Quarta-feira, 5 de Abril de 2006
Senhor Presidente
Em primeiro lugar, a minha Delegação deseja formular votos de bem a toda a
Assembleia, por ocasião da 39ª Sessão da Comissão sobre: "População e
Desenvolvimento".
Talvez seja útil recordar como o mandato desta Comissão se tem desenvolvido,
com a passagem do tempo. Nos anos passados, previsões extremas a propósito da
futura composição e da sustentabilidade da projecção da população humana mundial
deram origem a políticas demográficas radicais que, por sua vez, foram
responsáveis por diferentes mas igualmente graves dilemas, como os sérios
problemas provocados pela diminuição da taxa de nascimentos e pela criação de
desequilíbrios entre homens e mulheres na população em geral, com as suas
próprias consequências sociais. Se quisermos que o desenvolvimento das
populações do mundo seja sustentável e, ao mesmo tempo, saudável, estas
políticas deficientes deverão ser substituídas por outras, que tenham
genuinamente o ser humano no centro da atenção.
Actualmente, o trabalho que esta Comissão procura levar a cabo inclui a
análise das tendências e dos impactos sobre a população e o desenvolvimento,
como o HIV, desconhecido há 60 anos, e a migração dos povos, com as respectivas
consequências. Na medida em que, de modo geral, a população envelhece nos países
mais desenvolvidos, o fenómeno da migração começa a ser examinado sob uma
renovada perspectiva. Não obstante se trate de um fenómeno histórico e sempre
contemporâneo, os esforços em vista de o modelar e controlar através de
instrumentos políticos e legais nem sempre deram resultados positivos. Por este
motivo, a minha Delegação elogia a preparação de informações e estatísticas
sólidas, a serem colocadas à disposição dos Estados-membro, a fim de que os
mesmos consigam abordar com maior sabedoria e humanidade qualquer problema
autêntico que derive da migração.
Em virtude da presente configuração das nações, o fenómeno inevitável e
poderíamos mesmo dizer irreprimível da migração tout court é por vezes
considerado como um problema a resolver. E às vezes é tratado como uma ameaça e
manipulado em ordem a obter um benefício político a curto prazo, em desvantagem
dos direitos mais naturais de todos os seres humanos o direito à vida, à
cidadania, ao trabalho e ao desenvolvimento. Por este motivo, o próximo "Diálogo
a Alto Nível" sobre este assunto será muito apreciado; com efeito, trata-se de
um debate, adiado por demasiado tempo, acerca de uma questão social perene com
graves consequências sobre um número de pessoas muito superior aos cerca de 191
milhões de indivíduos que, actualmente, são considerados migrantes.
Para os países receptores, o claro impacto económico da migração
internacional é geralmente considerado positivo. Não obstante a presença de
migrantes internacionais possa ter um pequeno efeito desfavorável sobre os
salários dos não-migrantes, ou possa aumentar o desemprego quando os salários
são rígidos, em geral tais efeitos são insignificantes a nível nacional. A médio
e longo prazos, a migração pode chegar a gerar empregos e produzir evidentes
lucros fiscais. Como indica uma sondagem realizada no âmbito das populações em
rápido processo de envelhecimento, os migrantes podem contribuir de maneira
substancial para atenuar o peso fiscal sobre as gerações vindouras.
Por outro lado, a emigração de pessoas especializadas pode constituir um
detrimento diante das perspectivas de desenvolvimento das nações de origem,
especialmente dos pequenos países em vias de desenvolvimento que perdem, em
elevada proporção, os seus cidadãos mais capacitados. No entanto, os migrantes
especializados que mantêm contactos com os próprios países de proveniência podem
estimular a transferência de tecnologia e de fundos.
Em virtude da fertilidade abaixo do nível normal, nos países mais
desenvolvidos a rede de migração é actualmente responsável por três quartos do
crescimento da população e, por volta do ano de 2030, da migração dependerá a
totalidade do crescimento demográfico nestes mesmos países. Por conseguinte, a
migração já não constitui uma problemática económica ou uma questão que deve ser
analisada exclusivamente sob o ponto de vista das suas consequências para os
países de proveniência. Hoje em dia, há também a necessidade de compreender
melhor o problema que existe no outro lado da equação, ou seja, o impacto social
da migração sobre os países receptores, caracterizados por uma diminuição das
taxas de nascimento.
Sem dúvida, este nível de alterações demográficas da população terá
consequências radicais sobre toda a composição das nações, e por isso é
necessário alcançar um equilíbrio entre os benefícios evidentes da migração e a
consideração do impacto social do elevado número de migrantes presentes nos
países receptores, especialmente quando eles não conseguem assimilar-se. Além
disso, tem-se a impressão de que existe uma consciência crescente acerca da
imigração, que não pode ser a única solução para os problemas de demografia e de
trabalho nos países receptores.
O Documento Conclusivo do Encontro Mundial justamente reconheceu o nexo
existente entre a migração e o desenvolvimento a nível internacional e a
necessidade de ter em consideração os desafios e as oportunidades que a migração
apresenta aos países de origem, de destino e de trânsito. Formulam-se votos a
fim de que a resolução decidida por todos os líderes do mundo para tomar medidas
em vista de garantir o respeito e a salvaguarda dos direitos humanos dos
migrantes em si mesmos, dos trabalhadores migrantes e dos membros das suas
respectivas famílias seja fomentada para o benefício de todos os povos, sem
qualquer discriminação.
Obrigado, Senhor Presidente!