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Pontifical Council for the Pastoral Care of Migrants and Itinerant People
People
on the Move
N° 104, August 2007
VII Encontro
de Animadores
Sócio – Pastorais
PORTUGUESES*
(na ocasião do 93° dia Mundial do
Migrante e do Refugiado)
Para assinalar
o 93° Dia Mundial do Migrante e Refugiado, realizou-se o VII Encontro de
Animadores Sócio-Pastorais
das Migrações. Reuniu em Fátima
(Casa Francisco e Jacinta
Marto) 50 representantes de 12 Dioceses, que
trabalham em Secretariados da
Mobilidade Humana, Caritas Diocesanas ou outros Centros de apoio às
famílias migrantes.
"Ser
Família em Terra Estrangeira"
foi o tema em debate, cumprindo a sugestão do Papa
Bento XVI na Mensagem para
este dia e na sequência do
V Encontro Mundial das
Famílias (Valência, Julho
de 2006).
A exibição, seguida de debate, do filme "Waiting for
Europe"
(CRIM
Produções), actualmente em estreia por diferentes
localidades de Portugal, assim como a presença
de imigrantes de Cabo Verde, Brasil e Ucrânia com as suas histórias de
vida, foram um contributo
importante para perceber a
beleza e dramaticidade da actual mobilidade de povos em Portugal e na
Europa.
Os participantes lançaram
um olhar particular sobre a
mobilidade actual nos Açores, em contexto nacional.
Constatações
- A sociedade e o mundo das migrações precisa da
visão humanizante e sobrenatural
da família pois só nesse "centro nevrálgico da sociedade" (Bento
XVI) a pessoa se pode
desenvolver
integralmente.
- Nas dioceses onde acontecem eficazes parcerias
entre as estruturas
da Igreja que trabalham
com as migrações, e
destas com o Estado e com a sociedade civil, notam-se resultados
mais visíveis no serviço às famílias migrantes
e na sensibilização das comunidades cristãs.
- Regista-se a realidade nacional de que 75% dos
actuais fluxos migratórios acontecem, não por via laboral,
mas antes pelo aumento do recurso
ao canal legal do гeagrupamento
familiar.
- A fé e a religiosidade são factores de estabilidade
na integração das famílias, na transmissão dos valores da vida, do
amor, da identidade, da cultura, da educação e na sua trajectória
de vida em terra estrangeira.
- Só através do serviço efectivo à família é
possível uma visão global e humanista dos movimentos migratórios,
assim como a prevenção e combate a comportamentos de exclusão.
- Há comunidades que já manifestam uma particular
atenção aos menores e às famílias com situações de irregularidade,
mas é preciso ir mais longe.
Propostas
- Flexibilizar
o instituto jurídico do reagrupamento familiar no que diz respeito
às exigências da habitação, dos meios de subsistência com vista à
elegibilidade dos candidatos ainda a viver fora ou já em Portugal;
- Acolher
activamente, sem preconceito,
as novas situações familiares entre
os migrantes: famílias monoparentais, uniões de facto, cônjuges
sós, matrimónios mistos (culturais e religiosos);
- Estender
a rede dos Consulados a todos os países de origem
dos imigrantes, favorecendo a transparência no combate à corrupção
e unificando procedimentos burocráticos;
- Concretizar, entre
as famílias de imigrantes, a igualdade de tratamento e de acesso aos
mesmos direitos de todas as famílias portuguesas;
- Acompanhar
a instituição do bilinguismo na educação, numa atenção activa à,
segunda geração das comunidades imigrantes;
- Dar atenção às famílias numerosas na população
migrante, não permitindo que o acolhimento
do valor da vida seja
motivo de penalização e sobrecarga fiscal;
- Ir ao encontro daqueles que se encontram
desprovidos da rede familiar, nomeadamente por parte das estruturas
da Igreja: os sem abrigo,
os reclusos, os irregulares,
os deportados, os estudantes, os órfãos, os idosos, entre outros;
- Promover "contratos de acolhimento"
das comunidades migrantes na Sociedade, porque os imigrantes
não são braços de trabalho,
mas pessoas com afectos, com projectos
de vida individual e
familiar;
- Instituir equipas de acolhimento e integração
das famílias migrantes na comunidade local, com uma particular
atenção aos filhos de
imigrantes, e consolidar
nas paróquias, movimentos de espiritualidade (especialmente
familiar) e outras estruturas
eclesiais de formação o
acolhimento às famílias
migrantes respeitando a sua identidade e itinerário de fé na
proposta litúrgica, catequética e sacramental;
- Criar
um grupo de trabalho
para estudar a constituição de uma plataforma que represente a voz
da Igreja na salvaguarda
do direito a viver em família e desenvolva acções concretas de
acompanhamento dos casos
que ofendem a dignidade familiar;
- Dar a
conhecer aos movimentos e
estruturas de Pastoral Familiar
da Igreja
a Carta dos Direitos da
Família, proposta pelo Sínodo dos Bispos (1980) e proclamada há 24
anos, no que concerne às
famílias migrantes;
Os participantes acolhem
com optimismo as recentes mudanças na "lei de imigração" em prol do
valor da família migrante e de particulares situações excepcionais de
irregularidade, desejando,
para breve, a regulamentação da mesma.
Os participantes estão convencidos de que "o
exercício de viver em família, através da viabilização do reagrupamento
familiar do núcleo da família imigrante, constitui um expoente e medida
da humanidade de uma política
de integração de imigrantes".
Neste encontro, recordaram-se todos os que trabalham
no apoio às famílias migrantes, nomeadamente o Presidente da Caritas
Portuguesa, Eugênio Fonseca, cujo
estado de saúde o impediu de estar presente. Por todos oramos, para que
o trabalho de cada um e em
comunidade possa acolher
e integrar cada pessoa, cada família.
Neste encontro foi anunciada, em conferência de
imprensa, a realização do V Fórum
das Migrações da Caritas Europa em Portugal. Decorrerá entre os dias 20
e 22 de Setembro de 2007, coincidindo com a Presidência Portuguesa da
Comunidade Europeia. "Construir pontes ou barreiras",
será o tema em debate neste Fórum.
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