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PONTIFÍCIO CONSELHO
PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

 

 

Tradução para o português:

Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo
e o Diálogo Inter-religioso

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

Brasília, 2009.

O texto da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos está disponível no site da Santa Sé (www.vatican.va), na rubrica Cúria Romana, Pontifícios Conselhos.

 

 

Subsídios para a

SEMANA DE ORAÇÃO PARA A UNIDADE DOS CRISTÃOS
e para todo o ano 2010

 

Vós sois as testemunhas destas coisas (Lc 24, 48)

Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e
Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas

 

Para os que estão organizando
a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

 

A busca da unidade ao longo de todo o ano

No hemisfério norte, o período tradicional para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é de 18 a 25 de janeiro. Essas datas foram propostas em 1908 por Paul Watson porque cobriam o tempo entre as festas de São Pedro e São Paulo e tinham, portanto, um significado simbólico. No hemisfério sul, em que janeiro é tempo de férias, as Igrejas geralmente preferem outras datas para celebrar a Semana de Oração como, por exemplo, ao redor de Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja. Levando em conta essa flexibilidade no que diz respeito à data, estimulamos vocês a compreender o material aqui apresentado como um convite para achar oportunidades ao longo de todo o ano para expressar o grau de comunhão que as Igrejas já tenham atingido e para orar juntos por aquela unidade plena que é desejo de Cristo.

Adaptando o texto

Este material é oferecido com a idéia de que, sempre que possível, será adaptado para uso no nível local. Ao fazer isso, devem-se levar em conta as práticas litúrgicas e devocionais da região e o conjunto do contexto social e cultural. Tais adaptações normalmente acontecem de forma ecumênica. Em alguns lugares já se formaram estruturas ecumênicas para a adaptação do material. Em outros, esperamos que a necessidade de tal adaptação venha a ser um estímulo para a criação dessas estruturas.

Usando o material da Semana de Oração

Para Igrejas e Comunidades cristãs que vivem juntas a Semana de Oração através de um culto em comum, foi providenciado um roteiro para essa celebração.

Igrejas e Comunidades cristãs podem também incorporar material da Semana de Oração a seus próprios cultos. As orações da celebração proposta, as reflexões dos “oito dias” e a seleção de preces adicionais podem ser usadas de modo adequado ao que cada grupo vai fazer.

Comunidades que fazem celebrações ligadas ao tema em todos os dias da Semana de Oração podem incluir aí o material proposto para os “oito dias”.

Os que quiserem fazer estudos bíblicos sobre o tema da Semana de Oração podem tomar como base os textos sugeridos para os oito dias. A cada dia a reflexão pode levar a uma conclusão com preces de intercessão.

Os que desejarem orar de modo pessoal podem achar aqui material útil para direcionar as intenções da oração. Eles podem ter em mente que estão em comunhão com outros que estarão orando no mundo inteiro por uma maior unidade visível da Igreja de Cristo.

 

Texto bíblico

Lucas 24

1 No primeiro dia da semana, de manhã muito cedo, elas vieram ao túmulo, trazendo os perfumes que tinham preparado. 2 Elas acharam a pedra rolada de diante do túmulo. 3 Entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. 4 Ora, enquanto elas estavam perplexas com isso, eis que dois homens se lhes apresentaram com roupas resplandecentes. 5 Tomadas de medo, elas baixaram o rosto para o chão, quando eles lhes disseram: Por que procurais o vivente entre os mortos? 6 Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como ele vos falou quando estava na Galiléia; 7 ele dizia: É preciso que o Filho do Homem seja entregue nas mãos dos homens pecadores, seja crucificado e, no terceiro dia, ressuscitado.

8 Então elas se lembraram das suas palavras, 9 voltaram do túmulo e relataram tudo isso aos Onze e a todos os outros. 10 Eram Maria de Magdala, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras companheiras delas o diziam também aos apóstolos. 11 Aos olhos destes, essas palavras pareciam um delírio e eles não acreditaram nessas mulheres. 12 Pedro, no entanto, partiu e correu ao túmulo; inclinando-se, não viu senão faixas e foi-se embora para casa, muito surpreso com o que havia acontecido.

13 E eis que, nesse mesmo dia, dois dentre eles se dirigiam a uma aldeia chamada Emaús, a duas horas de viagem de Jerusalém. 14 Eles falavam entre si de todos esses acontecimentos. 15 Ora, enquanto falavam e discutiam um com o outro, o próprio Jesus os alcançou e caminhava com eles; 16 mas seus olhos estavam impedidos de o reconhecer. 17 Ele lhes disse: Quais são essas palavras que estais trocando ao caminhar? Então eles pararam, com ar sombrio. 18 Um deles, chamado Cléofas, lhe respondeu: Tu és decerto o único homem de passagem por Jerusalém que não tenha sabido o que se passou nestes dias! 19 O que foi? disse ele. Eles lhe responderam:  O que concerne a Jesus de Nazaré, que foi um profeta poderoso em atos e palavras diante de Deus e diante de todo o povo: 20 como os nossos sumo sacerdotes e os nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram; 21 quanto a nós, esperávamos que ele seria o que devia libertar Israel. Mas, com tudo isso, já é o terceiro dia que esses fatos se deram. 22 Entretanto, algumas mulheres que são dos nossos nos assustaram: tendo ido de madrugada ao túmulo 23 e não tendo encontrado o seu corpo, elas vieram dizer que tinham tido mesmo a visão de anjos que declararam estar ele vivo. 24 Alguns de nossos companheiros foram ao túmulo e o que acharam era conforme o que as mulheres haviam dito, mas não o viram.

25 Ele então lhes disse: Espíritos sem inteligência, corações tardos para crer tudo o que os profetas declararam! 26 Não era preciso que o Cristo sofresse isso para entrar na sua glória? 27 E começando por Moisés e todos os profetas, ele lhes explicou em todas as Escrituras o que lhe concernia.

28 Eles se aproximaram da aldeia para onde se dirigiam, e ele fingiu que ia prosseguir. 29 Os dois insistiram com ele, dizendo: Fica conosco, pois a tarde está caindo e o dia já começa a declinar. E ele entrou para ficar com eles. 30 Ora, quando se pôs à mesa com eles, tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e lhes deu. 31 Então seus olhos se abriram e eles o reconheceram, depois ele se lhes tornou invisível. 32 E disseram um ao outro: Não ardia em nós o nosso coração quando ele nos falava no caminho e nos explicava as Escrituras?

33 No mesmo instante, eles partiram e voltaram para Jerusalém; encontraram os Onze e seus companheiros, 34 que lhes disseram: É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão. 35 E eles contaram o que se passara no caminho e como eles o haviam reconhecido na fração do pão.

36 Enquanto assim falavam, Jesus se fez presente no meio deles, e lhes disse: A paz esteja convosco. 37 Espantados e cheios de medo, eles pensaram estar vendo um espírito. 38 E ele lhes disse: Que vem a ser essa perturbação, e por que se elevam essas objeções em vossos corações? 39 Olhai as minhas mãos e os meus pés. Sou eu mesmo. Tocai-me, olhai: um espírito não tem carne nem ossos, como vós vedes que eu tenho.

40 A essas palavras, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 Como, sob o efeito da alegria, eles permaneceram ainda incrédulos e como ficassem surpresos, ele lhes disse: Tendes aqui algo de comer? 42 Eles lhe ofereceram um pedaço de peixe grelhado; 43 ele o tomou e comeu à vista deles. 44 Depois disse-lhes: Eis as palavras que eu vos dirigi quando ainda estava convosco: é preciso que se cumpra tudo o que foi escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.

45 Então ele lhes abriu as Escrituras 46 e lhes disse: É como foi escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, 47 e, em seu nome se pregará a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, a começar por Jerusalém. 48 E vós sois testemunhas disso. 49 Da minha parte, eu vou enviar-vos o que meu Pai prometeu. Quanto a vós, permanecei na cidade até que sejais revestidos, do alto, de poder.

50 Depois ele os conduziu até perto de Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou. 51 Ora, enquanto os abençoava, Jesus se apartou deles, sendo arrebatado ao céu. 52 Quanto a eles, após se terem prostrado diante dele voltaram para Jerusalém, cheios de alegria, 53 e estavam sem cessar no Templo, bendizendo a Deus.

 

Introdução ao tema para o ano de 2010

Durante o século passado a reconciliação entre os cristãos tomou formas bastante diferentes. A espiritualidade ecumênica mostrou como a oração é importante para a unidade dos cristãos. Grande impulso foi dado à pesquisa teológica, levando a um grande número de acordos doutrinários. A cooperação prática entre as Igrejas no campo social fez nascer frutuosas iniciativas. Junto com essas conquistas mais amplas, a questão da missão assumiu um lugar especial. Há até um consenso generalizado de que a Conferência Missionária Mundial de Edimburgo, em 1910, marcou o começo do movimento ecumênico moderno.

Missão e Unidade

Nem todos fazem naturalmente a ligação entre o empenho missionário e desejo da unidade cristã. Ainda assim, o compromisso missionário da Igreja deve caminhar passo a passo com seu compromisso ecumênico. Por causa do nosso Batismo já somos um único corpo e somos chamados a viver em comunhão. Deus nos fez irmãos e irmãs em Cristo. Não é esse o testemunho fundamental a que somos chamados?

Historicamente, o fato de que a questão da unidade cristã era frequentemente abordada por missionários se deve a razões práticas. Acontecia desse jeito simplesmente para evitar competição diante da necessidade de grandes recursos humanos e materiais. O território a ser evangelizado era partilhado e tentativas ocasionais eram feitas para realizar algo mais do que ter atividades desenvolvidas paralelamente e para favorecer projetos comuns. Missionários de Igrejas diferentes poderiam, por exemplo, combinar seus recursos para elaborar uma nova tradução da Bíblia e essa cooperação a serviço da Palavra de Deus levou a reflexões sobre as divisões entre os cristãos.

Sem negar as rivalidades existentes entre missionários enviados por Igrejas diferentes, deve também ser reconhecido que aqueles que estiveram primeiro no campo da missão foram também os primeiros a reconhecer a tragédia da divisão dos cristãos. A Europa havia se acostumado às divisões entre Igrejas mas o escândalo da desunião parecia terrível aos missionários que estavam anunciando o evangelho a pessoas que nada sabiam sobre Cristo até então. É claro que as diferentes divisões que marcaram a história do Cristianismo tiveram suas razões teológicas, mas também foram influenciadas pelo contexto (histórico, político, intelectual...) que lhes deu origem. Seria justificado exportar essas divisões para os povos que estavam descobrindo Cristo?

No meio do novo caminho que as recentes Igrejas locais estavam descobrindo, seria difícil deixar de notar a lacuna entre a mensagem de amor que queriam viver e a real separação entre os discípulos de Cristo.Como se pode fazer outros entenderem a reconciliação trazida por Cristo se os próprios batizados se ignoram ou lutam entre si? Como grupos cristãos que viviam em mútua hostilidade poderiam pregar um único Senhor, uma só fé e um só Batismo de modo convincente?

Não havia, portanto, falta de questões ecumênicas para os participantes da Conferência de Edimburgo em 1910.

A Conferência Missionária de Edimburgo, em 1910

Os delegados oficiais das sociedades missionárias protestantes de diferentes ramos do protestantismo e do anglicanismo, junto com um convidado ortodoxo, se encontraram durante o verão de 1910 na capital da Escócia. A Conferência, que não era um encontro de caráter decisório, não tinha outro objetivo senão ajudar os missionários a construir um espírito comum e coordenar seu trabalho.

Somente estavam presentes aquelas sociedades missionárias que trabalhavam para anunciar o evangelho em novos territórios onde Cristo ainda não era conhecido. Assim, as sociedades que trabalhavam na América Latina ou no Oriente Médio, onde já estavam a Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas, não foram convidadas.

Em 1910 o panorama religioso escocês estava começando a se diversificar e as Igrejas Católica e Episcopal mais uma vez desempenharam um papel importante. Edimburgo foi escolhida como local desse encontro por causa de sua vitalidade intelectual e cultural. A reputação de seus teólogos e líderes eclesiais também influenciou a escolha. As Igrejas protestantes escocesas eram também especialmente ativas na missão e tinham fama de prestar atenção às culturas locais.

As igrejas cristãs na Escócia hoje

Reconhecendo esse importante marco na história do movimento ecumênico, era natural que os promotores da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos – a Comissão Fé e Ordem e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos – convidassem as Igrejas escocesas para preparar a Semana de Oração de 2010 , ao mesmo tempo em que elas estão envolvidas nos preparativos para celebrar o aniversário da Conferência de 1910 , que terá como tema “Testemunhar Cristo Hoje”. Em resposta, essas Igrejas sugeriram como lema “Vós sois as testemunhas disso” (Lucas 24,48)

O tema bíblico: “Vós sois as testemunhas disso”

No movimento ecumênico temos frequentemente meditado sobre o discurso final de Jesus antes da sua morte. Nesse testamento final a importância da unidade dos discípulos de Cristo é enfatizada: “Que todos sejam um... para que o mundo creia” (João 17,21)

Este ano as Igrejas da Escócia fizeram a escolha original de nos convidar a escutar o discurso final de Cristo antes da sua Ascensão: “É como foi escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, e em seu nome se pregará a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, a começar por Jerusalém. E vós sois as testemunhas disso.” (Lucas 24,46-48). É sobre essas palavras finais de Cristo que refletiremos a cada dia.

Durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2010, somos também convidados a percorrer todo o capítulo 24 do evangelho de Lucas. Tanto as mulheres assustadas diante do túmulo, como os dois desanimados discípulos no caminho de Emaús ou os onze discípulos dominados por dúvida e medo, todos os que juntos encontram o Cristo Ressuscitado são enviados em missão: “E vois sois as testemunhas disso”. Essa missão da Igreja é dada por Cristo e não pode ser posse particular de ninguém. É a comunidade dos que foram reconciliados com Deus e em Deus e podem testemunhar a verdade do poder da salvação em Jesus Cristo.

Percebemos que Maria Madalena, Pedro ou os dois discípulos de Emaús não vão testemunhar do mesmo jeito. Ainda assim, será a vitória de Jesus sobre a morte que todos colocarão no coração de seu testemunho.O encontro pessoal com o Ressuscitado mudou radicalmente suas vidas e, na originalidade de cada um, uma coisa se torna imperativa: “Vós sois as testemunhas disso.” Sua história vai acentuar aspectos diferentes, às vezes podem ocorrer entre eles discordâncias sobre o que a fidelidade a Cristo exige, mas ainda assim todos irão trabalhar para anunciar a Boa Nova.

Os oito dias

Durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2010, vamos refletir a cada dia sobre o capítulo 24 do evangelho de Lucas, olhando as perguntas que ele nos apresenta: perguntas de Jesus aos discípulos; perguntas que os discípulos fazem a Jesus.

Cada um desses questionamentos nos possibilitará destacar um modo particular de testemunhar o Ressuscitado. Cada um deles nos convida a pensar sobre nossa situação de divisão eclesial e sobre como, concretamente, podemos remediar isso. Já somos testemunhas e precisamos nos tornar testemunhas melhores. Como?

— louvando Aquele que nos dá o dom da vida e a ressurreição (dia 1)

— sabendo partilhar com outros a história de nossa fé (dia 2)

— reconhecendo que Deus age em nossas vidas (dia 3)

— dando graças pela fé que temos recebido (dia 4)

— confessando a vitória de Cristo sobre todo sofrimento (dia 5)

— buscando sempre ser mais fiéis à Palavra de Deus (dia 6)

— crescendo na fé, na esperança e na caridade (dia 7)

— oferecendo hospitalidade e sabendo recebê-la quando nos é oferecida (dia 8)

Não seria bem mais fiel o nosso testemunho do evangelho em cada um desses aspectos se testemunhássemos juntos?

Edimburgo 2010

O centenário da Conferência Missionária, que aconteceu na cidade no século anterior, será comemorado em junho de 2010 (www.edinburgh2010.org). Os organizadores querem que esse evento seja um tempo de ação de graças pelo progresso que Deus tornou possível na missão. Eles também dedicaram um lugar importante à oração, para oferecer a Cristo o testemunho que as Igrejas terão de sustentar juntas durante o século 21.

Esse encontro também permitirá que aqueles que trabalham há longo tempo no campo da missão e os representantes de correntes mais novas partilhem suas perspectivas. Membros de diferentes tradições eclesiais também poderão discutir sua prática de missão.

O mundo mudou bastante desde 1910 e mais uma vez a missão deve ser pensada de modo renovado. Diante da secularização e da descristianização, dos novos meios de comunicação, das relações interconfessionais, do diálogo interreligioso, há muitos temas a serem discutidos. Todos podem concordar quanto à necessidade de os discípulos de Cristo darem testemunho, mas ainda é difícil chegar a uma compreensão comum do que a missão precisa ser hoje. Dentro de cada Igreja individualmente não faltam reflexões e debates. Tudo isso não poderia trazer mais benefícios se envolvesse todas as Igrejas numa reflexão conjunta?

1910- 2010: Os cristãos trazem no coração um senso de urgência bem semelhante: para nossa humanidade ferida pela divisão, o evangelho não é um luxo supérfluo; o evangelho não pode ser proclamado por vozes discordantes.

Em Cristo, os que se encontram cheios de ódio podem encontrar o caminho da reconciliação. Em Cristo, aqueles que se dividem por qualquer coisa podem encontrar a alegria de viver como irmãos e irmãs... Vós sois as testemunhas disso.

A preparação do material para a Semana de Oração
pela Unidade dos Cristãos 2010

O trabalho inicial que levou à publicação deste livreto foi realizado por um grupo ecumênico escocês reunido pela Ação de Igrejas Reunidas na Escócia (Action of Churches Together in Scotland – ACTS), a convite da Conferência dos bispos católicos. Particularmente queremos agradecer a todos os que contribuíram com esse trabalho:

— Sr. Andrew Barr (Igreja Episcopal da Escócia)
— Major Alan Dixon (Exército da Salvação)
— Rev. Carol Ford (Igreja da Escócia)
— Rev. Willie Mcfadden (Igreja Católica Romana)
— Rev. Lindsay Sanderson (ACTS – Igreja Reformada Unida)

Os textos aqui propostos foram finalizados durante o encontro do grupo internacional preparatório, nomeado pela Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O grupo se encontrou no Scotus College em Glasgow, que é o seminário nacional católico romano da Escócia. Somos particularmente gratos ao reitor do Seminário, o próprio Rev. William McFadden, aos seminaristas e a toda a equipe de trabalho pela calorosa recepção, pela disponibilidade e pelo clima de oração com que acompanharam nosso trabalho. Finalmente, temos uma especial palavra de agradecimento a Rev. Lindsay Sanderson ( Assistente Geral de Secretaria da ACTS) por ter revisado os textos junto com o Rev. McFadden, pelas ocasiões de oração comum e pelas partilhas organizadas com representantes de várias Igrejas cristãs da Escócia, bem como pela preparação geral do encontro.

 

Celebração ecumênica

Introdução

“Vós sois as testemunhas disso.” (Lucas 24,48)

O lema para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é “Vós sois as testemunhas disso.” Vem do capítulo 24 do evangelho de Lucas, que é o ponto central da celebração. Esse é também o lema que os cristãos da Escócia escolheram para celebrar o centenário da Conferência Missionária de Edimburgo. Em 1910 participantes do encontro em Edimburgo ouviram o testemunho profético que mostrava como as divisões entre cristãos não apenas enfraqueciam a eficiência missionária, mas também debilitavam a Igreja como corpo de Cristo na sua missão.

Em 2010 os cristãos da Escócia convidam os grupos ecumênicos a ler em voz alta todo o capítulo 24 de Lucas. Assim a pregação, a ação de graças, a intercessão e a celebração por termos sido enviados em nome do mesmo evangelho podem ser plenamente desenvolvidas. Isso levará a uma apreciação da ressurreição de Cristo como fonte de comunhão eclesial, de envio para a missão, do laço intrínseco entre missão e unidade e, portanto, da contínua necessidade de renovar nosso compromisso com a unidade cristã.

Foi precisamente essa demanda recíproca por evangelização e ecumenismo que os pioneiros do movimento ecumênico do século XX enfatizaram com tamanha fé, força e clareza.

I) Roteiro de culto

O roteiro aqui é deliberadamente muito simples. Essa escolha foi feita com o objetivo de ajudar na adaptação a situações locais e para permitir que cristãos de todas as tradições se unam sem dificuldade para orar , respeitando sua diversidade. É perfeitamente possível ampliar qualquer parte do roteiro de culto. A simplicidade da estrutura (I abertura, acolhida; II celebração da Palavra de Deus: III intercessões; IV envio) permite que congregações que preferem formas de culto mais livres e orações espontâneas possam também usar o material.

II) Abertura, acolhida

Hino de abertura: Durante o canto, a Bíblia (ou o livro dos Evangelhos) será trazida e colocada no ambão, na mesa ou no altar, de acordo com o costume local.

Nas palavras de acolhida a pessoa que estiver presidindo saúda todas as comunidades e lideranças presentes. A assembléia é então convidada a dar graças a Deus pela ressurreição de seu filho Jesus Cristo e a pedir o dom do Espírito Santo para renovar a missão cristã e a unidade, no espírito do chamado sentido em Edimburgo em 1910 (considere-se também a introdução geral e o texto acima).

A prece de abertura pode também ser escolhida entre os “materiais adicionais” que apresentamos após os textos dos oito dias.

III) Proclamação de Lucas 24

O hino evangélico de louvor: Pode-se escolher dentro de uma grande variedade: hinos ao Cristo ressuscitado, cantos de Glória, Aleluia em forma mais desenvolvida, um canto responsorial ou salmo pascal, ou um que evoque o envio das testemunhas da ressurreição.

Recomenda-se a leitura de Lucas 24 por inteiro na proclamação do evangelho. Pode ser feita por um leitor ou vários: o narrador, a voz de Cristo, os anjos, os discípulos de Emaús e os discípulos de Jerusalém.

No versículo 34, é possível um diálogo com a assembléia:

— Leitor: É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão.

— Todos: É verdade! Cristo ressuscitou, Cristo ressuscitou de fato! Aleluia!

Outra possibilidade é cantar um verso de louvor entre as leituras das três seções do capítulo: a mensagem de Páscoa no túmulo (versículos 1 a 12); a aparição aos discípulos no caminho de Emaús (de 13 a 35); a aparição aos onze (36-53). Outras expressões de louvor são possíveis como, por exemplo, aplaudir após cada aparição do ressuscitado.

Em particular com crianças ou jovens, pode-se usar mímica ou outras formas de teatro.

Também podem ser usados ícones, figuras ou vídeo...

Antes e depois do sermão deve ser definido o tempo para canto, música e silêncio.

IV) Preces de ação de graças ou intercessão

São inspiradas pelo material preparado para cada dia da Semana de Oração. Invocam o nome de Deus e celebram a generosidade e a hospitalidade em relação a nós, que Deus manifesta em Jesus Cristo. São ao mesmo tempo preces de súplica, pedido para que Deus consagre testemunhas do Evangelho, unidas por uma só fé e um só Batismo e pelo testemunho comum da Igreja, que é una na sua esperança.

V) Envio

Uma prece composta por um cristão escocês é proposta como oração de compromisso. Expressa nosso desejo de pedir a bênção de Deus para o presente e o futuro tanto do movimento ecumênico como da evangelização. No ano de 2010, ao nos aproximarmos de um novo “Compromisso de Edimburgo”, possam nossos encontros de oração servir para ouvir o chamado, mais atual do que nunca, para evangelizar na unidade. Desejamos “que possamos ser um, para que o mundo creia” e que seja fortalecida nossa resposta ao chamado de Cristo para sermos testemunhas unidas da ressurreição.

Usando o material para oração em outras circunstâncias

O esquema de celebração pode também ser usado para culto conjunto por ocasião da Páscoa de 2010 ou nos anos futuros em que os cristãos celebrem a Páscoa na mesma data (4 de abril de 2010; 24 de abril de 2011; 20 de abril de 2014; 16 de abril de 2017). O material pode também ser usado para cultos nas congregações locais.

 

Roteiro de celebração ecumênica

L: leitor
A: assembléia

I) Acolhida

Hino de abertura
Diálogo inicial:

L: Há um só corpo e um só espírito, assim como vocês foram chamados a uma só esperança...
A: Um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, no meio de todos e em todos.

L: Foi escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos no terceiro dia, e em seu nome se pregará a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, a começar por Jerusalém...
A: E nós somos as testemunhas disso.

Palavras de acolhida

Oração inicial:
L:  Ó Cristo ressuscitado,
no caminho de Emaús foste companheiro dos discípulos.
Fica ao nosso lado na jornada da fé,nos caminhos da vida e em todos os encontros,
promove em nós a compaixão para que possamos acolher outros
e ouvir suas histórias.
Renova o desejo de proclamar tua Palavra.
Que ela nos ilumine e que tenhamos corações ardentes ao dar testemunho dela.
Que o teu Santo Espírito nos ensine a arte de explicar as Escrituras
e abra nossos olhos para te reconhecer.
Dá-nos a coragem de nos tornar vulneráveis
para que nossos irmãos e irmãs possam conhecer-te através de nós
e nós possamos conhecer-te através deles.
Amém.

II) Celebração da Palavra de Deus

Canto de aclamação ao evangelho
Leitura do capítulo 24 inteiro do evangelho de Lucas
Homilia
Hino

A paz

L: Jesus disse aos discípulos: Eu vos deixo a minha paz, eu vos dou a minha paz. Não olhes para os nossos pecados mas para a fé da tua Igreja. Para cumprir a tua vontade, concede a paz a tua Igreja e leva-nos à perfeita unidade, tu que vives e reinas, com o Pai e o Espírito Santo, para sempre.
A: Amém

L: A paz do Senhor esteja sempre com vocês.
A: O Cristo ressuscitado está de fato entre nós.

Ou

L: Cristo ressuscitou!
A: Em verdade, ressuscitou! Aleluia!

Credo niceno constantinopolitano ( sem o filioque)
Oferta e hino

III) Preces

Deus Criador e Salvador, nós te louvamos por todas as nossas diferentes comunidades que querem confessar juntas, por atos e palavras, sua fé no Cristo ressuscitado, que nos traz Vida.

Possamos progredir de tal forma no nosso compromisso ecumênico que nos tornemos mais unidos, tanto em nossa ação de graças pela criação como em nossa decidida ação em favor da vida.

Kirie eleison (ou outra forma de resposta cantada)

Deus, que te manifestaste a nós em nossa história, nós te damos graças porque estás conosco e nos deste teu Filho para revelar teu amor e partilhar tua glória.

Guia os passos de todos os que dão testemunho do evangelho na direção da perfeita unidade, em cuidadosa e paciente escuta da cultura e da história das pessoas.

Kirie eleison (ou outra forma de resposta cantada)

Deus, que nunca nos abandonas, nós te agradecemos pela experiência dos dois discípulos na estrada de Emaús com o Cristo ressuscitado.

Concede-nos sentir a presença de Cristo entre nós em nossa caminhada. Aquece nossos corações e abre nossa compreensão, para podermos dar testemunho de tua ativa presença no poder da ressurreição dele.

Kirie eleison (ou outra forma de resposta cantada)

Deus, fonte de todos os dons perfeitos, nós te agradecemos porque desde a aurora dos tempos , de geração em geração, nunca cessaste de despertar aquela nuvem de testemunhas que transmitiram a fé dos apóstolos. (Aqui cada congregação pode mencionar evangelizadores e mártires locais)

Oramos para que possamos ser fiéis a esta fé que nos confiaste e criativos, para abrirmos juntos novos caminhos do evangelho.

Kirie eleison (ou outra forma de resposta cantada)

Deus de compaixão, nós te agradecemos porque reconciliaste o mundo através da cruz do teu Filho.

Aumenta nossa fé, para que ela possa dar a nossas Igrejas e a cada um de nós, com Cristo e seguindo o exemplo dele, a força para sempre estar efetivamente ao lado das pessoas, em suas vidas, em seu sofrimento e em sua morte.

Kirie eleison (ou outra forma de resposta cantada)

Deus, em ti colocamos nossa esperança e te louvamos pela promessa de Jesus: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos tempos.”

Tu vês as dúvidas que assaltam nosso coração no caminho da unidade cristã. Para podermos seguir o exemplo dos pioneiros ecumênicos da Conferência de Edimburgo de 1910, dá-nos coragem para denunciar juntos nossos medos e clareza para retomar em 2010 a confiança no caminho do cumprimento da tua vontade.

A oração do Senhor: Pai nosso...

 

IV) Envio

Oração de compromisso

L: Oremos
A: Leva-nos de onde estamos agora para onde queres que estejamos;
faze de nós não apenas guardiões de uma herança
mas sinais vivos do teu Reino que vem;
inflama-nos com paixão pela justiça e pela paz entre todos;
enche-nos com aquela fé, esperança e amor que permeia o Evangelho;
e através do poder do Espírito Santo faze-nos UM.
Para que o mundo possa crer, que teu nome seja glorificado em nossa nação.
Para que a tua Igreja  possa ser mais efetivamente teu corpo,
nós nos comprometemos a te amar, te servir
e a te seguir como peregrinos, não estranhos.

(compromisso da ACTS, recolhido no seu culto inaugural)

Bênção

L: A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam sempre com vocês
A: E também com você.

Ou

L: O Senhor, que venceu a escuridão com a luz, vos dê a paz.
O Senhor, que venceu a morte com a vida, vos dê a paz.
O Senhor, que venceu a solidão com o amor, vos dê a paz.

Ou outro tipo de bênção.

Envio

L: Hoje, o Cristo ressuscitado nos diz: “Assim como o Pai me enviou, eu vos envio.”
A: Amém.

L: Foi-nos comunicada a Boa Nova da ressurreição de Jesus: “Somos as testemunhas disso.” Vamos, então, na paz de Cristo. Aleluia!
A: Damos graças a Deus. Amém. Aleluia!

Hino final

 

Reflexões bíblicas e orações para os “oito dias”

 

 Dia 1 Testemunhas através da celebração da vida
Texto : Por que procurais o vivente entre os mortos? (Lc 24,5)
Gênesis 1: 1. 26-31  Deus viu tudo o que havia feito. Eis que era muito bom
Salmo 104, 1-24    Como são numerosas as tuas obras, Senhor!
I Coríntios 15, 12-20 Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou
Lucas 24, 1-5 Por que procurais o vivente entre os mortos?

 

Comentário

Nossa caminhada de unidade cristã está firmemente alicerçada em nossa fé comum de que, na ressurreição de Jesus Cristo, celebramos não apenas a vida que Deus nos deu mas a oferta de nova vida através de Jesus, que vence a morte de uma vez por todas. Ao nos encontrarmos durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, testemunhamos nossa fé comum através de nosso cuidado com a vida de todos. A vida é dom de Deus para nós e, quando mais amparamos e celebramos a vida, mais damos testemunho daquele cujo generoso amor nos trouxe inicialmente à vida.

A leitura do livro de Gênesis nos relembra o poder criador e a energia de Deus. É esse poder e essa energia que São Paulo encontra ao se deparar com a ressurreição de Jesus.

O salmo continua dentro desse tema, ao proclamar a glória da criação de Deus.

A passagem do evangelho nos desafia a buscar vida nova diante de uma cultura de morte que o nosso mundo frequentemente nos apresenta. A Escritura nos encoraja a confiar no poder de Jesus e assim viver a experiência da vida e da cura.

Hoje agradecemos a Deus por tudo aquilo que mostra o seu amor por nós: por toda a criação, pelos irmãos e irmãs do mundo inteiro; pela comunhão no amor; pelo perdão e pela cura, pela vida eterna,

Oração

Deus, nosso criador, nos te louvamos por todos os que dão testemunho de sua fé em palavras e atos.  Vivendo plenamente a vida, encontramos tua amorosa presença nas muitas experiências que nos ofereces.  Que o nosso testemunho comum de celebração da vida nos una no louvor a ti, autor de toda vida.

Questões para refletir

1. Até que ponto seu próprio testemunho e o testemunho de sua Igreja celebram a vida?

2. Pelo seu testemunho, outros saberão que Cristo ressuscitou dos mortos?

3. O que você considera como áreas de crescimento em sua vida?

4. Há coisas do passado a que a Igreja se apega e que deveriam ser deixadas de lado por causa de uma nova consciência ecumênica?

 

 

Dia 2 Testemunhas através de histórias partilhadas
Texto:
Quais são essas palavras que estais trocando ao caminhar? (Lucas 24,17)
Jeremias 1, 4-8 Para onde eu te enviar, irás
Salmo 98 Cantai ao Senhor um canto novo
Atos 14, 21-23

Aí, confirmavam o coração dos discípulos e os exortavam perseverar na fé

Lucas 24, 13-17a Quais são essas palavras que estais trocando ao caminhar?

 

Comentários

A partilha de nossas histórias é um poderoso modo de dar testemunho de nossa fé em Deus. Ouvir uns aos outros com respeito e consideração nos permite encontrar Deus na própria pessoa com quem estamos fazendo a partilha.

A leitura de Jeremias nos oferece um potente testemunho do chamado de Deus ao profeta. Ele deve partilhar o que recebeu e assim fazer com que a Palavra de Deus seja ouvida e vivenciada.

Esse chamado para proclamar a Palavra de Deus é também experimentado pelos discípulos na Igreja nascente, como se percebe na leitura de Atos.

O Salmo nos faz cantar a Deus com um espírito de louvor e ação de graças.

O evangelho de hoje apresenta um Jesus que ilumina nossa cegueira e dispersa nossos desânimos. Ele nos ajuda a compreender nossas histórias dentro do desenvolvimento do plano de Deus.

Durante esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, escutamos as histórias de fé que nos vêm de outros cristãos, a fim de encontrar Deus na variedade dos caminhos em que o próprio Deus se revela a nós. Temos consciência de que podemos partilhar com outros através da tecnologia da realidade virtual. Os meios modernos de comunicação podem nos ajudar a partilhar de modo mais amplo, e assim criar uma comunidade que é maior e mais espalhada do que o que alcançaríamos com contato puramente físico.

Ao escutar com atenção, crescemos em fé e amor. Apesar da diversidade de nossos testemunhos pessoais e coletivos, nos encontramos interligados na única história do amor de Deus por nós, revelado em Jesus Cristo.

Oração

Deus da História, nós te agradecemos por todos os que têm partilhado conosco sua história de fé e assim deram testemunho de tua presença em suas vidas. Nós te louvamos pela variedade de nossas histórias, de pessoas e de Igrejas. Nessas histórias vemos o desenvolvimento da única história de Jesus Cristo. Pedimos coragem e convicção para partilhar nossa fé com aqueles com quem nos colocamos em contato, e assim possibilitar que a mensagem da tua Palavra se divulgue para todos.

Questões para refletir

1. Você está espalhando o evangelho ou só espalhando boatos?

2. Até que ponto você ou sua Igreja estão dispostos a se envolver na história de outros?

3. Até que ponto você está disposto a partilhar com outros suas histórias de fé, e assim dar testemunho da presença de Deus em suas experiências pessoais de vida e morte?

4. Você está consciente do enorme potencial para o bem que os modernos meios de comunicação oferecem hoje à Igreja?

 

Dia 3 Testemunhas através de atenção aos fatos
Texto:
 Tu és decerto o único homem de passagem por Jerusalém que não tenha sabido o que se passou nestes dias! (Lucas 24,18)
1 Samuel 3, 1-10 Fala, Senhor, o teu servo escuta
Salmo 23 O Senhor é meu pastor!
Atos 8, 26-40 Filipe anunciou-lhe a boa nova de Jesus
Lucas 24, 13-19a  ... seus olhos estavam impedidos de o reconhecer

 

Comentário

O crescimento na fé é uma caminhada complexa. Muitas pessoas em nosso mundo de hoje enfrentam variadas pressões e responsabilidades. É fácil não perceber o amor de Deus se revelando a nós em nossa vida e nossa experiência cotidiana. Quanto mais nos rodearmos de tensões e atividades, maior é a possibilidade de não perceber o que fato está bem diante dos nossos olhos. Como os dois discípulos do evangelho, às vezes pensamos que sabemos o que é a realidade, e tentamos explicar a outros nosso ponto de vista, mas ainda assim não nos damos conta da plena verdade. Em nosso mundo de hoje somos convidados a perceber Deus nos surpreendentes e inesperados fatos da vida.

Em nossa leitura do Antigo Testamento, ouvimos como Deus chama Samuel para dar testemunho. Em primeiro lugar, Samuel precisa ouvir essa palavra. Esse ato de ouvir requer uma aberta disposição e um desejo de prestar atenção à voz de Deus.

Esse desejo de ouvir a Palavra de Deus é também vivenciado tanto por Filipe como pelo etíope, no texto de Atos. Eles dão testemunho da fé ao responder ao que lhes está sendo pedido naquele preciso momento. Eles escutam atentamente e respondem de modo adequado.

O salmo do Bom Pastor reflete a tranquila confiança de alguém que percebe a ternura cuidadosa de Deus, que junta o rebanho e o leva a verdes pastagens.

Durante esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, buscamos perceber Deus nos fatos e experiências do nosso dia a dia. Encontramos pessoas que já conhecemos e outras que ainda nos são desconhecidas. Nesses encontros aprendemos com as experiências espirituais uns dos outros e assim obtemos uma nova visão da realidade de Deus. Essa consciência da presença de Deus  nos desafia a trabalhar pela unidade cristã.

Oração

Senhor Jesus, Bom Pastor, tu nos encontras e permaneces conosco na vida diária. Oramos pela graça de estar conscientes de tudo que fazes por nós. Pedimos que nos prepares para estarmos abertos a tudo que ofereces e que nos conduzas unidos num só rebanho.

Questões para refletir

1. Quando você tem se dado conta da presença de Deus em sua vida?

2. Você está atento a tragédias e celebrações mundiais e percebe como nossas Igrejas poderiam responder a isso conjuntamente?

3. Basta estar atento, ou há algo mais que você poderia fazer para dar testemunho da sua fé?

4. Como você percebe Deus quando a realidade da presença de Deus não corresponde a suas expectativas?

 

Dia 4 Dar testemunho pela celebração da fé que recebemos
Texto: Que foi?- disse ele. Eles lhe responderam: O que concerne a Jesus de Nazaré... (Lucas 24,19)
Deuteronômio 6, 3-9 O Senhor, nosso Deus, é o Senhor que é UM
Salmo 34 Bendirei o Senhor em todo tempo
Atos 4, 32-35 ... tinham um só coração e uma só alma
Lucas 24, 17-21 Quanto a nós, nós esperávamos...

 

Comentário

Temos uma enorme dívida de gratidão para com aqueles que, com sua fé,  nos deram fundamentação para nossa vida cristã de hoje. Numerosos homens e mulheres, através de sua oração, testemunho e culto a Deus, asseguraram que a fé se transmitisse às novas gerações. Na Escócia temos uma impressionante história do cristianismo. Tivemos São Ninian, no século IV, São Columbos, no século VI, e os vários santos celtas cuja fé estava enraizada no amor de Deus e na contemplação da criação. A fé do povo escocês pode também ser vista no papel muito importante vivido na difusão da Reforma do século XVI e no modo como esse espírito foi firmemente mantido desde então.

As leituras de hoje afirmam a importância de sustentar na comunidade a fé, para que se possa assegurar a disseminação da Palavra de Deus. A passagem do Deuteronômio nos dá a bela prece dos irmãos e irmãs do judaísmo, que todos os dias usam essas palavras para louvar a Deus. O salmo nos convida a dar testemunho através do louvor pelo que temos recebido como crentes, de forma que a nossa fé possa ser mostrada através de preces de glorificação a Deus e ação de graças. O texto de Atos nos revela uma comunidade unida na fé e na caridade. A passagem do evangelho nos mostra Jesus como centro de que recebemos pela fé.

Ao nos unirmos com nossas irmãs e irmãs cristãos na oração pela unidade nesta Semana, acolhemos a rica variedade da herança cristã. Oramos para que a consciência de nossa herança comum possa nos unir mais estreitamente à medida que progredimos na fé.

Oração

Senhor Deus, nós te damos graças por todas as pessoas e comunidades que nos comunicaram a mensagem da Boa Nova, e que assim nos deram um sólido fundamento para a nossa fé hoje. Pedimos para que nós também possamos, juntos, dar testemunho de nossa fé, a fim de que outros possam te conhecer e confiar na verdade de salvação oferecida em Jesus Cristo pela vida do mundo.

Questões para refletir

1. Quem inspirou você na sua fé?

2. Quais são os aspectos da fé que inspiram você na vida cotidiana?

3. Quais, para você, são os mais importantes ensinamentos que já recebeu?

4. Como você reconhece a ação Deus em você, na transmissão da fé às futuras gerações?

 
Dia 5 Testemunho através do sofrimento
Texto:
Não era preciso que o Cristo sofresse isso para entrar na sua glória? (Lucas 24,26)
Isaías  50, 5-9 Ele está próximo, aquele que me justifica!
Salmo 124 Nosso socorro é o nome do Senhor
Romanos 8, 35-39 O amor de Deus manifestou-se em Jesus Cristo
Lucas 24, 25-27  

Ele lhes explicou em todas as Escrituras o que lhe concernia

 

Comentário

Em anos recentes, dois acontecimentos que tiveram lugar na Escócia puseram subitamente esse pequeno país no centro das atenções dos meios de comunicação. O ataque com bomba a um avião sobre Lockerbie e o massacre de crianças numa escola  chamaram a atenção para este país , que sempre guardará lembrança da terrível perda de vidas humanas. Os dois eventos causaram sofrimento e inimaginável angústia a um grande número de pessoas e as consequências foram sentidas muito além das fronteiras físicas dos dois lugares de desastre. Pessoas inocentes encontraram a morte em circunstâncias horríveis.

A realidade do sofrimento é algo de que o profeta Isaías fala vigorosamente no texto de hoje, no qual ele nos recorda que Deus nunca se conforma em ver a humanidade sofrer. Em resposta, o salmo proclama a confiança que os fiéis devem conservar no seu Salvador.

A carta aos Romanos proclama a certeza de que o amor é sempre o mais forte e que a tristeza e o sofrimento não hão de prevalecer. Antes de oferecer ao mundo a ressurreição, Cristo assumiu uma terrível morte e a profunda escuridão do túmulo, para estar plenamente conosco em nossos momentos mais difíceis.

Seguindo as pegadas do Senhor, os cristãos que buscam a plena unidade mostram sua solidariedade àqueles que entre eles se defrontam com trágicas situações de sofrimento, proclamando que o amor é mais forte do que a morte. Foi da extrema humilhação do túmulo que a ressurreição se tornou um novo sol para a humanidade, um clamoroso anúncio da vida, do perdão e da imortalidade.

Oração

Deus, nosso Pai, olha com compaixão nossas situações de pobreza, sofrimento, pecado e morte; nós te pedimos perdão, cura, conforto e apoio em nossas dificuldades. Nós te agradecemos por todos aqueles que conseguem ver a luz em sua aflição. Possa o teu Divino Espírito nos ensinar a grandeza da compaixão e nos ajudar a ficar ao lado de nossos irmãos e irmãs em dificuldade. Cheios desse Espírito, possamos unidos proclamar e partilhar com o mundo a vitória de teu Filho, que vive para sempre.

Questões para refletir

1. Como você pode demonstrar empatia para com os que sofrem e se encontram em dificuldade?

2. Que sabedoria e mais profundo conhecimento você tem obtido através dos sofrimentos que experimentou na vida?

3. Como você expressa solidariedade com o sofrimento e a opressão que tantas pessoas que vivem na pobreza experimentam? Qual é sua própria experiência desse tipo de situação?

4. Como você dá testemunho da misericórdia de Deus e da esperança que você encontra à luz da cruz de Cristo?

Dia 6 Testemunho através da fidelidade às Escrituras
Texto:
Não ardia em nós o nosso coração quando ele nos falava  no caminho e nos explicava as Escrituras?  (Lucas 24,32)
Isaías 55, 10-11 Minha palavra não volta para mim sem resultado
Salmo 119, 17-40 Abre os meus olhos e eu verei as maravilhas da tua Lei.
2 Timóteo 3, 14-17 Toda a Escritura é inspirada por Deus.
Lucas 24, 28-35 Jesus abre as Escrituras a seus discípulos.

 

Comentário

Os cristãos encontram a Palavra de Deus de modo privilegiado na leitura das Sagradas Escrituras e na celebração dos sacramentos. Na escuta fiel da proclamação da Sagrada Escritura, e pela leitura orante dos vários livros da Bíblia, eles abrem seus corações e mentes para receber a própria Palavra de Deus. Jesus prometeu a seus discípulos que enviaria o Espírito Santo para fazê-los compreender a Palavra de Deus e para guiá-los na plena verdade.

Historicamente, os cristãos têm estado divididos na leitura e compreensão da Palavra de Deus. Frequentemente usam a Bíblia para enfatizar seus desentendimentos em vez de buscar caminhos de reconciliação. Felizmente, em tempos mais recentes, com a busca pela unidade, a Sagrada Escritura tem aproximado os cristãos. O estudo bíblico partilhado se tornou entre eles um grande instrumento para crescer juntos. A caminhada cristã que celebramos durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é algo que está firmemente alicerçado em nossa escuta partilhada da Palavra de Deus, em que tentamos juntos compreender e viver o que ela nos diz.

O profeta Isaías nos lembra que a Palavra de Deus poderosamente proclamada é de fato efetiva e eficaz. Ela não volta a Deus vazia, mas realiza o objetivo para o qual Ele a enviou. Essa mensagem é repetida nas palavras dirigidas a Timóteo, quando ele é orientado a acreditar na eficácia das Escrituras, das quais os fiéis se servem para todo bom trabalho.

Nosso salmo se expressa em louvor pelas palavras e leis de Deus e implora ao Senhor que dê compreensão para que possamos guardar de todo o coração a sua santa Lei.

Durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, oramos para que todos os cristãos possam penetrar mais profundamente no mistério da maravilhosa revelação de Deus que nos é apresentada na Sagrada Escritura. Pedimos ao Espírito Santo que nos ajude a compreender melhor a Palavra de Deus e que nos oriente em nossa jornada comum de fé, até que estejamos todos reunidos de novo ao redor da única mesa do Senhor.

Oração

Deus, nós te louvamos e te agradecemos por tua palavra salvadora, que nos chega através das Sagradas Escrituras. Agradecemos também por todos os irmãos e irmãs com os quais partilhamos a tua Palavra e descobrimos juntos a grandeza do teu amor. Pedimos a luz do Espírito Santo, para que tua Palavra possa nos conduzir e nos orientar em nossa busca por maior unidade.

Questões para refletir

1. Que passagens da Escritura são mais significativas para você?

2. Quem ou o que em sua vida faz seu coração arder com paixão pelo evangelho e com desejo de testemunhar Cristo?

3. Que passagens da Escritura têm ajudado você a compreender melhor o testemunho de outros cristãos?

4. Como nossas Igrejas poderiam usar mais eficazmente a Escritura em sua vida diária e na oração?

 
Dia 7 Testemunho através da esperança e da confiança
Texto:
Que vem a ser essa perturbação e por que se elevam essas objeções em vossos corações?  (Lucas 24,38)
Jó 19, 23-27 Meus olhos o verão, ele não será estranho
Salmo 63 Minha alma tem sede de ti
Atos 3, 1-10 O que tenho, isso te dou
Lucas 24, 36-40 Os discípulos estavam espantados e cheios de medo

 

Comentário

Durante sua caminhada na vida e na fé, os cristãos experimentam momentos de dúvida. Quando os cristãos não conseguem reconhecer a presença do Cristo ressuscitado, estar juntos às vezes torna suas dúvidas mais pesadas em vez de aliviá-las.

O desafio que se coloca diante dos cristãos é continuar a acreditar que, mesmo quando não vêem ou não sentem a presença divina, Deus continua com eles. As virtudes da fé, da esperança e da confiança permitem que eles testemunhem que sua fé vai além de suas próprias possibilidades.

Na figura de Jó, temos um exemplo de alguém que enfrentou tribulações e desafios difíceis e até discutiu com Deus. Na fé e na esperança, porém, ele acreditava que Deus permaneceria a seu lado. Essa confiança e convicção aparecem também nas ações de Pedro e João, no relato do encontro com o homem de pernas atrofiadas, como nos é descrito nos Atos. Sua fé no nome de Jesus os leva a testemunhar energicamente diante de todos os presentes.

O salmo de hoje é uma prece que expressa nosso profundo desejo pelo amor sempre presente de Deus.

Nosso encontro durante essa Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos leva nossas comunidades a crescer na fé comum, na esperança e no amor. Damos testemunho a todas as pessoas do amor firme e constante de Deus e afirmamos diante de nossa própria Igreja a fidelidade a Deus.

Quanto mais unidos testemunharmos, mais forte será nossa mensagem.

Oração

Deus da esperança, partilha conosco a visão de uma única Igreja, e derruba nossas dúvidas. Aumenta nossa fé na tua presença para que todos os que acreditam em ti possam te adorar juntos em espírito e verdade. Oramos especialmente por todos aqueles que estão em dúvida neste momento, ou cujas vidas se gastam nas sombras do perigo e do medo. Fica com eles e dá-lhes tua presença consoladora.

Questões para refletir

1. Como você lida com seus próprios medos e dúvidas?

2. Como você pode ser, através de seu comportamento, motivo de medo ou ansiedade para outros?

3. Em que situações você enfrentou seus próprios medos e dúvidas e assim deu testemunho de sua fé em Cristo ao superar essas dificuldades?

4. Como as comunidades cristãs podem se encorajar mutuamente na fé e na esperança?

 

Dia 8 Testemunho através da hospitalidade
Texto:
Tendes aqui algo de comer? (Lucas 24,41)
Gênesis 18, 1-8 Vou trazer um pedaço de pão; refazei vossas forças
Salmo 146 Ele faz justiça aos oprimidos, dá pão aos que tem fome
Romanos 14, 17-19  Procuremos, pois, o que convém à paz e à edificação mútua
Lucas 24, 41-48  Então ele lhes abriu as Escrituras

 

Comentário

Hoje, a comunicação eletrônica nos torna vizinhos de todos em um pequeno e superpovoado planeta. Como no tempo de Lucas, muitas pessoas e comunidades tiveram que deixar suas casas, vagando e viajando para terras estranhas. Pessoas adeptas das grandes religiões mundiais tem chegado trazendo novas crenças e culturas às nossas comunidades.

Na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos reconhecemos, em nossa partilhada caminhada para a unidade, a hospitalidade e o companheirismo de cristãos de todas as Igrejas. Cristo também nos chama tanto a oferecer como a receber a hospitalidade do desconhecido que se tornou nosso vizinho. Certamente, se não podemos ver Cristo no outro, então não poderemos ver Cristo de jeito algum.

A história em Gênesis descreve como Abraão recebeu Deus ao abrir sua casa e oferecer hospitalidade a desconhecidos.

O Deus de toda a criação também está com o prisioneiro, o cego, o estrangeiro. Nosso salmo é uma oferta de louvor pela permanente fidelidade de Deus e por tudo que Ele tem feito por nós.

O texto da carta aos Romanos nos recorda que o Reino de Deus vem através da justiça, da paz e da alegria no Espírito Santo.

O Cristo ressuscitado une os discípulos, come com eles e eles o reconhecem de novo. Ele lhes relembra o que as Escrituras disseram sobre ele e explica o que não tinham entendido antes. Assim, ele os liberta de suas dúvidas e medos e os envia para serem testemunhas dessas coisas. Ao criar  essa oportunidade de encontro com ele, dá-lhes condições de receber a sua paz, que inclui justiça para os oprimidos, socorro aos famintos e mútua edificação, como dons do novo mundo da ressurreição. Os cristãos, ao longo da história, têm encontrado o Senhor ressuscitado à medida que servem os outros e são por eles servidos na fé; assim, nós também podemos encontrar o Cristo quando partilhamos nossas vidas e nossos dons.

Oração

Deus de amor, tu nos mostraste tua hospitalidade em Cristo. Reconhecemos que, ao partilhar nossos dons com todos, nós te encontramos. Dá-nos a graça de nos tornarmos um em nossa caminhada conjunta e de te reconhecermos uns nos outros. Ao acolher um estranho em teu nome, possamos ser testemunhas da tua hospitalidade e da tua justiça.

Questões para refletir

1. Como o país em que você vive é hospitaleiro com os estrangeiros?

2. Como, aí na sua vizinhança, um desconhecido pode encontrar hospitalidade e espaço para viver?

3. Como você pode mostrar gratidão aos que lhe deram acolhimento e se tornaram disponíveis diante de suas necessidades?

4. Como a cruz nos mostra que a hospitalidade de Deus é vivida em total auto entrega?

 

Material adicional da Escócia

 

Santo espírito de Liberdade,
q
uando os pobres anseiam
por fartura partilhada
e injustiça vencida
e a Igreja aspira à unidade,
desafia-nos a captar essas duas visões
como fios vitais de uma única tapeçaria.
Aguça nossa percepção e imaginação
para tecê-los juntos
nas pegadas de Jesus
para a vida do mundo,
para a glória de Deus!

(Carolyn Smyth)

 

Cristo Ressuscitado,
como caminhaste com os dois que viajavam pela estrada de Emaús,
vem conosco em nossa jornada de fé.
Nos encontros que tivermos pelo caminho,
dá-nos compaixão para ouvir a história do outro,
paciência para explicar o que pode parecer óbvio para nós,
e a coragem para nos tornarmos vulneráveis,
para que outros possam encontrar-te através de nós
e nos possamos redescobrir-te através deles.
Amém.

(Lindsey Sanderson)

 

Preces/ Meditação sobre testemunho

Este material de reflexão usa símbolos e movimentos para permitir uma compreensão universal em encontros de oração em que se fala mais de uma língua ou quando se deseja incluir os que têm dificuldades de aprendizagem. Pode ser usado por inteiro ou dividido em partes durante uma celebração.

 

Os símbolos: pedra grande, livro de histórias com figuras ou fotografias, globo, credo ou  outra declaração de fé, cruz /crucifixo, Bíblia, grande ponto de interrogação num cartaz, um pão. Os símbolos são trazidos à frente no momento apropriado da oração e colocados em lugar de destaque onde todos possam vê-los – pode ser numa mesa ou altar, colocado à frente ou no centro do local do encontro. Os símbolos também podem ser projetados numa tela ou na parede, numa apresentação em Power Point.

 

PRIMEIRO GESTO

Uma grande pedra é levada ao lugar de destaque. Isso pode ser acompanhado de música.

Voz 1:

Por que procurais o vivente entre os mortos?

Voz 2:            

Eu sei o que é perder alguém.
Eu estive em situação de lágrimas e desespero.
 Eu senti o peso da pedra que esmaga toda esperança
 e me separa de Deus.

Voz 1:            

Mas somos nós, e não Deus, que colocamos pedras.
Aos poucos a luz virá de novo.
Cristo se revelará no amor de um amigo,
na hospitalidade de um vizinho,
na bondade de um estranho.

Voz 2:

Precisa haver morte antes que possa haver ressurreição.
Eu tenho visto os mortos voltarem à vida.
(aqui se fazem testemunhos espontâneos)

Ambos:

Estamos testemunhando essas coisas.

Todos:

Oramos por todos que necessitam que a pedra seja rolada.
Agradecemos por todos que experimentaram ressurreição em sua vida.
Louvamos a Deus pela glória do Cristo ressuscitado
que nos dá a segura e certa esperança de vida eterna.

 

SEGUNDO GESTO

Um grande livro de histórias (ou figuras, ou fotografias adequadas) é levado ao lugar de exposição. Isso pode ser acompanhado por música.

Voz 1:

Quais são estas palavras que estais trocando ao caminhar?

Voz 2:

Gosto de uma conversa verdadeira. Superei a conversa vazia.
Sou um verdadeiro contador de histórias.
Sou um bom ouvinte, mesmo quando ouvir é doloroso.
Desempenho um papel na história do meu próximo.

Voz 1:

Damos graças a Deus pelos dons da comunicação –
pela conversa face a face, pelo telefone,
pelo rádio, pela televisão e pela rede eletrônica mundial.
Damos graças a Deus por tudo que nos conecta
e nos permite manter contato.
Damos graças a Deus pelo Espírito Santo.

Voz 2:

Somos nossas histórias.
Tenho ouvido histórias que mudaram vidas.
(aqui se fazem testemunhos espontâneos)

Ambos:

Somos testemunhas dessas coisas.

Todos:

Oramos por todos os que falam de coisas sem importância.
Damos graças por todos os que tem partilhado experiências
de cura, perdão e reconciliação.
Louvamos a Deus, pelo poder transformador de seu amor,
e oramos para que um dia a história de Cristo e a nossa sejam uma só.

 

TERCEIRO GESTO

Um grande globo (talvez um que possa ser iluminado) é levado ao lugar de destaque. Isso pode ser acompanhado por música.

Voz 1:

Tu és o único homem de passagem por Jerusalém que não tenha sabido o que se passou nestes dias?

Voz 2:

Hoje tenho conhecimento de desastres naturais
que ocorrem do outro lado do mundo.
Mas ainda assim deixo de notar quando meu vizinho sofre perdas
e não sei o que eles festejam na casa ao lado.
Sinto-me como estrangeiro em minha própria terra.

Voz 1:

Às vezes somos chamados a ficar quietos.
Se olharmos e escutarmos, encontraremos Cristo no outro.
Se olharmos para dentro, encontraremos Cristo em nós mesmos.
E, se estivermos abertos ao desafio e à vulnerabilidade,
então o Espírito Santo nos mostrará onde Deus nos  quer.

Voz 2:

Deus está em todas as situações. Ninguém é um estranho para Deus.
Tenho visto Deus em ação no que é grande e no que é pequeno.
(aqui se fazem testemunhos espontâneos)

Ambos:

Somos testemunhas dessas coisas.

Todos:

Oramos por todos que se encontram em circunstâncias trágicas.
Agradecemos pelas agências internacionais de assistência,
por serviços de emergência e por indivíduos que fazem
sacrifícios pessoais para ajudar seu próximo.
Louvemos a Deus, pelo dom e pelo poder da oração
 – porque sempre há algo que podemos fazer –
podemos orar.

 

QUARTO GESTO

Um credo ou outra declaração de fé (pode estar num banner ou em outra forma de representação visual) será levado ao local de destaque. Isso pode ser acompanhado por música.

Voz 1:

Que foi?

Voz 2:

Minha fé é preciosa.
Eu me apeguei a ela em momentos de grande tensão.
Não posso imaginar a vida sem ela.
Quero essa fé para os meus filhos.

Voz 1:

Não podemos deixar a responsabilidade para outros.
Somos chamados a testemunhar nossa fé.
Através dos tempos, homens e mulheres
têm espalhado a Palavra de Deus
e lugares escuros se tornaram claros.

Voz 2:

Neste lugar relembramos
aqueles que inspiraram a fé que temos hoje.
(aqui se fazem testemunhos espontâneos)

Ambos:

Somos testemunhas dessas coisas.

Todos:

Oramos por aqueles que defendem a fé em Cristo,
 mesmo quando enfrentam o ridículo, a perseguição, a morte.
Agradecemos por aqueles que nos influenciaram.
E em silêncio agradecemos pelas coisas da fé
que são mais importantes para cada um de nós. (silêncio)
Louvamos a Deus por sua fidelidade
que permanece para sempre.
Amém.

 

QUINTO GESTO

Uma grande cruz ou crucifixo é levada ao lugar de destaque. Isso pode ser acompanhado por música.

Voz 1:

Não era preciso que o Cristo sofresse isso para entrar na sua glória?

Voz 2:

Tenho visto a desumanidade do homem para com o homem
 – em homens, em mulheres e naqueles que são pouco mais que crianças.
Já tenho visto o sofrimento de alguém que amo
e me sentido incapaz de erguê-lo de sua cruz.
Às vezes eu grito: Por que, ó Deus, por que?

Voz 1:

Há muitos tipos de sofrimento.
A guerra, o terrorismo e a crueldade humana nos lembram
que temos o poder de encarnar qualquer palavra:
por causa de Cristo, temos que nos certificar que essa palavra seja amor.
Não podemos suprimir os sofrimentos de doenças ou perdas,
 mas podemos entrar na dor e partilhá-la, com amor.

Voz 2:

Da cruz de Cristo manchada de sangue
brotou a colheita de fidelidade, perdão e amor.
Eu conheço essa colheita.
(aqui se fazem testemunhos espontâneos)

Ambos:

Nós somos testemunhas dessas coisas.

Todos:

Oramos por todos que sofrem nas mãos de outros.
E oramos por aqueles que provocam sofrimento.
Agradecemos por aqueles que personificam o amor em ação
e vão onde até anjos temem pisar.
Oramos por aqueles que estão doentes, pelos que cuidam deles
e por aqueles que estão próximos da morte.
Louvamos a Deus por sua promessa
de que não há nada, na vida ou na morte,
que possa nos separar do amor de Deus.
Amém.

 

SEXTO GESTO

Uma Bíblia é levada ao lugar de destaque. Isso pode ser acompanhado com música.

Voz 1:

Não ardia em nós o nosso coração quando ele nos falava no caminho?

Voz 2:

Não leio minha Bíblia tão frequentemente quanto deveria.
Mas há versículos preciosos e frases
que vivem profundamente em mim.
 E em momentos inesperados, sozinho ou acompanhado,
alguma coisa bem real acontece – agora –
e compreendo as palavras como nunca antes.
É isso que significa revelação?

Voz 1:

Deus revela sua Palavra de muitos modos.
Não temos que ficar procurando revelação –
o Espírito Santo abrirá nossos olhos e mentes
quando chegar o tempo certo.
E aqueles que Deus chama a ser profetas descobrem o sentido do hoje
à luz do ontem e nos apontam a direção do futuro.

Voz 2:

O amor é o centro da revelação.
Tenho sentido  meu coração arder de paixão.
(aqui se fazem testemunhos espontâneos)

Ambos:

Somos testemunhas dessas coisas.

Todos:

Oramos por todos aqueles que têm coração frio.
Oramos por aqueles que pensam que já viram tudo.
Agradecemos pelos profetas do passado e de hoje
que partilharam o que Deus lhes revelou.
Agradecemos por aqueles que, por amor a Cristo,
trouxeram justiça e libertação aos oprimidos.
Louvamos a Deus por todas as pessoas
que estão vivendo revelações de sua Palavra.
Amém.

 

SÉTIMO GESTO

Um grande ponto de interrogação é trazido ao lugar de destaque. Isso pode ser acompanhado com música.

Voz 1:

Que vem a ser essa perturbação e por que se elevam essas objeções em vossos corações?

Voz 2:

Invejo todos aqueles que nunca duvidaram.
Gostaria de ter tal segurança.
Mas acontecem coisas, a mim e a outras pessoas,
que me fazem questionar teu poder, ó Deus.
E cada funeral a que assisto
 me convida a viajar mais uma vez pela estrada de Emaús.

Voz 1:

É preciso coragem e confiança para acolher a dúvida.
Você precisa estar preparado para a caminhada.
A apatia, a omissão, a complacência e o autocentrismo
são os opostos da fé – não a dúvida.
Siga o caminho de Cristo.
Reze, louve a Deus e ame seu próximo como a si mesmo,
pois é nos pondo em ação que encontramos as respostas.

Voz 2:

Somente pela fé podemos viver nossos questionamentos.
Tenho experimentado incríveis descobertas na fé.
(aqui se fazem testemunhos espontâneos)

Ambos:

Somos testemunhas dessas coisas.

Todos:

Oramos por aqueles que vivem em perpétuo medo.
Oramos por aqueles que estão paralisados por suas inseguranças.
Agradecemos por aqueles que, com a força de sua fé,
suportam e encorajam outros diante da adversidade.
Agradecemos a Deus pela segurança que Jesus nos dá
de que, se nos dispusermos a tocar nossos fantasmas, [1]
nós também descobriremos que o Cristo está vivo.
Amém.

 

OITAVO GESTO

Um grande pão é levado ao lugar de destaque. Isso pode ser acompanhado com música.

Voz 1:

Vocês têm algo de comer?

Voz 2:

Tenho tido fome.
Tenho sido alimentado.
Não posso viver só de pão.
Mas não posso viver sem ele.

Voz 1:

Somos servidores no mundo de Deus.
Partilhamos um pão comum.
Há bastante para todos.
Apenas precisamos de hospitalidade.
Para cada um que nasceu há um lugar na mesa.

Voz 2:

A hospitalidade cria um espaço
onde as necessidades do outro são atendidas.
Tenho sabido de atos de hospitalidade que transformam vidas.
(aqui se fazem testemunhos espontâneos)

Ambos:

Somos testemunhas dessas coisas.

Todos:

Oramos por aqueles que vivem em lugares pouco hospitaleiros.
Agradecemos por aqueles que oferecem seu tempo,
seus talentos, seus recursos, seu próprio ser
para afirmar Cristo no outro.
Louvamos a Deus pela glória da cruz de Cristo,
convidando todos os que vêm a Jesus
para se unirem em sua festa da vida.
Amém.

Bênção

Que Deus todo poderoso repouse sobre teus ombros
e proteja todos os teus passos.
Que o Filho de Maria habite em teu coração
e que o Espírito Santo se derrame sobre ti.

(Carol Ford)

 

Contexto ecumênico da Escócia

De 1910 a 2010

A Conferência de Edimburgo 1910 viu o nascimento do movimento ecumênico moderno, mas por que isso aconteceu em Edimburgo? A Escócia, intelectual e culturalmente, tem uma forte tradição de internacionalismo que vem desde as missões celtas. Essa perspectiva internacional foi desenvolvida por destacados teólogos escoceses e pelas lideranças das Igrejas. A isso se juntou o espírito missionário do protestantismo escocês do século XIX, que, além da evangelização, se preocupava com a transformação da expansão econômica do império britânico. Esse envolvimento da missão levou as Igrejas ao desejo de apoiar a Conferência Missionária Mundial, em vez de deixá-la por conta das agências missionárias.  E, para completar, a Escócia estava experimentando rápidas mudanças tanto na sociedade como na Igreja, que estimularam um sentido de mais ampla visão dentro das igrejas.

Em 2000, John Pobee (Gana) visitou a Escócia e estimulou as lideranças cristãs a celebrar o centenário de 1910. Nos poucos anos seguintes, um círculo cada vez mais amplo de estudiosos e ativistas da missão reconheceu que 2010 era uma data com grande potencial e que isso requeria uma ação conjunta.  Em 2005, um encontro internacional se realizou em Edimburgo e dele emergiram temasfundamentais para a missão no século XXI. Eles incluiam fundações para a missão; missão num contexto interconfessional; missão e suas relações com a modernidade e o poder; formas de engajamento missionário; educação teológica; comunidades cristãs contemporâneas; missão e unidade e missão e espiritualidade.

Também se reconheceu a necessidade de um evento central para a abordagem do centenário e isso acontecerá em Edimburgo de 2 a 6 de junho em 2010. O trabalho de Edimburgo 2010 está sendo coordenado através do site www.edinburg2010.org

Os anos seguintes

De 1940 até os dias de hoje três linhas de trabalho se desenvolveram no panorama ecumênico da Escócia.

Aprofundamento teológico

A partir do chamado Relatório dos Bispos (um relatório anglicano/presbiteriano de 1956), através de quase 30 anos de Conversações Multilaterais (1967-1994) envolvendo seis Igrejas na Escócia, e até  a Iniciativa das Igrejas Escocesas pela Unidade Cristã (Scottish Churches Initiative for Christian Unity – SCIFU – 1996-2003), muitos aspectos doutrinários foram abordados. Isso resultou numa maior compreensão de nossas diferentes tradições e numa progressiva descoberta de que há muito consenso teológico entre as Igrejas. O fato de que isso não tenha produzido um plano de união, a partir do qual poderíamos concordar, não se baseia em qualquer antagonismo entre as Igrejas mas vem do reconhecimento de que a unidade é algo maior do que a criação de um grande plano. Ela depende do reconhecimento de que a unidade é possível dentro das diferenças.

Cooperação prática

Em nível nacional dois movimentos foram surgindo na década de 50 dando ao tema grande energia e visão. No começo de 1960 isso se tornou mais visível com a abertura da Casa das Igrejas Escocesas em Dunblane – um Centro de Retiro e Encontros que “as Igrejas tinham em comum e onde podiam começar a aprender a crescer juntas para servir a Escócia”. Por volta de 1962, o Conselho das Igrejas Escocesas foi estabelecido com uma maioria de membros não católicos e com a presença de vários grupos e organizações ecumênicas que a ele se associaram. Isso levou a muitas atividades de âmbito nacional como por exemplo, cursos na Quaresma, trabalho com a juventude, trabalho de assessoria às comunidades, que logo se expandiram em ação conjunta com Conselhos locais por toda a Escócia. Em 1986  um curso de Quaresma no Reino Unido foi o catalizador de novos “instrumentos de unidade”, que pela primeira vez incluíram a Igreja Católica Romana. Foi assim que, em 1990, nasceu a Ação de Igrejas Unidas da Escócia (Action for Churches Together in Scotland – ACTS).

A voz profética

Esta terceira linha de trabalho é a mais difícil na vida das Igrejas. Mas sem ela o ecumenismo perderia sua capacidade de ação. À medida que as Igrejas cresceram na aproximação, o ecumenismo foi produzindo sua própria ação profética. Christian Aid  mostrou em seu trabalho tanto a expressão prática da compaixão pela fome que há no mundo como as palavras proféticas de protesto pela justiça. A Comunidade de Iona , que sempre teve um forte compromisso ecumênico, desafiou abertamente as Igrejas e o mundo a superar sua desunião e a injustiça. Houve momentos proféticos , como na visita do papa João Paulo II à Escócia, em 1982, quando ele disse: “caminhemos juntos como peregrinos, de mãos dadas.”

Nos últimos anos, o ecumenismo se expandiu num contexto inter religioso e para um testemunho cristão numa sociedade mais secularizada e com variedade de culturas. Sua história na Escócia mostra que, para dar conta dos desafios que temos pela frente, precisamos manter essas três linhas em interação. Não se trata de uma escolha entre elas. Somente quando elas interagem é que se cria a teologia, a cooperação e a voz profética, que estão no coração da visão ecumênica.

Tartans”são um dos tesouros da Escócia. Tradicionalmente, cada padrão se identifica com um particular “clã” ou família, mas tartans são uma tradição viva e continuam a ser criados para muitos objetivos e organizações. Os tartans têm uma cor básica sobre a qual são colocadas listras horizontais e verticais. O texto acima seria esse fundo básico e abaixo oferecemos várias listras horizontais e verticais que representariam alguns dos caminhos pelos quais as Igrejas se unem entre si e com a sociedade mais ampla.

Listras horizontais – Igrejas que buscam juntas a unidade

A Comissão Conjunta para a Doutrina da Igreja da Escócia e da Igreja Católica Romana

Esse diálogo bilateral tem se mostrado uma rica fonte de bênção. Seu documento mais recente se chama: “Batismo: Católico e Reformado” e resume o progresso na compreensão do batismo comum, mas também convida a avançar na reflexão sobre o que significa a missão da Igreja hoje. A Comissão Conjunta é um exemplo de positivo diálogo teológico ecumênico, e mostra que pessoas e instituições estão desejosas de se escutar mutuamente. A Comissão Conjunta está atualmente estudando a cura das memórias históricas e a doutrina da santificação.

A corrente EMU

Com o fim da Iniciativa das Igrejas Escocesas pela União, três denominações se comprometeram a explorar as possibilidades de trabalho, serviço e testemunho conjuntos. Assim nasceram os diálogos da EMU. Representantes  da Igreja Episcopal Escocesa, da Igreja Metodista e Igreja Reformada Unida se encontram duas vezes ao ano para descobrir caminhos para fazer juntas, em nível nacional e local, aquelas coisas que não precisam ser feitas separadamente; ficam encantadas em ver como pessoas com especiais responsabilidades são capazes de explorar e identificar modos de crescente cooperação, por exemplo, na educação e no treinamento. EMU é um relacionamento jovem, cheio de vida, com grande potencial.

Desenvolvimento de relações com cristãos de minorias étnicas

Em 2007, as Igrejas da Escócia celebraram o Bicentenário do Ato de Abolição do Comércio de Escravos. Isso se tornou um estímulo para o desenvolvimento de relações entre as Igrejas tradicionais e um crescente número de minorias étnicas cristãs na Escócia. O Grupo de Justiça Racial das Igrejas Escocesas tem agora representantes das Igrejas africanas e de associações cristãs asiáticas.  Os Cristãos de Minoria Étnica estão se organizando para incrementar relações entre eles, com as Igrejas tradicionais e a ACTS.

Listras verticais – as Igrejas se envolvem na sociedade escocesa

As Igrejas e o Parlamento

O Serviço Parlamentar das Igrejas Escocesas (Scottish Churches Parliamentary Office - SCPO) nasceu do engajamento das Igrejas no processo que criou o Parlamento escocês. Tendo percebido que poderíamos atuar nisso juntos, as Igrejas organizaram o SCPO para que pudessem se ligar tão eficazmente quanto possível ao Parlamento e ao governo na Escócia- não como uma linha partidária, mas para garantir que haveria diálogo e que a voz das Igrejas seria ouvida. Fica claro que somos mais eficientes quando podemos nos expressar em uma única voz sobre nossa visão do bem comum na Escócia, mas onde há vozes diferentes somos honestos e temos abertura para acolhê-las.

As Igrejas e o diálogo nacional

Lideranças e representantes de doze Igrejas da Escócia aceitaram o convite do governo escocês para colaborar em um “diálogo nacional” para fazer escolhas sobre o futuro da Escócia. O grupo produziu a seguinte de declaração:

“Reconhecemos que a Igreja, assim como a nação, está numa caminhada; todos nós vamos nos esforçar para chegar aonde precisamos estar. Mas para a Igreja, como para nossa nação e nossas comunidades, desejamos estes valores cristãos que caracterizam nossa vida em comum na Escócia:

—   Uma nação moldada pelos princípios de amor a Deus e a todos os seres humanos.
—   Uma nação que promove a dignidade e a justiça para todos.
—   Uma nação que promove a fidelidade nas relações pessoais e comunitárias.
—   Uma nação que demonstra compaixão e cuidado com os fracos e os marginalizados
—   Uma sociedade em que as vozes de todos podem ser ouvidas.
—   Um povo que está menos preocupado com sua própria prosperidade  e mais empenhado no bem estar de outros.
—   Uma nação que se empenha em conseguir o melhor e na qual todos podemos experimentar a vida em plenitude.
—   Uma nação que acolhe a original contribuição dos que estão construindo a nova Escócia.
—   Um Estado que promove o bem estar de todos os seus cidadãos sem se exceder no uso da autoridade.

Para nós, esses valores se alicerçam em Jesus e visivelmente marcaram a história da Escócia, desenvolvida ao longo dos anos; onde eles são vividos e praticados, percebemos que eles ressoam entre pessoas de outras crenças e entre os que não creem.”

Pastores de rua

Os Pastores de Rua são uma iniciativa missionária que se espalha por toda a Escócia. Equipes de Pastores de Rua das Igrejas locais, voluntários e treinados, estão disponíveis tarde da noite em centros urbanos para oferecer aconselhamento e ajuda prática, ao povo em geral. “Iremos ao encontro das pessoas, conversaremos e nos envolveremos através da escuta, do apoio e da ajuda, de maneira concreta. Isso pode significar acompanhar uma garota que está sozinha até o táxi no meio da noite; acalmar alguém que está com medo ou ouvir pessoas que precisam saber que alguém se importa com elas”- disse James Duce, da Igreja da cidade de Aberdeem, a primeira cidade escocesa a ter Pastores de Rua.

 

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Temas de 1968 a 2010

 

Em 1968, materiais preparados em conjunto pela Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e pelo pontifício Conselho para a Unidade
dos Cristãos foram usados pela primeira vez.

 

1968 Para o louvor de sua glória  (Efésios 1,14)

1969 Chamados à liberdade  (Gálatas 5,13)
(Encontro preparatório em Roma, Itália)

1970 Somos colaboradores de Deus ( 1 Coríntios 3,9)
(Encontro preparatório no monastério de Niederaltaich, na República Federal Alemã)

1971 ... e a comunhão do Espírito Santo (2 Coríntios 13.13)

1972 Eu vos dou um novo mandamento  (João 13,34)
(Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1973 Senhor, ensina-nos a orar (Lucas 11,1)
(Encontro preparatório no mosteiro de Montserrat, Espanha)

1974 Que toda língua confesse: Jesus Cristo é o Senhor (Filipenses 2, 1-13)
(Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1975 Plano de Deus: todas as coisas em Cristo (Efésios 1,3-10)
(Material de um grupo australiano. Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1976 Seremos como Ele (João 3,2) ou Chamados a ser o que somos
(Material da Conferência Caribenha de Igrejas; encontro preparatório  em Roma, Itália)

1977 A esperança não nos decepciona  (Romanos 5,15)
(Material do Líbano, no meio de uma guerra civil; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1978 Não sois mais estrangeiros  (Efésios 2,13-22)
(Material de uma equipe ecumênica em Manchester, Inglaterra)

1979 Servi uns aos outros para a glória de Deus  (1 Pedro 4,7-11)
(Material da Argentina; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1980 Que venha o teu Reino! (Mateus 6,10)
(Material de um grupo ecumênico em Berlim, República Democrática Alemã; encontro preparatório em Milão)

1981 Um Espírito – muitos dons – um só corpo  (1 Coríntios 12,3b-13)
(Material dos Graymoor Fathers, USA; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1982 Que todos estejam na tua casa, Senhor  (Salmo 84)
(Material do Quênia; encontro preparatório em Milão, Itália)

1983 Jesus Cristo – a Vida do mundo  (1 João 1,1-4)
(Material de um grupo ecumênico na Irlanda; encontro preparatório em Céligny, Suíça)

1984 Chamados a ser um pela cruz de nosso Senhor (2 Coríntios 2,2 e Colossenses 1,20)
(Encontro preparatório em Veneza, Itália)

1985 Da morte à vida com Cristo  (Efésios 2,4-7)
(Material da Jamaica; encontro preparatório em Grandchamp, Suíça)

1986 Vós sereis minhas testemunhas  (Atos 1,6-8)
(Material da Iugoslávia- Eslovênia ; encontro preparatório na Iugoslávia)

1987 Unidos em Cristo – uma nova criação  (2 Coríntios 5,17 a 6,4a)
(Material da Inglaterra; encontro preparatório em Taizé, França)

1988 O amor de Deus afasta o medo  (1 João 4,18)
(Material da Itália; encontro preparatório em Pinerolo, Itália)

1989 Construindo a comunidade: um só corpo em Cristo  (Romanos 12,5-6a)
(Material do Canadá; encontro preparatório em Whaley Bridge, Inglaterra)

1990 Que todos sejam um... para que o mundo creia (João 17)
(Material da Espanha; encontro preparatório em Madri, Espanha)

1991 Louvai ao Senhor, todas as nações (Salmo 117 e Romanos 15,5-13
(Material da Alemanha; encontro preparatório em Rotenberg an der Fulda, República Federal da Alemanha)

1992 Estou convosco sempre... Ide, portanto. (Mateus 28,16-20)
(Material da Bélgica; encontro preparatório em Bruges, Bélgica)

1993 Dando frutos no Espírito para a unidade cristã  (Gálatas 5,22-23)
(Material do Zaire; encontro preparatório em Zurich, Suíça)

1994 A casa de Deus: chamados a ser um no coração e na mente  (At 4,23-37)
(Material da Irlanda; encontro preparatório em Dublin, República da Irlanda)

1995 Koinonia: comunhão em Deus e uns com os outros (João 15,1-17)
(Material de Fé e Ordem; encontro preparatório em Bristol, Inglaterra)

1996 Eis que estou à porta e bato  (Apocalipse 3, 14-22)
(Material de Portugal; encontro preparatório em Lisboa, Portugal)

1997 Em nome de Cristo, reconciliai-vos com Deus  (2 Coríntios 5,20)
(Material do Conselho Ecumênico Nórdico; encontro preparatório em Estocolmo, Suécia)

1998 O Espírito socorre a nossa fraqueza   (Romanos 8,14-27)
(Material da França; encontro preparatório em Paris, França)

1999 Deus habitará com eles. Será seu Deus e eles serão seu povo (Apocalipse 21,1-7)
(Material da Malásia; encontro preparatório no mosteiro de Bose, Itália)

2000 Louvado seja Deus, que nos abençoou em Cristo (Efésios 1,3-14)
(Material do Conselho de Igrejas do Oriente Médio; encontro preparatório em La Verna, Itália)

2001 Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida  (João 14,1-6)
(Material da România; encontro preparatório em Vulcan, România)

2002 Em ti está a fonte da vida (Salmo 36,5-9)
(Material do CEEC e CEC; encontro preparatório perto de Augsburg, Alemanha)

2003 Trazemos este tesouro em vasos de argila (2 Coríntios 4,4-18)
(Material das Igrejas da Argentina; encontro preparatório em Los Rubios, Espanha)

2004 Eu vos dou a minha paz  (João 14,23-31 e João 14,27)
(Material de Aleppo, Síria; encontro preparatório em Palermo, Sicília)

2005 Cristo, o único fundamento da Igreja  (1 Coríntios 3,1-23)
(Material da Eslováquia; encontro preparatório em Piestany, Eslováquia)

2006 Quando dois ou três se reúnem em meu nome, eu estou no meio deles (Mateus 18,18-20)
(Material da Irlanda; encontro preparatório em Prosperous, Co. Kildare, Irlanda)

2007 Ele faz os mudos falarem e os surdos ouvirem (Marcos 7,31-37)
(Material da África do Sul; encontro preparatório em Faverges, França)

2008 Orai sem cessar (1 Tessalonicenses  5, 12a. 13b- 18)
(Material dos EUA; encontro preparatório em Graymoor, Garrison, EUA)

2009 Unidos em tua mão  (Ezequiel 37, 15-28)
(Material da Coréia; encontro preparatório em Marselha, França)

2010 Vós sois testemunhas disso (Lucas 24,48)
(Material da Escócia; encontro preparatório em Glasgow, Escócia)

 

Datas marcantes na história da Semana
de Oração pela Unidade dos Cristãos

 

1740 Na Escócia, surgiu um movimento pentecostal, ligado à América do Norte, cuja mensagem de reavivamento incluía preces por e com todas as Igrejas.

1820 O Rev. James Haldane Stewart publica “Orientações para a união geral dos cristãos para o derramamento do Espírito”.

1840    O Rev. Ignatus Spencer, convertido ao catolicismo romano, sugere uma “União de oração pela unidade”.

1867 A Primeira Conferência de Bispos Anglicanos em Lambeth destaca a oração pela unidade no Preâmbulo de suas Resoluções.

1894 O papa Leão XIII estimula a prática de Oitava de Oração pela Unidade, no contexto de Pentecostes.

1908 Primeira vivência da Oitava da Unidade Cristã, iniciativa do Rev. Paul Wattson.

1926 O movimento Fé e Ordem começa a publicar “Sugestões para uma oitava de oração pela unidade cristã.”

1935 O abade Paul Couturier defende uma “Semana Universal de Orações pela Unidade dos Cristãos”, baseada em preces inclusivas pela “unidade que Cristo quiser, pelos meios que ele quiser”.

1958 A Unidade Cristã (Lyons, França) e a Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas começam a preparar em cooperação os materiais para a Semana de Oração.

1964 Em Jerusalém, o papa Paulo VI e o patriarca Athenagoras I rezam juntos a prece de Jesus para “que todos sejam um” (João 17)

1964 O decreto sobre Ecumenismo do Vaticano II enfatiza que a oração é a alma do movimento ecumênico e incentiva a observância da Semana de Oração.

1966 A Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e o Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (hoje conhecido como Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos) começam a preparar oficialmente juntos o material da Semana de Oração.

1968 Primeiro uso oficial do material da Semana de Oração preparado em conjunto por Fé e Ordem e pelo Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (hoje conhecido como Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos).

1975 Primeiro uso de material da Semana de Oração baseado em uma versão inicial de texto preparada por um grupo ecumênico local. Um grupo australiano foi o primeiro a assumir esse projeto, na preparação do texto inicial de 1975.

1988 Os materiais da Semana de Oração foram usados na celebração de fundação da Federação Cristã da Malásia, que une os grupos cristãos majoritários do país.

1994 Um grupo internacional prepara o texto para 1996, incluindo representantes de YMCA e YWCA (Associação Cristã de Moços/as).

2004 Formaliza-se um acordo pelo qual os materiais da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos serão publicados e produzidos no mesmo formato por Fé e Ordem (WCC) e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Igreja Católica).

2008 Comemoração do centésimo aniversário da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (sua predecessora, a Oitava da Unidade Cristã, foi observada pela primeira vez em 1908).

 


 
[1] Lucas 24,37
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