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PONTIFÍCIO CONSELHO
PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

Subsídios para a

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
e para todo o ano 2018

A tua destra, Senhor,
esplendorosa de poder
(Ex 15,6)

Preparado e publicado em conjunto pelo
Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos
e Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas

AVISO IMPORTANTE

Tradução para o português:
Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
Brasília, 2017

Este é o texto internacional para a Semana de Oração
para a Unidade dos Cristãos de 2018.

Se desejar obter o texto adaptado nacional,
deve pedi-lo à sua Conferência Episcopal
ou ao Sínodo da sua Igreja.

Citações bíblicas estarão baseadas no texto da Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB)

PARA AQUELES QUE ESTÃO ORGANIZANDO
A SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

 

A busca da unidade ao longo de todo o ano

O período tradicional, no hemisfério norte, para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos vai de 18 a 25 de janeiro. Essas datas foram propostas em 1908 por Paul Watson porque cobriam os dias entre as festas de São Pedro e São Paulo, tendo portanto um valor simbólico. No hemisfério sul, já que janeiro é tempo de férias, as Igrejas freqüentemente escolhem outros dias para celebrar a Semana de Oração, como, por exemplo, à volta de Pentecostes (de acordo com o que foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem em 1926), que é também uma data simbólica para a unidade da Igreja. Cientes da necessidade de flexibilidade, propomos que se use este material ao longo de todo o ano para expressar o grau de comunhão que as Igrejas já teem atingido e para orar juntos pela plena unidade que é o desejo de Cristo.

Adaptando o texto

Este material é oferecido com a compreensão de que, sempre que possível, será adaptado para uso em situações específicas locais; deve-se ter em conta a prática litúrgica e devocional, bem como o contexto social e cultural. O ideal é que essa adaptação seja feita de forma ecumênica. Em alguns lugares já existem estruturas ecumênicas para a adaptação deste material; em outros, esperamos que a necessidade de adaptação venha a ser um estímulo para a criação de tais estruturas.

Usando o material da Semana de Oração

  • Para as Igrejas e comunidades cristãs que vivem juntas a Semana de Oração foi providenciado um texto para a celebração ecumênica.
  • Igrejas e comunidades cristãs podem também incorporar material da Semana de Oração em suas próprias celebrações. Orações do culto ecumênico, os “oito dias” e a seleção de materiais adicionais podem ser usadas como se julgar apropriado em cada situação.
  • As comunidades que têm celebrações da Semana de Oração em todos os dias durante a semana podem usar para isso o material proposto para os “oito dias”.
  • Os que desejam fazer estudo bíblico sobre o tema da Semana podem usar como base os textos e reflexões dados para os oito dias. A cada dia, a reflexão pode levar a um tempo final de oração de intercessão.
  • Os que desejarem orar de modo privado podem encontrar material útil para orientar as intenções das suas preces. Podem assim ter consciência de estar em comunhão com outros que oram no mundo inteiro pela maior visibilidade da unidade da Igreja de Cristo.

 

 

TEXTO BÍBLICO PARA O ANO DE 2018

Êxodo 15, 1-21

Então Moisés cantou com os filhos de Israel este cântico ao Senhor. Disseram:

“Quero cantar ao Senhor, ele se sobreexaltou! Cavalo e cavaleiro precipitou no mar. Minha força e meu canto é o Senhor. Para mim ele foi salvação. É ele o meu Deus, eu o louvarei, o Deus de meu pai, eu o exaltarei. O Senhor é um guerreiro. Seu nome é o Senhor.

Carros e forças do faraó no mar os precipitou. A flor de seus escudeiros no mar dos juncos pereceu. Os abismos os recobrem. Desceram, qual pedra, ao fundo. A tua destra, Senhor, esplendorosa de poder, a tua destra, Senhor, esmaga o inimigo. Com soberana grandeza abates os teus adversários. A chama do teu furor os devora como restolho. Ao sopro de tuas narinas, as águas se amontoaram, as ondas se ergueram como um dique, os abismos coalharam no meio do mar. O inimigo dizia: Eu persigo e aprisiono, reparto os despojos e com eles sacio meu apetite. Desembainho a espada. Minha mão os despoja. Fizeste soprar teu vento, o mar os recobriu. Afundaram como chumbo nas águas gloriosas.

Quem é como tu entre os deuses, Senhor? Quem é como tu, esplendoroso em santidade, temível nos seus feitos, realizador de maravilhas? Estendeste a tua destra, a terra os tragou.

Com tua fidelidade conduziste o povo que reivindicaste. Com tua força o guiaste para a tua santa morada. Os povos ouviram e se apavoraram. O temor se apoderou dos habitantes da Filistéia. Então ficaram apavorados os chefes de Edom. Tremor tomou conta dos príncipes de Moab. Todos os habitantes de Canaã estão abalados. Terror e pavor caem sobre eles. Sob o poder de teu braço eles se calam, petrificados, enquanto passa o teu povo, Senhor, enquanto passa o povo que adquiriste. Tu o fazes entrar e o plantas sobre a montanha que é teu patrimônio. Preparaste, Senhor, um lugar para que nele habites. Tuas mãos fundaram um santuário, ó Senhor. O Senhor reina para todo o sempre”!

A cavalaria de Faraó tinha penetrado no mar, com seus carros e cavaleiros, e o Senhor fizera recuar sobre eles as águas do mar; os filhos de Israel, porém, haviam andado a pé enxuto no meio do mar.

A profetisa Míriam, irmã de Aarão, pegou o tamborim. As mulheres todas a seguiram, dançando e tocando os tamborins. E Miriam entoou este canto: “Cantai ao Senhor. Soberba é sua exaltação. Cavalo e cavaleiro precipitou no mar”.

Tradução ecumênica de Biblia (TEB)

 

INTRODUÇÃO AO TEMA PARA O ANO DE 2018

A tua destra, Senhor, esplendorosa de poder
(Ex 15,6)

A região do Caribe

Conservando o nome de um dos grupos de seus povos indígenas – o povo Kalinago, inicialmente chamado de Carib – a região caribenha de hoje é uma realidade complexa. Sua vasta extensão geográfica inclui tanto ilhas como territórios continentais com uma rica e variada coleção de tradições étnicas, lingüísticas e religiosas. É também uma complexa realidade política com uma variedade de organizações governamentais e institucionais, desde territórios coloniais (ingleses, holandeses, franceses e americanos) até nações republicanas.

O Caribe atual é profundamente marcado pelo projeto pouco respeitoso de exploração colonial. Na agressiva busca de ganhos de mercado, os colonizadores organizaram sistemas brutais de comércio de seres humanos e de trabalho forçado. Inicialmente, essas práticas escravizaram, agrediram e, em certos casos, exterminaram povos indígenas da região. A isso se seguiu a escravização de africanos e a introdução de pessoas da Índia e da China.

Em cada estágio, os sistemas dos colonizadores tentavam tirar dos povos subjugados seus direitos inalienáveis: sua identidade, sua dignidade humana, sua liberdade e sua autodeterminação. A escravidão dos africanos não foi simplesmente um processo de transporte de trabalhadores de um lugar para outro. Numa afronta à dignidade humana dada por Deus, transformava-se em objeto de comércio uma pessoa humana, tornando um ser humano propriedade de outro. A partir da consideração dos escravizados como propriedade, vieram outras práticas que foram mais longe no tratamento desumano dos africanos. Entre essas se incluía a recusa do direito a práticas religiosas e culturais, ao casamento e à vida familiar.

Muito lamentavelmente, durante quinhentos anos de colonialismo e escravidão, a atividade missionária cristã na região, com exceção de uns poucos destacados exemplos, estava bem ligada a esse sistema de cunho desumano e de muitas maneiras o justificava e o reforçava. Enquanto aqueles que trouxeram a Bíblia para essa região usavam as Escrituras para justificar a subjugação do povo dominado, nas mãos dos escravizados ela se tornou uma inspiração, uma garantia de que Deus estava ao lado deles e que Deus os conduziria à liberdade.

O tema para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em 2018

Hoje os cristãos caribenhos de diferentes tradições vêem a mão de Deus agindo para terminar com a escravidão. É uma experiência de união em torno da ação salvadora de Deus que leva à liberdade. Por essa razão, a escolha do canto de Moisés e Miriam (Ex 15, 1-21) como motivação na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em 2018 foi considerada muito adequada. É um canto de triunfo sobre a opressão. Esse tema foi assumido em um hino, A mão direita de Deus, escrito numa reunião de trabalho da Conferência Caribenha de Igrejas em agosto de 1981, e que se tornou marca do movimento ecumênico na região, traduzido para numerosos diferentes idiomas.

Como os israelitas, os povos do Caribe têm uma canção de vitória e liberdade para cantar e é um canto que os une. No entanto, desafios contemporâneos de novo ameaçam escravizar e de novo ameaçam a dignidade do ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. Embora a dignidade humana seja inalienável, ela fica freqüentemente obscurecida tanto por pecados pessoais como por estruturas sociais pecaminosas. Em nosso mundo decaído, as relações sociais muitas vezes não têm a justiça e a compaixão que honram a dignidade humana. Pobreza, violência, injustiça, o vício das drogas e da pornografia e a dor, o desgosto e a angústia gerados por tudo isso são experiências que distorcem a dignidade humana.

Muitos dos desafios contemporâneos são em si mesmos o legado de um passado colonial e do comércio de escravos. O ferido sentimento coletivo se manifesta hoje em problemas sociais relacionados à baixa auto-estima, violência doméstica e de grupos, e relações familiares prejudicadas. Embora seja um legado do passado, esses aspectos são também exacerbados pela realidade contemporânea que muitos caracterizam como neo-colonialismo. Sob tais circunstâncias parece quase impossível para muitas das nações dessa região escapar da pobreza e do endividamento. Além disso, em muitos lugares existe um sistema legislativo residual que continua a ser discriminatório.

A mão direita de Deus, que tirou o povo da escravidão, deu contínua esperança e coragem aos israelitas, assim como continua a trazer esperança aos cristãos do Caribe. Eles não são vítimas de circunstâncias fora de controle. Testemunhando essa esperança comum, as Igrejas estão trabalhando juntas para prestar serviço a todos os povos da região, mas particularmente aos mais vulneráveis e negligenciados. É o que vemos nas palavras do hino: “a mão direita de Deus está semeando em nossa terra, plantando sementes de liberdade, esperança e amor”.

Reflexão bíblica e pastoral sobre o texto (Ex 15, 1-21)

O livro do Êxodo nos mostra três períodos: a vida dos israelitas no Egito (1: 1-15; 21); a caminhada de Israel pelo deserto (15:22- 18:27); a experiência do Sinai (19-40). O trecho escolhido, a “Canção do mar”, conduzida por Moisés e Miriam, expõe detalhes dos eventos que levaram à libertação do povo de Deus da escravidão. Ele encerra o primeiro período.

É ele o meu Deus, eu o louvarei (15, 2)

Os versículos 1-3 do capítulo 15 enfatizam o louvor a Deus: “Minha força e meu canto é o Senhor. Para mim ele foi salvação. É ele o meu Deus, eu o louvarei, o Deus de meu pai, eu o exaltarei.” (15,2), No canto, conduzido por Moisés e Míriam, os israelitas cantam os louvores de Deus, que os tinha libertado. Eles percebem que o plano e o desígnio de Deus de libertar seu povo não podem ser desviados ou frustrados. Nenhuma força, nem mesmo os carros, o exército e o poder militar bem treinado do Faraó, pode frustrar a vontade de Deus que quer seu povo livre (15, 4-5). Nesse alegre grito de louvor, cristãos de muitas tradições diferentes reconhecem que Deus é o Salvador de todos nós; nos regozijamos porque ele tem cumprido suas promessas e continua a nos trazer salvação através do Espírito Santo. Na salvação que ele traz, reconhecemos que ele é nosso Deus e nós somos o seu povo.

A tua destra, Senhor, esplendorosa de poder (15, 6 a)

A libertação e a salvação do povo de Deus vêm através do poder de Deus. A mão direita de Deus pode ser compreendida como a segura vitória de Deus sobre seus adversários e também como sua infalível proteção a seu próprio povo. Apesar das ordens do Faraó, Deus escutou o clamor de seu povo e não deixará seu povo perecer porque Deus é o Deus da vida. Com seu domínio sobre o vento e o mar, Deus mostra seu desejo de preservar a vida e destruir a violência (Ex 15,10). O objetivo dessa redenção era fazer dos israelitas um povo de louvor, que reconhece o amor perseverante de Deus.

A libertação trouxe esperança e uma promessa para o povo. Foi esperança porque um novo dia havia despontado, em que o povo podia livremente adorar seu Deus e por em ação seu potencial. Era também uma promessa: seu Deus os acompanharia por toda a caminhada e nenhuma força poderia derrotar o objetivo que Deus tinha em relação a eles.

Deus usa violência para combater a violência?

Alguns Padres da Igreja interpretaram a narrativa como uma metáfora para falar da vida espiritual. Agostinho, por exemplo, identificou o inimigo que é jogado ao mar não como os egípcios, mas o pecado.

Todos os nossos pecados passados, vejam vocês, que têm nos pressionado como se estivessem atrás de nós, ele afogou e apagou no batismo. Essas nossas coisas sombrias foram orientadas por espíritos impuros como montarias e, como fazem os cavaleiros, eles as conduziram para onde queriam. É por isso que o apóstolo os chama de “senhores das trevas”. Ficamos libertados de tudo isso pelo batismo, como sendo o Mar Vermelho, assim chamado porque foi santificado pelo sangue do Senhor crucificado...” (Sermão 223 E).

Agostinho viu essa história como um encorajamento para os cristãos na direção da esperança e da perseverança, em vez de levá-los a ceder ao desespero diante da perseguição que vem do inimigo. Para Agostinho, o batismo era o ponto chave fundamental no estabelecimento da verdadeira identidade de cada pessoa como membro do Corpo de Cristo. Ele traça um paralelo entre a passagem libertadora de Israel pelo Mar Vermelho e a dos cristãos no batismo. Ambas as caminhadas libertadoras fazem nascer uma assembléia de culto e louvor. Como tal, o povo de Israel podia livremente louvar a mão salvadora de Deus no canto de vitória de Miriam e Moisés. Sua libertação tornou os escravizados israelitas membros do povo de Deus, unidos a cantar um hino de louvor.

Unidade

Êxodo 15 nos faz ver como o caminho para a unidade precisa freqüentemente passar por uma experiência comunitária de sofrimento. A libertação dos israelitas da escravidão é o evento fundamental da constituição desse povo. Para os cristãos o processo tem seu clímax na encarnação e no mistério pascal. Embora na libertação/salvação Deus tenha a iniciativa, Deus envolve forças humanas na realização de seu objetivo e nos planos para a redenção de seu povo. Os cristãos, pelo batismo, participam do ministério divino de reconciliação, mas nossas divisões restringem nosso testemunho e nossa missão num mundo necessitado da cura que vem de Deus.

PREPARAÇÃO DO MATERIAL
PARA A SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE
DOS CRISTÃOS EM 2018

As Igrejas do Caribe foram escolhidas para montar o material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2018. Sob a liderança de Sua Graça Kenneth Richards, arcebispo católico de Kingston e bispo responsável pelo ecumenismo na Conferência Episcopal das Antilhas (AEC), junto com o Sr. Gerald Granado, Secretário Geral da Conferência Caribenha de Igrejas (CCC), uma equipe ecumênica de mulheres e homens foi convidada a organizar o material.

Nossa gratidão se estende em particular às lideranças da CCC, à Conferência Episcopal das Antilhas e aos que contribuíram para termos agora estes recursos:

  • Reverendíssimo Kenneth D. Richards – coordenador da equipe de redação em nome da Conferência Episcopal das Antilhas (AEC), chefe da Comissão de Ecumenismo da AEC, arcebispo de Kingston (Católico Romano) (Jamaica)
  • Sr. Gerard A. J. Granado, M. T. (Edimburgo) – secretário Geral, Conferência Caribenha de Igrejas (CCC), organizador da equipe de redação (católico romano) (Trinidad e Tobago)
  • Prof. Luis N. Rivera-Pagan – professor emérito de Ecumenismo, Seminário Teológico de Princeton, N. Y. (Batista) (Porto Rico)
  • Reverendo Kirkley Sands, Ph. D. – capelão Codrington Theological College (Anglicano), Igreja da Província das Índias Ocidentais (Bahamas)
  • Reverendo Patmore Henry – Secretário, Connexional Conference, Igreja Metodista no Caribe e nas Américas (MCCA) (Antigua)
  • Oluwakemi Linda Banks, Ph. D. – um presidente de CCC & Clínico Psicologista (Anglicano) (Anguilla)
  • Nicole Poyer – líder do Grupo (ecumênico) de Taizé, Trinidad e Tobago, estudante de Mestrado em Teologia (Católica Romana) (Trinidad e Tobago)
  • Episcopal Rev. Glenna Spencer – Igreja Metodista no Caribe e nas Américas (MCCA) , anteriormente membro do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas (WCC) (Guiana)
  • Rev. Kingsley Lewes. Ph. D. – bispo, Igreja da Moravia (Província das Índias Ocidentais) e presidente emérito de CCC (Antigua)
  • Rev. Elvis Elahie, M. Th. (Edimburgo) – Moderador emérito, Igreja Presbiteriana em Trinidad e Tobago (PCTT) e Principal emérito do St.Andrew’s Theological College (Presbiteriano) (Trinidad e Tobago)
  • Rev. Marjorie Lewis – presidente emérito, United Theological College of the West Indies (UTCWI) (United Church na Jamaica e nas Ilhas Cayman) (Jamaica)
  • Rev. George Mulrain, Ph. D. – presidente emérito da Connexional Conference, Igreja Metodista no Caribe e nas Américas (MCCA) (Trinidad e Tobago)

A equipe local de redação apresentou os textos, orações e reflexões que tinham escolhido ou preparado para uma equipe internacional patrocinada conjuntamente pelo Pontifício Conselho para Promoção da Unidade dos Cristãos e pelo Conselho Mundial de Igrejas (WCC). Nesse encontro, realizado na Casa de Emaús em Nassau, Bahamas, de3 a 7 de setembro de 2016, o texto inicial foi editado e finalizado. A equipe internacional teve a oportunidade de visitar o Pompey Museum of Slavery and Emancipation (Museu de Escravidão e Emancipação) , em Vendue House, uma visita que ajudou a equipe editorial a valorizar as lutas por liberdade do povo das Bahamas e do Caribe em geral.

A equipe internacional gostaria de agradecer ao arcebispo Patrick Pinder e à Arquidiocese de Nassau pela sua generosidade ao nos acolher no Centro Emaús e ao grupo que lá trabalha e tornou nossa estadia tão confortável. Também queremos expressar nossa gratidão pelo apoio dos líderes ecumênicos das Igrejas locais, Rev. Dr. Ranford Patterson, presidente do Conselho Cristão das Bahamas, e a Rev. Laish Boyd, bispo diocesano da Diocese Anglicana das Bahamas e de Turks e Caicos Island, que se uniram ao grupo para partilhar seu conhecimento e a experiência da Igreja local.

CELEBRAÇÃO ECUMÊNICA

Introdução ao culto

A Bíblia e três conjuntos de correntes são parte da celebração do culto. O grupo caribenho que escreveu o texto da celebração sugere que esses símbolos fiquem colocados em destaque no espaço da celebração.

A Bíblia é especialmente importante na experiência das Igrejas caribenhas. Historicamente, indígenas e povos escravizados experimentaram atrocidades cometidas por colonizadores que, ao mesmo tempo, trouxeram o cristianismo. Ainda assim, nas mãos dos oprimidos povos da região, a Bíblia se tornou uma fonte primária de consolação e libertação. Essa dinâmica de reviravolta faz da Bíblia em si um símbolo particularmente potente. Assim sendo, nesta celebração, é importante que uma Bíblia especialmente bem visualizada esteja no meio da assembléia reunida e que as leituras sejam proclamadas a partir dessa Bíblia e não de outros livros ou folhetos.

Correntes são um símbolo poderoso de escravização, tratamento desumano e racismo. São também um símbolo do poder do pecado, que nos separa de Deus e uns dos outros. O grupo caribenho de redação recomenda o uso de correntes de ferro verdadeiras durante as preces de reconciliação nesta celebração. Se correntes de ferro não estiverem disponíveis, podem ser usadas correntes alternativas com visual que transmita a idéia de força. Durante a celebração, as correntes de ferro da escravidão são substituídas por uma corrente humana que expressa os laços de comunhão e a ação conjunta contra a moderna escravização e todos os tipos de conduta desumanizadora individual ou institucionalizada. O convite dirigido à assembléia inteira para participar desse gesto é parte integrante da celebração.

Como canto após a proclamação da Palavra, o grupo caribenho de redação sugere o hino The right hand of God (A mão direita de Deus). Inspirando-se no canto de Miriam e Moisés em louvor pela ação libertadora de Deus no livro do Êxodo, está associado ao movimento ecumênico do Caribe, em que as Igrejas trabalham juntas para superar os desafios sociais enfrentados pelo povo da região.

Roteiro do culto

A tua destra, Senhor, esplendorosa de poder
(Ex 15,6)

D: Dirigente
T:
Todos
L:
Leitor

Reunindo a assembléia

Canto

Durante o canto inicial, entram os que vão liderar a celebração. Devem ser precedidos por um assistente que carrega a Bíblia. A Bíblia é colocada em lugar de destaque no centro do espaço de celebração. As leituras da Escritura durante a celebração devem ser proclamadas a partir dessa Bíblia.

Palavras de acolhimento

D: A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.

T: E contigo também.

Caros amigos em Cristo, ao nos reunirmos para esse culto de oração pela unidade, agradecemos a Deus por nossa herança cristã, pela sua ação salvadora e libertadora na história da humanidade.

O material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos deste ano foi preparado pelas Igrejas do Caribe. A história do cristianismo nessa região contém um paradoxo. De um lado, a Bíblia foi usada pelos colonizadores para justificar a sujeição dos habitantes originais daquelas terras, junto com outros que foram transportados da África, Índia e China. Muitos foram exterminados, colocados em correntes e escravizados, e foram submetidos a condições injustas de trabalho. Por outro lado, a Bíblia se tornou uma fonte de consolação e libertação para muitos que sofreram nas mãos dos colonizadores.

Hoje, a Bíblia continua a ser uma fonte de consolo e libertação, inspirando os cristãos do Caribe a enfrentar as condições que atualmente prejudicam a dignidade humana e a qualidade de vida. Quando as correntes de ferro da escravidão caem de nossas mãos, um novo pacto de amor e comunhão emerge na família humana, expressando a unidade pela qual oramos em nossas comunidades cristãs.

Invocação do Espírito Santo

A resposta à invocação pode ser cantada.

D: Com os cristãos do Caribe, clamemos pedindo ao Espírito Santo que seu fogo venha aos nossos corações ao orarmos pela unidade da Igreja.
Une teus servos no laço da unidade.

T: Vem, Espírito Santo!

D: Ensina-nos a orar.

T: Vem, Espírito Santo!

D: Liberta-nos da escravidão do pecado.

T: Vem, Espírito Santo!

D: Ajuda-nos em nossas fraquezas.

T: Vem, Espírito Santo!

D: Restaura-nos como teus filhos.

T: Vem, Espírito Santo!

Canto de louvor

Preces de reconciliação e libertação

D: Não recebemos um espírito de escravidão, que nos faria cair de novo no medo. Vamos pedir a misericórdia do Senhor, confiantes no poder salvador da mão direita do nosso Deus.

Três membros da assembléia vêm à frente, cada um carregando uma corrente. Depois de cada petição e resposta, cada uma das correntes é deixada para cair ao chão. O Kyrie pode ser cantado.

D: Das estruturas que ofendem a dignidade humana e reforçam novas formas de escravidão, livra-nos, ó Deus. Kyrie eleison.

T: Kyrie eleison.

D: Das decisões e atos que geram pobreza, marginalização ou discriminação para nossos irmãos e irmãs, livra-nos, ó Deus. Kyrie eleison.

T: Kyrie eleison.

D: Do medo e da suspeita que nos separam uns dos outros e colocam limites na esperança e na cura, livra-nos, ó Deus. Kyrie eleison.

T: Kyrie eleison.

D: O Senhor é nossa força e nosso poder, e se tornou nossa salvação. Peçamos a Deus, que nos redimiu, que nos conduza à casa da santidade.

T: Amém!

Proclamação da Palavra de Deus

D: Livra-nos, ó Deus, da opressão humana,

T: Para que possamos cumprir os teus preceitos.

D: Deixa tua face brilhar sobre teus servos,

T: E ensina-nos a observar tuas leis. (cf Sl 119: 134-135)

Êxodo 15, 1-21

D: Escutem e serão libertados.

A: Graças ao Senhor!

Seria preferível que o salmo fosse cantado.

Salmo 118, 5-7, 10-24

T: Celebrai o Senhor, pois Ele é bom e sua fidelidade é para sempre.

D: Quando eu estava assediado, chamei o Senhor;
o Senhor me respondeu e me salvou.
O Senhor está a meu favor, não tenho medo de nada;
que poderiam fazer-me os homens?
O Senhor está a meu favor, ele vem a meu reforço,
e eu zombo dos meus inimigos.

T: Celebrai o Senhor, pois Ele é bom e sua fidelidade é para sempre.

D: Golpeaste-me para abater-me.
Mas o Senhor me ajudou.
Minha força e meu grito de guerra é Ele!
Eu lhe devo a vitória!
Clamor de alegria e vitória nas tendas dos justos.

T: Celebrai o Senhor, pois Ele é bom e sua fidelidade é para sempre.

D: A destra do Senhor realiza uma façanha!
A destra do Senhor está erguida!
A destra do Senhor realiza uma façanha!
Não morrerei, viverei para narrar as obras do Senhor.

T: Celebrai o Senhor, pois Ele é bom e sua fidelidade é para sempre.

D: Abri-me as portas da justiça,
E eu entrarei para celebrar o Senhor.
É a porta do Senhor: que os justos entrem!

T: Celebrai o Senhor, pois Ele é bom e sua fidelidade é para sempre.

D: Eu vos celebro pois me respondestes
E vos devo a vitória.
Isso vem do Senhor: é uma maravilha aos nossos olhos!
Eis o dia que o Senhor fez:
Que Ele seja nossa felicidade e nossa alegria!

T: Celebrai o Senhor, pois Ele é bom e sua fidelidade é para sempre.

Romanos 8, 12-27

D: Escutem e serão libertados

T: Graças a Deus!

Uma aclamação adequada de Aleluia pode ser cantada antes e depois da proclamação do Evangelho.

Marcos 5, 21-43

D: Escutem e serão libertados

T: Damos graças a Deus.

Homilia

 

Canto

Uma tradução portuguesa

The Right Hand of God (A mão direita de Deus)

A mão direita de Deus
Está escrevendo em nossa terra,
Escrevendo com poder e amor;
Nossos conflitos e nossos medos,
Nossos triunfos e nossas lágrimas.
São gravados pela mão direita de Deus.

A mão direita de Deus
Está atingindo nossa terra,
Pondo para fora inveja, ódio e ambição;
Nosso egoísmo e luxúria,
Nosso orgulho e atos injustos
São destruídos pela mão direita de Deus.

A mão direita de Deus
Está elevando nossa terra,
Erguendo os caídos um por um;
Cada um tem seu nome conhecido,
E é resgatado agora da vergonha
Pela elevação da mão direita de Deus.

A mão direita de Deus
Está curando nossa terra,
Curando dilacerados corpos, mentes e almas;
Tão maravilhoso é seu toque,
Com amor que tanto significa,
Quando somos curados
Pela mão direita de Deus.

Credo Apostólico

Orações pelo povo

D: Dando graças por nossa libertação da escravidão ao pecado, coloquemos nossas necessidades diante do Senhor, pedindo-lhe que quebre as cadeias que nos escravizam e que, em vez disso, nos una com os laços do amor e da comunhão.

Cada intercessão é proclamada por um leitor diferente. Ao terminar, cada um dos leitores une suas mãos ou braços com membros da assembléia, formando assim uma corrente humana.

L1: Deus do Êxodo, conduziste teu povo pelas águas do Mar Vermelho e os redimiste. Fica conosco agora e liberta-nos de todas as formas de escravidão e de tudo que obscurece a dignidade humana.

T: Coloca tuas mãos sobre nós, ó Senhor, para que possamos viver.

L2: Deus de toda fartura, em tua bondade cuidas de todas as nossas necessidades. Fica conosco agora, ajuda-nos a estar acima do egoísmo e ambição e dá-nos a coragem de sermos agentes de justiça no mundo.

T: Coloca tuas mãos sobre nós, ó Senhor, para que possamos viver.

L3: Deus de amor, nos criaste à tua imagem e nos redimiste em Cristo. Fica conosco agora, capacita-nos para amar nosso próximo e acolher o migrante.

T: Coloca tuas mãos sobre nós, ó Senhor, para que possamos viver.

L4: Deus da paz, permaneces fiel à tua aliança conosco, mesmo quando ficamos distantes de ti, e em Cristo nos reconciliaste contigo. Fica conosco agora e coloca um novo espírito e um novo coração em nós, para que possamos rejeitar a violência e, por outro lado, ser servidores da tua paz.

T: Coloca tuas mãos sobre nós, ó Senhor, para que possamos viver.

L5: Deus da glória, és todo poderoso, mas ainda assim, em Jesus, escolheste ter um lar numa família humana, e nas águas do Batismo nos adotaste como teus filhos. Fica conosco agora e ajuda-nos a permanecermos fiéis a nossos compromissos familiares e nossas responsabilidades comunitárias e a fortalecer os laços de comunhão com nossos irmãos e irmãs em Cristo.

T: Coloca tuas mãos sobre nós, ó Senhor, para que possamos viver.

L6: Deus, Uno em três Pessoas, em Cristo nos fizeste UM contigo e uns com os outros. Fica conosco agora e pelo poder e consolação do Espírito Santo, liberta-nos do auto-centrismo, da arrogância e do medo que nos impedem de trabalhar intensamente pela unidade visível da tua Igreja.

T: Coloca tuas mãos sobre nós, ó Senhor, para que possamos viver.

 

A oração do Senhor

D: Unamos nossas mãos, seguros não por correntes mas pelo amor de Cristo que foi derramado em nossos corações, e oremos ao Pai com as palavras que Jesus nos ensinou.

A oração do Pai Nosso pode ser cantada.

Pai nosso...

Depois da oração do Senhor, ainda de mãos dadas, a assembléia pode cantar uma canção que lhe seja familiar e que celebre a unidade.

Depois do canto, as pessoas se saúdam com um sinal de paz.

Compromisso

D: Redimidos pela mão direita de Deus, e unidos no único Corpo de Cristo, vamos adiante amparados pelo poder do Espírito Santo.

T: O Espírito do Senhor está sobre nós,
Porque o Senhor nos ungiu
Para levar a boa nova aos pobres,
Para proclamar a libertação aos cativos
E a recuperação da vista aos cegos,
Para libertar os oprimidos,
Para proclamar o ano da graça do Senhor.
Amém! Aleluia!

 

Canto final

REFLEXÕES BÍBLICAS E ORAÇÕES
 PARA OS OITO DIAS

DIA 1 Amareis também o estrangeiro, porque fostes estrangeiros no Egito  

 

Levítico 19, 33-34

Amarás o migrante como a ti mesmo.

Salmo 146 O Senhor protege os migrantes
Hebreus 13, 1-3 Alguns, sem saber, acolheram anjos
Mateus 25, 31-46 Eu era estrangeiro e me acolhestes

Depois de se tornar a primeira república negra independente, o Haiti estendeu sua hospitalidade a outros povos escravizados em busca de liberdade. Tempos recentes têm trazido sérias dificuldades econômicas aos haitianos, muitos dos quais abandonaram seu lar, fazendo perigosas viagens na esperança de uma vida melhor. Em muitas situações se depararam com falta de hospitalidade e barreiras legais. O Conselho Caribenho de Igrejas tem se envolvido em questões legais para lidar com aquelas nações que estão restringindo ou negando aos haitianos seus direitos de cidadania.

Reflexão

A lembrança dos israelitas de terem sido estrangeiros na terra do Egito está na base da orientação da Lei que ensina o povo de Deus a acolher em seu meio os estrangeiros. Esperava-se que a memória do seu próprio exílio gerasse empatia e solidariedade com os contemporâneos exilados e estrangeiros. Como aconteceu com Israel, nossa experiência cristã comum da ação salvadora de Deus vem junto com lembranças de estranhamento e alienação – em relação a Deus e seu Reino. Esse tipo de memória cristã tem implicações éticas. Deus restaurou nossa dignidade em Cristo, e nos fez cidadãos do seu Reino, não por alguma coisa que tenhamos feito para merecê-lo mas por um dom gratuito de seu próprio amor. Somos chamados a fazer algo semelhante, livremente e motivados por amor. O amor cristão é amar como o Pai ama, isto é reconhecer e dar dignidade, e assim ajudar a trazer cura para a ferida família humana.

Oração

Deus eterno,
Não pertences a nenhuma cultura ou terra, mas és o Senhor de todos.
Tu nos chamas a acolher o estrangeiro em nosso meio.
Ajuda-nos por teu Espírito a viver como irmãos e irmãs,
acolhendo todos em teu nome, e vivendo na justiça do teu Reino.
Assim oramos em nome de Jesus.
Amém.

A mão direita de Deus está semeando em nossa terra,
Plantando sementes de liberdade, esperança e amor;
Nessas terras de tantos povos, que todas as crianças juntem as mãos
E se tornem UM na mão direita de Deus.

DIA 2 Não mais como escravo, mas como irmão amado  

 

Gênesis 1, 26-28

Deus criou o homem à sua imagem

Salmo 10, 1-10 Por que, Senhor, permaneceres afastado?
Filemon 1-23 Não mais como escravo e, sim, bem mais do que escravo: como irmão bem amado
Lucas 10, 25-37 Parábola do bom samaritano

O tráfico humano é uma forma de escravidão nos dias de hoje, na qual vítimas são forçadas ou enganadas para serem usadas em exploração sexual, trabalho infantil ou armazenamento de órgãos a fim de dar lucros aos exploradores. É uma indústria global que envolve muitos milhões de dólares. É também um problema crescente ao longo do Caribe. Igrejas Reformadas no Caribe têm se unido ao Conselho para a Missão Mundial e ao Conselho Missionário do Caribe e América do Norte para educar comunidades cristãs e acabar com a agressão que é o tráfico humano.

Reflexão

Uma das primeiras coisas que aprendemos sobre Deus na Bíblia hebraica e cristã é que Deus criou a humanidade à sua própria imagem. No entanto, essa profunda e bela verdade tem freqüentemente sido ofuscada ou negada ao longo da história humana. Por exemplo, no Império Romano, a dignidade dos que estavam escravizados era negada. A mensagem do Evangelho é inteiramente diferente disso. Jesus desafia as normas sociais que desvalorizam a dignidade humana dos samaritanos, descrevendo o samaritano como o “próximo” do homem que havia sido atacado na estrada para Jericó – um próximo para ser amado, de acordo com a Lei. E Paulo, com a coragem que lhe vem de Cristo, descreve Onésimo, que tinha sido escravizado, como “um irmão amado”, transgredindo as normas de sua sociedade e afirmando a humanidade de Onésimo.

O amor cristão precisa sempre ser um amor corajoso que ousa ultrapassar fronteiras, reconhecendo em outros uma dignidade igual à sua própria. Como São Paulo, os cristãos precisam ser corajosos bastante em Cristo para erguer uma voz unida, que reconhece claramente as pessoas vítimas do tráfico como seus próximos e seus amados irmãos e irmãs, e então trabalhar juntos para por fim à escravidão dos tempos modernos.

Oração

Generoso Deus,
Fica perto dos que são vítimas de tráfico humano,
assegurando-lhes que estás vendo seu problema e ouvindo seu clamor.
Que a tua Igreja possa estar unida em compaixão e coragem
para trabalhar pelo dia em que ninguém mais será explorado
e todos serão livres para viver com dignidade e paz.
Isso te pedimos em nome do Deus Triuno,
que pode realizar imensamente mais do que seríamos capazes
de pedir ou imaginar.
Amém.

A mão direita de Deus
Está elevando nossa terra,
Erguendo os caídos um por um;
Cada um tem seu nome conhecido,
E é resgatado agora da vergonha
Pela elevação da mão direita de Deus.

DIA 3 Seu corpo é templo do Espírito Santo  

 

Êxodo 3, 4-10

Deus liberta os que estão em humana escravidão

Salmo 24, 1-6 Esta é a geração dos que procuram a tua face
1 Coríntios 6, 9-20 Glorificai, portanto, a Deus por vosso corpo
Mateus 18, 1-7 Ai do homem por quem acontece a queda

Muitas Igrejas cristãs no Caribe partilham uma preocupação a respeito do tema da pornografia, especialmente a que vem via Internet. A pornografia tem conseqüências destrutivas para a dignidade humana, particularmente para crianças e jovens. Como a escravidão, ela transforma serres humanos em produtos de mercado, aprisiona os que tornam viciados nela e prejudica relações amorosas saudáveis.

Reflexão

O livro do Êxodo demonstra o cuidado de Deus a respeito de povos em regime de escravidão. A revelação de Deus a Moisés na sarça ardente é uma declaração poderosa de desejo de libertar seu povo. Deus contemplou o sofrimento deles, ouviu seu grito e assim veio para libertá-los. Deus ainda ouve o grito dos que estão submetidos à escravidão hoje, e deseja libertá-los. Enquanto a sexualidade é um dom de Deus para os relacionamentos humanos e a manifestação de intimidade, o mau uso desse dom através da pornografia escraviza e desvaloriza tanto os que fazem a propaganda dela como os que nela se viciam. Deus não é indiferente a esse problema e os cristãos são chamados a se posicionar também.

São Paulo escreve que somos chamados a dar glória a Deus em nossos próprios corpos, o que significa que cada parte de nossas vidas, incluindo nossos relacionamentos, podem e devem ser uma oferta agradável a Deus. Os cristãos precisam trabalhar juntos por um tipo de sociedade que sustente a dignidade humana e não coloque uma pedra de tropeço diante de nenhum dos pequenos de Deus mas, em vez disso, os capacite para viver na liberdade que é o desejo de Deus para eles.

Oração

Por tua celestial graça, ó Deus,
restaura-nos em corpo e mente,
cria em nós um coração limpo e uma mente pura
para que possamos dar glória ao teu Nome.
Que as Igrejas consigam unidade de objetivos
Para a santificação do teu povo, por Jesus Cristo
que vive e reina contigo
na unidade do Espírito Santo
para todo o sempre. Amém.

A mão direita de Deus
Está curando nossa terra,
Curando dilacerados corpos, mentes e almas;
Tão maravilhoso é seu toque,
Com amor que tanto significa,
Quando somos curados
Pela mão direita de Deus.

DIA 4 Esperança e cura  

 

Isaías 9, 2-7 a

Estender-se-á a soberania e haverá paz sem fim

Salmo 34, 1-15  Procura a paz e vai atrás dela!
Apocalipse 7, 13-17 Deus enxugará toda lágrima de seus olhos
João 14, 25-27  Eu vos deixo a paz

Dentro do Caribe, a violência é um problema a que as Igrejas são chamadas a responder. Há uma taxa alarmantemente alta de assassinatos, muitos dos quais vêm de abuso doméstico, guerra de quadrilhas e outras formas de criminalidade. Há também uma crescente onda de auto agressão e suicídio em algumas partes da região.

Reflexão

O Reino que Deus prometeu, o Reino que Jesus proclamou e tornou presente no seu ministério, é um reino de ação correta, paz e alegria no Espírito Santo. O que essa Boa Nova significa para os que estão presos na escuridão da violência? Na visão do profeta, a luz brilhou sobre aqueles que viviam numa terra de profunda escuridão. Mas como os cristãos podem trazer a luz de Jesus àqueles que estão vivendo na escuridão da violência doméstica e da que vem das quadrilhas? Que sentimento de esperança os cristãos podem oferecer? É uma triste realidade a divisão entre cristãos como um contra sinal que restringe a comunicação da esperança.

No entanto, a busca por paz e reconciliação entre as diferentes Igrejas e denominações é o oposto disso. Quanto os cristãos trabalham pela unidade num mundo em conflito, eles oferecem ao mundo um sinal de reconciliação. Cristãos que se recusam a entrar numa lógica de privilégio e prestígio, que se recusam a menosprezar outros e suas comunidades, dão testemunho da paz do Reino de Deus, onde o Cordeiro guia os santos às fontes de água da vida. Essa é uma paz da qual o mundo necessita, que traz cura e conforta os que são afligidos pela violência.

Oração

Deus de toda consolação e esperança,
tua ressurreição derrotou a violência da cruz.
Como teu povo, possamos ser um sinal visível
de que a violência do mundo será vencida.
Assim oramos em nome de nosso Senhor ressuscitado.
Amém.

A mão direita de Deus
aponta para nossa terra,
indicando o caminho que devemos seguir;
O caminho é nebuloso,
tão facilmente nos desviaríamos.
Mas somos guiados pela mão direita de Deus.

 

DIA 5 Escuta! O grito de meu pobre povo vem de longe e se espalha na terra!  

 

Deuteronômio 1, 19-35

O Senhor marcha à tua frente e te carrega

Salmo 145,9-20 O Senhor é o apoio de todos os que caem
Tiago, 1, 9-11 O rico passará como a flor dos prados
Lucas 18, 35-43 Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!

A economia do Caribe tem tradicionalmente sido baseada na produção de materiais para o mercado europeu e, como tal, nunca foi auto-sustentável. Como conseqüência, empréstimos no mercado internacional se tornaram importantes para o desenvolvimento. As exigências de tais empréstimos impõem uma redução de gastos em transporte, educação, saúde e outros serviços públicos, com um impacto mais pesado sobre os pobres. A Conferência Caribenha de Igrejas teve uma iniciativa para cuidar da atual crise de débito na região e através de suas redes internacionais veio em auxílio dos pobres.

Reflexão

Podemos imaginar o barulho da multidão quando Jesus entra em Jericó. Muitas vozes abafam o grito do mendigo cego. Ele é visto como um desvio e embaraço. Mas no meio desse tumulto Jesus ouve a voz do cego, assim como Deus sempre ouve os gritos do pobre nas Escrituras hebraicas. O Senhor que ergue os caídos não apenas escuta, mas responde. Dessa maneira, a vida do mendigo é radicalmente transformada.

A desunião dos cristãos se tornou parte do caos e tumulto do mundo. Como as vozes que se erguiam em Jericó, nossas divisões podem abafar o grito do pobre. No entanto, quando estamos unidos nos tornamos mais plenamente uma presença de Cristo no mundo, mais capazes de ouvir, prestar atenção e responder. Em vez de aumentar o volume da discordância, somos capazes de verdadeiramente escutar e discernir as vozes daqueles que mais necessitam ser ouvidos.

Oração

Amoroso Deus, tu ergues os pobres e desanimados
e restauras a dignidade deles.
Ouve agora nosso clamor peles pobres de nosso mundo,
restaura a esperança deles e ergue-os,
para que todo o teu povo possa ser um.
Assim oramos em nome de Jesus.
Amém.

A mão direita de Deus
Está elevando nossa terra,
Erguendo os caídos um por um;
Cada um tem seu nome conhecido,
E é resgatado agora da vergonha
Pela elevação da mão direita de Deus.

 

DIA 6 Cuidemos dos interesses de outros  

 

Isaías 25, 1-9

Exultemos, jubilemos, pois ele nos salva

Salmo 82 Fazei justiça ao infeliz e ao indigente
Filipenses 2, 1-4 Cada um não olhe só por si mesmo, mas também pelos outros
Lucas 12, 13-21 Guardai-vos de toda ganância

Mudanças nos regulamentos bancários internacionais continuam a ter impacto negativo nas finanças e no comércio do Caribe e ameaçam a sobrevivência econômica de muitas famílias. Tem se tornado cada vez mais difícil para os caribenhos que trabalham em terras estrangeiras mandar dinheiro de volta para suas famílias. As Igrejas no Caribe criaram um movimento de União de Crédito a fim de que os pobres tenham acesso a dinheiro para as atividades econômicas.

Reflexão

O testemunho das Escrituras mostra que Deus sempre faz uma opção preferencial pelos pobres; a mão direita de Deus age a favor dos que não têm poder e contra os poderosos. Do mesmo modo, Jesus insistentemente alerta sobre os perigos da ganância. Apesar dessas advertências, no entanto, o pecado da ambição freqüentemente infecta nossas comunidades cristãs e introduz uma lógica de competição: uma comunidade competindo com a outra. Precisamos nos lembrar de que, à medida que falhamos em nos diferenciar do mundo e nos acomodamos ao seu espírito de competição e divisão, deixamos de oferecer um “baluarte para o pobre na aflição, o refúgio contra a tempestade”.

Para nossas diferentes Igrejas e denominações, ser rico aos olhos de Deus não significa ter muitos membros pertencendo – ou fazendo doações – a nossa própria comunidade. Em vez disso, trata-se de reconhecer que, como cristãos, temos inúmeros irmãos e irmãs pelo mundo, unidos diante das divisões econômicas de “Norte” e “Sul”. Conscientes dessa fraternidade em Cristo, os cristãos podem unir as mãos na promoção da justiça econômica para todos.

Oração

Todo poderoso Deus,
Dá coragem e força à tua Igreja
para continuamente proclamar a justiça e o direito
em situações de dominação e opressão.
Ao celebrarmos nossa unidade em Cristo,
que o teu Espírito nos ajude
a cuidar das necessidades de outros.
Amém

A mão direita de Deus
Está atingindo nossa terra,
Pondo para fora inveja, ódio e ambição;
Nosso egoísmo e luxúria,
Nosso orgulho e atos injustos
São destruídos pela mão direita de Deus.

 

DIA 7 Sendo família no lar e na Igreja  

 

Êxodo 2, 1-0

Nascimento de Moisés

Salmo 127 Se o Senhor não construir a casa, seus construtores trabalham em vão
Hebreus 11, 23-24 Moisés foi ocultado pelos pais... pois eles tinham visto a beleza do filho
Mateus 2, 13-15 José levantou-se, tomou consigo o menino e a mãe de noite e retirou-se para o Egito

No Caribe a família continua a ser negativamente afetada pela herança da escravidão e por novos fatores tais como a migração de pais, problemas financeiros e violência doméstica. Diante dessa realidade, as Igrejas do Caribe estão trabalhando para dar apoio tanto a famílias nucleares como a famílias ampliadas.

Reflexão

Famílias têm central importância na proteção e alimentação de crianças. Os relatos bíblicos da infância de Moisés e de Jesus, que estavam em perigo de morte desde o momento de seu nascimento por causa das ordens de assassinato dadas por governantes irados, ilustram a vulnerabilidade das crianças diante de forças externas. Essas histórias também apresentam ações que podem proteger esses pequeninos. Mateus nos mostra um modelo de paternidade que está em amorosa fidelidade à orientação do Senhor, especialmente em tempos de perigo.

As Escrituras vêem as crianças como uma bênção e esperança para o futuro. Para o salmista, elas são como “flechas nas mãos do guerreiro”. Como cristãos, partilhamos um chamado comum para vivermos como rede de famílias que se apóiam, confiando na força do Senhor para a tarefa de construir comunidades fortes, nas quais as crianças são protegidas e podem se desenvolver.

Oração

Deus cheio de graças,
enviaste teu filho para nascer numa família comum,
com ancestrais que eram tanto fiéis como pecadores.
Pedimos a tua bênção para todas as famílias
dentro dos lares e comunidades.
Oramos especialmente pela unidade da família cristã
para que o mundo possa crer.
Em nome de Jesus oramos.
Amém.

A mão direita de Deus
Está escrevendo em nossa terra,
Escrevendo com poder e amor;
Nossos conflitos e nossos medos,
Nossos triunfos e nossas lágrimas.
São gravados pela mão direita de Deus.

DIA 8 Ele reunirá os dispersos... dos quatro cantos da terra  

 

Isaías 11, 12-13

Efraim não terá mais ciúme de Judá e Judá não será mais adversário de Efraim

Salmo 106, 1-14. 43-48 Congrega-nos no meio das nações e celebraremos o teu santo nome
Efésios 2, 13-19 Em sua carne destruiu o muro de separação
João 17, 1-12 Eu fui glorificado neles

As Igrejas do Caribe trabalham juntas para curar as feridas do Corpo de Cristo na região, que são um legado deixado pela colonização. A reconciliação freqüentemente exige arrependimento, reparação e cura de memórias. Um exemplo são os atos de pedido de perdão e reparação entre batistas na Grã-Bretanha e caribenhos. Como Israel, a Igreja em sua unidade é chamada a ser tanto um sinal como um agente ativo de reconciliação.

Reflexão

Ao longo da narrativa bíblica da história da salvação, uma inegável motivação é a infatigável determinação do Senhor de formar um povo que ele possa chamar de seu. A formação de tal povo – unido numa sagrada aliança com Deus – é parte integrante do plano de salvação do Senhor para a glorificação e santificação do nome de Deus.

Os profetas repetidamente fazem Israel lembrar que a aliança exigia que as relações entre os vários grupos sociais deveriam ser caracterizadas por justiça, compaixão e misericórdia. Ao se preparar para selar a nova aliança com seu próprio sangue, a intensa prece de Jesus a seu Pai foi o pedido de aqueles que o Pai lhe tinha dado fossem um, assim como ele e o Pai eram um. Quando os cristãos descobrem sua unidade em Jesus, eles participam da glorificação de Cristo na presença do Pai com a mesma glória que ele tinha na presença do Pai antes que o mundo existisse. E assim, o povo que fez aliança com Deus precisa sempre se esforçar para ser uma comunidade reconciliada – que seja em si mesma um sinal eficiente de como viver em justiça e paz – para todos os povos da terra.

Oração

Senhor,
humildemente pedimos que, por tua graça,
as Igrejas do mundo inteiro
possam se tornar instrumentos da tua paz.
Através de sua ação conjunta como representantes
e agentes da tua cura, na reconciliação do amor
entre povos divididos,
possa teu nome ser santificado e glorificado.
Amém.

A mão direita de Deus
está semeando em nossa terra,
plantando sementes de liberdade, esperança e amor;
Nessas terras de tantos povos,
que todos os seus filhos juntem as mãos
e sejam UM com a mão direita de Deus.

A SITUAÇÃO ECUMÊNICA NO CARIBE [1]

A região do Caribe se estende das Bahamas, ao norte, a Suriname, Guiana e Guiana Francesa (Cayene) no território do continente sul americano, e de Barbados, ao leste, a Belize na América Central, a oeste. A identidade comum da região é baseada em considerações geográficas e também em uma história partilhada de colonialismo, exploração e resistência contra dominação estrangeira, bem como na consciência de uma cultura coletiva.

A presença de algumas das Igrejas na região – por exemplo: a Igreja Católica Romana e a Anglicana – coincide com o começo e o período inicial da atividade colonial. Outras Igrejas vieram depois, como parte do movimento missionário dos séculos XVIII, XIX e XX. Mesmo mais recentemente, movimentos evangélicos e pentecostais se espalharam pelo Caribe. Conseqüentemente, alianças e parcerias evangélicas podem ser encontradas em muitos países e territórios da região.

A Conferência Caribenha de Igrejas (CCC) cresceu a partir de um dinâmico começo de atividade ecumênica na década de 1960 e foi formalmente estabelecida durante a movimentação sócio cultural e política do começo da década de 1970. Esse foi o período imediato pós-colonial da região , durante o qual muitos países ganharam sua independência política. Era um tempo em que a região, como um todo, estava envolvida em um movimento para atingir a autodeterminação, o desenvolvimento e novas formas de auto-expressão. A resposta e a contribuição conjunta de várias Igrejas a essa nova consciência nacional foi a formação de um organismo chamado Ação Cristã para o Desenvolvimento no Caribe (CADEC). Essa organização é a precursora da CCC (Conferência Caribenha de Igrejas), e se tornaria mais tarde um dos dois maiores departamentos da CCC. O outro departamento era conhecido como a Agência para a Renovação das Igrejas (ARC).

A assembléia em que se fundou a CCC aconteceu em 1973, em Kingston, Jamaica. O preâmbulo de sua constituição dizia:

Nós, como povo cristão do Caribe, por causa de nossa vocação comum em Cristo, nos aliamos para nos unirmos como um conjunto regional de Igrejas em reflexão teológica, inspiração, consultas e ação cooperativa, para superar os desafios criados pela história, língua, cultura, classe e distância. Estamos, portanto, profundamente comprometidos com a promoção da paz, o desenvolvimento conjunto de nosso povo e a afirmação da justiça social e da dignidade de todas as pessoas. Assumimos o compromisso de caminhar juntos em Cristo e de partilhar nossas experiências para o fortalecimento do Reino de Deus no mundo.

As trinta e três Igrejas membros da CCC representam uma vasta diversidade de povos e culturas, espalhada por muitas ilhas e territórios continentais da América do Sul e Central e pertencendo a quatro maiores grupos lingüísticos: holandês, inglês, francês e espanhol. Incluídos neste grupo estão: Caiena (Guiana Francesa), Cuba, Guadalupe, Haiti, Martinica e Porto Rico. As Igrejas membros da CCC partilham a convicção comum de que, apesar do divisionismo herdado do longo período colonial, há uma autêntica e unificadora identidade caribenha através da qual o povo do Caribe precisa articular o desejo que Deus tem para ele e dar a isso sua resposta.

Como uma das seis Organizações Ecumênicas Regionais (REOs), a CCC é historicamente única, sendo a primeira ocasião no mundo na qual a Igreja Católica Romana – formalmente através da Conferência dos bispos – foi um dos membros fundadores de uma Organização Ecumênica Regional (REO). O envolvimento da Conferência Episcopal das Antilhas, como membro fundador da CCC, foi colocado como exemplo no documento preparatório – “Lineamenta” – para o Sínodo das Américas, da Igreja Católica Romana, em 1997. Na sua seção intitulada “Áreas e modos de comunicação”, o documento declara: “Um exemplo de maior possibilidade de diálogo com outras confissões é demonstrado pelo trabalho de alguns bispos do Caribe, que contribuíram para a fundação da única organização ecumênica presente na região”. (Seção IV, artigo 42)

Ao longo de seus quarenta e três anos de existência, as Igrejas membros da CCC assumiram juntas muitas iniciativas nas áreas de teologia, educação cristã, desenvolvimento integral, questões referentes a jovens e mulheres, vida familiar, direitos humanos e comunicação. Algumas das mais significativas conquistas da CCC foram os canais de mídia Contact e Caribbeat, o jornal mensal Caribbean Contact(Contato Caribenho) e a série sobre educação cristã Fashion Me a People(Molde para mim um povo).

Em 1983, o objetivo da CCC foi reformulado e agora lá se lê: “promover o ecumenismo e a mudança social em obediência a Jesus Cristo e em solidariedade com os pobres”. Desde então, a Conferência tem desenvolvido uma abordagem estratégica e tem implementado uma resposta programática integrada em relação aos muitos temas sócio-econômicos e aos males sociais que impactam o Caribe. Entre esses estão a pobreza endêmica, uma alta incidência de infecção por HIV/AIDS, o tráfico e o vício ligado a drogas, e a perda de raízes que acontecia quando as pessoas eram deslocadas por várias razões – incluindo desastres naturais, violência e busca por trabalho e uma vida melhor.

A intenção do modo de agir da CCC é um engajamento eclesial mais profundo e um acompanhamento mútuo das Igrejas membros, através das agências e instituições existentes, chegando até às congregações locais. As principais iniciativas do programa são:

  • Iniciativas Regionais Prioritárias (HIV/AIDS, drogas, violência, família, alimento, pessoas deslocadas)
  • Desenvolvimento Sustentável Sócio-econômico (redução da pobreza, organização de projetos, preparação para enfrentar desastres)
  • Advocacia e Comunicações (consciência pública, informação, diálogo e partilha)
  • Relações Internacionais (integração regional, visitas de solidariedade e assuntos culturais)

Ao tratar de alguns desses temas, a CCC trabalha bem de perto com importantes organizações regionais inter governamentais, a principal delas sendo a Comunidade Caribenha (CARICOM). Tem também se envolvido ao longo dos anos com vários departamentos das Nações Unidas (UN) e de governos norte americanos e europeus.

Além das iniciativas acima, a CCC estabeleceu um Fórum Regional de Conselhos Nacionais de Igrejas (NCCs), como espaço para trabalho mais amplo em rede e acompanhamento mútuo desses Conselhos na região. Isso aconteceu como reconhecimento do papel importante desempenhado por esses Conselhos, alguns dos quais são anteriores a CCC, em várias partes da região. O Fórum foi convocado pela primeira vez em 2001, numa reunião com o tema Cantar uma Nova Canção. Ele se reuniu anualmente daí para a frente até 2008. Como acontece com outras iniciativas, o Fórum Regional teve de ser reduzido por motivo de significativa redução de fundos na organização.

Em tempos recentes, uma ênfase maior na base teológica do ecumenismo tem sido buscada pela Secretaria da CCC em conversação com as Igrejas membros. Esse é um esforço para fortalecer o tema fundamental da koinoniaque, como se percebeu, havia sido de certa forma obscurecido pela ênfase dominante dada à diakonia.

Tem havido também um novo envolvimento da CCC com outras expressões e configurações ecumênicas, como o movimento de Taizé e o setor caribenho do Fórum Cristão Global (GCF). Este último é um meio importante de ir ao encontro de cristãos evangélicos e pentecostais e dialogar com eles. A CCC tem agido para convocar e facilitar as reuniões do GCF caribenho.

Além da CCC, há outras expressões institucionais de ecumenismo no Caribe. Duas dessas importantes manifestações são o United Theological College das Índias Ocidentais (UTCWI), localizado na Jamaica, e o Conselho Caribenho e Norte Americano para a Missão (CANACOM). São duas instituições protestantes, a última sendo especificamente de tradição reformada. É interessante perceber que o UTCWI fica vizinho ao Roman Catholic Theological College (Universidade Católica Romana de Teologia – que antes era um seminário). Os palestrantes e estudantes de ambas as instituições têm tido um relacionamento bem amigável e mutuamente edificante ao longo dos vários anos da existência dessas instituições.

Em um nível regional mais amplo, há também a Associação Caribenha de Escolas Teológicas (CATS). Essa organização une de maneira colaborativa as três maiores universidades da Caribe de língua inglesa: o UTCWI, o Codrington (Anglicano) College, de Barbados e o Seminário Católico Romano de São João Vianney e dos Mártires de Uganda, em Trinidad.

Nenhuma consideração da situação ecumênica do Caribe estaria completa sem perceber que o Caribe ofereceu um magnífico presente ao movimento ecumênico mais amplo na pessoa do Rev. Dr. Philip Alford Potter – o celebrado terceiro secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas (WCC). Dr. Potter, hoje de reverenciada memória, foi um ministro metodista e era nativo da comunidade de Dominica. Durante seu mandato como secretário geral do WCC (1972-1984), o Rev. Potter lutou contra o imoral regime de apartheid (separação racial) da África do Sul. Foi também durante o seu mandato que o Papa João Paulo II – em resposta a um convite do WCC – fez sua histórica visita à sede do WCC em Genebra, Suíça. Esse foi um grande destaque nas relações ecumênicas entre o Vaticano e o WCC. Estima-se que haja atualmente treze Igrejas membros do WCC no Caribe, representando 1,4 milhões de cristãos.

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

Temas de 1968 a 2018

Em 1968, materiais preparados em conjunto pela Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e pelo pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos foram usados pela primeira vez.

1968 Para o louvor de sua glória (Efésios 1,14)

1969 Chamados à liberdade (Gálatas 5,13)
(Encontro preparatório em Roma, Itália)

1970 Somos colaboradores de Deus ( 1 Coríntios 3,9)
(Encontro preparatório no monastério de Niederaltaich, na República Federal Alemã)

1971  ... e a comunhão do Espírito Santo (2 Coríntios 13.13)

1972  Eu vos dou um novo mandamento (João 13,34)
(Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1973 Senhor, ensina-nos a orar (Lucas 11,1)
(Encontro preparatório no mosteiro de Montserrat, Espanha)

1974 Que toda língua confesse: Jesus Cristo é o Senhor (Filipenses 2, 1-13)
(Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1975 Plano de Deus: todas as coisas em Cristo (Efésios 1,3-10)
(Material de um grupo australiano. Encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1976 Seremos como Ele (João 3,2) ou Chamados a ser o que somos
(Material da Conferência Caribenha de Igrejas; encontro preparatório em Roma, Itália)

1977 A esperança não nos decepciona (Romanos 5,15)
(Material do Líbano, no meio de uma guerra civil; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1978 Não sois mais estrangeiros (Efésios 2,13-22)
(Material de uma equipe ecumênica em Manchester, Inglaterra)

1979 Servi uns aos outros para a glória de Deus (1 Pedro 4,7-11)
(Material da Argentina; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1980 Que venha o teu Reino! (Mateus 6,10)
(Material de um grupo ecumênico em Berlim, República Democrática Alemã; encontro preparatório em Milão)

1981 Um Espírito – muitos dons – um só corpo (1 Coríntios 12,3b-13)
(Material dos Graymoor Fathers, USA; encontro preparatório em Genebra, Suíça)

1982 Que todos estejam na tua casa, Senhor (Salmo 84)
(Material do Quênia; encontro preparatório em Milão, Itália)

1983 Jesus Cristo - a Vida do mundo (1 João 1,1-4)
(Material de um grupo ecumênico na Irlanda; encontro preparatório em Céligny, Suíça)

1984 Chamados a ser um pela cruz de nosso Senhor (1 Coríntios 2,2 e Colossenses 1,20)
(Encontro preparatório em Veneza, Itália)

1985 Da morte à vida com Cristo (Efésios 2,4-7)
(Material da Jamaica; encontro preparatório em Grandchamp, Suíça)

1986 Vós sereis minhas testemunhas (Atos 1,6-8)
(Material da Iugoslávia - Eslovênia ; encontro preparatório na Iugoslávia)

1987 Unidos em Cristo – uma nova criação (2 Coríntios 5,17 a 6,4a)
(Material da Inglaterra; encontro preparatório em Taizé, França)

1988 O amor de Deus afasta o medo (1 João 4,18)
(Material da Itália; encontro preparatório em Pinerolo, Itália)

1989 Construindo a comunidade: um só corpo em Cristo (Romanos 12,5-6a)
(Material do Canadá; encontro preparatório em Whaley Bridge, Inglaterra)

1990 Que todos sejam um... para que o mundo creia (João 17)
(Material da Espanha; encontro preparatório em Madri, Espanha)

1991 Louvai ao Senhor, todas as nações (Salmo 117 e Romanos 15,5-13
(Material da Alemanha; encontro preparatório em Rotenberg an der Fulda, República Federal da Alemanha)

1992 Estou convosco sempre... Ide, portanto. (Mateus 28,16-20)
(Material da Bélgica; encontro preparatório em Bruges, Bélgica)

1993 Dando frutos no Espírito para a unidade cristã (Gálatas 5,22-23)
(Material do Zaire; encontro preparatório em Zurich, Suíça)

1994 A casa de Deus: chamados a ser um no coração e na mente (At 4,23-37)
(Material da Irlanda; encontro preparatório em Dublin, República da Irlanda)

1995 Koinonia: comunhão em Deus e uns com os outros (João 15,1-17)
(Material de Fé e Ordem; encontro preparatório em Bristol, Inglaterra)

1996 Eis que estou à porta e bato (Apocalipse 3, 14-22)
(Material de Portugal; encontro preparatório em Lisboa, Portugal)

1997 Em nome de Cristo, reconciliai-vos com Deus (2 Coríntios 5,20)
(Material do Conselho Ecumênico Nórdico; encontro preparatório em Estocolmo, Suécia)

1998 O Espírito socorre a nossa fraqueza  (Romanos 8,14-27)
(Material da França; encontro preparatório em Paris, França)

1999 Deus habitará com eles. Será seu Deus e eles serão seu povo (Apocalipse 21,1-7)
(Material da Malásia; encontro preparatório no mosteiro de Bose, Itália)

2000 Louvado seja Deus, que nos abençoou em Cristo (Efésios 1,3-14)
(Material do Conselho de Igrejas do Oriente Médio; encontro preparatório em La Verna, Itália)

2001 Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14,1-6)
(Material da România; encontro preparatório em Vulcan, România)

2002 Em ti está a fonte da vida (Salmo 36,5-9)
(Material do CEEC e CEC; encontro preparatório perto de Augsburg, Alemanha)

2003 Trazemos este tesouro em vasos de argila (2 Coríntios 4,4-18)
(Material das Igrejas da Argentina; encontro preparatório em Los Rubios, Espanha)

2004 Eu vos dou a minha paz (João 14,23-31 e João 14,27)
(Material de Aleppo, Síria; encontro preparatório em Palermo, Sicília)

2005 Cristo, o único fundamento da Igreja (1 Coríntios 3,1-23)
(Material da Eslováquia; encontro preparatório em Piestany, Eslováquia)

2006 Quando dois ou três se reúnem em meu nome, eu estou no meio deles (Mateus 18,18-20) (Material da Irlanda; encontro preparatório em Prosperous, Co. Kildare, Irlanda)

2007 Ele faz os mudos falarem e os surdos ouvirem (Marcos 7,31-37)
(Material da África do Sul; encontro preparatório em Faverges, França)

2008 Orai sem cessar (1 Tessalonicenses 5, 12a. 13b- 18)
(Material dos USA; encontro preparatório em Graymoor, Garrison, USA)

2009 Unidos em tua mão (Ezequiel 37, 15-28)
(Material da Coréia; encontro preparatório em Marselha, França)

2010 Vós sois testemunhas disso (Lucas 24,48)
(Material da Escócia; encontro preparatório em Glasgow, Escócia)

2011 Unidos no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. (Cf Atos 2,42)
(Material da Jerusalém; encontro preparatório em Saydnaya, Síria)

2012 Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo (cf 1 Coríntios 15, 51-58)
(Material da Polônia; encontro preparatório realizado em Varsóvia, Polônia)

2013 O que Deus exige de nós? (cf. Miquéias 6,6-8)
(Material da Índia; encontro preparatório realizado em Bangalore, Índia)

2014 A caso o Cristo está dividido ? (1 Cor 1, 1-17)
(Material da Canadá; encontro preparatório realizado em Montréal, Canadá)

2015 Jesus lhe disse: Dá-me de beber (João 4,7)
(Material do Brasil; encontro preparatório realizado em São Paulo, Brasil)

2016 Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor (cf. 1 Pedro 2, 9)
(Material da Látvia; encontro preparatório realizado em Riga, Látvia)

2017 Reconciliação – É o amor de Cristo que nos impele (cf. 2 Coríntios 5,4-20)
(Material da Alemanha; encontro preparatório realizado em Wittenberg, Alemanha)

2018 A tua destra, Senhor, esplendorosa de poder (Ex 15,6)
(Material do Caribe; encontro preparatório realizado em Nassau, Bahamas)

DATAS FUNDAMENTAIS NA HISTÓRIA
 DA SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

1740 Na Escócia, surgiu um movimento pentecostal, ligado à América do Norte, cuja mensagem de reavivamento incluía preces por e com todas as Igrejas.

1820 O Rev. James Haldane Stewart publica “Orientações para a união geral dos cristãos para o derramamento do Espírito”.

1840 O Rev. Ignatus Spencer, convertido ao catolicismo romano, sugere uma “União de oração pela unidade”.

1867 A Primeira Conferência de Bispos Anglicanos em Lambeth destaca a oração pela unidade no Preâmbulo de suas Resoluções.

1894 O papa Leão XIII estimula a prática de Oitava de Oração pela Unidade, no contexto de Pentecostes.

1908 Primeira vivência da Oitava da Unidade Cristã, iniciativa do Rev. Paul Wattson.

1926 O movimento Fé e Ordem começa a publicar “Sugestões para uma oitava de oração pela unidade cristã.”

1935 O abade Paul Couturier defende uma “Semana Universal de Orações pela Unidade dos Cristãos”, baseada em preces inclusivas pela “unidade que Cristo quiser, pelos meios que ele quiser”.

1958 A Unidade Cristã (Lyons, França) e a Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas começam a preparar em cooperação os materiais para a Semana de Oração.

1964 Em Jerusalém, o papa Paulo VI e o patriarca Athenagoras I rezam juntos a prece de Jesus para “que todos sejam um” (João 17)

1964 O decreto sobre Ecumenismo do Vaticano II enfatiza que a oração é a alma do movimento ecumênico e incentiva a observância da Semana de Oração.

1966 A Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e o Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (hoje conhecido como Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos) começam a preparar oficialmente juntos o material da Semana de Oração.

1968 Primeiro uso oficial do material da Semana de Oração preparado em conjunto por Fé e Ordem e pelo Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (hoje conhecido como Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos).

1975 Primeiro uso de material da Semana de Oração baseado em uma versão inicial de texto preparada por um grupo ecumênico local. Um grupo australiano foi o primeiro a assumir esse projeto, na preparação do texto inicial de 1975.

1988 Os materiais da Semana de Oração foram usados na celebração de fundação da Federação Cristã da Malásia, que une os grupos cristãos majoritários do país.

1994 Um grupo internacional prepara o texto para 1996, incluindo representantes de YMCA e YWCA (Associação Cristã de Moços/as).

2004 Formaliza-se um acordo pelo qual os materiais da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos serão publicados e produzidos no mesmo formato por Fé e Ordem (WCC) e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Igreja Católica).

2008 Comemoração do centésimo aniversário da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (sua predecessora, a Oitava da Unidade Cristã, foi observada pela primeira vez em 1908).

 


[1] Este texto é da inteira responsabilidade do grupo ecuménico no Caribe especialmente constituído para a redação do projecto de texto para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2018.

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