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Pontifical Council for the Pastoral Care of Migrants and Itinerant People
People
on the Move
N° 110 (Suppl.), August 2009
Pe. Wallace do
Carmo Zanon
Diretor Executivo
BRASIL
"Queremos assegurar-lhes isto: fazemos uma
promessa que o Senhor nos ajudará a cumprir. Nós seguiremos vocês. Vocês
poderão fugir, mas nós o seguiremos ainda assim e procuraremos com a
ajuda da Pastoral dos Nômades feita para assisti-los, relacionando um
pouco com todos. Procuraremos surpreendê-los, quando vocês estiverem
cansados, quando ninguém os assistis, quando se sentirem culpados e
ofendidos ou correrem em irregularidade. Quem será o advogado de vocês?
Quem o assisterá? Quem se interesserá por vocês? Nós faremos da melhor
forma possível colocando-nos sempre perto de vocês. Vocês vieram a mim.
Se o Senhor nos ajudar, nós iremos até vocês para encontrá-los em sua
estradas, para consolá-los e ouvi-los dizer: ‘nós somos no mundo tão
forasteiros que ninguém nos quer bem.’ Nós queremos bem a vocês em nome
de Jesus. Nós queremos bem a vocês tanto quanto o Senhor nos conceder
força e possibilidade de fazê-lo. Mas não é uma promessa que fazemos
apenas com lábios, mas com coração e com amor que vocês nos inspiram com
suas necessidades, do jeito como vocês são mesmo, provocando em nós esta
atitude de caridade, de benevolência, de interesse, de solidariedade que
nós, em nome de Cristo prometemos estar sempre unidos a vocês." (Papa
Paulo VI em uma romaria cigana por ocasião do ano jubilar em 1975.)
Foi a partir desta aclamação de sua Santidade que
surge a Pastoral dos Nômades do Brasil. Poderíamos dizer que a Pastoral
dos Nômades iniciou quando, em algum lugar do vasto território
brasileiro, um sacerdote ou outro membro da comunidade soube acolher,
compreender e atender a um irmão Nômade. Mas oficialmente a Pastoral
teve seu início em 1985 quando o então Bispo de Caxias do Sul, Dom
Benedito Zorzi, trouxe da Itália Padre Renato Rosso, possuidor de uma
grande experiência mística de caminhada com os nômades. Padre Renato
saiu pelo Brasil procurando todos aqueles que acolhiam os nômades,
tentando assim organizar a Pastoral dos Nômades. Em 1987 aconteceu o
primeiro encontro Nacional, no qual, Dom Paulo Morreto foi eleito o
primeiro presidente e Padre Renato ficou como Diretor executivo.
A Pastoral dos Nômades do Brasil está ligada ao
Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e dos Itinerantes, na
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil estamos ligados à Comissão
Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, no Setor
Mobilidade Humana. No Brasil, vários sacerdotes, religiosos e leigos
dedicam-se a essa Pastoral, procurando cumprir os principais objetivos,
que constituem o empenho de toda a Igreja.
•
Ser presença da igreja entre os nômades: anúncio, serviço, diálogo e
testemunho;
•
Promoção humana e social;
•
Inter-relacionamento com os sedentários, respeitando a vida e a cultura
dos nômades.
E levar
em conta:
•
A complexidade do mundo dos nômades;
•
A promoção humana integral;
•
Os graus de marginalização e de cultura;
•
A valorização do patrimônio étnico;
•
A organização pastoral;
•
A catequese adequada;
•
A valorização cristã da cultura;
A Pastoral
dos Nômades do Brasil procura desenvolver suas atividades visando à
promoção humana e cristã das pessoas e do grupo que integra o povo
nômade, especialmente nas seguintes características: ciganos, circenses,
parquistas.
O serviço
da Pastoral dos Nômades entende-se como um conjunto de atividades e
estruturas voltadas para o conhecimento dos costumes religiosos,
pedagógicos em geral, culturais e sociais dos nômades. Destacam-se entre
as atividades da Pastoral o que se refere ao estudo e à pesquisa a
respeito dos nômades, cuidando da publicação e da divulgação dos mesmos.
Para realizar as finalidades descritas, os Agentes da Pastoral dos
Nômades deverão ser caracterizados por um espírito de encarnação
evangélica, evitando-se qualquer forma de paternalismo.
Principais ações da pastoral dos nômades do Brasil:
•
Visita aos acampamentos ciganos, aos parques de diversões e circos e
realização dos sacramentos;
•
Caminhar junto com os Nômades;
•
Assembléia anual da PN;
•
Dia nacional dos Ciganos, 24 de maio;
•
Visibilidade da PN;
•
Formação para os agentes da Pastoral nas dioceses;
•
Parceria com o Setor da Mobilidade Humana;
•
Formação para líderes ciganos;
•
Parceria entre Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Secretaria
especial de Direitos
Humanos do
Govemo do Brasil e Pastoral dos Nômades;
•
Aulas com voluntários nos acampamentos ciganos no Brasil.
Sobre os
Jovens Ciganos no Brasil temos uma realidade bem incomum aos demais
jovens. Os ciganos jovens vivem com dificuldades, como por exemplo a
acesso escola, ao trabalho, a saúde pública, pois a maioria dos
ciganos no Brasil, devido a alguns fatores e devido a situação de
abandono que viveram, tanto por parte do Estado, da Igreja e da
sociedade, por isso viveram sempre uma situação obscura, sempre nas
periferias e fechados no seu mondo, diante disso foram obrigados se
adaptarem a algumas realidades dos não ciganos e assim foram perdendo
algumas características, como na cultura, no vestimenta, na experiência
religiosa, (a maioria dos ciganos no Brasil são católicos, agora com um
pouco influenciado pelas seitas, que investem muito nos ciganos. Os
ciganos jovens estão perdendo um pouco dos costumes dos ciganos mais
velhos, isso não em sua totalidade, mas sim, em grupos diferentes.
Os ciganos
no Brasil, casam-se muito cedo, com cerca de 13 para 14 anos, e isso
lhes jogam na responsabilidade de uma família muito cedo, fazendo que
ele abandone a escola e assim vão-se afastando de possibilidades de
trabalhos melhores, de um passo maior nos estudos, com possibilidade de
chegarem a faculdade, no Brasil são pouquíssimos os ciganos que têm ou
estão estudando um curso superior.
A Pastoral
dos Nômades do Brasil, diante dessa realidade, tem um grande desafio
diante da juventude e de todo o povo cigano e a partir desta realidade é
que tem trabalhado, ajudando assim os ciganos a superarem esta
dificuldade, fazendo as seguintes ações:
•
Conseguindo vaga para os ciganos participarem da 1a
Conferência Nacional Brasileira, que foi promovida pelo Govemo Federal
Brasileiro (Participaram 30 jovens ciganos, conseguiram colocar 3
emendas de políticas públicas para serem enviadas ao Governo Federal);
• Reunião
com alguns jovens para preparação para a Conferência da Juventude;
•
Acompanhamento nos acampamentos para orientação aos mais jovens
incentivando para continuarem no estudo;
•
Alfabetizando algumas crianças, jovens e adultos que estão fora da
Escola;
•
Catequese nos acampamentos e bairros de ciganos mostrando a necessidade
de uma religião e mostrando a doutrina católica e divulgando o Beato
Zeferino, como exemplo de uma experiência religiosa;
•
Incentivando a Cultura, o aperfeiçoamento da língua, a participação dos
ciganos no Ministério da Cultura na iniciativa do Ministério.
Com estas
ações estamos buscando uma vida melhor e mais digna aos ciganos
Brasileiros, de modo especial aos mais jovens, que têm sofrido bastante
no Brasil.
Uma ação
importante que a Pastoral dos Nômades do Brasil em Parceria com a
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, firmou um projeto com a
Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal, criando Centro de
Referência de Direitos Humanos para os povos ciganos, que contará com 1
Advogado, 1 Coordenador geral, 1 Executor, 2 Estudantes de Direito e 1
Secretária.
Neste
contexto, a metodologia e a estratégia do Centro de Referência de
Cidadania da População Cigana funcionará de forma que privilegie a
realização de ações diretas e indiretas, utilizando-se mecanismos e
instrumentos facilitadores na execução de reuniões, palestras, debates,
informaçãoes, etc. tais como:
Assistência e Orientação e Encaminhamento
•
Informações e orientação sobre deveres e direitos do cidadão e sobre a
legislação que assegura esses direitos;
• Recepção
e encaminhamento de denúncia sobre violação dos direitos humanos dos
ciganos;
•
Encaminhamento de casos para a Defensoria Pública, Delegacias
Especializadas, Instituto Nacional de Seguridade Social - INSS,
Delegacia Regional do Trabalho, entre outros;
•
Incentivar e apoiar a preparação e comemoração do Dia Nacional dos
Ciganos;
• Difusão
da Cartilha dos Direitos dos Ciganos;
•
Distribuir os Banner de identificação dos acampamentos ciganos;
• Realizar
cadastro dos roteiros dos acampamentos ciganos visando criar espaço
cigano nos municipíos dotados de infraestrutura;
•
Estabelecer mecanismos que estruturem rede de apoio à população cigana;
•
Incentivar e apoiar a organização da população cigana.
• Orientar
a população cigana quanto aos aspectos de acesso às políticas públicas
de educação e saúde;
•
Estimular e apoiar na construção da rede de proteção e defesa dos
direitos humanos no combate a discriminação e violência contra a
população cigana;
• Apoiar,
orientar e incentivar as comunidades ciganas para ter o acesso aos
documentos civis básicos, quais sejam, Certidão de Nascimento, Certidão
de Óbito, Carteira de Identidade, Carteira de Trabalho e Previdência
Social, Título de Eleitor, entre outros
Formação e orientação em Direitos Humanos
Desenvolver atividades no sentido de facilitar o conhecimento em
direitos humanos para as lideranças ciganas capacitando-as e informando
como "agentes de cidadania". É importante ressaltar que, além dos
serviços prestados diretamente à população, a implementação do Balcão de
Direitos Móvel produz resultados complementares, destacando-se a rica
formação em direitos humanos adquirida pelos alunos dos cursos de
Direito, que atuam como estagiários nos projetos implantados.
Desenvolver ações e atividades voltadas para o desenvolvimento e a
inclusão social da população cigana buscando objetivar a emancipação
individual, familiar e comunitária, com a definição de estratégias de
racionalidade e efetividade dos recursos alocados, trabalhando com
conceitos de educação cidadã, economia solidária, a inclusão produtiva e
associativismo, estimulando o empreendedorismo solidário.
Estas
atividades deverão estar focadas na construção a partir de núcleos
familiares e comunitárias, dentro de um modelo que aponte para a
conscientização popular que seja transformador e de intensa
transformação social. Com ações de capacitação e orientação que podem
dar respostas ao estímulo e ao desenvolvimento das atividades de
trabalho e renda para a população cigana.
Serão 27
reuniões em todos os Estados onde existe ciganos no Brasil, nestas
reuniões, temos a presença do Governo federal com representantes da
Secretaria de Direitos Humanos, Ministério da Cultura, Ministério do
Desenvolvimento Social, Ministério da Saúde, Secretaria Especial de
Políticas Públicas para Igualdade Racial e Ministério da Educação, além
da presença de Juízes, promotores, delegados de polícia. Com estas
reuniões os ciganos estão falando de suas necessidades, exigindo a estas
autoridades, respeito.
Outro
fator importante é que estamos fazendo um estudo para um pedido de uma
possível prelazia para os ciganos no Brasil, que são em média 800.000 no
imenso território brasileiro.
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