Senhor Presidente
Em numerosas ocasiões durante este dias, o
Papa João Paulo II dirigiu apelos para que se ponha termo à situação de violência
nessa terra que foi a do nascimento de Jesus Cristo e que é sagrada tanto para
os cristãos como para os judeus e os muçulmanos.
No Domingo de Páscoa, ao falar sobre o facto
de que a Terra Santa voltou a mergulhar em dias tão santos! no terror e no
desespero, o Papa João Paulo II exclamou: "Parece que foi declarada
guerra à paz! Mas a guerra nada resolve, e só acarreta maior sofrimento e
morte" (Mensagem "Urbi et Orbi", em: ed. port. de L'Osservatore
Romano de 6 de Abril de 2002, pág. 7, n. 4).
É legítimo que a comissão da Organização
das Nações Unidas sobre os direitos do homem, no contexto do seu mandato e da
sua competência, tenha a oportunidade de falar sobre a situação dos direitos
humanos nessa região. A comunidade das nações, aqui representada, tem o
direito de exigir um respeito escrupuloso dos direitos do homem e da lei humanitária
em qualquer situação de conflito.
Ao mesmo tempo, porém, a Santa Sé realça a
necessidade de dar especial prioridade ao retorno à mesa das negociações,
para encontrar rapidamente uma solução política duradoura. Trata-se de uma
responsabilidade que cabe a cada um de nós. É algo que não pode ser adiado. O
Papa recordou que, diante do que está a acontecer no Médio Oriente,
"ninguém pode permanecer silencioso e inerte; nenhum responsável político
ou religioso!" (Ibidem).
Todos nós sabemos que o único futuro para os
povos do Médio Oriente consiste no facto de encontrarem o modo de viver lado a
lado no respeito mútuo. Todos nós sabemos que um dia esperemos que não seja
demasiado tarde as partes interessadas vão sentar-se em conjunto à mesa das
negociações para fazer com que isto se torne possível. Por que devemos
esperar, enquanto outras pessoas perdem a vida? Por que razão devemos permitir
que a esperança no futuro seja desiludida hoje, mediante actos de terror e de
represália, que só podem aumentar o sentido da frustração e do ódio?
É por este motivo que a Santa Sé condena o
terrorismo de maneira inequívoca, independentemente da sua proveniência.
Esta é a razão pela qual a Santa Sé
desaprova as condições de injustiça e de humilhação, impostas sobre o povo
palestiniano, assim como as represálias e as retaliações.
Eis o motivo pelo qual a Santa Sé faz apelo
à proporcionalidade no uso dos meios legítimos de defesa.
Esta é a razão pela qual a Santa Sé exorta
ao respeito da resolução da Organização das Nações Unidas por parte de
todos.
Durante estes dias, através dos seus canais
diplomáticos, a Santa Sé entrou em contacto com as várias partes envolvidas
no conflito, exortando à paz e ao retorno à mesa das negociações. Ela
lembrou também a todas as partes o dever especial de respeitar e salvaguardar
os Lugares Sagrados, que são de grande significado para as três religiões
monoteístas e constituem uma parte da herança de toda a humanidade. A situação
em Belém exige uma solicitude particular.
Senhor Presidente
Esta é uma reunião especial, realizada
durante a 58ª sessão da Comissão da Organização das Nações Unidas para os
direitos do homem, e não deveria constituir um momento para criar novas tensões
ou um sentido de recriminação. Os direitos humanos dizem respeito à dignidade
do homem. E nós estamos preocupados com os direitos que cada pessoa humana tem
de viver em dignidade, com a sua família e a sua comunidade, no respeito pela
segurança dos outros. Na mencionada Mensagem, o Papa João Paulo II observou:
"Acompanhem as denúncias actos concretos de solidariedade que ajudem todos
a encontrar o mútuo respeito e a negociação leal" (Ibidem).