Tenho a alegria de lhe transmitir, e a quantos participam no
Meeting para a amizade entre os povos, a saudação cordial do Santo Padre.
Também este ano o título da manifestação põe no centro o homem e a sua relação
mais profunda com o Criador: "A razão é exigência de infinito, e tem o seu
ápice no anseio e no pressentimento de que este infinito se manifeste". O
homem "sabe", tem o pressentimento confundido mas nítido, de ser feito para um
destino infinito, o único que pode encher aquele "espaço" que ele sente possuir
dentro de si, um espaço que pede para ser colmado. Preocupação, insatisfação,
desejo, impossibilidade de se satisfazer com as metas alcançadas: são estas as
palavras que definem o homem e a lei mais verdadeira da sua racionalidade. Ele
sente um anseio de busca contínua, que vai sempre mais além, sempre além do que
foi alcançado. O homem, como a Escritura tantas vezes recorda especialmente nos
Salmos, sente nostalgia e suspira: "Os meus olhos consomem-se à espera", afirma
o Salmista (cf. Sl 118).
Mas esta busca do Infinito parece estar "condenada" a realizar-se no limite do
que é "finito". De facto, o homem assim como a realidade à qual aplica a sua
força de conhecimento, permanece sempre condicionado pelo espaço e pelo tempo,
além do limite das suas capacidades. Surge então espontânea a pergunta: Como
pode ele resolver este paradoxo? Como pode realizar-se a si mesmo, se o que o
poderia completar está estruturalmente além do seu alcance?
Tendo presente este desafio do ser humano, o Meeting de 2006 deseja
repropor com vigor a verdade perene do Cristianismo: Deus, o Infinito, desceu à
nossa finitude para ser perceptível aos nossos sentidos, e assim o Infinito
"alcançou" a busca racional do homem finito. Encontra-se aqui a "revolução"
cristã: Deus Criador "alcança", hoje e permanentemente, a busca racional do
homem que tende para Ele; vai ao encontro da criatura que por Ele anseia.
Tendo-se tornado homem entre os homens, o Unigénito Filho de Deus afirma: "Eu
sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14, 16).
Palavras que se traduzem
num convite que a Igreja não cessa de dirigir aos homens de todas as latitudes e
culturas. O Meeting para a amizade entre os povos deste ano deseja
fazer-se eco deste convite, recordando que o infinito veio ao nosso encontro,
que cada homem tem a possibilidade de conhecer Deus e nele satisfazer a própria
sede.
Em Deus, que se revelou em Cristo, é possível, sobretudo, a experiência da
paz. Neste momento de profundo sofrimento, o pensamento do Santo Padre dirige-se
para a Terra Santa e para as regiões do Médio Oriente, que foram testemunhas da
história da salvação, que culminou na encarnação, morte e ressurreição de Jesus.
Hoje vivem lá populações atormentadas pela inimizade, pela falta de diálogo e de
reconciliação, pela violência que viola todos os direitos e expectativas
legítimas das pessoas de boa vontade. O Sumo Pontífice aproveita de bom grado
também esta ocasião para exortar todos a rezar ao Deus da paz, para que comova o
coração de quantos estão envolvidos num confronto que perdura desde há muito
tempo e que registou numerosas vítimas.
Maria, a Mãe do Príncipe da Paz, obtenha que os povos residentes naquelas
terras se reconheçam irmãos e colaborem na edificação de uma paz justa e
duradoura.
Bento XVI acompanha estes seus votos com a certeza de uma recordação constante
na oração, enquanto envia com afecto a Vossa Excelência e a todos os presentes
neste encontro anual, promovido por Comunhão e Libertação, a sua Bênção.
Aproveito a circunstância para lhe formular também da minha parte os votos mais
cordiais de bom trabalho, enquanto me apraz confirmar-me
Seu dev.mo no Senhor
Card. ANGELO SODANO
Secretário de Estado