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PONTIFÍCIO CONSELHO
PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

Subsídios para a

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
e para todo o ano de 2009

 

Serão um, em tuas mãos (Ez 37, 17)

Preparados conjuntamente por
Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e
Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas

 

Tradução para o português:
Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

 

A todos aqueles que organizam
a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

 

Buscar a unidade durante todo o ano

Tradicionalmente, a Semana de oração pela unidade dos cristãos é celebrada do dia 18 ao dia 25 de janeiro. Estas datas foram propostas em 1908 por Paulo Wattson, de modo a cobrir o período entre a festa de São Pedro e a festa de São Paulo. Esta escolha tem um significado apenas simbólico no Hemisfério Sul: ali o mês de janeiro está no período de férias de verão, sendo preferível escolher outra data, como, por exemplo, a semana que antecede Pentecostes (data sugerida pelo Movimento Fé e Constituição em 1926), que também representa uma outra data simbólica pela unidade de Igreja.

Mantendo esta flexibilidade e fiéis ao espírito da Semana, nós vos encorajamos a considerar estes textos como um convite a encontrar outras ocasiões, ao longo do ano, para exprimir o grau de comunhão que as Igrejas já atingiram e rezar juntos pela unidade plena que desejamos atingir, conforme a vontade de Cristo.

Adaptar os textos

Estes textos são propostos como sugestão, permitindo, na medida do possível, que sejam adaptados às realidades dos diferentes lugares e países. Fazendo isto, deve-se levar em conta as práticas litúrgicas e devocionais locais, em cada contexto sócio-cultural. Uma tal adaptação deveria normalmente ser resultado da colaboração ecumênica. Em muitos países há organismos e estruturas ecumênicas atuantes, que permitem este tipo de colaboração. Esperamos que a necessidade de adaptar a Semana de Oração à realidade local sejam oportunidades para se criar estruturas de colaboração ecumênica ali onde elas ainda não existem.

Utilizar os textos da Semana de oração pela unidade dos cristãos

Para as Igrejas e Comunidades cristãs que celebram juntas a Semana de Oração durante uma única cerimônia, este livrinho propõe um modelo de Celebração ecumênica da Palavra de Deus.

Para suas celebrações, as Igrejas e Comunidades cristãs podem igualmente se servir de outras orações e textos da Celebração ecumênica da Palavra de Deus, ou dos textos propostos para os Oito Dias (para escolher, cf. apêndice).

As Igrejas e Comunidades cristãs que celebram a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos a cada dia da semana, podem usar livremente as sugestões de textos propostas ao longo dos Oito Dias, usando-os na ordem desejada.

Pessoas e comunidades que queiram fazer os estudos bíblicos sobre o tema de 2009 podem se basear, igualmente, nos textos e reflexões bíblicas propostas para os Oito Dias. Os comentários de cada dia podem ser concluídos por uma oração de intercessão.

Pessoas que desejam orar sozinhas poderão usar os textos com gravuras, alimentando sua oração e recordando que, na sua oração pessoal, estão em comunhão com todos os demais, no mundo inteiro, que intercedem pelo crescimento da unidade visível da Igreja de Cristo.

Texto Bíblico

Serão um, em tuas mãos
Ezequiel 37, 15-28:

Veio-me uma palavra do Senhor:

“Tu, filho de homem, toma um pedaço de madeira e escreve nele: Judá e os filhos de Israel que lhe estão associados. Depois toma outro pedaço de madeira e escreve nele: José – esta será a madeira de Efraim – e toda a casa de Israel que lhe está associada. Aproxima estes pedaços um contra o outro para formarem um só; estarão unidos em tua mão. Quando a gente do teu povo te disser: ‘Não queres explicar-nos o que fazes?’ lhe dirás: Assim fala o Senhor Deus: Vou tomar o pedaço de madeira de José – que está na mão de Efraim – e das tribos de Israel que lhe estão associadas; eu os encostarei neles, no pedaço de madeira de Judá: farei deles um só pedaço e eles estarão na minha mão. E os pedaços de madeira sobre os quais tiveres escrito estarão na tua mão, à vista deles. Dize-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Vou tirar os filhos de Israel do meio das nações para onde foram, vou reuni-los de todas as partes e os levarei para seu solo. Farei deles uma nação única, na Terra, nas montanhas de Israel: um rei único será o rei de todos eles; não formarão mais duas nações e não estarão mais divididos em dois reinos. Não se macularão mais com seus ídolos e seus horrores, nem por todas as suas transgressões; eu os livrarei de todos os lugares onde habitam, os lugares onde pecaram. Eu os purificarei, serão para mim um povo e eu serei Deus para eles. Meu servo David reinará sobre eles, pastor único para todos eles; caminharão segundo meus costumes, guardarão minhas leis e as observarão. Habitarão a terra que dei a meu servo Jacó, a terra onde vossos pais a habitaram; ali habitarão eles, seus filhos e os filhos de seus filhos, para sempre; meu servo David será seu príncipe para sempre. Firmarei com eles uma aliança de paz, será uma aliança perene com eles. Eu o estabelecerei, multiplicá-los-ei. Estabelecerei meu santuário no meio deles para sempre. Minha morada estará junto deles; serei para eles Deus, e eles serão para mim um povo. Então as nações conhecerão que eu sou o Senhor que consagro Israel, quando estabelecer meu santuário no meio deles, para sempre.

(Tradução ecumênica da Bíblia)

Introdução ao tema do ano 2009

O tema bíblico

Os textos para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2009 vêm a nós como expressão da vivência das Igrejas na Coréia. Enfrentando a divisão de seus países (Coréia do Sul e Coréia do Norte), as Igrejas buscaram sua inspiração na Profecia de Ezequiel que viveu, também ele, num país tragicamente dividido, cujo povo aspirava pela unidade.

Profeta e sacerdote, Ezequiel foi chamado por Deus aos trinta anos de idade. Sua missão abrangeu o período de 594 a 571 a.C., sendo ele fortemente influenciado pelas reformas políticas e religiosas empreendidas pelo Rei Josias, em 621 a.C. Comprometido com as reformas de restauração da Lei e do verdadeiro culto ao Deus de Israel, o Rei Josias estava determinado a eliminar a herança nefasta deixada pela precedente conquista de Judas pelos Assírios. Entretanto, depois da morte de Josias durante uma batalha, seu filho Joaquim (Yoyaqîm) prestou homenagem ao Egito e divulgou o culto de muitos deuses estranhos à Aliança. Os profetas que ousaram criticar Joaquim (Yoyaqîm) foram abruptamente retirados: Ouriya foi executado; Jeremias foi banido. Depois da invasão dos babilônios e da destruição do templo em 587 a.C, os responsáveis políticos e osartesãosdo país – entre os quais jovem Ezequiel – foram capturados e deportados à Babilônia. Lá, Ezequiel (como Jeremias) criticou os pretensos “profetas” que alimentavam uma esperança ilusória no povo. Incompreendido por muitos, Ezequiel provou a hostilidade e o desprezo de seus irmãos israelitas no exílio.

Apesar de tal sofrimento, o amor de Ezequiel pelo seu povo não diminuiu! Ele criticou os chefes que deliberavam contra os mandamentos de Deus e tentou reconduzir seu povo ao Senhor, salientando que Deus permanece fiel à aliança estabelecida com o povo – com o qual Ele mesmo é solidário. Mas especialmente, nesta situação aparentemente sem solução, Ezequiel não se desesperava! Ao contrário: proclamava com convicção a mensagem de renovação e unidade do povo de Deus. Afirmava que o projeto desejado por Deus para todos poderia, de fato, realizar-se.

Duas visões encorajavam Ezequiel nas suas dificuldades. Na primeira visão, que se tornou bastante conhecida, os ossos ressequidos e dispersos no vale retomam a vida e se juntam, pela ação do Espírito do Senhor (cf. Ez 37, 1-14). Na segunda visão, dois pedaços de madeira voltam a unir-se, numa referência ao Israel dividido. Esta é a profecia donde a Semana de Oração de 2009 toma o tema “Unidos em suas mãos”: na visão de Ezequiel os pedaços de madeira simbolizam os dois reinos nos quais Israel foi dividido. Os nomes das tribos de cada um desses dois reinos foram escritos sobre os pedaços de madeira: duas tribos no reio do Norte; dez no reino do Sul. Os pedaços de madeira são posteriormente aproximados, para formar apenas uma peça (Ez 37, 15-23).

Para Ezequiel, a divisão de seu povo era o reflexo e a conseqüência do pecado e do afastamento de Deus. Formar novamente um único povo era possível, na condição de renunciar ao pecado, de converter-se e de voltar para Deus. Mas definitivamente, é Deus que une seu povo, purificando-o, renovando-o e libertando-o de suas divisões. Para Ezequiel, esta unidade não é uma simples aproximação de grupos antes separados. Trata-se bem mais de uma nova criação: o nascimento de um povo novo, que deveria ser sinal de esperança para os demais povos e para toda a humanidade.

Reencontramos o tema da esperança em outro texto, muito precioso para as Igrejas da Coréia: Apocalipse 21,3-4. Aqui se menciona a purificação do povo de Deus, chamado a encarnar a paz verdadeira, a reconciliação e a unidade – em cuja plenitude o próprio Deus reside: “Ele habitará com eles. Eles serão seu povo e ele será o Deus que está com eles. Ele enxugará toda lágrima de seus olhos. Já não haverá morte. Não haverá mais luto, nem pranto, nem sofrimento”. Daí os temas bíblicos que inspiraram as Igrejas da Coréia na presente sugestão para a Semana de Oração 2009: a unidade como vontade de Deus para seu povo; a unidade como dom de Deus, que nos pede conversão e renovação; a unidade como nova criação; a esperança de que o povo de Deus enfim seja “um”.

O tema teológico

Em 2009, os cristãos do mundo inteiro rezarão pela unidade “para que estejam unidos em tua mão” (cf. Ez 37,17). Ezequiel – cujo nome significa “Deus o faz forte” – foi chamado para restituir esperança a seu povo, numa situação política e religiosa desesperada que perdurou depois da queda e ocupação de Israel, com o exílio de grande parte de seu povo.

Os participantes do Grupo de Trabalho local da Coréia descobriram que o texto de Ezequiel mostrava semelhanças notáveis com a situação que eles viviam no seu país dividido, bem como a situação mais ampla dos cristãos desunidos. A palavra de Ezequiel lhes confirmou a esperança de que Deus reunirá novamente o seu povo, para fazer apenas um: o povo de sua pertença, que Ele abençoará e fortalecerá. Da Palavra brotou uma nova e suprema esperança: Deus criará um mundo novo, como descrito no texto de Ezequiel. Um “mundo novo” que transforma a situação presente, como transformou a situação de Israel no exílio, com o pecado revestido das formas mais diversas, o culto aos ídolos e a transgressão da aliança. De modo semelhante, também a divisão dos cristãos é pecado e motivo de escândalo no mundo de hoje.

Analisando este texto do Primeiro Testamento, os cristãos podem refletir e descobrir como tal profecia se aplica à nossa situação de divisão. Particularmente, nós entendemos que é Deus quem restabelece a unidade, reconcilia os seres humanos e faz nascer uma nova realidade. Israel unido, perdoado e purificado torna-se um símbolo de esperança para o mundo inteiro.

Como foi dito acima, a profecia dos dois pedaços de madeira – que se juntam para formar apenas um – é a segunda visão que lemos em Ezequiel 37. A primeira, provavelmente mais conhecida nas Igrejas, é aquela dos ossos ressequidos que retomam vida pela ação do Espírito de Deus. Tanto numa como na outra, é Deus quem dá a vida, qual fonte de um novo começo. Na primeira profecia, o Espírito de Deus é o mediador da vida; mas na segunda, é Deus mesmo que estabelece a unidade, a reconciliação e a paz em uma nação dividida. Em outros termos, a vida nova dada por Deus acontece na união das partes que estavam divididas.

Como cristãos, entrevemos nesta profecia uma prefiguração da vida nova que o Cristo nos oferece, da qual participamos pela vitória pascal sobre a morte, conforme a vontade salvífica de Deus. Unindo os dois pedaços no madeiro da cruz, Jesus nos reconcilia com Deus e humanidade se enche de uma nova esperança! Apesar dos nossos pecados, da violência e das guerras; apesar da desigualdade entre ricos e pobres; apesar de nosso desrespeito pela Criação; apesar das doenças, sofrimentos e discriminações; apesar da nossa desunião e das nossas divisões, Jesus Cristo – com os braços abertos na cruz – abraça toda a criação e nos dá o shalom de Deus. Elevado na cruz ele nos atrai para si e nos faz “um” em suas mãos.

Para esta Semana de Oração, as Igrejas da Coréia tomaram como ponto de partida a situação de divisão entre seus países, na busca esperançosa de superar tais fraturas sofridas, não só no nível político, mas também no nível das Igrejas cristãs desunidas. Por isso as Igrejas coreanas propuseram o tema: “Eles estarão unidos em tua mão” (cf. Ez 37,17). Em sua reflexão, os cristãos da Coréia sentem que uma nova esperança está nascendo, pela ação de Deus que reconcilia e traz o shalom para seu povo.

Os “oito dias” de oração

A partir do texto-base de Ezequiel, a meditação dos “oito dias” da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos nos faz compreender que a unidade da Igreja contribui igualmente à renovação de toda a comunidade humana. Despertamos, assim, para uma grande responsabilidade: todos aqueles que proclamam a Cristo como Senhor, devem se esforçar para cumprir a sua oração: “Que todos sejam um afim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 21).

Os “oito dias” se abrem com uma meditação sobre a unidade dos cristãos. Diante de nossas divisões doutrinais e recordando nosso passado escandaloso – feito não só de divisões, mas de rancor entre os cristãos – nós pedimos que Deus envie seu Espírito Santo vivifica os ossos ressequidos e remodela, em suas mãos, nossa unidade na diversidade. Que o seu Espírito vivificante nos alente com um sopro de vida e reconciliação, mudando a aridez de nossos corações e curando as divisões de nosso tempo.

(1) Neste primeiro dia do Octavário, convidamos os irmãos e irmãs a orar pelas situações do mundo que clamam por reconciliação, atentos ao papel que a unidade dos cristãos representa em seu favor.

(2) No segundo dia, as Igrejas rezarão para que a paz triunfe sobre as guerras e a violência, considerando nossa missão comum enquanto discípulos do Príncipe da Paz: em meio a tantos conflitos e apesar deles, os cristãos são portadores de reconciliação, enraizada na sólida esperança.

(3) O terceiro dia nos oferece uma meditação sobre o contraste entre ricos e pobres. Na nossa relação com o dinheiro e na nossa atitude para com os pobres verificamos nossa fidelidade de discípulos e continuadores do Cristo: pois ele que veio entre nós para anunciar a boa nova aos pobres, a liberdade aos cativos e a justiça para todos.

(4) A intenção do quarto dia é de rezar para que os cristãos compreendam que só em conjunto poderemos salvaguardar as maravilhas da Criação que Deus nos confiou: o ar que respiramos, a terra que nos dá seus frutos; a Terra inteira que glorifica seu Criador.

(5) No quinto dia, intercedemos para que cessem os preconceitos e discriminações na sociedade, cientes de que a dignidade humana vem de Deus, Pai de todos. A unidade como cristãos reflete, qual sinal, a unidade de todos os seres humanos, amados e criados por Deus como pessoas únicas na sua variedade. Nós cristãos somos chamados a construir o Reino da justiça e do amor, no qual as diferenças sejam respeitadas, pois somos um em Cristo.

(6) Ao sexto dia, dedicamos nossa oração pelos sofredores e por quem lhes presta socorro. Os Salmos nos ajudam a compreender que até mesmo as crises, feitas de sofrimento e mágoa, podem tornar-se ocasião de busca de Deus: além da dor, há um laço profundo que vincula o fiel ao seu Senhor. A compaixão dos cristãos em resposta ao desespero dos que sofrem é um sinal evidente do Reino de Deus. Unidas, as Igrejas Cristãs podem fazer mais em meio à dor humana, favorecendo a ajuda material e espiritual tão necessárias.

(7) No sétimo dia meditamos sobre a diversidade cristã, orando por nossa unidade em Deus. Sem esta unidade, será difícil para nós construir um reino de paz com todos os homens e mulheres de boa vontade.

(8) O propósito das orações previstas para o oitavo dia é voltar ao nosso ponto de partida, rezando para que o espírito das Bem-aventuranças supere o espírito deste mundo que passa. Nas Bem-aventuranças nós, cristãos, sustentamos nossa esperança de que Cristo renova todas as coisas e inaugura uma nova ordem no mundo. Deste modo, podemos ser portadores de vida e artesãos da reconciliação em situações de conflito, de pobreza, de discriminações, de guerra, nas quais a humanidade sofre e a Criação chora.

Preparação da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2009

Origem dos textos

O projeto da Semana foi elaborado por um grupo de trabalho conjunto, com representantes da Conferência de Bispos Católicos da Coréia (CBCK) e do Conselho Nacional de Igrejas na Coréia (NCCK), entre os quais: Rev. Dr. Chai Soo-Il, professor na Han-Shin University (PROK/ NCCK); Rev. Dr. Kim Woong-Tae, presidente da Dong-Sung High School (CBCK); Rev. Dr Shim Kwang-Sup, professor do Seminário Teológico Metodista, KMC (NCCK), Sra. Jung Haesun, secretária geral do NCCK; Rev. Pe. Kang Diego, missionário da Consolata na Coréia (CBCK); Sra. Han Mi-Sook, membro do Movimento dos Focolares na Coréia (CBCK). Nós os agradecemos calorosamente pelo zelo e sabedoria com os quais cumpriram a tarefa.

Encontro preparatório internacional em Marselha (França)

Alguns anos depois, um dos membros do grupo preparatório internacional da Semana de Oração propôs organizar uma reunião em Marselha (França). Pois nesta cidade surgiu um movimento social muito interessante, que reuniu líderes religiosos de diferentes credos, religiões e culturas ao redor do prefeito, a fim de assegurar a comunicação entre os grupos religiosos, melhorar as suas relações e prevenir eventuais polarizações entre as diversas partes da população local.

Esta organização se chama Marselha Esperança. Juntos, seus membros têm reagido contra manifestações várias manifestações de intolerância religiosa e órdio, em nível local e internacional (por ex. profanação de sepulturas, ataques terroristas do 11 de setembro 2001 em Nova Iorque, etc.). O grupo Marselha Esperança acredita que seu compromisso comum em favor da tolerância tem ajuda a evitar muitas perturbações de caráter inter-religioso ou inter-cultural que, infelizmente, têm atingido outras cidades européias. Preservando sua autonomia em campo político, os participantes do grupo observam um rigoroso silêncio durante os períodos eleitorais (além disso, a laicidade é um princípio fundamental da vida pública francesa.) Sua principal preocupação é a manutenção da paz na cidade, deixando de bom grado que outros grupos se ocupem do diálogo teológico.

O grupo preparatório internacional da Semana, formado por protestantes, ortodoxos e católicos – ao lado de dois membros do grupo coreano que trabalharam no primeiro projeto (acompanhados de dois conselheiros) – se reuniu do dia 24 ao dia 29 de setembro de 2007, no Centre Notre-Dame du Roucas administrado pela Comunidade Caminho Novo, um acolhedor movimento católico de vocação ecumênica. Esta casa ensolarada, com vista para o mar, está situada nas proximidades da Basílica Notre Dame de La Garde. A adaptação do texto focou primeiramente a versão em coreano, seguida da tradução para o inglês, devidamente revisada em vista se sua posterior circulação internacional. O trabalho ocorreu em atmosfera alegre e confiante, fruto do respeito mútuo entre todos os membros do grupo. Concluída a tarefa, os representantes do Pontifício Conselho para Unidade dos Cristãos agradeceram calorosamente a Tom Best e Carolyn McComish – cuja aposentadoria se aproxima, depois de longos anos de colaboração no seio do grupo preparatório internacional.

Durante a semana de trabalhos, o grupo foi recebido pelo movimento Marselha Esperança (ME), cujos membros expuseram seu programa de atividades e promoveram visitas aos lugares particularmente significativos para ME, como a igreja da Abadia de São Vitor e a mesquita muçulmana na cidade. Nós agradecemos a Marselha Esperança pela acolhida e hospitalidade, pelas informações sobre suas atividades e pelo sincero interesse manifestado pelo serviço do grupo preparatório internacional. Todos nós, do mencionado grupo, rezamos para que o projeto de Marselha Esperança continue não apenas garantindo a paz na cidade, mas coroando a vida dos habitantes de Marselha com a rica tolerância religiosa partilhada entre todos.

Celebração ecumênica

Serão um, em tuas mãos (cf. Ezequiel 37,17)

Apresentação

Em Ezequiel 37, 15-19; 22-24s nós descobrimos o ardente desejo da unidade que Deus expressa pelas tribos divididas de Israel. O gesto profético inspirado a Ezequiel, de aproximar dois pedaços de madeira, é a imagem da reunificação dos reinos israelitas do Norte e do Sul: “Aproxima estes pedaços um contra o outro para formarem um só; estarão unidos em tua mão” (Ez 37, 17).

Deus está contando com a ação do profeta para realizar esta obra de desenvolvimento na unidade. Ezequiel recebe a missão de anunciar a Israel que esta restauração é iniciativa e obra de Deus. Aproximar as tribos umas das outras e “as manter unidas em sua mão” – tal é vontade de Deus.

Ezequiel deve também chamar o povo à conversão, para preparar os caminhos deste futuro novo de reconciliação. Este futuro melhor de unidade e de paz para Israel passa, na verdade, por uma conversão sincera de sua parte. É função dos profetas proclamar urgentemente o nome do Senhor. Quem deseja a unidade conforme a Aliança deve se empenhar, renunciando aos ídolos e deixando-se purificar por Deus: “Eu os livrarei de todas as iniqüidades de que eles se sentiam culpados, eu os purificarei. Eles serão meu povo e eu serei seu Deus”. O desenvolvimento da esperança passa pela renovação da fidelidade para com Deus.

No tempo de Ezequiel, Israel aspirava à unidade nacional. Nós cristãos, enviados a todas as nações, cremos e confiamos na plena comunhão em Cristo – pela qual oramos. Esta celebração, elaborada a partir de Ezequiel (Ez 37), nos chama a interpretar sob a luz de Cristo, o apelo do profeta à unidade do povo de Deus.

Roteiro (*)

Abertura– A celebração começa ao som do gongo, cujo soar evoca a nossa comunhão de oração com os cristãos da Coréia.

Ato Penitencial– No espírito de Ezequiel, que chamando seu povo à conversão, o ato penitencial nos reenvia ao fiel serviço de Deus e à busca da unidade cristã, trilhando o caminho das conversões pessoais e eclesiais necessárias para chegarmos à plena comunhão.

Liturgia da Palavra– A liturgia da Palavra começa fortalecendo nossa fé na iniciativa do Pai, que deseja a unidade dos seus pequeninos (Ez 37, 15-19; 22-24s). A epístola aos Romanos 8, 18-25 nos assegura que, com toda a Criação, nós estamos na mão de Deus e que o Espírito Santo intercede e opera em nosso favor. O Evangelho de Jo 17, 8-11 atesta que o dom de nossa comunhão nos é adquirido em Jesus Cristo, por sua morte e ressurreição.

Intercessões– Pelas intercessões nós nos unimos à oração de Jesus para nossa unidade, à sua esperança de nossa unidade perfeita, à sua impaciência de nos ver atuar para o desenvolvimento do mundo na unidade do amor, na justiça e na paz.

Conclusão– Terminando a celebração, nós proclamamos que nada pode nos separar do amor de Cristo (Rm 8,38) porque Deus, nosso Pai, n’Ele fez novas todas as coisas. Ele nos envia como testemunhos desta nova criação. É um encorajamento para todos os cristãos que participam, também através do seu compromisso ecumênico, nesta ordem nova da comunhão em Cristo ressuscitado.

(*) Material: gongo, Bíblia, uma dezena ou mais de bastões de madeira, que serão juntados no gesto simbólico.

Celebração

O: Oficiante
L: Leitores (as)
T: Todos

Abertura

Toca-se o gongo por três vezes, solenemente, indicando aos participantes o começo da celebração.

Saudação

O : Que a graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor nosso Jesus Cristo, pelo Espírito Santo, estejam sempre convosco.

T: Convosco também!

Canto de abertura: Salmo 146 [145]
(Ou outro cântico apropriado)

Ingressa a procissão dos oficiantes, das pessoas trazendo a Bíblia e outras com bastões, para juntar como símbolo de unidade inspirado do texto de Ezequiel. As pessoas com os bastões ficam em frente à cruz, ou posicionadas dentro do espaço celebrativo.

Silêncio

O : Aproximai-vos de Deus! Aproximemo-nos de Deus, cheio de misericórdia para conosco: nele confiamos e a ele buscamos.

Este convite pode ser pronunciado em coreano, para acentuar que são os cristãos deste País que nos ajudam este ano a rezar pela unidade cristã: “Kadja Himang-ê djunim-kkê”.

Rito Penitencial

O: A oração deste ano nos é proposta pelos cristãos da Coréia, um povo separado em dois países. Ouçamos a profecia de Ezequiel, que nos narra a visão de dois pedaços de madeira, que Deus uniu. Cristãos de comunidades divididas, nós nos reunimos aqui para pedir perdão pelo escândalo da nossa desunião e por nossa incapacidade de ser embaixadores da reconciliação no mundo. Quais caminhos de conversão pessoal e eclesial devemos percorrer, para chegar à plena comunhão em Cristo?

Silêncio

(Durante o silêncio, as pessoas que seguram os bastões e outras, que estejam sentadas nas primeiras fileiras da assembléia ou junto dos oficiantes, se espalham entre os demais representando as nossas divisões e pecados contra a unidade de Cristo).

O : Das profundezas, Senhor, a ti eu clamo: Ouve, Senhor, o meu apelo!
T : Senhor, clamamos a ti, mas muitas vezes não clamamos juntos, a uma só voz!
O : Que teu ouvido esteja atento ao clamor da minha prece!
T : Pois pedimos unidade, mas nem sempre estamos dispostos a nos reconciliar.
O : Que teu ouvido esteja atento ao clamor da minha prece!
T : Pois pedimos unidade, mas nem sempre estamos dispostos a nos reconciliar.
O : Se consideras nossas faltas, Senhor, que poderá subsistir?
T: Quem poderá subsistir? Nós nos apresentamos a ti, pequenos e incapazes de assumir nossa responsabilidade pelos sofrimentos e divisões do mundo...
O: Mam em ti se encontra o perdão: todos temem e esperam!
T: Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison (cantado).
O : Eu espero o Senhor com toda a minha alma; espero em sua palavra.
T : Meu coração espera no Senhor, mais do que o vigia aguardando pela aurora.
O : Ezequiel pronuncia esta palavra do Senhor: “Eu os libertarei todos dos seus pecados, eu os purificarei. Então eles serão meu povo e eu serei seu Deus. Eles serão um em minha mão” – pois tu, Senhor, és nossa única esperança.
T : Senhor, faz-nos instrumentos de tua reconciliação.

Celebração da Palavra

Primeira leitura: Ezequiel 37,15-19; 22-24s.
Hino: “Let us be one” (Coréia).
Segunda leitura: Romanos 8, 18-25.

Aleluia em aclamação do Evangelho

Evangelho: João 17, 8-11.

Pregação

Silêncio

Intercessões

O : Com fé, rezamos a Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
T : Ouve, Senhor, a nossa prece.
L1: Pedimos por nossas comunidades cristãs locais, nossas Igrejas e nossos grupos ecumênicos, por aqueles que estão presentes e aqueles que estão ausentes na nossa assembléia, hoje. (pausa): Perdoa-nos, Senhor, quando somos indiferentes com os outros e cura as feridas e as divisões que ainda nos separam.
L2: Pedimos para que reconheçamos mutuamente a dignidade do nosso Batismo, pelo qual estamos unidos no Corpo de Cristo. (pausa) Sustenta, Senhor, a cada um de nós e nossas comunidades, para trilharmos o caminho da unidade que tu desejas para os teus discípulos.
T: Ouve, Senhor, a nossa prece.
L1: Pedimos por nossos dirigentes espirituais e pelos responsáveis das Igrejas. (pausa): Que o Espírito Paráclito lhes dê a graça de trabalhar juntos, com harmonia, alegria e amor.
L2: Pedimos por todas as autoridades civis. (pausa): Concede-lhes, Senhor, trabalhar pela justiça e a paz. Concede-lhes sabedoria para atender às necessidades de todos, principalmente dos mais necessitados.
T : Ouve, Senhor, a nossa prece.
L1: Pedimos pelas nações e comunidades que sofrem divisões e conflitos internos. (pausa): Nós te recomendamos particularmente, Senhor, o povo do Norte e do Sul da Coréia: que busquem a unidade, apesar das divisões e da separação política que eles vivem. Que sejam um sinal de esperança a todos os que buscam a reconciliação, num mundo tão dividido.
T : Ouve, Senhor, a nossa prece.
L2 : Pedimos e agradecemos por todos aqueles que, sustentados por tua graça, desempenham seu ministério em nossas comunidades, pelos quais reconhecemos o teu perdão, a tua misericórdia e o teu amor. (pausa): Que seus dons e sua generosidade inspirem nosso propósito de doação e serviço fraterno aos irmãos.
T : Ouve, Senhor, a nossa prece.
L1: Pedimos por aqueles que ecoam a voz do Evangelho nos grandes desafios éticos de nosso tempo. (pausa): Senhor, ensina-nos a cumprir nossa missão, para limitar os efeitos nocivos da globalização e preservar o meio-ambiente, superando tantos sofrimentos que atingem o ser humano e põem em risco a tua Criação.
T: Ouve, Senhor, a nossa prece.
L2: Pedimos por todas as Igrejas Cristãs. (pausa): Ajuda-nos, Senhor, na intenção e na ação em prol da unidade; para que, um dia, nossas Igrejas possam sentar-se à mesma Mesa e participar juntas da Santa Comunhão.
T : Ouve, Senhor, a nossa prece.

Pai Nosso

O: Cada um no seu próprio idioma e conforme aprendemos do Salvador, ousamos dizer:
T : Pai nosso...
O: Expressando o nosso compromisso de promover a reconciliação, partilhemos uns aos outros um sinal de paz!

O sinal da paz é acompanhado pelo canto “Come Now, o God of Peace [O-So-So]”, ou outro apropriado.

Gesto simbólico

Os que portam bastões de madeira podem juntá-los, dois a dois, em sinal da nossa reconciliação por iniciativa e obra de Deus, que nos uniu em sua mão. Este gesto é feito enquanto todos proclamam a Profissão de Fé (cf. abaixo). Na junção dos bastões, ligados de dois em dois, pode-se mostrar o signo na cruz. Onde for conveniente, o Batistério será o lugar mais significativo para realizar este gesto simbólico, recordando o Batismo que já nos tem “unidos na mão de Deus”.

Símbolo niceno-constantinopolitano

L: Juntos, professamos nossa fé com o credo apostólico:
T : “Creio em Deus...”

Orações finais e envio

L: (De preferência um jovem): “Sim, tenho a certeza: nem a morte nem a vida, nem os anjos nem as dominações, nem o presente nem o futuro, nem as potências, nem as forças das alturas, nem as das profundezas, nem outra criatura alguma, nada poderá separar-nos do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rom8,8).

O: Neste momento, deixamos este lugar de oração e voltamos às circunstâncias cotidianas da nossa vida. Sintamo-nos enviados e confortados na nossa fé e na nossa esperança. Pois Deus nosso Pai, pela redenção consumada em seu Filho Jesus, fez novas todas as coisas! Ele nos envia como testemunhas do seu amor e representantes da nova criação. Que Deus, que conhece nossas alegrias, sofrimentos e esperanças, nos guie hoje e sempre. Nele somos encorajados a viver na fé e conduzir uma vida digna e santa, conforme o Evangelho.

T: Permanece conosco, Senhor!

Hino

Se possível, se entoe um canto referido à reconciliação que Deus cumpriu na cruz e ressurreição de Cristo. Durante o canto, os portadores dos bastões os retomam e os dão os membros da assembléia, representando as diversas comunidades cristãs, que os recebem como vínculo de comunhão.

Benção final

O: Cristãos desta assembléia, irmãos e irmãs na fé e todos quantos desejamos ser um sinal de reconciliação pelo poder da cruz:

Que o Senhor vos abençoe e vos guarde.
Que o Senhor faça resplandecer sua face sobre vós, e vos seja favorável.
Que o Senhor volte para vós a sua face e vos dê a paz.

T: Amém.

Textos bíblicos, meditações e orações
para os “oito dias”

Eles estarão unidos em tua mão

1º dia As comunidades cristãs diante de suas velhas e novas divisões
Ez 37, 15-19.22-24s Serão um, em tua mão
Sl 103, 8-13 ou 18 O Senhor é misericordioso e benevolente; cheio de fidelidade
1Co 3, 3-7.21-23 Há entre vós ciúme e contendas; vós sois de Cristo
Jo 17, 17-21 Que todos sejam um, para que o mundo creia

 

Comentário

Os cristãos são chamados a ser instrumentos do amor fiel e reconciliador de Deus, num mundo marcado por separações e alienações. Batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, professando nossa fé no Cristo crucificado e ressuscitado, nós somos um povo que pertence a Cristo, um povo chamado constituir seu Corpo no e para o mundo. Foi isto que o Senhor pediu, quando orou por seus discípulos: “que eles sejam um, a fim de que o mundo creia”.

As divisões entre os cristãos, no que toca às questões fundamentais da fé e da vida dos discípulos de Cristo, prejudicam gravemente nossa capacidade de testemunho diante do mundo. Na Coréia, como em muitos outros países, o Evangelho do Cristo foi anunciado por vozes contraditórias que proclamavam a Boa Nova com formas discordantes. Há quem se sinta tentado a simplesmente resignar-se, considerando tais divisões e os conflitos que lhes são subjacentes como mera e natural herança nossa história. Contudo, trata-se de uma ferida ao interno da comunidade cristã, que contradiz claramente o anúncio de que Deus reconciliou o mundo em Cristo.

Em Ezequiel, a visão dos dois pedaços de madeira sobre os quais estão escritos os nomes dos reinos divididos, no antigo Israel, que tornariam a ser “um” na mão de Deus, é uma imagem eloqüente da reconciliação eficaz que Deus cumpriu para o povo, suprimindo suas divisões – unidade que o povo não pode restaurar por si mesmo.Esta metáfora evoca adequadamente a divisão dos cristãos e prefigura a reconciliação que está no coração da proclamação cristã. Sobre os dois pedaços de madeira que formam sua cruz, o Senhor da história cura as feridas e as divisões da humanidade. No dom total de Si sobre a cruz, Jesus uniu o pecado do homem ao amor fiel e redentor de Deus. Ser cristãos significa ser batizados nesta morte pela qual o Senhor, na sua infinita misericórdia, grava os nomes da humanidade ferida no madeiro de sua cruz, nos unindo a ele e restabelecendo, assim, nossa relação com Deus e com o próximo.

A unidade cristã é uma comunhão que se baseia na nossa subscrição à Cristo e a Deus. Convertendo-nos sempre mais a Cristo, nós nos percebemos reconciliados pela potência do Espírito Santo. Rezar pela unidade cristã é reconhecer nossa confiança em Deus; é nos abrir inteiramente ao Espírito. Unida aos demais esforços que empreendemos em prol da unidade dos cristãos – como o diálogo, o testemunho comum e a missão – a oração é um instrumento privilegiado pelo qual o Espírito Santo manifesta ao mundo nossa reconciliação em Cristo, este mundo que ele veio salvar.

Oração

Deus de compaixão, tu nos amaste e perdoaste em Cristo. Tu reconciliaste toda a humanidade em teu amor redentor. Olha com bondade todos aqueles que trabalham e rezam pela unidade das Comunidades cristãs, ainda divididas. Dá-lhes serem irmãos e irmãs em teu amor. Possamos nós ser um, “um em tua mão”. Amém.

Eles estarão unidos em tua mão

2º dia Os cristãos diante da guerra e da violência
Is 2, 1-4 Não se aprenderá mais a guerra
Sl 74, 18-23 Não esqueças para sempre a vida dos teus pobres
1Pd 2, 21-25 Suas chagas vos curaram
Mt 5, 38-48 Orai pelos que vos perseguem

 

Comentário

A guerra e a violência erguem os maiores obstáculos à unidade que Deus concede aos cristãos. A guerra e a violência procedem, em última análise, da divisão que existe no interior de nós mesmos – que ainda não foi curada – e da arrogância humana que é incapaz de voltar ao fundamento verdadeiro da nossa existência.

Os cristãos na Coréia desejam pôr um fim a mais de cinqüenta anos de separação entre a Coréia do Sul e a Coréia do Norte, para estabelecer a paz no mundo. A instabilidade que reina na península coreana, não representa apenas a dor da única nação do mundo ainda dividida institucionalmente, mas simboliza os mecanismos de divisão, de paradoxo, de hostilidade e de vingança que afetam toda a humanidade. Quem colocará fim neste ciclo de guerra e violência?

Nas situações de violência e de injustiça mais brutais, Jesus nos mostra a força capaz de pôr fim ao ciclo vicioso da guerra e da violência: aos discípulos que pretendiam reagiram à violência e ao furor conforme a lógica do mundo, ele instrui de modo paradoxal a renúncia de toda violência (Mateus 26,51-52).

Jesus revela a verdade da violência humana; fiel ao Pai, ele morreu na cruz para nos salvar do pecado e da morte. A cruz revela o paradoxo e o conflito inerente à natureza humana. A morte violenta de Jesus marca a instauração de uma nova criação, carregando sobre a cruz os pecados dos humanos, a violência e a guerra.

Jesus Cristo não propõe uma não-violência baseada apenas sobre o humanismo. Ele propõe a restauração da Criação de Deus e por Deus, confirmando nossa esperança e nossa fé na manifestação vindoura dos novos céus e da nova terra. A esperança fundada sobre a vitória definitiva de Jesus Cristo sobre a cruz nos permite perseverar na busca da unidade dos cristãos e na luta contra toda forma de guerra e violência.

Oração

Senhor, tu que te entregaste na cruz pela unidade do gênero humano, nós te oferecemos nossa humanidade ferida pelo egoísmo, arrogância, vaidade e ira.
Senhor, não abandones teu povo oprimido a sofrer toda forma de violência, de ira e de ódio, vítima de falsas crenças e de divergências ideológicas.
Senhor, concede que nós, cristãos, trabalhemos juntos para que se cumpra a tua justiça, antes que a nossa.
Dá-nos coragem de ajudar os outros a levar sua cruz, ao invés de colocar a nossa sobre seus ombros.
Senhor, ensina-nos a sabedoria de tratar nossos inimigos com amor ao invés de odiá-los. Amém.

Eles estarão unidos em tua mão

3º dia Os cristãos diante da injustiça econômica e da pobreza
Lv 25, 8-14 O jubileu como libertação.
Sl 146 (145) O Senhor faz justiça aos oprimidos.
1Tm 6, 9-10 O amor ao dinheiro, raiz de todos os males.
Lc 4, 16-21 Jesus e o jubileu como libertação.

 

Comentário

Nós pedimos que o Reino de Deus venha; somos desejosos de um mundo em que as pessoas, principalmente os mais pobres, não morram prematuramente. Todavia, a ordem econômica do mundo atual agrava a situação dos pobres e acentua as desigualdades sociais.

A comunidade mundial, hoje, se confronte com a precarização crescente do trabalho humano e suas conseqüências. A idolatria do mercado e o amor ao dinheiro, conforme a 1ª Carta a Timóteo, se mostra logo como “a raiz de todos os males”.

O que as Igrejas Cristãs podem e devem fazer neste contexto? Voltemo-nos juntos para o tema bíblico do jubileu, que Jesus evoca para explicar seu ministério.

Conforme o que é proposto em Levítico 25, no Jubileu se anunciava: os emigrados econômicos poderiam retornar para sua propriedade ao lado de sua família; se alguém tinha perdido todos os seus bens, ele podia também viver com o povo como residente estrangeiro; não se podia emprestar dinheiro com o interesse de cobrar juros no seu compenso; não se oferecia alimento para se tirar proveito.

O Jubileu implicava uma ética comunitária: a libertação dos escravos e seu retorno para suas casas, a restauração dos direitos territoriais, o perdão das dívidas. Para quem foi vítima das estruturas sociais injustas, o Jubileu significava o restabelecimento do direito e a restituição dos seus meios de existência.

O ponto-de-chegada de um mundo que considera “ter mais dinheiro” o valor e o alvo absoluto da vida só poderá ser a morte. Quanto à Igreja, ao contrário, nós somos chamados a viver no espírito do Jubileu e, a exemplo de Cristo, anunciar juntos esta boa nova. Tendo experimentado a cura de sua própria divisão, os cristãos se tornariam mais sensíveis às outras divisões, promovendo a cura da humanidade e toda a criação.

Oração

Deus de Justiça, em nosso mundo há lugares em que transborda comida; mas outros em que não se tem o bastante, com uma legião de doentes e famintos.

Deus da Paz, em nosso mundo há pessoas que tiram proveito da violência e da guerra, enquanto outros, por causa da guerra e da violência, são obrigados a abandonar seus lares e encontrar refúgio em terra estranha.

Deus de Compaixão dá-nos compreender que não podemos viver apenas do dinheiro, mas que somos necessitados da tua Palavra. Ajuda-nos a compreender que não podemos chegar à vida e à prosperidade verdadeira senão amando a Ti, na obediência à tua vontade e aos teus ensinamentos.

Nós te pedimos em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

Eles estarão unidos em tua mão

4º dia Os cristãos diante da crise ecológica
Gn 1, 31-2,3 Deus viu tudo o que havia feito; e eis que era muito bom
Sl 148, 1-5 Pois ele ordenou, e foram criados
Rm 8, 18-23 A criação libertada do poder do nada
Mt 13, 31-32 A menor de todas as sementes

 

Comentário

Deus criou nosso mundo com sabedoria e amor; quando ele terminou a obra da criação, viu que tudo era bom. Mas hoje, o mundo enfrenta uma grave crise ecológica. Nossa Terra sofre com o aquecimento climático, devido ao nosso consumo excessivo de energia. A superfície das florestas sobre o Planeta diminuiu 50% nos últimos quarenta anos, enquanto que cresce sempre mais a desertificação. Os coreanos, que gostam muito de peixe se preocupam: são três quartos dos habitantes do mar que desaparecem por dia. A cada dia, são mais de cem espécies vivas que se extinguem! Esta perda de biodiversidade é uma ameaça para a própria humanidade. Com o apóstolo Paulo, nós podemos afirmar: a criação foi libertada do poder do nada; ela geme, como nas dores do parto.

Não encobrimos o rosto! Nós humanos carregamos uma grande responsabilidade nesta destruição do meio-ambiente. A ganância atrai a sombra da morte sobre o conjunto da criação.

Juntos, nós cristãos devemos nos envolver eficazmente na salvaguarda da criação. Esta imensa tarefa não permite que nós, batizados, trabalhemos sozinhos. Precisamos conjugar nossos esforços: atuando juntos, nos será possível proteger a obra do Criador.

No Evangelho, observamos o lugar central que os elementos da natureza ocupam nas parábolas e no ensino de Jesus. Ele valoriza até mesmo a menor de todas as sementes: o grãozinho de mostarda. Cristo manifesta grande consideração pelas criaturas. Com base na visão bíblica da Criação, nós cristãos podemos oferecer uma contribuição conjunta à reflexão e ação hodiernas pelo futuro do planeta.

Oração

Deus Criador, formaste o mundo pela da tua Palavra e viste que tudo era bom. Mas hoje nós cumprimos obras de morte e provocamos irremediavelmente a depredação do meio-ambiente. Dá-nos o arrependimento de nossas ganâncias; ensina-nos a cuidar das tuas criaturas. Juntos, nós queremos proteger a criação. Amém.

Eles estarão unidos em tua mão

5º dia Os cristãos diante das discriminações e dos preconceitos sociais
Is 58, 6-12 Não te esquives daquele que é tua própria carne
Sl 133 Que prazer encontrar-se entre irmãos
Gl 3, 26-29 Todos vós sois um só em Cristo
Lc 18, 9-14 A estes, convencidos de serem justos

 

Comentário

No início do mundo, os seres humanos criados à imagem de Deus constituíam uma só humanidade “unidos em tua mão”.

No entanto, o pecado interferiu no coração do homem... Desde então, não cessamos de construir categorias discriminatórias. Neste mundo, muitas escolhas são feitas com base na raça ou etnia; há casos em que a identidade sexual ou o simples fato de ser homem ou mulher alimenta os preconceitos; em outros lugares, ainda, o obstáculo é a religião, usada como feitora de exclusão. Todas estas discriminações são desumanas. Elas são fontes de conflito e de grande sofrimento.

No seu ministério terrestre, Jesus mostrou-se particularmente sensível à humanidade comum, a todos os homens e mulheres. Ele denunciou sem cessar as discriminações de toda espécie e as vantagens que alguns podiam tirar disso. Jesus mostra que nem sempre os “justos” são aqueles que parecem sê-lo, e alerta que o desprezo não tem lugar no coração dos verdadeiros crentes.

Como os benefícios do óleo precioso ou do orvalho do Hermon, o Salmo 133 canta a felicidade da vida fraternalmente partilhada. Quão prazeroso e alegre é viver juntos como irmãos e irmãs: é esta a graça que saboreamos no fundo do coração em nossos encontros ecumênicos, quando renunciamos às discriminações confessionais.

Restaurar a unidade da família humana é missão comum de todos os cristãos. Importa agirmos unidos contra toda sorte de discriminação. Esta é a esperança que partilhamos: não há judeu, nem grego; nem escravo, nem livre; nem homem, nem mulher, pois todos somos “um” em Cristo Jesus.

Oração

Senhor, faz-nos perceber as discriminações e exclusões que marcam nossa sociedade. Conduze nosso olhar e ajuda-nos a reconhecer os preconceitos que habitam em nós. Ensina-nos a expulsar todo desprezo de nosso coração, para apreciarmos a alegria de viver jutos em unidade. Amém.

 

Eles estarão unidos em tua mão

6º dia Os cristãos diante da doença e do sofrimento
2 Rs 20, 1-6 Ah, Senhor, digna-te lembrares de mim
Sl 22 (21), 1-11 Por que me abandonaste?
Tg 5, 13-15 A oração com fé salvará o enfermo
Mc 10, 46-52 Que queres que eu te faça?

 

Comentário

Quantas vezes Jesus encontrou os doentes e quis curá-los! Todas as nossas Igrejas, ainda que divididas, têm uma clara consciência da compaixão do Senhor pelos que sofrem. No que toca às doenças, os cristãos sempre procuraram seguir o exemplo do Mestre, cuidando dos enfermos, construindo hospitais e dispensários, organizando “mutirões de saúde”, não se preocupando apenas com “a alma”, mas também dos corpos dos pequeninos de Deus.

Contudo, isto nem sempre é tão evidente. As pessoas saudáveis tendem a considerar a saúde como uma conquista sua, e esquecem aqueles que não podem participar plenamente da comunidade por causa da sua enfermidade ou limitação. Quanto aos enfermos, muitos deles se sentem esquecidos por Deus; distantes de sua presença, de sua graça e de sua força salvadora.

A profunda fé de Ezequias o sustenta na doença. Nos momentos de dor, ele encontra os termos certos para recordar a Deus sua promessa misericordiosa. Sim, aqueles que sofrem às vezes tomam da Bíblia as palavras inspiradoras para clamar por suas dores e confrontar o desígnio de Deus: “Por que me abandonaste?” Se nossa relação com Deus é sincera, profunda, e se diz com palavras de fé e reconhecimento, ela poderá também expressar na oração a nossa aflição, nossa dor e até mesmo nossa ira, quando esta última for necessária.

Os doentes não são apenas objeto de cuidados. Ao contrário, são sujeitos de viva experiência de fé, como descobriram os discípulos de Jesus certa vez – no relato que lemos no Evangelho de Marcos. Aconteceu que os discípulos queriam fazer seu próprio caminho ao seguir Jesus, ignorando o homem doente marginalizado pela multidão. Quando Jesus os interpela, ele os desvia de seus objetivos individualistas. Conosco pode acontecer algo parecido: estamos dispostos a cuidar dos doentes, desde que eles não reclamem e nos perturbem. Hoje, freqüentemente, são os doentes dos países pobres que gritam para nós pedindo medicamentos; isto que nos leva a refletir sobre a concessão de patentes e do lucro. Os discípulos que antes queriam impedir o cego de se aproximar de Jesus são interpelados pelo mesmo Jesus a levar a ele sua mensagem de cura; uma mensagem de amor que soa completamente nova: “Coragem! Levanta-te, ele te chama”.

Somente quando os discípulos conduzem o doente até Jesus é que eles finalmente entendem o que quer o Senhor: dedicar o tempo para encontrar-se com o doente, para lhe falar e ouvir, perguntando-lhe o que deseja e do que necessita. Uma comunidade de reconciliação só pode florescer quando os enfermos experimentam a presença de Deus nas suas relações com os irmãos e as irmãs em Cristo.

Oração

Senhor, escuta teu povo quando este grita por ti, aflito pela doença e pela dor. Que aqueles que são saudáveis se façam dom pelo bem-estar dos outros; que eles possam servir os que sofrem com coração generoso e mãos abertas. Senhor, dá-nos viver na tua graça e pela tua providência, tornando-nos uma comunidade de reconciliação onde todos te louvem unidos. Amém.

Eles estarão unidos em tua mão

7º dia Os cristãos e o pluralismo religioso
Is 25, 6-9 No Senhor pusemos nossa esperança
Sl 117 (116),1-2 Nações, louvai todas o Senhor
Rm 2, 12-16 Aqueles que põem em prática a lei, serão justificados
Mc 7, 24-30 Por causa desta palavra, vai: o demônio saiu de tua filha

 

Comentário

Quase todo dia, ouvimos falar da violência que, em várias regiões do mundo, opõem fiéis de religiões diferentes. Em compensação, a Coréia se apresenta como um país onde as distintas religiões (Budismo, Confucionismo e Cristianismo) coexistem, na maior parte do tempo, na concórdia e na paz.

Num grande hino de louvor, o profeta Isaías anuncia que Deus enxugará toda lágrima e preparará um rico banquete para todos os povos e nações! Um dia – diz o profeta – todos os povos da Terra glorificarão a Deus e exultarão, visto que ele os terá salvado. O Senhor que nós esperamos é o hóspede do banquete eterno do qual fala Isaías, na sua ação de graça.

Quando Jesus encontra a mulher não israelita que lhe pede para curar sua filha, ele primeiramente responde de maneira surpreendente e se recusa ajudá-la. A mulher insiste no mesmo tom que ele: “Mas os cachorrinhos, sob a mesa, comem as migalhas dos filhos”. Jesus reconhece a sagacidade desta mulher, pois ela compreendeu que a missão de Cristo se dirige ajudeus e aos não-judeus – hoje podemos dizer: a cristãos e não cristãos – e a aconselha a retornar para casa tranqüila, assegurando que sua filha está curada.

As Igrejas têm se empenhado no diálogo com outros cristãos, em benefício da unidade entre os discípulos de Jesus. Ao longo dos últimos anos, o diálogo se estendeu, firmando-se também entre os fiéis de outras religiões, em particular as chamadas “religiões do Livro” (Judaísmo e Islam). Os encontros realizados, além de enriquecedores, contribuíram significativamente para promover maior respeito e boas relações entre uns e outros, ajudando a estabelecer a paz em zonas de conflito. Se nós, cristãos, somos unidos entre nós para testemunhar contra preconceitos e violências, tal testemunho será seguramente eficaz. E, se ouvíssemos atentamente os irmãos das religiões não-cristãs, não aprenderíamos ainda mais sobre a universalidade do amor de Deus e de seu Reino?

O diálogo com os demais cristãos não significa uma perda da nossa respectiva identidade cristã: nós deveríamos, ao contrário, nos alegrar de obedecer à oração de Jesus “para que todos sejam um” como Ele e o Pai são um. A unidade não se fará de um dia para o outro. Trata-se antes de uma peregrinação que nós palmilhamos com os outros fiéis, conduzindo-nos para um destino universal de amor e salvação.

Oração

Senhor Deus, nós te agradecemos pela sabedoria que nos transmitem tuas Escrituras. Dá-nos a coragem de abrir nosso coração e nosso espírito ao próximo. Seja ele um fiel de outra Confissão cristã, seja ele um seguidor de outra religião. Ensina-nos a superar as barreiras da indiferença, dos preconceitos e do ódio. Revigora nossa visão dos últimos dias, quando todos os cristãos se dirigirão unidos para o banquete final, quando toda lágrima e desacordo serão vencidos pelo amor. Amém.

Eles estarão unidos em tua mão

8º dia Num mundo dividido, os cristãos proclamam a esperança
Ez 37, 1-14 Abrirei os vossos túmulos
Sl 104, 24-34 Tu renovas a face da terra
Ap 21, 1-5s Eis que faço nova todas as coisas
Mt 5, 1-12 Felizes aqueles que...

Comentário

“Farei vir sobre vós um sopro para que vivais”. A fé bíblica se baseia na esperança fundamental de que a última palavra da História pertence a Deus; este sua última palavra não será um juízo condenatório, mas uma palavra vivificante que estabelece a “nova criação”. Como vimos nas meditações anteriores, os cristãos vivem num mundo marcado por diferentes tipos de divisão e de separação. Apesar disso, a Igreja Cristã conserva sua esperança, ancorada não no que o ser humano pode fazer, mas na potência e no desejo fiel de Deus de transformar a divisão e o esfacelamento em unidade, o ódio mortal em amor gerador de vida. Os coreanos, no seu contexto, devem suportar ainda as trágicas conseqüências da divisão de seu país; mas mesmo nesta situação, a esperança cristã continua muito forte.

A esperança cristã tem o êxito de sobreviver mesmo entre grandes sofrimentos, pois brota do amor fiel de Deus que nos foi revelado na cruz do Senhor. A esperança ressuscita do túmulo com Jesus: assim a morte e as potências da morte são vencidas. A esperança se espalha no dia de Pentecostes pelo envio do Espírito Santo que renova a face da terra. O Cristo ressuscitado é o começo de uma vida nova e autêntica. Sua ressurreição anuncia o fim da antiga ordem e lança as sementes de “nova criação” que será eterna, na qual todos serão reconciliados n’Ele e Deus será tudo em todos.

“Eis que faço novas todas as coisas”. A esperança cristã começa com a renovação da criação, que leva a cumprimento o projeto original de Deus Criador. Em Apocalipse 21, Deus não diz “eu faço novas as coisas”, mas “eu faço novas todas as coisas”. A esperança cristã não significa o aguardar passiva e longamente o fim do mundo, mas o desejo desta renovação que já vem se realizando desde o dia da Ressurreição e do Pentecostes. Não se trata de aguardar uma conclusão apocalíptica da História, provocando o desabamento do mundo, mas a esperança de uma transformação fundamental e radical do mundo que nós conhecemos. O novo começo instaurado por Deus coloca fim ao pecado, às divisões e à finitude do mundo, e transforma a criação de modo que possa participar da glória eterna de Deus.

Quando os cristãos se reúnem para rezar pela unidade, é esta esperança que os motiva e os apóia. A oração pela unidade tem uma força específica: esta que salta da renovação da criação gerada por Deus; sua sabedoria é a do Espírito Santo que efunde a vida nova sobre os ossos ressequidos e os devolve à existência; sua autenticidade, é nossa disponibilidade a nos abrir totalmente à vontade de Deus, deixando-nos transformar em instrumentos da unidade que Jesus quis para seus discípulos.

Oração

Deus misericordioso, tu estás sempre perto de nós, no meio de nossos sofrimentos e de tribulações. Tu estarás até o fim dos tempos conosco. Ajuda-nos a ser um povo repleto de esperança; um povo que vive as Bem-aventuranças se coloca a serviço da unidade que tu desejas. Amém.

Orações suplementares e hinos da Coréia

Woo-Ri-Gi-Do (“Escuta nossa oração”: canto coreano)

Senhor, escuta nossa oração.
Tu sabes do que temos necessidade
E sempre nos escutas.
Dá –nos tua paz!

Oração pela paz e reunificação da Península coreana

Temos esperança numa reunificação sólida e harmoniosa.
Esperamos que ela coloque fim ao passado de desespero e sofrimentos.
Que ela possa trazer unidade à nossa nação e ser um sinal de esperança para o mundo inteiro.
(...)
Senhor:
Por tua graça nós ousamos, mais uma vez, sonhar uma grande visão:
Sonhamos com o que fizeste na cruz, nos antigos tempos!
O sonho imenso de todos os homens, de toda a história, que vivem e residem em Ti.
Este teu sonho é também o nosso sonho.

Oração de Páscoa das Igrejas da Coréia do Sul e do Norte (Abril de 2007)

Ó Senhor:
Tu venceste a morte e ressuscitaste (cf. Jo 16, 33).
Louvamos a ti, Senhor ressuscitado,
Que venceste a cruz
Deixando para trás o túmulo vazio:
Ressuscitado, todo vestido de branco.

Senhor ressuscitado:
Cujas lágrimas fizeram desabrochar no Getsêmani as flores da primavera,
Cujo sofrimento no Gólgota fez saltar a luz após a obscuridade,
Tu que, livre do túmulo, transformas a aflição em harmonia.
És fonte da eterna esperança para toda a humanidade.

Nós que estamos fatigados pela obscuridade da divisão;
Nós que, levando a cruz, vagueamos sobre esta terra como numa aldeia abandonada,
Nós que andamos no caminho estreito, com espinhos, até a próxima aurora;
Aqui, hoje, nos vales que sulcam o nosso país,
As igrejas do Norte e do Sul se reúnem em uma só Igreja;
Os cristãos do sul e do norte unem seus corações repletos de alegria
E cantam o louvor de Deus nesta nova manhã de Páscoa.

Senhor Deus,
Para que nos tornemos testemunhas vivas da tua ressurreição,
Faze que nossas mãos transpassadas pelos cravos do ódio, ensangüentadas pelas flechas de condenação,
Tornem-se mãos que curam feridas, mãos estendidas para reconciliar.

Sobre os caminhos de sofrimento,
Ajuda-nos a reencontrar a nossa voz para consolar e recuperar o caminho da paz.
Enfim, ajuda-nos a compreender que nós somos capazes de transformar o passado mortífero que conhecemos.

Então,
Como a cruz e a ressurreição se fazem uma só verdade,
Como o rio Daedong ao norte, e o Han ao Sul, se encontram no mesmo mar,
Do monte Halla no Sul, ao monte Baekduno norte,
De Kaesong à oeste, ao monteKeumgang à leste,
Possa nossa incompleta liberação tornar-se uma reunificação perfeita.

Enfim,
Que a saudação do nosso Senhor no dia de Páscoa: “A seja convosco” (Jo 20, 19), ultrapasse as fronteiras do nosso país, atinja a Ásia e o mundo inteiro.
E unam-nos todos na paz; os gritos de alegria, os risos e os abraços fraternos.
Que os dias de incerteza que causamos à aldeia global
tornem-se, agora, o Terceiro Dia de esperança.

Nós te rogamos pelo nome de Cristo ressuscitado que conduz nosso país pela unidade, afim que ele se faça “nova criação”.

(Oração composta pelo Conselho Nacional de Igrejas da Coréia e pela
Federação Cristã Coreana)

A Cruz

Yun Dongju
(Poeta e mártir da independência da Coréia sob o regime colonial japonês.
Foi morto em 1945)

Os raios do sol,
Estavam atrás de mim
Há ainda alguns minutos.
Iluminam agora a cruz
À cimeira da igreja.

Eu me questiono como puderam
Atingir uma cimeira tão elevada.
Eu fazia nervosamente os cem passos
Murmurando,
Nenhum sino de Igreja tocava.

Se por acaso uma cruz era-me dada,
Como aquela sobre o qual agoniza o homem,
O Cristo da Felicidade,
Eu deixarei vazar em silêncio
Meu sangue que se desabrocha como uma flor,
E vazar-me-ia no pescoço
Sob o céu, até o cair da noite.

Sejamos um

Pai santo protege-os pelo poder do teu nome – o nome que tu me deste – para que eles sejam um como nós somos um.
Como tu me enviaste ao mundo, eu os enviarei ao mundo.
É por que eles que eu me consagrei,
afim de que eles sejam também consagrados.

Eu neles e tu em mim. Que eles possam chegar à plena unidade para que o mundo saiba que tu me enviaste e que os amaste como amaste a mim.

(Encontra-se no nosso site na Internet, a versão inglesa dos textos para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2009, com outras referências de oração propostas pelo Grupo Preparatório coreano e seus parceiros ecumênicos. Estas orações estão exclusivamente em língua inglesa. Por falta de espaço e por questões de direitos autorais, não estamos em condições de produzi-las aqui integralmente).

 

A situação ecumênica na Coréia (**)

1. O povo coreano: uma nação unida durante 5000 anos

Para compreender a atual situação ecumênica da Coréia, é necessário conhecer a história muito particular da nação e do povo coreanos.

De um ponto de vista racial, a Coréia – fundada em 2333 a.C por Dankun – foi por durante 5000 anos uma nação homogênea. Embora gravemente ameaçada pela China durante os 2000 primeiros anos de sua existência, a Coréia conservou sua dignidade e permaneceu uma nação livre (Período Choson ). Do 1º século a.C ao 7º século d.C., a Coréia viveu sobre diversas dinastias. De 57 a.C a 935 d. C., as dinastias Kokuryeo (37 a.C- 668 d.C), Paikje (18 a.C- 660 d.C.) e Shilla (57 a.C- 935 d.C) reinaram durante o período geralmente chamado de Três Reinos da Coréia (Samkuk). No norte do país, no século X sucedeu a dinastia Balhae (698-926 d.C). A dinastia Koryo (918-1392). Na seqüência deste período foi fundada no século XIV a dinastia Chosun (1392-1910). Ao longo de todos estes séculos, a Coréia não só residiu uma nação homogênea, mas conheceu igualmente importantes desenvolvimentos culturais.

Em 1897 foi fundada a Coréia Imperial (Daehan Jeguk) que devia marcar o início da era moderna na história coreana. De 1910 a 1945, a Coréia foi ocupada pelas tropas japonesas, mas os coreanos não perderam nunca a esperança e não pararam de lutar para reconquistar sua liberdade. Seus esforços e seu combate conduziram finalmente ao fim da ocupação japonesa em 1945, com o término da Segunda Guerra Mundial. A história reflete efetivamente o destino da Coréia: por sua posição extremamente interessante do ponto de vista geopolítico, sofreu numerosas invasões e ocupações da parte das grandes potências mundiais. A Coréia teve também que enfrentar seus próprios conflitos internos, frutos da oposição de diversas ideologias. Estes numerosos anos de luta ideológica terminaram com a fundação da República popular democrática da Coréia (RPDC) na Coréia do Norte, baseada sobre os ideais comunistas, e da República da Coréia (RC) no Sul da Coréia que escolheu a democracia e a liberdade. O conflito e a confrontação dessas duas ideologias conduziram à dramática Guerra da Coréia (1950-1953) que custou a vida de numerosas pessoas. Em 1953, o armistício foi assassinado e a fronteira entre a Coréia do Norte e a Coréia do Sul, com sua zona desmilitarizada (ZDM), tornou-se o símbolo mais evidente da história trágica da Coréia.

Fala-se de 10 milhões de famílias divididas pela guerra e suas conseqüências. Recentemente, estas famílias tiveram algumas possibilidades de se encontrar; mas a maioria delas não sabe nem mesmo se os seus familiares moram do outro lado da linha dividindo Norte e Sul, ou se estão vivos. Todos os Coreanos sentem a dor destas famílias, pois o orgulho e a própria identidade do país foram profundamente atingidos.

2. Norte e Sul: reconciliação e colaboração

O dia 4 de julho de 1972 é considerado uma data decisiva na história da Península coreana. A Declaração Conjunta assinada neste dia contribuiu para alterar sensivelmente a atmosfera conflituosa e hostil que reinava anteriormente, a reduzir as injustiças recíprocas e a permitir uma troca e esforços concretos a fim de chegar juntos à reunificação do país.

O Conselho Mundial de Igrejas e a Igreja Católica têm demonstrado seu profundo desejo de contribuir para a paz e uma flexibilidade de relações até então tensas. Em 1988, a Assembléia Geral do Conselho Nacional de Igrejas da Coréia (CNI-Coréia) anunciou a publicação da “Declaração das Igrejas da Coréia sobre a reunificação e a paz”; e a Conferência dos Bispos Católicos da Coréia (CBCC) criou uma Comissão para a reconciliação nacional. Seguidamente, várias igrejas (como a Igreja católica de Changchungdang e a Igreja de Chilkok) foram edificadas na Coréia do Norte e o culto é celebrado lá desde então.

É neste contexto que o Prêmio Nobel da Paz Kim Dae-Jung, antigo presidente da República da Coréia, encontra numa Conferência de Cúpula o líder norte-coreano Kim Jong-Il. Após este encontro, a 25 de junho de 2000, foi publicada a Declaração simples que reforçava a “política do raio do sol” da Coréia do Sul em frente da Coréia do Norte. Contudo, na ZDM grandes tensões entre Norte e Sul permaneciam manifestas. Os esforços em favor da paz na Coréia realizados pelas negociações diplomáticas que estão em curso entre seis Estados deram resultados no domínio da colaboração e da cooperação dos diversos setores. Citam-se, por exemplo, o apoio material oferecido aos dois governos e, referindo-se à sociedade civil, os intercâmbios no domínio da cultura, do esporte, da religião e da arte, bem como da educação e da economia.

3. Superar os conflitos e a divisão fazendo obstáculo à unidade e à unificação

Apesar dos numerosos esforços realizados para chegar à paz e à reconciliação na Coréia, os desacordos, a divisão e os afrontamentos ficam difíceis de erradicar. Para chegar a uma reunificação pacífica, o Norte e o Sul devem enfrentar assuntos comuns: o antagonismo entre liberalismo e socialismo, o fosso que dividindo ricos e pobres e a repressão da fé e da religião.

O muro separando as populações do Norte e do Sul parece difícil de quebrar. Mais dos dois lados se espera e se deseja a reunificação como testemunha o famoso canto no Norte como no Sul da Coréia exprimindo esta esperança (Uri Ui Sowon Eun Tongil). Apesar das diferenças e dos conflitos, todos os coreanos esperam numa reunificação pacífica e numa reconciliação da península coreana. Como cristãos, nós esperamos o dia onde Deus reunirá as partes divididas; então nós louvaremos e daremos graças a Deus por seu ato de reconciliação e de nova criação.

4. A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2009 no âmbito do movimento ecumênico coreano

A comunidade católica foi fundada na Coréia em 1784, pelo primeiro católico batizado, Li Sung-Hun, que espalhou a doutrina católica entre seus compatriotas. O protestantismo foi introduzido na Coréia na década de 1880. Em 1919, com seus parentes de outras tradições religiosas, os cristãos coreanos organizaram a resistência contra a potência japonesa para manter a independência da Coréia.

O nascimento do movimento ecumênico na Coréia inspira-se nas recomendações e no espírito do Concílio Vaticano II (1962-1965) e, em particular no Decreto Unitatis redintegratio sobre o Ecumenismo, que sublinhou a importância dos esforços de todos os cristãos em prol da unidade cristã. As comunidades comprometidas no diálogo inter-confessional na Coréia são: Igreja Metropolitana Ortodoxa da Coréia, Conferência dos Bispos Católicos da Coréia, Conselho Nacional das Igrejas da Coréia (com suas Igrejas-membro: Igreja Presbiteriana na Coréia, Igreja Metodista Coreana, Igreja Presbiteriana na República da Coréia, Exército da Salvação em Território Coreano, Igreja Anglicana da Coréia, Igreja Evangélica da Coréia, Assembléias de Deus do Evangelho Pleno na Coréia) e, enfim, a Igreja Luterana na Coréia. As Igrejas-membro do Conselho Nacional de Igrejas da Coréia, representante das Confissões evangélicas, a Igreja Católica na Coréia organizam alternadamente, desde o início dos ’70, uma celebração comum para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Esta celebração oferece aos cristãos um espaço para rezarem e agirem conjuntamente no Movimento Ecumênico na Coréia. Em 1977, os peritos das Igrejas evangélicas e da Igreja católica finalizaram uma tradução comum da Bíblia, de modo que – pela primeira vez – todas as Igrejas cristãs da Coréia puderam utilizar a mesma versão da Bíblia em coreano.

Os projetos do Movimento Ecumênico coreano se concentram, atualmente, em atividades conjuntas propostas a grupos de pessoas – tal como os agentes pastorais das várias Confissões, os teólogos, os estudantes dos Seminários e os dirigentes das diferentes Confissões. Desde o ano 2000, um Grupo de Estudo formado por teólogos organiza regularmente um fórum ecumênico no qual são abordados diversos temas teológicos, para incentivar a compreensão mútua entre as Igrejas evangélicas e a Igreja católica. Além disso, um grupo nascido da iniciativa de seminaristas propõe diversas atividades, como visitas aos respectivos Seminários e a organização de competições esportivas, fomentando a amizade entre os membros das diferentes Igrejas. Os moderadores (ou presidentes) das diversas Confissões costumam, regularmente, tomar refeição juntos: esta prática tem sido ocasião de apreço e conhecimento mútuo, e também momentos de partilha de opinião.

Um seminário sobre “A Unidade dos Cristãos na Ásia” realizou-se de 24 a 28 de julho de 2006 na Aaron’s House; constituiu um acontecimento memorável na história do movimento ecumênico coreano. Esta iniciativa teve como principal conferencista o Cardeal Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, e reuniu responsáveis ecumênicos de diversos países asiáticos, vindos para debater e trocar suas idéias e opiniões sobre a unidade cristã. No dia 23 de julho de 2006, durante a XIXª Conferência Metodista Mundial celebrada em Seul (Coréia), a Igreja Metodista aderiu à Declaração conjunta sobre a Doutrina da Justificação, assinada em 1999 pela Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial. Foi, pois, na Ásia que teve lugar este importante acontecimento internacional pela unidade dos cristãos.

Fortalecidos pela experiência e confiança mútua adquiridas no âmbito de seus programas de atividades, os responsáveis das Igrejas evangélicas e católica na Coréia organizaram uma peregrinação, realizada de 08 a 16 de dezembro de 2006. O grupo prestou visita ao papa Bento XVI (Vaticano), ao secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (Genebra) e a Sua Santidade Bartolomeu, patriarca ecumênico de Istambul (Turquia). Em Roma eles foram também recebidos pelo Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos; e, em Genebra, pela Equipe da “Comissão Fé e Constituição” do Conselho Mundial de Igrejas. Foi no curso dessas visitas que o grupo ecumênico sugeriu que se confiasse o projeto de textos da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2009 aos cristãos da Coréia. O Conselho Mundial de Igrejas e o Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos acolheram positivamente esta proposta, concordando com a sugestão de as Igrejas na Coréia prepararem o material.

No dia 23 de janeiro de 2007, as Igrejas na Coréia organizaram ofícios de oração para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos na igreja anglicana de Chongju, bem como um encontro ao qual foram convidados os teólogos evangélicos e católicos. Nesta ocasião, dois membros protestantes e três católicos foram nomeados para constituir o Grupo Preparatório que elaboraria os textos destinados à celebração da Semana pela Unidade de 2009. Este grupo se reuniu pela primeira vez em 08 de fevereiro de 2007 e escolheu como tema de passagem Ezequiel 37,15-23 onde lemos a profecia do reino reunificado de Israel. Para as Igrejas na Coréia, esta passagem de Ezequiel é particularmente evocadora da situação vivida na Península coreana, que permanece o único país dividido no mundo. Foi decidido que cada Confissão elaboraria uma meditação bíblica e uma oração para cada um dos “oito dias”. Assim começou a tarefa que finalmente conduziu à redação final dos textos, distribuídos depois mundo inteiro como subsídio para a Semana de Oração 2009.

Conclusão

A situação atual da Coréia – em que os coreanos de uma parte da península são impossibilitados de se comunicar com seus pais, filhos, irmãos e irmãs, família e amigos que vivem na outra parte – continua inaceitável e deve absolutamente acabar. O sistema político norte-coreano proíbe a seus habitantes pertencer à tradição religiosa de sua escolha, constituindo um regime autoritário que fere a liberdade de consciência. Certamente tais antagonismos, conflitos, violências e guerras que nascem de hostilidades religiosa, racial e étnica, não existem unicamente na Península coreana, mas hoje ocorrem em numerosas regiões do mundo. Mesmo assim, a situação de divisão e dor que sofrem os coreanos sensibilizam e interpelam os cristãos e as sociedades do mundo inteiro. Os cristãos da Coréia (católicos, evangélicos, anglicanos e ortodoxos) atuam juntos pelo bem comum, para trazer uma paz autêntica à Península coreana, ao lado de compatriotas de outras religiões (Budismo, Confucionismo, Budismo Won, Chon-Dô Gyo e Taoísmo Chon).

Durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2009, os cristãos são convidados a rezar pela consolidação da paz – escopo e responsabilidade que devem comprometer os cristãos do mundo inteiro. A esperança sobre a qual se expressa tal oração é a de que todos os habitantes da terra tornar-se-ão povo de Deus; que Deus seja o Deus de todos, e que seja dada à humanidade a graça de conhecer a alegria e a prosperidade – uma vez que os conflitos e as divisões sejam superados e a unidade, realizada. Os cristãos devem rezar com perseverança até a vinda “de um novo céu e de uma nova terra” quanto “eles serão meu povo e seu serei seu Deus” (Ez 37,23).

(**) Este texto foi publicado sob a inteira responsabilidade do Grupo Ecumênico da Coréia, especialmente constituído para redigir o projeto de textos da Semana de oração pela unidade 2009.

Semana de oração pela unidade dos cristãos

 Temas 1968 – 2009

 

Em 1968 inicia-se oficialmente a colaboração entre a “Comissão Fé e Constituição”
 (Conselho Mundial de Igrejas) e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade
 dos Cristãos na preparação destes textos.

 

1968 Para o louvor de sua glória (Ef 1,14)
To the praise of his glory
1969 Chamados à liberdade (Gal 5,13)
Called to freedom
(Reunião preparatória em Roma, Itália)
1970 Nós somos os colaboradores de Deus (1Cor 3, 9)
We are fellow workers for God
(Reunião preparatória no Mosteiro de Niederaltaich, República Federal da Alemanha)
1971 ... e a comunhão do Espírito Santo (2Cor 13,13)
... and the communion of the Holy Spirit
(Reunião preparatória em Bari, Itália)
1972 Eu vos dou um novo mandamento (Jo 13, 34)
I give you a new commandment
(Reunião preparatória em Genebra, Suíça)
1973 1973 Senhor, ensinai-nos a orar (Lc 11,1)
Lord, teach us to pray
(Reunião preparatória na Abadia de Montserrat, Espanha)
1974 Que todos confessem: Jesus Cristo é o Senhor (Fil 2,1-13)
That every tongue confess: Jesus Christ is Lord
(Reunião preparatória em Genebra, Suíça)
(Em abril de 1974, uma carta foi endereçada às igrejas membros assim como às outras partes interessadas na criação de grupos locais que pudessem participar à preparação do livreto da Semana de Oração. O primeiro a se engajar concretamente foi um grupo australiano, preparando em 1975, o projeto inicial do livreto para a Semana de Oração).
1975 A Vontade do Pai: Tudo reunir sob um só Chefe, o Cristo (Ef 1,3-10)
God’s purpose: all things in Christ
(Projeto de texto elaborado por um grupo australiano. Reunião preparatória em Genebra, Suíça).
1976 Seremos semelhantes a Ele (1Jo 3, 2)
We shall be like him or Called to become what we are
(Projeto de texto elaborado pela conferência das Igrejas das Caraíbas. Reunião preparatória em Roma, Itália).
1977 A esperança não decepciona (Rm 5,1-5)
Enduring together in hope
Projeto de texto elaborado no Líbano, em plena guerra civil. Reunião preparatória em Genebra, Suíça)
1978 Não são mais estrangeiros (Ef 2, 13-22)
No longer strangers
(Projeto de texto elaborado por um grupo ecumênico de Manchester, Inglaterra).
1979 A serviço uns dos outros para a glória de Deus (1Pd 4,7.11)
Serve one another to the glory of God
(Projeto de texto elaborado na Argentina. Reunião preparatória em Genebra.)
1980

Que vosso reino venha! (Mt 6,10)
Your kingdom come
(Projeto de texto elaborado por um grupo ecumênico de Berlim, República Democrática da Alemanha. Reunião preparatória em Milão, Itália).

1981

Um só espírito – diversos dons – um só corpo (1Cor 12,3b-13)
One Spirit - many gifts - one body
(Projeto de texto elaborado pelos Padres de Graymoor, EUA. Reunião preparatória em Genebra)

1982

Que todos encontrem sua morada em vós, Senhor (Sl 84)
May all find their home in you, O Lord
(Projeto de texto elabora do no Kenya. Reunião preparatória em Milão, Itália).

1983 Jesus Cristo – Vida do mundo (1Jo 1,1-4)
Jesus Christ - the Life of the World
(Projeto de texto elaborado por um grupo ecumênico da Irlanda. Reunião preparatória em Céligny [Bossey], na Suíça).
1984 Chamados à unidade pela cruz de Nosso Senhor (1Cor 2,2 & Col 1, 20)
Called to be one through the cross of our Lord
(Reunião preparatória em Veneza, Itália).
1985 Da morte à vida com o Cristo (Ef 2,4.7)
From death to life with Christ
(Projeto de texto elaborado na Jamaica. Reunião preparatória em Grandchamp, Suíça).
1986 Vós sereis minhas testemunhas (At 1,6.8)
You shall be my witnesses
(Textos propostos na Iugoslávia [Eslovênia]. Reunião preparatória na Iugoslávia).
1987 Unidos em Cristo, uma nova criação (2Cor 5,17-6,4a)
United in Christ - a New Creation
(Projeto de texto elaborado na Inglaterra. Reunião preparatória em Taizé, França).
1988 Onde há amor não há temor (1Jo 4,18)
The love of God casts out fear
(Projeto de texto elaborado na Itália. Reunião preparatória em Pinerolo, Itália).
1989 1989 Construir a comunidade: um só corpo em Cristo (Rm 12,5-6a)
Building community: one body in Christ
(Projeto de texto elaborado no Canadá. Reunião preparatória em Whaley Bridge, Inglaterra).
1990 Que todos sejam um, para que o mundo creia (Jo17,21)
That they all may be one... That the world may believe
(Projeto de texto elaborado na Espanha. Reunião preparatória em Madri, Espanha).
1991 Nações todas, louvem o Senhor (Sl 117 & Rm 15, 5-13)
Praise the Lord, all you nations!
(Projeto de texto elaborado na Alemanha. Reunião preparatória em Rotenburg an der Fulda, República Federal da Alemanha).
1992 Estou convosco: ide! (Mt 28,16-20)
I am with you always ... Go, therefore
(Projeto de texto elaborado na Bélgica. Reunião preparatória em Bruges, Bélgica).
1993

Trazer o fruto do Espírito para a unidade dos cristãos (Gal 5,22-23)
Bearing the fruit of the Spirit for Christian unity
(Projeto de texto elaborado no Zaire. Reunião preparatória perto de Zurique, Suíça).

1994 A casa de Deus: chamados a ter ‘um só coração e uma só alma’ (At 4, 32)
The household of God: called to be one in heart and mind
(Projeto de texto elaborado na Irlanda. Reunião preparatória em Dublin, Irlanda).
1995 Koinonia: comunhão em Deus e entre nós (Jo 15,1-7)
Koinonia: communion in God and with one another
(Projeto de texto elaborado por Fé e Constituição. Reunião preparatória em Bristol, Inglaterra).
1996 Eis que estou à porta e bato (Ap 3,14-22)
Behold, I stand at the door and knock
(Projeto de texto elaborado em Portugal. Reunião preparatória em Lisboa, Portugal).
1997 Em nome de Cristo, deixai-vos reconciliar com Deus (2Cor 5,20)
We entreat you on behalf of Christ, be reconciled to God
(Projeto de texto na Escandinávia. Reunião preparatória em Estocolmo, Suécia).
1998 O Espírito vem em socorro de nossa fraqueza (Rm 8,14-27)
The Spirit helps us in our weakness
(Projeto de texto elaborado na França. Reunião preparatória em Paris, França).
1999 Eles serão seu povo e ele será Deus com eles (Ap 21,3)
He will dwell with them as their God, they will be his peoples
(Projeto de texto elaborado na Malásia. Reunião preparatória no Comunidade monástica de Bose, Itália).
2000 Bendito seja Deus que nos abençoou em Cristo (Ef 1,3-14)
Blessed be God who has blessed us in Christ
(Projeto de texto elaborado pelo Conselho das Igrejas do Oriente Médio. Reunião preparatória no santuário franciscano de La Verna, Itália).
2001 Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,1-6)
I am the Way, and the Truth, and the Life
(Projeto de texto elaborado na Romênia. Reunião preparatória na Casa de Odihna, Romênia).
2002 Pois em vossa casa está a fonte da vida(Sl 36 [35], 10)
For with you is the fountain of life (Sl 36,5-9)
(Projeto de texto elaborado pelo Conselho das Conferências Episcopais Européias (CCEE) e a Conferência das Igrejas Européias (KEK). Reunião preparatória no Centro ecumênico de Ottmaring, Augsbourg, República Federal da Alemanha).
2003 Este tesouro, nós o carregamos em vasos de argila(2Cor 4, 7)
We have this treasure in clay jars
(Projeto de texto elaborado na Argentina. Reunião preparatória no Centro ecumênico ‘Los Rubios’ de Málaga, Espanha).
2004 Eu vos dou a minha paz (Jo 14,27)
My peace I give to you
(Projeto de texto elaborado em Alepo, Síria. Reunião preparatória em Palermo, Itália).
2005 Cristo, único fundamento da Igreja (1Cor 3,1-23)
Christ, the one foundation of the church
(Projeto de texto elaborado na Eslováquia. Reunião preparatória em Piestaňy, Eslováquia)
2006

Onde dois ou três se reunirem em meu nome, eu estarei no meio deles (Mt 18,20)
Where two or three are gathered in my name, there I am among them
(Projeto de texto elaborado na Irlanda. Reunião preparatória em Prosperous, County Kildare, Irlanda).

2007 Ele faz os surdos ouvirem e os mudos falarem (Mc 7,37)
He even makes the deaf to hear and the mute to speak
(Projeto de texto elaborado na África do Sul. Reunião preparatória no Château de Faverges, Haute-Savoie, França).
2008 Orai sem cessar (1Tes 5,17)
Pray without ceasing
(Projeto de texto elaborado nos EUA. Reunião preparatória em Graymoor, Garrison nos USA).
2009 Eles serão unidos em tua mão (Ez 37, 17)
Thay they may become one in your hand
(Projeto de texto elaborado na Coréia-Reunião preparatória em Marselha, França)

Algumas datas importantes na história
da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

 

1740 Na Escócia, nascimento de um movimento pentecostal com laços na América do Norte, cuja mensagem para o renovação da fé apela a orar por todas a igrejas e com elas.
1820 O Reverendo James Haldane Stewart publica “Conselhos para a união geral dos cristãos para a efusão do Espírito Santo” (Hints for the outpouring of the Spirit).
1840 O Reverendo Ignatius Spencer, um convertido ao catolicismo romano, sugere uma“União de oração pela unidade”.
1867 A primeira Assembléia dos Bispos anglicanos em Lambeth insiste sobre a oração pela unidade, na introdução às suas resoluções.
1894 O papa Leão XIII encoraja a prática da “Oitava de Oração pela Unidade” no contexto de Pentecostes.
1908 Celebração da “Oitava pela Unidade da Igreja” por iniciativa do Reverendo Pe. Paul Wattson.
1926 O Movimento Fé e Constituição inicia a publicação de “Sugestões para uma Oitava de oração pela unidade dos cristãos”.
1935 Na França, o Pe. Paul Couturier faz-se defensor da “Semana universal de oração para a unidade dos cristãos” fundamentada na oração pela unidade tal qual Cristo a deseja, com os meios que Ele deseja.
1958 O Centro Unidade Cristã de Lyon (França) começa a preparar o tema para a Semana de Oração em colaboração com a “Comissão Fé e Constituição” do Conselho Mundial de Igrejas.
1964 Em Jerusalém, o Papa Paulo VI e o Patriarca Athenágoras I recitam juntos a oração de Cristo “que todos sejam um” (Jo 17).
1964 O decreto Unitatis Redintegratio (do Concílio Vaticano II sobre o ecumenismo) sublinha que a oração é a alma do movimento ecumênico e encoraja a prática da Semana de Oração.
1966 A “Comissão Fé e Constituição” e o Secretariado para a Unidade dos Cristãos (hoje Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos) da Igreja Católica decidem preparar conjuntamente o texto para a Semana de Oração a cada ano.
1968 Pela primeira vez, a Semana de Oração é celebrada com textos elaborados em colaboração entre “Comissão Fé e Constituição” e o Secretariado para a Unidade dos Cristãos (hoje, Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos).
1975 Primeira celebração da Semana de Oração a partir de textos preparados a partir de um projeto apresentado por um grupo ecumênico local. Este novo modo de elaboração de textos é inaugurado por um grupo ecumênico da Austrália.
1988      Os textos da Semana de Oração são utilizados para a celebração inaugural da Federação Cristã da Malásia, reunindo os principais grupos cristãos deste país.
1994 O grupo internacional que preparou os textos para 1996 contava, entre outros, com representantes da YMCA e da YWCA.
2004 Acordo entre “Comissão Fé e Constituição” (Conselho Mundial de Igrejas) e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Igreja Católica) para que o livreto da Semana de Oração seja oficial, conjuntamente publicado e apresentado num mesmo formato.
2008 Celebração do centenário da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (a Oitava pela unidade da Igreja, sua antecessora, foi celebrada pela primeira vez em 1908).

 

 

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