10 de Outubro
de 2002
Senhor Presidente
Alguns especialistas estão a afirmar que o
Encontro Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável representou a última das
grandes conferências internacionais, que a Organização das Nações Unidas
"fechou o círculo" no que diz respeito às problemáticas relativas
ao desenvolvimento, e que agora é necessário criar um novo
"formato".
Uma das preocupações que a minha Delegação
continua a ter, em relação a tais conferências e encontros, consiste na
necessidade de transformar as palavras em actos.
Senhor Presidente
A IV Conferência Mundial sobre a Mulher e a
Sessão Especial da Assembleia Geral (Pequim + 5) produziram dois documentos
importantes e ajudaram a orientar o trabalho das Nações Unidas, com vista a
incluir as mulheres no processo de edificação da paz, da resolução dos
conflitos e do desenvolvimento em geral.
No contexto do debate acerca do
desenvolvimento das mulheres, a Santa Sé gostaria de reiterar o seu consenso no
que se refere aos elementos-chave da chamada Plataforma de Pequim para a Acção:
o reconhecimento da dignidade humana; a dignidade das mulheres; a importância
das estratégias em ordem ao desenvolvimento, que inclui o acesso ao mundo do
trabalho e a igualdade salarial; a terra e o capital; a oferta dos serviços
sociais básicos; e o termo da violência contra as mulheres. Todos estes
elementos fazem parte do permanente e conhecido magistério social da Santa Sé.
A Santa Sé continua a orientar o trabalho das
instituições católicas, com vista a renovar e a revigorar o seu compromisso
em benefício das mulheres do mundo inteiro. E a Santa Sé fá-lo, indo ao
encontro dos indivíduos mais vulneráveis e necessitados. As instituições católicas
escolas, hospitais e agências humanitárias do mundo inteiro não cessam de pôr
em prática as palavras e de ser os principais fornecedores dos serviços
sociais básicos às jovens e às mulheres, de maneira especial nos países em
vias de desenvolvimento.
Senhor Presidente
Sob numerosos pontos de vista, o mundo
contemporâneo é muito diferente do mundo no período em que se realizou a
Conferência de Pequim. As recentes conferências das Nações Unidas,
inclusivamente o Encontro do Milénio, a Conferência sobre os Países Menos
Desenvolvidos, a Conferência sobre o Financiamento do Desenvolvimento e o
Encontro Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, há pouco tempo concluído,
além da Sessão Especial da Assembleia Geral sobre a Criança e a Sessão
Especial sobre a Sida/Hiv, não só ajudaram a definir algumas finalidades e
metas, mas também contribuíram para centrar a atenção naqueles aspectos da
protecção dos direitos humanos e da promoção do desenvolvimento, que ainda
devem ser abordados.
E como se realiza o desenvolvimento das
mulheres? Como é que podemos começar e, depois, continuar a pôr em prática
aquelas palavras? Nada disto poderá realizar-se sem o reconhecimento da
dignidade das pessoas humanas, de maneira especial das mulheres e das jovens.
Este deverá constituir o ponto de partida para a promoção do autêntico
desenvolvimento e progresso humanos.
Sem dúvida, o desenvolvimento que ignorar a dignidade inata das mulheres e,
particularmente, a contribuição especial que elas oferecem nas suas próprias
famílias e sociedades, reduzi-las-á a meros instrumentos de índole económica.
A inserção do ser humano no centro das nossas solicitudes, com vista ao
desenvolvimento sustentável, e o reconhecimento do papel singular que as
mulheres estão a desempenhar, a nível de igualdade com os homens, só podem
tornar-se uma realidade através do reconhecimento e do respeito pela dignidade
natural.
Dado que a dignidade do ser humano é
reconhecida, os direitos humanos e as liberdades fundamentais das mulheres e das
jovens devem ser promovidos, a fim de que elas possam beneficiar das finalidades
e dos planos de desenvolvimento. O respeito pelo direito de contrair matrimónio
livremente e de criar uma família, de procurar um trabalho justamente
remunerado e de ser protegida contra a violência, o abuso e a exploração
moral, física e psicológica é fundamental para a contribuição que a mulher
tem a oferecer no campo do desenvolvimento económico e social.
Uma vez que os direitos humanos universalmente
reconhecidos são protegidos, o próximo passo consiste em garantir o acesso aos
serviços sociais básicos, especialmente o acesso à educação, à assistência
médica, à água potável e ao saneamento seguro. Estas são as pedras
angulares da saúde da mulher, do seu bem-estar e do seu desenvolvimento. A fim
de participarem na economica em transformação, as mulheres têm necessidade de
ser física e mentalmente sadias, e também devem possuir habilitações que as
possam inserir no mundo do mercado. Por conseguinte, é essencial que a educação
e a saúde das jovenss e das mulheres continuem a constituir uma prioridade nos
programas de desenvolvimento, como foi claramente realçado durante o Encontro
de Joanesburgo.
Senhor Presidente
A realização destas finalidades é urgente.
O Encontro Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável ofereceu o primeiro
fundamento. A Santa Sé, por sua vez, fará tudo o que está ao seu alcance para
continuar a trabalhar em ordem a pôr em prática as palavras, de tal maneira
que as mulheres e as jovens possam continuar a alcançar as finalidades do
desenvolvimento, estabelecidas já a partir do Encontro Mundial de Pequim.
Obrigado, Senhor Presidente!