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XXVII SESSÃO DA CONFERÊNCIA REGIONAL DA FAO PARA A
ÁSIA E A REGIÃO DO PACÍFICO
INTERVENÇÃO DO OBSERVADOR
PERMANENTE DA SANTA SÉ JUNTO DA FAO D. RENATO VOLANTE
Pequim, 20 de Maio de 2004
Senhor Presidente
Senhor Director-Geral
Senhoras e Senhores
1. Ao dirigir-me a esta XXVII Sessão da Conferência Regional da
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), para a
Ásia e a região do Pacífico, desejo em primeiro lugar expressar o meu
agradecimento pelo convite que foi feito à Santa Sé. Esta presença deseja
confirmar o interesse, que tem por todas as iniciativas da FAO, inclusivamente
pelas que são tomadas a nível regional.
Com efeito, a participação nas diferentes Conferências regionais oferece à Santa
Sé a possibilidade não apenas de tomar um conhecimento mais directo das várias
realidades agrícolas e alimentares, mas inclusivamente de encorajar a FAO no
cumprimento das suas excelsas responsabilidades, que têm em vista os objectivos
fundamentais de libertar a humanidade da fome e da subalimentação.
Senhor Ministro da Agricultura da República Popular da China, apresento-lhe as
congratulações da parte da Delegação da Santa Sé pela sua eleição como
Presidente da presente Conferência, acompanhadas do agradecimento pela
hospitalidade que o seu governo está a oferecer ao nosso encontro.
Gostaria de aproveitar também o ensejo para renovar ao Director-Geral, Sua
Ex.cia o Senhor Jacques Diouf, a expressão da nossa participação respeitadora e
sincera nas suas responsabilidades, e para confirmar a atenção da Santa Sé a
estes esforços, que visam uma eficácia cada vez maior nas actividades da FAO,
também mediante uma verdadeira descentralização da sua estrutura e, por
conseguinte, das suas iniciativas.
2. No que diz respeito aos principais pontos previstos na agenda, a minha
Delegação deseja oferecer aqui a sua contribuição de ideias, numa perspectiva
que, aparentemente, pode ser diversa daquela que é apresentada pelos países
desta Região.
Como vós sabeis, a presença internacional da Santa Sé é motivada exclusivamente
pelo desejo de prestar um serviço comum à família humana no seu conjunto. Desta
forma, ela deseja dar testemunho do seu interesse construtivo na causa em prol
da pessoa humana, a atenção pelas suas necessidades fundamentais, a começar pelo
direito primordial à alimentação, que constitui um elemento essencial do direito
à vida. A vida a nossa vida é o ponto fulcral da ordem natural, com as suas
regras e a sua autonomia, em que cada um realiza plenamente a sua dignidade
fundamental na perspectiva espiritual e material. A importância desta dimensão
transcendental da vida humana é salientada, inclusivamente nos dias de hoje,
pelas diferentes culturas, filosofias e religiões asiáticas e, por conseguinte,
exige uma abordagem integral da acção internacional, em benefício do
desenvolvimento e do progresso dos povos e dos países.
A necessidade que nos parece ter sido frisada na agenda desta Conferência
consiste em dar às actividades da FAO na Ásia e na região do Pacífico uma
motivação cada vez mais consistente, que não se limite aos dados técnicos, mas
que seja capaz de os fortalecer a partir do ponto de vista ético. Esta é também
a perspectiva oferecida pelas realizações alcançadas na Região, que parecem
manifestar a necessidade essencial de que a acção internacional no sector da
agricultura e da alimentação seja reforçada e, sobretudo, seja revista à luz dos
desequilíbrios concretos que a situação apresenta, mas tendo em conta as
diferentes experiências e práticas tradicionais que derivam dos valores
asiáticos autênticos.
Durante o corrente ano a Comunidade internacional, e de maneira particular a FAO,
convidou-nos a reflectir acerca da importância do arroz na produção agrícola e,
por conseguinte, nos programas nutricionais. Entre os outros produtos agrícolas
da Ásia e da região do Pacífico, o arroz tem uma importância singular,
contribuindo para garantir um adequado nível de segurança alimentar. Em geral,
este produto alimentar tem uma grande importância nas tradições alimentares e
nos processos económicos, como no-lo indicam o sistema de produção de arroz e os
métodos de cultivação, de produção, de comércio e de consumo deste bem
alimentar. Além disso, hoje podemos reconhecer o papel do arroz de maneira
especial na estratégia da segurança alimentar, sabiamente sugerida pela própria
FAO, comprometida na acção internacional em ordem a debelar a pobreza.
Com efeito, parece-nos que a situação da segurança alimentar está a tornar-se
cada vez mais séria: o aumento dos sistemas de produção, que está ligado sempre
mais aos métodos em vasta escala, e a degradação do meio ambiente no mundo
agrícola levam inter alia à depauperação da terra e à escassez da água.
Obviamente, tudo isto faz com que diminuam os níveis de segurança alimentar.
Na perspectiva destes desafios, torna-se cada vez mais necessário olhar para o
futuro, em vista de compreender qual pode ser o papel da FAO nos anos vindouros
nesta Região. Sem dúvida, este papel está vinculado às opções desta Conferência
e fortemente condicionado pelas modalidades de toda a implementação da
estratégia do Encontro Mundial sobre a Alimentação.
Neste sentido, gostaria de recordar a exortação que, inaugurando o Encontro de
1996, o Papa João Paulo II transmitiu aos Chefes de Estado e de Governo:
"Formulo votos a fim de que as vossas reflexões também inspirem medidas
concretas para combater a insegurança alimentar, que reclama como suas vítimas
um número demasiado alto dos seus irmãos e irmãs em humanidade, porque nada
mudará a nível mundial, se os líderes nacionais não puserem em prática os
compromissos inscritos no vosso plano de acção para a realização dos programas
económicos e alimentares, fundamentados não apenas no lucro, mas inclusivamente
na participação na solidariedade" (FAO, Relatório do Encontro Mundial sobre a
Alimentação, Doc. WFS/96/REP/Primeira Parte, Anexo I).
Senhor Presidente
3. Na realização deste esforço singular, que hoje é ressaltado pelas
chamadas "Metas do Milénio", gostaria de confirmar a disponibilidade da Igreja
católica, nos seus vários sectores e instituições, para colaborar nas
actividades de humanização nas realidades da fome, do subdesenvolvimento e da
pobreza. Trata-se de uma ajuda que se deveria considerar não apenas como uma
possibilidade de assistência logística, mas inclusive uma fonte de inspiração
ideal e programática.
Efectivamente, garantindo a todas as pessoas a possibilidade de ter um padrão de
segurança alimentar adequado e qualitativo, cada um de nós se torna um
participante no grandioso desígnio da Criação, e tem a oportunidade de promover
os valores antes dos interesses. Actualmente, a evolução dos relacionamentos
internacionais e a aspiração de todos os indivíduos à coexistência pacífica
levam as novas formas de solidariedade na acção e de comunhão nos
interesses, a constituir elementos essenciais, em conformidade com os
princípios fundamentais da humanidade e da justiça.
Obrigado!
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