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PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO
DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

Textos para a
SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
e para todo o ano 2008

Orai sem cessar (1Tes 5,17)

Texto conjuntamente preparado e publicado por:
Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos
Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas

Tradução para o português:

Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
Brasília, 2007

 

A todos os que organizam
a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

 

Procurar a unidade durante o ano todo

Tradicionalmente, a Semana de oração pela unidade dos cristãos é celebrada de 18 à 25 de janeiro. Esta data foi proposta em 1908 por Paul Wattson de maneira que elas se realizassem no período entre a festa de São Pedro e a de São Paulo. Assim sendo, esta escolha tem um significado simbólico. No hemisfério Sul, onde o mês de janeiro é o período das férias de verão, preferiu-se adotar uma outra data, por exemplo, uma semana próxima a Pentecostes (sugestão feita pelo movimento Fé e Constituição em 1926), que constitui uma data simbólica para a unidade da Igreja.

Deste modo, guardando esta flexibilidade de espírito, nós os encorajamos a considerar estes textos como um convite a procurar outras ocasiões, durante o ano, para exprimir o grau de comunhão que as igrejas já atingiram e orar juntamente para atingir a plena unidade desejada por Cristo.

Adaptar os textos

Estes textos são propostos deixando claro que, sempre que possível tentaremos adaptá-los à realidade dos diferentes lugares e países, levando em conta as práticas litúrgicas e as devoções locais assim como o contexto sócio-cultural. Uma tal adaptação deveria ser, normalmente, o fruto de uma colaboração ecumênica. Em vários países já existemestruturas ecumênicas que permitem este tipode colaboração. Esperamos que a necessidade de adaptar a Semana de oração à realidade local possa encorajar à criação destas mesmas estruturas onde elas ainda não existam.

Como utilizar os textos da semana de oração pela unidade dos cristãos

  • Para as Igrejas e Comunidades cristãs que celebram juntas a Semana de Oração durante uma única cerimônia, este livreto propõe um modelo de celebração ecumênica da Palavra de Deus.
  • Para suas celebrações, as Igrejas e Comunidades cristãs podem também se servir de orações ou de outros textos da Celebração ecumênica da Palavra de Deus, dos textos propostos para os Oito Dias ou ainda da escolha de orações sugeridas no apêndice deste volume.
  • As Igrejas e Comunidades cristãs que celebram a Semana de oração pela unidade dos cristãos todos os dias da semana, encontrarão sugestões nos textos propostos para os Oito Dias. Os comentários de cada dia podem ser concluídos por uma oração de intercessão.
  • Para as pessoas que desejam orar individualmente, os textos contidos neste volume podem alimentar sua oração pessoal e lembrar-lhes, ainda, que elas estão em comunhão com todos os que oram, no mundo inteiro, para uma maior unidade visível da Igreja em Cristo.

Texto bíblico

“Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5, 12a. 13b-18)

Nós vos pedimos, irmãos: Vivei em paz entre vós. A isso vos exortamos, irmãos: corrigi aqueles que vivem de maneira desordenada, dai coragem aos que dela carecem, sustentai os fracos e que sejais pacientes para com todos. Cuidai para que ninguém retribua o mal com o mal, mas procurai sempre o bem entre vós e para com todos. Estai sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito, em Cristo Jesus.

Cf. Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB)

 

Introdução ao tema da Semana de Oração 2008

A Semana de oração pela unidade dos cristãos em 2008 marca os cem anos da inauguração da Oitava pela a unidade da Igreja. Esta nuance de terminologia (de “oitava” para “semana”) indica que a oração para a unidade dos cristãos evoluiu ao longo dos anos. A este respeito, um rápido olhar em sua história nos é proposto na primeira parte desta introdução. Na segunda parte são apresentados o texto bíblico e o tema escolhido para a Semana de oração pela unidade dos cristãos 2008. Em seguida nós propomos uma breve reflexão sobre o ecumenismo espiritual que nos permitirá situar adequadamente a oração para a unidade dos cristãos. A introdução se conclui com uma breve descrição da estrutura dos oito dias da Oitava pela unidade deste ano.

Um aniversário importante

Há cem anos, Paul Wattson - padre anglicano e co-fundador da Fraternidade Franciscana da Reconciliação (Society of the Atonement) em Graymoor (Garrisson, Estado de Nova York), inaugurava uma Oitava de oração para a unidade dos cristãos, celebrada pela primeira vez de 18 à 25 de janeiro de 1908. Em 1968, exatamente sessenta anos mais tarde, as Igrejas e paróquias do mundo inteiro recebiam, pela primeira vez, textos para a Semana de oração pela unidade dos cristãos, preparados conjuntamente pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas e pelo Secretariado para a promoção da unidade dos cristãos (Igreja Católica).

Hoje, a colaboração entre as Igrejas, as paróquias e as comunidades anglicanas, católicas, ortodoxas, e protestantes na preparação e celebração da Semana de oração pela unidade é uma prática doravante familiar, o que é a prova tangível da eficácia da oração pela unidade. Então é com direito que podemos falar da história da Semana de oração pela unidade dos cristãos como a de um sucesso. Este fato é para nós fonte de grande alegria e de profunda gratidão.

Os antecedentes da Semana de oração

Se estes dois aniversários nos permitem retraçar a história da Semana de oração, é bem evidente que a oração pela unidade não é uma invenção do século passado. O próprio Jesus elevou esta oração ao Pai : «Que todos sejam um ». Desde então, os cristãos não cessam de orar de múltiplas maneiras para que a unidade se realize. Apesar das divisões, os cristãos de todas as tradições oraram em união com Cristo para a unidade de todos os seus discípulos. A antiga liturgia cotidiana das Igrejas ortodoxas, por exemplo, convida os fiéis a orarem pela paz e pela unidade de todos.

Outras proposições precederam a Semana de oração para a unidade dos cristãos nos meados do século XIX. A importância e a necessidade de oração – e em particular da oração pela unidade dos cristãos divididos, são ressaltadas por numerosos movimentos e grupos eclesiásticos de diversas confissões (por exemplo: Movimento de Oxford, Aliança Evangélica e várias iniciativas femininas para a oração). Em sua Carta encíclica de 1902, endereçada a todas as Igrejas locais ortodoxas, o Patriarca ecumênico Joaquim III sublinhava que a unidade de todos os cristãos deve ser «objeto de oração e súplicas incessantes».

Paul Wattson e Paul Couturier

Quando o Padre Paul Wattson concebeu e colocou em prática a “Oitava de Oração” – considerada o início da Semana de oração pela unidade dos cristãos como a celebramos hoje – a unidade significava de fato, para ele, o retorno das diferentes Igrejas ao seio da Igreja Católica Romana. Isto influenciou sua escolha das datas para a Oitava: esta começaria em 18 de janeiro, que no calendário católico-romano era o período da Festa da Cátedra de Pedro, e se concluiria em 25 de janeiro, Festa da conversão de Paulo. Após a entrada da Fraternidade Franciscana da Reconciliação (Society of the Atonement) na Igreja Católica, em 1909, o Papa Pio X abençoou oficialmente a Oitava para a unidade.

Em meados de 1930, o padre Paul Couturier, em Lyon (França), dá novo objetivo à Oitava para a unidade da Igreja. Nesta época, a celebração da oitava havia começado a se repercutir em toda a Igreja Católica e num pequeno número de comunidades anglicanas favoráveis à uma reunião com o bispo de Roma. Todavia, por razões teológicas, esta aproximação foi rejeitada por um grande número de cristãos que não pertenciam à Igreja católica. Assim sendo, o Padre Couturier mantém a data de 18 a 25 de janeiro, mas modifica a terminologia : o objetivo da “Semana universal de oração pela unidade dos cristãos” que ele pretendia promover, era a unidade da Igreja “tal como Cristo a deseja”.

Fé e Constituição

Uma outra corrente de iniciativas de oração pela unidade dos cristãos está igualmente à origem da Semana de oração. Em 1915, um Manual de oração para a unidade dos cristãos foi publicado pela Comissão da Igreja Episcopal nos EUA, participante da Conferência mundial sobre Fé e Constituição. Na breve introdução desta obra, os autores sublinham a esperança de que cada uma das diversas comunhões eclesiais ore pela unidade, embora não necessariamente num mesmo lugar. Do mesmo modo, não esperamos que «as Igrejas de forte tradição litúrgica tais como a Igreja católica e a Santa Igreja oriental ortodoxa» utilizem este material, mas que elas busquem em seus vastos recursos e em sua rica herança orações adequadas à unidade dos cristãos.

A partir de 1921, o Comitê Permanente para a Conferência mundial sobre Fé e Constituição publica um material para uma Oitava de oração pela unidade dos cristãos e sugere que ela se realize durante os oito dias que precedem Pentecostes. Em 1941, a Comissão Fé e Constituição muda as datas do mês de janeiro, de maneira que elas coincidam com a iniciativa católica e que estas duas correntes – originárias do Conselho Mundial de Igrejas e da Igreja Católica – convidem os cristãos a orar no mesmo período. A partir de 1958, a preparação do material proposto por Fé e Constituição foi feita em grande parte em coordenação com as dos textos elaborados pelo Centro ecumênico Unidade Cristã (católico) de Lyon; e a partir de 1960, a Comissão Fé e Constituição e a Igreja Católica começaram a refletir juntas, de forma aprofundada, visando à elaboração destes textos, embora bem discretamente – pois, na época, a Igreja católica ainda não encorajava oficialmente as atividades ecumênicas.

Rumo à celebração em comum da Semana pela Unidade

No dia 25 de janeiro de 1959, dia da conclusão da oitava de oração pela unidade dos cristãos, o Papa João XXIII convoca o Concílio Vaticano II o qual deveria fazer entrar, de maneira decisiva, a Igreja católica no movimento ecumênico. O Concílio permitia também a colaboração oficial entre o Secretariado Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas e o Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos, do Vaticano (hoje Pontifício Conselho). Após a consulta mista organizada por estes dois organismos em 1966 sobre a Semana de oração pela unidade dos cristãos, foi criado um grupo misto de preparação de textos para esta Semana. Em 1968, o primeiro resultado dos esforços desse grupo estava pronto para ser utilizado. Todos os anos, desde 1973, um grupo ecumênico diferente – originário de diversas regiões do mundo – é convidado a preparar um primeiro projeto de textos para a Semana de oração, que em seguida o grupo preparatório misto internacional é encarregado de revisar. Esta “viagem” em torno do globo enfatiza de certa forma o caráter verdadeiramente ecumênico da Semana de oração. Esta longa história da preparação e da celebração em comum da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos conduziu, em 2004, à co-edição do material entre a Comissão Fé e Constituição e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Texto bíblico e tema escolhido para 2008

A passagem bíblica escolhida para a celebração do centésimo aniversário da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é extraída da 1ª Carta aos Tessalonicenses. A exortação “orai sem cessar” (1Tes 5,17) sublinha o papel essencial da oração na vida da comunidade dos fiéis. Pois ela permite aos seus membros aprofundar a sua relação com Cristo e com os demais irmãos na fé. Esta passagem faz parte de uma série de “imperativos” e declarações através das quais Paulo encoraja a comunidade a viver da unidade que Deus nos dá em Cristo, a ser na prática o que ela é em princípio : o Corpo único de Cristo, visivelmente unido num mesmo lugar.

A Epístola aos Tessalonicenses, que data de 50 ou 51 d.C. – considerada pela maioria dos exegetas como a mais antiga epístola de Paulo – nos revela os fortes laços que o unem à comunidade cristã de Tessalônica. No mesmo momento em que ele acabava de sofrer perseguições em Filipos (recordemos que Paulo e seus companheiros, Silas e Timóteo, foram atacados pela multidão, agredidos por ordem dos magistrados da cidade e jogados em prisão: Atos 17,1-9), ele estabelece a Igreja em Tessalônica em poucas semanas, com um trabalho intenso, antes que novos ataques o conduzam a Beréia e depois a Atenas (cf. At 17,10-15). Paulo nutria grandes esperanças para a Igreja de Tessalônica: a fé, a esperança e a caridade que não cessavam de crescer nesta cidade, a maneira com que ela havia acolhido a Palavra apesar dos sofrimentos, e a alegria que ela expressava no Espírito Santo, tudo concorria para suscitar sua admiração e seus louvores (1Tes 1,2-10). Todavia ele estava preocupado. Sua saída precipitada não lhe tinha deixado tempo de consolidar a obra que ele havia começado e rumores inquietantes chegavam até ele. Certos desafios provinham do exterior, sobretudo a persecução da comunidade e de seus membros (1Tes 2,14). Outros eram de natureza interna: alguns membros da comunidade continuavam a ter comportamentos cada vez mais marcados pela cultura ambiente do que pela nova vida em Cristo (4,1-8) ; outros criticavam os responsáveis que exerciam a autoridade e, em conseqüência o próprio Paulo (cf. 2,3-7,10) ; outros ainda desesperavam-se da sorte reservada aos que morriam antes da volta de Cristo. Seria-lhes recusado entrar no reino de Deus? Para eles e talvez para outros também, a promessa de salvação seria vã e sem sentido (cf. 4,13)?

Temendo ter trabalhado em vão e « não agüentando mais » (3,1), Paulo na incapacidade de retornar à Tessalônica envia Timóteo que relata o testemunho da fé e do amor profundos manifestados por esta comunidade e sua fidelidade à Paulo. Em 1Tessalonicenses, lemos a resposta de Paulo a esta boa nova – mas também aos desafios que deve afrontar a Igreja nascente. Em primeiro lugar, ele escreve para agradecer a comunidade por seu testemunho de resistência face à persecução. Mas apesar da alegria e do alívio pelas notícias trazidas por Timóteo, ele compreende que a semente da desunião já está na Igreja ; por isto ele se apressa em responder às diversas perguntas feitas pela comunidade sobre o comportamento pessoal (4,9-12), sobre os dirigentes (5,12-13a) e sobre a esperança na vida eterna em Cristo (4,14 - 5,11).

Um dos principais objetivos de Paulo era edificar esta comunidade na unidade. Nem mesmo a morte pode cortar os laços que a unem enquanto único corpo de Cristo. Jesus foi morto e ressuscitou por todos. Assim, quando o Senhor voltar, tanto os que já adormeceram quanto os que ainda vivem, «vivamos então unidos a ele» (5,10). Isto conduz Paulo a pronunciar os imperativos que figuram em 1Tes 5,13-18 e formam uma lista de exortações das quais uma parte foi escolhida para servir de base à Semana de oração deste ano. Esta passagem se inicia pela exortação que Paulo dirige aos membros da comunidade : “Vivei em paz entre vós” (5,13b) – paz que não significa simplesmente a ausência de conflitos, mas a harmonia na qual os dons de cada membro da comunidade contribuem à sua prosperidade e crescimento.

É interessante notar que Paulo não dá nenhum ensinamento teológico abstrato, nem faz alusão às emoções e aos sentimentos. Como na célebre passagem sobre o amor em 1Coríntios 13, ele convida antes à ação, aos comportamentos concretos através dos quais os membros da comunidade revelam o engajamento e a responsabilidade que eles têm uns para com os outros no seio do mesmo corpo de Cristo. O amor deve ser posto em prática e se tornar visível.

Ele estabelece uma lista destes imperativos, das «coisas que contribuem à paz» : garantir a participação de todos e dar coragem aos que tem pouca ; sustentar os fracos ; ser paciente com todos ; não pagar o mal com o mal, mas procurar sempre o bem, entre si e com todos ; viver na alegria ; orar sem cessar ; dar graças em todas as circunstâncias (5,14-18). Esta passagem se conclui pela afirmação de que agindo assim, a comunidade vive segundo “a vontade de Deus [para si] em Cristo Jesus” (5,18b).

O apelo “orai sem cessar” (5,17) faz parte desta lista de imperativos. Isto nos lembra que a vida numa comunidade cristã só é possível através de uma vida de oração. Paulo mostra ainda que a oração é parte integrante da vida dos cristãos, precisamente quando eles procuram manifestar a unidade que lhes é dada em Cristo – uma unidade que não se limita aos acordos doutrinais e às declarações oficiais, mas que se exprime em “tudo o que contribui à paz” – através de ações concretas que testemunham a unidade em Cristo, e entre si e que a fazem crescer.

A oração de Cristo e a unidade cristã

Através do batismo, nós nos comprometemos a seguir o Cristo e a cumprir a sua vontade. Esta vontade para seus discípulos, Jesus a exprime na oração pela unidade afim que outros creiam que Ele é o enviado de Deus. Algumas Igrejas consideram que a oração associada à oração de Jesus pela unidade é uma expressão do “ecumenismo espiritual”. Esta oração é particularmente intensa durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, embora não deva se limitar a esta celebração, mas sim perpassar toda a nossa vida cotidiana. Temos consciência que a unidade não pode se realizar somente pelos nossos esforços e que ela é sempre obra do Espírito Santo. Humanamente, não podemos realizá-la sozinhos. Podemos apenas recebê-la como dom do Espírito, cuidando de estarmos preparados para acolhê-la.

O ecumenismo espiritual leva a uma troca tão harmoniosa dos dons espirituais, que o que falta em uma tradição eclesial é completada pelos dons das demais. Isto nos oferece a possibilidade de ir além de nossas etiquetas confessionais, perseverando na direção d’Aquele que é a origem de todo bem. O surpreendente na oração é que a sua eficácia se verifica primeiro em nós mesmos. Ela modela nossa mentalidade e nosso coração, quando procuramos traduzir na vida prática a prova verdadeira de sua autenticidade. O ecumenismo espiritual nos conduz à purificação da memória histórica, encorajando-nos a enfrentar os graves acontecimentos do passado que geraram interpretações divergentes de sua própria natureza e origem. Podemos assim superar estas dificuldades que nos mantiveram na divisão. Ou seja, a finalidade do ecumenismo espiritual é a unidade dos cristãos que nos permite participar da missão, para a glória de Deus.

Se os que crêem querem realmente seguir os passos de Jesus, eles devem trabalhar e orar para a unidade dos cristãos. Todavia, as Igrejas têm visões diferentes da unidade visível pela qual nós oramos. Para alguns, a finalidade é alcançar uma unidade visível plena na qual as Igrejas seriam reunidas em uma só comunidade de fé, de oração, de sacramentos e de testemunho, onde as decisões seriam tomadas em comum e a vida estruturada segundo um mesmo modelo. Outros visam uma diversidade reconciliada na qual as Igrejas atuais trabalhariam juntas para oferecer ao mundo um testemunho coerente. Para outros, ainda, a unidade reside principalmente nos laços invisíveis que já nos unem ao Cristo e entre nós, e que depende muito da maneira pessoal de viver sua fé em meio ao mundo.

A oração para a unidade dos cristãos é, portanto, uma oração extremamente estimulante. É uma oração que provoca amadurecimento em nossa identidade pessoal, assim como em nossa identidade confessional. Em definitivo, isto significa renunciarmos à nossa visão de unidade para procurar compreender melhor o que Deus quer para seu povo. Todavia, isto não quer dizer que abandonaremos nossa unicidade, pois a unidade se exprime naturalmente na diversidade. A união na diversidade é ícone do mistério de comunhão amorosa que é a própria natureza do Deus Uno e Trino.

Os “oito dias”: Semana de Oração

As meditações propostas para os Oito Dias de oração deste ano partem do princípio que a oração para a unidade dos cristãos, o ecumenismo espiritual, está na base de todos os outros aspectos da busca de união entre os cristãos. Elas oferecem uma reflexão aprofundada sobre o tema da oração pela unidade, cada uma chamando a atenção sobre um aspecto ou uma preocupação desta oração e estabelecendo uma ligação com uma das exortações que Paulo dirige à comunidade cristã de Tessalônica. A primeira meditação – no 1º Dia – apresenta a unidade como dom e apelo endereçados à Igreja, e reflete sobre o que significa «orar sem cessar» pela unidade. O 2° Dia nos convida a termos confiança em Deus e a lhe dar graças quando trabalhamos e oramos pela unidade, pois temos consciência que é o Espírito Santo quem dirige nossos passos no caminho da unidade. A necessidade de uma conversão permanente do coração, enquanto fiéis e enquanto Igreja está no centro da reflexão do 3e Dia. Já o 4° Dia se intitula «Orai sempre pela justiça» e encoraja os cristãos à uma oração sempre centralizada no Cristo, que é quem nos solicita trabalhar juntos para responder à injustiça e às necessidades da humanidade sofredora.

Na vida cristã, paciência e perseverança caminham juntas. Por isto, na nossa procura da unidade desejada por Cristo para seus discípulos, deveríamos ser atentos aos diferentes ritmos e tempos de nossos irmãos e irmãs, como nos convida o 5°Dia. A meditação do 6e Dia encoraja a orar afim de que nos seja dada a graça de sermos instrumentos conscientes da obra de reconciliação de Deus. Assim como aprendemos a trabalharmos juntos ajudando os que estão na aflição, poderíamos progredir juntos na oração e apreciar os diferentes modos pelos quais os cristãos se dirigem a Deus. É o que sugere o 7° Dia. Apoiando-nos no caminho para a unidade que, guiados pelo Espírito Santo, nós já percorremos, a meditação final para estes Oito Dias (Semana de Oração) nos convida, assim como às nossas Igrejas, a nos comprometer mais uma vez a orar e a procurar, com todas as nossas forças, a unidade e a paz que Deus quer para nós.

Preparação dos textos da Semana de Oração
pela Unidade dos Cristãos 2008

O projeto de textos foi preparado pelo diretor do Instituto Ecumênico e Inter-religioso deGraymoor (Nova York, EUA), o Pe. James Loughran SA, em consulta com a Dra. Ann Riggs, Diretora geral da Comissão Fé e Constituição do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs dos EUA (NCCCUSA); o Dr. Keelan Downton, pesquisador; o Rev. James Mass, Diretor do Secretariado para Assuntos Ecumênicos e Inter-religiosos da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB) e a Sra. Susan Dennis, Presidente e Diretora geral do Centro Inter-confessional de Nova York (EUA).

Este projeto é um bom exemplo das relações de colaboração que mantêm o Instituto Ecumênico e Inter-religioso de Graymoor, o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs dos EUA e o Centro Inter-confessional de Nova York em seus esforços para promover a cada ano, nos Estados Unidos, a Semana de oração pela unidade dos cristãos. Os participantes, pelo seu trabalho de redação, quiseram colocar em relevo a importância do Centenário da Oitava de Oração pela Unidade da Igreja (hoje Semana da Unidade), celebrada pela primeira vez em Graymoor (Garrison, NY) de 18 a 25 de janeiro de 1908. Eles quiseram também celebrar a história dos 100 anos de oração, lançando convidano-nos a assumir com renovado impulso a Semana de Oração pelaUnidade dos Cristãos de 2008 – donde o provocante tema escolhido: “Orai sem cessar” (1Tes 5,17).

Em seguida, os textos foram adaptados e concluídos de forma definitiva numa reunião do grupo preparatório internacional, nomeado pela Comissão Fé e Constituição (Conselho Mundial de Igrejas) e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Vaticano). Na reunião deste grupo internacional em Graymoor, em setembro de 2006, se expressou o agradecimento aos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Franciscana da Reconciliação (Society of the Atonement) pela calorosa hospitalidade, assim como a todos os que participaram da preparação desse projeto desde o início.

Celebração ecumênica

Introdução à celebração

A celebração proposta nos lembra a convicção religiosa americana, profundamente enraizada no poder da oração. Ela comporta elementos da liturgia católica e traços característicos das liturgias das principais Confissões cristãs, bem como algumas particularidades aproveitadas do pietismo protestante e do pentecostalismo norte-americano. Os hinos religiosos de estilo black spirituals, inspirados no Evangelho, são recomendados para as partes cantadas. A celebração compreende três sessões distintas relacionadas à temática dos oito dias.

A primeira sessão se inicia com uma litania de invocações ao Espírito Santo, pedindo que o dom da unidade seja concedido aos cristãos, assim como os dons que conduzem à unidade. Nesta primeira parte, a palavra de Deus é elemento central. O tema geral das leituras é um chamado a buscar a vontade de Deus, acompanhada de uma oração incessante (Is 55,6-9; 1Tes 5,13b-18), em particular, de uma oração em união com a oração de Cristo para que seus discípulos sejam um (Jo 17, 6-21). O tempo de predicação é seguido de um silêncio e imediatamente após, de uma oração de ação de graças, reconhecendo com gratidão a obra do Espírito Santo no coração e na vida de todos os que contribuíram ao nascimento e ao desenvolvimento da Semana de oração pela unidade dos cristãos (ver introdução).

A segunda sessão deve ser um momento no qual todos se unam para partilhar as intenções de oração, fazer a coleta e o sinal da paz. Se o sinal da paz e a coleta, que já são um costume, se situam nesta sessão, é para relevar o valor de expressões que efetivam nossa comunhão fraternal já existente, e também nossa solidariedade. Aqui, hinos e cantos devem reforçar a expressão da ‘ fé ativa ’ e da esperança que estes gestos e intercessões significam.

A Terceira sessão é constituída da profissão de fé, da benção e da despedida. O sinal da luz é proposto. Esta sessão celebra a Alegria de juntos confessarmos a fé em Cristo ressuscitado, Luz de nossas vidas (Col 1,12-20), a Alegria de renovar o compromisso comunitário e pessoal de orar sem cessar e de agir para a unidade dos cristãos, e a Alegria de que por este mesmo fato somos abençoados por Ele e por Ele enviados. A Assembléia pode então sair do espaço da celebração encaminhando-se para o exterior com uma vela acesa nas mãos. Isto exprime que os cristãos são chamados à vigilância na oração para a unidade, da qual o Cristo é a origem, em ação ecumênica na presença de Cristo ressuscitado.

Seqüência da Celebração

Orai sem cessar (1Tes 5,17)

C: celebrante

L: leitores

T: todos

Hino de abertura com procissão

Os celebrantes e as pessoas que assumem um serviço litúrgico podem entrar em procissão, durante o canto do hino. É aconselhável que uma só dentre elas leve uma lâmpada a óleo ou uma vela acesa que será posta diante da assembléia, por exemplo, sobre o altar ou sobre a mesa de comunhão onde também deverá ser colocada a Bíblia. Neste mesmo lugar pode-se ascender outras velas enquanto durar o hino (neste caso, dada um dos presentes deverá receber, com antecedência, uma vela apagada).

I. Acolhida, invocação ao Espírito Santo e proclamação da Palavra de Deus

Locução de boas vindas

O celebrante ou o pastor da assembléia-anfitriã deseja as boas vindas a todos, em nome de Jesus Cristo nosso único Senhor, e diz:

C: Invoquemos, juntos, o Espírito Santo, luz de nossos corações, sopro de vida e poder do Pai manifestado na morte e ressurreição de Jesus. Que nestes tempos em que vivemos, Ele prossiga sua obra de reconciliação e de comunhão começada desde a pregação apostólica. Não reconhecemos, de fato, esta obra do Espírito, nas nossas buscas de maior comunhão no amor, de reconciliação e justiça, no movimento ecumênico e na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, já desde há um século?

Então, um dos celebrantes apresenta brevemente esta celebração de 2008, situando-a no contexto do centenário da criação da “Oitava de Oração para a Unidade” em 1908, por Paul Wattson, precursor da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

C: Comecemos esta oração, invocando ao Deus Uno, Pai, Filho e Espírito Santo. Acolhamos Deus em nossos corações, como Deus nos acolhe em seu coração, por Jesus Cristo Nosso Senhor.

T: Amém.

C: Peçamos ao Pai que nos envie os dons de seu Santo Espírito. Que nossos corações se abram à sua presença: deixemos que Ele ore em nós e que nos conduza em sua comunhão. A unidade da Igreja é obra do Espírito Santo. Nós não podemos jamais realizá-la por nós mesmos. Oremos para que o Espírito Santo desça sobre cada um de nós: que Ele abençoe a Igreja de Deus com sua graça e nos una em Cristo (pausa).

C: Vinde, Espírito Santo!
T: Enchei nossos corações com vossa graça!
C: Vinde, Espírito Santo!
T: Livrai-nos da dúvida e da desconfiança!
C: Vinde, Espírito Santo!
T: Dai-nos fé para avançar!
C: Vinde, Espírito Santo!
T: Mudai nossos corações de pedra !
C: Vinde, Espírito Santo!
T: Enviai a justiça de Deus ao nosso mundo!
C: Vinde, Espírito Santo!
T: Ajudai-nos a compreender que somos irmãos e irmãs!
C: Vinde, Espírito Santo!
T: Derrubai as barreiras entre nós!
C: Vinde, Espírito Santo!
T: Concedei-nos vossos dons para a partilha!
C: Vinde, Espírito Santo!
T: Intercedei por nós, ó Espírito do Pai; vós cujos suspiros inexprimíveis ultrapassam nossas palavras!
C: Vinde, Espírito Santo!
T: Uni todos os cristãos em Cristo, Nosso Senhor!

 

Canta-se um hino ao Espírito Santo; por exemplo “Veni Creator Spiritus”, “Veni Sancte Spiritus” (Taizé), o gospel americano “Come, Holy Spirit” ou outro semelhante.

C: Que possa haver um novo e contínuo Pentecostes. Que nossas Igrejas se comprometam novamente a orar para a plena unidade de todos os cristãos. Que nossas orações se somem a um século de orações, «afim de que todos sejam um». Isto, nós pedimos por Jesus Cristo nosso Senhor, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo, um só Deus, pelos séculos dos séculos.
T: Amém.

A Palavra de Deus

L: Is 55,6-9. Procurai o Senhor enquanto Ele se deixa encontrar.
Sl 34, cantado ou lido com responsório. Um infeliz chamou: o Senhor o escutou.
L: 1Tes 5,(12a) 13b-18 Orai sem cessar.

Aleluia (canto de aclamação ao evangelho)

L: Jo 17, 6-21 Para que eles sejam um.

Homilia

Silêncio

Ação de graças a Deus

Pelos dons recebidos no movimento ecumênico e pela fidelidade dos cristãos que oram pela sua unidade em Cristo. Conforme o contexto, cada assembléia pode recordar mais explicitamente os frutos do movimento ecumênico e da oração para a unidade no plano local ou universal.

T: É verdadeiramente bom, Deus nosso Pai,
vos proclamar o maravilhamento de nossos corações.

C: Bendito sejais por Jesus, vosso Servo,
cujo nome é invocado por uma multidão entre as «nações».

L1: Bendito sejais pelo Cristo, vosso Enviado.
Ele que reúne na unidade os vossos filhos dispersos.

L2: Bendito sejais pelo vosso Espírito Santo.
Ele é nossa comunhão e nos conduz na unidade de uma só fé.

L1: Bendito sejais por todos aqueles e aquelas que foram os pioneiros na busca da unidade cristã. Sejam eles conhecidos - como Paul Wattson e Paul Couturier – ou anônimos, entre os quais tantos fiéis leigos, monges e monjas, servidores e servidoras da unidade cristã que responderam ao seu chamado.

L2: Bendito sejais, pelos muitos frutos desta oração incessante pela nossa unidade em Cristo, que se eleva a Vós de todos os continentes.

L1: Durante um século, vós tendes agraciado esta oração incessante com frutos inumeráveis.

L2: Que vosso Espírito nos encoraje a perseverar na oração. Que possamos guardar viva a lembrança da fé operosa de todos os santos, pioneiros, teólogos e grandes orantes do movimento ecumênico, cheios de amor pelo Evangelho e pela Igreja.

C: Do fundo de nossas memórias e de nossos corações, nos dirigimos a Vós, Deus nosso Pai, e vos aclamamos com todos e todas que vossa Palavra ilumina e convoca, que vosso Espírito anima, e que vós desejais reunir num só batismo, numa só fé e numa só eucaristia, para o louvor e a glória do vosso Nome:

A primeira estrofe do louvor poderá ser intercalada entre as demais estrofes da ação de graças. Escolha-se um canto que expressa louvor, ação de graças ou glorificação de Deus; por exemplo “A vós a Glória” ; o “Trisagion” (ortodoxo) ; “Glória à Deus nas alturas” ou outro semelhante. Para certos salmos seria conveniente uma breve apresentação: Sl 32 (33), Sl 33 (34), Sl 35 (36).

II. Orações de intercessão e gestos simbólicos de unidade

Intercessões

C: Oremos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo, pelas nossas necessidades, pelas necessidades de nossas igrejas e do nosso mundo (pausa).
C: Oremos sem cessar pela unidade de todos os cristãos.
T: Senhor, tende piedade e escutai-nos!
C: Oramos sem cessar pelos responsáveis de nossas igrejas e comunidades de fé, para que também eles perseverem no serviço à unidade dos cristãos.
T: Cristo, tende piedade e escutai-nos!
C: Oremos por todos os batizados, para que sejam capazes de orar sem cessar, afim de “que todos sejam um” e “o mundo creia”.
T: Senhor, tende piedade e escutai-nos!
C: Pelas igrejas e comunidades de fé que correm o risco de novas divisões e novos cismas, para que sua unidade seja preservada.
T: Cristo, tende piedade e escutai-nos!
C: Pelos Conselhos de Igrejas do mundo inteiro, de nível local e nacional, a fim de que o trabalho realizado em comum seja um testemunho do Evangelho para o mundo.
T: Senhor, tende piedade e escutai-nos!
C: Pelos diálogos ecumênicos de nossas igrejas e entre elas, pelas Comunhões e comunidades de fé, para que as divisões ainda existentes sejam superadas pela sabedoria, pela caridade e pela verdade.
T: Cristo, tende piedade e escutai-nos!
C Que todos os cristãos sejam testemunhas do Evangelho, evitando o que destrói e vivendo com justiça, paz e fraternidade. Pelos pobres e oprimidos, pelas vítimas de guerras e da violência; pelos corações entristecidos; pelos que são odiados e maltratados.
T: Senhor, tende piedade e escutai-nos!
C: Que o Senhor nos escute e responda às nossas incessantes preces, por Cristo, Nosso Senhor.
T: Amém.

O sinal da paz

C: A paz do Senhor esteja sempre convosco!
T: E com teu espírito.
C: Tendo orado a Deus pelo perdão de nossos pecados, assim como perdoamos uns ao outros, partilhemos entre nós um gesto de paz e confirmemos nossa unidade na oração, na fé, no amor e na esperança da plena comunhão.

Os participantes dão-se um gesto ou sinal de paz. Cante-se um hino adequado, enquanto os participantes retomam seus lugares.

Oferendas

Coleta de doações, se oportuno.

III. Compromisso com a vigilância na oração e com a ação ecumênica; bênção e despedida

Acendem-se as velas

(Execute-se alguma música instrumental, enquanto se acendem as velas). Partindo do santuário (onde estão a Palavra e os oficiantes) vão-se acendendo as velas das pessoas da primeira fila e assim progressivamente, até que a luz se espalhe por toda a igreja. Quando todas as velas estiverem acesas, a assembléia faz a profissão de fé. Aqui se pode utilizar o Credo de Nicéia-Constantinopla ou o Símbolo dos Apóstolos (na versão ecumênica usual em cada país).

Confissão de fé no Cristo ressuscitado, nossa unidade e luz de nossas vidas

T: Com alegria, rendamos graças ao Pai que nos concedeu participar da herança dos santos, na luz. “Ele nos arrancou do poder das trevas e nos transferiu para o reino de seu Filho bem amado: nele somos libertos, nossos pecados são perdoados. Ele é a imagem do Deus invisível, Primogênito de toda criatura, pois nele tudo foi criado, nos céus e na terra, tanto os seres visíveis como os invisíveis, Tronos e Soberanias, Autoridades e Poderes. Tudo foi criado por ele e para ele; e ele existe antes de tudo; tudo nele se mantém. Ele é a cabeça do Corpo, que é a Igreja. Ele é o começo, o Primogênito dentre os mortos, a fim de ocupar em tudo o primeiro lugar. Pois aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e reconciliar todas as coisas por meio dele e para ele, na terra e nos céus, tendo estabelecido a paz pelo sangue de sua cruz” (Col 1, 12-20).

O Pai Nosso

Para o Pai Nosso, os participantes são convidados a saírem de seus lugares para ir mais à frente ou mesmo ocupar o santuário do espaço celebrativo (onde estão os oficiantes, junto à Palavra e à mesa da Comunhão). Se possível, formam-se vários círculos concêntricos (ao redor da Palavra, por exemplo). Durante a recitação do Pai Nosso, se for costume local, os participantes poderão dar-se as mãos.

C: Unamos nossos pensamentos, nossos corações e nossas vozes aos cristãos do mundo inteiro para recitar a oração que Jesus nos ensinou.

T: Pai Nosso (conforme versão ecumênica usual em cada país)

Compromisso ecumênico

(Os participantes retomam suas velas, segurando-as acesas)

T: Senhor, acabamos de vos glorificar pela graça que fizestes florescer no movimento ecumênico. Alegres porque nos chamastes a vos servir numa mesma busca pela unidade dos cristãos, nós reconhecemos a ação do Espírito Santo e a admirável variedade de carismas e dons destinados a serem compartilhados, nos comprometemos a perseverar na oração constante pela unidade dos cristãos e a realizar entre nós gestos concretos de reconciliação, em vista da unidade perfeita em vosso Filho Jesus Cristo. Amém.

Bênção

C: Deixemos este lugar, felizes por ter celebrado juntos e por sermos chamados à jamais cessar de orar, na esperança do grande dia em que todos nós seremos perfeitamente “um “ em Cristo. (pausa)
C: O Senhor Jesus Cristo esteja convosco!
T: E com teu espírito.
C: (Todos os celebrantes podem se unir nestas palavras): Que o Senhor vos/nos abençoe e vos/nos guarde. Que o Senhor faça resplandecer sua face sobre vós/nós e que Ele seja benevolente para convosco/conosco. Que o Senhor vos/nos olhe com bondade e vos/nos dê a sua paz.
T: Amém.
C: Que o Senhor vos abençoe em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
T: Amém.
C: Que cada um de nós prossiga em paz, orando incessantemente e alegrando-se na esperança, sem jamais cessar de agradecer a Deus.
T: Demos graças a Deus.

Procissão final com as velas acesas nas mãos

Os responsáveis das igrejas, pastores, ministros, leitores e as outras pessoas que atuaram na liturgia, formam uma procissão de saída com as velas acesas. Um hino ou um canto apropriado é escolhido para a procissão de saída rumo ao exterior ou à entrada do templo, enfatizando o compromisso dos cristãos na missão da unidade.

Significado do gesto simbólico no contexto desta celebração:

É como um vigia à espera do retorno de Cristo que cada membro da assembléia mantém sua vela acesa: sinal de seu compromisso em orar sem cessar pela unidade dos cristãos, na esperança e na luz da fé pascal. Este símbolo enfatiza nossa vigilância em apressar a vinda do Senhor (tema principal das duas Cartas aos Tessalonicenses) e em orar e trabalhar pela unidade.

O simbolismo da luz nos lembra ainda a celebração pascal: o Cristo, nossa Páscoa, presente e atuante pela efusão do Espírito Santo é a luz da aurora de um novo dia para o mundo, chamado doravante a renunciar às trevas do pecado, da divisão e do ódio. Afinal, é no poder do Ressuscitado e animados pelo Espírito do Pai, luz de nossos corações e sopro de nossas vidas, que somos chamados a cooperar com os demais cristãos para que se manifeste visivelmente a unidade da Igreja de Cristo.

Textos bíblicos, meditações e orações
para os Oito Dias

 

1ºDia

Orai sem cessar
Orai sem cessar
(1 Tes 5,17)

 

Is 55,6-9  Procurai o Senhor, enquanto ele se deixa encontrar.
Sl 34  Procurei o Senhor, e Ele me respondeu.
1 Tes 5,13b-18  Orai sem cessar.
Lc 18,1-8  Orar constantemente e não desanimar.

 

Comentário

Paulo escreve: “Estai sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito, em Cristo Jesus”. Esta sua Carta se dirige a uma comunidade de fiéis ansiosos diante da morte. Pois muitos dos irmãos e irmãs, bons e fiéis, “adormeceram” antes que o Senhor voltasse glorioso para conduzi-los à ressurreição. O que acontecerá com estes fiéis defuntos? Qual será a sorte dos que ainda vivem? Paulo os reconforta, dizendo que os mortos ressuscitarão com os que ainda vivem e os convida à “orar sem cessar”. Mas o que significa “orar sem cessar”? As leituras de hoje oferecem alguns elementos de resposta a esta questão. Toda a nossa vida deve ser uma contínua busca de Deus, convictos de que se nós O procuramos, nós O encontramos.

Em pleno exílio, quando tudo parece vão e sem esperança, o profeta Isaías proclama : “Procurai o Senhor, pois Ele se deixa encontrar. Invocai-O, pois Ele está próximo”. O Senhor está próximo do seu povo, mesmo no exílio, e o exorta a se dirigir a Ele, a procurá-lo na oração e a seguir seus mandamentos para, assim, conhecer sua misericórdia e seu perdão. No Salmo 34, encontramos a convicção profética de que o Senhor responderá ao chamado dos que O invocam, assim como o louvor da oração contínua.

No evangelho de Lucas, Jesus narra a parábola da viúva que suplica para que lhe seja feita justiça, voltando-se, porém, a um juiz que não teme a Deus nem respeita a pessoa humana. Este relato é uma maneira de nos lembrar a necessidade da oração constante – “orai constantemente e sem esmorecer” – e a certeza de que a oração será atendida: “E Deus não fará justiça a seus eleitos, que clamam por Ele noite e dia ?”.

Enquanto cristãos em busca da unidade, meditamos nestas leituras para encontrar “a vontade de Deus” para nós “em Cristo Jesus”. É Cristo que vive em nós: o chamado a orar sem cessar se torna parte integrante de intercessão que ele cumpre eternamente, à direita do Pai : “Que todos sejam um, afim de que o mundo creia”. A unidade que procuramos é a unidade tal qual Cristo a deseja e a celebração da Semana de oração pela unidade dos cristãos é o reflexo da noção bíblica de plenitude, isto é, a esperança de um dia termos nossa oração atendida.

Esta unidade é um dom que Deus faz à Igreja. Ela é também a vocação dos cristãos, chamados a viverem deste dom. A oração pela unidade é a fonte donde emana todo o nosso esforço para alcançar a unidade plena e visível. Numerosos são os frutos produzidos por um século de Semana de Oração pela Unidade. No entanto, numerosas são também as barreiras que ainda dividem os cristãos e suas Igrejas. Buscando jamais esmorecer, queremos ser constantes na oração, procurando o Senhor e sua vontade em tudo o que empreendemos e em tudo que somos.

Oração

Senhor da unidade, Pai e Filho e Espírito Santo, nós oramos sem cessar para que todos sejamos «um» como Vós sois um. Pai, escutai-nos quando vos procuramos. Ó Cristo, conduzi-nos à unidade que desejais para nós. Espírito Santo, concedei-nos nunca desanimar. Amém.

2º Dia

 Orai sem cessar e só em Deus tende confiança
Dai graças em todas as circunstâncias (1Tes 5,18)

 

Sl 23  O Senhor é meu pastor.
1Rs 18,20-40  O Senhor é Deus.
1Tes 5,(12a) 13b-18 Dai graças em todas as circunstâncias.
Jo 11,17-44 Pai, eu te dou graças por me teres atendido.

Comentário

A oração é ancorada na certeza de que Deus é poderoso e fiel. Ele abraça tudo, o presente e o futuro. Sua palavra é crível e verdadeira.

A história de Elias em 1Reis mostra de maneira impressionante a unicidade de Deus. Elias admoesta os apóstatas que veneram Baal – o qual não responde às orações deles. No entanto, quando Elias ora ao Deus de Israel, a resposta é imediata e miraculosa. O povo toma consciência e volta novamente seu coração a Deus.

O Salmo 23, por sua vez, é uma profunda confissão de confiança no Onipotente. Ele descreve uma pessoa convencida de que Deus guia seus passos e que se mantém perto dele nos momentos difíceis da vida, quando se sente só sob o peso da desolação e da opressão.

É possível que nos encontremos em circunstâncias difíceis ou mesmo em grande agitação. É possível atravessarmos momentos de desespero e resignação. Às vezes, parece que Deus se esconde. Mas Ele não está ausente. Ele manifestará seu poder para nos libertar em plena luta existencial. Por isto, rendamos-lhe graças em toda circunstância.

A revificação de Lázaro é um dos episódios mais espetaculares narrados no Evangelho de João. Ela revela o poder de Cristo, capaz de quebrar os laços da morte e antecipar a nova criação. Jesus ora em voz alta no meio da multidão e rende graças ao Pai pelos milagres que tem manifestado. A obra salvífica de Deus se realiza através de Cristo, a fim de que todos creiam nele.

O peregrinar ecumênico nos ajuda a tomar consciência das maravilhas que Deus realiza. Comunidades cristãs separadas se reencontram. Elas descobrem sua unidade em Cristo e compreendem, enfim, que todas fazem parte de uma única e mesma Igreja e que precisam umas das outras.

Entretanto, podem ocorrer que algumas sombras obscureçam a perspectiva de unidade; ou que a unidade seja posta em perigo por certas frustrações e tensões; ou ainda que nos perguntemos se nós, cristãos, somos realmente chamados à unidade. Mesmo assim, a oração incessante nos sustenta quando nos voltamos para Deus e temos confiança nele. Não duvidamos que Ele realiza sua obra em nós e que nos conduzirá à luz de sua vitória. Nossa reconciliação e nossa unidade, maiores a cada passo, são o início de seu Reino.

Oração

Deus de toda a criação, ouvi a oração de vossos filhos e filhas. Ajudai-nos a conservar nossa fé e nossa confiança em Vós. Ensinai-nos a dar graças em todas as circunstâncias, a ter confiança em vossa misericórdia. Concedei-nos a verdade e a sabedoria, a fim de que vossa Igreja possa renascer para uma vida nova em comunhão. Só vós sois nossa esperança. Amém.

3º Dia

 Orai sem cessar pela conversão dos corações
 Dai coragem aos que dela carecem, sustentai os fracos (1Tes 5,14)

 

 Jn 3,1-10 O arrependimento de Nínive.
 Sl 51,8-15 Cria para mim um coração puro, ó Deus.
1Tes 5,(12a) 13b-18 Dai coragem aos que dela carecem.
 Mc 11,15-17 Casa de oração.

 

Comentário

Na origem e no centro da caminhada ecumênica, encontramos um chamado urgente a nos arrepender e converter. Às vezes, é preciso que saibamos nos questionar mutuamente em nossas Comunidades cristãs, como Paulo nos convida em sua primeira Epístola aos Tessalonicenses. De um lado, se alguém semeia a divisão, que seja repreendido. Por outro lado, se alguns têm medo do quanto uma reconciliação onerosa possa implicar, que sejam encorajados.

Por quê escondê-lo? Se as divisões entre os cristãos perduram, é também por falta de vontade de se comprometer resolutamente no diálogo ecumênico ou, pelo menos, na oração pela unidade.

A Bíblia nos narra como Deus enviou Jonas para interpelar Nínive, e como toda a cidade se arrependeu. Da mesma maneira, as Comunidades cristãs devem colocar-se à escuta da Palavra de Deus e se arrepender. No decorrer deste último século, muitos profetas da unidade não deixaram de fazer sentir aos cristãos a infidelidade de sua desunião e de lembrar-lhes a urgência da reconciliação.

À semelhança da intervenção vigorosa de Jesus no Templo, o apelo à reconciliação dos cristãos pode seriamente mexer com nossas certezas sedimentadas. Nós também temos necessidade de sermos purificados. É necessário sabermos esvaziar nosso coração de tudo o que nos impede fazer de nossas Comunidades autênticas casas de oração, preocupadas com a unidade de todas as nações.

Oração

Senhor, vós quereis que a verdade habite profundamente o nosso ser. No segredo de nosso coração, vós nos ensinais a sabedoria. Ensinai-nos a nos encorajar mutuamente no caminho da unidade. Mostrai-nos o caminho de conversão, tão necessária à reconciliação entre os cristãos. Criai em nós um coração renovado, um coração verdadeiramente ecumênico. Nós vos pedimos. Amém.

4º Dia

Orai sem cessar pela justiça
Cuidai para que ninguém retribua o mal com o mal,
mas procurai sempre o bem
 entre vós e para com todos (1Tes 5,15)

 

 Ex 3,1-12 O Senhor ouviu o clamor dos filhos de Israel.
 Sl 146 O Senhor faz justiça aos oprimidos.
1Tes 5,(12a)13b-18 Cuidai para que ninguém retribua o mal com o mal.
Mt 5,38-42 Não resistais ao mau.

 

Comentário

Como povo de Deus, somos chamados a orar juntos pela justiça. Deus escuta o grito dos oprimidos, dos necessitados, do órfão e da viúva. O Senhor é um Deus de justiça e responde às nossas orações, por seu Filho Jesus Cristo – o qual solicita que trabalhemos juntos na unidade e na paz, e não na violência. É o que Paulo também nos lembra, quando recomenda: “Cuidai para que ninguém retribua o mal com o mal, mas procurai sempre o bem entre vós e para com todos”.

Os cristãos oram sem cessar pela justiça, para que toda vida humana seja tratada com dignidade e receba o que tem por direito. Nos Estados Unidos, a injustiça da escravidão só teve fim com uma guerra sanguinária, à qual se sucedeu um século de racismo alimentado pelo Estado. A segregação racial foi praticada até mesmo pelas Igrejas cristãs. Infelizmente, o racismo e outras formas de sectarismo, como a xenofobia, ainda persistem na sociedade norte-americana.

Por outro lado, é graças aos esforços da Igreja, notoriamente das Igrejas afro-americanas e seus parceiros ecumênicos – mais particularmente graças à resistência não violenta do Ver. Martin Luther King Jr. – que os direitos civis igualitários foram inscritos na legislação americana. Luther King Jr. estava profundamente convencido que só o amor cristão pode vencer o ódio e permitir a transformação da sociedade. Ainda hoje os cristãos continuam a se alimentar desta certeza, que nos motiva a trabalharmos juntos em prol da justiça. O dia do aniversário de nascimento de Martin Luther King é uma festa nacional nos Estados Unidos: todos os anos, ele é comemorado justamente antes ou durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Deus ouviu e respondeu ao clamor dos filhos de Israel. Deus continua escutando e respondendo ao clamor de todos os oprimidos. Jesus nos lembra que a justiça divina se revela na nossa disposição pessoal de renunciar à própria segurança, ao poder e seu prestígio, e até mesmo à própria vida, para levar ao mundo a justiça e a reconciliação, graças às quais todos os seres humanos serão considerados iguais em valor e dignidade.

Somente quando entendemos e respondemos ao grito dos oprimidos, podemos progredir juntos no caminho da unidade. Isto vale igualmente para o caminho ecumênico, que nos solicita dar corajosamente “um passo adiante” na nossa disposição de ouvir o outro, de renunciar aos caprichos individualistas e praticar o amor evangélico.

Oração

Senhor Deus, vós criastes a humanidade, homem e mulher, à vossa imagem. Dai-nos orar sem cessar, com um só coração e uma só alma, para que os famintos sejam saciados, os oprimidos sejam libertados e todo ser humano seja tratado com dignidade. Fazei de nós vossos instrumentos, para que este desejo se faça realidade. Nós vos pedimos em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

5º Dia

 Orai sem cessar, com um coração paciente
Sede pacientes para com todos (1Tes 5,14)

 

Ex 17,1-4 Por que, Senhor?
Sl 1 Produzir frutos na estação devida.
1Tes 5, (12a) 13b-18 Sede pacientes para com todos.
Lc 18, 9-14 A oração do humilde.

Comentário

Não podemos nos acomodar com a divisão dos cristãos e somos legitimamente impacientes, até que chegue enfim o dia de nossa reconciliação. Contudo, estamos conscientes de que o diálogo ecumênico não é vivido em todos os lugares com o mesmo ritmo. Alguns avançam a grandes passos, outros são mais tímidos. Como Paulo nos exorta, devemos saber ser pacientes para com todos.

Como o fariseu em sua oração, podemos nos apresentar tranqüilamente diante de Deus com a arrogância dos que pensam fazer tudo corretamente: “eu não sou como a maioria das pessoas”. Se alguma vez somos tentados a denunciar a lentidão ou a timidez dos membros de nossa Igreja, ou dos nossos interlocutores ecumênicos, o convite a ter paciência é um apelo importante.

Por vezes, é para com Deus mesmo que nos mostramos impacientes. Como o povo no deserto, também nós gritamos a Deus: por que toda esta caminhada penosa, se tudo deve concluir-se logo? Guardemos, pois, a confiança: Deus responde às nossas orações, à sua maneira, no tempo oportuno. Ele saberá suscitar novas iniciativas para a reconciliação dos cristãos, de acordo com as necessidades de nosso tempo.

Oração

Senhor, fazei de nós vossos discípulos, à escuta de vossa Palavra dia e noite. Em nossa estrada para a unidade, dai-nos a paciência para saber esperar os frutos no devido tempo. Quando os preconceitos e a desconfiança tomarem conta de nós, concedei-nos a humilde paciência necessária para a reconciliação. Nós vos pedimos. Amém.

6º Dia

  Orai sem cessar, para obter a graça de trabalhar com Deus
Estai sempre alegres, orai incessantemente (1Tes 5,16)

 

2Sm 7,18-29 Oração de louvor e alegria de Davi.
Sl 86 Senhor, presta ouvido e responde-me.
1Tes 5,(12a)13b-18 Estai sempre alegres.
Lc 10,1-24 Missão dos setenta e dois discípulos.

Comentário

Na oração, modelamos nossa vontade na vontade de Deus e participamos, deste modo, do cumprimento de seu desígnio. Necessitamos continuamente que o Espírito Santo transforme nossos corações, nos dê a graça de trabalhar com Deus, de participar da missão que Ele nos confia e do seu projeto de unidade. Enquanto oramos sem cessar nesta intenção, sabemos que são necessários cada vez mais operários para a messe. Por ocasião de numerosos encontros ecumênicos (e em particular do Fórum nacional pela Unidade Cristã realizado anualmente nos Estados Unidos) ficou evidente a necessidade de promover a participação de mais jovens para que o movimento ecumênico possa prosperar, seja hoje, seja no futuro. É preciso que mais operários conheçam a alegria da oração, para contribuir com a obra de Deus.

As leituras do 6o Dia nos ajudam a compreender melhor o que significa trabalhar a serviço do Evangelho. David, surpreso por ter sido escolhido para participar da edificação de um templo para o Senhor, pergunta : “Deus poderia realmente habitar a terra?” E conclui : “Que a casa de teu servo permaneça firme na tua presença”.

O salmista ora: “Senhor, mostra-me teu caminho e eu me conduzirei segundo tua verdade. Unifica meu coração para que ele tema o teu nome. Senhor meu Deus, quero celebrar-te de todo o coração, e glorificar o teu nome para sempre” (Sl 86,11-12).

Quando Jesus enviou os setenta e dois discípulos, confirmou que – graças a eles e a todos os que haverão de crer – a sua palavra, a sua paz e sua Boa Nova de que “o Reino de Deus chegou até vós” serão proclamados no mundo inteiro. Quando seus discípulos voltam felizes, apesar de terem sofrido a refeição de alguns, Jesus se alegra com o sucesso deles de submeter os demônios: é preciso continuar proclamando a Boa Nova sem jamais cessar!

Deus quer que seu povo seja um. Como os cristãos de Tessalônica, nós também somos exortados à “viver na alegria” e a orar “sem cessar”, na esperança segura de que – se nos comprometemos plenamente a trabalhar com Deus – o seu desígnio de unidade será, enfim, realizado.

Oração

Senhor Deus, na perfeita unidade de vosso Ser, cultivai em nossos corações o desejo ardente e a esperança da unidade, para jamais cessarmos de trabalhar a serviço de vosso Evangelho. Nós vos pedimos por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

7º Dia

 Orai sem cessar por nossas necessidades
Sustentai os fracos (1Tes 5,14)

 

1Sm 1,9-20 Anna pede ao Senhor que lhe dê um filho.
Sl 86 Dá atenção à minha voz suplicante.
1Tes 5,(12a)13b-18 A isso vos exortamos, irmãos: sustentai os fracos.
Lc 11,5-13 Todo o que pede, recebe.

Comentário

Profundamente aflita por causa de sua esterilidade, Ana implora a Deus que lhe dê um filho. Sua oração foi atendida e, chegado o dia, deu à luz Samuel – nome que significa: “o Senhor me atendeu”. No Evangelho de Lucas, Jesus mesmo nos diz que “todo o que pede, recebe”. Assim, na oração nos dirigimos a Deus para que ele atenda as nossas necessidades. Talvez a resposta não corresponda às nossas expectativas, mas Deus responde sempre.

O poder da oração é imenso, sobretudo quando ela esta ligada ao serviço. O Evangelho nos ensina que Cristo quer que nos amemos e nos sirvamos uns aos outros. Na epístola de Paulo aos Tessalonicenses, o tema do serviço é retomado de forma imperativa: “Sustentai os fracos”. Sabemos que é possível responder de maneira ecumênica, e concretamente, à miséria e ao sofrimento de muitos irmãos e irmãs. Muitas Igrejas, de tradições diferentes, trabalham de mãos dadas. Mas em certas circunstâncias seu testemunho é gravemente enfraquecido pela falta de unidade. Quando desejamos orar juntos somos, por vezes ficamos muito desconfiados das diferentes formas de oração que encontramos nas outras comunidades cristãs: a oração dos católicos à Deus pela intercessão dos santos ou de Maria, mãe de Jesus; a oração solene da liturgia ortodoxa; a oração de estilo pentecostal; a oração espontânea que os evangélicos dirigem diretamente à Deus, em linguagem informal.

No entanto, percebemos que esta diversidade nas formas de oração é bem apreciada. Nas Igrejas norte-americanas, as experiências de renovação carismática nos levaram a reconhecer melhor o poder da oração: isto ajudou a que muitos pentecostais se sentissem mais à vontade nos encontros ecumênicos. Igualmente, o diálogo com as Igrejas Ortodoxas que participam do Conselho Mundial de Igrejas permitiu compreender melhor a forma de oração própria de cada uma.

Certamente, a fé no poder da oração é uma convicção comum de nossas tradições e pode contribuir fortemente à causa da unidade cristã, à medida que nossas diferenças contribuam para uma rica diversidade. Com nossa oração assídua, deveríamos sustentar todos os diálogos que buscam resolver as divergências existentes entre nossas Igrejas, que ainda impedem nossa união eucarística à mesa do Senhor. Esperamos a ocasião futura de celebrar juntos o memorial de Cristo, elevando-lhe unânimes a nossa ação de graças: assim se cumpriria um grande passo adiante, no caminho da plena unidade.

Oração

Senhor, ajudai-nos a ser verdadeiramente “um” quando oramos pela cura de nosso mundo, pelas divisões entre nossas Igrejas e por nossa própria cura. Confirmai-nos na certeza de que vós nos escutais e atendeis às nossas preces. Em nome de Jesus Cristo, nós vos pedimos. Amém.

8º Dia

 Orai sem cessar, para que todos sejam um
Vivei em paz entre vós (1Tes 5,13b)

 

Is 11,6-13 O lobo habitará com o cordeiro.
Sl 122 Que a paz reine dentro de tuas muralhas.
1Tes 5,13b-18 Vivei em paz entre vós.
Jo 17,6-24 Que todos sejam um.

Comentário

Deus deseja que os seres humanos vivam entre si em paz. Esta paz não é simplesmente uma ausência de guerra ou de conflitos. Pois o shalom querido por Deus nasce de uma humanidade reconciliada, de uma família humana que compartilha e reflete em si aquela paz que só Deus pode dar. Em Isaías, a parábola do lobo que habita com o cordeiro e do leopardo que se deita perto do cabrito, nos oferece uma visão simbólica do futuro que Deus quer para nós. Já que não podemos estabelecer este shalom por nossa própria conta, a Palavra nos chama a ser instrumentos de paz nas mãos do Senhor: artesãos da obra divina da reconciliação! A paz, como a unidade, é ao mesmo tempo dom de Deus e apelo à nossa participação.

A oração de Jesus pela unidade de seus discípulos não foi nem um mandamento, nem uma requisição, mas uma invocação ao Pai na véspera de sua entrega na cruz. Foi uma oração que jorrou do mais profundo de seu coração e de sua missão, no momento exato em que ele prepara seus discípulos para os tempos a vir: “Pai, que eles sejam um”.

Agora que celebramos o centenário da Oitava ou Semana de Oração pela Unidade – recordando também as demais aspirações, intercessões e iniciativas que a busca da unidade suscitou nos vários séculos percorridos – é oportuno avaliar os passos dados até aqui, guiados pelo Espírito Santo. O momento presente é, para nós, ocasião de dar graças pelos numerosos frutos que a oração nos deu, no caminho da unidade dos cristãos. Em muitos lugares, a animosidade e os mal-entendidos cederam lugar ao respeito e à amizade entre os cristãos e suas diferentes Comunidades. Hoje, é fato conquistado que os cristãos se reúnam para orar pela unidade, dando em seguida um testemunho comum do Evangelho através de gestos concretas, atuando lado a lado no serviço dos mais pobres e necessitados. O diálogo permitiu estabelecer pontos de compreensão recíproca, resolvendo várias diferenças doutrinais que nos dividiam.

Apesar disso, o momento presente deveria ser também, para nós, uma ocasião de arrependimento. Pois nossas divisões contradizem duramente a oração de Jesus pela unidade e a exortação imperativa de Paulo para vivermos em paz entre nós. Lamentavelmente, nós cristãos estamos em desacordo sobre muitos temas: além das distinções doutrinais que ainda nos separam, temos freqüentemente posições divergentes sobre questões morais e étnicas, sobre a guerra e a paz, sobre problemas da atualidade que necessitariam, ainda mais, nosso comum testemunho. Por causa de certas divisões internas e dos conflitos entre nós, não conseguimos corresponder dignamente à nobre vocação que Deus nos deu: ser instrumentos da paz e da unidade que Ele deseja.

O que dizer, então? Temos razões para nos alegrar, mas igualmente para nos entristecer. Rendamos graças, neste centenário, pelas pessoas das gerações passadas que se dedicaram generosamente ao serviço da reconciliação das Igrejas. Renovemos, hoje, nosso compromisso de ser artesãos da paz e da unidade desejadas por Cristo Jesus. Enfim, este momento particular nos oferece a ocasião de refletir, mais uma vez, sobre o apelo de orar sem cessar através de nossas palavras e de nossos atos, através da vida de nossas Igrejas.

Oração

Senhor, fazei que sejamos um: “um” em nossas palavras, para que vos elevemos uma oração humilde e em comum; “um” no desejo e na promoção da justiça; “um” no amor fraterno, para vos servir na pessoa dos irmãos e irmãs mais necessitados; “um” na esperança de vermos vossa Face. Senhor, fazei que sejamos “um” em Vós. Amém.

Orações e hinos suplementares dos EUA[1]

Orações

 

Senhor, conduzi meus passos aonde quereis que eu vá:
Fazei que me adiante aos que quereis que eu encontre.
Mostrai-me o que quereis que eu diga.
Não permiti que eu seja um obstáculo no vosso caminho.

Pe. Mychal Judge OFM, 11 setembro 2001

Depois de desligar o telefone, [o reverendo Dr. Martin Luther King Jr.] se levantou e preparou um café. Ele começava a se preocupar com sua família e com todos os problemas que nosso movimento suscitava, pesando fortemente em sua alma. Com a cabeça entre as mãos, Martin estava debruçado sobre a mesa da cozinha e orava à Deus em voz alta : “Senhor, eu trabalho em favor do que, segundo eu mesmo, é justo. As pessoas esperam que eu as guie; e se eu me apresento diante delas sem força nem coragem, elas também vacilarão. Estou quase sem forças. Não tenho mais nada. Não tenho mais nada. Cheguei a tal ponto, que não posso mais afrontar a situação sozinho”.

Eis o que ele me confiou mais tarde: “No mesmo instante, senti a presença de Deus como nunca havia sentido antes. Era como se uma voz me dissesse: Defenda a justiça, defenda a verdade, e Deus estará sempre com você.” Quando Martin se levanta da mesa, ele estava totalmente invadido por um novo sentimento de confiança em si e pronto a enfrentar tudo!

Coretta Scott King, Standing in the Need of Prayer

(Sobre a necessidade da oração)

 

Senhor, dai-me serenidade para aceitar o que eu não posso mudar; dai-me a coragem de mudar o que pode ser mudado; e dai-me a sabedoria para discernir uma e outra coisa. Fazei que eu me contente em viver um dia de cada vez; que eu aproveite bem o momento presente; que aceite as dificuldades como sendo o caminho que me leva à paz; que eu aceite, como vós aceitastes, este mundo pecador tal como ele é – e não como eu gostaria que fosse; que eu me volte para Vós, pois cumprireis tudo o que é bom, se eu me abandonar à vossa vontade. Concedei-me ser feliz nesta vida e conhecer, na vida eterna, a felicidade suprema de estar convosco para sempre. Amém.

Reinhold Niebuhr
(inspirando-se em João XXIII)

 

O ! kou aloha no,  Senhor, tua terna misericórdia
Aiakia lani,  Está no alto dos céus,
Ao kou oiaia  Ela nos fala de tua verdade
He hemolele hoi.  Ela é plena de santidade.
Kou noho mihi ana  Enquanto eu medito humildemente
A paahao ia  Recluso entre estas paredes
Ooe kuu lama  Tu és minha luz, minha enseada,
Kou nani kou koo.  Tua glória é meu apoio.
Mai nana ino ino  Oh! Não olhes os defeitos
Na hewa o kanaka  Nem os pecados da humanidade.
Aka e huikala  Perdoa-nos com bondade
A maemae no.  Afim que sejamos purificados.
No laila e ka Haku  Eu imploro tua graça,
Malalao kou eheu  Concede-nos tua proteção.
Ko makou maluhia  Então a paz estará conosco
A mau loa aku no. Amene.  Agora e pela eternidade. Amém.

Rainha Liliuokalani do Hawaï
(durante seu tempo de prisão, 1893)

Fazei-me ver o sofrimento dos mais miseráveis.
Assim, saberei o quanto sofre meu povo.

Tornai-me capaz de orar pelos outros,
Pois vós estais presente em todo ser humano.

Ajudai-me a ser responsável pela minha própria vida
A fim de ser, enfim, livre.

Dai-me honestidade e paciência,
Para que eu possa trabalhar com outros operários.

Fazei com que vos cantemos e celebremos,
Para que vosso Espírito viva no meio de nós.

Fazei com que o Espírito frutifique e cresça entre nós,
Para que jamais abandonemos o bom combate.

Fazei com que nos lembremos dos que foram mortos por causa da justiça,
Pois eles nos deram a vida.

Ajudai-nos a amar os que nos detestam.
Assim poderemos mudar o mundo.

César Chávez

 

Hinos

Hinos tradicionais americanos
In Christ there is No East or West

William A. Dunkerley, música de Harry T. Burleigh.

Amazing Grace
John Newton, melodia tradicional de Virginie.

Simple Gifts
Joseph Brackett, Jr., hymne shaker.

Blessed Assurance, Jesus is Mine!
Fanny Jane Crosby, música de Phoebe Palmer Knapp.

Estilo Gospel
There’s a Sweet, Sweet Spirit
, de Doris Akers.

Da tradição pentecostal
Spirit of the Living God
, de Daniel Iverson.

Refrão da tradição carismática
He is Lord
(Ele é o Senhor, Ele é o Senhor).

Pelos direitos civis
Lift Ev’ry Voice and Sing
, de James Weldon Johnsons, música de J. Rosamond Johnson.

Situação ecumênica nos EUA[2]

Diversas comunidades cristãs fazem parte da paisagem cultural americana, desde a chegada das missões espanholas no século XVI e o início da colonização britânica, holandesa e sueca da Costa Leste da América do Norte, no século XVII. Bem cedo se instalaram colônias anglicanas na Virgínia, puritanos congregacionais em Massachusetes, comunidades holandesas reformadas em Nova Amsterdam (Estado de Nova York), a Sociedade dos Amigos (Quakers) na Pensilvânia, os presbiterianos em Nova Jersey, os católicos em Maryland – o que se tornaria, na realidade, o núcleo original dos Estados Unidos da América. Na medida em que os Estados Unidos se estendiam através do continente, a expressão da fé cristã se tornava, ela também, cada vez mais diversificada. Esta diversidade foi declarada como um direito humano e como parte integrante da identidade nacional norte-americana.

No entanto, os americanos se lembram que, em suas colônias ou Estados de origem, as pessoas cuja identidade não era a mesma que a da maioria sofriam manifestações lamentáveis de intolerância. Foi assim que os batistas foram expulsos de Massachusetes e que os católicos não foram bem acolhidos em muitos lugares – pois alguns suspeitavam que eles fossem mais leais a Roma que aos EUA, sua pátria.

Na maioria das Igrejas, não era bem visto o fato de que os escravos vindos da África e os homens e mulheres negros, já livres, se misturassem com os brancos. A Sociedade dos Amigos (Quakers), os batistas americanos, os menonitas e os morávios eram, no entanto, exceções notáveis, lutando pela abolição da escravatura e contribuindo para a criação de comunidades de oração entre os afro-americanos cristãos. É nesta atmosfera mesclada de racismo e de fé na liberdade – prometida pelo Evangelho – que as Igrejas afro-americanas começam a surgir: Igreja Episcopal Metodista Africana, Igreja Episcopal Metodista Africana de Sião, Igreja Episcopal Metodista Cristã e Igreja Batista Nacional. A partir dessas comunidades, bem como daquelas nascidas do metodismo de John Wesley, desenvolveu-se toda uma corrente cristã que insistia na santidade pessoal, muito marcante no final do século XIX. De forma indireta, esta corrente contribuiu para o surgimento do pentecostalismo do século XX.

No início do século XIX, um ímpeto de fervor evangélico caracterizava este país ainda jovem. Os metodistas propagavam valentemente o Evangelho nas zonas rurais da nova nação. Na mesma época, aconteceu um despertar espiritual encorajado por teólogos e pregadores ligados às Faculdades de Teologia de Yale (Connecticut) e Princeton (Nova Jersey). Este reavivamento do cristianismo reformado tinha uma particularidade tipicamente norte-americana: reanimar a fé, nos inícios da Revolução Industrial, da população urbana e dos migrantes americanos, cada vez mais numerosos – os quais vão se estabelecer no centro e a oeste dos EUA. Isto acabou gerando um novo estilo de cristianismo evangélico entre os protestantes norte-americanos do vale do Rio Ohio: eram comunidades que com uma organização eclesiástica baseada em congregações ou assembléias locais de fiéis, que valorizavam a independência e a autonomia dos sujeitos, o trabalho persistente, a conversão pessoal e a aceitação da salvação. Desta nova corrente provém a Igreja Cristã (ou Discípulos de Cristo) e os batistas das regiões rurais e do Sul dos EUA. Juntamente com outras comunidades, estas congregações de fiéis se tornariam pouco a pouco o que chamamos hoje de cristãos evangélicos nos EUA. Esses cristãos seriam também os precursores dos fundamentalistas do início do século XX.

De seu lado, a pequena comunidade católica aumenta de maneira excepcional em meados do século XIX, graças à imigração proveniente da Europa, em particular da Alemanha e da Irlanda (países que atravessam, nesta época, um período de grande fome). À procura de terra e de oportunidades que não poderiam encontrar na Europa por causa da guerra e da pobreza, os imigrantes luteranos alemães e escandinavos – assim como as comunidades reformadas e os anabatistas – também começam a chegar. Para muitos protestantes americanos, o crescimento da população católica era considerado uma ameaça ao modelo americano original de fé cristã, desenvolvido até então com expressões protestantes. No entanto, com a contínua imigração vinda da Itália e da Europa Oriental – e com os territórios franceses e espanhóis da América do Norte anexados pelos Estados Unidos – a comunidade católica se torna parte integrante (embora um pouco “á parte”) do panorama religioso cristão dos EUA. No início do século XX começa então a imigração de cristãos ortodoxos, depois que a devastadora Guerra Civil Americana pôs um fim à escravidão, favorecendo uma auto-compreensão mais progressista dos Estados Unidos como melting pot de todos os povos, isto é, um caldeirão de etnias e crenças.

No século XX, os movimentos ecumênicos começaram a tomar forma, tanto nos Estados Unidos como na Europa. Os protestantes americanos se reuniam para estudar possíveis formas de atuarem conjuntamente no campo da missão e da evangelização. Isto conduziu à fundação de várias instituições sociais cristãs inter-confessionais de ajuda aos pobres, de educação da juventude e de assistência aos doentes. Novas organizações sociais, tais como a União Cristã de Moços (YMCA) e o Exército da Salvação contribuíram nesta corrente missionária e assistencial. Em 1908, surge a Oitava pela Unidade da Igreja, por iniciativa de uma ordem religiosa episcopal-anglicana: a Fraternidade Franciscana da Reconciliação (Society of the Atonement) de Graymoor (Garrison, New York): assim nascia a atual Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos!

Por volta de 1910, o bispo episcopaliano Charles Brent (anglicano) e o reverendo Peter Ainsley (dos Discípulos de Cristo) se unem com competência para tratar das questões de fé e constituição entre as Igrejas dos EUA. Desde sua fundação, os Discípulos de Cristo professavam a unidade cristã como um de seus objetivos primordiais. De seu lado, a Igreja Episcopaliana (de tradição anglicana) – guiada por William Reed Huntington, de Nova York – havia trabalhado há vinte anos na redação do documento doutrinal chamado Quadrilátero do Chicago-Lambeth, uma confissão de fé que unia todas as Igrejas de Comunhão Anglicana, onde se expunham as condições mínimas requeridas para a unidade com outras comunidades cristãs.

Será preciso atravessar ainda duas Guerras Mundiais e uma crise econômica, antes que se reúna a primeira (e única) Conferência sobre Fé e Constituição na América do Norte, ocorrida no Oberlin College (Ohio) em 1957: daqui surgiu a Comissão Permanente de Fé e Constituição hoje integrada no Conselho Nacional das Igrejas nos Estados Unidos e dedicada aos temas doutrinais e teológicos do diálogo ecumênico. Depois do Concílio Vaticano II, a Igreja Católica dos Estados Unidos enfim se torna membro desta Comissão Permanente de Fé e Constituição, deixando de ser uma “Igreja à parte” no panorama americano, para participar de maneira ativa e construtiva no movimento ecumênico.

No decorrer da primeira metade do século XX, as comunidades cristãs nos Estados Unidos realizam esforços em vista da reconciliação entre os cristãos. Contudo, conhecem novas evoluções e também novas divisões.

Nas escolas, seminários e comunidades das Igrejas episcopalianas (anglicanas) e protestantes históricas (provindas da Reforma), começam a se afirmar a exegese bíblica científica e novas formas de conceber a natureza humana, o pecado, a justiça social e a igualdade.

Além de tudo, aconteceu que numerosos protestantes, americanos do Sul e de áreas rurais – tanto evangélicos clássicos, como pentecostais – se sentiram chamados a um retorno aos “fundamentos” da fé bíblica. Isto significava a aceitação do Livro de Gêneses na sua literalidade, como um relato histórico. Estes cristãos desconfiavam de qualquer iniciativa ecumênica que incluísse organismos eclesiais que não se baseassem nos “fundamentos” que eles consideravam importantes nas elaborações doutrinais.

Entretanto, mesmo que tais posturas teológicas e culturais divergentes levassem a uma divisão crescente entre “conservadores” e “progressistas”, em várias comunidades cristãs norte-americanas começa a florescer o movimento em favor da unidade. A Igreja Unida de Cristo (1957), a Igreja Metodista Unida (1968), a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (1983) e a Igreja Evangélica Luterana na América (1987) conseguem unir comunidades antes separadas, agora organizadas como “igrejas unidas”. Enquanto isso, a Igreja Católica ingressa no movimento ecumênico internacional e traz sua contribuição aos fecundos trabalhos realizados nos diálogos bilaterais nos Estados Unidos, assim como nos diálogos multilaterais da Comissão Fé e Constituição. O diálogo católico-luterano nos Estados Unidos publica uma declaração em comum sobre “A justificação pela fé” que serviu de base importante à “Declaração conjunta internacional católico-luterana sobre a Doutrina da Justificação” (assinada em 1999, com a adesão recente do Conselho Metodista Mundial). De modo semelhante, o diálogo bilateral entre a Igreja Católica e os bispos ortodoxos (SCOBA) nos Estados Unidos contribuiu para melhorar as relações católico-ortodoxas em nível internacional. O diálogo entre episcopalianos (anglicanos) e luteranos conduziu à “plena comunhão” (full communion) entre a Igreja Episcopal dos EUA (ECUSA) e a Igreja Evangélica Luterana na América (ELCA), com a celebração conjunta da Eucaristia, o reconhecimento mútuo das estruturas eclesiásticas e a partilha dos ministérios dessas duas Igrejas (cf. documento: Chamadas a uma missão comum). A Igreja Evangélica Luterana na América (ELCA), graças aos resultados obtidos pelos diálogos bilaterais, mantém relações semelhantes de “plena comunhão” com os Cristãos Morávios, a Igreja Reformada na América, a Igreja Presbiteriana dos EUA e a Igreja Unida de Cristo.

O trabalho ecumênico nos níveis bilateral, multilateral e conciliar nos Estados Unidos conduziu a importantes convergências e até mesmo a consensos sobre assuntos doutrinais, que antes eram causa de divisão. No entanto, a questão de gênero (direitos de homens e mulheres), as questões éticas (como aborto e eutanásia) e também sexuais (como a discussão sobre a homossexualidade) perduram e até mesmo são pontos de conflito, seja dentro de cada Igreja, seja no relacionamento entre Igrejas diferentes. As opiniões divergentes sobre o lugar da mulher na Igreja e, em particular, a Ordenação de mulheres, criaram novos obstáculos entre os parceiros engajados a muito tempo no diálogo. A respeito da sexualidade humana, em particular no que toca às relações entre pessoas do mesmo sexo, assistimos a uma polarização de posições na sociedade em geral e no seio das Igrejas cristãs. Da mesma forma, as Igrejas se pronunciaram de diferentes maneiras sobre as questões relacionadas à guerra e à paz e abordaram diferentemente as relações inter-religiosas (a respeito do Islam, do Budismo, do Judaísmo, etc). Há casos de Igrejas que concordam com a posição de seus parceiros ecumênicos sobre certos temas, mas discordam sobre novas questões. Em compensação, há casos de Igrejas que têm poucos fundamentos eclesiológicos em comum com seus parceiros ecumênicos, mas partilham posições concordantes a respeito de temas éticos de grande impacto emocional.

É importante perceber, ademais, que há outros problemas que aproximam verdadeiramente as Igrejas cristãs, fazendo-as sentir a necessidade de trabalharem em conjunto e mais estreitamente. O racismo (mesmo não sendo mais aprovado por lei, nem expresso tão abertamente como no passado) ainda é uma ferida não cicatrizada nos EUA. Os 250 anos de escravidão dos africanos nos Estados Unidos, que só tiveram fim depois de uma Guerra Civil sanguinária, deixaram uma pesada herança, mas não desembaraçaram a América do Norte do racismo. Da mesma forma, a atribuição dos plenos direitos civis para todos em 1965: a lei garante, mas a prática está em falta. As Igrejas, no entanto, têm trabalhado muito e juntamente para combater o racismo de dentro para fora de suas próprias estruturas. Todavia, nos EUA persistem muitas tensões raciais. Ao mesmo tempo, os agrupamentos étnicos/raciais das Igrejas norte-americanas contribuíram com sucesso na criação de um tecido social americano cristão, assim como no aprimoramento do movimento ecumênico através da variedade de dons e interpretações. É também em razão deste passado de dores e de lutas, que a celebração da memória de Martin Luther King durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos toma uma importância particular nos Estados Unidos.

A luta contra a pobreza é outro campo de ação em que as Igrejas e comunidades cristãs dos Estados Unidos alcançam um acordo, permitindo a cooperação, a execução de projetos conjuntos e as campanhas de apelo em comum, dirigidas aos políticos. A organização Christian Churches Together nos EUA (CCT 2006) se ocupa efetivamente do tema da pobreza e viabiliza meios de combatê-la de forma ecumênica.

Enfim, enquanto a maioria dos americanos se descreve como “crentes” (segundo as estatísticas), um poço cultural cada vez mais profundo aparece em nível político, nos EUA, entre a sociedade secular e a religião. As Igrejas constatam cada vez mais a necessidade de somarem esforços para represar o que é percebido como secularismo crescente, semelhante àquele já conhecida pela Europa. Esta preocupação tem mobilizado mais os católicos, os evangélicos recentes, os pentecostais, as Igrejas ortodoxas e afro-americanas históricas, do que os protestantes tradicionais. Mesmo assim, muitos constatam que o secularismo conduziu grande número de pessoas a uma verdadeira crise de fé.

A vitalidade ecumênica entre os cristãos dos Estados Unidos é sustentada também pela proliferação de organismos ecumênicos:

  • Christian Churches Together in the USA (Igrejas Cristãs Unidas nos EUA, em inglês CCT): a organização recente criada com a finalidade de estabelecer ampla colaboração ecumênica, reunindo todas as Igrejas e Comunidades cristãs dos Estados Unidos. Nasceu em 30 de março de 2006. As 36 comunidades-membro se agrupam em cinco “famílias”: evangélico-pentecostal, católica, ortodoxa, protestante e étnica. Revelou-se necessário constituir esta quinta família, por razões históricas de desigualdades raciais próprias do contexto norte-americano. A CCT se propõe quatro objetivos : 1) celebrar a mesma fé em Deus Trino; 2) procurar a ajuda do Espírito Santo através da oração e do diálogo teológico; 3) garantir o apoio mútuo e fraterno, e 4) se dedicar ao melhor conhecimento recíproco, acentuando o que temos em comum e procurando compreender melhor quais são nossas diferenças.
  • Conselho Nacional de Igrejas Cristãs nos EUA (NCCCUSA): fundado em 1950, se declara no preâmbulo de sua Constituição “uma comunidade de comunhões cristãs que, em resposta ao Evangelho que nos foi revelado nas Santas Escrituras, proclamam Jesus Cristo, Verbo de Deus encarnado, como seu Salvador e Senhor. Estas comunhões se comprometem conjuntamente em manifestar sempre mais a unidade da Igreja. Invocando o poder transformante do Espírito Santo, estas comunhões se associam em Conselho para o cumprimento de sua missão comum, colocando-se a serviço de toda a criação para a glória de Deus”. O Conselho Nacional tem como membros 35 comunhões cristãs. Estas representam um grupo variado de Igrejas protestantes, anglicanas, ortodoxas, evangélicas e afro-americanas históricas, às quais se acrescentam as Living Peace Churches (Igrejas Vivência da Paz). Graças ao Church World Service (Serviço Internacional de Igrejas) e a uma gama de Comitês para a justiça social e assuntos políticos, o Conselho Nacional de Igrejas dos EUA detém um importante recorde histórico nos esforços ecumênicos empregados para a promoção dos direitos humanos.
  • Comissão Fé e Constituição dos EUA, cujo trabalho se iniciou em 1960, é uma comissão do Conselho Nacional apresentado acima. Inspirando-se no modelo da Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas, ela reúne Igrejas que não aderiram ao Conselho Nacional: os católicos, alguns evangélicos e pentecostais e os Holiness Christians (movimentos de santidade).
  • Churches Uniting in Christ (Igrejas Unidas em Cristo, CUIC): em 2002 sucederam a antiga “Consulta para a União de Igrejas” (COCU). Em 1960, nove Igrejas constituíam a COCU e desenvolveram uma atividade de “consulta” sobre as motivações para “começarem a viver mais plenamente sua unidade em Cristo” num percurso de aproximação progressiva, de oito etapas: reconhecimento mútuo das autênticas expressões da Igreja Una nos parceiros do diálogo; reconhecimento mútuo de um só batismo; reconhecimento de que todos professam a mesma fé apostólica; celebração conjunta da Eucaristia (conforme rito chamado hoje “Liturgia CUIC”); o engajamento conjunto na missão (em particular na luta contra o racismo); o engajamento resoluto na promoção da unidade, opondo-se a toda forma de marginalização e exclusão de pessoas; uma forma de responsabilidade mútua e permanente, com prática consultiva para tomadas de decisão; enfim, um processo contínuo de diálogo teológico. As nove Igrejas membros das CUIC são: Igreja Episcopal Metodista Africana, Igreja Episcopal Metodista Africana de Sião, Igreja Cristã “Discípulos de Cristo”, Igreja Episcopal Metodista Cristã, Igreja Episcopaliana, Igrejas reunidas no Conselho Internacional das Igrejas Comunitárias, Igreja Presbiteriana dos EUA, Igreja Unida de Cristo e Igreja Metodista Unida.
  • Conferência dos Responsáveis Cristãos do Sul: fundada em seguida ao boicote histórico dos ônibus em Montgomery (Alabama) em 1956, da qual o primeiro presidente foi o Reverendo Dr. Martin Luther King Jr. Esta conferência teve papel ecumênico entre as Igrejas afro-americanas históricas, assim como entre as Igrejas de maioria branca que se reuniram num esforço ecumênico de libertar a sociedade americana do racismo.
  • Associação Nacional de Evangélicos (em inglês NAE): fundada em 1942, conta com mais de 60 Confissões e Comunidades diferentes, como Igrejas dos Irmãos (menonitas), Assembléias de Deus, Exército da Salvação e Igreja de Deus (pertencente ao movimento de santidade). Encoraja a fraternidade e é porta-voz dos cristãos dos EUA que professam a infalibilidade das Escrituras, o zelo missionário e a manifestação fervorosa dos dons do Espírito Santo. É, numericamente, o mais importante organismo ecumênico, reagrupando os cristãos habitualmente denominados “evangelicais” (evangelicals) e “pentecostais” (pentecostals) dos EUA. A NAE se declara ter a missão de “estender o Reino de Deus através de uma aliança de Confissões, de Igrejas e das organizações de indivíduos membros, para manifestar a unidade do Corpo de Cristo, proclamando a verdade bíblica, intervindo de maneira representativa e servindo a comunidade evangélica através de ação conjunta, da colaboração no ministérioe de sua programação estratégica”.

Igrejas ou Alianças de Igrejas nos EUA: algumas dessas entidades criaram locais de trabalho para a coordenar suas atividades ecumênicas. Uma versão mais completa deste texto sobre a “situação ecumênica nos Estados Unidos da América” contendo uma lista mais vasta das organizações engajadas na promoção da unidade dos cristãos, assim como informações estatísticas sobre as Igrejas nos EUA, está disponível on line em: http// :wcc.wcc-coe.org ou http//:www.prounione.urbe.it.

Conselhos Locais de Igrejas: assinalamos ainda os importantes esforços de Conselhos de Igrejas organizados em cidades, condados, estados e regiões dos EUA. Em numerosas comunidades locais, quase todas as Igrejas e seus pastores ou ministros fazem parte destes conselhos: protestantes, anglicanos, ortodoxos, afro-americanos históricos e católicos.

Programas e Agentes Ecumênicos: Igualmente envolvidos estão os homens e mulheres engajados como diretores de programas ecumênicos ou como agentes do ecumenismo delegados pelas suas comunidades eclesiais em nível municipal, estadual e nacional. Estes responsáveis teceram redes dinâmicas e vitais no seio de suas próprias Igrejas e entre Igrejas distintas, para encorajar e vivenciar o diálogo ecumênico. Todos os anos, eles organizam numa cidade diferente o Fórum Nacional pela Unidade dos Cristãos e apóiam a Semana de Oração pela Unidade em suas próprias cidades.

Seminários, Faculdades e Universidades: organizados em convênios, alguns Seminários, Faculdades e Universidades mantidas por Igrejasencorajam (e algumas vezes até exigem) a inscrição simultânea em várias de suas instituições de estudantes destinados ao ministério pastoral – prática que requer acolhida do trabalho realizado pelo movimento ecumênico. Todas as grandes cidades possuem tais parcerias. É conveniente também assinalar o trabalho realizado pelas Faculdades em algumas Universidades, principalmente na Temple University da Filadélfia, que publica a revista The Journal of Ecumenical Studies (periódico de estudos ecumênicos).

Emergent Chruch Movement: entre os desenvolvimentos mais recentes do panorama cristão dos EUA, citamos ainda Movimento Eclesiástico Emergente (Emergent Church Movement), de postura autônoma e bastante reticente às formas de autoridade eclesiástica institucional. Neste movimento estão engajados muitos jovens, principalmente homens entre 25 e 35 anos, que trocam idéias sobre a fé cristã e dinamizam uma rede ao estilo de “comunidade virtual” na Internet. Sua reticência à sistematização teológica oficial constitui um desafio para a unidade visível da Igreja. Apesar disso, esta comunidade acendeu muitos debates sobre o valor do movimento ecumênico.

Tanto em nível local quanto nacional, os cristãos dos EUA são conscientes da importância da oração em comum a favor dos pobres, doentes e indecisos – como pela nação, incluindo as preocupações de segurança e forças armadas. Além de orar na Semana pela Unidade, numerosos cristãos de diferentes Confissões se reúnem para orar no Dia Nacional de Ação de Graças (novembro), na véspera do Ano Novo, na Quarta-feira de Cinzas, na Sexta-Feira Santa, no Dia Mundial da Oração (março) e no Dia Nacional da Oração (maio). Um profundo sentimento de fraternidade é perceptível nessas ocasiões, em que o Espírito Santo nos ajuda a deixar de lado as divisões e a desconfiança, para viver momentos importantes de confiança recíproca e de unidade.

Semana de oração pela unidade dos cristãos

Temas 1968 – 2008

Em 1968 inicia-se oficialmente a colaboração entre a “Comissão Fé e Constituição” (Conselho Mundial de Igrejas) e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos na preparação destes textos.

1968 Para o louvor de sua glória (Ef 1,14)
To the praise of his glory

1969 Chamados à liberdade (Gal 5,13)
Called to freedom
(Reunião preparatória em Roma, Itália)

1970 Nós somos os colaboradores de Deus (1Cor 3, 9)
We are fellow workers for God
(Reunião preparatória no Mosteiro de Niederaltaich, República Federal da Alemanha)

1971 ... e a comunhão do Espírito Santo (2Cor 13,13)
... and the communion of the Holy Spirit
(Reunião preparatória em Bari, Itália)

1972 Eu vos dou um novo mandamento (Jo 13,34)
I give you a new commandment
(Reunião preparatória em Genebra, Suíça)

1973 Senhor, ensinai-nos a orar (Lc 11,1)
Lord, teach us to pray
(Reunião preparatória na Abadia de Montserrat, Espanha)

1974 Que todos confessem: Jesus Cristo é o Senhor (Fil 2,1-13)
That every tongue confess: Jesus Christ is Lord
(Reunião preparatória em Genebra, Suíça)
(Em abril de 1974, uma carta foi endereçada às igrejas membros assim como às outras partes interessadas na criação de grupos locais que pudessem participar à preparação do livreto da Semana de Oração. O primeiro a se engajar concretamente foi um grupo australiano, preparando em 1975, o projeto inicial do livreto para a Semana de Oração).

1975 A Vontade do Pai: Tudo reunir sob um só Chefe, o Cristo (Ef 1,3-10)
God’s purpose: all things in Christ
(Projeto de texto elaborado por um grupo australiano. Reunião preparatória em Genebra, Suíça).

1976 Seremos semelhantes a Ele (1Jo 3, 2)
We shall be like him or Called to become what we are
(Projeto de texto elaborado pela conferência das Igrejas das Caraíbas. Reunião preparatória em Roma, Itália).

1977 A esperança não decepciona (Rm 5,1-5)
Enduring together in hope

Projeto de texto elaborado no Líbano, em plena guerra civil. Reunião preparatória em Genebra, Suíça)

1978 Não são mais estrangeiros (Ef 2, 13-22)
No longer strangers
(Projeto de texto elaborado por um grupo ecumênico de Manchester, Inglaterra).

1979 A serviço uns dos outros para a glória de Deus (1Pd 4,7.11)
Serve one another to the glory of God
(Projeto de texto elaborado na Argentina. Reunião preparatória em Genebra.)

1980 Que vosso reino venha! (Mt 6,10)
Your kingdom come
(Projeto de texto elaborado por um grupo ecumênico de Berlim, República Democrática da Alemanha. Reunião preparatória em Milão, Itália).

1981 Um só espírito – diversos dons – um só corpo (1Cor 12,3b-13)

One Spirit - many gifts - one body

(Projeto de texto elaborado pelos Padres de Graymoor, EUA. Reunião preparatória em Genebra).

1982 Que todos encontrem sua morada em vós, Senhor (Sl 84)
May all find their home in you, O Lord
(Projeto de texto elabora do no Kenya. Reunião preparatória em Milão, Itália).

1983 Jesus Cristo – Vida do mundo (1Jo 1,1-4)
Jesus Christ - the Life of the World
(Projeto de texto elaborado por um grupo ecumênico da Irlanda. Reunião preparatória em Céligny [Bossey], na Suíça).

1984 Chamados à unidade pela cruz de Nosso Senhor (1Cor 2,2 e Col 1, 20)
Called to be one through the cross of our Lord
(Reunião preparatória em Veneza, Itália).

1985 Da morte à vida com o Cristo (Ef 2,4.7)
From death to life with Christ
(Projeto de texto elaborado na Jamaica. Reunião preparatória em Grandchamp, Suíça).

1986 Vós sereis minhas testemunhas (At 1,6.8)
You shall be my witnesses
(Textos propostos na Iugoslávia [Eslovênia]. Reunião preparatória na Iugoslávia).

1987 Unidos em Cristo, uma nova criação (2Cor 5,17-6,4a)
United in Christ - a New Creation
(Projeto de texto elaborado na Inglaterra. Reunião preparatória em Taizé, França).

1988 Onde há amor não há temor (1Jo 4,18)
The love of God casts out fear
(Projeto de texto elaborado na Itália. Reunião preparatória em Pinerolo, Itália).

1989 Construir a comunidade: um só corpo em Cristo (Rm 12,5-6a)
Building community: one body in Christ
(Projeto de texto elaborado no Canadá. Reunião preparatória em Whaley Bridge, Inglaterra).

1990 Que todos sejam um, para que o mundo creia (Jo17,21)
That they all may be one... That the world may believe
(Projeto de texto elaborado na Espanha. Reunião preparatória em Madri, Espanha).

1991 Nações todas, louvem o Senhor (Sl 117 e Rm 15, 5-13)
Praise the Lord, all you nations!
(Projeto de texto elaborado na Alemanha. Reunião preparatória em Rotenburg an der Fulda, República Federal da Alemanha).

1992 Estou convosco: ide! (Mt 28,16-20)
I am with you always ... Go, therefore
(Projeto de texto elaborado na Bélgica. Reunião preparatória em Bruges, Bélgica).

1993 Trazer o fruto do Espírito para a unidade dos cristãos (Gal 5,22-23)
Bearing the fruit of the Spirit for Christian unity
(Projeto de texto elaborado no Zaire. Reunião preparatória perto de Zurique, Suíça).

1994 A casa de Deus: chamados a ter ‘um só coração e uma só alma’ (At 4, 32)
The household of God: called to be one in heart and mind
(Projeto de texto elaborado na Irlanda. Reunião preparatória em Dublin, Irlanda).

1995 Koinonia: comunhão em Deus e entre nós (Jo 15,1-7)
Koinonia: communion in God and with one another
(Projeto de texto elaborado por Fé e Constituição. Reunião preparatória em Bristol, Inglaterra).

1996 Eis que estou à porta e bato (Ap 3,14-22)
Behold, I stand at the door and knock
(Projeto de texto elaborado em Portugal. Reunião preparatória em Lisboa, Portugal).

1997 Em nome de Cristo, deixai-vos reconciliar com Deus (2Cor 5,20)
We entreat you on behalf of Christ, be reconciled to God
(Projeto de texto na Escandinávia. Reunião preparatória em Estocolmo, Suécia).

1998 O Espírito vem em socorro de nossa fraqueza (Rm 8,14-27)
The Spirit helps us in our weakness
(Projeto de texto elaborado na França. Reunião preparatória em Paris, França).

1999 Eles serão seu povo e ele será Deus com eles (Ap 21,3)
He will dwell with them as their God, they will be his peoples
(Projeto de texto elaborado na Malásia. Reunião preparatória no Comunidade monástica de Bose, Itália).

2000 Bendito seja Deus que nos abençoou em Cristo (Ef 1,3-14)
Blessed be God who has blessed us in Christ
(Projeto de texto elaborado pelo Conselho das Igrejas do Oriente Médio. Reunião preparatória no santuário franciscano de La Verna, Itália).

2001 Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,1-6)
I am the Way, and the Truth, and the Life
(Projeto de texto elaborado na Romênia. Reunião preparatória na Casa de Odihna, Romênia).

2002 Pois em vossa casa está a fonte da vida (Sl 36 [35], 10)
For with you is the fountain of life (Sl 36,5-9)
(Projeto de texto elaborado pelo Conselho das Conferências Episcopais Européias (CCEE) e a Conferência das Igrejas Européias (KEK). Reunião preparatória no Centro ecumênico de Ottmaring, Augsbourg, República Federal da Alemanha).

2003 Este tesouro, nós o carregamos em vasos de argila (2Cor 4, 7)
We have this treasure in clay jars
(Projeto de texto elaborado na Argentina. Reunião preparatória no Centro ecumênico ‘Los Rubios’ de Málaga, Espanha).

2004 Eu vos dou a minha paz (Jo 14,27)
My peace I give to you
(Projeto de texto elaborado em Alepo, Síria. Reunião preparatória em Palermo, Itália).

2005 Cristo, único fundamento da Igreja (1Cor 3,1-23)
Christ, the one foundation of the church
(Projeto de texto elaborado na Eslováquia. Reunião preparatória em Piestaňy, Eslováquia)

2006 Onde dois ou três se reunirem em meu nome, eu estarei no meio deles (Mt 18,20)
Where two or three are gathered in my name, there I am among them
(Projeto de texto elaborado na Irlanda. Reunião preparatória em Prosperous, County Kildare, Irlanda).

2007 Ele faz os surdos ouvirem e os mudos falarem (Mc 7,37)
He even makes the deaf to hear and the mute to speak
(Projeto de texto elaborado na África do Sul. Reunião preparatória no Château de Faverges, Haute-Savoie, França).

2008 Orai sem cessar (1Tes 5,17)
Pray without ceasing
(Projeto de texto elaborado nos EUA. Reunião preparatória em Graymoor, Garrison nos USA).

 

Algumas datas importantes na história
da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

1740 Na Escócia, nascimento de um movimento pentecostal com laços na América do Norte, cuja mensagem para o renovação da fé apela a orar por todas a igrejas e com elas.

1820 O Reverendo James Haldane Stewart publica “Conselhos para a união geral dos cristãos para a efusão do Espírito Santo” (Hints for the outpouring of the Spirit).

1840 O Reverendo Ignatius Spencer, um convertido ao catolicismo romano, sugere uma “União de oração pela unidade”.

1867 A primeira Assembléia dos Bispos anglicanos em Lambeth insiste sobre a oração pela unidade, na introdução às suas resoluções.

1894 O papa Leão XIII encoraja a prática da “Oitava de Oração pela Unidade” no contexto de Pentecostes.

1908 Celebração da “Oitava pela Unidade da Igreja” por iniciativa do Reverendo Pe. Paul Wattson.

1926 O Movimento Fé e Constituição inicia a publicação de “Sugestões para uma Oitava de oração pela unidade dos cristãos”.

1935 Na França, o Pe. Paul Couturier faz-se defensor da “Semana universal de oração para a unidade dos cristãos” fundamentada na oração pela unidade tal qual Cristo a deseja, com os meios que Ele deseja.

1958 O Centro Unidade Cristã de Lyon (França) começa a preparar o tema para a Semana de Oração em colaboração com a “Comissão Fé e Constituição” do Conselho Mundial de Igrejas.

1964 Em Jerusalém, o Papa Paulo VI e o Patriarca Athenágoras I recitam juntos a oração de Cristo “que todos sejam um” (Jo 17).

1964 O decreto Unitatis Redintegratio (do Concílio Vaticano II sobre o ecumenismo) sublinha que a oração é a alma do movimento ecumênico e encoraja a prática da Semana de Oração.

1966 A “Comissão Fé e Constituição” e o Secretariado para a Unidade dos Cristãos (hoje Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos) da Igreja Católica decidem preparar conjuntamente o texto para a Semana de Oração a cada ano.

1968 Pela primeira vez, a Semana de Oração é celebrada com textos elaborados em colaboração entre “Comissão Fé e Constituição” e o Secretariado para a Unidade dos Cristãos (hoje, Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos).

1975 Primeira celebração da Semana de Oração a partir de textos preparados a partir de um projeto apresentado por um grupo ecumênico local. Este novo modo de elaboração de textos é inaugurado por um grupo ecumênico da Austrália.

1988 Os textos da Semana de Oração são utilizados para a celebração inaugural da Federação Cristã da Malásia, reunindo os principais grupos cristãos deste país.

1994 O grupo internacional que preparou os textos para 1996 contava, entre outros, com representantes da YMCA e da YWCA.

2004 Acordo entre “Comissão Fé e Constituição” (Conselho Mundial de Igrejas) e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Igreja Católica) para que o livreto da Semana de Oração seja oficial, conjuntamente publicado e apresentado num mesmo formato.



[1] Estas orações e hinos são publicados sob a responsabilidade do grupo ecumênico que preparou a proposta de textos.

[2] Este texto sobre as Igrejas norte-americanas e a situação ecumênica dos EUA é publicado sob inteira responsabilidade do grupo preparatório.

     

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