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Oração pela Unidade dos Cristãos 2003*

 

Este tesouro, nós o carregamos em vasos de argila

(2 Cor 4, 7)

 


 

Texto bíblico para a «Oração pela Unidade 2003»

 

Este tesouro, nós o carregamos em vasos de argila 

(2Cor, 4,3-18)

 

Se contudo o nosso Evangelho permanece velado, ele é velado para os que se perdem, os incrédulos cuja inteligência foi cegado pelo deus deste mundo, a fim de que não percebam a iluminação do Evangelho da glória do Cristo, que é a imagem de Deus. Não, não é a nós vossos servos por causa de Jesus. Pois o Deus que disse: brilhe a luz no meio das trevas foi o mesmo que brilhou em nossos corações para fazer resplandecer o conhecimento da sua glória que resplandece no nosso Cristo. Mas este tesouro, nós o carregamos em vasos de argila, para que esse poder incomparável seja de Deus e não nosso. 

Premidos de todos os lados, nós não somos esmagados; em impasses, mas conseguimos passar; perseguidos, mas não alcançados; prostrados por terra, mas não liquidados; sem cessar trazemos em nosso corpo e agonia de Jesus, afim de que a vida de Jesus também seja manifestada em nosso corpo. Co, efeito, nós os vivos, somos sem cessar entregues à morte por causa de Jesus, afim de que a vida de Jesus também seja manifestada em nossa existência mortal. Assim a morte age em nós, mas a vida em vós. 

No entanto, fiados nesse mesmo espírito de fé do qual está escrito: eu acreditei, e por isso falei; também nós cremos, e é por isso que falamos. Pois sabemos aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, também nos ressuscitará com Jesus e nos colocará convosco junto dele. E tudo que nós vivemos é para vós, a fim de que a graça, crescendo, por uma comunidade acrescida, faça superabundar a ação de graças para a glória de Deus. É por isso que nós não perdemos a coragem; e mesmo se, em nós, o homem exterior se encaminha para a ruína, o homem interior se renova dia a dia. Pois nossas tribulações de um momento são leves com relação ao peso extraordinário da glória eterna que nos preparam. O nosso objetivo não é o que se vê, mas o que não se vê; o que se vê é provisório, mas o que não se vê é eterno.

 

(Tradução Ecumênica da Bíblia - TEB)

 


 

A todos os que organizam a «Oração pela 

Unidade dos Cristãos»

 

Adaptar os textos 

Ao propor estes textos, subentende-se que, sempre que possível, se procurará adapta-lo aos diferentes lugares e países. E, nisso, se levará em conta as práticas litúrgicas e devocionais locais, assim como o contexto sócio-cultural. Uma tal adaptação deveria comportar uma colaboração ecumênica.

Em muitos países, as estruturas ecumênicas já existem e facilitam tal colaboração. Esperemos que a necessidade de adaptar a «Oração» à realidade local possa encorajar a criação dessas estruturas lá onde elas não existem.

Como utilizar os textos da «Oração pela Unidade dos Cristãos» P ara as Igrejas e Comunidades cristãs que celebram juntas a «Oração», numa única cerimônia, este livrete propõe um modelo de Celebração Ecumênica da Palavra de Deus.

As Igrejas e comunidades cristãs podem também aproveitar nas suas celebrações ou das orações e demais textos da «Celebração Ecumênica da Palavra de Deus» ou dos textos propostos nos «Oito Dias».

As Igrejas e comunidades, que celebram a «Oração pela Unidade dos Cristãos» todos os dias da semana, poderão encontrar sugestões nos textos propostos para os «Oito Dias».

Se um grupo prefere realizar um estudo bíblico com o tema de 2003, poderá também se basear nos textos e reflexões bíblicas propostos para os «Oito Dias». Uma intercessão poderá servir de fecho para o comentário de cada dia.

As pessoas, que preferem rezar em particular, poderão encontrar, nos textos deste livrete, alimento para suas orações e poderão assim ficar em comunhão com todos os que, no mundo inteiro, rezam por uma união mais visível da Igreja.

A procura da unidade durante o ano T radicionalmente, a «Oração pela Unidade dos Cristãos» é celebrada, no hemisfério Norte, de 18 a 25 de janeiro. Entretanto, em vários países, um número cada vez maior de cristãos utiliza este livrete, nas celebrações perto de Pentecostes, num momento em que o clima é mais favorável. No hemisfério Sul, devido às férias de verão no mês de janeiro, prefere-se adotar uma data perto de Pentecostes ou outra, um mês ou dois depois. Entretanto, a busca dos cristãos não se limita a uma semana por ano. Por isso, queremos convida-los a encontrar outras ocasiões, durante o ano, para expressar o grau de comunhão que as Igrejas já atingiram e rezar juntos pedindo a Deus a unidade plena, desejada pelo Cristo.

 


 

Introdução ao tema de 2003

 

«Este tesouro, nós o carregamos em vasos de argila»

 2Cor 4, 7

 

O problema complexo da imigração tem tido um impacto crescente na vida de numerosos povos, países e Igrejas, em todo o mundo. A Argentina aparece entre os países que receberam ondas de imigração que afetaram não só o contexto nacional, mas também a vida das Igrejas.

O projeto inicial para a Oração pela Unidade deste ano foi proposto por um grupo ecumênico argentino. O texto bíblico e o tema foram escolhidos a partir de uma reflexão sobre a Argentina, nação construída pelo povo indígena e pelos imigrantes.

Diferentes razões estão na origem da imigração como a fome, as guerras e as perseguições religiosas. Duas histórias do passado recente da Argentina, servem para ilustrar essa situação. Mostram como é necessário que as Igrejas trabalhem em conjunto na busca da unidade.

1. Uma família, desejando fugir da violência, decide emigrar e encontra refúgio na Argentina. Lá, se sente em segurança, mas deve enfrentar um novo tipo de sociedade, que ela não compreende, uma língua diferente, um passado com o qual não se identifica. Às vezes, a população local não aprecia sua presença. Esta família está contente, mas, ao mesmo tempo, sente uma certa tristeza : deixou para trás o medo, mas descobre a discriminação. Em alguns casos até essas pessoas não têm alternativa e precisam aceitar a exploração financeira. É o preço de viver em segurança e poder educar seus filhos. O país escolhido, ao mesmo tempo que as aceita, as rejeita. No entanto, essas pessoas tem fé e esperam a luz que as guiará na escuridão.

2. Uma mulher jovem chega a uma cidade grande em busca de emprego. Foi criada no norte do país e deve deixar sua terra porque aspira a um futuro melhor. Deixou sua família e seus amigos e deve enfrentar um outro tipo de sociedade. A cor de sua pele e seu sotaque são reveladores: de certo, em suas veias corre sangue indígena. A moça descobre as luzes da cidade grande, mas também a tristeza da solidão. Percebe que é uma estranha em seu próprio país. Chega mesmo a sentir que a tratam como se não tivesse o direito de gozar das alegrias da vida. Não tem com quem se abrir, mas conserva a esperança de encontrar, um dia, seu lugar nessa sociedade.

Situações como essas levaram o grupo local a refletir sobre a força que a Palavra de Deus nos dá nos momentos difíceis. Somos peregrinos no caminho que nos leva ao Reino - essa é a vocação do povo de Deus. A Bíblia nos mostra muitos exemplos de povos migrando de um lugar para outro, levados pelas mesmas razões dos grupos atuais. Abraão e Sara, Jacó, Amós, José, Maria e Jesus são exemplos bíblicos de imigrantes.

A experiência da imigração revela um mundo dividido. A unidade dos cristãos deve ser o paradigma da unidade entre os seres humanos. Os cristãos possuem «um tesouro em vasos de argila» (2Cor 4, 7), tesouro que é a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo, a vitória contra o pecado, a morte, a perseguição e o ódio. Esse tesouro, como São Paulo escreveu em 2Cor 4,5-6, é o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face do Cristo e nos revela as profundezas do amor de Deus e sua misericórdia pela criação, em particular pelos pobres da terra.

O texto de 2 Cor 4, 5-18 nos faz reconhecer que nós carregamos no nosso corpo um tesouro que não nos pertence, mas é um dom de Deus, para nos tornar fortes e nos encorajar nos momentos de angústia e de tristeza. Nós carregamos esse tesouro na fragilidade de nossas vidas humanas, o que nos mostra com clareza que esse dom nos vem de Deus e não de nós. Deus nos convida a sermos suas testemunhas através de nossa fraqueza humana.

O corpo de Cristo é um, e por isso as divisões entre os cristãos são um contra-testemunho dessa verdade e nós precisamos superá-las. Reconhecemos que os obstáculos são grandes e nossas forças intelectuais e físicas não são suficientes para curar nossos pecados de divisão. A unidade da Igreja deve ser realizada pela ação e pelo poder do Espírito Santo que age em nós, para que cada ato em direção à unidade possa ser visto como um ato divino, aproximando-nos do Reino de Deus.

Devemos aceitar o desafio do apóstolo Paulo quando nos diz: «Eu cri e por isso falei» (2Cor 4, 13). Não falar significa dissimular a realidade visível do Cristo agindo em nós, que é o fundamento da ação da Igreja no mundo. Assim, ricos da força que nos é dada, nós devemos ir ao encontro do nosso próximo para partilhar com ele a luz do Cristo e reconhecer juntos que temos uma dívida para com Deus, que ofereceu a vida de seu Filho pela salvação da humanidade.

Todos esses temas serão retomados durante o culto e os oito dias de oração. Foram estruturados da seguinte maneira:

Paulo, na sua carta aos Coríntios, encoraja seus irmãos e irmãs cristãos com a mensagem de esperança que é Jesus Cristo. Ele é a mensagem divina que revela a glória de Deus, sendo a luz que resplandece num mundo de trevas (2Cor 4, 5-6). Ele é a esperança que cresce no coração dos homens e mulheres, cuja fonte está em Deus e não em nós. É o tesouro que sustenta o peregrino e o migrante na sua frágil condição humana (1º dia - 2Cor 4, 7).

Nossa fé comum no Cristo é nossa esperança e nosso tesouro. No mundo de hoje, há muitos homens, mulheres e crianças que suportam o peso da perseguição, da aflição e do abandono, quando são obrigados a deixar suas casas e a viver na rua, separados do seu meio familiar. Paulo reflete sobre a experiência da perseguição, oferecendo-nos o consolo da fé cristã. Jesus assumiu nossa condição humana para que ela se enobreça e nos revele o poder de Deus através da nossa fraqueza. É por isso que nós não estamos acabrunhados, nem decepcionados, nós não nos sentimos abandonados, nem desanimados, pois nós temos fé (2º dia - 2Cor 4, 8).

O mistério da Redenção continua a resplandecer mesmo nas situações onde, por graça de Deus, nós percebemos a imagem de Cristo na fragilidade de nossos corpos. É esta fragilidade que nos faz ver a morte do Cristo em nosso próprio corpo; e, pela misericórdia de Deus, nós aí descobrimos igualmente a imagem de Cristo. Com freqüência, o pecado da discriminação nos revela uma cultura de morte, isto é, o desejo de eliminar o diferente, o outro.

As Igrejas têm a missão de encontrar, juntas, como revelar a imagem do Cristo que está no outro, como fonte de riqueza, como um dom precioso. A presença de Cristo, que se manifesta em nossos corpos, nos renova para que apareça a imagem de Deus, dignidade que não pode ser apagada. «Sem cessar trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que também a vida de Jesus seja manifestada em nosso corpo» (3º dia - 2Cor 4, 10).

Pode parecer contraditório, mas enquanto vivemos, devemos aprender a nos entregar à morte, e renunciarmos a nós mesmos, a fim de que o Cristo se manifeste em nós. Agindo assim, nós nos abrimos ao verdadeiro valor da vida: nossa existência foi confiada ao Cristo, a fim de que sua vida seja manifestada em nosso corpo. Todos os cristãos são chamados a testemunhar que o pecado não nos domina mais. É assim que as Igrejas podem testemunhar no mundo a dignidade da vida, que é vida nova em Cristo (4º dia - 2Cor 4, 11).

Nas condições precárias em que se encontram os peregrinos e migrantes, as Igrejas cristãs unidas «no mesmo espírito de fé» emprestam sua voz aos estrangeiros e excluídos da sociedade. É porque confessamos a mesma fé que somos capazes de encontrar palavras para falar. O tema do 5º dia encoraja os cristãos a refletirem sobre a necessidade de falar corajosamente sobre as situações desesperadas dos sem-teto, dos refugiados, dos imigrantes, dos que vivem na rua, das populações em migração, dos homens, mulheres e crianças que vivem na angústia e no sofrimento. Nós cremos no poder de Deus que se revela em Jesus Cristo. É por isso que, juntos, nós falamos com coragem contra tudo o que ofende a dignidade humana (5º dia - 2Cor 4, 14).

A Igreja tem por missão ser um sinal da graça de Deus na sociedade. Os valores deste mundo efêmero não são necessariamente os do Reino dos céus. Jesus confiou ao conjunto dos cristãos e às Igrejas a missão de viver plenamente a experiência do Reino de Deus como uma força nova que regenera a sociedade humana. A justificação que recebemos gratuitamente de Deus nos obriga a viver como justificados no mundo (6º dia - 2Cor 4, 15).

Apesar das muitas dificuldades e perseguições, nós devemos perseverar. São Paulo nos convida a ficarmos fortes, porque nós não carregamos em nós somente a morte, mas também a vida do Cristo.

A Igreja é chamada a manifestar a vitória do Cristo sobre a morte, mostrando-se uma comunidade corajosa.

A perseverança daqueles que buscam a unidade dos cristãos é fundamental para sustentar aqueles que são tímidos ou se sentem tentados a renunciar à batalha. A perseverança é a prova da força da graça de Deus, apesar das numerosas dificuldades. Jesus rezou pela unidade de todos os que o seguem, precisamente a fim de que o mundo creia. Apesar de todos os obstáculos que encontramos no caminho da unidade, as Igrejas devem agir juntas com coragem e perseverança, para oferecer ao nosso mundo dilacerado um exemplo de unidade e ser um sinal do poder da morte do Cristo sobre todas as forças do pecado e das trevas (7º dia - 2Cor 4, 16).

No 8º dia, somos convidados a refletir sobre como os sofrimentos de nossa vida «são leves com relação ao peso extraordinário da glória eterna» (8º dia - 2Cor 4, 17). Não é uma visão utópica do fim de todos os combates humanos. Paulo nos leva a refletir sobre nossa transformação pela graça da ressurreição do Cristo, que acontecerá se estivermos unidos a Ele em seus sofrimentos. Nós carregamos no nosso corpo seus sofrimentos e sua ressurreição. É por isso que Paulo nos exorta a olhar além do que nossos olhos mortais nos permitem ver, a olhar em direção da eternidade, revelação da glória do Cristo. A unidade de todos os fiéis do Cristo torna-se visível quando os cristãos assumem de coração sua missão neste mundo, onde eles estão apenas de passagem.

Para cada dia é proposta uma oração de súplica a Deus pela unidade de todos os que crêem no Cristo. Nunca se insistirá suficientemente sobre a importância dessa oração, pois é nela que todos os cristãos, pelo poder do Espírito Santo, reconhecem humildemente que a unidade que Deus deseja para sua Igreja é um dom. Rezemos, portanto, sem cessar, para nos preparar a receber esse dom e a carregá-lo nos vasos de argila de nossa humanidade frágil.

 


 

Preparação da «Oração pela Unidade dos Cristãos 2003»

 

O projeto inicial do texto deste ano foi apresentado por um grupo formado de biblistas, teólogos, padres, pastores e leigos argentinos. Agradecemos ao grupo local pelo tema escolhido, pelo trabalho consciencioso realizado durante os dez meses que serviram à preparação do projeto. Esse grupo foi composto por pessoas ligadas à Comissão Ecumênica de Igrejas Cristãs da Argentina (CEICA) e era constituído por: Rev. Pe. Rafael Magul (ortodoxo), M. Luísa Cárdenas (católica), Rev. Pe. Fernando Gianetti (católico), Rev. Carlos Halperin (anglicano), Rev. Margarita Tourn (Igreja valdense) e Rev. Pablo Audeñach (metodista). Um grupo internacional nomeado pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Ecumênico das Igrejas e pelo Conselho Pontifício pela Promoção da Unidade dos Cristãos, da Igreja Católica, foi encarregado de dar ao texto sua forma definitiva. Essa equipe - à qual se juntou um representante do grupo argentino - reuniu-se em Málaga (Espanha), no Centro Ecumênico Los Rubios da Igreja Evangélica Espanhola (Igreja Espanhola Reformada). Agradecemos em particular à diretora do Centro, Sra. Pilar Agraz Aguilar e ao conjunto do pessoal por sua acolhida e sua ajuda generosa. Os participantes tiveram o privilégio de escutar o Rev. Pe. Carlos de Francisco Vega, representante do Secretariado para as Relações Interconfessionais da Conferência Episcopal Espanhola, que partilhou com o grupo a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, realizada na Espanha. Também, a Sra. Pilar Agraz fez uma apresentação das origens e da ampliação do Centro Ecumênico Los Rubios, detendo-se, em particular, sobre o trabalho com os imigrantes. No domingo, o grupo participou das celebrações na Igreja Reformada de Los Rubios e na paróquia católica Nossa Senhora da Vitória, de Rincón de la Victoria. Agradecemos calorosamente às duas igrejas pela acolhida cordial.

 


 

Celebração ecumênica de oração

 

Introdução

 

Este culto celebra a luz que Deus, nosso Pai, faz resplandecer no coração dos que crêem e nas suas comunidades, oriundas de numerosas culturas, povos e nações disseminadas na terra, em perpétua migração e novos enraizamentos.

Jesus Cristo nos dá a luz da fé. Essa fé é o «conhecimento da glória de Deus que resplandece na face do Cristo». É o tesouro que Paulo evoca em 2Cor 4, 5-18. Cada crente e comunidade de fiéis carrega essa fé e a confessa na fragilidade da condição terrestre e na riqueza de seus dons.

É importante, no plano ecumênico, que nós possamos celebrar alegremente o Cristo ressuscitado, mas é também importante fazer subir até Deus, nosso Pai, através do Cristo, nosso único Mediador, nossa súplicas por tantos homens, mulheres, jovens e crianças, povos traumatizados pelas migrações. Este será o sentido da intercessão que, junto com o louvor a Cristo luz de nossas vidas, é o momento forte do nosso culto. As comunidades de fiéis também sabem o que são divisões penosas, provações, alegrias, expectativas e esperanças, que são como que o eco do sofrimento dos povos martirizados pela provação da migração. É por isso que nossa oração de intercessão pela unidade das Igrejas e pela comunidade de migrantes será uma única intercessão.

Para essa celebração, construída a partir da iniciativa de um grupo ecumênico da Argentina, recomendamos:

§ Procurar fazer convites que ultrapassem o círculo dos cristãos que habitualmente freqüentam os encontros ecumênicos. Procurar formar uma assembléia de oração una e diversificada, convidando os imigrantes que vivem entre nós, na nossa cidade, nosso quarteirão, nossa região. Assim, se constituirmos com eles uma assembléia de oração, se a prepararmos juntos, estamos celebrando Jesus Cristo morto e ressuscitado, luz da luz, nossa salvação e estamos comungando da mesma fé, na diversidade das nossas expressões. Nossa celebração estará valorizando essa diversidade.

§ Utilizar o símbolo da luz em vasos de barro, ou melhor, em um só vaso que, passando de mão em mão, no momento da intercessão, permitirá captar o que representa o tesouro precioso da unidade em um só Senhor, numa só fé, num só batismo e numa comum esperança no Cristo solidário com os pobres, com os migrantes, os feridos pela vida e pela desunião. Na abertura, esse vaso, que contém a luz, chamará a atenção para a unidade dos cristãos reunidos, para proclamar sua fé no Cristo, luz de suas vidas, e para interceder pelo crescimento de sua comunhão.

§ Sinal da paz selará a comunhão que já apareceu na intercessão. A esta unidade, assim simbolizada, corresponde, no final da celebração, a renovação do envio para a missão: Cristo espera que todos os seus discípulos sejam testemunhas da unidade, comprometendo-se na luta contra as dificuldades concretas da migração.

§ Valorizar tanto o caráter dramático das migrações e suas causas advindas do pecado, quanto o caráter próprio do migrante, como situação nossa, de discípulos do Cristo, nesta terra. Sem condescendência, nem falsa compaixão, nós nos acolheremos mutuamente, no decorrer deste culto, como irmãos e irmãs na fé. Nós temos muito o que partilhar: a nossa esperança na provação e nossa admiração diante do tesouro da fé que Deus nos dá! Aonde estaria a nossa caminhada ecumênica sem as trocas e os diálogos provocados pelas migrações contemporâneas? Nós nos deixaremos acolher pelo Cristo, migrante ele mesmo nesta terra. Nele, nosso itinerário terrestre é transformado em peregrinação fraterna em direção à morada do Pai. Mas nós precisamos imitá-lo para não excluir ninguém do «ágape» que o Espírito Santo coloca no coração dos batizados. É por isso que devemos escutar e re-escutar sem cessar o seu apelo a nos tornar testemunhas do seu evangelho, como mendigos e peregrinos da Boa Nova, como Rute prefigurou, do seu jeito.

Assim, é bom valorizar, na liturgia da Palavra, a figura de Rute. O texto da volta de Rute para Judá com Noemi, depois de sua emigração para Moab, junto com seu marido, natural de Belém, poderá introduzir as narrativas das migrações atuais (que podem ser lembradas, seja na abertura, seja antes de cada intercessão). As pessoas presentes, emigrantes ou capazes de compreender os migrantes, poderão descobrir, na vida de Rute como na sua própria vida, como jorrou a confiança em Deus e poderão imitar, no espírito universalista da Revelação Bíblica, o amor de predileção de Deus pelo estrangeiro e pelo pobre.

O Evangelho pode ser escolhido entre as várias referências, mas seria aconselhável o texto do Envio (Mt 28, 16-20). Este texto, valorizando a missão universal dada pelo Cristo Senhor, oferece a oportunidade, a esta comunidade ecumênica, em que todos estão sensíveis ao problema dos migrantes, de salientar o poder que a Boa Nova tem de derrubar as barreiras culturais, sociais, psicológicas e religiosas.

A homilia deveria ajudar a compreender a quem nós somos enviados pelo Cristo e a encorajar as Igrejas a empreender juntas atividades em favor do «estrangeiro que vive em nosso meio». O que seria do ecumenismo doutrinal, espiritual e prático, hoje, sem a realidade das migrações dos povos, em nossa época? O caminho em direção da unidade é estimulado por essa realidade.

Será que não é o caso, na fidelidade à dupla exigência da missão e do ecumenismo, de reconhecer como nosso próximo os irmãos e irmãs das diferentes tradições com as quais nos propomos trabalhar pelo Reino de Deus?

Nós somos chamados a amar pessoas diferentes, sejam imigrantes ou sejam pessoas de tradições cristãs ou de outras práticas, diferentes da nossa. A unidade da Igreja deve estar a serviço da unidade dos povos. Nessa perspectiva, a liturgia do Envio sublinha o laço que existe entre o compromisso missionário e o compromisso ecumênico.

As seis partes deste culto podem ser consideradas como elementos da celebração, cuja ordem pode ser alterada. Ei-los:

 

§ Abertura: celebração do Cristo Luz 

§ Confissão de nossos pecados e proclamação da misericórdia 

§ Proclamação da Palavra de Deus 

§ Proclamação da fé 

§ Intercessão: os representantes das nações e das Igrejas se dirigem para o centro do templo para a narração de sua migração, levando seus símbolos, os vasos de argila, contendo a luz. Fazem sua intercessão, a de suas comunidades cristãs presentes. Estas contam também sua origem, implantação, desenvolvimento e, se for o caso, sua exclusão. Essas narrações podem ser apresentadas no início da celebração, como acolhida ou no início da liturgia da Palavra. § Envio: procissão da assembléia em direção à saída, sinal do chamado de Cristo para o testemunho, precedido da bênção.

Aconselha-se que o hino ao Cristo - «Phos hilaron» - seja recitado ou na primeira parte, a abertura, seja depois de ter invocado o Espírito Santo iluminador, antes da proclamação da fé (símbolo de Nicéia ou outro texto de profissão de fé).

Não se hesite em cobrir esta celebração de expressões, de cantos e de símbolos específicos aos povos representados. Por exemplo, se for a Argentina, dar o sinal de paz em espanhol, vestir o poncho (os leitores ou outros), acompanhar os cantos com a guitarra, etc.

Esta celebração deverá ser preparada por uma equipe ecumênica. Será a ocasião de se encontrar e de rezar. Seria pena se fosse só nesse momento. Seria bom, ao contrário, se aparecesse um desejo forte de aprofundar as relações entre os cristãos imigrantes e os cristãos das comunidades locais, presentes há muito em cada região.

 


 

Desenvolvimento da celebração

 

D: Dirigente             T: Todos          L: Leitor

 

1. Abertura (É melhor realizar esta celebração à noite)

Convite à oração 

D: A luz e a Paz em Jesus Cristo nosso Senhor. 

T: Graças sejam dadas a Deus.

D: Aleluia, Cristo ressuscitou. 

T: O Senhor verdadeiramente ressuscitou. Aleluia!

(Um vaso de barro contendo uma chama é colocado no altar/mesa de comunhão ou diante de todos, enquanto um leitor proclama 2Cor 4, 5-6. Alguns das assembléia vão acender sua vela na chama do altar e transmitem a luz a todos)

Cântico (O cântico acompanha o gesto de partilha da luz. Pode-se cantar o Sanctus da Argentina ou outro canto com o tema da luz, do repertório de uma das comunidades de imigrantes presente, ou outro canto conhecido da Assembléia)

D: Sê nossa luz nas trevas, Senhor, e na tua grande misericórdia, protege-nos de todos os perigos durante o caminhar de nossa existência terrestre. Reaviva em nós, em nossas comunidades, a luz da fé, que brilhe em nossos corações o conhecimento da tua glória, que resplandece na face do Cristo, ele que reina contigo e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.

Hino Phos Hilaron (ou outro canto à escolha, como foi explicado na Introdução)

Ó luz radiosa da santa glória do Pai imortal, celeste, santo e bem-aventurado, Ó Jesus Cristo. No declínio deste dia, na luz do entardecer, nós celebramos nosso Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Tu és digno sempre de ser cantado por vozes santas, ó Filho de Deus, Fonte da Vida. O universo canta tua glória.

 

2. Proclamação da misericórdia de Deus e confissão dos pecados

D: Confessemos nossos pecados contra Deus e contra a humanidade. (A assembléia ou vários leitores sucessivamente)

T: Deus cheio de misericórdia, nós reconhecemos que pecamos contra ti, em pensamentos, palavras, ações e por omissão:

Vê e perdoa nossos pecados por orgulho, nossas faltas para com nossos irmãos e irmãs de outras crenças, outras culturas, outras raças, pois muitas vezes os oprimimos e deixamos de lado. Perdoa nossa inércia e nossa cegueira diante dos imigrantes sofridos que estão no nosso meio. Cristãos de várias denominações, será que nós temos buscado formas de testemunho comum - por causa de Jesus Cristo - na luta contra os sofrimentos e as injustiças que atingem nossos irmãos e irmãs imigrantes?

Perdoa nossa superficialidade e nossa acomodação, passando ao lado da riqueza do outro, negando-a até porque não buscamos juntos a partilha verdadeira da fé e dos verdadeiros valores.

L: Nós não te amamos de todo coração; não amamos o nosso próximo como a nós mesmos. Sentimos por isso um sincero remorso e nos arrependemos humildemente. Pelo amor de teu Filho Jesus Cristo, tem piedade de nós e perdoa-nos, para que possamos fazer tua vontade, andar nos teus caminhos, e viver uma existência que deixe transparecer tua misericórdia, para a glória do teu nome. Amém.

D: O Senhor todo poderoso vos/nos conceda a sua misericórdia, que eles vos/nos perdoe todos os vossos/nossos pecados, por Jesus Cristo, nosso Senhor, que ele vos/nos fortifique por sua bondade e, pelo poder do Espírito Santo, ele vos/nos guarde para a vida eterna. Amém.

 

3. Proclamação da Palavra de Deus

Antigo Testamento: Lv 25, 35-43 ou Rt 1, 1-18 (cf. introdução ao culto)

Leitura Salmodiada: Sl 43.

Novo Testamento: 2Cor 4, 5-18 (introdução ao culto).

T: Aclamação: Aleluia! Leitura do Evangelho: Mt 28, 16-20 ou Mt 8, 5-13 ou Jo 4, 3-15 ou Mc 7, 1-9.

(Como sinal de que o único Evangelho do Cristo é destinado a ser proclamado em todas as línguas e recebido por todas as culturas, pode-se fazer a leitura na língua dos imigrantes presentes)

T: Aclamação: Aleluia!

Homilia (cf. introdução à celebração).

 

4. Proclamação da fé

D: Ó Deus, tu que pelo Cristo Jesus, o Senhor do mundo e da Igreja, nos chamas a formar um só corpo e a expressar teu amor na proclamação da mesma fé, nós te pedimos, humildemente:

L: Dá-nos luz e força para vencer as trevas do mal que impedem nossa unidade na fé.

(Canto de invocação ao Espírito Santo, à escolha)

L: Derrama teu amor em nossos corações para que nós possamos te conhecer, discernir tua presença criadora e reconciliadora na vida dos seres que estão à nossa volta.

(Canto de invocação)

L: Renova em nós o dom do teu Espírito Santo que, por ele, possamos proclamar, juntos, neste momento, que Jesus é o Senhor e que, assim, cada coração seja tocado pela tua graça, e as barreiras das divisões desabem, as desconfianças sejam apagadas, cessem os ódios e as feridas da desunião sejam curadas, para que possamos viver na justiça e na paz, por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

(Canto de invocação)

(Canto de invocação ou o Phos hilaron)

Símbolo de Nicéia-Constantinopla (ou outro texto de confissão da fé)

 

5. Intercessões

(Os representantes das comunidades de imigrantes se adiantam e apresentam suas intercessões, depois de contar, de maneira breve, sua experiência. Em seguida, as luzes são apagadas e, no escuro, eles pedem em voz alta, mais compreensão pela sua situação e expressam sua fé e sua esperança na ação de Deus.

Antes de rezar pela unidade dos cristãos, cada Igreja pode contar algo de sua história: como começou, se desenvolveu, foi, talvez excluída - como, por exemplo, com a revogação do Édito de Nantes, na França - ou etapas de sua vida no plano local ou nacional.

O grande vaso de barro contendo a chama de uma vela passará de mão em mão entre os que apresentaram as intercessões, em sinal da fé e da solidariedade, antes de ser colocado no altar/mesa).

(O canto pode ser «Vem, Espírito Santo vem. Vem iluminar», cantado em português ou espanhol, ou outra invocação.)

D: Apresentamos o tesouro de nossa fé na fragilidade de nossos testemunhos pessoais e comunitários e de nossas realizações ecumênicas. Que o Senhor renove em nós seus dons de luz, de força e de comunhão.

T: «Vem, Espírito Santo vem. Vem iluminar»

D: Vendo o sofrimento que se abate em nós, nos sentimos, muitas vezes, submersos no desespero e experimentamos nossa fraqueza e até um sentimento de inutilidade na nossa luta pela justiça. Que o Senhor nos conceda ser receptivos ao testemunho dos imigrantes (pessoas e comunidades) que, pressionados de todos os lados, esperam e agem na angústia.

T: «Vem, Espírito Santo vem. Vem iluminar»

D: Face às exigências da missão no mundo e conscientes da importância do Evangelho que nos foi confiado, nós até sentimos vertigens. Que o Senhor nos dê segurança para proclamar nossa fé.

T: «Vem, Espírito Santo vem. Vem iluminar»

D: O movimento ecumênico, como a emigração, faz parte do que nós chamamos hoje de «globalização». O mundo está procurando como viver este momento: Que o Senhor, através da aproximação de nossas Igrejas, inspire essa busca.

T: «Vem, Espírito Santo vem. Vem iluminar»

Oração de São João Crisóstomo

D: Ó Deus, todo-poderoso, tu nos concedeste a graça deste momento, onde, juntos, pudemos te apresentar nossas súplicas e tu nos prometeste, pelo teu Filho bem-amado, que onde dois ou três estivessem reunidos em teu nome, tu estarias no meio deles: realiza, Senhor, nossos desejos, nossos pedidos, da melhor maneira possível, dando-nos, neste mundo, o conhecimento da verdade e, no outro, a vida eterna. Amém.

Sinal da Paz T: Pai-Nosso. T: Cântico.

Oferta (A oferta pode ser feita durante o cântico. É um gesto litúrgico expressivo da comunhão na fé, na caridade, na solidariedade. Este sentido pode ser lembrado no momento onde se indica a que se destina a oferta.)

 

6. Envio e bênção

D: Que o Senhor vos/nos bendiga e vos/nos guarde. 

T: Amém. 

D: Que o Senhor faça resplandecer sua face sobre vós/nós e vos/nos conceda a sua graça. 

T: Amém. 

D: Que o Senhor volte sua face para vós/nós e vos/nos dê a sua paz. 

T: Amém. 

D: E que a bênção do Deus todo poderoso, o Pai, o Filho e o Espírito Santo esteja e permaneça em vós/nós para sempre. 

T: Amém.

(Proclamação de Mt 28, 18-20 e convite a testemunhar o Cristo)

D: Jesus aproximou-se deles e lhes dirigiu estas palavras: «Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Ide, pois; de todas as nações fazei discípulos, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a guardar tudo o que vos ordenei. Quanto a mim, eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos tempos».

Envio 

T: Cântico final.

(Cântico argentino de bênção: «La benedición de Diós» de Lois Wilson, em Thuma Mina, Canadá - Argentina, Basiléia Verlag, Basel, Strube Verlag, Munique-Berlin, pg. 193, ou um canto de uma comunidade de imigrantes presente, ou outro canto conhecido. Para simbolizar a marcha de nossa existência, no seguimento do Cristo-Luz e nossa vontade de responder juntos, unidos, ao envio pelo Cristo, à missão, a assembléia sai da Igreja, tendo à frente uma pessoa com o vaso de barro, contendo a luz).


 

Textos bíblicos, reflexões e orações 

para os oito dias

 

1° Dia

Gn 15, 1-7 Não tenhais medo, Abraão! Porque tua recompensa será muito grande 

Sl 16 (15) Senhor, tu és o meu bem! 

Hb 9, 8-12 Cristo é o grande sacerdote dos bens futuros 

Lc 24, 13-35 Nós esperávamos que fosse ele o libertador de Israel

 

Comentário 

Abraão coloca sua confiança na promessa de Deus. Ele deixa o conforto de sua casa para se dirigir à Terra Prometida. Com sua família, ele se torna um estrangeiro, um migrante chamado a uma integração dolorosa e penosa, mas certamente fecunda e libertadora, na terra de Canaã.

Os peregrinos de Emaús são obrigados a voltar sobre seus passos para reencontrar a intuição inicial que os tinha levado a seguir Jesus, até os pés da cruz. Relendo, com Jesus, «Moisés, a lei e todos os profetas», seus corações perturbados readquirem a confiança e o amor, sinal da presença do tesouro divino, fundamento de sua esperança. Esperança, que cada cristão partilhe com os outros. Esperança que não reduz os esforços na luta pela vida, mas, ao contrário, ilumina a vida com uma força serena e confiante.

Deixar o país, partir na direção do outro, numa terra estranha, pode facilitar a abertura para o outro, o crescimento junto com o outro para oferecer a Deus um coração grande, capaz de abrigar o tesouro que Deus quer colocar em cada um de nós. Esse coração grande é o vaso de argila da nossa humanidade, que é, na verdade, pó. Parece fraco e irrisório na presença do tesouro - este, ao contrário, vai crescendo. Juntos, os cristãos devem proclamar esse tesouro que resplandece de glória no rosto do ressuscitado. E eles tornam evidente sua herança comum, quando se apresentam numa comunidade reconciliada.

 

Oração 

Pai Nosso, apesar de nossa fraqueza, tu nos fizeste discípulos de teu Filho, testemunhas da esperança e seguidores teus que querem manifestar a vitória num mundo cético e abalado.

Nós carregamos este tesouro em vasos de argila, por isso tememos vergar diante do sofrimento e do mal. Algumas vezes, chegamos a duvidar do poder da palavra de Jesus: «Que todos sejam um». Pedimo-te: vem e restaura em nós a fé em tua glória, que resplandece na face do teu Cristo, para que por nossos atos, nossos compromissos e toda a nossa vida, nós proclamemos que Ele está vivo e que Ele atua no mundo. Amém.

 

2° Dia

Ex 5, 6-17 Carreguem esses homens com mais trabalho para que não tenham nenhum descanso 

Sl 128 (127) Você comerá do trabalho de suas próprias mãos 

Hb 11, 13-27 Eles aspiravam por uma pátria melhor 

Mt 2, 14-15 José levantou-se, pegou o menino e a mãe dele e partiu para o Egito

 

Comentário

O século que acaba de findar foi marcado por diferentes formas de opressão política, social, cultural e econômica. Sob certos aspectos, a emigração participa desses fenômenos que perduram ainda hoje. Os migrantes deixam seu país em busca de uma vida melhor, longe das perseguições e da fome. Buscam possibilidades que lhes são recusadas em seu próprio país ou tentam se defender de regimes políticos ou econômicos que os expulsam de suas cidades. Na sua chegada, em outro país, com freqüência, eles sofrem de uma exploração semelhante àquela que os hebreus sofreram no Egito.

O imigrante vive na angústia. Foi preciso abandonar o seu meio familiar, os seus, para enfrentar uma vida em condições culturais e sociais diferentes, com todos os problemas que isso implica. No seu caminho, ele cruza com pessoas egoístas e situações desumanas, marcadas pelo pecado e que são as principais causas da emigração.

A emigração, entretanto, pode ser vivida como um ato de fé. Lembremo-nos de Abraão deixando o país de seus ancestrais ou Moisés liberando seu povo da escravidão. Lembremo-nos também de Jesus, Maria e José, que precisaram fugir do Egito para salvar sua vida ameaçada pelo imenso poder de Herodes. Hoje, como ontem, no meio de todos os perigos, Deus nos mostra o caminho que leva à vida.

Perseguidos, mas não desanimados, milhões de pessoas encontram na sua fé em Deus a força para enfrentar as numerosas discriminações à raça, à cor da pele, ao sexo, à cultura, à língua ou ao poder de compra.

Muitas vezes, a emigração tem conseqüências no plano ecumênico. Leva os membros de diferentes Igrejas a se encontrarem e a procurar, de uma maneira diferente, a unidade. Nós somos todos, de um jeito ou de outro, migrantes nesta terra. Nós somos peregrinos em busca da casa do Pai. As Igrejas, também elas são convidadas a dar passos em direção à unidade, olhando juntas o caminho que o Senhor lhes está abrindo.

 

Oração 

Deus, nosso Pai, Teu Filho conheceu o exílio no Egito. Acompanha a multidão de migrantes, hoje. Permite que teu Espírito Santo toque todos os corações humanos: que desabem assim as barreiras que nos separam, que desapareçam as desconfianças, que cessem os ódios. Que teu Espírito Santo inspire as Igrejas e as vivifique na sua peregrinação em busca da unidade. Que o Espírito nos ajude a superar nossas divisões. Que ele nos ajude a dar passos nos caminhos da justiça e da paz. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

 

3° Dia

Gn 1, 26-27 À imagem de Deus ele os criou; e os criou homem e mulher 

Sl 45 (44) Por isso, o Senhor seu Deus o ungiu 

1Tm 6, 11-16 Guarde o mandamento puro, de modo irrepreensível 

Mt 5, 14-15 Vocês são a luz do mundo

 

Comentário 

Oser humano é a imagem e a semelhança de Deus. É o sinal de uma dignidade que nada, nem a fraqueza, nem o pecado, nem a opressão pode apagar. Essa misteriosa realidade constitui uma chamada permanente para crescer espiritualmente, para chegar até a dimensão do Cristo.

O Cristo vive no cristão, na unidade do seu ser, alma, espírito e corpo. O cristão, homem e mulher, nas situações concretas da história, deve fazer transparecer a vida de Cristo que está nele. Ele é chamado a combater o bom combate da fé, observando, sem vacilar, as exigências evangélicas até à manifestação do Senhor.

Esse testemunho implica todo o ser do cristão, também o seu corpo. Membros das diferentes igrejas, dando esse testemunho de fé, no passado e no presente, sofreram e sofrem o martírio, ato supremo de obediência ao Senhor e à verdade da fé. Muitas vezes, as causas que provocam o martírio são as mesmas do exílio.

O cristão é assim chamado a ser transformado na imagem do Cristo, de modo que a vida do Cristo seja manifestada nele.

«Eu sou a luz do mundo». «Vocês são a luz do mundo». Essa luz deve resplandecer através das obras de justiça, de caridade, de misericórdia, de tal maneira que anuncie a salvação de Deus. Os homens e as mulheres são chamados a glorificar o Pai, que deseja que todos sejam salvos.

Como Igreja, nós temos condições de rever as particularidades culturais que fazem com que uma grande parte da população não seja reconhecida na sua dignidade humana, especialmente, no caso dos migrantes. De fato, os mesmos elementos que separam as pessoas participam do mesmo pecado que separa as Igrejas e impedem um verdadeiro testemunho. E isso porque um testemunho verdadeiro de unidade entre os cristãos não pode ser separado de uma busca destinada a ultrapassar, com sinceridade, as barreiras que dividem a sociedade.

 

Oração 

Deus de amor, Poder criador de toda existência, leva-nos a discernir em nós e em cada um de nossos irmãos e irmãs, tua imagem e semelhança. Dá-nos a força necessária para ser coerentes ao teu amor que tudo abraça. Deus de amor, nós te rogamos, faze que o nosso testemunho nos conduza à unidade das Igrejas. Que nos seja possível manifestar, unânimes, que somos, homens e mulheres, responsáveis pela criação e pelo nosso próximo. Amém.

 

4° Dia

Esd 1, 1-4 Quem de vocês provém do povo dele, que o seu Deus esteja com ele 

Sl 50 (49) Que o céu proclame sua justiça 

Rom 6, 6-14 Mortos para o pecado e vivos para Deus, em Jesus Cristo 

Mc 9, 33-37 Se alguém quer ser o primeiro, deverá ser o último e ser aquele que serve a todos

 

Comentário 

Temos momentos difíceis em quase toda a nossa existência. Homens e mulheres se defrontam com modos de vida degradantes. Para muitos, a vida é suportada e não escolhida e, assim, se vêem mergulhados no desespero e no medo.

Mas o Cristo nos convida a descobrir o desafio de viver de uma maneira que seja conforme as exigências do Reino. Ele está presente em cada um. A força de sua ressurreição nos livra de toda sedução, que só traz a morte. Se nós o reconhecêssemos, entre nós, ressuscitado, nos traços do rejeitado, do desprezado, do excluído, nós poderíamos compreender a importância do último dentre nós. Se nós pensássemos que simples pescadores seriam incapazes de ensinar como doutores da lei, nós não teríamos escutado a mensagem dos apóstolos, nem do carpinteiro de Nazaré.

É por isso que nós devemos nos ajudar mutuamente a pôr em questão o modelo social que exclui e negligencia as necessidades materiais e espirituais das pessoas.

Nessa luta, no coração de nossas sociedades, nós poderíamos ter a tentação de renunciar, pensando que lutamos sozinhos. Não desanimemos, porque outros filhos de Deus trabalham também em favor da dignidade da vida e manifestam assim a vida de Jesus na nossa existência terrestre.

A Igreja é chamada a manifestar essa luz que brilha nas trevas.

O esforço pela unidade diante de um mundo dividido, é de importância capital: nossa vocação comum é de mostrar, juntos, a força da ressurreição, para que o mundo creia. No meio de lutas pelo poder e de tantas discórdias, diante de todas as misérias e da guerra, nós não fugimos dos problemas num mesmo barco, mas nós nos empenhamos, guiados pelo Cristo, a contribuir para que o mundo se transforme.

 

Oração 

Ó Deus, nós nos entregamos totalmente a Ti e queremos confiar apenas no teu poder. Tranqüiliza nossos corpos e nossos espíritos, entra em nossos corações, ajuda-nos a descobrir em cada uma das nossas tarefas cotidianas a força da ressurreição que Tu nos dás. Ó Deus, Abre entre nós o caminho da unidade, conduze-nos pela mão no caminho da tua Igreja para sermos testemunhas da esperança. Pois, estando no Cristo, nós não podemos desesperar. Ele é a vitória. Por sua morte e ressurreição, ele venceu a morte. Ó Deus, nossa segurança, Dá-nos o Espírito da verdade, da coragem e da força, para que possamos caminhar juntos em direção à unidade plena e visível da Igreja, por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

 

5° Dia

Jos 1, 1-9 Seja firme e corajoso, não tenha medo, não se acovarde 

Sl 113 (112) Ele ergue da poeira o fraco 

Ef 2, 19-22 Vós não sois estrangeiros, nem imigrantes 

Mc 7, 24-30 Por causa disso que acabas de dizer, podes voltar

Comentário N os tempos de incertezas e medo, que se seguiram à morte de Moisés, Josué falou com coragem, em nome de Deus, e ordenou ao povo de Israel que atravessasse o Jordão para ocupar a terra que Deus prometera aos seus ancestrais: uma terra que eles tinham deixado em busca de alimento. Josué convidou o povo a ser forte e corajoso e a agir segundo a lei de Deus.

Após muitas gerações, os Cananeus habitavam ainda uma parte do país e foi uma cananéia que procurou Jesus e teve a coragem de pedir a cura de sua filha. Quando Jesus respondeu, de maneira até brusca, que não está certo tirar o pão dos filhos, ela respondeu que até os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa. Pagã, mulher, seu amor maternal a levou a infringir, com coragem e audácia, as barreiras erguidas pela cultura, pela tradição e pelo sexo. Jesus tinha um plano e tinha pressa. Ele estava convencido de que deveria se dirigir primeiro à casa de Israel. Mas se comoveu com a coragem e a resposta desta mulher e, do seu lado, também transpôs as mesmas barreiras, dizendo: «Por causa dessa palavra, vai, o demônio saiu da tua filha».

Na epístola aos Efésios, o autor lembra aos cristãos oriundos do paganismo que, no passado, eles estavam «privados de cidadania em Israel, estranhos às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo». Mas, agora, em Jesus Cristo, vós que outrora estáveis longe, fostes tornados próximos pelo sangue de Cristo. É Ele, com efeito, que é a nossa paz. «Do que era dividido fez uma unidade». «Ele quis reconciliá-los com Deus, num só corpo, por meio da cruz» (Ef 2, 12-14; 16).

Hoje, os cristãos, inspirados pela lei do Cristo, vão além das barreiras culturais e sociais, para acolher os refugiados e os estrangeiros e responder às suas necessidades. Nós podemos aprender muito com a profunda fé dos imigrantes que atravessaram as fronteiras para vir ao nosso país e que, como nós, fazem parte do Corpo de Cristo.

Como Igreja e como cristãos, cada um de nós precisa descobrir o desafio de testemunhar a verdade do Evangelho com coragem. Precisamos viver concretamente esse testemunho e mostrar ao mundo a unidade que o Cristo deseja, pois Igrejas divididas são Igrejas enfraquecidas na sua missão. Ser Igreja do Cristo é um dom que comporta enorme responsabilidade: ajudar aqueles que não crêem a descobrir que o amor de Deus é a única resposta a suas necessidades. Nós deveríamos pedir a Deus para nos curar de nossa falta de unidade e de nos ajudar a proclamar nossa fé com coragem. 

 

Oração 

Ó Deus, tu inspiraste teu servo Josué a falar com coragem, num tempo de aflição; tu guiaste teu povo para a Terra Prometida. Teu Filho, Jesus Cristo, transpôs as barreiras das culturas, das classes sociais e as que se erguem entre homens e mulheres, para curar e dar esperança àqueles que precisam. Ele é a nossa paz. Na sua Carne, ele derrubou os muros de separação e criou uma nova humanidade. Nós suplicamos pelo Corpo de Cristo, a Igreja, no mundo hoje. Tu nos confiaste a tarefa de preparar teu Reino, aqui, neste terra, ajuda-nos a realizar essa missão na união e não divididos. Concede-nos ouvir tua voz, em vez de escutar somente nossas prioridades. Anima-nos a superar nossas divisões e a viver segundo tua lei de amor. Dá-nos a força de reafirmar nosso compromisso contigo. E a partilhar teu amor. Conduze-nos junto daqueles que precisam de tua bênção, especialmente os refugiados, os estrangeiros que vivem no nosso meio. Juntos, formamos o Corpo de Cristo e oramos em seu nome. Amém.

 

6° Dia

Dt 10, 17-22 ... Ele faz justiça ao órfão e à viúva

 Sl 103 (102) Javé é compaixão e piedade 

Rom 3, 21-31 Eles se tornam justos gratuitamente pela sua graça 

Mt 5, 1-12 Felizes os que têm fome e sede de justiça

 

Comentário 

O pecado é a fonte de toda forma de injustiça no mundo. Rejeitando a justiça de Deus, nós despojamos os seres humanos da sua dignidade e de seus direitos fundamentais. Nós criamos estruturas injustas e zombamos dos direitos da pessoa. Cremos que Deus nos justificou no Cristo, por seu amor profundo por nós. A justiça de Deus se manifesta pela efusão da graça que reconcilia. Pela morte e ressurreição do Cristo, ele nos tornou dignos de ser seus filhos e nos destinou à comunhão eterna com ele.

Como cristãos, somos enviados a proclamar juntos a justiça de Deus e a força de sua graça. Nossa missão é difundir a justiça de Deus, por nosso testemunho. Somos chamados a nos tornarmos instrumentos do Reino de Deus, como homens e mulheres justos que vivem para Deus e procuram revelar a todos seu amor e sua justiça. Estamos certos de que nossa habitação é nos céus, mas queremos também uma sociedade mais justa, a transformação do mundo, tornando mais visível o que Deus deseja para seus filhos.

A experiência dos refugiados é uma das numerosas faces da injustiça, em nossa época. Sociedades economicamente injustas expulsam seus membros, reduzindo-os à fome, à pobreza, negando-lhes condições dignas de vida e impedindo-lhes o acesso ao sistema de saúde e à educação. Outros devem emigrar por causa da guerra ou pela impossibilidade de praticar sua religião livremente. Hoje, devemos gritar em alta voz nossa fome de justiça, de uma justiça há tanto tempo esperada. Deus se identifica com os pobres, com os fracos, com os doentes, os estrangeiros, as crianças, os idosos, as viúvas. É por isso que, nas Bem-aventuranças, nós somos chamados a sermos promotores de uma justiça que vai além da justiça deste mundo. Para realizar essa tarefa, precisamos encontrar meios de eliminar as fontes de discriminação, transformando-as em instrumentos de paz e de justiça para todos.

Nossa unidade e nossa missão são o sinal de nossa esperança. Nossa comunhão no Cristo é expressão visível da nova humanidade. A visão espiritual da vida que nós temos no Cristo é a essência da justiça e a base dos direitos humanos. Nossa solidariedade ativa com os fracos torna visível o poder da justiça de Deus.

 

Oração 

Ó Deus, nós agradecemos tua graça que nos torna teus filhos e filhas, no Cristo. Tu nos chamas, a nós teus filhos, a promover tua justiça, cheia de graça. Faze com que trabalhemos, sem medo, em favor da justiça, pois esse é o único meio de chegar a uma paz autêntica e a uma sociedade mais humana. Ó Deus amoroso, reforça os laços que nos unem, e chama-nos a uma vida na qual a unidade dos cristãos se reflita nas ações de cada uma de nossas comunidades. Ó Deus todo poderoso, aproxima-nos uns dos outros, a fim de que tua vontade e não a nossa seja feita. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

 

7° Dia

Ne 7, 72-8, 18 Não fiquem tristes e parem de chorar! 

Sl 118 (117) Abram para mim as portas da justiça 

At 7,54-8,5 Aqueles que se dispersaram iam de um lugar para outro anunciando a Palavra Mc 10, 28-30 ... quem tiver deixado casa... vai receber cem vezes mais... junto com perseguições

 

Comentário 

A vida reclama o que lhe é devido. Nós todos sabemos o que quer dizer sofrer e lutar. A vida deixa cicatrizes no corpo dos refugiados, dos desempregados, dos sem-teto; nos corpos de todos os que encontram mais obstáculos do que soluções, na sua vida. Os dias correm um atrás do outro, cada um trazendo suas dificuldades: uma mulher precisa, de repente, deixar seu país; crianças precisam viver num país estrangeiro; um homem deve renunciar à profissão que aprendeu de seu pai, porque não tem mais nenhuma utilidade; uma família é obrigada a abandonar sua língua materna por outra, a sacrificar seus costumes por outros que lhe são estranhos. Alguns fugiram da morte, da fome, da exclusão. Atualmente, milhares de pessoas se põem a caminho, silenciosamente, em direção de países desconhecidos que não os acolhem sempre com caridade e compreensão.

Os primeiros cristãos, eles também, sofreram provações e precisaram lutar. A maneira como eles compreenderam e enfrentaram essas situações mostra às futuras gerações de cristãos os fundamentos da perseverança e da solidariedade que provém da fé. No momento crítico da morte de Estêvão, em que a Igreja de Jerusalém foi também perseguida, seus membros dispersos encontraram a força interior para continuar a proclamar a Palavra, em vez de se deixar paralisar pelo medo. Paulo, nas epístolas aos Coríntios, os encoraja a não desanimar, apesar da aflição e do sofrimento, mas a interpretar essas experiências como uma maneira de carregar, nos seus corpos, a morte de Jesus, a fim de que a vida de Cristo se torne visível. Essa clara relação entre suas próprias lutas e a morte, depois a ressurreição de Jesus, reflete como o poder da ressurreição mudou a compreensão que eles tinham do sofrimento e da morte.

Hoje, nós nos perguntamos como testemunhar o poder renovador da ressurreição diante dos corpos feridos dos refugiados e dos pobres, quando somos confrontados aos seus profundos sofrimentos e às suas vidas martirizadas. Quanto mais abrimos os olhos, mas nos deparamos com esta triste verdade: nosso mundo está mais obcecado com a destruição do que com a promoção da vida. Ao mesmo tempo, sabemos que é possível perceber a ação renovadora e regeneradora de Deus no meio de nós e dar testemunho dela. Os cristãos que, juntos, atuam nesses contextos privilegiados, têm uma oportunidade especial de serem portadores de luz e de esperança, até através de pequenos gestos de gentileza e hospitalidade. Vozes se elevam e mãos se estendem em solidariedade com nossa irmã em dificuldade, nosso irmão desanimado. Nós descobrimos que todo ato de compaixão para com o povo crucificado nos põe em presença do Cristo e serve para nos lembrar que a missão de todo cristão é a missão de Deus. Além disso, os que sofrem nos revelam muitas vezes que, nos seus corpos cansados, a gratuidade é ainda possível, que a esperança não morreu, que tudo não está perdido, se nós pusermos nossa confiança naquele que renova todas as coisas. Nos sofrimentos e ferimentos, o Evangelho é o remédio para o que está despedaçado.

 

Oração 

Ó Deus todo poderoso, estamos unidos na certeza de que tu acompanhas todos os que sofrem e estão oprimidos, estamos unidos no chamado a sermos instrumentos de esperança e de compaixão para com todos os que necessitam:

Dirige nossas mãos para os oprimidos, os pobres, os refugiados. Quando temos a tentação de esquecer nosso próximo em dificuldade, abre, de novo, nossos olhos e nossos corações à sua dor. Incute fé e esperança aos que lutam, desanimam e estão desesperados, naqueles que se sentem machucados com a adversidade. Conduze-os, com ternura, até eles te descobrirem no âmago mesmo de sua experiência, a mais triste. Amém.

 

8° Dia

Es 33, 17-22 O Senhor é nosso rei, é ele que nos salva

Sl 42 (41) Espera em Deus! Eu ainda o louvarei 

Ef 4, 1-6 Um só senhor, uma só fé, um só batismo

 Jo 17, 20-26 Que eles contemplem a minha glória, que tu me deste

 

Comentário 

Na época em que Jerusalém estava ameaçada de ser invadida, o profeta Isaías esperava o dia onde Jerusalém seria «um lugar tranqüilo, tenda que não seria nunca mais desmontada, cujas estacas não seriam nunca mais arrancadas, cujas cordas não seriam sonhadas». Os refugiados em busca, no mundo de hoje, da liberdade política ou de estabilidade econômica, suspiram pelo dia em que eles poderão finalmente ter um lugar, não viver mais em acampamentos improvisados e se esconder em caminhões. Eles procuram viver em segurança, em paz e com certo bem-estar.

A Igreja se considera também uma peregrina. Somos um povo de peregrinos, estranhos desta terra, viajantes da fé, em marcha para a Jerusalém celeste, desejando ver o rosto de Deus. Muitas vezes, o povo peregrino de Deus, na espera da vinda do Reino nesta terra, experimenta o mesmo desejo de estabilidade e de paz, experimentada pelos refugiados.

Os cristãos vêem a existência humana sujeita à insegurança, inerente a toda peregrinação, mas também reconhecem que a Igreja tem uma vocação profética para anunciar a visão do que Deus preparou para nós, «peso extraordinário de glória eterna», que coloca nossas lutas presentes em um contexto mais vasto de esperança e de promessa. Esse futuro que Deus prepara para nós é caracterizado pela unidade: pela graça do Espírito Santo, somo um com Jesus e o Pai.

Doravante e desde agora, esta unidade nos é oferecida como um dom no Espírito: «Há um só corpo e um só Espírito, assim como a vocação de vocês os chamou a uma só esperança: há um só senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, que age por meio de todos e está presente em todos».

A Igreja deve viver hoje como um sinal dessa unidade, que será plena na promessa de Deus.

Em vez disso, nós nos apresentamos aos homens com nossas divergências, que só criaram confusão. E, no entanto, nós somos chamados a difundir a luz! A tarefa ecumênica que nos foi confiada é a de redescobrir e tornar visível a unidade, que é sempre um dom do Espírito Santo. E às vezes, os cristãos se esquecem dessa tarefa, renunciam a ela. Enquanto povo peregrino, devemos conservar a esperança e a certeza de que seremos um em Cristo e que veremos a glória que Deus deu a seu Filho, «antes da criação do mundo».

 

Oração 

Senhor, mostra-nos tua misericórdia e, pelo poder do teu Espírito, dissipa as divisões entre os cristãos, a fim de que tua Igreja apareça, nitidamente como um sinal visível entre as nações. Senhor, dá-nos um novo amor, uma verdadeira sabedoria e um novo entusiasmo na nossa busca de unidade, para que a mensagem eterna de teu Filho seja aceita por todos como uma boa nova.

Senhor, fortifica nossa fé e nossa esperança, para que caminhemos com alegria em direção ao teu reino celestial, confiantes na tua promessa de glória eterna. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

 


 

Situação ecumênica na Argentina*

 

A Argentina é um país jovem, banhado pelo Oceano Atlântico e situado ao sul do continente americano. Sua população é formada principalmente de imigrantes europeus e do Oriente Médio que, com os descendentes dos conquistadores espanhóis e das antigas nações indígenas, povoam este país. Ao longo das últimas décadas, a Argentina acolheu também imigrantes sul-americanos, oriundos dos países limítrofes, e asiáticos, na maioria vindos da Coréia e de Taiwan. 

A língua oficial é o espanhol e a religião que conta com a maioria é o cristianismo, se bem que, atualmente, há comunidades judias e islâmicas. A Argentina é o resultado de diversas imigrações. É comum encontrar no seu território católicos, protestantes de diversas Igrejas e denominações convivendo com membros das Igrejas Ortodoxas ou pré-calcedonianas. Vieram como imigrantes, alguns em busca de uma vida melhor, outros, fugindo de perseguições políticas ou da intolerância religiosa de seus países de origem . 

Além de suas origens diversas, trouxeram as crenças religiosas que os caracterizam. Um certo número de Igrejas Protestantes se desenvolveu a partir da atividade missionária exercida junto à população local. Na Argentina o cristianismo se apresenta com múltiplos rostos e potencialidades. 

 

A Igreja católica 

A Igreja Católica chegou com os conquistadores espanhóis e acompanhou o processo de colonização e a fixação dos europeus na América. Hoje, é a Igreja majoritária no país. Conta com antigas paróquias, um grande número de obras sociais, edifícios religiosos, escolas espalhadas por todo o território. A história da Argentina é inseparável do papel que a Igreja Católica exerceu, contribuindo para o seu desenvolvimento cultural, para a construção de seu pensamento e de seu destino político. Muitos dos principais personagens que marcaram a história deste país foram católicos praticantes e sinceros. 

A presença da Igreja Católica se nota principalmente nos magníficos edifícios religiosos, como a Catedral de la Plata, uma das mais imponentes do mundo, ou a Basílica de Lujan, dedicada à Virgem Maria. Esta basílica se tornou um dos principais lugares de peregrinação do país milhares de visitantes acorrem até ela, todo ano. Mas existem também centenas de pequenas igrejas nas quais as comunidades locais celebram a eucaristia e contribuem para o desenvolvimento social de seu quarteirão, levando à frente projetos de solidariedade, de caridade, de ação comunitária. Padres e religiosos de diversas ordens e institutos trabalham em numerosos centros que oferecem assistência aos pobres e aos marginalizados na área da saúde e da educação; eles estão também engajados na luta pelos direitos de homens e mulheres à dignidade e ao bem-estar. 

 

As Igrejas protestantes 

A s primeiras Igrejas protestantes chegaram à Argentina no início do séc. XIX, quando a independência da dominação espanhola abriu as fronteiras e permitiu uma imigração diferente e pluralista. A primeira foi a Igreja Anglicana que iniciou as reuniões regulares em 1821, ano em que foi inaugurado um templo em Buenos Aires, o primeiro da América Latina. Os pioneiros eram comerciantes, homens de negócios e funcionários ingleses. Depois, imigrantes escoceses presbiterianos chegaram às zonas rurais e aí estabeleceram suas igrejas. A missão metodista começou sua atividade em Buenos Aires , em 1836. Já a partir da metade do sec. XIX, as primeiras Igrejas Protestantes desenvolveram suas atividades prestando serviços sociais: escolas e programas de evangelização se dirigiam aos imigrantes e à população indígena. No final dos séc. XIX, chegaram imigrantes da Igreja reformada e luteranos. Deve-se a estas igrejas , principalmente, a vinda de imigrantes da Holanda e da Alemanha. Nessa mesma época, chegaram os batistas e membros das Igrejas Livres. Os valdenses vieram da Itália e se fixaram nas zonas rurais e, com os metodistas, criaram um centro de formação teológica destinada aos responsáveis locais. Algumas décadas mais tarde, as Igrejas pentecostais começaram o seu trabalho caracterizado por uma evangelização intensa e uma rápida expansão. Pode-se dizer que, no início do séc. XX, quase todas as expressões do protestantismo estavam representadas na Argentina. Elas se fixavam especialmente no interior e organizavam missões junto às poucas comunidades indígenas que sobreviveram à conquista de seus territórios. Hoje encontramos, até nas pequenas cidades do interior, ao menos uma igreja de tradição protestante.

 

As Igrejas orientais na Argentina 

A primeira Igreja oriental que se organizou foi a Igreja Ortodoxa russa (a partir de 1888). Fiéis ortodoxos de diferentes nacionalidades tinham pedido a presença da Igreja à missão diplomática russa, em Buenos Aires. Graças ao apoio dos imigrantes gregos, sérvios, búlgaros, sírio-libaneses e russos, assim como a família imperial russa, a igreja da Santa Trindade foi construída em Buenos Aires em 1901. Alguns anos mais tarde, em 1905, a Igreja grega ortodoxa obteve a nomeação de um padre para o serviço da comunidade. Essa Igreja se difundiu em diversas regiões do país e, em 1928, foi construída a catedral da Dormição. 

O Patriarcado greco ecumênico foi estabelecido em 1938 e desde 1951, Buenos Aires é a sede do bispado dependente da jurisdição das arquidioceses norte e sul americanas. Entre as Igrejas Ortodoxas, a do Patriarcado de Antioquia é a que conta com maior número de fiéis. A maior parte vem da Síria ou do Líbano. Essa igreja começou a ser implantada na Argentina em 1921. A diocese foi erigida em 1949, e a sede episcopal , em 1955. A Catedral foi inugurada no final do ano de 1956 e a primeira missa celebrada por ocasião do Natal do mesmo ano. 

A Igreja armênia apostólica foi formada, na Argentina, com a chegada dos imigrantes armênios entre 1909 e 1911 que fugiam dos massacres de Adana, sob o regime turco. De 1915 a 1920, chegaram ainda sobreviventes desse grande genocídio. De 1925 a 1936, foi a vez dos armênios da Ciclícia que escaparam da Turquia e, enfim, entre 1947 e 1954, numerosos armênios fugitivos chegaram durante a Segunda Guerra Mundial. Em conseqüência da grande onda de emigrações do início do séc. XX, a Igreja síria ortodoxa de Antioquia se estabeleceu junto às famílias que chegavam do Iraque, da Síria e da Turquia (que então atravessava um período de forte intolerância religiosa). 

Esta Igreja tem à sua frente um Patriarca-Vigário e sua sede é na cidade de La Plata. No interior do país, diversos lugares de culto e centros sociais acolhem os fiéis. Esta Igreja está em plena comunhão com a Igreja Católica Apostólica de Antioquia, com a qual assinou um acordo de unidade da fé. As Igrejas ortodoxas contribuíram ao desenvolvimento de organismos que se consagram à cultura e à educação, à organização de serviços assistenciais aos mais pobres, à criação de programas radiofônicos e outras atividades que enriquecem o mosaico da cultura argentina. Seus membros estão plenamente engajados na vida social e política do país. Em direção à unidade O diálogo pela unidade, na Argentina, nunca foi fácil. Até os anos de 1960, as relações ecumênicas eram mantidas pelas Igrejas protestantes e evangélicas. As Igrejas Católica e Ortodoxa, na época, não se engajavam. Certamente, as relações entre as diferentes autoridades eclesiásticas tinham sido sempre fraternas, mas deplorava-se uma certa desconfiança, no nível das comunidades locais, devido ao proselitismo e ao crescimento das Igrejas Protestantes. As Igrejas não tinham começado nenhum diálogo oficial. Nessa época, as Igrejas Protestantes e Evangélicas colaboravam em organizações como a Aliança Biblica, a Federação das Igrejas e as seções locais YMCA e YWCA.

 Elas celebravam juntas o dia da Reforma e o Dia Mundial de Oração. Depois de alguns anos, o diálogo e a amizade entre fiéis de tradições diferentes produziram frutos. Graças às novas orientações do Concílio Vaticano II e à abertura das Igrejas Protestantes, resultado do movimento ecumênico europeu, uma era nova e fértil de encontros e de colaboração começou a surgir. As Assembléias locais começaram a se reunir e o diálogo se instaura entre ministros e padres, ao mesmo tempo em que se organizaram as comissões bilaterais. Em alguns lugares, desenvolveu-se uma colaboração na área do serviço social, nos organismos que lutam pelos direitos humanos e na divulgação das Escrituras. 

Os resultados positivos em atividades como o Seminário para a formação teológica, o Serviço inter-paroquial de assistência mútua, o encontro de voluntários em organizações como Caritas, Caref, Ceas e muitos outros, são notáveis. Todo esse progresso ecumênico, aos poucos levou à criação em 1988 da Comissão Ecumênica de Igrejas Cristãs da Argentina (CEICA), um lugar de diálogo e de colaboração, onde ortodoxos, católicos e protestantes podem se encontrar. Seus membros se reúnem regularmente para debater temas de interesse comum, trocar informações sobre suas respectivas igrejas, comunicar os progressos realizados e as dificuldades encontradas no trabalho ecumênico, tanto no âmbito local, como nacional. Organizam, além disso, encontros de oração pela unidade da Igreja e para enfrentar os problemas de nossa época. Bispos, ministros, padres e leigos, homens ou mulheres, participam dessas assembléias. 

Ao longo de sua existência ainda breve, a CEICA teve que se defrontar com as dificuldades e os desafios intrínsecos a todo engajamento ecumênico: achar um modo harmonioso de convivência entre as diferentes tradições e maneiras de viver o compromisso cristão; ultrapassar as incompreensões; tomar decisões que exprimam e satisfaçam o ponto de vista de cada um. Enormes progressos foram conseguidos no conhecimento e estima mútua, na descoberta do patrimônio comum às diversas Igrejas, incluindo o desafio da missão pastoral na sociedade hoje. É esta Comissão que, cada ano, se encarrega de organizar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.


 

Algumas datas importantes na história da «Oração pela Unidade» e na «Semana de Oração»

 

1740 (aproximadamente na) Escócia Na Escócia, nascimento de um movimento pentecostal, com vínculos na América do Norte, cuja mensagem de renovação da fé convida a orar por todas as Igrejas e com elas.

1820 James Haldane Stewart O Rev. James Haldane Stewart publica: «Conselhos para a união geral dos cristãos à espera da efusão do Espírito».

1840 Ignatius Spencer O Rev. Ignatius Spencer, um convertido ao catolicismo romano, sugere uma «União de Oração pela Unidade».

1867 Lambeth A primeira assembléia dos bispos anglicanos em Lambeth insiste na oração pela unidade, na introdução às suas resoluções.

1894 Leão XIII O Papa Leão XIII encoraja a prática da Oitava de Oração pela unidade, no contexto de Pentecostes.

1908 Paul Wattson Celebração da «Oitava da Unidade da Igreja», por iniciativa do Rev. Paul Wattson.

1926 Fé e Constituição O movimento «Fé e Constituição» começa a publicação de «Sugestões para uma Oitava de Oração pela unidade dos cristãos».

1935 Paul Couturier Na França, o abade Paul Couturier se torna advogado da «Semana de Oração pela unidade dos cristãos».

1958 «Unidade Cristã» O centro «Unidade Cristã» de Lyon (França) começa a preparar o tema para a Semana de oração em colaboração com a Comissão «Fé e Constituição» do «Conselho Mundial de Igrejas».

1964 Papa Paulo VI e Athenágoras I Em Jerusalém, o Papa Paulo VI e o Patriarca Athenágoras I oram juntos a oração do Cristo «que todos sejam um» (Jo 17).

1964 O Concílio Vaticano II O Decreto sobre o ecumenismo do Concílio Vaticano II insiste que a oração é a alma do movimento ecumênico, e encoraja a prática da Semana de Oração.

1966 «Fé e Constituição e o Secretariado pela unidade» A Comissão «Fé e Constituição» e o Secretariado pela unidade dos cristãos (agora Conselho Pontifício para a promoção da unidade dos cristãos) da Igreja Católica, decidem de preparar juntos o texto da Semana de Oração para cada ano.

1994 Texto preparado em colaboração com YMCA e YWCA

 


 

Temas da «Semana da Oração pela Unidade dos Cristãos»

1968 a 2002

 

Em 1968, iniciou oficialmente a colaboração entre a Comissão Fé e Constituição do CMI e o Conselho Pontifício para a promoção da Unidade dos Cristãos para a elaboração desses textos.

 

1968 «Para o louvor da sua glória» (Ef 1,14)

1969 «Chamados à liberdade» (Gl 5,13) (Reunião preparatória em Roma, Itália).

1970 «Somos cooperadores de Deus» (1Cor 3,9) (Reunião preparatória no Mosteiro de Niederaltaich, República Federal da Alemanha).

1971 «...e a comunhão do Espírito Santo» (2Cor 13,13) (Reunião preparatória em Bari, Itália).

1972 «Dou-vos um mandamento novo» (Jo 13,34) (Reunião preparatória em Genebra, Suíça).

1973 «Senhor, ensina-nos a orar» (Lc 11,1) (Reunião preparatória na Abadia de Montserrat, Espanha).

1974 «Que todos confessem: Jesus Cristo é o Senhor» ( Fl 2,1-13) (Reunião preparatória em Genebra, Suíça) (Em abril de 1974, foi dirigida uma carta às Igrejas-membro, assim como a outros interessados na criação de grupos locais dispostos a participar da preparação do livrete da Semana de Oração. Um grupo australiano foi o primeiro que se engajou e preparou, em 1975, o projeto inicial do subsídio para a Semana de Oração).

1975 «A vontade do Pai: tudo reunir sob um único chefe, Cristo» (Ef 1,3-10) (Projeto do texto elaborado por um grupo australiano. Reunião preparatória em Genebra, Suíça).

1976 «Chamados a tornar-nos aquilo que somos» (1 Jo 3,2) (Projeto do texto elaborado pela Conferência das Igrejas do Caribe. Reunião preparatória em Roma, Itália).

1977 «A esperança não decepciona» (Rm 5, 1-5) (Projeto do texto elaborado no Líbano, em plena guerra civil. Reunião preparatória em Genebra).

1978 «Já não sois estrangeiros» (Ef 2,13-22) (Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico de Manchester, Inglaterra).

1979 «Consagrai-vos ao serviço uns dos outros para a glória de Deus» (1Pd 4,7-11) (Projeto do texto elaborado na Argentina. Reunião preparatória em Genebra).

1980 «Venha o teu Reino» (Mt 6,10) (Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico de Berlin, República Democrática da Alemanha. Reunião preparatória em Milão, Itália).

1981 «Um só Espírito - dons diversos - um só Corpo» (1Cor 12, 3b-13) (Projeto do texto elaborado pelos Padres de Graymoor, EEUU. Reunião preparatória em Genebra).

1982 «Que todos encontrem em ti, Senhor, a sua morada» (Sl 84) (Projeto do texto elaborado no Quênia. Reunião preparatória em Milão, Itália).

1983 «Jesus Cristo - vida do mundo» (1 Jo 1,1-4) (Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico da Islanda. Reunião preparatória em Céligny (Bossey), Suíça).

1984 «Chamados à unidade pela cruz de nosso Senhor» (1Cor 2,2 e Cl 1,20) (Reunião preparatória em Veneza, Itália).

1985 «Da morte à vida com Cristo» (Ef 2,4.7) (Projeto do texto elaborado na Jamaica. Reunião preparatória em Grandchamp, Suíça).

1986 «Sereis minhas testemunhas» (At 1, 6.8) (Texto proposto na Iugoslávia (Slovênia). Reunião preparatória na Iugoslávia).

1987 «Unidos em Cristo, uma nova criação» ( (2Cor 5, 17-6,4a) (Projeto do texto elaborado na Inglaterra. Reunião preparatória em Taizé, França).

1988 «O amor de Deus dissipa o medo» (1Jo 4,18) (Projeto do texto elaborado na Itália. Reunião preparatória em Pinerolo, Itália).

1989 «Construir a comunidade: um só corpo em Cristo» (Rm 12,5-6a) (Projeto do texto elaborado no Canadá, Reunião em Whaley Bridge, Inglaterra).

1990 «Que todos sejam um...para que o mundo creia» (Jo 17,21) (Projeto do texto elaborado na Espanha. Reunião preparatória em Madri, Espanha).

1991 «Louvai ao Senhor, todos os povos» (Sl 117 e Rm 15,5-13) (Projeto do texto elaborado na Alemanha. Reunião preparatória em Rotenburg an der Fulda, República Federativa da Alemanha).

1992 «Estou convosco... ide pois» (Mt 28, 16-20) (Projeto do texto elaborado na Bélgica. Reunião preparatória em Bruges, Bélgica).

1993 «Produzir frutos do Espírito para a unidade dos cristãos» (Gl 5,22-23) (Projeto do texto elaborado no Zaire. Reunião preparatória perto de Zurique, Suíça).

1994 «A casa de Deus: chamados a ser um só coração e uma só alma» (At 4,32) (Projeto do texto elaborado na Irlanda. Reunião preparatória em Dublin, Irlanda).

1995 «Koinonia: comunhão em Deus e de uns com os outros» (Jo 15,1-7) (Reunião preparatória em Bristol, Inglaterra).

1996 «Eis que estou à porta e bato» (Ap 3,14-22) (Projeto do texto elaborado em Portugal. Reunião preparatória em Lisboa, Portugal).

1997 «Em nome de Cristo...deixai-vos reconciliar com Deus» (2Cor 5,20) (Projeto do texto elaborado na Escandinávia. Reunião preparatória em Estocolmo, Suécia).

1998 «O Espírito socorre a nossa fraqueza» (Rm 8,14-27) (Projeto do texto elaborado na França. Reunião preparatória em Paris, França).

1999 «Eles serão seu povo e ele será o Deus que está com eles» (Ap 21,3) (Projeto do texto elaborado na Malásia. Reunião preparatória no mosteiro de Bose, Itália).

2000 «Bendito seja Deus... que nos abençoou... em Cristo» (Ef. 1,3) (Projeto do texto elaborado pelo Conselho de Igreja do Oriente-Médio. Reunião preparatória no Santuário de La Verna, Itália).

2001 «Eu sou o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14,6) (Projeto do texto elaborado na Romênia. Reunião preparatória na casa de Odihna, Romênia).

2002 «Pois em ti está a fonte da vida» (Sl 36 (35), 10) (Projeto do texto elaborado pelo Conselho das Conferências Episcopais Européias - CCEE e a Conferência das Igrejas Européias - CEC. Reunião preparatória no Centro Ecumênico de Ottmaring, Ausburgo, República Federativa da Alemanha).

 

 

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