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Pontifical Council for the Pastoral Care of Migrants and Itinerant People
People
on the Move
N°
99, December 2005
PASTORAL RODOVIÁRIA (em Brasil)
Pe. Marian Litewka, C.M.
1 - Cronologia e abrangência
- Antecedentes:
- em várias paróquias, a partir das décadas de 1940 e 1950, promovem-se as
Festas dos Motoristas (em geral de São Cristóvão), com caráter religioso,
folclórico e financeiro;
- há casos de trabalho pastoral mais sério, referente aos motoristas de alguns
padres, porém limitado ao âmbito de suas paróquias;
- idéia de D. Geraldo Micheletto Pellanda, DD. Bispo Diocesano de Ponta Grossa-PR
acerca da necessidade de algum atendimento pastoral dos motoristas
profissionais;
- idéia do Padre Marian Litewka, C.M.;
- o encontro das idéias e a decisão de iniciar o trabalho pastoral nas estradas
(da Diocese de Ponta Grossa, mais do Sul do Estado do Paraná, mais da
totalidade do Estado do Paraná e do Brasil).
- Apoio da Congregação da Missão (C.M.): liberação de um padre (depois vários
padres) para a Pastoral Rodoviária.
- Apoio dos Srs. Bispos (do Paraná, etc.).
- Apoio financeiro da AÇÃO ADVENIAT (6 vezes, entre: 1976-94).
- 1976 - início da Pastoral Rodoviária no Brasil (“de leve”); veículo - um
automóvel “Corcel-Belina”.
- 1977 até 1980, apenas o Estado do Paraná (PR).
- Contatos com a Espanha.
- 1980 - aquisição de um caminhão, transformado em caminhão-capela (é o
primeiro de uma série de 7 caminhões, contando com os 3 atuais em 2005).
- 1981 - o Estado de Santa Catarina (SC) e o Estado do Rio Grande do Sul (RS).
- 1982 - o Estado de São Paulo (SP), o Estado do Mato Grosso do Sul (MS) e o
Estado do Mato Grosso (MT).
- 1983 - os Estados do Rio de Janeiro (RJ), do Espírito Santo (ES), da Bahia
(BA), de Minas Gerais (MG) e de Goiás (GO).
- A partir de 1984, a Pastoral Rodoviária firma-se nos Estados do: Paraná, Santa
Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul (parcialmente também: no
Estado de São Paulo e no Estado do Mato Grosso).
- Adesão de irmãs Religiosas Missionárias de Nossa Senhora das Dores à
Pastoral Rodoviária (1985-1996).
- 1988 - Padre José Carlos Chacorowski, C.M. (Padre Zé-da-Estrada).
- Retomada e desenvolvimento (Padre José Carlos e irmãs RMNSD) da Pastoral
Rodoviária nos Estados de São Paulo, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Espírito
Santo, Bahia, Minas Gerais e Goiás.
- Início e desenvolvimento (Padre José Carlos e irmãs RMNSD) da Pastoral Rodoviária
no “resto” do Brasil.
- 1993 - Padre Miguel Staron, C.M.
- 1996 - Padre Germano Nalepa, C.M. (no lugar do Padre José Carlos Chacorowski,
C.M.).
- Abrangência atual - estendemos o nosso serviço a todo o Brasil, mas mais justo
seria dizer “à metade do Brasil”, porque ficou fora por falta de estradas
viáveis, o grande Estado de Amazonas (AM), bem como o Estado de Acre (AC) e o
Estado de Roraima (RR).
- O Responsável pela Pastoral Rodoviária é o atual Bispo Diocesano de Ponta
Grossa-PR, D. Sérgio Braschi.
- Como agentes prestativos trabalham atualmente, Padre Marian Litewka, C.M. (por
enquanto, em tratamento de saúde) desde 1976, Padre Miguel Staron, C.M., desde
1993 e Padre Germano Nalepa, C.M., desde 1996. Para uso dos 3 padres estão 3
caminhões-capelas.
- O sustento da Pastoral Rodoviária é baseado nas ofertas espontâneas do
pessoal da estrada. Não aceitamos quaisquer doações de grandes empresas, nem
do governo. Ajuda especial (para diversos projetos), até o ano de 1994,
recebemos da AÇÃO ADVENIAT.
- Gratidão ao falecido Sr. Bispo D. Geraldo Micheletto Pellanda, aos Srs. Bispos
que o sucederam na Diocese de Ponta Grossa-PR, à Congregação da Missão Província
do Sul (CMPS), à AÇÃO ADVENIAT (da Alemanha), às abnegadas irmãs da
congregação de RMNSD, enfim a todos que nos ajudaram de alguma forma durante
29 anos da história apresentada acima.
2 - Idéia da pastoral rodoviária e sua dinâmica
Acredito que a idéia fundamental de qualquer gesto pastoral (também de um
gesto que possamos identificar como pertencente ao ambiente rodoviário) é a
valorização da pessoa humana perante Deus. Mesmo que sejam gestos bastante
superficiais, como são, p.ex., festas religiosas externas (na nossa área de
interesse: a Festa dos Motoristas). Mais ainda, quando se trata de fazer um
gesto de evangelização genuína.
No decorrer dos anos, conheci vários agentes pastorais (padres e leigos)
dedicados, que faziam e fazem esses gestos de evangelização: seja pela atitude
da bondade cristã, seja pela escuta atenta dos problemas alheios, ou seja pela
ação pastoral bem organizada. Falando de agentes pastorais leigos, existem no
ambiente rodoviário apenas agentes informais.
Quanto à Pastoral Rodoviária no Brasil surgiu de encontro de duas idéias
muito próximas: a idéia de D. Geraldo Micheletto Pellanda, DD. Bispo Diocesano
de Ponta Grossa-PR e a idéia do autor destas linhas.
D. Geraldo viu o volume de tráfego rodoviário nas estradas que cortam a
Diocese de Ponta Grossa-PR e quis encontrar um modo de levar o Evangelho para
este ambiente. Foi por isso que, participando do Concílio Vaticano II, lá pelo
ano 1965, providenciou a cópia al-fresco da imagem de Nossa Senhora da Estrada
(baseada no quadro de “Madonna della Strada” da Igreja “Del Gesú” em
Roma). D. Geraldo sonhava com a construção de uma capela e de um centro de
atendimento pastoral dos motoristas em viagem.
A idéia de atendimento específico aos motoristas (principalmente aos
profissionais do volante) também foi acalentada por mim durante muitos anos.
Entretanto, nunca imaginei que ia assumir pessoalmente esse serviço. Tive razões
para isso: dificuldades com a língua - sendo estrangeiro - e a falta de
identificação mais aprofundada com o ambiente rodoviário. Foi justamente D.
Geraldo quem me desafiou a encarar a Pastoral Rodoviária. O que lembro hoje, é
que - na época - não tive alguma idéia concreta de como começar e conduzir
esse trabalho. Tive, sim, algumas pistas. Não quis me prender a algum centro de
atendimento pastoral dos motoristas em viagem, mas estar presente no ambiente de
trabalho do pessoal da estrada, acompanhar os motoristas profissionais, sentir a
sua vida e inserir nessa vida o Evangelho. A idéia concreta da Pastoral Rodoviária
foi forjada pelos acertos e erros dos anos subseqüentes.
Em poucas palavras, a idéia atual da Pastoral Rodoviária é a seguinte:
- valorização, pelo Evangelho, de quem vive e trabalha no ambiente
rodoviário;
- presença ambulante da Igreja nas estradas de todo Brasil;
- ajuda na organização social dos motoristas profissionais (conforme o lema:
“O povo unido - pela força de Deus - jamais será vencido!”).
3 - Metodologia aplicada na pastoral rodoviária
O ponto de partida foi e é a Missa (denominada: Missa Rodoviária ou Missa dos
Motoristas). Partimos da colocação do Vaticano II, de que a Missa é “a
fonte e o cume” da vida cristã. Não instrumentalizamos a Missa para
“arrebanhar” o povo. Simplesmente não idealizamos a vida cristã,
aceitamo-la em sua dimensão real como é vivida pelo pessoal que trabalha na
estrada (com suas virtudes e deficiências). E, já que o povo identifica Missa
como a expressão máxima do catolicismo tornamo-la como ponto de referência.
No entanto, o nosso trabalho não se restringe somente à Missa. A Missa é o
fecho do dia. Durante o dia todo, marcamos a presença ambulante da Igreja nas
viagens e durante as visitas aos estabelecimentos rodoviários (postos de
combustível, restaurantes e lanchonetes rodoviários, oficinas, borracharias,
postos de polícia rodoviária, etc.).
As visitas têm como finalidade:
- criar um ambiente de amizade nas estradas;
- valorizar, pelo Evangelho, a quem vive e trabalha no ambiente rodoviário;
Para conseguir isso, usamos a conversa fraterna, a distribuição de pequenas
lembranças e folhetos com mensagens ou com avisos.
A própria Missa acontece, em geral, no fim da jornada:
- no pátio de um estabelecimento rodoviário, que o pessoal da estrada considera
como o seu chão;
- dentro do caminhão-capela, com o povo presente no pátio;
- a pregação focaliza assuntos vividos pelos participantes à luz do Evangelho;
- a Missa é simples; não queremos criar ilusão duma Missa especial, diferente
da que se faz nas comunidades paroquiais (não pretendemos criar uma “Igreja
Rodoviária”; queremos, sim, ajudar na integração do pessoal da estrada na
vida total da Igreja).
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