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CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

 

A ter em consideração

Esta é a versão portuguesa do texto para a SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS 2012. O material, finalizado à difusão internacional, foi preparado por uma comissão mista nomeada pelo Pontifício Conselho para a promoção da unidade dos cristãos e pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial das Igrejas, com base numa proposta de um grupo ecuménico de Polônia. As Comissões ecuménicas das Conferências Episcopais e dos Sínodos das Igrejas católicas de rito oriental foram convidadas a adaptar o texto de acordo com a situação ecuménica local e as diversas tradições litúrgicas presentes no território.

Se desejar obter uma cópia do texto adaptado ao seu contexto, convidamo-lo a pôr-se em contacto com a Comissão ecuménica da sua Conferência episcopal ou com o seu Sínodo local.

Tradução para o português:

Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
 Brasília, 2011

 


Subsídios para a
SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
e para todo o ano 2012

Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo
(Cf 1 Cor 15, 51-58)

 

Preparado conjuntamente por
Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos
e Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas


EM MEMÓRIA
Monsenhor Eleutério Francesco Fortino

 

Durante o encontro do Comitê Internacional em Varsóvia, Polônia, em setembro de 2010, foi recebida a notícia do falecimento de Monsenhor Eleutério Francesco Fortino, sub secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e de longa data membro servidor do Comitê Internacional para a preparação da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Sua paixão e dedicação pela causa da unidade cristã e especialmente pela promoção da oração pela unidade dos cristãos foram um dos muitos dons que ele possuía e que partilhava de boa vontade com outros membros do Comitê. O texto deste ano é dedicado à sua memória. Possa a oração com estes textos nos aproximar do cumprimento do que Cristo pediu na sua prece: "que todos sejam um... a fim de que o mundo creia."

Citações bíblicas :

No texto original as citações são da Nova Edição Revisada da versão normal da Bíblia, com os diretos autorais de 1989 – 1995, feita pela Divisão de Educação Cristã do Conselho Nacional das Igrejas de Cristo nos Estados Unidos da América, e foram usadas com a devida permissão e todos os direitos preservados.

Nesta tradução para a língua portuguesa usamos a Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB).

 

PARA AQUELES QUE ESTÃO ORGANIZANDO
A SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

A busca da unidade ao longo de todo o ano

O período tradicional, no hemisfério norte, para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos vai de 18 a 25 de janeiro. Essas datas foram propostas em 1908 por Paul Watson porque cobriam os dias entre as festas de São Pedro e São Paulo, tendo portanto um valor simbólico. No hemisfério sul, já que janeiro é tempo de férias, as Igrejas freqüentemente acham outros dias para celebrar a Semana de Oração, como, por exemplo, ao redor de Pentecostes (de acordo com o que foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem em 1926), que é também uma data simbólica para a unidade da Igreja. Cientes da necessidade de flexibilidade, propomos que se use este material ao longo de todo o ano para expressar o grau de comunhão que as Igrejas já tem atingido e para orar juntos pela plena unidade que é o desejo de Cristo.

Adaptando o texto

Este material é oferecido com a compreensão de que, sempre que possível, será adaptado para uso em situações específicas locais; Deve-se levar em conta a prática litúrgica e devocional, bem como o conjunto do contexto social e cultural. O ideal é que essa adaptação seja feita de forma ecumênica. Em alguns lugares já existem estruturas ecumênicas para a adaptação deste material; em outros, esperamos que a necessidade de adaptação venha a ser um estímulo para a criação de tais estruturas.

Usando o material da Semana de Oração

Para Igrejas e comunidades cristãs que vivem juntas a Semana de Oração foi providenciado um texto para a celebração ecumênica.

Igrejas e comunidades cristãs podem também incorporar material da Semana de Oração em suas próprias celebrações. Orações do culto ecumênico, os "oito dias" e a seleção de materiais adicionais podem ser usadas como se julgar apropriado em cada situação.

As comunidades que têm celebrações da Semana de Oração em todos os dias durante a semana podem usar para isso o material proposto para os "oito dias".

Os que desejam fazer estudo bíblico sobre o tema da Semana podem usar como base os textos e reflexões dados para os oito dias. A cada dia, a reflexão pode levar a um tempo final de oração de intercessão.

Os que desejarem orar de modo privado podem encontrar material útil para orientar as intenções de suas preces. Podem assim ter consciência de estar em comunhão com outros que oram no mundo inteiro pela maior visibilidade da unidade da Igreja de Cristo.

TEXTO BÍBLICO

1ª Coríntios 15, 51-58

Vou dar-vos a conhecer um mistério. Nós não morreremos todos, mas todos seremos transformados, num instante, num piscar de olhos, ao som da trombeta final. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e, quanto a nós, seremos transformados. Com efeito, é necessário que este ser corruptível revista a incorruptibilidade, e que este ser mortal revista a imortalidade. Quando, portanto, este ser corruptível tiver revestido a incorruptibilidade e este ser mortal tiver revestido a imortalidade, então se realizará a palavra da Escritura: "A morte foi tragada na vitória. Ó morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está teu aguilhão?" O aguilhão da morte é o pecado, e o poder do pecado é a lei.

Rendamos graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, meus irmãos bem amados, sede firmes, inabaláveis, fazei sem cessar progressos na obra do Senhor, sabendo que a vossa fadiga não é inútil no Senhor.

Nova Edição Revisada da versão normal da Bíblia

 

INTRODUÇÃO AO TEMA PARA O ANO 2012

Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo

(cf 1 Cor 15, 51-58)

O material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em 2012 foi preparado por um grupo de trabalho composto por representantes da Igreja Católica Romana, da Igreja Ortodoxa e dos Antigos Católicos e Igrejas protestantes em atividade na Polônia.

A partir de amplas discussões de que participaram os representantes de vários círculos ecumênicos na Polônia, ficou decidido focalizar um tema que diz respeito ao poder transformador da fé em Cristo, particularmente no que se refere à nossa oração pela unidade visível da Igreja, o Corpo de Cristo. Isso foi baseado nas palavras de São Paulo aos coríntios, que se referem à natureza temporária da nossa vida presente (com todas as suas aparentes "vitórias" e "derrotas") em comparação com o que recebemos através da vitória de Cristo pelo mistério pascal.

Por que esse tema?

A história da Polônia tem sido marcada por uma série de derrotas e vitórias. Podemos mencionar as muitas vezes em que a Polônia foi invadida, as divisões de território, a opressão

por poderes estrangeiros e sistemas hostis. A constante luta para superar toda escravidão e o desejo de liberdade são características da história polonesa que têm levado a significativas mudanças na vida nacional. E ainda onde há vitória há também perdedores que não compartilham da alegria e do triunfo dos vitoriosos.

Essa particular história nacional polonesa levou o grupo ecumênico que escreveu o material deste ano a refletir mais profundamente sobre o que significa "vencer" e "perder", especialmente considerando o modo como a linguagem de "vitória" é tão freqüentemente entendida em termos de triunfalismo. Mas Cristo nos apresenta um caminho bem diferente!

Em 2012 o campeonato europeu de futebol acontecerá na Polônia e na Ucrânia. Isso nunca teria sido possível em anos passados. Para muitos isso é um sinal de outra "vitória nacional" , quando centenas de milhões de fãs ansiosamente aguardam notícias de times vencedores jogando nessa parte da Europa. Pensar nesse exemplo pode nos levar a considerar o apelo dos que não são vencedores – não apenas no esporte, mas em suas vidas e comunidades: quem dedicará um pensamento aos perdedores, àqueles que constantemente sofrem derrotas porque lhes é negada a vitória por causa de várias condições e circunstâncias? A rivalidade é uma característica permanente, não apenas no esporte, mas também na política, nos negócios, na cultura e mesmo na vida da Igreja.

Quando os discípulos de Jesus entraram em disputa sobre "quem era o maior" (Mc 9,34) ficou claro que esse impulso era forte. Mas a reação de Jesus foi muito simples: "quem quiser ser o primeiro seja o último de todos e servo de todos" (Mc 9,35). Essas palavras falam de vitória através do serviço, da ajuda mútua, promovendo a auto estima daqueles que são os "últimos", os esquecidos, os excluídos. Para todos os cristãos, a melhor expressão de tal serviço humilde é Jesus Cristo, sua vitória através da morte e sua ressurreição. É em sua vida, ação, ensinamento, sofrimento, morte e ressurreição que desejamos buscar inspiração para uma moderna e vitoriosa vida de fé que se expressa no compromisso social em espírito de humildade, serviço e fidelidade ao Evangelho. E, quando se viu na expectativa do sofrimento e da morte que estavam para vir, ele orou pedindo que seus discípulos fossem um a fim de que o mundo pudesse crer. Essa "vitória" só é possível através de uma transformação espiritual, uma conversão. É por isso que consideramos que o tema para nossas meditações deveria vir daquelas palavras do Apóstolo das nações. O objetivo é conquistar uma vitória que integre todos os cristãos ao redor do serviço a Deus e ao próximo.

À medida que oramos e trabalhamos pela plena unidade visível da Igreja nós – e as tradições a que pertencemos - seremos mudados, transformados e moldados à semelhança de Cristo. A unidade pela qual oramos pode exigir a renovação de formas da vida eclesial com as quais estamos familiarizados. Isso é uma visão emocionante mas pode nos trazer algum tipo de medo! A unidade pela qual oramos não é simplesmente uma noção "confortável" de amizade e cooperação. Ela exige uma disposição de renunciar à competição entre nós. Precisamos nos abrir uns aos outros, oferecer e receber dons uns dos outros, para que possamos verdadeiramente entrar na nova vida em Cristo, que é a única verdadeira vitória.

Há lugar para todos no plano de salvação de Deus. Através de sua morte e ressurreição, Cristo abraça a todos, independentemente de vencer ou perder, "a fim de que todo aquele que crê tenha nele a vida eterna". (Jo 3,15) Nós também podemos participar da sua vitória! É suficiente crer nele, assim acharemos mais fácil vencer o mal com o bem.

Oito dias de reflexão sobre nossa mudança em Cristo

Na Semana que se aproxima somos convidados a entrar mais profundamente em nossa fé para que sejamos todos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo. As leituras bíblicas, comentários, preces e perguntas para reflexão são recursos que exploram diferentes aspectos do que isso significa para as vidas dos cristãos e sua unidade uns com os outros

dentro do mundo de hoje e para esse mundo. Começamos contemplando o Cristo que serve e nossa jornada nos leva à celebração final do reino de Cristo, por meio de sua cruz e ressurreição.

Primeiro dia: Transformados pelo Cristo servidor
O Filho do Homem veio para servir (cf Mc 10,45)

Neste dia encontramos Jesus no caminho para a vitória através do serviço. Nós o vemos como "aquele que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate pela multidão" (Mc 3,45). Conseqüentemente, a Igreja de Jesus Cristo é uma comunidade servidora. O uso de nossos diversos dons em serviço comum à humanidade torna visível nossa unidade em Cristo.

Segundo dia: Transformados na paciente espera pelo Senhor
Agora é assim que nos convém cumprir toda a justiça. (Mt 3,15)

Neste dia nos concentraremos na espera paciente pelo Senhor. Para obter qualquer transformação, são necessárias a perseverança e a paciência. Orar a Deus por qualquer tipo de transformação é também um ato de fé e confiança em suas promessas. Tal espera pelo Senhor é essencial a todos aqueles que oram pela unidade visível da Igreja nesta Semana. Todas as atividades ecumênicas requerem tempo, atenção mútua e ação conjunta. Somos todos chamados a cooperar com o trabalho do Espírito na união dos cristãos.

Terceiro dia: Transformados pelo Servo Sofredor
Cristo sofreu por nós (cf 1 Pd 2,21)

Este dia nos chama a refletir sobre o sofrimento de Cristo. Seguindo Cristo, o Servo Sofredor, os cristãos são chamados à solidariedade com todos os que sofrem. Quanto mais perto estivermos da cruz de Cristo, mais próximos estaremos uns dos outros.

Quarto dia: Transformados pela vitória do Senhor sobre o mal
Sê vencedor do mal por meio do bem (Rom 12,21)

Este dia nos leva a aprofundar as lutas contra o mal. Vitória em Cristo é a superação de tudo que danifica a criação de Deus e nos mantém separados uns dos outros. Em Jesus somos chamados a participar dessa nova vida, lutando junto com ele contra o que está errado em nosso mundo, com renovada confiança e tendo satisfação no que é bom. Em nossas divisões não podemos ser suficientemente fortes para vencer o mal em nossos tempos.

Quinto dia: Transformados pela paz do Senhor ressuscitado
Jesus veio, pôs-se no meio deles e lhes disse: A paz esteja convosco. (Jo 20,19)

Hoje celebramos a paz do Senhor ressuscitado. O Ressuscitado é o grande Vitorioso sobre a morte e o mundo das trevas. Ele une seus discípulos, que estavam paralisados com medo. Ele nos abre novas perspectivas de vida e de ação pelo Seu reino que vem chegando. O Senhor Ressuscitado une e fortalece todos os que crêem. Paz e unidade são as marcas de nossa transformação na ressurreição.

Sexto dia: Transformados pelo amor persistente de Deus
Esta é a vitória, nossa fé ( Cf 1 Jo 5,4)

Neste dia concentramos nossa atenção no amor persistente de Deus. O mistério pascal revela a firmeza desse amor, e nos chama a um novo caminho de fé. Essa fé supera o medo e abre nossos corações ao poder do Espírito. Tal fé nos chama à amizade com Cristo e conseqüentemente de uns com os outros.

Sétimo dia: Transformados pelo Bom Pastor
Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21,17)

Neste dia os textos bíblicos nos mostram o Senhor fortalecendo o seu rebanho. Seguindo o Bom Pastor, somos chamados a nos fortalecer uns aos outros no Senhor, e a sustentar e fortalecer os fracos e perdidos. Há um só Pastor e nós somos o seu povo.

Oitavo dia: Unidos no Reino de Cristo
Ao vencedor, concederei sentar-se comigo no trono (Ap 3,21)

Neste último dia de nossa Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos celebramos o Reino de Cristo. A vitória de Cristo nos capacita a olhar para o futuro com esperança. Essa vitória supera tudo que nos impede de partilhar vida plena com ele e uns com os outros. Os cristãos sabem que a unidade entre nós é, acima de tudo, um dom de Deus. É uma participação na gloriosa vitória de Cristo sobre tudo que gera divisão.

 

A PREPARAÇÃO DO MATERIAL PARA A SEMANA DE ORAÇÃO
 PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS 2012

O primeiro esboço do material para a Semana deste ano foi preparado entre fevereiro e junho de 2010 por um grupo de representantes reunidos a convite da Comissão para o Diálogo da Conferência Episcopal Polonesa e pelo Conselho Ecumênico Polonês; Gostaríamos de agradecer a todos que colaboraram, destacando particularmente:

Edward Puslecki (Superintendente Geral da Igreja Metodista Unida na Polônia)
bispo Krzysztof Nitkiewicz (Igreja Católica Romana, bispo de Sandomierz)
senhora Mônica Walus (Igreja Católica Romana, Józefów)
senhora Kalina Wojciechowska (Igreja Evangélica Luterana, Varsóvia)
Rev. Andrzej Gontarek (Igreja Católica Polonesa, Lublin)
Rev. Ireneusz Lukas (Igreja Evangélica Luterana, Varsóvia)
Rev. Henryk Paprocki (Igreja Ortodoxa Autocéfala Polonesa, Varsóvia)
Rev. Slowomir Pawlowski (Igreja Católica Romana. Lublin)

Os textos aqui propostos foram finalizados durante o encontro do Comitê Internacional nomeado pela comissão de Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O grupo se reuniu em setembro de 2010 no Secretariado da Conferência de Bispos Católicos em Varsóvia e registra seus agradecimentos à Conferência e seu presidente pela generosa hospitalidade no encontro. O comitê é também grato ao arcebispo Jeremiasz, presidente do Conselho Ecumênico Polonês, e ao bispo Tadeus Pikus, presidente do Conselho para Ecumenismo da Conferência do Episcopado Polonês, que formam o grupo local de trabalho na Polônia; agradece também aos coordenadores do grupo de trabalho, Rev. Irineusz Lukas (Igreja Evangélica Luterana) e Rev. Slawomir Pawlowski (Igreja Católica Romana) , e a todos que ajudaram no trabalho do Comitê Internacional.

 

CELEBRAÇÃO DO CULTO ECUMÊNICO

Seremos todos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo
(cf 1 Cor 15, 51-58)

Introdução à celebração

O culto ecumênico para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos nos vem da Polônia, onde um grupo ecumênico elaborou uma liturgia baseada na experiência dos cristãos poloneses, que viveram tempos de alegria e adversidade. A história da Polônia tem sido marcada por uma série de derrotas, vitórias, invasões, divisão de território e opressão por parte de poderes estrangeiros e sistemas hostis. A constante luta para superar todo tipo de escravidão e o anseio por liberdade são características da história polonesa.

O tema desta celebração nos vem de 1 Cor 15, 51.57, que fala do poder transformador da fé em Cristo, particularmente em relação a nossa oração pela visível unidade da Igreja, o Corpo de Cristo. À medida que oramos e trabalhamos na direção da plena unidade visível da Igreja, nós – e as tradições a que pertencemos – seremos transformados e moldados à semelhança de Cristo. Essa é uma visão emocionante mas que pode nos dar algum medo! A unidade pela qual oramos pode exigir a renovação de formas da vida eclesial com as quais estamos familiarizados. A unidade pela qual oramos não é simplesmente uma noção "confortável" de amizade e cooperação. Ela exige uma disposição de renunciar à competição entre nós. Precisamos nos abrir uns aos outros, oferecer e receber dons uns dos outros, para que possamos verdadeiramente entrar na nova vida em Cristo, que é a única verdadeira vitória.

Roteiro da celebração

A. Abertura

De acordo com o costume local, pode haver um hino para a procissão de entrada, que será seguido por uma prece inicial e um ato de penitência

B. Palavra de Deus

Há três leituras da Escritura. A leitura de 1 Cor 15 é essencial para o tema. A seguir virá um sermão/homilia ou outro tipo de exposição a partir das leituras. Depois podemos ter uma confissão de fé (como o Credo)

C. Preces pela unidade e pela transformação

O foco das preces de intercessão está na unidade e transformação de diferentes situações. Essas orações serão seguidas pelo "sinal de paz".

Sinal de paz e partilha do "oplatek":

Na Polônia existe o costume de partilhar um tipo especial de biscoito, o "oplatek" (plural: oplatki) na casa das pessoas antes da refeição da véspera de Natal, e também nos encontros natalinos nas igrejas, e mesmo no local de trabalho. Esse costume é tão precioso para os poloneses, vivendo na terra natal ou no estrangeiro, que é praticado não só por pessoas de diferentes confissões mas também pelos que não crêem. Cada pessoa recebe um biscoito. As pessoas então o partilham, quebrando um pedacinho do biscoito de outro e comendo. Ao fazer isso transmitem seus melhores votos uns aos outros. Essa partilha do biscoito expressa unidade, amor e perdão entre as pessoas para as quais veio o Salvador. Embora não seja a

Eucaristia, ainda assim parece-se com ela e simboliza a presença dAquele que nasceu na chamada "casa do pão" (Belém) e que se tornou pão da vida – Jesus Cristo.

Se não houver oplatek ou biscoito disponível , pode-se usar pão. Essa partilha do "sinal de paz" pode ser feita de acordo com algum costume local, se assim se preferir.

D. Conclusão

Esta parte contém uma Oração de Compromisso baseada nos temas de cada um dos oito dias. A celebração é concluída com uma bênção, que pode ser feita de acordo com o costume local.

Desenvolvimento da celebração

D: dirigente

L: leitor

A: assembléia

A. Abertura

Hino de entrada ou prelúdio

Nesta hora, o clérigo ou outros participantes podem entrar em procissão.

Saudação

D: A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vocês.

A: E com teu espírito.

Introdução

Depois da saudação ou apresentação dos participantes, pode ser dada uma pequena introdução levando ao tema. O dirigente pode dizer:

D: Escutem, vou dar-lhes a conhecer um mistério. Nós não morreremos todos, mas todos seremos transformados.

A: Rendamos graças a Deus, que nos dá a Vitória pelo nosso Senhor Jesus Cristo.

D: Deus em Cristo é o Vencedor.

A vitória requer esforço e luta. À medida que oramos e trabalhamos pela plena unidade visível da Igreja, nós – e a tradição a que pertencemos – seremos mudados, transformados e moldados à semelhança de Cristo. Os cristãos querem cumprir essa tarefa juntos, sem triunfalismo, em humildade, servindo a Deus e ao próximo, de acordo com o exemplo de Jesus Cristo. Trabalhando pela unidade, essa é a atitude que queremos juntos pedir a Deus.

Oração de abertura

D: Deus Todo Poderoso, através de Jesus nos dizes que aquele que quiser ser o primeiro deve tornar-se o menor e o servo de todos. Viemos à tua presença, sabendo que nossa vitória é conquistada através da fragilidade da cruz. Viemos orar para que a tua Igreja seja una. Ensina-nos a aceitar humildemente essa unidade como dom do teu Espírito. Através desse dom, converte-nos e transforma-nos para que sejamos mais semelhantes a teu filho Jesus Cristo.

A: Amém.

Prece de arrependimento

D: Poderoso Deus, apesar da unidade que recebemos em Cristo, persistimos em nossa desunião. Tem piedade de nós!

A: Tem piedade de nós! (ou canta-se Kyrie Eleison)

D: Endurecemos nossos corações ao ouvir o evangelho. Tem piedade de nós!

A: Tem piedade de nós!

D: Falhamos na tarefa de servir-te em nossos irmãos e irmãs. Tem piedade de nós!

A: Tem piedade de nós!

D: A desobediência de Adão e Eva trouxe-nos morte e sofrimento, a criação ficou ferida e derrotada. Tem piedade de nós!

A: Tem piedade de nós!

(Faz-se um momento de silêncio)

D: Que o Senhor Todo Poderoso tenha piedade de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna!

A: Amém.

B. A Palavra de Deus

Leituras bíblicas: Habacuc 3, 17-19 ; 1 Coríntios 15, 51-58 ; João 12, 23-26

Hino/ canção

Homilia

Momento de silêncio ou música instrumental

Confissão de fé

Credo (por exemplo, o dos apóstolos ou o Niceno constantinopolitano) é proclamado

Hino/canção

durante o qual os oplatki são trazidos à frente e colocados na mesa central

C. Preces pela unidade e transformação

D: Unidos em Cristo que nos dá a vitória, oremos a Deus:

Pela Igreja, o corpo de Cristo, para que possamos verdadeiramente viver a unidade que recebemos através do Espírito Santo. Deus, que és nossa força,

A: Transforma-nos pela tua graça.

D: Pelas lideranças das Igrejas, para que possam ser fiéis à unidade à qual todos os cristãos são chamados. Deus, que és nossa força,

A: Transforma-nos pela tua graça.

D: Pelas nações do mundo, para que possam viver em paz umas com as outras e promover a justiça para todos. Deus, que és nossa força,

A: Transforma-nos pela tua graça.

D: Por todas as pessoas, para que possamos ser bons administradores da terra. Deus, que és nossa força,

A: Transforma-nos pela tua graça.

D: Pelo povo de nossa sociedade, para que possamos ser convertidos para viver como vizinhos solidários uns com os outros. Deus, que és nossa força,

A: Transforma-nos pela tua graça.

D: Pelos doentes e sofredores, para que possam ser transformados pela tua presença curadora. Deus, que és nossa força,

A: Transforma-nos pela tua graça.

D: Por todas as famílias e lares, para que suas lutas e alegrias encontrem sua realização no teu amor. Deus, que és nossa força,

A: Transforma-nos pela tua graça.

D: Pelos que estão morrendo, para que possam ser confortados com a tua presença. Deus, que és nossa força,

A: Transforma-nos com a tua graça.

D: Senhor, fica no meio de nós e concede-nos unidade e paz.

A: Amém.

A oração do Senhor

D: Quando os discípulos perguntaram a Jesus "como devemos orar", ele respondeu: quando vocês orarem usem estas palavras:

A: Pai Nosso... (poderia ser cantado)

Sinal de paz e partilha do oplatek

A Polônia tem o costume particular de partilhar um biscoito especial, o"oplatek", nas casas das pessoas e nas Igrejas no Natal. Cada pessoa recebe um biscoito. Então as pessoas partilham esse biscoito quebrando um pedacinho do biscoito de outro e comendo. Ao fazer isso elas desejam coisas boas umas às outras. Essa partilha do biscoito expressa unidade, amor e perdão. Convidamos vocês a fazer o mesmo, como um sinal de paz e unidade.

D: Que a paz do Senhor esteja sempre com vocês.

A: E contigo também.

D: Saudai-vos com um sinal de paz.

D. Conclusão

Hino (uma coleta pode ser feita enquanto se canta)

Oração de compromisso

D: Lembramos o que o apóstolo Paulo escreve na Primeira Carta aos Coríntios (1 Cor 15,57-58):

Rendamos graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, meus irmãos bem amados, sede firmes, inabaláveis, fazei sem cessar progressos na obra do Senhor, sabendo que a vossa fadiga não é inútil no Senhor.

Louvor ao Senhor, que nos conduz á unidade! Pai, nós dedicamos esta Semana à oração pelo aprofundamento de nossa unidade em Cristo. Ele venceu a morte e nos chamou a uma vida nova no Espírito. E por isso oramos;

D: Transformados pelo Cristo Servidor,

A: Envia-nos e juntos iremos!

D: Transformados na paciente espera pelo Senhor,

A: Envia-nos e juntos iremos!

D: Transformados pelo Servo Sofredor,

A: Envia-nos e juntos iremos!

D: Transformados pela vitória do Senhor sobre o mal,

A: Envia-nos e juntos iremos!

D: Transformados pela paz do Senhor Ressuscitado,

A: Envia-nos e juntos iremos!

D: Transformados pelo amor persistente de Deus,

A: Envia-nos e juntos iremos!

D: Transformados pelo Bom Pastor,

A: Envia-nos e juntos iremos!

D: Unidos no Reino de Cristo,

A: Envia-nos e juntos iremos!

Bênção e envio

A bênção pode ser apresentada por vários clérigos na forma abaixo, ou em outra forma.

D: O Senhor esteja convosco.

A: E com teu espírito.

D: O Senhor te abençoe e te guarde!

O Senhor faça resplandecer sobre ti seu olhar e te conceda a graça!

O Senhor volte para ti seu olhar e te dê a paz! (Nm 6,24-26)

A: Amém.

Ou

D: Que a bênção de Deus Todo Poderoso, do Pai, do Filho e do Espírito Santo, venha sobre vocês.

A: Amém!

D: Vamos em frente na paz de Cristo!

A: Damos graças a Deus!

Termina-se com um hino ou uma música final.

 

REFLEXÕES BÍBLICAS E ORAÇÕES PARA OS OITO DIAS

PRIMEIRO DIA Tema: Transformados pelo Cristo Servidor
Texto:  O Filho do Homem veio para servir (Cf Mc 10, 45)

Leituras
Zacarias 9, 8-10 Um rei justo e vitorioso... e humilde
Salmo 131 Meu coração está sem pretensões
Romanos 12, 3-8 Temos diferentes dons para prestar serviço
Marcos 10, 42-45 O Filho do Homem veio para servir

 

Comentário

A vinda do Messias e sua vitória foram realizadas através do serviço. Jesus quer que um espírito de serviço encha os corações de seus seguidores também. Ele ensina que a verdadeira grandeza consiste em servir a Deus e ao próximo. Cristo nos dá a coragem para descobrir que Ele é aquele para quem servir é reinar – como dizia um antigo provérbio cristão.

A profecia de Zacarias a respeito de um vitorioso e humilde rei se realizou em Jesus Cristo. Ele, o Rei da Paz, vem aos seus , a Jerusalém – a Cidade da Paz. Ele não a conquista com engodo ou violência, mas com delicadeza e humildade.

O salmo 131 descreve brevemente mas com eloqüência o estado de paz espiritual que é o fruto da humildade. A figura de uma mãe com seu filho é um sinal do terno amor de Deus e da confiança em Deus, à qual a comunidade inteira é chamada.

O apóstolo Paulo nos desafia a fazer uma sóbria e humilde avaliação de nós mesmos e a descobrir nossas habilidades. Tendo uma diversidade de dons, somos um só corpo de Cristo. Em nossas divisões cada uma de nossas tradições tem sido agraciada pelo Senhor com dons que somos chamados a colocar a serviço de outros.

"Pois o Filho do Homem veio não para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate pela multidão." (Mc 10, 45). Com seu serviço, Cristo redimiu nossa recusa a servir a Deus. Ele se tornou um exemplo para regenerar todas as relações entre as pessoas: aquele que quiser ser grande entre vós deve ser vosso servidor – esses são os novos padrões de grandeza e prioridade.

Na Carta aos Romanos, Paulo nos relembra que os diversos dons nos são dados para o serviço: profecia, ministério, ensino, exortação, doação, liderança e compaixão. Em nossa diversidade somos sempre um único corpo de Cristo, e membros uns dos outros. O uso de nossos diversos dons no serviço comum à humanidade torna visível a nossa unidade em Cristo. A ação conjunta dos cristãos para o benefício da humanidade, para combater a pobreza e a ignorância, para defender os oprimidos, para se ocupar com a paz e a preservação da vida, para desenvolver a ciência, a cultura, a arte são uma expressão da prática do ecumenismo, de que a Igreja e o mundo tanto necessitam. A imitação do Cristo Servidor propicia eloqüente testemunho do evangelho, atingindo não só as mentes mas também os corações. Tal serviço comum é um sinal do Reino de Deus que vem chegando – o Reino do Cristo Servidor.

Oração

Poderoso e eterno Deus, percorrendo a estrada real do serviço, teu filho nos conduz da arrogância da nossa desobediência à humildade de coração. Une-nos uns aos outros por teu Santo Espírito, para que através do serviço a nossos irmãos e irmãs, tua verdadeira face possa ser revelada. Assim nos dirigimos a ti, que vives e reinas para sempre. Amém.

Questões para refletir

1. Que oportunidades para o serviço ficam mais ameaçadas pelo orgulho e a arrogância?

2. O que deve ser feito para garantir que todos os ministérios cristãos sejam melhores experiências de serviço?

3. Em nossa comunidade, o que os cristãos de diferentes tradições podem fazer melhor juntos do que isoladamente para revelar o Cristo Servidor?

 

SEGUNDO DIA Tema: Transformados na paciente espera pelo Senhor
Texto: Agora é assim que nos convém cumprir toda a justiça (Mt 3,1 5)

Leituras
1 Sm 1, 1-20 A confiança e a espera paciente de Haná  
Sal 40 Paciente espera pelo Senhor
Hb 11, 32-34 Graças à fé conquistaram reinos, praticaram a justiça  
Mt 3, 13-17 Agora é assim que nos convém cumprir toda a justiça

 

 Comentário

A vitória é freqüentemente associada com triunfo imediato. Todo mundo conhece o gosto do sucesso quando, depois de uma penosa luta, chegam as congratulações, o reconhecimento e os elogios. Em tal momento de alegria, dificilmente alguém percebe que, a partir de uma perspectiva cristã, a vitória é um processo de transformação de longo prazo. Esse tipo de compreensão da vitória, que é transformadora, nos ensina que ela acontece no prazo de Deus, não no nosso, exigindo de nós uma paciente confiança e uma profunda esperança em Deus.

Haná deu testemunho dessa paciente confiança e esperança. Após os muitos anos de espera por uma gravidez, ela orou a Deus por um filho, correndo o risco de ter sua lacrimosa prece desprezada como embriaguês pelo sacerdote no portal do templo. Quando Eli lhe assegurou que Deus atenderia a sua prece, ela simplesmente confiou, esperou, e não mais ficou triste. Haná concebeu e deu à luz um filho, a que chamou Samuel. A grande vitória aqui não é a de nações ou exércitos, mas é um vislumbre no campo de uma luta pessoal e privada. Ao final, a confiança e a esperança de Haná produziram não somente a própria transformação dela, mas também a de seu povo, em favor de quem o Deus de Israel agiu através de Samuel.

O salmista faz eco à espera paciente de Haná por Deus, no meio de um outro tipo de luta. O salmista também buscava libertação de uma situação que permanece desconhecida para nós, mas que é sugerida pela linguagem que menciona o "lamaçal do atoleiro". Ele agradece a Deus por ter transformado sua vergonha e confusão e continua a confiar no amor persistente de Deus.

O autor da Carta aos Hebreus relembra a paciência de pessoas como Abraão e outros que se capacitaram para a vitória através de sua fé e confiança em Deus. A percepção de que Deus interfere e entra na narrativa da história humana elimina a tentação de triunfalismo em termos humanos.

No evangelho, a voz do céu no batismo de Jesus anunciando " este é o meu Filho bem amado" parece ser a garantia do imediato sucesso de sua missão messiânica. Ao resistir ao demônio, no entanto, Jesus não cede à tentação de introduzir tudo no Reino de Deus sem demora, mas pacientemente revela o que a vida no Reino significa através de sua própria vida e do ministério que leva à sua morte na cruz. Embora o Reino de Deus desponte de um modo decisivo pela ressurreição, não está ainda plenamente realizado. A derradeira vitória virá somente com a segunda vinda de nosso Senhor. Assim, aguardamos em paciente esperança e confiança com o grito "Vem, Senhor Jesus!"

Assim também, nosso anseio pela visível unidade da Igreja requer espera paciente e confiante. Nossa prece pela unidade cristã é como a prece de Haná e do salmista. Nosso trabalho pela unidade cristã é como os feitos registrados na carta aos Hebreus. Nossa atitude de espera paciente não é desamparo ou passividade, mas uma profunda confiança na unidade da Igreja como dom de Deus, não conquista nossa. Esse tipo de paciente espera, oração e confiança nos transforma e nos prepara para a unidade visível da Igreja, não como a planejamos, mas como Deus há de nos dar.

Oração

Deus fiel, cumpres tua palavra em todos os tempos. Possamos nós, como Jesus, ter paciência e confiança na firmeza do teu amor. Ilumina-nos com teu Santo Espírito para não obstruirmos a plenitude da tua justiça com nossos julgamentos apressados, e para que possamos perceber tua sabedoria e amor em todas as coisas. Assim nos dirigimos a ti, que vives e reinas para sempre. Amém.

Questões para refletir

1. Em que situações de nossa vida deveríamos ter uma maior confiança nas promessas de Deus?

2. Em que áreas da vida da Igreja é mais comum o risco que vem da tentação de agir apressadamente?

3. Em que situações os cristãos deveriam esperar? E quando deveriam agir juntos?

 

TERCEIRO DIA Tema: Transformados pelo Servo Sofredor
Texto: Cristo sofreu por nós (cf 1 Pd 2, 21)

Leituras
Is 53, 3-11 Homem das dores, familiarizado com o sofrimento
Sl 22, 12-24 Ele não rejeitou um infeliz na miséria

1 Pr 2, 21-25

Cristo sofreu por nós
Lc 24, 25-27 Não era preciso que o Cristo sofresse isso?

 

 Comentário

O divino paradoxo é que Deus pode transformar o desastre em vitória. Ele transforma todos os nossos sofrimentos e infelicidades, bem como a imensidão das dores da história, numa ressurreição que abrange o mundo inteiro. Embora pareça estar derrotado, Ele é no entanto a verdadeira vitória que nada nem ninguém pode superar.

A comovedora profecia de Isaías sobre o sofredor Servo do Senhor foi completamente cumprida em Cristo. Depois de sofrer enorme agonia, o Homem das Dores verá sua descendência. Nós somos essa descendência, nascidos do sofrimento do Salvador. Dessa maneira, nele nos tornamos uma família.

Alguém pode dizer que o salmo 22 não é apenas sobre Jesus, mas também para Jesus. O próprio Salvador recorreu a esse salmo na cruz, quando usou suas desoladoras palavras de abertura: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" Mesmo assim, na segunda parte do salmo a lamentação, a súplica cheia de dor, se transforma em louvor a Deus por suas obras.

O apóstolo Pedro é uma testemunha dos sofrimentos de Cristo (1 Pd 5,1), que ele nos apresenta como exemplo: é a esse sofrimento motivado pelo amor que somos chamados. Jesus não amaldiçoou Deus, mas se submeteu a Ele, que julga com retidão. Suas feridas nos curaram e nos trouxeram de volta para o único Pastor.

Somente à luz da presença do Senhor e de sua Palavra o plano divino do sofrimento do Messias se torna claro. Assim como aconteceu com os discípulos a caminho de Emaús, Jesus é nosso constante companheiro na pedregosa estrada da vida, movendo nossos corações e abrindo nossos olhos para o misterioso plano de salvação.

Os cristãos experimentam o sofrimento como um resultado da condição frágil da humanidade; reconhecemos esse sofrimento na injustiça social e em situações de perseguição. O poder da cruz nos atrai para a unidade. Aí encontramos o sofrimento de Cristo como fonte de compaixão e solidariedade com a família humana inteira. É como disse um teólogo contemporâneo: quanto mais nos aproximamos da cruz de Cristo mais próximos ficamos uns dos outros. O testemunho dos cristãos unidos nas situações de sofrimento se reveste de notável credibilidade. Em nossa partilhada solidariedade com todos os que sofrem aprendemos do servo sofredor crucificado as lições de esvaziamento, desprendimento e auto sacrifício. Esses são os dons do seu Espírito de que necessitamos em nosso caminho para nele viver a unidade.

Oração

Deus da consolação, tu transformaste a vergonha da cruz num sinal de vitória. Concede-nos que sejamos unidos ao redor da cruz de teu Filho para adorá-lo pela misericórdia que nos ofereceu através do seu sofrimento. Que o Espírito Santo abra nossos olhos e corações para que possamos ajudar os que sofrem e com isso experimentar a tua proximidade. Assim nos dirigimos a ti, que vives e reinas para sempre. Amém.

Questões para refletir

1. Como a nossa fé pode nos ajudar em nossa reação a um prolongado sofrimento?

2. Que áreas de sofrimento humano são ignoradas e tratadas com descuido hoje?

3. Como os cristãos podem juntos dar testemunho do poder da cruz?

 

QUARTO DIA Tema: Transformados pela vitória do Senhor sobre o mal
Texto: Sê vencedor do mal por meio do bem (Rom 12, 21)

Leituras
Ex 23, 1-9 Não seguirás uma maioria que quer o mal  
Sl 1 Feliz o homem que se compraz na lei do Senhor
Rom 12, 17-21 Sê vencedor do mal por meio do bem
Mt 4, 1-11 Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele prestarás culto

 

Comentário

Em Jesus aprendemos o que "vitória" realmente significa para os seres humanos – isto é: felicidade de uns com os outros no amor de Deus através da superação que Ele faz de tudo o que nos mantém separados. Isso é um modo de partilhar a vitória de Cristo sobre as forças destrutivas que causam dano à humanidade e a toda a Criação de Deus. Em Jesus podemos tomar parte em uma nova vida que nos chama a lutar contra o que há de errado em nosso mundo com renovada confiança e com alegria diante do que é bom.

As palavras do Antigo Testamento dão um categórico alerta contra a participação no mal e na injustiça. A atitude da maioria não deve de maneira alguma funcionar como desculpa. Nem a riqueza ou outras situações da vida justificam que uma pessoa opte pelo mal.

O salmo 1 chama a atenção não somente para o cumprimento dos mandamentos, mas especialmente para os jubilosos frutos de tal opção. Uma pessoa que ame a lei do Senhor acima de tudo mais é considerada feliz e abençoada. A palavra de Deus é um guia seguro na adversidade e é a culminância da sabedoria humana. Meditar sobre a palavra de Deus dia e noite possibilita que a pessoa tenha uma vida cheia de muitos frutos para o bem de outros.

Nas advertências do apóstolo encontramos estímulo para vencer o mal com o bem. Somente o bem pode interromper a infindável espiral de ódio e de desejo humano de vingança. Na luta pelo bem nem tudo depende dos seres humanos. No entanto, o apóstolo Paulo nos chama a fazer todo esforço para manter a paz com os outros. Ele compreende nossa luta contínua para superar instintos que nos levam a ferir os que nos ferem. Mas Paulo nos impele a não permitir que sejamos vencidos por esses sentimentos destrutivos. Fazer o bem é um modo efetivo de combater o mal que é feito entre nós.

A leitura do evangelho descreve a luta do Filho de Deus contra Satanás – a personificação do mal. A vitória de Jesus sobre as tentações no deserto é completada na sua obediência ao Pai, que o leva à cruz. A ressurreição do Salvador confirma que aí a bondade de Deus tem sua vitória final: o amor vence a morte. O Senhor ressuscitado está perto! Ele nos acompanha em cada luta contra a tentação e o pecado no mundo. Sua presença chama os cristãos a trabalharem juntos pela causa do bem.

É um escândalo que, por causa de nossas divisões, não sejamos suficientemente fortes para lutar contra os males de nosso tempo. Unidos em Cristo, regozijando-nos em sua lei de amor, somos chamados a partilhar sua missão de trazer esperança aonde houver injustiça, ódio e desespero.

Oração

Senhor Jesus Cristo, nós te agradecemos por tua vitória sobre o mal e a divisão. Nós te louvamos pelo teu sacrifício e pela tua ressurreição, que derrotou a morte. Ajuda-nos em nossa luta diária contra toda adversidade. Que o Espírito Santo nos dê força e sabedoria para que, ao te seguir, possamos vencer o mal com o bem, a divisão com a reconciliação. Amém.

Questões para refletir

1. Onde vemos o mal em nossas vidas?

2. De que maneira nossa fé em Cristo pode nos ajudar a vencer o mal?

3. O que podemos aprender das situações de nossa comunidade em que a divisão deu lugar à reconciliação?

 

 

QUINTO DIA

Tema: Transformados pela paz do Senhor ressuscitado

Texto: Jesus veio, pôs-se no meio deles e lhes disse: A paz esteja convosco (Jo 20, 19)

Leituras

Ml 3, 22-24

Ele reconduzirá o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais

Sl 133

Que prazer, que felicidade encontrar-se entre irmãos!  

Ef 2, 14-20

Reconciliar os dois grupos com Deus, ambos num só corpo

Jo 20, 19-23

 Jesus veio, pôs-se no meio deles e lhes disse: A paz esteja convosco!  

 

Comentário

As palavras finais do último livro de profetas do Antigo Testamento trazem a promessa de que Deus enviará seu Escolhido para estabelecer harmonia e respeito em todos os lares. Geralmente tememos conflitos entre nações ou inesperadas agressões. Mas o profeta Malaquias chama a atenção para um dos conflitos mais difíceis de suportar: o coração partido nas relações entre pais e filhos. Essa restauração da unidade entre pais e filhos não é possível sem a ajuda de Deus – é o emissário de Deus que realiza o milagre da transformação no coração e nos relacionamentos das pessoas.

O salmo mostra que grande alegria tal união entre as pessoas pode trazer. O ser humano não foi criado para viver sozinho, e não pode viver contente numa atmosfera hostil. A felicidade consiste em viver numa comunidade humana com harmonia, paz, confiança e compreensão. Boas relações entre as pessoas são como orvalho que cai sobre a terra seca e como um óleo perfumado que intensifica a saúde e o prazer. O salmo se refere ao bem derivado de viver unidos como uma bênção, um dom de Deus que não depende de mérito, como o orvalho. Viver juntos em unidade não é coisa que se restrinja unicamente aos membros da família – temos aí uma declaração de proximidade entre pessoas que aceitam a paz de Deus.

A epístola nos fala daquele que o profeta Malaquias anunciou. Jesus traz unidade porque ele demoliu o muro de hostilidade entre pessoas em seu próprio corpo. Geralmente, a vitória de uma pessoa envolve a queda e a vergonha dos que foram derrotados, que preferem se retirar. Jesus não rejeita, destrói ou humilha; ele põe um fim à alienação. Ele transforma, cura e une a todos, para que possam ser membros da família de Deus.

O evangelho relembra o dom do Senhor ressuscitado, oferecido a seus inseguros e aterrorizados discípulos. A paz esteja convosco – essa é a saudação de Jesus e também o seu dom. É também um convite a buscar paz com Deus e estabelecer novas, permanentes relações dentro da família humana e de toda a criação. Jesus derrubou a morte e o pecado. Pelo dom do Espírito Santo, o Senhor ressuscitado convida seus discípulos a participar de sua missão de trazer paz, cura e perdão ao mundo inteiro. Enquanto os cristãos permanecerem divididos, o mundo não ficará convencido da plena verdade da mensagem do evangelho sobre a nova humanidade que Cristo nos trouxe. Paz e unidade são as marcas dessa transformação. As Igrejas precisam assumir e testemunhar esses dons como membros de uma única família de Deus, construída sobre o seguro fundamento da pedra angular que é Jesus.

Oração

Amoroso e misericordioso Deus, ensina-nos a alegria de partilhar a tua paz. Enche-nos com teu Santo Espírito para que possamos demolir as paredes de hostilidade que nos separam. Que o Cristo ressuscitado, que é nossa paz, nos ajude a superar toda divisão e nos una como membros de sua família. Isso te pedimos em nome de Jesus Cristo, em quem, contigo e com o Espírito Santo, está toda honra e toda a glória para sempre. Amém.

Questões para refletir

1. Que formas de violência em nossa comunidade podemos, como cristãos, enfrentar juntos?

2. Como experimentamos hostilidades ocultas que afetam nosso relacionamento de uns com os outros, como comunidades cristãs?

3. Como podemos nos acolher uns aos outros como Cristo nos acolhe?

 

SEXTO DIA Tema: Transformados pelo amor persistente de Deus
Texto : Esta é a vitória, nossa fé (Cf 1 Jo 5,4)

Leituras
Hab 3,17-19 O Senhor é o meu Senhor, ele é a minha força
Sl 136,1-4.23-26 A fidelidade de Deus é para sempre
1 Jo 5,1-6 A vitória que venceu o mundo é a nossa fé
Jo 15,9-17 Ninguém tem maior amor do que aquele que se despoja da vida por aqueles a quem ama  

 

Comentário

No texto do Antigo Testamento, é a fé em Deus que mantém viva a esperança, apesar de todo fracasso. A lamentação de Habacuc vira alegria na fidelidade de Deus que dá força em face ao desespero.

O salmo 136 confirma que a memória dos maravilhosos feitos de Deus na história de Israel é a prova da fidelidade do amor de Deus. Por causa da intervenção de Deus, o povo de Israel experimentou extraordinárias e surpreendentes vitórias. Relembrar as grandes obras de salvação de Deus é uma fonte de alegria, gratidão e esperança, que aqueles que crêem tem expressado ao longo dos séculos em oração, hinos de louvor e música.

A epístola nos relembra que aquele que nasceu de Deus é o que vence o mundo. Isso não significa necessariamente que as vitórias podem ser medidas por padrões humanos. A vitória em Cristo envolve uma conversão de coração, a percepção da realidade terrena desde a perspectiva da eternidade e a crença na vitória final sobre a morte. Essa força vitoriosa é a fé, que tem Deus como fonte e doador. E a sua mais perfeita manifestação é o amor.

Nas palavras do evangelho, Cristo garante a seus discípulos o amor de Deus, cuja confirmação final é a morte do Salvador na cruz. Ao mesmo tempo, ele os convida e os desafia a mostrar amor uns aos outros. O relacionamento de Jesus com seus discípulos é baseado no amor. Ele não os trata simplesmente como discípulos, mas os chama de amigos. O serviço que eles tem que prestar a Cristo consiste em moldar suas vidas de acordo com o mandamento do amor, que é resultado de convicção interior e fé. Num espírito de amor, mesmo quando parece lento o progresso no caminho da plena unidade visível, não perdemos a esperança. A fidelidade do amor de Deus nos tornará capazes de superar o maior oponente e as mais profundas divisões. É por isso que a vitória que vence o mundo é a nossa fé e o poder transformador do amor de Deus.

Oração

Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, por tua ressurreição triunfaste sobre a morte, e te tornaste o Senhor da vida. Por causa de teu amor por nós, nos escolheste como amigos. Que o Espírito Santo nos una a ti e uns aos outros em laços de amizade, para que possamos fielmente te servir neste mundo como testemunhas de teu amor fiel; pois tu vives e reinas com o Pai e o Espírito Santo, um só Deus para sempre. Amém.

Questões para refletir

1. Como devemos expressar o amor cristão em contextos de diferentes religiões e filosofias?

2. O que temos de fazer para nos tornar testemunhas da fidelidade do amor de Deus com mais credibilidade num mundo dividido?

3. Como os seguidores de Cristo podem se apoiar mutuamente de maneira mais visível pelo mundo afora?

 

SÉTIMO DIA Tema: Transformados pelo Bom Pastor
Texto: Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21, 17)  

Leituras
1 Sm 2, 1-10 Não é pela força que o homem triunfa  
Sl 23 Estás comigo com teu bastão e teu cajado
Ef 6, 10-20 Armai-vos de força no Senhor
Jn 21, 15-19 Apascenta as minhas ovelhas

 

Comentário

Os que superam o sofrimento necessitam de apoio do alto. Esse apoio vem através da oração. Lemos sobre o poder da oração de Haná no primeiro capítulo do livro de Samuel. No segundo capítulo, encontramos a prece de ação de graças de Haná. Ela percebeu que certas coisas acontecem somente com a ajuda de Deus. Foi por desejo dele que Haná e seu marido se tornaram pais. Esse texto é um exemplo com o qual alguém pode fortalecer a sua fé no que pareceria uma situação sem esperança. É um exemplo de vitória.

O bom pastor do Salmo 23 guia suas ovelhas mesmo através dos lugares mais escuros, confortando-as com a sua presença. Os que colocam sua fé no Senhor não precisam ter medo mesmo nas sombras da destruição ou desunião, pois seu pastor os guiará para os verdes pastos da verdade, para viverem juntos na própria casa do Senhor.

Na Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo nos incita a sermos fortes no Senhor e na força do seu poder, usando uma armadura espiritual: verdade, justiça, anúncio da Boa Nova, fé, salvação, a palavra de Deus, oração e súplica.

O Senhor ressuscitado estimula Pedro – e na pessoa dele, cada discípulo - a descobrir em si mesmo um amor àquele que é o Único Verdadeiro Pastor. Se tiveres esse amor, então apascenta minhas ovelhas! Em outras palavras: alimenta-as, protege-as, cuida delas, fortalece-as – porque elas são minhas e me pertencem! Sê meu bom servidor e cuida daqueles que me amaram e seguem a minha voz. Ensina-lhes o amor mútuo, a cooperação e a coragem à medida que eles caminham nos desvios e curvas da vida.

Como resultado da graça divina, o testemunho de Cristo que em nós foi confirmado nos obriga a agir conjuntamente pela causa da unidade. Temos a capacidade e a sabedoria para dar tal testemunho! Mas será que queremos? O Bom Pastor, que por sua vida, ensinamento e conduta fortalece todos aqueles que tiveram fé na Sua graça e proteção, nos convida a cooperar com ele incondicionalmente, Assim fortalecidos, seremos capazes de ajudar uns aos outros na estrada da unidade. Então, sejamos fortes no Senhor, para que possamos fortalecer outros num testemunho conjunto de amor.

Oração

Pai de todos, tu nos chamas para ser um só rebanho em teu Filho, Jesus Cristo. Ele é nosso Bom Pastor que nos convida a descansar em verdes pastos, nos conduz para águas calmas e restaura nossas almas. Ao segui-lo, possamos assim cuidar de outros para que todos vejam em nós o amor do único verdadeiro Pastor, Jesus Cristo nosso Senhor, que contigo vive e reina com o Espírito Santo, um só Deus para sempre. Amém.

1. Como pode o Bom Pastor inspirar-nos para a consolação, revitalizar e restaurar a confiança de aqueles que estão perdidos?

2. De que forma podem os cristãos de várias tradições reforçar-se mutuamente em confessar e testemunhar Jesus Cristo?

3. Que significado tem para nos hoje a exortação de São Paulo: "Fortalecei-vos no Senhor...revesti-vos de toda a armadura de Deus"?

 

OITAVO DIA Tema: Unidos no Reino de Cristo
Texto: Ao vencedor, concederei sentar-se comigo no trono (Ap 3, 21)

Leituras
1 Cr 29, 10-13 A riqueza e a glória vêm de ti  
Sl 21, 1-7 Pões em sua cabeça uma coroa de ouro
Ap 3, 19b-22 AAo vencedor, concederei sentar-se comigo no trono
Jo 12, 23-26 e alguém me servir, o Pai o honrará

 

Comentário

Jesus Cristo é o primogênito entre os mortos. Ele se humilhou e foi exaltado. Cristo não tem ambição de vitória, mas partilha com todos seu reino e sua exaltação.

O hino de Davi, nascido da alegria do rei e do povo antes que o templo fosse construído, expressa a verdade de que tudo acontece pela graça. Mesmo um monarca terreno pode ser uma imagem do reino de Deus, que tem em suas mãos o poder de tornar todos grandes e dar-lhes força.

O salmo de ação de graças do rei dá continuidade a essa idéia. A tradição cristã também vê aí um sentido messiânico: Cristo é o verdadeiro rei, cheio de bênção e vida, a perfeita presença de Deus no meio do povo. Num certo sentido, essa imagem também pode se referir ao povo. Acaso não são os seres humanos o coroamento da criação? Não é verdade que Deus quer que nos tornemos co herdeiros com seu Filho e membros da sua Casa real?

As cartas do livro do Apocalipse às sete Igrejas locais constituem uma mensagem para a Igreja em todos os tempos e lugares. Todos aqueles que acolhem Cristo em suas casas serão convidados a partilhar com ele o banquete da vida eterna. A promessa a respeito de sentar em tronos, previamente anunciada aos Doze, é agora estendida a todos os que são vitoriosos.

Onde eu estiver, aí estará meu servo também. Podemos ligar a fala de Jesus (eu estou) ao impronunciável nome de Deus (eu sou aquele que sou, eu estou). O servo de Jesus, que o Pai honra, estará onde estiver o seu Senhor, que se sentou à direita do Pai para reinar.

Os cristãos sabem que a unidade entre eles, mesmo se requer esforço humano, é acima de tudo um dom de Deus. É uma participação na vitória de Cristo sobre o pecado, a morte e o mal que causa divisão. Nossa participação na vitória de Cristo atinge sua plenitude no céu. Nosso testemunho comum do Evangelho deveria mostrar ao mundo um Deus que não nos limita nem nos derrota. Devemos anunciar com credibilidade, às pessoas de nossos tempos, que a vitória de Cristo vence tudo que nos impede de partilhar a plenitude da vida com Ele e uns com os outros.

Oração

Poderoso Deus, que a todos governas, ensina-nos a contemplar o mistério da tua glória. Concede-nos que possamos aceitar teus dons com humildade e respeitar a dignidade de cada pessoa. Que o teu Santo Espírito nos fortaleça nas batalhas espirituais que temos pela frente para que, unidos em Cristo, possamos reinar com Ele na glória. Concede-nos isso através dEle, que se humilhou e foi exaltado, que vive contigo e o Espírito Santo, para sempre. Amém.

Questões para refletir

1. De que maneiras se manifestam em nossa vida a falsa humildade e o desejo de glória terrena?

2. Como expressamos juntos nossa fé no Reino de Cristo?

3. Como vivemos nossa esperança na vinda do Reino de Deus?

 

RECURSOS ADICIONAIS (*)

As preces seguintes, para os oito dias, são baseadas no tema de cada dia. Junto com o bloco formado pelas leituras bíblicas e a prece de cada dia, podem ser usadas para formar uma estrutura simples de oração para cada dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

 

Primeiro dia

O Servo Vencedor

D: Senhor, a desobediência de Adão e Eva trouxe-nos sofrimento e morte, e a família humana foi ferida e dividida. Tem piedade de nós!

A: Tem piedade de nós!

D: Cristo, endurecemos nossos corações quando nos ensinaste através dos servidores da tua palavra. Tem piedade de nós!

A: Tem piedade de nós!

D: Senhor, sabes que não te temos servido em nossos irmãos e irmãs. Tem piedade de nós!

A: Tem piedade de nós!

D: Que o Senhor Todo Poderoso tenha piedade de nós, perdoando nossos pecados, e nos leve para a vida eterna.

A: Amém.

Segundo dia

Transformados na paciente espera pelo Senhor

D: Senhor, a ti dirigimos nossa prece. Nós te pedimos o dom de olhar nossa vida à luz da tua sabedoria.

A: Ouve-nos, ó Senhor!

D: Nós te pedimos o divino dom da paciência em situações em que a justiça humana falha.

A: Ouve-nos, ó Senhor!

D: Nós te pedimos a capacidade de orar e esperar naquelas situações em que só o teu dom pode satisfazer nossa necessidade.

A: Ouve-nos, ó Senhor!

D: Escuta-nos quando a ti clamamos, ó Deus, e concede-nos o discernimento da plenitude de tua justiça, através de Cristo, nosso Senhor.

A: Amém.

* Sob a inteira responsabilidade do Grupo Ecumênico da Polônia.

 

Terceiro dia

Transformados pelo Servo Sofredor

D: A cruz é o sinal de vitória. E por isso proclamamos: Nós te adoramos, ó Senhor!

A: Nós te adoramos, ó Senhor!

D: Por tua cruz – a catedral da verdade e o reino da misericórdia

A: Nós te adoramos, ó Senhor!

D: Por tua cruz – a árvore da vida e o trono da graça

A: Nós te adoramos, ó Senhor!

D: Por tua cruz – o sinal da compaixão e o sinal da esperança

A: Nós te adoramos, ó Senhor!

D: Senhor, morreste na cruz para reunir na unidade os dispersos filhos de Deus. Que a contemplação da tua cruz transforme nossa compreensão do sofrimento, porque vives e reinas para sempre.

A: Amém.

Quarto dia

Transformados pela vitória do Senhor sobre o mal

D: A chegada do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás. Jesus, quando derrota o tentador no deserto, e liberta as pessoas do poder dos maus espíritos, antecipa a grande vitória da Hora de sua Paixão. O governante deste mundo é expulso. No último pedido da Prece do Senhor – mas livra-nos do mal – oramos a Deus para que Ele torne visível a vitória que já aconteceu em Cristo. No espírito desse pedido, clamamos: Salva-nos, ó Senhor!

A: Salva-nos, ó Senhor!

D: De todo mal

A: Salva-nos, ó Senhor!

D: De todo pecado

A: Salva-nos, ó Senhor!

D: Das armadilhas de Satanás

A: Salva-nos, ó Senhor!

D: Do ódio e de toda má vontade

A: Salva-nos, ó Senhor!

D: Da morte eterna

A: Salva-nos, ó Senhor!

D: Salva-nos, ó Senhor, de todo mal e apóia-nos na tua misericórdia, tu que vives e reinas para sempre

A: Amém.

Quinto dia

Transformados pela paz do Senhor Ressuscitado

D: Oremos ao Senhor Ressuscitado pelos cristãos e por todos os povos da terra: dá-nos a tua paz!

A: Dá-nos a tua paz!

D: Concede a bênção da paz às nações.

A: Dá-nos a tua paz!

D: Sustenta os que estão trabalhando pela visível unidade da Igreja.

A: Dá-nos a tua paz!

D: Cuida daqueles que chamaste para pastorear o teu rebanho.

A: Dá-nos a tua paz!

D: Fortalece o amor dos casais.

A: Dá-nos a tua paz!

D: Traze a reconciliação dentro das famílias, entre vizinhos e na sociedade.

A: Dá-nos a tua paz!

D: Senhor, fica no meio de nós e concede-nos unidade e paz, tu que vives e reinas para sempre.

A: Amém.

Sexto dia

Transformados pelo amor persistente de Deus

D: A Ele que é o único digno de fé, clamamos: Amém – eu creio!

A: Amém – eu creio!

D: No único Deus: Pai, Filho e Espírito Santo

A: Amém – eu creio!

D: No Filho de Deus que se fez homem

A: Amém – eu creio!

D: Em sua morte, ressurreição e ascensão

A: Amém – eu creio!

D: No dom do Espírito Santo

A: Amém – eu creio!

D: Na nova vinda de Cristo na glória

A: Amém – eu creio!

D: Que Sua graça é mais forte do que o pecado

A: Amém – eu creio!

D: Na ressurreição do corpo e na vida eterna no Reino

A: Amém – eu creio!

D: Senhor, anima a fé da tua Igreja em sua peregrinação pelo mundo inteiro e leva teus filhos a ver o esplendor de tua majestade face a face , tu que vives e reinas para sempre.

A: Amém.

Sétimo dia

Transformados pelo Bom Pastor

D: O Senhor não nos abandonou. Em todas as experiências de nossa vida ele nos guia com seu bastão e seu cajado. Ele é o nosso Bom Pastor. Por isso dizemos: Nós te damos graças, Senhor!

A: Nós te damos graças, Senhor!

D: Pela vida e por todos os dons com que nos fortaleces

A: Nós te damos graças, Senhor!

D: Pelo dom da tua palavra

A: Nós te damos graças, Senhor!

D: Pela perseverança na fé

A: Nós te damos graças, Senhor!

D: Pelas testemunhas confiáveis do teu Evangelho

A: Nós te damos graças, Senhor!

D: Por todas as coisas que não podemos enumerar ou deixar de perceber

A: Nós te damos graças, Senhor!

D: Nós te agradecemos, Senhor, por todos os dons que nos deste para que não desistíssemos pelo caminho ou nos tornássemos fracos em nossa luta espiritual, tu que vives e reinas para sempre.

A: Amém.

Oitavo dia

Unidos no Reino de Cristo

D: Uma antiga homilia pregava:

O trono celestial já está preparado, os servos aguardam atentamente, a câmara nupcial já foi construída, a comida está pronta, o lugar de eterna morada está adornado, os tesouros eternos foram abertos, o e Reino do Céu, preparado desde a criação do mundo, está finalmente aberto.

D: No grande desejo de permanecer com Cristo, nós o adoramos e dizemos: Seja exaltado para sempre!

A: Seja exaltado para sempre!

D: Senhor do tempo e da eternidade

A: Seja exaltado para sempre!

D: O primogênito dos mortos

A: Seja exaltado para sempre!

D: Aquele que tem as chaves da morte e do inferno

A: Seja exaltado para sempre!

D: Aquele que é o Senhor dos que governam e o Rei dos que reinam

A: Seja exaltado para sempre!

D: Aquele que é, que era e que vem

A: Seja exaltado para sempre! Amém.

Kyrie

Melodia: Varsóvia (1874)
Hinário evangélico de Bielsko- Biala 2002

Senhor, tende piedade.
Cristo, tende piedade.
Senhor, tende piedade

 

Pai Nosso

Texto e melodia: Zofia Jasnota (1971)
Hinário evangélico, Bielsko- Biala 2002

 

Ciągły niepokój na świecie

Texto e melodia: Zofia Jasnota (1971)
Śpiewnik Ewangelicki
(Hinário evangélico), Bielsko-Biała 2002

Não é a paz que reina na terra
Mas a guerra e o conflito,
Opressão e cadeias
Que reduzem tantos ao silêncio.

A paz esteja contigo,
Eu te deixo a paz,
Minha paz eu te dou,
Não como a dá o mundo,
Disse-nos o Senhor.

 

Hino da comunidade ecumênica internacional

Música composta pelo famoso compositor polonês Wojciech Kilar (começo de 1990)
Texto de Bárbara Kilar e Jozef Budniak

 

Vem a nós agora, Senhor, reina em nossos corações.
Sê para nós, agora e sempre, o nosso guia.
Leva-nos a estar juntos, para que possamos ser um.
Une-nos, todos juntos, como povo de Deus.
Senhor, sê para nós a Verdade e o Caminho.
Cumpre o plano do Pai e faze-nos um.
Vem, sê nossa vida e dá-nos tua paz.
Que sejamos um em Jesus Cristo nosso Senhor.
Amém.

* Sob a inteira responsabilidade do Grupo Ecumênico da Polônia.

 

INFORMAÇÃO SOBRE A POLÔNIA E SEU CONTEXTO ECUMÊNICO*

Informação básica

A Polônia, chamada oficialmente República da Polônia, é um país situado na Europa Central banhado pelo mar Báltico. Faz fronteira com a Alemanha a oeste, com a República Checa e a Eslováquia ao sul, com a Ucrânia e Bielorússia a leste, com a Lituânia ao nordeste e a Rússia ao norte (Kaliningrado Oblast). No Mar Báltico, a Polônia tem também fronteiras marítimas com a Dinamarca e a Suécia.

Com uma área de 312.700 km2, a Polônia é o nono país em extensão territorial na Europa. Tem uma população de mais de 38 milhões. Sua capital é Varsóvia (Warsaw).

Os poloneses formam quase 97% da população. Até 1939, um terço da população era de minorias étnicas. Cerca de 6 milhões de pessoas pereceram na segunda guerra mundial (incluindo 3,5 milhões de judeus na Shoah). Hoje em dia, as minorias étnicas são uma pequena porcentagem da população da Polônia. Os mais numerosos são ucranianos, bielorussos, alemães (que estão representados no parlamento), lituanos, eslovacos e checos.

Os poloneses falam polonês, que pertence à família de línguas eslavas. A lei garante às minorias étnicas o uso de sua própria língua.

Como resultado da emigração por razões políticas e econômicas, que começou no século XIX, cerca de 15 milhões de poloneses foram viver fora das fronteiras de seu país. Atualmente, os mais numerosos grupos dessa diáspora são comunidades polonesas que vivem nos Estados Unidos, Alemanha, Brasil, França e Canadá.

Panorama histórico

O cristianismo na Polônia tem uma história de mais de mil anos. As primeiras comunidades cristãs surgiram como resultado do trabalho missionário de Cirilo e Metódio. A vida da Igreja na Polônia ganhou organização no reinado de seu primeiro governante histórico, Miesko, da família Piast, que uniu as tribos eslavas que viviam ás margens do rio Vístula. O ano 966, data em que Miesko foi batizado, é reconhecido como o ano da formação do estado polonês. O primeiro arcebispado da terra da Polônia a ter jurisdição independente foi estabelecido no ano 1000 em Gniezno. Naquele ano, três monarcas – o alemão, o checo e o polonês – se reuniram num congresso no túmulo do bispo e mártir São Wojciech (os contemporâneos congressos de Gniezno, que tem sido organizados desde 1997, se reportam àquele evento com seu caráter internacional e ecumênico). Boleslaw, o Bravo, foi o primeiro a ser coroado rei da Polônia, em 1025. Ele estendeu consideravelmente as fronteiras do estado e apoiou campanhas missionárias. Os estrangeiros encontraram seu lugar e atraentes condições de vida nas terras polonesas bem desde o começo. Eram principalmente judeus, caraítas (desde o século XII), muçulmanos e tártaros (desde o século XIV).

Os séculos XV e XVI são conhecidos como a idade áurea da história polonesa. Esse foi o tempo em que o brilho político, econômico e cultural estava no seu auge. Foi também o tempo em que as idéias da Reforma atingiram a Polônia. Os ensinamentos de Martinho Lutero foram bem acolhidos pela burguesia, enquanto os de João Calvino e Huldrich Zwinglio atraíram a aristocracia (os antigos cavaleiros). Contra a tendência dos países ocidentais de envolvimento em guerras religiosas mutuamente destrutivas, a Polônia se destacou por sua considerável tolerância religiosa e se tornou um refúgio para os dissidentes protestantes.

O século XVII foi o período da Contra Reforma, quando os protestantes foram privados de direitos políticos e os arianos – a irmandade polonesa – foram forçados a emigrar, o que pôs um freio no desenvolvimento do protestantismo polonês. Em 1791 o parlamento polonês (Sejm) aprovou a segunda Constituição do mundo (depois da que foi elaborada nos Estados Unidos) garantindo liberdade da prática e da confissão religiosas.

Infelizmente, entre 1772 e 1795, a Polônia foi dividida em três ocasiões diferentes entre os superpoderes da Prússia, Rússia e Áustria. Como resultado disso, por 123 anos o país não existiu no mapa da Europa. Os poloneses tentaram recuperar sua independência numa série de insurreições como o levante de Kosciuszko (1791), o levante de Novembro (1830), a Primavera das Nações (1848), o levante de Janeiro (1863) e a revolução durante a primeira guerra mundial. A Polônia não recuperou sua liberdade e independência até 1918. Os anos do período entre as guerras (1918- 1939) foram um tempo de reconstrução da organização do país depois da danosa política dos poderes divisionistas e da destruição causada pela guerra. O curto período de independência (20 anos) foi também um tempo de rápido crescimento. A Polônia emergiu com sucesso da crise econômica global de 1920-1930, sua indústria prosperou, foi introduzido um processo universal de educação e foram criadas condições para o desenvolvimento da ciência e da cultura.

Um dos mais trágicos períodos na história polonesa foi a segunda guerra mundial (1939-1945). Quando os alemães nazistas atacaram o país em 1 de setembro de 1939, os poloneses passaram seis semanas lutando contra o esmagador poder militar do invasor. A situação se tornou ainda mais difícil quando, a 17 de setembro de 1939, o exército vermelho soviético anexou partes do leste da Polônia.

Um exército nacional de resistência e estruturas de trabalho subterrâneo foram formados no território ocupado pelos alemães, e isso ficou conhecido como o Governo Geral. Em abril de 1943, um levante se espalhou no gueto de Varsóvia (o distrito segregado dos judeus). O distrito judaico inteiro foi metodicamente queimado e arrasado. Em agosto de 1944 o levante de Varsóvia explodiu na capital, e aí foram mortos cerca de 200 000 insurgentes e civis. Quando a revolta foi vencida, a população restante foi remanejada e 95% da capital foi demolida pelos nazistas.

Soldados poloneses lutaram em muitas frentes pelo mundo inteiro: na Noruega, Inglaterra, Itália, Holanda, União Soviética, Oriente Médio e África.

Depois da guerra, em 1945, como resultado de tratados assinados pelos Estados Unidos, Grã Bretanha e a União Soviética em Yalta e Potsdam, a Polônia se viu dentro da esfera de influência soviética e se tornou uma república comunista. Suas fronteiras anteriores foram modificadas. A URSS tomou os territórios orientais da Polônia e a fronteira ocidental foi marcada ao longo dos rios Oder e Niesse. Ambas essas decisões tiveram conseqüências políticas, econômicas, sociais e religiosas de longo alcance. Milhões de pessoas de várias nacionalidades foram remanejadas e espalhadas por outros locais. Ao fim de 1970 o país se viu diante de um colapso econômico. Por toda a Polônia havia greves e descontentamento, que aumentaram nesse tempo e resultaram na formação de um poderoso movimento social e político. Em 1980 a união independente de comércio Solidariedade foi criada, com cerca de 10 milhões de pessoas afiliadas. Foi dirigida por Lech Walesa. As transformações políticas na URSS ("perestroika") e o poderoso movimento de união de comércio e independência da Polônia contribuíram para as mudanças democráticas na Europa e deram soberania à Polônia.

Em 1989 o sistema político mudou para uma democracia parlamentar, com a volta a uma economia de mercado. As três primeiras eleições parlamentares livres aconteceram e novos partidos políticos e organizações não governamentais surgiram. Em 1999 a Polônia se uniu a estruturas internacionais de segurança (OTAN) e de trocas econômicas (WTD, DECD). Desde 2004 o país é membro da União Européia, participando da presidência de julho a dezembro de 2011.

A situação religiosa

A maior Igreja da Polônia é a Igreja Católica Romana, à qual pertencem 95% da população. Essa Igreja desempenhou um importante papel na preservação da identidade nacional polonesa e da independência ao longo dos tempos, particularmente durante as divisões (1772-1918) e o período comunista (1945-1989). A eleição de um papa polonês em 1978 teve um imenso significado para as mudanças sociais e políticas. João Paulo II (que morreu em 2005) era conhecido no mundo inteiro por defender o respeito por diferentes religiões, a paz entre as nações, a dignidade humana e a liberdade.

A segunda maior Igreja é a Igreja Ortodoxa Polonesa (aproximadamente 550 000 seguidores). Suas origens estão intimamente ligadas às atividades missionárias dos santos Cirilo e Metódio (século IX). A Ortodoxia é uma característica permanente da estrutura religiosa do país. Desde 1925 a Igreja Ortodoxa na Polônia tem o status de Igreja autocéfala. Em 1596, como resultado da União de Brest, um certo número de padres e fiéis ortodoxos reconheceram o Papa como chefe da Igreja e aceitaram o dogma católico, embora mantendo o rito bizantino. A Igreja (Uniata) Católica Grega consequentemente passou a existir e conta hoje aproximadamente com 100 000 seguidores.

A Igreja Evangélica Luterana (cerca de 75 000 seguidores) e a Igreja Evangélica (calvinista) Cristã Reformada (cerca de 3 500 seguidores) se originaram da Reforma do século XVI.

A Igreja Evangélica Metodista (cerca de 5 000 seguidores) e a União Batista (cerca de 5 000 seguidores) têm existido na Polônia desde o século XIX.

Há também duas Igrejas que surgiram nos séculos XIX e XX e que pertencem à família dos vétero católicos: a Velha Igreja Católica Mariavita e a Igreja Católica Polonesa. A Velha Igreja Católica Mariavita (cerca de 25 000 seguidores) separou-se da Igreja católica Romana em 1906. A Igreja Católica Polonesa surgiu entre os poloneses expatriados na América. Ela agrega aproximadamente 22 000 seguidores e pertence à União de Utrech.

Também há outras Igrejas protestantes ativas na Polônia, como a Igreja Pentecostal. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Fraternidade (Fellowship) de Igrejas Cristãs e a Igreja dos Evangélicos Cristãos. Algumas dessas Igrejas estão afiliadas à Aliança Evangélica. A Polônia também abriga grupos religiosos como a União de Comunidades Religiosas Judaicas, a União Religiosa Caraíta e a União Religiosa Muçulmana.

A situação ecumênica

Em séculos anteriores a Polônia era consideravelmente mais diversificada em termos de confissões religiosas, tendo orgulho em manter uma longa tradição de liberdade, tolerância religiosa e cooperação ecumênica.

O cenário religioso contemporâneo é a conseqüência de muitos eventos históricos, particularmente da segunda guerra mundial e das mudanças de fronteira e das migrações em massa que a acompanharam.

As tradições históricas do ecumenismo na Polônia datam do século XVI. Em 1570 um evento notável foi o Acordo de Sandomierz, assinado por luteranos, calvinistas e hussitas checos. Em 1777, luteranos e calvinistas formaram uma união; em 1828-1849 ambas as confissões se uniram num consistório.

A primeira organização interdenominacional na Polônia foi o Ramo Polonês da União Mundial para a Propagação da Amizade entre as Nações, que surgiu em 1923 através da ação de Igrejas. Inicialmente, seis Igrejas pertencentes às tradições Luterana, Reformada e Unida pertenceram ao Ramo Polonês, solucionando temas de disputa entre elas e se envolvendo em ações conjuntas. Quando a Igreja Ortodoxa Polonesa Autocéfala se aderiu à União em 1930, percebeu-se a possibilidade de um encontro histórico de duas tradições cristãs separadas – Evangélica e Ortodoxa – numa organização conjunta.

Durante a segunda guerra mundial , lá pelo final de 1942, um Conselho Ecumênico Provisório foi organizado. Ele elaborou a ecumênica "Confissão de Fé dos cristãos Poloneses" (Confissão Polonesa), enunciando princípios dogmáticos compreendidos como um bem comum.

Em 1945, representantes de cinco Igrejas protestantes - Evangélica Luterana, Evangélica Reformada, Evangélica Metodista, União Batista e Cristãos Evangélicos - formaram uma missão oficial conjunta conhecida como Conselho de Igrejas Protestantes na Polônia, cujo dirigente era o Rev. Konstanty Najder, superintendente geral da Igreja Metodista.

O Conselho Ecumênico Polonês foi oficialmente constituído em Varsóvia a 15 de novembro de 1946. Delegados representando 12 confissões tomaram parte nisso. O Rev. Zygmunt Michelis ( 1890-1977) da Igreja Evangélica Luterana foi eleito presidente do Conselho.

Até o final da década de 1960, as relações entre o Conselho Ecumênico Polonês e a Igreja Católica Romana tiveram um caráter não oficial. No entanto, muitos católicos, tanto do clero como do laicato, tomaram parte em cultos da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, organizados por membros do Conselho.

O primeiro culto ecumênico numa igreja católica, que aconteceu antes do Concílio Vaticano II, com a participação de convidados representantes de outras confissões cristãs, foi celebrado na igreja de São Martin em Varsóvia em 10 de janeiro de 1962. Este ano (2012) teremos o 50º aniversário desse evento.

O Comitê Misto do Conselho Ecumênico Polonês e do Comitê do Episcopado para o Ecumenismo foi inaugurado em 1974. Ele possibilitou um contato oficial estabelecido entre a Igreja Católica Romana e o Conselho Ecumênico Polonês, Em 1977 o Comitê Misto designou um Sub Comitê para o Diálogo, que se encarregaria de conversas sobre assuntos teológicos.

Vinte anos mais tarde (1997), baseando-se na cooperação já acertada, foi estabelecido um Comitê para o Diálogo da Conferência do Episcopado Polonês e do Conselho Ecumênico Polonês. Um dos importantes resultados da cooperação entre a Igreja Católica Romana e o Conselho Ecumênico Polonês se verificou no ano 2000, quando as lideranças de seis Igrejas membros do Conselho e a Igreja Católica Romana assinaram um documento sobre "O sacramento do Batismo como sinal de unidade", no qual os signatários declararam seu reconhecimento mútuo da validade do batismo.

Desde o ano 2000, o Comitê para o Diálogo tem examinado a questão dos casamentos mistos. Em 2009 foi apresentado um esboço de texto ecumênico a respeito de tais casamentos. Um evento importante, coordenado pela Sociedade Bíblica na Polônia, foi a publicação em 2001 de uma tradução ecumênica do Novo Testamento e dos Salmos. Onze Igrejas se envolveram no trabalho de tradução. Atualmente está em andamento um trabalho de tradução ecumênica do Antigo Testamento.

Este ano (2012) foi publicado pela 15ª vez um livreto para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, preparado em conjunto por representantes do Conselho Ecumênico Polonês e pela Igreja Católica Romana.

Em 2009 foi publicado um livro com o título "A caminho para Cristo – Igrejas Cristãs na Polônia falam sobre si mesmas", no qual as Igrejas afiliadas ao Conselho Ecumênico Polonês, bem como a Igreja Católica Romana, se apresentam – pela primeira vez na história polonesa após guerra – numa única publicação.

Também notável é o fato de que papas como João Paulo II e Bento XVI se encontraram com clérigos e outros membros das Igrejas afiliadas ao Conselho Ecumênico Polonês durante preces ecumênicas realizadas em suas peregrinações na Polônia.

Atualmente sete Igrejas pertencem ao Conselho Ecumênico Polonês: a Igreja Ortodoxa Polonesa Autocéfala, a Igreja Católica Polonesa, a Velha Igreja Católica Mariavita, a Igreja Evangélica Luterana, a Igreja Evangélica Reformada, a Igreja Evangélica Metodista e a União Batista Polonesa. A Sociedade Bíblica na Polônia e a Associação de Poloneses Católicos têm o status de membros afiliados.

 

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

Temas de 1968 a 2012

Em 1968, materiais preparados em conjunto pela Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e pelo pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos foram usados pela primeira vez.

 

1968 Para o louvor de sua glória (Efésios 1,14)

1969 Chamados à liberdade (Gálatas 5,13)
(Encontro preparatório em Roma, Itália)

1970 Somos colaboradores de Deus ( 1 Coríntios 3,9)
(Encontro preparatório no monastério de Niederaltaich, na República Federal Alemã)

1971 ... e a comunhão do Espírito Santo (2 Coríntios 13.13)

1972 Eu vos dou um novo mandamento (João 13,34)
(Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1973 Senhor, ensina-nos a orar (Lucas 11,1)
(Encontro preparatório no mosteiro de Montserrat, Espanha)

1974 Que toda língua confesse: Jesus Cristo é o Senhor (Filipenses 2, 1-13)
(Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1975 Plano de Deus: todas as coisas em Cristo (Efésios 1,3-10)
(Material de um grupo australiano. Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1976 Seremos como Ele (João 3,2) ou Chamados a ser o que somos
(Material da Conferência Caribenha de Igrejas; encontro preparatório em Roma, Itália)

1977 A esperança não nos decepciona (Romanos 5,15)
(Material do Líbano, no meio de uma guerra civil; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1978 Não sois mais estrangeiros (Efésios 2,13-22)
(Material de uma equipe ecumênica em Manchester, Inglaterra)

1979 Servi uns aos outros para a glória de Deus (1 Pedro 4,7-11)
(Material da Argentina; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1980 Que venha o teu Reino! (Mateus 6,10)
(Material de um grupo ecumênico em Berlim, República Democrática Alemã; encontro preparatório em Milão)

1981 Um Espírito – muitos dons – um só corpo (1 Coríntios 12,3b-13)
(Material dos Graymoor Fathers, USA; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1982 Que todos estejam na tua casa, Senhor (Salmo 84)
(Material do Quênia; encontro preparatório em Milão, Itália)

1983 Jesus Cristo- a Vida do mundo (1 João 1,1-4)
(Material de um grupo ecumênico na Irlanda; encontro preparatório em Céligny, Suíça)

1984 Chamados a ser um pela cruz de nosso Senhor (2 Coríntios 2,2 e Colossenses 1,20)
(Encontro preparatório em Veneza, Itália)

1985 Da morte à vida com Cristo (Efésios 2,4-7)
(Material da Jamaica; encontro preparatório em Grandchamp, Suíça)

1986 Vós sereis minhas testemunhas (Atos 1,6-8)
(Material da Iugoslávia- Eslovênia ; encontro preparatório na Iugoslávia)
 

1987 Unidos em Cristo – uma nova criação (2 Coríntios 5,17 a 6,4a)
(Material da Inglaterra; encontro preparatório em Taizé, França)

1988 O amor de Deus afasta o medo (1 João 4,18)
(Material da Itália; encontro preparatório em Pinerolo, Itália)

1989 Construindo a comunidade: um só corpo em Cristo (Romanos 12,5-6a)
(Material do Canadá; encontro preparatório em Whaley Bridge, Inglaterra)

1990 Que todos sejam um... para que o mundo creia (João 17)
(Material da Espanha; encontro preparatório em Madri, Espanha)

1991 Louvai ao Senhor, todas as nações (Salmo 117 e Romanos 15,5-13
(Material da Alemanha; encontro preparatório em Rotenberg an der Fulda, República Federal da Alemanha)

1992 Estou convosco sempre... Ide, portanto. (Mateus 28,16-20)
(Material da Bélgica; encontro preparatório em Bruges, Bélgica)

1993 Dando frutos no Espírito para a unidade cristã (Gálatas 5,22-23)
(Material do Zaire; encontro preparatório em Zurich, Suíça)

1994 A casa de Deus: chamados a ser um no coração e na mente (At 4,23-37)
(Material da Irlanda; encontro preparatório em Dublin, República da Irlanda)

1995 Koinonia: comunhão em Deus e uns com os outros (João 15,1-17)
(Material de Fé e Ordem; encontro preparatório em Bristol, Inglaterra)

1996 Eis que estou à porta e bato (Apocalipse 3, 14-22)
(Material de Portugal; encontro preparatório em Lisboa, Portugal)

1997 Em nome de Cristo, reconciliai-vos com Deus (2 Coríntios 5,20)
(Material do Conselho Ecumênico Nórdico; encontro preparatório em Estocolmo, Suécia)

1998 O Espírito socorre a nossa fraqueza (Romanos 8,14-27)
(Material da França; encontro preparatório em Paris, França)

1999 Deus habitará com eles. Será seu Deus e eles serão seu povo (Apocalipse 21,1-7)
(Material da Malásia; encontro preparatório no mosteiro de Bose, Itália)

2000 Louvado seja Deus, que nos abençoou em Cristo (Efésios 1,3-14)
(Material do Conselho de Igrejas do Oriente Médio; encontro preparatório em La Verna, Itália)

2001 Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14,1-6)
(Material da România; encontro preparatório em Vulcan, România)

2002 Em ti está a fonte da vida (Salmo 36,5-9)
(Material do CEEC e CEC; encontro preparatório perto de Augsburg, Alemanha)

2003 Trazemos este tesouro em vasos de argila (2 Coríntios 4,4-18)
(Material das Igrejas da Argentina; encontro preparatório em Los Rubios, Espanha)

2004 Eu vos dou a minha paz (João 14,23-31 e João 14,27)
(Material de Aleppo, Síria; encontro preparatório em Palermo, Sicília)

2005 Cristo, o único fundamento da Igreja (1 Coríntios 3,1-23)
(Material da Eslováquia; encontro preparatório em Piestany, Eslováquia)

2006 Quando dois ou três se reúnem em meu nome, eu estou no meio deles (Mateus 18,18-20)
(Material da Irlanda; encontro preparatório em Prosperous, Co. Kildare, Irlanda)

2007 Ele faz os mudos falarem e os surdos ouvirem (Marcos 7,31-37)
(Material da África do Sul; encontro preparatório em Faverges, França)

2008 Orai sem cessar (1 Tessalonicenses 5, 12a. 13b- 18)
(Material dos USA; encontro preparatório em Graymoor, Garrison, USA)
 

2009 Unidos em tua mão (Ezequiel 37, 15-28)
(Material da Coréia; encontro preparatório em Marselha, França)

2010 Vós sois testemunhas disso (Lucas 24,48)
(Material da Escócia; encontro preparatório em Glasgow, Escócia)

2011 Unidos no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. (Cf Atos 2,42)
(Material da Jerusalém; encontro preparatório em Saydnaya, Síria)

2012 Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo (cf 1 Coríntios 15, 51-58)
(Material da Polônia; encontro preparatório realizado em Varsóvia, Polônia)

 

DATAS FUNDAMENTAIS NA HISTÓRIA
DA SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

1740 Na Escócia, surgiu um movimento pentecostal, ligado à América do Norte, cuja mensagem de reavivamento incluía preces por e com todas as Igrejas.

1820 O Rev. James Haldane Stewart publica "Orientações para a união geral dos cristãos para o derramamento do Espírito".

1840 O Rev. Ignatus Spencer, convertido ao catolicismo romano, sugere uma "União de oração pela unidade".

1867 A Primeira Conferência de Bispos Anglicanos em Lambeth destaca a oração pela unidade no Preâmbulo de suas Resoluções.

1894 O papa Leão XIII estimula a prática de Oitava de Oração pela Unidade, no contexto de Pentecostes.

1908 Primeira vivência da Oitava da Unidade Cristã, iniciativa do Rev. Paul Wattson.

1926 O movimento Fé e Ordem começa a publicar "Sugestões para uma oitava de oração pela unidade cristã."

1935 O abade Paul Couturier defende uma "Semana Universal de Orações pela Unidade dos Cristãos", baseada em preces inclusivas pela "unidade que Cristo quiser, pelos meios que ele quiser".

1958 A Unidade Cristã (Lyons, França) e a Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas começam a preparar em cooperação os materiais para a Semana de Oração.

1964 Em Jerusalém, o papa Paulo VI e o patriarca Athenagoras I rezam juntos a prece de Jesus para "que todos sejam um" (João 17)

1964 O decreto sobre Ecumenismo do Vaticano II enfatiza que a oração é a alma do movimento ecumênico e incentiva a observância da Semana de Oração.

1966 A Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e o Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (hoje conhecido como Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos) começam a preparar oficialmente juntos o material da Semana de Oração.

1968 Primeiro uso oficial do material da Semana de Oração preparado em conjunto por Fé e Ordem e pelo Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (hoje conhecido como Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos).

1975 Primeiro uso de material da Semana de Oração baseado em uma versão inicial de texto preparada por um grupo ecumênico local. Um grupo australiano foi o primeiro a assumir esse projeto, na preparação do texto inicial de 1975.

1988 Os materiais da Semana de Oração foram usados na celebração de fundação da Federação Cristã da Malásia, que une os grupos cristãos majoritários do país.

1994 Um grupo internacional prepara o texto para 1996, incluindo representantes de YMCA e YWCA (Associação Cristã de Moços/as).

2004 Formaliza-se um acordo pelo qual os materiais da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos serão publicados e produzidos no mesmo formato por Fé e Ordem (WCC) e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Igreja Católica).

2008 Comemoração do centésimo aniversário da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (sua predecessora, a Oitava da Unidade Cristã, foi observada pela primeira vez em 1908).

 

 

 

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