INTERVENÇÃO DA DELEGAÇÃO DA SANTA SÉ NA ORGANIZAÇÃO
PARA A SEGURANÇA E COOPERAÇÃO NA EUROPA
(OSCE)
DISCURSO DE D. JEAN-LOUIS TAURAN
Copenhaga, 18 de Dezembro de 1997
Senhor Presidente
A Santa Sé não pode deixar de evocar os esforços
de todos os que se empenham em elaborar um conceito actualizado de segurança
europeia, respeitosa da dignidade e da soberania de cada povo: homens e mulheres
da nossa geração sacrificaram a sua vida a este ideal, ainda muito recentemente
na Bósnia-Herzegovina.
Para a minha Delegação, esta segurança não será efectiva
e duradoura se a justiça e a solidariedade não caminharem a par e passo com as
iniciativas de prevenção de conflitos e de pacifica ção próprias da OSCE. O Papa
João Paulo II, na tribuna da ONU em 1995, perguntava-se: «Inspirados pelo
exemplo daqueles que assumiram o risco da liberdade, poderíamos nós aceitar
de igual modo o risco da solidariedade e, por conseguinte, o risco da paz».
Solidariedade e paz ainda continuariam a ser ideais desencarnados, se não
repousassem sobre uma cultura da confiança, a única capaz de eliminar os germes
do ódio, do crime organizado, do etnocentrismo e dos preconceitos de toda a
espécie. Qual de nós aqui presentes poderia negar que ainda devem ser feitos
esforços para alcançar uma situação que esteja à altura dos compromissos
assumidos pela OSCE?
A respeito disso, quereria insistir sobre uma situação
preocupante na aplicação dos princípios que nos são caros. A liberdade de
religião está longe de ser assegurada na zona de influência da OSCE:
—
em alguns países, leis recentes instauraram discriminações entre comunidades de
crentes, criando por assim dizer «classes» entre elas;
—
outros não asseguram nenhum
estatuto jurídico a algumas Igrejas minoritárias;
—
há casos em que a legítima autonomia das comunidades reconhecidas é
gravemente limitada.
É, pois,
importante estar vigilante, a fim de que os compromissos assumidos em Helsínquia
e em Viena não fiquem letra morta. Não poderíamos aceitar que a «dimensão
humana» da OSCE se atrofie, visto que outras «dimensões» se fortelecem. No
fundo, dependem da credibilidade da Europa, cuja cultura está baseada nas
liberdades fundamentais da pessoa, a solidariedade, a coesão social e a rejeição
da exclusão.
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