Senhor Presidente
A minha Delegação deseja realçar, neste importante
foro, a posição da Santa Sé, recentemente confirmada, no que diz respeito
à continuação do conflito na Terra Santa.
Esta posição subdivide-se em cinco pontos, como segue:
1. A condenação inequívoca do terrorismo,
independentemente da sua proveniência.
2. A desaprovação das condições de injustiça e humilhação impostas
sobre o Povo palestiniano, assim como das represálias e das retaliações,
que só fazem crescer o sentido de frustração e de ódio.
3. O respeito pelas Resoluções da Organização das Nações
Unidas por parte de todos.
4. A proporcionalidade no uso dos meios de defesa legítimos.
5. O dever que as partes em conflito têm de salvaguardar
os Lugares Sagrados, que são da máxima importância para as três religiões
monoteístas e um verdadeiro património da humanidade inteira.
A Santa Sé está em estreito contacto, entre outros,
também com o Patriarca Latino de Jerusalém e com as várias comunidades
religiosas de Belém, enquanto lhes transmite a completa solidariedade do
Santo Padre neste momento de mágoa.
Depois de ter recordado que nada pode ser resolvido através
do conflito, e que o mesmo só causa sofrimentos e morte, o Papa João Paulo
II realçou o facto de que nenhum líder político ou chefe religioso pode
ficar em silêncio ou permanecer inerte. À denúncia devem seguir-se actos
concretos de solidariedade, que ajudarão a todos a redescobrir o respeito mútuo
e a voltar à negociação franca.
Neste espírito e persuadido de que, quando prevalece a
implacável lógica das armas, somente Deus pode incutir pensamentos de paz no
coração do homem, o Papa João Paulo II pediu à Igreja católica que
rezasse mais intensamente no domingo, 7 de Abril passado, pelo povo que sofre
esta violência terrível.
Senhor Presidente
A salvaguarda e a promoção da paz sempre ocupou um
lugar de grande importância na Agenda da nossa Organização.
Muitas religiões proclamam que a paz é um dom de Deus.
Esta foi também a experiência do recente encontro de Assis. Nessa época, a
minha Delegação informou o Conselho Permanente acerca do significado desse
acontecimento e da proposta do "Compromisso pela paz", assinado
pelos líderes religiosos presentes em Assis e, em seguida, enviado aos Chefes
de Estado e de Governo.
A Santa Sé formula votos a fim de que as
supramencionadas iniciativas realmente encoragem as pessoas que têm a
responsabilidade e a possibilidade de tomar as medidas necessárias, por mais
difíceis que elas possam ser, de exigir o respeito escrupuloso pelos direitos
do homem e pela lei humanitária, e de exortar as partes em conflito a
promover acordos que sejam justos e honrosos para todos.
Obrigado, Senhor Presidente!