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INTERVENÇÃO DA SANTA SÉ NA 48ª SESSÃO DA ONU SOBRE A
CONDIÇÃO DAS MULHERES
DISCURSO DA SENHORA PROFESSORA MARILYN ANN MARTONE
"A contribuição das mulheres na prevenção, gestão e resolução dos
conflitos"
4 de Março de 2004
Senhora Presidente
Em nome da minha Delegação, permita-me manifestar-lhe as minhas
congratulações, bem como ao seu Departamento, pela sua eleição. Vossa Excelência
poderá contar com a cooperação e com o profundo interesse por parte da minha
Delegação nas presentes deliberações.
No contexto do seu papel essencial na manutenção da paz e da
segurança no mundo, as mulheres têm oferecido cada vez mais as suas
contribuições substanciais, que se fundamentam na solicitude incansável pela
obtenção da solidariedade e do bem comum para toda a humanidade. As mulheres têm
a especial capacidade de manifestar aos outros a necessidade urgente de
ultrapassar os interesses egoístas e de trabalhar pelo bem de todos, de tal
maneira que as necessidades mais imperiosas da assitência à saúde, educação e
segurança económica e social se tornem hoje uma realidade.
Em numerosas regiões do mundo, as mulheres estão presentes e
agem concretamente em todos os sectores da vida – social, económico, cultural,
religioso e político – oferecendo assim uma contribuição indispensável para o
lançamento de estruturas cada vez mais dignas da humanidade. Por intermédio da
perspicácia que lhes é própria, as mulheres enriquecem a compreensão do mundo e
ajudam a fazer com que as relações entre as pessoas e os povos se tornem mais
honestas e genuínas.
As mulheres fazem isto à custa dos maiores sacrifícios. Tais
sacrifícios exigem uma igualdade autêntica em todos os sectores: pagamento
equitativo para um trabalho equitativo, protecção às mães que trabalham, justiça
nas evoluções profissionais, igual tratamento aos cônjuges em relação aos
direitos familiares, e o reconhecimento de tudo aquilo que faz parte dos
direitos e dos deveres de todos no seio de uma sociedade democrática. Trata-se
de uma questão de justiça e de necessidade. A minha Delegação salvaguarda estes
elementos-chave de uma sociedade justa, presentes na chamada «Plataforma de
Acção de Pequim», estipulada no contexto da IV Conferência Mundial sobre a
Mulher. Em todos estes sectores, uma presença mais significativa das mulheres na
sociedade será extremamente valiosa, enquanto ajudará a pôr em evidência as
contradições presentes na sociedade, quando ela é organizada somente em
conformidade com os critérios da eficácia e da produtividade ou da força bruta.
No que se refere à prevenção, à gestão e à resolução das
contendas e dos conflitos, a minha Delegação gostaria de salientar alguns
aspectos de tal problemática.
Em primeiro lugar, hoje em dia um número demasiado elevado de
mulheres ainda são vítimas da violência e da guerra. A Organização das Nações
Unidas não só tem prestado a devida atenção, em diferentes circunstâncias, à
tragédia da violência perpetrada no âmbito doméstico, mas também continua a
manifestar o seu compromisso em ordem a pôr termo ao sofrimento padecido pelas
mulheres, nos conflitos tanto nacionais como internacionais; isto inclui o
problema das mulheres refugiadas e das mulheres deslocadas no interior de um
determinado território, que têm de suportar não apenas o seu próprio sofrimento
pessoal, mas inclusivamente o cansaço e a responsabilidade de cuidar, em
situações tão desesperadas, dos filhos e dos membros mais idosos da sua própria
família. Infelizmente, quando começam os conflitos armados, a qualquer nível que
seja, as mulheres tornam-se o alvo principal dos beligerantes, de maneira que
chegam a desumanizar a sua dignidade.
Chegou a hora de condenar e de sancionar vigorosamente todas as
brutalidades sexuais perpetradas contra as mulheres. A este propósito, o
compromisso das mulheres na gestão da ajuda material e da assistência médica e
psicológica às vítimas de tal violência poderia ser de importância realmente
significativa.
Existe outra forma de conflito, que provoca consequências
terríveis para a vida de milhões de seres humanos. Em nome do respeito que lhes
é devido, não podemos deixar de condenar a cultura hedonista e comercial,
amplamente difundida, que encoraja a exploração sistemática das moças e das
mulheres. Há que pôr termo ao tráfico de mulheres e de crianças!
A contribuição das mulheres no processo decisório, em vista de
contrastar este tráfico vergonhoso, pode ser decisiva, uma vez que elas
constituem as primeiras vítimas destes mesmos crimes.
A minha Delegação está persuadida de que o caminho para garantir
um progresso rápido na obtenção do respeito pleno pelas mulheres e pela sua
identidade exige mais do que simplesmente a condenação da discriminação e das
injustiças, por mais necessário que isto possa ser. Este respeito deve ser
alcançado primeiro e sobretudo através de uma campanha eficaz e inteligente, que
vise a promoção das mulheres, envolvendo todos os sectores da sociedade humana.
As mulheres deveriam ser mestras e construtoras de paz, enquanto lhes deveria
ser garantida esta oportunidade, através de uma preparação adequada.
Obrigada, Senhora Presidente!
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