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Tradução portuguesa a cargo da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB) |
SEMANA DE ORAÇÃO
PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS 2004
Eu Vos Dou A Minha Paz - Jo
14, 27
Para os organizadores da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
Adaptação do Texto
Este material, quando possível, poderá ser adaptado para uso local conforme as
práticas regionais litúrgicas e devocionais, o todo social e o contexto
cultural. Sua adaptação deverá comportar uma colaboração ecumênica.
Em alguns lugares, as estruturas ecumênicas já estão montadas para este
trabalho; em outros, esperamos que essa necessidade seja um estímulo para a
criação de tais estruturas.
Usando o Material da Semana de Oração
Para as Igrejas e Comunidades Cristãs que comemoram juntas a Semana de Oração,
através de uma cerimônia religiosa única e comum, este livreto oferece um modelo
de Celebração Ecumênica da Palavra de Deus.
As Igrejas e comunidades cristãs podem servir-se igualmente para suas
celebrações, de orações ou outros textos da Celebração Ecumênica da Palavra
de Deus, de textos propostos para os Oito Dias e da escolha de
orações do apêndice desta brochura.
As comunidades, que observam a Semana de Oração a cada dia da semana, podem
aproveitar as sugestões nos textos propostos para os Oito Dias.
Os que desejarem fazer estudos bíblicos sobre o tema 2004 podem usar como base
os textos bíblicos e as reflexões das cerimônias para os Oito Dias. Os
comentários de cada dia podem ser concluídos com uma oração de
intercessão.
Aqueles que desejarem rezar em particular encontrarão material para alimentar
suas intenções de prece neste livreto, devendo observar o fato de estarem em
comunhão com outras pessoas em oração, em todo o mundo, pela maior unidade
visível da Igreja de Cristo.
A Busca da Unidade: Durante o Ano
A data tradicional da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é celebrada no
hemisfério norte de 18 a 25 de janeiro. Essa data foi proposta
em 1908 por Paul Watson para preencher os dias entre a festa de São Pedro e a de
São Paulo; portanto, tem um sentido simbólico. No hemisfério sul onde janeiro é
tempo de férias, as Igrejas freqüentemente encontram outros dias para celebrar a
Semana de Oração, por exemplo, próximo a Pentecostes (data sugerida pelo
movimento Fé e Ordem em 1926), que é também uma data simbólica para a unidade da
Igreja.
A busca de unidade dos cristãos não se limita a uma semana por ano. Nós os
encorajamos, portanto, a serem não somente flexíveis quanto à data, mas também
que compreendam o material aqui apresentado como um convite para encontrarem
oportunidades durante o ano todo, para expressarem o grau de comunhão que as
Igrejas já conseguiram e para rezarem juntos pela unidade plena desejada por
Cristo.
Texto Bíblico para a “Oração Pela Unidade” 2004
“Eu Vos Dou A Minha Paz” Jo 14, 23-31
“Se alguém me ama, observará a minha palavra e o meu Pai o amará; nós viremos a
ele e estabeleceremos a nossa morada. Aquele que não me ama, não observa as
minhas palavras; ora, esta palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai
que me enviou. Eu vos disse estas coisas enquanto permanecia convosco; o
Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as
coisas e vos fará recordar tudo o que eu vos disse. Eu vos deixo a paz, eu vos
dou a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Que o vosso coração cesse de
se perturbar e de temer. Ouviste que eu vos disse: ‘Eu vou, e venho a vós’. Se
me amásseis, vós vos alegraríeis por eu ir para o Pai, pois o Pai é maior do que
eu. Eu vos falei desde agora, antes que aconteça, a fim de que, quando
acontecer, vós creiais. Doravante, eu já não falarei muito convosco, pois
aproxima-se o príncipe deste mundo. Por certo, ele nada pode contra mim, mas ele
vem a fim de que o mundo saiba que amo o meu Pai e ajo conforme o Pai me
prescreveu. Levantai-vos, partamos daqui!”
Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB)
Introdução Teológica e Pastoral
“Eu Vos Dou A Minha Paz” Jo 14, 23-31
Rezamos raramente pelo que não nos interessa e mais fervorosamente, pelo que nos
toca profundamente, nos diz respeito às pessoas e ao mundo que conhecemos. E, no
entanto, a oração dispõe o coração humano a acolher o próximo. Santo Isaac, o
Sírio, fala do coração misericordioso como aquele que arde com grande compaixão
por todas as pessoas, por toda coisa criada. Movido por uma “misericórdia
intensa e veemente”, por uma compaixão “sem medida, semelhante à de Deus”, o
coração oferece sua prece em meio a todos sofrimentos, eleva uma súplica mesmo
por aquele que o feriu, pelos “inimigos da verdade” (Homilia 81) O mundo de hoje
precisa desses corações misericordiosos, da oração que se eleva dos gemidos da
humanidade e de todo o mundo criado.
A busca pela paz no Oriente Médio, partilhada por muitos outros povos em outras
partes do mundo, forma o pano de fundo da celebração e meditações para essa
Semana de Oração pela Unidade Cristã 2004. Como a paz em nosso mundo permanece
enganosa e é obstruída a cada crise, sua busca e as profundas esperanças que
estão entrelaçadas nessa procura, formam uma parte vital da oração que se eleva
de nossas almas ao coração misericordioso de Deus.
Queremos paz. É humano encontrarmos realização nela e ansiarmos por ela do fundo
de nossos corações. No entanto, o caminho que leva à paz não é evidente, nem
está bem trilhado. Nossa esperança é de que o terceiro milênio seja de paz e de
retorno à fé em Deus. A palavra árabe para paz é salaam; a palavra
hebraica da mesma linhagem semítica é shalom. No Oriente Médio, como em
todos os contextos onde os adeptos de diferentes religiões vivem, lado a lado,
relacionamentos construtivos entre tradições religiosas – construídas no diálogo
e no objetivo comum de paz e justiça, enraizada no reconhecimento compartilhado
da dignidade de cada pessoa humana – são pré-requisito essencial para sermos
abençoados com o dom da paz. Em contrapartida, um espírito de reconciliação e
missão comum entre cristãos e comunidades cristãs é fundamental para a busca da
paz. Nossa preocupação comum em favor da paz deverá servir para nos aproximarmos
mais uns dos outros na comunhão.
O conceito bíblico de paz é ricamente expressivo e de muitas facetas, sugerindo
inteireza e bem-estar, felicidade e segurança, integridade e justiça. Nossa fé
cristã nos conta que a verdadeira paz nos é dada somente se seguirmos os
caminhos de Deus, como é demonstrado nas Escrituras, e se tomarmos o rumo da paz
proclamada e vivida por Jesus Cristo. “Ele é nossa paz” (Ef 2, 14), e a exemplo
de seus discípulos, nossa unidade deve ser a reconciliação nele. O
testemunho da paz de uma comunidade cristã fragmentada é carregado de
ambigüidades; uma contradição interna enfraquece nossa habilidade de espalhar a
paz de Cristo. Contrariamente, a unidade entre as Igrejas dá poder e
credibilidade ao nosso testemunho, colocando convincentemente diante do mundo a
visão de uma reconciliação universal em Cristo.
As Igrejas orientais sobreviveram através de difíceis circunstâncias históricas.
Essas Igrejas antigas e os países que são o berço do cristianismo foram
freqüentemente privados de paz. Ansiaram por ela durante gerações e rezaram com
persistência para obtê-la. Sua presente situação faz com que elas desejem a paz
mais do que nunca. Seu patrimônio e herança, tradições e ritos os incitam a
pedir ardorosamente pela paz em suas orações; por isso escolheram nesse ano o
tema da paz para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
Atualmente, para as Igrejas do Oriente Médio, que vivem lado a lado como uma
minoria dentro de sua cultura, com sua multiplicidade e seus muitos casamentos
mistos, o trabalho do ecumenismo não é um ideal abstrato, mas uma necessidade
vital. Somente através da fomentação de um espírito ecumênico, elas são capazes
de existir significativamente. Unidade e paz são suas mais sinceras
preocupações, seu sonho supremo e universal. Uma luta comum as reconciliou e uma
visão do futuro serviu para uni-las. A paz é sua preocupação diária, sua
esperança permanente.
Nos primeiros dias do cristianismo a comunidade cristã era uma e,
enquanto encarnava aquela unidade que nunca foi fácil, a Igreja primitiva
permaneceu, através dos séculos, como um modelo principal de comunidade que
podia viver em paz e proclamá-la efetivamente. Hoje não é mais assim, pois ainda
não estamos completamente unidos e nosso testemunho sobre a paz está
comprometido. Aqueles que desejam paz fariam bem em rezar e lutar pela unidade
na paz. Atenta a esse relacionamento, a Igreja é chamada a rezar pela paz
na unidade e em unidade pela paz.
A escolha do tema desse ano é o resultado da convicção das Igrejas do Oriente
Médio de que cristãos através do mundo, fazendo essa oração ecumenicamente,
estariam sustentando solidariamente as esperanças e sofrimentos do povo dessa
região. Seu pedido nos lembra o apóstolo Paulo que durante suas viagens recebia
dádivas para a Igreja mãe de Jerusalém. Hoje o dom buscado é a oração e o apoio
espiritual de irmãs e irmãos unidos num desejo comum de harmonia.
Paz significa recolocar as coisas em sua ordem natural conforme a determinação
de Deus. Ela diz respeito a todos os tipos de relacionamentos. O Paraíso tem
sido freqüentemente representado como uma vida pacífica entre Deus e o povo de
Deus, entre cada pessoa e seu vizinho, entre a raça humana e o mundo criado. A
paz existe somente onde há justiça. Contrariamente, o pecado é o que causa a
ruptura desses relacionamentos. O pecado dispersa, a justiça une. Nossas ações
diárias e a escolha que fazemos têm repercussões para o bem ou para o mal;
através delas nós nos aproximamos ou nos distanciamos inevitavelmente de Deus e
de nosso próximo; obtemos e espalhamos paz, dissipamos ou rompemos com ela. No
Oriente, o povo cumprimenta-se desejando a paz, porque isso é o que de mais belo
se pode oferecer ao outro, o melhor relacionamento que se pode manter com o
próximo e o direito que mais se deve defender.
Deus Pai é o Deus da paz, que nos reconciliou pelo sangue de seu único Filho
(2Cor 13, 11). Nas anáforas eucarísticas das Igrejas orientais, o povo proclama
“a misericórdia da paz, o sacrifício do louvor”, recordando a misericórdia de
Deus mostrada em sua auto-revelação e o dom de si próprio em Cristo, que nos
leva a partilhar a paz que somente Deus pode conceder. Jesus veio para construir
a paz na terra e para no-la dar (Jo 14, 27), ele chama sua Igreja para ser
fermento de um novo paraíso, universalizando aquela verdadeira paz que ele tanto
desejou oferecer ao mundo. Os ritos litúrgicos: culto e adoração, em sua
variedade de formas, buscam a reconciliação dos seres humanos com Deus, uns com
outros, com o universo e dentro de nós. Assim sendo, a oração pela paz implica
numa forte dimensão interior: faz surgir conversão e abertura de nossos
corações, para que possamos possuir a misericórdia de Cristo em nós; ela fomenta
a confiança infantil de que Deus está trazendo para nós e dentro de nós o que
não podemos criar por nós mesmos; ela produz frutos através das obras de
caridade realizadas como ação de graças a Deus e para favorecer a reconciliação
e a vida pacífica com nosso próximo; ela convida à perseverança no asceticismo e
na purificação interior. Em suma, como já foi sugerida, a oração pela paz está
necessariamente ligada ao desejo de unidade em todas os aspectos da vida humana.
A oração pela paz também nos prepara, como indivíduos cristãos e como Igreja
para empreendermos a missão profética que pertence intrinsecamente ao corpo de
Cristo: ser instrumentos e artesãos da paz e justiça, de uma nova humanidade, em
nosso mundo destruído e crivado de guerras. O comprometimento ativo em favor da
paz e justiça é fruto do trabalho do Espírito Santo dentro de nós. Esse não é um
projeto humano, mas obra de Deus; e as Escrituras relatam com vivacidade que a
paz de Deus não é a paz do mundo. Os profetas Isaías (2, 4) e Miquéias (4,3)
falam de um tempo em que as nações “ de suas espadas forjarão relhas, das suas
lanças, podadeiras.” A visão da transformação dos instrumentos de guerra
naqueles que constroem comunidades continua a inspirar os cristãos a manusearem
habilmente a ferramenta do diálogo e da solução não violenta de conflito, na
busca da paz com justiça, usando meios totalmente coerentes com o fim que
procurado, a exemplo de Jesus. Miquéias e Jeremias também deram testemunho de
uma tradição profética de clamor contra a hipocrisia e a falsa retórica de paz,
insultando aqueles que dizem “‘Tudo em paz! Tudo em paz!’ Quando não há paz”
(Jer 6, 14), “aqueles que, ... “se têm algo para morder em seus dentes,
proclamam: ‘Paz’; Mas a quem não lhes põe nada na boca, eles declaram a guerra
santa”. (Miq 3, 5) Muitos cristãos e comunidades cristãs em nossos dias
discursaram publicamente sobre os meios de construir a paz, desafiando, às
vezes, plataformas políticas e ideológicas, decretos de “paz” construídos sobre
violência, injustiça, e opressão dos outros. Em algumas partes do mundo, o
testemunho profético de confrontação de definições estreitas ou falsas de paz
com visão bíblica não é possível, ou acontecem a um grande custo pessoal e
comunitário. Essas regiões ocupam lugar especial em nossa oração pela paz.
Em 2004, cristãos do mundo inteiro têm novamente uma data comum para a
celebração da Páscoa. O Mistério pascal é a origem de nossa esperança, fonte de
nossa missão, promessa de que a paz é possível. Ele nos recorda que, embora a
violência, a injustiça e o ódio possam temporariamente ter sucesso, Deus tem o
poder de transformar morte em vida, reconciliar tudo o que parece minar a paz,
que finalmente prevalecerá. Como celebramos a Páscoa na mesma data nesse ano no
mundo cristão, possam nossas celebrações durante esse santo tempo ser um
incentivo para partilharmos mais profundamente a esperança e a alegria, assim
como a missão, que se levanta do túmulo do Senhor ressuscitado. O ano 2004
também acontece durante a Década para Superação da Violência do Conselho Mundial
das Igrejas, iniciativa que nos convida à oração e nos chama para um compromisso
de trabalho para a paz.
Através da cerimônia religiosa ecumênica e graças aos textos bíblicos e às
meditações para os Oito Dias, evidenciaremos a visão bíblica da paz que será
refletida sob diversos ângulos na esperança de reunir cristãos para a abertura
dos ricos tesouros de nossa herança, e para sermos melhores instrumentos da paz
transformadora de Cristo no mundo. O texto evangélico para o culto religioso é
tirado de João 14, 23-31, que é parte do discurso de despedida de Jesus para os
discípulos antes de sua morte. Nesse contexto pascal, Jesus garante a seus
seguidores que se guardarem sua palavra, ele e o Pai estabelecerão morada neles.
“Ele lhes oferece o dom e a promessa da paz: “Eu vos deixo a paz; eu vos dou a
minha paz”. Ao partir, Jesus diz a seus discípulos que devem ser os portadores
da paz para todo o mundo, sob a orientação do Espírito Santo.
Esse mesmo texto joanino proporciona um ponto inicial para as meditações dos
Oito Dias, expondo e refletindo sobre as implicações do entendimento cristão
sobre a paz. Toda harmonia, na Igreja e no mundo, tem seu fundamento no amor
criativo e vivificante de Deus por nós. (1o dia). Revelando o amor do
Pai por nós, Jesus promete a seus discípulos trazer paz interior e serenidade
mesmo diante dos tumultos. (2o dia). Aqueles que ouvem as palavras de
Jesus e as levam a sério tornam-se portadores de sua paz (3o dia).
Esse é o trabalho do Espírito Santo: trazer a paz e o perdão, estimulando-nos a
colocar nossas mentes e corações a serviço do mundo desejoso de concórdia (4o
dia). Enquanto o mundo procura paz e segurança pela força e exercício do poder,
a paz de Cristo vem através da humildade e serviço, buscando superar o mal com o
bem (5o dia). Seguir pelo caminho do discipulado é viver de modo
crescente sem medo e ansiedade, sempre mais atento ao amor de Cristo que é maior
do que qualquer coisa que se oponha a nós (6o dia). Confiando na
ressurreição de Cristo e esperando sua vinda em glória, a vida cristã é para ser
vivida diante de um horizonte de esperança, e em permanente solidariedade com
aqueles cujas vidas são pela dúvida, medo e tristeza (7o dia). A
autêntica paz, a que Deus anseia nos dar, traz alegria, mas também nos obriga a
nos dedicarmos aos outros, de modo que todos possam compartilhar essa paz. (8o
dia).
Preparação do Material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2004
O projeto inicial dos textos chegou até nós através de cristãos que vivem e
testemunham na antiga cidade de Aleppo, Síria.
Oferecemos nossos sinceros agradecimentos àqueles que trabalharam em nome das
Igrejas de Aleppo (Ortodoxos, Católicos, Protestantes) no preparo desses textos
em sua forma inicial: Sr. Gregorios Youhanna Ibrahim (Metropolita, Igreja
Ortodoxa Síria), Sr. Boulos Yazdji (Metropolita, Igreja Ortodoxa Grega), Sr.
Antoine Odo (Bispo, Igreja Caldéia) e Sr. Boutros Marayati (Arcebispo, Igreja
Católica Armênia; coordenador do grupo local e representante do grupo
internacional de preparação).
O presente material chegou à sua forma definitiva no encontro do grupo
internacional de preparação convocado pelo Conselho Pontifício de Promoção da
Unidade dos Cristãos da Igreja Católica, e pela Comissão para a Fé e a Ordem do
Concílio Mundial das Igrejas. O grupo encontrou-se nos escritórios centrais da
Secretaria Pastoral da Conferência Episcopal da Sicília. Desejamos agradecer ao
Monsenhor Carlo Di Vita e a todo seu quadro de funcionários por sua cordial
acolhida e seu apoio amigo ao nosso trabalho.
Os membros do grupo agradecem pela oportunidade de visitar o “Centro Paolo
Borsellino” em Palermo, Sicília, e pela explicação sobre seu importante trabalho
social e educacional.
Cerimônia Religiosa Ecumênica
Introdução
“Eu Vos Dou a Minha Paz” Jo 14, 27
O tema da Semana de Oração para Unidade dos Cristãos de 2004 e essa cerimônia
religiosa ecumênica foram propostas pelas Igrejas cristãs da cidade de Aleppo,
na Síria. Lá, as relações ecumênicas são bastante vivas e as ocasiões para
celebrar-se são freqüentes.
Essa celebração intencionalmente empresta o modelo ecumênico regularmente usado
pelas Igrejas ortodoxa, católica e protestante de Aleppo, e caracteriza-se por
uma doxologia de louvor no início, oração de arrependimento, importância dada ao
ensinamento bíblico, orações intercessórias cantadas e invocação ao Espírito
Santo.
As orações que compõem essa celebração e as propostas nas “Orações Adicionais”
foram retiradas de diversas tradições litúrgicas dessas Igrejas orientais. A
maioria das orações usadas na ordem da celebração vem da tradição litúrgica
síriaca.
Seria um ato de ecumenismo espiritual usar somente as orações propostas sem
buscar modificá-las, entrar no movimento dessa celebração seguindo sua ordem e
mantendo seus elementos litúrgicos essenciais. Poderá ser também ocasião de
convidar representantes das Igrejas Ortodoxa e Oriental para participarem da
cerimônia religiosa e para refletirem juntos sobre como adaptar essas propostas
se isso for possível dentro da situação ecumênica local.
Algumas comunidades certamente experimentarão alguma dificuldade em fazer todas
as orações propostas e tornarem suas, certas expressões delas. Por isso,
propomos – como alternativa – preferivelmente a reescrever as orações orientais,
que elas sejam reduzidas, ou outras escolhidas dentre as orações adicionais
oferecidas, ou que orações mais tradicionais e familiares sejam usadas.
Independente da escolha feita, se a estrutura, ordem e cada elemento das
celebrações forem mantidos, a essência da celebração será visível e o objetivo
espiritual atingido: não impor orações de uma tradição litúrgica, mas permitir a
assembléia entrar com fé dentro da experiência espiritual de nossos irmãos e
irmãs do Oriente. A unidade espiritual de todos os cristãos que desejam rezar
pela paz no mundo em 2004 e por sua comunhão na fé do Cristo Ressuscitado, que é
a fonte, será claramente evidente.
Esta é a ordem da celebração e sua relação com seus diversos elementos com o
tema:
A congregação canta um hino de ação de graças ao Senhor e prepara com uma
oração de arrependimento a escuta da Palavra de Deus. Para nossos corações essa
oração proporciona paz interior, fruto da misericórdia de Deus, e atenção à sua
Palavra.
A liturgia da Palavra é a parte maior. É a proclamação da paz como
dom de Deus para a humanidade, como uma promessa de Jesus a seus próprios
discípulos que se torna realidade no Mistério da cruz e ressurreição e que é
consumada pelo dom do Espírito Santo para a Igreja. Conforme o ensinamento de
Paulo aos Efésios, e seguindo o exemplo de seu cuidado pastoral como um apóstolo
com relação aos membros de Igrejas locais, recentemente fundadas, somos chamados
a nos amarmos mutuamente na comunhão do Espírito Santo.
Esse amor mútuo entre cristãos e entre Igrejas, do qual o ecumenismo é uma parte
essencial, empresta credibilidade a nosso testemunho e a nosso compromisso como
cristãos na busca da paz no mundo.
O sinal da paz, colocado no meio da celebração – entre as leituras
bíblicas e o credo seguido das intercessões – tem como objetivo enfatizar em
particular a renovação do compromisso de todos os presentes para que “mantenham
a unidade de espíritos pelos laços da paz, a fim de se tornar um só corpo...”
várias propostas são feitas para expressar e encorajar a assembléia a fazer esse
compromisso sincero e renovado em favor da paz e reconciliação dos cristãos.
Pode-se escolher um símbolo da paz: ramo de palmas, pomba, ou iluminação
de velas; mas a preferência recai sobre o arco-íris, símbolo que poderia ser
enfatizado desde o começo da celebração e mencionado no sermão, ser parte
central da cerimônia e retomado novamente na despedida.
É também uma idéia convidar as pessoas para testemunharem como foram ou
são ativas a serviço da paz. A situação ecumênica positiva de Aleppo é um
testemunho a ser ouvido no decorrer da celebração.
Abre-se a celebração com ação de graças ao Deus da paz e encerra-se com
uma oração ao Espírito Santo, tesouro precioso e fonte de paz.
Os ministros presentes das Igrejas locais, tendo ou não, participado ativamente
da celebração, juntos poderiam dar a bênção final. A despedida poderia,
entre outras coisas, enfatizar o fato de que a oração comum encontra sua
realização no coração da vida. Nossas cerimônias religiosas ecumênicas e os
benefícios que elas trazem na vida do mundo aumentam a comunhão entre os
cristãos: um anúncio profético do Dom da Paz.
Ordem da Celebração
Abertura
Recomenda-se que no início da celebração sua estrutura – hinos, música e
leituras da Palavra de Deus – deva ser brevemente apresentada.
Para as orações de resposta, recomenda-se que vários leitores sejam envolvidos.
O arco-íris poderá ser uma evocação artística produzida pela comunidade local.
A oferta deverá ser levada no momento mais apropriado da celebração podendo ser
apresentado como um sinal de unidade eclesial e de paz que é impossível sem
partilha e justiça.
C: Celebrante A: Assembléia L: Leitor
C: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A: Amém
Canto de entrada: (canto de louvor)
Alguém da assembléia, por exemplo, os diferentes leitores e líderes da
celebração precedidos por crianças, podem entrar em procissão após a entrada da
Bíblia. A procissão passará debaixo do arco-íris, que deverá estar adequadamente
colocado no espaço da celebração.
Oração de Louvor da Liturgia Siríaca (use na totalidade, em parte, ou escolha outra)
C. Em Tua Luz veremos a luz, Jesus Luz Pura; és a verdadeira Luz, que ilumina
toda a criação; avivas em nós tua alegre luz, esplendor do Pai no céu. Ó puro e
santo que moras nas habitações de Luz, guarda-nos das más paixões e pensamentos
de ódio e concede-nos o poder de executar obras de justiça com pureza de
coração.
Tu, o Justo e o Santo, que habitas as moradas da Luz, afasta de nós as más
paixões e os pensamentos infames e torna-nos aptos para realizar obras de
justiça com pureza de coração. Neste santo dia em que nos reuniste, te
imploramos que nos concedas a unidade para tua Igreja: guarda-nos na plenitude
de tua paz.
A. Amém.
C: Agradeçamos a Deus Pai, Senhor de todas as coisas, adoremos seu único Filho e
glorifiquemos seu Santo Espírito, confiando-lhe nossa vida e implorando sua
misericórdia.
A. Tem misericórdia de nós, ó Deus, misericordioso e bom.
Oração de Arrependimento da Liturgia Siríaca (use totalmente, em parte ou escolha outra)
C: Tem misericórdia de nós, Deus Todo-Poderoso. Nós te louvamos, nós te
bendizemos, nós te adoramos. Nós te suplicamos, Senhor Deus, sê-nos favorável. Ó
Deus generoso, amigo de todos, tem misericórdia de nós.
A. Senhor tem misericórdia.
C. Relembramos tua morte, Senhor Jesus, proclamamos tua ressurreição, esperamos
tua vinda em glória. Sê misericordioso com todos.
A. Senhor tem misericórdia.
C. Por todos nossos pedidos mostra-nos tua benevolência, tu que és amigo de
todos, concede-nos possamos avançar hoje e em todos os dias de nossa vida na paz
e temor de Deus. Livra-nos das armadilhas dos fracos e dos inimigos visíveis e
invisíveis. E concede-nos obras boas e proveitosas em abundância, pois nos deste
o poder de esmagar as serpentes, os escorpiões e todos os poderes inimigos. Não
nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal através de tua graça, tua
bondade e teu amor por todos para que anunciemos teu Filho, nosso Senhor e
Salvador, Jesus Cristo, para quem seja a gloria, a honra, o poder e o louvor, e
também ao Espírito Santo que é da mesma substância, que dá a vida, agora e
sempre, por todos os séculos dos séculos.
A. Amém.
C. Senhor nosso Deus, responde as nossas orações, ajuda-nos e salva-nos. Aceita
nossas orações e nossos pedidos e em tua misericórdia remove de nós toda
condenação, castigo e ira. Concede-nos segurança, paz e felicidade e um fim
feliz e sereno que permites aos filhos da paz. Dá-nos a morte cristã que desejas
para nós e que é digna de tua divina majestade, a fim de render-te graça e
louvor agora e para sempre.
A. Senhor recebe nossa oração de perdão e nosso arrependimento.
C. Que possamos receber de Deus o perdão de nossas faltas e pecados, agora e
para sempre.
A. Tem misericórdia de nós, Senhor Deus, perdoa-nos nossas faltas e a falta
dos outros, nossa negligência e a negligência dos outros, os erros cometidos,
intencionalmente ou não, consciente ou inconscientemente. Amém.
Leituras Bíblicas
Isaías 57: 19-21; 60, 17-22 Salmo 72 (71), 1-8 Romanos 15, 30-33; 16, 1-16 [ou Efésios 2, 13-18] Evangelho: João 14, 23-31
Homilia
(Momento de silêncio)
Oração pela Paz e Partilha da Paz da Liturgia Siríaca (use na totalidade, em parte, ou escolha outra)
C. Faze-nos dignos, Senhor nosso Deus, de saciar nossas almas e encher nossos
corações com o vinho novo de teu Paráclito.
A. Acolhe nossa oração, Senhor.
C. Desperta nossos corações com a luz de tua graça e liberta-os das sombras do
pecado; acende nossos almas com os raios espirituais de teu Santo Espírito.
A. Acolhe nossa oração, Senhor.
C. Faze-nos dignos, ó Pai Todo-Poderoso, de trocarmos um sinal de paz, um beijo
santo, cada um com seu próximo, através do amor de nosso Senhor e de nosso
Deus.
A. Diante de ti, Senhor Deus, nós inclinamos nossas cabeças em adoração.
Canto (durante o qual a assembléia deseja a Paz)
Credo Niceno
C. Ouçamos a Deus com sabedoria e proclamemos:
A Eu creio em um só Deus...
Intercessões da Liturgia Siríaca de Antioquia (Para ser usada como tal, ou em parte, ou pode ser substituída por outra. Prever
um tempo para orações espontâneas)
L. Façamos nossos pedidos a Deus Todo-Poderoso, Pai e nosso Deus e Salvador
Jesus Cristo:
Nós te pedimos, Senhor, em tua bondade, amigo de todos, lembra-te de tua Igreja
una, santa, universal e apostólica.
A. Nós rezamos pela paz da Igreja una, santa, universal e apostólica.
L. Abençoa essas criaturas espalhadas de um canto do mundo a outro, todos os
povos e rebanhos. Possa tua paz descer dos céus para os nossos corações, a paz a
essa geração, e cumula-nos com tua graça. Nosso governo, exército, chefes de
estado e povos, nossos vizinhos, os imigrantes e os expatriados, reveste-os com
toda paz, ó Rei da Paz. Dá-nos a tua paz, porque tudo vem de ti. Faze com que
sejamos possuídos por ti, ó Deus nosso Senhor, porque somente te conhecemos.
Teu Santo Nome é o que proclamamos. Possam nossas almas viver em teu Espírito
Santo. Possa o poder mortal do pecado não prevalecer sobre teus servos nem sobre
qualquer povo da terra.
A. Kyrie eleison.
Rezemos ao Deus Todo-Poderoso, Pai de nosso Senhor, e Salvador Jesus Cristo. Nós
imploramos tua bondade, ó amigo de todos. Lembra-te de nossas reuniões, em nome
de tua santa Igreja, abençoa-a e deixa-a espalhar-se por toda a terra.
A Rezemos por essa Igreja.
L. Reconciliaste as criaturas da terra com as do céu e fizeste-as uma só.
Realizaste teu plano na carne e como teu corpo subiu ao céu, encheste o universo
com tua divindade e disseste aos teus discípulos e aos santos apóstolos: “Eu vos
deixo a paz, a minha paz eu vos dou”. Agora, ó Senhor da paz e da segurança,
concede-nos essas bênçãos, purifica-nos do pecado, de toda duplicidade, de toda
hipocrisia, de todo mal, de todas as maquinações e da memória do mal encoberta
pela morte. Reveste-nos com tua paz perpétua de modo que possamos guardar a
crença da fé apostólica e possamos viver unidos pelos laços da caridade.
A. Kyrie eleison.
L. Que a segurança e a prosperidade possam reinar sem fim sobre toda a face da
terra; decreta para nós vossa paz, a fim de que possamos todos nos transformar
na unidade da fé, em um ser perfeito na medida da plenitude de Cristo.
A. Kyrie eleison.
L. Abençoa, ó Senhor, a paz de tua Igreja, todo teu povo e todas as tuas
criaturas. Pacifica e reconcilia todos os inimigos e povos rivais, que suas
flechas possam ser transformadas em podadeiras, suas lanças em arados e que
possam aprender a não guerrear, e a todos guarda em teu Nome.
A. Kyrie eleison.
L. Senhor salva teu povo e abençoa tua herança, cuida dele e guarda-o para
sempre. Conserva-o todos os dias na verdadeira fé, na glória e na dignidade,
estabelece nele o amor e a paz a fim de que supere todas as coisas.
A. Kyrie eleison.
L. Ó Espírito Santo, faze-nos dignos de contribuir para a santificação de teus
tesouros celestiais e de te oferecer na pureza e santidade a verdadeira adoração
aqui e em todos os lugares, agora e em todos os dias de nossas vidas, que tua
Boa Nova possa ser proclamada até os confins da terra.
A. Kyrie eleison.
A Oração do Senhor (cada qual em seu próprio idioma)
Renovação do Compromisso
A. Senhor, como tu nos ensinaste, inclinamo-nos diante de ti com toda
humildade, suavidade e paciência, suportando-nos uns aos outros com amor e
tentando manter a unidade de espírito pelos laços de paz, a fim de que possamos
nos tornar ‘um só corpo e um só espírito’ conforme nossa vocação comum, e
chamado. A uma só voz, arrependidos de nossas divisões, nós nos comprometemos a
trabalhar juntos pela reconciliação, paz e justiça, e juntos vos imploramos:
ajuda-nos a viver como teus discípulos, superando egoísmo e arrogância, ódio e
violência, dá-nos a força de perdoar. Inspira nossos testemunhos no mundo, para
que possamos fomentar a cultura do diálogo e sermos portadores da esperança que
teu Evangelho implantou em nós. Faze-nos instrumentos de tua paz, para que
nossos lares e comunidades, nossas paróquias, igrejas e nações possam ressoar
sempre a paz que desejaste derramar sobre nós. Amém.
Testemunhos
Os participantes podem vir, um a um, dar seus testemunhos. Em forma narrativa
podem contar como são ou foram testemunhas de homens e mulheres a serviço da paz
à sua volta e como descobriram em Cristo o poder de reconciliar, contribuir para
a paz entre o povo, entre as Igrejas.
Um celebrante pode comentar sobre o símbolo da paz escolhido, ou brevemente
concluir os testemunhos e introduzir o hino ao Espírito Santo, doador da paz.
Canto (sobre o tema da paz no Espírito Santo)
Invocação ao Espírito Santo
Deus Consolador, Espírito de verdade, tesouro dos tesouros e fonte de vida, que
compartilhas todos os dons e concedes tua graça divina; Deus de paz, e de
segurança vem habitar em nós, purifica-nos de todo pecado. Cria em nós um
coração puro, renova em nós um espírito forte. Ó Espírito de paz e de amor,
Espírito de castidade e de pureza, Espírito de piedade e de santidade, Espírito
de sabedoria e inteligência, Espírito de conselho e poder, ó misericordioso e
bom Espírito Santo concede-nos aquela fonte de lágrimas que lava nossos corações
de toda impureza, a fim de que possas condescender em fazer deles tua morada.
Vem acender em nós o fogo de teu divino Amor, reacende em nós o Espírito de
caridade para que possamos viver para sempre em ti. Amém.
Bênção
Canto Final
Reflexões Bíblicas e Orações Para os Oito Dias
1° Dia
“Se alguém me ama, observará a minha palavra e meu Pai o amará”. Jo 14, 23
O Amor de Deus, Fundamento da Paz.
| Dt. 7, 7-11 |
“Ele é o Deus fiel que guarda seu amor por mil
gerações”. |
| Sl 25, 2-10 |
“Lembrai-vos de vossa misericórdia e de vosso amor
porque são eternos” |
| 1Jo 4, 7-12 |
“Deus é amor”. |
| Lc 15, 1-2, 11-32 |
“Ele correu e se lhe lançou ao pescoço, e o cobriu de
beijos”. |
Comentário
Na parábola do filho pródigo, através do amor do pai, o filho mais jovem
recupera sua condição anterior. Esse mesmo amor acalma os pensamentos agitados e
pacifica o coração transtornado do filho mais velho. Ambos compreendem o desejo
de reconciliação dentro do amor do pai e sua obediência a esse desejo dá a sua
casa o fundamento da paz.
O profundo desejo dos cristãos é aceitar o convite de Cristo à confiança e à paz
baseadas no amor do Pai. Esse amor que é sua herança comum é também o cimento de
sua unidade.
Como os filhos na parábola, cada um deles guarda a identidade que foi moldada em
sua história, que é constantemente renovada pela fidelidade do mundo ao Pai.
Eles são motivados por sua busca comum pela paz divina que desejam partilhar e
que se derrama do Filho Único sobre toda a humanidade.
Quando os cristãos estabelecem sua morada em Deus, aprofundam-se em sua Palavra
que se torna viva e efetiva. Dessa forma, eles entram na comunhão do Pai, do
Filho e do Espírito Santo, descobrindo o fruto do amor de Deus.
Oração
Nós te agradecemos, Senhor, pelo amor com o qual nos tem amado. Concede-nos a
graça de acolher esse amor na confiança para que possa tornar-se uma fonte de
paz para a Igreja e para o mundo e ser reconhecido por toda a humanidade. Amém.
2° Dia
“Nós viremos a ele e estabeleceremos a nossa morada”. Jo 14, 23
Paz Interior, Calma E Serenidade.
| Ct 3, 3-5 |
“Não desperteis meu Amor antes que o deseje”. |
| Sl 3, 3-7 |
“Acordei: o Senhor me sustenta”. |
| Ef 4, 1-6 |
“Um só Deus e Pai... que reina sobre todos e permanece em
todos”. |
| Mc 6, 45-51 |
“Subiu junto deles no barco”. |
Comentário
A paz nos corações dos discípulos vem da presença do Senhor Jesus Cristo com
eles no barco. Essa presença que traz calma e serenidade a toda Igreja, é
conferida àqueles que realizam sua própria vocação, lutando a sós no deserto da
contemplação e igualmente àqueles que servem no mundo, mesmo com a doação de
suas vidas por seu próximo.
Embora seu comprometimento sincero na ação ou contemplação, tais cristãos
parecem seguir um caminho bastante distante da vocação comum dos cristãos; mas
de fato eles se juntam à assembléia de fiéis no coração de suas celebrações. Não
são passivos nem sonhadores, e carregam dentro de si a Igreja que fica honrada
por sua luta espiritual. Com seus irmãos e irmãs no batismo, eles encontram a
força para serenamente testemunhar a presença prometida de Cristo que os traz
para dentro da comunhão trinitária.
A humanidade anseia pela presença de homens e mulheres de paz. Os cristãos são
chamados a testemunhar a paz através da gentileza, humildade e paciência de
Deus, presente na vida de cada pessoa.
Aquele que vive as seguintes palavras de Deus – “nós viremos a eles e
estabeleceremos a nossa morada” – pode tornar-se através da paz, um agente
privilegiado da unidade dos cristãos.
Oração
Senhor, fortalece meu espírito trêmulo na rocha de teus mandamentos e, do mesmo
modo como acalmaste a tempestade pelo poder de tua presença, acalma as ondas de
minha vida agitada, conduzindo-me para a embarcação que é tua Igreja. Dá-me essa
fé que me recorda que estás, desde já, presente conosco até o final dos tempos.
Amém
3° Dia
“A palavra que estais ouvindo”. Jo 14, 24
Cristo, Palavra do Pai.
| Dt 30, 11-14 |
“A palavra está bem perto de ti”. |
| Sl 85 (84), 2-14 |
“(O Senhor diz) “Paz para seu povo e para seus fiéis” |
| 2Cor 1, 18-22 |
“Todas as promessas de Deus encontraram o seu ‘Sim’ na
pessoa dele”. |
| Lc 10, 38-42 |
“(Ela) escutava a sua palavra”. |
Comentário
O Filho nunca cessa de receber do Pai. Sua vontade busca a do Pai, para
pronunciar um ‘Sim’ que traga paz ao mundo, o desejo de Deus para a humanidade.
Quando Jesus caminha entre nós, aqueles que o escutam acolhem a própria Palavra
de Deus. “Amor e Verdade se encontram; Justiça e Paz se abraçam”. Diante da
hostilidade de homens e mulheres, a Palavra responde através do amor de Deus
pela humanidade. Pelo silêncio da cruz, ele uniu todos os povos a si e
introduziu-os na paz de Deus.
Essa Palavra que se faz tão accessível para a humanidade penetra profundamente
no coração daqueles que se arriscam em acolhê-la. Por isso, quando Marta e Maria
oferecem-lhe hospitalidade, saboreiam essa Palavra, experimentando grande paz:
“esta palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou”. Essa
‘melhor parte’ produziria uma herança fecunda, os apóstolos, seguindo Cristo e
em seu nome, seriam chamados a se tornarem artesãos da reconciliação e da paz.
Essa Palavra é hoje oferecida às nossas Igrejas e, quando acolhemos o Cristo
vivo em nossas liturgias comuns da Palavra, ou em nossas ações conjuntas a
serviço dos outros, somos conduzidos à reconciliação. Unimo-nos nele com a
bênção de nosso Pai comum e nossas Igrejas tornam-se melhores servidoras da
Palavra e testemunhas da paz de Deus no trabalho.
Oração
Ó Senhor nosso Deus, em Jesus Cristo, Tua única Palavra, Tu reduziste o ódio à morte. Por tua morte, no silêncio da cruz, Reconciliaste o gênero humano entre si e contigo. Transforma nossas palavras de violência em palavras de paz E dá-nos a graça de aceitarmos o preço dessa reconciliação universal. Amém.
4° Dia
“O Espírito Santo vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que eu
vos disse”. Jo 14, 26
Paz, Fruto do Espírito.
| Jer 31, 31-34 |
“Eu depositarei minha instrução no seu íntimo”. |
| Sl 51 (50), 10-17 |
“Que me sustente o espírito generoso”. |
| Gal 5, 22-25 |
“O fruto do Espírito é amor, alegria, paz”. |
| Jo 20, 19-23 |
“A paz esteja convosco... Recebei o Espírito Santo”. |
Comentário
No dia em que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, estes atemorizados
escondiam-se sem saber o que fazer; de repente, viram uma nova porta abrindo-se
diante deles, e compreenderam como Deus havia se tornado carne em Jesus Cristo.
O Espírito Santo lhes foi dado, de modo que pudessem compreender e lembrar.
O Espírito Santo ensinou aos discípulos que profundidade da humanidade é
revelada na autêntica comunhão com Deus. O Espírito de paz e reconciliação sopra
sobre a Igreja e a renova, mesmo quando há pecado, para que ela possa
testemunhar essa obra do Espírito. O Espírito de verdade, de ciência e de
sabedoria inspira riquezas às diferentes Igrejas para que possam tornar
conhecido o que lhes foi ensinado sobre a vida divina e seu fruto, a paz.
Através do Espírito, os discípulos recordaram não tanto seus pecados, mas o
perdão e a paz que Jesus ofereceu à humanidade. Tudo sobre sua vida – suas
palavras transformadoras de vida – as ações através das quais, ele curou feridas
– tornaram-se presentes e reais, oferecidas novamente à humanidade. Cada um é
convidado à paz com Deus, para estar em paz consigo próprio e com o próximo.
As Igrejas recebem esse convite enquanto participantes das lutas da humanidade
pela paz, que os prepara para a Unidade, outro fruto do Espírito. A paz entre
nossas Igrejas pode dar testemunho do Único Espírito que nelas habita, que as
ensina e que traz à lembrança tudo o que o Único Senhor lhes ensinou.
Oração
Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, Deus Uno, Deus de verdade, paz e justiça. Abre nossas mentes, Ilumina nossos espíritos, Leva-nos a acolher o Espírito de verdade em nossas Igrejas, A fim de guiar-nos para a verdadeira paz. Amém
5° Dia
“Não vo-la dou como o mundo a dá”. Jo 14, 27
Paz e Violência A Paz de Deus e a Paz do Mundo
| Is 11, 1-17 |
“Não se fará mal nem destruição sobre toda a minha
montanha santa”. |
| Sl 119, 161-165 |
“Grande é a paz dos que amam a tua Lei”. |
| Rom 12, 18-21 |
“Sê vencedor do mal por meio do bem”. |
| Jo 12, 12-19 |
“Bendito seja, em nome do Senhor, aquele que vem’. |
Comentário
O relacionamento entre Deus e os seres humanos foi rompido pelo pecado.
Precisamos lutar para sobreviver pelo trabalho duro e enfrentar sofrimento,
doença e a inevitabilidade da morte. A vida humana é freqüentemente motivada por
egoísmo e rivalidade, e pessoas vivendo com medo e inimizade, perderam o dom da
paz. Muitos negam a existência de Deus e buscam o controle do mundo para si
próprias.
No Antigo Testamento, lemos sobre os meios através dos quais as pessoas buscam
sua própria segurança construindo paredes e oprimindo nações vizinhas enquanto
esperam o “Dia do Senhor”. Conforme os profetas do Antigo Testamento, a paz era
o sinal dos últimos dias e o Messias era o Rei da Paz esperada. De sua parte, o
profeta Isaías descreve mais claramente o Messias esperado como “o servo de Deus
sofredor”, o “Príncipe da Paz”, que conferiria sua paz duradoura construída na
caridade e no arrependimento sincero.
No Novo Testamento, Jesus entra em Jerusalém montado em um jumento e, dessa
forma, revela-se à multidão como Príncipe da Paz. Diante de Pilatos, ele diz
solenemente que seu reino não é deste mundo. Cristo é nossa paz e, através dele,
somos reconciliados com Deus Pai. Ele nos ordena amarmos uns aos outros como ele
e o Pai nos amam, a fim de nos reconciliar com nossos irmãos.
Hoje, podemos ser tentados a construir nossa própria segurança através da
opressão dos outros e do acúmulo de armas de guerra. Isso é buscar um falso tipo
de paz que é contrária à vontade de Deus. Deveríamos construir a paz, buscando a
reconciliação uns com os outros e favorecendo o entendimento e a justiça. Não
devemos buscar a vingança, mas deixar o julgamento final para Deus.
Se quisermos recorrer a esse tipo de paz em nossa vida internacional, precisamos
demonstrá-la na vida de nossas Igrejas. Os cristãos precisam buscar o
entendimento recíproco, trabalhar e rezar pela unidade da Igreja. Essa paz e
unidade são obra do Espírito em nós.
Oração
Senhor Deus da paz, fonte de toda consolação, concede-nos o dom de teu Santo Espírito. Em um mundo que busca segurança através da violência e da guerra, faze-nos mensageiros de tua paz. Como membros de tua Igreja, Corpo de Cristo, perdoa-nos o pecado de nossas divisões e dá-nos a coragem de buscar a unidade que nos ofereces, e que desejas, e na qual repousa tua paz. Em nome de Cristo, nós te pedimos. Amém.
6° Dia
“Que o vosso coração cesse de se perturbar e de temer”. Jo 14, 27
Não Temas.
| Is 43, 1-7 |
“Não temas pois eu estou contigo”. |
| Sl 23, 1-6 |
“Não receio mal algum, pois estás comigo”. |
| 1Jo 4, 16-21 |
“Não há temor no amor”. |
| Mt 8, 23-27 |
“Por que estais amedrontados, homens de pouca fé”? |
Comentário
Pela segunda vez, em conversa após a Última Ceia, Jesus convida seus discípulos
à confiança e à paz. Eles estão cheios de tristeza, medo e desejariam fugir
dessa dura realidade. Dois mil anos atrás, encontramos os discípulos mergulhados
em seus medos e ansiedades: O que o futuro nos trará? Que mudanças e quais
preocupações? De onde podemos tirar a coragem para enfrentá-las? Temos medo de
sermos deixados a sós, de não termos ninguém e nem para onde ir, quando
estivermos em desespero e, quando as tempestades da vida parecem nos consumir.
Tememos não saber amar e que o amor seja uma conquista e a paz uma recompensa;
se falharmos, o amor e a paz serão tirados de nós. Mas Jesus, através de seu
amor e de sua misericórdia, libertou-nos do medo. Enquanto viajamos pela estrada
longa da conversão tornamo-nos cada vez mais, convencidos de que o amor está
acima de tudo que possa nos amedrontar. É através de Jesus que aprendemos a
conhecer e a entender que a paz é um dom gratuito de Deus, que é oferecido aos
seres humanos, que são livres para aceitá-la ou recusá-la.
É uma experiência de libertação para os que permitem o amor incondicional de
Deus tornar-se base e realidade viva de suas vidas. Embora essa libertação não
signifique que todas as lutas e sofrimentos serão removidos de sua existência,
isso quer dizer que têm a possibilidade de agir e viver sem medo. “Mesmo se eu
andar por um vale de sombra e de morte, não receio mal algum, pois estás comigo”
como o salmista descreve sua experiência existencial.
Quando Deus se relaciona conosco, dando-nos amor e paz, ele também nos coloca em
relação uns com os outros; estamos unidos nele e através dele. Somos irmãs e
irmãos. A aceitação do amor de Deus só será visível em nossas vidas e em nosso
mundo, quando a tornarmos visível através do amor que tivermos uns pelo outros.
Isso não é só verdade para cada cristão, mas também para nossas Igrejas e
diferentes tradições. Quando construímos nossas identidades recíprocas não só
destruímos nossos relacionamentos humanos, mas trazemos divisão ao contrário de
reconciliação, como também nos separamos da própria fonte do amor e da paz,
afastamo-nos de Deus.
As tempestades que agitam o mundo são fortes demais para os cristãos e as
Igrejas que não se unem como irmãos e irmãs unidos em Cristo para enfrentá-las
lideradas pelo Espírito Santo, que não é um espírito de medo, mas de amor e
coragem.
Oração
Senhor Jesus, uma palavra tua no lago foi suficiente para acalmar o medo dos apóstolos e apaziguar a fúria das ondas. No meio das tempestades deste mundo, Concede à tua Igreja e aos homens e mulheres de todo o mundo, a graça de ouvir tua Palavra, “Não temas”, e que ela seja encorajamento para que possamos agir em paz onde houver ódio e levar reconciliação onde prevalecer a divisão. Amém
7° Dia
“Eu vou e venho a vós”. Jo 14, 28
Esperando pela Glorificação de Cristo
| Hab 2, 1-14 |
“Vou manter-me no meu posto de guarda... espreitarei para ver o
que falará contra mim.
|
| Sl 130, 1-8 |
“Minh’alma deseja o Senhor, mais do que o vigia o amanhecer”. |
| Rom 8, 18-27 |
“Pois a criação espera com impaciência a revelação dos filhos de
Deus”. |
| Mt 25, 1-12 |
“Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora’. |
Comentário
Jesus fala sobre sua partida e promete ao mesmo tempo voltar. Com essas palavras
ele indica a seus discípulos que seu caminho levará, através da escuridão da
paixão e morte à glória de sua ressurreição. Na Páscoa, a revelação gloriosa da
chegada da nova criação torna-se visível. Acreditamos na ressurreição de Cristo
e esperamos por sua glorificação final. Nele repousa nossa esperança de salvação
e paz para toda a humanidade e toda a terra. Essa esperança que nos unifica como
cristãos é uma fonte vital de alimento para nossa vida, e está fundamentada na
palavra e promessa de Deus. Como Habacuc, esperamos por Deus até o cumprimento
de sua palavra. Como o salmista, estamos contemplando a fidelidade de Deus.
Aguardamos na esperança e solidários com esse mundo. Muitos perguntam sobre a
presença de Deus; estão sem esperança, cheios de dúvidas, medo e tristeza; vêem
injustiça, dor e violência sem poder acreditar num futuro de justiça e paz. Como
povo que espera, os cristãos compartilham as crises e tensões deste mundo. Não
nos limitamos a ficar em um canto e olhar. Sentimos freqüentemente nossa
impotência e perguntamos sobre o a presença oculta de Deus. A unidade dos
cristãos deveria ser um forte sinal para o mundo sobre o nascimento pleno de uma
nova humanidade.
A promessa de Cristo nos inspira a confiarmos em seu poder e verdade. A estória
das noivas virgens nos encoraja à prontidão e à paciente espera em Cristo. O
tempo pode ser longo, mas o dia chegará e o Senhor ressuscitado retornará e nos
libertará de toda dor e sofrimento. A espera da gloriosa revelação de Cristo é
uma oportunidade para testemunho e missão. É tempo de amor e paz, para reunião e
reconciliação, e ocasião para partilha e apoio mútuo. Assim, a esperança em
nosso coração tornar-se-á visível e crível: a vitória da paz e do amor de Deus
será manifestada.
Oração
Senhor Deus, tu revelas tua glória na vida e no poder de teu Filho
ressuscitado. Juntos te pedimos que venha o teu reino.
Ansiamos pelo dia glorioso da revelação de Cristo, quando o reino de morte e
lágrimas terá fim e teu reino de paz, justiça e amor será instituído para
sempre. Amém.
8° Dia
“Levantai-vos, partamos daqui!” Jo 14, 31
A Caminho da Paz de Cristo
| Am 5, 10-15 |
“Odiai o mal, amai o bem, restabelecei o direito no
tribunal”. |
| Sl 16, 8-9 |
‘Tenho sempre o Senhor diante de mim”. |
| Ef 5, 8-21 |
“Vivei como filhos da luz”. |
| Mt 25, 31- 40 |
‘Todas as vezes que o fizestes a um destes mais
pequeninos... foi a mim que o fizestes’. |
Comentário
Cristo mostrou o caminho para a paz, aceitando a cruz porque sabia que o Senhor
deste mundo não tem poder sobre ele. Seu convite para levantar e estar em
marcha é outra forma de nos trazer para dentro do mistério pascal da cruz e
ressurreição. Há uma estreita ligação entre a paz que Jesus nos oferece e a
maneira pela qual a interiorizamos e vivenciamos no mundo. Podemos estar em paz,
viver em paz enquanto o menor sofre injustiça, fome, nudez? Em resumo, enquanto
não tem a dignidade que é sua como criatura de Deus? A mensagem dos profetas é
clara: o autêntico “shalom, paz” existe onde há integridade e plenitude, onde se
busca o bem e reina a justiça.
Todos os que aceitaram Cristo e estão vestidos de luz buscam o bem, a justiça e
a verdade. Com efeito, quando recebem o pobre, alimentam o faminto e são
promotores da paz em nome da justiça; é a luz de Cristo que brilha em seu
interior porque morreram com Cristo e ressuscitaram com ele.
No último dia, seremos chamados como Igrejas e como cristãos, a prestar contas
de nossa reconciliação na paz – com aqueles que não têm paz porque lhes faltam
os elementos essenciais da dignidade humana. A oferta da paz que Cristo nos faz,
cria comunhão com ele e com o Pai, porque ao aceitá-la, aceitamos viver nele e
ele em nós. Essa comunhão realiza a reconciliação entre a terra e o céu, entre
nós e Deus. Esse dom da paz é duplamente desafio e garantia: é desafio porque
nos obriga a aprendermos a sair de nós mesmos criando espaço para o outro; é
promessa porque é o selo da permanente presença de Cristo em nossos corações. A
melhor qualidade de paz é a alegria.
Oração
Deus Trino, tu nos revelaste que as obras das trevas e injustiça são
conquistadas pela morte e ressurreição de Jesus. Tua oferta de paz nos encoraja
a imitá-lo rompendo os laços da desumanidade, da injustiça, do ódio e da
desunião. Fortalece-nos por teu Espírito de paz para que possamos odiar sempre o
mal, amarmos o bem e estabelecermos justiça. Não permitas que gritemos “Paz”, na
segurança de nossas vidas tranqüilas, mas dá-nos a força de declararmos guerra à
injustiça que aflige os que estão com fome e vivem em circunstâncias precárias.
Permite-nos encontrar tua paz no serviço humilde e corajoso em favor dos menores
de tua família. Amém.
Orações Adicionais das Liturgias Orientais
Igreja Bizantina de Antioquia
Da Oração da Manhã:
De madrugada nossos corações se voltam para ti, porque teus mandamentos iluminam
a terra. Nós desejamos praticar a caridade e a santidade vivendo em teu temor,
pois é a ti que nós glorificamos, tu, nosso Deus verdadeiro. Dá ouvido e
atende-nos. Recorda-te, Senhor, de todos aqueles que te fizeram súplicas, de
cada um por seu nome, e atende-os por teu poder. Abençoa teu povo e santifica
tua herança! Dá a paz a teu mundo, a tuas Igrejas, a teus servos e a todo teu
povo, pois teu nome, digno de toda honra e exaltação, é bendito, ó Deus Pai,
Filho e Espírito Santo, agora e sempre pelos séculos. Amém (Segunda oração das 12 orações do Ofício das Matinas)
Orações para a Paz, das Liturgias de São João Crisóstomo e São Basílio
Em paz, roguemos ao Senhor. -Tem piedade, Senhor. Pela excelsa paz e a salvação de nossas almas, roguemos ao Senhor. -Tem piedade, Senhor. Pela paz do mundo inteiro, pela estabilidade das santas Igrejas de Deus e pela
união de todos, roguemos ao Senhor. -Tem piedade, Senhor. Um anjo de paz, um fiel guia, guarda de nossas almas e de nossos corpos,
supliquemos ao Senhor. -Atende, ó Senhor. Os bens proveitosos para as nossa almas e a paz para o mundo, supliquemos ao
Senhor. -Atende, ó Senhor. Para que passemos o restante de nossa vida em paz e penitência, supliquemos ao
Senhor. - Atende, ó Senhor. Que o fim de nossa vida seja cristão, livre de dores e humilhações, pacífico e
de boa defesa diante do tribunal temível de Cristo, supliquemos ao Senhor. - Atende, ó Senhor.
Igreja Siríaca de Antioquia
Anáfora de Tiago, Irmão de Nosso Senhor - da Divina Liturgia de São Tiago
C. Senhor Deus do mundo e nosso Deus considera-nos dignos de redenção mesmo sem
o sermos, liberta-nos de toda culpa, e unidos pelos laços de caridade possamos
saudar-nos uns aos outros com um beijo de paz santo e divino, para que possamos
te oferecer glória e graças ao teu único Filho e ao teu Espírito Santo, tudo o
que é santo e bom, adorável e vivificante, da mesma substância que a tua, agora
e sempre, por todos os séculos dos séculos.
A. Amém. Abençoa-nos Senhor. C. A paz esteja contigo. A. E com teu espírito. C.Desejemos a paz uns aos outros com um beijo santo e divino no amor de nosso
Senhor e Deus. A. Ó Senhor nosso Deus, faze-nos merecedores de tua paz. C. E após havermos trocado essa divina e santa paz, inclinemos nossas cabeças
diante de nosso misericordioso Senhor, em adoração. A. Inclinamos nossas cabeças diante de ti, nosso Senhor e nosso Deus.
Anáfora do Domingo de Natal de São Tiago de Saroug, Doutor da Igreja.
C. Senhor Deus, cuja serenidade é infinita, a paz inquebrantável e caridade que
não pode romper sua aliança; por tua graça, criaste os seres humanos para serem
incorruptíveis e quando eles desobedeceram a tuas ordens por causa da inveja do
demônio, foram condenados à morte. Pela vinda de teu único Filho, nosso Senhor e
nosso, que dá a vida, tu encheste a terra com paz celestial, a paz que as hostes
angélicas proclamaram, dizendo “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos
homens de boa vontade”. Enche nossos corações com tua bondade, purifica-nos de
toda mancha, toda desonestidade, toda inveja mortal, todo mal e toda fraqueza.
Faze-nos dignos de dar a paz, na pureza e com um santo beijo; comungar dos dons
celestiais e eternos que nos hás concedido através de Cristo, nosso Senhor. Por
ele e através dele és glorificado e louvado, agora e para sempre.
A Amém. Abençoa-nos Senhor. P. A paz esteja contigo. A. E com teu espírito. P. Demo-nos a paz uns aos outros com um beijo santo e divino no amor de nosso
Senhor e Deus. A. Ó Senhor nosso Deus, faze-nos dignos dessa paz. P. C. Após havermos trocado essa divina e santa paz, inclinemos nossas cabeças
diante de nosso misericordioso Senhor, em adoração. A. Inclinamos nossas cabeças diante de ti, nosso Senhor e nosso Deus.
Igreja Armênia
Oração do Ofício da Manhã; Cântico dos Anjos.
Glória a Deus nas alturas, paz na terra aos homens de boa vontade. A ti o louvor
no mais alto dos céus. Bendito sejas tu, ó nosso Salvador e mestre; nós te
louvamos, nós te glorificamos, nós te confessamos e nós te adoramos, nós te
louvamos e te rendemos graças por tua imensa glória; tu nosso Mestre e nosso
rei, tu o Santo do céu, o Senhor e o Pai todo-poderoso; nosso Senhor e o Filho
único do Pai, Jesus Cristo, o Filho do Santo. Nosso Mestre e Senhor, Cordeiro de
Deus e Filho do Pai, que se tornou um de nós através da Virgem. Tu nos fizeste
misericórdia, tu perdoaste os pecados do mundo. Por isso, ouve nosso grito de
esperança. Tu, o santo que sentas à direita do Pai, tem piedade de nós, porque
tu és santo, tu és o único Altíssimo, tu és nosso único Senhor Jesus Cristo, com
o Santo Espírito, na glória de Deus Pai. Amém. Em todo tempo, nós te louvamos,
Senhor, e glorificamos teu Santo Nome, nas eternidades das eternidades. Faze-nos
dignos, Senhor, da paz deste dia e preserva-nos do pecado. Bendito seja o
Senhor e Mestre de nossos Pais. Louvado e glorificado seja seu Nome eternamente
santo. Amém. Senhor, tu que és bendito ensina-nos tua justiça (três vezes). Sê,
Senhor, nosso guia de geração em geração. Eu te suplico, Senhor, tem piedade de
mim e cura minha alma, eu que pequei contra ti. Mostra-me, Senhor, tua
misericórdia e dá-me tua salvação. Senhor, tua misericórdia é eterna. Não
interrompas a obra de tuas mãos. Ó meu Senhor, faze com que eu me refugie em ti.
Ensina-me a fazer tua vontade porque tu és meu Deus. De ti, Senhor, brota a vida
e pela luz de tua Face nós vemos a luz. Faze brilhar tua misericórdia sobre
aqueles que te reconhecem como Deus. (Ofício das matinas)
Oração ao Espírito Santo de São Gregório De Narek
Suplico por teu Senhorio eterno e poderoso, ó Espírito poderoso, Envia o orvalho de tua doçura, Concede à minha alma e a meu espírito que domina meus sentidos, o benefício da
plenitude da graça e tua abundante misericórdia. Cultiva o campo hábil do meu coração de carne, endurecido, para que possa
receber e propagar a semente espiritual. Confessamos que é através de tua suprema sabedoria que nossos dons florescem e
crescem dentro de nós. Porque és tu que consagras os apóstolos, que inspiras os profetas, ensinas os
doutores, fazes o mudo falar e abres os ouvidos fechados do surdo. Eis porque ele que tem a mesma natureza que tu, que é um só corpo com o Pai, que
é o Filho primogênito, que realiza todas as coisas com teu auxílio, proclamastes
Deus, igual à essência do Pai. Dá-me, a mim, pecador, também a graça de falar com confiança sobre o mistério
vivificante da Boa Nova de teu Evangelho. Para que possa caminhar com um passo largo e rápido de espírito através do espaço infinito dos testamentos que inspiraste. E, no momento em que tiver que explicar tua palavra em público, possa tua misericórdia, preceder-me e inspirar-me no tempo devido sobre aquilo que te é digno, útil e agradável. Para a glória e louvor de tua divindade. E para a completa edificação da Igreja universal. Estende sobre mim tua mão direita próxima e fortifica-me com a graça de tua compaixão. Dispersa de minha mente a sombra do esquecimento, perseguindo com ela as sombras do pecado, a fim de que eu possa ser elevado com a agudeza de minha inteligência, da vida na terra às alturas. Irradia em mim, uma vez mais, o brilho e a maravilhosa elevação do conhecimento de tua Divindade, ó Poderoso, a fim de que eu possa ser digno de agir e ensinar para ser um bom exemplo para
meus ouvintes, amigos de Deus. A ti toda glória, com o Todo Poderoso Pai e o Filho Único nossa salvação, agora, e para sempre. Amém.
Igreja Caldéia
Do Rito Oriental Caldeu: Canto de Ofertório da Missa da Circuncisão do Senhor.
Que minha paz esteja contigo. Glória a Deus. Paz e segurança na terra; alegria e
esperança para toda a humanidade sem distinção. Tal é a boa nova do nascimento e
missão de Cristo, ontem, hoje e sempre.
Como são bonitos os pés dos mensageiros da Boa Nova da paz! Cristo nos chamou
para viver no amor, longe da disputa: sem oprimir, nem invejar, humilhar, ou
julgar. Ele nos chamou para agirmos com boa vontade para apagar toda discórdia e
o Senhor recompensará nossos esforços. Bem-aventurados os pacíficos! Esse é o
ensinamento de Jesus Cristo, a paz não pode reinar sem a amizade e o diálogo
sincero. Ó Senhor da paz concede-nos a graça de viver no respeito uns com os
outros, no espírito da verdade e afirmação, rejeitando todo ciúmes e superando o
mal com paciência, com o perdão e instituindo um reino de paz através da
bondade.
Canto do Ofício do Décimo Segundo Dia do “Ba’oussa”, * de Santo Efraim, Doutor
da Igreja:
Senhor, tua misericórdia é eterna. Ó Cristo, tu que és toda misericórdia, dá-nos
tua graça, estende tua mão e socorre todos os que são tentados, tu que és bom,
tem piedade de todos as crianças e vem em seu socorro; dá-nos, Senhor,
misericordioso, a graça de podermos nos refugiar à sombra de tua proteção e de
sermos livres do mal e dos adeptos do Maligno.
Minha vida está por um fio como o de uma teia de aranha: no tempo de inquietação
e discórdia, nós nos tornamos desconhecidos e nossos anos perdem o viço sob a
miséria e a desgraça. Senhor, tu que, acalmaste o mar, acalma também em tua
misericórdia as desordens do mundo, sustenta o universo que sucumbe sob o peso
de suas faltas.
Glória ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo. Senhor, que tua misericordiosa
repouse sobre os fiéis e confirme tua promessa aos apóstolos: “Eu estou convosco
todos os dias até o fim do mundo”; sê nosso socorro como tu foste o deles e, por
tua graça salva-nos de todo o mal; dá-nos segurança e paz, a fim de que nós te
rendamos graças e adoremos teu Santo Nome para sempre. (Ofício das matinas)
Aleppo, uma Cidade Ecumênica
Introdução
A cidade de Aleppo está localizada ao norte da Síria. É conhecida desde a
antiguidade como ponto de encontro de várias civilizações que se sucederam umas
às outras como uma encruzilhada para as caravanas comerciais, ligando o Oriente
distante ao Ocidente, o Norte ao sul. A impressionante cidadela e seus antigos
‘souks’ (mercado) da cidade velha testemunham seu passado.
Aleppo também foi conhecida como “Borée”. Uma antiga tradição explica que Aleppo
– halab em árabe – vem da palavra halib, que significa leite. Diz
a tradição que Abraão passou pela cidade e que suas vacas foram aí ordenhadas.
1. Visão Histórica
Muito cedo a cristandade foi introduzida em Aleppo. Eclesiasticamente, a cidade
dependia da Sé apostólica de Antioquia (a 80km de distância), onde os discípulos
de Cristo foram chamados pela primeira vez de “cristãos” (At. 11, 26). O
historiador Michael, o Sírio, relata sobre uma tradição, segundo a qual as
regiões de Aleppo e de Mounbouj foram evangelizadas pelo apóstolo Simão, o
Zelota.
A primeira comunidade cristã de Aleppo existiu por três séculos sem uma
hierarquia oficial devido à perseguição do governo pagão romano. Houve muitos
mártires, sendo os mais notáveis os dois santos, Sergio e Bacchus, e os dois
médicos, Cosme e Damião.
Depois do reconhecimento oficial da religião cristã no começo do século IV, a
Igreja de Aleppo foi constituída como uma eparquia sufragânea da Sé de
Antioquia; foi nessa época que as igrejas foram construídas e conventos erigidos
com o aparecimento de eremitérios e células monásticas.
As igrejas antigas de Aleppo, as cidades desertas e as igrejas em ruínas em
volta da cidade são o melhor testemunho do período florescente do cristianismo
na área, tal como a igreja de São Simão, o ‘Stylita’, e as igrejas de
Mouchabbak, Qalb e Qorechet.
A vida monástica de Alleppo alcançou seu auge entre os séculos IV e V. Os
conhecidos ‘stylitas’, “os escolhidos de Deus”, espalharam-se além da região. Os
‘stylitas’ incluíam as mulheres Marana e Kira da época do bispo Acácio de Aleppo
(378-432).
A presença cristã foi sacudida e prejudicada muitas vezes através dos séculos,
primeiro sob o governo romano e depois pelo governo bizantino, por causa da
heresia de Ario e da rejeição do Concílio de Calcedônia. Depois da conquista
muçulmana, os cristãos foram colocados sob zimmah (tutela) pelos
conquistadores.
No final das Cruzadas e depois das invasões dos seljukians’, dos mamelucos, dos
tártaros e dos mongóis, a situação se estabilizou no século XV quando a Síria
foi tomada pelos otomanos. Eles reconheceram várias comunidades cristãs como
entidades sócio-culturais que gozavam de um certo grau de autonomia interna: ‘millet’.
* Essa descrição da situação ecumênica local foi preparada pelo grupo
preparatório local e publicada sob sua responsabilidade.
Os cristãos, divididos conforme suas origens e tradições, aprenderam a viver
lado a lado. Essa situação é tangível em Aleppo por causa da proximidade das
igrejas Bizantina-Melquita, Armênia, Maronita e Síria.
No século XVII, mercadores invadiram a metrópole Síria. Consulados foram
estabelecidos para proteger seus interesses, acompanhando-os vieram também
muitos missionários religiosos que contribuíram para uma nova expansão
espiritual. Os fundadores de cinco ordens religiosas originadas em Aleppo
estabeleceram conventos no Líbano.
No século XVIII desenvolveu-se em Aleppo uma tendência em favor da unidade com
Roma, resultando nas Igrejas Armênia, Bizantina-Melquita e Síria dividindo-se
cada uma em duas comunidades: Ortodoxa e Armênia.
As comunidades caldéia e latina foram constituídas no século XIX. Mais tarde,
como resultado dos esforços dos missionários protestantes, foram criadas duas
comunidades evangélicas, uma armênia e outra árabe.
No começo do século XX, as relações entre as Igrejas não foram cordiais, mas
inúmeros de fatores sociais e nacionais levaram os cristãos a se juntarem
através dos anos, até o advento de um novo período de relações ecumênicas
fraternas, inauguradas pelo abraço histórico entre o Papa Paulo VI e o Patriarca
Athenagoras, em Jerusalém. E, desde que o solo era bastante fértil em Aleppo,
já conhecida por suas ricas tradições religiosas, a semente da unidade encontrou
um lugar natural para crescer, amadurecer e produzir fruto até a presente data.
Isso, porque durante os trinta e cinco anos passados Aleppo conheceu uma
evolução rápida nas relações ecumênicas entre as Igrejas locais ortodoxa,
católica e protestante. Foram os líderes religiosos que contribuíram para a
criação do clima ecumênico conforme as orientações de seus Sínodos respectivos,
sem ignorar o fato de que os leigos também impuseram um espírito ecumênico num
ambiente onde a unidade entre os cristãos era de primária importância.
2. Aleppo Hoje
Aleppo é uma cidade de 1,500,000 habitantes. Os cristãos são a minoria, formando
10% de uma população principalmente muçulmana. O Árabe é o idioma oficial, mas
entre os cristãos, alguns falam armênio e o síriaco. Aleppo tem onze comunidades
cristãs reconhecidas como ‘taifeh’; três eparquias ortodoxas (Armênia
apostólica, Grega Ortodoxa de Antioquia, Síria Ortodoxa de Antioquia), seis
eparquias católicas (Grega Melquita, Armênia, Síria, Maronita, Caldéia, Latina),
e duas comunidades protestantes (Armênia e Árabe).
É claro que todos os líderes religiosos, embora vivam no mesmo território, têm
jurisdição somente sobre “o povo” de suas próprias comunidades. Todas as
comunidades têm seus estatutos reconhecidos pelo Estado e são juridicamente
independentes com relação aos certificados de casamento, cortes eclesiásticas,
celebrações, administração de propriedade, conselhos administrativos, etc. Uma
prática específica de Aleppo é o fechamento de várias escolas particulares,
fábricas e lojas aos domingos, embora o feriado oficial seja sexta-feira. Aos
cristãos que trabalham aos domingos é dado tempo livre para participarem de suas
cerimônias religiosas dominicais. As celebrações litúrgicas e os principais
eventos eclesiais, como casamentos e batismo, acontecem aos domingos e a
freqüência atual de cristãos excede a porcentagem oficial.
Há 36 igrejas funcionando em Aleppo, ao lado de 17 capelas e 21 conventos. Os
fiéis são assistidos por 98 padres, religiosos e pastores e 75 irmãs
consagradas. Aleppo permanece uma fonte de vocações sacerdotais e religiosas e é
sede de três seminários menores e de três programas de formação de jovens.
Instituições de caridade educacionais e culturais patrocinadas pelas igrejas,
assim como escolas, hospitais, clínicas, casa para idosos, orfanatos, etc.
contribuem grandemente para o desenvolvimento social da cidade e servem a todos
sem discriminação.
Acima de tudo, Aleppo distingue-se por seu espírito de convivência e vizinhança
com os muçulmanos. As relações entre os vários líderes religiosos e entre o
povo, cristãos, e muçulmanos são fraternais e cordiais, marcadas pelo respeito
recíproco e cooperação na área social e pela participação partilhada nos deveres
nacionais. Os cristãos têm seus representantes no parlamento, nos corpos oficial
e administrativo; gozam de direitos cívicos totais e são iguais aos olhos da
lei. Nesses contextos são chamados a testemunhar diante dos seus companheiros
cidadãos através de sua boa conduta, sua retidão e sua unidade.
Esse mosaico de comunidades cristãs encontra sua unidade, graças ao encontro
regular dos líderes religiosos - no último sábado de cada mês – para discutir
questões pastorais e tomar decisões comuns sobre questões sociais e situações
não previstas. Eles estão comprometidos a rejeitar todos os meios de
proselitismo, a ajudarem-se mutuamente na salvaguarda dos interesses das Igrejas
e a testemunharem diante dos muçulmanos. Têm um Conselho de Chefes das
Comunidades Cristãs de Aleppo com Secretaria própria, que publica declarações e
promulga normas gerais.
3. Relações Ecumênicas Internas
Motivadas por esse espírito ecumênico, as Igrejas de Aleppo têm sido capazes de
conseguir um progresso significante de três maneiras: partilha espiritual,
concordância pastoral e colaboração em obras de caridade.
a. Partilha espiritual:
Bispos e sacerdotes participam de batismos, casamentos, noivados e funerais nas
diferentes Igrejas locais. Freqüentemente, essas celebrações tornam-se eventos
ecumênicos, criando uma impressão positiva em todos os fiéis. O ponto alto do
relacionamento ecumênico em Aleppo é alcançado, a cada ano, durante a Semana de
Oração pela Unidade dos Cristãos. A Comissão ecumênica local cuida das
celebrações e também prepara os livretos para ajudar os fiéis a participarem das
orações. A primeira celebração reúne os fiéis. A segunda reunião é para os
jovens. O terceiro encontro de orações destina-se a todo o clero e é seguido de
um “ágape” fraternal. Uma celebração ecumênica especial, em língua armênia, é
organizada pelas três comunidades armênias da cidade, que também celebram juntas
comemorações de eventos nacionais ou religiosos.
É de se observar que os padres de várias comunidades (mais de 95) conhecem-se e
gozam de boas relações. Como resultado, um livro do ano ecumênico tem sido
publicado para todas as comunidades de Aleppo.
b. Entendimento pastoral:
Esse é realmente um entendimento a nível pastoral entre as várias Igrejas de
Aleppo. Com efeito, todas elas reconhecem o batismo das outras Igrejas, assim
como também os casamentos mistos. É costume que a esposa freqüente a comunidade
de fé de seu marido. No entanto, requerimentos de passagem de uma para outra
Igreja raramente são aceitos, mesmo assim, devem estar apoiados em razões
válidas.
Todas as escolas particulares, confrarias e centros catequéticos têm um caráter
ecumênico. É de se notar que os livros de catecismo usados em todas as escolas
da Síria são escritos por uma comissão ecumênica. Esse projeto pode, sem dúvida,
ser considerado como uma mudança de vanguarda na área ecumênica.
Deveria também ser observado que a “Sociedade Bíblica” dirigida pelos
protestantes, o Instituto de Teologia da Sociedade do Catecismo Católico, assim
como os movimentos Ortodoxos, todos trabalham na promoção do espírito ecumênico.
Ainda mais, todo material publicado em nome das Igrejas de Aleppo, como os
boletins diocesanos e os folhetos paroquiais, caracteriza-se pelo espírito
ecumênico.
Várias comissões ecumênicas inter-confessionais operam em colaboração com o
Conselho das Igrejas do Oriente Médio (para juventude – família – promoção de
assuntos femininos- da saúde...).
Uma nova igreja foi recentemente consagrada em um novo distrito da cidade,
servindo a ortodoxos e católicos juntamente; essa igreja servirá a todos os
cristãos.
Uma de nossas mais comuns preocupações é o problema da emigração, que pesa
fortemente sobre as Igrejas orientais. Lutamos contra essa praga num espírito
ecumênico de solidariedade. Nosso plano pode ser centralizado em três linhas:
* Temos raízes nos países árabes: donde a importância em nos ocuparmos com os
sítios arqueológicos pertinentes e encorajarmos os grupos de jovens para que
visitem as igrejas antigas em ruínas e estudem a história de nossas Igrejas do
Oriente.
* Temos uma história comum com nossos irmãos muçulmanos: daí a importância de
nossa presença e de nossa vida comum em uma mesma e única pátria.
* Temos privilégios que não são encontrados em outros países: por isso a
importância em acautelar os cristãos contra a sedução dos países desenvolvidos.
c. Colaboração em obras de caridade:
Como já mencionamos, as Igrejas de Aleppo são notáveis por sua colaboração nos
campos humanitário e caritativo, providenciando assistência aos idosos,
orfanatos, pobres, famílias em dificuldades, pessoas deficientes; hospitais e
clínicas também adotaram uma linha de conduta ecumênica não fazendo distinção
entre pessoas de confissões diferentes. Em Aleppo, a comunhão espiritual está
incorporada concretamente na comunhão da caridade.
Estamos ainda esperando começar um diálogo teológico e doutrinal, que falta em
nossas relações ecumênicas, que são limitadas às áreas espiritual e pastoral e
ajuda humanitária. Do mesmo modo, ainda buscamos caminhos para unificar a data
da Páscoa, uma preocupação central entre os fiéis. Atualmente, algumas Igrejas
celebram a Páscoa conforme o calendário gregoriano, outras conforme o calendário
Juliano; é um escândalo uma vez que buscamos a unidade. Fomos também perturbados
com a criação de uma nova, e independente comunidade eclesial em Aleppo, que não
participa das atividades ecumênicas, pela recusa em reconhecer o batismo das
outras Igrejas e que está se expandindo através de uma forma ofensiva de
proselitismo.
4. Relações Ecumênicas Externas
Vários bispos e líderes das comunidades religiosas de Aleppo têm relações
oficiais com conselhos e autoridades ecumênicas internacionais e fazem parte dos
diálogos teológicos bilaterais com Igrejas irmãs. Esse envolvimento é também um
beneficio para nossos relacionamentos ecumênicos locais.
Entre esses Conselhos, gostaríamos de assinalar:
-
O Conselho Mundial das Igrejas que organizou vários encontros em Aleppo,
sendo que o mais importantes deles escolheu como tema a unificação da data da
Páscoa. O evento ficou conhecido como “Consulta de Aleppo”.
-
O Conselho das Igrejas do Oriente Médio que tendo encontrado um solo
fértil para o ecumenismo em Aleppo, criou um escritório para tratar da educação
cristã e organizar várias atividades ecumênicas de interesse para a família,
juventude e senhoras (essas atividades incluem, em primeiro lugar cursos de
formação pedagógica).
-
O Conselho Pontifício para Promoção da Unidade dos Cristãos mantém as
atividades ecumênicas na cidade e tem enviado muitos representantes com o
objetivo de promover o diálogo entre as Igrejas Irmãs do Oriente e reviver o
processo de unidade.
Deveria ser igualmente observado que todas as visitas feitas a Aleppo, em várias
ocasiões, pelos patriarcas são oportunidades para eventos ecumênicos.
A visita do Papa João Paulo II à Síria, entre os dias 5 e 8 de maio de 2001,
deu certamente um novo impulso ao espírito ecumênico e uma atmosfera de caridade
entre as Igrejas. Embora as circunstâncias não tenham permitido ao Santo Padre
visitar Aleppo, toda a cidade, com seus líderes religiosos e um grande número de
fiéis foram à capital de Damasco para recebê-lo e tomar parte nas celebrações
presididas pelo Papa e nos encontros ecumênicos em sua honra.
Conclusão
Concluindo nossa visão geral sobre as relações ecumênicas em Aleppo, agradecemos
a Deus pela jornada que juntos empreendemos e oferecemos a ele nossa aflição no
que ainda nos separa, confiando que o Senhor, Criador de toda unidade,
transformará em realidade nosso desejo pela unidade. “Aquele que pode, por seu
poder que age em nós, fazer além, infinitamente além do que nós podemos pedir e
conceber, a ele a glória na Igreja e em Jesus Cristo, por todas as gerações nos
séculos dos séculos Amém”. (Ef 3, 20-21)
Algumas datas importantes na história da Oração pela Unidade
1740 Na Escócia há um movimento Pentecostal com ligações
norte-americanas, cuja mensagem predicante inclui orações por e com todas as
Igrejas.
1820 O Rev. James Haldane Stewart publica “Hints for the General
Union of Christians for the Outpouring of the Spirit.”
1840 O Rev. Ignatius Spencer, um convertido ao catolicismo
romano, sugere a “União de Oração pela Unidade”.
1867 A Primeira Conferência Lambeth dos Bispos Anglicanos
enfatiza a oração pela unidade no Preâmbulo de suas Resoluções.
1894 O Papa Leão XIII encoraja a prática da Oração de Oitava pela
Unidade no contexto de Pentecostes.
1908 A observância da “Oitava pela Unidade da Igreja” iniciada
pelo Rev. Paul Watson.
1926 O movimento Fé e Ordem começa publicar “Suggestions for an
Octave of Prayer for Christian Unity”.
1935 O abade Paul Couturier da França defende a “Semana Universal
de Oração pela Unidade dos Cristãos” com base em uma oração pela “unidade que
Cristo quer através dos meios que ele deseja”.
1958 O Centro Unidade Cristã (Lyon, França) e a Comissão Fé e
Ordem do Conselho Mundial das Igrejas começam uma preparação cooperativa sobre
os materiais para a Semana de Oração.
1964 Em Jerusalém, o Papa Paulo VI e o Patriarca Athenagoras I
juntos rezam a oração de Jesus “que todos sejam um”. (Jo 17).
1964 O “Decreto sobre o Ecumenismo” do Vaticano II enfatiza que a
oração é a alma do movimento ecumênico e encoraja a observância da Semana de
Oração.
1966 A Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial das Igrejas e da
Secretaria para Promoção da Unidade dos Cristãos [conhecida agora como Conselho
Pontifício para Promoção da Unidade Cristã] começam oficialmente juntas a
preparação do material para a Semana de Oração.
1968 Primeiro uso oficial do material da Semana de Oração
preparado em conjunto pela Comissão Fé e Ordem e a Secretaria para a Promoção da
Unidade dos Cristãos [agora conhecido como Conselho Pontifício para Promoção da
Unidade dos Cristãos].
1975 Primeiro uso do material da Semana de Oração baseado no
esboço de um texto preparado pelo grupo ecumênico local.
1994 O texto de 1996 é preparado em colaboração com o YMCA e o YWCA.
Temas da “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”
Temas anteriores da “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”
Elaborados em colaboração entre a Comissão “Fé e Constituição” do Conselho
Mundial de Igrejas e o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos
Cristãos, a partir de 1968.
1968 - 2003 Elaborados em colaboração entre a Comissão “Fé e Constituição” do Conselho
Mundial de Igrejas e o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, a partir de 1968.
1968 “Para o louvor da sua glória” (Ef 1,14)
1969 “Chamados à liberdade” (Gl 5,13) (Reunião preparatória em Roma, Itália).
1970 “Somos cooperadores de Deus” (1Cor 3,9) (Reunião preparatória no Mosteiro de Niederaltaich, República Federal da
Alemanha).
1971 “...e a comunhão do Espírito Santo” (2Cor 13,13) (Reunião preparatória em Bari, Itália).
1972 “Dou-vos um mandamento novo” (Jo 13,34) (Reunião preparatória em Genebra, Suíça).
1973 “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11,1) (Reunião preparatória na Abadia de Montserrat, Espanha).
1974 “Que todos confessem: Jesus Cristo é o Senhor” ( Fl 2,1-13) (Reunião preparatória em Genebra, Suíça) (Em abril de 1974, foi dirigida uma carta às Igrejas-membro, assim como a outros
interessados na criação de grupos locais dispostos a participar da preparação do
livrete da Semana de Oração. Um grupo australiano foi o primeiro que se engajou
e preparou, em 1975, o projeto inicial do subsídio para a Semana de Oração).
1975 “A vontade do Pai: tudo reunir
sob um único chefe, Cristo” (Ef 1,3-10) (Projeto do texto elaborado por um grupo australiano. Reunião preparatória em
Genebra, Suíça).
1976 “Chamados a tornar-nos aquilo que somos” (1 Jo 3,2) (Projeto do texto elaborado pela Conferência das Igrejas do Caribe. Reunião
preparatória em Roma, Itália).
1977 “A esperança não decepciona” (Rm 5, 1-5) (Projeto do texto elaborado no Líbano, em plena guerra civil. Reunião
preparatória em Genebra).
1978 “Já não sois estrangeiros” (Ef 2,13-22) (Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico de Manchester, Inglaterra).
1979 “Consagrai-vos ao serviço uns dos outros para a glória de Deus” (1Pd
4,7-11) (Projeto do texto elaborado na Argentina. Reunião preparatória em Genebra).
1980 “Venha o teu Reino” (Mt 6,10) (Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico de Berlin, República
Democrática da Alemanha. Reunião preparatória em Milão, Itália).
1981 “Um só Espírito – dons diversos –
um só Corpo” (1Cor 12, 3b-13) (Projeto do texto elaborado pelos Padres de Graymoor, EEUU. Reunião preparatória
em Genebra).
1982 “Que todos encontrem em ti, Senhor, a sua morada” (Sl 84) (Projeto do texto elaborado no Quênia. Reunião preparatória em Milão, Itália).
1983 “Jesus Cristo – vida do mundo” (1 Jo 1,1-4) (Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico da Islanda. Reunião
preparatória em Céligny (Bossey), Suíça).
1984 “Chamados à unidade pela cruz de
nosso Senhor” (1Cor 2,2 e Cl 1,20) (Reunião preparatória em Veneza, Itália).
1985 “Da morte à vida com Cristo” (Ef 2,4.7) (Projeto do texto elaborado na Jamaica. Reunião preparatória em Grandchamp,
Suíça).
1986 “Sereis minhas testemunhas” (At 1, 6.8) (Texto proposto na Iugoslávia (Slovênia). Reunião preparatória na Iugoslávia).
1987 “Unidos em Cristo, uma nova criação” ( (2Cor 5, 17-6,4a) (Projeto do texto elaborado na Inglaterra. Reunião preparatória em Taizé,
França).
1988 “O amor de Deus dissipa o medo” (1Jo 4,18) (Projeto do texto elaborado na Itália. Reunião preparatória em Pinerolo,
Itália).
1989 “Construir a comunidade: um só corpo em Cristo” (Rm 12,5-6a) (Projeto do texto elaborado no Canadá, Reunião em Whaley Bridge, Inglaterra).
1990 “Que todos sejam um...para que o mundo creia” (Jo 17,21) (Projeto do texto elaborado na Espanha. Reunião preparatória em Madrid,
Espanha).
1991 “Louvai ao Senhor, todos os povos” (Sl 117 e Rm 15,5-13) (Projeto do texto elaborado na Alemanha. Reunião preparatória em Rotenburg an
der Fulda, República Federativa da Alemanha).
1992 “Estou convosco... ide pois” (Mt 28, 16-20) (Projeto do texto elaborado na Bélgica. Reunião preparatória em Bruges,
Bélgica).
1993 “Produzir frutos do Espírito para
a unidade dos cristãos” (Gl 5,22-23) (Projeto do texto elaborado no Zaire. Reunião preparatória perto de Zurique,
Suíça).
1994 “A casa de Deus: chamados a ser um só coração e uma só alma” (At 4,32) (Projeto do texto elaborado na Irlanda. Reunião preparatória em Dublin,
Irlanda).
1995 “Koinonia: comunhão em Deus e de
uns com os outros” (Jo 15,1-7) (Reunião preparatória em Bristol, Inglaterra).
1996 “Eis que estou à porta e bato” (Ap 3,14-22) (Projeto do texto elaborado em Portugal. Reunião preparatória em Lisboa,
Portugal).
1997 “Em nome de Cristo...deixai-vos
reconciliar com Deus” (2Cor 5,20) (Projeto do texto elaborado na Escandinávia. Reunião preparatória em Estocolmo,
Suécia).
1998 “O Espírito socorre a nossa fraqueza” (Rm 8,14-27) (Projeto do texto elaborado na França. Reunião preparatória em Paris, França).
1999 “Eles serão seu povo e ele será o
Deus que está com eles” (Ap 21,3) (Projeto do texto elaborado na Malásia. Reunião preparatória no mosteiro de
Bose, Itália).
2000 “Bendito seja Deus... que nos abençoou... em Cristo” (Ef. 1,3) (Projeto do texto elaborado pelo Conselho de Igreja do Oriente-Médio. Reunião
preparatória no Santuário de La Verna, Itália).
2001 “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6) (Projeto do texto elaborado na Romênia. Reunião preparatória na casa de Odihna,
Romênia).
2002 “Pois em ti está a fonte da vida” (Sl 36 (35), 10) (Projeto do texto elaborado pelo Conselho das Conferências Episcopais
Européias - CCEE e a Conferência das Igrejas Européias – CEC. Reunião
preparatória no Centro Ecumênico de Ottmaring, Ausburgo, República Federativa da
Alemanha).
2003 “Este tesouro, nós o carregamos em vasos de argila” [2Cor 4, 3-18] (Projeto do texto elaborado na Argentina. Reunião
preparatória no Centro Ecumênico ‘Los Rubios’, Málaga [Espanha].)
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