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Tradução portuguesa
a cargo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

 

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS 2004

Eu Vos Dou A Minha Paz - Jo 14, 27

 

Para os organizadores da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

 

Adaptação do Texto

Este material, quando possível, poderá ser adaptado para uso local conforme as práticas regionais litúrgicas e devocionais, o todo social e o contexto cultural. Sua adaptação deverá comportar uma colaboração ecumênica.

Em alguns lugares, as estruturas ecumênicas já estão montadas para este trabalho; em outros, esperamos que essa necessidade seja um estímulo para a criação de tais estruturas.

 

Usando o Material da Semana de Oração

Para as Igrejas e Comunidades Cristãs que comemoram juntas a Semana de Oração, através de uma cerimônia religiosa única e comum, este livreto oferece um modelo de Celebração Ecumênica da Palavra de Deus.

As Igrejas e comunidades cristãs podem servir-se igualmente para suas celebrações, de orações ou outros textos da Celebração Ecumênica da Palavra de Deus, de textos propostos para os Oito Dias e da escolha de orações do apêndice desta brochura.

As comunidades, que observam a Semana de Oração a cada dia da semana, podem aproveitar as sugestões nos textos propostos para os Oito Dias.

Os que desejarem fazer estudos bíblicos sobre o tema 2004 podem usar como base os textos bíblicos e as reflexões das cerimônias para os Oito Dias.  Os comentários de cada dia podem ser concluídos com uma oração de intercessão.

Aqueles que desejarem rezar em particular encontrarão material para alimentar suas intenções de prece neste livreto, devendo observar o fato de estarem em comunhão com outras pessoas em oração, em todo o mundo, pela maior unidade visível da Igreja de Cristo.

 

A Busca da Unidade: Durante o Ano

A data tradicional da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é celebrada no hemisfério norte de 18 a 25 de janeiro. Essa data foi proposta em 1908 por Paul Watson para preencher os dias entre a festa de São Pedro e a de São Paulo; portanto, tem um sentido simbólico. No hemisfério sul onde janeiro é tempo de férias, as Igrejas freqüentemente encontram outros dias para celebrar a Semana de Oração, por exemplo, próximo a Pentecostes (data sugerida pelo movimento Fé e Ordem em 1926), que é também uma data simbólica para a unidade da Igreja.

A busca de unidade dos cristãos não se limita a uma semana por ano. Nós os encorajamos, portanto, a serem não somente flexíveis quanto à data, mas também que compreendam o material aqui apresentado como um convite para encontrarem oportunidades durante o ano todo, para expressarem o grau de comunhão que as Igrejas já conseguiram e para rezarem juntos pela unidade plena desejada por Cristo.

 

Texto Bíblico para a “Oração Pela Unidade” 2004

“Eu Vos Dou A Minha Paz” Jo 14, 23-31

 “Se alguém me ama, observará a minha palavra e o meu Pai o amará; nós viremos a ele e estabeleceremos a nossa morada. Aquele que não me ama, não observa as minhas palavras; ora, esta palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou. Eu vos disse estas coisas enquanto permanecia convosco; o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que eu vos disse. Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Que o vosso coração cesse de se perturbar e de temer. Ouviste que eu vos disse: ‘Eu vou, e venho a vós’. Se me amásseis, vós vos alegraríeis por eu ir para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. Eu vos falei desde agora, antes que aconteça, a fim de que, quando acontecer, vós creiais. Doravante, eu já não falarei muito convosco, pois aproxima-se o príncipe deste mundo. Por certo, ele nada pode contra mim, mas ele vem a fim de que o mundo saiba  que amo o meu Pai e ajo conforme o Pai me prescreveu. Levantai-vos, partamos daqui!”

Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB)

 

Introdução Teológica e Pastoral

“Eu Vos Dou A Minha Paz” Jo 14, 23-31

Rezamos raramente pelo que não nos interessa e mais fervorosamente, pelo que nos toca profundamente, nos diz respeito às pessoas e ao mundo que conhecemos. E, no entanto, a oração dispõe o coração humano a acolher o próximo. Santo Isaac, o Sírio, fala do coração misericordioso como aquele que arde com grande compaixão por todas as pessoas, por toda coisa criada. Movido por uma “misericórdia intensa e veemente”, por uma compaixão “sem medida, semelhante à de Deus”, o coração oferece sua prece em meio a todos sofrimentos,  eleva uma súplica mesmo por aquele que o feriu, pelos “inimigos da verdade” (Homilia 81) O mundo de hoje precisa desses corações misericordiosos, da oração  que se eleva dos gemidos  da humanidade e de todo o mundo criado.

A busca pela paz no Oriente Médio, partilhada por muitos outros povos em outras partes do mundo, forma o pano de fundo da celebração e meditações para essa Semana de Oração pela Unidade Cristã 2004. Como a paz em nosso mundo permanece enganosa e é obstruída a cada crise, sua busca e as profundas esperanças que estão entrelaçadas nessa procura, formam uma parte vital da oração que se eleva de nossas almas ao coração misericordioso de Deus.

Queremos paz. É humano encontrarmos realização nela e ansiarmos por ela do fundo de nossos corações. No entanto, o caminho que leva à paz não é evidente, nem está bem trilhado. Nossa esperança é de que o terceiro milênio seja de paz e de retorno à fé em Deus. A palavra árabe para paz é salaam; a palavra hebraica da mesma linhagem semítica é shalom. No Oriente Médio, como em todos os contextos onde os adeptos de diferentes religiões vivem, lado a lado, relacionamentos construtivos entre tradições religiosas – construídas no diálogo e no objetivo comum de paz e justiça, enraizada no reconhecimento compartilhado da dignidade de cada pessoa humana – são pré-requisito essencial para sermos abençoados com o dom da paz. Em contrapartida, um espírito de reconciliação e missão comum entre cristãos e comunidades cristãs é fundamental para a busca da paz. Nossa preocupação comum em favor da paz deverá servir para nos aproximarmos mais uns dos outros na comunhão.

O conceito bíblico de paz é ricamente expressivo e de muitas facetas, sugerindo inteireza e bem-estar, felicidade e segurança, integridade e justiça. Nossa fé cristã nos conta que a verdadeira paz nos é dada somente se seguirmos os caminhos de Deus, como é demonstrado nas Escrituras, e se tomarmos o rumo da paz proclamada e vivida por Jesus Cristo. “Ele é nossa paz” (Ef 2, 14), e a exemplo de seus discípulos, nossa unidade deve ser a reconciliação nele. O testemunho da paz de uma comunidade cristã fragmentada é carregado de ambigüidades; uma contradição interna enfraquece nossa habilidade de espalhar a paz de Cristo. Contrariamente, a unidade entre as Igrejas dá poder e credibilidade ao nosso testemunho, colocando convincentemente diante do mundo a visão de uma reconciliação universal em Cristo.

As Igrejas orientais sobreviveram através de difíceis circunstâncias históricas. Essas Igrejas antigas e os países que são o berço do cristianismo foram freqüentemente privados de paz. Ansiaram por ela durante gerações e rezaram com persistência para obtê-la. Sua presente situação faz com que elas desejem a paz mais do que nunca. Seu patrimônio e herança, tradições e ritos os incitam a pedir ardorosamente pela paz em suas orações; por isso escolheram nesse ano o tema da paz para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Atualmente, para as Igrejas do Oriente Médio, que vivem lado a lado como uma minoria dentro de sua cultura, com sua multiplicidade e seus muitos casamentos mistos, o trabalho do ecumenismo não é um ideal abstrato, mas uma necessidade vital. Somente através da fomentação de um espírito ecumênico, elas são capazes de existir significativamente. Unidade e paz são suas mais sinceras preocupações, seu sonho supremo e universal. Uma luta comum as reconciliou e uma visão do futuro serviu para uni-las. A paz é sua preocupação diária, sua esperança permanente.

Nos primeiros dias do cristianismo a comunidade cristã era uma e, enquanto encarnava aquela unidade que nunca foi fácil, a Igreja primitiva permaneceu, através dos séculos, como um modelo principal de comunidade que podia viver em paz e proclamá-la efetivamente. Hoje não é mais assim, pois ainda não estamos completamente unidos e nosso testemunho sobre a paz está comprometido. Aqueles que desejam paz fariam bem em rezar e lutar pela unidade na paz. Atenta a esse relacionamento, a Igreja é chamada a rezar pela paz na unidade e em unidade pela paz.

A escolha do tema desse ano é o resultado da convicção das Igrejas do Oriente Médio de que cristãos através do mundo, fazendo essa oração ecumenicamente, estariam sustentando  solidariamente as esperanças e sofrimentos do povo dessa região. Seu pedido nos lembra o apóstolo Paulo que durante suas viagens recebia dádivas para a Igreja mãe de Jerusalém.  Hoje o dom buscado é a oração e o apoio espiritual de irmãs e irmãos unidos num desejo comum de harmonia.

Paz significa recolocar as coisas em sua ordem natural conforme a determinação de Deus. Ela diz respeito a todos os tipos de relacionamentos. O Paraíso tem sido freqüentemente representado como uma vida pacífica entre Deus e o povo de Deus, entre cada pessoa e seu vizinho, entre a raça humana e o mundo criado. A paz existe somente onde há justiça. Contrariamente, o pecado é o que causa a ruptura desses relacionamentos. O pecado dispersa, a justiça une. Nossas ações diárias e a escolha que fazemos têm repercussões para o bem ou para o mal; através delas nós nos aproximamos ou nos distanciamos inevitavelmente de Deus e de nosso próximo; obtemos e espalhamos paz, dissipamos ou rompemos com ela. No Oriente, o povo cumprimenta-se desejando a paz, porque isso é o que de mais belo se pode oferecer ao outro, o melhor relacionamento que se pode manter com o próximo e o direito que mais se deve defender.

Deus Pai é o Deus da paz, que nos reconciliou pelo sangue de seu único Filho (2Cor 13, 11). Nas anáforas eucarísticas das Igrejas orientais, o povo proclama “a misericórdia da paz, o sacrifício do louvor”, recordando a misericórdia de Deus mostrada em sua auto-revelação e o dom de si próprio em Cristo, que nos leva a partilhar a paz que somente Deus pode conceder. Jesus veio para construir a paz na terra e para no-la dar (Jo 14, 27), ele chama sua Igreja para ser fermento de um novo paraíso, universalizando aquela verdadeira paz que ele tanto desejou oferecer ao mundo. Os ritos litúrgicos: culto e adoração, em sua variedade de formas, buscam a reconciliação dos seres humanos com Deus, uns com outros, com o universo e dentro de nós. Assim sendo, a oração pela paz implica numa forte dimensão interior: faz surgir conversão e abertura de nossos corações, para que possamos possuir a misericórdia de Cristo em nós; ela fomenta a confiança infantil de que Deus está trazendo para nós e dentro de nós o que não podemos criar por nós mesmos; ela produz frutos através das obras de caridade realizadas como ação de graças a Deus e para favorecer a reconciliação e a vida pacífica com nosso próximo; ela convida à perseverança no asceticismo e na purificação interior. Em suma, como já foi sugerida, a oração pela paz está necessariamente ligada ao desejo de unidade em todas os aspectos da vida humana.

A oração pela paz também nos prepara, como indivíduos cristãos e como Igreja para empreendermos a missão profética que pertence intrinsecamente ao corpo de Cristo: ser instrumentos e artesãos da paz e justiça, de uma nova humanidade, em nosso mundo destruído e crivado de guerras.  O comprometimento ativo em favor da paz e justiça é fruto do trabalho do Espírito Santo dentro de nós. Esse não é um projeto humano, mas obra de Deus; e as Escrituras relatam com vivacidade que a paz de Deus não é a paz do mundo. Os profetas Isaías (2, 4) e Miquéias (4,3) falam de um tempo em  que as nações “ de suas espadas forjarão relhas, das suas lanças, podadeiras.” A visão da transformação dos instrumentos de guerra naqueles que constroem comunidades continua a inspirar os cristãos a manusearem habilmente a ferramenta do diálogo e da   solução não violenta de conflito, na busca da paz com justiça, usando meios totalmente  coerentes com o fim que procurado, a exemplo de Jesus. Miquéias e Jeremias também deram testemunho de uma tradição profética de clamor contra a hipocrisia e a falsa retórica de paz, insultando aqueles que dizem “‘Tudo em paz! Tudo em paz!’ Quando não há paz” (Jer 6, 14), “aqueles que, ... “se têm algo para morder em seus dentes, proclamam: ‘Paz’; Mas a quem não lhes põe nada na boca, eles declaram a guerra santa”. (Miq 3, 5) Muitos cristãos e comunidades cristãs em nossos dias discursaram publicamente sobre os meios de construir a paz,  desafiando, às vezes, plataformas políticas e ideológicas, decretos de “paz” construídos sobre violência, injustiça, e opressão dos outros. Em algumas partes do mundo, o testemunho profético de confrontação de definições estreitas ou falsas de paz com visão bíblica não é possível, ou acontecem a um grande custo pessoal e comunitário. Essas regiões ocupam lugar especial em nossa oração pela paz.

Em 2004, cristãos do mundo inteiro têm novamente uma data comum para a celebração da Páscoa. O Mistério pascal é a origem de nossa esperança, fonte de nossa missão, promessa de que a paz é possível. Ele nos recorda que, embora a violência, a injustiça e o ódio possam temporariamente ter sucesso, Deus tem o poder de transformar morte em vida, reconciliar tudo o que parece minar a paz, que finalmente prevalecerá. Como celebramos a Páscoa na mesma data nesse ano no mundo cristão, possam nossas celebrações durante esse santo tempo ser um incentivo para partilharmos mais profundamente a esperança e a alegria, assim como a missão, que se levanta do túmulo do Senhor ressuscitado. O ano 2004 também acontece durante a Década para Superação da Violência do Conselho Mundial das Igrejas, iniciativa que nos convida à oração e nos chama para um compromisso de trabalho para a paz.

Através da cerimônia religiosa ecumênica e graças aos textos bíblicos e às meditações para os Oito Dias, evidenciaremos a visão bíblica da paz que será refletida sob diversos ângulos na esperança de reunir cristãos para a abertura dos ricos tesouros de nossa herança, e para sermos melhores instrumentos da paz transformadora de Cristo no mundo. O texto evangélico para o culto religioso é tirado de João 14, 23-31, que é parte do discurso de despedida de Jesus para os discípulos antes de sua morte. Nesse contexto pascal, Jesus garante a seus seguidores que se guardarem sua palavra, ele e o Pai estabelecerão morada neles. “Ele lhes oferece o dom e a promessa da paz: “Eu vos deixo a paz; eu vos dou a minha paz”. Ao partir, Jesus diz a seus discípulos que devem ser os portadores da paz para todo o mundo, sob a orientação do Espírito Santo. 

Esse mesmo texto joanino proporciona um ponto inicial para as meditações dos Oito Dias, expondo e refletindo sobre as implicações do entendimento cristão sobre a paz. Toda harmonia, na Igreja e no mundo, tem seu fundamento no amor criativo e vivificante de Deus por nós. (1o dia). Revelando o amor do Pai por nós, Jesus promete a seus discípulos trazer paz interior e serenidade mesmo diante dos tumultos. (2o dia). Aqueles que ouvem as palavras de Jesus e as levam a sério tornam-se portadores de sua paz (3o dia). Esse é o trabalho do Espírito Santo: trazer a paz e o perdão, estimulando-nos a colocar nossas mentes e corações a serviço do mundo desejoso de concórdia (4o dia). Enquanto o mundo procura paz e segurança pela força e exercício do poder, a paz de Cristo vem através da humildade e serviço, buscando superar o mal com o bem (5o dia). Seguir pelo caminho do discipulado é viver de modo crescente sem medo e ansiedade, sempre mais atento ao amor de Cristo que é maior do que qualquer coisa que se oponha a nós (6o dia). Confiando na ressurreição de Cristo e esperando sua vinda em glória, a vida cristã é para ser vivida diante de um horizonte de esperança, e em permanente solidariedade com aqueles cujas vidas são pela dúvida, medo e tristeza (7o dia). A autêntica paz, a que Deus anseia nos dar, traz alegria, mas também nos obriga a nos dedicarmos aos outros, de modo que todos possam compartilhar essa paz. (8o dia).

 

Preparação do Material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2004

O projeto inicial dos textos chegou até nós através de cristãos que vivem e testemunham na antiga cidade de Aleppo, Síria.

Oferecemos nossos sinceros agradecimentos àqueles que trabalharam em nome das Igrejas de Aleppo (Ortodoxos, Católicos, Protestantes) no preparo desses textos em sua forma inicial: Sr. Gregorios Youhanna Ibrahim (Metropolita, Igreja Ortodoxa Síria), Sr. Boulos Yazdji (Metropolita, Igreja Ortodoxa Grega), Sr. Antoine Odo (Bispo, Igreja Caldéia) e Sr. Boutros Marayati (Arcebispo, Igreja Católica Armênia; coordenador do grupo local e representante do grupo internacional de preparação).

O presente material chegou à sua forma definitiva no encontro do grupo internacional de preparação convocado pelo Conselho Pontifício de Promoção da Unidade dos Cristãos da Igreja Católica, e pela Comissão para a Fé e a Ordem do Concílio Mundial das Igrejas. O grupo encontrou-se nos escritórios centrais da Secretaria Pastoral da Conferência Episcopal da Sicília. Desejamos agradecer ao Monsenhor Carlo Di Vita e a todo seu quadro de funcionários por sua cordial acolhida e seu apoio amigo ao nosso trabalho.

Os membros do grupo agradecem pela oportunidade de visitar o “Centro Paolo Borsellino” em Palermo, Sicília, e pela explicação sobre seu importante trabalho social e educacional.

 

Cerimônia Religiosa Ecumênica

Introdução

“Eu Vos Dou a Minha Paz” Jo 14, 27

O tema da Semana de Oração para Unidade dos Cristãos de 2004 e essa cerimônia religiosa ecumênica foram propostas pelas Igrejas cristãs da cidade de Aleppo, na Síria. Lá, as relações ecumênicas são bastante vivas e as ocasiões para celebrar-se são freqüentes.

Essa celebração intencionalmente empresta o modelo ecumênico regularmente usado pelas Igrejas ortodoxa, católica e protestante de Aleppo, e caracteriza-se por uma doxologia de louvor no início, oração de arrependimento, importância dada ao ensinamento bíblico, orações intercessórias cantadas e invocação ao Espírito Santo.

As orações que compõem essa celebração e as propostas nas “Orações Adicionais” foram retiradas de diversas tradições litúrgicas dessas Igrejas orientais. A maioria das orações usadas na ordem da celebração vem da tradição litúrgica síriaca.

Seria um ato de ecumenismo espiritual usar somente as orações propostas sem buscar modificá-las, entrar no movimento dessa celebração seguindo sua ordem e mantendo seus elementos litúrgicos essenciais. Poderá ser também ocasião de convidar representantes das Igrejas Ortodoxa e Oriental para participarem da cerimônia religiosa e para refletirem juntos sobre como adaptar essas propostas se isso for possível dentro da situação ecumênica local.

Algumas comunidades certamente experimentarão alguma dificuldade em fazer todas as orações propostas e tornarem suas, certas expressões delas.  Por isso, propomos – como alternativa – preferivelmente a reescrever as orações orientais, que elas sejam reduzidas, ou outras escolhidas dentre as orações adicionais oferecidas, ou que orações mais tradicionais e familiares sejam usadas. Independente da escolha feita, se a estrutura, ordem e cada elemento das celebrações forem mantidos, a essência da celebração será visível e o objetivo espiritual atingido: não impor orações de uma tradição litúrgica, mas permitir a assembléia entrar com fé dentro da experiência espiritual de nossos irmãos e irmãs do Oriente. A unidade espiritual de todos os cristãos que desejam rezar pela paz no mundo em 2004 e por sua comunhão na fé do Cristo Ressuscitado, que é a fonte, será claramente evidente.

Esta é a ordem da celebração e sua relação com seus diversos elementos com o tema:

A congregação canta um hino de ação de graças ao Senhor e prepara com uma oração de arrependimento a escuta da Palavra de Deus. Para nossos corações essa oração proporciona paz interior, fruto da misericórdia de Deus, e atenção à sua Palavra.

A liturgia da Palavra é a parte maior. É a proclamação da paz como dom de Deus para a humanidade, como uma promessa de Jesus a seus próprios discípulos que se torna realidade no Mistério da cruz e ressurreição e que é consumada pelo dom do Espírito Santo para a Igreja. Conforme o ensinamento de Paulo aos Efésios, e seguindo o exemplo de seu cuidado pastoral como um apóstolo com relação aos membros de Igrejas locais, recentemente fundadas, somos chamados a nos amarmos mutuamente na comunhão do Espírito Santo.

Esse amor mútuo entre cristãos e entre Igrejas, do qual o ecumenismo é uma parte essencial, empresta credibilidade a nosso testemunho e a nosso compromisso como cristãos na busca da paz no mundo.

O sinal da paz, colocado no meio da celebração – entre as leituras bíblicas e o credo seguido das intercessões – tem como objetivo enfatizar em particular a renovação do compromisso de todos os presentes para que “mantenham a unidade de espíritos pelos laços da paz, a fim de se tornar um só corpo...” várias propostas são feitas para expressar e encorajar a assembléia a fazer esse compromisso sincero e renovado em favor da paz e reconciliação dos cristãos.

Pode-se escolher um símbolo da paz: ramo de palmas, pomba, ou iluminação de velas; mas a preferência recai sobre o arco-íris, símbolo que poderia ser enfatizado desde o começo da celebração e mencionado no sermão, ser parte central da cerimônia e retomado novamente na despedida.

É também uma idéia convidar as pessoas para testemunharem como foram ou são ativas a serviço da paz. A situação ecumênica positiva de Aleppo é um testemunho a ser ouvido no decorrer da celebração.

Abre-se a celebração com ação de graças ao Deus da paz e encerra-se com uma oração ao Espírito Santo, tesouro precioso e fonte de paz.

Os ministros presentes das Igrejas locais, tendo ou não, participado ativamente da celebração, juntos poderiam dar a bênção final. A despedida poderia, entre outras coisas, enfatizar o fato de que a oração comum encontra sua realização no coração da vida. Nossas cerimônias religiosas ecumênicas e os benefícios que elas trazem na vida do mundo aumentam a comunhão entre os cristãos: um anúncio profético do Dom da Paz.

 

Ordem da Celebração

Abertura

Recomenda-se que no início da celebração sua estrutura – hinos, música e leituras da Palavra de Deus – deva ser brevemente apresentada.

Para as orações de resposta, recomenda-se que vários leitores sejam envolvidos.

O arco-íris poderá ser uma evocação artística produzida pela comunidade local.

A oferta deverá ser levada no momento mais apropriado da celebração podendo ser apresentado como um sinal de unidade eclesial e de paz que é impossível sem partilha e justiça.

C: Celebrante
A: Assembléia
L: Leitor

C: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
A: Amém

Canto de entrada: (canto de louvor)

Alguém da assembléia, por exemplo, os diferentes leitores e líderes da celebração precedidos por crianças, podem entrar em procissão após a entrada da Bíblia. A procissão passará debaixo do arco-íris, que deverá estar adequadamente colocado no espaço da celebração.

Oração de Louvor da Liturgia Siríaca
(use na totalidade, em parte, ou escolha outra)

C. Em Tua Luz veremos a luz, Jesus Luz Pura; és a verdadeira Luz, que ilumina toda a criação; avivas em nós tua alegre luz, esplendor do Pai no céu.  Ó puro e santo que moras nas habitações de Luz, guarda-nos das más paixões e pensamentos de ódio e concede-nos o poder de executar obras de justiça com pureza de coração.

Tu, o Justo e o Santo, que habitas as moradas da Luz, afasta de nós as más paixões e os pensamentos infames e torna-nos aptos para realizar obras de justiça com pureza de coração. Neste santo dia em que nos reuniste, te imploramos que nos concedas a unidade para tua Igreja: guarda-nos na plenitude de tua paz.

A. Amém.

C: Agradeçamos a Deus Pai, Senhor de todas as coisas, adoremos seu único Filho e glorifiquemos seu Santo Espírito, confiando-lhe nossa vida e implorando sua misericórdia.

A. Tem  misericórdia de nós, ó Deus, misericordioso e bom.

Oração de Arrependimento da Liturgia Siríaca
(use totalmente, em parte ou escolha outra)

C: Tem misericórdia de nós, Deus Todo-Poderoso. Nós te louvamos, nós te bendizemos, nós te adoramos. Nós te suplicamos, Senhor Deus, sê-nos favorável. Ó Deus generoso, amigo de todos, tem misericórdia de nós.

A. Senhor tem  misericórdia.

C. Relembramos tua morte, Senhor Jesus, proclamamos tua ressurreição, esperamos tua vinda em glória. Sê misericordioso com todos.

A. Senhor tem misericórdia.

C. Por todos nossos pedidos mostra-nos tua benevolência, tu que és amigo de todos, concede-nos possamos avançar hoje e em todos os dias de nossa vida na paz e temor de Deus. Livra-nos das armadilhas dos fracos e dos inimigos visíveis e invisíveis. E concede-nos obras boas e proveitosas em abundância, pois nos deste o poder de esmagar as serpentes, os escorpiões e todos os poderes inimigos. Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal através de tua graça, tua bondade e teu amor por todos para que anunciemos teu Filho, nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, para quem seja a gloria, a honra, o poder e o louvor, e também ao Espírito Santo que é da mesma substância, que dá a vida, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos.

A. Amém.

C. Senhor nosso Deus, responde as nossas orações, ajuda-nos e salva-nos. Aceita nossas orações e nossos pedidos e em tua misericórdia remove de nós toda condenação, castigo e ira. Concede-nos segurança, paz e felicidade e um fim feliz e sereno que permites aos filhos da paz. Dá-nos a morte cristã que desejas para nós e que é digna de tua divina majestade, a fim de render-te  graça e louvor agora e para sempre.

A. Senhor recebe nossa oração de perdão e nosso arrependimento.

C. Que possamos receber de Deus o perdão de nossas faltas e pecados, agora e para sempre.

A. Tem misericórdia de nós, Senhor Deus, perdoa-nos nossas faltas e a falta dos outros, nossa negligência e a negligência dos outros, os erros cometidos, intencionalmente ou não, consciente  ou inconscientemente. Amém.

Leituras Bíblicas

Isaías 57: 19-21; 60, 17-22
Salmo 72 (71), 1-8
Romanos 15, 30-33; 16, 1-16  [ou Efésios 2, 13-18]
Evangelho: João 14, 23-31

Homilia

(Momento de silêncio)

Oração pela Paz e Partilha da Paz da Liturgia Siríaca
(use na totalidade, em parte, ou escolha outra)

 C. Faze-nos dignos, Senhor nosso Deus, de saciar nossas almas e encher nossos corações com o vinho novo de teu Paráclito.

A. Acolhe nossa oração, Senhor.

C. Desperta nossos corações com a luz de tua graça e liberta-os das sombras do pecado; acende nossos almas com os raios espirituais de teu Santo Espírito.

A. Acolhe nossa oração, Senhor.

C. Faze-nos dignos, ó Pai Todo-Poderoso, de trocarmos um sinal de paz, um beijo santo,  cada um com seu  próximo, através do amor de nosso Senhor e de nosso Deus.

A. Diante de ti, Senhor Deus, nós inclinamos nossas cabeças em adoração.

Canto (durante o qual a assembléia deseja a Paz)

Credo Niceno

C. Ouçamos a Deus com sabedoria e proclamemos:

A Eu creio em um só Deus...

Intercessões da Liturgia Siríaca de Antioquia
(Para ser usada como tal, ou em parte, ou pode ser substituída por outra. Prever um tempo para orações espontâneas)

L. Façamos nossos pedidos a Deus Todo-Poderoso, Pai e nosso Deus e Salvador Jesus Cristo:

Nós te pedimos, Senhor, em tua bondade, amigo de todos, lembra-te de tua Igreja una, santa, universal e apostólica.

A. Nós rezamos pela paz da Igreja una, santa, universal e apostólica.

L. Abençoa essas criaturas espalhadas de um canto do mundo a outro, todos os povos e rebanhos. Possa tua paz descer dos céus para os nossos corações, a paz a essa geração, e cumula-nos com tua graça. Nosso governo, exército, chefes de estado e povos, nossos vizinhos, os imigrantes e os expatriados, reveste-os com toda paz, ó Rei da Paz. Dá-nos a tua paz, porque tudo vem de ti. Faze com que sejamos possuídos por ti, ó Deus nosso Senhor, porque somente te conhecemos.  Teu Santo Nome é o que proclamamos. Possam nossas almas viver em teu Espírito Santo. Possa o poder mortal do pecado não prevalecer sobre teus servos nem sobre qualquer povo da terra.

A. Kyrie eleison.

Rezemos ao Deus Todo-Poderoso, Pai de nosso Senhor, e Salvador Jesus Cristo. Nós imploramos tua bondade, ó amigo de todos. Lembra-te de nossas reuniões, em nome de tua santa Igreja, abençoa-a e deixa-a espalhar-se por toda a terra.

A Rezemos por essa Igreja.

L. Reconciliaste as criaturas da terra com as do céu e fizeste-as uma só. Realizaste teu plano na carne e como teu corpo subiu ao céu, encheste o universo com tua divindade e disseste aos teus discípulos e aos santos apóstolos: “Eu vos deixo a paz, a minha paz eu vos dou”. Agora, ó Senhor da paz e da segurança, concede-nos essas bênçãos, purifica-nos do pecado, de toda duplicidade, de toda hipocrisia, de todo mal, de todas as maquinações e da memória do mal encoberta pela morte. Reveste-nos com tua paz perpétua de modo que possamos guardar a crença da fé apostólica e possamos viver unidos pelos laços da caridade.

A. Kyrie eleison.

L. Que a segurança e a prosperidade possam reinar sem fim sobre toda a face da terra; decreta para nós vossa paz, a fim de que possamos todos nos transformar na unidade da fé,  em um ser perfeito na medida da plenitude de Cristo.

A. Kyrie eleison.

L. Abençoa, ó Senhor, a paz de tua Igreja, todo teu povo e todas as tuas criaturas. Pacifica e reconcilia todos os inimigos e povos rivais, que suas flechas possam ser transformadas em podadeiras, suas lanças em arados e que possam aprender a não guerrear, e a todos guarda em teu Nome.

A. Kyrie eleison.

L. Senhor salva teu povo e abençoa tua herança, cuida dele e guarda-o para sempre. Conserva-o todos os dias na verdadeira fé, na glória e na dignidade, estabelece nele o amor e a paz a fim de que supere todas as coisas.

A. Kyrie eleison.

L. Ó Espírito Santo, faze-nos dignos de contribuir para a santificação de teus tesouros celestiais e de te oferecer na pureza e santidade a verdadeira adoração aqui e em todos os lugares, agora e em todos os dias de nossas vidas, que tua Boa  Nova possa ser proclamada até os confins da terra.

A. Kyrie eleison.

A Oração do Senhor (cada qual em seu próprio idioma)

Renovação do Compromisso

A. Senhor, como tu nos ensinaste, inclinamo-nos diante de ti com toda humildade, suavidade e paciência, suportando-nos uns aos outros com amor e tentando manter a unidade de espírito pelos laços de paz, a fim de que possamos nos tornar ‘um só corpo e um só espírito’ conforme nossa vocação comum, e chamado. A uma só voz, arrependidos de nossas divisões, nós nos comprometemos a trabalhar juntos pela reconciliação, paz e justiça, e juntos vos imploramos: ajuda-nos a viver como teus  discípulos, superando egoísmo e arrogância, ódio e violência, dá-nos a força de perdoar. Inspira nossos testemunhos no mundo, para que possamos fomentar a cultura do diálogo e sermos portadores da esperança que teu Evangelho implantou em nós. Faze-nos instrumentos de tua paz, para que nossos lares e comunidades, nossas paróquias, igrejas e nações possam ressoar sempre a paz que desejaste derramar sobre nós. Amém.

Testemunhos

Os participantes podem vir, um a um, dar seus testemunhos. Em forma narrativa podem contar como são ou foram testemunhas de homens e mulheres a serviço da paz à sua volta e como descobriram em Cristo o poder de reconciliar, contribuir para a paz entre o povo, entre as Igrejas.

Um celebrante pode comentar sobre o símbolo da paz escolhido, ou brevemente concluir os testemunhos e introduzir o hino ao Espírito Santo, doador da paz.

Canto (sobre o tema da paz no Espírito Santo)

Invocação ao Espírito Santo

Deus Consolador, Espírito de verdade, tesouro dos tesouros e fonte de vida, que compartilhas todos os dons e concedes tua graça divina; Deus de paz, e de segurança vem habitar em nós, purifica-nos de todo pecado. Cria em nós um coração puro, renova em nós um espírito forte. Ó Espírito de paz e de amor, Espírito de castidade e de pureza, Espírito de piedade e de santidade, Espírito de sabedoria e inteligência, Espírito de conselho e poder, ó misericordioso e bom Espírito Santo concede-nos aquela fonte de lágrimas que lava nossos corações de toda impureza, a fim de que possas condescender em fazer deles tua morada. Vem acender em nós o fogo de teu divino Amor, reacende em nós o Espírito de caridade para que possamos viver para sempre em ti. Amém.

Bênção

Canto Final

 

Reflexões Bíblicas e Orações
Para os Oito Dias

1°   Dia

Se alguém me ama, observará a minha palavra e meu Pai o amará”. Jo 14, 23

O Amor de Deus, Fundamento da Paz.

Dt. 7, 7-11 “Ele é o Deus fiel que guarda seu  amor por mil gerações”.
Sl 25, 2-10 “Lembrai-vos de vossa misericórdia e de vosso amor porque são eternos”
1Jo 4, 7-12 “Deus é amor”.
Lc 15, 1-2, 11-32 “Ele correu e se lhe  lançou ao pescoço, e o  cobriu de beijos”.

Comentário

Na parábola do filho pródigo, através do amor do pai, o filho mais jovem recupera sua condição anterior. Esse mesmo amor acalma os pensamentos agitados e pacifica o coração  transtornado do filho mais velho. Ambos compreendem o desejo de reconciliação dentro do amor do pai e sua obediência a esse desejo dá a sua casa o fundamento da paz.

O profundo desejo dos cristãos é aceitar o convite de Cristo à confiança e à paz baseadas no amor do Pai. Esse amor que é sua herança comum é também o cimento de sua unidade.

Como os filhos na parábola, cada um deles guarda a identidade que foi moldada em sua história, que é constantemente renovada pela fidelidade do mundo ao Pai. Eles são motivados por sua busca comum pela paz divina que desejam partilhar e que se derrama do Filho Único sobre toda a humanidade.

Quando os cristãos estabelecem sua morada em Deus, aprofundam-se em sua Palavra que se torna viva e efetiva. Dessa forma, eles entram na comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, descobrindo o fruto do amor de Deus.

Oração

Nós te agradecemos, Senhor, pelo amor com o qual nos tem amado. Concede-nos a graça de acolher esse amor na confiança para que possa tornar-se uma fonte de paz para a Igreja e para o mundo e ser reconhecido por toda a humanidade. Amém.

 

2° Dia

“Nós viremos a ele e estabeleceremos a nossa morada”. Jo 14, 23

Paz Interior, Calma E Serenidade.

 

Ct  3, 3-5 “Não desperteis meu Amor antes que o deseje”.
Sl 3, 3-7 “Acordei:  o Senhor me sustenta”.
Ef 4, 1-6 “Um só Deus e Pai... que  reina sobre todos e permanece em todos”.
Mc 6, 45-51 “Subiu junto deles no barco”.

Comentário

A paz nos corações dos discípulos vem da presença do Senhor Jesus Cristo com eles no barco. Essa presença que traz calma e serenidade a toda Igreja, é conferida àqueles que realizam sua própria vocação, lutando a sós no deserto da contemplação e igualmente àqueles que servem no mundo, mesmo com a doação de suas vidas por seu próximo.

Embora seu comprometimento sincero na ação ou contemplação, tais cristãos parecem seguir um caminho bastante distante da vocação comum dos cristãos; mas de fato eles se juntam à assembléia de fiéis no coração de suas celebrações. Não são passivos nem  sonhadores, e carregam dentro de si a Igreja que fica honrada por sua luta espiritual. Com seus irmãos e irmãs no batismo, eles encontram a força para serenamente testemunhar a presença prometida de Cristo que os traz para dentro da comunhão trinitária.

A humanidade anseia pela presença de homens e mulheres de paz. Os cristãos são chamados a testemunhar a paz através da gentileza, humildade e paciência de Deus, presente na vida de cada pessoa.

Aquele que vive as seguintes palavras de Deus – “nós viremos a eles e estabeleceremos a nossa morada” – pode tornar-se através da paz, um agente privilegiado da unidade dos cristãos.

Oração

Senhor, fortalece meu espírito trêmulo na rocha de teus mandamentos e, do mesmo modo como acalmaste a tempestade pelo poder de tua presença, acalma as ondas de minha vida agitada, conduzindo-me para a embarcação que é tua Igreja. Dá-me essa fé que me recorda que estás, desde já, presente conosco até o final dos tempos. Amém

 

3° Dia

A palavra que estais ouvindo”. Jo 14, 24

Cristo, Palavra do Pai.

Dt 30, 11-14 “A palavra está bem perto de ti”.
Sl 85 (84), 2-14 “(O Senhor diz) “Paz para seu povo e para seus fiéis”
2Cor 1, 18-22 “Todas as promessas de Deus encontraram o seu ‘Sim’ na pessoa dele”.
Lc 10, 38-42  “(Ela) escutava a sua  palavra”.

Comentário

O Filho nunca cessa de receber do Pai. Sua vontade busca a do Pai, para pronunciar um ‘Sim’ que traga paz ao mundo, o desejo de Deus para a humanidade. Quando Jesus caminha entre nós, aqueles que o escutam acolhem a própria Palavra de Deus. “Amor e Verdade se encontram; Justiça e Paz se abraçam”. Diante da hostilidade de homens e mulheres, a Palavra responde através do amor de Deus pela humanidade. Pelo silêncio da cruz, ele uniu todos os povos a si e introduziu-os na paz de Deus.

Essa Palavra que se faz tão accessível para a humanidade penetra profundamente no coração daqueles que se arriscam em acolhê-la. Por isso, quando Marta e Maria oferecem-lhe hospitalidade, saboreiam essa Palavra, experimentando grande paz: “esta palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou”. Essa ‘melhor parte’ produziria uma herança fecunda, os apóstolos, seguindo Cristo e em seu nome, seriam chamados a se tornarem artesãos da reconciliação e da paz.

Essa Palavra é hoje oferecida às nossas Igrejas e, quando acolhemos o Cristo vivo em nossas liturgias comuns da Palavra, ou em nossas ações conjuntas a serviço dos outros, somos conduzidos à reconciliação. Unimo-nos nele com a bênção de nosso Pai comum e nossas Igrejas tornam-se melhores servidoras da Palavra e testemunhas da paz de Deus no trabalho.

Oração

Ó Senhor nosso Deus, em Jesus Cristo,
Tua única Palavra,
Tu reduziste o ódio à morte.
Por tua morte, no silêncio da cruz,
Reconciliaste o gênero humano entre si e contigo.
Transforma nossas palavras de violência em palavras de paz
E dá-nos a graça de aceitarmos o preço dessa reconciliação universal. Amém.

 

4°  Dia

O Espírito Santo vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que eu vos disse”. Jo 14, 26

Paz, Fruto do Espírito.

Jer 31, 31-34 “Eu depositarei minha instrução no seu íntimo”.
Sl 51 (50), 10-17 “Que me sustente o espírito generoso”.
Gal 5, 22-25 “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz”.
Jo 20, 19-23 “A paz esteja convosco... Recebei o Espírito Santo”.

Comentário

No dia em que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, estes atemorizados escondiam-se sem saber o que fazer; de repente, viram uma nova porta abrindo-se diante deles, e compreenderam como Deus havia se tornado carne em Jesus Cristo. O Espírito Santo lhes foi dado, de modo que pudessem compreender e lembrar.

O Espírito Santo ensinou aos discípulos que profundidade da humanidade é revelada na autêntica comunhão com Deus. O Espírito de paz e reconciliação sopra sobre a Igreja e a renova, mesmo quando há pecado, para que ela possa testemunhar essa obra do Espírito. O Espírito de verdade, de ciência e de sabedoria inspira riquezas às diferentes Igrejas para que possam tornar conhecido o que lhes foi ensinado sobre a vida divina e seu fruto, a paz.

Através do Espírito, os discípulos recordaram não tanto seus pecados, mas o perdão e a paz que Jesus ofereceu à humanidade. Tudo sobre sua vida – suas palavras transformadoras de vida – as ações através das quais, ele curou feridas – tornaram-se presentes e reais, oferecidas novamente à humanidade. Cada um é convidado à paz com Deus, para estar em paz consigo próprio e com o próximo.

As Igrejas recebem esse convite enquanto participantes das lutas da humanidade pela paz, que os prepara para a Unidade, outro fruto do Espírito. A paz entre nossas Igrejas pode dar testemunho do Único Espírito que nelas habita, que as ensina e que traz à lembrança tudo o que o Único Senhor lhes ensinou.

Oração

Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, Deus Uno,
Deus de verdade, paz e justiça.
Abre nossas mentes, Ilumina nossos espíritos,
Leva-nos a acolher o Espírito de verdade em nossas Igrejas,
A fim de guiar-nos para a verdadeira paz. Amém

 

5° Dia

Não vo-la dou como o mundo a dá”. Jo 14, 27

Paz e Violência
A Paz de Deus e a Paz do Mundo

Is 11, 1-17 “Não se fará  mal nem destruição sobre toda a minha montanha santa”.
Sl 119, 161-165 “Grande  é a paz dos que amam a tua Lei”.
Rom 12, 18-21 “Sê vencedor do mal por meio do bem”.
Jo 12, 12-19 “Bendito  seja, em nome do Senhor, aquele  que vem’.

Comentário

O relacionamento entre Deus e os seres humanos foi rompido pelo pecado. Precisamos lutar para sobreviver pelo trabalho duro e enfrentar sofrimento, doença e a inevitabilidade da morte. A vida humana é freqüentemente motivada por egoísmo e rivalidade, e pessoas vivendo com medo e inimizade, perderam o dom da paz. Muitos negam a existência de Deus e buscam o controle do mundo para si próprias.

No Antigo Testamento, lemos sobre os meios através dos quais as pessoas buscam sua própria segurança construindo paredes e oprimindo nações vizinhas enquanto esperam o “Dia do Senhor”. Conforme os profetas do Antigo Testamento, a paz era o sinal dos últimos dias e o Messias era o Rei da Paz esperada.  De sua parte, o profeta Isaías descreve mais claramente o Messias esperado como “o servo de Deus sofredor”, o “Príncipe da Paz”, que conferiria sua paz duradoura construída na caridade e no arrependimento sincero.

No Novo Testamento, Jesus entra em Jerusalém montado em um jumento e, dessa forma,  revela-se à multidão como Príncipe da Paz. Diante de Pilatos, ele diz solenemente que seu reino não é deste mundo. Cristo é nossa paz e, através dele, somos reconciliados com Deus Pai. Ele nos ordena amarmos uns aos outros como ele e o Pai nos amam, a fim de nos reconciliar com nossos irmãos.

Hoje, podemos ser tentados a construir nossa própria segurança através da opressão dos outros e do acúmulo de armas de guerra. Isso é buscar um falso tipo de paz que é contrária à vontade de Deus. Deveríamos construir a paz, buscando a reconciliação uns com os outros e favorecendo o entendimento e a justiça. Não devemos buscar a vingança, mas deixar o julgamento final para Deus.

Se quisermos recorrer a esse tipo de paz em nossa vida internacional, precisamos demonstrá-la na vida de nossas Igrejas. Os cristãos precisam buscar o entendimento recíproco, trabalhar e rezar pela unidade da Igreja. Essa paz e unidade são obra do Espírito em nós.

Oração

Senhor Deus da paz, fonte de toda consolação,
concede-nos o dom de teu Santo Espírito.
Em um mundo que busca segurança através da violência
e da guerra,
faze-nos mensageiros
de tua paz.
Como membros de tua Igreja, Corpo de Cristo,
perdoa-nos o pecado de nossas divisões
e dá-nos a coragem de buscar a unidade
que nos ofereces, e  que desejas,
e na qual
repousa tua paz.
Em nome de Cristo, nós te pedimos. Amém.

 

6° Dia

“Que o vosso coração cesse de se perturbar e de temer”. Jo 14, 27

Não Temas.

Is 43, 1-7 “Não temas pois eu estou contigo”.
Sl 23, 1-6 “Não receio mal algum,  pois estás comigo”.
1Jo 4, 16-21 “Não há temor no amor”.
Mt 8, 23-27 “Por que estais amedrontados, homens de pouca  fé”?

Comentário

Pela segunda vez, em conversa após a Última Ceia, Jesus convida seus discípulos à confiança e à paz. Eles estão cheios de tristeza, medo e desejariam fugir dessa dura realidade. Dois mil anos atrás, encontramos os discípulos mergulhados em seus medos e ansiedades: O que o futuro nos  trará? Que mudanças e quais preocupações? De onde podemos tirar a coragem para enfrentá-las? Temos medo de sermos deixados a sós, de não termos ninguém e nem para onde ir, quando estivermos em desespero e, quando as tempestades da vida parecem nos consumir. Tememos não saber amar e que o amor seja uma conquista e a paz uma recompensa; se falharmos, o amor e a paz serão tirados de nós. Mas Jesus, através de seu amor e de sua misericórdia, libertou-nos do medo. Enquanto viajamos pela estrada longa da conversão tornamo-nos cada vez mais, convencidos de que o amor está acima de tudo que possa nos amedrontar. É através de Jesus que aprendemos a conhecer e a entender que a paz é um dom gratuito de Deus, que é oferecido aos seres humanos, que são livres para aceitá-la ou recusá-la.

É uma experiência de libertação para os que permitem o amor incondicional de Deus tornar-se base e realidade viva de suas vidas. Embora essa libertação não signifique que todas as lutas e sofrimentos serão removidos de sua existência, isso quer dizer que têm a possibilidade de agir e viver sem medo. “Mesmo se eu andar por um vale de sombra e de morte, não receio mal algum, pois estás comigo” como o salmista descreve sua experiência existencial.

Quando Deus se relaciona conosco, dando-nos amor e paz, ele também nos coloca em relação uns com os outros; estamos unidos nele e através dele. Somos irmãs e irmãos. A aceitação do amor de Deus só será visível em nossas vidas e em nosso mundo, quando a tornarmos visível através do amor que tivermos uns pelo outros. Isso não é só verdade para cada cristão, mas também para nossas Igrejas e diferentes tradições. Quando construímos nossas identidades recíprocas não só destruímos nossos relacionamentos humanos, mas trazemos divisão ao contrário de reconciliação, como também nos separamos da própria fonte do amor e da paz, afastamo-nos de Deus.

As tempestades que agitam o mundo são fortes demais para os cristãos e as Igrejas que não se unem como irmãos e irmãs unidos em Cristo para enfrentá-las lideradas pelo Espírito Santo, que não é um espírito de medo, mas de amor e coragem.

Oração

Senhor Jesus, uma palavra tua no lago foi suficiente
para acalmar o medo dos apóstolos e apaziguar a fúria das ondas.
No meio das tempestades deste mundo,
Concede à tua Igreja e aos homens e mulheres
de todo o mundo,
a graça de ouvir tua Palavra, “Não temas”,
e que ela seja encorajamento para que possamos agir
em paz onde houver ódio e levar  reconciliação onde  prevalecer a divisão. Amém

 

7° Dia

Eu vou e venho a vós”. Jo 14, 28

Esperando pela Glorificação de Cristo

Hab 2, 1-14

“Vou manter-me no meu posto de guarda... espreitarei para ver o que  falará contra mim.

Sl 130, 1-8 “Minh’alma deseja o Senhor, mais do que o vigia o amanhecer”.
Rom 8, 18-27 “Pois a criação espera com impaciência a revelação dos filhos de Deus”.
Mt 25, 1-12 “Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora’.

Comentário

Jesus fala sobre sua partida e promete ao mesmo tempo voltar. Com essas palavras ele indica a seus discípulos que seu caminho levará, através da escuridão da paixão e morte à glória de sua ressurreição. Na Páscoa, a revelação gloriosa da chegada da nova criação torna-se visível. Acreditamos na ressurreição de Cristo e esperamos por sua glorificação final. Nele repousa nossa esperança de salvação e paz para toda a humanidade e toda a terra. Essa esperança que nos unifica como cristãos é uma fonte vital de alimento para nossa vida, e está fundamentada na palavra e promessa de Deus. Como Habacuc, esperamos por Deus até o cumprimento de sua palavra. Como o salmista, estamos contemplando a fidelidade de Deus.

Aguardamos na esperança e solidários com esse mundo. Muitos perguntam sobre a presença de Deus; estão sem esperança, cheios de dúvidas, medo e tristeza; vêem injustiça, dor e violência sem poder acreditar num futuro de justiça e paz. Como povo que espera, os cristãos compartilham as crises e tensões deste mundo. Não nos limitamos a ficar em um canto e olhar. Sentimos freqüentemente nossa impotência e perguntamos sobre o a presença oculta de Deus. A unidade dos cristãos deveria ser um forte sinal para o mundo sobre o nascimento pleno de uma nova humanidade.

A promessa de Cristo nos inspira a confiarmos em seu poder e verdade. A estória das noivas virgens nos encoraja à prontidão e à paciente espera em Cristo. O tempo pode ser longo, mas o dia chegará e o Senhor ressuscitado retornará e nos libertará de toda dor e sofrimento. A espera da gloriosa revelação de Cristo é uma oportunidade para testemunho e missão. É tempo de amor e paz, para reunião e reconciliação, e ocasião para partilha e apoio mútuo. Assim, a esperança em nosso coração tornar-se-á visível e crível: a vitória da paz e do amor de Deus será manifestada.

Oração

Senhor Deus, tu revelas tua glória na vida e no poder de teu Filho ressuscitado.  Juntos te pedimos que venha o teu reino.

Ansiamos pelo dia glorioso da revelação de Cristo, quando o reino de morte e lágrimas terá  fim e teu  reino de paz, justiça  e amor será instituído para sempre. Amém.

 

8° Dia

Levantai-vos, partamos daqui!” Jo 14, 31

A Caminho da Paz de Cristo

Am  5, 10-15 “Odiai o mal, amai o bem, restabelecei o direito no tribunal”.
Sl  16, 8-9 ‘Tenho sempre o Senhor diante de mim”.
Ef  5, 8-21 “Vivei como filhos da luz”.
Mt 25, 31- 40 ‘Todas as vezes que o fizestes a um destes mais pequeninos... foi a mim que o fizestes’.

Comentário

Cristo mostrou o caminho para a paz, aceitando a cruz porque sabia que o Senhor deste mundo não tem poder sobre ele.  Seu convite para levantar e estar em marcha é outra forma de nos trazer para dentro do mistério pascal da cruz e ressurreição. Há uma estreita ligação entre a paz que Jesus nos oferece e a maneira pela qual a interiorizamos e vivenciamos no mundo. Podemos estar em paz, viver em paz enquanto o menor sofre injustiça, fome, nudez? Em resumo, enquanto não tem a dignidade que é sua como criatura de Deus? A mensagem dos profetas é clara: o autêntico “shalom, paz” existe onde há integridade e plenitude, onde se busca o bem e reina a justiça.

Todos os que aceitaram Cristo e estão vestidos de luz buscam o bem, a justiça e a verdade. Com efeito, quando recebem o pobre, alimentam o faminto e são promotores da paz em nome da justiça; é a luz de Cristo que brilha em seu interior porque morreram com Cristo e ressuscitaram com ele.

No último dia, seremos chamados como Igrejas e como cristãos, a prestar contas de nossa reconciliação na paz – com aqueles que não têm paz porque lhes faltam os elementos essenciais da dignidade humana. A oferta da paz que Cristo nos faz, cria comunhão com ele e com o Pai, porque ao aceitá-la, aceitamos viver nele e ele em nós. Essa comunhão realiza a reconciliação entre a terra e o céu, entre nós e Deus. Esse dom da paz é duplamente desafio e garantia: é desafio porque nos obriga a aprendermos a sair de nós mesmos criando espaço para o outro; é promessa porque é o selo da permanente presença de Cristo em nossos corações. A melhor qualidade de paz é a alegria.

Oração

Deus Trino, tu nos revelaste que as obras das trevas e injustiça são conquistadas pela morte e ressurreição de Jesus.  Tua oferta de paz nos encoraja a imitá-lo rompendo os laços da desumanidade, da injustiça, do ódio e da desunião. Fortalece-nos por teu Espírito de paz para que possamos odiar sempre o mal, amarmos o bem e estabelecermos justiça. Não permitas que gritemos “Paz”, na segurança de nossas vidas tranqüilas, mas dá-nos a força de declararmos guerra à injustiça que aflige os que estão com fome e vivem em circunstâncias precárias. Permite-nos encontrar tua paz no serviço humilde e corajoso em favor dos menores de tua família. Amém.

 

Orações Adicionais das Liturgias Orientais

 

Igreja Bizantina de Antioquia

Da Oração da Manhã:

De madrugada nossos corações se voltam para ti, porque teus mandamentos iluminam a terra. Nós desejamos praticar a caridade e a santidade vivendo em teu temor, pois é a ti que nós glorificamos, tu, nosso Deus verdadeiro. Dá ouvido e atende-nos. Recorda-te, Senhor, de todos aqueles que te fizeram súplicas, de cada um por seu nome, e atende-os por teu poder. Abençoa teu povo e santifica tua herança! Dá a paz a teu mundo, a tuas Igrejas, a teus servos e a todo teu povo, pois teu nome, digno de toda honra e exaltação, é bendito, ó Deus Pai, Filho e Espírito Santo, agora e sempre pelos séculos. Amém
(Segunda oração das 12 orações do Ofício das Matinas)

Orações para a Paz, das Liturgias de São João Crisóstomo e São Basílio

Em paz, roguemos ao Senhor.
-Tem piedade, Senhor.
Pela excelsa paz e a salvação de nossas almas, roguemos ao Senhor.
-Tem piedade, Senhor.
Pela paz do mundo inteiro, pela estabilidade das santas Igrejas de Deus e pela união de todos, roguemos ao Senhor.
-Tem piedade, Senhor.
Um anjo de paz, um fiel guia, guarda de nossas almas e de nossos corpos, supliquemos ao Senhor.
-Atende, ó Senhor.
Os bens proveitosos para as nossa almas e a paz para o mundo, supliquemos ao Senhor.
-Atende, ó Senhor.
Para que passemos o restante de nossa vida em paz e penitência, supliquemos ao Senhor.
- Atende, ó Senhor.
Que o fim de nossa vida seja cristão, livre de dores e humilhações, pacífico e de boa defesa diante do tribunal temível de Cristo, supliquemos ao Senhor.
- Atende, ó Senhor.

 

Igreja Siríaca de Antioquia

Anáfora de Tiago, Irmão de Nosso Senhor - da Divina Liturgia de São Tiago

C. Senhor Deus do mundo e nosso Deus considera-nos dignos de redenção mesmo sem o sermos, liberta-nos de toda culpa, e unidos pelos laços de caridade possamos saudar-nos uns aos outros com um beijo de paz santo e divino, para que possamos te oferecer glória e graças ao teu único Filho e ao teu Espírito Santo, tudo o que é santo e bom, adorável e vivificante, da mesma substância que a tua,  agora e sempre, por todos os séculos dos séculos.

A. Amém.  Abençoa-nos  Senhor.
C. A paz esteja contigo.
A. E com teu espírito.
C.Desejemos a paz uns aos outros com um beijo santo e divino no amor de nosso Senhor e Deus.
A. Ó Senhor nosso Deus, faze-nos merecedores de tua paz.
C. E após havermos trocado essa divina e santa paz, inclinemos nossas cabeças diante de nosso misericordioso Senhor, em adoração.
A. Inclinamos nossas cabeças diante de ti, nosso Senhor e nosso Deus.

Anáfora do Domingo de Natal de São Tiago de Saroug, Doutor da Igreja.

C. Senhor Deus, cuja serenidade é infinita, a paz inquebrantável e caridade que não pode romper sua aliança; por tua graça, criaste os seres humanos para serem incorruptíveis e quando eles desobedeceram a tuas ordens por causa da inveja do demônio, foram condenados à morte. Pela vinda de teu único Filho, nosso Senhor e nosso, que dá a vida, tu encheste a terra com paz celestial, a paz que as hostes angélicas proclamaram, dizendo “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade”. Enche nossos corações com tua bondade, purifica-nos de toda mancha, toda desonestidade, toda inveja mortal, todo mal e toda fraqueza.

Faze-nos dignos de dar a paz, na pureza e com um santo beijo; comungar dos dons celestiais e eternos que nos hás concedido através de Cristo, nosso Senhor. Por ele e através dele és glorificado e louvado, agora e para sempre.

A Amém. Abençoa-nos Senhor.
P. A paz esteja contigo.
A. E com teu espírito.
P. Demo-nos a paz uns aos outros com um beijo santo e divino no amor de nosso Senhor e Deus.
A. Ó Senhor nosso Deus, faze-nos dignos dessa paz.
P. C. Após havermos trocado essa divina e santa paz, inclinemos nossas cabeças diante de nosso misericordioso Senhor, em adoração.
A. Inclinamos nossas cabeças diante de ti, nosso Senhor e nosso Deus.

 

Igreja Armênia

Oração do Ofício da Manhã; Cântico dos Anjos.

Glória a Deus nas alturas, paz na terra aos homens de boa vontade. A ti o louvor no mais alto dos céus. Bendito sejas tu, ó nosso Salvador e mestre; nós te louvamos, nós te glorificamos, nós te confessamos e nós te adoramos, nós te louvamos e te rendemos graças por tua imensa glória; tu nosso Mestre e nosso rei, tu o Santo do céu, o Senhor e o Pai todo-poderoso; nosso Senhor e o Filho único do Pai, Jesus Cristo, o Filho do Santo. Nosso Mestre e Senhor, Cordeiro de Deus e Filho do Pai, que se tornou um de nós através da Virgem. Tu nos fizeste misericórdia, tu perdoaste os pecados do mundo. Por isso, ouve nosso grito de esperança. Tu, o santo que sentas à direita do Pai, tem piedade de nós, porque tu és santo, tu és o único Altíssimo, tu és nosso único Senhor Jesus Cristo, com o Santo Espírito, na glória de Deus Pai. Amém. Em todo tempo, nós te louvamos, Senhor, e glorificamos teu Santo Nome, nas eternidades das eternidades. Faze-nos dignos, Senhor, da paz deste dia e preserva-nos do pecado.  Bendito seja o Senhor e Mestre de nossos Pais. Louvado e glorificado seja seu Nome eternamente santo. Amém. Senhor, tu que és bendito ensina-nos tua justiça (três vezes). Sê, Senhor, nosso guia de geração em geração. Eu te suplico, Senhor, tem piedade de mim e cura minha alma, eu que pequei contra ti. Mostra-me, Senhor, tua misericórdia e dá-me tua salvação.  Senhor, tua misericórdia é eterna. Não interrompas a obra de tuas mãos. Ó meu Senhor, faze com que eu me refugie em ti. Ensina-me a fazer tua vontade porque tu és meu Deus. De ti, Senhor, brota a vida e pela luz de tua Face nós vemos a luz. Faze brilhar tua misericórdia sobre aqueles que te reconhecem como Deus.
(Ofício das matinas)

Oração ao Espírito Santo de São Gregório De Narek

Suplico por teu Senhorio eterno e poderoso, ó Espírito poderoso,
Envia o orvalho de tua doçura,
Concede à minha alma e a meu espírito que domina meus sentidos, o benefício da plenitude da graça e tua abundante misericórdia.
Cultiva o campo hábil do meu coração de carne, endurecido, para que possa receber e propagar a semente espiritual.
Confessamos que é através de tua suprema sabedoria que nossos dons florescem e crescem dentro de nós.
Porque és tu que consagras os apóstolos, que inspiras os profetas, ensinas os doutores, fazes o mudo falar e abres os ouvidos fechados do surdo.
Eis porque ele que tem a mesma natureza que tu, que é um só corpo com o Pai, que é o Filho primogênito, que realiza todas as coisas com teu auxílio, proclamastes Deus, igual à essência do Pai.
Dá-me, a mim, pecador, também a graça de falar com confiança sobre o mistério vivificante da Boa Nova de teu Evangelho.
Para que possa caminhar com um passo largo e rápido de espírito
através do espaço infinito dos testamentos que inspiraste.
E, no momento em que tiver que explicar tua palavra em público,
possa tua misericórdia, preceder-me
e inspirar-me no tempo devido sobre aquilo que te é digno, útil e agradável.
Para a glória e louvor de tua divindade.
E para a completa edificação da Igreja universal.
Estende sobre mim tua mão direita próxima
e  fortifica-me com a graça de tua compaixão.
Dispersa de minha mente a sombra do esquecimento,
perseguindo com ela as sombras do pecado,
a fim de que eu possa ser elevado com a agudeza de minha inteligência,
da vida na terra às alturas.
Irradia em mim, uma vez mais, o brilho e a  maravilhosa elevação
do conhecimento de tua
Divindade, ó Poderoso,
a fim de que eu possa ser digno de agir e ensinar para ser um bom exemplo para meus ouvintes, amigos de Deus.
A ti toda glória, com o Todo Poderoso Pai e o Filho Único nossa salvação,
agora, e para sempre. Amém.

 

Igreja Caldéia

Do Rito Oriental Caldeu: Canto de Ofertório da Missa da Circuncisão do Senhor.

Que minha paz esteja contigo. Glória a Deus. Paz e segurança na terra; alegria e esperança para toda a humanidade sem distinção. Tal é a boa nova do nascimento e missão de Cristo, ontem, hoje e sempre.

Como são bonitos os pés dos mensageiros da Boa Nova da paz! Cristo nos chamou para viver no amor, longe da disputa: sem oprimir, nem invejar, humilhar, ou julgar. Ele nos chamou para agirmos com boa vontade para apagar toda discórdia e o Senhor recompensará nossos esforços. Bem-aventurados os pacíficos! Esse é o ensinamento de Jesus Cristo, a paz não pode reinar sem a amizade e o diálogo sincero. Ó Senhor da paz concede-nos a graça de viver no respeito uns com os outros, no espírito da verdade e afirmação, rejeitando todo ciúmes e superando o mal com paciência, com o perdão e instituindo um reino de paz através da bondade.

Canto do Ofício do Décimo Segundo Dia do “Ba’oussa”, * de Santo Efraim, Doutor da Igreja:

Senhor, tua misericórdia é eterna. Ó Cristo, tu que és toda misericórdia, dá-nos tua graça, estende tua mão e socorre todos os que são tentados, tu que és bom, tem piedade de todos as crianças e vem em seu socorro; dá-nos, Senhor, misericordioso, a graça de podermos nos refugiar à sombra de tua proteção e de sermos livres do mal e dos adeptos do Maligno.

Minha vida está por um fio como o de uma teia de aranha: no tempo de inquietação e discórdia, nós nos tornamos desconhecidos e nossos anos perdem o viço sob a miséria e a desgraça. Senhor, tu que, acalmaste o mar, acalma também em tua misericórdia as desordens do mundo, sustenta o universo que sucumbe sob o peso de suas faltas.

Glória ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo. Senhor, que tua misericordiosa repouse sobre os fiéis e confirme tua promessa aos apóstolos: “Eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo”; sê nosso socorro como tu foste o deles e, por tua graça salva-nos de todo o mal; dá-nos segurança e paz, a fim de que nós te rendamos graças e adoremos teu Santo Nome  para sempre.
(Ofício das matinas)

 

Aleppo, uma Cidade Ecumênica

Introdução

A cidade de Aleppo está localizada ao norte da Síria. É conhecida desde a antiguidade como ponto de encontro de várias civilizações que se sucederam umas às outras como uma encruzilhada para as caravanas comerciais, ligando o Oriente distante ao Ocidente, o Norte ao sul. A impressionante cidadela e seus antigos ‘souks’ (mercado) da cidade velha testemunham seu passado.

Aleppo também foi conhecida como “Borée”. Uma antiga tradição explica que Aleppo – halab em árabe – vem da palavra halib, que significa leite. Diz a tradição que Abraão passou pela cidade e que suas vacas foram aí ordenhadas.

1. Visão Histórica

Muito cedo a cristandade foi introduzida em Aleppo. Eclesiasticamente, a cidade dependia da Sé apostólica de Antioquia (a 80km de distância), onde os discípulos de Cristo foram chamados pela primeira vez de “cristãos” (At. 11, 26). O historiador Michael, o Sírio, relata sobre uma tradição, segundo a qual as regiões de Aleppo e de Mounbouj foram evangelizadas pelo apóstolo Simão, o Zelota.

A primeira comunidade cristã de Aleppo existiu por três séculos sem uma hierarquia oficial devido à perseguição do governo pagão romano. Houve muitos mártires, sendo os mais notáveis os dois santos, Sergio e Bacchus, e os dois médicos, Cosme e Damião.

Depois do reconhecimento oficial da religião cristã no começo do século IV, a Igreja de Aleppo foi constituída como uma eparquia sufragânea da Sé de Antioquia; foi nessa época que as igrejas foram construídas e conventos erigidos com o aparecimento de eremitérios e células monásticas.

As igrejas antigas de Aleppo, as cidades desertas e as igrejas em ruínas em volta da cidade são o melhor testemunho do período florescente do cristianismo na área, tal como a igreja de São Simão, o ‘Stylita’, e as igrejas de Mouchabbak, Qalb e Qorechet.

A vida monástica de Alleppo alcançou seu auge entre os séculos IV e V. Os conhecidos ‘stylitas’, “os escolhidos de Deus”, espalharam-se além da região. Os ‘stylitas’ incluíam as mulheres Marana e Kira da época do bispo Acácio de Aleppo (378-432).

A presença cristã foi sacudida e prejudicada muitas vezes através dos séculos, primeiro sob o governo romano e depois pelo governo bizantino, por causa da heresia de Ario e da rejeição do Concílio de Calcedônia. Depois da conquista muçulmana, os cristãos foram colocados sob zimmah (tutela) pelos conquistadores.

No final das Cruzadas e depois das invasões dos seljukians’, dos mamelucos, dos tártaros e dos mongóis, a situação se estabilizou no século XV quando a Síria foi tomada pelos otomanos.  Eles reconheceram várias comunidades cristãs como entidades sócio-culturais que gozavam de um certo grau de autonomia interna: ‘millet’.

* Essa descrição da situação ecumênica local foi preparada pelo grupo preparatório local e publicada sob sua responsabilidade.

Os cristãos, divididos conforme suas origens e tradições, aprenderam a viver lado a lado. Essa situação é tangível em Aleppo por causa da proximidade das igrejas Bizantina-Melquita, Armênia, Maronita e Síria.

No século XVII, mercadores invadiram a metrópole Síria. Consulados foram estabelecidos para proteger seus interesses, acompanhando-os vieram também muitos missionários religiosos que contribuíram para uma nova expansão espiritual. Os fundadores de cinco ordens religiosas originadas em Aleppo estabeleceram conventos no Líbano.

No século XVIII desenvolveu-se em Aleppo uma tendência em favor da unidade com Roma, resultando nas Igrejas Armênia, Bizantina-Melquita e Síria dividindo-se cada uma em duas comunidades: Ortodoxa e Armênia.

As comunidades caldéia e latina foram constituídas no século XIX. Mais tarde, como resultado dos esforços dos missionários protestantes, foram criadas duas comunidades evangélicas, uma armênia e outra árabe.

No começo do século XX, as relações entre as Igrejas não foram cordiais, mas inúmeros de fatores sociais e nacionais levaram os cristãos a se juntarem através dos anos, até o advento de um novo período de relações ecumênicas fraternas, inauguradas pelo abraço histórico entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Athenagoras, em Jerusalém.  E, desde que o solo era bastante fértil em Aleppo, já conhecida por suas ricas tradições religiosas, a semente da unidade encontrou um lugar natural para crescer, amadurecer e produzir fruto até a presente data.

Isso, porque durante os trinta e cinco anos passados Aleppo conheceu uma evolução rápida nas relações ecumênicas entre as Igrejas locais ortodoxa, católica e protestante. Foram os líderes religiosos que contribuíram para a criação do clima ecumênico conforme as orientações de seus Sínodos respectivos, sem ignorar o fato de que os leigos também impuseram um espírito ecumênico num ambiente onde a unidade entre os cristãos era de primária importância.

2. Aleppo Hoje

Aleppo é uma cidade de 1,500,000 habitantes. Os cristãos são a minoria, formando 10% de uma população principalmente muçulmana. O Árabe é o idioma oficial, mas entre os cristãos, alguns falam armênio e o síriaco. Aleppo tem onze comunidades cristãs reconhecidas como ‘taifeh’; três eparquias ortodoxas (Armênia apostólica, Grega Ortodoxa de Antioquia, Síria Ortodoxa de Antioquia), seis eparquias católicas (Grega Melquita, Armênia, Síria, Maronita, Caldéia, Latina), e duas comunidades protestantes (Armênia e Árabe).

É claro que todos os líderes religiosos, embora vivam no mesmo território, têm jurisdição somente sobre “o povo” de suas próprias comunidades. Todas as comunidades têm seus estatutos reconhecidos pelo Estado e são juridicamente independentes com relação aos certificados de casamento, cortes eclesiásticas, celebrações, administração de propriedade, conselhos administrativos, etc. Uma prática específica de Aleppo é o fechamento de várias escolas particulares, fábricas e lojas aos domingos, embora o feriado oficial seja sexta-feira. Aos cristãos que trabalham aos domingos é dado tempo livre para participarem de suas cerimônias religiosas dominicais. As celebrações litúrgicas e os principais eventos eclesiais, como casamentos e batismo, acontecem aos domingos e a freqüência atual de cristãos excede a porcentagem oficial.

Há 36 igrejas funcionando em Aleppo, ao lado de 17 capelas e 21 conventos. Os fiéis são assistidos por 98 padres, religiosos e pastores e 75 irmãs consagradas. Aleppo permanece uma fonte de vocações sacerdotais e religiosas e é sede de três seminários menores e de três programas de formação de jovens.

Instituições de caridade educacionais e culturais patrocinadas pelas igrejas, assim como escolas, hospitais, clínicas, casa para idosos, orfanatos, etc. contribuem grandemente para o desenvolvimento social da cidade e servem a todos sem discriminação.

Acima de tudo, Aleppo distingue-se por seu espírito de convivência e vizinhança com os muçulmanos. As relações entre os vários líderes religiosos e entre o povo, cristãos, e muçulmanos são fraternais e cordiais, marcadas pelo respeito recíproco e cooperação na área social e pela participação partilhada nos deveres nacionais. Os cristãos têm seus representantes no parlamento, nos corpos oficial e administrativo; gozam de direitos cívicos totais e são iguais aos olhos da lei. Nesses contextos são chamados a testemunhar diante dos seus companheiros cidadãos através de sua boa conduta, sua retidão e sua unidade.

Esse mosaico de comunidades cristãs encontra sua unidade, graças ao encontro regular dos líderes religiosos - no último sábado de cada mês – para discutir questões pastorais e tomar decisões comuns sobre questões sociais e situações não previstas.  Eles estão comprometidos a rejeitar todos os meios de proselitismo, a ajudarem-se mutuamente na salvaguarda dos interesses das Igrejas e a testemunharem diante dos muçulmanos. Têm um Conselho de Chefes das Comunidades Cristãs de Aleppo com Secretaria própria, que publica declarações e promulga normas gerais.

3. Relações Ecumênicas Internas

Motivadas por esse espírito ecumênico, as Igrejas de Aleppo têm sido capazes de conseguir um progresso significante de três maneiras: partilha espiritual, concordância pastoral e colaboração em obras de caridade.

a. Partilha espiritual:

Bispos e sacerdotes participam de batismos, casamentos, noivados e funerais nas diferentes Igrejas locais. Freqüentemente, essas celebrações tornam-se eventos ecumênicos, criando uma impressão positiva em todos os fiéis. O ponto alto do relacionamento ecumênico em Aleppo é alcançado, a cada ano, durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.  A Comissão ecumênica local cuida das celebrações e também prepara os livretos para ajudar os fiéis a participarem das orações. A primeira celebração reúne os fiéis. A segunda  reunião é para os jovens. O terceiro encontro de orações destina-se a todo o clero e é seguido de um “ágape” fraternal. Uma celebração ecumênica especial, em língua armênia, é organizada pelas três comunidades armênias da cidade, que também celebram juntas comemorações de eventos nacionais ou religiosos.

É de se observar que os padres de várias comunidades (mais de 95) conhecem-se e gozam de boas relações. Como resultado, um livro do ano ecumênico tem sido publicado para todas as comunidades de Aleppo.

b. Entendimento pastoral:

Esse é realmente um entendimento a nível pastoral entre as várias Igrejas de Aleppo. Com efeito, todas elas reconhecem o batismo das outras Igrejas, assim como também os casamentos mistos. É costume que a esposa freqüente a comunidade de fé de seu marido. No entanto, requerimentos de passagem de uma para outra Igreja raramente são aceitos,   mesmo assim, devem estar apoiados em razões válidas.

Todas as escolas particulares, confrarias e centros catequéticos têm um caráter ecumênico. É de se notar que os livros de catecismo usados em todas as escolas da Síria são escritos por uma comissão ecumênica. Esse projeto pode, sem dúvida, ser considerado como uma mudança de vanguarda na área ecumênica.

Deveria também ser observado que a “Sociedade Bíblica” dirigida pelos protestantes, o Instituto de Teologia da Sociedade do Catecismo Católico, assim como os movimentos Ortodoxos, todos trabalham na promoção do espírito ecumênico. Ainda mais, todo material publicado em nome das Igrejas de Aleppo, como os boletins diocesanos e os folhetos paroquiais, caracteriza-se pelo espírito ecumênico.

Várias comissões ecumênicas inter-confessionais operam em colaboração com o Conselho das Igrejas do Oriente Médio (para juventude – família – promoção de assuntos femininos- da saúde...).

Uma nova igreja foi recentemente consagrada em um novo distrito da cidade, servindo a ortodoxos e católicos juntamente; essa igreja servirá a todos os cristãos.

Uma de nossas mais comuns preocupações é o problema da emigração, que pesa fortemente sobre as Igrejas orientais. Lutamos contra essa praga num espírito ecumênico de solidariedade.  Nosso plano pode ser centralizado em três linhas:

* Temos raízes nos países árabes: donde a importância em nos ocuparmos com os sítios arqueológicos pertinentes e encorajarmos os grupos de jovens para que visitem as igrejas antigas em ruínas e estudem a história de nossas Igrejas do Oriente.

* Temos uma história comum com nossos irmãos muçulmanos: daí a importância de nossa presença e de nossa vida comum em uma  mesma e única  pátria.

* Temos privilégios que não são encontrados em outros países: por isso a importância em acautelar os cristãos contra a sedução dos países desenvolvidos.

c. Colaboração em obras de caridade:

Como já mencionamos, as Igrejas de Aleppo são notáveis por sua colaboração nos campos humanitário e caritativo, providenciando assistência aos idosos, orfanatos, pobres, famílias em dificuldades, pessoas deficientes; hospitais e clínicas também adotaram uma linha de conduta ecumênica não fazendo distinção entre pessoas de confissões diferentes. Em Aleppo, a comunhão espiritual está incorporada concretamente na comunhão da caridade.

Estamos ainda esperando começar um diálogo teológico e doutrinal, que falta em nossas relações ecumênicas, que são limitadas às áreas espiritual e pastoral e ajuda humanitária.  Do mesmo modo, ainda buscamos caminhos para unificar a data da Páscoa, uma preocupação central entre os fiéis. Atualmente, algumas Igrejas celebram a Páscoa conforme o calendário gregoriano, outras conforme o calendário Juliano; é um escândalo uma vez que buscamos a unidade. Fomos também perturbados com a criação de uma nova, e independente comunidade eclesial em Aleppo, que não participa das atividades ecumênicas, pela recusa em reconhecer o batismo das outras Igrejas e que está se expandindo através de uma forma ofensiva de proselitismo.

4. Relações Ecumênicas Externas

Vários bispos e líderes das comunidades religiosas de Aleppo têm relações oficiais com conselhos e autoridades ecumênicas internacionais e fazem parte dos diálogos teológicos bilaterais com Igrejas irmãs. Esse envolvimento é também um beneficio para nossos relacionamentos ecumênicos locais.

Entre esses Conselhos, gostaríamos de assinalar:

  • O Conselho Mundial das Igrejas que organizou vários encontros em Aleppo, sendo que o mais importantes deles escolheu como tema a unificação da data da Páscoa. O evento ficou conhecido como “Consulta de Aleppo”.

  • O Conselho das Igrejas do Oriente Médio que tendo encontrado um solo fértil para o ecumenismo em Aleppo, criou um escritório para tratar da educação cristã e organizar várias atividades ecumênicas de interesse para a família, juventude e senhoras (essas atividades incluem, em primeiro lugar cursos de formação pedagógica).

  • O Conselho Pontifício para Promoção da Unidade dos Cristãos mantém as atividades ecumênicas na cidade e tem enviado muitos representantes com o objetivo de promover o diálogo entre as Igrejas Irmãs do Oriente e reviver o processo de unidade.

Deveria ser igualmente observado que todas as visitas feitas a Aleppo, em várias ocasiões, pelos patriarcas são oportunidades para eventos ecumênicos.

A visita do Papa João Paulo II à Síria, entre os dias 5 e 8 de maio de 2001,  deu certamente um novo impulso ao espírito ecumênico e uma atmosfera de caridade entre as Igrejas. Embora as circunstâncias não tenham permitido ao Santo Padre visitar Aleppo, toda a cidade, com seus líderes religiosos e um grande número de fiéis foram à capital de Damasco para recebê-lo e tomar parte nas celebrações presididas pelo Papa e nos encontros ecumênicos em sua honra.

Conclusão

Concluindo nossa visão geral sobre as relações ecumênicas em Aleppo, agradecemos a Deus pela jornada que juntos empreendemos e oferecemos a ele nossa aflição no que ainda  nos separa, confiando que o Senhor, Criador de toda unidade,  transformará em realidade nosso desejo pela unidade. “Aquele que pode, por seu poder que age em nós, fazer além, infinitamente além do que nós podemos pedir e conceber, a ele a glória na Igreja e em Jesus Cristo, por todas as gerações nos séculos dos séculos Amém”. (Ef 3, 20-21)

 

Algumas datas importantes na história da Oração pela Unidade

1740                Na Escócia há um movimento Pentecostal com ligações norte-americanas, cuja mensagem predicante inclui orações por e com todas as Igrejas.

1820                O Rev. James Haldane Stewart publica “Hints for the General Union of Christians for the Outpouring of the Spirit.”

1840                O Rev. Ignatius Spencer, um convertido ao catolicismo romano, sugere a “União de Oração pela Unidade”.

1867                A Primeira Conferência Lambeth dos Bispos Anglicanos enfatiza a oração pela unidade no Preâmbulo de suas Resoluções.

1894                O Papa Leão XIII encoraja a prática da Oração de Oitava pela Unidade no contexto de Pentecostes.

1908                A observância da “Oitava pela Unidade da Igreja” iniciada pelo Rev. Paul Watson.

1926                O movimento Fé e Ordem começa publicar “Suggestions for an Octave of Prayer for Christian Unity”.

1935                O abade Paul Couturier da França defende a “Semana Universal de Oração pela Unidade dos Cristãos” com base em uma oração pela “unidade que Cristo quer através dos meios que ele deseja”.

1958                O Centro Unidade Cristã (Lyon, França) e a Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial das Igrejas começam uma preparação cooperativa sobre os materiais para a Semana de Oração.

1964                Em Jerusalém, o Papa Paulo VI e o Patriarca Athenagoras I juntos rezam a oração de Jesus “que todos sejam um”. (Jo 17).

1964                O “Decreto sobre o Ecumenismo” do Vaticano II enfatiza que a oração é a alma do movimento ecumênico e encoraja a observância da Semana de Oração.

1966                A Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial das Igrejas e da Secretaria para Promoção da Unidade dos Cristãos [conhecida agora como Conselho Pontifício para Promoção da Unidade Cristã] começam oficialmente juntas a preparação do material para a Semana de Oração.         

1968                Primeiro uso oficial do material da Semana de Oração preparado em conjunto pela Comissão Fé e Ordem e a Secretaria para a Promoção da Unidade dos Cristãos [agora conhecido como Conselho Pontifício para Promoção da Unidade dos Cristãos].

1975                Primeiro uso do material da Semana de Oração baseado no esboço de um  texto preparado pelo grupo ecumênico local.

1994                O texto de 1996 é preparado em colaboração com o YMCA e o YWCA.


 

Temas da “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”

Temas anteriores da “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”

Elaborados em colaboração entre a Comissão “Fé e Constituição” do Conselho Mundial de Igrejas e o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, a partir de 1968.

1968 - 2003
Elaborados em colaboração entre a Comissão “Fé e Constituição” do Conselho Mundial de Igrejas e o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, a partir de 1968.

1968    “Para o louvor da sua glória” (Ef 1,14)

1969    “Chamados à liberdade” (Gl 5,13)
(Reunião preparatória em Roma, Itália).

1970    “Somos cooperadores de Deus” (1Cor 3,9)
(Reunião preparatória no Mosteiro de Niederaltaich, República Federal da Alemanha).

1971    “...e a comunhão do Espírito Santo” (2Cor 13,13)
(Reunião preparatória em Bari, Itália).

1972    “Dou-vos um mandamento novo” (Jo 13,34)
(Reunião preparatória em Genebra, Suíça).

1973    “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11,1)
(Reunião preparatória na Abadia de Montserrat, Espanha).

1974    “Que todos confessem: Jesus Cristo é o Senhor” ( Fl 2,1-13)
(Reunião preparatória em Genebra, Suíça)
(Em abril de 1974, foi dirigida uma carta às Igrejas-membro, assim como a outros interessados na criação de grupos locais dispostos a participar da preparação do livrete da Semana de Oração. Um grupo australiano foi o primeiro que se engajou e preparou, em 1975, o projeto inicial do subsídio para a Semana de Oração).

1975    “A vontade do Pai: tudo reunir sob um único chefe, Cristo” (Ef 1,3-10)
(Projeto do texto elaborado por um grupo australiano. Reunião preparatória em Genebra, Suíça).

1976    “Chamados a tornar-nos aquilo que somos” (1 Jo 3,2)
(Projeto do texto elaborado pela Conferência das Igrejas do Caribe. Reunião preparatória em Roma, Itália).

1977    “A esperança não decepciona” (Rm 5, 1-5)
(Projeto do texto elaborado no Líbano, em plena guerra civil. Reunião preparatória em Genebra).

1978    “Já não sois estrangeiros” (Ef 2,13-22)
(Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico de Manchester, Inglaterra).

1979    “Consagrai-vos ao serviço uns dos outros para a glória de Deus” (1Pd  4,7-11)
(Projeto do texto elaborado na Argentina. Reunião preparatória em Genebra).

1980    “Venha o teu Reino” (Mt 6,10)
(Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico de Berlin, República Democrática da Alemanha. Reunião preparatória em Milão, Itália).

1981    “Um só Espírito – dons diversos – um só Corpo” (1Cor 12, 3b-13)
(Projeto do texto elaborado pelos Padres de Graymoor, EEUU. Reunião preparatória em Genebra).

1982    “Que todos encontrem em ti, Senhor, a sua morada” (Sl 84)
(Projeto do texto elaborado no Quênia. Reunião preparatória em Milão, Itália).

1983    “Jesus Cristo – vida do mundo” (1 Jo 1,1-4)
(Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico da Islanda. Reunião preparatória em Céligny  (Bossey), Suíça).

1984    “Chamados à unidade pela cruz de nosso Senhor” (1Cor 2,2 e Cl 1,20)
(Reunião preparatória em Veneza, Itália).

1985    “Da morte à vida com Cristo” (Ef 2,4.7)
(Projeto do texto elaborado na Jamaica. Reunião preparatória em Grandchamp, Suíça).

1986    “Sereis minhas testemunhas” (At 1, 6.8)
(Texto proposto na Iugoslávia (Slovênia). Reunião preparatória na Iugoslávia).

1987    “Unidos em Cristo, uma nova criação” ( (2Cor 5, 17-6,4a)
(Projeto do texto elaborado na Inglaterra. Reunião preparatória em Taizé, França).

1988    “O amor de Deus dissipa o medo” (1Jo 4,18)
(Projeto do texto elaborado na Itália. Reunião preparatória em Pinerolo, Itália).

1989    “Construir a comunidade: um só corpo em Cristo” (Rm 12,5-6a)
(Projeto do texto elaborado no Canadá, Reunião em Whaley Bridge, Inglaterra).

1990    “Que todos sejam um...para que o mundo creia” (Jo 17,21)
(Projeto do texto elaborado na Espanha. Reunião preparatória em Madrid, Espanha).

1991    “Louvai ao Senhor, todos os povos” (Sl 117 e Rm 15,5-13)
(Projeto do texto elaborado na Alemanha. Reunião preparatória em Rotenburg an der Fulda, República Federativa da Alemanha).

1992    “Estou convosco... ide pois” (Mt 28, 16-20)
(Projeto do texto elaborado na Bélgica. Reunião preparatória em Bruges, Bélgica).

1993    “Produzir frutos do Espírito para a unidade dos cristãos” (Gl 5,22-23)
(Projeto do texto elaborado no Zaire. Reunião preparatória perto de Zurique, Suíça).

1994    “A casa de Deus: chamados a ser um só coração e uma só alma” (At 4,32)
(Projeto do texto elaborado na Irlanda. Reunião preparatória em Dublin, Irlanda).

1995    “Koinonia: comunhão em Deus e de uns com os outros” (Jo 15,1-7)
(Reunião preparatória em Bristol, Inglaterra).

1996    “Eis que estou à porta e bato” (Ap 3,14-22)
(Projeto do texto elaborado em Portugal. Reunião preparatória em Lisboa, Portugal).

1997    “Em nome de Cristo...deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5,20)
(Projeto do texto elaborado na Escandinávia. Reunião preparatória em Estocolmo, Suécia).

1998    “O Espírito socorre a nossa fraqueza” (Rm 8,14-27)
(Projeto do texto elaborado na França. Reunião preparatória em Paris, França).

1999    “Eles serão seu povo e ele será o Deus que está com eles” (Ap 21,3)
(Projeto do texto elaborado na Malásia. Reunião preparatória no mosteiro de Bose, Itália).

2000    “Bendito seja Deus... que nos abençoou... em Cristo” (Ef. 1,3)
(Projeto do texto elaborado pelo Conselho de Igreja do Oriente-Médio. Reunião preparatória no Santuário de La Verna, Itália).

2001    “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6)
(Projeto do texto elaborado na Romênia. Reunião preparatória na casa de Odihna, Romênia).

2002    “Pois em ti está a fonte da vida” (Sl 36 (35), 10)
(Projeto do  texto  elaborado  pelo  Conselho  das Conferências Episcopais Européias - CCEE e a Conferência das Igrejas  Européias –  CEC. Reunião preparatória no Centro Ecumênico de Ottmaring, Ausburgo, República Federativa da Alemanha).

2003    “Este tesouro, nós o carregamos em vasos de argila” [2Cor 4, 3-18]
(Projeto do  texto  elaborado na Argentina. Reunião  preparatória  no  Centro  Ecumênico ‘Los Rubios’, Málaga [Espanha].)

           

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