Genebra, 1 de Setembro de 2006
Senhor Coordenador!
No âmbito dos nossos trabalhos sobre as submunições, não podemos deixar de
verificar que a série de conflitos armados dos últimos cinquenta anos foram
todas as vezes um apelo urgente e renovado aos diferentes Estados e
particularmente aos Estados-Membros da CCW, para que considerem seriamente as
consequências do uso das submunições. A última guerra do Líbano dá-nos de modo
trágico as provas de um drama humanitário que se apresenta aos nossos olhos. As
imagens e os testemunhos que chegam são alarmantes. Isto é confirmado pelas
primeiras estatísticas fornecidas pelas Nações Unidas que mostram a gravidade e
vastidão deste problema.
As razões para agir, Senhor Coordenador, não são uma construção do
espírito nem pertencem à ordem teórica mas infelizmente são oferecidas pelas
dezenas de vítimas inocentes e pelos sofrimentos que acompanham os milhares de
famílias durante longos anos. Até aos nossos dias, não ouvimos provas
convincentes da parte de quantos consideram legítimas estas armas. Contudo,
todas as armas foram declaradas legítimas antes de serem proibidas ou reguladas.
Não é este também o caso das armas químicas, biológicas, incendiárias ou a
laser? O facto de declarar uma arma particularmente legítima não a torna mais
aceitável nem menos desumana.
Senhor Coordenador!
O aperfeiçoamento da qualidade das submunições não pode ser a única solução.
Reduzir a percentagem de insucesso a 1 ou 2 por cento em si nada significa. Um
por cento de cem mil bombas é muito. O objectivo, a proporcionalidade são também
elementos que devem ser considerados.
A Santa Sé considera que uma reflexão profunda relativa à natureza e ao uso das
submunições é urgentemente necessária. As vítimas dos conflitos passados e as
eventuais vítimas dos conflitos futuros não podem esperar anos de negociações e
de debates. Para esta finalidade, impõe-se uma moratória sobre o uso destas
armas. Ao mesmo tempo, os Estados-Membros da CCW devem lançar mãos à obra. A
Conferência de exame que se prepara deveria estar em condições de adoptar um
mandato específico para começar o debate e a negociação de um instrumento eficaz
para erradicar os riscos relacionados com as submunições. O direito humanitário
internacional deveria ser mais respeitado e mais enriquecido neste âmbito se não
quisermos que uma causa suplementar venha perpectuar a pobreza e o
sobdesenvolvimento num certo número de países já pesadamente danificados.
Muito obrigado Senhor Coordenador!