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MENSAGEM CARDEAL TARCISIO BERTONE,
EM NOME DO PAPA BENTO XVI, AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DO QUÉNIA POR
OCASIÃO DO 2º ENCONTRO DA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE A REGIÃO DOS
GRANDES LAGOS
A Sua Excelência Senhor MWAI KIBAKI Presidente da República do Quénia
Sua Santidade o Papa Bento XVI foi informado acerca do 2º Encontro da
Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, que está a
realizar-se em Nairobi. Ele pediu-me que lhe transmitisse, Senhor Presidente,
assim como a todos os Chefes de Estado e Chefes de Governo congregados para
este importante acontecimento, as suas cordiais saudações e a certeza das
suas orações pelo bom êxito do vosso Encontro.
Por ocasião do 1º Encontro da Conferência Internacional sobre a Região dos
Grandes Lagos, realizado há dois anos, foi assinada a Declaração de Dar-es-Salam
sobre a Paz, a Estabilidade, a Democracia e o Desenvolvimento. Sua Santidade dá
graças a Deus Todo-Poderoso por este importante passo em frente e pelos
princípios adoptados na Declaração, que exigem um maior compromisso em vista de
alcançar a paz e a estabilidade.
Os participantes nesta Conferência sentem-se motivados pela consciência de
que foram investidos tempo, energia e recursos preciosos nos conflitos armados,
que deixaram atrás de si uma difundida devastação, além de terem causado
situações prejudiciais. Inúmeras pessoas naturais da Região dos Grandes Lagos
sofreram de forma demasiada e por um período de tempo excessivamente prolongado.
Por conseguinte, o presente Encontro é chamado a enfrentar de novo tal desafio e
a satisfazer as aspirações de uma paz duradoura, expresso por populações que
estão a sofrer há muito tempo, assinando e cumprindo o Pacto de segurança,
estabilidade e desenvolvimento.
Os quatro aspectos previstos por este Plano (paz e segurança; democracia e
bom governo; desenvolvimento económico e integração regional; e promoção social
e humanitária) estão entrelaçados uns com os outros e são mutuamente inclusivos.
Nenhuma destas realizações humanas pode subsistir de maneira duradoura e
genuína, sem a ajuda dos outros. Elas hão-de exigir de todas as pessoas
interessadas tanto das autoridades como dos cidadãos em geral generosidade,
coragem e perseverança.
A Igreja católica atribui grande importância aos valores contidos nestas
propostas e, desde há muitos anos, tem dedicado o seu empenhamento incansável em
favor dos mesmos. Sua Santidade está persuadido de que a comunidade católica
continuará a fazê-lo com zelo generoso, em cooperação com os membros das demais
religiões e com todos os homens e mulheres de boa vontade. Comprometendo-se
responsavelmente na vida pública, eles dão uma expressão clara a uma forma
singular de caridade fraternal.
Sua Santidade encoraja todas as Delegações presentes nesta Conferência a
assumirem de maneira intrépida a responsabilidade histórica que lhes compete. As
suas orações acompanhá-las-ão, enquanto elas hão-de tomar e pôr em prática
medidas concretas destinadas a desencorajar com determinação qualquer recurso à
violência e fomentar as únicas alternativas racionais e humanas à guerra: a
negociação e o diálogo. Ele está convencido de que, tendo como fundamento uma
paz genuína e estável, a Região dos Grandes Lagos com os seus recursos humanos e
naturais, e com a assistência da comunidade internacional, conseguirá superar
as suas presentes dificuldades e oferecer às suas populações a esperança
autêntica num futuro digno.
Enquanto deposita esta nobre aspiração nas mãos providenciais do
Todo-Poderoso, o Santo Padre tem o prazer de lhe manifestar, Senhor Presidente,
bem como aos Chefes de Estado, aos Chefes de Governo e a todos os participantes
na Conferência de Nairobi, as copiosas Bênçãos divinas do bem-estar e da paz. A
estes sentimentos de Sua Santidade, acrescento as minhas saudações e os meus
bons votos pessoais.
Vaticano, 5 de Dezembro de 2006.
Cardeal TARCISIO BERTONE Secretário de Estado
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