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PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A UNIDADE DOS CRISTÃOS
Tradução para o português:
Subsídios para a
O que Deus exige de nós?
Preparado conjuntamente por PARA AQUELES QUE ESTÃO ORGANIZANDO
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| DIA 1 | Caminhando em conversação |
| Leituras | |
| Gênesis 11,1-9 | A história de Babel e o legado da nossa diversidade |
| Salmo 34,11-18 | “Vinde escutar-me! O convite de Deus à conversação |
| Atos 2, 1-12 | O derramamento do Espírito, o dom da compreensão |
| Lucas 24,13-25 | Conversa com Jesus Ressuscitado na estrada |
Comentário
Caminhar humildemente com Deus significa caminhar como pessoas que falam umas com as outras e com o Senhor, sempre atentas ao que ouvem. Por isso iniciamos nossa celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos refletindo sobre passagens da Escritura que falam da prática essencial da conversação. A conversação tem sido elemento central no movimento ecumênico, pois abre espaços para aprender uns com os outros, para partilhar o que temos em comum e para nossas diferenças serem ouvidas e atendidas. Desse modo se desenvolve uma compreensão mútua. Esses dons da busca pela unidade são parte do nosso chamado básico para responder ao que Deus exige de nós: através de uma conversa verdadeira, a justiça se faz e a bondade é aprendida. Experiências práticas de libertação no mundo inteiro deixam claro que o isolamento de pessoas que são forçadas a viver na pobreza é energicamente superado por práticas de diálogo.
A leitura de hoje do Gênesis e a história de Pentecostes mostram ambas algo dessa ação humana e de seu lugar no plano de libertação que Deus tem para o povo. A história da torre de Babel descreve primeiro como grandes coisas são possíveis quando não existe uma barreira de linguagem. No entanto, a história mostra que esse potencial é percebido como uma espécie de base para a auto promoção: “Conquistemos para nós um nome” é a motivação para a construção da grande obra. No fim, esse projeto leva a uma confusão de línguas; de aí em diante precisamos aprender o significado da nossa própria humanidade através de uma paciente atenção dedicada ao outro que é estranho para nós. É com o derramamento do Espírito Santo em Pentecostes que a compreensão no meio das diferenças se torna possível de maneira nova, pelo poder da ressurreição de Jesus. Agora somos convidados a partilhar o dom de falar e ouvir, orientado na direção do Senhor e na direção da liberdade. Somos chamados a caminhar no Espírito.
A experiência dos discípulos no caminho de Emaús é uma conversa acontecendo no contexto de uma viagem em conjunto, mas também de perda e desapontamento em relação à esperança. Como Igrejas vivendo em vários níveis de desunião e como sociedades divididas por preconceitos e medo do outro podemos nos reconhecer aí. No entanto, é precisamente aí que Jesus escolhe entrar na conversa - não se colocando no papel superior de professor, mas caminhando ao lado dos discípulos. O desejo dele de ser parte de nossas conversas e nossa resposta ao querer que ele permaneça e fale mais conosco é que nos possibilitam um encontro vívido com o Senhor Ressuscitado.
Todos os cristãos sabem algo desse encontro com Jesus e do poder de sua palavra “ardendo em nós”; essa experiência de ressurreição nos chama a uma mais profunda unidade em Cristo. A conversação constante, entre nós e com Jesus – mesmo dentro de nossa própria desorientação – nos conserva a caminho, juntos na direção da unidade.
Jesus Cristo, proclamamos com alegria nossa identidade comum em ti, e te agradecemos por nos convidares a um diálogo de amor contigo. Abre nossos corações para participar mais perfeitamente de tua prece ao Pai para que sejamos um, de modo que, caminhando juntos, possamos nos aproximar sempre mais uns dos outros. Dá-nos a coragem de dar testemunho da verdade juntos e possa o nosso diálogo envolver mesmo aqueles que perpetuam a desunião. Envia teu Espírito para nos capacitar diante de situações de desafio em que a dignidade e a compaixão estão ausentes em nossas sociedades, nações e no mundo. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amém.
Onde praticamos verdadeira conversação, no meio das variadas diferenças que nos separam?
§ Nossa conversação está orientada para algum grande projeto de nosso próprio interesse ou para a nova vida que traz esperança de ressurreição?
§ Com que pessoas conversamos e quem não está incluído em nossas conversações? Por que?
| DIA 2 | Caminhando com o corpo ferido de Cristo |
| Leituras | |
| Ezequiel 37,1-14 | “Essas ossadas podem reviver?” |
| Salmo 22,1-8 | O servo de Deus, insultado e ridicularizado, clama a Deus |
| Hebresu 13, 12-16 | O chamado para ir a Jesus “fora do acampamento” |
| Lucas 22, 14-23 | Jesus parte o pão, dando-se como oferta antes de seu sofrimento |
Comentário
Caminhar humildemente com Deus significa ouvir o chamado para ir além dos lugares de nosso próprio conforto, acompanhando o outro, especialmente o outro que sofre.
“Nossos ossos estão ressequidos, nossa esperança desapareceu, estamos esfacelados”. Essas palavras de Ezequiel expressam a experiência de muitos povos no mundo inteiro hoje. Na Índia, isso acontece com o povo ferido das comunidades dos dalits, cujas vidas falam eloqüentemente desse tipo de sofrimento, um sofrimento que Cristo, o Crucificado, partilha. Com pessoas feridas de todos os tempos e lugares, Jesus grita ao Pai: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”
Os cristãos são chamados a entrar nesse caminho da cruz. A epístola aos Hebreus deixa claras não apenas a realidade salvífica de Jesus, vivida nas margens da vida, mas também a necessidade de seus discípulos irem para “fora do acampamento” para lá o encontrarem. Quando encontramos aqueles que foram excluídos e reconhecemos o crucificado em seus sofrimentos, fica clara a direção em que devemos ir: estar com Cristo significa estar em solidariedade com os que se situam nas margens, cujas feridas ele partilha.
O corpo de Cristo, ferido na cruz, é “ferido por você”. A história do sofrimento e da morte de Cristo tem seu prefácio na história da última ceia: então é celebrada como vitória sobre a morte em toda eucaristia. Nessa celebração cristã, o corpo ferido de Cristo é seu corpo ressuscitado e glorioso; seu corpo é ferido para que possamos partilhar sua vida e nele ser um só corpo.
Como cristãos no caminho da unidade podemos freqüentemente ver a eucaristia como um lugar em que o escândalo de nossa desunião é dolorosamente real, sabendo que, por enquanto, não podemos plenamente partilhar esse sacramento como deveríamos. Essa situação nos chama a renovados esforços na direção de uma comunhão mais profunda de uns com os outros.
As leituras de hoje podem nos abrir outra linha de reflexão. Caminhar com o corpo ferido de Cristo aponta um caminho para estarmos eucaristicamente juntos: partilhar nosso pão com os famintos, derrubar as barreiras de pobreza e desigualdade – esses são também “atos eucarísticos”, nos quais os cristãos são chamados a trabalharem juntos. O papa Bento XVI organiza suas reflexões sobre a eucaristia para a Igreja justamente desse modo: é um sacramento não somente para ser motivo de crença e celebração, mas também para ser vivido (Sacramentum caritatis). Combinando com a compreensão dos ortodoxos da “liturgia após a liturgia”, aqui se reconhece que não há “nada autenticamente humano” que não encontre sua forma e vida na eucaristia. (SC 71)
Deus de compaixão, teu Filho morreu na cruz para que em seu corpo ferido nossas divisões possam ser destruídas. Ainda assim, o crucificamos sempre de novo com nossa desunião, e com sistemas e práticas que põem obstáculos ao teu cuidado amoroso e à tua justiça em relação àqueles que tem sido excluídos dos dons de tua criação. Envia-nos teu Espírito para infundir vida e cura em nossa fragilidade para que possamos testemunhar juntos a justiça e o amor de Cristo. Caminha conosco em direção ao dia em que possamos partilhar um mesmo pão e um mesmo cálice na mesa comum. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem.
Questões§ À luz da tradição profética em que Deus deseja a justiça mais do que um ritual sem retidão, precisamos nos perguntar: Como a eucaristia, o mistério da fragilidade de Cristo e de sua nova vida, é celebrado em todos os lugares por onde caminhamos?
§ Que podemos fazer, como cristãos, juntos, para testemunhar melhor nossa unidade em Cristo em lugares onde há feridas e marginalização?
| DIA 3 | Caminhando para a liberdade |
| Leituras |
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| Êxodo 1,15-22 | As parteiras do Egito obedecem mais à lei de Deus do que às ordens do faraó |
| Salmo 17,1-6 | A prece confiante de alguém aberto à contemplação de Deus |
| 2 Coríntios 3,17-18 | A gloriosa liberdade dos filhos de Deus em Cristo |
| João 4,4-26 | A conversa com Jesus leva a mulher samaritana a um modo mais livre de viver |
Comentário
Caminhar humildemente com Deus é sempre uma caminhada para acolher a liberdade que ele coloca diante de todas pessoas. Com essa mentalidade vamos celebrar. Celebramos o mistério da luta pela libertação, que ocorre mesmo em lugares onde a opressão, o preconceito e a pobreza parecem ser cargas insuportáveis. A decidida recusa humana em aceitar ordens e condições desumanas – como as que foram dadas pelo faraó às parteiras do povo hebreu escravizado no Egito – pode parecer um conjunto de pequenas ações; mas essas são geralmente as espécies de ação a favor da liberdade que estão acontecendo em comunidades locais por toda a parte. Essa decidida caminhada na direção de uma vida mais plena traz um dom de esperança evangélica para todas as pessoas que estão presas, de diferentes maneiras, dentro dos padrões de desigualdade do mundo inteiro.
A caminhada passo a passo para a libertação da discriminação injusta e das práticas preconceituosas nos vem através da história do encontro que Jesus tem à beira do poço com uma mulher da Samaria. Aqui temos uma mulher que busca, acima de tudo, questionar os preconceitos com que se deparava, bem como achar modos de aliviar as cargas pesadas de sua vida. Essas preocupações são o ponto de partida de sua conversa com Jesus. O próprio Jesus se envolve na conversa com ela tendo por base tanto a sua necessidade de um auxílio prático (ele estava com sede) como a mútua abordagem dos preconceitos sociais que faziam esse auxílio parecer problemático. Passo a passo o caminho para uma vida mais livre é aberto diante da mulher, à medida que a realidade das complexidades de sua vida vai sendo percebida com mais clareza à luz das palavras de Jesus. Ao final essas intuições pessoais levam a conversação a um lugar em que aquilo que divide dois grupos de pessoas – o local onde deve ser feita a adoração- é ultrapassado. “Adorar em espírito e verdade” é o que é exigido; e aqui aprendemos a ser livres de tudo que nos impede de ter uma vida em comum, vida em sua plenitude.
Ser chamado para uma maior liberdade em Cristo é um chamado para uma comunhão mais profunda. As coisas que nos separam – tanto sendo cristãos em busca da unidade como sendo pessoas mantidas separadas por injustas tradições e desigualdades – nos mantêm cativos e escondidos uns dos outros. Nossa liberdade em Cristo é, no entanto, caracterizada por aquela nova vida no Espírito, que nos permite, juntos, estar diante de Deus com “rostos descobertos”. É nessa luz gloriosa que aprendemos a ver uns aos outros de modo mais verdadeiro, enquanto crescemos à semelhança de Cristo na direção da plenitude da unidade cristã.
Deus libertador, nós te agradecemos pela persistência e pela esperançosa fé daqueles que lutam pela dignidade e plenitude de vida. Sabemos que ergues aqueles que são derrubados e libertas os que são cativos. Teu Filho Jesus caminha conosco para nos mostrar a estrada para a autêntica liberdade. Queremos ser capazes de apreciar o que nos foi dado e ser fortalecidos para superar tudo que dentro de nós nos escraviza. Envia-nos teu Espírito para que a verdade nos liberte, para podermos proclamar com nossas vozes unidas o teu amor ao mundo. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem.
§ Existem ocasiões, mesmo em nossas comunidades cristãs, em que preconceitos e julgamentos do mundo – a respeito de casta, idade, gênero, raça, educação – nos impedem de ver uns aos outros claramente à luz da glória de Deus?
§ Que passos pequenos e práticos podemos assumir, como cristãos unidos, na direção da liberdade dos filhos de Deus (Romanos 8,21) , em nossas Igrejas e na sociedade mais ampla?
| DIA 4 | Caminhando como filhos da terra |
| Leituras | |
| Levítico 25,8-17 | A terra é para o bem comum, não para lucro pessoal |
| Salmo 65,5b-18 | O frutuoso derramamento da graça de Deus sobre a terra |
| Romanos 8,18-25 | O anseio de toda a criação pela redenção |
| João 9,1-11 | A cura feita por Jesus: lama, corpos e água |
Se vamos caminhar em humildade com Deus, precisaremos estar sempre conscientes de sermos, nós mesmos, parte da criação e receptores dos dons de Deus. Há no mundo de hoje um crescente reconhecimento de que uma melhor compreensão de nosso autêntico lugar na criação deve-se tornar para nós uma prioridade. Entre os cristãos, especialmente, há uma crescente consciência das maneiras pelas quais a preocupação ecológica é parte do “caminhar humildemente com Deus”, o criador; afinal, tudo que temos é dado por Deus na sua criação e, portanto, não é “nosso” para ser usado como quisermos. É por essa razão que, de 1 de setembro a 4 de outubro, os cristãos são chamados a observar o Tempo da Criação – uma prática que vem crescendo em muitas Igrejas. Em 1989 o Patriarca ecumênico Dimitrios I proclamou o dia 1 de setembro como um dia de oração pelo meio ambiente. O ano litúrgico da Igreja Ortodoxa começa nesse dia com uma comemoração da criação do mundo por Deus. No dia 4 de outubro, muitas Igrejas de tradição ocidental comemoram Francisco de Assis, o autor do Cântico das Criaturas. O começo e o fim do Tempo da Criação estão assim ligados com o cuidado pela criação nas tradições orientais e ocidentais da Cristandade, respectivamente.
A história cristã é uma história de redenção de toda a criação; é a própria história da criação. A crença de que, em Jesus, Deus se tornou uma pessoa humana, num tempo e num lugar específicos, é um dado central ao redor do qual todos os cristãos se unem. É uma fé partilhada na Encarnação que traz consigo um profundo reconhecimento da importância da criação – de corpos, alimento, terra, água e tudo o que sustenta nossa vida como pessoas no planeta. Jesus é totalmente parte deste mundo. Pode ser um pouco chocante ouvir que Jesus cura usando saliva e pó da terra; mas é coerente com esse real sentido do mundo criado como parte integrante da ação de Deus nos trazendo vida nova.
No mundo inteiro, a terra costuma ser trabalhada pelas pessoas mais pobres, que freqüentemente nem participam elas mesmas do frutuoso resultado; assim é a experiência de muitos dalits na Índia. Ao mesmo tempo, são essas comunidades que têm um particular cuidado com a terra, como se vê pela sabedoria adquirida na prática de lidar com a terra, que é visível no desenvolvimento de seu trabalho.
O cuidado com a terra inclui questões básicas sobre como os seres humanos devem viver dentro da criação, de um modo que seja o mais plenamente humano para todos. O fato de que a terra – com o trabalho que nela se faz e a sua posse – seja tão freqüentemente fonte de desigualdades econômicas e de práticas degradantes de trabalho é motivo de grande preocupação e clama por ação conjunta dos cristãos. O acordo no reconhecimento desses riscos de exploração no que diz respeito à terra é encontrado nas instruções do Levítico sobre o Ano do Jubileu: a terra e seus frutos não nos são dados para ser uma oportunidade para “levar vantagem uns sobre os outros”, mas o trabalho da terra deve trazer benefícios para todos. Isso não é apenas uma “idéia religiosa”; é algo ligado a práticas muito realistas de economia e negócios relacionadas ao modo como a terra é usada, comprada e vendida.
Deus da vida, nós te agradecemos pela terra e por aqueles que cuidam dela e fazem com que produza frutos. Pedimos que o Espírito, o doador da vida, nos faça reconhecer que somos parte da rede de relacionamentos da criação. Queremos aprender a valorizar a terra e escutar os lamentos da criação; ajuda-nos a seguir verdadeiramente os passos de Cristo, trazendo cura para tudo que fere a terra e garantindo uma justa partilha daquilo que ela produz. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz.
§ As leituras de hoje convidam os cristãos a uma profunda unidade na ação a partir de uma preocupação em comum com a terra. Onde pomos em prática o espírito do Jubileu, juntos, em nossa vida de cristãos?
§ Onde, em nossas comunidades cristãs, somos cúmplices de coisas que degradam e exploram a terra? Onde podemos trabalhar mais juntos, aprendendo e ensinando a reverência diante da criação de Deus?
| DIA 5 | Caminhando como amigos de Jesus |
| Leituras | |
| Cântico dos Cânticos 1,5-8 | O amor e o ser amado |
| Salmo 139,1-6 | Tu me buscaste e me conheces |
| 3 João 2-8 | Hospitalidade para os amigos em Cristo |
| João 15,12-17 | Chamo-vos amigos |
Comentário
Caminhar humildemente com Deus não significa caminhar sozinho. Significa caminhar com os que são aqueles sinais vitais da presença de Deus entre nós, nossos amigos. “Mas chamo-vos amigos” – diz Jesus no evangelho de João. Dentro da liberdade do amor, somos capazes de escolher nossos amigos e de ser escolhidos como amigos. “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi” – diz Jesus a cada um de nós. A amizade de Jesus com cada um de nós transfigura e transcende nossos relacionamentos com a família e a sociedade. Ela expressa o profundo e fiel amor de Deus por nós todos.
O poema de amor da Bíblia, o Cântico dos Cânticos, tem sido interpretado de várias maneiras, como o amor de Deus por Israel ou o amor de Cristo pela Igreja. Permanece como o testemunho de uma paixão entre amantes que transcende os limites impostos na sociedade. Quando a amada diz ao seu amado “Eu sou preta, mas bela” , suas palavras vem com o pedido “não vos incomodeis se sou morena”. Mas o amado a contempla e escolhe o amor, como faz Deus em Cristo.
O que o Senhor exige daqueles que caminham com Jesus e seus amigos? Na Índia isso é um chamado ás Igrejas para acolherem os dalits em igualdade como amigos do grande amigo que têm em comum. Esse chamado para ser amigo dos amigos de Jesus é um outro modo de entender a unidade dos cristãos, pela qual oramos nesta Semana. Cristãos do mundo inteiro são chamados a ser amigos de todos os lutam contra a discriminação e a injustiça. Caminhar para a unidade cristã exige que caminhemos humildemente com Deus como amigos de Jesus e com os amigos de Jesus.
Jesus, desde o primeiro momento de tua vida nos ofereceste tua amizade. Teu amor envolve todas as pessoas, especialmente as que são excluídas ou rejeitadas por causa de construções humanas a respeito de casta, raça ou cor. Cheios de confiança e animados pela afirmação de nossa dignidade em ti, possamos caminhar em solidariedade uns na direção dos outros, acolhendo-nos mutuamente no Espírito, como filhos de Deus. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem.
§ Quem são aqueles, em suas comunidades, que Cristo chama para serem seus amigos?
§ Que impede os amigos de Jesus de serem amigos uns dos outros?
§ Como o fato de serem amigos do mesmo Jesus se torna um desafio para Igrejas divididas?
| DIA 6 | Caminhando além das barreiras |
| Leituras | |
| Rute 4,13-18 | Os descendentes de Rute e Boaz |
| Salmo 113 | Deus, o socorro dos necessitados |
| Efsiosé 2,13-16 | Cristo destruiu o muro da separação |
| Mateuos 15,21-28 | Jesus e a mulher cananéia |
Comentário
Caminhar humildemente com Deus significa caminhar além das barreiras que dividem e prejudicam os filhos de Deus. Os cristãos na Índia estão conscientes das divisões entre eles. São Paulo viveu no meio das devastadoras divisões que havia nas primeiras comunidades cristãs entre cristãos judeus e gentios. Diante dessa e de todas as barreiras subseqüentes, Paulo proclama que Cristo “é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade. Em sua carne destruiu o muro de separação”. Em outro texto Paulo escreve: “Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. Não há mais nem judeu nem grego; já não há mais escravo nem homem livre, já não há mais o homem e a mulher, pois todos vós são um só em Cristo.” (Gálatas 3, 27-28). Em Cristo, todas as profundas barreiras do mundo antigo – e de seus sucessores modernos – foram removidas porque na cruz Jesus criou em si mesmo uma nova humanidade.
Num mundo em que é difícil cruzar as barreiras religiosas, os cristãos, que estão em minúscula minoria no contexto multi religioso da Índia, nos relembram a importância da cooperação e do diálogo inter religioso. O evangelho de Mateus fala da difícil caminhada de Jesus – e de seus discípulos – para cruzar as barreiras de religião, de cultura e de gênero quando ele é confrontado por uma mulher cananéia que lhe suplica a cura de sua filha. O instinto visceral dos discípulos para mandá-la embora e a própria hesitação de Jesus foram superados pela fé dessa mulher e por sua situação de necessidade. Então, Jesus e seus discípulos foram capazes de ultrapassar as barreiras humanas e as fronteiras impostas pelo mundo antigo. Isso já está presente na bíblia hebraica. O livro de Rute, a mulher moabita de uma diferente cultura e religião, se encerra com uma lista dos descendentes que ela produziu com o israelita Boaz. Obed, o filho deles, foi o pai de Jessé, que foi o pai de Davi. Esses ancestrais do rei herói do antigo Israel refletem o fato de que a vontade de Deus pode ser cumprida quando as pessoas cruzam as barreiras da religião e da cultura. A caminhada com Deus hoje exige que cruzemos as barreiras que separam os cristãos uns dos outros e das pessoas que têm outros tipos de fé. A caminhada para a unidade cristã exige que andemos humildemente com Deus indo além das barreiras que nos separam uns dos outros.
Pai, perdoa-nos pelas barreiras de ambição, preconceito e desprezo que continuamente construímos e que geram separação dentro das Igrejas e entre as Igrejas, que nos separam das pessoas de outras crenças e daquelas que consideramos menos importantes do que nós. Que o teu Espírito nos dê coragem para cruzar essas fronteiras e para derrubar os muros que nos desconectam uns dos outros. Assim, com Cristo, queremos avançar para terreno desconhecido, levando a mensagem dele, que é de amorosa aceitação e unidade para o mundo inteiro. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem.
§ Quais são as barreiras que separam os cristãos na sua comunidade?
§ Quais são as barreiras que separam os cristãos de outras tradições religiosas na sua comunidade?
§ Quais são as diferenças e semelhanças entre a caminhada para além das barreiras que separam os cristãos uns dos outros e a caminhada para além daquelas que estão entre o cristianismo e outras religiões?
| DIA 7 | Caminhando em solidariedade |
| Leituras | |
| Números 27,1-11 | O direito de herança das filhas |
| Salmo 15 | Quem será recebido na tenda de Deus? |
| Atos 2,43-47 | Os discípulos tinham tudo em comum |
| Lucas 10,25-37 | O bom samaritano |
Comentário
Caminhar humildemente com Deus significa caminhar em solidariedade com todos os que lutam pela justiça e pela paz. Isso coloca uma questão para aqueles que oram pela unidade dos cristãos nesta Semana: o que é a unidade que buscamos? A Comissão de Fé e Ordem, que inclui membros do Conselho Mundial de Igrejas e da Igreja Católica, compreende a unidade como “unidade visível numa só fé e numa só comunhão eucarística”. O movimento ecumênico se dedica à superação das barreiras históricas e atuais que dividem os cristãos, mas faz isso com uma idéia de unidade visível que liga a natureza e a missão da Igreja a serviço da unidade da humanidade com a superação de tudo que prejudica a dignidade dos seres humanos e nos mantém separados. A Comissão de Fé e Ordem declarou:
A Igreja é chamada e capacitada para partilhar o sofrimento de todos através da intercessão e do cuidado com os pobres, os necessitados e os marginalizados. Isso inclui análise e exposição crítica das estruturas injustas e o trabalho para a sua transformação... esse testemunho fiel pode envolver os próprios cristãos em sofrimento por causa do Evangelho. A Igreja é chamada e curar e reconciliar relações humanas quebradas e a ser instrumento de Deus na reconciliação, em situações de divisões humanas e de ódio. (Natureza e Missão da Igreja).
Há muitos exemplos de tais ações de cura e reconciliação por parte das Igrejas indianas. Até muito recentemente, as leis sobre a herança dos cristãos na Índia desconsideravam as filhas. As Igrejas apoiaram a exigência de abolir essa lei arcaica. A história das filhas de Selofhad, na qual Moisés se dirige a Deus em busca de justiça apoiando o direito das filhas, foi usada para exigir justiça para as mulheres. Assim, os cristãos dalits foram movidos por esse testemunho bíblico em suas lutas pela justiça.
Uma imagem bíblica da Igreja unida em solidariedade com os oprimidos é a parábola de Jesus sobre o bom samaritano. Como os dalits, o bom samaritano pertence a uma comunidade desprezada e excluída; ele é o único na história que se importa com o homem abandonado à beira da estrada e que proclama, através de sua ação solidária, a esperança e o consolo do Evangelho. A caminhada para a unidade cristã é inseparável do ato de caminhar humildemente com Deus em solidariedade com qualquer um e com todos que estejam necessitados de justiça e bondade.
Deus Uno e Trino, em tua própria vida nos ofereceste um modelo singular de interdependência, relações de amor e solidariedade. Dá-nos união para que vivamos nossa vida dessa maneira. Ensina-nos a partilhar a esperança que encontramos nas pessoas que lutam pela vida no mundo inteiro. Que a persistência delas nos inspire na superação de nossas próprias divisões, para que possamos viver em santa cooperação uns com os outros, caminhando juntos em solidariedade. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem.
§ Quem, na sua comunidade, está tendo necessidade da solidariedade da comunidade cristã?
§ Que Igrejas estão ou já estiveram em solidariedade com suas necessidades?
§ De que maneiras uma maior unidade cristã visível poria em relevo a solidariedade cristã com aqueles que estão precisando de justiça e bondade no contexto em que vivemos?
| DIA 8 |
Caminhando em celebração |
| Leituras | |
| Habacuc 3,17-19 | Celebrando em um tempo de dificuldades |
| Salmo 100 | A adoração a Deus na terra inteira |
| Filipenses 4,4-9 | Alegrai-vos no Senhor o tempo todo |
| Lucas 1,46-55 | O canto de Maria |
Comentário
Caminhar humildemente com Deus é caminhar em celebração. O visitante que chega à Índia é surpreendido pelas agruras e lutas suportadas pelos dalits, mas também se depara ao mesmo tempo com o senso de esperança e celebração que eles têm.
Esperança e celebração acontecem juntas nas leituras bíblicas de hoje. O profeta Habacuc se alegra no Senhor num tempo de seca e colheita fraca. Tal testemunho de que Deus caminhará com seu povo nas dificuldades é uma celebração de esperança. A bendita Virgem Maria caminha até sua prima Isabel para celebrar a gravidez dela. Ela canta seu Magnificat como uma canção de esperança mesmo antes do nascimento da criança. E, na prisão, Paulo exorta a comunidade cristã de Filipos à celebração: “Alegrai-vos no Senhor o tempo todo.” Na Bíblia, celebração é algo unido à esperança na fidelidade de Deus.
O aspecto celebrativo da cultura dos dalits traz um testemunho semelhante a um evangelho de fé e esperança, forjado no cadinho da experiência dos dalits de luta por dignidade e persistente sobrevivência. Ao orarmos pela unidade cristã nesta Semana, nos voltaremos para a celebração de vida que vemos na Índia, focalizando a fidelidade dos dalits à sua identidade cristã no contexto de suas lutas pela vida. Nossa celebração para uma unidade entre cristãos que está ainda por ser conquistada acontece em meio a esperança e esforço. Está enraizada na esperança de que a prece que Jesus fez para que sejamos um será atendida no tempo e através dos meios que Deus desejar. Está enraizada na gratidão, porque a união é dom de Deus, e no reconhecimento da unidade que já experimentamos como amigos de Jesus, expressada num único batismo. Está enraizada na convicção de que Deus chama cada um de nós a trabalhar por essa unidade e de que todos os nossos esforços serão usados por Deus, confiando como São Paulo, que recomendou : “em toda ocasião, pela oração e pela súplica acompanhadas de ação de graças, apresentai a Deus os vossos pedidos.” A caminhada para a unidade cristã exige que andemos humildemente com Deus na celebração, na oração e na esperança.
Generoso Deus, que o teu Espírito encha nossas comunidades de alegria e celebração para que possamos nos regozijar pela unidade que já partilhamos e zelosamente continuar em busca da unidade visível. Alegramo-nos com a fé e a esperança de povos que se recusam a permitir que sua dignidade seja diminuída, vendo neles tua maravilhosa graça e tua promessa de liberdade. Ensina-nos a participar da alegria deles e a aprender de sua fiel perseverança. Renova nossa esperança e sustenta nossa decisão de caminharmos juntos no amor em nome de Jesus, erguendo uma voz unida em louvor e cantando juntos a mesma prece de adoração. Deus da vida, guia-nos para a justiça e a paz. Amem.
Quais são as lutas por justiça na sua comunidade? Quais são as causas para celebração nessa caminhada?
§ Quais são os esforços para a promoção da unidade cristã em sua comunidade? Quais são as causas para celebração nessa caminhada?
INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO
NA ÍNDIA: O CONTEXTO PARA AS IGREJAS[3]
As Igrejas na Índia tiveram uma história rica e complexa. A população cristã continua estando significativamente engajada na vida da nação, especialmente nas áreas de educação e cuidados de saúde, uma herança do movimento cristão missionário que começou nos anos de 1500. Através desses serviços e de conversões ao cristianismo, a maior contribuição feita pelos missionários foi capacitar os segmentos socialmente discriminados da sociedade indiana para conquistar dignidade e auto respeito. O cristianismo é a terceira maior religião na Índia , com aproximadamente 24 milhões de seguidores, constituindo cerca de 2,3% da população da Índia, que conta com 1,2 bilhões de habitantes. Esses são os dados do censo de 2001; os do censo de 2011, que estão em processamento, sugerem um aumento marginal do número de cristãos na Índia. Entre a população cristã, o maior número é o dos que aderiram à Igreja Católica Romana. Igrejas de tradição oriental incluem a Igreja Ortodoxa Síria Malankara, a Igreja Síria Independente Malabar, a Igreja Síria Jacobita Malankara, a Malankara Mar Thoma Syrian e a Igreja Católica Syro-Malabar, que se destaca em Kerala. As maiores denominações protestantes incluem a Igreja do Sul da Índia, presbiterianos, batistas, luteranos e comunidades evangélicas.
Tem havido recentemente contestações a respeito da maneira como a história das Igrejas indianas tem sido apresentada – como tendo suas origens nos movimentos missionários ocidentais. Baseando-se na idéia muitas vezes divulgada de que nos anos mais recentes o centro do cristianismo está “caminhando para o sul”, Ninan Koshy escreve: “Os que dizem que o dia do cristianismo do sul está amanhecendo aparentemente estão esquecendo o fato de que o amanhecer do cristianismo aconteceu no sul... O que está acontecendo não é a extensão de uma religião ocidental mas o renascimento de uma religião que é asiática em sua origem e em sua história recente.”[4]
De acordo com a tradição da Mar Thoma ou “Igreja de Tomé”, São Tomé evangelizou ao longo da costa malabar do estado de Kerala, no sudoeste da Índia. Ele ganhou a reputação de ser um pregador para todas as classes de pessoas e de ter conseguido cerca de dezessete mil convertidos, incluindo membros das quatro castas principais. De acordo com a lenda, São Tomé foi martirizado em Chennai, e seu túmulo está agora na Catedral de São Tomé. Koshy cita o renomado historiador asiático K. M. Panikkar, que disse que “o cristianismo existiu em diferentes partes da Pérsia, Índia e China desde os primeiros tempos. A Igreja em Malabar afirma ter origem apostólica a partir de São Tomé e, de qualquer forma, tem sua existência atestada por autoridades externas em data tão remota como 182 dC.”
Esses primeiros cristãos indianos que entraram em contato com essa tradição Síria oriental (da Pérsia) hoje são chamados a Igreja do Oriente ou Igreja Caldéia. Existe uma evidência mais tardia de que os cristãos nestorianos, que floresceram na Pérsia, tenham chegado à China no século VII.[5] Daí pode ser deduzido que mercadores e missionários nestorianos, e outros da Síria, vieram à Índia nesses primeiros séculos. Essa é a origem das Igrejas Ortodoxas na Índia, que têm permanecido como uma presença forte e fiel na Índia. Nos séculos que se seguiram, outros grupos da Síria, Pérsia e Babilônia fizeram crescer a presença cristã, enquanto o primeiro missionário católico romano, Jordanus Catalani, estabeleceu uma diocese no começo do século XIV.
Como foi mencionado acima, a outra significativa corrente do cristianismo indiano está conectada com a atividade missionária que coincidiu com o projeto colonizador e o estabelecimento de poderes europeus na Índia. A atividade missionária católica romana começou sob os colonizadores portugueses no fim do século XV e continuou através de figuras como São Francisco Xavier e seus companheiros jesuítas. As primeiras missões protestantes vieram à Índia em Tranquebar em 1706, mas o século XIX viu o significativo desenvolvimento das missões protestantes. É geralmente admitido que o movimento missionário ocidental deu uma importante contribuição ao crescimento do cristianismo na Índia.
A história da missão na Índia é um mosaico complexo, em grande parte por causa da vastidão do país e da multiplicidade de agências missionárias que tentaram se estabelecer ali. Cada uma chegou com suas concepções já estabelecidas e suas diferenças doutrinárias, bem como com suas próprias relações com os poderes colonizadores. No entanto, tendo começado com a intenção única de evangelizar, as missões logo reconheceram que também precisavam transmitir educação e habilidades às populações locais e tinham que se envolver no desenvolvimento das pessoas que buscavam se converter à fé cristã. Os primeiros esforços do movimento missionário para promover a saúde do povo se tornaram o modelo para os sistemas de saúde do país depois que a Índia ganhou independência em 1948.
Através de seu apoio aos programas educacionais dos missionários, o governo colonial buscava criar cidadãos ordeiros e disciplinados que poderiam compor o seu corpo administrativo. No entanto, os efeitos sociais e culturais da pregação missionária e da construção de comunidades incluíam um foco nos direitos humanos, muitas vezes defendidos pelos próprios missionários. Esses esforços contribuíram para a formação de um povo indiano que se sentiu capaz de criticar os sistemas existentes e de protestar contra a injustiça do regulamento colonial, culminando numa luta pela libertação do colonialismo.
É importante mencionar, além disso, o fenomenal crescimento do cristianismo e o estabelecimento de igrejas no nordeste da Índia, que cobre sete estados ao norte e leste de Bangladesh e está ligado ao resto da Índia através do estado de Bengal Oeste. Nesses estados, 90 por cento da população de Nagaland, 87 por cento de Mizoram e 71 por cento de Meghalaya são compostos por cristãos. Com o suporte e o apoio dos governantes coloniais, a Missão Batista Americana e a Missão Presbiteriana de Gales começaram seu trabalho por volta de 1816 entre as populações predominantemente tribais que vivem nessa região. Hoje dois terços dos cristãos nesses estados têm suas origens ligadas a essas duas instituições missionárias. Missionários católicos romanos chegaram lá em 1850, e desde então têm contribuído para o desenvolvimento da infra estrutura educacional da região. No período após a segunda guerra mundial, pentecostais e outros grupos e missões similares chegaram à região, exercendo influência sobre as formas de culto e de espiritualidade nesses estados. O desenvolvimento de estruturas eclesiásticas nativas nessa região, com a exclusão de missionários estrangeiros por parte do governo indiano nessa região politicamente sensível, garantiu o desenvolvimento de um cristianismo enraizado na cultura dos povos nativos. O Conselho Cristão do Nordeste da Índia e o Conselho Nacional de Igrejas na Índia contribuíram para os esforços ecumênicos nessa região.
Um outro estado onde há uma forte população cristã é Kerala, onde encontramos cerca de 20 por cento de cristãos. Entre eles, cerca de três milhões são cristãos ortodoxos. Do século IV em diante, esses cristãos tiveram ligações com o Patriarcado Sírio de Antioquia, através do qual a organização siríaca do ocidente, no campo eclesial e litúrgico da tradição Síria Ortodoxa, passou a existir na Índia. Aqueles que mantêm esses laços pertencem à Igreja Síria Ortodoxa Jacobita Malankara. Outros cristãos ortodoxos sustentam que a ligação com Antioquia começou somente no século XVI; os que aderem a esse posicionamento formam a Igreja Síria Ortodoxa Malankara (também conhecida como Igreja Ortodoxa Indiana), que se tornou uma igreja autocéfala a partir do estabelecimento de um “Catholicate” Indiano em 1912. No século XVI, missionários católicos romanos chegaram a Kerala e estabeleceram a Igreja Católica Siro-Malabar. Sob a influência de missionários protestantes trabalhando entre os cristãos sírios, a Igreja Síria Mar Thoma de Malabar surgiu como uma comunidade distinta no início do século dezenove.
Pode-se dizer que o movimento missionário na Índia influenciou o movimento ecumênico de duas maneiras, com resultados bastante diferentes. Primeiramente, deu origem ao desejo de unidade e ação conjunta entre as Igrejas. O crescimento do movimento ecumênico em nível mundial levou a importantes progressos ecumênicos também na Índia – entre eles se destacou o nascimento da Igreja do Sul da Índia em 1957, a primeira expressão de união orgânica de Igrejas em todo o mundo – e alguns anos depois se formou a Igreja do Norte da Índia. Também foram introduzidos alguns outros importantes instrumentos ecumênicos: a Associação Cristã de Moços (YMCA), a Associação Cristã de Moças (YWCA), o Conselho Nacional de Igrejas na Índia e a Conferência de Bispos Católicos da Índia, bem como o Movimento de Estudantes Cristãos e a Federação de Universidade Católica de Toda a Índia. Mas, em segundo lugar, isso também trouxe para a Índia identidades denominacionais herdadas. “O aspecto triste é que, antes de se tornarem primeiramente Igrejas confessantes em situação missionária, as jovens Igrejas foram prematuramente colocadas em uma situação “confessional” que não era a sua própria; antes de se tornarem uma Comunidade de Cristo, foram orientadas a se tornarem uma Igreja presbiteriana, luterana, metodista ou anglicana.”[6]
Em 1965, o Concílio Vaticano II introduziu um novo espírito de diálogo entre a Igreja Católica Romana e as outras Igrejas, que aumentou a cooperação entre elas também na Índia. A Conferência de Bispos Católicos da Índia trabalha em boas relações de proximidade com o Conselho Nacional de Igrejas, especialmente no relacionamento com o governo. Hoje, as duas organizações pressionam por intervenção governamental quando os cristãos se tornam alvos em levantes comunitários, trabalham juntas no que diz respeito à legislação para proteger os direitos das minorias, o que inclui os direitos dos cristãos dalits e a liberdade de religião.
Com as igrejas no mundo inteiro se preparando para a celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em 2013, as Igrejas na Índia destacam dois importantes marcos de sua própria história. Há cem anos atrás, em 1912, o Movimento de Estudantes Cristãos da Índia (SCMI), a mais antiga organização ecumênica de estudantes universitários na Índia, começou quando um grupo de estudantes universitários se reuniu para uma Conferência de Estudantes de Toda a Índia, planejada pela Associação Cristã de Moços (YMCA), na Universidade Serampore, no oeste de Bengal. Membros da YMCA indiana decidiram criar uma unidade separada para estudantes universitários. Então, após discussões no encontro de Sarampore, nasceu uma organização para estudantes universitários indianos, independente da YMCA. Nos últimos cem anos o Movimento de Estudantes Cristãos da Índia (SCMI) tem prestado serviço ao companheirismo entre estudantes, professores e amigos veteranos, com o compromisso de por em ação a fé cristã. Espalhada por treze regiões geográficas do país, a existência da SCMI tem inspirado estudantes a participar na transformação da Igreja e da sociedade. A SCMI tem alimentado valores de ecumenismo, unidade, justiça e paz. Tem formado lideranças juvenis com as qualidades de integridade e compromisso. A SCMI encoraja parceria com todas as tradições eclesiais, com pessoas com todos os tipos de fé e com outras organizações ecumênicas como a YMCA, a YWCA e a Federação de Universidade Católica de Toda a Índia (AICUF). Também está afiliada à Federação Mundial de Estudantes Cristãos (WSCF).
Na preparação dos materiais para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2013, o departamento jovem do Conselho Nacional de Igrejas na Índia (NCCI) foi um parceiro importante. Esse Conselho (NCCI) é a expressão conjunta das Igrejas protestantes e ortodoxas na Índia e representa 13 milhões de cristãos do país inteiro. Ele proporciona uma plataforma para pensamento e ação, unindo Igrejas e outras organizações cristãs para mútua consulta, assistência e ação em todos os assuntos referentes à vida e ao testemunho cristão na Índia. Cristãos ortodoxos desempenharam um papel central no movimento ecumênico da Índia. Significativamente, o NCCI também celebra seu centenário em 2014. O Conselho e seus membros tem estado ativamente engajados na construção da nação ao longo desses cem anos. É um Conselho autônomo que acolhe, promove e coordena os vários ministérios das Igrejas. A Comissão de Juventude do NCCI promove as atividades ecumênicas e inter religiosas em nível nacional.
O terceiro parceiro na preparação dos materiais da Semana de Oração pela Unidade dos cristãos é a Federação de Universidade Católica de toda a Índia (AICUF) , que é um movimento de estudantes católicos com uma visão de uma sociedade nova e justa. Fundada em 1915 como Liga Católica de Moços (Catholic Young Men´s Guild – CYMG), tornou-se a AICUF em 1949, como um movimento estudantil nacional. É reconhecida pela Conferência dos Bispos Católicos da Índia e está filiada à Pax Romana, o Movimento Internacional de Estudantes Católicos. Ao longo dos anos, a AICUF tem vivido uma história de constante redescoberta e renovação, enquanto procura se voltar para as emergentes necessidades e realidades da universidade, da Igreja e da sociedade indiana mais ampla. A AICUF também tem trabalhado com o Movimento de Estudantes Cristãos (SCM) e outros movimentos de jovens na Índia sobre temas que afetam a vida da nação.
Há dois temas críticos diante do cristianismo na Índia: o sistema de castas e a identidade.
O sistema de castas, tanto dentro das Igrejas como entre elas, coloca graves desafios para a unidade dos cristãos na Índia e, portanto, para o testemunho moral e eclesial da Igreja como corpo de Cristo. Sendo um fator de divisão na Igreja, o sistema de castas é, conseqüentemente, uma aguda questão doutrinal. Por isso, esse tema tem sido escolhido para iluminar os caminhos nos quais a busca por justiça e paz faz parte da oração pela unidade cristã.
As Igrejas indianas de origem missionária tem-se esforçado para não se prenderem ao seu passado missionário e para expressarem sua própria identidade e vocação como uma Igreja indiana. O especialista indiano em ecumenismo M. M. Thomas, reconhecendo a inevitável ligação com a cultura ocidental devida aos anos de domínio colonial, afirma que como cristãos na Índia somos chamados a um engajamento crítico em relação às aspirações nacionais de nosso país, como Igrejas unidas: “ Os cristãos não precisam se desculpar por sua ligação com a cultura ocidental. Mas os cristãos precisam, sim, pedir desculpas por causa de sua abordagem pouco crítica da cultura ocidental. Hoje, quando nossos objetivos nacionais são ocidentais, não somos capazes de os avaliar criticamente em nome de Cristo. Nossa contribuição ao ecumenismo “secular” depende, portanto, de termos nós mesmos um ecumenismo “cristão”.”[7]
As Igrejas da Índia tem tentado definir o que isso significa para a sua vida e seu testemunho num contexto de variedade religiosa em que os cristãos são uma minoria bem pequena. Situados em meio a grandes e ativos sistemas de fé, os cristãos na Índia têm contribuído significativamente, proporcionando liderança bem capacitada e renovação teológica nas discussões ecumênicas sobre diálogo e cooperação com pessoas que têm outro tipo de fé.
A contribuição mais significativa do movimento missionário, no que diz respeito a conversões ao cristianismo, foi a maneira como muitos dos pobres e excluídos na Índia experimentaram a conversão a Cristo como libertação da discriminação religiosa e ritual. Em recente encontro internacional, a professora Dra. Susie Tharu, uma eminente escritora e cientista social declarou que “ a genialidade da Igreja indiana é sua característica dalit”.[8]
Diz-se que 80 a 90% da Igreja indiana tem origem dalit. Em algumas partes da Índia 100% dos cristãos são dalits convertidos.
Por um lado, o tema da conversão é um desafio na arena global, onde as relações inter religiosas precisam estar balanceadas com o chamado à pregação do evangelho. Os dalits na Índia, por outro lado, proclamam que a conversão deles do hinduímo foi uma forma importante de protesto dalit. Por ocasião da primeira guerra mundial, aproximadamente um milhão de cristãos na Índia eram dalits, hoje eles são aproximadamente vinte e quatro milhões. Conversões ao cristianismo, freqüentemente feitas a pedido dos próprios grupos sem casta, foram um desafio não apenas para as castas superiores hindus , mas também para os convertidos das classes superiores, e mesmo para os próprios missionários.[9]Infelizmente, essa história recebeu pouca atenção: “ A história dos dalits cristãos foi apenas um bem pequeno sub projeto na história muito maior das missões e das Igrejas...”[10]
Os dalits continuam a sofrer opressão e exclusão, ao ponto de poderem reconhecer um maior senso de identidade e luta comum em relação aos dalits de outras crenças, mais ainda do que dentro da comunidade cristã. Como aconteceu com a luta contra o aparheid na África do Sul, esse escândalo precisa desafiar todos os cristãos a se questionarem sobre os limites e a integridade de seu compromisso com a unidade cristã.
Em meio a esses múltiplos desafios, as Igrejas da Índia tentaram se manter fiéis no seu caminho e estão vagarosamente crescendo enquanto continuam a fortalecer parcerias ecumênicas e a criar novas áreas de ministério. O fato de serem minoria às vezes impulsiona as Igrejas a um estilo voltado para a sobrevivência em vez de levá-las a uma consciente e corajosa afirmação do seu testemunho na Índia. A presença cristã na Índia precisa ser construída como “o futuro dos sem esperança... A cruz de Cristo, a comunidade do Cristo sofredor e o sinal da criação oprimida nos indicam o lugar para a presença cristã.” [11]
Temas de 1968 a 2012
Em 1968, materiais preparados em conjunto pela Comissão Fé e Ordem do Conselho
Mundial de Igrejas e pelo Pontifício Conselho
para a Unidade
dos Cristãos foram usados pela primeira vez.
1968 Para o louvor de sua glória (Efésios 1,14)
1969 Chamados à liberdade (Gálatas 5,13)
(Encontro preparatório em Roma, Itália)
1970 Somos colaboradores de Deus ( 1 Coríntios 3,9)
(Encontro preparatório no monastério de Niederaltaich, na República Federal
Alemã)
1971 ... e a comunhão do Espírito Santo (2 Coríntios 13.13)
1972 Eu vos dou um novo mandamento (João 13,34)
(Encontro preparatório em Genebra, Suíça)
1973 Senhor, ensina-nos a orar (Lucas 11,1)
(Encontro preparatório no mosteiro de Montserrat, Espanha)
1974 Que toda língua confesse: Jesus Cristo é o Senhor (Filipenses 2, 1-13)
(Encontro preparatório em Genebra, Suíça)
1975 Plano de Deus: todas as coisas em Cristo (Efésios 1,3-10)
(Material de um grupo australiano. Encontro preparatório em Genebra, Suíça)
1976 Seremos como Ele (João 3,2) ou Chamados a ser o que somos
(Material da Conferência Caribenha de Igrejas; encontro preparatório em Roma,
Itália)
1977 A esperança não nos decepciona (Romanos 5,15)
(Material do Líbano, no meio de uma guerra civil; encontro preparatório em
Genebra, Suíça)
1978 Não sois mais estrangeiros (Efésios 2,13-22)
(Material de uma equipe ecumênica em Manchester, Inglaterra)
1979 Servi uns aos outros para a glória de Deus (1 Pedro 4,7-11)
(Material da Argentina; encontro preparatório em Genebra, Suíça)
1980 Que venha o teu Reino! (Mateus 6,10)
(Material de um grupo ecumênico em Berlim, República Democrática Alemã; encontro
preparatório em Milão)
1981 Um Espírito – muitos dons – um só corpo (1 Coríntios 12,3b-13)
(Material dos Graymoor Fathers, USA; encontro preparatório em Genebra, Suíça)
1982 Que todos estejam na tua casa, Senhor (Salmo 84)
(Material do Quênia; encontro preparatório em Milão, Itália)
1983 Jesus Cristo- a Vida do mundo (1 João 1,1-4)
(Material de um grupo ecumênico na Irlanda; encontro preparatório em Céligny,
Suíça)
1984 Chamados a ser um pela cruz de nosso Senhor (2 Coríntios 2,2 e Colossenses 1,20)
(Encontro preparatório em Veneza, Itália)
1985 Da morte à vida com Cristo (Efésios 2,4-7)
(Material da Jamaica; encontro preparatório em Grandchamp, Suíça)
1986 Vós sereis minhas testemunhas (Atos 1,6-8)
(Material da Iugoslávia- Eslovênia ; encontro preparatório na Iugoslávia)
1987 Unidos em Cristo – uma nova criação (2 Coríntios 5,17 a 6,4a)
(Material da Inglaterra; encontro preparatório em Taizé, França)
1988 O amor de Deus afasta o medo (1 João 4,18)
(Material da Itália; encontro preparatório em Pinerolo, Itália)
1989 Construindo a comunidade: um só corpo em Cristo (Romanos 12,5-6a)
(Material do Canadá; encontro preparatório em Whaley Bridge ,
Inglaterra)
1990 Que todos sejam um... para que o mundo creia (João 17)
(Material da Espanha; encontro preparatório em Madri, Espanha)
1991 Louvai ao Senhor, todas as nações (Salmo 117 e Romanos 15,5-13
(Material da Alemanha; encontro preparatório em Rotenberg an der Fulda,
República Federal da Alemanha)
1992 Estou convosco sempre... Ide, portanto. (Mateus 28,16-20)
(Material da Bélgica; encontro preparatório em Bruges, Bélgica)
1993 Dando frutos no Espírito para a unidade cristã (Gálatas 5,22-23)
(Material do Zaire; encontro preparatório em Zurich, Suíça)
1994 A casa de Deus: chamados a ser um no coração e na mente (At 4,23-37)
(Material da Irlanda; encontro preparatório em Dublin, República da Irlanda)
1995 Koinonia: comunhão em Deus e uns com os outros (João 15,1-17)
(Material de Fé e Ordem; encontro preparatório em Bristol, Inglaterra)
1996 Eis que estou à porta e bato (Apocalipse 3, 14-22)
(Material de Portugal; encontro preparatório em Lisboa, Portugal)
1997 Em nome de Cristo, reconciliai-vos com Deus (2 Coríntios 5,20)
(Material do Conselho Ecumênico Nórdico; encontro preparatório em Estocolmo,
Suécia)
1998 O Espírito socorre a nossa fraqueza (Romanos 8,14-27)
(Material da França; encontro preparatório em Paris, França)
1999 Deus habitará com eles. Será seu Deus e eles serão seu povo
(Apocalipse 21,1-7)
(Material da Malásia; encontro preparatório no mosteiro de Bose, Itália)
2000 Louvado seja Deus, que nos abençoou em Cristo (Efésios 1,3-14)
(Material do Conselho de Igrejas do Oriente Médio; encontro preparatório
em La Verna,
Itália)
2001 Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14,1-6)
(Material da România; encontro preparatório em Vulcan, România)
2002 Em ti está a fonte da vida (Salmo 36,5-9)
(Material do CEEC e CEC; encontro preparatório perto de Augsburg, Alemanha)
2003 Trazemos este tesouro em vasos de argila (2 Coríntios 4,4-18)
(Material das Igrejas da Argentina; encontro preparatório em Los Rubios , Espanha)
2004 Eu vos dou a minha paz (João 14,23-31 e João 14,27)
(Material de Aleppo, Síria; encontro preparatório em Palermo, Sicília)
2005 Cristo, o único fundamento da Igreja (1 Coríntios 3,1-23)
(Material da Eslováquia; encontro preparatório em Piestany, Eslováquia)
2006 Quando dois ou três se reúnem em meu nome, eu estou no meio deles (Mateus
18,18-20)
(Material da Irlanda; encontro preparatório em Prosperous, Co. Kildare, Irlanda)
2007 Ele faz os mudos falarem e os surdos ouvirem (Marcos 7,31-37)
(Material da África do Sul; encontro preparatório em Faverges, França)
2008 Orai sem cessar (1 Tessalonicenses 5, 12a. 13b- 18)
(Material dos USA; encontro preparatório em Graymoor, Garrison, USA)
2009 Unidos em tua mão (Ezequiel 37, 15-28)
(Material da Coréia; encontro preparatório em Marselha, França)
2010 Vós sois testemunhas disso (Lucas 24,48)
(Material da Escócia; encontro preparatório em Glasgow, Escócia)
2011 Unidos no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração
do pão e nas orações. (Cf Atos 2,42)
(Material de Jerusalém; encontro preparatório em Saydnaya, Síria)
2012 Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo
(cf1 Coríntios 15,
51-58)
(Material da Polônia; encontro preparatório realizado em Varsóvia,
Polônia)
2013 O que Deus exige de nós? (cf Miquéias 6,6-8)
(Material da Índia; encontro
preparatório realizado em Bangalore, Índia)
1740 Na Escócia, surgiu um movimento pentecostal, ligado à América do Norte, cuja mensagem de reavivamento incluía preces por e com todas as Igrejas.
1820 O Rev. James Haldane Stewart publica “Orientações para a união geral dos cristãos para o derramamento do Espírito”.
1840 O Rev. Ignatus Spencer, convertido ao catolicismo romano, sugere uma “União de oração pela unidade”.
1867 A Primeira Conferência de Bispos Anglicanos em Lambeth destaca a oração pela unidade no Preâmbulo de suas Resoluções.
1894 O papa Leão XIII estimula a prática de Oitava de Oração pela Unidade, no contexto de Pentecostes.
1908 Primeira vivência da Oitava da Unidade Cristã, iniciativa do Rev.Paul Wattson.
1926 O movimento Fé e Ordem começa a publicar “Sugestões para uma oitava de oração pela unidade cristã.”
1935 O abade Paul Couturier defende uma “Semana Universal de Orações pela Unidade dos Cristãos”, baseada em preces inclusivas pela “unidade que Cristo quiser, pelos meios que ele quiser”.
1958 A Unidade Cristã (Lyons, França) e a Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas começam a preparar em cooperação os materiais para a Semana de Oração.
1964 Em Jerusalém, o papa Paulo VI e o patriarca Athenagoras I rezam juntos a prece de Jesus para “que todos sejam um” (João 17)
1964 O decreto sobre Ecumenismo do Vaticano II enfatiza que a oração é a alma do movimento ecumênico e incentiva a observância da Semana de Oração.
1966 A Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e o Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (hoje conhecido como Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos) começam a preparar oficialmente juntos o material da Semana de Oração.
1968 Primeiro uso oficial do material da Semana de Oração preparado em conjunto por Fé e Ordem e pelo Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (hoje conhecido como Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos).
1975 Primeiro uso de material da Semana de Oração baseado em uma versão inicial de texto preparada por um grupo ecumênico local. Um grupo australiano foi o primeiro a assumir esse projeto, na preparação do texto inicial de 1975.
1988 Os materiais da Semana de Oração foram usados na celebração de fundação da Federação Cristã da Malásia, que une os grupos cristãos majoritários do país.
1994 Um grupo internacional prepara o texto para 1996, incluindo representantes de YMCA e YWCA (Associação Cristã de Moços/as).
2004 Formaliza-se um acordo pelo qual os materiais da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos serão publicados e produzidos no mesmo formato por Fé e Ordem (WCC) e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Igreja Católica).
2008 Comemoração do centésimo aniversário da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (sua predecessora, a Oitava da Unidade Cristã, foi observada pela primeira vez em 1908).
[1] Observação: A partir daqui usaremos a palavra dalit para nomear os grupos de párias, excluídos do sistema indiano de castas.
[2] Discurso do Papa aos bispos de Madras- Mylapore, Madurai e Pondicherry-Cuddalore, 17 de novembro de 2003
[3] Este texto é reproduzido sob a inteira autoridade e responsabilidade do grupo ecumênico na Índia que se reuniu para escrever os textos a serem usados na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2013.
[4] Ninan Koshy, Uma História do Movimento Ecumênico na Ásia, volume 1 (Hong Kong: Conferência Cristã da Ásia, Asia´-Pacific WSCF, 2004) p.6
[5] Ibid, p 10
[6] Hans-Ruedi Weber, Além de todos os Continentes eNações: Um Registro de Desenvolvimentos Regionais no Movimento Ecumênico, Uma História do Movimento Ecumênico Volume 2, 1948-1968, Ed. Harold C. Fey (Genebra, Conselho Mundial de Igrejas, 1970) p. 72-73.
[7] M M Thomas, A tarefa evangélica comum das Igrejas da Ásia, textos e minutas da EACC, Prapat, Indonésia, 1957, citado por Koshy, op cit. P. 28
[8] Susie Tharu em sua fala conclusiva num Simpósio Internacional sobre Casta, Religião e Cultura, organizado pelo Conselho Mundial de Igrejas, pelo Centro de Estudos Sociais e Cultura, pelo Conselho Nacional de Igrejas da Índia e pelo Movimento de Estudantes Cristãos da Índia em Cochin, Kerala, de 1 a 4 de maio de 2011. É importante definir resumidamente quem é um dalit na Índia. A estrutura de castas do Induísmo tem 4 níveis e é hierárquica: os brâmanes ou casta sacerdotal, os xátrias ou governadores e guerreiros, os vaixias ou os mercadores e os sudras, que são os trabalhadores. As primeiras três castas são os ritualmente puros e sócio economicamente dominantes ou os “nascidos duas vezes”. Os da quarta casta são ritualmente suspeitos, sócio economicamente dominados e os “nascidos uma vez”. Fora dessa estrutura estão 160 a 180 milhões somente na Índia, que são considerados como “sem casta”, os “intocáveis”, a “casta exterior”, a “casta de depressão”, os “párias” ou os dalits, o “povo quebrado”. O termo “dalits” não é usado para exprimir outro tipo de indentidade de casta, mas quer indicar um movimento coletivo anti castas. Para essa explanação veja o artigo de Sathianathan Clarke: “Teologia dalit: uma exposição introdutória, interpretativa e teológica sobre teologia dalit no século XXI, vozes discordantes, caminhos de discernimento. Ed. Sathianathan Clarke, Deenabandhu Manchala e Philip Vinod Peacock, ( New Delhi : Oxford University Press, 2010), p, 4-5
[9] Veja, por exemplo, Stanley, Brian,
[10] Webster John C. B , “Dalit Chistian History: Themes and Trends”, trabalho apresentado na Jawaharlal Nehru University , departamento de História, fevereiro 2011, New Delhi. Manuscrito. John Webster excreveu extensivamente sobre a História dos dalits cristãos, incluindo um livro transformador de caminhos, The Dalit Christians: A History, 1992 (que está na terceira edição). Edwin Ellen Press, San Francisco .
[11] Jurgen Moltman, Theology Today, volume 28, no 1, abril 1971, 6-23. Seminário Teológico de Princeon, Westminster John Knox Press, USA