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DISCURSO
DE D. BRIAN FARRELL, L. C. NA ABERTURA DA CONFERÊNCIA DA OSCE SOBRE
O TEMA: "A LUTA CONTRA A DISCRIMINAÇÃO E A PROMOÇÃO DO MÚTUO RESPEITO E
DA COMPREENSÃO"
Bucareste (Roménia), 7 de Junho de 2007
Senhor Presidente
Ilustres Participantes
A promoção do respeito mútuo e da compreensão constituem solicitudes de
grande importância no mundo globalizado de hoje. Com o fenómeno da
interdependência, que está a alastrar-se a todos os sectores, é também verdade
que qualquer contrastante exemplo de intolerância e de discriminação é causa de
preocupação. A história continua a apresentar as trágicas consequências que
derivam da negação da dignidade humana, ou do esvaziamento da mesma de todo o
seu conteúdo real. Além disso, não raro tomam-se medidas e aplicam-se políticas
que são contrárias à protecção dos direitos humanos, que somente podem encontrar
o seu fundamento e a sua finalidade na dignidade do homem.
A Santa Sé sente-se feliz por saber que na agenda se alcançou o consentimento
para este encontro, e acredita também que tal agenda está bem alicerçada no
contexto da Comissão sobre a Dimensão Humana, um dos Grupos de contribuição mais
importantes para a missão e o trabalho da Organização para a Segurança e a
Cooperação na Europa (OSCE). A minha Delegação gostaria de expressar a própria
gratidão pelo excelente trabalho, profissional e paciente, levado a cabo pelos
Assistentes do Presidente em função. Este agradecimento torna-se extensivo às
Autoridades da Roménia e à sua Delegação na OSCE, pela sua disponibilidade a
hospedar este importante acontecimento, assim como pela sua ajuda oferecida em
vista de fazer com que todos pudéssemos chegar a este ponto.
Senhor Presidente
Tenho certeza de que a primeira parte da presente Conferência, em que se
discorre sobre as formas comuns e específicas de intolerância e de
discriminação, há-de permitir-nos construir eficazmente sobre as conclusões da
Conferência de Córdova, mas também corroborar os compromissos já assumidos. Com
efeito, num mundo que se unifica cada vez mais, o encontro das religiões e das
culturas tornou-se um assunto de importância primordial, que certamente não se
limita apenas ao campo da teologia. Deste modo, a questão da interacção das
culturas e da paz e do respeito pelas religiões tornou-se hoje uma consideração
de política e de segurança de importância fundamental. Em última análise,
trata-se do modo como nos relacionamos pacificamente uns com os outros e como
contribuímos para a educação e o progresso da raça humana.
Assim, a estrutura desta primeira parte impele-nos a respeitar a afiliação
religiosa das pessoas e a impedir instâncias e práticas específicas de
discriminação contra os fiéis individualmente ou contra as várias denominações
religiosas em geral.
O anti-semitismo é uma trágica violação da dignidade do homem e o shoah
constitui um crime que manchou a história da raça humana. Também a discriminação
contra os muçulmanos é uma grave ofensa contra a sua dignidade humana e contra o
exercício do seu direito à liberdade de religião. Em numerosas ocasiões, o Papa
Bento XVI condenou ambos estes fenómenos, assim como os persistentes episódios
de intolerância e de discriminação contra os cristãos.
A OSCE tem o dever de evitar de inserir estas três "feridas abertas" numa
espécie de hierarquia: cada uma delas "fere" homens e mulheres, degrada a sua
dignidade humana e, consequentemente, deve ser "curada" com solicitude. A fim de
serem eficazes, os esforços envidados pela OSCE hão-de ser levados a cabo com a
mesma determinação, em cada uma destas áreas. Efectivamente, se esta Organização
e os seus Estados participantes não se comprometerem em adoptar todas as medidas
necessárias para garantir aos cristãos a prática e a vivência integrais do seu
direito à liberdade religiosa, então paradoxalmente eles serão discriminados na
sua própria luta contra a mesma discriminação!
Os Estados participantes da OSCE têm a obrigação de defender os direitos das
minorias religiosas. Contudo, seria um equívoco se eles não prestassem atenção
às problemáticas da intolerância, experimentadas pelos fiéis que pertencem às
religiões da maioria. Seria também contraditório para a OSCE e para os seus
Estados participantes, reconhecer a importância das religiões mas, efectivamente
e ao mesmo tempo, considerar algumas de entre elas como perigos potenciais, e
não como seguros portadores de benefícios.
Seria também um erro julgar o património da fé das três religiões monoteístas
com uma mentalidade relativista, considerando-as em conformidade com parâmetros
de equilíbrio político precários e volúveis, deixando de os vincular aos eternos
padrões de medida da verdade e à centralidade da dignidade humana. Tal deverá
ser a convicção firmemente defendida pela OSCE, se ela quiser contribuir de
maneira construtiva para uma autêntica Aliança das Civilizações.
Embora a OSCE e os seus Estados participantes não tenham a competência
imediata de entrar no contexto do diálogo inter-religioso que, propriamente
falando, constitui uma questão relativa às próprias religiões interessadas,
contudo eles podem controlar a fim de que tal diálogo seja respeitado pelas
constituições nacionais, assegurando desta forma a promoção da reciprocidade
necessária para garantir o livre exercício de todas as religiões em cada uma das
sociedades.
Senhor Presidente
O debate sobre as problemáticas transversais, ressaltadas na segunda parte,
levar-nos-á a compreender melhor como a cultura, no seu sentido clássico, é
sempre o modo como a sociedade dá expressão à sua própria vida e experiência,
assimilando em si mesma as experiências dos seus membros individualmente e, de
igual modo, forjando-os. Desta forma, a sociedade preserva e desenvolve
percepções que vão além daquilo que as pessoas singularmente são capazes de
realizar, e isto tanto no bem como infelizmente no mal.
Formulamos ardentes votos a fim de que os debates sobre estas questões,
nomeadamente acerca da legislação, da educação e dos crimes provocados pelo
ódio, assim como o resultado da presente Conferência, sejam enfrentados em
conformidade com o respeito pela linguagem concordada pela OSCE nos campos da
tolerância e da não-discriminação e, por conseguinte, de maneira a alicerçá-los
sobre os compromissos já assumidos por esta Organização, como consta do
parágrafo 14 da Decisão n. 13, da Conferência Ministerial de Bruxelas.
Senhor Presidente
Concluindo, a Santa Sé deseja assegurar-lhe o compromisso e a vontade de
contribuir de maneira concreta para esta Conferência de Bucareste, que pode
servir de ulterior ajuda na luta em prol daquilo que é do interesse de todos
nós.
Obrigado, Senhor Presidente!
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