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PONTIFÍCIO CONSELHO
PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

 

Subsídios para a
 SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS
 e para todo o ano de 2014

 

A caso o Cristo está dividido ?
(1 Cor 1, 1-17)

 

Preparado e publicado em conjunto pelo 
Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e
Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas

 

Tradução para o português:

Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo
e o Diálogo Inter-religioso
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
Brasília, 2013.

 

 

ÍNDICE

Aos que organizam a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
Preparação do material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2014
Texto bíblico
Introdução ao tema para o ano 2014
Celebração ecumênica
Introdução à celebração
Desenvolvimento da celebração
Reflexões bíblicas e orações para os oito dias
Recursos adicionais
O contexto ecumênico do Canadá
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos - Temas de 1968 a 2014
Datas marcantes na história da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

 

Nesta tradução os textos da Escritura
 são tomados da Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB)

 

 

AOS QUE ORGANIZAM
A SEMANA DE ORAÇÃO
PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

A busca da unidade ao longo do ano

O período tradicional para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos no hemisfério norte é de 18 a 25 de janeiro. Essas datas foram propostas por Paul Wattson para abranger os dias que se situam entre as festas de São Pedro e São Paulo e que têm por isso um significado simbólico. No hemisfério sul, em que janeiro é tempo de férias, as Igrejas freqüentemente escolhem outros dias para celebrar a Semana de Oração como, por exemplo, ao redor de Pentecostes (sugerido pelo movimento de Fé e Ordem em 1926), que também é uma data simbólica para os cristãos.

Cientes da necessidade de flexibilidade,  convidamos ao uso deste material ao longo do ano inteiro para expressar o grau de comunhão que as Igrejas já alcançaram e para orar juntos pela plena unidade, que é o desejo de Cristo.

Adaptação do texto

Este material é oferecido com a compreensão de que, sempre que possível, será adaptado para o uso em situações locais. Devem ser levadas em consideração as práticas litúrgicas e devocionais de cada local e o conjunto do contexto social e cultural. Tal adaptação deve acontecer preferencialmente de modo ecumênico. Em alguns lugares já há estruturas ecumênicas em funcionamento para a adaptação do material; em outros locais, esperamos que a necessidade de adaptar seja um estímulo para a criação de tais estruturas. 

Uso do material da Semana de Oração

  • Para Igrejas e Comunidades cristãs que fazem juntas na Semana de Oração uma única celebração, providenciamos um roteiro para uma celebração ecumênica.
     
  • Igrejas e Comunidades cristãs podem também incorporar material da Semana de Oração em suas próprias celebrações. As orações da celebração ecumênica, as sugestões para os “oito dias” e a seleção de preces adicionais podem ser usadas de acordo com as condições de cada grupo.
     
  • Comunidades que vivem a Semana de Oração nos seus cultos diários podem, durante a Semana, aproveitar o material  proposto para os “oito dias”.
     
  • Os que desejarem fazer estudos bíblicos sobre o tema da Semana de Oração podem se basear nos textos bíblicos e nas reflexões sugeridas para os “oito dias”. As reflexões de cada dia  podem ser concluídas com um tempo de oração.
     
  • Os que quiserem orar de modo privado podem ter no material uma ajuda para focalizar as intenções de suas preces. Podem assim sentir que estão em comunhão com outros que oram no mundo inteiro pela maior visibilidade da unidade na Igreja de Cristo.

 

PREPARAÇÃO DO MATERIAL PARA
A SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS 2014

O trabalho inicial sobre o tema do material da Semana de Oração deste ano fou preparado por um grupo de representantes de diferentes partes do Canadá, reunidos a convite do Centro Canadense para Ecumenismo e o Centro Prairie para Ecumenismo.

Desejamos agradecer especialmente a:

  • Sra. Bernice Baranowski (católica romana) , Centro Canadense de Ecumenismo de Montreal
     

  • Rev. Dra. Sandra Beardsall (Igreja Unida do Canadá), professora de História da Igreja e Ecumenismo, Colégio St. Andrew, Saskatoon
     

  • Rev. Michel Belzile (batista) ,  Igreja da Comunidade de Greenborough, Toronto
     

  • Revmo. Donald Bolen , bispo, diocese católica romana de Saskatoon
     

  • Rev. Amanda Currie, ministra e clériga do presbitério de Northern
     

  • Saskatchewan, Igreja Presbiteriana do Canadá, Saskatoon
     

  • Nicholas Jesson, agente ecumênico, diocese católica romana de Saskatoon
     

  • Norman Lévesque (católico romano), diretor executivo interino, Centro Canadense de Ecumenismo, Diretor do programa Igreja Verde
     

  • Rev. Deacon Anthony Mansour (Igreja Ortodoxa na América), diretor executivo (2006-2012) do Centro Canadense de Ecumenismo, Montreal
     

  • Ver. Dr. David MacLachlan (Igreja Unida do Canadá), professor de estudos do Novo Testamento, Escola Atlântica de Teologia, Halifax
     

  • Rev. John Wilson (Igreja Unida do Canadá), Summerside, Ilha Prince Edward

 

Agradecemos também textos iniciais e propostas interessantes que nos vieram de:

  • Rev. Dra. Karen Hamilton (Igreja Unida do Canadá), secretária geral, Conselho Canadense de Igrejas
     
  • Rev. Dr. Gilles Routhier (católico romano), deão, Faculdade de Teologia e de ciências Religiosas, Universidade Laval, Quebec

Somos também gratos ao bispo Donald Bolen de Saskatoon, por dar início ao grupo preparatório, e a todos que ajudaram no trabalho do Comitê Internacional.

Os textos aqui propostos foram finalizados durante um encontro do Comitê Internacional nomeado pela Comissão de Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O Comitê se reuniu com os representantes do Canadá em setembro de 2012 na Vila Saint Martin, um centro de retiro jesuíta em Pierrefonds, a noroeste da ilha de Montreal. Somos particularmente gratos ao Centro Canadense de Ecumenismo e ao Centro Prairie para Ecumenismo pela generosa hospedagem do encontro e  pela organização de uma visita ao Oratório de São José em Montreal. Também desejamos expressar nossos agradecimentos à Faculdade da Universidade  Mac Gill, Montreal, pela promoção de um simpósio ecumênico durante nossa permanência no Canadá.

 

TEXTO BÍBLICO PARA 2014

(1 Cor 1, 1-17)

Paulo, chamado a ser apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e Sóstenes, o irmão, à Igreja de Deus que está em Corinto, aos que foram santificados no Cristo Jesus, chamados a ser santos com todos os que invocam em todo lugar o nome do Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: a vós graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

Dou graças a Deus sem cessar a vosso respeito, pela graça de Deus que vos foi dada no Cristo Jesus. Porque nele fostes cumulados de todas as riquezas, todas as da palavra e todas as do conhecimento. É que o testemunho prestado de Cristo se confirmou em vós, de tal modo que não vos falta nenhum dom da graça, a vós que esperais a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo. É ele também que vos confirmará até o fim, para que sejais irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o Deus que vos chamou à comunhão com seu filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

Mas eu vos exorto, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo: guardai a concórdia e não haja divisões entre vós; sede bem unidos num mesmo espírito e num mesmo pensamento. Com efeito, meus irmãos, familiares de Cloé me informaram que há discórdias entre vós. Eu me explico; cada um de vós fala assim: “Eu sou de Paulo. _ Eu, de Apolo. _ Eu, de Cefas. _ Eu, de Cristo.” Acaso o Cristo está dividido? Porventura Paulo foi crucificado por vós? Foi acaso em nome de Paulo que fostes batizados? Graças a Deus não batizei nenhum de vós, com exceção de Crispo e de Gaio, assim ninguém pode dizer que fostes batizados em meu nome. Ah, sim! Eu batizei ainda a família de Estéfanas. Quanto ao resto, não batizei nenhum outro, que eu saiba. Pois Cristo não me enviou para batizar, mas para anunciar o Evangelho, e sem recorrer à sabedoria do discurso, para não reduzir a nada a cruz de Cristo.

 

INTRODUÇÃO AO TEMA
PARA O ANO DE 2014

A caso o Cristo está dividido ?
(1 Cor 1, 1-17)

1. Os canadenses vivem num país marcado por diversidade de idiomas, de cultura e mesmo de clima, e temos também diversidade  em nossas expressões da fé cristã. Convivendo com essa diversidade, mas sendo fiéis ao desejo de Cristo a respeito da unidade de seus discípulos, fomos levados a uma reflexão sobre a provocativa pergunta de Paulo em 1 Coríntios: “Acaso o Cristo está dividido?” Animados pela fé respondemos: “Não!” Mas nossas comunidades eclesiais continuam a incorporar escandalosas divisões. A primeira carta aos Coríntios também nos aponta um caminho pelo qual podemos valorizar e acolher os dons de outros, mesmo agora no meio das nossas divisões, e isso é um estímulo para nós em nosso trabalho pela unidade.

2. O Canadá é reconhecido por seu natural esplendor: suas montanhas, florestas, lagos e rios, campos de trigo e três costas oceânicas. Nossa terra se estende do Atlântico ao Pacífico e da fronteira dos Estados Unidos ao polo norte.  É uma terra rica em agricultura e recursos naturais. O Canadá é também uma terra de povos diferentes: Primeiras Nações, Inuits e Métis, e muitos povos que aqui vieram se estabelecer[1], provenientes de outras partes do mundo. Temos dois idiomas oficiais – francês e inglês – e ainda assim muitos canadenses conservam a herança cultural e lingüística de suas terras ancestrais. Nossas divisões sociais e políticas freqüentemente remontam a distinções lingüísticas , culturais e regionais, mas estamos aprendendo a compreender como essas identidades nacionais contribuem  para uma saudável diversidade canadense. Dentro desse meio multicultural, muitos cristãos trouxeram seus estilos particulares de culto e ministério. A carta de Paulo se dirige a nós, dentro da nossa diversidade, e nos convida a reconhecer que, como Igreja em nossos lugares específicos, não podemos estar isolados ou atuar uns contra os outros, mas temos que reconhecer nosso inter-relacionamento com todos que invocam o nome do Senhor.

3. Na passagem da Escritura que foi escolhida para a nossa reflexão neste ano, Paulo inicia suas cartas aos coríntios de um modo enérgico. Como a abertura de uma ópera ou de uma sinfonia, essa passagem toca em temas que certamente nos preparam para o que vamos encontrar nessas cartas. Há três movimentos no texto. Todos três colocam um sólido, porém desafiante, alicerce para nossas reflexões como cristãos vivendo e trabalhando juntos nas Igrejas e na sociedade de hoje.  

4. No primeiro movimento (1, 1-3), Paulo, junto com seu companheiro cristão Sóstenes – como uma pequena mas autêntica comunidade formada por dois – se dirige a uma comunidade maior e muito ativa, os cristãos de Corinto. Ele se dirige aos coríntios como “Igreja de Deus”, não apenas como um setor local, mas como plena expressão da Igreja naquela parte do mundo. Paulo lhes relembra que eles são um povo “chamado”: “chamados a ser santos”, não isoladamente por conta própria, mas chamados a ser santos “com todos os que invocam em todo lugar o nome do Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso”.Essa última expressão pode também ser traduzida como “tanto no lugar deles como no nosso”. Então, eles são autenticamente a Igreja de Deus, mas muito conectados a todos os outros que invocam o Senhor, tanto em sua confissão de fé como em seu lugar. Aí Paulo, como em todas as suas cartas, estende sua usual e poderosa saudação desejando a graça e a paz de Deus. Na linguagem de Paulo, “graça” indica a bondade de Deus e os dons que recebemos em Cristo, e seu intento é despertar nossa gratidão a Deus e nossa generosidade em relação aos outros. Sua “paz” para nós, em sua plenitude e mútuo oferecimento, é comunhão (koinonia) em Deus.

5. Onde você vê a graça e a paz de Deus em sua igreja local, em sua comunidade mais ampla, e no seu país? Como você pode ir além de uma preocupação com sua comunidade imediata e servir à comunidade de todos os cristãos e do mundo?

6. Chamando à ação a comunidade de Corinto, Paulo começa o próximo movimento em nosso texto (1, 4-9), agradecendo pela “graça de Deus que tem sido dada” aos coríntios “em Cristo Jesus”. Isso não é apenas uma formalidade, mas uma genuína alegria pelos dons que Deus concedeu à comunidade. Ele continua, para os edificar, dizendo: “Porque nele fostes cumulados de todas as riquezas... de tal modo que não vos falta nenhum dom da graça”. Ele lhes assegura que serão confirmados até o fim, e que “fiel é o Deus”  que nos chama à comunhão (koinonia) com seu Filho, com todas as implicações sociais e espirituais que aí estão incluídas para nossas Igrejas e povos.

7. Como cristãos canadenses, temos consciência de que nem sempre estivemos dispostos a nos alegrar com os dons de Deus que estão presentes em outras comunidades cristãs. Lendo o texto de Paulo com espírito ecumênico, nos tornamos mais conscientes de estar sendo convidados a nos alegrar sinceramente com a maneira como Deus tem abençoado outros cristãos e outros povos.  Aqueles que primeiro trouxeram a fé cristã ao Canadá freqüentemente foram insensíveis aos dons e intuições dos povos indígenas e deixaram de ver as bênçãos que Deus concedeu através deles.

Temos muito a agradecer pela diversidade de povos e expressões de fé em nosso país. Embora nossa história tenha muitos exemplos de como não vivemos em mútuo respeito e ajuda, sabemos que nosso país foi construído tendo por base a cooperação e a busca de caminhos de paz entre nós e no mundo. Nosso acolhimento das bênçãos do mundo natural como dons de Deus é freqüentemente tomado como garantido e lutamos para equilibrar prosperidade e serviço no uso desses dons. Lutamos também para por em prática valores que todos dizemos que são considerados canadenses. Como cristãos e como Igrejas, sentimo-nos chamados a uma gratidão receptiva em relação aos dons de Deus percebidos no outro e a incorporar em nossa missão agradecimento e cuidado pelo país inteiro e pelo mundo.

8. Pelo que você agradece em sua igreja, em sua comunidade e no seu país? Como você percebe os dons espirituais e materiais de Deus entre outros cristãos ou outras pessoas de sua comunidade?

9. No terceiro movimento (1,10-17), Paulo dirige palavras duras aos coríntios por causa das maneiras com que eles distorceram o evangelho cristão e quebraram a unidade da comunidade. Eles dizem: “Eu sou de Paulo, eu sou de  Apolo, eu sou de Cefas.” Mesmo os que proclamavam Cristo como seu líder não foram aplaudidos por Paulo, porque usavam o nome de Cristo para se separarem uns dos outros na comunidade cristã. Não podemos invocar o nome de Cristo para construir barreiras entre nós porque seu nome cria comunhão e unidade, não divisões. “Acaso o Cristo está dividido?” Paulo não tem objeção à formação de comunidades ao redor de lideranças fortes, mas a comunidade tem que encontrar sua identidade fundamental em Cristo: “Porventura Paulo foi crucificado por vós? Foi acaso em nome de Paulo que fostes batizados?”O grupo de Cloé tinha percebido  que tais atitudes  se desenvolviam entre eles e tinha exposto a questão.

10. Diante desse estado de divisão vem o apelo de Paulo para estarem juntos e “unidos num mesmo espírito e no mesmo pensamento”. Ele exorta seus leitores e aqueles que estão em Corinto a “guardar a concórdia”. Estaria Paulo pensando que todos deveriam celebrar e fazer tudo do mesmo modo? Pensamos que não. Esses versículos não são um apelo para deixar de lado a liderança de Paulo, Apolo ou Cefas. Fundamentados em Cristo, somos chamados a dar graças pelos dons de Deus que outros, fora do nosso grupo, trazem à missão comum da Igreja. A valorização dos dons de Deus nos outros nos aproxima na fé e na missão e nos conduz na direção daquela unidade pela qual Cristo orou, com respeito pela autêntica diversidade no culto e na vida.

11. Paulo destaca dois elementos centrais no discipulado cristão, pelos quais estamos fundamentalmente comprometidos com Cristo: o batismo e a cruz de Cristo. Não somos batizados em Paulo nem ele foi crucificado por nós; nossa unidade está em Cristo e é dele que vêm nossa vida e nossa salvação. Ao mesmo tempo, todos participamos de um ou outro grupo e nossa igreja local nos alimenta na fé e nos ajuda a caminhar como discípulos de Jesus. A ponto final dessa questão, tanto para Paulo como para nós, não é apenas o nosso sentimento de pertencer a uma particular Igreja. Mais do que isso, nosso objetivo é a proclamação da Boa Nova, o próprio evangelho ao qual nos dedicamos com fé e alegria.

Agora temos que partilhar essa mensagem com o mundo. A conclusão de Paulo nos desafia  a nos questionarmos se de fato temos boas novas em Cristo uns para os outros, ou se fomentamos divisão até em nome de Cristo e assim, como diz Paulo, reduzimos a nada a cruz de Cristo.

12. Como cristãos canadenses, temos uma robusta história de cooperação e ajuda mútua. Nossa história inclui exemplos de esforços em comum, ministérios compartilhados e até a união de várias Igrejas. Onde a união orgânica das Igrejas não tem sido possível, temos freqüentemente chegado a acordos comuns e ministérios partilhados que testemunham nossa crescente unidade em Cristo. Nossas Igrejas têm atuado juntas em campos relacionados com a pobreza e a justiça social, e juntas muitas de nossas Igrejas começam a assumir responsabilidade por nossas atitudes pouco cristãs em relação aos povos indígenas do nosso país. Ainda assim, apesar desses encorajadores movimentos na direção da unidade que Cristo deseja para nós, mantemos as divisões e a desunião que distorcem nossa proclamação do evangelho.

13. Também ouvimos falar do grupo de Cloé. É sob a liderança de Cloé que esse grupo identifica e aponta os conflitos e as divisões na igreja de Corinto. Continuamos precisando de tais testemunhos , tanto de mulheres como de homens, de todas as Igrejas, e de seu ministério de reconciliação e unidade.  Dando voz a tais testemunhos, vamos ficando mais próximos de realizar a visão que Paulo apresenta sobre uma comunidade que tenha “o mesmo espírito e pensamento” em Cristo.

14. Como você e sua Igreja vão discernir o mesmo espírito e pensamento em Cristo junto com outras Igrejas?Como sua avaliação e experiência das diferentes abordagens e formas de culto em sua comunidade ou país darão frutos em forma de esforços pela visível unidade cristã? Que missão comum você partilhará com outros cristãos para ajudar a tornar o mundo um lugar melhor para outros?

15. Para concluir, quando consideramos as muitas bênçãos e os dons de Deus que se tornam manifestos em nosso país e nossos povos, começamos a reconhecer que precisamos tratar uns aos outros – e a própria terra que nos dá nosso modo de vida – com dignidade e respeito. Esse reconhecimento nos leva à confissão, ao arrependimento e à busca de novas e sustentáveis maneiras de viver na terra. Isso aumentou nossa consciência a respeito do modo como Deus nos tem abençoado a todos, e a percepção de que nenhum grupo sozinho pode decidir como usar os recursos do país sem ouvir e incluir as vozes de nossos companheiros canadenses.

 

CELEBRAÇÃO ECUMÊNICA

Introdução à celebração

Acaso o Cristo está dividido?
(1 Cor 1, 1-17)

Ao nos reunirmos para celebrar durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, respondemos ao chamado de Deus e buscamos nos renovar e aprimorar nossa relação mútua em Cristo através da canção, da palavra e do gesto. Esta celebração pode também servir como um convite para aprofundar ou relembrar os oito dias de reflexão, que estão ligados textualmente a 1 Coríntios 1, 1-17. Reconhecemos a provocativa pergunta de Paulo – “Acaso o Cristo está dividido?” –  como um alegre desafio que nos leva à oração e a um autoexame como pessoas e como comunidades cristãs. Esse texto bíblico e o roteiro de celebração são uma oportunidade para levarmos esse novo desafio ao nosso contexto. Aqui temos algumas das características distintivas do culto deste ano que podem exigir alguma preparação anterior:

A “Reunião da Comunidade” inclui um convite para orar voltados para diferentes direções, seguindo a tradição de alguns povos indígenas do Canadá. As pessoas precisarão estar cientes da direção dos pontos cardeais no local para que a congregação celebrante possa ir-se movendo no sentido dos ponteiros do relógio à medida que a oração se desenvolve. As pessoas terão que voltar para a direção inicial do espaço de oração quando forem indicadas as direções “para cima” e “para baixo” , explicitadas no texto. Pode ser necessário alterar as orações de acordo com a situação geográfica dos participantes.

A “Partilha Ecumênica de Dons Espirituais”  é um modo de responder à preocupação de Paulo ao ver os coríntios divididos em facções e acolher seu desafio: “Acaso o Cristo  está dividido?” Não podemos viver nas solidões de nossas particulares comunidades e assumir que temos unidade. Precisamos estar dispostos e capacitados para receber os dons uns dos outros. Esse é um passo que vai além de reconhecer o dom que temos a oferecer. É algo que nos pede que consideremos os outros, que vejamos neles os carismas que enriquecem a totalidade do corpo de Cristo. A “Partilha” está explicada mais adiante em detalhes. Requer um planejamento prévio. Sugerimos o seguinte:

1. Convidar representantes de diferentes Igrejas em sua área local para refletir juntos sobre o “dom” que todos recebem de cada um. O objetivo é identificarem juntos um dom de cada comunidade que os outros podem concordar em “receber”.

2. Se for possível, será também construída uma representação simbólica de cada dom para ser apresentada durante a “partilha ecumênica de dons espirituais”.

3. À medida que os dons são apresentados, eles são anunciados usando estas ou outras palavras de sentido semelhante: “Da Igreja....................... recebemos com gratidão o dom de ........................................... representado aqui por ............................”

Essa “partilha ecumênica de dons espirituais” pode evidentemente ser adaptada como for mais conveniente para cada situação local.

As Preces de Intercessão” destacam os “oito objetivos do milênio” das Nações Unidas. Sugerimos que tais preces sejam impressas e distribuídas à comunidade que celebra para que todos possam ver os objetivos específicos contemplados por essas orações.

Pode ser aconselhável mostrar aos que participam da celebração que as oito respostas no “Compromisso com a Unidade” combinam com os temas do material proposto para os “oito dias de oração pela unidade”, incluído neste conjunto de orientações.

Aqueles que cantam “oram duas vezes”. Oferecemos alguns adequados hinos e canções religiosas do repertório dos compositores e letristas de hinos canadenses, dedicados especialmente para esta Semana de Oração de 2014. Essas canções podem ser encontradas em www.ecumenism.net/music/. Esperamos que as pessoas incluam o máximo de música que for possível nesse tempo de celebração ecumênica!

 

Desenvolvimento da celebração

D: dirigente

A: assembléia

1. Unidos em esperança e unidade

Hino de entrada

Os dirigentes e outros participantes podem entrar em procissão.

Unindo a comunidade

D: A vocês graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
(1 Cor 1,3)

D: Esta celebração foi preparada no Canadá. A palavra “Canadá”, na linguagem de alguns dos primeiros habitantes do país, os iroqueses, significa “aldeia”. Como membros da família de Deus, cristãos do mundo inteiro habitam de fato uma única “aldeia”. Quando os cristãos fazem seus cultos, eles se ligam a essa vasta aldeia global, tão cheia de beleza, de luta e de esperança. Queridos amigos, sejam benvindos para juntos estarmos em oração na graça de nosso Senhor Jesus Cristo, no amor de Deus e na comunhão do Espírito Santo.

A: Amém.

D: Amoroso Deus, chamas a todos nós: em nossas casas e nossos escritórios, em nossas minas e nossas fábricas, em nossos campos e nossas lojas, em nossos barcos de pesca e  nossos rebanhos, em nossas escolas e nossos hospitais, em nossas prisões e nossos centros de detenção, para sermos um em comunhão com nosso Senhor Jesus Cristo.

A: Torna-nos um em Cristo.

D: Os povos indígenas do Canadá conservam um antigo ritual de oração em que se voltam para diferentes direções. Com eles, unamo-nos em oração, voltando-nos para cada direção indicada.

Voltados para o Leste

D: Do leste, na direção do sol nascente, recebemos paz e luz, sabedoria e conhecimento.

A: Nós te agradecemos por esses dons, ó Deus!

Voltados para o Sul

D: Do sul vem o calor, a orientação, o começo e o fim da vida.

A: Nós te agradecemos por esses dons, ó Deus!

Voltados para o Oeste

D: Do oeste vem a chuva, águas purificadoras para sustentar todos os seres vivos.

A: Nós te agradecemos por esses dons, ó Deus!

Voltados para o Norte

D: Do norte vem o frio, o vento forte com a neve branca, dando-nos força e capacidade de suportar dificuldades.

A: Nós te agradecemos por esses dons, ó Deus!

Voltados para a frente e olhando para cima

D: Dos céus recebemos escuridão e luz e o ar para nossa respiração.

A: Nós te agradecemos por esses dons, ó Deus!

Olhando para baixo

D: Da terra viemos e à terra voltaremos.

A: Nós te agradecemos, ó Deus, pela tua boa criação, nosso lar terrestre.

D: Podemos percorrer bons caminhos, abençoado Deus, vivendo nesta terra como irmãos e irmãs devem fazer, alegrando-nos com as bênçãos uns dos outros, solidários com as tristezas uns dos outros e juntos contigo, em nome de Jesus, e com o sopro alentador do Espírito, renovando a face da terra.

A: Amém!

Hino de louvor

Orações penitenciais

D: Inspirados pelo apelo de Paulo à comunidade de Corinto, confessemos os nossos pecados.

D: Generoso Deus, por nossa união com Cristo Jesus nos tornastes ricos em palavras e em conhecimento de  todo tipo. Em nosso orgulho, atribuímos esses dons a nós e não reconhecemos sua verdadeira fonte. Perdoa-nos, Senhor.

A: Tem piedade, Senhor! Ou Kyrie eleison (pode ser cantado)

D: Generoso Deus, em Cristo não nos falta nenhum dom espiritual. Ainda assim, freqüentemente somos demasiadamente tímidos ou auto-suficientes para partilhar as maravilhas dessa mensagem portadora de vida com os que estão à nossa volta. Perdoa-nos, Senhor!

A: Tem piedade, Senhor!

D: Generoso Deus, tu nos chamas à comunhão em teu Filho, Jesus Cristo. Por nossa falta de entusiasmo para estarmos unidos num só espírito e num só pensamento, por estarmos tão facilmente permitindo as divisões e disputas que persistem entre nós, perdoa-nos, Senhor!

A: Tem piedade, Senhor!

D: Generoso Deus, permaneces fiel mesmo vendo a nossa fraqueza. Perdoa nossos pecados de mediocridade e nossa aceitação tão fácil das divisões entre nós. Pela graça do teu Santo Espírito, reforça nossa disposição para assumir passos concretos no cumprimento de nossa aliança de unidade contigo, uns com os outros e com toda a criação.

A: Amém!

 

2. Ouvimos a Palavra de Deus

Leituras bíblicas

Isaías 57, 14-19; Salmo 36, 5-10; 1 Cor 1, 1-17; Marcos 9, 33-41

Homilia

 

3. Respondemos na Fé e na Unidade

Confissão de fé

Pode ser usado o Credo Niceno Constantinopolitano, o Credo dos Apóstolos ou outro tipo de declaração de fé.

Hino de fé e compromisso

Partilha Ecumênica de Dons Espirituais

Os encarregados de preparar a celebração se reuniram com antecedência para refletir sobre os vários dons das Igrejas ou Comunidades. Podem ser escolhidos tanto dons locais ou da tradição eclesial mais ampla. Representantes das diferentes Igrejas trazem objetos que representam os dons que sua tradição traz para o conjunto da comunidade cristã.

Os dons são apresentados e colocados sobre uma mesa. Um dirigente pode anunciar os dons com estas palavras ou outras de sentido semelhante:

D: Da Igreja........................................., recebemos com gratidão o dom de .................. representado aqui por ......................................

A: Somos gratos por estes dons, ó Deus.

Oração

Senhor Jesus Cristo, que disseste aos apóstolos: “Eu vos deixo a paz; eu vos dou a minha paz”.Não olhes os nossos pecados mas a fé da tua Igreja e dá-nos a paz e a unidade da cidade celestial, onde vives e reinas com o Pai e o Espírito Santo agora e para sempre. Amém.

Preces de intercessão

Juntas, as Igrejas canadenses acolheram os “oito objetivos do milênio” das Nações Unidas. Nas preces a seguir se destacam esses objetivos.

D: Oramos por todas as pessoas que sofrem diariamente na “pobreza e na fome”. Seu estado de carência freqüentemente causa divisões. Que o amor de Cristo restaure a justiça e a paz. Generoso Deus, ouve a nossa oração.

A: E no teu amor, atende-nos.

D: Oramos por aqueles que lutam por uma “educação universal”. Que a sua sede de conhecimento possa construir pontes entre as nossas Igrejas e restaurar o respeito em meio a nossas diferenças. Generoso Deus, ouve a nossa oração.

A: E no teu amor, atende-nos.

D: Oramos pelos que buscam “igual dignidade e direitos de homem e mulher”. Que a imagem de Deus seja honrada em todas as mulheres e homens. Lembramos especialmente a necessidade de igual acesso a empregos, bens e serviços. Tornando-nos um em Cristo Jesus, possamos receber plenamente os dons tanto de homens como de mulheres. Generoso Deus, ouve a nossa oração.

A: E no teu amor, atende-nos.

D: Oramos pelos jovens que estão doentes e por aqueles que buscam melhorar a “saúde infantil”. Ao cuidar das crianças, possamos acolher o próprio Jesus. Generoso Deus, ouve a nossa oração.

A: E no teu amor, atende-nos.

D: Oramos pelas mulheres que geram filhos e pela sua “saúde materna”. Possamos cuidar dessas mães que geram nova vida e cujo amor pelos filhos nos lembra o amor com que Deus quer nos unir. Generoso Deus, ouve nossa oração.

A: E no teu amor, atende-nos.

D: Oramos por aqueles que “combatem HIV/AIDS, malária e outras doenças”. Possamos ouvir as vozes  daqueles a quem é negada uma vida com dignidade e trabalhar para criar um mundo no qual todas as pessoas sejam respeitadas e bem cuidadas, no qual ninguém seja excluído. Generoso Deus, ouve nossa oração.

A: E no teu amor, atende-nos.

D: Oramos por todos os que sofrem as conseqüências de um manejo deficiente da criação e por todas as espécies ameaçadas. Guia-nos para uma “sustentabilidade ambiental” para que possamos nos reconciliar com a criação. Generoso Deus, ouve nossa oração.

A: E no teu amor, atende-nos.

D: Oramos por aqueles que praticam uma solidariedade internacional e uma “parceria global”. Favorecendo um justo comércio de bens e cancelando as dívidas dos países mais pobres, possamos também trabalhar pela justiça. Generoso Deus, ouve nossa oração.

A: E no teu amor, atende-nos.

D: Ao nos esforçarmos por atingir esses objetivos, possamos discernir tua voz, ó Senhor, e caminhar juntos na direção do Reino pelo qual oraste. Nesse espírito, oramos:

A Prece do Senhor (Pai Nosso, que também pode ser cantado)

Sinal de paz

Quando os franceses chegaram ao Canadá nos séculos dezesseis e dezessete, encontraram uma terra rica em recursos e foram ajudados pelos primeiros povos. Seu senso de gratidão os levou a dar ao navio que trouxe o fundador da cidade de Quebec o nome de de “Don de Dieu”, que significa “dom de Deus”.

Em muitos ritos eucarísticos usados no Canadá, as pessoas são convidadas à santa Comunhão com as palavras: “Os Dons de Deus para o Povo de Deus”. A unidade pela qual oramos é a comunhão eclesial restaurada de uns com os outros, e será assinalada pela recepção conjunta dos dons eucarísticos. Mas mesmo ainda a caminho da unidade visível, damos e recebemos mutuamente outros dons, que são dons de Deus para o povo de Deus.

Na província de Quebec, de língua francesa, hoje a expressão don de Dieu –“dom de Deus”- tem uma nova vitalidade na comunidade cristã e na cultura popular. Ela retoma um sentido de gratidão pelos dons de Deus que vêm de um tempo em que seus ancestrais eram capazes de partilhar ação de graças com as Primeiras Nações do Canadá. Como sinal da nossa paz e como modo de reconhecer os dons que recebemos uns dos outros, digamos uns aos outros em união com os franco-canadenses: “Don de Dieu”.

Os participantes saúdam-se uns aos outros com um abraço, uma reverência ou um aperto de mão, enquanto dizem:

A: “Don de Dieu”

Hino de Ofertório (uma coleta pode ser feita enquanto se canta)

 

4. Avançamos para o Mundo

 

Compromisso com a Unidade

D: Paulo desafiou os cristãos de Corinto a reconhecer em seus corações e a mostrar por suas ações que Cristo não havia sido dividido. Ele nos desafia, também a perceber mais plenamente a união que já temos em Cristo.

Com todos os que, em todo lugar, invocam o Senhor Jesus Cristo,

A: Juntos, somos chamados a ser santos.

D: Agraciados por Deus de todas as maneiras,

A: Juntos, agradecemos uns pelos outros.

D: Enriquecidos pelas muitas bênçãos que Deus nos tem dado através de nossa união em Cristo,

A: Juntos, não nos falta nenhum dom espiritual.

D: Seguros no Deus que nos fortalece para o amor e o serviço,

A: Juntos, proclamamos que Deus é fiel.

D: Acolhidos por Jesus Cristo,

A: Juntos, somos chamados à comunhão.

D: Unidos no mesmo espírito e no mesmo pensamento,

A: Juntos, buscamos estar em concórdia.

D: Superando nossas discussões sobre aquele que foi crucificado por nós,

A: Juntos, pertencemos a Cristo.

D: Acaso o Cristo está dividido?

A: Não! Juntos, vamos ao mundo proclamar sua Boa Nova!

Hino para envio

Bênção e envio

A bênção pode ser dada por vários dirigentes da celebração na forma abaixo ou em outra forma.

D: O Senhor esteja convosco.

A: E contigo também.

D: Que o amor do Senhor Jesus vos atraia para ele, que o poder do Senhor Jesus vos fortaleça no serviço, que a alegria do Senhor Jesus encha vosso espírito, e que a graça de Deus Todo Poderoso - Pai,  Filho e Espírito Santo – permaneça convosco para sempre.

A: Amém!

D: Ide em paz, para amar e ser amados, para acolher e participar, para servir e ser alimentados.

A: Damos graças a Deus.

Canto final

 

REFLEXÕES BÍBLICAS E ORAÇÕES PARA OS OITO DIAS

 

DIA 1   Juntos... somos chamados a ser santos

 

Êxodo 19, 3-8 Sereis para mim um reino de sacerdotes
Salmo 95, 1-7 Nós somos o povo que Ele apascenta, o rebanho que Ele guarda
1 Pedro 2, 9-10 Outrora não éreis seu povo, mas agora sois o povo de Deus
Mateus 12, 46-50 Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, este é meu irmão, minha irmã, minha mãe.

 

Três pontos para reflexão

Juntos, nós que invocamos o nome do Senhor somos chamados a ser santos “santificados no Cristo Jesus” (1 Cor 1,2). Em Êxodo, essa união do povo de Deus é descrita como a posse de algo precioso, um reino de sacerdotes e uma nação santa.

Em 1 Pedro, nossa participação nessa comunhão de santos é compreendida como o resultado do chamado de Deus para nos unirmos como raça escolhida, sacerdócio real, o próprio povo de Deus. Com esse chamado vem um mandato partilhado para celebrar os atos poderosos de Deus que nos tira da escuridão e nos leva para a sua luz.

Mais adiante, descobrimos em Mateus que, vivendo a comunhão dos santos, nossa unidade em Jesus vai se estender para além de nossa família, grupo ou classe, à medida que juntos oramos pela unidade e buscamos fazer a vontade de Deus 

Questionamentos

  • O que o termo “comunhão dos santos” significa para você ou para a sua tradição eclesial?

  • De que maneiras esse chamado a ser uma “nação santa” nos impele a ir além do nosso ambiente local cristão?

Oração

Misericordioso Deus, juntos com todos que invocam o nome do Senhor, em nossa fragilidade ouvimos teu chamado para sermos santos. E ainda fizeste de nós uma raça escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa. Pelo poder do teu Santo Espírito, reúne a nós todos na comunhão dos santos e fortalece-nos para fazer a tua vontade e proclamar o poder  de Cristo Jesus, nosso Senhor. Amém.

 

DIA 2 Juntos... agradecemos pela graça de Deus que percebemos uns nos outros

 

Deuteronômio 26, 1-11 O Senhor nos fez sair do Egito
Salmo 100 Celebrai a Deus, bendizei o seu nome
Filipenses 1, 3-11 Dou graças a meu Deus cada vez que evoco a vossa lembrança
João 1, 1-18 A graça e a verdade vieram por Jesus Cristo

 

Três pontos para reflexão

A gratidão, no Deuteronômio, é um modo de viver a vida com uma profunda consciência da presença de Deus em nós e à nossa volta. É a capacidade de reconhecer uns nos outros e em todas as pessoas a graça de Deus ativa e viva e por isso agradecer a Deus. A alegria que flui dessa graça é tão grande que atinge até o “migrante que está no teu meio”.

A gratidão, no contexto ecumênico,  significa ser capaz de se alegrar com os dons da graça de Deus presentes em outras comunidades cristãs, uma atitude que abre caminho para a partilha ecumênica de dons e para aprender uns com os outros.      

Tudo na vida é dom de Deus: desde o momento da criação até o momento em que Deus se fez carne na vida e na obra de Jesus e até este momento que estamos vivendo. Agradeçamos a Deus pelos dons de graça e verdade dados em Jesus Cristo e manifestados em nós, nos outros e em nossas Igrejas.

Questionamentos

  • Quais são os dons da graça de Deus vindos de outras tradições eclesiais que já experimentamos em nossas próprias comunidades?

  • De que maneiras podem os cristãos de diferentes tradições receber e partilhar melhor os variados dons que Deus tem dado a cada um de nós?

Oração

Amoroso e generoso Deus, nós te agradecemos pelos dons da tua graça que vivenciamos em nossa própria tradição e nas tradições de outras Igrejas. Pela graça do teu Santo Espírito, possa a nossa gratidão continuar a crescer  à medida que nos aproximamos uns dos outros e experimentamos teu dom da unidade de novas maneiras. Isso te pedimos por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

 
DIA 3 Juntos... não temos falta de nenhum dom espiritual
 
Jó 28,20-28 O temor do Senhor, esta é a sabedoria
Salmo 145, 10-21 Abres a tua mão e sacias todos os viventes que amas
Efésios 4, 7-13 A cada um de nós, entretanto, a graça foi dada segundo a medida do dom de Cristo
Marcos 8, 14-21 Por que discutis por não terdes pão?

 

Três pontos para reflexão

Jó percebe que, mesmo que tudo lhe tenha sido tirado, o temor do Senhor permanece – e isso é sabedoria. Como irmãos e irmãs em Cristo, mesmo estando empobrecidos por nossas divisões, fomos todos agraciados com uma abundância de dons diversos, tanto espirituais como materiais, para construir seu corpo.

Porém, apesar das promessas de Deus e da generosidade da vida e do amor de Jesus, nós, como os discípulos no evangelho de Marcos, às vezes esquecemos nossa verdadeira riqueza: nós nos dividimos, escondemos o que temos, falamos e agimos como se não tivéssemos “pão”.

Cristo não foi dividido: juntos, temos dons suficientes para partilhar uns com os outros e com  ‘todos os viventes”.

Questionamentos

Como temos esquecido a abundância dos dons de Deus, reclamando que “não temos pão”?

De que maneiras podemos partilhar melhor os dons espirituais e materiais confiados a nós para dividir com outros?

Oração

Fiel e pródigo Deus, nós te louvamos porque nos tens dado todos os dons espirituais de que necessitamos para crescer de acordo com o exemplo de Cristo e te agradecemos pela sabedoria, pelos dons de serviço e pelo pão. Ajuda-nos a ser sinais da tua abundância, juntos em unidade, para levar os dons do teu reino eterno a todo lugar onde haja dor e carência. Cheios do Espírito, oramos em nome em nome daquele cujo dom foi o pão da vida partido para nós, agora e para sempre. Amém.

 

DIA 4  Juntos... confessamos que Deus é fiel

Lamentações 3, 19-26 As bondades do Senhor! Elas não terminaram!
Salmo 57, 7-11 Tua fidelidade se eleva até os céus e tua verdade
Hebreus 10, 19-25 É fiel aquele que prometeu
Lucas 1, 67-75 Ele visitou o seu povo
 

 

Três pontos para reflexão

A eterna unidade do Pai, Filho e Espírito nos aproxima do amor de Deus e nos chama a participar da obra de Deus no mundo, que é amor, misericórdia e justiça. Misericórdia e justiça não estão divididas em Deus , mas se unem no firme amor manifestado na aliança de Deus conosco e com toda a criação;

Zacarias, na sua nova condição de pai, dá testemunho  da misericórdia de Deus que se manifesta na manutenção de suas promessas a Abraão e seus descendentes. Deus é fiel à sua santa aliança.

Enquanto continuamos a orar pela unidade da Igreja, não podemos deixar de nos encontrar e de nos encorajar mutuamente, estimulando uns aos outros na direção do amor e das boas ações, dizendo: “Deus é fiel.”

Questionamentos

  • Como você tem percebido a fidelidade de Deus em sua vida e na vida da sua comunidade no ano que passou?

  • Como a fidelidade de Deus nos inspira na busca da unidade cristã?

Oração

Deus fiel, nós te agradecemos por teu permanente amor e por tua dedicação que se estende até as nuvens. Enquanto aguardamos em alegre esperança, trabalhando e orando juntos pela visível unidade da Igreja, enche-nos de confiança em tuas promessas. Fazemos esta prece por Jesus Cristo, nosso Senhor, no poder do Espírito Santo, Deus uno, agora e para sempre. Amém.

 

DIA 5  Juntos... somos chamados à comunhão

Isaías 43, 1-7 Estarei contigo
Salmo 133 Oh! Que prazer, que felicidade encontrar-se entre irmãos!
1 João 1, 3-7 Estamos em comunhão uns com os outros
João 15, 12-17 Chamo-vos amigos

 

Três pontos para reflexão

Somos chamados à comunhão com Deus Pai e com seu Filho Jesus Cristo e o Espírito Santo. Ao nos aproximarmos do Deus Triuno, nos aproximamos uns dos outros em unidade cristã.

Cristo iniciou uma mudança em nosso relacionamento, chamando-nos de amigos em vez de servos. Em resposta a esse relacionamento de amor, somos chamados a substituir relacionamentos de poder e dominação por amizade e a nos amar uns aos outros.

Chamados por Jesus, testemunhamos o evangelho tanto aos que nunca dele ouviram falar como aos que o conhecem. Essa proclamação contém um chamado à comunhão com Deus e estabelece comunhão entre aqueles que a ele respondem.

Questionamentos

  • Como você experimenta o chamado à comunhão com Deus?

  • Como Deus está chamando você à comunhão com outros dentro da sua Igreja e para além dela?

Oração

Pai de amor, tu nos chamaste à comunhão de teu Filho e nos escolheste para dar fruto em nosso testemunho do evangelho. Pela graça do teu Espírito, capacita-nos para nos amarmos uns aos outros e vivermos juntos em unidade para que a nossa alegria seja completa. Amém.

 

DIA 6 Juntos ... buscamos a concórdia

 

Juízes 4, 1-9  Se vieres comigo, eu irei
Salmo 34, 1-14  Procura a paz e vai atrás dela!
1 Coríntios 1, 10-15  Sede bem unidos num mesmo espírito e num mesmo pensamento
Lucas 22, 24-30  Eles chegaram a discutir sobre quem dentre eles lhes parecia o maior

 

Três pontos para reflexão

A desunião descrita em 1 Coríntios 1, 12-13 reflete uma distorção do evangelho, minando a integridade da mensagem de Cristo. Reconhecer o conflito e a divisão, como fizeram os parentes de Cloé, é o primeiro passo para estabelecer a unidade.

Mulheres como Débora e Cloé erguem uma voz profética no meio do povo de Deus em tempos de conflito e divisão, nos confrontando com a necessidade da reconciliação. Tais vozes proféticas podem possibilitar que as pessoas se unam para agir em renovada unidade.

Quando nos esforçamos para ficar unidos no mesmo espírito e no mesmo pensamento, somos chamados a buscar o Senhor e a sua paz, como escreveu o salmista.

Questionamentos

  • Você lembra de alguma ocasião em que a menção profética de uma dolorosa  discordância na Igreja foi o começo de um renovado esforço para obter uma unidade maior?

  • Que temas ainda causam divisão entre nós como um corpo ecumênico? Que caminhos você vislumbra para uma unidade maior?

Oração

Amoroso Deus, tu nos enviastes testemunhas proféticas em tempos de conflito e divisão. Quando te buscamos, Senhor, envia teu Espírito Santo para nos fazer artífices de reconciliação, unidos no mesmo espírito e no mesmo pensamento. Por Jesus Cristo, nosso Senhor, oramos. Amém.

 

DIA 7 Juntos… pertencemos a Cristo

 

Isaías 19,19-25 Ele lhes mandará um salvador
Salmo 139, 1-12 Aonde irei, para estar longe do teu sopro?
1 Coríntios 12,12-26 Se um membro sofre... Se um membro é glorificado...
Marcos 9, 38-41 Aquele que não está contra nós é a favor de nós

 

Três pontos para reflexão

Isaías  vislumbrava um dia em que egípcios e assírios iriam adorar junto com Israel, como povo de Deus. A unidade cristã pertence ao desígnio de Deus para a unidade da humanidade inteira e na verdade para o próprio universo. Oramos pelo dia em que celebraremos juntos em uma só fé e uma comunhão eucarística.

Somos agraciados pelos dons de várias tradições eclesiais. O reconhecimento desses dons uns nos outros nos impulsiona na direção da unidade visível.

Nosso batismo nos une como um corpo em Cristo. Enquanto valorizamos nossas Igrejas particulares, Paulo nos relembra que todos que invocam o nome do Senhor estão conosco em Cristo pois todos pertencemos ao único corpo. Não há ninguém a quem possamos dizer: “ Eu não preciso de ti” (1 Cor 12,21).

Questionamentos

  • Quais são os sinais de “pertencer a Cristo”?

  • De que maneiras a frase “ Eu sou de Cristo”  pode ser usada para dividir os cristãos em vez de uni-los?

Oração

Nós te damos graças, ó Deus, porque abençoas a todos e a cada um dos membros do corpo de Cristo com os dons do teu Espírito. Ajuda-nos a ser solidários uns com os outros, a respeitar nossas diferenças e a trabalhar pela unidade de todos que no mundo inteiro invocam Jesus como Senhor. Amém.

 
DIA 8  Juntos... proclamamos o evangelho

 

Isaías 61, 1-4 O Espírito do Senhor me enviou a levar alegre mensagem
Salmo 145, 1-7 De uma geração a outra enaltecerão tuas obras
1 Corintios 15, 1-8 Eu vos transmiti, em primeiro lugar, o que eu mesmo recebera
Lucas 4, 14-21  Hoje, esta escritura se realizou para vós que a ouvis

 

Três pontos para reflexão

Juntos proclamamos de novo as boas novas profetizadas em Isaías, cumpridas em nosso Senhor Jesus, pregadas pelo apóstolo Paulo e recebidas pela Igreja. Considerando honestamente as diferenças que temos e os rótulos das denominações a que nos filiamos, nunca devemos perder de vista o mandato comum que temos de proclamar o evangelho de Jesus Cristo.

Paulo é enviado “para anunciar o Evangelho e sem recorrer à sabedoria do discurso, para não reduzir a nada a cruz de Cristo” (1 Cor 1,17). O caminho para a unidade será encontrado no poder da cruz.

O Evangelho que proclamamos se torna tangível e relevante para nós quando damos testemunho da obra de Jesus Cristo em nossas próprias vidas e na vida da comunidade cristã.

Questionamentos

  • Como o “evangelho” que você recebeu está ligado com sua transmissão histórica e cultural?

  • Isso tem sido um obstáculo para a unidade?

  • Como nossa mais completa unidade em Cristo faria de nós melhores testemunhas do evangelho que recebemos?

Oração

Generoso Deus, enviaste a nós teu filho Jesus Cristo no poder do Espírito para redimir nosso povo. Unifica-nos em nossa diversidade para que possamos confessar e proclamar juntos as boas novas da vida, morte e ressurreição de Cristo para um mundo necessitado desse evangelho. Amém.

 

RECURSOS ADICIONAIS

Recursos adicionais para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2014 estão disponíveis no website “Ecumenism in Canada” no seguinte endereço:

http://ecumenism.net/music/

Os arquivos que lá estão foram coletados em resposta a um chamado aberto aos compositores canadenses para apresentar música sobre o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2014 (Acaso o Cristo está dividido? 1 Cor 1, 1-17) ou sobre o tema geral de oração pela unidade dos cristãos.

Por favor  acessem algumas ou todas essas peças e usem-nas em sua oração pela unidade dos cristãos.

 

O CONTEXTO ECUMÊNICO DO CANADÁ [2]

Entre os muitos fatores que influenciam a experiência religiosa do Canadá está o próprio tamanho de nosso país. O Canadá é o segundo maior país do mundo, com 40% no Ártico , com 60º de latitude norte. Estendendo-se do Atlântico ao Pacífico e dos Estados Unidos ao Pólo Norte, o Canadá tem dez províncias  e três territórios. Estamos cercados por três oceanos: o Atlântico, o Pacífico e o Ártico. Nossa única fronteira terrestre é com os Estados Unidos e tem experimentado quase 200 anos de paz. O Canadá é uma confederação de antigas colônias britânicas, com uma forma de governo parlamentar e um sistema federal de dez províncias e três territórios. A união dos primeiros territórios coloniais e a independência em relação ao poder britânico aconteceram pacificamente, e o Canadá permanece como um forte estimulador da cooperação e do envolvimento internacional. As vastas distâncias entre as nossas cidades promoveram tanto a auto-determinação como a formação de identidades distintas nas regiões, mas também podem alimentar sentimentos de alienação ou ressentimento.   

O Canadá é conhecido por seu esplendor natural: suas montanhas, florestas e rios, campos de trigo e três litorais oceânicos. Esta é uma terra rica em agricultura e recursos naturais. O Canadá também é uma terra de povos diversos: Primeiras Nações, Inuit e Metis[3] e muitos povos que vieram se estabelecer aqui vindos do mundo inteiro. Temos duas línguas oficiais, francês e inglês, mas muitos canadenses também celebram a herança cultural e lingüística de suas terras ancestrais.

Jaques Carrier, o primeiro explorador francês a navegar pelas águas do rio St. Laurence, foi o primeiro europeu que ouviu os povos indígenas usarem a palavra Canadá, que significa “aldeia”. Os primeiros colonos vindos da França eram majoritariamente católicos romanos mas havia também um bom número de protestantes, principalmente mercadores higuenotes. As tensões religiosas da França não eram sentidas na Nova França, com grupos, como jesuítas, prontamente colaborando com protestantes. Mas, lamentavelmente, o período inicial de colaboração cedeu lugar à discriminação e ao fim somente os católicos foram oficialmente admitidos como colonos na Nova França. O nome original de Montreal – “Ville Marie” – proclama esses fundamentos católicos. 

Em meados do século XVIII, a Nova França foi cedida à Grã Bretanha e as majoritárias famílias católicas franco-canadenses se tornaram súditos do rei anglicano da Inglaterra. Num tempo em que a Grã Bretanha ainda tinha leis que discriminavam os católicos, a liberdade religiosa era garantida pela Coroa no Canadá, junto com a liberdade de língua, de educação e de cultura. Não obstante, houve períodos alternativos de tolerância e endurecimento sob esse regime. Até a década de 1950, os bispos católicos supervisionavam a maioria das instituições sociais nas comunidades francesas. Enquanto isso, o país cresceu e integrou ondas de imigrantes nos anos que se sucederam. Colonos ingleses, escoceses e irlandeses começaram a chegar no fim do século XVIII. Ondas subseqüentes de imigração da Europa Ocidental e Oriental ao longo do século XIX se juntaram mais recentemente a um grande número de latino-americanos, africanos e povos do Oriente Médio e da Ásia. No século XX, pessoas de todas as partes do mundo vieram para o Canadá como imigrantes e refugiados, incluindo um número significativo de Ortodoxos orientais do leste da Europa e do Meio Oriente cujas tradições cristãs enriqueceram o panorama canadense. Hoje, os cristãos canadenses celebram em centenas de línguas e dialetos e preservam elementos distintos de suas culturas dentro de um rico mosaico cultural e religioso. Membros de outras religiões também se estabeleceram no Canadá, incluindo judeus, muçulmanos, sikhs, hindus e seguidores da fé Baha’i.  As cidades canadenses são avaliadas entre as mais multiculturais e multirreligiosas do mundo.

Políticas mais recentes de promoção da assimilação têm sido substituídas por um multiculturalismo oficial desde a década de 1970. O país tem sido enriquecido com as contribuições de cidadãos de diversas origens étnicas e nos alegramos por sua presença visível no campo político, educacional, da saúde, das artes, da comunicação, dos negócios e das religiões.

Por mais de cento e cinquenta anos, algumas das denominações cristãs do Canadá trabalharam com o governo federal no funcionamento das Escolas Residenciais Indígenas, que pegavam crianças aborígenes, freqüentemente contra a vontade de seus pais, para serem ensinadas e assimiladas dentro da cultura européia. Essas escolas, que buscavam erradicar a língua e a cultura indígenas, eram muitas vezes espaços de abuso físico, emocional e sexual. As maiores Igrejas no Canadá – Católica Romana, Unida, Anglicana e Presbiteriana – foram coniventes e recentemente têm pedido perdão de várias maneiras. Essas Igrejas agora trabalham bem unidas aos povos aborígenes na busca de justiça, cura, verdade e reconciliação, mais recentemente através de uma nacional Comissão de Verdade e Reconciliação[4], que faz parte de uma resposta ampla, holística e completa ao legado da Escola Residencial Indígena.

A partir das primeiras experiências de fronteira, as Igrejas canadenses  desenvolveram um instinto de cooperação no ministério pastoral. Desde a década de 1880, missões presbiterianas, metodistas e congregacionalistas no oeste do Canadá cooperaram na distribuição da responsabilidade pela missão. Isso levou a Igrejas de união, que fizeram parte do impulso para a fundação da Igreja Unida do Canadá em 1925, a primeira união ecumênica eclesial moderna do mundo. Os que propuseram essa união viram-na como um modo de promover uma liderança cristã unificada no projeto de construção nacional. Hoje, a cooperação no ministério assume muitas outras formas. O ministério de cuidado espiritual é partilhado através de capelanias ecumênicas em prisões, hospitais, universidades e ambientes militares. A maior parte da educação teológica formal no país acontece em escolas ou consórcios ecumênicos. Outras formas de cooperação se desenvolveram no ministério congregacional, como os Ministérios Ecumênicos Compartilhados, onde duas ou mais denominações partilham prédios, clero ou programas e se envolvem em celebrações semanais comuns.

Vinte e quatro denominações estão juntas no Conselho Canadense de Igrejas (CCC), um dos mais amplos e inclusivos Conselhos de Igrejas do mundo, abrangendo muitas tradições: anglicana, católica, reformada, evangélica, Igreja livre e ortodoxos orientais e do leste. O CCC, que utiliza um modelo de consenso na tomada de decisões, foi fundado em 1944 e o conjunto de seus membros denominacionais representa 85% dos cristãos do Canadá. É um sinal de substancial importância que a Conferência Canadense dos Bispos Católicos , juntamente com seis denominações evangélicas, seja membro pleno do CCC.

A Comunhão Evangélica do Canadá (EFC) une denominações, ministérios para-eclesiais e congregações locais no campo evangélico e pentecostal. Numerosas Igrejas são membros ou observadoras tanto no CCC como no EFC. Esses dois organismos têm trabalhado juntos em maior proximidade nos últimos anos.

Muitas Igrejas canadenses estão engajadas em relações bilaterais e multilaterais, tanto a nível local como nacional. A mais significativa união orgânica foi a aproximação de numerosas Igrejas presbiterianas, metodistas e congregacionais em 1925 para juntas formarem a Igreja Unida do Canadá, mas muitas outras formas de companheirismo e comunhão se desenvolveram, incluindo a Declaração de Waterloo, entre anglicanos e luteranos, sobre a comunhão plena em 2001. Os diálogos teológicos no Canadá contribuíram  para estudos e reflexões locais e possibilitaram partilha de seus pontos de vista nos diálogos internacionais.

Um dos mais inovadores aspectos do ecumenismo canadense é a formação de mais de cinquenta coalisões intereclesiais para a justiçã social a partir da década de 1960. O Projeto de Partilha de instrumentos para arar o solo, o Conselho Intereclesial de Mulheres do Canadá, as Iniciativas de Justiça Ecumênica Canadense KAIROS, o Fórum de Igrejas Canadenses sobre Ministérios Globais, e outras associações ajudaram as Igrejas e o governo na pesquisa e no envolvimento em temas sociais complexos.

O Centro Canadense para Ecumenismo foi fundado por Fr. Irénée Beaubien em Montreal em 1963 num vibrante ambiente francês e inglês. Ele oferece recursos nacionais como a revista Ecumenismo, que é publicada em edições francesas e inglesas e enviada a assinantes em quarenta países.  A permanente sensibilidade do Centro em relação aos movimentos sociais é demonstrada no novo programa Igreja Verde, que ajuda Igrejas de todas as denominações a se tornarem melhores zeladoras da criação.

O chamado do Concílio Vaticano II no começo da década de 1960 impactou positivamente o crescimento do ecumenismo no Canadá. A percepção e a experiência ecumênicas no Canadá ficam evidentes em 1962 na carta pastoral do Cardeal Paul-Émile Léger, arcebispo de Montreal, intitulada Chrétiens desunis ( Cristãos desunidos). Léger não pediu a conversão dos protestantes ao catolicismo, mas convidou os católicos a orar pela unidade, particularmente pela renovação e conversão da própria Igreja Católica. Em palavras que antecipavam o Concílio Vaticano II, o cardeal reconheceu que “o interesse pela unidade está se tornando o foco principal da cristandade contemporânea” e que esse importante movimento tinha “nascido sob a inspiração do Espírito Santo”. Nessa reflexão sobre o mistério da união e desunião dos cristãos, ele destacou que todas as pessoas validamente batizadas “estão inseridas em Cristo e se tornam nele um único corpo”. Ele também afirmou que, à luz do expresso desejo de Cristo, a desunião é “um escândalo” e “um mal”. Assim, o cardeal pressionou seu rebanho a orar pela unidade e a entrar em diálogo com seus companheiros cristãos, reconhecendo que as responsabilidades pela desunião são partilhadas pelos dois lados.

Tendo tomado conhecimento dos discretos encontros mensais entre pastores protestantes e padres católicos organizados em Montreal por Fr, Beaubien, iniciados em 1958, o Conselho Mundial de Igrejas escolheu aquela cidade como sede para a quarta Conferência Mundial sobre Fé e Ordem em 1963. Esse encontro de cerca de 450 teólogos de muitas diferentes denominações e variados países, calorosamente acolhido por uma população majoritariamente católica, foi um grande evento ecumênico. Uma noite de comunhão cristã conduzida durante a Conferência na Universidade de Montreal reuniu 1500 cristãos. Na Expo 67, a Feira Mundial  realizada em Montreal, as principais Igrejas do Canadá e o Vaticano deixaram de lado a prática de expor em quiosques separados para ficarem juntos num Pavilhão Cristão comum. Na história da Feira Mundial, essa foi a primeira vez em que se montou um pavilhão ecumênico. 

Outros grupos ecumênicos emergiram depois do Concílio Vaticano II e nas décadas que a ele se seguiram: o Conselho Ecumênico Atlântico (1966), a Rede Ecumênica de Quebec (1982) e o Centro Prairie para Ecumenismo (1984) são de particular importância. O Centro Prairie para Ecumenismo, fundado em Saskatoon por Fr. Bernard de Margerie, é apoiado por sete denominações e tem focalizado especialmente a educação e a formação ecumênicas, bem como a função de ser um recurso nacional para os Ministérios Ecumênicos Partilhados. Ao longo do país, o ecumenismo local é promovido por grupos ministeriais em comunidades rurais e vizinhanças urbanas, bem como por numerosos Conselhos de Igrejas. Várias iniciativas ecumênicas florescem por todo o país: celebrações partilhadas da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, formação comum em faculdades teológicas, atividades em favor da paz e da justiça social, publicações etc. Como parte integral da vida da Igreja no Canadá, famílias de pertença intereclesial vivem os desafios e as bênçãos do trabalho pela unidade dos cristãos e freqüentemente fornecem liderança para ministérios ecumênicos.

Um bom sinal na recente vida ecumênica tem sido o crescente envolvimento de Igrejas e pastores evangélicos em encontros ecumênicos locais, em celebrações e diálogos ecumênicos e em ministérios comunitários. Depois de um período de renovação evangélica interna, vemos agora oportunidades para novas parcerias de diálogo entre os ramos históricos principais de Igrejas protestantes, evangélicas e pentecostais, ortodoxos orientais e do leste e católicos romanos. Os evangélicos no Canadá estão indo ao encontro de outras Igrejas locais buscando diálogo, oportunidades para celebração em conjunto e cooperação no testemunho em nossas cidades. As Igrejas estão enfrentando uma realidade comum em que elas não têm mais a influência social de que antes desfrutavam e, em muitas Igrejas históricas, a quantidade de membros está em dramático declínio. 

Diferenças dentro da comunidade cristã sobre a prioridade ou a necessidade de evangelizar pessoas com outros tipos de fé continuaram a ser fatores que inibem a cooperação. No entanto, a cooperação cristã no diálogo inter-religioso tem aumentado nos últimos anos e freqüentemente é desenvolvida de modo colaborativo entre as Igrejas.

Acaso o Cristo está dividido no Canadá? Podemos certamente dizer que há divisões entre os cristãos no Canadá. A comunidade cristã está dividida a respeito do papel das mulheres tanto na Igreja como na sociedade, bem como a respeito de temas éticos como aborto, eutanásia e casamento entre pessoas do mesmo sexo. Muitas dessas divisões cortam as linhas denominacionais. No entanto, diante de novos temas sociais, algumas comunidades religiosas começaram a se envolver com seus vizinhos de um modo novo e positivo. De fato, a história canadense conheceu períodos de tensão e rivalidade, de vida vivida em ignorância e indiferença de uns para com os outros. Passando por tudo isso, aprendemos a tomar em consideração os valores de outros para podermos viver pacificamente juntos. Continuamos divididos por doutrina, política e prática, e mantemos nossas próprias solicitudes religiosas, mas nossa peregrinação na direção da unidade continua sob a orientação de Deus. 

As aspirações expressas nesta oração das celebrações de centenário do Canadá em 1997 também refletem o caráter do Canadá moderno:

“Queremos orar e dar nossa vida por um mundo onde as pessoas de todas as nações estarão unidas em pensamento, palavra e ação; ajuda-nos a ser transparentemente honestos, puros e capazes de amar em nossas relações com outros em nosso mundo e em todos os mundos. Oremos pela harmonia e pela  felicidade de toda alma nesta nação e em todas as nações; ajuda-nos a trabalhar e viver de modo a fazer com que a fome a pobreza, a ignorância e a doença desapareçam e o teu reino esteja verdadeiramente presente. Amém.”

 

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

 

Temas 1968-2014

Em 1968, materiais preparados em conjunto pela Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e pelo pontifício Conselho para a Unidade
dos Cristãos foram usados pela primeira vez.

 

1968 Para o louvor de sua glória (Efésios 1,14)

1969 Chamados à liberdade (Gálatas 5,13)
(Encontro preparatório em Roma, Itália)

1970 Somos colaboradores de Deus ( 1 Coríntios 3,9)
(Encontro preparatório no monastério de Niederaltaich, na República Federal Alemã)

1971  ... e a comunhão do Espírito Santo (2 Coríntios 13.13)

1972  Eu vos dou um novo mandamento (João 13,34)
(Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1973 Senhor, ensina-nos a orar (Lucas 11,1)
(Encontro preparatório no mosteiro de Montserrat, Espanha)

1974 Que toda língua confesse: Jesus Cristo é o Senhor (Filipenses 2, 1-13)
(Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1975 Plano de Deus: todas as coisas em Cristo (Efésios 1,3-10)
(Material de um grupo australiano. Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1976 Seremos como Ele (João 3,2) ou Chamados a ser o que somos
(Material da Conferência Caribenha de Igrejas; encontro preparatório em Roma, Itália)

1977 A esperança não nos decepciona (Romanos 5,15)
(Material do Líbano, no meio de uma guerra civil; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1978 Não sois mais estrangeiros (Efésios 2,13-22)
(Material de uma equipe ecumênica em Manchester, Inglaterra)

1979 Servi uns aos outros para a glória de Deus (1 Pedro 4,7-11)
(Material da Argentina; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1980 Que venha o teu Reino! (Mateus 6,10)
(Material de um grupo ecumênico em Berlim, República Democrática Alemã; encontro preparatório em Milão)

1981 Um Espírito – muitos dons – um só corpo (1 Coríntios 12,3b-13)
(Material dos Graymoor Fathers, USA; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1982 Que todos estejam na tua casa, Senhor (Salmo 84)
(Material do Quênia; encontro preparatório em Milão, Itália)

1983 Jesus Cristo - a Vida do mundo (1 João 1,1-4)
(Material de um grupo ecumênico na Irlanda; encontro preparatório em Céligny, Suíça)

1984 Chamados a ser um pela cruz de nosso Senhor (1 Coríntios 2,2 e Colossenses 1,20)
(Encontro preparatório em Veneza, Itália)

1985 Da morte à vida com Cristo (Efésios 2,4-7)
(Material da Jamaica; encontro preparatório em Grandchamp, Suíça)

1986 Vós sereis minhas testemunhas (Atos 1,6-8)
(Material da Iugoslávia - Eslovênia ; encontro preparatório na Iugoslávia)

1987 Unidos em Cristo – uma nova criação (2 Coríntios 5,17 a 6,4a)
(Material da Inglaterra; encontro preparatório em Taizé, França)

1988 O amor de Deus afasta o medo (1 João 4,18)
(Material da Itália; encontro preparatório em Pinerolo, Itália)

1989 Construindo a comunidade: um só corpo em Cristo (Romanos 12,5-6a)
(Material do Canadá; encontro preparatório em Whaley Bridge, Inglaterra)

1990 Que todos sejam um... para que o mundo creia (João 17)
(Material da Espanha; encontro preparatório em Madri, Espanha)

1991 Louvai ao Senhor, todas as nações (Salmo 117 e Romanos 15,5-13
(Material da Alemanha; encontro preparatório em Rotenberg an der Fulda, República Federal da Alemanha)

1992 Estou convosco sempre... Ide, portanto. (Mateus 28,16-20)
(Material da Bélgica; encontro preparatório em Bruges, Bélgica)

1993 Dando frutos no Espírito para a unidade cristã (Gálatas 5,22-23)
(Material do Zaire; encontro preparatório em Zurich, Suíça)

1994 A casa de Deus: chamados a ser um no coração e na mente (At 4,23-37)
(Material da Irlanda; encontro preparatório em Dublin, República da Irlanda)

1995 Koinonia: comunhão em Deus e uns com os outros (João 15,1-17)
(Material de Fé e Ordem; encontro preparatório em Bristol, Inglaterra)

1996 Eis que estou à porta e bato (Apocalipse 3, 14-22)
(Material de Portugal; encontro preparatório em Lisboa, Portugal)

1997 Em nome de Cristo, reconciliai-vos com Deus (2 Coríntios 5,20)
(Material do Conselho Ecumênico Nórdico; encontro preparatório em Estocolmo, Suécia)

1998 O Espírito socorre a nossa fraqueza  (Romanos 8,14-27)
(Material da França; encontro preparatório em Paris, França)

1999 Deus habitará com eles. Será seu Deus e eles serão seu povo (Apocalipse 21,1-7)
(Material da Malásia; encontro preparatório no mosteiro de Bose, Itália)

2000 Louvado seja Deus, que nos abençoou em Cristo (Efésios 1,3-14)
(Material do Conselho de Igrejas do Oriente Médio; encontro preparatório em La Verna, Itália)

2001 Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14,1-6)
(Material da România; encontro preparatório em Vulcan, România)

2002 Em ti está a fonte da vida (Salmo 36,5-9)
(Material do CEEC e CEC; encontro preparatório perto de Augsburg, Alemanha)

2003 Trazemos este tesouro em vasos de argila (2 Coríntios 4,4-18)
(Material das Igrejas da Argentina; encontro preparatório em Los Rubios, Espanha)

2004 Eu vos dou a minha paz (João 14,23-31 e João 14,27)
(Material de Aleppo, Síria; encontro preparatório em Palermo, Sicília)

2005 Cristo, o único fundamento da Igreja (1 Coríntios 3,1-23)
(Material da Eslováquia; encontro preparatório em Piestany, Eslováquia)

2006 Quando dois ou três se reúnem em meu nome, eu estou no meio deles (Mateus 18,18-20) (Material da Irlanda; encontro preparatório em Prosperous, Co. Kildare, Irlanda)

2007 Ele faz os mudos falarem e os surdos ouvirem (Marcos 7,31-37)
(Material da África do Sul; encontro preparatório em Faverges, França)

2008 Orai sem cessar (1 Tessalonicenses 5, 12a. 13b- 18)
(Material dos USA; encontro preparatório em Graymoor, Garrison, USA)

2009 Unidos em tua mão (Ezequiel 37, 15-28)
(Material da Coréia; encontro preparatório em Marselha, França)

2010 Vós sois testemunhas disso (Lucas 24,48)
(Material da Escócia; encontro preparatório em Glasgow, Escócia)

2011 Unidos no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. (Cf Atos 2,42)
(Material da Jerusalém; encontro preparatório em Saydnaya, Síria)

2012 Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo (cf 1 Coríntios 15, 51-58)
(Material da Polônia; encontro preparatório realizado em Varsóvia, Polônia)

2013 O que Deus exige de nós? (cf Miquéias 6,6-8)
(Material da Índia; encontro preparatório realizado em Bangalore, Índia)

2014   A caso o Cristo está dividido ? (1 Cor 1, 1-17)
(Material da Canadá; encontro preparatório realizado em Montréal, Canadá)

 

DATAS FUNDAMENTAIS
NA HISTÓRIA DA SEMANA DE ORAÇÃO
 PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

 

1740   Na Escócia, surgiu um movimento pentecostal, ligado à América do Norte, cuja mensagem de reavivamento incluía preces por e com todas as Igrejas.

1820   O Rev. James Haldane Stewart publica “Orientações para a união geral dos cristãos para o derramamento do Espírito”.

1840   O Rev. Ignatus Spencer, convertido ao catolicismo romano, sugere uma “União de oração pela unidade”.

1867   A Primeira Conferência de Bispos Anglicanos em Lambeth destaca a oração pela unidade no Preâmbulo de suas Resoluções.

1894   O papa Leão XIII estimula a prática de Oitava de Oração pela Unidade, no contexto de Pentecostes.

1908   Primeira vivência da Oitava da Unidade Cristã, iniciativa do Rev. Paul Wattson.

1926   O movimento Fé e Ordem começa a publicar “Sugestões para uma oitava de oração pela unidade cristã.”

1935   O abade Paul Couturier defende uma “Semana Universal de Orações pela Unidade dos Cristãos”, baseada em preces inclusivas pela “unidade que Cristo quiser, pelos meios que ele quiser”.

1958   A Unidade Cristã (Lyons, França) e a Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas começam a preparar em cooperação os materiais para a Semana de Oração.

1964   Em Jerusalém, o papa Paulo VI e o patriarca Athenagoras I rezam juntos a prece de Jesus para “que todos sejam um” (João 17)

1964   O decreto sobre Ecumenismo do Vaticano II enfatiza que a oração é a alma do movimento ecumênico e incentiva a observância da Semana de Oração.

1966   A Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e o Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (hoje conhecido como Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos) começam a preparar oficialmente juntos o material da Semana de Oração.

1968   Primeiro uso oficial do material da Semana de Oração preparado em conjunto por Fé e Ordem e pelo Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (hoje conhecido como Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos).

1975   Primeiro uso de material da Semana de Oração baseado em uma versão inicial de texto preparada por um grupo ecumênico local. Um grupo australiano foi o primeiro a assumir esse projeto, na preparação do texto inicial de 1975.

1988   Os materiais da Semana de Oração foram usados na celebração de fundação da Federação Cristã da Malásia, que une os grupos cristãos majoritários do país.

1994   Um grupo internacional prepara o texto para 1996, incluindo representantes de YMCA e YWCA (Associação Cristã de Moços/as).

2004   Formaliza-se um acordo pelo qual os materiais da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos serão publicados e produzidos no mesmo formato por Fé e Ordem (WCC) e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Igreja Católica).

2008   Comemoração do centésimo aniversário da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (sua predecessora, a Oitava da Unidade Cristã, foi observada pela primeira vez em 1908).

 


[1] Primeiras Nações é um termo usado no Canadá para reconhecer a presença de povos indígenas antes da chegada dos europeus. Os povos indígenas do Ártico chamam a si mesmo de Inuit. Métis é um termo usado para se referir a povos que têm ancestrais franceses e indígenas.

[2]  Este texto é reproduzido sob a exclusiva autoridade e responsabilidade do grupo ecumênico no Canadá, que se uniu para escrever os textos básicos para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2014

[3] Primeiras Nações é um termo usado no Canadá para reconhecer a presença de povos indígenas antes da chegada dos europeus. Os povos indígenas do Ártico referem-se a si mesmos como Inuit. Metis é um termo usado para se referir a povos de origem tanto francesa como indígena.

[4] Consulte http://trc.ca para maiores informações sobre as Escolas Residenciais Indígenas e o acordo sobre assentamento.

 

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