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ENCONTRO INTERNACIONAL
“THE ECONOMY OF FRANCESCO”
[Assis, 19-21 de novembro de 2020]

MENSAGEM EM VÍDEO DO PAPA FRANCISCO

Sábado, 21 de novembro de 2020

[Multimídia]


 

Estimados jovens, boa tarde!

Obrigado por estardes ali presentes, por todo o trabalho que realizastes, pelo esforço destes meses, apesar das mudanças de programa. Não vos desanimastes, pelo contrário, constatei o nível de reflexão, a qualidade, a seriedade e a responsabilidade com que trabalhastes: nada excluístes do que vos dá alegria, do que vos preocupa, do que vos indigna e do que vos impele a mudar.

A ideia original era encontrar-se em Assis para nos inspirarmos nos passos de São Francisco. Do Crucifixo de São Damião e de outros rostos — como o do leproso — o Senhor foi ao seu encontro, chamou-o e confiou-lhe uma missão; despojou-o dos ídolos que o isolavam, das perplexidades que o paralisavam e fechou-o na fraqueza habitual do “sempre se fez assim” — esta é uma fraqueza! — ou da tristeza adocicada e insatisfeita daqueles que vivem apenas para si próprios e deu-lhe a capacidade de entoar um canto de louvor, expressão de alegria, liberdade e doação de si. Portanto, para mim este encontro virtual em Assis não é um ponto de chegada, mas o impulso inicial de um processo que somos convidados a viver como vocação, como cultura e como pacto.

A vocação de Assis

“Francesco vai, repara a minha casa que, como vês, está em ruínas”. Estas foram as palavras que moveram o jovem Francisco, tornando-se um apelo especial a cada um de nós. Quando vos sentis chamados, envolvidos e protagonistas da “normalidade” a ser construída, sabeis dizer “sim”, e isto infunde esperança. Sei que aceitastes esta convocação imediatamente, porque sois capazes de ver, analisar e experimentar que não podemos continuar deste modo: o nível de adesão, inscrição e participação neste pacto, que foi além das capacidades, demonstrou-o claramente. Vós manifestais uma especial sensibilidade e preocupação em identificar as questões cruciais que nos interpelam. Fizeste-lo de uma perspetiva particular: a economia, que é o vosso campo de investigação, estudo e trabalho. Sabeis que é urgente uma narração económica diferente, é urgente reconhecer responsavelmente que «o atual sistema mundial é insustentável de vários pontos de vista»[1] e fere a nossa irmã terra, tão maltratada e despojada, e ao mesmo tempo os mais pobres e os excluídos. Caminham juntos: a terra é despojada e há muitos pobres excluídos. Eles são os primeiros prejudicados... e também os primeiros esquecidos.

Mas tende cuidado para não vos deixardes convencer de que se trata apenas um lugar-comum recorrente. É muito mais do que um “rumor” superficial e transitório que pode adormecer e narcotizar ao longo do tempo. Se não quisermos que isto aconteça, sois chamados a incidir concretamente nas vossas cidades e universidades, no trabalho e no sindicato, nas empresas e nos movimentos, em gabinetes públicos e privados com inteligência, esforço e convicção, para chegar ao núcleo e ao coração, onde os temas e os paradigmas são elaborados e decididos[2]. Tudo isto me levou a convidar-vos a fazer este pacto. A gravidade da situação atual, que a pandemia de Covid tornou ainda mais evidente, exige uma conscientização responsável de todos os atores sociais, de todos nós, entre os quais vós tendes um papel primordial: as consequências das nossas ações e decisões afetar-vos-ão pessoalmente, pelo que não podem permanecer fora dos lugares onde se gera não o vosso futuro, mas o vosso presente. Não podeis ficar fora do lugar onde o presente e o futuro são gerados. Ou estais envolvidos ou a história passará por cima de vós.

Uma nova cultura

Precisamos de uma mudança, queremos uma mudança, procuramos uma mudança[3]. O problema surge quando nos damos conta de que, para muitas das dificuldades que nos afligem, não temos respostas adequadas e inclusivas; pelo contrário, sofremos de uma fragmentação na análise e no diagnóstico que acaba por bloquear todas as soluções possíveis. Afinal, falta-nos a cultura necessária para permitir e estimular a abertura de diferentes visões, baseadas num tipo de pensamento, política, programas educacionais, e até de uma espiritualidade que não se deixe fechar numa única lógica dominante[4]. Se é urgente encontrar respostas, é indispensável crescer e apoiar grupos dirigentes capazes de desenvolver a cultura, iniciar processos — não vos esqueçais desta palavra: iniciar processos — traçar caminhos, ampliar horizontes, criar pertenças... A fim de ser significativo, cada esforço para administrar, cuidar e melhorar a nossa casa comum exige uma mudança «dos estilos de vida, dos modelos de produção e de consumo, das estruturas consolidadas de poder, que hoje regem as sociedades»[5]. Se não o fizerdes, nada fareis!

Precisamos de grupos dirigentes comunitários e institucionais que possam enfrentar os problemas sem ficar prisioneiros deles e das próprias insatisfações, e assim desafiar a submissão — muitas vezes inconsciente — a certas lógicas (ideológicas) que acabam por justificar e paralisar todas as ações perante as injustiças. Recordemos, por exemplo, como bem observou Bento XVI, que a fome «não depende tanto de uma escassez material, como sobretudo da escassez de recursos sociais, o mais importante dos quais é de natureza institucional»[6]. Se fordes capazes de resolver isto, tereis o caminho aberto para o futuro. Repito o pensamento do Papa Bento: a fome não depende tanto da escassez material, como sobretudo da escassez de recursos sociais, o mais importante dos quais é de natureza institucional.

A crise social e económica, que muitos sofrem na própria carne e que hipoteca o presente e o futuro no abandono e na exclusão de tantas crianças, adolescentes e famílias inteiras, não tolera que privilegiemos os interesses setoriais em detrimento do bem comum. Devemos voltar um pouco à mística [ao espírito] do bem comum. Neste sentido, permiti-me assinalar um exercício que experimentastes como metodologia para uma resolução de conflitos sadia e revolucionária. Durante estes meses, partilhastes várias reflexões e importantes quadros teóricos. Conseguistes concordar sobre 12 temas (as “aldeias”, como lhes chamastes): 12 temas para debater, discutir e identificar caminhos viáveis. Experimentastes a tão necessária cultura do encontro, que é o oposto da cultura do descarte, que está na moda. E esta cultura do encontro permite que muitas vozes estejam ao redor da mesma mesa para dialogar, pensar, debater e criar, de uma perspetiva poliédrica, as diferentes dimensões e respostas aos problemas globais que dizem respeito aos nossos povos e democracias[7]. Como é difícil progredir rumo a soluções reais, quando é desacreditado, difamado e descontextualizado o interlocutor que não pensa como nós! Este desacreditar, difamar ou descontextualizar o interlocutor que não pensa como nós é um modo de se defender desprezivelmente contra as decisões que eu deveria tomar para resolver muitos problemas. Nunca esqueçamos que «o todo é mais do que a parte, sendo também mais do que a simples soma delas»[8], e que «a mera soma dos interesses individuais não é capaz de gerar um mundo melhor para toda a humanidade»[9].

Este exercício de encontro para além de todas as diferenças legítimas é o passo fundamental para qualquer transformação que ajude a dar vida a uma nova mentalidade cultural e, portanto, económica, política e social; pois não será possível comprometer-se em grandes projetos apenas a partir de uma perspetiva teórica ou individual, sem um espírito que vos anime, sem algumas motivações interiores que deem sentido, sem uma pertença e um enraizamento que deem fôlego à ação pessoal e comunitária[10].

Assim, o futuro será um tempo especial, em que nos sentiremos chamados a reconhecer a urgência e a beleza do desafio que se nos depara. Uma época que nos recorda que não estamos condenados a modelos económicos que centram o seu interesse imediato nos lucros, como unidade de medida, e na busca de políticas públicas semelhantes que ignoram o seu custo humano, social e ambiental[11]. Como se pudéssemos contar com uma disponibilidade absoluta, ilimitada ou neutra de recursos. Não, não somos obrigados a continuar a admitir e a tolerar em silêncio, no nosso comportamento, «que alguns se sintam mais humanos que outros, como se tivessem nascido com maiores direitos»[12], ou privilégios para o gozo garantido de certos bens ou serviços essenciais[13]. Também não basta concentrar-se na busca de cuidados paliativos no terceiro setor ou em modelos filantrópicos. Embora a sua obra seja crucial, nem sempre são capazes de enfrentar estruturalmente os desequilíbrios atuais que atingem os mais excluídos e, involuntariamente, perpetuam as injustiças que procuram combater. Com efeito, não se trata apenas nem exclusivamente de satisfazer as necessidades mais essenciais dos nossos irmãos. É necessário aceitar estruturalmente que os pobres têm dignidade suficiente para participar nos nossos encontros e debates, e levar o pão para as suas casas. E isto é muito mais do que assistencialismo: referimo-nos uma conversão e transformação das nossas prioridades e do lugar do outro nas nossas políticas e na ordem social.

Em pleno século XXI, «já não se trata simplesmente do fenómeno de exploração e opressão, mas de uma realidade nova: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora»[14]. Prestai atenção a isto: com a exclusão, é atingida na sua raiz a pertença à sociedade em que se vive, uma vez que não se vive nas favelas, na periferia ou sem poder, mas fora. É a cultura do descarte, que não só descarta, como também obriga a viver no próprio descarte, tornado invisível para além do muro da indiferença e do conforto.

Lembro-me da primeira vez que vi um bairro fechado. Não sabia que eles existiam. Foi em 1970. Tive que ir visitar alguns noviciados da Companhia, e cheguei a um país, e depois, passando pela cidade, disseram-me: “Não, não se pode ir ali, porque este é um bairro fechado”. Dentro havia muros, no interior havia casas, ruas, mas fechadas: ou seja, um bairro que vivia na indiferença. Surpreendeu-me muito ver isto. Mas depois isto cresceu, cresceu... e estava em toda a parte. Mas pergunto-te: o teu coração é como um bairro fechado?

O pacto de Assis

Não podemos continuar a adiar certos assuntos. Esta tarefa enorme e inadiável exige um compromisso generoso na esfera cultural, na formação académica e na investigação científica, sem nos perdermos em modas intelectuais nem em poses ideológicas — que são ilhas — que nos isolam da vida e do sofrimento concreto do povo[15]. É tempo, queridos jovens economistas, empresários, trabalhadores e dirigentes empresariais, é tempo de ousar o risco de fomentar e estimular modelos de desenvolvimento, progresso e sustentabilidade em que as pessoas, e especialmente os excluídos (e entre eles, também a irmã terra), deixem de ser — no melhor dos casos — uma presença meramente nominal, técnica ou funcional para se tornar protagonistas das suas vidas, assim como de todo o tecido social.

Isto não seja algo nominal: há os pobres, os excluídos... Não, não, que a presença não seja nominal, nem técnica, nem funcional. É hora que eles se tornem protagonistas da sua vida, assim como de todo o tecido social. Não pensemos por eles, pensemos com eles. Recordai o legado do Iluminismo, das elites iluminadas. Tudo pelo povo, nada com o povo. E isto não funciona. Não pensemos por eles, pensemos com eles. E deles aprendamos a fazer progredir modelos económicos que beneficiem todos, porque a abordagem estrutural e decisória será determinada pelo desenvolvimento humano integral, tão bem elaborado pela doutrina social da Igreja. A política e a economia não devem «submeter-se aos ditames e ao paradigma eficientista da tecnocracia. Pensando no bem comum, hoje precisamos imperiosamente que a política e a economia, em diálogo, se coloquem decididamente ao serviço da vida, especialmente da vida humana»[16]. Sem esta centralidade e esta orientação, continuaremos prisioneiros de uma circularidade alienante que perpetuará apenas dinâmicas de degradação, exclusão, violência e polarização: «Qualquer programa feito para aumentar a produção não tem, afinal, razão de ser, senão colocado ao serviço da pessoa. Deve reduzir desigualdades, combater discriminações, libertar o homem da servidão [...] Não basta aumentar a riqueza comum, para que ela seja repartida equitativamente — não, isto não é suficiente — não basta promover a técnica, para que a terra possa ser habitada de maneira mais humana»[17]. Nem sequer isto é suficiente!

A perspetiva do desenvolvimento humano integral é uma boa notícia a profetizar e implementar — e não se trata de sonhos: este é o caminho — uma boa notícia a profetizar e implementar, pois propõe que nos encontremos como humanidade com base no melhor de nós mesmos: o sonho de Deus, que aprendamos a cuidar do nosso irmão, e do nosso irmão mais vulnerável (cf. Gn 4, 9). «A grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre — a grandeza da humanidade. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade»[18]; uma medida que deve encarnar-se inclusive nas nossas decisões e modelos económicos.

Como é bom deixar ressoar as palavras de São Paulo VI quando, no desejo de que a mensagem evangélica permeasse e guiasse todas as realidades humanas, escreveu: «O desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento económico. Para ser autêntico, deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo [...] — todo o homem e o homem todo! - não aceitamos que o económico se separe do humano; nem o desenvolvimento das civilizações em que ele se incluiu. O que conta para nós é o homem, cada homem, cada grupo de homens, até chegar à humanidade inteira»[19].

Neste sentido, muitos de vós terão a oportunidade de agir e influenciar as decisões macroeconómicas, onde está em jogo o destino de muitas nações. Estes cenários necessitam também de pessoas preparadas, «prudentes como as serpentes e simples como as pombas» (Mt 10, 16), capazes de «velar pelo desenvolvimento sustentável dos países, evitando uma sujeição sufocante desses países a sistemas de crédito que, longe de promover o progresso, submetem as populações a mecanismos de maior pobreza, exclusão e dependência»[20]. Sozinhos, os sistemas de crédito são um caminho para a pobreza e a dependência. Este protesto legítimo apela ao estímulo e acompanhamento de um modelo de solidariedade internacional que reconheça e respeite a interdependência entre as nações, favorecendo mecanismos de controle capazes de evitar qualquer tipo de submissão, bem como de supervisionar a promoção dos países mais desfavorecidos e em desenvolvimento; cada povo é chamado a tornar-se artífice do próprio destino e do mundo inteiro[21].

* * *

Caros jovens, «Hoje temos à nossa frente a grande ocasião de expressar o nosso ser irmãos, de ser outros bons samaritanos que tomam sobre si a dor dos fracassos, em vez de fomentar ódios e ressentimentos»[22]. Um futuro imprevisível já está em gestação; cada um de vós, partindo do lugar onde trabalha e decide, pode fazer muito; não escolhais atalhos, que vos seduzem e impedem de vos misturardes para ser fermento onde vos encontrais (cf. Lc 13, 20-21). Evitar atalhos, levedura, sujar as mãos. Após a crise sanitária que atravessamos, a pior reação seria cair ainda mais no consumismo febril e em novas formas de autoproteção egoísta. Não vos esqueçais, de uma crise nunca saímos da mesma forma: ou saímos melhores ou piores. Façamos crescer o que é bom, aproveitemos a oportunidade e coloquemo-nos todos ao serviço do bem comum. Queira o Céu que no final já não haja “os outros”, mas que aprendamos a amadurecer um estilo de vida em que saibamos dizer “nós”[23]. Mas um grande “nós”, não um pequeno “nós” e depois “os outros”, não, isto não funciona!

A história ensina-nos que não existem sistemas nem crises que possam anular completamente a capacidade, o engenho e a criatividade que Deus não cessa de suscitar nos corações. Com dedicação e fidelidade aos vossos povos, ao vosso presente e futuro, podeis unir-vos aos outros para tecer um novo modo de fazer a história. Não tenhais medo de vos envolver e de tocar a alma das cidades com o olhar de Jesus; não tenhais medo de habitar corajosamente os conflitos e as encruzilhadas da história, para os ungir com o aroma das bem-aventuranças. Não tenhais medo, pois ninguém se salva sozinho. Ninguém se salva sozinho! A vós jovens, provenientes de 115 países, dirijo o convite para reconhecer que precisamos uns dos outros para dar vida a esta cultura económica, capaz de «fazer germinar sonhos, suscitar profecias e visões, fazer florescer a esperança, estimular confiança, faixar feridas, entrançar relações, ressuscitar uma aurora de esperança, aprender uns dos outros, e criar um imaginário positivo que ilumine as mentes, aqueça os corações, restitua força às mãos e inspire aos jovens — a todos os jovens, sem excluir nenhum — a visão de um futuro repleto da alegria do Evangelho»[24].

Obrigado!


[1] Carta Encíclica Laudato si’ (24 de maio de 2015), 61. Doravante, LS.

[2] Cf. Exortação Apostólica Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), 74. Doravante, EG.

[3] Cf. Discurso no Encontro Mundial dos Movimentos Populares, Santa Cruz de la Sierra, 9 de julho de 2015.

[4] Cf. LS, 111.

[5] São João Paulo II, Carta Encíclica Centesimus annus (1 de maio de 1991), 58.

[6] Carta Encíclica Caritas in veritate (29 de junho de 2009), 27.

[7] Cf. Discurso no Simpósio “Novas formas de fraternidade solidária, inclusão, integração e inovação”, organizado pela Pontifícia Academia das Ciências Sociais (5 de fevereiro de 2020). Recordemos que «a verdadeira sabedoria, fruto da reflexão, do diálogo e do encontro generoso entre as pessoas, não se adquire com uma mera acumulação de dados que, numa espécie de poluição mental, acabam por saturar e confundir» (LS, 47).

[8] EG, 235.

[9] Carta Encíclica Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), 105. Doravante, FT.

[10] Cf. LS, 216.

[11] Favorecendo, se for necessário, a evasão fiscal, o desrespeito dos direitos dos trabalhadores, bem como «a possibilidade de corrupção por parte de algumas das maiores corporações do mundo, não raro em consonância com algum setor político dominante» (Discurso no Simpósio “Novas formas de fraternidade solidária, inclusão, integração e inovação”, cit.)

[12]) LS, 90. Por exemplo, «culpar o incremento demográfico em vez do consumismo exacerbado e seletivo de alguns é uma forma de não enfrentar os problemas. Pretende-se, assim, legitimar o atual modelo distributivo, no qual uma minoria se julga com o direito de consumir numa proporção que seria impossível generalizar, porque o planeta não poderia sequer conter os resíduos de tal consumo» (LS, 50).

[13] Embora todos sejamos dotados da mesma dignidade, nem todos partem da mesma posição e com as mesmas possibilidades, quando se considera a ordem social. Isto questiona-nos e pede-nos que pensemos em modalidades em que a liberdade e a igualdade não sejam apenas um dado nominal que se preste a fomentar a injustiça (cf. FT, 21-23). Far-nos-á bem interrogar-nos: «O que acontece sem uma fraternidade conscientemente cultivada, sem uma vontade política de fraternidade, traduzida numa educação para a fraternidade, para o diálogo, para a descoberta da reciprocidade e do enriquecimento mútuo como valores?» (FT, 103).

[14] Num mundo de virtualidade, mudança e fragmentação, os direitos sociais não podem ser somente exortações nem apelos nominalistas, mas devem ser farol, bússola do caminho, pois «o estado de saúde das instituições de uma sociedade tem consequências no meio ambiente e na qualidade de vida humana» (LS, 142).

[15] Cf. Constituição Apostólica Veritatis gaudium (8 de dezembro de 2017), 3.

[16] LS, 189.

[17]) São Paulo VI, Carta Encíclica Populorum progressio (26 de março de 1967), 34. Doravante, PP.

[18] Bento XVI, Carta Encíclica Spe salvi (30 de novembro de 2007), 38.

[19] PP, 14.

[20] Discurso na Assembleia Geral da ONU (25 de setembro de 2015).

[21] Cf. PP, 65.

[22]) FT, 77.

[23] ibid., 35.

[24] Discurso no início do Sínodo dedicado aos jovens (3 de outubro de 2018).

 



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