiro de 2002) 

“Eu não tenho ninguém para mergulhar-me na piscina  (Jo 5, 1-9) 

Sl 36 [35], 6-10 - Pois em ti está a fonte da vida 

Es 42,1-9- Eu te destinei a ser a aliança da multidão, a ser a luz das nações 

Jo 5, 1-9 - Eu não tenho ninguém para mergulhar-me na piscina

At 5,12-16 - Muitos sinais e prodígios se realizavam entre o povo pela mão dos apóstolos 

 

Comentário 

Hoje o nosso encontro nos fala do paralítico junto à piscina de Betzatá. Há 38 anos ele está deitado na sua esteira. Como muitas pessoas neste terceiro milênio, ele talvez não conheça bem o seu mal e sabe que não poderá ser curado por seus próprios meios. Mas nenhum dos seus está lá para ajudá-lo. Talvez ele se recuse a pedir ajuda a estranhos. Jesus chega e não demonstra saber o que o homem deseja. Jesus faz uma pergunta, depois ele age e cura um estranho, pois o homem não sabe quem é Jesus. 

Nos Atos, os discípulos de Jesus prosseguem a obra de cura e de assistência. Isaías fala do servo que traz a justiça – com doçura, sem violência. Ele fala igualmente do chamado que Deus nos dirige para sermos uma luz que restabelece a vista e a liberdade. 

Enquanto cristãos individualmente ou como comunidade, talvez estejamos longe da plenitude de vida à qual Deus nos destinou. Talvez ignoremos o que nos desafia. Nossa caminhada para uma real plenitude exige que peçamos a ajuda de Deus, de outras pessoas e de outras comunidades – que no momento nos são estranhas. 

Quando levamos a justiça, a saúde e o renascer aos outros, seguimos o exemplo de Jesus: perguntando o que desejam aqueles que nós queremos ajudar? agindo com doçura e discreção? tratando os outros com igualdade, sem levar em conta a raça, a posição, a crença e o sexo? invocamos o Espírito de Cristo para nos ajudar nesse trabalho? 

 

Oração 

Deus de compaixão, concede-nos a humildade de buscar o que necessitamos para chegar à plenitude da vida; para reconhecer nos outros teu Espírito em ação. Renova em nós o teu chamado para trazermos ao mundo que criaste uma ajuda compassiva. Nós rezamos particularmente pelas minorias confessionais dentro e fora das estruturas ecumênicas; pelas minorias raciais e culturais na Europa; por aqueles que não têm ninguém “para mergulhá-los na piscina”. Dá-nos a força de seguir o exemplo de Jesus, em nome de quem rezamos a ti. Amém. 

  

Sétimo dia         Os frutos da nova vida  

(Quinta-feira, 24 de janeiro de 2002) 

Ele é como uma árvore plantada junto a regatos: produz frutos na estação devida  (Sl 1,3) 

Sl 1,3 Ele é como uma árvore plantada junto a regatos: produz frutos na estação devida  

Sl 36 [35], 6-10 - Pois em ti está a fonte da vida 

Mt 13,3-9 - Outras caíram na terra boa e produziram fruto 

Ef 3,14-21- Enraizados e fundados no amor 

  

Comentário 

A imagem da árvore plantada perto de um curso d’água nos mostra a origem da nova vida e o seu desabrochamento. Uma vida ardente não pode existir sem fontes de vida. As árvores precisam de água e de raízes e o salmo evoca a Torá, a Palavra de Deus, como fonte principal para a vida do povo de Deus. 

A Palavra de Deus é como a água fresca, como uma fonte contínua que inspira as Igrejas e a vida dos cristãos. Não é uma palavra morta, mas uma palavra forte e viva que produz frutos. Ela dá confiança, estabilidade e orientação, perseverança e liberdade.  Na medida que transforma nossa vida e nossas ações, ela é semelhante a uma semente que surge da terra, a uma árvore que floresce e produz frutos. 

A Bíblia é um dom que nós devemos partilhar com os outros. Enquanto cristãos de tradições e culturas diferentes, somos chamados a nos unir e a aprender cada vez mais a escutar o que a Bíblia nos diz hoje. Nós faremos, então, descobertas surpreendentes e nelas encontraremos inspiração mútua. Quando a comunidade dos crentes escuta a mesma Palavra, os resultados não faltam. A Palavra nos une e nos exorta a agirmos juntos no mesmo Espírito. Estaremos mais profundamente enraizados em Cristo e agiremos com mais convicção e objetividade, por exemplo, pelos direitos dos desfavorecidos, pela proteção e dignidade da vida, pela salvaguarda da criação, pela solidariedade com os pobres e pela reconciliação através da não-violência.Deste modo crescem entre nós os frutos da nova vida. Assim, neste mundo dilacerado, seremos um sinal da promessa de que Deus restaura a sua criação. 

  

Oração 

Deus, fonte de vida, nós te agradecemos por tua palavra vivificante. Faze que ela tenha lugar entre nós e produza bons frutos. Faze com que, partilhando a Bíblia, descubramos que tua Palavra é laço de união e fonte de ação comum. Sustenta aqueles que trabalham na tradução e na difusão da Bíblia. Rezamos para que as nossas palavras e ações tornem visíveis as tuas palavras e as tuas ações. Dá-nos a força de viver cada vez mais conforme a tua votande. Amém.  

   

Oitavo dia        Deus, fonte da força  

(Sexta-feira, 25 de janeiro de 2002) 

“A quem tiver sede, darei gratuitamente da fonte da água da vida”  (Ap 21,6) 

Sl 36 [35], 6-10 - Pois em ti está a fonte da vida 

Ez 47,6-12 - “Suas folhas não murcharão e seus frutos não acabarão” 

Jo 4,7-14 - Uma fonte que jorra a vida eterna. 

Ap 21, 1-7 - A quem tiver sede, darei gratuitamente da fonteda água da vida 

  

Comentário 

Estas palavras são certas e verdadeiras: a vida nova em Cristo é livremente proposta a todos através da graça de Deus. A água viva, que nós celebramos durante esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, é um dom de Deus livremente proposto a todos. A salvação não é qualquer coisa que possamos obter ou merecer; e ninguém, nenhuma Igreja, detém o monopólio do acesso à fonte de vida, Jesus Cristo, Nosso Senhor. Por isso nós louvamos a Deus. 

Mas é um dom que cada um de nós deve aceitar e fazer seu. Cada um de nós deve decidir como quer responder à proposta de Deus de uma vida nova em Cristo. Isto não quer dizer que a vida cristã seja solitária. Aproximando-nos de Cristo, nos aproximamos uns dos outros. Entramos na fraternidade daqueles que no decorrer dos séculos, por todos os lugares do mundo, reconheceram a Cristo como Senhor das suas vidas, da Igreja e da criação inteira. Estamos ligados àqueles que pertencem a Cristo, quaisquer que sejam as incompreensões ou diferenças que possam dividir as nossas confissões. Por isso, nós louvamos a Deus. 

Cristo nos propõe “uma fonte que jorra até a vida eterna”. Nossa esperança se funda na promessa da vida nova: a renovação da nossa própria vida, de todas as igrejas, de toda a criação. 

Nós sabemos que pertencemos uns aos outros pelo nosso comum batismo. Temos sede de unidade na vida das nossas Igrejas: pela partilha da profissão de fé, do testemunho, do serviço para chegar um dia à única mesa do Nosso Senhor. Sabemos que devemos trabalhar juntos para essa união. E aguardamos com ardor e esperança, as surpresas que o Espírito Santo certamente nos reserva. 

  

Oração 

Deus, fonte de esperança,  nós te louvamos, nós te damos graças pela tua salvação que nos foi dada em Cristo.Nós te damos graças por todos os nossos irmãos e irmãs pelo único batismo em Cristo, por todos aqueles que te invocam, fonte e dispensador de vida.Nós te damos graças pela esperança de uma vida nova em Cristo,por nós mesmos, por nossas Igrejas, por toda a criação. 

Nós te damos graças por ter-nos feito um.Nós aspiramos a viver como um. Perdoa nossas divisões e dá-nos energia no nosso esforço para superá-las. 

Na alegria da ressurreição para a vida eterna, nós te pedimos.  

Amém. 


Apêndice  
Orações - Hinos
 

  

Estas orações são propostas pelo grupo ecumênico que preparou o primeiro projeto da Oração 2002 e publicadas sob a sua responsabilidade. Foram tiradas do livro de celebrações para a Assembléia Ecumênica de Graz (23 a 29 de junho de 1997) e foram traduzidas do alemão (W. Nausner, H. Beigellöch [Ed.], Words and Songs of Reconciliation and Praise, Graz 1997). Foram publicadas com a amável autorização do Conselho das Conferências Episcopais Européias e da Conferência das Igrejas Européias e podem ser reproduzidas após adaptação ao contexto local. 

   

L: Inflama nossos corações de amor por ti, ó Cristo nosso Deus, para que te amemos de todo coração, de todo pensamento, de toda alma, com toda a nossa força e o nosso próximo como a nós mesmos,para que, observando os teus mandamentos, nós te glorifiquemos,  

Tu de quem procede todo dom. 

 L: Não recordes as coisas antigas. Não olhes as coisas do passado. Eis que eu faço novas todas as coisas. Eis que isso está chegando - tu não percebes? 

A: Deus, nós esperamos: Faze em nós coisas novas. 

 L: Eu abrirei um caminho no deserto, do deserto eu farei jorrar torrentes de água. Todos os vales serão elevados, as montanhas e colinas serão abaixadas. 

A: Deus, nós esperamos: Faze em nós coisas novas. 

L: No deserto aplainai um caminho para o Senhor;nivelai na estepe uma estrada para o nosso Deus.Eis o meu servo, meu eleito, sobre ele pus o meu Espírito. Ele não se estiolará, ele não se dobrará,até que imponha à terra o julgamento e as ilhas estejam à espera das suas leis. 

A: Deus, nós esperamos: Faze em nós coisas novas. 

 L: Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor terra inteira. Louvai o Senhor todos os povos.  

L: Peçamos o perdão de Deus e do nosso próximopelas divisões que são obstáculo ao testemunho cristão. Senhor, nós pecamos contra ti e contra o nosso próximo. 

A: Senhor, tem piedade. 

 L: Ó Cristo, nossas divisões são contrárias à tua vontade e nos impediram de testemunhar juntos. 

A: Cristo, tem piedade. 

 L: Senhor, nós não te amamos suficientemente;eu e nossos irmãos e irmãs, criados à  tua imagem mas diferentes de nós.  

A:  Senhor, tem piedade. 

 L: Deus, que nos criaste, impede-nos de nos distanciarmos uns dos outros. Responde à espera dos nossos corações e às nossas legítimas aspirações, reúne-nos em breve em uma santa Igreja por teu Filho Jesus Cristo, que vive e reina em comunhão contigo e com o Espírito Santo de toda eternidade e por toda eternidade. 

 L: Nós te louvamos, Cristo, cada dia estás conosconesta terra. Firme se torna o solo no qual eu piso.Tu és a luz do mundo e eu recebo a tua Luz. Assim clareia a minha noite.  

Tu és a voz que chama o meu nome, comoo som original da tempestade no início dos tempos. 

Tu és a fonte da vida. Eu beberei dessa fonte até que eu mesmo me torne uma fonte da qual jorra a vida eterna. beleza me envolve. Tu me envolves, Deus de bondade. Eu estou inteiramente em ti. Tu me chamas como um filho. Desde esse momento eu te escuto. E na velhice prossigo pelos teus caminhos com o coração em paz. 

Eu ensaio meu canto. Canto-o no vento e o faço ecoar para ti. 

L: Deus Trino, nós nos apresentamos diante de Ti com o profundo desejo de ser uma verdadeira comunidade de jovens e velhos, homens e  mulheres, ricos e pobres entre todas as nações.Desejamos superar as divisões entre os cristãos.Ajuda-nos a superar as numerosas barreirasque nós erigimos. Ajuda-nos a dissipar as suspeitas. 

A: Para que vejamos as boas intenções daqueles que encontramos. 

L: Ajuda-nos a deixar de lado as nossas incertezas. 

A: Para que possamos levar em conta a dignidade dos outros. 

 L: Ajuda-nos a rejeitar os nossos medos. 

A: Para que possamos apaziguar os outros em seus medos. 

L: Ajuda-nos a superar o nosso orgulho. 

A: Para que possamos amar o nosso próximo como a nós mesmos. 

L: Concede-nos o dom da verdadeira comunhão na reconciliação com os outros. 

A: Amém. 

   

L: Deus de bondade, diante de ti eu penso em todos os homens para os quais a noite chega. Eu te peço coragem para todos aqueles que neste momento estão a caminho ou trabalhando. Eu te peço que estejas pertodos doentes, dos deprimidos, dos abandonados, dos prisioneiros. 

 Tu velas com aqueles que velam. Tu és o sonodaqueles que dormem e aqueles que morrem vivem em ti. 

Fica conosco, Deus, pois a noite se aproxima e o dia declina. Fica conosco e com todos os homens. Fica conosco no crepúsculo do dia, no entardecer da vida, no entardecer do mundo.  

Fica conosco por tua graça e tua bondade, por tua Palavra e teu Sacramento, por tua consolação e tua bênção.Fica conosco quando vem sobre nós a noite do luto e do medo, a noite da dúvida e da incerteza, a noite da morte. Fica conosco e com todos os teus filhos no tempo e na eternidade. 

 Deus, que nós não tornemos vã a tua fidelidade. Ajuda-nos a aceitar a mensagem do perdão e a viver cada dia alimentados pelo teu amor e pela tua misericórdia infinitos.Na cruz de Cristo te reconciliaste conosco, que nós vivamos reconciliados uns com os outros, para que a tua Igreja seja um exemplo da verdadeira paz. Dá-nos a força para ajudar-nos uns aos outros a construir a vida nova que tu nos deste em Jesus Cristo. Mas, antes de tudo, dá a conhecer o teu amor àqueles que sofrem, que são abandonados e perseguidos. Sê para eles luz e esperança. 

Deus da reconciliação, Deus da paz, escuta a nossa oração, por Jesus Cristo. Amém. 

Jesus Cristo, Filho de Deus, que nos dá a conhecer o Pai Celeste, faze de nós teus discípulos. 

Ensina-nos a fazer todas as coisas sob o teu olhar. Faz-nos teus filhos. Dá-nos a força de fazer a tua vontade e de seguir teus mandamentos.  Que tudo o que é bom e belo no mundo faça-nos recordar de ti. Faz-nos ver nos pecadores o reflexo dos nossos próprios pecados.Ensina-nos a ver irmãos e irmãs naqueles que não pensam como nós, que têm outras crenças religiosas ou que não crêem. 

Recorda-nos da brevidade da vida para que a lembrança da morte se torne para nós um convite à diligência e ao serviço. 

Torna-nos capazes de perdoar, de amar, de doar-nos. Ensina-nos uma vida de oração. Concede-nos, desde agora,o descanso do teu reino.Ensina-nos a odiar o pecado, não o pecador. Dá-nos a força de ser testemunha. Não deixes que nos tornemos vãos, mesquinhos, estéreis.  

Sê para nós o Alfa e o Ômega, nesta vida e pela eternidade. Faze de nós teus discípulos. Amém. 

    


    O Ecumenismo na Europa 

  

Este texto sobre a situação ecumênica na Europa foi preparado por um grupo ecumênico local e é apresentado aqui sob a  responsabilidade deste. 

Durante séculos, a cultura- européia foi marcada pelo cristianismo. Por outro lado, as diversas culturas nacionais também influenciaram as Igrejas. A divisão das Igrejas, no final do primeiro milênio, entre cristandade ocidental e cristandade bizantina do Leste Europeu, bem como a separação, no século XVI, entre Igreja Católica Romana e Igrejas Protestantes tiveram tanto origens teológicas, como éticas e culturais. Resultou daí uma situação eclesial marcada por profundas diferenças nas diversas regiões do continente: Igrejas que, em um país, são majoritárias, em um outro são minoritárias.   

Desde o século XVI as Igrejas européias, através das missões, exportaram as suas divisões para os outros continentes. O movimento ecumênico moderno faz que todas as igrejas da Europa sintam a responsabilidade de permitir que essa história se renove e de progredir rumo a uma maior comunhão.   

No lugar de uma simples coexistência ou de uma contraposição das igrejas, onde as diferenças no campo da fé lançavam a suspeita nos aspectos comuns, sublinha-se hoje a comunhão dada em Cristo pelo Deus Trino e, sob esta luz, serem esclarecidas e julgadas as antigas diferenças teológicas. 


  

I.    Experiências ecumênicas 

A Comunhão entre Igrejas do Leste e Igrejas do Oeste foi aprofundada em inúmeros encontros e diálogos, tanto entre a Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas como entre as Igrejas Reformadas e as Igrejas Ortodoxas Orientais.  

 Do ponto de vista ecumênico, a Declaração sobre as diferenças cristológicas entre Igrejas Ortodoxas e Igrejas Pré-calcedonianas (1993) é extremamente significativa. 

As Igrejas Ortodoxas e as Igrejas Evangélicas que saíram da Reforma fundaram, em 1959, a Conferência das Igrejas Européias (KEK), para favorecer o testemunho comum e o serviço comum das Igrejas na sociedade européia. Onze anos antes tinha sido fundado na Europa o Conselho Ecumênico de Igrejas.   

As relações católico-evangélicas modificaram-se fundamentalmente há alguns anos. Por ocasião do jubileu da Confissão de Augsburgo - a confissão de fé luterana mais significativa desde 1530 -, foi elaborado um documento comum: "Todos sob um único Cristo". Quase por todos os lugares da Europa trocas, intercâmbios regulares, se manifestam através de celebrações ecumênicas e de uma colaboração em diversos níveis. Os países da Europa Central, onde a diversidade confessional é considerável, têm nisso um papel pioneiro. A "Declaração Conjunta sobre a Justificação", assinada pela Federação Luterana Mundial e a Igreja Católica Romana, em 1999, merece grande atenção. 

O protestantismo, fracionado entre diversas Igrejas, busca e encontra cada vez mais sua unidade no seio do movimento ecumênico. Na concordância de Leuenberg, assinado em 1973, as Igrejas Luteranas, reformadas e unidas da Europa se reconhecem mutuamente e se declaram em "comunhão de púlpito e de altar". As Igrejas Metodistas aderiram posteriormente à Comunhão eclesial de Leuenberg. As Igrejas Anglicanas concluíram acordos de reconhecimento recíproco com a Igreja Evangélica da Alemanha (Meissen, 1988), com as Igrejas Luteranas Escandinavas e Bálticas (Porvoo, 1994) e com as Igrejas Evangélicas da França (Reuilly, 1999). 

 


  

Estrutura Ecumênicas 

Essas aproximações ecumênicas, significativas do ponto de vista da história das Igrejas, devem ser recebidas e vividas por todo o povo de Deus. Por isso, é preciso que as instituições eclesiais européias trabalhem mais juntas no plano ecumênico (diaconia e trabalho social, serviços da paz, serviços das mulheres, dos homens e dos jovens, etc.). 

As estreitas relações, que a partir do movimento missionário existem entre as Igrejas não européias, são fonte de reflexão para as Igrejas européias. As parcerias entre Igrejas e entre paróquias estimulam o ecumenismo.   

Em quase todos os países europeus existem conselhos nacionais de Igrejas, com uma participação crescente da Igreja Católica Romana. No plano do ecumenismo local, principalmente em numerosos lares mistos confessionais, vive-se com freqüência uma experiência espiritual que encoraja o ecumenismo. Mas freios ecumênicos evidentes também existem. Muitos cristãos e Igrejas freqüentemente satisfazem-se com pouco.   

"O ecumenismo é bom e belo. Mas é muito mais belo quando estamos sós". Este testemunho, dado após uma celebração ecumênica, mostra que uma abertura e uma espiritualidade ecumênicas são hoje mais necessárias que antes. 

 


  

II.   As Igrejas diante de um novo compromisso 

 

A Europa deve fazer frente a grandes tarefas que precisam avançar com mais ardor rumo à reconciliação entre as Igrejas. Desde 1989, a reviravolta política que a Europa conheceu abriu uma nova etapa de relações entre Igrejas do Leste e Igrejas do Oeste. O fato de as Igrejas terem vivido simultaneamente histórias diferentes depositou nelas o peso do desconhecimento, da incompreensão e da desconfiança recíproca.   

As Igrejas da Europa têm consciência da sua nova responsabilidade diante dos grandes problemas do nosso tempo, tais como: a vida comum na diversidade de culturas, povos e religiões, particularmente no encontro com o Islã; a questão do sentido da vida; o encontro de novos grupos os movimentos religiosos que surgem fora das Igrejas; a troca de dons entre as religiões do mundo; as questões concernentes aos direitos do homem, desde as inesgotáveis possibilidades genéticas, como a clonagem, até as novas questões sobre a família, o meio ambiente, etc. 

A constituição da União Européia exige a presença vigilante das igrejas, sobretudo no que toca à ética e à cultura. As Igrejas cuidam para que a unidade da Europa ocorra sempre na perspectiva de uma troca eqüivalente com os outros continentes do globo.   

Juntas, as Igrejas da Europa poderão fazer frente a esses grandes desafios. 

 


 

Colaboração entre a KEK e CCEE  

 

A Conferência das Igrejas Européias (KEK) reúne 126 Igrejas Anglicanas, Protestantes, Ortodoxas e Vetero-católicas. O Conselho das Conferências episcopais da Europa (CCEE) reúne as 34 conferências episcopais do continente. A KEK e o CCEE representam, cada qual, aproximadamente a metade dos cristãos da Europa. 

A colaboração entre as duas instâncias constitui uma verdadeira realidade ecumênica na Europa. Ela teve início em 1971 e levou a numerosos encontros como os de Chantilly, Riva del Garda / Trento, Erfurt, Santiago de Compostela, Assis e a dois encontros ecumênicos europeus (ROE). 

 O ROE de 1989, em Bâle, na Suíça, reuniu, pela primeira vez no continente europeu, todos os cristãos com o tema: Paz e justiça para toda a criação.   

Em 1997 encontraram-se, na cidade austríaca de Graz, mais de 10.000 delegados de todas as Igrejas da Europa e aproximadamente 200 Igrejas e Conferências Episcopais, com o tema: Reconciliação, dom de Deus e fonte de vida nova.   

O Comitê "Islã na Europa" organiza uma rede de encontros com o Islã: Reciprocidade, casamentos mistos, relações entre religião e nação, oração nas religiões e entre as religiões.   

A Comissão "Igreja e Sociedade" da KEK e a Comissão de Episcopados (católicos) da Comunidade Européia (COMECE) têm, uma e outra, sessões em Bruxelas e acompanham os trabalhos das instituições políticas européias.   

Na semana da Páscoa 2001, cem responsáveis e delegados das Igrejas e movimentos ecumênicos e cem jovens se encontraram em Estrasburgo, na França, para um intercâmbio entre gerações e para definir as orientações par ao início do terceiro milênio. 

 

Perspectivas Futuras  

O ROE de Graz descreveu os desafios que se apresentam às Igrejas para avançar rumo à unidade visível:    

- a necessidade de uma espiritualidade e de uma cultura ecumênicas que conduzam, sem cessar, os fiéis ao coração da Boa Nova;  

-a expansão desta cultura ecumênica para todo o povo dos crentes;  

-a abertura de um novo espaço ecumênico que possa acolher as famílias confessionais na sua originalidade mas também as novas igrejas do Leste e do Oeste da Europa, do Norte e do Sul da Terra. Este espaço deverá ser liberado dos obstáculos ligados à história, à cultura, à psicologia e ao direito, para permitir um verdadeiro diálogo teológico.  

-o aprofundamento do diálogo, para que não haja nenhuma contradição entre o conceito de diálogo e o conceito de verdade;  

-o desenvolvimento de um ecumenismo que se traduza pela vida, pelos gestos de amor, pelos encontros e pela humildade do serviço, para que cada um possa participar dos dons de todos. 


  

Algumas datas importantes na  
história da Oração pela Unidade e da Semana de Oração
 

  

1740 Escócia 

Nascimento de um movimento pentecostal com ligações na América do Norte, cuja mensagem para a renovação da fé convida a rezar por todas as Igrejas e com elas.

1820 James Haldane Stewart 

Reverendo James Haldane Stewart publica: "Conselhos para a união geral dos cristãos em vista de uma efusão do Espírito" (Hints for the autpouring of the Spirit) 

1840 Ignatius Spencer 

O Reverendo Ignatius Spencer, um convertido ao catolicismo romano, sugere uma "União de oração pela unidade". 

1867 Lambeth 

A primeira assembléia de bispos anglicanos em Lambeth insiste na oração pela unidade na introdução das suas resoluções. 

1894  Leão XIII 

O Papa Leão XIII encoraja a prática da Oitava de Oração pela unidade no contexto de Pentecostes. 

1908  Paul Wattson 

Celebração da "Oitava pela unidade da Igreja" por iniciativa do Reverendo Padre Paul Wattson. 

1926  Fé e Constituição 

O movimento Fé e Constituição começa a publicação de "Sugestões para uma Oitava de oração pela unidade dos cristãos". 

1935  Paul Couturier 

Na França, o Padre Paul Couturier torna-se advogado da "Semana universal de oração pela unidade dos cristãos baseada em uma oração concebida pela unidade desejada por Cristo, pelos meios que ele deseja". 

1958   Unidade Cristã 

O Centro "Unidade Cristã" de Lyon, França, começa a preparar o tema para a Semana de Oração em colaboração com a Comissão Fé e Constituição do Conselho Ecumênico de Igrejas. 

1964 Concílio Vaticano II 

O Decreto sobre o ecumenismo do Concílio Vaticano II destaca que a oração é a alma do movimento ecumênico e encoraja a prática da Semana da Oração. 

1966  Fé e Constituição e o Secretariado pela unidade 

A Comissão "Fé e Constituição" e o Secretariado pela Unidade dos Cristãos (hoje Pontifício Conselho pela Promoção da Unidade dos Cristãos) da Igreja Católica decidem preparar juntos o texto para a Semana da Oração de cada ano. 

1968  Pela primeira vez a "Oração pela Unidade" é celebrada com base em textos elaborados em colaboração entre "Fé e Constituição" e o Secretariado pela Unidade dos Cristãos. 

1994  Texto preparado em colaboração com a YWCA e YWCA.  


 

 Temas da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 

 

(1968 - 2002)  Elaborados desde 1968 pela Comissão "Fé e Constituição" do Conselho Mundial de Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a unidade dos cristãos.   

1968  "Para o louvor da sus glória"  (Efésios 1,14)   

1969  "Chamados á liberdade"  (Gálatas 5,13) 
(Reunião preparatória em Roma, Itália)   

1970  "Somos cooperadores de Deus"  (1 Coríntios 3,9)
(Reunião preparatória no Mosteiro de Niederaltaich, República Federal de Alemanha)   

1971  " ... e a comunhão do Espírito Santo"  (2 Coríntios 13,13)
(Reunião preparatória em Bari, Itália)   

1972  "Dou-vos um mandamento nova"  (João 13,34)
(Reunião preparatória em Genebra, Suíça)   

1973  "Senhor, ensina-nos a orar"  (Lucas 11,1)
(Reunião preparatória no Abadia de Monserrat, Espanha)   

1974  "Que todos confessem: Jesus Cristo é o Senhor" (Filipenses (2,1-13) 
(Reunião preparatória em Genebra, Suíça) 

(Em abril de 1974, foi enviada urna carta ás Igrejas-membro de modo que outras partes interessadas na formação de grupos locais pudessem participar da preparação do livrete da Semana de Oração. Um grupo australiano foi o primeiro a engajar-se concretamente na preparação do projeto inicial para o livrete da Semana de Oração em 1975).   

1975  "A vontade do Pai: tudo reunir sob o único chefe, Cristo" (Efésios 1,3-10)
(Projeto de texto elaborado por um grupo australiano. Reunião preparatória em Genebra).   

1976  "Chamados a tornar-nos aquilo que somos"  (1 João 3,2)
(Projeto de texto elaborado pela Conferência das Igrejas do Caribe. Reunião preparatória em Roma, Itália).   

1977  "A esperança não decepciona"  (Romanos 5,1-5)  
(Projeto de texto elaborado no Líbano, em plena guerra civil. Reunião preparatória em Genebra)  

1978  "Já não sois estrangeiros"  (Efésios 2,13-22)
(Projeto de texto elaborado por um grupo ecumênico de Manchester, Inglaterra)   

1979  "Consagrai-vos ao servido uns dos outros para a glória de Deus"  (1 Pedro 4,7-11)  
(Projeto de texto elaborado no Argentina. Reunião preparatória em Genebra)  

1980  "Venha o teu Reino!"  (Mateus 6,10)
(Projeto de texto elaborado por um grupo ecumênico de Berlim, República Democrática de Alemanha. Reunião preparatória em Milão, Itália)   

1981  "Um só Espírito - dons diversos - um só Corpo" (1 Coríntios 12, 3b-13)
(Projeto de texto elaborado pelo Frades de Graymoor, USA. Reunião preparatória em Genebra)   

1982  "Que todos encontrem em Ti, Senhor, a sus morada" (Salmo 84)
(Projeto de texto elaborado em Kenya. Reunião preparatória em Milão, Itália)   

1983  "Jesus Cristo - vida do mundo"  (1 João l, 1-4)
(Projeto de texto elaborado por um grupo ecumênico da Irlanda. Reunião preparatória em Céligny (Bossey), Suíça)   

1984  "Chamados á unidade pela cruz de nosso Senhor (1 Coríntios 2,2 e Cl 1,20)  
(Projeto de texto elaborado em Veneza, Itália)    

1985  "Da morte á vida coro Cristo"  (Efésios 2,4-7)  
(Projeto de texto elaborado em Jamaica. Reunião preparatória em Grandchamp, Suíça)   

1986  "Sereis minhas testemunhas"  (Aros 1,6-8)  
(Projeto de texto elaborado na Iugoslávia (Slovénia). Reunião preparatória na Iugoslávia)   

1987  "Unidos em Cristo, urna nova criação" (2 Coríntios 5,17-6,4a)  
(Projeto de texto elaborado no Inglaterra. Reunião preparatória em Taizé, França)   

1988  "O amor de Deus dissipa o medo"  (1 João 4, 18)  
(Projeto de texto elaborado na Itália. Reunião preparatória em Pinerolo, Itália)   

1989  "Construir a comunidade: um só Corpo em Cristo" (Romanos 12,5-6a)  
(Projeto de texto elaborado no Canadá. Reunião preparatória em Whaley Bridge, Inglaterra)   

1990  "Que todos sejam um... para que o mundo creia" (João 17,21)  
(Projeto de texto elaborado na Espanha. Reunião preparatória em Madri, Espanha)   

1991  "Louvai ao Senhor, todos os povos" (Salmo 117 e Romanos 15,5-13) 
(Projeto de texto elaborado na Alemanha. Reunião preparatória em Rotenburg an der Fulda, República Federal da Alemanha)   

1992  "Estou convosco...ide pois"  (Mateus 28,16-20)  
(Projeto de texto elaborado na Bélgica. Reunião preparatória em Bruge, Bélgica)   

1993  "Produzir frutos do Espírito para a unidade dos cristãos" (Gálatas 5,22-23)
(Projeto de texto elaborado no Zaire. Reunião preparatória perto de Zurique, Suíça)   

1994  "Na casa de Deus: chamados a ter um só coração e uma só alma  (Atos 4,32) 
(Projeto de texto elaborado na Irlanda. Reunião preparatória em Dublino, Irlanda)   

1995  "Koinonia: comunhão em Deus e uns com os outros" (João 15,1-7)  
(Reunião preparatória em Bristol, Inglaterra)   

1996  "Eis que estou á porta e bato"  (Apocalipse 3,14-22)
(Projeto de texto elaborado em Portugal. Reunião preparatória em Lisboa, Portugal)   

1997  "Em nome de Cristo... deixai-vos reconciliar com Deus" (2 Coríntios 5,20)  
(Projeto de texto elaborado na Escandinávia. Reunião preparatória em Estocolmo, Suécia).   

1998  "O espírito vem em socorro da nossa fraqueza"(Romanos 8,26)
(Projeto de texto elaborado na França. Reunião preparatória em Paris, França)   

1999  "Eles serão seu povo e ele será o Deus que está com eles" (Apocalipse 21,3)
(Projeto de texto elaborado na Malásia. Reunião preparatória no Mosteiro de Bose, Itália)   

2000  "Bendito seja Deus...que nos abençoou em Cristo" (Efésios 1,3-14) 
(Projeto de texto elaborado pelo Conselho de Igrejas do Oriente Médio. Reunião preparatória no Santuário da Verna, Itália)   

2001  "Eu sou o caminho, a verdade e a vida"  (João 14,1-6)
(Projeto de texto elaborado na Romênia. Reunião preparatória na Casa de Odihna, Romênia)   

2002  "Pois em ti está a fonte da vida"  (Sl 36[35],10)
Elaborado por um grupo ecumênico composto por representantes do CCEE e KEK.

 

 

(Tradução feita pelo Setor de Ecumenismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)

 

 

 

top