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PONTIFÍCIO CONSELHO
PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

 

A TER EM CONSIDERAÇÃO

Esta é a versão portuguesa do texto para a SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS 2011. O material, finalizado à difusão internacional, foi preparado por uma comissão mista nomeada pelo Pontifício Conselho para a promoção da unidade dos cristãos e pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial das Igrejas, com base numa proposta de um grupo ecuménico de Jerusalém. As Comissões ecuménicas das Conferências Episcopais e dos Sínodos das Igrejas católicas de rito oriental foram convidadas a adaptar o texto de acordo com a situação ecuménica local e as diversas tradições litúrgicas presentes no território.

Se desejar obter uma cópia do texto adaptado ao seu contexto, convidamo-lo a pôr-se em contacto com a Comissão ecuménica da sua Conferência episcopal ou com o seu Sínodo local.

 

 

Tradução para o português:
Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo
e o Diálogo Inter-religioso
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
Brasília, 2010.

 

 

 

Subsídios para a

SEMANA DE ORAÇÃO PARA A UNIDADE DOS CRISTÃOS
e para todo o ano 2011

 

Unidos no ensinamento dos apóstolos,
na comunhão fraterna,
na fração do pão e nas orações
(Cf
Atos 2,42)

Preparado conjuntamente por
Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e
Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas

 

Para os que estão organizando
a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

A busca da unidade ao longo de todo o ano

No hemisfério norte, o período tradicional para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é de 18 a 25 de janeiro. Essas datas foram propostas em 1908 por Paul Watson porque cobriam o tempo entre as festas de São Pedro e São Paulo e tinham, portanto, um significado simbólico. No hemisfério sul, em que janeiro é tempo de férias, as Igrejas geralmente preferem outras datas para celebrar a Semana de Oração como, por exemplo, ao redor de Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja. Levando em conta essa flexibilidade no que diz respeito à data, estimulamos vocês a compreender o material aqui apresentado como um convite para achar oportunidades ao longo de todo o ano para expressar o grau de comunhão que as Igrejas já tenham atingido e para orar juntos por aquela unidade plena que é desejo de Cristo.

Adaptando o texto

Este material é oferecido com a idéia de que, sempre que possível, será adaptado para uso no nível local. Ao fazer isso, devem-se levar em conta as práticas litúrgicas e devocionais da região e o conjunto do contexto social e cultural. Tais adaptações normalmente acontecem de forma ecumênica. Em alguns lugares já se formaram estruturas ecumênicas para a adaptação do material. Em outros, esperamos que a necessidade de tal adaptação venha a ser um estímulo para a criação dessas estruturas.

Usando o material da Semana de Oração

Para Igrejas e Comunidades cristãs que vivem juntas a Semana de Oração através de um culto em comum, foi providenciado um roteiro para essa celebração.

Igrejas e Comunidades cristãs podem também incorporar material da Semana de Oração a seus próprios cultos. As orações da celebração proposta, as reflexões dos “oito dias” e a seleção de preces adicionais podem ser usadas de modo adequado ao que cada grupo vai fazer.

Comunidades que fazem celebrações ligadas ao tema em todos os dias da Semana de Oração podem incluir aí o material proposto para os “oito dias”.

Os que quiserem fazer estudos bíblicos sobre o tema da Semana de Oração podem tomar como base os textos sugeridos para os oito dias. A cada dia a reflexão pode levar a uma conclusão com preces de intercessão.

Os que desejarem orar de modo pessoal podem achar aqui material útil para direcionar as intenções da oração. Eles podem ter em mente que estão em comunhão com outros que estarão orando no mundo inteiro por uma maior unidade visível da Igreja de Cristo.

 

TEXTO BÍBLICO

Atos 2, 42-47

Eles eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. O temor de Deus se apoderava de todo mundo: muitos prodígios e sinais se realizavam pelos apóstolos. Todos os que abraçavam a fé estavam unidos e tudo partilhavam. Vendiam suas propriedades e os seus bens para repartir o dinheiro apurado entre todos, segundo as necessidades de cada um. De comum acordo, iam diariamente ao Templo com assiduidade: partiam o pão em casa, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e eram favoravelmente aceitos por todo o povo. E o Senhor ajuntava cada dia à comunidade os que encontravam a salvação.

Tradução Ecumênica da Biblia (TEB)

 

INTRODUÇÃO AO TEMA
PARA O ANO DE 2011
Atos 2,42,47

A Igreja em Jerusalém, ontem, hoje, amanhã

Há dois mil anos, os primeiros discípulos de Cristo reunidos em Jerusalém experimentaram o derramamento do Espírito Santo em Pentecostes e foram reunidos na unidade como corpo de Cristo. Nesse evento, os cristãos de todos os tempos e lugares vêem sua origem como comunidade de fiéis, chamados a proclamar juntos Jesus Cristo, como Senhor e Salvador. Embora aquela iniciante Igreja de Jerusalém experimentasse dificuldades, interna e externamente, seus membros perseveraram na fidelidade e na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Não é difícil perceber como a situação dos primeiros cristãos na cidade santa reflete a da Igreja em Jerusalém hoje. A comunidade atual experimenta muitas das alegrias e tristezas da Igreja dos primeiros tempos: sua injustiça e desigualdade, e suas divisões, mas também sua fiel perseverança e o reconhecimento de uma unidade mais ampla entre os cristãos.

As Igrejas em Jerusalém hoje nos oferecem uma visão do que significa buscar a unidade, mesmo em meio a grandes problemas. Elas nos mostram que o chamado à unidade pode ser mais do que meras palavras e que, de fato, ele pode nos orientar para um futuro no qual antecipamos e ajudamos a construir a Jerusalém celeste.

É preciso realismo para transformar tal visão em modo concreto de viver. A responsabilidade por nossas divisões é nossa; elas são o resultado de nossas próprias ações. Precisamos mudar nossa oração, pedindo a Deus que nos transforme para que possamos trabalhar ativamente pela unidade. Estamos bastante dispostos a rezar pela unidade, mas isso pode se tornar um substitutivo para a ação que vai fazer com que ela aconteça. Será possível que estejamos sendo, nós mesmos, um bloqueio ao Espírito Santo porque somos obstáculos à unidade, porque nosso orgulho vaidoso é uma barreira à unidade?

Este ano, o chamado à unidade, para as Igrejas do mundo inteiro, vem de Jerusalém, a Igreja mãe. Conscientes de suas próprias divisões e de sua própria necessidade de fazer mais pela unidade do corpo de Cristo, as Igrejas em Jerusalém fazem um apelo a todos cristãos para a redescoberta conjunta dos valores que mantinham unida a comunidade primitiva em Jerusalém, quando os cristãos se uniam no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações. Esse é o desafio que está diante de nós. Os cristãos de Jerusalém convocam seus irmãos e irmãs para fazer desta Semana de Oração uma ocasião de renovar o compromisso de trabalho por um genuíno ecumenismo, enraizado na experiência da Igreja dos primórdios.

Quatro elementos de unidade

As orações da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2011 foram preparadas por cristãos em Jerusalém, que escolheram como tema At 2,42: “Eles eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. Esse tema é um chamado à volta às origens da primeira Igreja em Jerusalém; é um chamado à inspiração e renovação, a uma volta ao essencial da fé; é um chamado a relembrar o tempo em que a Igreja ainda era una. Dentro desse tema, são apresentados quatro elementos que eram marcos da primeira comunidade cristã e que são essenciais à vida da comunidade cristã, onde quer que ela exista.

Primeiramente, temos a palavra que era comunicada pelos apóstolos. Em segundo lugar, a comunhão fraterna (koinonia) era um sinal importante entre os primeiros fiéis sempre que se reuniam. Uma terceira marca da Igreja primitiva era a celebração da Eucaristia (a fração do pão), lembrando a Nova Aliança que Jesus realizou através de seu sofrimento, morte e ressurreição. O quarto aspecto é a atitude constante de oração. Esses quatro elementos são os pilares da vida da Igreja e de sua unidade.

A comunidade cristã na Terra Santa deseja dar proeminência a esses elementos essenciais básicos ao elevar a Deus suas preces pela unidade e vitalidade da Igreja no mundo. Os cristãos de Jerusalém convidam suas irmãs e irmãos do mundo inteiro a se unir a eles em oração enquanto trabalham pela justiça, paz e prosperidade para todos os povos da terra.

Os temas dos oito dias

Há uma caminhada de fé que pode ser detectada nos temas dos oito dias. Desde seus inícios na “sala superior”, a primitiva comunidade cristã experimenta o derramamento do Espírito Santo, que lhe permite crescer na fé e na unidade, na oração e na ação, de modo a tornar-se verdadeiramente uma comunidade da Ressurreição, unida a Cristo em sua vitória sobre tudo que nos divide uns dos outros e nos separa dele. Então a própria Igreja de Jerusalém se torna um farol de esperança, uma degustação antecipada da Jerusalém celeste, chamada a reconciliar não somente nossas Igrejas, mas todos os povos.

Essa caminhada é guiada pelo Espírito Santo, que conduz os primeiros cristãos ao conhecimento da verdade sobre Jesus Cristo e que enche a Igreja primitiva de sinais e prodígios, para a admiração de muitos. À medida que prosseguem na caminhada, os cristãos de Jerusalém se reúnem com devoção para ouvir a Palavra de Deus pregada no ensinamento dos apóstolos, e se juntam em comunhão para celebrar sua fé no sacramento e na oração. Cheia do poder e da esperança que vêm da Ressurreição, a comunidade celebra sua vitória certa sobre o pecado e a morte, e assim tem a coragem e a visão para ser ela própria um instrumento de reconciliação, inspirando e desafiando todos os povos a superar as divisões e injustiças que os oprimem.

O dia 1 apresenta as bases da Igreja mãe de Jerusalém, deixando clara sua continuidade com a Igreja de hoje pelo mundo inteiro. Ele nos relembra a coragem da Igreja primitiva, que bravamente dava testemunho da verdade, assim como hoje necessitamos trabalhar pela justiça em Jerusalém e no resto do mundo.

O dia 2 recorda que a primeira comunidade unida em Pentecostes tinha em seu interior pessoas de origens diversas, assim como a Igreja em Jerusalém hoje representa uma rica diversidade de tradições cristãs. Nosso desafio hoje é conseguir uma unidade visível maior, capaz de acolher nossas diferenças e tradições.

O dia 3 contempla o primeiro elemento essencial de unidade: a Palavra de Deus apresentada através do ensinamento dos apóstolos. A Igreja de Jerusalém nos recorda que, sejam quais forem as nossas divisões, esses ensinamentos nos impelem a nos envolver em amor mútuo e em fidelidade ao corpo único que é a Igreja.

O dia 4 enfatiza a partilha como segunda expressão de unidade. Assim como os primeiros cristãos punham tudo em comum, a Igreja de Jerusalém chama todos os irmãos e irmãs da Igreja a partilhar bens e tarefas, com coração alegre e generoso, para que ninguém passe necessidade.

O dia 5 destaca o terceiro elemento da unidade: a fração do pão, que nos une em esperança. Nossa unidade vai além do momento da Santa Comunhão: ela precisa incluir a atitude correta a respeito da vida ética, da pessoa humana e de toda a comunidade. A Igreja de Jerusalém conclama os cristãos a se unirem na “fração do pão” hoje, porque uma Igreja dividida não pode falar com autoridade sobre temas de justiça e paz.

O dia 6 apresenta o quarto elemento de unidade: com a Igreja em Jerusalém ganhamos força pelo tempo que nos dedicamos à oração. Especificamente, a Oração do Senhor chama todos nós, em Jerusalém e no mundo inteiro, os fracos e os poderosos, a um trabalho conjunto pela justiça, paz e unidade, para que venha a nós o Reino de Deus.

O dia 7 nos leva além dos quatro elementos da unidade, com a Igreja em Jerusalém alegremente proclamando a Ressurreição, mesmo quando ela carrega a dor da cruz. A Ressurreição de Jesus é hoje para os cristãos em Jerusalém a força que lhes permite a permanência constante no seu testemunho, no trabalho para a liberdade e a paz na Cidade da Paz.

O dia 8 conclui a caminhada com um chamado das Igrejas de Jerusalém para um trabalho mais amplo de reconciliação. Mesmo se os cristãos conseguirem unidade entre eles, sua tarefa não estará completa, porque eles precisam se reconciliar com outros. No contexto de Jerusalém, isso significa relacionamento entre palestinos e israelitas; em outras comunidades, os cristãos são desafiados a buscar justiça e reconciliação em seu próprio contexto.

O tema de cada dia foi, portanto, escolhido não apenas para nos recordar a história da Igreja dos primeiros tempos, mas também para nos trazer à mente as experiências de cristãos em Jerusalém hoje, e para convidar todos nós a uma reflexão sobre como podemos trazer essa experiência para a vida de nossas comunidades cristãs em cada local.

Durante esta caminhada de oito dias, os cristãos de Jerusalém nos convidam a proclamar e dar testemunho de que a Unidade – em seu sentido pleno de fidelidade ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações – nos dará a possibilidade de, juntos, superarmos o mal, não só em Jerusalém, mas no mundo inteiro.

 

PREPARAÇÃO DO MATERIAL PARA
A SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS 2011

O trabalho inicial que levou à publicação deste livreto foi feito por um grupo de líderes cristãos de Jerusalém. Eles se reuniram a convite do Conselho Mundial de Igrejas. Seu trabalho foi facilitado pelo Centro Inter- Eclesial de Jerusalém. Queremos agradecer em particular àqueles que contribuíram para este trabalho:

- Sua Beatitude, o Patriarca Latino Emérito, Michel Sabbah
- Sua Graça Bispo Munib Younan, da Igreja Evangélica Luterana no Jordão e na Terra Santa
- Rev. Naim Ateek, da Igreja Episcopal em Jerusalém e no Oriente Médio
- Rev Frans Bouwen, da Igreja Católica Romana
- Fr. Alexander, do Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém
- Fr. Jamal Khader, da Universidade de Belém
- Sr. Michael Bahnam, do Patriarcado Sírio Ortodoxo de Antioquia
- Sra. Nora Karmi, da Igreja Ortodoxa Armênia
- Sr. Yusef Daher, da Igreja Católica Grega Melquita

Os textos aqui propostos foram finalizados durante o encontro do grupo internacional preparatório promovido pela Comissão de Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, da Igreja Católica Romana. O encontro do grupo internacional preparatório aconteceu no Monastério de São Cristóforus, em Saydnaya, Síria. Os participantes desejam apresentar seus agradecimentos a Sua Beatitude, Ignatius IV, Patriarca Grego Ortodoxo de Antioquia e a sua equipe em Damasco e Saydnaya, por seu caloroso acolhimento e sua generosa hospitalidade, e aos líderes das diferentes tradições cristãs por seu apoio e encorajamento.

 

INTRODUÇÃO
À CELEBRAÇÃO ECUMÊNICA

“Eles eram assíduos aos ensinamentos dos apóstolos e à comunhão fraterna,
 à fração do pão e às orações”.
(Atos 2,42)

O tema deste ano, oferecido a nossa meditação pelas Igrejas em Jerusalém, convida os cristão, em todo lugar, a refletir sobre sua relação com a Igreja mãe de Jerusalém, para ter um olhar novo sobre as próprias situações em que estamos envolvidos. Foi a partir dessa comunidade de Jerusalém que todas as outras comunidades nasceram. Essa comunidade terrena de Jerusalém é uma prefiguração da Jerusalém celeste, onde todos os povos serão reunidos ao redor do trono do Cordeiro em eterno louvor e adoração a Deus.

Os cristãos de Jerusalém convidam a meditar, em nossos encontros ecumênicos de 2011, sobre a importância de nosso envolvimento com os ensinamentos dos apóstolos e a comunhão fraterna, com a fração do pão e as orações; são elementos que nos unem, embora sejamos muitos, no único corpo de Cristo. As Igrejas em Jerusalém nos pedem que lembremos de sua precária situação em nossas orações e que oremos pela justiça que trará paz à Terra Santa. A liturgia ecumênica aqui apresentada pretende destacar a dimensão fundamental de todo testemunho cristão, que é o amor a serviço do Evangelho da reconciliação com Deus e com toda a humanidade e a criação.

 

ROTEIRO DE CELEBRAÇÃO

O roteiro está dividido em: 1) reunião da assembléia; 2) celebração da Palavra de Deus; 3) oração de arrependimento e paz; 4) preces pela unidade cristã; 5) envio

I. Reunião da assembléia

De acordo com costumes locais, símbolos apropriados podem ser trazidos à frente e colocados diante da assembléia enquanto se canta o hino de abertura. Depois da saudação inicial, feita pela pessoa que preside, algumas palavras de boas vindas podem ser dirigidas às comunidades e lideranças que se reuniram para celebrar.

A assembléia é então convidada a se preparar para celebrar e louvar a Deus através de frases e oração de abertura em forma de diálogo com resposta coletiva, na forma tradicional usada no oriente.

II. Celebração da Palavra de Deus

A leitura dos Atos dos Apóstolos está no centro e dela derivam as outras partes do culto. Ao selecionar o texto de Atos, o comitê planejador de Jerusalém quis acentuar as idéias de fidelidade ao ensinamento dos apóstolos e a partilha de todas as coisas em comum, como chave da unidade cristã. A homilia pode desenvolver esses temas, bem como enfatizar a necessidade de que os cristãos do mundo inteiro apoiem em oração seus irmãos e irmãs que testemunham o Evangelho do amor na Cidade Santa.

Depois da homilia pode haver um tempo de meditação, silencioso ou acompanhado por música. Uma oferta , ou coleta, para ajudar os cristãos e suas instituições (escolas, hospitais etc) pode ser feita e enviada a uma adequada organização cristã.

III. Oração de arrependimento e paz

Uma ação simbólica pode ser realizada durante esta oração.

Opção 1: várias velas que foram carregadas em procissão na abertura da liturgia e colocadas à vista da assembléia podem ser apagadas uma a uma após cada pedido de perdão, deixando uma vela de Cristo, ou círio pascal, acesa à medida que as luzes da Igreja vão se apagando. Ao final da prece da paz pequenas velas são distribuídas aos presentes. A Confissão de fé, que pode ser feita a partir do Credo Niceno ou Apostólico ou de alguma outra tradicional expressão de fé, vem depois da saudação de paz feita em semi escuridão. As velas que se apagaram são então acesas ( a partir da vela de Cristo ou círio pascal), uma a uma, depois de cada prece pela unidade cristã. Os participantes são convidados a levar para casa as velas que receberam e a acendê-las a cada noite durante a Semana de Oração e, se for apropriado, a colocá-las em suas janelas como continuação dessa vigília de oração e como uma lembrança dos cristãos da Terra Santa e de outros lugares que enfrentam sofrimento por causa de sua fé.

Opção 2: Um grupo (por exemplo: crianças ou jovens) prepara com antecedência uma figura (uma imagem de Cristo, uma cruz, o retrato de uma igreja ou qualquer outro símbolo apropriado para a unidade) e a corta em grandes pedaços. Durante as preces pela unidade cristã e suas respostas, representantes das várias comunidades presentes vão colocando as peças, armando a figura diante da assembléia. Na conclusão das preces o mosaico completo representará a unidade de todos no único corpo de Cristo, com a diversidade vista como dom precioso que Deus dá às Igrejas.

Opção 3: Algum incenso pode ser oferecido por membros de cada comunidade depois de cada oração de arrependimento e petição de perdão, representando a misericórdia de Deus, que cobre nossos pecados, e a graça de Deus, que nos cura. Um recipiente contendo carvão aceso pode ser colocado no centro da assembléia ou próximo ao lugar onde são feitas as leituras. Depois de cada confissão de pecado, o leitor ou outro membro da assembléia colocará algum incenso sobre o carvão. Esse gesto representa a disposição da assembléia de reconhecer o pecado e acolher a resposta da misericórdia de Deus.

IV. Preces pela unidade cristã

Estes pedidos são inspirados pela situação das Igrejas em Jerusalém. No entanto, cada situação local pode gerar seus próprios pedidos, que demonstram como em cada lugar se busca superar a divisão e encontrar meios de visível comunhão plena. A prece é conduzida pelo presidente da celebração e pelo leitor, com a comunidade respondendo a cada vez. A prece se conclui com a recitação da Oração do Senhor. Cada um pode rezá-la em sua própria língua ou em aramaico, que é a língua usada por alguns cristãos hoje na Cidade Santa (ver apêndice).

V. Envio

A assembléia invoca a bênção de Deus sobre seus membros, que são enviados como embaixadores da Boa Nova da reconciliação. Um hino pode concluir o culto.

 

ROTEIRO
DA CELEBRAÇÃO ECUMÊNICA

P: presidente da celebração
A: assembléia
L: leitor

I. Entrada

Hino de abertura

Invocação de abertura:

P: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
A: Amém.

Falas de abertura

P: De todos os cristãos de Jerusalém aos fiéis de ............... (local da celebração) que estão em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: a vós, a graça e a paz. (1 Ts 1,1)

A: Damos graças a Deus.

Saudações

P: Compassivo e amoroso Deus, que nos criaste à tua semelhança

A: Por isso te louvamos e te agradecemos.

P: Nós nos reunimos em teu nome, para te pedir a restauração da unidade de todos aqueles que confessam teu Filho Jesus Cristo como Senhor e Salvador de todos.

A: Ó Deus, ouve-nos e tem compaixão de todos nós.

P: Ajuda-nos em nossa fraqueza e fortalece-nos com teu Santo Espírito.

A: Envia teu Espírito para que sejamos um.

P: Oremos ao Senhor.

A: Kyrie, kyrie eleison.

P: Generoso Deus, prometeste através dos profetas que Jerusalém será o lar de muitos povos, a mãe de muitas nações. Ouve nossas preces para que Jerusalém, a cidade de tua visitação, possa ser para nós todos um lugar onde habitaremos contigo e nos encontraremos, uns com os outros, em paz. Oramos ao Senhor.

A: Kyrie, kyrie eleison.

P: Misericordioso Deus, que o teu Espírito, doador de vida, mova cada coração humano, que as barreiras que nos dividem desabem, que as suspeitas desapareçam, que os ódios se acabem e que, com as divisões curadas, teu povo possa viver em justiça e paz. Oramos ao Senhor.

A: Kyrie, kyrie eleison.

P: Amoroso Deus, escuta nossas preces por tua cidade santa, Jerusalém. Põe fim ao seu sofrimento e devolve-lhe a saúde. Transforma-a de novo em tua casa, uma cidade de paz, uma luz para todos os povos. Promove a harmonia na cidade santa, entre todos os seus habitantes. Oramos ao Senhor.

A: Kyrie, kyrie eleison.

P: Abre agora nossos ouvidos e corações para ouvir a tua Palavra proclamada e ajuda-nos a vivê-la com mais fidelidade em tudo que fazemos e dizemos, para a glória do teu nome e a expansão do teu Reino, Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo.

A: Amém.

II. Liturgia da Palavra

P: É sabedoria! Ouçamos com atenção!

Antigo Testamento:

Gênesis 33, 1-4 ou Isaías 58,6-10
Salmo 96, 1-13

A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.
(ou outro hino baseado no salmo 96)

L: Cantai ao Senhor um canto novo,
Cantai ao Senhor, terra inteira;
Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.
Proclamai sua salvação dia por dia;
Anunciai sua glória entre as nações,
Suas maravilhas entre todos os povos.

A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.

L: Pois o Senhor é grande e cumulado de louvores,
Ele é terrível e superior a todos os deuses:
Todas as divindades dos povos são vaidades.
O Senhor fez os céus.
Esplendor e brilho estão diante de sua face,
Força e majestade no seu santuário.

A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.

L: Dai ao Senhor, famílias dos povos,
Dai ao Senhor glória e força;
Dai ao Senhor a glória do seu nome.
Trazei vossa oferenda, entrai nos seus átrios;
Prostrai-vos diante do Senhor, quando brilha sua santidade;
Tremei diante dele, terra inteira.

A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.

L: Dizei entre as nações: o Senhor é rei.
Sim, o mundo permanece firme, inabalável.
Ele julga os povos com retidão.

A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.

L: Que os céus rejubilem, que a terra exulte,
E que ribombem o mar e suas riquezas!
Que o campo inteiro esteja em festa!

A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.

L: Que todas as árvores das florestas bradem de alegria,
Diante do Senhor, pois ele vem,
Pois ele vem para governar a terra.

A: Cantai ao Senhor um cântico novo, bendizei o seu nome.

Segunda leitura: Atos 2, 42-47
Canto: Aleluia
Mt 5,24: Deixa tua oferta ali, diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão;
depois, vem apresentar tua oferenda.

Canto: Aleluia, aleluia!

Evangelho: Mateus 5, 21-26

Homilia

Hino

III. Preces de penitência

P: Com as Igrejas em Jerusalém, oramos ao Senhor.
Lembrando que os fiéis eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão
fraterna, confessamos nossas falhas na fidelidade e na comunhão fraterna. Oramos ao
Senhor.

A: Senhor, tem piedade de nós.

P: Com as Igrejas em Jerusalém, oramos ao Senhor.
Lembrando que o temor se apoderava deles e que muitos prodígios e sinais se
realizavam pelos apóstolos, confessamos uma falta de visão que nos impede de perceber
a glória da tua ação no meio de nós. Oramos ao Senhor.

A: Senhor, tem piedade de nós.

P: Com as Igrejas em Jerusalém, oramos ao Senhor. Lembrando que todos os que abraçavam a fé punham os bens em comum e ajudavam os necessitados, confessamos que nos apegamos a nossas posses, com prejuízo para os pobres. Oramos ao Senhor.

A: Senhor, tem piedade de nós.

P: Com as Igrejas em Jerusalém, oramos ao Senhor.
Lembrando que os fiéis passavam muito tempo em oração e na fração do pão em suas casas, com coração alegre e generoso, confessamos nossas falhas no amor e na generosidade. Oramos ao Senhor.

A: Senhor, tem piedade de nós.

Confiança no perdão de Deus

P: Isto é o que foi dito pelo profeta Joel: “nos últimos dias , diz o Senhor, derramarei meu Espírito sobre toda a carne... Então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo.”

Enquanto esperamos a vinda do Senhor, temos também a segurança de saber que em Cristo somos perdoados, renovados e curados.

A paz

P: Cristo é nossa paz. Ele nos reconciliou com Deus num só corpo na cruz; nos reunimos
em seu nome e partilhamos sua paz.

Que a paz do Senhor esteja sempre convosco.

A: E contigo também.

O Credo (Apostólico, Niceno, ou outra forma adequada)

Hino

IV. Preces pela unidade cristã

P: Em Cristo o mundo é reconciliado com Deus, que nos confia a mensagem da ressurreição. Como embaixadores da ação reconciliadora de Cristo, fazemos nossos pedidos a Deus.

P: Quando oramos juntos a partir de nossas diversas tradições,

A: Santo Senhor, que nos fazes um, torna visível a nossa unidade e vem trazer cura para o mundo.

P: Quando lemos a Bíblia juntos na diversidade de nossas linguagens e contextos,

A: Senhor Revelador, que nos fazes um, torna visível a nossa unidade e vem trazer cura para o mundo.

P: Quando estabelecemos relações de amizade entre judeus, cristãos e muçulmanos, quando derrubamos o muro de indiferença e ódio,

A: Senhor Misericordioso, que nos fazes um, torna visível a nossa unidade e vem trazer cura para o mundo.

P: Quando trabalhamos pela justiça e pela solidariedade, quando passamos do medo à confiança,

A: Senhor capaz de nos fortalecer, que nos fazes um, torna visível a nossa unidade e vem trazer cura para o mundo.

P: Sempre que houver sofrimento por causa da guerra e da violência, da injustiça e da desigualdade, da doença e do preconceito, da pobreza e do desespero, aproximando-nos da cruz de Cristo e uns dos outros,

A: Senhor que foste ferido, que nos fazes um, torna visível a nossa unidade e vem trazer cura para o mundo.

P: Com os cristãos da Terra Santa, nós também somos testemunhas do nascimento de Jesus Cristo em Belém, de seu ministério na Galiléia, de sua morte e ressurreição, e da descida do Espírito Santo em Jerusalém. Quando ansiamos por paz e justiça para todos, na segura e garantida esperança da vinda do teu Reino,

A: Senhor Triuno, que nos fazes um, torna visível a nossa unidade e vem trazer cura para o mundo.

Oração do Senhor (cada um na sua língua)

V. Envio

A assembléia invoca a bênção de Deus sobre seus membros, que são enviados como embaixadores da Boa Nova da reconciliação. Um hino pode marcar a conclusão do culto.

P: Que o Pai, que é fiel a suas promessas e infalível em seu auxílio, nos sustente quando nos empenhamos na promoção da justiça e na busca do fim da divisão.

A: Amém.

P: Que o Filho, que santificou a Terra Santa com seu nascimento, seu ministério, sua morte
e ressurreição, nos traga redenção, reconciliação e paz.

A: Amém.

P: Que o Espírito, que reuniu em unidade os primeiros fiéis em Jerusalém, nos una na fidelidade ao ensino, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações e nos inspire na pregação e na vivência do Evangelho.

A: Amém.

P: Que o Deus único, Pai, Filho e Espírito Santo, nos dê sua bênção e nela nos conserve
quando vamos proclamar sua Boa Nova ao mundo.

A: Damos graças a Deus.

Bênção

P: Que a bênção do Deus da paz e da justiça esteja convosco.
Que a bênção do Filho, que derrama lágrimas pelo sofrimento do mundo, esteja convosco.
E que as bênçãos do Espírito, que nos inspira para a reconciliação e a esperança, estejam conosco, daqui até a eternidade.
Amém.

Hino

 

REFLEXÕES BÍBLICAS E ORAÇÕES
PARA OS OITO DIAS

 

 Dia 1  A Igreja em Jerusalém
Joel 2, 21-22.28-29  Derramarei meu Espírito sobre toda a carne.
Salmo 46    Deus está no meio da cidade
Atos 2, 1-12 Quando chegou a dia de Pentecostes
João 14, 15-21 É ele o Espírito da verdade

 

Comentário

A caminhada desta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos começa em Jerusalém no dia de Pentecostes, no início da própria caminhada da Igreja.

O tema desta Semana diz: “eles eram assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. “Eles” são a primitiva Igreja de Jerusalém, nascida no dia de Pentecostes quando o Defensor (Paráclito), o Espírito de verdade, desceu sobre os primeiros fiéis, como tinha sido prometido por Deus através do profeta Joel, e pelo Senhor Jesus na noite anterior ao seu sofrimento e sua morte. Todos os que vivem em continuidade com o dia de Pentecostes vivem em continuidade com a primitiva Igreja de Jerusalém, com seu líder São Tiago. Essa Igreja é a Igreja mãe de todos nós. Ela nos proporciona a imagem ou ícone da unidade cristã pela qual oramos nesta Semana.

De acordo com uma antiga tradição oriental, a sucessão na Igreja vem através da continuidade em relação à primeira comunidade de Jerusalém. A Igreja de Jerusalém nos tempos apostólicos é ligada à Igreja celeste de Jerusalém, que por sua vez se torna o ícone de todas as Igrejas cristãs. O sinal de continuidade com a Igreja de Jerusalém para todas as Igrejas é a manutenção das “marcas” da primeira comunidade cristã através do nosso empenho em estar “assíduos aos ensinamentos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”.

A atual Igreja de Jerusalém vive em continuidade com a Igreja apostólica de Jerusalém, particularmente por seu penoso testemunho da verdade. Seu testemunho do Evangelho e sua luta contra a desigualdade e a injustiça nos lembram que a oração pela unidade dos cristãos é inseparável da oração pela paz e pela justiça.

Oração

Todo poderoso e Misericordioso Deus, com grande poder reuniste os primeiros cristãos na cidade de Jerusalém, pelo dom do Espírito Santo, desafiando o poder terreno do Império Romano. Concede-nos que, como essa primeira Igreja de Jerusalém, possamos nos unir corajosamente na pregação e na vivência das boas novas da reconciliação e da paz, onde houver desigualdade e injustiça. Oramos em nome de Jesus, que nos liberta da servidão do pecado e da morte. Amém.

 

Dia 2 Muitos membros de um só corpo
Isaías 55, 1-4 Vinde para as águas
Salmo 85, 8-13 Sua salvação está bem próxima
1 Coríntios 12, 12-27

Fomos batizados em um só Espírito para formarmos um só corpo

João 15, 1-13 Eu sou a verdadeira videira

 

Comentário

A Igreja de Jerusalém nos Atos dos Apóstolos é o modelo da unidade que buscamos hoje. Como tal, ela nos lembra que a oração pela unidade dos cristãos não pode ser um pedido de uniformidade, porque a unidade desde o começo foi caracterizada por uma rica diversidade. A Igreja de Jerusalém é o modelo ou ícone da unidade na diversidade.

A narrativa de Pentecostes no Livro dos Atos nos conta que estavam representadas em Jerusalém naquele dia todas as línguas e culturas do antigo mundo mediterrâneo e, além disso, que as pessoas que ouviram o evangelho em suas diversas línguas foram unidas umas às outras, pela pregação de Pedro, no arrependimento, nas águas do Batismo e através do derramamento do Espírito Santo. Ou, como escreveria São Paulo mais tarde, “todos nós fomos batizados em um só Espírito, para formarmos um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou homens livres, e todos nós bebemos de um único Espírito.” Não se trata de uma comunidade uniforme de pessoas com pensamento semelhante, de pessoas unidas pela língua e pela cultura que se tornaram um no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Mas era uma comunidade ricamente diversificada, cujas diferenças poderiam facilmente explodir em controvérsias, como foi o caso entre os helenistas e os cristãos hebreus sobre o descaso em relação às viúvas gregas, que São Lucas relata em At 5,1. Ainda assim, a Igreja de Jerusalém em unidade consigo mesma e era uma com o Senhor Ressuscitado que diz “Eu sou a vinha, vocês são os sarmentos: aquele que permanece em mim e no qual eu permaneço, esse produzirá frutos em abundância”.

Rica diversidade caracteriza hoje as Igrejas em Jerusalém, bem como no mundo inteiro. Isso pode facilmente descambar para a controvérsia em Jerusalém, que tem agora um acentuado clima de hostilidade política. Mas, como na primeira Igreja de Jerusalém, os cristãos em Jerusalém hoje nos recordam que há muitos membros num corpo, uma unidade na diversidade. Antigas tradições nos ensinam que a diversidade e a unidade existem na Jerusalém celeste. Elas nos relembram que diferença e diversidade não são o mesmo que divisão e desunião, e que a unidade cristã pela qual oramos sempre preserva a autêntica diversidade.

Oração

Deus, de quem flui toda a vida em sua diversidade, chamas tua Igreja, como corpo de Cristo, a estar unida no amor. Possamos nós aprender mais profundamente nossa unidade na diversidade, e buscar trabalhar juntos na pregação e na construção do teu Reino de amor abundante para todos, enquanto nos acompanhamos uns aos outros em cada lugar, em todos os lugares. Que tenhamos sempre em mente Cristo, como fonte de nossa vida em comum. Oramos na unidade do Espírito. Amém.

 

Dia 3 A fidelidade aos ensinamentos dos apóstolos nos une
Isaías 51, 4-8 Dai-me atenção, meu povo
Salmo 119, 105-112 Tua Palavra é lâmpada para os meus passos
Romanos 1, 15-17

Desejo vos anunciar o Evangelho

João 17, 6-19 Eu manifestei o teu nome

 

Comentário

A Igreja de Jerusalém nos Atos dos Apóstolos estava unida por sua fidelidade aos ensinamentos dos apóstolos, apesar da grande diversidade de língua e cultura entre seus membros. O ensinamento dos apóstolos era seu testemunho da vida, do ensino, do ministério, da morte e ressurreição do Senhor Jesus. Seu ensinamento é o que São Paulo chama simplesmente de “o evangelho”. O ensinamento dos apóstolos é o que São Pedro exemplifica em sua pregação em Jerusalém no dia de Pentecostes. Usando palavras do profeta Joel, ele conecta a Igreja com a história bíblica do povo de Deus, levando-nos para dentro da narrativa que começa com a própria criação.

Apesar das divisões, a Palavra de Deus nos congrega e nos une. O ensinamento dos apóstolos, a boa nova em sua plenitude, estava no centro da unidade na diversidade da primeira Igreja de Jerusalém. Os cristãos em Jerusalém nos relembram hoje que não foi simplesmente o “ensinamento dos apóstolos” que uniu a primitiva Igreja, mas a fidelidade àquele ensinamento. Tal fidelidade transparece quando São Paulo identifica o evangelho como “o poder de Deus para a salvação”.

O profeta Isaías nos recorda que o ensinamento de Deus é inseparável da sua justiça, que é “luz dos povos”, ou, como diz o salmista, “tua palavra é lâmpada para os meus passos, luz para o meu caminho... Tuas exigências são para sempre minha herança; são a alegria do meu coração”.

Oração

Deus da luz, nós te damos graças pela revelação da tua verdade em Jesus Cristo, tua palavra viva, que recebemos através do ensinamento dos apóstolos, ouvidos primeiramente em Jerusalém. Que o teu Espírito Santo continue a nos santificar na verdade do teu Filho, para que unidos nele possamos crescer na devoção à palavra, e juntos servir teu Reino em humildade e amor. Em nome de Cristo oramos. Amém.

 

Dia 4 Partilha, uma expressão de nossa unidade
Isaías 58, 6-10 Não é partilhar o teu pão com o faminto?
Salmo 37, 1-11 Confia no Senhor e faze o bem
Atos 4, 32-37

Punham tudo em comum

Mateus 6, 25-34 Procurai primeiro o Reino de Deus

 

Comentário

O sinal de continuidade em relação à Igreja apostólica de Jerusalém é a fidelidade “ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações”. A Igreja de Jerusalém de hoje, porém, nos relembra a conseqüência prática de tal fidelidade – a partilha. Os Atos dos Apóstolos dizem simplesmente: “ Todos os que abraçavam a fé estavam unidos e tudo partilhavam. Vendiam as suas propriedades e os seus bens para repartir o dinheiro apurado entre todos, segundo as necessidades de cada um” (Atos 2, 44-45). A leitura que fazemos hoje do Livro de Atos conecta essa partilha radical com o poderoso testemunho apostólico da ressurreição do Senhor Jesus e da grande graça que veio sobre eles. Os perseguidores romanos que vieram depois observaram com certa pertinência: “vejam como eles se amam”.

Tal partilha de recursos caracteriza a vida do povo cristão em Jerusalém hoje. É um sinal de sua continuidade em relação aos primeiros cristãos; é um sinal e um desafio para todas as Igrejas. Isso liga a proclamação do Evangelho, a celebração da Eucaristia e a comunhão fraterna da comunidade cristã com uma radical igualdade e justiça para todos. Na medida em que tal partilha é um testemunho da ressurreição do Senhor Jesus e um sinal de continuidade com a Igreja de Jerusalém, é igualmente um sinal da unidade que temos uns com os outros.

Há muitas maneiras de partilhar. Há a partilha radical da Igreja apostólica, onde ninguém passava necessidade. Há a partilha mútua de cargas, lutas, dores e sofrimentos. Há a partilha nas alegrias e conquistas, nas bênçãos e curas do outro. Há também a partilha de dons e compreensões entre uma tradição eclesial e outra, mesmo no meio de nossa separação, uma partilha ecumênica de dons. Tal generosa partilha é uma conseqüência prática de nossa fidelidade ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna; é uma conseqüência de nossa oração pela unidade cristã.

Oração

Deus de justiça, teus dons são gratuitos. Nós te agradecemos porque nos tens dado o que precisamos para que todos possamos estar alimentados, vestidos, abrigados. Guarda-nos do pecado egoísta da acumulação de bens e inspira-nos para que sejamos instrumentos de amor, partilhando tudo que nos deste, em um testemunho da tua generosidade e justiça. Como seguidores de Cristo, leva-nos a agir juntos onde houver necessitados: onde famílias são privadas de suas casas, quando os mais vulneráveis sofrem nas mãos dos poderosos, onde a pobreza e o desemprego destroem vidas. Oramos em nome de Jesus, na unidade do Espírito Santo. Amém.

 

Dia 5 Partindo o pão na esperança
Êxodo 16, 13b- 21a É o pão que o Senhor vos dá para comer
Salmo 116, 12-14.16-18 Eu te oferecerei um sacrifício de louvor
1 Coríntios 11, 17-18.23-26

Fazei isto em memória de mim

João 6, 53-58 Este é o pão que desceu do céu

 

Comentário

Da primeira Igreja de Jerusalém até agora, a “fração do pão” tem sido um ato central para os cristãos. Para os cristãos de Jerusalém hoje, a partilha do pão é sinal tradicional de amizade, perdão e compromisso com o outro. Somos desafiados, nessa fração do pão, a buscar uma unidade que possa falar profeticamente a um mundo marcado por divisões. Esse é o mundo pelo qual, de diferentes maneiras, fomos moldados. Na fração do pão os cristãos são formados de novo pela mensagem profética de esperança para toda a humanidade.

Hoje nós também partimos o pão com coração alegre e generoso; mas também experimentamos, a cada celebração da Eucaristia, uma dolorosa lembrança de nossa desunião. Neste quinto dia da Semana de Oração, os cristãos de Jerusalém reúnem-se na sala superior, o lugar da Última Ceia. Aqui partem o pão em esperança. Aprendemos essa esperança nas maneiras como Deus chega a nós nas agruras dos nossos desgostos. O Êxodo conta como Deus responde aos murmúrios do povo que ele havia libertado, fornecendo-lhes o que precisavam – não mais e não menos. O maná no deserto é um presente de Deus, não para ser acumulado, nem mesmo completamente compreendido. É, como nosso salmo celebra, um momento que pede simplesmente ação de graças – porque Deus “abriu os grilhões”.

O que São Paulo reconhece é que partir o pão não significa apenas celebrar a Eucaristia, mas ser um povo eucarístico – tornar-se corpo de Cristo no mundo. Essa breve leitura permanece, em seu contexto (1 Cor 10-11), como um lembrete de como a comunidade cristã deve viver: na comunhão em Cristo, produzindo conduta correta num difícil contexto mundano, guiada pela realidade de nossa vida nele. Vivemos “em memória dele”.

Sendo povo da fração do pão, somos povo da vida eterna – vida em plenitude – como nos ensina a leitura de São João. Nossa celebração da Eucaristia nos desafia a refletir sobre como tão abundante dom de vida se expressa no dia a dia, enquanto vivemos na esperança, bem como nas dificuldades. Apesar dos desafios diários dos cristãos de Jerusalém, eles testemunham como é possível se alegrar na esperança.

Oração

Deus da esperança, nós te louvamos pelo dom que nos deste na Ceia do Senhor, onde, no Espírito, continuamos a encontrar teu Filho Jesus Cristo, o pão vivo do céu. Perdoa por não sermos dignos desse grande dom – por nossa vida em divisões, por nosso conluio com as desigualdades, nossa complacência na separação. Senhor, oramos para que apresses o dia em que a tua Igreja possa partilhar em conjunto a fração do pão, e para que, enquanto esperamos esse dia, possamos aprender mais profundamente a ser um povo formado pela Eucaristia para o serviço em benefício do mundo. Oramos em nome de Jesus. Amém.

 

Dia 6 Fortalecidos para a ação na oração
Jonas 2, 1-9 Ao Senhor é que pertence a salvação
Salmo 67, 1-7 Que os povos te rendam graças, ó Deus!
1 Timóteo 2, 1-8

Façam-se preces por todos os homens, pelos reis e todos os
que detêm autoridade

Mateus 6, 5-15 Que venha o teu Reino, que se realize a tua vontade

 

Comentário

Seguindo-se à devoção aos ensinamentos dos apóstolos e à comunhão fraterna e a fração do pão, a quarto marco da Igreja dos primórdios em Jerusalém é a vida de oração. Ela é percebida hoje como fonte necessária do poder e da força de que os cristãos necessitam em Jerusalém como em outros lugares. O testemunho dos cristãos hoje em Jerusalém nos convida a um reconhecimento mais profundo das maneiras pelas quais enfrentamos situações de injustiça e desigualdade em nossos contextos. Em tudo isso, é a oração que dá força aos cristãos para a missão em conjunto.

Para Jonas, a intensidade de sua oração é seguida da dramática libertação da barriga do peixe. Sua prece é cheia de sentimento, brota do seu próprio senso de arrependimento por ter tentado escapar da vontade de Deus. Ele tinha rejeitado o chamado de Deus à profecia, e acabou num lugar sem esperança. E aqui Deus responde a sua prece com uma libertação para a missão. O salmo nos convida a orar para que a face de Deus brilhe sobre nós – não apenas para nosso benefício mas para que sua lei se espalhe entre todas as nações.

A Igreja apostólica nos recorda que a oração é uma parte da força e do poder da missão e da profecia para o mundo. Aqui a carta de Paulo a Timóteo nos ensina a orar especialmente por aqueles que têm poder no mundo, para que possamos viver juntos em paz e com dignidade. Oramos pela unidade de nossas sociedades e países e pela unidade de toda a humanidade em Deus. Nossa oração pela unidade em Cristo se estende ao mundo inteiro.

Essa vida dinâmica de oração está enraizada no ensinamento do Senhor a seus discípulos. Em nossa leitura do evangelho de Mateus, ouvimos falar da oração como um poder secreto, que não vem de exibição ou bom desempenho, mas de humilde apresentação diante do Senhor. O ensinamento de Jesus é resumido na Oração do Senhor. Fazendo juntos essa oração nos tornamos um povo unido que busca a vontade do Pai e a construção do seu Reino na terra; ela nos chama a uma vida de perdão e reconciliação.

Oração

Senhor Deus, nosso Pai, nos alegramos porque em todos os tempos, lugares e culturas, há pessoas que te buscam em oração. Acima de tudo, te agradecemos pelo exemplo e
ensinamento de teu Filho, Jesus Cristo, que nos ensinou a aguardar em oração a chegada
do teu Reino. Ensina-nos a orar melhor juntos como cristãos, para que possamos sempre
estar conscientes da tua orientação e encorajamento ao longo de nossas alegrias e tristezas,
pelo poder de teu Santo Espírito. Amém.

 

Dia 7  Vivendo a fé da ressurreição
Isaías 60,1-3.18-22 Chamarás as tuas muralhas de Salvação e as tuas portas de Louvor
Salmo 118, 1.5-17 Não, não morrerei, viverei
Romanos 6, 3-11

Pelo batismo nós fomos sepultados com ele em sua morte...a fim de que também nós levemos uma vida nova

Mateus 28, 1-10 Então Jesus lhes disse: não temais

 

Comentário

A fidelidade dos primeiros cristãos ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações tornou-se possível, sobretudo, pelo vivo poder de Jesus Ressuscitado. Esse poder ainda está vivo, e hoje os cristãos de Jerusalém dão testemunho disso. Sejam quais forem as dificuldades da atual situação em que se encontram – não importa quanto ela se pareça com o Getsemane ou Gólgota – eles sabem, pela fé, que tudo isso é transformado pela verdade da ressurreição de Jesus dos mortos.

A luz e a esperança da ressurreição mudam tudo. Como profetiza Isaías, é a transformação da escuridão em luz; é a iluminação para todos os povos. O poder da ressurreição brilha a partir de Jerusalém, o lugar da Paixão do Senhor, e conduz todas as nações ao seu brilho. Isso é uma nova vida, na qual a violência é abandonada e a segurança é encontrada na salvação e no louvor.

No Salmo temos palavras para celebrar a experiência cristã central de passagem da morte para a vida. Esse é o sinal permanente do firme amor de Deus. Pois, como ensina São Paulo, no batismo entramos no túmulo com Cristo e ressuscitamos com ele. Morremos com Cristo e vivemos para partilhar sua vida ressuscitada. E assim podemos ver o mundo de forma diferente – com compaixão, paciência, amor e esperança – porque em Cristo as lutas presentes nunca podem ser a história toda. Mesmo como cristãos divididos, sabemos que o batismo que nos une é suportar a cruz à luz da ressurreição.

Para o Evangelho cristão essa vida de ressuscitado não é meramente um conceito ou uma idéia que pode ajudar. Está enraizada num evento vivenciado no tempo e no espaço. É esse evento que ouvimos recontado na leitura do Evangelho com grande sentimento de humanidade e drama. De Jerusalém o Senhor Ressuscitado envia saudações a seus discípulos através das eras, nos chamando a segui-lo sem medo. Ele vai à nossa frente.

Oração

Deus, protetor da viúva, do órfão e do estrangeiro – num mundo onde tantos conhecem o desespero, ressuscitaste teu Filho Jesus para dar esperança à humanidade e renovar a terra. Continua a fortalecer e unificar tua Igreja em suas lutas contra as forças da morte no mundo, onde a violência contra a criação e a humanidade obscurece a esperança da nova vida que ofereces. Assim oramos em nome do Senhor Ressuscitado, no poder do Espírito Santo. Amém.

 

Dia 8 Chamados ao ministério da reconciliação
Gênesis 33, 1-4 Esaú correu ao encontro de Jacó, apertou-o ao peito... eles choraram
Salmo 96, 1-13 Dizei entre as nações: o Senhor é rei
2 Coríntios 5, 17-21

Deus nos reconciliou consigo pelo Cristo e nos confiou
o ministério da reconciliação

Mateus 5, 21-26 Deixa a tua oferenda ali, diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te
com teu irmão

 

Comentário

Nossas orações desta semana nos levaram a uma caminhada em conjunto. Guiados pelas Escrituras, fomos chamados a retornar a nossas origens cristãs – aquela Igreja apostólica de Jerusalém. Ali temos visto fidelidade ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. No fim de nossas reflexões sobre o ideal de comunidade cristã que nos é apresentado em At 2,42, voltamos ao nosso próprio contexto – as realidades das divisões, os descontentamentos, decepções e injustiças. Neste ponto da reflexão, a Igreja de Jerusalém nos coloca a questão: para que, então, ao concluir esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, somos chamados aqui e agora?

Os cristãos em Jerusalém hoje nos sugerem uma resposta: somos chamados, acima de tudo, ao ministério da reconciliação. Tal chamado tem a ver com reconciliação em muitos níveis, no meio de uma complexidade de divisões. Oramos pela unidade dos cristãos para que a Igreja possa ser um sinal e um instrumento para a cura de divisões e injustiças políticas e estruturais; oramos pelo convívio justo e pacífico de judeus, cristãos e muçulmanos; oramos pelo crescimento da compreensão entre pessoas de todas as crenças e também dos que não têm nenhuma. Em nossa vida pessoal e familiar também o chamado à reconciliação precisa encontrar uma resposta.

Jacó e Esaú, no texto de Gênesis, são irmãos e ainda assim se estranham. Sua reconciliação acontece mesmo quando seria de se esperar a permanência do conflito. A violência e os hábitos de rancor são abandonados quando os irmãos se encontram e choram juntos.

O reconhecimento de nossa unidade como cristãos – e de fato como seres humanos – diante de Deus nos leva ao grande canto do salmo de louvor ao Senhor que governa o mundo com amorosa justiça. Em Cristo, Deus busca reconciliar consigo todos os povos. Descrevendo isso, São Paulo, em nossa segunda leitura, celebra uma vida de reconciliação como “uma nova criação”. O chamado a reconciliar é o chamado para permitir que o poder de Deus em nós faça novas todas as coisas.

Mais uma vez, sabemos que essas “boas novas” nos chamam a mudar o nosso modo de viver. Como nos desafia Jesus, no relato dado por São Mateus, não podemos continuar fazendo nossas ofertas no altar sabendo que somos responsáveis por divisões ou injustiças.

O chamado à oração pela unidade dos cristãos é um chamado à reconciliação. O chamado à reconciliação é um chamado a ações, mesmo ações que venham a interferir em nossas atividades eclesiais.

Oração

Deus da Paz, nos te damos graças porque enviaste teu Filho Jesus, para que possamos nele nos reconciliar contigo. Dá-nos a graça de sermos servos ativos de reconciliação dentro de nossas Igrejas. Assim, ajuda-nos a prestar serviço à reconciliação de todos os povos, particularmente em tua Terra Santa , o lugar onde derrubaste a muralha de separação entre os povos e uniste a todos no Corpo de Cristo, sacrificado no Monte Calvário. Enche-nos de amor mútuo. Que a nossa unidade possa prestar serviço à reconciliação que desejas para toda a criação. Oramos no poder do Espírito Santo. Amém.

 

MATERIAL ADICIONAL DA JERUSALÉM

Oração pelas lideranças das Igrejas em Jerusalém

(3 pessoas para orar, de acordo com as diferentes partes do texto)

Pai celestial, nos te damos graças e te louvamos pelo dom que nos deste de teu único Filho, Jesus – seu nascimento em Belém, seu ministério por toda a Terra Santa, sua morte na cruz e sua Ressurreição e Ascensão. Ele veio para redimir esta terra e o mundo. Ele veio como Príncipe da Paz.

Nós te damos graças em cada Igreja e paróquia ao redor de mundo que está hoje orando conosco pela paz. Nossa Cidade Santa e nossa terra estão muito necessitadas de paz. No teu incompreensível mistério e no teu amor por todos nós, deixa que o poder de tua Redenção e de tua Paz transcenda todas as barreiras de culturas e religiões e encha os corações de todos aqueles que te servem aqui, de ambos os povos – israelitas e palestinos – e de todas as religiões. Envia-nos líderes políticos prontos a dedicar suas vidas a uma paz justa para seus povos. Dá-lhes coragem bastante para assinar um tratado de paz que ponha um fim à ocupação imposta por um povo a outro, garantindo liberdade para palestinos, dando segurança aos israelitas e nos libertando a todos do medo. Dá-nos líderes que compreendam a santidade de nossa cidade e que venham a abri-la para todos os seus habitantes – palestinos e israelitas – e para o mundo.

Na terra que tornaste santa, liberta-nos a todos do pecado do ódio e da matança. Liberta as almas e corações dos israelitas e palestinos desse pecado. Dá libertação ao povo de Gaza, que vive sob infindáveis dificuldades e ameaças.

Confiamos em ti, Pai celestial. Cremos que és bom e cremos que nossa bondade prevalecerá sobre os males da guerra e do ódio em nossa terra. Buscamos tua bênção especialmente para as crianças e jovens, para que seu medo e sua ansiedade diante do conflito possam ser substituídos pela alegria e felicidade da paz. Oramos também pelos idosos e pessoas com deficiência, pelo seu bem estar e pela contribuição que eles podem dar ao futuro desta terra. Oramos finalmente, pelos refugiados espalhados pelo mundo por causa deste conflito. Deus, dá sabedoria e coragem aos políticos e governantes responsáveis por eles, para que encontrem soluções viáveis e justas. Tudo isso pedimos em nome de Jesus. Amém.

 

Senhor, faze-me instrumento de tua paz

Faze-me instrumento de tua paz.
Onde houver ódio que eu leve o teu amor,
Onde houver injúria, que eu leve o teu perdão, Senhor.
Onde houver dúvida, que eu leve a verdadeira fé em ti.

Ó Mestre, faze com que eu nunca busque
Ser consolado mais do que consolar,
Ser compreendido mais do que compreender,
Ser amado mas do que amar com toda a minha alma.

Faze-me um instrumento de tua paz.
Onde houver desespero na vida, que eu leve a esperança;
Onde houver escuridão, que eu leve só luz;
E onde houver tristeza, que eu leve sempre alegria.

Faze-me um instrumento de tua paz.
É perdoando que somos perdoados.
É dando a todos que recebemos
E é morrendo que nascemos para a vida eterna.

(oração atribuída a São Francisco)

 

Yarabba ssalami (Palestine)

Kyrie eleison  (Mt. Athos Melody, Greece)

Alleluia (Ancient Syriac Liturgy)

Halle, Hallelujah (Syria)

 

 

VIDA ECUMÊNICA EM JERUSALÉM

De Jerusalém Jesus enviou os apóstolos para serem suas testemunhas “até as extremidades da terra” (At 1,8). Em sua missão, eles encontraram muitas e ricas línguas e civilizações e começaram a proclamar o Evangelho e a celebrar a Eucaristia nessas muitas línguas. Como conseqüência, a vida cristã e a liturgia adquiriram muitas faces e expressões que se enriquecem e se completam mutuamente. Desde os primeiros tempos, todas essas tradições e Igrejas cristãs queriam estar presentes juntas na Igreja local de Jerusalém, o berço da Igreja. Elas sentiam a necessidade de ter uma comunidade orante e servidora na terra onde a história da salvação se desenvolveu, ao redor dos lugares onde Jesus viveu, exerceu seu ministério e sofreu sua paixão, entrando assim no mistério pascal da morte e ressurreição.

Desse modo a Igreja de Jerusalém se tornou uma imagem viva da diversidade e riqueza das muitas tradições cristãs do Oriente e do Ocidente. Cada visitante ou peregrino em Jerusalém é, em primeiro lugar, convidado a descobrir essas variadas e ricas tradições.

Infelizmente, no curso da história e por várias razões, essa bela diversidade também se tornou uma fonte de divisões. Essas divisões são ainda mais dolorosas em Jerusalém, já que foi nesse mesmo lugar que Jesus orou “para que eles sejam um” (João 17,21), foi ali que ele morreu “para reunir na unidade os filhos de Deus que estão dispersos” (João 11, 52) e ali aconteceu o primeiro Pentecostes. No entanto, ao mesmo tempo, é preciso dizer que nem uma só dessas divisões teve sua origem em Jerusalém. Elas foram todas trazidas a Jerusalém por Igrejas já divididas. Como conseqüência, quase todas as Igrejas do mundo inteiro têm sua parte na responsabilidade pelas divisões na Igreja de Jerusalém e portanto são também chamadas a trabalhar pela unidade junto com as Igrejas locais.

Atualmente, há em Jerusalém treze Igrejas com um ministério episcopal: a Igreja Ortodoxa Grega, a Igreja (Católica) Latina, a Igreja Apostólica Armênia, a Igreja Síria Ordodoxa, a Igreja Ortodoxa Copta. A Igreja Ortodoxa Etíope, a Igreja Católica Grega (Melquita), a Igreja (Católica) Maronita, a Igreja Católica Síria, a Igreja Católica Armênia, a Igreja (Católica) Caldéia, a Igreja Episcopal Evangélica e a Igreja Evangélica Luterana.

Além disso, um número considerável de outras Igrejas ou comunidades estão presentes em Jerusalém e na Terra Santa: presbiterianos, reformados, batistas, evangélicos, pentecostais etc.

Ao todo, os cristãos na Palestina e Israel são cerca de 150.000 a 200 000, constituindo entre 1 a 2 % da população total. A grande maioria desses cristãos são palestinos de idioma árabe, mas em alguma Igrejas há também grupos de fiéis que falam hebraico e pretendem ser uma presença cristã e um testemunho da sociedade israelita. Além disso, há também as chamadas Assembléias Messiânicas, que podem representar cerca de 4 a 5 mil crentes, mas não costumam ser incluídas na contagem da presença cristã.

Para o desenvolvimento recente das relações ecumênicas em Jerusalém, a peregrinação do Papa Paulo VI à Terra Santa, em janeiro de 1964, continua sendo um marco. Seus encontros, em Jerusalém, com os Patriarcas Athenagoras de Constantinopla e Benedictos de Jerusalém sinalizam o começo de um novo clima nas relações inter eclesiais. A partir desse ponto, as coisas começaram a ir por um novo caminho.

O próximo passo importante se deu durante a primeira “intifada” palestina no fim dos anos 80. No meio de um clima de insegurança, violência, sofrimento e morte, as lideranças das Igrejas começaram a se encontrar para refletir juntas sobre o que poderiam e deveriam dizer e fazer em conjunto. Decidiram publicar mensagens e declarações em comum e tomar algumas iniciativas conjuntas em prol de uma paz justa e duradoura.

Desde esse tempo, a cada ano as lideranças das Igrejas em Jerusalém publicam uma mensagem comum na Páscoa e no Natal, bem como declarações e mensagens em algumas ocasiões especiais. Duas declarações merecem especial destaque. Em novembro de 1994, as lideranças das treze Igrejas assinaram um memorando comum sobre o significado de Jerusalém para os cristãos e sobre os direitos que daí resultam para as comunidades cristãs.

Daí em diante, se encontraram regularmente, quase todos os meses. Publicaram uma segunda declaração atualizada sobre o mesmo assunto em setembro de 2006.

Até agora, a abertura ecumênica do terceiro milênio na Praça da Manjedoura em Belém, em dezembro de 1999, permanece como a expressão mais significativa dessa nova peregrinação ecumênica em comum. Foi então que as lideranças e fiéis das treze Igrejas, junto com peregrinos vindos do mundo inteiro, passaram a tarde juntos, cantando, lendo a Palavra de Deus e orando em conjunto.

Em 2006, a criação do Centro Inter Eclesial de Jerusalém, em colaboração com as Igrejas locais, com o Conselho Mundial de Igrejas e o Conselho de Igrejas do Oriente Médio, é outra expressão da crescente colaboração entre as Igrejas locais e dos fortes laços entre elas e as Igrejas do mundo inteiro. É ao mesmo tempo um instrumento a serviço desse crescimento ecumênico.

O Programa de Acompanhamento Ecumênico na Palestina e Israel foi iniciado em 2002, em coordenação com as Igrejas locais e o CMI. Envolve voluntários que vêm de Igrejas do mundo inteiro com o objetivo de colaborar com israelitas e palestinos para aliviar as conseqüências do conflito, e para acompanhá-los nos lugares onde há confrontação. Essa iniciativa configura outro poderoso instrumento para o fortalecimento dos laços de solidariedade, tanto na Terra Santa como com as Igrejas de onde vêm os voluntários.

Muitos outros grupos ecumênicos informais existem em Jerusalém. Um deles, o Círculo Ecumênico de Amigos, que se encontra uma vez por mês, tem coordenado a celebração anual da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em Jerusalém por cerca de 40 anos. A cada ano, isso constitui um evento marcante na vida das Igrejas.

O diálogo inter religioso em Jerusalém, cidade considerada sagrada por judeus, cristãos e muçulmanos, tem também amplas repercussões ecumênicas, graças aos membros de diferentes Igrejas que trabalham nisso muito unidos. Juntos, nesse diálogo, eles vivenciam a experiência da necessidade de superar desentendimentos e controvérsias do passado para encontrar uma nova linguagem comum que possibilite dar testemunho de uma única mensagem evangélica numa atitude de respeito mútuo.

Para os fiéis cristãos da base, na Palestina e Israel, ecumenismo faz parte da vida diária. Sua experiência constante mostra que a solidariedade e a colaboração têm importância vital na sua presença como pequena minoria no meio da maioria de crentes de outras religiões monoteístas. Escolas, instituições e movimentos cristãos espontaneamente trabalham juntos, cruzando as fronteiras entre as Igrejas, oferecendo um serviço comum e dando testemunho em conjunto. Casamentos entre pessoas de Igrejas diferentes têm se tornado uma realidade geralmente aceita e podem ser encontrados em quase todas as famílias.

Como conseqüência, há partilha mútua de alegrias e tristezas, no meio de uma situação de conflito e instabilidade, chegando até aos irmãos e irmãs muçulmanos, com quem partilham a mesma língua, a mesma história, a mesma cultura e com os quais são chamados a construir juntos um futuro melhor. Juntos estão dispostos a colaborar com fiéis muçulmanos e judeus na preparação de caminhos para o diálogo e para uma justa e duradoura paz num conflito em que a religião tem sido muito frequentemente usada até de modo abusivo. Em vez de ser parte do conflito, a verdadeira religião é chamada a ser parte da solução.

É também significativo perceber que a Igreja em Jerusalém continua a viver num clima político que é, de muitas maneiras, semelhante à vida da primeira comunidade cristã.

Cristãos palestinos têm se tornado uma pequena minoria que enfrenta sérios desafios que ameaçam seu futuro de muitas maneiras, enquanto anseiam por liberdade, dignidade humana, justiça, paz e segurança.

No meio de tudo isso, os cristãos das Igrejas de Jerusalém se dirigem a seus irmãos e irmãs do mundo inteiro nesta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos para orar com eles e por eles, para que atinjam suas aspirações por liberdade e dignidade e pelo fim de todas as espécies de opressão humana. A Igreja ergue sua voz em oração a Deus em antecipação e esperança, por si mesma e pelo mundo para que todos possamos ser um em nossa fé, nosso testemunho e nosso amor.

 

SEMANA DE ORAÇÃO
PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

 

Temas de 1968 a 2011

Em 1968, materiais preparados em conjunto pela Comissão Fé e Ordem do Conselho
Mundial de Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a Unidade
dos Cristãos foram usados pela primeira vez.

1968 Para o louvor de sua glória  (Efésios 1,14)

1969 Chamados à liberdade  (Gálatas 5,13)
(Encontro preparatório em Roma, Itália)

1970 Somos colaboradores de Deus ( 1 Coríntios 3,9)
(Encontro preparatório no mosteiro de Niederaltaich, na República Federal Alemã)

1971 ... e a comunhão do Espírito Santo (2 Coríntios 13.13)

1972 Eu vos dou um novo mandamento  (João 13,34)
(Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1973 Senhor, ensina-nos a orar (Lucas 11,1)
(Encontro preparatório no mosteiro de Montserrat, Espanha)

1974 Que toda língua confesse: Jesus Cristo é o Senhor (Filipenses 2, 1-13)
(Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1975 Plano de Deus: todas as coisas em Cristo (Efésios 1,3-10)
(Material de um grupo australiano. Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1976 Seremos como Ele (João 3,2) ou Chamados a ser o que somos
(Material da Conferência Caribenha de Igrejas; encontro preparatório  em Roma, Itália)

1977 A esperança não nos decepciona  (Romanos 5,15)
(Material do Líbano, no meio de uma guerra civil; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1978 Não sois mais estrangeiros  (Efésios 2,13-22)
(Material de uma equipe ecumênica em Manchester, Inglaterra)

1979 Servi uns aos outros para a glória de Deus  (1 Pedro 4,7-11)
(Material da Argentina; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1980 Que venha o teu Reino! (Mateus 6,10)
(Material de um grupo ecumênico em Berlim, República Democrática Alemã; encontro preparatório em Milão)

1981 Um Espírito – muitos dons – um só corpo  (1 Coríntios 12,3b-13)
(Material dos Graymoor Fathers, USA; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1982 Que todos estejam na tua casa, Senhor  (Salmo 84)
(Material do Quênia; encontro preparatório em Milão, Itália)

1983 Jesus Cristo – a Vida do mundo  (1 João 1,1-4)
(Material de um grupo ecumênico na Irlanda; encontro preparatório em Céligny, Suíça)

1984 Chamados a ser um pela cruz de nosso Senhor (2 Coríntios 2,2 e Colossenses 1,20)
(Encontro preparatório em Veneza, Itália)

1985 Da morte à vida com Cristo  (Efésios 2,4-7)
(Material da Jamaica; encontro preparatório em Grandchamp, Suíça)

1986 Vós sereis minhas testemunhas  (Atos 1,6-8)
(Material da Iugoslávia- Eslovênia ; encontro preparatório na Iugoslávia)

1987 Unidos em Cristo – uma nova criação  (2 Coríntios 5,17 a 6,4a)
(Material da Inglaterra; encontro preparatório em Taizé, França)

1988 O amor de Deus afasta o medo  (1 João 4,18)
(Material da Itália; encontro preparatório em Pinerolo, Itália)

1989 Construindo a comunidade: um só corpo em Cristo  (Romanos 12,5-6a)
(Material do Canadá; encontro preparatório em Whaley Bridge, Inglaterra)

1990 Que todos sejam um... para que o mundo creia (João 17)
(Material da Espanha; encontro preparatório em Madri, Espanha)

1991 Louvai ao Senhor, todas as nações (Salmo 117 e Romanos 15,5-13
(Material da Alemanha; encontro preparatório em Rotenberg an der Fulda, República Federal da Alemanha)

1992 Estou convosco sempre... Ide, portanto. (Mateus 28,16-20)
(Material da Bélgica; encontro preparatório em Bruges, Bélgica)

1993 Dando frutos no Espírito para a unidade cristã  (Gálatas 5,22-23)
(Material do Zaire; encontro preparatório em Zurich, Suíça)

1994 A casa de Deus: chamados a ser um no coração e na mente  (At 4,23-37)
(Material da Irlanda; encontro preparatório em Dublin, República da Irlanda)

1995 Koinonia: comunhão em Deus e uns com os outros (João 15,1-17)
(Material de Fé e Ordem; encontro preparatório em Bristol, Inglaterra)

1996 Eis que estou à porta e bato  (Apocalipse 3, 14-22)
(Material de Portugal; encontro preparatório em Lisboa, Portugal)

1997 Em nome de Cristo, reconciliai-vos com Deus  (2 Coríntios 5,20)
(Material do Conselho Ecumênico Nórdico; encontro preparatório em Estocolmo, Suécia)

1998 O Espírito socorre a nossa fraqueza   (Romanos 8,14-27)
(Material da França; encontro preparatório em Paris, França)

1999 Deus habitará com eles. Será seu Deus e eles serão seu povo (Apocalipse 21,1-7)
(Material da Malásia; encontro preparatório no mosteiro de Bose, Itália)

2000 Louvado seja Deus, que nos abençoou em Cristo (Efésios 1,3-14)
(Material do Conselho de Igrejas do Oriente Médio; encontro preparatório em La Verna, Itália)

2001 Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida  (João 14,1-6)
(Material da România; encontro preparatório em Vulcan, România)

2002 Em ti está a fonte da vida (Salmo 36,5-9)
(Material do CEEC e CEC; encontro preparatório perto de Augsburg, Alemanha)

2003 Trazemos este tesouro em vasos de argila (2 Coríntios 4,4-18)
(Material das Igrejas da Argentina; encontro preparatório em Los Rubios, Espanha)

2004 Eu vos dou a minha paz  (João 14,23-31 e João 14,27)
(Material de Aleppo, Síria; encontro preparatório em Palermo, Sicília)

2005 Cristo, o único fundamento da Igreja  (1 Coríntios 3,1-23)
(Material da Eslováquia; encontro preparatório em Piestany, Eslováquia)

2006 Quando dois ou três se reúnem em meu nome, eu estou no meio deles (Mateus 18,18-20)
(Material da Irlanda; encontro preparatório em Prosperous, Co. Kildare, Irlanda)

2007 Ele faz os mudos falarem e os surdos ouvirem (Marcos 7,31-37)
(Material da África do Sul; encontro preparatório em Faverges, França)

2008 Orai sem cessar (1 Tessalonicenses  5, 12a. 13b- 18)
(Material dos EUA; encontro preparatório em Graymoor, Garrison, EUA)

2009 Unidos em tua mão  (Ezequiel 37, 15-28)
(Material da Coréia; encontro preparatório em Marselha, França)

2010 Vós sois testemunhas disso (Lucas 24,48)
(Material da Escócia; encontro preparatório em Glasgow, Escócia)

2011 Unidos no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. (Cf Atos 2,42)
(Material de Jerusalém; encontro preparatório em Saydnaya, Síria)

 

 

DATAS MARCANTES NA HISTÓRIA
DA SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

 

1740 Na Escócia, surgiu um movimento pentecostal, ligado à América do Norte, cuja mensagem de reavivamento incluía preces por e com todas as Igrejas.

1820 O Rev. James Haldane Stewart publica “Orientações para a união geral dos cristãos para o derramamento do Espírito”.

1840 O Rev. Ignatus Spencer, convertido ao catolicismo romano, sugere uma “União de oração pela unidade”.

1867 A Primeira Conferência de Bispos Anglicanos em Lambeth destaca a oração pela unidade no Preâmbulo de suas Resoluções.

1894 O papa Leão XIII estimula a prática de Oitava de Oração pela Unidade, no contexto de Pentecostes.

1908 Primeira vivência da Oitava da Unidade Cristã, iniciativa do Rev. Paul Wattson.

1926 O movimento Fé e Ordem começa a publicar “Sugestões para uma oitava de oração pela unidade cristã.”

1935 O abade Paul Couturier defende uma “Semana Universal de Orações pela Unidade dos Cristãos”, baseada em preces inclusivas pela “unidade que Cristo quiser, pelos meios que ele quiser”.

1958 A Unidade Cristã (Lyons, França) e a Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas começam a preparar em cooperação os materiais para a Semana de Oração.

1964 Em Jerusalém, o papa Paulo VI e o patriarca Athenagoras I rezam juntos a prece de Jesus para “que todos sejam um” (João 17)

1964 O decreto sobre Ecumenismo do Vaticano II enfatiza que a oração é a alma do movimento ecumênico e incentiva a observância da Semana de Oração.

1966 A Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e o Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (hoje conhecido como Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos) começam a preparar oficialmente juntos o material da Semana de Oração.

1968 Primeiro uso oficial do material da Semana de Oração preparado em conjunto por Fé e Ordem e pelo Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (hoje conhecido como Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos).

1975 Primeiro uso de material da Semana de Oração baseado em uma versão inicial de texto preparada por um grupo ecumênico local. Um grupo australiano foi o primeiro a assumir esse projeto, na preparação do texto inicial de 1975.

1988 Os materiais da Semana de Oração foram usados na celebração de fundação da Federação Cristã da Malásia, que une os grupos cristãos majoritários do país.

1994 Um grupo internacional prepara o texto para 1996, incluindo representantes de YMCA e YWCA (Associação Cristã de Moços/as).

2004 Formaliza-se um acordo pelo qual os materiais da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos serão publicados e produzidos no mesmo formato por Fé e Ordem (WCC) e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Igreja Católica).

2008 Comemoração do centésimo aniversário da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (sua predecessora, a Oitava da Unidade Cristã, foi observada pela primeira vez em 1908).

 

 

 

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