SÍNODO DOS BISPOS X ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA
O BISPO SERVIDOR DO EVANGELHO DE JESUS CRISTO PARA A ESPERANÇA DO MUNDO
L I N E A M E N T A
APRESENTAÇÃO
O tema indicado pelo Santo Padre João Paulo II para a Décima
Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, "Episcopus
minister Evangelii Iesu Christi propter spem mundi", a ser
celebrada no tempo do Jubileu do Ano 2000, traz consigo um duplo sinal: o
da conclusão de um itinerário e um outro, de celebração
de comunhão.
Quando em 1987 realizou-se o sínodo sobre a vocação
e a missão dos leigos na Igreja e no mundo, teve início um
percurso que poderia ser compreendido sob o título: "a vida
dos corpos eclesiais após o Concílio Vaticano II".
O Sínodo, que nasceu naquele Concílio, tornou-se uma
fiel "Traditio Concilii", pois, em certa medida,
seguiu a sua estrutura, o seu método e o seu espírito, mas,
sobretudo, porque transmitiu, meditou e elaborou os argumentos e os propósitos
conciliares.
Foi assim, portanto, que o "corpus laicorum",
"christifideles scilicet qui, utpote baptismate Christo concorporati"(Lumen
Gentium, 31), foi luminosamente ilustrado na Sétima Assembleia
sinodal de 1987. A ele acedem, como primeiro passo, todos os filhos da
Igreja que, com o baptismo, são constituídos povo santo de
Deus.
Em 1990, o sínodo ocupou-se, na Oitava Assembléia, da
formação dos presbíteros, daquele "corpus
presbyterorum", no qual "os presbíteros ... estão
ligados entre si por uma íntima unidade fraternidade sacramental",
formando "um só presbitério" (Presbyterorum
ordinis,8).
A Nona Assembléia passou a tratar, em seguida, o tema da vida
consagrada, ou seja, daquelas pessoas que, como "corpus vitae
consacratae", por meio da prática dos conselhos evangélicos,
seguem Cristo com maior liberdade, imitando-o mais de perto (cf.
Perfectae caritatis, 1).
Enfim, à Décima Assembleia é reservado o tema
do Bispo na sua prerrogativa de servo anunciador do Evangelho, juntamente
com todos os demais Bispos, com os quais forma um "collegium seu
corpus episcoporum" (Lumen gentium, 22).
O itinerário sinodal, iniciado com a meditação
sobre a vocação e a missão dos leigos, passando em
seguida pelos outros estados de vida, isto é, dos presbíteros
e das pessoas consagradas, atinge uma meta de complemento com a Décima
Assembleia, dedicada ao Bispo, como apóstolo do Evangelho de Jesus
Cristo (cf.Rm 1,1.9).
Mas uma vez que o Corpo Místico de Cristo é uno, não
pode subsistir funcionalmente a variedade de membros a não ser em
uma unidade superior, que confere compactação e vitalidade
ao corpo inteiro, que é a Igreja. Com efeito, "os pastores
sagrados ... sabem que não foram instituídos por Cristo a
fim de assumirem sozinhos toda a missão salvífica da Igreja
no mundo" (Lumen gentium, 30).
É por isso que leigos, presbíteros, pessoas
consagradas e bispos tendem ao único fim e concorrem para a única
meta: fazer crescer o único Corpo do Senhor até à
plena maturidade (cf. Ef 4,13), na comunhão, porque "todos
os que, movidos pelo Espírito de Deus, obedecem à voz do Pai
e adoram a Deus Pai em espírito e verdade, cultivam nos vários
gêneros de vida e ofícios uma única santidade. Eles
seguem a Cristo pobre, humilde e carregado com a cruz, para que mereçam
ter parte na sua glória" (Lumen gentium, 41).
O caminho sinodal, que é "comunhão de vias"
(João Paulo II aos Presidentes das Conferências Episcopais da
Europa, L'Osservatore Romano,2 de dezembro de 1992, p. 5), inicia
na comunhão, desenvolve-se na comunhão, encontra o seu êxito
na comunhão.
Este documento dosLineamenta é destinado a alimentar
e estimular a reflexão de todos aqueles que, percorrendo já
nas igrejas locais este caminho de comunhão que é o Sínodo,
buscam com a oração e a meditação exprimir as
instâncias e os intentos próprios da sua comunidade.
Propostas, indicações e expectativas que deverão
ser estudadas e elaboradas pelos Bispos nas Conferências Episcopais
ou nos organismos análogos e, em seguida, enviadas à
Secretaria Geral do Sínodo. O Questionárioserve para
concentrar a atenção sobre pontos particulares da doutrina e
da praxe da Igreja. Se, em casos concretos, for percebida a necessidade de
expor argumentos não compreendidos pelo Questionário,
há ampla faculdade de proceder nesse sentido; ou seja, é
sempre bem-vinda qualquer iniciativa para aprofundar e enriquecer o estudo
do tema sinodal.
As respostas aoQuestionário deverão ser
enviadas à Secretaria Geral do Sínodo até o dia 30 de
setembro de 1999, para consentir a redacção do Instrumentum
laboris, que será o texto de referência para os Padres da
assembléia "jubilar" do Sínodo dos Bispos, evento
que será cume de cronologia cristã e de comunhão
eclesial.
Jan P. Card. SCHOTTE, C.I.C.M.
Secretário Geral do Sínodo dos Bispos
INTRODUÇÃO
1. A riqueza infinita do mistério de Cristo revive no
mistério da Igreja e manifesta-se através da variedade das
vocações e da diversidade dos estados de vida, nos quais se
articula a comunhão eclesial. No concreto das suas múltiplas
realizações eles correspondem ao conjunto dos dons que o Espírito
Santo infundiu nos baptizados (cf. 1 Cor 12, 4-6). Provindos da única
e comum origem trinitária, os diversos estados de vida estão
tão intimamente ligados entre si, que existem em função
uns dos outros e, quando vividos na consciência da sua respectiva
identidade e complementaridade, edificam-se mutuamente. Cada um, aliás,
e todos em conjunto, estão ordenados para a promoção
e crescimento da Igreja, assim como, mediante o seu desenvolvimento orgânico
contribuem para a realização da sua missão no
mundo.(1)
Depois de o Concílio Vaticano II ter posto em evidência a
grande realidade da comunhão eclesial, dado que esta não é
uniformidade, mas dom do Espírito, que passa também através
da variedade dos carismas e dos estados de vida, advertiu-se a exigência
de clarificar melhor a sua identidade, vocação e missão
específica na Igreja.(2) Por isso, sobre eles, se debruçaram
as últimas três assembleias ordinárias do Sínodo
dos bispos, a que deram seguimento as três exortações
apostólicas de João Paulo II: Christifideles laici
sobre a vocação e missão dos fiéis leigos,
Pastores dabo vobis sobre o sacerdócio ministerial e Vita
consecrata sobre o estado de quantos, homens e mulheres, seguem Cristo
mais de perto, na profissão dos conselhos evangélicos da
castidade, pobreza e obediência. Daqui proveio uma maior consciência
da sua importância e do valor da sua presença constitutiva na
vida da Igreja, por vontade do Senhor.(3) Na Igreja, portanto, como
recordou o Concílio Vaticano II, tanto o elemento hierárquico
como o carismático são coessenciais e concorrem ambos,
embora de modo diferente, mas sempre numa incessante permuta recíproca,
para a sua renovação.
2. A experiência pós-conciliar, contudo, mostrou
quanto a renovação desejada pelo Concílio, dependeu e
depende dos Bispos. Nem podia ser de outro modo, em virtude do seu ministério
de construtores, garantes e guardiões da comunidade cristã,
da qual, em nome de Cristo, foram constituídos pastores.(4) Cada um
deles é, na sua Igreja particular, o promotor eficaz da vida dos fiéis
leigos e o vigilante atento da vida consagrada; os presbíteros, por
seu lado, são os seus "necessários colaboradores e
conselheiros no ministério e na função de instruir,
santificar e governar o povo de Deus".(5)
É, portanto, urgente que, como no passado, também hoje,
quando a Igreja chega ao limiar do Terceiro Milénio, os bispos, no
seu ministério, se empenhem com determinação e
coragem na sua renovação, segundo as directivas do Concílio
Vaticano II, de tal maneira que, através da sua obra, o mundo possa
ser "destinado segundo o desígnio de Deus a ser transformado e
a alcançar a própria realização".(6)
3. Por esta razão, o tema escolhido por João Paulo
II para a X Assembleia ordinária dos bispos é: "O
Bispo servidor do Evangelho de Jesus Cristo para a esperança do
mundo". Este tema pretende sublinhar, antes de mais, que Jesus
Cristo é a esperança do homem, de todos os homens e do homem
todo.(7)
O mesmo tema propõe-se acrescentar que todo o serviço de
cada bispo é para a esperança: é serviço de anúncio
e de testemunho da esperança enquanto anúncio de Cristo.
Cada bispo deve poder fazer suas as palavras de S. Agostinho: "Quem
quer que sejamos, a vossa esperança não se fundamente em nós.
Como bispo humilho-me a dizer isto: quero alegrar-me por causa de vós
e não ser exaltado. De modo algum me congratulo com qualquer pessoa
que eu tenha descoberto fundamentar em mim a sua esperança: seja
corrigido e não estimulado; deve mudar, não é de
encorajar... não se fundamente em nós a vossa esperança,
não se fundamente nos homens. Se somos bons somos ministros, se
somos maus, somos ministros. Mas se somos ministros bons, fiéis,
somos realmente ministros".(8)
A preparação para a X Assembleia ordinária do Sínodo
dos Bispos e os seus trabalhos não poderão desenvolver-se,
senão à luz de quanto o Concílio Vaticano II ensinou
no que diz respeiteito aos Bispos, Sucessores dos Apóstolos, "os
quais com o Sucessor de Pedro, Vigário de Cristo e Cabeça
visível de toda a Igreja, governam a casa do Deus vivo".(9)
4. O bispo, participante da plenitude do sacramento da Ordem,
presença viva e actual de Cristo "pastor e bispo" das
nossas almas (1 Pd 2, 25), vigário na Igreja particular não
só da sua palavra, mas da sua própria pessoa, é princípio
e fundamento visível da unidade na Igreja confiada ao seu encargo
pastoral, agindo para que cresça como Família do Pai, Corpo
de Cristo e Templo do Espírito Santo, mediante a tríplice
função que nela é chamado a desempenhar, isto é
a de ensinar, santificar e governar.(10) Para além disto, dado que
a Igreja é a comunhão de todas as Igrejas, na edificação
da sua Igreja particular, o bispo contribui para a edificação
de toda a Igreja que é "em Cristo como que o sacramento ou
sinal e instrumento da íntima união do homem com Deus e da
unidade do género humano".(11) Com o crescimento da Igreja
cresce também "o corpo da nova humanidade que já é
capaz de apresentar uma certa prefiguração que deixa
entrever o mundo novo".(12)
O mesmo Concílio Vaticano II pôs também em relevo a
realidade do colégio episcopal que sucede ao Colégio dos Apóstolos
e é expressão privilegiada do serviço pastoral
desenvolvido pelos bispos em comunhão entre si e com o Sucessor de
Pedro. Enquanto membros deste Colégio, todos os bispos "foram
consagrados não só para uma diocese, mas para a salvação
de todo o mundo"(13) e por instituição e vontade de
Cristo "estão obrigados a ter por toda a Igreja uma solicitude
que, a qual, embora não se exerça por actos de jurisdição,
concorre, grandemente para o bem da Igreja universal".(14)
Este magistério está presente, como um dos princípios
animadores, em todos os documentos do Concílio Vaticano II e tem no
decreto Christus Dominus , sobre o múnus pastoral dos
Bispos, uma determinação mais específica. O Código
de Direito Canónico, promulgado em 1983, retomou esta figura,
delineando-lhe mesmo o estatuto jurídico. Mas já dez anos
antes, a Congregação para os Bispos tinha publicado o Directório
Ecclesiae imago (22 de Fevereiro de 1973) e cuja validade ainda hoje
permanece, com a finalidade de ilustrar o tipo ideal de bispo próprio
para o nosso tempo e de mais explicitamente descrever a sua figura
moral-ascético-mística .(15)
5. A primeira Assembleia extraordinária do Sínodo
dos Bispos, celebrada em Outubro de 1969, ao tratar o tema da
colegialidade dos Bispos na Igreja, teve a oportunidade de reflectir
aprofundadamente sobre a doutrina conciliar acerca da comunhão
sacramental entre os bispos. A própria realidade do Sínodo
dos Bispos é, aliás, um instrumento muito válido de
comunhão. Reunidos em Sínodo cum Petro e sub Petro,
os bispos trazem a sua experiência de pastores das Igrejas
particulares e "tornam manifesta e operante a coniunctio, que
constitui a base teológica e a justificação eclesial
e pastoral do reunir-se sinodalmente".(16)
A X Assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos será,
sem dúvida, a ocasião para verificar que quanto mais sólida
é a comunhão dos Bispos entre si, tanto mais é
enriquecida a comunhão da Igreja. O seu próprio ministério,
aliás, sairá fortalecido e animado pela troca recíproca
de experiências. Inserida no contexto do Grande Jubileu do ano 2000
e tendo no centro da sua atenção a própria figura do
bispo, qual ministro do Evangelho para a esperança do mundo, a próxima
Assembleia sinodal ordinária prevê, entre os seus objectivos,
o de pôr em relevo que aos Bispos "pertence o nobre objectivo
de serem os primeiros a proclamar as «razões da esperança»
(cf. 1 Pd 3, 15): esperança esta que se fundamenta nas
promessas de Deus, na fidelidade à sua palavra e tem como certeza
inequívoca a ressurreição de Cristo, a sua vitória
definitiva sobre o mal e o pecado".(17) O advento do Terceiro Milénio,
aliás, solicita particularmente os bispos a, juntamente com todos
os cristãos, valorizar e aprofundar, nos campos eclesial e civil, "os
sinais de esperança presentes neste último fim de século,
apesar das sombras que frequentemente os escondem aos nossos olhos".(18)
A esperança cristã está intimamente unida ao anúncio
corajoso e integral do Evangelho, função que sobressai entre
as principais funções dos Bispos. Por isso, para lá
dos seus múltiplos deveres e tarefas, "para lá de todas
as preocupações e dificuldades que estão
inevitavelmente ligadas ao trabalho fiel de todos os dias na vinha do
Senhor, a esperança deve estar sempre em primeiro lugar ".(19)
Capítulo I
CONTEXTO ACTUAL DA MISSÃO DO BISPO
6. Quando os padres conciliares, concluído o Concílio
Vaticano II, voltaram às suas Igrejas particulares, aos presbíteros,
seus principais colaboradores, e a todos os outros membros do povo de
Deus, juntamente com os textos doutrinais e pastorais, levaram também
a exigência de uma nova figura de bispo, conforme ao rosto de comunhão
da Igreja, que o mesmo Concílio tinha posto em evidência
chamando a atenção para a sua origem última e modelo
transcendente, no mistério divino da comunhão trinitária.(20)
Ao mesmo tempo levaram não só a doutrina acerca do carácter
e da natureza colegial da ordem episcopal, mas também a riqueza de
uma preciosa experiência vivida na colegialidade. Depois de tudo
isto, estava implícito que a figura do bispo jamais seria a mesma.
UMA NOVA VALORIZAÇÃO DA FIGURA DO BISPO
7. De facto, emergia a necessidade de uma valorização
diferente da função e da autoridade do bispo. Isto, não
já unicamente no aspecto exterior, ao qual também a Sé
Apostólica começou bem cedo a providenciar, por exemplo com
a carta m.p. Pontificalia insignia de Paulo VI (21 de Junho de
1968) ou, também, com a Instrução Ut sive
sollicite (31 de Março de 1969), que traziam de novo as insígnias
pontificais e as vestes episcopais a uma maior simplicidade e conformidade
ao espírito humilde e pobre que sempre deve resplandecer naqueles
que têm uma responsabilidade especial no serviço dos fiéis.
Contudo, a nova valorização da figura do bispo, o qual
possui em primeiro lugar o carisma da apostolicidade, dizia respeito,
sobretudo, ao seu significado espiritual e moral. Ele é o
administrador da graça do sacerdócio supremo; é o
mestre autêntico que proclama com autoridade a palavra de Deus sobre
a fé e os costumes.
8. Na carta apostólica de preparação para o
Jubileu do ano 2000, João Paulo II lembra que é oportuno e
bom para a Igreja convidar os seus filhos a transpôr a Porta Santa
purificando-se, pelo arrependimento, dos erros, infidelidades e
incertezas. Ou melhor, a própria Igreja quer carregar o pecado dos
seus filhos.(21)
É, portanto, oportuno que a X Assembleia ordinária do Sínodo
dos Bispos, no fim do segundo milénio, reconheça, num gesto
humilde de arrependimento, que ao longo da história também o
ministério episcopal, na sua manifestação histórica
em certos momentos, foi entendido mais como uma forma de poder e de prestígio,
do que como uma expressão de serviço.
9. O Concílio Vaticano II no seu magistério
retomou, em muitas circunstâncias, a doutrina de São
Cipriano, bispo de Cartago, do qual recuperou a ideia da mútua
inclusão da Igreja no bispo e do bispo na Igreja: a Igreja é
o povo unido ao seu sacerdócio, o rebanho reunido à volta do
seu pastor.(22) A mesma ideia orientou o decreto Christus Dominus
ao descrever a Igreja particular como porção do povo de Deus
que adere ao seu pastor, o qual coadjuvado pelo presbitério, o
reune no Espírito Santo por meio do Evangelho e da Eucaristia.(23)
O desejo vivo e o pedido emergente, por parte de muitos fiéis, de
viver a comunhão com o seu próprio bispo, o seu interesse no
encontro pessoal com ele, no diálogo, no confronto das ideias, na
análise e na verificação das situações
locais, na planificação pastoral são factores
positivos, certamente. Na premente procura de quantos têm vivo o
sentido da Igreja está, na verdade, presente a necessidade que o
bispo seja cada vez mais claramente sinal daquela comunhão de
caridade,(24) de que, a mesma Igreja é sacramento no mundo.
NOVAS INSTÂNCIAS E DIFICULDADES PARA O MINISTÉRIO
EPISCOPAL
10. Este aspecto que tem a sua resposta institucional na
constituição de espaços específicos de
participação na vida da Igreja particular, como os Conselhos
presbiterais e pastorais e a celebração de Sínodos
diocesanos, comporta, para além das normais, ulteriores
dificuldades para o exercício do ministério episcopal. O
risco é o de que uma série de deveres, de vário género,
e em estreita sucessão entre si, venha a sobrecarregar o dia de um
bispo e que circunstâncias particulares, derivadas principalmente do
papel público que em diversos países lhe é
reconhecido na sociedade civil, possam desviá-lo das suas
principais incumbências. Acontece então que ele é
totalmente absorvido por solicitações tais de modo a fazer
prevalecer o aspecto administrativo e burocrático, em prejuízo
da relação pessoal espiritual do pastor com o seu rebanho.
Também o papel público de um bispo tem necessidade de um
discernimento cuidadoso.
A isto acrescentam-se outras dificuldades, que derivam, por exemplo, do
território diocesano extenso ou da quantidade de fiéis ou
ainda da concepção persistente, em alguns lugares, de que o
bispo seja a pessoa importante e influente a quem é possível
dirigir-se para obter favores ou auxílios de vário género.
11. Trata-se, na verdade, da dificuldade de fazer-se realmente "tudo
para todos". Em todo o caso, o bispo deve procurar e realizar, nos
seus afazeres quotidianos, o justo equilíbrio entre a orientação
interna de uma comunidade e o dever missionário de anunciar aos
homens o Evangelho. Não menos necessária é a busca de
um equilíbrio entre a contemplação e a acção.
Uma vez que, efectivamente, a missão episcopal é um ónus
pesado e fatigante, mais se põe em evidência a importância
da cooperação dos presbíteros. Não se trata,
neste caso, de uma simples oportunidade prática, dado que a necessária
cooperação do presbitério está radicada no próprio
evento sacramental.(25) Por outro lado, todos os cristãos têm
o direito e o dever de cooperar, quer de forma pessoal, quer associativa,
na missão da Igreja, em conformidade com a vocação própria
e os dons do Espírito. Cabe, portanto, ao bispo reconhecer e
respeitar este sadio pluralismo das responsabilidades, acolhê-lo,
valorizá-lo e coordená-lo com sabedoria pastoral, de modo a
evitar dispersões inúteis e prejudiciais de energias.(26)
Procedendo assim, ele estará presente na Igreja particular, não
só com a força da sua personalidade particular mas, mais
ainda, na forma de uma pessoa ministerial, que realiza uma presença
de comunhão.
EMERGÊNCIAS NA COMUNIDADE CRISTÃ
12. O Vaticano II foi para a Igreja uma autêntica graça
de Deus e um grande dom do Espírito Santo. Deste concílio
surgiram muitos frutos espirituais para a Igreja universal e para as
Igrejas particulares, como também para os homens do nosso tempo.
Ele foi, de modo particular, um grande acto de amor para com Deus, para
com a humanidade e para com a Igreja, da qual, nos seus textos, expôs
a natureza e a estrutura fundamental desejada pelo Senhor, a vocação
ecuménica e a actividade apostólica e missionária.
A II Assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos de
1985 constatou com satisfação e com esperança que
grande parte dos fiéis, respondendo aos impulsos do Espírito,
tinha acolhido o magistério do Vaticano II com ímpeto e com
grande entusiasmo, a ponto de se ver acrescido o sensus Ecclesiae.
A partir dele, que comporta um conhecimento mais aprofundado da Igreja, um
maior amor por ela e um activo sentire in Ecclesia, são
também reforçados o dinamismo missionário e o empenho
no diálogo ecuménico para que seja restabelecida a união
visível entre os cristãos.
Principalmente o sentido da corresponsabilidade e a vontade de participação
na vida e na missão da Igreja conheceram verdadeiro impulso nos fiéis
leigos. Depois do Concílio surgiram também e
desenvolveram-se, ao lado do associativismo tradicional, novas realidades
associativas que, com fisionomia e objectivos específicos e
diversos, participam na missão da Igreja de anunciar o Evangelho
como fonte de esperança e de renovação para a
sociedade.(27) Do mesmo modo, a exigência de valorizar o "carácter"
da mulher é cada vez mais sentida na comunidade dos fiéis.
Difundida universalmente, ainda, e nalgumas Igrejas florescente com
surpreendente vigor, está a vida consagrada, sobre a qual muito
reflectiu a última Assembleia ordinária do Sínodo dos
Bispos a que deu continuação a exortação apostólica
Vita consecrata.. São fenómenos animadores dado que
a eles está intimamente associado o vigor renovado na adesão
a Cristo, luz dos povos e esperança do homem.
Diminuição do fervor e subjectivização da fé
13. Todavia, o crescimento, sobretudo nos povos de antiga tradição
cristã, nem sempre tem sido tal, de modo a aguentar o embate do
secularismo, que, de há tempos, corrompe as raízes
religiosas do coração humano. No âmbito eclesial não
faltam outros fenómenos preocupantes e negativos, como a ignorância
religiosa infelizmente persistente e crescente entre muitos crentes, a
escassa incidência da catequese sufocada pelas mais divulgadas e
persuasivas mensagens dos meios de comunicação social, o mal
entendido pluralismo teológico, cultural e pastoral; o persistir de
um sentido de desconfiança e de quase intolerância em relação
ao magistério hierárquico; os impulsos unilaterais e
redutores da riqueza da mensagem evangélica.(28)
Entre os efeitos deve-se incluir o surto de uma "falta de fervor,
tanto mais grave quanto nasce do interior; esta manifesta-se no cansaço,
na desilusão, na acomodação, no desinteresse e,
sobretudo, na falta de alegria e de esperança".(29) A isto
juntam-se também a ruptura entre a fé e a vida, entre o
acolhimento do Evangelho e a sua tradução concreta nos
comportamentos e nas escolhas quotidianas e o aparecimento, entre os fiéis,
de um subjectivismo, por vezes exagerado, que se manifesta principalmente
no campo ético e moral, mas também nos conteúdos da fé.
O fenómeno da subjectivização da fé, que
acompanha o crescimento do individualismo, está infelizmente
presente num grande número de cristãos e tem como resultado
uma reduzida sensibilidade ao conjunto global e objectivo da doutrina da fé.
Pelo contrário, cresce a adesão subjectiva àquilo que
agrada e está de acordo com a própria "experiência".
Dificuldades como estas exigem que, sobretudo os bispos, unidos ao seu
presbitério, aumentem os esforços para que a palavra de Deus
chegue íntegra aos fiéis e lhes sejam expostos, sem qualquer
adulteração, o esplendor e a intensidade de amor "da
verdade que salva" (2 Tes 2, 10).
A necessidade de apresentar a luz do Evangelho e o ensinamento
autorizado da Igreja sobre os princípios que estão na base
da vida moral e a sustentam está presente na Veritatis splendor
(25 de Março de 1995), onde João Paulo II propôs de
novo os fundamentos do agir cristão e a relação
essencial que há entre verdade e liberdade.
14. Na verdade, é preciso reconhecer que o exercício
do magistério episcopal era relativamente fácil quando a
vida da Igreja se desenvolvia em condições diferentes e
podia facilmente inspirar as culturas e participar nas suas formas
expressivas. Na actual crise, que atinge a linguagem e o pensamento, tudo
isto se tornou, indubitavelmente, mais árduo e difícil; ou
melhor, precisamente no anúncio da verdade, os bispos vêem a
sua fé e coragem frequentemente desafiadas e submetidas a dura
prova.
Com efeito, a eles cabe, em primeira pessoa, o inalienável dever
de serem os guardiões da Verdade e isto sem ignorar os múltiplos
problemas, que um crente, justamente desejoso de progredir na compreensão
da fé, hoje encontra. A cada bispo o Apóstolo exorta a
encontrar sempre força na graça que está em Cristo
Jesus (cf. 2 Tm 2, 1) e a anunciar a Palavra em todas as ocasiões,
oportuna e inoportunamente, a vigiar suportando os sofrimentos, para levar
a cabo a obra de anunciador do Evangelho (cf. 2 Tm 4, 1-5).
É muito importante, para tal fim, conservar viva e visível
a comunhão hierárquica com o bispo de Roma e incrementar o
afecto colegial com os outros bispos, particularmente nas várias
assembleias episcopais.(30)
A vida matrimonial e familiar
15. Como escreveu João Paulo II na sua Carta de
2 de Fevereiro de 1994, a família está entre os mais
importantes "caminhos" da Igreja no limiar do Terceiro Milénio.
Um olhar sobre a vida da Igreja nos nossos dias realça que, entre
os cristãos, cresceu a convicção de que a família
e o casal cristãos são fontes de santificação.
Nos esposos, em particular, aumentou a consciência da sua vocação
à santidade e do significado positivo e cristão da
sexualidade. A propósito, um apoio essencial, nos últimos
decénios, veio do magistério do Vaticano II, apresentado na
constituição pastoral Gaudium et spes, ao qual, a
partir da Sé Apostólica, se têm juntado muitas outras
intervenções, desde a encíclica Humanae vitae
de Paulo VI até à exortação Familiaris
consortio de João Paulo II.
Mas a família é também hoje insidiada por numerosas
ameaças, que vão desde a mentalidade consumista ao hedonismo
difundido, do permissivismo moral à perniciosa propaganda de formas
desviadas da sexualidade. Por outro lado, os meios de comunicação
social frequentemente elevam ao nível de esquemas de vida social
comportamentos degradantes da dignidade da pessoa e, portanto, opostos à
vida moral indicada pelo evangelho e ensinada pela Igreja. Juntam-se a
isto o mito de uma "explosão demográfica" e os
receios de um superpovoamento, que impediria a humanidade de prover às
suas necessidades vitais. Estes fenómenos e medos abrem caminho à
praga do aborto e à eutanásia, sobretudo porque alimentados
por uma invasora e, por vezes, dissimulada "cultura de morte",
contra a qual João Paulo II ergueu a sua voz com a encíclica
Evangelium vitae (25 de Março de 1995).
Finalmente, no campo da vida humana, a biologia e a bioengenharia
centraram o olhar nas forças mais escondidas da natureza e,
apropriando-se das metodologias mais ousadas para as dominar e utilizar,
realizaram enormes progressos. São, todavia, conhecidos os graves
riscos de ultrapassagem dos limites e de abuso, e as profundas questões
antropológicas e morais que derivam de intervenções
que, atentando contra a vida e a dignidade do homem, são formas
inaceitáveis de manipulação e de alteração.
Tudo isto não deixa de alarmar e de preocupar em primeiro lugar
os bispos, bem conscientes de que a família só sairá
fortalecida se corresponder à vocação do Pai celeste,
que chama os seus filhos a viver a união conjugal na fidelidade, a
exercer responsavelmente a procriação e a empenhar-se
amorosamente na educação da prole.
Num momento em que parece perdido em muitos o vínculo entre
verdade, bem e liberdade, os bispos sentem a urgência e o dever de
recordar, com a voz do santo bispo Ireneu de Lião, que "a glória
de Deus é o homem vivente e a vida do homem é a visão
de Deus".(31) Daqui a necessidade de o homem viver segundo as exigências
da sua dignidade de criatura de Deus e de filho no Filho, redentor do
homem. Forma eminente de caridade é a de não diminuir em
nada a salutar doutrina de Cristo, acompanhando a proclamação
da verdade com a paciência e a bondade de que o Senhor Jesus deu
exemplo.
As vocações ao ministério presbiteral e à
vida consagrada
16. A atenção dos bispos à formação
dos futuros presbíteros e a sua preocupação pela
escassez do clero estiveram sempre presentes nas discussões das
diversas assembleias do Sínodo dos bispos, em particular na de
1990. Então pôde-se constatar como em muitas Igrejas
particulares havia um reconfortante despertar e aumento das vocações
ao ministério presbiteral, pelo qual todos devem louvar o Senhor;
noutras Igrejas, pelo contrário, sobretudo da Europa ocidental e da
América do Norte, persiste uma sensível diminuição,
agravada pelo crescimento da média da idade dos sacerdotes
empenhados na cura pastoral. Por outro lado, também onde é
sensível o aumento das vocações persiste a distância
entre o crescimento numérico e as exigências dos fiéis.
Isto comporta uma dificuldade evidente para o ministério
episcopal e é fonte de notáveis preocupações
para muitos bispos. A comunidade cristã, na verdade, tem no
sacramento da Eucaristia, da qual o sacerdote é ministro, a sua
fonte incessante. A presença de vocações sacerdotais,
aliás, é uma premissa necessária para o crescimento
da Igreja e uma prova da sua vitalidade espiritual.
Também o incremento das vocações para a vida
consagrada se apresenta como uma séria necessidade para a Igreja,
que precisa sempre destas testemunhas do "século futuro".
A sua presença é condição indispensável
para a obra da nova evangelização. Por esta razão
a promoção das vocações ao sagrado ministério
e à vida consagrada, como a sua formação adequada,
devem ser uma preocupação de todo o povo de Deus. Tal
preocupação tem de ser prioritária para todos os
bispos a fim de que seja assegurado o caminho de esperança para a
difusão do Evangelho e a edificação constante do
Corpo de Cristo, que é a Igreja.
O desafio das seitas e dos novos movimentos religiosos
17. O subjectivismo da fé e o permissivismo moral, mas
também uma formação religiosa carente e uma experiência
de vida litúrgica e eclesial insuficiente, expõem os fiéis
de muitas comunidades cristãs, na Europa, na América e na África,
à atracção exercida pelo proliferar das seitas ou "novas
formas de religiosidade", como hoje se costuma denominá-las. A
elas dedicou a sua atenção a II Assembleia extraordinária
do Sínodo dos bispos em 1985. Naquela sede interrogámo-nos
se, mesmo em âmbito católico, fora suficientemente
manifestado o sentido do sagrado.(32) Sobre o argumento interveio depois a
Santa Sé, com um especial e articulado documento preparado por
alguns Dicastérios romanos.(33) Também as Conferências
episcopais, sobretudo as Conferências gerais do Episcopado latino-
americano, reflectiram sobre o tema. João Paulo II refere-se a isso
com frequência, quer ao receber os bispos em visita ad limina,
quer no decorrer das suas múltiplas viagens apostólicas.
É claro que estes "novos movimentos religiosos" têm
muito pouco em comum com uma autêntica procura de Deus e, por isso,
tanto nas suas doutrinas, como nos seus métodos, propõem-se
como alternativa, em oposição, não só à
Igreja católica, mas também às outras Igrejas e
comunidades eclesiais.
À difusão destes novos movimentos religiosos é
preciso reagir com uma obra pastoral que ponha no centro a pessoa, a sua
dimensão comunitária e o seu anseio por uma autêntica
relação pessoal com Deus. A sua presença sugere, em
todo o caso, a necessidade de revitalizar a catequese a todos os níveis
adequando-a à mentalidade do povo e à sua linguagem, pondo
sempre no centro a insondável riqueza de Cristo, único
Salvador do homem. Cabe em primeiro lugar aos bispos, em cujas Igrejas
particulares o fenómeno se manifesta, orientar a pastoral segundo
estas perspectivas, e também tutelar os valores da piedade popular.
Deste modo, será possível conter o proselitismo das seitas,
sem ataques pessoais e sem posições contrárias ao espírito
do Evangelho, mas sempre com o espírito caritativo de quem acolhe a
pessoa para a evangelizar.
O CONTEXTO DA SOCIEDADE DOS HOMENS
18. As emergências hoje presentes na vida da Igreja, das
quais só algumas, talvez mais emblemáticas, foram
sumariamente referidas, estão unidas e ressentem-se da história
dos homens na qual ela vive. A Igreja, de facto, é povo de Deus que
peregrina à procura da cidade futura e permanente (cf. Hb
13, 14). Se bem que, por vocação, transcenda os tempos e os
confins das nações, devendo estender-se a toda a terra, a
Igreja, como ensinou o Concílio Vaticano II, entra na história
dos homens,(34) como participante da suas vicissitudes e solidária
com as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias
dos homens, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem.(35)
Porém, é verdade que, relativamente ao momento da celebração
do Concílio, os actuais cenários mundiais estão
profundamente alterados. Por outro lado, muitas das mudanças
actuais não eram de todo previsíveis aos padres do Vaticano
II, pelo menos na forma em que se concretizaram.
Um cenário mundial diferente
19. Diferente, na verdade, é a ordem das nações
e dos equilíbrios internacionais; o progresso da ciência e da
técnica em todos os campos trouxe novos problemas; nos âmbitos
da bioengenharia e no das comunicações aconteceram autênticas
revoluções tecnológicas, que abriram novas
possibilidades de controlo da natureza, dos processos sociais e da própria
vida humana. Também o ateísmo hodierno é diferente, não
prevalecendo mais a forma do ateísmo científico ou do ateísmo
humanista, mas antes a do ateísmo prático e da indiferença
religiosa. Nesta forma, ele sempre esteve presente na história;
hoje, porém, assumiu uma actuação mais penetrante e
quase anónima, especialmente nas partes do mundo de antiga tradição
cristã.
Por tudo isto, juntamente com as enormes possibilidades, têm avançado
também novas ameaças para a vida dos homens. Os
desafios postos à Igreja pelas mudanças profundas do agir
humano são múltiplos e seria impossível recordá-los
todos; eles dizem respeito à pessoa humana e à sua vida,
desde o primeiro instante até à sua conclusão com a
morte, o ambiente ameaçado nos seus equilíbrios
fundamentais, a convivência civil e o desenvolvimento dos povos, a
força inédita dos novos meios de comunicação
capazes de criar ou modificar uma cultura e de influenciar os processos
económicos e políticos. Em tal situação a
carta encíclica Centesimus annus estabelecia a tríplice
instância de uma ecologia ambiental, de uma ecologia humana e de uma
ecologia social.(36)
20. Também o grande tema da paz no mundo, na segunda
metade deste século que está a terminar, se apresenta de uma
forma diferente. Inscreve-se no novo quadro da "globalização".
Sobretudo com o contributo do mundo das comunicações o mundo
está a tornar-se, cada vez mais, uma "aldeia global". Em
contraposição, desenvolve-se também uma orientação
para a fragmentação, assinalada pela afirmação
exagerada, e por vezes fictícia, de identidades culturais, políticas,
sociais e religiosas.
Acontece assim que, enquanto se vêem caídos os antigos
muros, outras barreiras têm sido levantadas. E, mesmo se hoje não
se verificam conflitos generalizados, persistem, porém, conflitos
locais e internos, que interpelam a consciência de populações
inteiras em todo o mundo. A perda de muitas vidas humanas e o enorme número
de prófugos, de refugiados e de sobreviventes, feridos no corpo e
no espírito, constituem um resultado muito negativo que bloqueia o
desenvolvimento dos direitos humanos, mantém em crise permanente os
processo de paz e impede a consecução do bem comum da
sociedade.
É aberrante que, muitas vezes, se pretenda justificar com motivações
de ordem religiosa as lutas e conflitos com os outros. O fenómeno
do fundamentalismo ou fanatismo religioso deve ser claramente condenado.
Porém, é preciso estudá-lo atentamente nas suas
motivações, visto que quase nunca é somente
religioso, mas, em alguns casos, o sentimento religioso é
instrumentalizado para outros fins, políticos ou económicos.
21. Igualmente grave é o fardo da pobreza e da miséria
que pesa sobre populações inteiras, enquanto, nos países
economicamente mais desenvolvidos, diminui o sentido da solidariedade. As
fronteiras da riqueza e da pobreza não distinguem apenas as nações
ricas das pobres e ainda em vias de desenvolvimento, mas atravessam também
aquelas mesmas sociedades no seu próprio interior.
A questão social tornou-se, hoje, ainda mais complexa devido às
diferenças de cultura e dos sistemas de valores entre os vários
grupos populacionais, que nem sempre coincidem com o grau de
desenvolvimento económico mas, pelo contrário, contribuem
para criar maiores distâncias. A isto acrescentam-se as pragas do
analfabetismo, a presença de diversas formas de exploração
e de opressão económica, social, política e também
religiosa da pessoa humana e dos seus direitos, as discriminações
de todo o tipo, especialmente as mais odiosas, porque fundadas nas diferenças
raciais. Outras formas de pobreza são a dificuldade ou
impossibilidade de acesso aos níveis superiores de instrução,
a incapacidade de participar na constituição da sua própria
Nação, a negação ou a restrição
dos direitos humanos e, entre estes, o direito à liberdade
religiosa.
O elenco poderá, sem dúvida, ser ampliado,
acrescentando-lhe outros factores que semeiam cansaço nos corações
e nas mentes e ameaçam seriamente as esperanças de um futuro
melhor. Tais são, por exemplo, a corrupção da vida pública
que se regista em diversos Países; o mercado da droga e da
pornografia, que corroem posteriormente a compleição moral,
a resistência e as esperanças dos povos; as quantias enormes
gastas com os armamentos, não somente com fins de defesa, mas também
para procurar a morte; um comportamento incorrecto nas relações
internacionais e nas trocas comerciais em detrimento dos países em
vias de desenvolvimento, as restrições à livre
profissão da fé ainda levantadas em algumas Nações.
Algumas direcções das esperanças humanas
22. Elencando e examinando estas emergências, a Igreja que
se prepara para entrar no terceiro milénio cristão, embora
sem fugir da seriedade e da gravidade dos problemas, continua a fazer seu
o optimismo fundamentado na esperança cristã, presente na
constituição pastoral Gaudium et spes do Concílio
Vaticano II. Na verdade, para quem olha de mais perto a história
dos homens no limiar do novo milénio, não cessam de chegar
sinais de esperança; ela, aliás, mostra-se transpassada por
uma forte corrente de liberdade, que move os homens e as mulheres de todo
o mundo.
Detendo nela a sua atenção, João Paulo II, no
discurso de 5 de Outubro de 1995 à Organização das Nações
Unidas, ilustrou-lhe o sentido à luz das exigências
imprescindíveis da lei moral universal. Convidou, ainda, as Nações
a assumir o risco da liberdade com o reafirmar dos direitos fundamentais e
da dignidade e valor da pessoa humana, nos novos contextos de uma
sociedade multiétnica e multirracial e da mundialização
da economia, e com a procura de um equilíbrio justo entre os dois pólos
da particularidade e da universalidade. Os direitos das nações,
na verdade, não são mais do que os direitos humanos
cultivados ao nível específico da vida comunitária.
Daqui brota, também, o respeito pelas "diferenças"
como fonte de uma compreensão mais profunda do mistério do
homem.(37)
Na passagem do segundo para o terceiro milénio cristão, a
vida dos homens apresenta-se também penetrada por um promissor e
sensível interesse pelos valores do espírito, embora frágil
em relação às ânsias e às preocupações,
por uma necessidade de interioridade cada vez mais difundida, por uma
maior atenção à responsabilidade do homem para com a
natureza e por uma consciência crescente das oportunidades actuais,
a fim de construir uma civilização nova e melhor, e um mundo
em que todos se envolvam numa solidária e corajosa colaboração
para os objectivos da paz e da justiça, para um despertar moral a
favor do respeito pela dignidade e pelos direitos humanos no mundo.
BISPOS TESTEMUNHAS E SERVIDORES DA ESPERANÇA
23. A Igreja sente no pulsar do seu corpo as tensões e as
contraposições que angustiam os homens do nosso tempo, e em
todos os seus membros quer tornar-se presente na defesa da dignidade do
homem e da sua promoção integral. O próprio Jesus
advertiu que se identifica com todos os pobres deste mundo e que julgará
no fim dos tempos a partir desta identificação (cf. Mt
25, 31-46).
No limiar do Terceiro Milénio a Igreja tem consciência de "que
a sua mensagem social encontrará credibilidade mais no testemunho
das suas obras do que na sua coerência e lógica interna. Também
desta consciência deriva o seu amor preferencial pelos pobres, a
qual nunca é exclusiva ou discriminatória em relação
a outros grupos".(38) À imagem de Jesus, que "vendo as
multidões teve compaixão delas, porque estavam cansadas e
desfalecidas como ovelhas sem pastor" (Mt 9,36), tal encargo
deve ser assumido pelos bispos em primeira pessoa.
24. A história da Igreja está povoada de figuras
de bispos que, em virtude do imperativo derivante da missão
episcopal, se empenharam profundamente na promoção e na
defesa corajosa da dignidade humana. Esta, na verdade, representa um valor
evangélico que nunca poderá ser desprezado sem ofensa grave
ao Criador. Tais figuras não pertencem somente ao passado mas também
aos nossos dias. Aliás, o testemunho de sangue de alguns está
depositado no coração das suas Igrejas particulares e da
Igreja universal. A tantos bispos que, juntamente com os seus sacerdotes,
com religiosos e leigos, sofreram o cárcere e a marginalização
sob os regimes totalitários do Este e do Oeste, nos últimos
decénios, acrescentam-se hoje outros que, como o Bom Pastor, deram
a vida pelo seu rebanho.
O seu sacrifício, unido ao de muitos fiéis, enquanto
actualiza e prolonga o martirológio de uma Igreja que, ao terminar
o segundo milénio, "se tornou novamente Igreja de mártires",(39)
mostra eficazmente que a mensagem social do Evangelho não é
uma teoria abstracta, mas uma vida que se entrega.
25. Ser semeador de esperança quer dizer desempenhar uma
missão ineludível da Igreja. Todo o serviço episcopal
existe para a esperança, ministério para "o
renascimento de uma esperança viva" (1 Pd 1, 3) do
povo de Deus e de todo o homem. É, por isso, necessário que
o bispo oriente toda a sua tarefa de evangelização ao serviço
da esperança, sobretudo dos jovens, ameaçados por ilusões
míticas e pelo pessimismo de sonhos que desaparecem, e de quantos,
angustiados pelas múltiplas formas de pobreza, olham a Igreja como
sua única defesa, graças à sua esperança
sobrenatural.
Servidor da esperança, cada bispo deve, também, conservá-la
firme em si mesmo, porque é o dom pascal do Senhor ressuscitado e
está fundada no facto de que o Evangelho, a cujo serviço o
bispo é essencialmente posto, é um bem total, o ponto
crucial no qual se centra o ministério episcopal. Sem a esperança
toda a sua acção pastoral permaneceria estéril. O
segredo da sua missão está, pelo contrário, na
inflexibilidade da sua esperança.
Capítulo II
TRAÇOS DE IDENTIFICAÇÃO DO MINISTÉRIO
DO BISPO
26. A II Assembleia extraordinária do Sínodo dos
Bispos apontou a Koinonia-Communio como o conceito central da
eclesiologia do Vaticano II. Esta eclesiologia, presente na Tradição
viva da Igreja e património comum no Oriente e no Ocidente durante
quase todo o primeiro milénio da era cristã, constitui o
caminho da renovação da vida eclesial e é ainda o
fundamento de todo o ministério pastoral na peregrinação
da Igreja através da história humana.(40)
Que a Igreja seja mistério de comunhão é uma afirmação
que não diz respeito somente às suas estruturas exteriores,
mas antes à sua natureza íntima e à sua realidade
mais profunda, que toca o coração do mistério da Santíssima
Trindade. A Igreja, na verdade, como recordou o Concílio, é
povo congregado à semelhança da unidade do Pai, do Filho e
do Espírito Santo;(41) tem origem na Trindade, subsiste na Trindade
e caminha para a Trindade. Esta natureza e missão da Igreja "como
a constituiu Cristo seu fundador e seu fundamento, determinam e definem a
natureza e a missão do episcopado".(42)
O MINISTÉRIO DO BISPO EM RELAÇÃO À SANTÍSSIMA
TRINDADE
27. A identidade cristã revela-se no interior do mistério
da Igreja como mistério de comunhão trinitária em
tensão missionária. Também o sentido e a finalidade
do ministério episcopal deve ser compreendido na Ecclesia de
Trinitate, enviada a ensinar todos os povos e a baptizar em nome do
Pai e do Filho e do Espírito Santo (cf. Mt 28, 18-20).
Por isso, nas relações entre cada bispo e os fiéis
da Igreja particular confiados aos seus cuidados devem reflectir-se as
relações entre as pessoas divinas da Trindade na unidade: no
Pai está a fonte da autoridade, no Filho, a fonte do serviço
e no Espírito Santo, a fonte da comunhão. Assim "a
palavra «comunhão» leva-nos à própria fonte
da vida trinitária que converge na graça e no ministério
do episcopado. O bispo é imagem do Pai, torna presente Cristo como
Bom Pastor, recebe a plenitude do Espírito Santo da qual brotam os
ensinamentos e as iniciativas ministeriais a fim de que possa edificar, à
imagem da Trindade e através da palavra e dos sacramentos, esta
Igreja, lugar do dom de Deus aos fiéis que lhe foram confiados".(43)
O MINISTÉRIO EPISCOPAL EM RELAÇÃO A CRISTO E AOS
APÓSTOLOS
28. O ministério episcopal configura-se na Igreja como
ministério na sucessão apostólica. O testemunho
ininterrupto da Tradição reconhece nos bispos aqueles que
possuem o "sarmento do gérmen apostólico"(44) e
sucedem aos apóstolos na qualidade de pastores da Igreja.
Certamente que os Doze são únicos como testemunhas do
Verbo encarnado, crucificado e ressuscitado. Mas, no tempo que decorre
entre a Páscoa do Senhor e a sua vinda na glória, depois do
desaparecimento dos Apóstolos, são os bispos a herdar a sua
missão. Radicados no eph'apax apostólico em virtude
do sacramento da Ordem, estão revestidos de uma exousia
que, vivida em comunhão com o Sucessor de Pedro, "tem a
finalidade de dar continuidade no tempo ao rosto do Senhor, que é
constituído por toda a Igreja, vigiando em particular para que não
sejam alterados os seus traços essenciais e as suas feições
específicas que o tornam único entre todos os rostos da
terra".(45)
29. Ministros da apostolicidade de toda a Igreja por vontade do
Senhor e revestidos do poder do Espírito do Pai, que governa e
orienta (Spiritus principalis ), os bispos são sucessores
dos Apóstolos, não só na autoridade e na sacra
potestas, mas também na forma da vida apostólica, nos
sofrimentos apostólicos pelo anúncio e difusão do
Evangelho, na cura afectuosa e compassiva dos fiéis a eles
confiados, na defesa dos débeis, na atenção constante
ao povo de Deus.
Configurados de modo particular a Cristo mediante a plenitude do
sacramento da Ordem e tornados participantes da sua missão, os
bispos tornam-no sacramentalmente presente e por isso são chamados "vigários
e embaixadores de Cristo" nas Igrejas particulares a que presidem em
seu nome.(46) Na verdade, por meio do seu ministério, o Senhor
Jesus continua a anunciar o Evangelho, a difundir sobre os homens a
santidade e a graça mediante os sacramentos da fé e a
orientar o povo de Deus na peregrinação terrena até à
felicidade eterna.
O MINISTÉRIO EPISCOPAL EM RELAÇÃO À IGREJA
30. Dom do Espírito feito à Igreja, o bispo é,
antes de mais, como qualquer cristão, filho e membro da Igreja.
Desta Mãe Santa, ele recebeu o dom da vida divina no sacramento do
Baptismo e a primeira instrução na fé. Com todos os
outros fiéis, ele partilha a dignidade insuperável de Filho
de Deus, a viver na comunhão e em espírito de grata
fraternidade. Por outro lado, permanecendo fiel de Cristo entre os outros,
em virtude da plenitude do sacramento da Ordem, ele é também
aquele que, perante os fiéis, é mestre, santificador e
pastor, que age em nome e na pessoa de Cristo. Não se trata,
evidentemente, de duas relações simplesmente justapostas,
mas antes em recíproca e íntima relação,
ordenadas como estão uma para a outra porque ambas bebem da riqueza
de Cristo único e sumo sacerdote.(47) Todavia, um bispo torna-se "pai"
precisamente porque "filho" da Igreja por inteiro.
Por isso, como já o Directório Ecclesiae imago
recordava, o bispo "deve harmonizar em si mesmo os aspectos de irmão
e simultaneamente de pai, de discípulo de Cristo e de mestre da fé,
de filho e, em certo modo, de pai da Igreja, uma vez que é o
ministro da regeneração sobrenatural dos cristãos".(48)
O vínculo que une o bispo à Igreja foi também,
muitas vezes, descrito como um místico vínculo conjugal. Na
verdade, Cristo é o único esposo da Igreja. Enquanto sinal
sacramental de Cristo Cabeça, o bispo também é sinal
de Cristo esposo. Reflectindo de forma visível e especial a imagem
do Esposo, o bispo deve ser também o seu testemunho credível
na comunidade. Revestido da caridade conjugal do Redentor, ele está
empenhado em fazer florescer na Igreja "a amplitude, o comprimento, a
altura e a profundidade do amor de Cristo" e em manifestá-la "cheia
de toda a riqueza de Deus" (Ef 3, 18s).
É assim que o bispo exerce a sua missão de apascentar o
rebanho do Senhor, isto é, como resposta ao amor e como amoris
officium.(49) Desse modo também aumenta a esperança na
sua Igreja particular, visto que, através do seu serviço,
aquela conserva a certeza de que nunca lhe faltará a caridade
pastoral de Jesus Cristo, da qual cada bispo se torna participante.
O BISPO EM RELAÇÃO AO SEU PRESBITÉRIO
31. O ministério do bispo define-se em relação
às diversas vocações dos membros do povo de Deus e,
antes de mais, em relação aos sacerdotes, incluindo os
religiosos, e ao presbitério por eles constituído na sua
Igreja particular.(50) Os documentos do Vaticano II (51) deram uma nova
luz à antiga realidade do colégio presbiteral, como corpo
orgânico constituído por todos os presbíteros
incardinados numa Igreja particular ou ao seu serviço, reunido em
torno do bispo no governo pastoral de cada Igreja. Tal vínculo
profundo fundamenta-se na participação, ainda que em grau
diverso, no mesmo e único sacerdócio de Cristo e na mesma
missão apostólica que tal sacerdócio confere. Por
esta sua natureza e missão, o sacerdócio universal
manifesta-se, na estrutura da Igreja, como um dom do Espírito, como
um carisma, "sinal da prioridade absoluta e da gratuitidade da graça,
que é dada à Igreja por Cristo ressuscitado".(52)
O Concílio Vaticano II descreveu as relações mútuas
entre o bispo e os presbíteros com imagens e terminologia diversas.
Designou o bispo como o "pai" dos presbíteros,(53) mas
também uniu à referência da paternidade espiritual, as
da fraternidade, da amizade, da colaboração necessária
e do conselho. É verdade, porém, que a graça
sacramental chega ao presbítero mediante o ministério do
bispo e esta mesma lhe é dada em vista da cooperação
subordinada, com o bispo, para a missão apostólica. Esta
mesma graça une os presbíteros às diversas funções
do ministério episcopal. Em virtude deste vínculo
sacramental e hierárquico, os presbíteros, seus necessários
colaboradores e conselheiros, sua ajuda e instrumento, assumem, segundo o
próprio grau, os ofícios e a solicitude do bispo e tornam-no
presente em cada uma das comunidades".(54)
32. A relação sacramental-hierárquica
traduz-se na busca, constantemente cultivada, de uma comunhão
afectiva e efectiva do bispo com os membros do seu presbitério e dá
consistência e significado à atitude interior e exterior do
bispo para com os seus presbíteros. Forma factus gregis ex
animo (cf. 1 Pd 5,3), o bispo deve sê-lo, antes de mais,
para o seu clero, ao qual se propõe como exemplo de oração,
de sensus Ecclesiae, de zelo apostólico, de dedicação
à pastoral de conjunto e de colaboração com todos os
outros fiéis.
Ao bispo, incumbe, pois, em primeiro lugar a responsabilidade da
santificação e formação permanente dos seus
presbíteros. À luz destas instâncias espirituais e
também das aptidões de cada um, como ainda em resposta às
exigências postas pela organicidade da acção pastoral
e pelo bem dos fiéis, o bispo age de maneira a empenhar o ministério
dos presbíteros no modo mais adequado possível.
33. À atitude do bispo em relação a cada
presbítero em particular, une-se a consciência de ter à
sua volta um presbitério diocesano. Por isso não pode deixar
de alimentar neles a fraternidade que sacramentalmente os une e de
promover entre todos o espírito de colaboração numa
eficaz acção pastoral de conjunto.
Mais, o bispo deve empenhar-se quotidianamente para que todos os presbíteros
saibam e sintam concretamente que não estão isolados ou
abandonados, mas são membros e parte de "um único
presbitério, embora destinado a tarefas diversas".(55) Neste
sentido o bispo valoriza o Conselho presbiteral e todos os outros orgãos
formais e informais de diálogo e cooperação com os
seus sacerdotes, consciente de que o testemunho de comunhão
afectiva e efectiva entre bispo e presbíteros é portador de
estímulos eficazes para a comunhão, na Igreja particular, a
todos os outros níveis.
34. Na comunhão ministerial e hierárquica da
Igreja há também juntamente com os presbíteros, os diáconos,
ordenados não em ordem ao sacerdócio mas ao ministério.
Servindo os mistérios de Deus e da Igreja na diaconia da palavra,
da liturgia e da caridade, pelo seu grau na Ordem sagrada, os diáconos
estão intimamente unidos ao bispo e ao seu presbitério.(56)
Por isso, é consequente afirmar que o bispo é o primeiro
responsável pelo discernimento das vocações dos
candidatos,(57) e pela sua formação espiritual, teológica
e pastoral. É sempre o bispo que, tendo em conta as necessidades
pastorais e as condições familiares e profissionais, lhes
confia as tarefas ministeriais fazendo com que a sua presença seja
organicamente inserida na vida da Igreja particular e que não seja
descurada a sua formação permanente.
O MINISTÉRIO DO BISPO EM RELAÇÃO AOS CONSAGRADOS
35. A vida consagrada é expressão privilegiada da
Igreja, Esposa do Verbo e, como é recordado desde o princípio
na exortação apostólica Vita consecrata, sua
parte integrante, colocada "no próprio coração
da Igreja como elemento decisivo para a sua missão".(58) Por
ela, na variedade das suas formas, adquirindo uma visibilidade típica
e permanente, tornam-se de certo modo presentes no mundo e são
apontados como valor absoluto e escatológico, os traços
característicos de Jesus, virgem, pobre e obediente. Toda a Igreja
está agradecida à Santíssima Trindade pelo dom da
vida consagrada. Pela sua presença vê-se como a vida da
Igreja não se esgota na estrutura hierárquica, como se fosse
composta unicamente por ministros sagrados e por fiéis leigos, mas
faz referência a uma mais ampla, rica e articulada estrutura
fundamental, que é carismático-institucional, desejada pelo
próprio Cristo e que inclui a vida consagrada.(59)
A vida consagrada é, por isso, um dom do Espírito, o qual é
irrenunciável e constitutivo da vida e santidade da Igreja. Ela está
necessariamente numa relação hierárquica com o ministério
sagrado, especialmente com o do Romano Pontífice e o dos Bispos. Na
exortação apostólica pós-sinodal, João
Paulo II reafirmou o peculiar vínculo de comunhão, que as várias
formas de vida consagrada e as Sociedades de vida apostólica têm
com o Sucessor de Pedro, no qual também está radicado o seu
carácter de universalidade e a sua conotação
supradiocesana.
36. Na medida em que a vida consagrada está intimamente
ligada ao mistério da Igreja e ao ministério do Episcopado,
colegialmente unido em comunhão hierárquica com o Sucessor
de Pedro, existe uma responsabilidade de todo o Colégio episcopal
em relação à mesma. Aos bispos em união com o
Romano Pontífice, como já referiam as notas directivas de
Mutuae relationes, Cristo-cabeça confia o encargo "de
cuidar dos carismas religiosos, tanto mais porque a mesma indivisivilidade
do ministério pastoral os torna aperfeiçoadores de todo o
rebanho. Deste modo, promovendo a vida religiosa e protegendo-a em
conformidade com as sua próprias e precisas características,
os bispos cumprem um genuíno dever pastoral".(60)
No quadro das indicações contidas naquele documento, de
quanto emergiu na IX Assembleia ordinária do Sínodo dos
Bispos e do magistério pontifício contido na exortação
pós-sinodal Vita consecrata, está sempre presente a
exigência de incrementar as relações mútuas
entre as Conferências episcopais, os Superiores maiores e as suas próprias
Conferências, com o fim de favorecer a riqueza dos carismas e de
agir para o bem da Igreja universal e particular. Isto, evidentemente, no
respeito pelas suas respectivas responsabilidades e na consciência
comum de que a comunhão na Igreja universal se realiza mediante a
comunhão nas Igrejas particulares.
Pelo facto de que, como ensinou o Concílio, as Igrejas
particulares "são formadas à imagem da Igreja
universal, e nelas e a partir delas é constituída a una e única
Igreja católica,"(61) as pessoas consagradas, onde quer que se
encontrem, vivem a sua vocação para a Igreja universal no
interior de uma determinada Igreja particular, onde realizam a sua presença
eclesial e desenvolvem papéis significativos. Particularmente em
razão do carácter profético inerente à vida
consagrada, são em cada Igreja particular, anúncio vivido do
Evangelho da esperança, testemunhas eloquentes do primado de Deus
na vida cristã e do poder do seu amor na fragilidade da condição
humana.(62) Daqui a importância, para o desenvolvimento harmonioso
da pastoral diocesana, da colaboração entre o bispo e as
pessoas consagradas.(63)
37. A Igreja está agradecida a tantos bispos que, no
decorrer da sua história até hoje, estimaram de tal modo a
vida consagrada como dom peculiar do Espírito para o povo de Deus,
que fundaram eles próprios famílias religiosas, muitas das
quais ainda hoje estão activas ao serviço da Igreja
universal e das Igrejas particulares. Por outro lado, o facto de o bispo
se dedicar à tutela da fidelidade dos institutos ao seu carisma é
um motivo de esperança para os mesmos institutos, especialmente
para aqueles que se encontram em dificuldade.
O MINISTÉRIO DO BISPO EM RELAÇÃO AOS FIÉIS
LEIGOS
38. O Concílio Vaticano II, a Assembleia ordinária
do Sínodo dos Bispos de 1987 e a exortação apostólica
sucessiva Christifideles Laici de João Paulo II
esclareceram amplamente a vocação e missão dos fiéis
leigos na Igreja e no mundo.(64) A dignidade baptismal, que os torna
participantes do sacerdócio de Cristo, e um dom particular do Espírito,
conferem-lhes um lugar próprio no Corpo da Igreja e chamam-nos a
participar, segundo uma modalidade própria, na missão
redentora que ela exerce, por mandato de Cristo, até ao fim dos
tempos. A seu respeito, em particular, a Igreja reconhece e sublinha o
valor redentor da qualidade secular de grande parte da sua actividade. Os
leigos, na verdade, exercem a sua peculiar responsabilidade cristã
em muitos campos, entre os quais os espaços da vida e da família,
da política, do mundo profissional e social, da economia, da
cultura, da ciência, das artes, da vida internacional e dos mass-média.
Em todas as suas múltiplas actividades os fiéis leigos estão
chamados a unir o seu talento pessoal e a competência adquirida, ao
testemunho claro da sua fé em Jesus Cristo. Empenhados nas
realidades temporais, os leigos, como todo o cristão, são
chamados a dar a razão da esperança teologal (cf. 1 Pd
3, 15) e a ser solícitos no trabalho relativo a esta terra
precisamente porque estimulados pela expectativa de uma "nova terra".(65)
Pela sua inserção no mundo os leigos estão em condições
de exercer uma grande influência sobre a cultura, alargando-lhe as
perspectivas e os horizontes de esperança. Fazendo assim, dão
também um contributo especial para a sua evangelização,
tanto mais necessária, quanto, no nosso tempo, ainda persite o
drama da separação entre o Evangelho e a cultura. No âmbito
das comunicações, que muito influencia a mentalidade das
pessoas, cabe também aos fiéis leigos uma responsabilidade
particular sobretudo em vista de uma divulgação correcta dos
valores éticos.
39. Se bem que os leigos, por vocação, tenham
prevalentemente ocupações seculares, não se poderá
esquecer que eles pertencem à única comunidade eclesial, da
qual numericamente constituem a maior parte. Depois do Concílio
Vaticano II desenvolveram-se, felizmente, novas formas de participação
responsável dos leigos, homens e mulheres, na vida de cada uma das
comunidades diocesanas e paroquiais. Estão, pois, presentes nos vários
conselhos pastorais, desenvolvem um papel crescente em diversos serviços
como a animação da liturgia ou da catequese, estão
empenhados no ensino da religião católica nas escolas, etc.
Um certo número de leigos aceita mesmo dedicar-se a tais tarefas
com compromissos permanentes e, por vezes, perpétuos. Esta colaboração
dos fiéis leigos é certamente preciosa para as exigências
da "nova evangelização", particularmente onde se
regista um número insuficiente de ministros ordenados.
40. Também o desenvolvimento do fenómeno
associativo constitui uma grande riqueza da Igreja pós-conciliar.
Com a diversidade das suas inspirações, estas novas
realidades associativas, juntamente com as mais antigas, oferecem a muitos
fiéis um apoio insubstituível para o progresso da sua vida
cristã e fazem crescer o conjunto da Igreja. A exortação
apostólica Christifideles laici recordou que todas estas
associações, movimentos e grupos, mesmo na sua legítima
diversidade, devem convergir na finalidade que as anima, isto é, a
de participar responsavelmente na missão da Igreja de levar a luz
do Evangelho.(66)
Pertence à missão pastoral do bispo acolher e favorecer a
complementaridade entre realidades associativas de inspiração
diferente, velar pelo seu acompanhamento, pela formação teológica
e espiritual dos seus animadores e pela boa inserção de
todos na comunidade diocesana.
41. Sinal de Deus que chama à esperança (cf. Ef
4, 4) os bispos devem sê-lo, sobretudo, para os fiéis
leigos que, inseridos no âmago dos muitos problemas do mundo e nas
dificuldades da vida quotidiana, estão particularmente expostos à
perturbação e ao sofrimento. Acontece também que, em
virtude das suas opções especificamente cristãs, eles
se sentem e são isolados no meio dos outros. Nestas circunstâncias,
a presença pastoral do bispo com o seu presbitério deve apoiá-los
para que sejam cristãos de esperança robusta e ajudá-los
a viver na certeza de que o Senhor está sempre ao lado dos seus
filhos.
Frequentemente, ainda, as várias dificuldades da vida induzem
alguns fiéis leigos a uma espécie de "fuga do mundo"
e à privatização das suas convicções
religiosas. Também por estes motivos, é importante que
encontrem no bispo e no seu presbitério um apoio sólido para
a unidade da sua vida e para a firmeza da sua fé. Por último,
no seu serviço pastoral, os bispos devem dispensar um interesse
especial para com os católicos que erram ou que estão "afastados",
procurando-os também com a ajuda de outros fiéis e esforçando-se
por ajudá-los a assumir de novo uma participação
vital na vida da Igreja.
42. A reflexão sobre os fiéis leigos deve atender
ainda à necessidade da sua formação adequada. É
óbvio, por outro lado, que, particularmente no plano espiritual, o
bispo se preocupe em apoiar quantos colaboram mais de perto na missão
eclesial. Por isso, é sempre urgente aproximar os fiéis
leigos da Palavra de Deus, expressa nas Escrituras e autenticamente
interpretada pelo magistério da Igreja, com uma catequese sistemática.
Um lugar especial na formação dos fiéis leigos deve
ser reconhecido à doutrina social da Igreja, para que esta os
ilumine e estimule na sua acção, segundo as exigências
urgentes de justiça e de bem comum, à qual devem levar o seu
contributo decisivo nas obras e serviços urgentes que a sociedade
reclama. Igualmente importante é a formação dos
jovens para a vida matrimonial e familiar, corroborando as suas esperanças
e expectativas por um amor profundo e autêntico à luz do
plano de Deus sobre o matrimónio e a família. Na medida em
que as suas acções são motivadas pela caridade e
exprimem a verdade do seu estado laical, os fiéis leigos estão
ao serviço do advento do Reino de Deus.
O BISPO NA RELAÇÃO COM O COLÉGIO EPISCOPAL E A SUA
CABEÇA
43. Enviado em nome de Cristo como pastor de uma Igreja
particular, o bispo cuida da porção do povo de Deus que lhe
está confiada e fá-la crescer como comunhão no Espírito
por meio do Evangelho e da Eucaristia. Por este motivo, o seu ministério
é o de ser, como indivíduo, o princípio visível
e fundamento da unidade na Igreja particular a ele confiada - na unidade
da fé, dos sacramentos e do governo eclesiástico - e por
conseguinte de a representar e governar com o poder recebido.(67)
Todavia, o bispo é pastor de uma Igreja particular na medida em
que é membro do Colégio dos bispos. Está inserido
neste mesmo Colégio em virtude da consagração
episcopal e mediante a comunhão hierárquica com a Cabeça
do Colégio e com os membros.(68) Daqui derivam para o ministério
do bispo algumas consequências muito importantes que, embora de
forma sintética, é oportuno considerar.
44. A primeira é que um bispo nunca está sozinho.
Isto é verdade não somente a respeito do seu lugar na sua
Igreja particular, como se disse, mas também na Igreja universal,
relacionado como está - pela natureza própria do episcopado
uno e indiviso (69) - com todo o Colégio episcopal, o qual
sucede ao Colégio apostólico.
Por esta razão o bispo está simultaneamente em relação
com a Igreja particular e com a Igreja universal. Princípio visível
e fundamento da unidade na sua Igreja particular, cada bispo é também
o laço visível da comunhão eclesiástica entre
a sua Igreja e a Igreja universal. Todos os bispos, por isso, embora
residentes nas diversas partes do mundo, mas sempre guardando a comunhão
hierárquica com a Cabeça do Colégio episcopal e com
os seus membros, dão consistência e forma à
catolicidade da Igreja;(70) ao mesmo tempo conferem à Igreja
particular, para a qual são designados, a mesma nota de
catolicidade.
Assim o bispo é ponto de conjunção da sua Igreja
particular com a Igreja universal e ponto visível da presença
da única Igreja de Cristo na sua Igreja particular. Na comunhão
das Igrejas, portanto, o bispo representa a sua Igreja particular e,
nesta, representa a comunhão das Igrejas. Na verdade, mediante o
ministério episcopal, as portiones Ecclesiae vivem a
totalidade da Una-Santa e, nelas, está presente a totalidade da Católica-Apostólica.
(71)
45. A segunda consequência, sobre a qual parece justo
determo-nos, é que precisamente esta união colegial, ou
comunhão fraterna de caridade, ou afecto colegial - como diz o Concílio
- é a fonte da solicitude que cada bispo, por instituição
e ordem de Cristo, deve ter por toda a Igreja e pelas outras Igrejas
particulares, e também por "aquelas regiões em que a
palavra de Deus não foi ainda anunciada, ou em que, sobretudo por
causa da escassez de sacerdotes, os fiéis correm perigo de se
afastarem dos preceitos da vida cristã, e até de perderem a
fé.(72)
Por outro lado os próprios dons divinos, mediante os quais o
bispo edifica a sua Igreja particular, ou seja o Evangelho e a Eucaristia,
são os mesmos que, não só constituem a Igreja
particular como reunião no Espírito, mas também a
abrem à comunhão com todas as outras Igrejas. Na verdade, o
anúncio do Evangelho é universal e, por vontade do Senhor,
dirige-se a todos os homens e é imutável em todos os tempos.
Para além disto, a celebração da Eucaristia, pela sua
própria natureza e como todas as outras acções litúrgicas,
é acto de toda a Igreja, pertence ao Corpo inteiro da Igreja,
manifesta-o e implica-o.(73) Também daqui brota o dever de cada
bispo, como legítimo sucessor dos apóstolos e membro do colégio
episcopal, de ser, em certo modo, garante de toda a Igreja (Sponsor
Ecclesiae ).(74)
Dito isto, parece evidente que no Colégio episcopal cada bispo no
exercício do seu ministério se encontra e está em
comunhão viva e dinâmica com o bispo de Roma, Sucessor de
Pedro e Cabeça do Colégio, e com todos os outros bispos irmãos
espalhados por todo o mundo.
46. Os bispos, quer individualmente, quer unidos aos outros
bispos irmãos, juntamente com toda a Igreja, encontram na Cátedra
de Pedro o princípio e o fundamento visível da unidade na fé
e da comunhão. A comunhão hierárquica com o bispo de
Roma requere também que os bispos, no magistério da sua própria
diocese, manifestem um zelo fiel de adesão ao magistério do
Papa, mesmo se ordinário, o difundam nas formas mais apropriadas,
contribuam para ele de vários modos, quer pessoalmente, quer
mediante a sua Conferência Episcopal e, quando necessário, o
defendam.
Uma forma específica desta colaboração com o Romano
Pontífice é o Sínodo dos Bispos, onde se realiza um
troca frutuosa de notícias e sugestões e são
delineadas, à luz do Evangelho e da doutrina da Igreja, as orientações
comuns que, uma vez aprovadas pelo Sucessor de Pedro, revertem em benefício
das mesmas Igrejas locais. Deste modo toda a Igreja é validamente
apoiada para manter a comunhão na pluralidade das culturas e das
situações. Finalidade semelhante verifica-se também
na visita ad limina.
47. No que diz respeito à colaboração dos
bispos, o Concílio Vaticano II desejou ainda vivamente o retomar,
com novo vigor, da veneranda instituição dos Concílios
provinciais e plenários,(75) e também sublinhou a utilidade
das mais recentes Conferências Episcopais.(76) Estas, em especial,
acolhem o património comum que a Igreja recebeu do Senhor por meio
da Revelação e, sem nunca perder de vista a sua
universalidade, da qual a Sé de Pedro é garantia, esforçam-se
para que ele seja adaptado ao rosto dos povos onde vive.
Ponto de referência da actividade da Conferência episcopal
permanecem quer a identidade e a responsabilidade pessoais de cada bispo
participante quer a comunhão que leva ao apoio mútuo na obra
da evangelização e a responder eficazmente às
dificuldades pastorais comuns. Do testemunho comum dos próprios
bispos dependem a credibilidade da pregação, a eficácia
do ministério pastoral e a comunhão, que o bispo é
chamado a servir entre os seus fiéis.
48. As relações mútuas entre os bispos,
todavia, vão bem mais além dos seus encontros
institucionais. A consciência viva da colegialidade episcopal deve
levá-los a realizar entre eles, sobretudo no âmbito da mesma
província e região eclesiástica, as várias
expressões da fraternidade sacramental que vão desde o mútuo
acolhimento e estima até às múltiplas atenções
de caridade. O directório Ecclesiae imago acena também
a outras formas de colaboração, como a ajuda mútua
com a troca de sacerdotes disponíveis para tal, a unificação
dos Seminários e de outros serviços de apostolado, quando
isso for útil.(77)
A comunhão entre os bispos deve exprimir-se, além disso,
naqueles casos em que necessidades especiais da Igreja particular tornaram
útil a presença de um bispo coadjutor ou de um bispo
auxiliar. A respeito destes bispos, dados em determinadas circunstâncias
como ajuda ao bispo diocesano para o serviço da Igreja particular,
o Concílio exorta a que eles, como seus primeiros colaboradores
rodeiem o bispo diocesano de obediência e de respeito e que estes os
amem como irmãos e os rodeiem de estima.(78)
Uma particular atenção e uma especial solicitude, por fim,
devem ser reservadas, por parte dos bispos aos seus irmãos bispos
mais necessitados, sobretudo àqueles que sofrem pelo isolamento,
pela incompreensão e também pela solidão e aos bispos
que, doentes ou idosos, pelo bem da Igreja particular e em conformidade
com a disciplina eclesiástica vigente, apresentaram ao Romano Pontífice
a renúncia ao seu ofício e deixaram o governo da Diocese.
Estes bispos, além de continuarem a fazer parte do Colégio
episcopal, continuam a dar muito à Igreja, em oração,
experiência e conselho.
Portanto, na realidade do Colégio episcopal, sustentado pelo Papa
e pelos seus irmãos no episcopado, juntamente com os auxílios
necessários para cumprir a sua missão, cada bispo encontra
também um alimento eficaz para a sua esperança, de modo a
enfrentar com coragem os vários problemas que possam surgir na vida
da Igreja e a suster a esperança dos fiéis confiados aos
seus cuidados de pastor.
SERVOS DA COMUNHÃO PARA A ESPERANÇA
49. No centro destas múltiplas relações,
que provindo do mistério da comunhão trinitária
atingem a comunhão dos fiéis na Igreja particular,
considerados nas várias ordens, segundo os diversos carismas e
ministérios que brotam destes e se alargam na comunhão dos
bispos e das Igrejas, a figura do bispo aparece na riqueza do seu ser
homem de comunhão, à volta do qual se tece concretamente a
unidade dos fiéis. Este ministério de comunhão é
sustentado pela esperança, que deve alimentar quotidianamente o
empenho de cada bispo na construção diária da Igreja
para a qual foi designado pelo Espírito, como comunidade de fé
e de amor entre os homens. A esperança teologal do bispo está
fundada em Cristo e é comunicada à porção do
povo de Deus que lhe foi confiada, sustentada pela comunhão com o
Romano Pontífice e com todos os outros bispos.
Por seu lado, a comunhão abre o caminho à esperança,
pois, a palavra que chega a cada homem pelo testemunho da comunhão,
é mensagem de esperança e porque, como escreveu o apóstolo,
a caridade é a virtude que "tudo espera" (1 Cor
13, 7). Contra os fermentos desagregadores que insidiam a vida da Igreja e
do mundo, o bispo é servo, construtor, promotor, garante, defensor
e guarda da Igreja-comunhão que, exactamente nisto, é gérmen,
princípio e fermento de comunhão na humanidade.
Capítulo III
O MINISTÉRIO PASTORAL DO BISPO NA DIOCESE
50. Como recorda o Concílio retomando os dados evangélicos,
o Senhor Jesus, quando chamou os seus apóstolos, enviou-os
primeiro aos filhos de Israel e depois a todos os povos para que, "participantes
do seu poder, fizessem de todos os povos seus discípulos, os
santificassem e governassem."(79) Também aos fiéis que
Ele chama para serem na Igreja os Sucessores dos Apóstolos, isto é
aos Bispos, Cristo confere o tríplice ministério (Triplex
munus) de ensinar, santificar e govenar.
Os bispos exercem, na pessoa e no nome de Cristo, estas três funções,
recebidas na ordenação episcopal, assumindo, de forma
eminente e visível, o papel de Cristo Mestre, Pontífice e
Pastor.(80) Portanto, por meio do seu excelso ministério, o próprio
Cristo torna-se presente no meio dos crentes e, através dos bispos,
Ele mesmo anuncia a Palavra de Deus, administra os sacramentos da fé,
dirige e orienta o povo do Novo Testamento no seu caminho em direcção
à eterna bem-aventurança.(81)
51. Estas três funções, que dão forma
à missão do bispo e que constituem o tecido da sua vida
quotidiana, tal como em Cristo, não são senão três
aspectos distintos da sua função única de Mediador e
três aspectos de uma única actividade salvífica; deste
modo, também no ministério do bispo devem ser considerados
unitariamente, por isso, quando ensina, também santifica e guia a
porção do povo de Deus confiada aos seus cuidados pastorais;
quando santifica, o bispo ensina e guia e quando exerce o seu governo
pastoral, ensina e santifica. No fim de contas, o fundamento desta tríplice
função de ensinar, santificar e governar e "de todo
este altíssimo trabalho, no qual ele se gasta totalmente a si
mesmo, e quanto tem, (cf. 2 Cor 12, 15) é o "espírito
de pastor Ó enquanto que a sua regra suprema so o exemplo
e o ensinamento do bom Pastor, Jesusî,(82) que é caminho para
o Pai, porque ele próprio é Verdade e Vida.
Contudo, ainda que se devam considerar unitariamente, é necessário
também captar a intenção do Concílio o qual,
quando no seu magistério enuncia estes tria munera em relação
ao bispo e aos presbíteros, prefere pôr o ensino em primeiro
lugar. Aqui o Vaticano II retoma idealmente a sucessão presente nas
palavras que o Ressuscitado dirige aos seus discípulos: "Foi-me
dado todo o poder no céu e na terra. Ide pois e ensinai
todas as nações, baptizando-as ... ensinando-as a
observar tudo o que vos mandei" (Mt 28, 19-20). Nesta
prioridade dada ao múnus episcopal do anúncio do Evangelho,
que é uma característica da eclesiologia conciliar, o bispo
pode encontrar o sentido daquela paternidade espiritual, que fazia o apóstolo
S. Paulo escrever: "Podereis ter ainda dez mil pedagogos em Cristo,
mas certamente não tereis muitos pais, porque fui eu que vos gerei
em Cristo Jesus, mediante o Evangelho" (1 Cor 4, 15).
O BISPO ENVIADO PARA ENSINAR
52. A função que, mais do que as outras,
identifica o bispo e que, de certo modo, resume todo o seu ministério
é, como ensina o Concílio, a de vigário e embaixador
de Cristo na Igreja particular que lhe está confiada.(83) Ora, o
bispo exercita a sua função sacramental enquanto expressão
viva de Cristo, exercendo precisamente o ministério da Palavra.
Como ministro da Palavra de Deus, que actua pela virtude do Espírito
e mediante o carisma do serviço episcopal, ele manifesta Cristo ao
mundo, torna presente Cristo na comunidade e comunica-o de forma eficaz àqueles
que lhe dão espaço na sua vida.
A pregação do Evangelho, portanto, sobressai entre os
deveres principais dos bispos, que são "os anunciadores da fé...
os doutores autênticos, isto é, revestidos da autoridade de
Cristo, que anunciam ao povo que lhes está confiado, a fé na
qual acreditar e a aplicar na vida moral".(84) Daqui deriva que todas
as actividades do bispo devem ter como finalidade a proclamação
do Evangelho, "força de Deus para a salvação de
quem acredita" (Rm 1, 16), e ser orientadas para ajudar o
povo de Deus a prestar a obediência da fé (cf. Rm
1, 5) à Palavra de Deus e a abraçar integralmente o
ensinamento de Cristo.
O facto de o bispo ser magister fidei e doctor veritatis
não significa que ele seja o dono da verdade. Como se deduz do
sinal do Evangeliário aberto sobre a sua cabeça durante a
oração da ordenação, o bispo é servo da
verdade. Por isso, longe de a manipular e anunciar conforme lhe apraz,
comunica-a com rigorosa fidelidade e propõe-na a todos, a tempo e
fora de tempo, sem prepotência, mas com humildade, coragem e
perseverança, confiando sempre na Palavra do Senhor (cf. Sl
119, 114).
53. O objecto do magistério do bispo é expresso,
de forma feliz, pelo Concílio Vaticano II, quando unitariamente o
aponta na fé a acreditar e a praticar na vida.(85) Dado que
o centro vivo do anúncio é Cristo, precisamente Cristo,
crucificado e ressuscitado, é Ele que o bispo deve anunciar:
Cristo, único salvador do homem, o mesmo ontem, hoje e sempre (cf.
Hb 13, 8), centro da história e de toda a vida dos fiéis.
Deste centro, que é o mistério de Cristo, Filho eterno do
Pai, o qual se fez homem no seio virginal de Maria por obra do Espírito
e que morreu e ressuscitou para nossa salvação, irradiam
todas as outras verdades da fé e irradia também a esperança
para todo o homem. Cristo é a luz que ilumina cada homem e todo
aquele que é regenerado nele, recebe as primícias do Espírito
que o habilitam a cumprir a nova lei do amor.(86)
54. A tarefa da pregação vital, da guarda fiel do
depósito da fé, exercida pelo bispo em comunhão com o
Papa e com todos os outros irmãos bispos, implica o dever de
defender a Palavra de Deus de tudo o que poderia comprometer a sua pureza
e integridade, usando os meios mais adequados, reconhecendo contudo a
justa liberdade no ulterior aprofundamento da fé.(87)
Nenhum bispo pode subtrair-se a tal dever, mesmo que isto lhe possa
custar sacrifício ou incompreensão. Como o apóstolo
S. Paulo, o bispo tem consciência de ter sido enviado a proclamar o
Evangelho "não com um discurso sábio, para que não
se torne vã a cruz de Cristo" (1 Cor 1, 17); mas, como
o apóstolo, também o bispo anuncia a "palavra da Cruz"
(1 Cor 1, 18), não por um consenso humano, mas como uma
revelação divina. Ao bispo devem preocupar tanto a unidade
na caridade, como a unidade na verdade. Efectivamente, o Evangelho do qual
se tornou ministro é palavra de verdade.
Este dever de defender a Palavra de Deus deve ser exercido com um sereno
sentido de realismo, sem exagerar ou minimizar a existência do erro
e da falsidade que a responsabilidade pastoral do bispo obriga a
identificar, sem se surpreender ao encontrar na presente geração
da Igreja, tal como no passado, não somente pecado, mas, em certa
medida, também erro e falsidade. Permanece sempre verdade que,
tanto o estudo e a escuta assídua da Palavra de Deus, quanto o
ministério da custódia do depósito revelado e de
vigilância da integridade e pureza da fé são sinónimos
de caridade pastoral.(88)
55. Mestre da fé, o bispo é também
educador da mesma, à luz da Palavra de Deus e do Magistério
da Igreja. O dever de educar na fé está estreitamente ligado
ao de nutrir a fé do povo de Deus com uma verdadeira catequese.
Trata-se de um movimento fundamental da obra integral da evangelização,
que merece a plena atenção dos bispos enquanto pastores e
mestres, enquanto "catequistas por excelência". Enquanto
tais, os bispos cooperam com o Espírito Santo na formação
de um povo evangelizador e catequizante, dotado do entusiasmo e do
dinamismo que derivam da fé fielmente proclamada e vivida com
alegria.
Variadas e numerosas são as formas através das quais o
bispo exerce o seu serviço à Palavra de Deus. O Directório
Ecclesiae imago recordava, a propósito, a peculiar forma de
pregação à comunidade já evangelizada que é
a Homilia, a qual sobressai entre todas as outras pelo seu
contexto litúrgico e pela sua ligação à
proclamação da Palavra mediante as leituras da Sagrada
Escritura. Uma outra forma de anúncio é exercida pelo bispo
através das suas Cartas Pastorais.(89) Cada bispo deve
interrogar-se sobre as acções nas quais traduz o seu dever
de ensino.
56. Na sua pregação, o bispo deve sentir-se e
mostrar-se empenhado em primeira pessoa no grande caminho do diálogo
ecuménico iniciado pelo Concílio Vaticano II, para que
ulteriormente progrida, a fim de se alcançar a recomposição
da unidade visível entre os cristãos.
Em primeiro lugar, ele anuncia o Evangelho preocupando-se por mostrar o
mistério da unidade da Igreja, em conformidade com os princípios
católicos do ecumenismo, indicados no decreto conciliar Unitatis
redintegratio e confirmados por João Paulo II na encíclica
Ut unum sint.
57. O carisma magisterial dos bispos é único na
sua responsabilidade e não pode, de modo algum, ser delegado.
Todavia, ele não está isolado na Igreja. Cada bispo exerce o
seu serviço pastoral numa Igreja particular onde, os presbíteros,
intimamente unidos ao seu ministério e sob a sua autoridade, são
os seus principais colaboradores, aos quais se juntam os diáconos.
Uma ajuda muito válida provém também das religiosas e
religiosos e de um crescente número de fiéis leigos que
colaboram, segundo a constituição da Igreja, na proclamação
e na vivência da Palavra de Deus.
Graças aos bispos, não só a autêntica fé
católica é transmitida aos pais para que, por sua vez, a
transmitam aos filhos, como também os mestres e os educadores de
todas as categorias possam receber a garantia da sua fé. Todo o
laicado dá testemunho da pureza de fé que os bispos se
empenham incansavelmente por manter e é importante que cada bispo não
deixe de o apoiar e de procurar, com escolas apropriadas, os meios para
uma conveniente formação de base e permanente.
58. Particularmente útil, para os objectivos do anúncio,
é ainda a colaboração com os teólogos, os
quais concentram a sua atenção no aprofundar, com o seu método
próprio, a insondável riqueza do mistério de Cristo.
O magistério dos pastores e o trabalho teológico, mesmo
tendo funções diferentes, dependem ambos da única
Palavra de Deus e têm o mesmo objectivo de conservar o povo de Deus
na verdade que liberta. Também daqui nasce a relação
entre o magistério e a teologia e, para os bispos, o dever de dar
aos teólogos o encorajamento e o amparo que os ajudem a orientar o
seu trabalho para a fidelidade à Tradição e para a
atenção às emergências da história.(90)
Em diálogo com todos os seus fiéis, o bispo saberá
reconhecer e apreciar a sua fé, acolher as suas intuições,
fortalecê-la, libertá-la de acrescentos supérfluos e
dar-lhe um conteúdo doutrinal apropriado. Por isso, também
com a finalidade de elaborar catecismos locais que tenham em conta as
diversas situações e culturas, o Catecismo da Igreja Católica
será o ponto de referência para que seja conservada com
cuidado a unidade da fé e a fidelidade à doutrina católica.(91)
59. Chamado a proclamar a salvação em Jesus
Cristo, com a sua pregação, o bispo deve ser entre o povo de
Deus o sinal da certeza da fé. Mesmo não tendo, tal como a
Igreja, respostas já prontas para a solução dos
problemas do homem, todavia, ele é ministro do esplendor de uma
verdade capaz de iluminar os seus caminhos.(92) Embora não
possuindo conhecimentos específicos para a promoção
da ordem temporal, o bispo, ao exercer o seu magistério e educar na
fé as pessoas e as comunidades a ele confiadas, prepara, contudo,
os fiéis leigos que, interiormente transformados, por sua vez
transformarão o mundo, através das soluções
que a eles compete oferecer em conformidade com as competências
respectivas.
Tornar presente no mundo a força da Palavra que salva é o
grande acto de caridade pastoral que um bispo oferece aos homens.
Recordando a figura do Bom Pastor, do qual deve reproduzir a imagem, ele
tem a preocupação de que a Palavra de Deus chegue a todos os
fiéis, mesmo àqueles que, na teoria ou na prática,
abandonaram a fé cristã. É esta a principal razão
pela qual ele foi chamado ao episcopado e enviado a uma porção
do povo de Deus, sendo a força da Palavra capaz de lhes manifestar
a mais importante razão de esperança.
O BISPO CHAMADO PARA SANTIFICAR
60. A proclamação da Palavra de Deus está
na origem da reunião do povo de Deus em Ekklesia, ou seja,
em convocação santa. Ela, porém, alcança e
encontra a sua plenitude no Sacramento. Palavra e sacramento, de facto,
formam como que um todo, são inseparáveis entre si e devem
ser considerados como dois aspectos ou momentos de uma única obra
salvífica. Ambos tornam actual e operante, em toda a sua eficácia,
a salvação operada por Cristo. Ele próprio, Verbo
eterno encarnado, é a raiz da ligação íntima
que une Palavra e Sacramento o que, aliás, está em singular
consonância com a complementaridade que, na vida humana, existe
entre o falar e o agir. Isto é válido para todos os
sacramentos, mas é-o de modo particular e excelente, para a santa
Eucaristia, que é a fonte e o cume de toda a evangelização.(93)
Por esta unidade da Palavra e do Sacramento, assim como os Apóstolos
foram enviados pelo Ressuscitado para ensinar e baptizar todos os povos
(cf. Mt 28, 19), também cada bispo, sucessor dos Apóstolos,
em virtude da plenitude do Sacramento da Ordem com o qual foi agraciado,
recebe, juntamente com a missão de arauto do Evangelho, a de "administrador
da graça do supremo sacerdócio".(94) Na verdade, o
serviço do anúncio do Evangelho "está orientado
para o serviço da graça dos sacramentos da Igreja. Como
ministro da graça, o bispo realiza o munus sanctificandi para
o qual aponta o munus docendi que desenvolve entre o povo de Deus
a ele confiado".(95)
61. Esta função de santificar é inerente à
missão do bispo. Precisamente pela relação com os
Sacramentos, os quais estão orientados uns para a perfeição
do indivíduo e outros para a perfeição da comunidade,
S. Tomás de Aquino chamava ao bispo perfector .(96) De
facto, ele é na sua Igreja particular o principal dispensador dos
mistérios de Deus: em primeiro lugar, da Eucaristia que está
no centro do serviço sacramental do bispo e em cuja presidência
ele se apresenta aos olhos do seu povo, sobretudo como o homem do novo e
eterno culto a Deus, instituído por Jesus Cristo pelo sacrifício
da Cruz. Orienta também a administração do Baptismo,
em razão do qual os fiéis participam no sacerdócio
real de Cristo; é ministro originário da Confirmação,
dispensador das Ordens sagradas e moderador da disciplina penitencial.(97)
Também o Concílio Vaticano II repete que os bispos são
perfectores, mas não limita esta função ao
ministério sacramental; alarga-a a todo o exercício da sua
missão para que, por meio da sua caridade pastoral, se tornem
pessoalmente sinal vivo de santidade, que predispõe ao acolhimento
do Evangelho. Por isso, os exorta a fazer progredir todos os fiéis
no caminho da santidade, segundo a vocação particular de
cada um, dando-lhes em primeiro lugar o exemplo de santidade na caridade,
na humildade e na simplicidade de vida; e, ainda, a conduzir "as
Igrejas a si confiadas a tal nível de santidade que nelas resplandeça
plenamente o modo de sentir de toda a Igreja de Cristo".(98)
62. O bispo é liturgo da Igreja particular,
principalmente na presidência da Sinaxe Eucarística.(99)
Aqui, onde tem lugar o momento mais alto da vida da Igreja, realiza-se
ainda o momento mais alto do munus santificandi, que o bispo
exerce na pessoa de Cristo, sumo e eterno Sacerdote. Por isso, tendo a
Eucaristia no centro do seu serviço sacramental e manifestando-se
precisamente na presidência da celebração Eucarística
como ministro principal do culto novo e eterno, o bispo tem em apreço
celebrar os mistérios divinos, o mais frequentemente possível,
junto com os seus fiéis e, embora não se escuse a fazê-lo
com frequência nos outros lugares da sua Diocese, prefere, todavia,
celebrar na Igreja Catedral.
Ela é, na verdade, a Igreja mãe e o centro da Diocese,
onde está a Cátedra, donde o bispo educa o seu povo com o
ensino autêntico da Palavra de Deus. Na Igreja Catedral, sob a
presidência do bispo, as Igrejas particulares têm um sinal da
sua unidade, da sua vitalidade sobrenatural e, particularmente na celebração
da Eucaristia, da sua participação na única Igreja
católica.
63. Um dos deveres proeminentes do bispo é o de
providenciar para que na Igreja particular os fiéis tenham a
possibilidade de se aproximar da mesa do Senhor, sobretudo ao Domingo, dia
em que a Igreja celebra o mistério pascal e os fiéis, na
alegria e no repouso, dão graças a Deus "que os
regenerou para a esperança viva por meio da Ressurreição
do Senhor, de entre os mortos" (1 Pd 1, 3).(100)
Em muitos lados, não somente nas novas e mais jovens Igrejas, mas
também nos territórios de mais antiga tradição
cristã, por causa da escassez de presbíteros ou por outras
razões graves, é cada vez mais difícil prover à
celebração eucarística. Isto aumenta o dever do bispo
de ser o administrador da graça, sempre atento a discernir
a presença de necessidades reais e a gravidade das situações,
procedendo a uma distribuição sábia dos membros do
seu presbitério e a prover a que, mesmo em emergências
semelhantes, as comunidades dos fiéis não sejam privadas da
Eucaristia durante muito tempo. O mesmo se diga em relação àqueles
fiéis que por doença, velhice ou outros motivos razoáveis
somente podem receber a Eucaristia em sua casa ou nos lugares onde estão
hospedados.
64. A liturgia é a forma mais elevada de louvor à
Santíssima Trindade. Nela, sobretudo pela celebração
dos Sacramentos, o povo de Deus, reunido localmente, exprime e realiza a
sua índole sagrada e orgânica de comunidade sacerdotal.(101)
Exercendo o munus santificandi, o bispo age para que a Igreja
particular na sua totalidade se torne uma comunidade de orantes,
comunidade de fiéis, todos perseverantes e concordes na oração
(cf. At 1, 14).
Penetrado em primeiro lugar ele, juntamente com o seu presbitério,
pelo espírito e pela força da Liturgia, o bispo tem o
cuidado de favorecer e de desenvolver na própria Diocese uma educação
intensiva onde sejam descobertas as riquezas contidas na Liturgia,
celebrada segundo os textos aprovados e vivida acima de tudo como um
acontecimento de ordem espiritual. Como responsável do culto divino
da Igreja particular, ele, enquanto orienta e protege a vida litúrgica
da Diocese, agindo juntamente com os bispos da mesma Conferência
Episcopal e na fidelidade à fé comum, alimenta ainda o esforço
para que, na correspondência às exigências dos tempos e
dos lugares, seja enraizada nas culturas, tendo em conta o que nela é
imutável, porque de instituição divina, e o que, pelo
contrário, é susceptível de mudança.(102)
65. Em tal contexto, o bispo orienta também a sua atenção
para as várias formas da piedade popular cristã e para a sua
relação com a vida litúrgica. Enquanto expressão
da atitude religiosa do homem, a piedade popular não pode ser, nem
ignorada, nem tratada com indiferença ou desprezo, porque, como
escrevia Paulo VI, é rica de valores.(103) Porém, ela tem
necessidade de ser constantemente evangelizada para que a fé que
exprime se torne um acto cada vez mais maduro. Uma autêntica
pastoral litúrgica, biblicamente formada, saberá apoiar-se
nas riquezas da piedade popular, purificá-las e orientá-las
para a liturgia como oferta dos povos.(104)
66. A própria oração, nas suas várias
formas, é um espaço em que se exprime a esperança da
Igreja. Toda a oração da Esposa de Cristo, desejosa da união
perfeita com o Esposo, se resume na invocação que o Espírito
lhe sugere: "Vem".(105) O Espírito pronuncia esta oração
com a Igreja e na Igreja. É a esperança escatológica,
a esperança da realização definitiva em Deus, a
esperança do Reino eterno, que se realiza pela participação
na vida trinitária. O Espírito Santo, dado aos apóstolos
como consolador, é o guardião e o animador desta esperança
no coração da Igreja. Na perspectiva do terceiro Milénio
depois de Cristo, enquanto "o Espírito e a Esposa dizem ao
Senhor Jesus: "Vem", esta sua oração está
carregada, como sempre, de um alcance escatológico, destinado também
a dar plenitude de significado à celebração do grande
Jubileu. É uma oração orientada na direcção
dos destinos salvíficos, para os quais o Espírito Santo com
a sua acção abre os corações através de
toda a história do homem sobre a terra".(106)
Consciente disto, o bispo está quotidianamente empenhado em
comunicar aos fiéis, com o seu testemunho pessoal, com a palavra, a
oração e os sacramentos, a plenitude da vida em Cristo.
O BISPO ENVIADO PARA GOVERNAR E CONDUZIR O POVO DE DEUS
67. A função ministerial dos bispos completa-se
no ofício de ser guia da porção do povo de Deus que
lhe foi confiada. A Tradição da Igreja sempre associou esta
tarefa a duas figuras que, segundo o testemunho dos Evangelhos, Jesus
aplica a si próprio, ou seja a do Pastor e a do Servo. O Concílio
descreve assim o ofício específico dos bispos, de governar
os fiéis: "governam as Igrejas particulares a eles confiadas,
como vigários e legados de Cristo, com o conselho, a persuasão
e o exemplo, mas também com a autoridade e o poder sagrado, do qual
todavia não se servem senão para edificar o próprio
rebanho na verdade e na santidade, recordando-se que quem é maior
se deve tornar como o mais pequeno, e quem é chefe, como o servo
(cf. Lc 22, 26-27)".(107)
João Paulo II explica que "se deve insistir sobre o conceito
de serviço, que vale para todo o ministério eclesiástico,
a começar pelo dos bispos. Sim, o episcopado é mais um serviço
que uma honra. E se também é uma honra, é-o quando o
bispo, sucessor dos Apóstolos, serve com espírito de
humildade evangélica, a exemplo do Filho do homem... Nesta óptica
de serviço como bons pastores é entendida a
autoridade, que o bispo possui em si mesmo, ainda que sempre submetida à
do Sumo Pontífice".(108) Por isso, com razão, o Código
de Direito Canónico designa este cargo como munus pastoris
e lhe associa a característica da solicitude.(109)
68. Esta solicitude não é outra coisa que a caritas
pastoralis. Trata-se da virtude com que se imita Cristo que é "bom"
Pastor pelo dom da própria vida. Ela realiza-se, portanto, não
somente pelo exercício das acções ministeriais, mas
mais ainda, pelo dom de si, que mostra o amor de Cristo pelo seu rebanho.
Uma das formas pelas quais se exprime a caridade pastoral, é a
compaixão, à imitação de Cristo, Sumo
Sacerdote, que é capaz de se compadecer da fraqueza humana tendo
sido ele mesmo submetido à prova em tudo, como nós, excepto
no pecado (cf. Hb 4, 15). Tal compaixão, que o bispo aponta
e vive como sinal da compaixão de Cristo, não pode, todavia,
ser separada do sinal da verdade de Cristo. Uma outra expressão da
caridade pastoral, de facto, é a responsabilidade face a
Deus e à Igreja.
No governo da Diocese o bispo provê a que seja reconhecido o valor
da lei canónica da Igreja, cujo objectivo é o bem das
pessoas e da comunidade eclesial.(110)
69. A caridade pastoral torna o bispo ansioso por servir o bem
comum da própria Diocese que, subordinado ao de toda a Igreja, é
para ele que converge o bem das comunidades particulares da Diocese. O
Directório Ecclesiae imago indicava, a propósito, os
princípios fundamentais da unidade, da colaboração
responsável e da coordenação.(111)
Graças à caridade pastoral, que é o princípio
interior unificante de toda a actividade ministerial, "pode encontrar
resposta a essencial e permanente exigência da unidade entre a vida
interior e as muitas acções e responsabilidades do ministério,
exigência como nunca urgente num contexto sócio-cultural e
eclesial fortemente marcado pela complexidade, fragmentarização
e dispersão".(112) Ela deve, por isso, determinar os modos de
pensar e de agir do bispo e da forma de se relacionar com quantos se
encontra.
A caridade pastoral exige, por conseguinte, estilos e formas de vida
que, realizados à imitação de Cristo, pobre e
humilde, permitem estar próximos de todos os membros do rebanho, do
maior ao mais pequeno, dispostos a partilhar as suas alegrias e dores, não
somente nos pensamentos e nas orações, mas também
junto deles, a fim de que através da presença e do ministério
do bispo, que se aproxima de todos sem se envergonhar nem fazer
envergonhar, todos possam experimentar o amor de Deus pelo homem.(113)
70. A tradição eclesiástica aponta algumas
formas específicas através das quais o bispo exerce na sua
Igreja particular o ministério de pastor. Recordam-se duas em
particular: a primeira tem, por assim dizer, a forma do empenho pessoal e
a segunda tem, por seu lado, uma forma sinodal.
A visita pastoral não é uma simples instituição
jurídica, prescrita ao bispo pela disciplina eclesiástica e
muito menos uma espécie de instrumento de inquirição.(114)
Pela visita pastoral o bispo apresenta-se concretamente como princípio
visível e fundamento da unidade na Igreja particular e ela "reflecte
de qualquer modo a imagem da singularíssima e em tudo maravilhosa
visita, por meio da qual o 'supremo pastor' (1 Pd 5,4), o bispo
das nossas almas (cf. 1 Pd 2, 25), Jesus Cristo, visitou e redimiu
o seu povo (cf. Lc 1, 68)".(115) Além disso, uma vez
que a Diocese, antes de ser um território, é uma porção
do povo de Deus confiada aos cuidados pastorais de um bispo, oportunamente
o Directório Ecclesiae imago escreve que, na visita
pastoral, as pessoas estão em primeiro lugar. Para melhor se
dedicar a elas é, pois, oportuno que o bispo delegue noutros o
exame das questões de carácter mais administrativo.
A celebração do Sínodo Diocesano, do qual o Código
de Direito Canónico traça o perfil jurídico,(116) tem
um indubitável lugar de proeminência entre os deveres
pastorais do bispo. De facto, de entre os organismos, através dos
quais se processa e desenvolve a vida da Igreja particular, o Sínodo
é o primeiro a ser indicado pela disciplina eclesiástica. A
sua estrutura, como a de outros organismos chamados "de participação",
responde a exigências eclesiológicas fundamentais e é
expressão institucional de realidades teológicas como são,
por exemplo, a necessária cooperação do presbitério
com o ministério do bispo, a participação de todos os
baptizados no múnus profético de Cristo, o dever dos
pastores reconhecerem e promoverem a dignidade dos fiéis leigos
servindo-se, de bom grado, do seu conselho prudente.(117) Na sua
realidade, o Sínodo diocesano insere-se no contexto da
corresponsabilidade de todos os diocesanos à volta do seu bispo em
ordem ao bem da Diocese e na sua composição, como pretende a
disciplina canónica vigente, é expressão privilegiada
da comunhão na Igreja particular. Em definitivo, no Sínodo
trata-se de escutar o que o Espírito diz à Igreja
particular, permanecendo firmes na fé, fiéis na comunhão,
abertos ao carácter missionário, disponíveis para as
necessidades espirituais do mundo e cheios de esperança perante os
seus desafios.
71. Pelo seu múnus pastoral, o bispo é o
presidente e o ministro da caridade na sua Igreja particular. Edificando-a
por meio da Palavra e da Eucaristia, ele abre-lhe assim as vias
privilegiadas e absolutamente irrenunciáveis para viver e
testemunhar o Evangelho da caridade. Já na Igreja apostólica
os Doze providenciaram à instituição de "sete
homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e
de sabedoria" aos quais confiaram o "serviço das mesas"
(cf. Act 6, 2-3). O próprio S. Paulo tinha como ponto
assente do seu apostolado recordar-se dos pobres, deixando-nos a indicação
de um sinal fundamental da comunhão entre os cristãos. Assim
o bispo é, também hoje, chamado a exercer e a organizar
pessoalmente a caridade na sua Diocese, mediante estruturas apropriadas.
Deste modo ele testemunha que as tristezas e as angústias dos
homens, sobretudos dos pobres e de todos os que sofrem, são também
as ânsias dos discípulos de Cristo.(118) Diversas, sem dúvida,
são as pobrezas e às antigas juntaram-se novas. Em tais
situações, o bispo está na linha da frente na
solicitação de novas formas de apostolado e de caridade onde
a indigência se apresenta sob novos aspectos. Servir, encorajar,
educar para estes deveres de solidariedade e de proximidade em favor do
homem, renovando cada dia a antiga história do Samaritano é,
também isto, já por si, um sinal de esperança para o
mundo.
Capítulo IV
O BISPO MINISTRO DO EVANGELHO PARA TODOS OS HOMENS
72. A vida e o ministério pastoral do bispo devem estar
sempre impregnados da esperança que está contida no anúncio
da Boa Nova, da qual ele é o primeiro responsável na Igreja
particular. Porém, o seu ministério não abrange
unicamente os fiéis da sua Igreja particular, nem sequer a Igreja é
a única destinatária da sua solicitude pastoral. Pelo contrário,
o próprio posicionamento do Bispo na Igreja e a missão que aí
é chamado a desenvolver, fazem dele o principal responsável
pela sua permanente missão de levar o Evangelho a quantos ainda não
conhecem Cristo, redentor do homem.
Neste capítulo, tem-se em conta a missão do Bispo posta em
relação profética com a realidade na qual a
comunidade, a que ele preside em nome de Cristo Pastor, caminha no seu
peregrinar terreno em direcção à Cidade celeste. A
atenção centra-se, portanto, no mandato missionário
que o Senhor confiou à sua Igreja e em alguns outros âmbitos
da evangelização, tais como o diálogo com as religiões
não cristãs, a responsabilidade do Bispo a respeito do mundo
em temas como a vida política, social e económica e da paz.
De facto, também nestes âmbitos, ele é chamado a
suscitar a esperança das realidades transcendentes e das realidades
escatológicas.
O DEVER MISSIONÁRIO DO BISPO
73. O mandato confiado pelo Senhor Ressuscitado diz respeito a
todos os povos. Ou melhor, nos próprios apóstolos "a
Igreja recebeu uma missão universal, que não tem confins e
diz respeito à salvação na sua integridade, segundo a
plenitude que Cristo veio trazer (cf. Jo 10, 10)".(119)
Também para os sucessores dos Apóstolos, o dever de
anunciar o Evangelho não se limita ao âmbito eclesial. O
Evangelho é sempre para todos os homens. A própria Igreja é
sacramento de salvação para todos os homens e a sua acção
não se restringe àqueles que aceitam a sua mensagem. Melhor,
ela é "força dinâmica no caminho da humanidade em
direcção ao Reino escatológico, é sinal e
promotora dos valores evangélicos entre os homens".(120) Por
isso, cabe sempre aos sucessores dos Apóstolos a responsabilidade
de o difundir em toda a terra.
Portanto, os Bispos, que nas suas Igrejas particulares são sinais
pessoais de Cristo, são também chamados a ser, no mundo,
sinais da Igreja presente na história de todos os homens.
Consagrados não somente para uma Diocese, mas para a salvação
de todo o mundo,(121) os Bispos, quer como membros do Colégio
episcopal quer como pastores das Igrejas particulares, são,
juntamente com o Bispo de Roma, directamente responsáveis pela
evangelização de quantos ainda não reconhecem em
Cristo o único salvador e ainda não depositam nele a sua
esperança.
Neste contexto, não podem ser esquecidos tantos Bispos missionários
que ainda hoje ilustram a vida da Igreja com a generosidade e a santidade.
Alguns deles são também fundadores de Institutos missionários.
74. Como pastor de uma Igreja particular, compete ao Bispo
orientar, dirigir e coordenar os caminhos missionários. Ele cumpre
o seu dever de empenhar-se a fundo no impulso evangelizador da própria
Igreja particular quando suscita, promove e guia a obra missionária
na sua Diocese. Procedendo assim, "torna presente e como que palpáveis
o espírito e o ardor missionário do Povo de Deus, de maneira
que toda a diocese se torna missionária".(122)
No seu zelo pela actividade missionária, o Bispo mostra-se, também
aqui, servo e testemunha da esperança. De facto, a missão é,
sem dúvida, motivada pela fé e é "o indicador
exacto da nossa fé em Cristo e no seu amor por nós".(123)
Mas dado que a boa nova para o homem de todos os tempos é a
novidade de vida a que cada homem é chamado e está
destinado, a missão é também animada pela esperança
e, ela própria, é fruto da esperança cristã.
Anunciando Cristo Ressuscitado, os cristãos anunciam Aquele que
inaugura uma nova época da história e proclamam ao mundo a
boa notícia de uma salvação integral e universal, que
contém em si o penhor de um mundo novo, no qual a dor e a injustiça
darão lugar à alegria e à beleza. Por isso, rezam
como Jesus lhes ensinou: "Venha o teu Reino" (Mt 6, 10).
Finalmente a actividade missionária, no seu fim último de
colocar à disposição de cada homem a salvação
dada por Cristo de uma vez para sempre, tende, por si mesma, à
plenitude escatológica. Graças a ela cresce o Povo de Deus,
dilata-se o Corpo de Cristo e amplia-se o Templo do Espírito até
à consumação dos tempos".(124)
O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO
75. Como mestres da fé, os Bispos devem também
prestar uma oportuna atenção ao diálogo
inter-religioso. De facto, é para todos evidente que, nas actuais
circunstâncias históricas, este diálogo assumiu uma
nova e imediata urgência. Efectivamente, para muitas comunidades
cristãs, por exemplo na África e na Ásia, o diálogo
inter-religioso quase faz parte integrante da vida quotidiana das famílias,
das comunidades locais, do ambiente de trabalho e dos serviços públicos.
Noutras, pelo contrário, como por exemplo na Europa ocidental e, a
seu modo, nos países da mais antiga cristandade, trata-se de um fenómeno
novo. Também aqui sucede de forma cada vez mais frequente que os
crentes das diversas religiões e cultos se encontrem facilmente e
muitas vezes vivam em conjunto, por causa das migrações dos
povos, das viagens, das comunicações sociais e das opções
pessoais.
É necessário, por conseguinte, desenvolver uma pastoral
que promova o acolhimento e o testemunho, no recurso aos princípios
expostos pelo Concílio com o decreto Nostra ætate
acerca do respeito para com as confissões não cristãs
e, pelo que elas possuem de positivo, acerca da possibilidade de defender
com os seus fiéis alguns valores essenciais da existência e
ainda acerca da preocupação de encontrar estes homens e
estas mulheres para uma procura comum da verdade.
76. O diálogo inter-religioso, como recordou João
Paulo II, faz parte da missão evangelizadora da Igreja e entra nas
perspectivas do Jubileu do ano 2000.(125) Entre as principais razões,
o decreto Nostra ætate aponta as sugeridas pela profissão
da esperança cristã. De facto, todos os homens têm uma
origem comum em Deus, enquanto criaturas amadas e queridas por Ele, e têm
no seu amor eterno um destino comum. Deus é o fim último de
cada homem.
Neste diálogo, os cristãos devem testemunhar sempre a própria
esperança em Cristo, único Salvador do homem, mas têm
também muito a aprender. Todavia, isto não pode nem deve
diminuir o dever e a determinação dos cristãos em
proclamar, sem exitações, o carácter único e
absoluto de Cristo redentor. Na verdade, em nenhum outro o cristão
coloca a sua esperança, e Cristo é a realização
de todas as esperanças. Ele é "a expectativa de
quantos, em cada povo, aguardam a manifestação da bondade
divina".(126) De igual modo, o diálogo deve ainda ser
orientado e realizado pelos fiéis católicos com a convicção
de que a única religião verdadeira subsiste "na Igreja
católica e apostólica, à qual o Senhor Jesus confiou
a missão de a comunicar a todos os homens".(127)
77. Todos os fiéis e comunidades cristãs são
chamados a praticar o diálogo inter-religioso, ainda que nem sempre
com a mesma intensidade e ao mesmo nível. Porém, onde as
situações o exigem, ou o permitem, é dever do bispo,
na sua Igreja particular, com a sua instrução e acção
pastoral, não só ajudar todos os fiéis a respeitar e
estimar os valores, tradições e convicções dos
outros crentes, mas também promover uma sólida e adequada
formação religiosa dos próprios cristãos, para
que saibam dar um testemunho convicto do grande dom da fé cristã.
O bispo deve ainda velar pela dimensão teológica do diálogo
inter-religioso, quando é realizado na sua Igreja particular, de
modo que nunca fique silenciada ou negada a universalidade e unicidade da
Redenção operada por Cristo, único Salvador do homem
e revelador do mistério de Deus.(128) Efectivamente, só em
coerência com a própria fé é possível
partilhar, confrontar e enriquecer as experiências espirituais e as
formas de oração, como caminhos de encontro com Deus.
O diálogo inter-religioso, todavia, não diz respeito
somente ao aspecto doutrinal, mas estende-se a uma pluralidade de relações
quotidianas entre os crentes, que são convidados ao respeito recíproco
e ao conhecimento mútuo. Trata-se do assim chamado "diálogo
de vida" no qual os crentes das diversas religiões testemunham
reciprocamente os valores humanos e espirituais próprios, com a
finalidade de favorecer a coexistência pacífica e a colaboração
em ordem a uma sociedade mais justa e fraterna. Ao favorecer e seguir
atentamente tal diálogo, o bispo recordará sempre aos fiéis
que este empenho nasce das virtudes teologais da fé, caridade e
esperança e com elas cresce.
RESPONSABILIDADE EM RELAÇÃO AO MUNDO
78. Os cristãos completam a missão profética
recebida de Cristo realizando no mundo uma presença portadora de
esperança. Por isso, o Concílio recorda que a Igreja "caminha
juntamente com toda a humanidade e experimenta com o mundo o mesmo destino
terreno, e é como que o fermento e a alma da sociedade humana,
destinada a renovar-se em Cristo e a transformar-se em família de
Deus".(129)
O assumir da responsabilidade em relação a todo o mundo e
aos seus problemas, às suas interrogações e
expectativas, pertence também ao empenho de evangelização,
a que a Igreja é chamada pelo Senhor. Tal, compromete em primeiro
lugar cada bispo, tornando-o atento à leitura dos "sinais dos
tempos", de modo a despertar nos homens uma nova esperança.
Nisto ele age como ministro do Espírito que, também hoje, no
limiar do Terceiro Milénio, não cessa de realizar maravilhas
para que seja renovada a face da terra. A partir do exemplo do Bom Pastor,
ele indica ao homem o caminho a seguir e, como o Samaritano, inclina-se
para ele a fim de lhe curar as feridas.
79. O homem é, também, essencialmente um "ser
de esperança". É, porém, verdade que, em toda a
parte, não são poucos os acontecimentos que induziriam ao
cepticismo e à falta de confiança: tantos e tão
grandes são os desafios que hoje se colocam à esperança.
A Igreja, porém, encontra no mistério da cruz e da ressurreição
do seu Senhor o fundamento da "feliz esperança". Daqui
tira a força para se pôr, e permanecer, ao serviço de
todo homem.
O Evangelho, do qual a Igreja é serva, é uma mensagem de
liberdade e uma força de libertação que, enquanto põe
a nú e julga as esperanças ilusórias e falaciosas,
conduz à realização as aspirações mais
autênticas do homem. O núcleo central desta boa notícia
é que, mediante a cruz e ressurreição e pelo dom do
Espírito Santo, Cristo abriu caminhos novos de liberdade e de
libertação para a humanidade.
Entre os âmbitos nos quais o bispo é chamado a conduzir a
sua comunidade, delineando compromissos e actuando comportamentos que
constituam espaços onde chega a força renovadora do
Evangelho e sinais efectivos de esperança, indicam-se alguns de
particular relevo, que dizem respeito à doutrina social da Igreja.
De facto, esta não só não é estranha, mas é
parte essencial da mensagem cristã, porque propõe as consequências
imediatas do Evangelho na vida da sociedade. Sobre ela, muitas vezes se
deteve o Magistério, iluminando-a à luz do mistério
pascal, onde a Igreja encontra a verdade sobre a história e sobre o
homem, recordando também que compete em seguida às Igrejas
particulares, em comunhão com a Sé de Pedro e entre si,
orientá-la para acções concretas.
80. Um primeiro aspecto diz respeito à relação
com a sociedade civil e política. É, a propósito,
evidente, que a missão da Igreja é uma missão
religiosa e que o fim privilegiado da sua acção é o
anúncio a todos os homens de Jesus Cristo, único Nome "dado
aos homens debaixo do céu no qual está estabelecido que
podemos ser salvos" (At 4, 12). Daqui deriva, entre outras
coisas, a distinção reforçada pelo Concílio,
entre a comunidade política e a Igreja. Independentes e autónomas
no seu campo, elas têm em comum, porém, o serviço à
vocação pessoal e social das mesmas pessoas humanas.(130)
Por conseguinte, a Igreja, aberta a todos os homens de boa vontade por
mandato do Senhor, não é, nem nunca poderá ser,
concorrente da vida política, mas também não é
alheia aos problemas da vida social. Por isso, permanecendo no interior da
sua própria competência na promoção integral do
homem, a Igreja pode, igualmente, procurar soluções para
problemas de ordem temporal, sobretudo onde está comprometida a
dignidade do homem e são desrespeitados os seus direitos mais
elementares.
81. Situa-se também, em tal horizonte, a acção
do bispo, o qual reconhece a autonomia do Estado e evita, por isso, a
confusão entre a fé e a política servindo, pelo contrário,
a liberdade de todos. Alheio a configurações que induzam a
identificar a fé com uma determinada forma política, ele
procura acima de tudo o Reino de Deus e é assim que, assumindo um
amor mais válido e puro para ajudar os seus irmãos e para
realizar, com a inspiração da caridade, as obras da justiça,
ele se apresenta como guardião do carácter transcendente da
pessoa humana e como sinal de esperança.(131) O contributo específico
que um bispo oferece neste âmbito é o mesmo da Igreja, isto é,
"a visão da dignidade da pessoa, a qual se manifesta em toda a
sua plenitude no mistério do Verbo encarnado".(132)
A autonomia da comunidade política não inclui, de facto, a
sua independência em relação aos princípios
morais; pelo contrário, uma política privada de referências
morais conduz inevitavelmente à degradação da vida
social, à violação da dignidade e dos direitos da
pessoa humana. Por isso, a Igreja toma muito a peito que seja conservada
ou restituída à política, a imagem do serviço
a prestar ao homem e à sociedade. Dado que é tarefa específica
dos fiéis leigos o empenho directo na política, a preocupação
do bispo é a de ajudar os seus fiéis a debater as suas questões
e assumir as próprias decisões à luz da Palavra da
Verdade; de favorecer e cuidar da sua formação, de modo que
nas suas opções sejam motivados por uma solicitude sincera
para com o bem comum da sociedade em que vivem, isto é, o bem de
todos os homens e do homem todo; de insistir para que haja coerência
entre a moral pública e a privada.
82. Um lugar particular no processo de evangelização
e espaço privilegiado onde anunciar a esperança é a
solicitude pelos pobres. Abre-se assim o âmbito relativo à
vida económica e social da qual, como recordou o Concílio, o
homem é o autor, o centro e o fim.(133) Daqui também, a
preocupação da Igreja para que o desenvolvimento não
seja entendido em sentido exclusivamente económico, mas sobretudo
em sentido integralmente humano.
A esperança cristã orienta-se, certamente, para o Reino
dos céus e para a vida eterna. Este destino escatológico,
todavia, não atenua o empenho pelo progresso da cidade terrena.
Pelo contrário, dá-lhe sentido e força. Mais, "o
ímpeto da esperança preserva do egoísmo e conduz à
alegria da caridade".(134) A distinção entre progresso
terrestre e crescimento do Reino, efectivamente, não é uma
separação, dado que a vocação do homem à
vida eterna, mais do que abolir, confirma o dever do homem pôr em acção
as capacidades recebidas do Criador para o desenvolvimento da sua vida
temporal.
83. Não é tarefa específica da Igreja
oferecer soluções para as questões económicas
e sociais, mas a sua doutrina social contém um conjunto de princípios
indispensáveis à construção de um sistema
social e económico justo. Também sobre isto a Igreja tem um "evangelho"
a anunciar, do qual cada bispo, na sua Igreja particular, deve fazer-se
portador, apontando as Bem-Aventuranças evangélicas como o
seu coração".(135)
Por fim, dado que o mandamento do amor ao próximo é muito
concreto, é necessário que o bispo promova na sua Diocese
iniciativas apropriadas e exorte à superação de
eventuais atitudes de apatia, passividade e egoísmo individual e de
grupo. Do mesmo modo, é importante que com a sua pregação
o bispo desperte a consciência cristã de cada cidadão,
exortando-o a agir, com uma solidariedade activa e com os meios à
sua disposição, em defesa do seu irmão contra
qualquer abuso que atente contra a dignidade humana. Deve, a propósito,
recordar sempre aos fiéis que em cada pobre e necessitado Cristo
está presente (cf. Mt 25, 31-46). A própria figura
do Senhor como juiz escatológico é a promessa de uma justiça
finalmente perfeita para os vivos e para os mortos, para os homens de
todos os tempos e de todos os lugares.(136)
84. Os temas da justiça e do amor ao próximo
evocam espontaneamente o tema da paz: "um fruto de justiça é
semeado na paz para aqueles que constroem a paz" (Jz 3, 18).
A paz que a Igreja anuncia é a de Cristo, o "príncipe
da paz" que proclamou a bem-aventurança dos "que
constroem a paz porque serão chamados filhos de Deus" (Mt
5, 9). Estes são não só os que renunciam ao uso da
violência como método habitual, mas também todos
aqueles que têm a coragem de agir para que seja destruído
tudo aquilo que impede a paz. Estes construtores da paz sabem bem que ela
começa no coração do homem. Por isso, agem contra o
egoísmo, que impede de ver os outros como irmãos e irmãs
numa única família humana, apoiados nisto pela esperança
em Jesus Cristo, o Redentor Inocente cujo sofrimento é um sinal
indefectível de esperança para a humanidade. Cristo é
a paz (cf. Ef 2, 14) e o homem não encontrará a paz
se não encontrar Cristo.
A paz é uma responsabilidade universal, que passa pelos mil
pequenos actos da vida de cada dia. Segundo o seu modo quotidiano de viver
com os outros, os homens fazem uma escolha a favor ou contra a paz. A paz
espera os seus profetas e artífices.(137) Estes arquitectos da paz
devem encontrar-se acima de tudo nas comunidades eclesiais, de que o bispo
é pastor.
É necessário, por isso, que ele não perca nenhuma
ocasião para promover nas consciências a aspiração
à concórdia e para favorecer a compreensão entre as
pessoas no zelo pela causa da justiça e da paz. Trata-se de uma
tarefa árdua, que exige dedicação, esforços
renovados e uma persistente acção educativa, sobretudo em
relação às novas gerações para que se
empenhem, com renovada alegria e esperança cristã, na
construção de um mundo mais pacífico e fraterno. O
trabalho pela paz é também tarefa prioritária da
evangelização. Por isso, a promoção de uma autêntica
cultura do diálogo e da paz é igualmente um dever
fundamental da acção pastoral de um bispo.
85. Voz da Igreja que, evangelizando, chama e convoca todos os
homens, o bispo não se furta a agir concretamente e a fazer ouvir a
sua palavra sábia e equilibrada, para que os responsáveis
pela vida política, social e económica procurem as soluções
mais justas possível, para resolver os problemas da convivência
civil.
As condições em que os pastores são chamados a
desenvolver a sua missão nestes âmbitos são
frequentemente muito difíceis, quer para a evangelização
quer para a promoção humana e é sobretudo aqui que se
vê quanto e como deva estar incluída no ministério
episcopal a disponibilidade para o sofrimento. Mas, sem ela, não é
possível que os bispos se dediquem à sua missão. Por
isso, deverá ser grande a sua confiança no Espírito
do Senhor ressuscitado e o seu coração deverá estar
sempre cheio da "esperança que não desilude" (Rm
5, 5).
Capítulo V
O CAMINHO ESPIRITUAL DO BISPO
86. Os capítulos precedentes descreveram os traços
gerais do contexto no qual um bispo, hoje, é chamado a desenvolver,
na Igreja, a sua missão de mestre autêntico da fé,
que, sem cedências nem compromissos, anuncia, ensina e defende a
verdade; de santificador e administrador fiel dos dons divinos; de pai próximo
de todos aqueles que a misericórdia do Pai celeste confiou aos seus
cuidados, em todas as suas carências e sobretudo na sua necessidade
de Deus. No meio do seu povo, o bispo é imagem viva de Jesus Bom
Pastor, que caminha juntamente com o seu rebanho.
Foi também recordado que o bispo vive a sua missão de
pastor quando, nos vínculos do Colégio episcopal, está
unido ao bispo de Roma e aos outros irmãos bispos, recorrendo a
todas as instâncias eclesiásticas que o ajudam no serviço
que lhe foi confiado pelo Senhor e pela Igreja. Por fim, foi posto em
relevo que a missão do bispo é tão ampla quanto a própria
missão da Igreja no mundo.
EXIGÊNCIA DE SANTIDADE NA VIDA DO BISPO
87. Trata-se, portanto, de um altíssimo e exigente
ministério, de um ideal diante do qual cada chamado, sentindo vivas
a debilidade e insuficiência das próprias forças, é
tomado por um compreensível temor. Por isso, o bispo deve estar
animado da mesma esperança, de que é constituído
servidor na Igreja e no mundo. Como o apóstolo S. Paulo, ele
repete: "Tudo posso naquele que me dá força" (Fl
4, 13) e, como ele, está seguro de que "a esperança não
desilude, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações
por meio do Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,
5).
Para estar à altura de um ministério de tanta
responsabilidade ele deve reconhecer na caridade pastoral o vínculo
da perfeição episcopal e o fruto da graça e do carácter
do sacramento recebido. Por isso, deve conformar-se sempre, de forma muito
especial, a Cristo Bom Pastor, quer na vida pessoal, quer no exercício
do ministério apostólico, de modo que o pensamento de Cristo
(cf 1 Cor 2, 16) o penetre totalmente nas ideias, nos sentimentos,
nas opções e no agir.(138)
A vinte anos do encerramento do Concílio, a Assembleia extraordinária
do Sínodo dos Bispos de 1985 constatava que "os santos e as
santas sempre foram fonte e origem de renovação, nas mais
difíceis circunstâncias da vida da Igreja".(139) Também
não há dúvida de que a Igreja tem constantemente
necessidade de pastores brilhantes, não só pelas suas
qualidades humanas, mas também pela sua santidade. São estes
os pastores que conseguem fazer despertar um projecto de vida sacerdotal
junto dos jovens de hoje.
Neste capítulo, portanto, procuram indicar-se algumas linhas para
o caminho espiritual do bispo, como caminho de evangelização
e santificação do povo de Deus, fazendo ressaltar a estreita
ligação que existe entre a santidade pessoal do bispo e o
exercício do seu ministério. O próprio ministério,
por outro lado, exercido com fidelidade e fortaleza, na docilidade ao Espírito
Santo, é fonte de santidade para o bispo e de santificação
para os fiéis confiados aos seus cuidados de pastor, na valorização
dos diversos caminhos de santidade segundo os diferentes carismas.
DIMENSÕES DA ESPIRITUALIDADE DO BISPO
88. O caminho espiritual do bispo tem, por certo, a sua raiz na
graça do sacramento do Baptismo e da Confirmação,
onde, como todo o cristão, se tornou capaz de acreditar em Deus, de
ter esperança nele e de o amar por meio das virtudes teologais, de
viver e agir sob a moção do Espírito Santo mediante
os seus santos dons. A partir deste ponto de vista, ele tem de viver uma
espiritualidade em nada diferente da de todos os outros discípulos
do Senhor, que foram incorporados nele e se tornaram templo do Espírito.
Também o bispo vive, assim, uma espiritualidade como baptizado e
crismado, alimentado pela santa Eucaristia e necessitado do perdão
do Pai, por causa da humana fragilidade. Ao mesmo tempo, juntamente com os
sacerdotes do seu presbitério, ele tem de percorrer caminhos específicos
de espiritualidade, enquanto chamado à santidade em razão do
novo título derivante da Ordem sagrada.(140)
Todavia, o bispo deve viver uma sua espiritualidade "específica",
em virtude do dom que lhe é próprio da plenitude do Espírito
de santidade, que ele recebeu como pai e pastor na Igreja.
89. Trata-se de uma espiritualidade "própria",
orientada para fazer viver na fé, na esperança e na caridade
conforme ao ministério de evangelizador, de liturgo e de guia na
comunidade; de uma espiritualidade que vê o bispo em relação
com o Pai, do qual é imagem, com o Filho, a cuja missão de
Pastor está configurado, e com o Espírito Santo, que dirige
a Igreja com diversos dons hierárquicos e carismáticos.
Trata-se, ainda, de uma espiritualidade eclesial porque cada bispo é
configurado a Cristo Pastor para amar a Igreja com o amor de Cristo
esposo, para a servir e ser, nela, mestre, santificador e guia. Deste modo
ele torna-se modelo e promotor de uma espiritualidade de comunhão
na Igreja a todos os níveis.
Não é possível amar Cristo e viver na sua
intimidade sem amar a Igreja, que Cristo ama: com efeito, possui-se o Espírito
de Deus, na medida em que se ama a Igreja "una em todos e toda em
cada um; simples na pluralidade pela unidade da fé, múltipla
em cada um pelo cimento da caridade e pela variedade dos carismas".(141)
Só do amor à Igreja, amada por Cristo até se entregar
por ela (cf Ef 5, 25) e sacramento universal de salvação,
nascem uma espiritualidade e um zelo missionários e o testemunho da
medida total com que o Senhor Jesus amou os homens, isto é, até
à cruz.
MINISTRO DO EVANGELHO DA ESPERANÇA
90. Com estes títulos, o bispo apresenta-se à
Igreja, repetindo as palavras do Apóstolo: Cristo "reconciliou-vos
através da morte do seu corpo carnal, para vos apresentar santos,
imaculados e irrepreensíveis na sua presença: desde que
permaneçais apoiados e firmes na fé e não vos deixeis
afastar da esperança prometida no evangelho... do qual eu me tornei
ministro" (Cl 1,22-23; cf. 1, 5).
Já o Directório pastoral Ecclesiae imago tinha
dedicado um inteiro e detalhado capítulo às virtudes necessárias
a um bispo.(142) Naquele contexto, para além da referência às
virtudes sobrenaturais da obediência, da continência perfeita
por amor do Reino, da pobreza, da prudência pastoral e da fortaleza,
encontra-se também uma chamada à virtude teologal da esperança;
apoiando-se nela, o bispo espera de Deus, com firme certeza, todo o bem e
põe na divina Providência a máxima confiança, "recordado
dos santos apóstolos e antigos bispos que, embora experimentando
grandes dificuldades e obstáculos de todo o género, todavia,
anunciavam o evangelho de Deus com toda a coragem".(143)
Na perspectiva da X Assembleia geral ordinária do Sínodo
dos Bispos, é oportuno, porém, deter-se posteriormente sobre
a esperança inerente ao ministério episcopal, estimuladora
de criatividade e portadora daquele saudável optimismo que o bispo
deve viver pessoalmente e comunicar aos outros com alegria.
91. A esperança cristã tem o seu princípio
em Cristo e alimenta-se de Cristo, é participação no
mistério da sua Páscoa e penhor de um destino análogo
ao de Cristo, uma vez que o Pai com Ele "nos ressuscitou e nos fez
sentar nos céus" (Ef 2, 6).
O bispo é sinal e ministro desta esperança. Cada bispo
pode interiorizar estas palavras de João Paulo II: "Sem a
esperança nós seríamos, não só homens
infelizes e dignos de compaixão, mas também toda a nossa acção
pastoral tornar-se-ia infrutífera; não ousaríamos
empreender mais nada. Na inflexibilidade da nossa esperança reside
o segredo da nossa missão. Ela é mais forte do que as
desilusões frequentes e as dúvidas penosas, porque vai
buscar a sua força a uma fonte que, nem a nossa distracção,
nem a nossa negligência podem levar ao esgotamento. A fonte da nossa
esperança é o próprio Deus, que por meio de Cristo
venceu o mundo de uma vez por todas e continua hoje, por nosso intermédio,
a missão salvífica entre os homens".(144)
A ESPERANÇA NO CAMINHO ESPIRITUAL DO BISPO
92. O bispo é ministro da Verdade que salva, não
somente para ensinar e instruir, mas também para conduzir os homens
à esperança e, por conseguinte, ao progresso no caminho da
esperança. Portanto, se um bispo quer verdadeiramente apresentar-se
ao seu povo como sinal, testemunha e ministro da esperança, não
pode senão alimentar-se da Palavra de Verdade, com total adesão
e plena disponibilidade, segundo o modelo de Maria, a santa Mãe de
Deus, que "acreditou no cumprimento das palavras do Senhor" (Lc
1, 45).
Dado que esta Palavra divina está contida e expressa na Sagrada
Escritura, o bispo deve recorrer a ela constantemente, com uma leitura assídua
e um estudo diligente. Isto não só porque ele seria um vão
pregador da Palavra de Deus para o exterior se não a escutasse
interiormente,(145) mas também porque esvaziaria e tornaria impossível
o seu ministério de esperança.
Da Escritura o bispo extrai o alimento para a sua espiritualidade de
esperança, de modo a desenvolver, com veracidade, o seu ministério
de evangelizador. Só assim, como S. Paulo, ele poderá
dirigir-se aos seus fiéis dizendo: "Em virtude da perseverança
e da consolação que nos vêm das Escrituras mantemos
viva a nossa esperança" (Rm 15, 4).
93. A oração é o momento privilegiado para
a escuta da Palavra de Deus. Consciente de que somente através da
sua própria oração pessoal será mestre de oração
para os seus fiéis, o bispo dirigir-se-à a Deus para
repetir-lhe, juntamente com o salmista: "Eu espero na tua palavra"
(Sl 119, 114). De facto, a oração é o espaço
privilegiado e expressivo da esperança ou, como diz S. Tomás,
ela é a "intérprete da esperança".(146)
Porém, se ninguém pode rezar somente por si mesmo, muito
menos o pode fazer um bispo, o qual, também na sua oração,
deve ter presente toda a Igreja, rezando de modo especial pelo povo que
lhe foi confiado. Ao imitar Jesus na escolha dos Apóstolos (cf.
Lc 6, 12-13), também ele submeterá ao Pai todas as
suas iniciativas pastorais e Lhe apresentará, mediante Cristo, no
Espírito, as suas esperanças em relação ao
presbitério diocesano, as suas preocupações em relação
às vocações ao sacerdócio, à vida
consagrada, ao empenho missionário e aos diversos ministérios,
o seu zelo pelos consagrados e consagradas que trabalham apostolicamente
na Igreja particular e as suas esperanças nos fiéis leigos:
para que, todos e cada um, correspondendo à própria vocação
e exercendo os respectivos ministérios e carismas, convirjam, sob a
sua orientação, para a edificação do Corpo de
Cristo. E o Deus da esperança o cumulará de toda a alegria e
paz, para que transborde em esperança pela virtude do Espírito
Santo (cf. Rm 15, 13).
94. Um bispo deve também procurar os momentos em que
possa viver a sua escuta pessoal da Palavra de Deus e a sua oração
juntamente com o presbitério, os diáconos permanentes onde
eles existem, os seminaristas e os consagrados e consagradas presentes na
Igreja particular e, onde e quando é possível, também
com os leigos, em particular aqueles que vivem o seu apostolado de forma
associada.
Tal modo de proceder favorece o espírito de comunhão e
apoia a sua vida espiritual, apresentando-se na sua Igreja particular como
"mestre de perfeição", empenhado em "fazer
progredir no caminho da santidade os seus sacerdotes, os religiosos e os
leigos, segundo a vocação particular de cada um".(147)
Ao mesmo tempo, reforça também em si os vínculos das
relações eclesiais, nas quais foi colocado como centro visível
da unidade.
Também não descurará as ocasiões para viver
em conjunto com os irmãos bispos, sobretudo se mais próximos
porque da mesma província e região eclesiástica,
momentos análogos de encontro espiritual. Nesses encontros pode-se
experimentar a alegria que brota do viver em conjunto entre irmãos
(cf. Sl 133, 1), e manifesta-se e se incrementa o afecto colegial.
95. Também da celebração da santa Liturgia
o bispo, juntamente com todo o povo de Deus, tira alimento para a esperança.
De facto, quando a Igreja celebra a sua Liturgia sobre a terra, saboreia
de antemão, na esperança, a Liturgia da Jerusalém
celeste, para a qual caminha como peregrina e onde Cristo está
sentado à direita do Pai "qual ministro do santuário e
da verdadeira tenda, construída pelo Senhor e não por um
homem" (Hb 8, 2).(148)
Todos os sacramentos da Igreja, a Eucaristia primeiro entre todos, são
memorial dos acta et passa do Senhor, representação
da salvação realizada por Cristo de uma vez para sempre e
antecipação da posse plena, que será o dom do tempo
final.(149) Até então a Igreja celebra-os como sinais
eficazes da sua expectativa, da invocação e da esperança.
96. Entre as acções litúrgicas há
algumas nas quais a presença do bispo tem um significado
particular. Antes de mais a Missa crismal, durante a qual são
benzidos o îleo dos Catecúmenos e o dos Enfermos e consagrado
o santo Crisma: é o momento da mais alta manifestação
da Igreja local, que celebra o Senhor Jesus, sumo e eterno Sacerdote do
seu próprio Sacrifício. Para um bispo é um momento de
grande esperança, dado que ele encontra o presbitério
diocesano reunido à sua volta para voltarem juntos os olhos, no
horizonte festivo da Páscoa, para o Grande Sacerdote e para, assim,
reavivarem a graça sacramental da Ordem mediante a renovação
das promessas que, desde o dia da Ordenação, estabelecem o
carácter especial do seu ministério na Igreja. Nesta
circunstância, única do ano litúrgico, os estreitos vínculos
da comunidade eclesial são para o povo de Deus, embora atormentado
por inumeráveis preocupações, um vibrante grito de
esperança.
A ela se junta a solene liturgia da ordenação de novos
presbíteros e diáconos. Aqui, recebendo de Deus os novos
cooperadores da ordem episcopal e os novos colaboradores no ministério,
o bispo vê atendidas pelo Espírito, Donum Dei e dator
munerum, a sua oração pela abundância das vocações
e as suas esperanças por uma Igreja ainda mais resplandecente através
do seu rosto ministerial.
O mesmo se pode dizer da administração do sacramento da
Confirmação, do qual o bispo é ministro originário
e, no rito latino, ministro ordinário. Aqui, "o facto de que
este sacramento seja administrado por eles evidencia que aquele tem como
efeito unir mais estritamente à Igreja aqueles que o recebem, às
sua origens apostólicas e à sua missão de testemunhar
Cristo".(150)
97. A eficácia da orientação pastoral do
bispo e do seu testemunho de Cristo, esperança do mundo, depende em
grande parte da autenticidade do seguimento do Senhor e do viver in
amicitia Iesu Christi. Só a santidade é anúncio
profético da renovação e o bispo não pode
subtrair-se ao papel profético da santidade mediante o qual
antecipa na própria vida a aproximação à meta
a que conduz os seus fiéis.
Todavia, no seu itinerário espiritual, como todo o cristão,
também ele experimenta a necessidade da conversão em virtude
da consciência das suas fraquezas, dos seus desânimos e do seu
pecado. Mas dado que, como pregava S. Agostinho, não pode fechar-se
à esperança do perdão aquele ao qual não foi
fechado o pecado,(151) o bispo recorre ao sacramento da penitência e
da reconciliação no qual grita com toda a sinceridade: "Senhor,
meu Deus, esperei em ti: salva-me!" (cf. Sl 7, 2; 31, 2; 38,
16). Quem tem a esperança de ser filho de Deus e de poder vê-lo
tal como ele é purifica-se a si mesmo como é puro o Pai
celeste (cf. 1 Jo 3, 3).
98. É, sem dúvida, sinal de esperança para
o povo de Deus ver o próprio bispo aproximar-se deste sacramento da
cura, por exemplo quando, em circunstâncias particulares, é
celebrado de forma comunitária com a sua presidência; como
também ver que, quando gravemente doente, lhe é administrado
o sacramento da Unção dos enfermos e lhe é levado o
conforto do santo viático com solenidade e acompanhamento do clero
e do povo.(152)
Neste último testemunho da sua vida terrena, ele tem a
oportunidade de ensinar aos seus fiéis que nunca há
necessidade de trair a própria esperança e que toda a dor do
momento presente é aliviada com a esperança das realidades
futuras.(153) No último acto da sua partida deste mundo para o Pai,
ele pode resumir e voltar a propôr a finalidade do seu ministério
na Igreja: o de indicar a meta escatológica aos filhos da Igreja,
como Moisés indicou a terra prometida aos filhos de Israel.
ALEGRES NA ESPERANÇA, À SEMELHANÇA DA VIRGEM MARIA
99. Deste modo o bispo gloria-se "na esperança da
glória de Deus", como escreve o Apóstolo, o qual
prossegue: "E não é só: nós gloriamo-nos
também nas tribulações, sabendo que a tribulação
produz a paciência, a paciência uma virtude comprovada e a
virtude comprovada a esperança" (Rm 5,2-4). Da esperança
deriva ainda a alegria. Efectivamente, a alegria cristã, que é
alegria na esperança (cf. Rm 12,12), é também
ela objecto da esperança. O cristão deve não só
falar da alegria, mas sobretudo "esperar a alegria".(154)
Maria é a principal testemunha e o modelo para toda a Igreja
desta união espiritual entre a alegria e a esperança. No seu
cântico do Magnificat está a alegria de todos os
pobres do Senhor, que esperam na sua Palavra. Os sofrimentos não
lhe foram poupados, mas como de forma eminente foi associada ao sacrifício
de seu Filho, tornando-se aos pés da Cruz a "mãe das
dores", assim se abriu totalmente à alegria da Ressurreição.
Ora, próxima de seu filho que está sentado glorioso à
direita do Pai, elevada ao céu na integridade da sua pessoa, em
corpo e alma, recapitula em si todas as alegrias e vive a alegria perfeita
prometida à Igreja. A ela, que para quantos são ainda
peregrinos sobre a terra brilha "qual sinal de esperança
segura e de consolação, enquanto não chega o dia do
Senhor"(155) a Igreja dirige a sua oração invocando-a
como mater spei, mater plena sanctae laetitiae e causa
nostrae laetitiae.
100. Cada bispo, como todo o cristão, confia-se
filialmente a Maria, imitando o discípulo amado que, acolhendo no
Calvário a Mãe do Senhor, a introduziu em todo o espaço
da sua vida interior.(156)
A Igreja invoca frequentemente Maria como Regina Apostolorum. "Queira
a Virgem Santíssima interceder por todos os pastores da Igreja,
para que no seu nada fácil ministério sejam cada vez mais
conformes à imagem do Bom Pastor".(157)
QUESTIONÁRIO
Perguntas acerca do primeiro capítulo
1. Qual é a importância que o Bispo dá ao seu
compromisso de anunciador do Evangelho? Tal compromisso é visto
como prioritário? Os outros compromissos desviam a atenção
deste? Quais os aspectos da vida diocesana que criam dificuldades à
missão evangelizadora do Bispo? Quais são aqueles que a
ajudam?
2. Qual é a imagem predominante que as pessoas têm da missão
do Bispo? A imagem que o povo tem da missão do Bispo coincide com a
imagem que o Bispo tem da mesma missão?
3. Como é que as pessoas reagem ao ensino do Bispo a propósito
de questões de fé ou de moral? Distingue-se entre
ensinamento do Bispo e ensinamento do Papa?
4. As relações entre o Bispo e os teólogos são:
de estima recíproca? de colaboração no anúncio
do Evangelho? de desconfiança? de contestação? Em que
sectores?
5. Que desafios sócio-culturais se põem ao ministério
do Bispo, principalmente a propósito do anúncio do
Evangelho? Como responde o Bispo a estes desafios? Quais as circunstâncias
que favorecem este anúncio? Quais as circunstâncias que são
obstáculo?
Perguntas acerca do segundo capítulo
6. Como é que o Bispo vive a sua relação com o
presbitério e com cada presbítero, especialmente na proclamação
da fé? Quais deveriam ser as atenções principais
neste sector?
7. Como é que o Bispo vive a sua relação com os
Institutos de Vida Consagrada, de modo particular na proclamação
da fé: catequse, doutrina do Magistério, etc.?
8. O bispo apoia os leigos no anúncio do Evangelho no âmbito
temporal? Como é entendido pelo Bispo o contributo à
evangelização prestado pelos leigos, pelas associações
de fiéis, pelos movimentos eclesiais?
9. Como exprime o Bispo a sua comunhão com o Romano Pontífice?
O Bispo sente-se apoiado pela Santa Sé? Como o Bispo adere ao
ministério do Sucessor de Pedro de sustentar a verdadeira fé,
a disciplina da Igreja e a nova evangelização?
10. Como é que o Bispo vive a sua relação com os
outros Bispos: na Igreja universal? na Conferência Episcopal? Com os
Bispos vizinhos? O Bispo sente-se apoiado pelos irmãos no
episcopado?
Perguntas acerca dos terceiro e quarto capítulos
11. Qual é a atenção, o espírito de fé
e de amor com que o Bispo anuncia a Palavra de Deus no contexto
das situações sócio-culturais hodiernas?
12. De que modo o Bispo recorre e adopta os meios de comunicação
social, para que sejam verdadeiros instrumentos da difusão da
Palavra de Deus?
13. Como é que a função sacramental do
Bispo é considerada um anúncio do Evangelho da esperança?
Com que prioridades?
14. Como é que a função de governo do Bispo
é considerada um anúncio do Evangelho da esperança?
Quais são as dificuldades concretas?
15. O Bispo sente-se responsável pela missio ad gentes em
todo o mundo? Como empenha nisto a sua diocese?
16. Como é que o Bispo se empenha concretamente no diálogo
ecuménico, inter-religioso e com a sociedade civil, em ordem ao anúncio
do Evangelho?
17. A promoção do homem na sua dignidade e nos seus
direitos é sentida pelo Bispo como anúncio da esperança
evangélica? Como?
18. O anúncio da pessoa de Cristo é posto pelo Bispo no
centro de todo o ministério?
Perguntas acerca do quinto capítulo
19. Qual é o centro unificador da espiritualidade do Bispo, como
seu modo concreto de estar em relação com Deus e com a
realidade que o rodeia?
20. Quais são as iniciativas concretas que favorecem a união
espiritual do Bispo, em primeiro lugar com os presbíteros e diáconos,
e em seguida, com os consagrados e as consagradas e com os leigos,
particularmente se reunidos em associações e fundaçõs
elcesiais?
21. Que sugestões se podem dar para ajudar o Bispo a crescer no
seu caminho espiritual? No início do seu mandato? Ao longo dos
anos?
22. Quais os Bispos santos que são, ou podem ser, tomados como
modelo do Bispo para alimentar uma espiritualidade própria?
Em geral
23. Que outros pontos importantes, a propósito do tema
estabelecido, merecem ser propostos à reflexão do Sínodo?
Í N D I C E
APRESENTAÇÃO
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO I: CONTEXTO ACTUAL DA MISSÃO DO BISPO
Uma nova valorização da figura do bispo
Novas instâncias e dificuldades para o ministério episcopal
Emêrgencias na comnunidade cristã
Diminução di fervir e subjectivização da
fé
A vida matrimonial e familiar
As vocações ao ministério presbiteral e à
vida consagrada
O desafio das seitas e dos novos movimentos religiosos
O contexto da sociedade dos homens
Um cenário mundial diferente
Algumas direcções das esperaças humanas
Bispos testemunhas e servidores da esperança
CAPÍTULO II: TRAÇOS DE IDENTIFICAÇÃO DO
MINISTÉRIO DO BISPO
O ministério do bispo em relação à Santíssima
Trindade
O ministério episcopal em relação a Cristo e aos Apóstolos
O ministério episcopal em relação a Igreja
O bispo em relação ao seu presbitério
O ministério do bispo em relação aos consagrados
O ministério do bispo em relação aos fiéis
leigos
O bispo na relação com o colégio episcopal e a sua
cabeça
Servos da comunhão para a esperança
CAPÍTULO III: O MINISTÉRIO PASTORAL DO BISPO NA DIOCESE
O bispo enviado para ensinar
O bispo chamado para santificar
O bispo enviado para governar e conduzir o povo de Deus
CAPÍTULO IV : O BISPO MINISTRO DO EVANGELHO PARA TODOS OS HOMENS
O dever missionário do bispo
O diálogo inter-religioso
Responsabilidade em relação ao mundo
CAPÍTULO V: O CAMINHO ESPIRITUAL DO BISPO
Exigência de santidade na vida do bispo
Dimensões da espiritualidade do bispo
Ministro do evangelho da esperança
A esperança no caminho espiritual do bispo
Alegres na esperança, á semelhança da Virgem Maria
QUESTIONÁRIO
ÍNDICE
NOTAS
(1) Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Cristifideles laici, (30
Dez. 1988), 55: AAS 81 (1989) 503; Adhort. Ap. Vita consecrata (25
Março 1996), 31: AAS 88 (1996) 404-405.
(2) Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Vita consecrata, 4: AAS
88 (1996) 380.
(3) Cf. ibidem, 29: AAS 88 (1996) 402.
(4) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 12.
(5) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de presbyterorum ministerio et
vita Presbyterorum ordinis, 7.
(6) CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia in mundo huius
temporis Gaudium et spes, 2.
(7) Cf. ibidem, 45.
(8) S. AUGUSTINUS, Serm. 340/A, 9: PLS 2, 644.
(9) CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium,
18.
(10) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 27.
(11) Ibidem, 1.
(12) CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia in mundo huius
temporis Gaudium et spes, 39.
(13) CONC. OECUM. VAT. II., Decretum de activ. missio. Ecclesiae Ad
gentes, 38.
(14) CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium,
23.
(15) Cf. SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae
imago de pastorali ministerio episcoporum (22 Fev. 1973), Typis
Polyglottis Vaticanis 1973.
(16) IOANNES PAULUS II, Allocutio ad Patres Cardinales, Familiam
domni Papae Romanamque Curiam, imminente Nativitate Domini Iesu Christi
habita (20 Fev. 1990), 6: AAS 83 (1991) 744.
(17) JOÃO PAULO II, Discurso à Conferência
Episcopal Colombiana (2 Set. 1986) n. 8: Insegnamenti di Giovanni
Paolo II, IX, 2, p.62-63.
(18) IOANNES PAULUS II, Epist. Apost. Tertio millennio adveniente
(10 Nov. 1994), 46: AAS 87 (1995) 34.
(19) JOÃO PAULO II, Discurso aos bispos da Áustria
por ocasião da visita "ad limina " (6 Jul. 1982),
2: AAS 74 (1982) 1123.
(20) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 4; Decretum de oecumenismo Unitatis redintegratio, 2.
(21) Cf. IOANNES PAULUS II, Epist. Apost. Tertio millennio
adveniente (10 Nov. 1994), 33 : AAS 87 (1995) 25-26.
(22) Cf. S. CYPRIANUS, Epist. 69, 8: PL 4, 419.
(23) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia
Christus Dominus, 11.
(24) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 23.
(25) Cf. ibidem, 28; Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia
Christus Dominus, 7.
(26) Cf. SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae
imago, 95-98.
(27) Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Christifideles laici (30
Dez. 1988), 29: AAS 81 (1989) 443-445.
(28) Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Pastores dabo vobis (25
Março 1992), 7: AAS 84 (1992) 666-668.
(29) PAULUS VI, Adhort. Ap. Evangelii nuntiandii (8 Dez. 1975),
80: AAS 58 (1976) 73.
(30) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia
Christus Dominus, 37.
(31) S. IRENAEUS, Adv. Haer. IV, 20, 7 : SCh 100/2, p. 648, lin.
180-181.
(32) Cf. SYNODI EPISCOPORUM II COETUS GENERALIS EXTRAORDINARIUS 1985,
Relat. finalis Ecclesia sub verbo Dei mysteria Christi celebrans pro
salute mundi (7 Dez. 1985), II, A.1.
(33) Cf. SECRETARIADO PARA A UNIÃO DOS CRISTÃOS -
SECRETARIADO PARA OS NÃO CRISTÃOS - SECRETARIADO PARA OS NÃO
CRENTES - CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A CULTURA, Rap. prov.
O fenómeno das seitas ou novos movimentos religiosos (7
Maio 1986).
(34) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 9.
(35) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia in mundo huius
temporis Gaudium et spes, 1
(36) Cf. IOANNES PAULUS II, Litt. encycl. Centesimus annus (1
Maio 1991), 38: AAS 83 (1991) 841.
(37) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso à ONU, n. 2-10, "L'Osservatore
Romano" (6 Out. 1995), p. 6.
(38) IOANNES PAULUS II, Litt. encycl. Centesimus annus (1 Maio
1991), 57: AAS 83 (1991) 862..
(39) IOANNES PAULUS II, Epist. Apost. Tertio millennio adveniente
(10 Nov. 1994), 37: AAS 87 (1995) 29.
(40) Cf. SYN. EXTR. EPIS. 1985, Relat. finalis Ecclesia sub verbo
Dei mysteria Christi celebrans pro salute mundi, III. C. 1.
(41) Cf. S. CYPRIANUS, De orat. Dom. 23 : PL 4, 553 ; cf. Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 4.
(42) SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago,
1.
(43) JOÃO PAULO II, Discurso à Conferência
Episcopal Colombiana (2 Julho. 1986), 2: Insegnamenti di Giovanni
Paolo II, IX/2, p. 58.
(44) TERTULLIANUS, Praescr. Haeret. 32 : PL 2, 53 ; cf. Const.
dogm. de Ecclesia Lumen gentium 2O.
(45) JOÃO PAULO II, Discurso aos bispos da região
Norte do Brasil, "L'Osservatore Romano" 29 Out. 1995, p. 7.
(46) CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium,
27.
(47) Cf. ibidem, 10.
(48) SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago,
14.
(49) Cf. S. AUGUSTINUS, In Io. tr. 123,5 : PL 35, 1967.
(50) Cf. SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae
imago n. 107-117.
(51) Cf. CONC. OECUM. VAT. II, Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 28; Decret. de presbyterorum ministerio et vita Presbyterorum
ordinis, 8. Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Pastores dabo vobis
(25 Março 1992) n. 17 : AAS 84 (1992) 683.
(52) IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Pastores dabo vobis (25 Março
1992), 16 : AAS 84 (1992) 682.
(53) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 28.
(54) CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium,
28.
(55) Ibidem.
(56) Cf. ibidem, 29. 41.
(57) IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Pastores dabo vobis (25 Março
1992), 65 : AAS 84 (1992) 771.
(58) IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Vita consecrata (25 Março
1996), 3: AAS 88 (1996) 379.
(59) Cf. ibidem, 29: AAS 88 (1996) 402; CONC. OECUM. VAT. II.,
Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 44.
(60) SACRA CONGREGATIO PRO RELIGIOSIS ET INSTITUTIS SAECULARIBUS ET
SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Notae directivae Mutuae relationes
(14 Maio 1978), 9c : AAS 70 (1978) 479.
(61) CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium,
23.
(62) IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Vita consecrata (25 Março
1996), 84. 88: AAS 88 (1996) 461. 464.
(63) Cf. ibidem, 48: AAS 88 (1996) 421-422; SACRA CONGREGATIO
PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 207.
(64) Cf. CONC. OECUM. VAT. II, Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, cap. IV; Decretum de apostol. laicor. Apostolicam
actuositatem ; IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Christifideles laici
(30 Dez. 1988); cf. SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae
imago, 208; cf. n. 153--161.
(65) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia in mundo huius
temporis Gaudium et spes, 39.
(66) Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. Christifideles laici (30
Dez. 1988), 30: AAS 81 (1989) 446-448.
(67) Cf. CONC. OECUM. VAT. II, Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 23; CIC can. 381 §1.
(68) Cf. CONC. OECUM. VAT. II, Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 22; NEP 1-2; CIC can. 336.
(69) S. CYPRIANUS, De cath. eccl. unit. 5: PL 4, 516; Cf. CON.
OECUM. VAT.I., Const. dogm. I Pastor aeternus de Ecclesia Christi,
Prologus: DS 3051; CONC. OECUM. VAT. II, Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 18.
(70) Cf. PAULUS VI, Allocutio tertia Concilii periodo ineunte
(14 Set. 1964) : AAS 56 (1964), 813.
(71) Cf. CONGREGATIO PRO DOCTRINA FIDEI, Litterae Communionis notio
(28 Maio 1992), 9. 11-14.
(72) CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia
Christus Dominus, 6; cf. CONC. OECUM. VAT. II, Const. dogm. de
Ecclesia Lumen gentium, 23; Decret. de past. Episc. mun. in
Ecclesia Christus Dominus, 3. 5.
(73) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. de sacra Liturgia Sacrosanctum
concilium, 26.
(74) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia
Christus Dominus, 6.
(75) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia
Christus Dominus, 36; Cf. CIC 439-446; SACRA CONGREGATIO PRO
EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 213.
(76) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia
Christus Dominus, 38; CIC can. 447; SACRA CONGREGATIO PRO
EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago, 210-212.
(77) Cf. SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae
imago, 53.
(78) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia
Christus Dominus, 5; CIC can. 403-411.
(79) CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium,
19.
(80) Cf. ibidem, 23.
(81) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 21.
(82) SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago,
concl.
(83) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 27.
(84) Cf. ibidem, 25. Cf. Decret. de past. Episc. mun. in
Ecclesia Christus Dominus, 12-14; SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS,
Directorium Ecclesiae imago, 55-65.
(85) Cf. CIC can. 386.
(86) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia in mundo huius
temporis Gaudium et spes, 22.
(87) Cf. CIC can. 386 §2.
(88) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso aos Bispos dos Estados
Unidos da América em visita "ad Limina" (22 Out. de
1983), 4.-5: AAS 76 (1984) 380.
(89) SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago,
59-60.
(90) Cf. CONGREGATIO DE DOCTRINA FIDEI, Instructio Donum veritatis
de ecclesiali theologi vocatione (24 Maio 1990), 21: AAS 82 (1990) 1559.
(91) Cf. IOANNES PAULUS II, Const. apost. Fidei depositum (11
Out. 1992), 4: AAS 86 (1994) 113- -118.
(92) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia in mundo huius
temporis Gaudium et spes, 33.
(93) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de presbyterorum ministerio et
vita Presbyterorum ordinis, 5.
(94) CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium,
26.
(95) JOÃO PAULO II, Catequese da Quarta-Feira 11 Nov.
1992, 1. "L'Osservatore Romano" 12 Nov. 1992, p. 4.
(96) Cf. S. Th. III, q. 65, a. 2; II-II, q. 185, a. 1.
(97) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 26.
(98) CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia
Christus Dominus, 15; CIC can. 387.
(99) Cf. S. Ignatius Antioch., Ad magn 7 : Funk F., Opera
Patrum apostolicorum, vol. I., Tubingae 1897, p. 194-196; CONC. OECUM.
VAT. II., Const. de sacra Liturgia Sacrosanctum concilium, 41;
Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium, 26; Decretum de
oecumenismo Unitatis redintegratio, 15.
(100) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. de sacra Liturgia Sacrosantum
concilium, 106.
(101) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 11.
(102) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. de sacra Liturgia Sacrosantum
concilium, 21.
(103) Cf. PAULUS VI, Adhort. Ap. Evangeli Nuntiandi (8 Dez.
1975), 48: AAS 58 (1976) 37-38.
(104) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso aos bispos da Conferência
Episcopal de Abruzzo-Molise em visita "ad Limina" (24 Abril
1986), 3-7: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, IX/1 (1986) p.
1123ss.
(105) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen
gentium, 4.
(106) IOANNES PAULUS II, Litt. encycl. Dominum et vivificantem (18
Maio 1986), 66: AAS 78 (1986) 897.
(107) CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium,
27; cf. Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia Christus Dominus,
16.
(108) JOÃO PAULO II, Catequese da Quarta-Feira 18 Nov.
1992, 2. 4. "L'Osservatore Romano" 19 Nov. 1992, p. 4.
(109) Cf. CIC can. 383 §1; 384.
(110) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso aos Bispos da Região
Norte da Conferência Episcopal do Brasil em visita "ad Limina"
(28 Nov. 1995), 5: "L'Osservatore Romano", 4 Nov. 1995, p. 4.
(111) Cf. SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae
imago, 93-98.
(112) Cf. IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. postsynod. Pastores dabo
vobis (25 Março 1992), 23: AAS 84 (1992) 694.
(113) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de presbyterorum ministerio et
vita Presbyterorum ordinis, 17.
(114) Cf. CIC can 396 §1; cf. can. 398.
(115) SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae imago,
166; cf. nn. 166- -170.
(116) Cf. CIC can. 460-468. Cf. SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS,
Directorium Ecclesiae imago, 163-165.
(117) Cf. CIC can. 212 §2 e 3.
(118) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia in mundo huius
temporis Gaudium et spes, 1.
(119) IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl. Redemptoris missio (7
Dez. 1990), 31 : AAS 83 (1991) 276.
(120) Ibidem, 20 : AAS 83 (1991) 267.
(121) Cf. CONC. OECUM. VAT. II, Decretum de activ. mission. Ecclesiae
Ad gentes, 38.
(122) CONC. OECUM. VAT. II, Decretum de activ. mission. Ecclesiae Ad
gentes, 38. Cf. IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl. Redemptoris
missio (7 Dez. 1990), 63 : AAS 83 (1991) 311.
(123) IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl. Redemptoris missio , 11 :
AAS 83 (1991) 259.
(124) Cf. CONC. OECUM. VAT. II, Decretum de activ. mission. Ecclesiae
Ad gentes, 9.
(125) IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl. Redemptoris missio, 55 :
AAS 83 (1991) 302; Epist. Apost. Tertio millennio adveniente (10
Nov. 1994), 53: AAS (1995) 37.
(126) S. IUSTINUS, Dialogus cum Tryphone 11: PG 6, 499.
(127) CONC. OECUM. VAT. II, Declar. de libert. religiosa Dignitatis
humanae, 1.
(128) Cf. IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl. Redemptoris missio,
11 : AAS 83 (1991) 254.
(129) CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia in mundo huius
temporis Gaudium et spes, 40.
(130) CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia in mundo huius
temporis Gaudium et spes, 76.
(131) Cf. ibidem, 72. 76.
(132) IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl. Centesimus annus (1 Mar.
1991), 47 : AAS 83 (1991) 852.
(133) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. past. de Ecclesia in mundo huius
temporis Gaudium et spes, 63.
(134) Catecismo da Igreja Católica, 1818.
(135) Cf. CONGREGATIO PRO DOTRINA FIDEI, Instructio de libertate
christiana et liberatione (22 Março 1986), 62 : AAS 79 (1987)
580-581.
(136) Cf. ibidem, 60 : AAS 79 (1987) 579.
(137) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso na Jornada mundial de
oração pela paz em Assis (27 Out. de 1986), 7 : Insegnamenti
di Giovanni Paolo II, IX/2, p. 1263.
(138) Cf. SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae
imago (22 Fev. 1973), 21.
(139) SYN. EXTR. EPISC. 1985, Relat. finalis Ecclesia sub verbo Dei
mysteria Christi celebrans pro salute mundi, II, A, 4.
(140) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Presbyterorum ordinis cap. III;
IOANNES PAULUS II, Adhort. Ap. postsynod. Pastores dabo vobis (25
Março 1992), cap. III.
(141) S. PETRUS DAMIANUS, Opusc. XI (Liber qui appellatur Dominus
vobiscum) 5 : PL 145, 235; cf. S. AUGUSTINUS, In Jo. tr. 32, 8
: 35, 1645.
(142) Cf. SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae
imago, pars I, cap. IV (n. 21-31).
(143) Cf. ibidem, 25.
(144) JOÃO PAULO II, Discurso aos Bispos da Áustria
em ocasião da visita "ad Limina" (6 Jul. 1982), 2. AAS 74
(1982) 1123.
(145) Cf. S. AUGUSTINUS, Serm. 179, 1 : PL 38, 966.
(146) Cf. S. THOMA AQ., S. Th. II-II, q. 17, a. 2.
(147) CONC. OECUM. VAT. II., Decret. de past. Episc. mun. in Ecclesia
Christus Dominus, 15.
(148) Cf. CONC. OECUM. VAT. II., Const. de sacra Liturgica Sacrosanctum
concilium, 8.
(149) Cf. THOMA AQ., S. Th. III, q. 60, a. 3.
(150) Catecismo da Igreja Católica, 1313.
(151) Cf. S. AUGUSTINUS, En. In Ps. 50, 5 : PL 36, 588.
(152) Cf. SACRA CONGREGATIO PRO EPISCOPIS, Directorium Ecclesiae
imago, 89.
(153) Cf. S. BASILIUS, Homilia de gratiarum actione, 7 : PG 31,
236.
(154) PAULUS VI, Adhort. Ap. Gaudete in Domino (9 Maio 1975), p.
I: AAS 67 (1975) 293.
(155) CONC. OECUM. VAT. II., Const. dogm. de Ecclesia Lumen gentium,
68.
(156) Cf. IOANNES PAULUS II, Litt. Encycl. Redemptoris Mater (25
Março 1987), 45: AAS 79 (1987) 423.
(157) IOANNES PAULUS II, Angelus 19-11-1995, 3, "L'
Osservatore Romano" 20-21 Nov. 1995, pp. 1. 5.
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