Viena, 17 de
Setembro de 2002
Senhor Presidente
É uma grande honra para mim felicitá-lo, em nome da
Delegação da Santa Sé, pela sua eleição para Presidente da 46ª Sessão da
Conferência Geral da Agência Internacional para a Energia Atómica (AIEA).
Estou persuadido de que, sob a sua hábil orientação, os trabalhos desta
Conferência obterão o melhor êxito final. Ao mesmo tempo, a minha Delegação
gostaria de exprimir a sua gratidão ao Director-Geral, Sua Ex.cia o Senhor
Mohamed ElBaradei, bem como ao Secretariado, pelo seu serviço abnegado, e dar
as boas-vindas às Delegações dos novos Países Membros, do Estado da
Eritreia, da República do Quirguistão e da República das Ilhas Seicheles.
Senhor Presidente
Ilustres Delegados
A Delegação da Santa Sé sempre acompanhou com grande
interesse as iniciativas, os esforços e os projectos empreendidos por esta Agência,
destinados ao aperfeiçoamento da segurança na utilização da energia e da
tecnologia nucleares. Quereríamos realçar, de maneira especial, a importância
dos trabalhos, dos seminários e dos simpósios da investigação científica
sobre a salvaguarda radiológica dos doentes, a análise e a redução da exposição
profissional à radiação (cf. Simpósio de Genebra, Agosto de 2002),
assim como sobre a utilização segura dos resíduos radioactivos. Através dos
seus programas e da sua perícia, esta Agência desempenha um papel eminente
neste campo e oferece uma valiosa contribuição para a criação de uma cultura
de segurança nuclear a nível planetário.
A fim de alcançar estas finalidades, deve definir-se e
aplicar-se de maneira coerente um sistema actualizado de treino e de formação
a este respeito. Muito já se realizou ao longo dos últimos anos. Contudo, se
considerarmos esta problemática a partir de um ponto de vista mundial, não
podemos deixar de observar que ainda existem possibilidades para o aperfeiçoamento,
no que se refere à implementação de padrões apropriados de segurança e, de
forma especial, à educação das pessoas que recorrem às técnicas nucleares e
à penetração da radiação. Sem dúvida, é muito importante substituir os
antigos equipamentos técnicos por outros mais modernos, que ofereçam um maior
nível de segurança, mas parece ainda mais vital que a cultura de segurança
nuclear aumente a consciência acerca dos perigos potenciais que as tecnologias
nucleares acarretam consigo. Ao mesmo tempo, no que a isto se refere, temos que
acompanhar atentamente a situação em todos os Estados Membros, com vista a
prevenir ou a eliminar, caso seja necessário, os dúplices padrões de protecção
e de garantia da qualidade, por um lado para as nações industrializadas e, por
outro, para os países em vias de desenvolvimento.
Para a minha Delegação, a protecção radiológica dos
doentes e dos operadores no campo da saúde tem sido uma questão de grande
importância. Não nos cansamos de repetir que a pessoa humana se encontra no
centro de toda a investigação e de todo o desenvolvimento científicos.
Contudo, este princípio fundamental não exclui o problema da protecção do
meio ambiente, nem a questão do impacto que as tecnologias nucleares,
nomeadamente, a radiação ionizadora, têm sobre o mesmo.
Nesta circunstância, gostaríamos de dizer uma palavra de
reconhecimento acerca do debate permanente, começado por alguns Estados Membros
da Agência, continuado pela própria Agência e por um grupo de consultores,
sobre as considerações éticas acerca da protecção do meio ambiente contra
os efeitos da radiação ionizadora. Tornamo-nos cada vez mais conscientes de
que a preservação da nossa terra e da sua biodiversidade constitui uma parte
indispensável dos nossos esforços em ordem a formar um mundo mais humano para
as gerações futuras. Os regulamentos, geralmente rigorosos, que se aplicam ao
uso e ao manuseio dos materiais e dos resíduos radioactivos e físseis deveriam
ser fortemente encorajados em ordem a proteger a família humana e o meio
ambiente contra isótopos radioactivos e radiações ionizadoras potencialmente
prejudiciais.
Uma das maiores preocupações que dizem respeito à
garantia e à segurança dos materiais nucleares, em escala internacional, é o
crescente problema das fontes radioactivas isoladas. Neste campo, a Agência
Internacional para a Energia Atómica está a desempenhar uma tarefa indispensável,
não apenas assistindo os Estados Membros a criarem e a fortalecerem as
infra-estruturas nacionais de regulação, com vista a assegurar que estas
fontes radioactivas sejam adequadamente reguladas e garantidas de maneira
apropriada em todos os momentos (nomeadamente, um controlo das fontes
radioactivas que vá desde o seu "berço" até à sua
"sepultura"), mas também em ordem a ajudar as instituições e os
Estados que recentemente pediram para serem assistidos em situações de emergência.
Senhor Presidente
A propósito das actividades de
cooperação técnica, quereríamos elogiar a Agência pelas suas
significativas contribuições, dadas a muitos Países Membros. A assistência
oferecida nos campos da medicina, de maneira particular com vista ao tratamento
das doenças cancerosas, a radiologia diagnóstica e a medicina nuclear, ajuda
numerosas pessoas nas regiões em que as formas modernas de diagnóstico e de
tratamento médico ainda não estão disponíveis em vasta escala e onde
especialmente a população rural tem acesso limitado às mesmas.
Os esforços levados a cabo pela Agência Internacional
para a Energia Atómica, em colaboração com as instituições da Organização
das Nações Unidas no sector da agricultura, na luta contra as enfermidades e
as pestes animais, na segurança nutricional e na aplicação dos isótopos para
a exploração das nascentes de água e para a abordagem dos problemas ligados
à poluição nalgumas das grandes cidades, tudo isto produziu resultados
positivos e certamente deveria ter a devida continuidade. Destinados a irem ao
encontro das necessidades concretas daqueles que os pedem, tais esforços
continuam a contribuir de maneira considerável para o desenvolvimento social e
económico em muitas regiões do planeta.
Todavia, as actividades de cooperação técnica não são
de modo algum uma caminho unilateral. As recentes experiências com projectos
positivos demonstram que - a fim de serem frutuosos, a longo prazo - os
participantes nestas actividades são exortados a adaptar tais projectos às
suas respectivas regiões, a desenvolvê-los ulteriormente e a transmitir o
conhecimento de que dispõem, também aos seus colegas dos países de fronteira,
onde subsistirem problemas semelhantes. Portanto, este tipo de cooperação técnica,
para além dos próprios limites, é capaz de abordar temais fundamentais com um
profundo impacto sobre a situação social, económica e humanitária de inúmeras
sociedades.
Senhor Presidente
Gostaria de concluir, formulando à Agência Internacional
para a Energia Atómica os votos do melhor êxito no cumprimento da sua nobre
tarefa no meio do nosso mundo, pondo a tecnologia nuclear ao serviço do
desenvolvimento sustentável, da paz e do bem-estar de toda a família humana.
Obrigado, Senhor Presidente!