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PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO
DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

Subsídios para a
SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

e para todo o ano de 2005

Cristo,
único fundamento da Igreja
(1Co 3,1-23)

Preâmbulo

Introdução

Temos a alegria de anunciar o nascimento de uma nova era de colaboração entre o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Igreja Católica) e a Comissão Fé e Constituição (Conselho Mundial de Igrejas). Uma nova etapa na direção da unidade dos cristãos acaba de ser iniciada. Este ano, pela primeira vez, o texto para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos não apenas foi preparado em comum pelo CPPUC e Fé e Constituição mas as versões francesa e inglesa são uma publicação conjunta desses dois organismos. Agradecemos sinceramente a Conferência Nacional dos Bispos de Brasil (CNBB) por ter generosamente assumido a responsabilidade da tradução deste livreto para o português.

Nós os encorajamos a fazer bom uso deste texto, naturalmente durante uma semana especial, mas também como base da vossa oração pessoal e de orações públicas pela unidade ao longo do ano.

 

+ Brian Farrell
Secretário
Pontifício Conselho
para a Promoção da Unidade dos Cristãos

 

Buscar a unidade durante o ano todo

Tradicionalmente, a Semana de Oração para a Unidade dos Cristãos é celebrada de 18 a 25 de janeiro. Essa data foi proposta em 1908 por Paul Watson de modo a cobrir o período entre a festa de são Pedro e a de são Paulo. Então, o significado da escolha é simbólico. No hemisfério Sul, onde o mês de janeiro corresponde ao período de férias de verão, prefere-se adotar outras datas, por exemplo próximo à festa de Pentecostes (por sugestão do movimento Fé e Constituição, em 1926) que também representa uma data simbólica para a unidade da Igreja.

Conservando esta flexibilidade ao espírito, nós os encorajamos a considerar estes textos como um convite para encontrar outras ocasiões, ao longo do ano, de expressar o grau de comunhão que as Igrejas já alcançaram e para orar juntos tendo em vista chegar à plena unidade desejada por Cristo.

Adaptar os textos

Estes textos são uma proposta, devendo ficar bem claro que, cada vez que for possível, será feita a adaptação à realidade dos diferentes lugares e países. Ao fazer a adaptação, deverão ser levadas em conta as práticas litúrgicas e devocionais locais, bem como o contexto sociocultural. Tal adaptação deveria ser fruto de uma colaboração ecumênica.

Em muitos países já existem estruturas ecumênicas que possibilitam esse tipo de colaboração. Esperamos que a necessidade de adaptar esta Oração à realidade local encoraje a criação de estruturas em outros lugares.

Utilizar os textos da Oração pela Unidade dos Cristãos

Para as Igrejas e as Comunidade cristãs que celebram juntas a Oração durante uma só cerimônia, este livreto propõe um modelo de Celebração ecumênica da Palavra de Deus.

As Igrejas e Comunidades cristãs podem utilizar para a celebração orações ou outros textos da Celebração Ecumênica da Palavra de Deus, textos propostos para os Oito Dias e escolher orações no apêndice desta brochura.

As Igrejas e Comunidades cristãs que celebram a Oração pela Unidade dos Cristãos cada dia da semana, podem encontrar sugestões nos textos propostos para os Oito Dias.

As pessoas desejosas de empreender estudos bíblicos sobre o tema de 2005 podem tomar por base os textos e as reflexões bíblicas propostas para os Oito Dias. O comentário para cada dia pode ser concluído por uma oração de intercessão.

Os textos desta brochura podem alimentar a oração das pessoas que desejam fazer uma oração particular e lembrar-lhes que estão em comunhão com todos aqueles que, espalhados pelo mundo, rezam pela maior unidade visível da Igreja de Cristo.

 

TEXTO BÍBLICO PARA A SEMANA DE ORAÇÃO
PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

1 Coríntios 3,1-23

Quanto a mim, irmãos, não pude falar-vos como a homens espirituais, mas somente como a homens carnais, como a criancinhas em Cristo. É leite o que vos dei a beber, não alimento sólido: não o teríeis suportado. Mas não o suportaríeis nem sequer hoje, pois ainda sois carnais. Já que há entre vós ciúme e contendas, não é que sois carnais e vos comportais de maneira meramente humana? Quando um declara: “Eu sou de Paulo”, o outro: “Eu, de Apolo” não estais agindo de maneira meramente humana?

Pois quem é Apolo? Quem é Paulo? Servos pelos quais fostes conduzidos à fé; cada um deles agiu conforme os dons que o Senhor lhe concedeu. “Quanto a mim, eu plantei. Apolo regou, mas quem fazia crescer era Deus. Assim quem planta não é nada, quem rega não é nada: só Deus conta, ele que faz crescer. Quem planta e quem rega são uma só coisa, e cada um receberá o salário de acordo com seu próprio trabalho. “Pois nós trabalhamos juntos na obra de Deus e vós sois o campo de Deus, a construção de Deus.

Segundo a graça que Deus me deu, como bom arquiteto lancei o fundamento, um outro constrói em cima. Mas tome cada um cuidado com a sua maneira de construir. Quanto ao fundamento, ninguém pode lançar outro que não seja o já posto Jesus Cristo. Quer se construa sobre ele fundamento com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, ferro, palha, a obra de cada um será posta em evidência. O dia do juízo a tornará conhecida, pois ele se manifesta pelo fogo, e o fogo comprovará o que vale a obra de cada um. Aquele cuja construção subsistir receberá um salário. Aquele cuja obra for consumida, dele será privado; ele mesmo será salvo, mas como quem o é através do fogo.

Acaso não sabeis que sois o templo de Deus e que Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo e esse templo sois vós.

Que ninguém se iluda se alguém dentre vós se julga sábio à maneira deste mundo, torne-se louco para ser sábio; pois a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. Com efeito está escrito: Ele apanha os sábios em sua própria astúcia, e ainda: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios. Ele sabe que são vãos. Assim, ninguém ponha o seu orgulho em homens, pois tudo é vosso: Paulo, Apolo ou Cefas, o mundo, a vida ou a morte, o presente ou o futuro, tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo, de Deus.

Tradução Ecumênica da Bíblia (Teb)

INTRODUÇÃO AO TEMA

Cristo, único fundamento da Igreja

(1Co 3,1-23)

Este tema foi elaborado em um contexto caracterizado pelas novas possibilidades de crescimento que se oferecem à Igreja. Há mais de dez anos, as igrejas na Eslováquia passam por um período de renovação e de desenvolvimento, depois de terem vivido, durante aproximadamente quarenta anos, uma situação política que, embora lhes permitisse existir, impedia o seu desenvolvimento e limitava o seu testemunho na sociedade. Para preparar o tema da Oração pela Unidade deste ano, o grupo refletiu sobre as seguintes questões: 1. Qual é o fundamento sobre o qual se constrói a nova “existência” das igrejas? 2. Existe um espaço de crescimento na unidade simultâneo ao processo de crescimento das respectivas comunidades confessionais? 3. Quais são os meios para reforçar o serviço da Igreja? No Novo Testamento encontramos epístolas dirigidas às Igrejas para encorajá-las no crescimento espiritual pois elas vivem em um mundo freqüentemente hostil aos valores do Evangelho. Entre elas, a primeira epístola aos cristãos de Corinto é o texto no qual se baseou o trabalho do grupo de preparação. A reflexão a seguir é uma introdução teológica e pastoral ao tema deste ano e aos oito dias de oração que se inspiram principalmente na situação eslovaca e na experiência recente das suas comunidades cristãs. O desejo do grupo de preparação é que estas considerações possam estimular todas as Igrejas no seu contexto específico, qualquer que seja a situação na qual se encontrem as comunidades cristãs, quer se trate de crescimento ou de declínio.

Crescer na fé significa crescer na unidade

Refletindo sobre a experiência de crescimento na fé na Eslováquia, concluiu-se que ela é realmente um dom para todas as igrejas deste país. Pessoas que se tinham mantido afastadas das igrejas antes dos acontecimentos de 1989 começaram a se reaproximar delas para encontrar respostas às questões importantes da própria vida. Isso mostra que as Igrejas, no seu modo de difundir a mensagem do Evangelho, tiveram de se adaptar a esse novo contexto. A situação na Eslováquia, então, não era muito diferente daquela encontrada por Paulo quando ela ajudou a Igreja de Corinto a crescer.

Apesar disso, esse processo de crescimento passou por fracassos e problemas. Paulo observa que os coríntios ainda não estavam prontos para receber o alimento sólido que permite crescer na fé. É normal começar a crescer bebendo leite. Entretanto, se após um certo tempo o corpo não consegue absorver alimentos sólidos, é sinal de que o organismo não está funcionando corretamente.

Paulo emprega uma expressão muito forte para descrever os coríntios. Ele os chama de “homens carnais” pois vê que não atingiram a maturidade espiritual. Eles vivem ainda conforme as inclinações humanas que se manifestam em inveja e querelas mesquinhas (1º dia). Como Paulo pode utilizar palavras tão fortes para descrever um povo cuja Igreja é tão rica de múltiplos dons e tão plena de vida? Paulo conhece bem essa riqueza e se refere a ela em 1Co14.

Essa falta de maturidade espiritual não se manifesta pela ausência de raciocínios refinados ou de elementos visíveis de poder. A comunidade era rica em dons e em obras. Neste aspecto, ela não era mais pobre nem mais frágil que outras. Mas Paulo qualifica essa Igreja de carnal; ele chama os coríntios de crianças. Por quê? Por causa da ausência de unidade entre eles.

As Igrejas da Eslováquia se perguntaram em que medida seu crescimento foi autêntico ao longo dos últimos quinze anos de liberdade e de novas possibilidades. Que valor têm os resultados alcançados, se ainda existem tensões entre as diferentes confissões? As Igrejas da Eslováquia compreenderam a necessidade de orar para que os cristãos cresçam na fé e que esse crescimento seja marcado pela unidade no serviço e pela compreensão recíproca.

A humildade no serviço é fonte de unidade

A divisão que reinava em Corinto não era devida à recusa de certos princípios de fé. O verdadeiro problema era a recusa a abandonar os antigos comportamentos humanos. Embora os coríntios tivessem recebido diferentes dons espirituais, algo lhes faltava: unidade de espírito e de intenções. Paulo recusa esse modo de ser cristão. Não cai na armadilha do ciúme quando alguns fiéis professam que o adoram e lhe pertencem. Insiste no fato que nem ele nem Apolo são “senhores” a quem pudessem pertencer. Eles são “servidores por quem (outros) foram conduzidos à fé” (1 Co 3,5). Além disso, eles não exercem esse ministério graças exclusivamente às próprias forças. Dependem completamente da graça do Senhor para a realização desse serviço. Realizam-no conforme os dons que o Senhor lhes concedeu.

Essa atitude é, simultaneamente, sinal de humildade de grandeza. O modo como Paulo concebe o serviço não se inscreve em uma perspectiva terrestre, segundo a qual um simples servidor se situa nas antípodas do desejo de ser servido como alguém importante na igreja. Jesus nos ensina, em Mateus 20,28, que “o Filho do Homem veio para servir, não para ser servido”. Por isso todos os dons recebidos devem ser colocados a serviço do plano de Deus, de tal modo que indiquem quem é o autor mais que o destinatário.

Paulo compreende que o fruto desse serviço será diferente, pois se construirá sobre a cooperação. É precisamente desse dom que os eslovacos fizeram experiência. Na nova situação que se criou, principalmente por causa da mobilidade das pessoas, freqüentemente, os ministros não se dão conta dos frutos da palavra que foi plantada. Hoje, como no tempo de Paulo, alguns plantam e outros oferecem o cuidado cotidiano necessário ao crescimento e outros ainda se ocupam da colheita. Antigamente, as pessoas passavam toda a vida na mesma aldeia ou na mesma cidade; os pastores locais podiam, então, acompanhar as necessidades espirituais dos seus fiéis, desde o momento em que propagavam a semente do Evangelho até o momento da colheita dos frutos. Hoje, um grande número de pessoas podem estar engajadas nesse processo de crescimento que não deixa de apresentar problemas. Até no interior de igrejas da mesma confissão se produzem tensões entre os fiéis, como foi o caso de Corinto. Além disso, com freqüência nos esquecemos que não são os ministros que fazem crescer na fé mas que “só Deus conta, é ele que faz crescer” (segundo dia).

Essa situação deve conduzir-nos a refletir: em que medida as tensões entre nós são de fato causadas pelas diferenças de doutrina? Não somos ainda muito orgulhosos? Até que ponto nossas ações estão submetidas ao desejo de poder mais que ao desejo e à vontade de servir?

Paulo teve de enfrentar uma situação semelhante entre os cristãos de Corinto. A resposta que ele deu foi a da humildade no serviço como meio para alcançar a unidade. É disso que ainda hoje as igrejas fazem experiência através do convívio. Nós compreendemos que somos companheiros de trabalho, que trabalhamos juntos na obra de Deus, cada um construindo sobre o único fundamento que ele estabeleceu, isto é, o Cristo. Conscientes disso, podemos sustentar-nos uns aos outros e agir conforme a graça que Deus deu a cada um de nós (terceiro dia).

Estabelecer o serviço sobre o único fundamento

Nós temos uma grande responsabilidade no nosso serviço. O fundamento foi lançado mas o edifício construído sobre esse fundamento depende do trabalho de cada construtor. Que uso cada um de nós fará do dom que recebeu de Deus? Paulo, na sua carta, destaca que existe uma variedade de dons e de serviços mas também que eles vêm todos do mesmo e único Senhor. A diversidade é oferecida pelo mesmo Espírito para o bem de todos os membros e pela unidade do corpo de Cristo (1 Co 12,4 ss). Esses dons devem ser utilizados conscientemente para construir a Igreja e para construir pontes como sinal de esperança e de unidade em Cristo (quarto dia).

Para Paulo e para nós mesmos é claro que o trabalho cumprido será posto à prova de modo a evidenciar a obra de cada um. No passado, as Igrejas estiveram, às vezes, mais ocupadas em resolver as suas questões internas que em proclamar a mensagem da morte e da ressurreição de Cristo como fundamento da vida cristã. Paulo, ao contrário, sempre considerou-se responsável pelas próprias ações e obras diante de Deus. As Igrejas devem sentir-se responsáveis diante de Deus mas também diante dos outros, como colegas de trabalho. A tarefa cumprida revelará em que medida nós fomos bons discípulos de Cristo (quinto dia).

Em seus esforços para encorajar os cristãos de Corinto, Paulo teve de definir qual era a identidade deles. Por terem recebido o dom do Espírito, eles tinham se tornado templos de Deus e eram imagem dele. Esta realidade convida os cristãos a viverem unidos no Espírito Santo que, por sua vez, os une em Cristo, único fundamento (sexto dia).

Sobre a base das nossas experiências e dos nossos conhecimentos, começamos a entrever a loucura que nos levou a seguir caminhos separados que estão na origem das divisões entre os discípulos de Cristo. É a esta loucura que Paulo se refere no início da sua carta aos coríntios quando ele os exorta a estarem de acordo e a evitarem as divisões pois devem estar “unidos no mesmo espírito e no mesmo pensamento” (1Co1,10). Da única Igreja de Cristo, nós fizemos surgir numerosas divisões fundadas no desacordo pois, em vez de partilhar o mesmo espírito e o mesmo objetivo, trabalhamos uns contra os outros. Provavelmente, esse resultado é fruto de um mundo onde traços de caráter como o individualismo e o desejo de competir são considerados sinais de sabedoria. Paulo, ao contrário, proclama a mensagem de Cristo que é humilhado a ponto de aceitar as nossas fraquezas humanas até a morte, revelando “tudo o que Deus preparou para aqueles que o amam” (1 Co 2,9) (sétimo dia).

Paulo estabelece um paralelo entre as diferentes pessoas engajadas no serviço do Evangelho. Em seguida, ele situa essa fraternidade no contexto de uma unidade universal e cósmica. Assegura aqueles que, em épocas e em lugares diferentes, construíram sobre o único fundamento, que pertencem unicamente a Cristo. Pertencem a ele. Se nós pertencemos a Cristo, pertencemos igualmente a Deus. Paulo está consciente de que Deus trabalhou na criação através de Cristo para renovar e reconciliar todas as coisas. Enquanto servidores e ministros, estamos unidos quando compreendemos que nosso serviço começa em Cristo e está voltado para Deus que estabeleceu o único fundamento da nossa fé e que está na origem da nossa unidade (oitavo dia).

Os oito dias de oração nos convidam a refletir juntos enquanto igrejas diferentes, a implorar a bênção de Deus uns para os outros e a buscar o terreno no qual é possível crescermos juntos na unidade.

PREPARAÇÃO DOS TEXTOS PARA A SEMANA DE ORAÇÃO
PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS 2005

O projeto inicial a partir do qual este livreto foi preparado nos é proposto este ano por um grupo ecumênico composto por membros do Comitê Teológico do Conselho Ecumênico das Igrejas da Eslováquia. As pessoas que dele fazem parte são as seguintes (em ordem alfabética):

Bispo Augustin Bacinsky (Igreja vetero-católica)
Rev.do Tsolt Görözdi (Igreja reformada)
Rev.do Jan Halama (Igreja católica)
Rev.do Jan Henzel (Church of Brethren)
Rev.da Gabriela Kopas (Igreja metodista)
Rev.do Josef Kulacik (União batista)
Rev.do Mikulas Lazor (Igreja ortodoxa)
Rev.do Ondrej Prostrednik (Igreja evangélica da Confissão de Augsburgo)

Agradecemos o Comitê teológico pela elaboração destes textos e pela fonte de inspiração que representou para o nosso trabalho. A versão definitiva destes textos foi realizada por ocasião da reunião de um grupo preparatório internacional formado por membros nomeados pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos da Igreja Católica. O encontro foi realizado no Centro de retiro jesuíta de Piestany (Eslováquia) onde os participantes foram pessoalmente recebidos pelo Diretor, Padre Emil Vani. Expressamos nosso reconhecimento também ao pessoal do Centro pelo apoio na oração e calorosa acolhida.

Desejamos, finalmente, expressar a nossa mais sincera gratidão ao Conselho Ecumênico de Igrejas da Eslováquia, particularmente ao seu Secretário, Rev.do Ondrej Prostrednik, pela preparação local deste encontro e pela generosa hospitalidade oferecida ao grupo internacional de preparação.

 

CELEBRAÇÃO ECUMÊNICA
Apresentação

O tema da celebração é: Cristo, único fundamento da Igreja.

A assembléia começa louvando a Cristo pela sua obra de salvação.

Esta oração está centrada no conjunto do texto de 1Co3, mas apenas aos versículos 10-13 é dado destaque na liturgia da Palavra. As outras leituras possibilitam desenvolver o tema da solidez e da qualidade da construção da Igreja em Cristo, pedra angular e fundamento da nossa unidade.

A caminhada penitencial e a oração de perdão foram colocadas após a proclamação da palavra de Deus. Isso permite torná-las um elemento essencial deste culto. Algumas assembléias preferirão deixá-la no lugar tradicional. Essa parte tem o objetivo de levar cada comunidade a um exame de consciência coletivo diante de Cristo (v.4), fundamento da Igreja una: expressões de arrependimento, símbolos e testemunhos contribuirão para isso.

Anunciamos juntos o Evangelho reconhecendo e partilhando os dons que o Senhor concede às nossas Igrejas (v.5)? Aceitamos o papel complementar das nossas Igrejas em algumas situações locais? Reconhecemos o primado de Cristo de quem somos servidores? Trabalhamos verdadeiramente juntos na obra de Deus (v.9)?

O símbolo aqui proposto é o de duas tábuas ou vigas de madeira que são juntadas em uma simples cruz durante a celebração. O símbolo pretende evocar, simultaneamente, as portas do inferno destruídas após a Páscoa de Cristo e os materiais sólidos comumente utilizados para a construção de uma casa. Depois que a cruz tiver sido colocada no chão, outros símbolos de arrependimento, de expressão da nossa fé e da nossa pertença a Cristo para edificação da sua Igreja poderão pouco a pouco ser colocados junto dela (velas, grãos de trigo germinando, flores, desenhos de crianças etc.).

Durante as intercessões, inspiradas em 1Co3, 1-23, a assembléia confia a Cristo, único mediador, a obra dos cristãos e a diaconia das Igrejas no mundo.


DESENVOLVIMENTO DA CELEBRAÇÃO

I. Abertura da celebração

Palavras de boas-vindas

Caros irmãos em Cristo: Hoje, estamos aqui reunidos para dar graças a Deus que nos chamou a buscar a unidade. Nós lhe agradecemos em nome de todos aqueles que, nas diversas partes do mundo, aspiram e rezam pela unidade dos cristãos. Nesta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, é particularmente às Igrejas da Eslováquia que nos associamos na oração e na meditação. Deus concedeu-lhes novas oportunidades de servir, de se reconciliar e de receber os dons espirituais. Estimulados pelo seu ministério, com os cristãos do mundo inteiro, refletimos sobre os fundamentos da nossa fé comum que é Jesus Cristo, nosso Senhor.

Enquanto a oração tem início, duas traves de madeira serão depositadas perto do altar. Elas nos recordam as portas do inferno quebradas por Cristo e as da nossa vida nova nele. A madeira, material tradicional de construção, nos convida também a refletir sobre o fato de sermos todos chamados a construir e a promover a unidade entre os cristãos. Durante esta celebração, nós reuniremos os dois pedaços de madeira formando uma cruz em sinal do fundamento sobre o qual nós construímos: Jesus Cristo.

Saudação

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amém.
Palavras de introdução
Quanto ao fundamento, ninguém pode lançar outro que não seja o já posto: Jesus Cristo (1 Co 3,11).

Oração de introdução

Rezemos juntos (breve silêncio):

Senhor, Deus vivo, nós te damos graças pelas obras magníficas que completaste entre nós. Nós te damos graças, particularmente, por teu filho Jesus Cristo que, aceitando morrer na cruz, ofereceu-nos a salvação. Conserva-nos perto dele, ao pé da cruz onde buscamos o reconforto e a alegria, a cura e a sabedoria. Com todos os fiéis, em palavras e em ações, nós cantamos o louvor, por Jesus Cristo nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, agora e pelo século dos séculos.

Amém.

Ação de Graças

L: Leitores: 1, 2
A: Assembléia
Após cada estrofe iniciada por “Eu”
na qual o sujeito que fala é Cristo , à maneira de “impropérios”, a assembléia bendiz o nome do Senhor. Em seguida, se dirige a ele em uma resposta cantada, formulada em “nós”. Pode-se começar a leitura por: Assim fala o Senhor Jesus.

L1 Porque te amo, meu povo, nasci em Belém.
Eu recebi o nome de Emanuel
Pois eu sou Deus contigo pelos séculos.
A Bendito sejas, Senhor.

L2 Eu desci ao Jordão onde fui batizado na água em sinal do batismo no Espírito
que viria para que toda carne seja purificada e renovada.
A Bendito sejas, Senhor.

L1 Eu fui conduzido ao deserto pelo Espírito para lá afrontar o tentador, vencê-lo
e te libertar das correntes.
A Bendito sejas, Senhor.

L2 Eu proclamei a boa nova do reino do Pai: reino de justiça e de misericórdia, de
amor e de verdade, de paz e de felicidade.
Eu realizei os sinais dos novos tempos, minhas mãos curavam os doentes,
minha presença levava a paz.
A Bendito sejas, Senhor.

L1 Eu te reuni, pequeno rebanho, como a galinha reúne os seus pintainhos, como
o pastor reúne o seu rebanho.
Eu quis te pôr nos ombros e te conduzir ao paraíso.
A Bendito sejas, Senhor.

L2 Eu parti o pão e servi o vinho novo para fazer aliança contigo e te dar a
vida em abundância.
Eu pedi a Deus que a minha alegria esteja em ti.
A Bendito sejas, Senhor.

L1 No madeiro da cruz eu entreguei o espírito, morri pelo perdão dos pecados
e para reunir os filhos dispersos do Pai, e eu abri as portas dos infernos.
No terceiro dia eu ressuscitei dos mortos.
A Bendito sejas, Senhor.

L2 De junto do Pai eu derramo sobre ti o meu Espírito Santo.
Ele te lembrará de tudo o que eu te ensinei.
Ele é o sopro de vida.
Ele é luz e consolo, força do teu testemunho, inspiração da tua oração.
A Bendito sejas, Senhor.

L1 Escuta, meu povo, eu estou contigo todos os dias até o fim dos tempos, para
que sejas um como eu sou um com o Pai, a fim de que o mundo creia.
Escuta a minha voz, ó meu povo, e segue-me para que haja um só rebanho
e um só Pastor.
A Bendito sejas, Senhor.

Hino da Assembléia (resposta cantada)

- Efésios 1,
- ou “Glória a Deus no mais alto dos céus”,
- ou “A ti a glória”,
- ou outro hino, de preferência alusivo a Cristo.

II. Liturgia da Palavra

Oração para antes das leituras bíblicas

Faz brilhar em nossos corações, Senhor amigo dos homens e das mulheres, a pura luz do teu divino conhecimento. Abre os olhos do nosso espírito para a compreensão da tua mensagem evangélica. Inspira-nos o respeito pelos teus bem-aventurados mandamentos, a fim de que, reprimindo em nós os desejos da carne, possamos conduzir uma vida segundo o Espírito, orientando todas as nossas intenções e todas as nossas ações para o teu prazer. Pois tu és a luz das nossa alma e do nosso corpo, Cristo Deus, te damos glória, com teu Pai Eterno e teu Espírito santíssimo, bom e vivificante, agora e sempre, pelos séculos dos séculos.

Leituras (opção 1 ou 2)

Opção 1 Gn 28,10-17 Opção 2 1Co 3,1-23

Sl 118,16-24 Sl 118,16-24

1Co 3,10-13

Hino

Evangelho:Mt 7, 24-27

Homilia (ou depoimentos)

Recomendamos uma homilia breve.

Hino (o ofertório pode ser durante este hino)

Confissão e perdão

(fundo musical)

Duas pessoas juntam as duas traves de madeira formando uma cruz. Colocam a cruz no chão em um ponto do espaço cultual que seja bem visível.

Entre cada expressão de arrependimento, os membros da assembléia podem depositar junto à cruz o símbolo que escolheram de Cristo fundamento da Igreja: vela, flor, grãos de trigo, desenhos de crianças. O gesto de colocar um símbolo junto à cruz expressa o nosso desejo de conversão e de pertença renovada a Cristo para a edificação da Igreja una.

L1 Senhor, tu és paz e reconciliação!
L2 Por ter freqüentemente escolhido a inveja e a animosidade e não a confiança
e a estima entre Igrejas, perdoa-nos Senhor.
(silêncio – depositar um símbolo junto à cruz)

L1 Senhor, tu nos cumulas com as tuas bênçãos na unidade da fé!
L2 Por termos às vezes escolhido fechar-nos em nós mesmos recusando-nos
a conviver entre Igrejas, sendo bênção para uns e outros, perdoa-nos Senhor.
(silêncio   depositar um símbolo junto à cruz)

L1 Senhor, tu deste aos aflitos a alegria, aos cativos a liberação, aos pecadores o
perdão!
L2 Por termos fechado as mãos e desviado o rosto daqueles e daquelas que
precisam de ajuda, perdoa-nos Senhor.
(silêncio  depositar um símbolo junto à cruz)

L1 Senhor, tu nos reuniste como o pastor reúne o rebanho e vai buscar a ovelha
perdida!
L2 Por termos muitas vezes nos afastado de ti e acentuado nossas divisões,
perdoa-nos Senhor.
(silêncio
depositar um símbolo junto à cruz)

Podemos acrescentar aqui depoimentos de abertura ao ecumenismo que tenham exigido uma real conversão pessoal e comunitária.

Oração de perdão

Deus todo-poderoso, ninguém pode estabelecer um fundamento diverso daquele que foi estabelecido. Esse fundamento é Jesus Cristo. Nós reconhecemos neste momento que não fomos capazes de construir sobre esse fundamento de modo a tornar-nos uma construção de Deus. Às vezes fomos até instrumentos de degradação. Ainda que a nossa obra tenha sido perdida, salva-nos e dá-nos uma nova oportunidade de buscar a unidade. Faz-nos desejar ardentemente a unidade da tua Igreja e dá-nos trabalhar por ela com eficácia. Amém.

Troca de um sinal de Paz:

A paz do Senhor esteja sempre convosco.
E contigo também.
Irmãos e irmãs, desejem a paz uns aos outros.

Credo de Nicéia

III. Orações e intercessões

O apóstolo Paulo dirigiu esta Epístola aos cristão de Corinto para encorajá-los. Possamos ter a mesma esperança que a Igreja de Corinto quando rezamos pela Igreja de Deus e por todos os homens.

Deus santo e eterno, nós te agradecemos por chamar cada um de nós pelo nome. Em ti nós vivemos, agimos e crescemos. Rezamos pelas Igrejas e pelos cristãos do mundo inteiro. Lembrai-nos do nosso fundamento em Cristo. Faz que vivamos sempre mais na fé e no amor até chegarmos à unidade que tu queres.
Reúne-nos todos em Cristo.
Faz de nós a tua morada.

Difunde sobre nós o teu Espírito para que conheçamos Jesus Cristo e possamos dar testemunho da nossa vida e da nossa unidade nele. Possamos conhecer seu espírito de modo a proclamar a sabedoria de Deus no mundo inteiro. Confirma-nos na nossa ação em favor da paz e da reconciliação na Igreja e na sociedade.
Reúne-nos todos em Cristo.
Faz de nós a tua morada.

Nós rezamos pelas Igrejas da Eslováquia e por todas aquelas que atravessam um período de mudança, quer esta implique em crescimento ou dificuldades, reconciliação ou conflitos. Inspira-os e confirma-os no testemunho e no serviço.
Reúne-nos em Cristo.
Faz de nós a tua morada.

Nós rezamos por aqueles que não têm abrigo, não têm país, não têm alimento, não têm trabalho, não têm medicamento, não têm paz. Que possamos reconhecer e servir Cristo através daqueles que sofrem e passam necessidade.
Reúne-nos em Cristo.
Faz de nós a tua morada.

Nós te damos graças por todos os dons da criação. Ensina-nos a partilhar com os outros o nosso tempo, a nossa energia, os nossos recursos, o nosso amor. Torna-nos mais sensíveis e atentos diante das feridas da família humana e da criação. Que possamos ser fiéis à nossa missão e viver longo tempo na terra. Que possamos fazer de toda a nossa vida um dom a Cristo pois a ele pertencemos e é nele que se unem todas as coisas da terra e do céu. Amém.

(Os participantes são convidados a propor intercessões referentes ao contexto da própria vida e à experiência pessoal).

Pai-nosso (cada qual na língua materna)

IV. Bênção e envio da assembléia

Bênção (bênção de Araão):

Que o Senhor nos abençoe e nos guarde! Que o Senhor faça brilhar sobre nós o seu olhar e nos dê a paz! Amém.

Envio

Ide na paz de Cristo.
Demos graças a Deus.

 

REFLEXÕES BÍBLICAS E ORAÇÕES PARA OS OITO DIAS

Primeiro Dia

Chamados à maturidade espiritual (1Co 3,1-4)

Os 2,21-25 Eu direi a Lo-Ami: “Tu és meu povo”.

Sl 24 Quem subirá à montanha do Senhor?

Cl 1,25-28 O mistério mantido escondido no decurso das idades.

Jo 15,1-8 Eu sou a vinha, vós sois os sarmentos.

Meditação

Na epístola à comunidade cristã de Corinto, onde havia desempenhado um papel importante estabelecendo os fundamentos da fé, Paulo chama com fervor os coríntios à maturidade espiritual. Ele louva os dons que Deus concedeu a essa comunidade, mas ao mesmo tempo menciona os rumores de divisão que chegaram até ele, resumindo: Eu pertenço a Paulo, eu a Cefas, eu a Apolo. Paulo pergunta, agora incisivamente: Cristo está dividido?

No Antigo Testamento existe uma tradição judaica que deseja que Deus dê a um povo o nome correspondente à sua natureza espiritual a fim de poder chamá-lo à fidelidade e à conversão. Assim, Paulo define os coríntios como homens carnais, crianças em Cristo, lamentando não poder falar-lhes, no momento, como a homens espirituais. Ele considera imatura a preocupação deles de fidelidade e não conforme o espírito de Cristo. As palavras de Paulo são bruscas, não porque o comportamento dos coríntios seja particularmente mesquinho, mas porque contrasta fortemente com a grandeza e a origem divina da vocação cristã, pois são o templo de Deus onde habita o Espírito de Deus. Eles pertencem a Cristo e nele receberão todas as coisas. Esta identidade em Cristo comporta uma missão: com Paulo, eles devem tornar conhecido o mistério mantido escondido no decurso dos séculos; eles devem anunciar esse mistério proclamando a grande ação redentora de Deus em Cristo e contribuindo com o próprio testemunho através de uma vida transformada.

É preciso lembrar que em Corinto as divisões estavam ligadas aos conflitos a respeito da acolhida da pregação dos Apóstolos: Eu pertenço a Paulo, eu a Apolo, eu a Cefas. Podemos ver aqui o prelúdio das divisões que, ao longo da história, feriram a nossa unidade em Cristo construída na fé dos Apóstolos. É, de fato, tentando aprofundar o conhecimento da fé da Igreja primitiva que hoje os cristãos se esforçam para reencontrar a unidade. A questão de Paulo é sempre atual: Cristo está dividido? Maturidade espiritual significa, em parte, saber recuperar e encarnar a unidade que nos é dada em Cristo. Em que medida a nossa desunião deriva do fato de não termos ainda chegado a uma certa maturidade na fé e a não percebermos ainda toda a grandeza da visão cristã? De que modo nossa desunião nos impede de prosseguir na missão de salvação e de reconciliação de Cristo em um mundo partido e sofredor?

Oração

Deus de misericórdia, tu nos chamas sem cessar a crescer espiritualmente. Queres que pertençamos a ti. Abre nosso coração e nosso espírito à grandeza do teu apelo e ajuda-nos a perseverar no caminho da unidade em comunhão com Paulo, Apolo e Cefas proclamando e nos engajando no serviço da tua obra redentora no mundo.

Segundo Dia

Deus faz crescer 1Co 3,5-9

Gn 1,26-2,9 O Senhor Deus planta um jardim em Éden.

Sl 104 (103),24-31 Tu renovas a face da terra.

Rm 8,14-25 A criação espera com impaciência a revelação dos filhos de Deus.

Lc 8,4-15 Produzem frutos aqueles que compreendem a palavra.

Meditação

Para falar às pessoas de Corinto, Paulo utiliza a imagem, familiar para elas, da plantação e do crescimento. É uma imagem rural tomada para ilustrar a ação de Deus que age diretamente entre eles e suscita servidores que vão cooperar com a sua obra.

Como os coríntios, nós somos convidados a ser instrumentos, servidores, ouvintes fiéis que devem prestar contas de como desempenham esse serviço. É uma tarefa eminente estar nesse serviço e investido da responsabilidade do trabalho que se desenvolve para glória de Deus. Nós devemos oferecer nossos talentos Àquele que servimos; colocar as nossas competências no único fundamento que é Cristo a fim de construir um edifício a serviço do amor.

Deus criou o mundo bom. Vemos isso no primeiro capítulo do Gênesis. Os humanos não souberam desempenhar o próprio papel. Nós destruímos esse mundo perfeito. Por isso somos chamados a exercer no mundo um ministério de cura. Esse ministério nos une. Ele comporta numerosos aspectos que transcendem as barreiras confessionais e culturais. O mundo está ferido, como o viajante estendido na estrada de Jerusalém a Jericó. Nós não devemos ter medo de tocar o que está destruído no nosso mundo. Deus quer curar por nosso intermédio. A criação espera com impaciência que a cura venha de Deus.

Na unidade buscada, os cristãos podem trocar as próprias experiências para demonstrar que, além de “Paulo e de Apolo”, eles são de Cristo. Apenas ele pode fazê-los crescer no amor do Pai, a serviço do Espírito de santidade e de unidade que quer salvar o mundo.

Oração

Ó Deus! Nós te agradecemos pela confiança e pela bênção que ofereces àqueles que trabalham para a vinda do teu reino ao mundo.

Ajuda-nos a descobrir novas possibilidades de manifestar a tua ação no serviço daqueles que nos cercam; que nós sirvamos mais do que buscamos ser servidos, e que o teu poder de cura aja entre nós.

Mantém-nos unidos como uma só família do teu Filho único, faz que sejamos fiéis tesoureiros da tua criação a fim de que, através de homens e mulheres, pequenos e grandes, coisas e pessoas, tu sejas reconhecido como vivo e verdadeiro, salvador e criador de tudo.

Amém.

Terceiro Dia

Cristo é o fundamento (1Co 3,10-11)

Is 28,14-16 Eis que firmo em Sião uma pedra, uma pedra a toda prova,
uma pedra angular preciosa, estabelecida para servir de fundação.

Sl 118 (117),16-24 A pedra rejeitada tornou-se a pedra angular.

Ef 2,19-22 Jesus Cristo como pedra mestra.

Mt 7,24-27 A casa construída sobre a rocha não desabará.

Meditação

Em Cristo, Deus colocou, por obra do Espírito Santo, o fundamento comum a todos os batizados. Os cristãos podem, então, afirmar a sua fé em Cristo, único fundamento sobre o qual a Igreja de Deus está construída. Ninguém pode ali colocar um outro; por isso os cristãos confessam, juntos, que o que Deus realizou em Cristo é o fundamento sobre o qual está construída a sua fé. Esta convicção é fonte de gratidão e de humildade.

No esforço de enraizar-se nesse único fundamento, os cristãos devem continuamente fazer face às vozes que contradizem e rejeitam o Cristo. Nessas circunstâncias, os cristãos são chamados a ser fermento na sociedade, confiando na ajuda da graça de Deus. Assim, diante das provações, não devem nunca vacilar. Como Jesus que foi rejeitado, também os seus discípulos devem estar prontos para passar pelos mesmos sofrimentos.

Apoiando-nos no fundamento que o Cristo e o seu ensinamento representam, nós podemos enfrentar os desafios da sociedade contemporânea. Enquanto cristãos, não tememos utilizar, como ponto de partida do nosso testemunho no mundo, o que outros consideram inútil.

Os cristãos estão convencidos de que construir sobre o fundamento sólido e comum que é Cristo, significa trabalhar juntos partindo do mesmo ponto e se dirigindo para o mesmo fim, isto é, a unidade de todos os discípulos de Cristo.

O que Jesus Cristo representa para nós define antecipadamente, de modo único e profundo, o caráter de toda atividade que nós empreendemos juntos e separadamente. A potência do amor de Cristo nos enche da esperança de que tudo o que nós criamos em seu nome está destinado a durar e a sobreviver no meio das dificuldades, pois Cristo é o começo e o fim.

Oração

Senhor, nosso Deus, através da obra do Espírito Santo tu estabeleceste em Cristo o único fundamento sobre o qual a Igreja está construída. Nós te agradecemos por tudo o que, em Cristo, fizeste em nosso favor. Nós te agradecemos também por sustentar continuamente a Igreja contra todas as tentativas que visam a sua destruição. Ajuda-nos, pela tua graça, a construir sobre o fundamento que tu colocaste em Cristo nosso Senhor. Amém.

Quarto Dia

Construamos sobre esse fundamento (1 Co 3,12-13)

Ne 2,17-18 Vamos reconstruir a muralha de Jerusalém.

Sl 127(126) Se o Senhor não construir a casa, em vão trabalham os que
a constróem.

1 Co 12,4-11 Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.

Mt 20,1-16 Um senhor de casa saiu de manhã muito cedo, a fim de contratar
operários para a sua vinha.

Meditação

Cristo é o dom de Deus para o mundo. Nele são reveladas a salvação e a libertação de toda a humanidade. Ele é o fundamento e fonte da vida nova que Deus nos deu. Esse dom de Deus é completo. Nós nada precisamos acrescentar a ele. Entretanto, isso não significa que devemos permanecer passivos e desinteressados. Paulo nos exorta a construir sobre as fundações. Ele ressalta qual é a nossa vocação e como devemos a ela corresponder. Nós somos chamados a participar da obra de renovação que Deus empreendeu e a trabalhar na sua casa.

Deus nos deu diferentes dons (1Co12). Devemos utilizá-los para uma só finalidade: glorificar Cristo e o poder da sua paz. Pelo nosso trabalho, devemos testemunhar o amor de Deus e a nossa união em Cristo.

Entretanto, se consideramos a história das Igrejas, percebemos que tudo o que é feito em nome de Cristo não é forçosamente “imagem de Cristo”. Às vezes, Cristo e a sua reconciliação foram eclipsados pela arrogância, divisões e luta pelo poder. “Construir a Igreja” não significa levantar barreiras confessionais uns contra os outros ou construir nossos próprios “monumentos”.

Hoje, as Igrejas devem ensinar a construir pontes e a colaborar. Assim, testemunharão a esperança e o fruto da própria unidade em Cristo. As velhas feridas podem ser curadas e novos desafios do nosso mundo em mudança podem ser enfrentados juntos, cada qual respeitando as tradições e os dons do outro.

O fundamento comum em Cristo faz de nós irmãos e irmãs. Ele é a base sobre a qual deve ser construída a única e verdadeira Igreja de Cristo, plena de amor pelos pobres, pelos marginalizados, e por aqueles que se dirigem a Deus e à esperança da vinda do seu Reino.

A reconciliação de Deus nos compromete, individualmente e enquanto Igrejas, a ser pedras vivas da nossa unidade em Cristo. Assim, nosso fundamento em Cristo aparecerá de modo sempre mais evidente.

Oração

Senhor, nós te damos graças pelo dom único da vida e da paz que tu nos dás através de teu Filho Jesus Cristo. As nossas Igrejas receberam de ti numerosos e diversos dons. Ajuda-nos a ver esta diversidade como um enriquecimento que nos permite construir a tua casa no mundo. Faz que possamos mostrar o que salva a nossa unidade e nos ajudará a levar o teu amor aos homens e às mulheres com quem convivemos. Amém.

Quinto Dia

Deus julga os nossos esforços de construtores (1Co3,13-15)

Gn 4,2 Sou eu o guardião do meu irmão?

Sl 51 (50), 1-4,9-13 Pequei contra ti, e só contra ti.

Fl 2,1-5 Considerai os outros superiores a vós.

Mt 25,14-30 Um homem chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens.

Meditação

É um eterno milagre que Deus, desde todos os tempos, tenha desejado e precisado que os homens participem com ele da obra que ele realizou no mundo. Ainda que o fundamento seja Jesus Cristo, nós devemos continuar a assumir o nosso dever de construtores.

Explicando isso aos cristãos de Corinto, Paulo insiste igualmente no fato de que Deus colocará à prova o que nós construímos: ele deve certificar-se de que somos bons arquitetos. Nossa salvação não depende das nossas obras mas permanecemos responsáveis pelas nossas ações diante de Deus. Para Paulo tudo isso era função do fogo purificador do juízo final que ele pensava estar iminente. No que nos concerne, estamos sempre na urgência cada oportunidade poderia, de fato, ser a última e nós compreendemos que seremos julgados a partir do bom uso que faremos dos dons que Deus nos concedeu para construir o seu reino. Os cristãos da Eslováquia sentem particularmente a urgência de se descobrir novas possibilidades que, enquanto cristãos, desejam poder oferecer à comunidade.

Nós somos todos responsáveis pelos nossos atos, diante de Deus e do nosso próximo. De fato, as Igrejas também são responsáveis umas pelas outras no que se refere à busca da unidade.

Elas são como os servidores da parábola aos quais o senhor confia os próprios bens e pede que deles façam bom uso. Nós todos recebemos um tesouro: a vida do nosso frágil planeta, irmãos e irmãs, de quem cuidar em todo o mundo, a preciosa nova do Evangelho para difundir. Esses bens são oferecidos a todo o povo de Deus e uma oportunidade de partilha com os demais, de aprendizagem dos nossos sucessos e fracassos. A nossa capacidade de trabalhar bem e de construirmos juntos, ainda hoje é colocada à prova.

Oração

Senhor, vindo a nós pelo teu Filho Jesus e manifestando-se através de pessoas falíveis, tu te mostrastes aos nossos olhos como um Deus vulnerável. Nós te damos graças pela confiança que colocaste no serviço e no trabalho que realizamos para construir o teu reino. Faz que permaneçamos atentos à tua vontade e aos teus desígnios e esclarece-nos a fim de que possamos ver as verdadeiras necessidades das pessoas ao nosso redor. Faz que sejamos capazes de aprender uns dos outros a fim de permanecermos unidos na nossa mútua responsabilidade e devotados ao serviço do teu reino. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

Sexto Dia

Vós sois o templo de Deus (1Co3, 16-17)

Gn 1, 26-27 Deus cria o homem à sua imagem e semelhança.

Sl 8 Quem é o homem?

1 Pd 2,9-10 O povo de Deus.

Mt 16, 24-27 Se alguém quer vir em meu seguimento.

Meditação

A questão da identidade não é um assunto novo. Os seres humanos sempre tentaram compreender e viver o que são de fato e o que consideram que devem ser. Hoje, que vivemos em um mundo caracterizado por mudanças constantes e um pluralismo difuso, a busca de uma identidade própria tornou-se uma questão de crescente importância. Nós somos confrontados com esse problema não apenas enquanto pessoas, mas também enquanto comunidade e Igrejas. Tentamos encontrar a nossa própria identidade naquilo que nos distingue dos outros e nos torna únicos.

Aquilo que o apóstolo Paulo, há dois mil anos, dizia aos cristãos de Corinto, é igualmente válido nos nossos dias. Devemos tratar o problema da identidade a partir de uma outra perspectiva: nós não somos “especiais” porque somos diferentes uns dos outros, mas porque recebemos o dom o Espírito Santo, dom presente em todo ser humano. pois fomos criados à imagem e semelhança de Deus.

Nós somos o templo de Deus, sagrado e digno. Ninguém tem direito de destruí-lo. Somos aqueles entre os quais Deus quer sentir-se em casa um lugar onde mora o seu Espírito de bondade. Deus deseja entrar em comunhão conosco, o que indica e exige que estejamos em comunhão uns com os outros. Esse apelo à comunhão ultrapassa os limites das nossas comunidades cristãs, o escândalo das nossas divisões enquanto Igrejas cristãs é intensificado e exige de modo imperativo que o ultrapassemos.

As diferenças também fazem parte da nossa identidade, pois vivemos em situações e culturas diferentes, somos homens e mulheres marcados pelas nossas experiências pessoais particulares e pela história das comunidade nas quais vivemos. Mas onde quer que vivamos, quaisquer que sejam os desafios que devemos enfrentar ou os talentos que recebemos, somos unidos pelo Espírito Santo que nos concede viver como Deus deseja e como isso nos foi revelado em Jesus Cristo: santos, capazes de oferecer e de receber amor.

Oração

Deus eterno, tu criaste o céu e a terra, criaste o ser humano à tua imagem dando a cada um de nós identidade e dignidade próprias. Nós te damos graças pelo dom da vida -- desta vida que nos une a ti e à tua criação. Ajuda-nos, enquanto cristãos e enquanto Igrejas, a receber esse dom em toda a sua plenitude a fim de que possamos superar tudo quanto entrava ou reduz teu dom de vida. Cumula-nos do teu Espírito de bondade a fim de que possamos crescer em Cristo e tornar-nos a imagem dele no mundo. Amém.

Sétimo Dia

Loucura e sabedoria: a vida em Cristo (1Co 3,18-20)

Jó 32,7-33:6 É o sopro, o hálito do Poderoso que dá entendimento.

Sl 14(13),1-7 O Senhor se inclinou para os homens, para ver se há alguém
perspicaz que busque a Deus.

1 Co1,17-30 O que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir
os sábios.

Mt 10,17-25 É o Espírito do vosso Pai que falará em vós.

Meditação

A democracia e a liberdade nos trazem muitas vantagens, mas também tentações. Isso é verdadeiro tanto para os indivíduos como para as Igrejas. Nos países de antiga tradição cristã, as Igrejas freqüentemente foram tentadas pelo acesso ao poder ou pelo uso incorreto deste. Conseqüentemente, o seu testemunho revelou-se menos portador da Palavra de Deus que das suas concepções humanas. Hoje, nós poderíamos ainda ser tentados quer a apoiar-nos nas relações de poder e nas vantagens que pode trazer a pertença à maioria, quer a abandonar os debates das nossas sociedades, com freqüência fúteis. Ora, enquanto Igrejas, recebemos o mandamento de testemunhar que há um fundamento comum para a vida do mundo, Jesus Cristo e a sua palavra, e que nada pode mudar isso.

Os profetas ressaltaram que não proclamavam as próprias palavras, pensamentos ou posições, mas uma palavra recebida de Deus. Jó escuta lhe dizerem ser necessário buscar a sabedoria além das próprias reservas, no sopro de Deus.

O apóstolo Paulo bebeu na fonte dessa sabedoria para proclamar a todos o Senhor Jesus Cristo crucificado. Ele diz ter decidido querer saber somente Jesus Cristo. Para a mensagem do evangelho de Cristo crucificado, estava pronto a passar por louco aos olhos dos sábios do seu tempo. Ele escreve aos cristãos de Corinto que a sabedoria de Deus é oferecer a salvação “pela loucura da pregação”: Cristo crucificado. Era um escândalo e uma loucura para as pessoas daquele tempo. Mas Paulo diz que a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana, e que a fragilidade de Deus é mais sólida que a força humana. O Cristo que os Evangelhos nos mostram não age como um herói mas como aquele cujo poder não é deste mundo. Ele debruça sobre os que foram entregues à própria sorte, toca os moribundos, perdoa os pecados, conduz para onde os justos e os piedosos não vêem nenhuma possibilidade de perdão. Eis o Deus que desceu até a poeira dos caminhos humanos.

A palavra da cruz foi confiada também a nós, cristãos de hoje. Entre as nossas Igrejas separadas pela loucura dos homens, a acolhida da unidade pode parecer um projeto insensato: no coração de um mundo dividido, assassinado por guerras e violência, a busca de paz e de reconciliação permanece sendo a única sabedoria. À luz da cruz se desenha o fundamento do nosso testemunho comum. Com Cristo, Deus se debruçou sobre a humanidade e nos envia para aqueles que o buscam através desta proclamação: o caminho da vida passa por Cristo crucificado e ressuscitado.

Oração

Deus pleno de sabedoria e de verdade.
Tu nos fizeste conhecer a loucura do teu amor quando os humanos crucificaram Jesus, teu filho único; quando tu o ressuscitaste como Cristo, nós reconhecemos tua imensa sabedoria.
Nós te pedimos: mantém-nos no seguimento de teu Filho, no estreito caminho de vida.
Dá-nos proclamar a boa nova da salvação pela cruz de Jesus Cristo que testemunha a Vida por todos.
Que a tua Igreja hoje permaneça fiel Àquele que é o seu fundamento e que ela abra todas as nações à sabedoria do teu Espírito.
Amém.

Oitavo Dia

Vós sois de Cristo (1Co3,21-23)

Is 44,1-8 Eu sou o primeiro e o último.

Sl 89(88), 1-4 Tua bondade está edificada para sempre.

Ap 4,1-11 Eles adoravam o que vive pelos séculos dos séculos.

Mc 9,33-35 Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos

Meditação

Nós pertencemos a Cristo. Somos dele e de ninguém mais. Sobre isto se funda a nossa unidade: pelo batismo, Cristo reivindicou-nos e fez-nos um, nele. A unidade pela qual participamos de Cristo é maior que todas as diferenças passadas e presentes que hoje dividem as nossas Igrejas.

Nós pertencemos a Cristo e pertencemos uns aos outros e somos responsáveis uns pelos outros. Por isso Cristo nos chama juntos para edificarmos o seu corpo, que é a Igreja, como companheiros de trabalho e servidores fraternos. Por isso os cristãos e as Igrejas são chamadosa viver e a trabalhar juntos, como irmãos, testemunhando a própria fé e trabalhando no serviço das pessoas que passam necessidade. Eis porque as divisões, as discórdias, as querelas e as facções que nascem ao redor de pessoas (quer estas se chamem Paulo, Apolo ou Cefas), todas essas fraturas rejeitam não apenas nossos irmãos e irmãs em Cristo mas o próprio Cristo.

Enquanto templo de Deus, a igreja é um lugar de oração e orar juntos é a mais poderosa expressão da nossa pertença comum a Cristo. Cada oração comum é uma vitória sobre as nossas divisões e celebra a nossa real unidade em Cristo. Nós nos unimos a todos aqueles que pouco importa o lugar e a época - pertencem ou pertenceram a Cristo e em espírito veneraram o Senhor. Nós não agimos sempre de acordo com a unidade que Cristo nos deu. Quando não podemos orar juntos, particularmente ao redor da Mesa do Senhor, nossa desunião fica evidente para todos. É por isso que todas as Igrejas sem exceção ainda têm muito para “construir”.

Por sermos de Cristo, nós somos de Deus. Paulo o afirma com audácia: “tudo é para vós”. Com os nossos companheiros de trabalho e nossos irmãos no serviço, nossa vida e nossas ações fazem parte do plano de Deus para toda a criação. Deus realiza a sua obra no mundo para a salvação e a cura daqueles que sofrem, para a reconciliação daqueles que estão em guerra, para a renovação de toda a criação. Deus nos julga com equanimidade: sabemos que o que edificamos é posto à prova e que o resultado das nossas ações se manifestará. Vivemos por antecipação o balanço final das nossas ações. Nãosabemos exatamente quando nem como acontecerá esse julgamento, mas sabemos que o nosso juiz será Deus, que é vida e bondade.

Louvamos a Deus e lhe damos graças pelas riquezas da criação e pela redenção que ele nos oferece, ele que pelo seu Espírito nos une em Cristo. Podemos oferecer nossa edificação comum de Igreja do Cristo, nossa busca da unidade como louvor à glória de Deus.

Oração

Senhor, Deus de bondade, nós te damos graças por nos terdes feito um em Cristo. Reforça e nossa imaginação e a nossa coragem para que possamos construir juntos a tua Igreja na unidade e no amor. Faz que as nossas vidas e a vida das nossas Igrejas sejam um testemunho do teu amor por nós e por toda a criação. Senhor, dá-nos, desde agora, a unidade. Amém.

ORAÇÕES SUPLEMENTARES DA TRADIÇÃO ESLOVACA [1]

Oração de São Cirilo na aproximação da sua morte

Senhor Deus, tu que criaste o coro dos anjos e todas as potências celestes, tu que levastes todas as coisas do não-ser paraa vida, escutas sempre as orações daqueles que fazem tua santa vontade e,no temor de ti, respeitam os mandamentos:
Escuta, Senhor, minha humilde oração: protege o rebanho dos fiéis que confiaste a mim, que sou teu humilde e indigno servo. Livra-os da malícia ímpia e pagã daqueles que blasfemam contra ti, destrói a heresia das três línguas[2], faz crescer a tua Igreja e conserva-a fortemente unida.
Une o teu povo na profissão da fé, inflama o coração dele pela verdade da tua Palavra. Tu nos concedeste uma graça imensa chamando-nos para proclamar o Evangelho de Cristo e o teu povo está pronto para concluir a tua obra de bondade.
Eu coloco nas tuas mãos os que me confiaste
guia-os com tua poderosa mão direita e protege-os para que todos cantem o teu louvor e glorifiquem o teu santo nome Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

Oração de Natal

Pai celeste, fonte de toda bondade, nós de damos graças pois na tua misericórdia nos conduziste a rememorar o dia glorioso do nascimento de teu Filho e nos concedes vê-lo com os olhos da nossa fé.
Que imensa alegria! Nascido para nós, ricos ou pobres, ele nos oferece dons maravilhosos. Ele se fez Filho do homem para que nos tornemos filhos e filhas de Deus.
Deus eterno, que o firmamento cante o teu louvor e que a paz na terra nos seja concedida.
Jesus Cristo, nosso Salvador, como podemos te dar graças pelo teu amor infinito?
Acolhe o louvor reconhecido dos nossos corações! Ilumina-nos com o teu Espírito Santo para que não esqueçamos que é pela graça de Deus que somos salvos e ajuda todos os homens e mulheres a rejeitar as paixões ímpias deste mundo. Assim, seremos transformados e nossas vidas serão retas e cumuladas pela tua presença. Amém.

Juraj Tranovský (1592-1637), pastor luterano de Liptovský Mikulás, compositor de numerosos cânticos luteranos utilizados até 1991 pela Igreja luterana da Eslováquia).

Cântico da manhã

Deus, nosso Pai, nós nos erguemos para dizer
Que teu nome seja louvado neste novo dia.
Para que tenhamos saúde e força se elevam as nossas preces,
Concede-nos todos os dons bons e perfeitos.

Ó Filho de Deus, nós te imploramos:
Que tudo o que desejamos, proclamamos e realizamos
Seja sempre agradável aos teus olhos
E realizado para tua e nossa alegria.

Ó Espírito Santo de Deus, preserva do medo
Todos os que vivem no sofrimento e na dor,
E quando o dia entre os dias estiver em seu poente
Coroa nossas vidas de resplandecente glória.

Jiři Zábojnik (1608-1672),
pastor luterano (oração traduzida para o inglês por J. Vajda, em 1969)
.

Ó Senhor, Jesus Cristo, nosso Pastor,
Tu que nos dás a salvação, a alegria e a força,
Com amor pousa o teu olhar sobre nós,
Olha o teu rebanho e protege-o.
Os lobos nos cercam e querem destruir teu amor, dia e noite.
Eles são numerosos e sem a tua ajuda nós somos impotentes.
Eles se aproximam de nós e teu rebanho não tem defesa.
Intercede por nós, Príncipe da paz.
Tu morreste pelos nossos pecados, nós imploramos teu socorro
Pois sabemos que só tu podes salvar-nos.

Pois a ti pertencem a glória e a honra eternamente,
Ó bom pastor, Deus maravilhoso
Que nos guardará junto de si até o fim
E nos conduzirá ao céu até o Pai. Amém.

Kristina Royova (1860-1936), em Piesne Sionske (Cânticos de Sion), romancista e compositora de cânticos, personagem-chave do movimento de renovação espiritual eslovaco.

Oração da tradição católica:

Anima Christi   Alma de Cristo

Ladainha do Sagrado Coração de Jesus

 

SITUAÇÃO ECUMÊNICA NA ESLOVÁQUIA[3]

A Eslováquia é um novo estado povoado por antigas etnias nacionais. Os 5,3 milhões de habitantes da República Eslovaca são na maioria eslovacos (86%). Os húngaros constituem a mais importante etnia minoritária (11%) e estão concentrados nas regiões situadas ao Sul e ao Leste do país. A Eslováquia, nessa parte da Europa é, proporcionalmente, a nação mais populosa do Rom,estimada em aproximadamente 500.000 pessoas. Outros grupos étnicos estão igualmente presentes, como os tchecos, os rutenos,os alemães e os poloneses. Os imigrantes mais recentes, às vezes sem-papéis, em sua maioria são originários dos países mais pobres da Europa do Leste. Os grupos formados por imigrantes russos, ucranianos, sevos e búlgaros concentram-se nas cidades mais importantes.

Nesta região, o cristianismo foi introduzido durante o século IX, graças à atividade missionária dos santos Cirilo e Metódio, inicialmente, na forma oriental. Do século XI até o início do século XX, o território eslovaco atual foi dominado pelos húngaros, tornando-se assim católico na sua maioria. A renovação nacional eslovaca foi lançada no século XIX por intelectuais desejosos de revitalizar a língua e a cultura eslovacas.

A aspiração dos tchecos e dos eslovacos de se libertar do Império dos Habsburgos será satisfeita quando da formação da República tcheca, em 1918, após a Primeira Guerra Mundial. Em 17 de novembro de 1989 começam uma série de manifestações públicas a famosa “Revolução de Veludo” que conduzirão à queda do regime comunista na Tchecoslováquia. Em 1992, as negociações pela nova constituição federal enfrentam um impasse a respeito da questão da autonomia eslovaca, mas no final de 1992, é pacificamente concluído um acordo para separar a Tchecoslováquia em duas: a República Tcheca e a República Eslovaca.

As condições socioeconômicas da República Eslovaca permanecem precárias, embora, em geral, melhores se comparadas às do países vizinhos situados ao Leste da Eslováquia. Após as importantes eleições legislativas de 2002 que marcam o fracasso dos partidos nacionalistas, a Eslováquia coloca a sua candidatura a membro da OTAN e da União Européia. A candidatura é aceita. A entrada da Eslováquia nessas duas organizações influenciará fortemente o desenvolvimento futuro do país.

Em nível nacional, a taxa de desemprego é superior a 15% e em algumas regiões ultrapassa 30%. As pessoas mais ameaçadas são, naturalmente, as que estão há mais tempo desempregadas. Os Roms,as famílias monoparentais, as crianças e as famílias numerosas também são categorias vulneráveis expostas ao risco da pobreza. Dada a precariedade da sua situação social e sanitária, a população Rom tem uma esperança de vida inferior a 15% em relação à média dos demais habitantes eslovacos.

Na Eslováquia, as formas organizadas de ecumenismo nasceram nas Igrejas protestantes, cujo objetivo era fazer valer os seus interesses em relação à maioria católica. Em 1927 foi fundada a União das Igrejas evangélicas da Tchecoslováquia (a Eslováquia foi membro de 1918 a 1993). No interior desta União nasceram os primeiros contatos com o movimento ecumênico internacional ainda muito jovem.

Os representantes de algumas Igrejas tinham adquirido consciência significativa da importância do movimento que começava a se desenvolver na Europa e no mundo todo após a Segunda Guerra Mundial. Era claro para eles que a mensagem do Evangelho devia unir, não separar as Igrejas. Em 20 de junho de 1955 foi fundado o Conselho Ecumênico das Igrejas da Tchecoslováquia. Este organismo tinha, entre outros objetivos, permitir que as Igrejas se expressassem publicamente sobre a situação social instaurada na Tchecoslováquia. Foi um período de restrições para a vida e o serviço das Igrejas, e de perseguições para as pessoas ativamente engajadas na vida da Igreja. Paralelamente, tornava-se necessário estabelecer a colaboração com as Igrejas dos países vizinhos. A tarefa desse Conselho Ecumênico foi, então, pôr em prática as idéias do movimento ecumênico no território tcheco.

O ano de 1989 e a chegada da democracia trouxeram novo elã para a tarefa de todas as Igrejas. A obra de renovação da Igreja podia recomeçar. A mudança das condições de vida no país teve por conseqüência a transformação da missão e dos objetivos do movimento ecumênico.

Após a divisão da Tchecoslováquia em dois estados diferentes, a atividade do novo Conselho Ecumênico das Igrejas da Eslováquia tem início por ocasião da sua primeira assembléia, em 15 de abril de 1993. Este reagrupa no seu interior as Igrejas ativas da República Eslovaca. Atualmente, onze Igrejas são membros do Conselho, três na condição de observadoras. Os membros integrais são a Igreja evangélica de Confissão de Augsburgo na Eslováquia, a Igreja reformada na Eslováquia, a Igreja ortodoxa da Eslováquia, a Brethren Church da Eslováquia, a Igreja evangélica Metodista do distrito eslovaco, a Igreja tchecoslovaca hussita na Eslováquia, a União batista da República Eslovaca e a Igreja vetero-católica da Eslováquia. Os observadores são as Igrejas católica e greco-católica, a Igreja apostólica da Eslováquia e a Igreja adventista do sétimo dia.

O contexto ecumênico é caracterizado por uma certa desproporção entre número de fiéis pertencentes às diversas Igrejas. Os dados que serão em seguida apresentados, tomados do recenseamento feito em 2001, dão uma idéia da distribuição dos cristãos na Eslováquia: católicos (68,9%) e greco-católicos (uniatas 4% total 72,9%); luteranos (6,9%); reformados (2,03%); ortodoxos (0,93%); demais denominações (menos de 0,1%). Existe certa correlação entre filiação religiosa e pertença a uma etnia. A maioria dos cristão reformados é de origem húngara e a maior parte dos ortodoxos são imigrantes rutenos ou ucranianos. A população total da Eslováquia é de 5,3 milhões de habitantes. Em tal contexto, o Conselho ecumênico representa sobretudo as “pequenas Igrejas”. Sempre conforme o recenseamento de 2001, o número de pessoas que se declara pertencente a uma confissão religiosa na Eslováquia ultrapassa 72% (1991) e 84% (2002). Deve-se a alta, em parte, à reticência de certos grupos religiosos a declarar a própria pertença religiosa em 1991 e à atividade missionária das Igrejas na Eslováquia.

As relações Igreja/Estado, na Eslováquia, são geralmente boas e recentemente se reforçaram. O Departamento eclesial do Ministério da cultura está encarregado de zelar por elas, administrando as subvenções que o Estado destina às comunidades religiosas oficiais. Este não pode, em nenhum caso, interferir nas suas atividades internas. O Ministério da Cultura também gera um fundo cultural que, dentre outros objetivos, é destinado à manutenção e ao reparo dos edifícios históricos religiosos. O Conselho Ecumênico, subvencionado pelo Estado, é um organismo importante para o diálogo e a representação das Igrejas junto das autoridades. As pesquisas de opinião pública realizadas, sistematicamente situam a Igreja entre as instituições mais dignas de confiança do país. Eleições recentes reforçaram a participação no governo de partidos e de homens políticos declaradamente cristãos.

Em 2000, o governo eslovaco assinou um tratado internacional com o Vaticano regulamentando as relações com a Igreja Católica. Em abril de 2002, o governo assinou um acordo com as onze Igrejas oficiais membros do Conselho Ecumênico de Igrejas Cristãs da Eslováquia a fim de que lhes seja atribuído o mesmo estatuto de que goza a Igreja católica. Trata-se de um acordo de âmbito nacional que deve garantir o reconhecimento, o status e a ajuda financeira às Igrejas e ao COERS. O apoio que o Estado concede às escolas religiosas também foi reforçado. Apesar disso, o futuro financiamento do clero e do pessoal eclesial pelo Estado eslovaco continua incerto e constitui um desafio para a viabilidade financeira das estruturas da Igreja e das suas atividades.

Em março de 2004, a Assembléia do Conselho Mundial de Igrejas exortou os cidadãos eslovacos a apoiarem o país na candidatura à entrada na União Européia. Segundo as Igrejas, a ampliação da União Européia estabelece um desafio à integração interna de pessoas e de Igrejas na Eslováquia e necessita que as Igrejas aceitem servir juntas o Evangelho no mundo de hoje. O processo de integração da Europa não deveria se limitar aos aspectos econômicos e políticos impostos pela União Européia. As Igrejas consideram que os seus objetivos deveriam ser indicados no processo de integração, tal como a busca de uma grande abertura à colaboração ecumênica e de meios que possam contribuir para reforçar essa colaboração. Paralelamente, a identidade espiritual das Igrejas e a integridade cultural da Eslováquia deveriam ser precisamente cuidadas e salvaguardadas de modo a evitar a dissolução em uma outra integração. Algumas Igrejas preocupam-se com a crescente insinuação no sistema escolar de ensino sectário bem como com atitudes neoliberais na sociedade eslovaca, tendência que pode colocar em risco o sistema tradicional de valores morais.

Em 2000, o COERS lançou um programa de educação tendo em vista dar às Igrejas membros meios para realização de serviços, principalmente no que concerne ao trabalho no campo social, em favor de jovens e de grupos marginalizados. Entregue aos cuidados de um secretário, esse programa oferece a oportunidade de organizar seminários de formação e conferências dirigidas a pessoas especializadas no trabalho eclesial. Também foram criadas, para a coordenação e o acompanhamento do trabalho, comissões do COERS dedicadas à juventude, às mulheres e ao diaconato. Em 2002, esse programa organizou nove seminários de formação e uma conferência sobre a situação da mulher à luz do Novo Testamento.

Desde 1999, o COERS também dirige um centro de estudo da nova religiosidade. Esse programa é proposto em colaboração com a Sociedade Ecumênica de estudo das seitas e é apoiado pela Conferência Episcopal Católica. Sua principal atividade é a publicação de uma revista trimestral, Rozmer (Dimensão). Em 2002, foram publicados quatro números com tiragem de 2500 exemplares. O programa se ocupa também de difundir a informação. No ano passado nove conferências sobre o tema da nova religiosidade se realizaram em diversas regiões do país. O centro também possui uma página web que no ano passado foi consultada 12.000 vezes. Foram tratadas vinte e quatro questões recebidas por correio eletrônico. Uma centena de visitantes foram pessoalmente recebidos no centro gerenciado por um secretário de programa e um assistente administrativo. Atualmente, o COERS busca obter apoio para poder reforçar este programa e criar um posto de consultor/conselheiro com dedicação em templo pleno.

A partir de fevereiro de 2001, o COERS apresenta um programa semanal de informação no qual são divulgadas notícias que provém de Igrejas e de organizações ecumênicas do mundo inteiro. Um programa de 10 minutos, realizado em colaboração com a rádio pública eslovaca propõe novas agências de empresas ecumênicas tais como ENI, EPD, LWI, KNA bem como entrevistas com pessoas internacionalmente comprometidas. Uma transcrição desse programa é divulgada através de correio eletrônico para uma ampla rede de assinantes. O programa Mesa Redonda é um instrumento essencial para reforçar o serviço das Igrejas da Eslováquia. Desde 1996 esse programa sustentou um grande número de projetos apresentados pelas Igrejas membros ou pelo secretariado do COERS. Em 2002, 113 projetos foram subvencionados por um montante de 210.000 euros. Os campos escolhidos foram a educação, a diaconia social, a missão, o trabalho na mídia e o desenvolvimento das estruturas.

Uma das principais questões que será abordada no futuro é a descentralização do sistema de ajuda social, que atualmente depende e é gerido pelo Estado. As Igrejas têm consciência do alcance histórico desse desafio e estão verificando o seu potencial a fim de dar continuidade a algumas instituições cuja atividade será colocada sob a responsabilidade das estruturas diaconais.

A obra social das igrejas deve também considerar a crescente capacidade da economia eslovaca de oferecer ajuda humanitária. O COERS dedica-se atualmente a avaliar a situação e as condições necessárias para a criação de um organismo independente de assistência.

Entre as Igrejas da Eslováquia, um grande número de bons exemplos de atividades ecumênicas são empreendidas na base. A título de exemplo, citemos a comunidade ecumênica da cidade de Kosice, centro industrial e administrativo da Eslováquia oriental.

A maior parte das Igrejas da Eslováquia celebram a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Em muitos lugares, os cristãos de diversas confissões se encontram nessa ocasião. Desde 2003, os movimentos cristãos de juventude da Eslováquia organizam encontros ecumênicos de oração, especialmente em janeiro. Um dos acontecimentos mais marcantes da Semana consiste em uma importante celebração ecumênica da qual participam representantes da maioria das Igrejas que aderem ao movimento ecumênico além de representantes da vida civil e política. Esse serviço de oração é transmitido diretamente pela televisão pública eslovaca em cadeia nacional.

Nos últimos anos, as Igrejas da Eslováquia oram antes de tudo para que lhes seja concedida a sabedoria e a força necessárias para fazer face às transformações da sociedade e uma unidade cada vez maior que lhes permita tirar partido das novas oportunidades que lhes serão oferecidas ao entrar na comunidade das nações da União Européia. Elas rezam, enfim, para que lhes seja dada a graça de ser uma riqueza para essa comunidade e discernir qual é o caminho a seguir para superar os efeitos sociais negativos desta mudança.

 

TEMAS ANTERIORES DA SEMANA DE ORAÇÃO
PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

Elaborados em colaboração entre a Comissão “Fé e Constituição” do Conselho Mundial de Igrejas e o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, a partir de 1968.

1968 “Para o louvor da sua glória” (Ef 1,14)

1969 “Chamados à liberdade” (Gl 5,13) (Reunião preparatória em Roma, Itália).

1970 “Somos cooperadores de Deus” (1Cor 3,9)
(Reunião preparatória no Mosteiro de Niederaltaich, República Federal da
Alemanha).

1971 “...e a comunhão do Espírito Santo” (2 Co 13,13)
(Reunião preparatória em Bari, Itália).

1972 “Dou-vos um mandamento novo” (Jo 13,34)
(Reunião preparatória em Genebra, Suíça).

1973 “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11,1)
(Reunião preparatória na Abadia de Montserrat, Espanha).

1974 “Que todos confessem: Jesus Cristo é o Senhor” ( Fl 2,1-13)
(Reunião preparatória em Genebra, Suíça)
(Em abril de 1974, foi dirigida uma carta às Igrejas-membro, assim como a outros interessados na criação de grupos locais dispostos a participar da preparação do livrete da Semana de Oração. Um grupo australiano foi o primeiro que se engajou e preparou, em 1975, o projeto inicial do subsídio para a Semana de Oração).

1975 “A vontade do Pai: tudo reunir sob um único chefe, Cristo” (Ef 1,3-10)
(Projeto do texto elaborado por um grupo australiano.
Reunião preparatória em Genebra, Suíça).

1976 “Chamados a tornar-nos aquilo que somos” (1 Jo 3,2)
(Projeto do texto elaborado pela Conferência das Igrejas do Caribe.
Reunião preparatória em Roma, Itália).

1977 “A esperança não decepciona” (Rm 5, 1-5)
(Projeto do texto elaborado no Líbano, em plena guerra civil.
Reunião preparatória em Genebra).

1978 “Já não sois estrangeiros” (Ef 2,13-22)
(Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico de Manchester, Inglaterra).

1979 “Consagrai-vos ao serviço uns dos outros para a glória de Deus” (1 Pd 4,7-11).
(Projeto do texto elaborado na Argentina. Reunião preparatória em Genebra).

1980 “Venha o teu Reino” (Mt 6,10)
(Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico de Berlim,
República Democrática da Alemanha. Reunião preparatória em Milão, Itália).

1981 “Um só Espírito – dons diversos – um só Corpo” (1 Co 12,3b-13)
(Projeto do texto elaborado pelos Padres de Graymoor, EEUU.
Reunião preparatória em Genebra).

1982 “Que todos encontrem em ti, Senhor, a sua morada” (Sl 84)
(Projeto do texto elaborado no Quênia. Reunião preparatória em Milão, Itália).

1983 “Jesus Cristo – vida do mundo” (1 Jo 1,1-4).
(Projeto do texto elaborado por um grupo ecumênico da Islanda.
Reunião preparatória em Céligny (Bossey), Suíça).

1984 “Chamados à unidade pela cruz de nosso Senhor” (1Co 2,2 e Cl 1,20).
(Reunião preparatória em Veneza, Itália).

1985 “Da morte à vida com Cristo” (Ef 2,4.7).
(Projeto do texto elaborado na Jamaica.
Reunião preparatória em Grandchamp, Suíça).

1986 “Sereis minhas testemunhas” (At 1, 6.8).
(Texto proposto na Iugoslávia (Slovênia). Reunião preparatória na Iugoslávia).

1987 “Unidos em Cristo, uma nova criação” ( (2Co 5, 17-6,4a)
(Projeto do texto elaborado na Inglaterra. Reunião preparatória em Taizé, França).

1988 “O amor de Deus dissipa o medo” (1Jo 4,18)
(Projeto do texto elaborado na Itália. Reunião preparatória em Pinerolo, Itália).

1989 “Construir a comunidade: um só corpo em Cristo” (Rm 12,5-6a)
(Projeto do texto elaborado no Canadá, Reunião em Whaley Bridge, Inglaterra).

1990 “Que todos sejam um...para que o mundo creia” (Jo 17,21).
(Projeto do texto elaborado na Espanha. Reunião preparatória em Madrid, Espanha).

1991 “Louvai ao Senhor, todos os povos” (Sl 117 e Rm 15,5-13)
(Projeto do texto elaborado na Alemanha.
Reunião preparatória em Rotenburg an der Fulda, República Federativa da Alemanha).

1992 “Estou convosco... ide pois” (Mt 28,16-20)
(Projeto do texto elaborado na Bélgica. Reunião preparatória em Bruges, Bélgica).

1993 “Produzir frutos do Espírito para a unidade dos cristãos” (Gl 5,22-23)
(Projeto do texto elaborado no Zaire. Reunião preparatória perto de Zurique, Suíça).

1994 “A casa de Deus: chamados a ser um só coração e uma só alma” (At 4,32)
(Projeto do texto elaborado na Irlanda. Reunião preparatória em Dublin, Irlanda).

1995 “Koinonia: comunhão em Deus e de uns com os outros” (Jo 15,1-7)
(Reunião preparatória em Bristol, Inglaterra).

1996 “Eis que estou à porta e bato” (Ap 3,14-22)
(Projeto do texto elaborado em Portugal. Reunião preparatória em Lisboa, Portugal).

1997 “Em nome de Cristo...deixai-vos reconciliar com Deus” (2 Co 5,20)
(Projeto do texto elaborado na Escandinávia. Reunião preparatória em Estocolmo, Suécia).

1998 “O Espírito socorre a nossa fraqueza” (Rm 8,14-27)
(Projeto do texto elaborado na França. Reunião preparatória em Paris, França).

1999 “Eles serão seu povo e ele será o Deus que está com eles” (Ap 21,3)
(Projeto do texto elaborado na Malásia. Reunião preparatória no mosteiro de Bose, Itália).

2000 “Bendito seja Deus... que nos abençoou... em Cristo” (Ef. 1,3)
(Projeto do texto elaborado pelo Conselho de Igreja do Oriente-Médio. Reunião preparatória no Santuário de La Verna, Itália).

2001 “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6)
(Projeto do texto elaborado na Romênia. Reunião preparatória na casa de Odihna, Romênia).

2002 “Pois em ti está a fonte da vida” (Sl 36 (35), 10)
(Projeto do texto elaborado pelo Conselho das Conferências Episcopais Européias - CCEE e a Conferência das Igrejas Européias – CEC. Reunião preparatória no Centro Ecumênico de Ottmaring, Ausburgo, República Federativa da Alemanha).

2003 “Este tesouro, nós o carregamos em vasos de argila” (2 Co 4, 3-18)
(Projeto do texto elaborado na Argentina. Reunião preparatória no Centro Ecumênico ‘Los Rubios’, Málaga [Espanha]).

2004 “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo 14, 23-31)
(Projeto do texto elaborado em Aleppo, Síria. Reunião preparatória em Palermo, Sicilia, Itália).

2005 “Cristo, único fundamento da Igreja” (1 Co 3,1-23)
(Projeto do texto elaborado na Eslováquia. Reunião preparatória em Piestaňy, Eslováquia
).

 

ALGUMAS DATAS IMPORTANTES NA HISTÓRIA DA ORAÇÃO
PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

1740 Na Escócia, nascimento de um movimento pentecostal com ligações
na América do Norte, cuja mensagem para a renovação da fé convida à oração
com e por todas as Igrejas.

1820 O Reverendo James Haldane Stewart publica:
“Conselhos para a união geral dos cristãos, em vista de uma efusão do Espírito”
(Hints for the
outpouring of the Spirit).

1840 O Reverendo Ignatius Spencer, um convertido ao catolicismo romano,
sugere uma “União de oração pela unidade”.

1867 A primeira Assembléia dos bispos anglicanos em Lambeth,
na introdução às resoluções, insiste na oração pela unidade.

1894 O Papa Leão XIII encoraja a prática de um Oitavário de Oração
pela unidade no contexto de Pentecostes.

1908 Celebração da “Oitava pela unidade da Igreja” por iniciativa
do Reverendo Padre Paul Wattson.

1926 O Movimento Fé e Constituição começa a publicação
de “Sugestões para um Oitavário de Oração pela Unidade dos cristãos”.

1935 Na França, o Padre Paul Couturier torna-se o advogado
da “Semana Universal de Oração pela Unidade dos Cristãos
concebida sobre a base de uma oração pela unidade que Cristo
quer e pelos meios que ele quer”.

1958 O Centro “Unidade Cristã” de Lyon (França) começa a preparar o tema
para a Semana de Oração em colaboração com a Comissão “Fé e Constituição”
do Conselho Mundial de Igrejas.

1964 O Decreto sobre o Ecumenismo, do Concílio Vaticano II,
sublinha que a oração é a alma do movimento ecumênico,
e encoraja a prática da Semana de Oração.
Em Jerusalém, o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I
rezam juntos a oração de Cristo “que todos sejam um” (Jo 17).

1966 A Comissão “Fé e Constituição” e o Secretariado para a Unidade dos Cristãos
(hoje Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos)
da Igreja Católica decidem preparar juntos o texto para a Semana de Oração
de cada ano.

1966 Pela primeira vez, a “Oração pela Unidade” é celebrada com base
nos textos elaborados em colaboração entre “Fé e Constituição”
e o Secretariado para a unidade dos cristãos.

1994 Texto para 1996 preparado em colaboração com a YMCA e a YWCA.

2004 Fé e Constituição (COE) e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade
dos Cristãos (Igreja Católica) decidem que dali em diante os textos
em francês e inglês da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
serão publicados e apresentados no mesmo formato.



Notas

[1] A escolha destas orações foi feita e apresentada pelo grupo local.

[2] São Cirilo, nascido na Macedônia, de origem grega e eslava, traduziu as Escrituras para o eslavo, a língua do povo. A súplica das “três” línguas se refere à heresia devida ao fato de que apenas o hebreu, o grego e o latim podiam ser utilizados como línguas litúrgicas.

[3] Esta descrição da situação ecumênica na Eslováquia foi preparada pelo grupo de preparação local e é publicada sob sua responsabilidade.

 

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