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Pontifical Council for the Pastoral Care of Migrants and Itinerant People
People
on the Move
N° 108, December 2008
ENCONTRO NACIONAL DA PASTORAL DAS
MIGRAÇÕES
(Portugal)
Conclusões
Reunidos no Santuário Nossa Senhora do Sameiro, em
Braga, de 7 a 10 de Julho de 2008, sob o tema ”As migrações e os
desafios pastorais da Igreja, num País em Mutação Cultural”, a Comissão
Episcopal da Mobilidade Humana, a Obra Católica Portuguesa de Migrações,
os Secretariados Diocesanos das Migrações e as Capelanias dos Imigrantes
constataram como desafios:
1 – Necessidade de criar na Igreja e na sociedade uma
cultura que olhe o imigrante como pessoa que luta pela sua dignidade,
que tem inscrito no seu ADN “o desejo de ir mais além” e não como mero
objecto descartável. Sujeito com direito à plenitude da sua dignidade
humana.
2 – Necessidade de levar a pessoa do imigrante a
criar o desejo de passar de uma condição de servidão laboral para o uso
de plenos direitos como cidadão.
3 – Sendo o grau de confiança dos imigrantes face à
Igreja maior do que face a outras instituições que dão o mesmo tipo de
resposta, há que investir na qualidade da resposta da Igreja para que
não frustre as expectativas dos imigrantes.
4 – A falta de agentes para a pastoral quer dos
imigrantes quer dos emigrantes, desafia ao como envolver e mudar
mentalidades para que em todos os sectores da Igreja a Pastoral das
Migrações seja vista como uma prioridade que exige a disponibilidade de
pessoas, de meios e de tempo.
5 – As comunidades portuguesas da diáspora têm algo a
comunicar ao país. Elas querem ser conhecidas e reconhecidas nos seus
sucessos e modos de vida. Como levar os meios de comunicação social,
particularmente os de serviço público, a passar nos canais nacionais, em
horário nobre, os programas “Contacto” e outros, que nos ajudam a
conhecer a realidade dos nossos emigrantes e a sensibilizar o país para
a prática do acolhimento e integração dos imigrantes como o que é
oferecido aos nossos nos outros países.
6 – Necessidade de manter uma voz activa junto dos
responsáveis políticos para que tenham uma postura que afirme os
direitos adquiridos pelos imigrantes em Portugal, consagrados na lei,
face ao contexto actual da União Europeia que busca políticas
concertadas para as migrações.
7 – Como Igreja, continuar a sensibilizar, envolver e
trabalhar em parceria com as autarquias e outras entidades da sociedade
civil no processo de integração dos imigrantes.
Perante os desafios propomo-nos:
1 – Apelar aos responsáveis das Igrejas
[particulares] de Portugal e dos países de origem, para que
disponibilizem agentes para o trabalho pastoral das migrações.
2 – Apelar os Secretariados Diocesanos e os Serviços e Obras
Nacionais serem mais activos na sensibilização dos órgãos de comunicação
social para os problemas das migrações e minorias étnicas.
3 – A ter uma maior atenção às expressões da
religiosidade popular, pois estas exprimem a identidade e reforçam o
sentido de pertença, integração e coesão social.
4 – Promover no âmbito das Dioceses uma Pastoral das
Migrações que abranja as paróquias, interpelando os párocos para uma
permanente interacção com os respectivos Secretariados Diocesanos.
5 – Estimular a participação das comunidades de
imigrantes nos Média da Igreja, promovendo uma maior abertura para a
divulgação da sua realidade.
6 – Envolver as comunidades imigrantes nos nossos
encontros como forma de as tornar protagonistas da acção da Igreja, e de
suscitar agentes pastorais, sociais e culturais no seio das próprias
comunidades.
7 – Acompanhar as políticas locais, nacionais e
europeias, mantendo uma atitude de diálogo construtivo e de denúncia
sempre que as decisões forem contrárias aos princípios cristãos e aos
direitos fundamentais da pessoa do imigrante.
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