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SECRETARIA DE ESTADO
INTERVENÇÃO DO OBSERVADOR PERMANENTE DA SANTA SÉ NA VII SESSÃO DO GRUPO DE
ESPECIALISTAS GOVERNAMENTAIS DA ONU SOBRE A REDUÇÃO DAS ARMAS
Genebra, 8 de Março de 2004
Senhor Presidente
No momento em que damos início à VII Sessão do Grupo de
Especialistas Governamentais, a Delegação da Santa Sé gostaria de apresentar
comentários metodológicos de natureza geral, em vista de compartilhar com Vossa
Excelência, Senhor Presidente, e com as Delegações dos Estados Membros, alguns
motivos de satisfação e inclusivamente levantar algumas interrogações a respeito
do presente e do futuro da Convenção do Controle dos Armamentos (CCW).
1. A Santa Sé manifesta o seu apreço pelos resultados positivos
das negociações e pela adopção do V Protocolo relativo aos restos explosivos
deixados pelas guerras. Trata-se de um passo na direcção justa. Contudo, algumas
questões cruciais ainda devem ser resolvidas, em ordem a evitar que se repitam
as vítimas e os prejuízos das guerras do passado. Estas vítimas recordam-nos
constantemente o ónus exorbitante de qualquer guerra em geral e das
consequências da escolha e do uso de determinadas armas em particular. A Santa
Sé sente-se também animada pela renovação do mandato do Grupo de Especialistas
Governamentais. Outros problemas igualmente importantes, que se encontram ao
mesmo nível da questão dos restos explosivos deixados pelas guerras, ainda devem
receber uma atenção adequada por parte dos Estados Membros.
2. As negociações multilaterais do controle das armas, ou do
desarmamento, ainda são demoradas e longas, e os resultados são alcançados quase
sempre com base no denominador comum mais baixo. Pelo contrário, a produção das
novas armas convencionais é acompanhada pelas descobertas científicas e
tecnológicas mais avançadas e mais rápidas. Como resultado, tais armas são cada
vez mais devastadoras e causam sofrimentos humanos inúteis por períodos de tempo
muito mais prolongados do que os próprios conflitos. As bombas em série, que
estão a ser utilizadas com frequencia cada vez maior, exemplificam tragicamente
esta inquietante realidade. Em tal contexto, os Estados Membros deveriam prestar
atenção especial a este tipo de submunição, conscientes dos seus efeitos
traumatizantes e devastadores sobre as populações civis, assim como as
consequências socioeconómicas negativas, tanto durante como depois das
hostilidades.
3. Senhor Presidente, a Santa Sé está comprometida, num elevado
número de países de todas as regiões, em iniciativas que dizem respeito às
vítimas dos conflitos e às suas famílias, inclusivamente às vítimas das minas
anti-homem e aos restos explosivos deixados pelas guerras. Não preciso descrever
aqui a frustração e o desencorajamento de milhares de agentes voluntários, que
são obrigados a repetir reiteradamente o trabalho que já foi levado a cabo e, em
determinados casos, têm que assistir aos sofrimentos das vítimas, sem qualquer
forma de acção concreta. Parece-me que é inoportuno limitar as nossas obras e
decisões exclusivamente à busca de medidas terapêuticas. Sem dúvida, a prevenção
é menos onerosa em termos de vidas humanas e de prejuízos socioeconómicos. A
cultura da prevenção é válida sobretudo a fim de garantir uma segurança que se
fundamente na justiça, na confiança e na cooperação entre os Estados. Por este
motivo, o equilíbrio justo deveria ser o de um armamento mantido no plano mais
baixo, e cujos efeitos provoquem o nível mais ínfimo de sofrimento e de
prejuízos. Não há necessidade de acrescentar à incapacidade de resolver os
problemas, o seu êxito em causar tantas vítimas e tanta infelicidade.
4. Senhor Presidente, a Santa Sé está preparada para trabalhar
em conjunto com Vossa Excelência e com todos os Estados Membros, em vista de
promover uma cultura de prevenção e inclusivamente de adopção de renovados
instrumentos que nos poupem os esforços necessários para procurar remediar de
maneira incessante os sofrimentos inúteis que são causados por estes armamentos
tão devastadores.
Obrigado, Senhor Presidente!
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